You are currently browsing the tag archive for the ‘eólicas’ tag.

ANÚNCIO PÚBLICO – Os advogados dr. Francisco Nicolau e dr. João Valente anunciam o patrocínio de uma acção popular contra as eólicas de Sortelha.

«Os advogados Dr. Francisco Nicolau (do escritório do Dr. Garcia Pereira, mas a título particular) e Dr. João Valente vão patrocinar acção popular pedindo a impugnação, por ilegalidade e nulidade de licenciamento dos parques eólicos de Sortelha, bem como dos concelhos limítrofes de Belmonte e Guarda, pelas razões e fundamentos já aqui aduzidos no Capeia Arraiana num anterior artigo de opinião, tanto mais que, corre voz pública, que o parque de Sortelha vai ser aumentado em mais seis torres geradoras.
1 – O processo será patrocinado a título completamente gratuito, da parte dos advogados, está isento de custas judiciais porque se trata de defesa de um interesse público, e já se encontra redigido.
2 – Qualquer cidadão recenseado no concelho e/ou freguesia de Sortelha, ou associação de direito privado com sede no Concelho e/ou Freguesia do Sabugal que queiram patrocinar a acção a título de autores (sem qualquer custo ou honorários) pode fazê-lo.
Para esse efeito devem contactar até ao fim da primeira semana do próximo mês de Novembro para o email: joaovalenteadvogado@gmail.com
3 – Qualquer cidadão que tenha interesse em colaborar como testemunha ou perito (designadamente problemas de ruído, ambientais ou técnicos) agradece-se também contacto para o mesmo endereço electrónico, até à referida data.
4 – Oportunamente será equacionada a abertura de uma conta em nome de uma associação ou conjunto de cidadãos independentes para custear e fiscalizar eventuais despesas (estudos e perícias) com o processo.
João Valente, Advogado

Anúncios

Muitas vezes deambulamos pela natureza livre e avistamos, árvores, cursos de água, prados e searas, colinas e casas e outras mil alterações da luz e das nuvens mas, lá por atendermos a um pormenor ou contemplarmos isto ou aquilo, ainda não estamos conscientes de ver uma «paisagem».

João ValenteTodos estes elementos, contemplados directamente e de forma isolada ainda não são paisagem.
Uma palete de blocos, não é um muro; pelo contrário, só depois de sobrepostos e ligados com argamassa, isto é, quando um conteúdo unificador lhes dá uma forma, é que se tornam muro.
Da mesma forma, só quando a nossa consciência, para além dos elementos, usufrui de uma totalidade nova, de algo uno, não ligado às suas significações particulares, nem delas mecanicamente composto; só aí temos a «paisagem».
Isto explica-se porque a natureza não tem fracções. Ela é a unidade de um todo e no momento que dela destacamos algo, deixa de ser natureza, porque ela só pode existir no seio de uma unidade sem fronteiras.
A natureza, que no seu ser e no seu sentido profundos nada sabe da individualidade, graças ao olhar humano que a divide e que das suas partes constitui, pela sensibilidade artística, unidades particulares, é reorganizada para ser a individualidade respectiva que apelidamos «paisagem».
É precisamente o que faz o artista: extrai do caos do mundo um fragmento, apreende-o e forma-o como uma unidade, que agora encontra, em si mesma, o seu sentido e intercepta os fios que a ligam ao universo e reata-os de novo no ponto central que lhe é peculiar. Isto fazemos nós também de forma mais simplista, quando contemplamos uma «paisagem» em vez de um prado, de uma casa, de um riacho e um séquito de nuvens de forma isolada.
Quando vemos uma paisagem, e já não uma soma de objectos naturais que a compõem, temos uma obra de arte in statu nascendi. Isto significa que o olhar, pelo jungir de todos aqueles elementos como unidade, tornou operante, por embrionária que seja, a nossa sensibilidade artística. Reconfigurou a natureza numa primeira impressão das coisas, aproximando-se da criação artística, que é o quadro superior da contemplação geral da «paisagem».
O suporte relevante desta reconfiguração é a «disposição anímica» da paisagem (sentimento desencadeado pela paisagem) que, influenciando o reflexo afectivo do observador, penetra todos os seus elementos particulares, coadunando-os numa unidade apercebida, levando a alma contemplativa a enxergá-la para lá de uma simples soma de fragmentos dissemelhantes. A este propósito é bem elucidativo este magnífico texto do grande filósofo alemão Heidegger:

