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Em 10 de Maio de 1811, há rigorosamente 200 anos, ocorreu um dos grandes actos de valentia da história militar francesa, que foi a evasão da guarnição que ocupava a praça de Almeida. Os homens do general Brenier, seguindo as instruções do marechal Massena, romperam com argúcia e coragem o cerco das tropas aliadas, juntando-se ao seu exército em Espanha. Massena conseguiu com este glorioso feito mitigar o fracasso que foi a terceira invasão de Portugal.

AlmeidaDepois da Batalha do Sabugal, em 3 de Abril de 1811, as tropas de Massena abandonaram Portugal, concentrando-se entre Ciudad Rodrigo e Salamanca, onde descansaram das fadigas da campanha. Porém o isolamento de Almeida, onde se mantinha uma guarnição francesa, comandada pelo general Brenier, e a maior parte do parque de artilharia do exército, eram motivo de grande preocupação para o marechal. Afligia-o a possibilidade de Almeida ser bombardeada e tomada pela força, com a consequente humilhação francesa. Por isso decidiu marchar em valimento da fortaleza, o que o levou a enfrentar as tropas aliadas na linha da fronteira.
A terrível batalha de Fuentes de Oñoro, durou três dias, de 3 a 5 de Maio, tendo os anglo-portugueses conseguido repelir os sucessivos ataques dos franceses, assim evitando que voltassem a colocar o pé em Portugal.
Verificando a impossibilidade de passar a fronteira, Massena pediu voluntários para levarem ao general Brenier uma mensagem. Apresentaram-se três jovens, dispostos a cumprir a espinhosa missão de penetrarem nas linhas aliadas: o cabo Zaniboni, e os soldados Lami e Tillet. Os dois primeiros seguiram disfarçados de camponeses e o último teimou em avançar com o seu uniforme e armado com o seu sabre. André Tillet, foi precisamente o único a atingir o objectivo, conseguindo passar por ingleses e portugueses e entregar ao comandante francês a minúscula mensagem que, cumprindo à risca as instruções, levava na boca, pronto a engoli-la em caso de ser capturado.
A mensagem de Massena era clara: «Meu caro general, faça explodir Almeida por meio de fornilhos, retirando com a sua guarnição para Barba del Puerco. Faça tudo para que o inimigo não possa tirar proveito dos canhões e das munições que estão na praça, quer destruindo-os quer enterrando-os. Previna-me da recepção desta ordem com quatro salvas de 25 tiros de canhão do maior calibre que tem (…)».
Inicialmente Massena temeu o pior, pois o tempo passava sem que o sinal combinado surgisse. Porém às 10 horas da noite de 7 de Maio ouviu-se o som abafado de salvas de canhão, vindas dos lados de Almeida. Face ao alívio, o comandante francês deu instruções para a execução de manobras ameaçadoras, a fim de concentrar os aliados na linha avançada e assim facilitar a Brenier os trabalhos de minagem da praça e a evasão da guarnição.
Em Almeida, os preparativos para a fuga começaram imediatamente a seguir ao recebimento das ordens de Massena. Brenier mandou atirar os cartuchos e os projécteis para os poços, destruir as peças de artilharia disparando umas para a alma das outras, e carregar de pólvora os fornilhos que foram instalados nas muralhas para as derrubar. Tudo ficou pronto no final do dia 10, altura em que Brenier juntou a guarnição, formou duas colunas e saiu da praça pelo lado oeste, deixando para trás apenas alguns sapadores para pegarem fogo aos fornilhos de pólvora.
As duas colunas avançaram a coberto da noite, e conseguiram atacar de surpresa as tropas aliadas dos postos avançados. Entretanto um enorme estrondo perturbou a calma da noite, em resultado da explosão das minas. Coube aos portugueses, comandados pelo general Pack perseguir os franceses fugitivos, sem contudo conseguirem evitar que os sapadores, que haviam ficado para trás, se lhes juntassem e que todos alcançassem o rio Águeda, onde do outro lado o general Reynier os esperava em Barba del Puerco.
A perseguição apertada de Pack, a quem na fase final se juntou a cavalaria de Cotton, fez com que a coluna francesa seguisse para a ponte por um atalho, trepando as vertentes escarpadas do vale do Águeda, tendo muitos dos homens caído desamparados num precipício rochoso quando chegaram ao topo e lhes faltou o pé do outro lado, o mesmo sucedendo a alguns dos portugueses que os perseguiam. A protecção de atiradores franceses entretanto posicionados na outra margem do rio, garantiu que quase toda a coluna escapasse atravessando a ponte, mas dos que caíram no desfiladeiro, só se fizeram contas ao amanhecer, quando os franceses conseguiram repelir os perseguidores.
