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Ainda que se queira falar noutros assuntos, a verdade é que a austeridade, que já vínhamos sentindo, inflacionada com as medidas que o Governo anuncia, já para este ano e para o próximo, tornam incontornável a abordagem do tema, nomeadamente naquilo que à região se refere.

Terminou a fronteira mas não se ganhou muito com isso

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaO País está em choque e o Governo, com destaque principal para Pedro Passos Coelho e Vitor Gaspar conseguiu algo inacreditável que é a quase unanimidade da crítica negativa, da Esquerda à Direita. Várias figuras destacadas dos partidos da coligação não têm «papas na língua» para qualificar o que consideram o disparate de algumas das propostas do Governo.
A verdade é que o Povo tem memória curta e disso sabem bem os políticos profissionais que gerem a sua própria memória à medida das suas conveniências. Quer isto dizer que não chegámos ao atual estado de coisas «por obra e graça do Espírito Santo». Foram anos e anos de má gestão, de aumentar orçamentos todos os anos, embora os de anos anteriores fossem deficitários. Foi muita corrupção, muito desperdício em negócios ruinosos que só beneficiaram os intervenientes… Enfim, os partidos mudam de opinião rapidamente após o dia das eleições, conforme o resultado, embora não haja dúvidas que todos mentem deliberadamente para obter as boas graças do eleitorado que se apresenta irracionalmente crédulo e com os tais problemas de memória.
Penso que não existem muitas dúvidas sobre os responsáveis da situação a que chegámos. Sabemos que a culpa não é dos políticos, mas sim do alcatrão, do cimento, das parcerias público-privadas, das fundações… Enfim, a culpa «morreu solteira». Sabemos que o Estado é um sorvedouro de recursos, que o Estado é mau pagador e implacável cobrador, que o Estado é responsável pela falência de inúmeras empresas, por essas razões, mas o Estado tem tido líderes desde 1974. Ora, aquilo a que temos assistido é à degradação da qualidade de vida dos portugueses por um Estado canibal até chegarmos à beira do precipício da bancarrota. Perante a inevitabilidade da ajuda externa importava ter dirigentes que fossem suficientemente criativos para atenuar as ondas de choque da intervenção troikiana, dirigentes que fossem suficientemente corajosos para tomarem as medidas corretas no sentido de aliviar a economia nacional do «regabofe» que tem sido nas últimas décadas. No entanto, parece não ser assim e aquilo a que vimos assistindo é a atitudes experimentalistas que culminaram com a perda de paciência do bom Povo Português, com críticas vindas de todo o lado e até com a troika a demarcar-se de algumas iniciativas, como a das anunciadas alterações às regras sobre a Taxa Social Única.
O País orienta-se numa direção que não sabemos onde pode terminar e neste contexto são os mais frágeis, os mais pobres, os mais prejudicados. Nesta perspetiva, o Interior, nomeadamente o concelho do Sabugal, nada pode esperar de bom. Os tecnocratas de Lisboa continuarão a governar pessoas e território com a lógica dos números, funcionando o princípio da «pescadinha de rabo na boca»; quer isto dizer que cada vez há menos gente e, consequentemente, são necessários menos serviços, cada vez há menos serviços, logo menos gente. Tem sido assim desde os tempos de Cavaco Silva, mais a sua ideia em fazer uma grande capital (Lisboa) que servisse de locomotiva ao País. Como damos conta, um destes dias a locomotiva não tem nada para puxar.
O fecho do tribunal do Sabugal é um bom exemplo daquilo que referimos. A falta de alternativas aos serviços transfronteiriços que terminaram, outro exemplo. O fecho de escolas. A falta de uma política fiscal suficientemente atrativa que levasse à instalação de empresas produtoras de bens transacionáveis, idem. Enfim, uma tragédia ainda maior que aquela que vive globalmente o País. O que será do Interior?
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