«Eu mesmo nunca observei realmente a paisagem. Sinto a sua transformação contínua, de dia e de noite, no grande ir e vir das estações. A gigantes da montanha e a dureza da rocha primitiva, o contínuo crescer dos abetos, a festa luminosa e simples dos prados florescentes, o murmúrio do ribeiro da montanha na vasta noite de Outono, a austera simplicidade dos campos totalmente cobertos de neve, tudo isto se junta e sobe e vibra até lá cima através da existência diária. E, novamente, isto não acontece nos estantes desejados de uma submersão gozosa ou de uma compenetração artificial, senão somente, quando a própria existência se encontra no seu trabalho. Só o trabalho abre o âmbito da realidade da montanha. O movimento do trabalho permanece fundido no acontecer da paisagem […] e o trabalho filosófico não acontece como a isolada ocupação de um extravagante, mas que tem uma íntima relação com o trabalho dos camponeses. Meu trabalho assemelha-se ao do jovem camponês quando sobe a montanha rebocando o trenó de montanha e depois, uma vez bem carregado com os troncos de faia, o conduz à sua cabana em perigosa descida; ao do pastor quando com o seu andar lentamente meditabundo conduz o seu gado montanha acima […] O homem da cidade pensa que “se mistura com o povo” contudo não condescende entabular uma larga conversa com um camponês. Pelas tardes, quando durante a pausa do trabalho me sento com os camponeses à volta da estufa ou na mesa junto ao canto onde está a imagem do Senhor, quase nunca falamos. Em silêncio fumamos os nossos cachimbos. Entretanto talvez troquemos uma palavra. Que o trabalho se acaba na floresta, que a noite anterior se meteu uma marta no galinheiro, que possivelmente amanhã uma vaca parirá, que o camponês Oehmi teve um ataque, que o tempo em breve mudará. A íntima pertença do próprio trabalho na floresta negra e seus habitantes vem de um centenário apego Suavo-Alemão à terra que nada pode substituir.»
(in «Porque permanecemos na província», 1934).

Como vemos, para Heidegger, a Floresta Negra despertava-lhe uma «disposição anímica» para o trabalho filosófico. Da mesma forma que Heidegger, também nós podemos dizer que uma paisagem nos desperta sentimentos de serenidade, seriedade, heroicidade, monotonia, comoção, melancolia, etc. Algumas vezes o sentimento que a paisagem desperta é tão intenso que o próprio observador se integra como elemento na própria «paisagem», como resulta no seguinte texto poético:

«Aldeia deserta!
Aqui descansarei um dia. A minha vontade já não me leva além destes montes. Pertenço a estes cabeços e fragas. Está decidido!
Aqui da colina do castelo, voo mais alto que os outros pássaros, planando sobre as ruas desertas como um milhafre. Este voo calmo de todos os dias, me basta: Duas voltas sobre a praça, uma passagem rasante à flecha do campanário e a descida abrupta sobre a escarpa do rio, onde fiz o ninho.
Aldeia vazia
Terra dos dias calmos
Só as minhas asas
Flamejantes!»

