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O Senhor Ventura tem deixado aqui uns artigos que têm suscitado muito interesse pela forma polémica como trata os assuntos.

João ValenteNo último deles discorre sobre homossexualidade, como um costume «contra-natura». Fiquei sem perceber, contudo, se também defende os castigos correccionais para os homossexuais.
Não critico esta posição, porque cada um é a circunstância do meio em que nasceu e em que cresceu. A opinião do Senhor Ventura é fruto do meio em que a sua mentalidade se formou. É heterossexual, católico e retrógrado porque foi esta a matriz da sociedade em que foi educado.
Não se pode exigir portanto ao senhor Ventura aquilo que, por circunstâncias alheias, ele não é. Temos de o compreender e tolerar por este motivo.
Mas o senhor Ventura ao subscrever o seu artigo desconhece que a homossexualidade é costume antigo, aceite em muitas civilizações avançadas, da antiguidade aos nossos dias. Muitas figuras conhecidas da humanidade foram homossexuais ou lésbicas. Cito apenas Leonardo Da Vinci, Bayron, Dante, Thomas Mann, Oscar Wilde, Tchaikovsky, Greta Garbo, Marlene Dietrich, Gertrude Stein entre muitos que podiam ser nomeados.
Este assunto é demasiado complexo para ser tratado de ânimo leve por quem não sabe. E eu, por ignorância, também não o faço, porque «não pretendo, sendo sapateiro, tocar rabecão!»
Só para o amigo leitor fazer ideia, explico resumidamente como a homossexualidade em Dante era, para além de uma opção sexual, uma verdadeira filosofia de vida:
Dante na sua obra, designadamente no «Convívio» e na «Divina Comédia», opõe continuamente os homens que têm alma nobre aos que são vis.
Nobre seria aquele homem que conhece não muitas ciências, mas o conhecedor de que seu intelecto é uma partícula divina, aprisionada na natureza humana, e que se deixa dirigir por ela.
Essa parte da alma, a mente ou intelecto divino, seria sempre oposto ao sexo de quem o conhece, correspondendo à dualidade que em muitos conhecimentos gnósticos têm respectivamente o elemento masculino e feminino, o Sol e a Lua.
Assim, num homem, a partícula divina – aquilo que os gnósticos chamavam de éon, pneuma ou atman – seria feminina e o dominaria como uma Domina (dama). Daí os poetas do Dolce Stil Nuovo, a que Dante pertencia, chamarem-na – como os cátaros – de Donna ou Dame, dando-lhe nomes próprios femininos, para enganar o vulgo, isto é, os homens grosseiros e vis, que ignoravam a Divindade que neles habitava. Dante a chamava de Beatriz, Boccaccio di Fiametta, Petrarca chamava-lhe de Laura, na verdade, l’Aura, a Aura, que para alguns gnósticos era a Luz.
Dino Compagni, outro poeta contemporâneo de Dante, chama a esta Donna «La sovrana Intelligenza»:
Dante e Virgil no Inferno«Ó voi c’avete conoscenza,
più è nobile auro che terra:
amate la sovrana Intelligenza,
quella che tragge l’anima di guerra,
nel conspetto di Dio fa residenza,
e mai nessun piacer no le si serra;
ell’è sovrana donna di valore,
che l’anima notrica e pasce ‘lcore,
e chi l è servidor giammai non erra.»

[Ó vós que tendes conhecimento,
mais nobre é o ouro do que a terra
amai a soberana Inteligência,
aquela que tira a alma da guerra,
na presença de Deus ela faz residência,
e jamais nenhum prazer lhe é proibido,
ela é soberana senhora de valor,
que nutre a alma e apascenta o coração,
e quem é servidor dela jamais erra.]

(Dino Compagni, Poesias para Dona Intelligenza estrofe 307, apud Luigi Valli, Il Linguaggio Segretto di Dante e dei Fedeli d´Amore, p. 53).

Portanto, para Dante, como para muitos outros, o domínio do lado feminino que existe em cada homem, era uma forma de atingir a beleza, que é a sabedoria perfeita.
A relação homossexual entre Dante e o poeta Forese Donatti era um aspecto deste auto-conhecimento e não uma simples opção sexual.
Assim sendo, ao contrário do senhor Ventura, para Dante o que era «contra-natura» era a heterossexualidade e não a homossexualidade.
Estou convencido que o senhor Ventura, confrontado com a profundidade desta questão, não voltará a criticar de ânimo leve a homossexualidade, ou pelo menos condescenderá na sua homofobia primária…
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Há 2076 anos nasceu, perto de Mântua, um dos grandes poetas da Antiguidade, aquele que Paul Claudel chamou o maior génio produzido pela Humanidade e que mais do que um poeta, foi um profeta de Roma, um «vate», um poeta-profeta.

