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O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. A população do Concelho do Sabugal ficou dramaticamente reduzida. Vejamos o que dois articulistas do jornal Amigo da Verdade diziam da emigração concelhia em 1962.

António Emídio«Continua em grande ritmo a saída de gente para França. Parece que tal êxodo vai tocando as raias do vício. A escassez agrícola destes últimos anos justifica a permanente busca do dinheiro em parte. Todavia o mal não está no legítimo desejo de procurar uma condição económica mais humana, mas sim na finalidade exclusiva que muitos põem ao abandonar a sua terra. Só uma coisa os determina: a miragem do dinheiro francês. Este pensamento desordenado vai, pouco a pouco, na vida de cada dia tomando consequências sérias. Por cá – quem vê o seu povo vê o mundo todo – as famílias começam a perder o conceito de unidade matrimonial, pois é muito fácil passar-se dos factos consumados à ideia. O marido em França, os filhos e a mulher cá pelas terras, parecem formar, embora aparentemente, lares essencialmente diferentes.
Sob o ponto de vista educacional, a família deixou de ser praticamente uma escola de formação, já que a quase totalidade dos chefes de família se encontram ausentes. Cá andam os filhos à mercê da impotência maternal – salvo raras excepções de algumas. Na ordem social, tendo os filhos recebido praticamente uma autonomia prematura em ideias, vida, irresponsabilidade, com os bolsos atulhados de dinheiro, sem ninguém que os vigie e oriente os passos vão-se habituando a uma faceta de viver que não é real nem o mais próprio para a juventude. E isto é o princípio de tudo… que amanhã se verá!…
(…)
»

Como já escrevi, este artigo vem num jornal concelhio de 1962, o Amigo da Verdade, não traz o nome do autor, mas vem na coluna das Quintas de S. Bartolomeu.

«À hora que vos escrevo o dia está maravilhoso, um sol benéfico espalha os seus raios acariciadores através dos encantadores campos desta risonha aldeia. Sentado ao ar livre num recanto sossegado desfruto a beleza e a graça desta tarde e contemplo um rancho numeroso de rapazes e raparigas que no mais vivo entusiasmo se dedicam à faina da colheita da azeitona. Neste momento chegou junto de mim um amigo, mas dos verdadeiros que acaba de regressar do Sabugal e que me diz: então já sabia que desta vez segue mais pessoal para França?
– Sim?!
– É verdade. Encontrei hoje no Sabugal mais de vinte Casteleirenses a tratar dos seus papéis para saírem. Dizem que ganham lá muito dinheiro…
Repliquei:- Se assim continuamos daqui a pouco não há quem cuide das terras (…) lembrei-me que esta gente se ausentaria certamente porque a agricultura não lhes compensava tantos trabalhos, que se sentiriam desiludidos com a terra e os seus produtos. Realmente a situação do trabalhador rural é pouco animadora e por isso começa a sentir desprezo à terra e ao viver da aldeia e procura ausentar-se em demanda de nova vida, de vida que lhe garanta um futuro mais seguro e cómodo.
(…)
»

Este artigo vem também num Amigo da Verdade de 1962, também não traz nome do autor, vem na coluna do Casteleiro.

O fenómeno da emigração foi o causante do grande despovoamento do Concelho, mas não o foi do seu fraco desenvolvimento económico, político, social e cultural. Vejamos: já em 1926 os colaboradores do jornal «Gazeta do Sabugal», jornal do político integralista do Casteleiro, Joaquim Mendes Guerra, se queixavam do abandono do Concelho e davam a sua opinião para o melhorar. No Amigo da Verdade de 1962, estes dois colaboradores queixavam-se da situação do trabalhador da terra ser pouco animadora.
Ano de 2012: colaboradores deste Blog – Capeia Arraiana – queixam-se da situação do Concelho e opinam qual a melhor maneira para pôr um travão a um retrocesso galopante.
Pessoalmente, creio que das três épocas históricas que mencionei, a actual, 2012, é a mais problemática de todas, porquê?
1º O País está intervencionado. Neste momento podemos considerá-lo um «protectorado» de potências estrangeiras. Perdemos a soberania.
2º Vai ser feita uma nova divisão administrativa em Portugal, sendo como é lógico também abrangido o Concelho do Sabugal. A divisão administrativa foi ordenada do exterior por quem não conhece a realidade do País.
3º A profunda crise económica e os tratados europeus não permitem que Portugal crie riqueza e se desenvolva a todos os níveis desde o económico ao social, passando pelo político. O Concelho do Sabugal também sofre com isso, a recessão também afecta a economia local.
4º O desmantelamento dos serviços públicos no Concelho é uma ameaça séria ao seu equilibrado desenvolvimento.