Tais «disposições anímicas», conceptualmente típicas, podem decerto asserir-se acerca da paisagem já antes realizada; mas a disposição psicológica que lhe é imediatamente própria, e que se tornaria outra com a modificação de cada linha, essa é-lhe inata, está indissoluvelmente ligada ao despontar da sua unidade formal. Pode o sentimento resultante ser o mesmo para diversas paisagens, contudo a disposição psicológica que o desencadeia nunca é a mesma, porque os elementos nunca são os mesmos.
Uma «paisagem» de serra pode despertar o mesmo sentimento de melancolia que uma da beira-mar. Contudo a disposição psicológica que desencadeou aquele sentimento não foi a mesma, porque os elementos também o não são os elementos que a tornam cada «paisagem» única. É essa particularidade dos elementos que proporciona ao observador uma disposição anímica própria, que não é a mesma se modificarmos alguns deles.
Uma aldeia medieval amuralhada rodeada de uma linha de horizonte sóbria e despida, não desperta o mesmo sentimento de uma aldeia medieval amuralhada rodeada de uma linha de horizonte povoada com dezassete modernas torres eólicas, porque a disposição psicológica do observador num caso e noutro desponta específicas unidades formais diferentes. Elementos diferentes levam a disposições psicológicas diferentes… Paisagens diferentes… Sentimentos diferentes.
Sortelha sem as eólicas proporciona-me sentimentos de heroicidade, antiguidade, rusticidade, simplicidade, melancolia, nostalgia. Com as eólicas proporciona-me um sentimento de desconforto pela descontextualização espácio-temporal dos seus elementos.
É pois ao afecto e ao sentimento estético que se reduz a problemática das eólicas em Sortelha, caros leitores.
Sortelha até pode existir com as eólicas. Poder, pode… Mas, como se explicou, não é a mesma «paisagem»!
Mas isto só percebem os que estão treinados a escutar a voz do coração…
Isto é, quem for sábio!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A Câmara Municipal do Sabugal teve a ideia de candidatar a «Capeia» a património da humanidade. Fazemos sinceros votos de sucesso, porque é uma excelente iniciativa, que só peca por tardia.

João ValenteNo entanto, ao mesmo tempo que candidata a «Capeia» permite o crime das eólicas contra o património em Sortelha…
São atitudes tão diametralmente opostas, e por isso caricatas, que me ocorreu adaptar à situação, de uma outra de Kalil Gibrán, intitulada «as três formigas», a seguinte fábula:
A formiga e a cigarra, encontraram-se no nariz de um homem que estava estendido, dormindo ao sol da tarde. Depois de se saudarem, cada um à maneira da sua espécie, detiveram-se ali a conversar.
Estas colinas e estas planícies – disse a formiga, desanimada – são as mais áridas que já vi na minha vida; procurei todo o dia um grão, e não encontrei nada.
Eu cá prefiro dormir à sombra todo o dia – comentou a cigarra, abotoando a casaca – e cantar à tardinha. Esta é, suponho, a que chama a minha gente a branda terra móvel donde não cresce nada – e limpando os sapatos de verniz – a vida é para se ir levando nas calmas… Vou a uma «vernissage»; acompanhas-me?
Ia a formiga responder, quando o homem se moveu, e no seu sonho levantou a mão para coçar o nariz, derrubando as duas.
E à cigarra, debaixo da casaca, viram-se então os rotos fundilhos das calças.
Vestes casaca de cerimónia; calças sapatos de verniz – riu a formiga – contudo tens fundilhos rotos?!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A Associação das Casas Históricas de Riba Côa, que tem sede em Sortelha, entregou um requerimento na Câmara Municipal do Sabugal, solicitando acesso ao processo relativo à implantação de torres eólicas nas imediações daquela aldeia histórica de Portugal.

