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O filme português «Linhas de Wellington», realizado pela chilena Valeria Sarmiento, é a sugestão cinéfila do Teatro Municipal da Guarda TMG para a próxima terça-feira, dia 30 de Outubro. O filme passa às 21h30 no Pequeno Auditório.

Trata-se de uma reconstituição do ambiente histórico das invasões francesas protagonizada por John Malkovich, IsabelleHuppert, Nuno Lopes e Soraia Chaves. Parte das filmagens desta longa metragem decorreram no distrito da Guarda, mais precisamente em Folgosinho.
Sobre a história, tudo começa em 27 de Setembro de 1810, quando as tropas francesas comandadas pelo marechal Massena, são derrotadas na Serra do Buçaco pelo exército anglo-português do general Wellington. Apesar da vitória, portugueses e ingleses retiram-se a marchas forçadas diante do inimigo, numericamente superior, com o objectivo de o atrair a Torres Vedras, onde Wellington fez construir linhas fortificadas dificilmente transponíveis. Simultaneamente, o comando anglo-português organiza a evacuação de todo o território compreendido entre o campo de batalha e as linhas de Torres Vedras, numa gigantesca operação de terra queimada, que tolhe aos franceses toda a possibilidade de aprovisionamento local. É este o pano de fundo das aventuras de uma plêiade de personagens de todas as condições sociais – soldados e civis; homens, mulheres e crianças; jovens e velhos – arrancados à rotina quotidiana pela guerra e lançados por montes e vales, entre povoações em ruína, florestas calcinadas, culturas devastadas.

Estreia da trilogia de curtas musicadas
A 3 de Novembro, o TMG apresenta em estreia absoluta «Cine-concerto 2 [trilogia de curtas-metragens com música ao vivo]». Três filmes vão ser musicados ao vivo, no Pequeno Auditório, às 21h30: «A Propósito de Nice», de Jean Vigo será musicado por Miguel Cordeiro; «The Blacksmith» de Buster Keaton terá a paisagem sonora de César Prata e «Überfall» de Ernö Metzner será musicado por Luís Rolo. Os três são músicos da Guarda.
Sobre as curtas e os músicos, «A Propósito de Nice» é considerada pelos cinéfilos como uma espécie de «sinfonia de uma cidade», a curta constituiu um marco na história do documentário e catapultou o seu realizador, Jean Vigo para o panteão dos grandes cineastas da primeira metade do século XX. Miguel Cordeiro, é o músico que vai dar som a esta curta. Estudou piano e Jazz no Taller de Música de Barcelona e na escola do Hot Club Portugal. Concluiu em 2011 o mestrado de «composição para cinema e audiovisuais».Actualmente dedica-se à composição de música para imagem.
Já «The Blacksmith» é curta-metragem de excelência artística de Buster Keaton, «o cómico que nunca ri», num exemplo de extraordinária capacidade humorística sem recurso a uma única palavra. Esta curta vai ser musicada por César Prata, o músico dos sete instrumentos e mentor de vários projectos musicais como Chuchurumel, Assobio ou as Canções do Ceguinho. O músico já compôs também para teatro e cinema.
E a finalizar a noite, «Überfall», considerada uma das grandes obras vanguardistas do cinema mudo alemão; um filme de grande poder visual e que será musicado ao vivo por Luís Rolo, músico dado a sonoridades electrónicas que já integrou projectos como Dual Tone (com António Louro), um projecto que misturava a electrónica com o hip-hop.

Noiserv em concerto
Na quarta, dia 31 de Outubro, o projecto Noiserv, de David Santos, volta ao TMG, desta vez ao Pequeno Auditório. O concerto está marcado para as 21h30.
Noiserv tem vindo a afirmar-se como um dos mais criativos e estimulantes, de entre os surgidos em Portugal na última década. O seu percurso tem sido marcado pela criação de peças musicais de um minimalismo capaz de atingir cada individuo na sua intimidade, relembrando-lhe vivências, momentos e memórias intrincadas entre a realidade e o sonho, e por concertos de elevadíssima intensidade, nos quais o público é suspenso a partir de uma teia sonora, criada por um vasto leque de instrumentos inusuais.
Criado em meados de 2005, Noiserv ganhou forma quando David Santos decide gravar algumas ideias numa demo, meses mais tarde esses 3 temas são editados on line, na netlabel Merzbau. Já em 2008 Noiserv edita o seu primeiro longa-duração, “One Hundred Miles from Thoughtlessness”, disco incrivelmente bem recebido pelo público, pela imprensa e crítica, e que actualmente esgotou a sua terceira edição.
Logo a seguir ao concerto de Noiserv o TMG promove no CC uma Noite Mexicana inspirada no Dia de Los Muertos.

Dia de los Muertos [Noite mexicana]
A tradicional festa mexicana dedicada aos defuntos, o «Dia de Los Muertos» serve de pretexto para uma Noite Mexicana no Café Concerto (CC), na próxima quarta-feira, dia 31 de Outubro, logo a seguir ao concerto de Noiserv no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda.
O TMG vai exibir no CC várias curtas-metragens de animação inspiradas no Dia de Los Muertos:
«Viva Calaca 1» de Ritxi Ostáriz, «The Skeleton Dance» de Ub Iwerks, «Hasta los Huesos» de René Castillo, «Viva Calaca 2» de Ritxi Ostáriz e «Skeleton Frolic» de Ub Iwerks. Pela noite dentro haverá preços especiais para as bebidas mexicanas: Mescal, Tequila, Margarita e Cerveja Corona, sempre ao som de música Mexicana. Serão ainda sorteados pelo público presente três vouchers; cada um deles dará acesso a três espectáculos do TMG, a saber: o teatro “Édipo” pela Companhia do Chapitô, o espectáculo transdisciplinar «Pi_add(a)forte» e o concerto da jovem fadista Cuca Roseta.
Tudo boas razões para sair de casa e aproveitar a véspera de feriado no Teatro Municipal da Guarda!

A Música de «Abztraqt Sir Q» no CC
No próximo dia 2 de Novembro (sexta), a Quarta Parede – Associação de Artes Performativas da Covilhã e o TMG apresentam no Café Concerto o espectáculo de música «Abztraqt Sir Q».
«Abztraqt Sir Q» são um grupo de músicos cujos destinos se cruzaram no Extremo Oriente. Auto intitulam-se: «Andy Newman, o baterista pedante. Egon Crippa, o baixista esquivo. Dichma Rahma, a vocalista inconstante. Peter Shuy, o guitarrista neurótico». Fechados no seu próprio mundo, o Xing Palace Place e o seu magnífico jardim, desconstroem canções e deixam-se embalar pela cacofonia. Inventam-se dialectos, reinventa-se a ortografia, subverte-se a fonética, recusam-se as convenções. Não procuram o óbvio mas acabam por encontrá-lo.
O concerto está marcado para as 22h00 e tem entrada livre.
plb (com TMG)

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Após a batalha do Sabugal, em 3 de Abril de 1811, o exército francês retirou para Espanha. Contudo Napoleão Bonaparte não desistira de submeter Portugal, continuando à espera de uma oportunidade, de que foi exemplo a perseguição ao exército anglo-luso que culminaria no combate de Aldeia da Ponte, acontecido em 27 de Setembro de 1811, há precisamente 200 anos.