A grande parte dos que caíram haviam afinal escapado, tendo-se agarrado às rochas e escondendo-se entre elas, mas no fundo do precipício estavam 270 homens mortos ou terrivelmente mutilados, dos quais 230 eram franceses e 30 eram portugueses.
Retirados e encaminhados os feridos para o acampamento, fez-se a chamada dos 1200 elementos que constituíam a guarnição de Brenier em Almeida. O pessimismo deu lugar a uma alegria contida: apenas faltavam 350 homens.
Este feito heróico da fuga da guarnição de Almeida constituiu um bálsamo para a auto-estima de Massena, que via honra nesta última operação do exército de Portugal. Ela feria o orgulho de Wellington, que viu passar a coluna francesa por entre os dedos, sem que a conseguisse capturar.
Mas nesse mesmo dia a vaidade de Massena seria manchada ao receber das mãos do general Foy, chegado de Paris, a missiva de Napoleão Bonaparte que lhe retirava o comando do exército, entregando-o ao marechal Marmont.
Paulo Leitão Batista

Auguste Frédéric Louis Viesse de Marmont (1774-1852) foi um prestigiado marechal de França que serviu Napoleão em várias frentes, nomeadamente na guerra peninsular, onde substituiu Massena no comando do Exército de Portugal. Foi Marmont que perpetrou a quase desconhecida quarta invasão, no decurso da qual se instalou no Sabugal.

Marechal MarmontOriundo de uma família nobre, aos 15 anos era subtenente de infantaria. Progredindo depressa na cadeia hierárquica, tornou-se em breve assessor do promissor general Bonaparte, acompanhando-o nas campanhas de Itália e do Egipto.
Voltou para a Europa já como general de brigada, em 1799, sendo então nomeado conselheiro de Estado e, pouco depois, comandante da artilharia da reserva do exército, altura em que se tornou general de divisão.
Em 1805 combateu na batalha de Ulm e, no ano seguinte, foi nomeado comandante geral da Dalmácia, tendo como missão desbloquear os franceses sitiados em Ragusa (actual Dubrovnik) pelos russos, o que cumpriu com êxito.
Em 1808 foi distinguido com o título duque de Ragusa e no ano seguinte participou na campanha austríaca. Foi no decurso dessa campanha que Napoleão o fez Marechal de França e governador-geral de todas as províncias da Ilíria.
Em Julho de 1811 o Imperador enviou-o para Espanha, onde substituiu Massena à frente dos cerca de 50.000 homens do exército de Portugal.
Militar prestigiado e reconhecido estratega, o marechal Marmont manobrou as suas tropas com mestria e, fazendo jus a um pedido formal de Napoleão, cooperou com os demais comandantes franceses que estavam na península. Foi assim que, descendo para sul, juntou as suas forças às do general Murat e obrigou Wellington a desistir da tomada de Badajoz.
O objectivo fixado ao seu exército era o da invasão de Portugal em tempo oportuno, quando tal lhe fosse indicado por Napoleão. Porém o Imperador preparava a guerra com a Rússia e desviara as atenções da Península Ibérica. Entretanto Marmont estendia a sua responsabilidade às Astúrias, Estremadura, Castela-a-Velha e Leão.
No início de 1812, Napoleão ordena-lhe que se fixe em Salamanca e no final de Março, face a nova e fortíssima ofensiva de Wellington sobre Badajoz, manda-o desencadear uma investida em Portugal, através da Beira Baixa.
No dia 3 de Abril de 1812 Marmont inicia a operação, entrando em Portugal e atacando Almeida, que porém resistiu. Avança depois por Alfaiates e instala o seu acampamento no Sabugal, a partir de onde lança colunas para Penamacor e Fundão. Castelo Branco é saqueada a 12 de Abril, o mesmo sucedendo a Pedrogão e Medelim no dia seguinte. A 14 um destacamento atacou a Guarda, onde as milícias portuguesas de Trant foram desbaratadas.
