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No sábado, 15 de Setembro, Portugal foi varrido por um vento de indignação e que fez ecoar um grito de basta de norte a sul e de oeste a leste.

As pessoas saíram para a rua e deram corpo à maior manifestação política sem conotação política. Desta vez, não podem acusar sindicatos nem partidos. Desta vez, foram as portuguesas e os portugueses que saíram para a rua e disseram olhos nos olhos, num sábado!, que estão fartos de levar murros no estômago! Que está farto de ser espoliado. Que está farto de mentiras. Que está farto da gentalha que faz de conta que governa quando, na verdade, se governam. Ouvi na tv um alentejano dizer que estamos a ser governados por um bando (não posso precisar se foi exactamente esta a expressão) de cachorros. A comparação é perfeita! Porque vergonha não têm. Sábado foi dado o grito de basta! Seria bom que a rua – termo tão grato aos políticos cá do burgo – fosse ouvida e dela se tirassem ilações. Governar, é uma actividade exigente. Mas, ou se governa com as pessoas e para as pessoas, ou, então, não passa de uma actividade tirânica. Infelizmente, têm passado pelo governo de Portugal, uns quantos parasitas, incompetentes, mentirosos e aproveitadores. A situação financeira do estado é prova provada do que afirmo. Contudo, não partilho dessa ideia estapafúrdia de um governo de iniciativa presidencial. Não. Ainda somos um estado democrático. Este governo é apoiado por uma maioria parlamentar, resultado de eleições livres. Um novo governo só se este se demitir, só se o sr. Presidente da República dissolver a actual Assembleia da República e sempre, sempre, resultante de novas eleições. A democracia não pode, por nenhum pretexto, ser posta em causa. Porque, quando se faz um «intervalo» (uma certa dirigente chamava-lhe suspensão) na democracia, este torna-se cada vez maior. Assistimos a uma contração dos direitos, até aos mais básicos, como o direito ao salário pelo trabalho. Já imaginaram o que seria a perda do único verdadeiro poder que nos resta, o direito ao voto? Não. Não alinho nessa farsa de um governo não escolhido por voto. Aliás, sempre defendi que os partidos deveriam ser obrigados a divulgar os nomes daqueles que são candidatos a ministros. Assim, saberíamos concretamente em quem se votava. Sem surpresas. Evitar-se-ia as negociatas já com o poder garantido. E todos iam a votos. Porque, no fundo, o grito de revolta que no sábado foi dado pelo povo português foi o de exigir verdade, igualdade e equidade. Exigir solidariedade e justiça. Exigir ética na gestão da coisa comum.
Se a surdez de quem governa persistir, tenho a certeza que o grito da rua se tornará ensurdecedor.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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Já por mais que uma vez, nesta «raia da memória», pedi títulos emprestados. Volta a ser o caso de hoje: «Noite e nevoeiro» é o título de um admirável filme de Alain Resnais sobre o Holocausto, um verdadeiro libelo acusatório sobre a barbárie nazi e, simultaneamente, uma reflexão sobre os limites da crueldade humana.

Monumento em memória das crianças vítimas dos nazis em Lídice, na Checoslováquia
Gravura do século XVI alusiva ao Massacre de Lisboa de 1506 Memorial do Massacre de Lisboa, no Largo de São Domingos, inaugurado em 19 de Abril de 2006 Mulheres e crianças judias, em Auschwitz, pouco antes de serem conduzidas às câmaras de gás

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaJá foram escritos milhares de livros e realizados inúmeros filmes sobre esta temática; os factos ocorreram há setenta anos, numa Europa varrida pela maré negra dos extremismos (fascismo, nazismo e estalinismo); vivemos em democracia, não vislumbramos no horizonte europeu novos Mussolinis, Hitleres ou Estalines; então porquê insistirmos no mesmo tema?
Não tenho certezas sobre isto. Costumo dar a ler aos meus alunos de História Contemporânea um texto de Umberto Eco intitulado «O protofascismo», no qual o conhecido escritor italiano desenvolve a ideia de que o fascismo não é um fenómeno histórico localizado no tempo, que surgiu e se afirmou um pouco por toda a Europa nos anos 20 e 30 do século passado, e ao qual a vitória das democracias em 1945 pôs um ponto final. Para Umberto Eco, o fascismo é intemporal, encontrando-se de forma embrionária e latente no seio das sociedades humanas; bastará que as circunstâncias económicas, sociais e políticas se conjuguem para ele ressurgir. O «ovo da serpente» está pronto para ser chocado pelas dificuldades económicas, o hiper-desemprego, os nacionalismos exacerbados, os egoísmos nacionais, o militarismo, o proteccionismo, etc.
