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A Lapa de Maria foi um dos refúgios naturais que os habitantes de Valongo do Côa usaram para se esconderem dos franceses, procurando evitar os abusos desmedidos da soldadesca, que percorria as aldeias em busca de sustento ou na perseguição das guerrilhas que os atacavam.

Há 200 anos, no tempo em que Napoleão espalhou a guerra por toda a Europa, os exércitos não tinham ainda capacidade logística para transportarem consigo os meios de abastecimento. Atrás das colunas de cavalaria e infantaria seguiam os pesados trens da artilharia e da engenharia, carroças com pólvora, balas de canhão e cartuchos de espingarda, caixões de biscoito, e algum material de intendência.
Bonaparte fixara a máxima: «A guerra deve alimentar a guerra.» Tal significava que cada um dos seus exércitos deveria subsistir com o que o país ocupado produzisse, cabendo aos comandantes providenciar no sentido de garantir esses recursos.
Ora, em certas regiões, os exércitos franceses andavam depauperados. Os soldados passavam fome, tinham as roupas e o calçado rotos, além de que os soldos estavam em atraso. A solução era mandar «forragear».
Constituíam-se destacamentos com carroças para transporte, que seguiam pelos territórios ocupados em busca de víveres. Onde havia algo a confiscar para a sobrevivência do exército, os forrageadores deitavam a luva, sem pedir licença. Embora procurassem sobretudo cereais, tudo lhes servia: vinho, aguardente, animais para abate, ovos, enchidos, fruta, e até feno e palha para os cavalos. Quem se lhes interpusesse, alegando defender o que era seu, arriscava-se à morte. Por isso era tremendo o medo dos franceses e os povos das zonas ocupadas procuravam locais de refúgio, para onde se escapuliam logo que os franceses se aproximassem das aldeias.
No concelho de Vilar Maior, junto a Valongo, na margem do Côa, havia um refúgio natural que foi sucessivamente usado durante o tempo em que os militares de Napoleão operaram na raia. Trata-se da Lapa de Maria, que é uma gruta natural, formada por grandes barrocos. A entrada é muito baixa e estreita, sita na base dos rochedos. Porém o interior da gruta contém uma nave ampla, onde cabem mais de três dezenas de pessoas. No topo contém uma pequena abertura, por onde entra luz natural.
Está localizada a pouco mais de um quilómetro da povoação, na margem direita do rio, em local aprazível. O isolamento da Lapa de Maria e a sua localização privilegiada, tornam-na num esconderijo perfeito, perante um invasor que possuía cartas das principais estradas e caminhos e sabia localizar facilmente as principais povoações, mas não podia conhecer os abrigos que o povo escolhia para se esconder.
Joaquim Manuel Correia, no seu livro «Celestina», fala na Lapa de Maria e conta alguns episódios que o povo não esqueceu.
«Durante o “tempo dos franceses” cerca de 30 pessoas estiveram escondidas na Lapa de Maria, junto ao rio Côa, na zona do Seixo. Estiveram três dias sem comer, até que um homem, Afonso Correia, “foi ao Seixo comprar uma bolacha, uma coisa dura a arremedar uma bola, por oito tostões, repartindo-a por todos”.
Muitas vezes ali estavam escondidos, quando viam o perigo assomar. Conta-se que duma vez ouviram gritar “Ó Maria, olha que já abalaram os franceses”, porém desconfiaram e não saíam porque quem gritava era um garoto a mando dos franceses que assim esperavam surpreender os escondidos. Como não saíam ameaçaram deitar fogo a toda a gente, pelo que saíram, fugindo cada um para seu lado.
Uma mulher, chamada Josefa, fugiu com todo o ouro do grupo para a Serra do Seixo, sendo perseguida por um francês que a tentou, sem êxito, balear.
No mesmo local consta que os invasores tentaram enforcar uma rapariga chamada Paula, de Vale das Éguas, deixando-a pendurada num carvalho, decerto depois dela terem abusado. Valeu-lhe ali passar um homem que lhe acudiu cortando a corda. “Ficou sã e escorreita, inda casou e teve filhos”.
Na Ruvina mataram um rapaz por defender a mãe que um francês queria acometer. Eles, desagradados com a acção do rapaz em defesa da mãe, “deitaram-no sobre um banco e obrigaram a mãe a aparar o sangue como se fosse um porco”.»
A Lapa de Maria deveria ser inserida numa «rota das invasões» a criar no concelho do Sabugal.
Paulo Leitão Batista