Entretanto, no dia 7 de Abril, Badajoz caiu nas mãos do exército anglo-luso e Wellington veio para norte, a fim de dar combate aos invasores. Marmont sente que não será capaz de enfrentar os ingleses e portugueses e a 24 de Abril de 1812 começa a retirada. Esta quase desconhecida quarta invasão de Portugal durou apenas 20 dias.
Wellington passou pelo Sabugal e Alfaiates e deu perseguição a Marmont em território espanhol. Uma força com cerca de 27.000 ingleses e 18.000 portugueses, atravessou o rio Águeda, e avançou sobre Salamanca. A 28 de Abril foram conquistados os fortes que defendiam a cidade, mas no dia 18 de Julho os franceses saíram vitoriosos dos combates na zona de Tordesilhas.
A derrota francesa só aconteceu no dia 22 de Julho, na batalha de Arapiles, onde Marmont foi gravemente ferido, perdendo um braço.
Face ao ferimento o marechal regressou a França para se recuperar. Em Abril de 1813, já recuperado, recebe de Napoleão um novo comando, passando a combater na Alemanha.
No ano seguinte, quando as tropas aliadas cercaram Paris, Marmont esteve entre os comandantes que defendiam a cidade. Face às dificuldades em manter as posições, foi escolhido pelo Imperador para negociar com os aliados. A capitulação foi assinada em 31 de Março e a 4 de Abril Marmont retira com as suas tropas para a Normandia, em total contradição com as ordens que recebera do Imperador e ignorando os protestos dos seus oficiais e soldados. Este acto ditou que passassem a chamar-lhe duque de «ragusade», para significar traição.
Paulo Leitão Batista

A «política de terra queimada» posta em prática por Wellington, transformando Portugal num deserto, para que as tropas invasoras não encontrassem meios de subsistência, tornaram os esfomeados soldados franceses em verdadeiros animais ferozes, sofrendo as populações os consequentes actos de barbárie.

Fuzilamento em Madrid na Guerra Peninsular - quadro de GoyaÀ medida que o exército de Massena avançava os franceses davam-se conta de que em Portugal apenas encontrariam fome e miséria. O povo abandonara as aldeias, vilas e cidades, escondera os meios de subsistência que não pudera transportar, queimara as searas, destruíra fornos e moinhos, envenenara fontes e poços. Esta bem sucedida táctica, onde os portugueses de tudo se desprenderam por manifesto patriotismo, foi dois anos depois seguida na Rússia, onde as tropas de Napoleão Bonaparte voltaram a sentir os efeitos da fome, a que se juntaram os do frio extremo.
Nos dias de marcha o soldado comia a parca ração de biscoito que lhe era distribuída, mas quando a coluna parava e acampava, eram de imediato organizadas batidas, ou acções de saqueamento, procurando-se víveres pelos aglomerados populacionais em redor. Como não encontravam vivalma nem meios alimentícios à mão, procuravam adivinhar onde estavam escondidos. Cavavam onde houvesse terra remexida de fresco e, por vezes, eram premiados com a descoberta de uma arca cheia de cereal. Esbarrondavam as frágeis paredes das casas e encontravam nos vãos falsos arcas salgadeiras cheias de carne de porco. Entravam nas lojas e por vezes ficavam deslumbrados com pipas cheias de vinho que os seus proprietários, na pressa da fuga, não tiveram tempo de entornar. Atentos aos sons do campo detectavam o balir, o mugir e o grunhir dos animais domésticos que ficaram para trás ou que tresmalharam, apressando-se a conduzi-los ao acampamento, onde eram abatidos à medida das necessidades.
Na falta de outro alimento a soldadesca sacrificava os burros de carga que acompanhavam o exército. Nunca tanto asno foi comido nas terras portuguesas como nos dias da terceira invasão francesa. Das largas centenas de burros que as hostes napoleónicas trouxeram para transporte de carga e de feridos em combate, apenas parcas dezenas regressaram a Espanha no final.
Cada regimento organizava as suas pilhagens para buscar sustento. Chefiadas por sargentos, as colunas de saqueadores, que os generais designavam de «forrageadores», iam pelo campo seguindo direcções diferentes. Por vezes estas sortidas demoravam dias, só regressando quando tivessem deitado mão a algo capaz de matar a fome aos camaradas. As aldeias estavam desertas, e ai do desventurado que estes soldados encontrassem. Vinham-lhe ao de cima instintos de ferocidade e eram capazes de o torturarem até à morte para obterem a revelação de onde havia algo para pilhar.