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Ninguém nos retirará, neste Interior raiano, os montes, e os vales, a beleza austera dos rochedos, a verdura dos campos, o porte frondoso dos carvalhos, a altura esguia dos pinheiros, os amarelos das maias primaveris, os tons torrados dos tojos e dos prados no verão nem a alvura da geada e da neve no inverno. Ninguém nos roubará os lugares onde as flores nunca perderão o sentido nem nunca recusarão o seu perfume.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Ninguém mutilará, a este Interior, o seu carisma fronteiriço.
Ninguém suspenderá ás suas gentes o seu carácter. Sempre a sua vontade será tão sólida quanto a dureza granítica. A gente do Interior será sempre de feitio volátil e de macieza no tratamento.
Persistirá, portanto, o Interior, como objecto de recordações e inspirador de novos sonhos. Ninguém lhe mudará a alma!
Ainda assim hão-de concretizar-lhe a desertificação!!!
Duvido que o tempo ou o assunto se prestem a metáforas ou trocadilhos e desconheço quais as ponderosas razões que nos têm empurrado, para um profundo esquecimento. Quiçá as mesmas razões que nos mergulharão nas amarguras do (já) certíssimo esvaziamento.
O que na realidade consta é que, sem explicação que verdadeiramente eu entenda, a lei ditará que as freguesias com menos de quinhentos habitantes sejam varridas do mapa. Sobre elas atem-se, portanto, a cor vermelha do lápis que as quer abater com uma cruz desertificadora, ao abrigo de duvidosas razões de poupança.
Apesar disso nunca findaram (nem se sabe se findarão) amáveis tiradas em dialécticas proferidas por políticos que, ao invés de outros tempos e de outras vontades (dos reis povoadores, por exemplo) pactuam com a implementação deste pavoroso despovoamento.
Sobressai, portanto, o rigor dos números e a pretensa exactidão das réguas e dos esquadros. Nada que impeça o desequilíbrio baseado em critérios que conduzirão a um novíssimo rosário marcado pelo crescer da desertificação.
Por outro lado, presume-se que, num futuro próximo, quarenta por cento da população portuguesa se fixe na região da Grande Lisboa. Restará, depois, um país desequilibrado, desigual, vergado a razões economicistas (justificadas?) Surgirão áreas nacionais desertificadas, sem deserto. Mas apesar da ausência triste das pessoas nunca o nosso Interior será deserto!
Por aqui, persistirá beleza, embora ríspida e muito própria. Ficarão potencialidades por explorar por falta de imaginação de quem prometeu tê-la, por facilitismo, por omissão, por resignação. Mas não… não haverá lápis que consiga banir o Interior. Apenas se lhe escurecerá a alma, apenas se lhe subtrairá gente, apenas se lhe aumentará o abandono!
Resta-nos a esperança de que um dia mude o punho e mude o lápis. Esperemos, então, que surjam outras vontades, outros desenhos, outros desenhadores e lápis de outras cores. Entretanto o Interior por cá ficará eternamente.
E, juro, nunca faltará quem acredite no impossível!!
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

As nossas freguesias vão morrendo aos poucos. Em tempos acabaram com os postos da Guarda Fiscal, mais tarde acabaram com as escolas, a GNR também parece ter os dias contados, os postos médicos funcionam como todos sabemos…