Eólicas em Sortelha - Foto de JusnumarMiguel Esperança Pina, presidente da associação, que assina o pedido de informação, alega que se desconhece o número do processo, ignorando-se ainda elementos essenciais da obra, «porque os editais afixados na obra omitem flagrantemente todos os requisitos exigidos pela lei». Perante essa manifesta falta de elementos a associação «requer informação sobre a identidade da entidade promotora, número do processo, data da sua entrada na Câmara, organismos e entidades a que foram solicitados pareceres e informações prévios, resultado desses pareceres e informações e data dos mesmos, bem como situação actual do processo».
A petição pede ainda acesso ao próprio processo e «cópia simples da planta de implantação da mesma obra, de pareceres prévios a entidades e organismos oficiais, consultas obrigatórias e resumo das características técnicas, nomeadamente potência licenciada, número e torres e da distância de cada urna das torres eólicas em relação à vila de Sortelha, com respectivas cotas de altura máxima após a construção».
Capeia Arraiana soube que esta acção visa estudar o processo de forma a sustentar um pedido de suspensão das obras, o que poderá passar por uma providência cautelar. A causa tem apoio jurídico de uma conhecida firma de advogados e de várias personalidades, que se juntaram com a intenção de fazer tudo o que tiverem ao alcance para impedirem o prosseguimento da obra.
Muita gente de renome vem subscrevendo a petição on-line contra a «destruição de Sortelha», dentre eles o historiador e arqueólogo Francisco Sande Lemos, o presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses José Morais Arnaud, o pintor Kim Prisu, o eurodeputado Miguel Portas, o escritor Jorge Martins, entre outros.
plb

Dizia-me alguém do Sabugal, referindo-se às minhas crónicas, que eram cada vez mais difíceis de perceber. Observação pertinente, respondi-lhe eu, mas é propositadamente, e tem a ver com o meu desencanto em relação às pessoas e ao Sabugal. Contudo, hoje vou falar claro, para que todos os Sabugalenses entendam…

Sortelha - Foto de Joaquim Tomé
Autoria da foto: Joaquim Tomé

João Valente«En esto, descubrieron treinta o cuarenta molinos de viento que hay en aquel campo; y, así como don Quijote los vio, dijo a su escudero:
– La ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acertáramos a desear, porque ves allí, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta, o poços más, desaforados gigantes, con quien pienso hacer batalla y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer; que ésta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra.
– ¿Qué gigantes? -dijo Sancho Panza.
– Aquellos que allí ves – respondió su amo – de los brazos largos, que los suelen tener algunos de casi dos leguas.
– Mire vuestra merced – respondió Sancho – que aquellos que allí se parecen no son gigantes, sino molinos de viento, y lo que en ellos parecen brazos son las aspas, que, volteadas del viento, hacen andar la piedra del molino.
– Bien parece – respondió don Quijote- que no estás cursado en esto de las aventuras: ellos son gigantes; y si tienes miedo, quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla».

(Miguel de Cervantes, El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, edição fac-similada de 1604, cap. VIII).

Muitos dos leitores deste blogue, incluindo eu, são oriundos de uma classe agrícola, operária, de comerciantes, ou pequenos funcionários públicos, para quem a vida sempre foi uma luta quotidiana para a existência, retirando do trabalho braçal apenas o necessário para a vida, sem tempo nem meios para progredirem.
E é assim há gerações. A maioria que conseguiu dar a volta a este fado, emigrou. Ficaram os outros, e pouco mais, com as consequências sobejamente diagnosticadas por toda a gente.
Por isso, ensinar aqui do dever de progredir, da vida intelectual e moral, falar dos direitos políticos, de educação, de associação, é tarefa difícil, para não dizer inútil, porque o exercício e compreensão de tais deveres e direitos exigem um certo grau de educação cívica a que nem todos, infelizmente, puderam aceder. É uma verdade de que me vão censurar, mas com a qual vivo pacificamente; passamos por isso à frente, que o objectivo desta crónica é mais importante.
O homem é sociável, progressista e livre por natureza. É conceito que também não vou explanar, porque é terreno fértil que já deu tratados muito bem escritos e também não é a finalidade desta crónica. Tem por esta sua natureza o homem dever de associar-se e de progredir tanto quanto comporte a sua esfera de actividade, e ainda o direito a que a sociedade não impeça essa obra de associação e progresso e auxilie quando os meios de associação e progresso faltarem.
A liberdade dá-lhe a faculdade de escolher entre o bem e o mal, entre o dever e o egoísmo. A Educação ensina-o nessa escolha.
A associação dá-lhe força com a qual pode realizar as escolhas. O progresso é o fim que se deve escolher e que, uma vez realizado, prova que a nossa escolha foi certa. Há progresso? A escolha foi boa. É este o critério da evolução civilizacional da humanidade. É claro, que aqui abria campo para discutir em que consiste o progresso, o que tornaria esta crónica mais fastidiosa do que já é. Por isso, adiante, mais uma vez!
Quando falta uma destas condições, não existe homem nem cidadão, ou existe imperfeito ou prejudicado no seu desenvolvimento.
E aqui é que bate o ponto. Quer-me bem parecer que o problema do Sabugal, tal como o de toda a sociedade em geral, é a falta a educação dos cidadãos e dirigentes.
Da falta de educação, muitos não têm tem culpa porque a vida não lhes proporcionou oportunidade de a adquirirem. Mas a passividade, a inveja, a estupidez, a mesquinhez, são defeitos que dependem apenas da vontade e do carácter, e que cada um, independentemente da educação e condição social, pode e deve superar para ser um cidadão participativo na vida comunitária. E nisto se resume a liberdade individual, que permite a cada um optar entre o bem e o mal, o dever e o egoísmo.