Soldado francês com o resultado da pilhagemO capitão Jean-Baptiste Delafosse, que esteve integrado no corpo de Reynier, publicou as suas memórias sobre a campanha de Portugal, onde descreveu, com manifesta emoção, o que a tropa gaulesa passou, justificando assim os actos de barbárie praticados sobre a população portuguesa:
«Desgraçado do camponês que o destino fazia encontra-se com saqueadores! O pobre infeliz via-se, em primeiro lugar, despojado e, muitas vezes, cúmulo do horror, era morto… por homens a quem a fome, essa dura necessidade, tinha tornado cruéis e semelhantes a selvagens (…). Necessitavam de guias em localidades desconhecidas; apanhavam um, ordenavam-lhe que os conduzisse a uma aldeia, não era a sua, bem entendido, onde ele os levava; chegados lá, forçavam-no a indicar os esconderijos, mas, como fazer? O pobre diabo não os conhecia (…). Passavam-lhe uma corda pelo pescoço e o infeliz ouvia estas palavras: “Enforcado até que nos digas onde está o grão!”… Como não o sabia indicar, suspendiam-no até começar a ficar azulado; então punham-no em terra para que falasse! Infeliz! (…) O soldado, na sua ferocidade, dizia-lhe: “Ah, tu não queres dizer onde fica o grão? És um bandido, à forca!” E enforcado ficava.»
Mas vingança gera vingança e o mesmo capitão francês descreve um episódio atroz a que assistiu:
«Em frente de uma casa isolada encontrámos, na nossa marcha de retirada, quatro corpos enforcados numa árvore!… Entrando no rés-do-chão, um espectáculo medonho ofereceu-se aos nossos olhos: sobre a parede estava pregada a pele de um homem esfolado há pouco tempo e por baixo estava escrito em português: “Dragão francês, esfolado vivo, por ter enforcado os nossos homens!…”»
Era esta a resposta do povo português face ao saque, às sevícias, à morte por divertimento e ao abuso das mulheres constantemente praticados pelos soldados franceses.
A prática selvagem de esfolar franceses começou logo em Riba-Côa, nos primeiros dias desta infernal terceira invasão, quando em Nave de Haver foram detidos por populares dois oficiais franceses (um coronel e um tenente) e dois soldados que se haviam perdido da escuridão e ali tinham ido parar. O tenente d’Oraison, atingido com um tiro, foi de seguida esfolado pelas mulheres da aldeia, que assim exprimiram o ódio aos franceses que as violavam e lhe matavam os maridos e os filhos. O coronel Pavetti e os dois soldados foram violentamente torturados e enviados à tropa regular anglo-portuguesa, que estava do outro lado do Côa. Ao ter conhecimento do sucedido, Massena mandou cercar a aldeia e fuzilar os culpados, sendo conduzidos ao quartel francês um conjunto de camponeses, que pagariam com a vida a ousadia e a barbárie popular. Wellington, ao saber do caso, escreveu a Massena, intercedendo pelos infelizes, que eram, assegurava-o, homens da Ordenança portuguesa. Deveriam por isso ser tratados como prisioneiros, da mesma forma que ele tratava os soldados franceses capturados. Massena, agastado com a argumentação de Wellington, que na sua perspectiva apenas defendia assassinos, respondeu-lhe com azedume: «Não lhe fica nada bem falar da sua lealdade nos actos de guerra e no seu respeito pelos usos estabelecidos entre as nações civilizadas. Pois não é o senhor que obriga os portugueses, dos quais, no entanto se diz protector, a devastar as suas propriedades e a fugir quando chegam os franceses?». E os pobres camponeses de Nave de Haver foram de facto executados.
Foram tempos tenebrosos, onde a ira e a sede de vingança tomaram conta de tudo. Tempos que importa evocar na perspectiva de se tomar consciência da desumanidade que sempre acompanha os conflitos armados entre as nações e do sofrimento atroz que por essa via é imposto às populações atingidas.
Paulo leitão Batista

Passou mais um ano sobre a importante batalha do Sabugal, que aconteceu em 3 de Abril de 1811, no quadro da guerra peninsular. Para o ano fazem-se 200 anos e até ao momento nenhuma autoridade responsável avançou com a ideia de evocar esse momento histórico.