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaA nível da religião todos sabemos que a crise também está implantada. A grande maioria dos senhores sacerdotes também já são de idade bastante avançada. Em muitas situações já são os diáconos que os vão substituindo.
Agora até já se fala em extinguir algumas freguesias, e também alguns concelhos.
Será que também não nos irão encerrar mercearias, cafés ou restaurantes que ainda vão existindo em algumas localidades?
No concelho do Sabugal foram construídos cerca de trinta lares mas dentro de alguns anos entrarão também em crise e terão a mesma sorte que tiveram as escolas.
Tive também a triste notícia de que o multibanco de Vale de Espinho foi retirado ontem, dia 25 de Fevereiro.
A água do rio Côa também já nos foi roubada em grandes quantidades sem que nada nos tivessem dado em troca.
Para terminar refiro ainda as portagens que muito brevemente irão ser implantadas. Tenho amigos, dos Foios e de terras vizinhas, a quem já ouvi dizer que vão passar a vir menos vezes à terra porque os combustíveis e as portagens os levariam à ruína.
À maioria das pessoas, das nossas santas terrinhas, valeu-lhes a França, tanto no passado como no presente.
Na qualidade de Presidente de Junta sei bem quantos atestados de vida passamos aos nossos ex-emigrantes.
E também sei que a maioria destes, ex-emigrantes, usufruem de boas pensões que ainda dão para ajudar filhos e netos quando compram ou mudam de carro ou de casa. É caso para dizer: MERCI BEAUCOUP, FRANCE.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Há dias um sabugalense amigo que conheço das tertúlias fadistas, dizia-me que alguns concelhos do Interior tenderiam a acabar e era até vantajoso que assim acontecesse para boa gestão dos dinheiros públicos. Naturalmente, discordei daquela opinião, ou não fosse eu autarca e defensor acérrimo da autonomia local. Tentando por isso demonstrar o erro dessa hipotética, e na minha opinião, falsa medida de gestão racional, argumentei que ela nada de bom acrescentaria ao país, nem mesmo em termos económicos ou financeiros. Estou convencido que lá no fundo nem o meu amigo fadista concordava com o que afirmava.