Face ao fracasso da terceira invasão, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, entregando-o a August Marmont, um jovem marechal de 36 anos, que detinha o título de Duque de Ragusa. Oriundo de famílias nobres, coisa pouco comum entre a oficialidade francesa, Marmont não tinha o prestígio de Massena, mas o Imperador considerava-o um comandante talentoso e muito promissor.
Marmont começou por instalar o seu exército junto a Salamanca, para lhe dar descanso pois estava fortemente desgastado com a campanha em Portugal e a recente investida sobre Fuentes de Oñoro, nos dias 3 e 4 de Maio, que fora repelida pelos aliados. Extinguiu os corpos e reorganizou as divisões e as brigadas, mudando alguns comandantes, ao mesmo tempo que procurou arranjar subsistências, lançando no terreno destacamentos de forrageadores e constituindo depósitos de víveres e de armamento. Sabia que Napoleão queria reentrar em Portugal e assim tratava de colocar o exército pronto para a missão. A ideia de que o próprio Imperador viria em pessoa comandar a expedição vitoriosa, animava-o a prosseguir os preparativos para esse grande momento de glória.
Porém Bonaparte deu-lhe ordem para ir para sul, em socorro do marechal Soult, que tentava salvar a praça de Badajoz do cerco a que fora sujeita pelo exército anglo-português, comandado pelo duque de Wellington. A 6 de Junho o Exército de Portugal colocou-se em movimento e no dia 18 Marmont juntou-se a Soult. A simples união dos dois exércitos franceses, fez desistir Lord Wellington, que levantou o cerco a Badajoz, recuando para Elvas e Campo Maior.
Os dois marechais (Soult e Marmont) pensaram perseguir o exército anglo-luso, lançando uma nova ofensiva em Portugal, que facilmente chegaria a Lisboa atravessando as planícies do Alentejo. Contudo, as ordens formais de Bonaparte, que tudo comandava desde Paris, foram para que Marmont subisse para o vale do Tejo e Soult descesse para sul, retomando as posições anteriores.
Wellington, face ao fracasso da tentativa de tomada de Badajoz, decidiu partir com a maior parte do seu exército para Riba-Côa, a fim de tomar Ciudad Rodrigo, que igualmente permanecia nas mãos dos franceses. A partir da Freineda, onde instalou o quartel-general, enviou uma boa parte das suas tropas por Espanha adentro, até perto de Ciudad Rodrigo, para bloquear a praça-forte.
Em 23 de Setembro, o marechal Marmont, após reunir o grosso do seu exército, resolve desalojar os aliados das suas posições, atacando-os. Nos dias seguintes, os aliados, não aguentando as cargas sucessivas dos franceses, recuaram de posição em posição, usando a tácita de retirada por escalões, e aproximaram-se da fronteira.
A 27 de Setembro, já com o exército anglo-luso em Portugal, Marmont decide lançar um forte ataque à povoação de Aldeia da Ponte, onde uma boa parte dos aliados se haviam instalado. Coube aos generais Thiebault e Souham comandar as investidas, que encontraram nos portugueses e ingleses firme e determinada resistência. Porém ao final do dia, após uma renhida disputa, com dezenas de baixas de ambos os lados, os aliados abandonam a aldeia, que foi tomada pelos franceses.
No dia seguinte, 28 de Setembro, a tropa anglo-lusa ocupava firmemente as alturas do Soito, com a direita nos Fóios e a esquerda em Rendo, em posição de evitar a continuação da progressão. Nesse mesmo dia os Franceses, considerando arriscada uma nova manobra de ataque, decidem retirar para tomar posições que evitassem uma nova aproximação a Ciudad Rodrigo.
Veja Aqui a descrição do Combate de Aldeia da Ponte, da autoria de Manuel Peres Sanches.
Paulo Leitão Batista

Em 10 de Maio de 1811, há rigorosamente 200 anos, ocorreu um dos grandes actos de valentia da história militar francesa, que foi a evasão da guarnição que ocupava a praça de Almeida. Os homens do general Brenier, seguindo as instruções do marechal Massena, romperam com argúcia e coragem o cerco das tropas aliadas, juntando-se ao seu exército em Espanha. Massena conseguiu com este glorioso feito mitigar o fracasso que foi a terceira invasão de Portugal.

AlmeidaDepois da Batalha do Sabugal, em 3 de Abril de 1811, as tropas de Massena abandonaram Portugal, concentrando-se entre Ciudad Rodrigo e Salamanca, onde descansaram das fadigas da campanha. Porém o isolamento de Almeida, onde se mantinha uma guarnição francesa, comandada pelo general Brenier, e a maior parte do parque de artilharia do exército, eram motivo de grande preocupação para o marechal. Afligia-o a possibilidade de Almeida ser bombardeada e tomada pela força, com a consequente humilhação francesa. Por isso decidiu marchar em valimento da fortaleza, o que o levou a enfrentar as tropas aliadas na linha da fronteira.
A terrível batalha de Fuentes de Oñoro, durou três dias, de 3 a 5 de Maio, tendo os anglo-portugueses conseguido repelir os sucessivos ataques dos franceses, assim evitando que voltassem a colocar o pé em Portugal.
Verificando a impossibilidade de passar a fronteira, Massena pediu voluntários para levarem ao general Brenier uma mensagem. Apresentaram-se três jovens, dispostos a cumprir a espinhosa missão de penetrarem nas linhas aliadas: o cabo Zaniboni, e os soldados Lami e Tillet. Os dois primeiros seguiram disfarçados de camponeses e o último teimou em avançar com o seu uniforme e armado com o seu sabre. André Tillet, foi precisamente o único a atingir o objectivo, conseguindo passar por ingleses e portugueses e entregar ao comandante francês a minúscula mensagem que, cumprindo à risca as instruções, levava na boca, pronto a engoli-la em caso de ser capturado.
A mensagem de Massena era clara: «Meu caro general, faça explodir Almeida por meio de fornilhos, retirando com a sua guarnição para Barba del Puerco. Faça tudo para que o inimigo não possa tirar proveito dos canhões e das munições que estão na praça, quer destruindo-os quer enterrando-os. Previna-me da recepção desta ordem com quatro salvas de 25 tiros de canhão do maior calibre que tem (…)».
Inicialmente Massena temeu o pior, pois o tempo passava sem que o sinal combinado surgisse. Porém às 10 horas da noite de 7 de Maio ouviu-se o som abafado de salvas de canhão, vindas dos lados de Almeida. Face ao alívio, o comandante francês deu instruções para a execução de manobras ameaçadoras, a fim de concentrar os aliados na linha avançada e assim facilitar a Brenier os trabalhos de minagem da praça e a evasão da guarnição.
Em Almeida, os preparativos para a fuga começaram imediatamente a seguir ao recebimento das ordens de Massena. Brenier mandou atirar os cartuchos e os projécteis para os poços, destruir as peças de artilharia disparando umas para a alma das outras, e carregar de pólvora os fornilhos que foram instalados nas muralhas para as derrubar. Tudo ficou pronto no final do dia 10, altura em que Brenier juntou a guarnição, formou duas colunas e saiu da praça pelo lado oeste, deixando para trás apenas alguns sapadores para pegarem fogo aos fornilhos de pólvora.
As duas colunas avançaram a coberto da noite, e conseguiram atacar de surpresa as tropas aliadas dos postos avançados. Entretanto um enorme estrondo perturbou a calma da noite, em resultado da explosão das minas. Coube aos portugueses, comandados pelo general Pack perseguir os franceses fugitivos, sem contudo conseguirem evitar que os sapadores, que haviam ficado para trás, se lhes juntassem e que todos alcançassem o rio Águeda, onde do outro lado o general Reynier os esperava em Barba del Puerco.
A perseguição apertada de Pack, a quem na fase final se juntou a cavalaria de Cotton, fez com que a coluna francesa seguisse para a ponte por um atalho, trepando as vertentes escarpadas do vale do Águeda, tendo muitos dos homens caído desamparados num precipício rochoso quando chegaram ao topo e lhes faltou o pé do outro lado, o mesmo sucedendo a alguns dos portugueses que os perseguiam. A protecção de atiradores franceses entretanto posicionados na outra margem do rio, garantiu que quase toda a coluna escapasse atravessando a ponte, mas dos que caíram no desfiladeiro, só se fizeram contas ao amanhecer, quando os franceses conseguiram repelir os perseguidores.
A grande parte dos que caíram haviam afinal escapado, tendo-se agarrado às rochas e escondendo-se entre elas, mas no fundo do precipício estavam 270 homens mortos ou terrivelmente mutilados, dos quais 230 eram franceses e 30 eram portugueses.
Retirados e encaminhados os feridos para o acampamento, fez-se a chamada dos 1200 elementos que constituíam a guarnição de Brenier em Almeida. O pessimismo deu lugar a uma alegria contida: apenas faltavam 350 homens.
Este feito heróico da fuga da guarnição de Almeida constituiu um bálsamo para a auto-estima de Massena, que via honra nesta última operação do exército de Portugal. Ela feria o orgulho de Wellington, que viu passar a coluna francesa por entre os dedos, sem que a conseguisse capturar.
Mas nesse mesmo dia a vaidade de Massena seria manchada ao receber das mãos do general Foy, chegado de Paris, a missiva de Napoleão Bonaparte que lhe retirava o comando do exército, entregando-o ao marechal Marmont.
Paulo Leitão Batista