O exército do marechal Massena, cuja fama de estratega militar só era superada pela do próprio imperador Napoleão Bonaparte, tinha batido em retirada após não ter sido capaz de atravessar as Linhas de Torres Vedras e tomar Lisboa. O segundo corpo, comandado pelo General Reynier cumprira as ordens do marechal e instala-se no Sabugal, onde foi surpreendido pelas forças anglo-lusas de Wellington, que atacaram o seu acampamento no sítio do Gravato obrigando-o a retirar para Espanha.
Massena não queria desistir da conquista de Portugal e o seu recuo era apenas estratégico.
Não conseguindo entrar em Lisboa, os 65 mil homens do exército francês fixaram-se em Santarém, onde estiveram durante semanas aguardando reforços. Mas o caso é que os franceses ficaram isolados, sem conseguir estabelecer comunicações com os restantes corpos de exército que operavam em Espanha e desconhecendo por completo se as restantes movimentações ordenadas pelo imperador se estavam a cumprir. Cansado de esperar e já com imensas dificuldades em alimentar o seu exército, Massena decidiu recuar. Fê-lo de forma controlada, mas seguido de perto pela tropa de Wellington.
Quando conseguiu comunicar com os corpos de exércitos que operavam em Espanha, verificou o ponto da situação: a sul o marechal Mortier conquistara Badajoz e Campo Maior e tinha ali estacionadas forças consideráveis; o marechal Bessiéres marchava com um corpo de exército para Ciudad Rodrigo, vindo do norte de Espanha. Face a esta realidade Massena elaborou um plano audaz, disposto a relançar a invasão: abandonar na fortaleza de Almeida, tomada pelos franceses, os doentes e feridos e tudo o mais que embaraçava os movimentos do seu exército e seguir pelo vale do Côa até ao Sabugal, depois para Belmonte e Penamacor, entrar em Espanha, atravessar Coria e encontrar-se com o exército de Mortier em Alcântara. Dali lançaria uma forte ofensiva sobre Lisboa, seguindo desta vez pela margem esquerda do Tejo.
O arrojado plano de Massena de fazer uma ofensiva pelo Alentejo, confrontou-se porém com a recusa do marechal Ney, que comandava o 6º corpo, em obedecer a essas ordens, o que levaria à sua exoneração e substituição. Esta contrariedade fez-lhe perder o tempo suficiente para que Wellington, apercebendo-se de que a movimentação que os franceses ensaiavam não era lógica, avançasse para o Sabugal, onde já estava a vanguarda de Massena, e aí atacasse o corpo do general Reynier, infligindo-lhe uma derrota
Com a linha de operações interceptada, e um corpo de exército destroçado, nada mais restou a Massena que mandar retirar todas as suas tropas de Portugal, assim terminando a terceira invasão.
Foi esta a importância histórica da Batalha do Sabugal na guerra peninsular. Foi decisiva, na medida em que fez desistir os franceses de tentar invadir o nosso país. De facto, permaneceram mais dois anos em Espanha, mas não mais tentariam ocupar o solo português.
É possível que as entidades do concelho não se aponham à tarefa de comemorar os 200 anos da Batalha do Sabugal, mas fica a promessa que no ano que vem o Capeia Arraiana voltará a evocar a data.
plb

Os colaboradores deste Blogue, Adérito Tavares e António Cabanas, lançaram-nos como que um repto: as relações entre nós portugueses e esses vizinhos tantas vezes ignorados, que são os espanhóis. Como quase todos os que escrevemos no Capeia Arraiana, somos gente da Raia, porque não aceitá-lo?

António EmidioO nosso encaixe físico, esta vizinhança, faz com que tenhamos sempre os olhos postos uns nos outros. Assim foi ao longo da história. Neste post, não irei falar sobre batalhas ganhas e batalhas perdidas, nem tão pouco em nacionalismos serôdios. Falarei nos períodos de amuos e boas relações entre os dois povos.
O Iberismo é uma tendência política, espanhola, de integrar Portugal num todo ibérico. Esse Iberismo é conseguido no reinado de Filipe II . Alguns historiadores afirmam, que até essa data, Portugal se integrava sem muitos e grandes problemas numa Espanha medieval, renascentista e barroca. Era uma «pequena Espanha», mas com o surgir de novos pensamentos e correntes políticas, como o centralismo do poder, essa situação foi radicalmente posta de parte pelos portugueses a partir de 1640.