Casa Bebéu - Penamacor

António Cabanas - «Terras do Lince»Porventura, tratava-se de um costumeiro desabafo, tipicamente português, em que usamos dizer mal de nós próprios, da nossa terra e do nosso país – o eterno pessimismo lusitano. A conversa acabaria mesmo por resvalar para o habitual misto de preconceito e inveja em relação aos nuestros hermanos, que geralmente nos levam a condenar a atitude independentista de D. Afonso Henriques. Contrariando tais ideias, afirmei logo que se Portugal se tornasse uma província espanhola, eu seria um etarra! Gargalhada geral, mas os fados iriam começar, acabando com a conversa.
Entre um copo de tinto, um fado e uma rodela de chouriça assada, fiquei a matutar na ideia de alguns concelhos correrem mesmo o risco de fechar. Logo me vieram à memória os tiques economicistas dos últimos governos, de ambas as cores, que, face ao deficit das finanças públicas, desataram a fechar o Interior, desde as escolas aos tribunais, das maternidades às repartições de finanças, passando pelos CTT e pelos centros de saúde. Lembrei-me ainda dos hospitais, das esquadras de polícia, da Guarda-Fiscal e das companhias militares que já antes tinham desaparecido das vilas do interior, e pensei com os meus botões que o perigo era real: os concelhos estão a fechar aos poucos. E para mal geral, nem sequer tem valido o sacrifício, já que as finanças públicas vão sempre de mal a pior, o que me leva a crer que a culpa do deficit não é, nem foi nunca, do Interior. E se não é do interior, só pode ser da má gestão, dos elefantes brancos e dos buracos negros do país rico; das empresas públicas, dos grandes grupos económicos, dos bancos, da corrupção, dos TGVs, dos estádios de futebol, dos ordenados dos gestores, das corporações e lobbies etc.
Veio-me à memória que recentemente, já durante o governo de Sócrates, foi movida a maior campanha contra as autarquias, vinda de todos os sectores da sociedade, exacerbada sobretudo pela Comunicação Social. De repente, o poder local tornou-se o bode espiatório dos males do país, desde a corrupção ao deficit! Afinal, no que toca à corrupção, dos mais de trezentos presidentes de Câmara do país, somados aos milhares de vereadores e de membros de juntas de freguesia, tudo espremido, só dois ou três foram condenados por práticas criminosas. Haverá muitas classes com menos criminosos? Quanto ao deficit, feitas as contas, as cinco maiores empresas públicas do estado tinham mais deficit do que os trezentos e oito municípios. Mas a campanha surtiu efeito: cortou-se nas autarquias mais pequenas! Nas grandes, o governo não teve coragem para cortar. Resultados: para as contas públicas, nenhum; para o interior, onde abundam as autarquias pequenas, foi desastroso, deixando algumas com a corda na garganta e com reflexos nefastos no tecido económico local, já tão depauperado.
Mesmo assim, mais gente do que pensamos acha que o Interior deve fechar e que com isso se resolve o problema do país. Basta que falte dinheiro em Lisboa e logo alguém, assobiando para o lado, aponta a solução: corta-se no Interior! Afinal há sempre uma boa razão: não haver gente, e onde não há gente, não são precisos serviços nem dinheiro. E contra a razão não há nada a fazer!
Pensando melhor, talvez até se conseguisse ganhar uns trocos, além do que se poupava. Fechado o Interior, Lisboa pode vendê-lo então aos espanhóis por bom dinheiro, e assim se resolve o problema do deficit! Não se pense sequer que isto é uma brincadeira, parte do Interior já foi vendido, alguns latifúndios do Alentejo e da Beira Interior estão já nas mãos de espanhóis.