E agora sim, o verdadeiro objectivo desta crónica:
Sortelha é uma aldeia medieval, que proporciona aos visitantes uma viagem no tempo, ao passado medieval. É nisto que consiste a grande e rara riqueza de Sortelha, a sua alma, e faz dela a jóia rara, que é património não só dos seus habitantes, como de toda a comunidade municipal.
Construir torres eólicas no seu perímetro amuralhado, ou à vista dele, fora do contexto da época histórica para a qual a aldeia nos remete, é tão ridículo como ver aviões a jacto num filme sobre os meios de transporte do século XIX. O realizador que tivesse este devaneio criativo, sujeitava-se à chacota pública, pelo caricato e estupidez da situação. Quem via um filme tão mau?
Pois as eólicas nas condições de Sortelha, matam a razão da sua existência, porque são completamente anacrónicas naquele contexto espacio-temporal, como os jactos no filme sobre meios de transportes do século XIX. Nenhum turista quer viajar a um passado medieval que uma autarquia permitiu reinventar com umas modernas torres eólicas. O conceito turístico «viagem ao passado medieval» pura e simplesmente fica destruído com isto. Passa a ser ridículo chamar a Sortelha «aldeia histórica». Com as eólicas já não é medieval e histórica, mas do século XXI e actual… Percebem ao menos isto?
Construídas as eólicas, bem podem derrubar também as muralhas, que já lá não estão a fazer nada. Aproveitem a pedra e vendam-na também para Espanha, como a electricidade!
É um resultado tão nefasto, que «Es gran servicio […] quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra».
Meus amigos, este crime que estão a fazer a todo o concelho, nem a falta de educação de que falei, o justifica. Cada indivíduo, independentemente da educação, porque é livre, tem a faculdade de escolher entre o bem e o mal, entre o dever e o egoísmo…
A responsabilidade deste crime, é por isso, tanto colectiva como individual! Que ninguém lave dela as mãos como Pilatos…
Se deixarmos erguer estes moinhos de vento no rico passado histórico de Sortelha, como fatalidade inevitável da falta de educação de uns quantos Sancho Pança, «nem somos homens, nem somos nada!»
Por isso interpelo cada um dos Sabugalenses:
«Si tienes miedo, quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla»!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A construção de um parque eólico junto à aldeia histórica de Sortelha, concelho do Sabugal, está a gerar polémica entre os moradores, motivando uma petição on-line para tentar impedir a obra.