As cerimónias oficiais da evocação da Batalha do Sabugal no sítio do Gravato tiveram início no dia 2 de Abril de 2011 no Auditório Municipal do Sabugal. O professor Adérito Tavares abriu «as hostilidades» explicando (como só ele é capaz) o «expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio e o fim». Já no dia anterior, sexta-feira, no mesmo local, uma plateia repleta de alunos das Escolas do Sabugal tiveram oportunidade de aprender com o ilustre historiador natural de Aldeia do Bispo. Seguiu-se o lançamento dos livros «A Batalha do Gravato – Narrativas do famigerado combate do Sabugal» da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório e de «Sabugal e as Invasões Francesas» de Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista. O prefácio e a apresentação do livro escrito a «três mãos» esteve a cargo do filósofo e pensador sabugalense mestre Jesué Pinharanda Gomes.

Invasões Francesas - Batalha do Sabugal - Foto Natália Bispo

Na sexta-feira, 1 de Abril, os alunos do Agrupamento de Escolas do Sabugal encheram o Auditório Municipal do Sabugal para escutar e aprender com o historiador Adérito Tavares muitos pormenores pouco falados das chamadas batalhas napoleónicas entre franceses e ingleses (ajudados pelos portugueses).
No sábado, 2 de Abril, o Auditório voltou a encher-se de sabugalenses (e muitos militares fardados) para assistirem ao lançamento dos livros «A Batalha do Gravato – Narrativas do famigerado combate do Sabugal» da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório e de «Sabugal e as Invasões Francesas» de Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista.
O Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, destacou no seu discurso de abertura: «Celebramos um percurso histórico que nos orgulha!» e quase a finalizar enfatizou que «tendo a História como única juíza das nossas acções, acreditamos profundamente ser este o caminho certo que melhor defende e promove o bem comum da comunidade que pretendemos servir e tendo no sorriso de quem servimos o único medidor de satisfação, acreditamos profundamente na força do nosso concelho e da nossa gente».
A vice-presidente da autarquia, Delfina Leal, ocupou-se da moderação encontro temático «Sabugal e as Invasões Francesas» onde marcaram presença Pinharanda Gomes, Adérito Tavares e os autores dos dois livros.
Mestre Pinharanda Gomes, com aquela humildade que todos lhe conhecemos, começou por dizer que «se sentia duplamente intruso na cerimónia». Em primeiro lugar «é mentira que tenha escrito um prefácio para o livro porque é um pós-fácio escrito depois da obra terminada mas como assim está instituído vamos então chamar-lhe prefácio» e o segundo acto de intrusão está relacionado com «a gentileza do convite dos autores que não necessitavam necessariamente da minha apresentação». «Agradeço a honra e a gentileza que me deram de estar aqui presente e vou dar o meu contributo pessoal apenas como leitor desta obra que foi editada pela livraria portuguesa e galega Orpheu. Sobre a temática do tenente-coronel Gouveia Mourão não me vou pronunciar porque não tenho competência para tanto. Fiquei livre da tropa e penso mesmo que nunca dei um tiro na minha vida». «Sobre o doutor Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de Espinho, o que posso dizer de alguém que é licenciado em Ciências Políticas na Universidade de Lovaine – um exclusivo que só apareceu em Portugal na Universidade Católica – e mestre pela universidade de Lille?». «O meu amigo doutor Paulo Leitão Batista aplica as palavras num modo estilístico. O prosador não tem de saber colocar o sujeito, o predicado, o complemento. A palavra para ser palato tem de sair do palato. A palavra sai do céu da boca para o papel. No caso do Sabugal temos depois de Manuel Leal Freire o Paulo Leitão Batista. Se lerem o livro «Terra Batida» temos as três memórias.»
Após a apresentação dos três autores mestre Pinharanda Gomes «explicou» a obra «dividida em três obras». «No primeiro texto tive que aprender a interpretar o ensaio político, táctico e militar acompanhado das dificuldades do terreno. Quando um autor é capaz de sonhar o sítio e descrevê-lo historicamente é uma arte. O texto beneficia desta virtude. Nas terceiras invasões francesas nem todos morreram no campo de batalha.» «O segundo livro é um estudo entre o sociológico e o militar nos séculos XVII, XVIII e XIX. Algumas passagens fazem lembrar o Hans Christian Andersen. A sua narrativa termina com o desastre de Napoleão.» «Finalmente o terceiro livro obedece ao canône histórico com pesquisa feita em fontes avulsas e chama ao palco as principais personagens da guerra – o Maneta era um general terrível, era um homem de cortar à faca – e termina, também, com a derrota de Napoleão que passou à condição de reformado em Liège com apenas 45 anos.
Para Jesué Pinharanda Gomes o livro «é um resumo das invasões francesas e uma separata do que se passou no Côa mostrando que o Wellington não quis envolver-se muito nas batalhas da fronteira porque talvez pensasse que era mais importante a defesa de Lisboa apesar de Napoleão a partir de certo momento idealizar não uma União Europeia mas uma Europa Imperial». A concluir recordou que «ainda hoje no retábulo da Sé da Guarda estão os sinais dos disparos das tropas francesas» não sabendo contudo se «alguma vez se fez algum inquérito aos males que os franceses fizeram aqui na Raia». «Felicito vivamente os autores, o editor e sugiro que comprem a obra», rematou Pinharanda Gomes.
jcl

As cerimónias oficiais da evocação da Batalha do Sabugal no sítio do Gravato tiveram início no dia 2 de Abril de 2011 no Auditório Municipal do Sabugal. O professor Adérito Tavares abriu «as hostilidades» explicando (como só ele é capaz) o «expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio e o fim». Já no dia anterior, sexta-feira, no mesmo local, uma plateia repleta de alunos das Escolas do Sabugal tiveram oportunidade de aprender com o ilustre historiador natural de Aldeia do Bispo. Seguiu-se o lançamento dos livros «A Batalha do Gravato – Narrativas do famigerado combate do Sabugal» da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório e de «Sabugal e as Invasões Francesas» de Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista. O prefácio e a apresentação do livro escrito a «três mãos» esteve a cargo do filósofo e pensador sabugalense mestre Jesué Pinharanda Gomes.