Depois desta data, cada um seguiu caminhos separados, o que deu origem a uma secular história de antagonismos. Portugal vive então de costas voltadas para Espanha, sendo assim a melhor maneira de defender a sua independência.
Só no século XIX, Portugal e Espanha têm uma postura diferente. Surge então uma espécie de Iberismo, mas este de carácter positivo, fruto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular. Ambas contribuíram para uma revolução ideológica, que foi o Liberalismo. Mas depressa este Iberismo deu lugar a um novo voltar de costas, fracasso da Primeira República Espanhola e proclamação da República Portuguesa. Nessa altura, em Portugal, era considerado anti-patriotismo e traição, falar em Iberismo.
Revolução de 28 de Maio de 1926, a partir daí, com toda uma séria de peripécias entre Salazar e Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, em que Salazar apoia Franco, porque deseja uma convergência de regimes, e abomina a República, vendo nesta, ou seja, na vitória dela, o aparecimento de um Iberismo Revolucionário que levaria à queda do seu regime, o Estado Novo. Mas não esqueçamos que franco, e a Falange, sempre mantiveram, muito secretamente, uma vontade de anexar Portugal.
Vem depois a Segunda Guerra Mundial, Franco apoia os países do Eixo, chega a encontrar-se com Hitler, deseja participar na guerra. Salazar tudo faz para o dissuadir, sabe que isso traria uma invasão do território nacional pelos exércitos de Espanha e da Alemanha. Vários condicionalismos, entre eles – Hitler não aceitar uma série de condições de Franco – fazem com que a Espanha se mantenha fora da guerra.
Seguem-se anos de silêncio e calma, não há problemas. A Espanha, pela mão de alguns tecnocratas católicos da Opus Dei, entra numa liberalização económica, a partir dos anos sessenta. Liberalização económica, não política, a ideologia (ditadura) sempre esteve nas mãos de Franco. Portugal mantém-se inalterável, tanto política como economicamente. O que faziam os povos da fronteira, o que fazíamos nós, raianos, por estes lados? Contrabando, fazer compras nas povoações espanholas de fronteira, sempre com receio às autoridades, casamentos entre espanholas e portugueses, e vice-versa, idas e vindas entre caminhos e veredas, havia portugueses que tinham pequenas terras agrícolas em Espanha. As populações davam-se bem, apesar dos nacionalismos e proteccionismos dos seus governantes.
Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, começa a evolução para a democracia em Espanha (A Transição) . Franco ainda pensa em invadir Portugal, caso o Partido Comunista Português se instale no governo. Começa uma mudança ideológica que se reflectiu em todos os sectores.
Em 1981 há uma tentativa de golpe de estado em Espanha, feito pelos militares saudosistas do Franquismo. A concretizar-se, seria mais um período de tensão entre os dois países e muitos democratas espanhóis se refugiariam em Portugal. Falei com um, que andou pela serra á procura de caminhos que o trouxessem a Portugal, não só a ele, mas a muitos outros que tinham contactado com ele. As fronteiras entre os dois países fechariam, e as perseguições políticas começariam.
Vem 1986, entrada conjunta de Portugal e Espanha na União Europeia, então CEE.
Chegou-se ao fim da história nas relações entre os dois países? Ainda não. A história caminha para diante sem deixar para atrás o passado. Vivemos presentemente num Iberismo positivo, isto não quer dizer que um dia volte um Iberismo negativo.
Num dos artigos que escrevi para este Blogue, intitulado «Que Federação Ibérica?», disse que houve, e há, autarcas do Concelho que fizeram e fazem um grande esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica com as populações do outro lado da fronteira. A história concelhia lembrar-se-á deles com fomentadores de um Iberismo são, e talvez precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São símbolos de paz e progresso.
Uma pequena história para terminar:
Quando Franco entra em Madrid, e se proclama vencedor da Guerra Civil, num clube, aqui na então Vila do Sabugal, estava toda a gente com atenção ao rádio que transmitia o acontecimento. Possivelmente o Rádio Clube Português, que durante a guerra transmitia programas de apoio às tropas franquistas. Ouve-se então uma voz clamar bem alto:
– Legionários!!! Isto ouve-se em sentido!!!
Foi o comandante da Legião Portuguesa da Vila que lançou esta ordem para os legionários presentes, tal era o fervor ideológico!
Escusado será dizer que toda a gente se pôs de pé e em sentido, legionários e não legionários, estes últimos com medo, não fosse o diabo tecê-las…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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