Já assistimos, nos anos 90 do século XX, ao afloramento de práticas nazi-fascistas nos Balcãs. Voltámos a ver prisioneiros esqueléticos em campos de concentração sérvios e descobrimos, horrorizados, o massacre de milhares de bósnios muçulmanos em Srebrenica, cujas valas comuns se assemelhavam às da floresta de Katyn.
Mas será que a civilizada União Europeia corre o risco de regredir à «noite e nevoeiro» da «era dos extremos»? Não estaremos já vacinados contra os extremismos e os anti-semitismos? Talvez não. O ressurgimento de forças políticas de ultradireita na Áustria, na Holanda, na Alemanha, na Itália e até nos civilizadíssimos países escandinavos não nos deixa descansados. Outro sinal preocupante é o alastramento do negacionismo relativamente ao Holocausto: «As câmaras de gás e os fornos crematórios onde foram assassinados milhões de seres humanos nunca existiram.» Afirma-o (sem grande credibilidade é certo) o presidente do Irão, mas também filósofos como Roger Garaudy, corifeu daqueles a quem Mário Vargas Llosa chama «los Purificadores». E o senhor Le Pen, sem coragem para ir mais longe, classifica o Holocausto como «um detalhe da História».
A 2.ª Guerra Mundial deixou atrás de si um rasto de morte e destruição (50 milhões de mortos, incontáveis feridos, deslocados e desaparecidos, cidades arrasadas). O sofrimento humano foi indescritível, mas existem episódios que, por si só, nos dão a dimensão da desumanidade alcançada nesta época; uma desumanidade tão extrema que levou a historiadora Hannah Arendt a falar, relativamente ao totalitarismo nazi, em «banalização do mal». Podíamos aqui referir os casos das cidades de Oradour-sur-Glane, em França, e de Lídice, na Checoslováquia, cujas populações foram completamente exterminadas pelos nazis – homens, mulheres e crianças. Mas limitemo-nos a transcrever um episódio ocorrido em 10 de Julho de 1941 na aldeia polaca de Jedwabne, descrito por Jan Tomasz Gross, no seu livro Vizinhos. Este massacre, segundo Gross, teria sido perpetrado com a colaboração activa de parte da população não-judia da aldeia:
«Depois de cercarem a vila por guardas para que ninguém pudesse escapar, os judeus foram obrigados a dirigirem-se até ao celeiro, numa via dolorosa pontuada por violentos espancamentos: ensanguentados e feridos, foram empurrados para o interior do celeiro. Depois, este foi regado com querosene e incendiado. A seguir, os selvagens andaram de casa em casa à procura dos doentes e crianças que tivessem ficado para trás. Transportaram para o celeiro os doentes que encontraram, enquanto as crianças eram atadas pelas pernas, umas às outras, em pequenos grupos e levadas às costas e depois colocadas em forquilhas para serem atiradas às chamas.»
Em contraponto, para reforçar a ideia de intemporalidade do racismo e dos extremismos religiosos, defendida por Umberto Eco, podemos citar um drama semelhante a este mas muito mais antigo, narrado por Damião de Góis na sua Crónica do Felicíssimo Rei D. Emanuel, a propósito do massacre de judeus em Lisboa no ano de 1506. Apesar da distância temporal, as semelhanças são evidentes:
«Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na Ribeira e no Rossio. […] E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas. A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens, os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes.»
Paremos um pouco para respirar fundo. Os tempos de crise e de desnorte que vivemos, em que todas as nossas certezas parecem desmoronar-se como castelos de cartas, obrigam-nos a repensar o presente à luz dos erros do passado. Na Espanha, o desemprego total anda pelos 24% e o desemprego jovem aproxima-se dos 50%! Os números em Portugal ainda não são tão dramáticos mas são igualmente assustadores. Sem querer fazer induções anacrónicas, lembro que, quando os nazis chegaram ao poder, em Janeiro de 1933, o desemprego total na Alemanha tinha atingido 43%! Estamos na hora de a Europa acordar e de se olhar ao espelho da sua História.