Conseguiremos ultrapassar estes tempos difíceis? Sem dúvida! Já ultrapassamos outros, mas para suplantar o actual momento só temos uma opção: seguir estes três valores: valores éticos, valores sociais e valores ambientais. Sem estes três valores fundamentais em qualquer Democracia, podemos fazer do Sabugal uma Las Vegas, mas os mais jovens continuarão a sair como saíram no tempo do Estado Novo, com a diferença que não seria a nobreza (classe política dirigente) nem a Igreja que mandariam, mas sim o dinheiro, o dinheiro de um qualquer cacique, produzindo-se novamente uma involução social que nos desumanizaria. As sociedades só têm êxito quando lutam pelo bem comum, e o bem comum não é só material, por cima do materialismo está a qualidade da saúde dos habitantes do Concelho, a qualidade da educação dos nossos filhos, a nossa própria cultura e tradições, a defesa do nosso meio ambiente, o bem-estar dos nossos idosos a qualidade dos nossos escritores e a beleza dos poemas dos nossos poetas e, talvez o mais importante, a erradicação da pobreza. Assim vale a pena viver a vida no nosso Concelho.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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Quando comecei esta peça, cheguei a escrever «terra de migração», porque pensei que, antes da França, já Lisboa (sobretudo Lisboa) atraía muitos dos meus conterrâneos. Desde que me conheço que conheço famílias inteiras que um dia partiram para a capital e ali criaram raízes até hoje, já na quarta geração.
Mas sem dúvida foi a França que mais marcou os anos 60 e 70 do Casteleiro – a par da guerra colonial, claro, guerra que também determinou algumas partidas dramáticas de jovens em fuga da tropa.

Começo por situar o meu raciocínio e o meu entendimento do fenómeno da emigração e suas causas: o baixíssimo nível de vida, a vida impossível de muita gente. Não foi turismo. Não foi divertido. Não foi uma aventura ligeira. Não: foi muito pesado. Foi duro, foi dramático, foi fruto do desespero.
É certo que foi uma janela aberta – mas no alto de uma serra muito difícil de subir… Antes de mais, porque o regime não permitia a saída do País. Era preciso ir «a salto» – uma travessia dramática de serranias através de toda a Espanha e depois até Paris, Lyon, Pau, Dijon, Clermont Ferrand… «quoi que ce soit» (seja o que for, fosse o que fosse).
Vamos primeiro às causas, para evitar as visões românticas e nos atermos ao realismo duro da vida real e bem dura.

Causas e consequências
Naquela altura, poucas eram as famílias que tinham sequer uns escudos de rendimento. Podiam ter batatas, couves e feijões para comer – e algumas famílias nem isso, porque nem sequer tinham um pequeno terreno para isso. Mas os produtos da terra nem bastavam para a alimentação. Havia que comprar os condimentos e as bebidas. Nem todos, mas em geral eram os mesmos que não tinham nem terra nem vinha nem cabras ou ovelhas… se é que me faço entender. São esses, os desprotegidos de toda a «sorte» (chamavam-lhe sorte) que têm de um dia tomar a mais dramática de todas as decisões das suas vidas: partir, arriscar tudo, abandonar os seus. Ir de noite até para lá da fronteira, numa qualquer serra próxima, boa parte do caminho a pé, quilómetros e quilómetros, a ser mal tratados pelos homens de mão dos engajadores, a quem pagavam e por quem eram humilhados. Primeira humilhação. Uma brincadeira comparada com o que lhes vai acontecer quando chegarem aos «bâtiments» (batimãs) de Paris: ver foto, roubada ao «Restos de Colecção».
Atenção. Primeira travagem: nem tudo é negativo.
Da emigração resultaram em contradição duas consequências paralelas principais: por um lado, um grande sacrifício pessoal dos envolvidos (os que iam e os que ficavam); por outro lado, a melhoria da qualidade de vida, gradualmente, paulatinamente, mas melhoria. Indiscutível. Mesmo que à custa de coisas essenciais, como a saúde (muitos «rebentaram» por lá) e a dignidade: os franceses e não só atreviam-se a humilhá-los e a espezinhá-los – fosse discretamente, fosse às escâncaras…