As eólicas povoam o horizonteSegundo uma nota divulgada pela agência Lusa, que falou com Joaquim Tomé, habitante de Sortelha e um dos mentores da petição intitulada «Vamos salvar Sortelha», lançada no último domingo, a iniciativa avançou após alguns residentes terem conhecimento que o parque de torres eólicas que está projectado para a freguesia irá «destruir de forma irreversível a envolvente desta aldeia».
«Todos temos o dever de preservar o legado patrimonial e histórico que a todos pertence. Temos também a obrigação de o proteger e valorizar para que as gerações futuras possam aprender a vida dos seus antepassados», referiu Joaquim Tomé.
As torres eólicas serão instaladas naquela zona, «a um quilómetro de distância» de Sortelha, danificando «a nossa lança em termos de turismo na Beira Interior», alertou ainda Joaquim Tomé.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, confrontado com a questão disse à Lusa que tem conhecimento da petição e reconheceu que a autarquia aprovou o projecto, que contempla a instalação de 50 torres eólicas na região, mas prometeu analisar novamente o assunto. Contudo recorda que «as entidades oficiais que licenciam os parques eólicos» o fazem «no devido cumprimento da legislação em vigor».
«Qualquer situação de alerta que chegue ao conhecimento da Câmara Municipal terá uma análise cuidada tendo em conta todos os pressupostos que ela referir», assegurou António Robalo.
Já o ex-presidente da Junta de Sortelha, Luís Paulo, que aprovou a instalação do parque eólico, adiantou à Lusa que está prevista a colocação de «17 ou 18 torres na área da Freguesia mas muitas delas não se vêem de Sortelha».
Apontou que aquelas que serão visíveis da aldeia histórica ficarão «a uma grande distância» e recordou que já existem equipamentos idênticos nas imediações da localidade: «Estamos cercados delas e vêm-se todas de Sortelha», garantiu Luís Paulo, que desvalorizou a polémica em torno do assunto por considerar que a instalação do parque eólico «não irá mexer no património».
plb

Recebemos este texto de Sérgio Paulo Silva, o caçador de Salreu, Estarreja, que gosta de calcorrear os campos da raia sabugalense, onde manifesta o seu desagrado pela poluição visual que agora ali abunda.

As eólicas povoam o horizonteAída Acosta, espanhola de S.Martin de Trevejo, Cáceres, escreve poemas e tem uma paixão indisfarçável pela Raia (de que às vezes nos dá testemunho no seu blog «Lluvia de Libélulas») como seu pai, também poeta, que no conjunto da sua obra escreveu um poema que é um hino à bravura e à sensibilidade dos contrabandistas portugueses da raia. Aída Acosta, espanhola, desde Ciudad Rodrigo ou do seu pueblo, escreve poemas como há muitos séculos escrevia Cervantes ou como agora tantos outros escrevem, e em cada dia trava outra batalha espalhando a sua voz plural pela internet contra a instalação de torres eólicas na Sierra de Gata.
Ao meu computador chegou o seu grito e as imagens do mal que invadiu a sua querida serra, imagens que me doeram na alma porque eu também dividi o meu querer raiano pelos montes de lá, agora escancarados aos ventos, e porque à minha porta conheço o escarro. Nos Fóios e em Vale de Espinho, no Sabugal profundo, foram colocadas torres de produção de energia eólica. Em nome da energia limpa deram a essas pobres aldeias a poluição paisagística e sonora. Os benefícios financeiros são irrisórios e as escolhas foram dirigidas estrategicamente para aldeias de populações envelhecidas e rarefeitas onde a capacidade de protesto e resistência são nulas. À falta de outros investimentos que bem mereciam, os responsáveis locais aceitam as eólicas como as putas da estrada aceitam qualquer cliente por mais nada lhes restar. E a nódoa fica e multiplica-se.
D. Quixote, como o teceu Cervantes, via a besta nos moinhos e ergueu contra eles a sua lança. Aída Acosta, tantos séculos depois, queima todo o seu amor pela raia clamando contra as pás fantasmagóricas que invadem as serras. Sei do que fala e o que sente. Apaixonei-me, eu que sou do mar, pelos horizontes raianos e aprendi de cor os seus trilhos e cheiros, os contornos de cada monte. Agora, quando caminho por essas aldeias, já não quero olhar o longe, abrir desmesuradamente o coração. Quando vem o tempo do calor, sigo pelas veredas olhando para o chão onde alguns chupa-mel me podem emprestar um pouco de ternura e, no tempo frio, posso perceber a presença das perdizes. Não, não quero olhar todos os longes da raia porque já não tenho a força da seiva raiana da Aída e sei como foi inútil a valentia do Quixote.
Sérgio Paulo Silva