Invasões Francesas - Batalha do Sabugal - Foto Natália Bispo

O Coronel Manuel Mourão falou em nome dos três escritores: «O meu agradecimento a Jesué Pinharanda Gomes por se ter dignado escrever o prefácio do livro. O livro está incompleto. O tema é muito vasto e estamos muito longe de esgotar o tema. Há muitos pontos obscuros acerca desta batalha. É preciso estudar a batalha tendo em atenção a doutrina e as forças em confronto. É preciso estudar tudo o que anda à volta desta batalha. É preciso contar o que pensavam as pessoas que cá viviam sobre a chegada dos franceses. É importante saber a visão que tinham os militares franceses sobre esta batalha. Em nome dos três autores do trabalho o meu muito obrigado a todos por terem comparecido.»
O editor Pinto da Silva (Editora Orfeu) aproveitou para fazer alguns agradecimentos: «Vou contar uma cena porque sou funcionário de uma instituição comunitária. Um dia um comissário europeu (alemão) foi a uma reunião e começou o discurso desta maneira – É a segunda vez que estou aqui. A primeira vez foi de pára-quedas – E, claro, criou um grande mal-estar. Estou aqui por causa da família Tenreira Martins que me deram a beber chá de poejo e fiquei assim e estou aqui por causa da Casa do Castelo e a família Bispo. Agradeço aos autores. A Orfeu está sedeada em Bruxelas e produz há 25 anos onde passaram por lá muito dos políticos e da cultura portuguesa. A nossa condicionante é a cultura portuguesa e nunca a política. Democraria, cultura, abertura é o que nos interessa na Orfeu.
A intervenção do professor Adérito Tavares teve por tema «O expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio do fim». O historiador, natural de Aldeia do Bispo, começou por recordar que «tinha sido um grande privilégio ter falado aqui ontem para cerca de 200 alunos das Escolas do Sabugal que se portaram lindamente. Será um momento marcante destas cerimónias».
O historiador ilustrou a sua apresentação com excelentes cartoons britânicos contemporâneas das batalhas das invasões francesas disponíveis na página web da Universidade de Oxford. E foram muitos os tópicos abordados por Adérito Tavares começando por desmistificar um símbolo da cidade do Porto que muitos confundem e transportam para a clubite desportiva. «A estátua do Porto com o leão e a águia é a luta ibérica. A águia napoleónica recebeu feridas profundas nas batalhas ibéricas. Napoleão Bonaparte foi um plano megalómano que pretendeu unir a Europa mas não contou com o apoio da Inglaterra. A Inglaterra veio à Península Ibérica defender Portugal porque entender ser um excelente campo de batalha para combater os franceses. Na verdade, foi na Península Ibérica que a águia napoleónica começou a ser ferida de morte, como vemos no monumento da Rotunda da Boavista, no Porto. A Guerra Peninsular, como dizia Churcill a propósito de outros combates foi o princípio do fim para Napoleão Bonaparte e para o seu projecto megalómano. E a Batalha do Sabugal contribuiu para apressar o fim desse princípio», esclareceu.
«A ocupação da Península Ibérica fez-se graças a poderosos exércitos mas também à custa de uma bárbara repressão exercida sobre a população portuguesa e espanhola. Junot e as suas tropas rapinaram tudo quanto puderam (incluindo ouro) em Portugal. O povo português sofreu tal como o espanhol que tiveram Goya para retratar os assassínios nas 80 gravuras «Los Desastres de la Guerra».
«Os efeitos da passagem dos exércitos napoleónicos pelas terras do Sabugal foram devastadores. Por todo o lado os invasores aterrorizaram as populações, que preferiram abandonar as aldeias e refugiar-se nos campos. Depois da imensa calamidade que foram as invasões francesas veio a ocupação britânica. Se Portugal não morreu da doença (franceses) podia ter morrido da cura (ingleses)», concluiu Adérito Tavares.
Joaquim Tenreira Martins falou de Massena. «Massena foi nomeado por Napoleão e prometeu-lhe um grandioso exército bem equipado. Massena veio para Portugal acompanhado da sua amante e contam-se sobre o casal várias situações anedóticas. Antes da Batalha do Buçaco o ajudante de campo teve de lhe bater à porta do quarto para lhe lembrar que já estava atrasado cerca de uma hora. Massena esteve perto de ser capturado. Na Ruvina aconteceu um episódio burlesco. Ainda antes da Batalha do Sabugal a tentação da carne fez com que Massena tivesse de saltar para o cavalo sem roupa para fugir. A primeira tentação que Massena teve aconteceu em Celorico. O exercito de Portugal tinha chegado a Celorico sem sapatos nem farda. O moral estava de rastos mas Masssena queria provar que o seu exército ainda tinha capacidades. No dia 22 de Março deu ordem aos três corpos de exército que avançasse contra a Guarda e Sabugal. Michael Ney informou Massena que sem ordens expressas do Imperador não avançaria contra os ingleses e mesmo que fosse destituído ou condenado à morte não tomaria a decisão de avançar sobre Almeida.
Paulo Leitão Batista reescreveu a história recordando que «é comum falarmos de três invasões de Portugal perpretadas pelos exércitos napoleónicos e todos conhecemos, aliás, os comandantes franceses dessas três invasões: Junot, Soult e Massena». Porém «houve uma quarta invasão de Portugal, comandada pelo marechal Marmont, que poucos conhecem e que a história, por regra, omite. É contudo ousadia chamar-lhe invasão, pois tratou-se tão só de uma incursão ou sortida do exército francês em território português, ou ainda, usando a linguagem táctico-militar, de uma manobra de diversão».
Durante a sua intervenção Paulo Leitão falou da substituição de Marmont por Massena, da acção de Wellington em Portugal, do susto de Napoleão Bonaparte com a possível ofensiva sobre Badajoz, a invasão de Portugal pelo marechal Marmont, o malogrado plano de Trant e as atrocidades da quarta invasão.
O encontro finalizou com a intervenção do coronel Sodré de Albuquerque com o tema «a importância da ponte do Côa, no Sabugal, para o êxito do exército aliado na perseguição a Massena».
Para ficar a saber tudo, mas mesmo tudo, sobre as Invasões Francesas recordamos a sugestão de Pinharanda Gomes: «Comprem a obra!»

O Capeia Arraiana felicita os três autores pela qualidade do seu trabalho.
jcl

Continuando a leitura do livro de Arthur Thomas Quiller-Couch, verificamos como Marmont (duque de Ragusa) colocou as milícias portuguesas de Trant em retirada e como decidiu regressar com as suas tropas ao quartel-general do Sabugal, poupando a Guarda a um ataque que resultaria certamente no saque da cidade.