Os primeiros anos
Vários membros da minha família se lançaram na aventura da emigração. Os primeiros anos foram de uma dureza incrível. Não que eles se queixassem. Não. Parece-me hoje e já o descobri tarde, quando eles começaram a contar umas coisas soltas e o meu cérebro ia ligando as coisas, parece-me hoje, dizia, que eles nem se davam conta da dureza e da humilhação.
Aprendi isso com a malta mais nova, fugida da tropa, seja do Casteleiro, seja de outras terras: soube quanto os franceses desprezavam os seus escravos idos da terra pobre de Portugal. Pensavam eles assim, os incultos, totalmente contra a corrente histórica da terra da Revolução Francesa, feita contra a humilhação e pela Igualdade etc..
A vida profissional dos nossos lá foi sempre complicada para quase todos: primeiro era preciso ser muito dócil, muito submisso, a fim de ficar legalizado. Os trabalhos em que estavam eram dos piores: construção civil, caminhos-de-ferro – coisas assim.
Mas há pior: o medo permanente de ser posto na fronteira dava cabo do sistema nervoso de todos eles.
Para quase todos, a França significou também as artroses, as pernas partidas e «soldadas», as costas derreadas, os joelhos duros, os pulmões arruinados, muito álcool, muita complicação. E vários anos sem ver a família.
Mas a maioria sobreviveu a isso, em nome do objectivo: dar vida melhor aos filhos e aos netos.
Praticamente todos o conseguiram. E isso é uma vitória sobre o que tinham passado em Portugal e sobre a má formação de muitos franceses.

Hoje
Por via da emigração, no Casteleiro, criou-se em certa altura um ambiente especial, pelo menos no mês de Agosto.
Falava-se aquele dialecto engraçado que era uma mistura do português, quer dizer, do português falado nos anos 50 numa aldeia beirã, com umas arranhadelas de algo parecido com o francês da rua e da obra em Paris – nos «bidonvilles» / bairros de barracas/ de Champigny ou em Clermont Ferrand…
Hoje, as famílias emigrantes, a maioria da aldeia, ou estão completamente adaptadas na França onde permanecem (pelo menos as terceira e quarta gerações) ou voltaram e vivem uma pacata vida rural, de padrão tradicional.
Encontro de tudo.
Os adaptados à vida francesa têm hoje netos que ou não sabem ou não dizem uma palavra de português.
E, nos poucos dias que passam na terra, têm na aldeia em geral boas casas, boa vida.
Os que voltaram cedo, muitos por razões de saúde, voltaram ao que eram antes, mas agora com dinheiro de bolso: reformas, poupanças etc..
Seja como for, a aldeia depois da emigração nunca mais foi a mesma: ficou mais diversificada, mais completa.
Muito mais e mais se devia dizer. Mas um tal fenómeno não cabe em letras. Nem em espaços razoáveis de um artigo que possa como tal ser lido. Há já imensas teses de mestrado e doutoramento – algumas bem longe do que vi e ouvi, digo com pena. Há já muitos livros, há músicas e há filmes. Mas a mim, do que conheço, parece-me sempre que as coisas passaram longe de quem escreveu ou divulgou.
Provavelmente, erro de análise da minha parte.
Finalmente, um registo da minha parte: as minhas homenagens sinceras aos emigrantes e suas famílias. Sejam os do Casteleiro, sejam os de toda a região.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

«Um Garoto de Vila do Touro Imigrante na América Conta sua História» é um livro comovente e perturbador, que não deixa o leitor indiferente. A emoção das descrições da vida antiga, a referência à miséria sentida, a recordação nostálgica do ambiente aldeão e da simplicidade das gentes de Vila do Touro, tudo concorre para a comoção advinda dos textos.