Não é nada fácil encontrar argumentos contra os arautos da gestão e do racionalismo económico, além de que a pequena economia não dá nas vistas e os pequenos eleitorados não têm voz.
Penso há muito que políticas correctas de planeamento e ordenamento poderão ajudar a inverter a situação das áreas menos povoadas. Continuo também a achar que o dinheiro gasto no Interior está a léguas do que seria necessário e justo. Necessário, porque onde se investe, logo surgem dinâmicas económicas e demográficas. Justo, pelos sacrifícios por que passou a população raiana na defesa das fronteiras e do solo pátrio, permanentemente cobiçado por outros povos e constantemente invadido. Foram muitos séculos de sacrifício, em que raramente se vivia em paz mais de cinquenta anos seguidos.
Durante um fado menos timbrado e já na presença da segunda garrafa, cogitava numa solução para o Interior quando me lembrei de dois exemplos de sinal contrário de políticas do passado: o das medidas povoadoras dos nossos primeiros reis, por um lado, e das reformas administrativas que fecharam concelhos, por outro. Nada melhor que olhar o passado para vislumbrar o futuro com mais nitidez.
No primeiro exemplo, os nossos primeiros reis, de forma inteligente, quiseram e conseguiram povoar o país. E não falamos de qualquer parte do país, falamos do interior! Como conseguiram eles povoar uma terra inóspita, de feras e matos, povoada de sarracenos? Como atraíram eles gente do litoral e das cidades para esses lugares ermos? Dando-lhes benesses, mercês e autonomia local, criando e organizando termos, comendas e comarcas. Dizem os especialistas que o verbo latino populare (povoar) era entendido como «organizar» administrativamente. Se os romanos foram sábios povoadores de territórios, os nossos primeiros reis seguiram a mesma cartilha.
Mas a História também nos dá exemplos de políticas despovoadoras. Durante o século XIX, por decisão de Lisboa, fechavam muitos concelhos do Interior. Também nessa altura o deficit era assustador. Fora um século catastrófico de convulsões políticas e guerras. Mais uma vez foram as terras raianas as que mais sofreram, designadamente, com as invasões francesas e com as guerrilhas carlo-miguelistas. Com o decreto de 1855, vários concelhos do interior foram feridos de morte e integrados em concelhos vizinhos mas a dívida pública aumentaria ainda mais. Passados 150 anos o resultado dessas racionais medidas está à vista, nem é preciso ir muito longe: os velhos municípios que deram origem ao Sabugal são disso testemunho. Salvo raríssimas excepções, são hoje aldeias fantasma, em escombros, cujo património foi vítima de desleixo e abandono e, na maior parte dos casos, irremediavelmente perdido. Dá pena ver velhas muralhas e castelos, domus e igrejas a esboroarem-se na erosão do tempo e da incúria. No que respeita à demografia, foi um autêntico terramoto. Nem as sedes desses antigos municípios escaparam à voragem do despovoamento. Todo um património sacrificado a troco de uns tostões necessários para as linhas férreas.
Tal como hoje a ideia daquela época era meritória: a racionalização dos recursos e a eficiência governativa; da junção de vários concelhos se faria uma administração forte e o desenvolvimento não tardaria! Puro engano! Não só, não se fizeram municípios fortes e desenvolvidos, como nenhuma eficiência se conseguiu no país por via desse sacrifício dos pequenos municípios.
Com as devidas distâncias, que se recuperem então as velhas medidas de povoamento e que se afaste de vez o espectro do encerramento, que pode hipotecar, inclusivamente a nossa soberania.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