Marmont - Guerra Peninsular - SabugalFez-se noite cerrada e o propósito de Manuel era cavalgar para ultrapassar as colunas de Marmont e avisar Trant do perigo que corria na Guarda. A meio caminho uma escorregadela do cavalo atirou-o ao solo, tendo desmanchado um tornozelo. Bateu à porta de uma casa isolada, onde vivia um pastor que o ajudou e a quem encarregou de levar uma mensagem a Trant, informando-o da movimentação de Marmont, que em breve atacaria a cidade.
Não foi porém a sua mensagem que salvou Trant e a milícia, porque não chegou a tempo. Na verdade foi Marmont que errou ao avançar de forma desastrada. A cavalaria francesa chegou cedo às portas da cidade e o marechal, impaciente com o atraso das duas brigadas de infantaria, deu ordem aos cavaleiros para subirem a montanha. Uma sentinela da milícia, dando conta da movimentação tocou freneticamente o tambor, no que foi de imediato imitado por outros tamborileiros espalhados pelas portas da cidade. As milícias correram para os seus postos, «e o marechal francês, que poderia ter tomado a cidade com uma só investida e sem perder um único homem, retirou – são estes os absurdos da guerra.» Marmont convencera-se que a Guarda tinha alguma capacidade para resistir e resolveu esperar pela infantaria para avançar.
Isso deu tempo a Trant e a Bacelar, que já se lhe havia reunido, para abandonarem a cidade, saindo com as suas milícias pelo vale do Mondego. Marmont lançou então a sua cavalaria em perseguição dos portugueses, tendo alcançado a retaguarda da coluna a poucas milhas da cidade.
«Chovia e a milícia corria pela lama como um rebanho de ovelhas», tendo os franceses feito 200 prisioneiros. Manuel diz no seu relato que há que fazer justiça ao comandante francês, pois terá proibido os seus cavaleiros de cortarem a fuga aos portugueses e de os massacrarem.
Marmont desistiu de perseguir Trant e Bacelar, e decidiu voltar para o Sabugal sem sequer atacar a Guarda, onde Wilson ainda estava com algumas milícias preparando a explosão dos depósitos de mantimentos aí existentes. O espião foi até à cidade vestindo um casaco velho que lhe deu o pastor e falou com o general inglês, passando a compreender a alegada ira de Marmont e o seu apressado retorno ao Sabugal.
Por que razão estava Marmont zangado? Por isto:
«Em 30 de Março deixei o meu parente, o capitão Allan McNeill, com o seu criado José. Eles mantariam o exército francês sob observação e eu fui para sul a relatar o que sabia a Lord Wellington em Badajoz. Estávamos agora a 16 de Abril e muitas coisa haviam acontecido, mas dos movimentos do meu colega espião nada soubera. Estava seguro de que ele estaria algures na proximidade dos acampamentos de Marmont, mas mesmo no Sabugal nada ouvira acerca dele.
Na tarde do dia 16 o general Wilson foi até mim.
”Tenho notícias desagradáveis”, disse-me. “O seu homónimo foi preso”. “Onde?”. “No Sabugal, mas parece que foi levado para um acampamento em Penamacor. Trant disse-me que vocês, para além de homónimos, são parentes. Quer falar com o mensageiro?”
».
O mensageiro era um camponês de Penamacor que informou Manuel dos pormenores da captura do outro espião, na qual o seu criado José fora morto pelos franceses.
O relato acabou com Manuel McNeill contando a aventura do seu parente, capitão Alan McNeill, que acabara de ser feito prisioneiro pelos franceses.
Paulo Leitão Batista

Continuando a leitura do livro «The Laird’s Luck, and Other Fireside Tales» (A Sorte de Laird e Outros Contos à Lareira), de A. T. Quiller-Couch, verificamos que Manuel McNeill cumpre a rigor as indicações de Trant, procurando obter no Sabugal mais e melhores informações acerca da real força militar que o marechal Marmont tem junto a si.

O espião Manuel teria que se instalar no Sabugal para recolher informações sobre a presença dos franceses na vila. Foi primeiramente a Belmonte receber instruções do barbeiro, que conseguiu convencer a acompanhá-lo ao Sabugal para dar credibilidade ao disfarce. O irmão do barbeiro, que era vinhateiro, foi também e deu-lhes a história de cobertura perfeita, pois estava autorizado a fornecer vinho aos franceses.
Já no Sabugal o barbeiro fez uma petição ao comandante francês pedindo autorização para a reabertura da sua loja, que ficaria entregue a um amigo que conhecia a arte. Reabriram as portas da casa, que estava intacta, e o espião recebeu breves indicações quanto aos instrumentos, à forma de preparar medicamentos e de os aplicar.
Despachou o barbeiro – «pois se o plano falhasse o Sabugal não seria um bom lugar para ele» – que com o irmão abandonou a vila, ficando o espião entregue a si próprio.
Os vizinhos olharam-no algo desconfiados, mas Manuel sabia que a possibilidade de ser denunciado era pequena, pois os portugueses odiavam de tal modo os invasores franceses que dificilmente o trairiam.
Durante três dias o novo barbeiro cortou barbas e cabelos, vendeu unguentos, arrancou dentes e endireitou ossos, nomeadamente a alguns soldados e oficiais franceses que procuraram os seus serviços. «Consegui barbear razoavelmente e assim ganhei credibilidade como se fosse um autêntico barbeiro português. O mesmo sucedeu nos tratamentos aos meus doentes, que se não ficaram devidamente curados também não morreram – ou pelo menos os seus corpos não foram encontrados», escreveu o espião com ironia.
A sua maior dificuldade foi na aplicação da técnica no sangramento, ou flebotomia, muito habitual à época.
«A hipótese de ter de sangrar alguém não me tinha verdadeiramente ocorrido, e quando, na segunda manhã, um sargento que sofria das varizes se sentou na mesa de operações queixando-se de ter uma veia aberta, eu lamentei amargamente não ter ao meu lado um mestre a quem perguntar onde deveria cortar para fazer o sangramento. (…) Tomei-lhe o pulso e levantei-lhe as pálpebras com os dedos trementes. “No seu estado”, disse-lhe, “seria um crime sangrá-lo. Precisa é de sanguessugas”. “Acha?”, perguntou».
O relato contém outras peripécias passadas no exercício do ofício, incluindo o inesperado facto de barbear um hussardo que o reconheceu, pois já se haviam encontrado em Espanha, num outro momento em que se infiltrara. A solução foi colocar-lhe a navalha da barba ao pescoço e obriga-lo a jurar segredo.
Sabia que em breve seria descoberto. Colocou as portadas nas janelas, pegou
no boião das sanguessugas e saiu da vila para a margem do Côa, percorrendo as terras enlameadas pela chuva abundante, fingindo procurar «bichas». Já havia remetido um relatório a Trant com a descrição do dispositivo militar dos franceses, através do vinhateiro de Belmonte, que regressara ao Sabugal com outra carga de odres, mas agora sabia que corria perigo e tinha de tentar escapar dali sem ser notado.
Viu então duas fortes colunas de infantaria dirigirem-se para a estrada da Guarda, o que o deixou preocupado: «Estaria Marmont a executar contra Trant o mesmo golpe que este lhe preparava?». Tinha de avisar Trant do perigo que as suas milícias corriam.
Teve então um encontro inesperado com dois oficiais franceses, que numa casa abandonada se preparavam para se baterem em duelo. Um era oficial de intendência, do estado-maior do marechal Marmont, ao qual ouviu dizer que o comandante se preparava para uma movimentação militar. Do duelo resultou o ferimento grave do oficial de intendência, que o barbeiro se prontificou a tratar. Perante a saída do outro oficial que foi ao acampamento em busca de um cirurgião, o barbeiro-espião aproveitou para se apoderar do uniforme do ferido e montar o seu cavalo, assim escapando em direcção à Guarda, passando pelas sentinelas sem qualquer problema.
(Continua)
Paulo Leitão Batista

O espião que trabalhava para o exército britânico atinge a cidade da Guarda, onde tem uma curiosa conversa com Trant, que lhe dá a entender ter em mente um plano de acção para fazer frente ao marechal Marmont (duque de Ragusa), que se instalara no Sabugal.