O livro, da autoria de António Maria das Neves, é do mesmo realismo cru que caracteriza outros dois memorialistas: José Manuel Lousa Gomes, do Soito, no livro «Memórias da Minha Terra» e António dos Santos Vicente, de Fajão (Pampilhosa da Serra), na obra «Vida e Tradições nas Aldeias Serranas da Beira». É nestas obras de memória viva e sentida que se encontram descritas, em páginas de sangue, as reminiscências dos povos de outrora das aldeias portuguesas.
A vida de António Maria das Neves foi, desde logo, uma epopeia. Nasceu em Vila do Touro, em 1938, sendo o décimo segundo filho de uma mãe heróica que pariu 17 vezes, vindo a constituir a família mais numerosa da aldeia. Em 1957, com 19 anos feitos, rumou para o Brasil com os pais e os irmãos, à procura de uma vida nova, fugindo à miséria aldeana. Com o dinheiro obtido na venda dos parcos terrenos, da modesta casa, dos animais domésticos e dos singelos móveis e utensílios da lavoura, o pai mandou comprar as passagens para a América. No dia aprazado a família seguiu, em carros de aluguer, para a estação do Barracão, onde apanhou o comboio para Lisboa. Aqui apresentou-se à Junta da Emigração, e ficou a aguardar o veredicto oficial, ocupando a casa de uns primos. Passado um mês toda a família embarcou no navio «Conte Grande», que cruzou o Atlântico durante 12 longos dias. Atingida a terra prometida houve que procurar casa, arranjar emprego e tratar da subsistência. Só com muito trabalho e abundantes privações António Maria conseguiu estabilizar a vida, estudando e trabalhando, constituindo família e tornando-se num português respeitado e prestigiado em S. Paulo.
Falando de Vila do Touro, a obra aborda a dureza da vida de antigamente, onde imperava a rispidez nas atitudes e nos sentimentos. Era necessário sobreviver, que é o mesmo que dizer, arranjar pão para as muitas bocas que habitavam a casa. A mãe, andava sempre numa fona, trabalhando sem parar, sem ter vida própria, vivendo apenas para os outros. Os irmãos mais velhos tratavam dos mais novos, trabalhavam em casa e no campo, executando os trabalhos pesados e sujos do trato dos animais e da terra de cultivo. O pai, severo, e de saúde frágil, tomava conta de uma pobre taberna, anexa à casa de habitação. Tempos difíceis e de enormes provações para um povo que sabia que «todos os recursos eram de extrema importância, úteis e necessários».
A vida era duríssima, logo desde os verdes anos pois, como dizia o adágio, «o trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco». Mas também havia mimos e momentos inolvidáveis na vida de um «garoto» na aldeia. A sopa de grão-de-bico da tia Cândida, a aprendizagem na escola, a corrida do galo, o tocar da matraca na Quaresma, a festa de Nossa Senhora do Mercado.
Mas o principal era dificuldades. A vida na aldeia era uma luta diária pela sobrevivência. Havia os campos para trabalhar, pois era daí que provinha a alimentação. No Verão a falta de água fazia com que se percorressem grandes distâncias para a transportar para casa. No frio invernal era preciso proteger o corpo com roupa quente, que escasseava. As canseiras nos trabalhos do campo deixavam as suas marcas num tempo em que a higiene e o adorno ainda não tinham o seu lugar. «Rostos cansados, pés descalços, cabelos desalinhados, não há beleza, formosura, nem elegância nas mulheres, nas raparigas e nas adolescentes», escreveu António Maria das Neves falando na condição feminina em Vila do Touro.
Na hora da partida, já no navio e olhando o horizonte, uma frase profunda e comovente face ao trágico destino de um povo que partia: «Adeus Portugal. Ficas sem uma numerosa família pobre a menos, que também pagava impostos».
O livro foi escrito e editado no Brasil, em 2007.
Paulo Leitão Batista

Invasões Francesas, Liberalismo e República, muito se tem falado este ano sobre estes acontecimentos históricos. Para o ano, aqui no nosso Concelho, iremos comemorar os 200 anos sobre a batalha do Gravato, que se travou aqui bem perto da cidade do Sabugal, na margem direita do Côa em 3 de Abril de 1811.