Por ordem do general De Gaulle, Oradour-sur-Glane nunca foi reconstruída. Permanece como um memorial da 2.ª Guerra Mundial

«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt

Somos todos uns ingénuos que gostam de acreditar na patranha de que a União Europeia foi construída deforma romântica, com todo o povo europeu pondo-se de acordo para construir um melhor futuro comum.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA realidade é outra: A União Europeia surgiu das elites empresariais e financeiras que procuravam alcançar um mercado comum para o qual necessitavam de uma moeda, o euro, que substituísse as moedas nacionais.
É por isso não resultou!
Um exemplo: A Acta Única, que estabelecia as condições prévias de criação da União Europeia, foi da iniciativa de Wisse Dekker, dirigente da Phillips, que se encarregou de reunir quarenta representantes «das maiores empresas europeias» e de preparar entre eles um documento que foi assumido pelo comissário Cockfield para a elaboração das 300 directivas em que se baseia a Acta Única.
Outro exemplo: A banca alemã também impôs que o marco fosse substituído pelo euro, de forma ao Banco Europeu poder controlar a inflação, principal inimigo dos bancos, porque desvaloriza o dinheiro, impondo também que não pudesse comprar dívida pública dos estados, e impondo ainda uma austeridade em que cada estado não podia imprimir moeda nem ter assegurada a sua venda a um banco central, como até então faziam, para terem antes de recorrer à banca privada.
Como se sabe, o negócio dos bancos é gerar dívidas aos clientes; é desta forma que, transformando os depósitos bancários em créditos a clientes, criam artificialmente moeda bancária e geram lucro.
Foi assim que os estados necessitando de financiar o défice dos orçamentos, recorreram a empréstimos públicos, criando a espiral das dívidas soberanas, que está nas mãos da banca e especuladores privados, e a qual continuará a aumentar porque os estados, face às politicas de austeridade erradamente aplicadas e geradoras de recessão, têm menos receitas fiscais, tendo de recorrer a novos empréstimos.
Foram pois os interesses financeiros e monetários das grandes empresas e dos bancos europeus que levaram à actual Europa.
Outra condição foi o tratado de Maastrich, que obrigava os estados membros a ter um défice público inferior a 3 % do PIB e ma dívida pública inferior a 60 % do PIB, o que constituiu um grande entrave ao crescimento económico e à produção de emprego, tudo medidas que o capital financeiro queria para prevenir o crescimento da inflação, que defendiam. Devia manter-se a 2 %.
A consequência foi que os países em recessão (por sinal todos periféricos), que antigamente podiam combate-la estimulando a economia, não podendo lançar mão aos mecanismos de compensação (V.G desvalorização da moeda para incremento das exportações) e não podendo competir com as empresas e bancas alemãs, foram perdendo tecido produtivo e capacidade de gerar receitas, enquanto os grandes grupos financeiros e empresas alemães foram acumulando grande quantidade de euros, que por sua vez emprestaram aos bancos e estados desses países periféricos, facilitando o crescimento da divida privada e pública destes países.
E esta política não foi inocente: Desta forma a Alemanha evitava a quebra das suas exportações, financiando a procura dos outros, apesar da capacidade aquisitiva das populações dos países periféricos estar em queda.
O mais irónico é que tendo sido a Alemanha a responsável por tudo isto, vem agora impor como receita de austeridade para debelar a crise, assente nos famosos quatro pilares do Pacto do Euro:
Competitividade com baixos salários; emprego com flexibilidade laboral; finanças públicas com diminuição da despesa pública e sistema financeiro com privatização da banca.
Tudo medidas que geram diminuição de procura privada, precariedade de emprego, diminuição de investimento e especulação financeira, e como consequência de tudo isto, aumento de desemprego diminuição de receitas fiscais, recessão e aumento da dívida.
São as mesmas receitas das políticas neoliberais que de há trinta anos para cá conduziram ao problema que agora querem resolver com aos mesmos métodos já testados na Irlanda, e que originaram uma recessão de 30%, quando o FMI previa um crescimento de 1%.
A diminuição dos índices salariais, geram diminuição de rendimento, capacidade aquisitiva, receitas fiscais e de emprego, é do mais elementar bom senso económico.
O crescimento económico da Alemanha, com a politica de La Fontaine (governo social democrata de Shroeder), deveu-se precisamente ao aumento da procura privada gerada pelo aumento do salário dos trabalhadores; não ao contrário!