Manuel, o espião, chegado à Guarda, encontrou-se com o general Trant a quem entregou um relatório. Descreveu o general inglês como um militar galante e inteligente, mas por vezes muito pouco perspicaz. Dias antes ajudara com as suas milicias o governador de Almeida a evitar a tomada da praça pelos franceses e estava convencido de que era capaz de ir mais longe.
Citemos esta passagem do livro com o curioso diálogo estabelecido (em tradução livre):
Trant questionou-me acerca do quartel-general francês instalado no Sabugal. Ele conhecia bem essa vila, talvez até melhor do que eu. Disse-lhe que os franceses estavam na margem do Côa e que Marmont tinha lá o seu quartel-general, mas desconhecia em que casa ou em que parte da vila.
“Mas não pode voltar lá e descobrir?”; perguntou-me.
“Como quiser”, respondi-lhe, “faço o que me ordenar”.
“Mas isso comporta riscos”, disse-me.
“Seguramente”, respondi-lhe, “mas o risco faz parte do meu dia-a-dia, pelo que procuro encontrar caminhos seguros”.
“Desculpe”, disse ele esboçando um sorriso, “mas eu não estava a pensar em si, ou pelo menos unicamente em si”. E notei pela sua expressão que planeava algo.
“Rogo-lhe que não pense em mim”, disse-lhe simplesmente. (…).
“Veja”, disse ele, “o duque de Ragusa é um homem galante”.
“Notoriamente”, disse-lhe, “toda a Europa sabe isso e ele próprio também o sabe”.
“Ouvi dizer que as suas tropas lhe admiram a auto-estima”
“Bem”, disse eu, “ele monta galhardamente e é corajoso. Começa porém agora a cometer os seus erros, e os soldados, tal como as mulheres, sabem bem o que um guerreiro deve parecer”.
“Na verdade,” disse o General Trant, “a sua perda faria toda a diferença.”
Pedira-me para ficar sentado e servia-me um copo de vinho. Mas as suas palavras fizeram-me pular de repente, o que fez tremer a mesa e derramar metade do conteúdo do copo.
“O que o diabo está errado?” perguntou o general, tirando um mapa do caminho do vinho. “Meu Deus, homem! Não pense que lhe pedia para assassinar Marmont!”
“Peço-lhe perdão”, disse eu, recuperando. “Claro que não disse isso, mas parecia…”
“Oh, parecia?” E enxugou o mapa com o lenço das mãos, olhando-me como quem diz: “Acho que parecia.”
Fiquei algo desconcertado. “Este homem não pode querer que o sequestre!” pensei.

Na verdade, Trant tinha em mente um plano para atacar Marmont no Sabugal, por saber que o grosso das suas tropas tinham seguido na direcção de Castelo Branco, mantendo junto de si apenas um pequeno contingente. Contava para isso com o reforço das milícias de Wilson e de Bacelar, aos quais tinha pedido para se lhe juntarem na Guarda.
Trant acabaria por enviar o espião ao Sabugal para que o mesmo lhe trouxesse informações mais precisas. Conhecia um barbeiro que tinha casa no Sabugal e que fugira para casa de um irmão em Belmonte. Manuel teria que ir ao Sabugal fazendo-se passar por esse barbeiro-cirurgião, simulando o seu regresso e o reinício da actividade.
(Continua)
Paulo Leitão Batista

Auguste Frédéric Louis Viesse de Marmont (1774-1852) foi um prestigiado marechal de França que serviu Napoleão em várias frentes, nomeadamente na guerra peninsular, onde substituiu Massena no comando do Exército de Portugal. Foi Marmont que perpetrou a quase desconhecida quarta invasão, no decurso da qual se instalou no Sabugal.

Marechal MarmontOriundo de uma família nobre, aos 15 anos era subtenente de infantaria. Progredindo depressa na cadeia hierárquica, tornou-se em breve assessor do promissor general Bonaparte, acompanhando-o nas campanhas de Itália e do Egipto.
Voltou para a Europa já como general de brigada, em 1799, sendo então nomeado conselheiro de Estado e, pouco depois, comandante da artilharia da reserva do exército, altura em que se tornou general de divisão.
Em 1805 combateu na batalha de Ulm e, no ano seguinte, foi nomeado comandante geral da Dalmácia, tendo como missão desbloquear os franceses sitiados em Ragusa (actual Dubrovnik) pelos russos, o que cumpriu com êxito.
Em 1808 foi distinguido com o título duque de Ragusa e no ano seguinte participou na campanha austríaca. Foi no decurso dessa campanha que Napoleão o fez Marechal de França e governador-geral de todas as províncias da Ilíria.
Em Julho de 1811 o Imperador enviou-o para Espanha, onde substituiu Massena à frente dos cerca de 50.000 homens do exército de Portugal.
Militar prestigiado e reconhecido estratega, o marechal Marmont manobrou as suas tropas com mestria e, fazendo jus a um pedido formal de Napoleão, cooperou com os demais comandantes franceses que estavam na península. Foi assim que, descendo para sul, juntou as suas forças às do general Murat e obrigou Wellington a desistir da tomada de Badajoz.
O objectivo fixado ao seu exército era o da invasão de Portugal em tempo oportuno, quando tal lhe fosse indicado por Napoleão. Porém o Imperador preparava a guerra com a Rússia e desviara as atenções da Península Ibérica. Entretanto Marmont estendia a sua responsabilidade às Astúrias, Estremadura, Castela-a-Velha e Leão.
No início de 1812, Napoleão ordena-lhe que se fixe em Salamanca e no final de Março, face a nova e fortíssima ofensiva de Wellington sobre Badajoz, manda-o desencadear uma investida em Portugal, através da Beira Baixa.
No dia 3 de Abril de 1812 Marmont inicia a operação, entrando em Portugal e atacando Almeida, que porém resistiu. Avança depois por Alfaiates e instala o seu acampamento no Sabugal, a partir de onde lança colunas para Penamacor e Fundão. Castelo Branco é saqueada a 12 de Abril, o mesmo sucedendo a Pedrogão e Medelim no dia seguinte. A 14 um destacamento atacou a Guarda, onde as milícias portuguesas de Trant foram desbaratadas.
Entretanto, no dia 7 de Abril, Badajoz caiu nas mãos do exército anglo-luso e Wellington veio para norte, a fim de dar combate aos invasores. Marmont sente que não será capaz de enfrentar os ingleses e portugueses e a 24 de Abril de 1812 começa a retirada. Esta quase desconhecida quarta invasão de Portugal durou apenas 20 dias.
Wellington passou pelo Sabugal e Alfaiates e deu perseguição a Marmont em território espanhol. Uma força com cerca de 27.000 ingleses e 18.000 portugueses, atravessou o rio Águeda, e avançou sobre Salamanca. A 28 de Abril foram conquistados os fortes que defendiam a cidade, mas no dia 18 de Julho os franceses saíram vitoriosos dos combates na zona de Tordesilhas.
A derrota francesa só aconteceu no dia 22 de Julho, na batalha de Arapiles, onde Marmont foi gravemente ferido, perdendo um braço.
Face ao ferimento o marechal regressou a França para se recuperar. Em Abril de 1813, já recuperado, recebe de Napoleão um novo comando, passando a combater na Alemanha.
No ano seguinte, quando as tropas aliadas cercaram Paris, Marmont esteve entre os comandantes que defendiam a cidade. Face às dificuldades em manter as posições, foi escolhido pelo Imperador para negociar com os aliados. A capitulação foi assinada em 31 de Março e a 4 de Abril Marmont retira com as suas tropas para a Normandia, em total contradição com as ordens que recebera do Imperador e ignorando os protestos dos seus oficiais e soldados. Este acto ditou que passassem a chamar-lhe duque de «ragusade», para significar traição.
Paulo Leitão Batista

Especialistas da França, Grã-Bretanha, Portugal e Espanha vão apresentar a importância do Vale do Douro durante a Guerra da Independência na Conferência Internacional «A Guerra de Independência no Vale do Douro: os cercos de Ciudad Rodrigo e Almeida». O congresso histórico realiza-se nas cidades amuralhadas de Almeida e Ciudad Rodrigo entre os dias 5 e 8 de Outubro.