António EmidioAcredito que a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia também do Sabugal, não irão deixar passar esse dia, sem pelo menos, singelamente, homenagear todos aqueles que participaram nesse combate. Aliás, tanto a Câmara como a Junta, já nos habituaram durante o período democrático de trinta e seis anos, a honrar este povo e a sua história.
No nosso Concelho não foi só a batalha do Gravato que marcou a passagem dos exércitos franceses. Aldeia da Ponte, Soito e Quadrazais, ficaram quase em ruínas, as terras agrícolas junto a Malcata foram saqueadas, levando os seus produtos e, queimando as matas.
Este Artigo é para quem o ler, é público, mas vou escrever agora para todas as mulheres e homens do nosso Concelho que estão dedicados à causa pública, aquelas e aqueles que nós eleitores, democraticamente pusemos no poder.
A história do nosso Concelho confunde-se com o Mundo, o há bem pouco tempo falecido Tony Judt, o historiador mais lúcido da Social Democracia, no seu volumoso livro intitulado Pós-Guerra, a história da Europa desde 1945, diz o seguinte numa das suas páginas: «Num município português, Sabugal, no norte rural, a emigração reduziu a população local de 43.513 em 1950 para unicamente 19.174 trinta anos depois». Isto faz parte da história da Europa. As carências de toda a ordem obrigaram a partir, a responder à chamada de De Gaulle, milhares de habitantes do Concelho.
Todas as manhãs bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou beber um café, quem se cruza comigo a essa hora também a caminho do trabalho? Búlgaros, ucranianos e sérvios. Quem me serve o café? Uma romena. O Sabugal e o seu Concelho também foram apanhados pela onda de choque causada pela queda do Muro de Berlim, a história está novamente presente.
Falei somente um pouco da história contemporânea, por uma questão de disciplina de espaço.
Presentemente o que poderá acontecer? Há quem por razões comerciais, interesses espúrios e sórdido autocentrismo, poderá querer apoderar-se da história do nosso Concelho, porque nesta sociedade em que infelizmente vivemos, predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, a partir daí a história poderá ser deturpada, se com isso alguém tirar dividendos económicos ou políticos. Esta época é cínica, perdeu todo o pudor e guia-se por essa lei do tudo é permitido, para isso lá estão os «mass media» e a publicidade.
Termino com um apelo aos eleitos, não deixem privatizar a história do nosso Concelho.
E nós, cidadãos, não podemos ser uma massa amorfa e manipulável, temos uma história a defender. Eu, já a estou a defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O Sud-Expresso moderniza-se. O mítico comboio da CP, com ligação diária de Lisboa à Hendaia, é o mais antigo da Europa em circulação. Liga, desde 1887, Santa Apolónia a Hendaia e a Paris por TGV. A partir deste 1.º de Março moderniza-se e passa a utilizar material Talgo. Os passageiros passarão a dispor, por exemplo, de quartos com duche privativo, entre outras novidades.

Paulo AdãoEste comboio, faz parte da memória e da vida de muitos portugueses e de muitos raianos. Quantos não têm histórias e anedotas para contar? Quantas não foram as vezes, que quando chegava a Vilar Formoso, os lugares e as couchettes estavam já ocupados? Neste comboio, entravam todos aqueles que se deslocavam para França ou outros paises da Europa, nele entravam aqueles turistas com menos possibilidades financeiras e para quem o comboio era o transporte mais económico. Além disso, o ambiente e as experiências vividas durante as viagens, eram únicas.
Quando chegava a Vilar Formoso, sempre perto da meia-noite, os lugares estavam ocupados e as pessoas dormiam a bem dormir. Lembro-me de um ano, os nossos lugares estavam ocupados por turistas alemães bêbados que nem uma porta. O revisor tinham optado por «fechá-los» todos no nosso compartimento, e nós tivemos de viajar de pé, no corredor até Hendaia.
Sud-Express - Lisboa - Vilar Formoso - Hendaye - IrunDeste velho Sud-Expresso, ficam as memórias das velhas carruagens, da mudança de máquinas em Vilar Formoso ou Fuentes de Oñoro, devido à diferença de bitolas existente – o Talgo, tem a vantagem de poder circular nas diferentes bitolas, europeia e ibérica – e das mudanças de humor entre os revisores portugueses e espanhóis.
Ao Sud-Expresso, estarão sempre ligadas as memórias dos incêndios que não permitiam a sua passagem, dos atrasos que faziam perder a ligação ao TGV em Hendaia. Ficou também na memória, aquele grave acidente em Alcafache, em 1985, onde várias dezenas de pessoas perderam a vida, quando regressavam das suas férias para mais um ano de trabalho.
A partir de hoje, o Sud-Expresso muda de visual. As velhas carruagens são trocadas pelos modelos Talgo, modernos e com melhores condições.
Com esta modernização o Sud-Expresso tem tudo para continuar a ser o mais antigo comboio da Europa em circulação sem interrupções.