É frequente na política local e não só, usar-se a persistente perda de população como arma de arremesso político. Problema complexo que atormenta o Interior e com o qual temos que lidar, chega a tornar-se angustiante, a pontos de ser visto como uma fatalidade para a qual parece não haver remédio. No intuito de contribuir para a compreensão do fenómeno, queremos, sem pretensiosismo, aproveitar este espaço para, em dois ou três artigos, interpolados, aqui deixarmos algumas reflexões.

Parada Militar em Penamacor

António Cabanas - «Terras do Lince»Um dos problemas mais graves que enfrenta a espécie humana é o excesso populacional e o seu crescimento exponencial, com sérias consequências no ambiente e no equilíbrio dos sistemas ecológicos, comprometendo a própria sobrevivência humana. O problema coloca-se com tal acuidade que há quem defenda o crescimento «zero» a nível económico, como única forma de o resolver e travar a explosão demográfica.
Mas essa é uma realidade longínqua, porque, paradoxalmente, na nossa região a preocupação dominante é, justamente, o despovoamento e a asfixia económica – face ao que atrás se escreveu, aparentemente, até estaríamos no bom caminho!
Nos últimos 50 anos, as regiões do Interior perderam, em alguns casos, mais de dois terços do seu efectivo, o que, associado ao elevado índice de envelhecimento e ao baixo índice de desenvolvimento, se transformou numa preocupante dor de cabeça para os governantes locais e nacionais. Se pensarmos que há regiões de baixa densidade populacional onde se vive bem e com elevados níveis de desenvolvimento, como é o caso dos países nórdicos, a falta de população não deveria constituir sequer motivo de preocupação.
Por outro lado deve salientar-se que não deixou saudades no interior, a vida das gerações que por aqui passaram nas décadas de 50 e 60, em época de muita população. Foi com muito suor e sacrifício, com privações de vária ordem e com muita fome à mistura que os nossos pais conseguiram ultrapassar as dificuldades que o excesso populacional lhes colocava. Em alguns casos, foi o contrabando, com as suas vicissitudes e os seus perigos, que, apesar de tudo, lhes amenizou a vida.
Certamente, ninguém desejará voltar à miséria de há cinquenta anos e, poder-se-á afirmar até, que foram o excesso de população e essa vida de miséria as causas da emigração massiva e do despovoamento da região. Tinha-se ultrapassado a capacidade de carga do território!
Por uma feliz conjugação de factores diversos, as regiões litorais são geralmente ricas, antes de mais, por via dos rios que aí depositam os sedimentos e as tornam férteis, depois, porque, beneficiando da proximidade do mar, possuem recursos mais diversificados e climas mais amenos. Junte-se-lhe a evolução favorável dos transportes marítimos dos últimos séculos e obtêm-se os ingredientes de um quadro quase perfeito de desenvolvimento. Há também, inversamente, regiões pouco atractivas, como os desertos, para usar um exemplo extremo. Sem termos em conta o factor humano, aceita-se naturalmente que cada região tem diferentes potencialidades económicas e de capacidade de carga, o que leva a que umas sejam tendencialmente mais apetecíveis e populosas que outras.
A concentração de investimentos e a atribuição de determinadas funções, mesmo em lugares de poucos recursos, pode torná-los atractivos e populosos. O Entroncamento, por exemplo, que é hoje uma cidade de quase 20 mil habitantes, nasceu de um simples nó ferroviário, instalado em meados do século XIX. As regiões de fronteira tiveram no passado funções seculares que lhes conferiam importância e vantagens económicas, como a defesa e as alfandegas que fizeram das praças-fortes e dos locais de entrada, centros florescentes e indutores de desenvolvimento.
Ao serem esvaziadas dessas funções, as regiões raianas perderam os benefícios que lhes emprestavam atractividade. Parece claro que, através de simples escolhas geográficas, as políticas nacionais de ordenamento do território podem atribuir ou retirar factores de desenvolvimento a determinada região.
Para os municípios que tinham por matriz a agricultura, a tercialização das sociedades modernas (aumento do peso sectorial dos serviços) foi outra das razões de despovoamento e de perda de importância económica. Os avanços tecnológicos, expulsaram a população dos campos, os quais necessitam hoje de uma quantidade de mão-de-obra infinitamente menor do que há 50 anos. Nos países mais desenvolvidos a percentagem de população que se dedica à actividade agrícola é praticamente residual, sem que isso implique menor produtividade. Por estranho que pareça, já quase não existem agricultores nas zonas rurais, preferindo-se as áreas periurbanas, próximas dos consumidores, para a produção de alimentos. As áreas rurais – chamadas agora pós-agrícolas –, por seu turno, vêm-se relegadas para funções complementares, de preservação da paisagem e da biodiversidade, as quais, face às novas tendências, não devem, no entanto, ser menosprezadas.
Assim, em vez de nos mortificarmos constantemente com o problema, – que apenas contribui para baixar a auto-estima – talvez devêssemos pensar nos recursos e nas oportunidades que a baixa densidade populacional proporciona.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Sexta-feira, quatro da tarde. Hoje vou sair mais cedo do trabalho. Destino: Ruivós. O Rui vem apanhar-me a casa, o resto da malta já nos espera para a jantarada em terras da Raia. Apesar da viagem que ainda temos pela frente a nossa cabeça já está lá. Não apenas pelos bons petiscos que nos esperam mas muito principalmente pelos amigos. Uns que já lá estão porque lá vivem, outros como o Gonçalo e a Sandra que também partiram hoje de Lisboa para lá.

As equipas de reportagem das estações televisivas SIC e TVI andaram na tarde desta segunda-feira, 30 de Março, pela aldeia de Ruivós. Os jornalistas quiseram ver e ouvir de viva voz como estava a reagir a população da aldeia dos irredutíveis raianos ao tema das crónicas no «Capeia Arraiana» e nos semanários «O Interior» e «Sol»…