Foram pois os interesses particulares das grandes financeiras e empresas alemães na criação do euro que criaram as condições para a actual crise.
E a politica de austeridade e restrição salarial imposta pela Alemanha foi a gasolina que a fez aumentar ao: diminuir a procura dos países periféricos, e financia-la com empréstimos às exportações alemãs, aumentando as suas dívidas.
E fê-lo ainda lançando mais gasolina na fogueira: emprestando, através do BCE à banca privada dos países periféricos a juros baixos, a qual, já em dificuldades por ter financiado as dívidas públicas e investimentos especulativos, em vez de financiar o tecido empresarial, estimulando o crescimento económico, comprou nova dívida pública a juros altos, dos estados, que com cada vez menos receitas fiscais, tiveram de se voltar a endividar.
Como se resolve o problema?
Gerando crescimento económico… aumentando o PIB!
E como se faz crescer a economia, quando o panorama é o do controle do défice orçamental, redução de receitas fiscais que condicionam o investimento, falta de liquidez nas pequenas e médias empresas que impedem o relançamento da actividade económica?
Muito simples:
a) O Estado, através da mudança do paradigma fiscal que é maioritariamente sobre o consumo (em queda) e carga salarial, para impostos sobre o rendimento, tributando a riqueza, incluindo a especulação financeira, a verdadeira beneficiária da crise, aplicando esta nova receita fiscal em investimentos produtivos (formação empresarial, investigação, educação, etc).
b) Aumentando paulatinamente os salários reais, para, através do aumento do poder de compra, estimular a procura, a produção e a criação de emprego.
c) Injectar liquidez na economia, financiando as pequenas e médias empresas, as verdadeiras criadoras de emprego e motores da economia, através da banca pública, que pode prosseguir políticas sociais, ao contrário da banca privada, só interessada no lucro e na especulação financeira.
d) Controle dos preços das grandes empresas prestadoras de serviços (energia, água, comunicações, etc.) quase monopolistas, que devido à sua posição dominante no mercado e condição de fornecedoras de bens essenciais, não influenciáveis pela procura, são as únicas beneficiárias da redução salarial, que lhes permite diminuir os custos de produção e aumentar a margem de lucro e continuar a financiar-se.
e) O Banco Central Europeu deve comprar a dívida dos estados (Eurobonds), com um período de carência, de forma a permitir-lhes aplicar os empréstimos no relançamento das respectivas economias, ao contrário de financiar a banca privada, como até aqui, que aplica o dinheiro para resolver os seus problemas de tesouraria resultantes da especulação financeira e na compra de nova divida pública a juros mais elevados.
Mas tudo isto exige bom senso e coragem política… coisas que não abundam, nem por estas bandas, nem nos órgãos de decisão Europeus…
E a Alemanha, vendo que os países periféricos dificilmente recuperam o puder de compra que lhes permita continuarem a comprar as suas exportações, já desistiu de financiar a crise do Euro, voltando-se para novos mercados, como a China e os EUA.
É precisamente neste sentido que devem ser interpretadas as recentes palavras da chanceler alemã, quando diz não estar a Alemanha interessada a continuar a financiar a Crise do Euro.
As empresas e financeiras Alemãs sugaram-nos quanto puderam, e agora partem para outras paragens, tal como as empresas capitalistas que explorando a nossa mão-de-obra barata e incentivos fiscais enquanto podem, se deslocam depois, oportunamente para os novos países emergentes.
Portanto, a vontade da Alemanha não é nenhuma em resolver a actual crise… a menos que seja obrigada!
E quem na Europa tem força para vergar a vontade Alemã?
Ninguém…
Por isso a União Europeia já é um cadáver com a certidão de óbito assinada…
Resquiet in pace!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O meu artigo número duzentos, quero dedicá-lo aqueles que mais sofrem com esta crise, os trabalhadores das classes mais desfavorecidas, das mais humildes, os trabalhadores das classes médias, os pequenos empresários e os pequenos comerciantes. É nestas classes que se apoia o poder económico, explorando-as e obrigando o Estado a explorá-las, conseguindo assim lucros fabulosos. Como não podia deixar de ser, este artigo dedico-o também aos desempregados.