Formado, geralmente, por seis carruagens o Sud-Expresso sai diariamente de Lisboa (Santa Apolónia) às 16.06 e chega a Hendaia às 07.10 do dia seguinte (horário local). O TGV sai em direcção a Paris às 07.53 e termina a sua viagem na capital francesa (Gare Montparnasse) às 13.45. Na volta, o TGV sai de Paris às 15.50 e chega a Hendaia às 21.23. O Sud-Expresso parte, às 22.00, rumo a Lisboa, onde chega às 11.03 do dia seguinte (horário português). Na estação de Vilar Formoso, as locomotivas da CP-Comboios de Portugal são trocadas pelas da espanhola RENFE, e vice-versa.

Blogue dedicado ao mítico comboio. Aqui.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Na década de 60 um grupo de emigrantes do Soito que tentavam ir «a salto» para França ficaram presos em Espanha.

Emigrantes do Soito

As condições económicas e sociais no Portugal dos anos 60 (salários de miséria, Guerra Colonial, agricultura de subsistência), levaram à emigração (quase sempre ilegal) de mais de 60 por cento da população do concelho do Sabugal. Chamava-se a isso passar a fronteira «a salto», isto é, sem passaporte que aliás, era recusado pelo regime da época a quase todos o que o requisitavam.
Havia os «índios» e os «passadores». Os «índios» eram os que tentavam emigrar e os «passadores», os que ajudavam, a troco de uma remuneração, os outros a passar.
Em Portugal, a PIDE perseguia os candidatos à emigração «a salto». Quando algum era apanhado tinha cometido o crime de emigração ilegal. O que o tinha ajudado, a troco de algum dinheiro, era acusado de cometer o crime de engajamento.
Na fotografia podemos ver um grupo de emigrantes, naturais do Soito, que pretendiam emigrar para França, no início dos anos 60.
Perseguidos pela Guardia Civil, em terras de Espanha, os presentes na imagem, foram presos e levados para um calabouço, onde um agente policial tirou esta fotografia que, mais tarde, ofereceu a um dos emigrantes.
Os que estão com a boina são os «passadores», neste caso espanhóis. Os restantes são todos do Soito.
Desta vez não conseguiram os seus intentos. Todos eles tentaram outra vez e conseguiram.
João Aristides Duarte

Está patente até ao dia 18 de Maio de 2008, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, uma exposição temporária subordinada ao tema «Por uma Vida Melhor», que vale a pena visitar.

Trata-se de uma mostra fotográfica de Gérald Bloncourt, integrada no Museu Colecção Berardo, que retrata a vida dos emigrantes portugueses que nas décadas de 60 e 70, deram o «salto» na busca de uma oportunidade de uma melhor vida. As fotografias de Gérald Bloncourt retratam um período difícil da história portuguesa: a emigração de quase um milhão de pessoas, oficial ou clandestinamente a caminho de França.
Nela podemos ver a miséria dos «bidonvilles» (os bairros de lata) e as dificuldades dos que em busca de uma vida melhor, encontraram muitas vezes outra bem pior, como dizia uma das personagens do filme: «Deixei em Portugal uma casa e vim para França viver numa barraca.»
A fotografia, aqui representada, intitulada pelo autor de «Petite portuguaise. Bidonville de Saint-Denis, 1969» é disso um claro exemplo, quiçá reconheçamos nela, agora já adulta, uma nossa conhecida.
A exposição tem entrada gratuita.
José Do Bernardo

JOAQUIM SAPINHO

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