Congresso Internacional Almeida Ciudad Rodrigo«La Guerra de Independencia en el Valle del Duero: Los asedios de Ciudad Rodrigo y Almeida» é um congreso histórico que analisará a importância da fronteira luso-espanhola por onde chegaram as tropas de Napoleão a Portugal e que serviu ao mesmo tempo para o contra-ataque do Duque del Wellington que culminaria na batalha de Arapiles (Salamanca).
O congresso será presidido pela professora de História Moderna na Universidade de Burgos (UBU), Cristina Borreguero, pretende analisar de forma «minuciosa» a importância do Vale do Douro e Ciudad Rodrigo que foram nos últimos 200 anos a porta de acesso à meseta de Castilha.
O Congresso, coordenado pelo Grupo de Estudos sobre Guerra (HM-1), da Universidade de Burgos, procuram explorar questões tão variadas como a terra ea estratégia da Vale do Douro, as chefias militares, diplomacia, cercos, o governo e as placas, e o fluxo da vida quotidiana durante a guerra: a música, medicina e cirurgia de material de campanha, e publicações periódicas de arte dedicada ao conflito.
O encontro reparte-se entre o Palácio de Los Águila em Ciudad Rodrigo e o auditório do Centro de de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida, que será visitada pelos participantes a 7 de Outubro. A organização pretende publicar em 2011 os textos e fotografias do congresso.

Programa do Congresso. Aqui.
jcl

Almeida recorda a sua história com recriação ao vivo das Invasões Francesas e da tomada da fortaleza da estrela pelas tropas de Napoleão. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Miguel Almeida da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Os 200 anos da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida foram assinalados pela Câmara Municipal de Almeida, entre 26 e 29 de Agosto, com quatro dias de recriação histórica que incluíram cerimónias militares, rondas e vigias de sentinelas, assaltos à fortaleza de Almeida e fogo de artilharia.

Fotos João Aristídes Duarte – Clique nas imagens para ampliar

As cerimónias da recriação histórica da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida tiveram início no dia 26 com o hastear das bandeiras de Portugal, Reino Unido, Espanha e França. Na cerimónia militar presidida pelo General de Estado Maior, tenente-coronel Mário de Oliveira Cardoso, foram prestadas honras militares e homenagem aos mortos, evocação da defesa e resistência de Almeida e desfile das tropas. No Salão Nobre da Câmara Municipal de Almeida a data ficou registada com a aposição de carimbo e lançamento dos selos comemorativos da Guerra Peninsular.
No dia 27, sexta-feira, foi instalada a ronda de sentinelas nas portas da Vila de Almeida.
No sábado foram recriadas a marcha e o combate na calçada do Côa com assalto do Exército Imperial Francês e a defesa da ponte do Côa pelo Exército Anglo-Luso. Ao meio-dia realizou-se uma cerimónia evocativa dos tombaram em combate com a presença em parada de todas as forças participantes. Às 22.00 horas teve lugar a recriação do assalto à fortaleza de Almeida, com fogo de artilharia e combates de infantaria nas muralhas.
No domingo, dia 29, os visitantes poderam assistir a um desfile até à Praça Alta e à cerimónia evocativa aos mortos do Cerco de Almeida nas ruínas do castelo, seguida de desfile das forças até às Portas de S. Francisco. Às 11.00 horas tiveram início os combates através das ruas e muralha da Fortaleza de Almeida, com assalto ao último reduto de defesa e explosão do paiol.
jcl (com fotos de João Aristídes Duarte)

A freguesia da Miuzela, do concelho de Almeida, vai comemorar o centenário da Implantação da República e o bi-centenário das Invasões Francesas, tendo já delineado um programa comemorativo que inclui diversas iniciativas de interesse.

A acção partiu da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, sedeada na freguesia, e vai em grande parte desenrolar-se no próximo fim-de-semana.
No sábado, dia 7 de Agosto, a Associação, de parceria com a Câmara Municipal de Almeida, realiza uma conferência na Biblioteca Municipal, haverá uma sessão evocativa da República e das Invasões Francesas. Aí se homenagearão algumas almeidenses que se distinguiram na luta pela República, sendo conferencistas Augusto Monteiro Valente e António Sousa Júnior.
No domingo, 8 de Agosto, haverá uma conferência a cargo do professor universitário Amadeu Carvalho Homem, especialista em história contemporânea, que abordará o tema: «As Invasões Francesas e o Republicanismo». A intervenção deste professor da Universidade de Coimbra está prevista para as 15 horas, seguindo-se a entrega de prémios aos vencedores de um concurso de trabalhos sobre as temáticas evocadas, a que concorreram os alunos da escola básica da Miuzela.
A população da Miuzela, tal como a de outras terras da região, sofreu grandemente com as Invasões Francesas, sobretudo com a terceira invasão, que se iniciou em 23 de Julho de 1810. Os soldados franceses, assolados pela fome, prestaram-se a actos de extrema violência sobre as populações, quer para lhes confiscarem alimentos, quer para se vingarem quando nada encontravam capaz de lhes servir.
plb

O Município de Almeida agendou para este ano um vasto programa de evocação do bicentenário da 3.ª Invasão Francesa, que terá o seu ponto alto na recriação histórica da célebre Batalha do Côa e do cerco e tomada da praça forte de Almeida.

A primeira recriação histórica acontecerá no dia 27 de Agosto, sexta-feira, em que será representada uma distribuição das sentinelas pelas portas de acesso à fortaleza de Almeida, seguida de rondas e vigias nas muralhas e baluartes, incluindo ainda uma simulação do que era há duzentos anos a rendição das sentinelas.
No dia 28 de Agosto, sábado, será representada a Batalha do Côa, no próprio local onde as tropas do general Crawford, contrariando as ordens de Wellington, aguardaram pelos franceses e lhe deram combate.
Nesse mesmo dia, à noite, recria-se em Almeida o assalto à fortaleza, com fogo de artilharia, combates de infantaria nas muralhas e fossos e simulação da explosão do castelo, que na altura servia de paiol.
No domingo, dia 29, os figurantes voltam a Almeida, onde recriam a queda da fortaleza com o assalto final das tropas francesas.
A Batalha do Côa, cujo bicentenário aconteceu a 24 de Julho, teve já uma cuidada evocação nessa mesma data. A Câmara Municipal de Almeida homenageou os que caíram na batalha e inaugurou uma exposição evocativa da terceira invasão. Realizou ainda um colóquio acerca do combate do Côa e lançou o livro do general Gabriel Espírito Santo intitulado «A divisão da infantaria ligeira no combate da ponte do Côa».
Para além das recriações históricas haverá ainda exposições dedicadas ás invasões e um seminário sobre «arquitectura na rota das invasões francesas». Haverá também muita música e animação, de forma se comemorar este bicentenário com a maior adesão por parte da população local e de outra gente que venha até Almeida para assistir aos actos comemorativos.
plb

Passou mais um ano sobre a importante batalha do Sabugal, que aconteceu em 3 de Abril de 1811, no quadro da guerra peninsular. Para o ano fazem-se 200 anos e até ao momento nenhuma autoridade responsável avançou com a ideia de evocar esse momento histórico.