António EmidioA crise não pode ser considerada Global, na medida em que há países como Portugal e Grécia, entre outros, que devido à sua dívida externa e défice, vão empobrecendo, sendo incapazes de pagar as suas dívidas, optando como solução, leis laborais que não são mais nem menos do que uma brutal exploração. Noutros países onde a crise é quase inexistente, aí os lucros das grandes empresas são conseguidos com idênticas leis laborais, leis de exploração a que já chamam «contra-reforma laboral». Uma realidade se constata, a crise é a do Mundo do Trabalho.
O nosso Pais querido leitor(a), com medidas ilegais que nos estão a ser impostas, está a empobrecer, o crescimento do Produto Interno Bruto em 2011 foi quase nulo. O estado e os grandes patrões impuseram drásticas reformas neoliberais, para quê? Para lançarem milhares e milhares de portugueses no desemprego, este já atingiu uma percentagem vergonhosa para qualquer governante, ainda não contentes, tanto um, como o outro, Estado e grande patronato (o seu representantes como Ferraz da Costa), resolveram também fazer violentos cortes salariais, que tudo indica ainda irão a mais irão presume-se que serão feitos cortes nos salários, entre vinte e trinta por cento! Com esta «orientação» vinda da Alemanha, iremos superar a crise e depois entrar num acelerado e «paradisíaco» processo de recuperação económica, não se sabe é quando…
Este processo neoliberal começa em 1973 com a ditadura militar no Chile, golpe de Estado de Pinochet, aí foram aplicadas ferozes medidas neoliberais a favor do «livre mercado», outros países da América Latina se lhe seguiram, também com ditaduras militares. Tudo foi imposto pelos Estados Unidos. Ainda agora, passados trinta anos há países que nunca se recompuseram, nem enriqueceram, pelo contrário ainda empobreceram mais. O mesmo irá acontecer a alguns países da Europa, muito me temo que entre eles esteja Portugal…Alguém dirá: para isso não acontecer temos que trabalhar mais e melhor, com menos salários e menos pão, mas quanto menos for o salário e menos o pão, menos enriquecemos, assim só enriquecem dois ou três, veja-se o caso do empresário de sucesso português que já está na revista Forbes. Isto é só um exemplo, se por acaso não recebermos salário nem pão, para onde vai a riqueza que produzimos?
Como bem dizia, penso que um escritor «governar a Europa significa reduzir salários, cortar nas prestações sociais, criar desemprego e eliminar obras públicas». Eliminar obras públicas para deixar tudo nas mãos de privados! Pelo menos lembrem-se do New Deal ( Nova Ordem ) o plano de recuperação económica dos Estados Unidos levado a cabo pelo Presidente Roosvelt, depois do descalabro económico de 1929: intervenção e vigilância do Estado, execução de grandes obras públicas e políticas de apoios sociais. Assim criou milhões de postos de trabalho e deu de comer a todos, mas para isso contribuíram, o Estado, as empresas e os trabalhadores. Foi o Keynesianismo, que para os actuais governantes europeus e grandes empresários, é considerado comunismo, sinais dos tempos…
O trabalhador nesta Europa é uma simples mercadoria que se usa até se tornar inservível, depois vai para o lixo.

Há empregos na Neoliberal União Europeia de 500 euros mensais, com uma carga horária de 18 horas, mas se por acaso a empresa necessitar desse trabalhador para fazer mais horas!!! Paga-as a 5,60 euros à hora. Quantas horas tem para descansar? Para estar com a família?
Este tipo de exploração é mais notório nas grandes superfícies e nos centros comerciais – Os templos do consumo.

Aqueles que detestam os trabalhadores, que há muitos, aqueles que vêem nos trabalhadores uma simples mercadoria, as mentalidades esclavagistas, pensem no seguinte: sem trabalhadores não se criaria riqueza, não se pagariam impostos, não se pagaria segurança social. O Estado não se poderia manter, o empresário também não. Sem os homens e as mulheres que trabalham, as máquinas deterioravam-se, assim como as matérias primas, as ruas ficariam cheias de lixo, originando doenças. Sem homens e mulheres que trabalhassem, os carros, os autocarros, comboios, barcos e aviões não andariam, não haveria distribuição de água e luz, quem ensinava nas escolas, colégios e universidades? Quem nos trataria nos hospitais? Em suma, não haveria vida!
Sem o capital humano, não existia o capital financeiro.