A Tecneira é uma empresa do Grupo ProCME que desenvolve a sua actividade na área das energias renováveis. Tem em fase de conclusão um parque eólico (25 MW) no Sabugal e iniciou a construção de um parque fotovoltaico com a potência de 10 MW em Ferreira do Alentejo.

EólicasO Grupo ProCME é constituído por um conjunto de empresas que desenvolvem a sua actividade na área da engenharia de serviços com alta incorporação tecnológica. Tem presença física em vários países, nomeadamente Brasil, França, Moçambique e África do Sul, contando actualmente com cerca de 1600 trabalhadores.
A Tecneira faz parte do universo do ProCME e aposta forte nas energias renováveis com investimentos na energia solar e na eólica.
A empresa tem em construção um parque fotovoltaico em Ferreira do Alentejo com uma potência de 10 MW, envolvendo um investimento de 45 milhões de euros e deverá iniciar a exploração em Setembro de 2009.
Para o final do ano de 2009 está prevista a entrada em funcionamento do parque solar fotovoltaico (5 MW) de Villanueva de Córdoba em Espanha no valor de 23,5 milhões de euros.
Na energia eólica a Tecneira tem actualmente em exploração 95 MW no concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, 3,34 MW em Alrota no concelho do Loures e está em fase de conclusão (prevista para Dezembro) a instalação de 25 MW no concelho do Sabugal.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 836 outros seguidores

PUBLICIDADE

CARACOL REAL
Produtos Alimentares


Caracol Real - Produtos Alimentares - Cerdeira - Sabugal - Portugal Clique para visitar a Caracol Real


PUBLICIDADE

DOISPONTOCINCO
Vinhos de Belmonte


doispontocinco - vinhos de belmonte Clique para visitar Vinhos de Belmonte


CAPEIA ARRAIANA

PRÉMIO LITERÁRIO 2011
Blogue Capeia Arraiana
Agrupamento Escolas Sabugal

Prémio Literário Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal - 2011 Clique para ampliar

BIG MAT SABUGAL

BigMat - Sabugal

ELECTROCÔA

Electrocôa - Sabugal

TALHO MINIPREÇO

Talho Minipreço - Sabugal



FACEBOOK – CAPEIA ARRAIANA

Blogue Capeia Arraiana no Facebook Clique para ver a página

Já estamos no Facebook


31 Maio 2011: 5000 Amigos.


ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ESCOLHAS CAPEIA ARRAIANA

Livros em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Memórias do Rock Português - 2.º Volume - João Aristides Duarte

Autor: João Aristides Duarte
Edição: Autor
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)
e: akapunkrural@gmail.com
Apoio: Capeia Arraiana



Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal

Autor: Susana Falhas
Edição: Olho de Turista
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



Música em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Cicatrizando

Autor: Américo Rodrigues
Capa: Cicatrizando
Tema: Acção Poética e Sonora
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



SABUGAL – BARES

BRAVO'S BAR
Tó de Ruivós

Bravo's Bar - Sabugal - Tó de Ruivós

LA CABAÑA
Bino de Alfaiates

La Cabaña - Alfaiates - Sabugal


AGÊNCIA VIAGENS ON-LINE

CERCAL – MILFONTES



FPCG – ACTIVIDADES

FEDERAÇÃO PORTUGUESA
CONFRARIAS GASTRONÓMICAS


FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas - Destaques
FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas Clique para visitar

SABUGAL

CONFRARIA DO BUCHO RAIANO
II Capítulo
e Cerimónia de Entronização
5 de Março de 2011