O exército do marechal Massena, cuja fama de estratega militar só era superada pela do próprio imperador Napoleão Bonaparte, tinha batido em retirada após não ter sido capaz de atravessar as Linhas de Torres Vedras e tomar Lisboa. O segundo corpo, comandado pelo General Reynier cumprira as ordens do marechal e instala-se no Sabugal, onde foi surpreendido pelas forças anglo-lusas de Wellington, que atacaram o seu acampamento no sítio do Gravato obrigando-o a retirar para Espanha.
Massena não queria desistir da conquista de Portugal e o seu recuo era apenas estratégico.
Não conseguindo entrar em Lisboa, os 65 mil homens do exército francês fixaram-se em Santarém, onde estiveram durante semanas aguardando reforços. Mas o caso é que os franceses ficaram isolados, sem conseguir estabelecer comunicações com os restantes corpos de exército que operavam em Espanha e desconhecendo por completo se as restantes movimentações ordenadas pelo imperador se estavam a cumprir. Cansado de esperar e já com imensas dificuldades em alimentar o seu exército, Massena decidiu recuar. Fê-lo de forma controlada, mas seguido de perto pela tropa de Wellington.
Quando conseguiu comunicar com os corpos de exércitos que operavam em Espanha, verificou o ponto da situação: a sul o marechal Mortier conquistara Badajoz e Campo Maior e tinha ali estacionadas forças consideráveis; o marechal Bessiéres marchava com um corpo de exército para Ciudad Rodrigo, vindo do norte de Espanha. Face a esta realidade Massena elaborou um plano audaz, disposto a relançar a invasão: abandonar na fortaleza de Almeida, tomada pelos franceses, os doentes e feridos e tudo o mais que embaraçava os movimentos do seu exército e seguir pelo vale do Côa até ao Sabugal, depois para Belmonte e Penamacor, entrar em Espanha, atravessar Coria e encontrar-se com o exército de Mortier em Alcântara. Dali lançaria uma forte ofensiva sobre Lisboa, seguindo desta vez pela margem esquerda do Tejo.
O arrojado plano de Massena de fazer uma ofensiva pelo Alentejo, confrontou-se porém com a recusa do marechal Ney, que comandava o 6º corpo, em obedecer a essas ordens, o que levaria à sua exoneração e substituição. Esta contrariedade fez-lhe perder o tempo suficiente para que Wellington, apercebendo-se de que a movimentação que os franceses ensaiavam não era lógica, avançasse para o Sabugal, onde já estava a vanguarda de Massena, e aí atacasse o corpo do general Reynier, infligindo-lhe uma derrota
Com a linha de operações interceptada, e um corpo de exército destroçado, nada mais restou a Massena que mandar retirar todas as suas tropas de Portugal, assim terminando a terceira invasão.
Foi esta a importância histórica da Batalha do Sabugal na guerra peninsular. Foi decisiva, na medida em que fez desistir os franceses de tentar invadir o nosso país. De facto, permaneceram mais dois anos em Espanha, mas não mais tentariam ocupar o solo português.
É possível que as entidades do concelho não se aponham à tarefa de comemorar os 200 anos da Batalha do Sabugal, mas fica a promessa que no ano que vem o Capeia Arraiana voltará a evocar a data.
plb

Cumprem-se hoje, 3 de Abril, 198 anos sobre a Batalha do Sabugal, onde o exército anglo-luso, directamente comandado por Wellington, infligiu a derradeira e decisiva derrota ao exército francês, dirigido por Massena, pondo termo às invasões do território nacional. Mais uma vez a data passa em claro no Sabugal, onde nenhuma iniciativa assinala a efeméride.

Plano da Batalha do Sabugal - 3 de Abril de 1811

No bicentenário das invasões, o Município de Celorico da Beira iniciou no dia 26 de Março um ciclo de conferências, o primeiro sob o tema «As Invasões Francesas», a par com a inauguração de uma exposição denominada «Celorico no Tempo das Invasões». Já Almeida, que foi pioneira nos actos evocativos, mantém a iniciativa anual de recriar as invasões e em especial o cerco e a tomada da praça-forte.
O Sabugal, que foi palco de uma batalha decisiva, no decurso das invasões, voltou a esquecer a evocação desse facto histórico. E o mais espantoso é que nenhum monumento, ou sequer um simples obelisco, assinala no local do Gravato, hoje em parte submerso pela barragem, a realização dessa importante batalha.
A batalha do Sabugal é referenciada em todos os anais como a que esfrangalhou de vez o exército francês que protagonizou a terceira invasão, impedindo-o de cumprir o plano de Massena de recuar e se reorganizar.
O exército invasor, vindo em retirada, instalou-se no concelho do Sabugal, ocupando grande parte da margem direita do rio Côa, que usou como defesa natural para prevenir alguma investida. Massena procurava assim ganhar tempo para a reorganização das forças, que contavam ser reforçadas com efectivos vindos de Espanha.
As tropas francesas espalharam então o terror pelas aldeias, o que levou a que as pessoas as abandonassem e se refugiassem nos campos. Os franceses queriam reabastecer-se e para isso praticavam todo o género de roubos e confiscos. Muitas pessoas morreram por não colaborarem e houve notícias de violações de mulheres e espancamento de homens que não auxiliavam as tropas invasoras. Nas aldeias organizaram-se rondas e sentinelas, a fim de detectarem a aproximação dos franceses e as pessoas poderem fugir a tempo.
O segundo corpo do exército francês, comandado por Reynier, ocupou a vila do Sabugal e acampou no sítio do Gravato, dois quilómetros a sul da vila, num alto sobranceiro ao rio Côa, na sua margem direita. Wellington decidiu atacar este acampamento, de maneira a forçar a retirada das tropas napoleónicas. Estabeleceu o posto de comando num monte sobranceiro ao castelo do Sabugal, do outro lado do rio, e dali decidiu executar um plano, que consistia em entreter as forças napoleónicas com pequenos ataques ao acampamento do Gravato a partir da margem esquerda do rio, enquanto que o grosso das forças executava uma longa manobra de envolvimento, atravessando o rio já perto de Quadrazais, para dali avançar sobre o corpo do exército francês, apanhando-o pela retaguarda.
Porém o nevoeiro da manhã de 3 de Abril de 1811 comprometeu os planos do comandante inglês, já que a brigada ligeira, que fora incumbida de executar uma primeira investida, atravessou o rio um pouco acima da vila do Sabugal e avançou a coberto da névoa, surpreendendo os franceses que não contavam com a manobra. Quando o nevoeiro se dissipou Wellington viu que a sua pequena força combatia em clara desvantagem porque os franceses haviam-se reorganizado e estavam prestes a rechaçar o ataque. Decidiu então lançar todas as forças de reserva em defesa da sua posição. Após demoradas escaramuças as tropas francesas foram derrotadas, ficando o alto do Gravato e os campos vizinhos juncados de cadáveres, na sua grande maioria de soldados gauleses.
O general Reynier teve de retirar com as forças que lhe restavam, seguindo para Alfaiates, e dali, em marchas forçadas, para Ciudad Rodrigo.
Na batalha do Sabugal, também chamada do Gravato, ambos os lados lutaram determinadamente para vencer, pois sabiam que daqui se poderia resolver a sorte das armas.
Dentro de dois anos serão passados exactamente dois séculos sobre tão importante acção militar da guerra peninsular. Espera-se que as entidades oficiais comecem já a preparar os actos evocativos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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