João ValenteChamava-se Virgílio e foi um profundo conhecedor da terra que ele exaltava, pois sendo filho de um pequeno proprietário rural, conhecia o Outono com a maturação das uvas; o odor da terra fendida pelos ganchos da charrua; o forte hálito dos animais; os tosões aquecidos durante o dia todo pelo calor do sol; o aroma do vinho doce e do mel destilado durante os quentes verões.
A sua obra mais conhecida foi a Eneida, mas a sua primeira obra, que publicou aos 29 anos, chama-se Eclogae, género literário que designava as poesias pastorais, as bucólicas, que tinham origem num passado longínquo, quando o homem ainda praticava a vida pastoril.
Daí o bucolismo traduzir a esperança de uma época de paz, um canto de saudade. O culto ao campo fazia parte desta vida pastoril greco-romana e tinha sido muito bem retratado, já antes de Virgílio, nos Idílios de Teócrito, onde pastores e camponeses figuravam com suas canções, amores e sentimentos.
Com a difusão do Cristianismo pelo mundo civilizado, a maior parte da poesia pagã foi esquecida ou perdeu-se.
Virgílio, conservou, porém, a sua posição de destaque, continuando a ser lido e estudado ao longo de dois mil anos, sendo modelo de importantes autores como Dante, servindo-lhe inclusive de guia através do Inferno e do Purgatório, bem como dos nossos Camões e João de Barros.
Tal deveu-se ao caso curioso de na IV Bucólica, o poeta falar de uma Idade de Ouro ligada ao nascimento de um menino, durante cuja vida a humanidade viveria uma nova época áurea e que os cristãos da época interpretaram como uma profecia do nascimento de Cristo, semelhante à profecia de Isaías:

…«magnus ab integro saeclorum nascitur ordo.
Iam redit et Virgo, redeunt Saturnia regna;
iam noua progenies caelo demittitur alto.
Tu modo nascenti puero, quo ferrea primum
desinet ac toto surget gens aurea mundo,
casta, faue, Lucina: tuus iam regnat Apollo.
Teque adeo decus hoc aeui ,te consule, inibit,
Pollio, et incipient magni procedere menses
te duce.»
Buc. IV, 5-12.

…«a grande série de séculos recomeça.
Já também retorna a Virgem, voltam os reinos de Saturno;
do alto céu já é enviada uma nova geração.
Tu somente, casta Lucina, favorece ao menino que nasce,
sob o qual primeiramente desaparecerá a raça de ferro
e surgirá no mundo inteiro a raça de ouro, já reina o teu Apolo.
E esta honra do tempo começará e os grandes meses começarão
a suceder-se primeiramente sob o teu consulado, ó Polião,
sob o teu comando».

A partir deste texto, os primeiros cristãos decidiram que Virgílio era um dos poetas pagãos virtuosos, que fora recompensado com uma antevisão da época messiânica.
Desde então, a poesia de Virgílio ganhou um ar de santidade religiosa e foi reverenciada quase em pé de igualdade com a bíblia e outros textos cristãos, sendo enaltecido como o maior dos poetas e modelo para os novos autores.
Dante, diz na sua Divina Comédia que Virgílio foi o mestre onde buscou toda a técnica e arte.
Chaucer considerou-o como o «mestre perfeito, um escritor que todos os poetas deveriam respeitar e igualar».
Mas eu, que o li na minha juventude, penso que a sua maior obra, porque revela a sua verdadeira natureza e relação com o universo, foi aquele epitáfio em hexâmetro dactílico e pentâmetro dactílico que ele próprio redigiu para o seu túmulo junto à estrada que ligava Nápoles a Puzzuoli, e que nos chegou por transmissão indirecta.
Este epitáfio revela bem a simplicidade vocabular e modéstia de Virgílio; omite qualquer juízo de valor e tem, além disso, uma alusão mitológica que era muito ao seu gosto:

«Mantua me genuit; Calabri rapuere, tenet nunc
Parthenope: cecini pascua, rura, duces.»

«Mântua gerou-me; a Calábria arrebatou-me; agora possui-me
Partenope (Nápoles): cantei as pastagens, os campos, os heróis.»

Virgílio é de facto, como diz Chaucer, um mestre perfeito; um poeta cuja simplicidade e modéstia, os poetas de hoje nem de longe conseguem imitar!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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