Confraria do Bucho Raiano  Sabugal Clique aqui
para ler os artigos relacionados

Contacto
confrariabuchoraiano@gmail.com


VILA NOVA DE POIARES

CONFRARIA DA CHANFANA

Confraria da Chanfana - Vila Nova de Poiares Clique para visitar



OLIVEIRA DO HOSPITAL

CONFRARIA DO QUEIJO
SERRA DA ESTRELA


Confraria do Queijo Serra da Estrela - Oliveira do Hospital - Coimbra Clique para visitar



CÃO RAÇA SERRA DA ESTRELA

APCSE
Associação Cão Serra da Estrela

Clique para visitar a página oficial


SORTELHA
Confraria Cão Serra da Estrela

Confraria do Cão da Serra da Estrela - Sortelha - Guarda Clique para ampliar



SABUGAL

CASA DO CASTELO
Largo do Castelo do Sabugal


Casa do Castelo


CALENDÁRIO

Setembro 2019
S T Q Q S S D
« Fev    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos

CATEGORIAS

VISITANTES ON-LINE

Hits - Estatísticas

  • 3.146.730 páginas lidas

PAGERANK – CAPEIA ARRAIANA

BLOGOSFERA

CALENDÁRIO CAPEIAS 2012

BLOGUES – BANDAS MÚSICA

SOC. FILARM. BENDADENSE
Bendada - Sabugal

BANDA FILARM. CASEGUENSE
Casegas - Covilhã


BLOGUES – DESPORTO

SPORTING CLUBE SABUGAL
Presidente: Carlos Janela

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Gomes

KARATE GUARDA
Rui Jerónimo

BLOGUES RECOMENDADOS

A DONA DE CASA PERFEITA
Mónica Duarte

31 DA ARMADA
Rodrigo Moita de Deus

A PÁGINA DO ZÉ DA GUARDA
Crespo de Carvalho

ALVEITE GRANDE
Luís Ferreira

ARRASTÃO
Daniel Oliveira

CAFÉ PORTUGAL
Rui Dias José

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Paulo Gomes

FANFARRA SACABUXA
Castanheira (Guarda)

GENTES DE BELMONTE
Investigador J.P.

CAFÉ MONDEGO
Américo Rodrigues

CCSR BAIRRO DA LUZ
Alexandre Pires

CORREIO DA GUARDA
Hélder Sequeira

CRÓNICAS DO ROCHEDO
Carlos Barbosa de Oliveira

GUARDA NOCTURNA
António Godinho Gil

JOGO DE SOMBRAS
Rui Isidro

MARMELEIRO
Francisco Barbeira

NA ROTA DAS PEDRAS
Célio Rolinho

O EGITANIENSE
Manuel Ramos (vários)

PADRE CÉSAR CRUZ
Religião Raiana

PEDRO AFONSO
Fotografia

PENAMACOR... SEMPRE!
Júlio Romão Machado

POR TERRAS DE RIBACÔA
Paulo Damasceno

PORTUGAL E OS JUDEUS
Jorge Martins

PORTUGAL NOTÁVEL
Carlos Castela

REGIONALIZAÇÃO
António Felizes/Afonso Miguel

ROCK EM PORTUGAL
Aristides Duarte

SOBRE O RISCO
Manuel Poppe

TMG
Teatro Municipal da Guarda

TUTATUX
Joaquim Tomé (fotografia)

ROTA DO CONTRABANDO
Vale da Mula


ENCONTRO DE BLOGUES NA BEIRA

ALDEIA DA MINHA VIDA
Susana Falhas

ALDEIA DE CABEÇA - SEIA
José Pinto

CARVALHAL DO SAPO
Acácio Moreira

CORTECEGA
Eugénia Santa Cruz

DOUROFOTOS
Fernando Peneiras

O ESPAÇO DO PINHAS
Nuno Pinheiro

OCEANO DE PALAVRAS
Luís Silva

PASSADO DE PEDRA
Graça Ferreira



FACEBOOK – BLOGUES

Anúncios