Aos desempregados quero dizer: o emprego está ligado ao sustento e à dignidade do homem. Em Portugal, o sustento e a dignidade do homem têm pouco valor para os actuais governantes.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Conta-se que Arquimedes, estando no banho descobriu que, o volume de qualquer corpo, pode ser calculado medindo o volume de água movida quando o corpo é submergido. È o princípio de Arquimedes.

A palavra «eureka» é a primeira pessoa do singular do perfeito do indicativo do verbo heuriskein (encontrar), significa, portanto, encontrei. Usamo-la, hoje, como sinónimo de descoberta, de fim de busca.
Foi precisamente o que me ocorreu estes dias com as notícias que, diariamente, invadiam as nossas casas. Como podem estes iluminados da economia e finanças, virem, com aquele ar de virgens imaculadas, apregoar o seu espanto em relação à recessão, á falta de crescimento económico, ao aumento do desemprego e à fraca entrada de impostos nos cofres do estado?!
Cada dia vinha um qualquer (ou nem tanto) dizer da sua admiração por os números não coincidiam com as previsões estabelecidas. Bom, eram previsões, argumentam. Contudo, esse argumento não justifica o eureka com que nos brindam:
Seria impossível haver crescimento económico quando o consumo (a procura) diminui. Penso não ser necessário ser economista para perceber que o mercado (como eles gostam tanto de dizer!) funciona na base da procura e da oferta. Não havendo procura a própria oferta tende a diminuir. Exemplifiquemos da seguinte forma, uma empresa fabrica frigoríficos, se os consumidores não os comprarem, brevemente, a empresa reduzirá a produção, despedindo trabalhadores, que irão engrossar o grupo dos consumidores que não compra. Mais tarde a empresa fecha. Desta forma, o fenómeno vai engrossando, provocando o efeito bola de neve. Ora, esta crise foi provocada pelos economistas e financeiros que, na obscuridade dos gabinetes, especularam, mentiram, conspiraram e inventaram esta crise que, no final, lhes vai dar milhares de milhões de lucro. E, todavia, são estes mesmos que chamamos para resolver crise! Se a memória não me falha, creio ter sido Churchill, primeiro ministro britânico aquando da 2ª guerra mundial, que afirmou que a guerra era um assunto demasiado sério para ser deixada só aos militares. Também a economia. Os resultados estrão á vista.
Mas sobre estes espantos, dou mais dois exemplos, em que as previsões teriam que sair, necessariamente, furadas. Um, a receita fiscal está aquém do esperado. E os economistas da nossa praça ficam espantados! Se há cada vez menos gente a trabalhar, como se pode esperar receita fiscal igual ou superior à do ano passado? Sabendo-se que a economia paralela já era enorme, agora é estrondosa. Eu diria que, por este andar, a paralela é que parece ser a real… Outro, a facturação das scut’s. Juro, tenho uma curiosidade enorme de saber qual o resultado da colecta (para não lhe chamar chulice) que a cobragem de portagens deu. Porque a diferença entre o estimado e o valor real deve ser colossal. No final, nem a cobragem resolve o problema da divida às empresas concessionárias e o resultado será o definhar definitivo do interior. Quando o governo perceber que não tem país, será tarde. Por aqui haverá aldeias fantasmas e a única vida será a passagem do vento pelos campanários vazios… pois os sinos já os terão roubado!
Por estes dias esteve por cá um prémio Nobel da economia para ser doutorado honoris causa e logo por três universidades. Não sei se cobrou o «serviço» ou não, mas vi ser apresentado por um senhor que pensa exactamente o contrário. Enfim. Este senhor veio dizer que Portugal está no bom caminho mas que não garantia que resultasse toda esta austeridade. Bem, foi a minha vez de dizer eureka! Então o homem, um laureado nobel em economia, e não pode garantir se aquilo que estamos a fazer vai ter resultados!? Depois tem o desplante de dizer que os salários dos portugueses deviam ser cortados em 30% em relação aos dos alemães. Então para que serviu e para que serve a União Europeia? Não era para equilibrar os povos europeus no seu nível de vida? Apetece-me voltar aos frigoríficos, os alemães que os façam, se ninguém os comprar quero ver o que lhes fazem!
Quanto ao nobel da economia, confesso que tenho alguma dificuldade em perceber a sua importância. Todos os anos temos laureados e não vejo nenhuma teoria ou descoberta desta gente que venha facilitar a vida das pessoas ou permitir-lhes soluções. Por detrás desta crise estão muitas das teorias de laureados com o nobel da economia! A este que por cá esteve, gostava que lhe cortassem o salário, só para ouvir mais uma prelecção do iluminado.