Ruivós«A freguesia de Ruivós ainda não tem esgotos ligados à rede camarária… os telemóveis ainda não tocam, mas… já está ligada à rede da aldeia global. A partir de agora os de Ruivós já podem aceder gratuitamente à Internet, via wireless oferecida pela Junta de Freguesia, em qualquer ponto da aldeia»… assim começava um artigo aqui no Capeia Arraiana.
A Junta de Freguesia de Ruivós entendeu (e bem!) concretizar um pedido da Associação dos Amigos de Ruivós e de todas as crianças e jovens estudantes da aldeia disponibilizando o acesso gratuito à Internet por wireless (sem fios) a todas as casas.
Em terras de gente humilde (e honrada) onde não nascem bebés há muitos anos todas as tentativas de fixar os jovens às aldeias são sempre bem-vindas.
Há quem grite que havia outras prioridades. Claro! Mas que não vá o sapateiro além da alpargata. Há competências que são dos privados, há competências que são das associações, há competências que são das Juntas de Freguesia, há competências que são da Câmara Municipal e há competências que são do Governo. Não perceber estas realidades e estes limites é demagogia de inteligências curtas.
Ruivós já está ligado à Internet e ao Portugal Tecnológico. Agora falta cumprir-se o Portugal das Oportunidades para Todos.
O Governo de José Sócrates já conseguiu pedir a insolvência da Qimonda, a bandeira e a menina dos olhos de Manuel Pinho, e vender meio-milhão de Magalhães ao amigo da Venezuela que lhes vai mudar o nome para Canaima quando lá chegarem.
Mas… ainda não conseguiu proporcionar saneamento básico nem acesso à rede de telemóveis a uma estranha terra onde vivem raianos irredutíveis chamada Ruivós que… no Terreiro do Paço e em São Bento ninguém sabe onde fica.
Caros amigos e deputados Ana Manso e Fernando Cabral. Fico a aguardar pela vossa intervenção no Parlamento novinho em folha (as obras rondaram os três milhões de euros) para informar o nosso Governo que Ruivós ainda não tem saneamento básico mas já tem wireless. Eu sei que somos menos de 100 eleitores, nos quais me incluo, mas também somos portugueses. Sobre esse facto não sei se deva agradecer ou amaldiçoar El-Rei D. Dinis.
Saneamento básico? Rede de telemóveis? Acessos à A23? Isso tem tudo um cheiro esquisito! Viva o Portugal Tecnológico!
E o povo de Ruivós, como bom hospitaleiro, convida o senhor Primeiro-Ministro José Sócrates a vir navegar no seu Magalhães no Largo da Fonte.

Capeia Arraiana: «Internet por wireless chegou a Ruivós» Aqui.
O Interior: «Ruivós mais perto do Mundo» Aqui.
Sol: «Aldeia não tem saneamento mas tem wireless gratuito» Aqui.
Diário Digital (4-4): «Internet Wireless chegou primeiro que esgotos» Aqui.
Correio da Manhã (5-4): «Banda larga chegou antes dos esgotos» Aqui.
SIC: Reportagem programada para o noticiário das 13 horas desta terça-feira.
TVI: Sem informação da data prevista para emissão da reportagem.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

O bispo de Portalegre e Castelo Branco, D. José Alves, desafia o Governo a reforçar as politicas de apoio à natalidade como medida de combate ao envelhecimento da população, em particular, no Interior do país.

D. José Alves, Bispo de Portalegre e Castelo BrancoEm declarações à Comunicação Social, D. José Alves, pediu ao Governo para melhorar as condições de apoio à natalidade das populações das regiões do Interior de Portugal e deu como exemplo o «Centro de Apoio à Vida de Portalegre» que vai ser inaugurado no dia 8 de Dezembro.
«A criação deste centro é um alerta para tentar despertar as consciências dos governantes e das populações para o preocupante envelhecimento da população que vive no Interior do nosso país», esclareceu o bispo de Portalegre e Castelo Branco.
«É um espaço pioneiro no Alentejo e vai de encontro às dificuldades das adolescentes que engravidam e ficam desapoiadas recorrendo por isso ao aborto. Vamos tentar salvar vidas humanas e contribuir para o crescimento da população», acrescentou D. José Alves, natural da Lageosa da Raia, concelho do Sabugal, responsável pela diocese de Portalegre e Castelo Branco e de quem se fala sobre uma eventual mudança para Évora.
Com um investimento superior a um milhão de euros o centro está localizado numa quinta e tem capacidade para 10 utentes com idades até aos 18 anos num regime transitório durante a gravidez e após o parto no sentido de proporcionar uma reintegração das jovens mães na sociedade.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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