No dia 11 de Setembro de 1810, o corpo de tropas de Reynier abandonou os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, onde estavam instaladas há 14 dias, iniciando, sob o comando de Massena, a manobra da terceira invasão de Portugal. Para trás deixavam aldeias saqueadas, homens mutilados e assassinados e mulheres violadas. Portugal e os portugueses viviam um dos períodos mais pavorosos da sua história.
plb

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A 27 de Agosto de 1810, há precisamente 200 anos, as tropas do 2.º corpo do exército francês, comandadas pelo general Reynier, vindas do sul para se juntarem ao grande exército de Massena, ocuparam em força as terras dos concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, provocando a fuga desesperada das populações.

Enquanto o 6.º corpo, de Ney, manobrava em redor de Almeida, estabelecendo o cerco à fortaleza, e o 8.º corpo, de Junot, estava ainda em Espanha nas margens do rio Águeda, o 2.º corpo, de Reynier, operava em Cória e Placencia, na linha do Tejo. Massena montara o seu quartel-general no forte de La Conception, frente a Vale da Mula, de onde emanava as ordens do dia.
O marechal ainda não decidira como invadir Portugal e estava inclinado a fazê-lo em duas frentes, partindo uma coluna de Almeida, pela estrada da Beira, e penetrando a outra pelo vale do Tejo, em direcção a Abrantes. Porém acabaria por preferir juntar os três corpos e avançar em força por Celorico e Viseu, pois a postura de Wellington, que deixara cair Ciudad Rodrigo e não auxiliava Almeida, indiciava que podia dar-lhe perseguição e enfrentá-lo em qualquer posição.
Foi assim que na manhã do dia 25 de Agosto enviou ordens a Reynier para se deslocar para norte e tomar posição na margem direita do Côa, à esquerda do corpo do marechal Ney. Em cumprimento dessas instruções, o 2.º corpo avançou em marchas rápidas e no dia 27 ocupou em força os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, cujas aldeias ao redor foram também tomadas pelos destacamentos, tendo os soldados ocupado as casas abandonadas pelos habitantes receosos. Tal como o comandante em chefe lhe prescrevera, Reynier estabeleceu o seu quartel-general em Alfaiates e guarneceu fortemente a ponte do Sabugal, tendo em vista dissuadir qualquer tentativa do exército anglo-português de atravessar a linha do Côa.
Os concelhos raianos onde até então tinham forrageado os destacamentos do 6.º Corpo, ficavam agora literalmente ocupados pelas tropas do 2º corpo, as mesmas que com o marechal Soult haviam protagonizado a segunda invasão de Portugal. Estes soldados experientes e com amargas recordações dos portugueses teriam que ali subsistir até que fosse dada a ordem de avançar em direcção a Lisboa. Os povos das terras em redor sofreram então como nunca os excessos da soldadesca que, querendo alimentar-se e aprovisionar-se de viveres, lançavam mão a tudo o que servisse de alimento para os homens e para os animais do exército.
Esta forte e dura ocupação militar das nossas terras manter-se-ia até ao dia 11 de Setembro, data em que Massena transmitiu aos seus lugares tenentes as instruções para a execução dos movimentos preparatórios para o avanço da invasão. Nesse mesmo dia o 2.º corpo deixou as suas posições na margem direita do Côa e marchou para a Guarda, de onde depois prosseguiu num movimento combinado com os restantes corpos do exército.
Já em finais de Março de 1811, malograda a terceira invasão e em plena retirada, as tropas do 2.º corpo voltariam a ocupar as terras do Sabugal, com a ideia de aí conterem o avanço dos anglo-lusos, que lhes davam perseguição. As populações voltaram então a sofrer com as atrocidades dos soldados franceses que vinham ainda mais famintos e coléricos do que quando dali haviam estado há sete meses.
No dia 3 de Abril de 1811, teve lugar a batalha do Sabugal, onde os homens de Reynier foram batidos pelos portugueses e ingleses comandados por Wellington, livrando-se assim os sabugalenses das pilhagens e dos excessos da tropa francesa.
Paulo Leitão Batista

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