O Sr. Primeiro Ministro cá do burgo, finalmente, encontrou a culpa do estado de Portugal! Foi o anterior governo. Eureka! Permita-me que lhe diga, não foi o anterior. Foram todos os anteriores. A começar no do Sr. Cavaco Silva. Porque nessa altura de vacas gordas, as reformas estruturais que tanto apregoa agora não foram feitas. Os milhões da Comunidade Europeia foram estruturar os bolsos de uns quantos e dos amigos. Agora, quando não há dinheiro, vem pedir que se faça o que ele não fez quando devia e podia. Mais, se não concorda com a linha política seguida pelo governo do seu próprio partido, não publique as leis. Use os instrumentos ao seu dispor e demonstre a sua discordância. Agora publicar as leis e, depois, dar entrevistas à imprensa estrangeira a dizer que não pode ser tanta austeridade soa a cobardia e hipocrisia.
O Sr. Primeiro Ministro pode acusar a herança, mas não deve com isso camuflar as suas opções políticas, nem diluir as suas decisões com o programa da troika. Procurando, desta forma, sacudir a água do capote.
Espero que, qualquer dia, alguém não nos venha dizer que estamos mais pobres, com esse ar de quem descobriu a realidade.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Noite de Dezembro fria e noveirada. Aproximava-se a hora do jantar de aniversário de uma das prestigiadas colectividades desta cidade. Todos os anos me inscrevo porque devemos festejar estas efemérides. Chego ao restaurante e nem viva alma. Apenas o dono e os empregados. Está tudo atrasado porque se espera por uma individualidade vinda da capital.

Enquanto aguardo vejo as notícias, sem antes o chefe da casa me esclarecer que anda quase tudo a gamar. É nas auto estradas sem custos, com portagens, as licenças municipais para tudo e mais alguma coisa a subir vertiginosamente com custos a exceder o dobro, as da saúde com uma vistoria de minutos, passa para cá mais de cem euros, é os medicamentos, é tudo …
Qualquer dia fecho a porta porque não posso suportar tantos encargos fiscais.
Olho para as notícias da TV e é o desfilar infindável do rosário da crise.
Assaltos de todas as formas e feitios, é o roubo das caixas multibanco, das ourivesarias, dos restaurantes, dos cafés, dos fios de ouro, e até na minha aldeia, Bismula, que nunca é notícia, este dia foi-o em todos os órgãos de comunicação social escrita e falada, porque uns larápios foram aos postes dos telefones, serraram-nos e levaram os fios de cobre de milhares de metros, deixando-a sem comunicações.
Um vice-reitor de uma universidade diz que a maioria da geração da actual classe política veio de universidades privadas e mais não digo…Que quer dizer este ilustre senhor? Foi a crise?
Por causa da crise está à venda no Bairro Alto – Lisboa, uma Igreja por dois milhões de euros, esperando que não vendam o Céu, porque os pobres já lá não chegam.
Também por causa da crise ouvi uma boa notícia, o preço das Eucaristias não vai subir de preço mantendo-se os dez euros por intenção e o remanescente vai para a Diocese.
Estava-se na crise, quando chegou o desejado dirigente acompanhado pela direcção e entidades oficiais, já alguns dos inscritos para o manjar iam mordiscando o pão com manteiga, azeitonas, pedaços de chouriça e morcela.
Vem a crise dos discursos, e o Presidente aos costumes disse nada, convidando todos para que no próximo ano estivessem presentes, se entretanto o S. Pedro não os chamar para prestarem contas dos nomes bonitos que chamaram ao árbitro, aos jogadores e aos associados de outros clubes, dando a palavra ao autarca de freguesia que foi uma malícia ouvi-lo, ainda por cima é todo virado para o vermelho. Lá foi adiantando que ainda vem longe as eleições, que não trás nada na manga por causa da crise, que tem duas filhotas uma do clube da concorrência e a outra sim do aniversariante. No próximo ano espera estar presente com a filha.
O autarca municipal que é da cor verde salvou a honra do convento, começando por cumprimentar o Sr. Presidente que acaba de conhecer. Eu digo, talvez pela malvada crise quando foi eleito não foi apresentar cumprimentos à edilidade municipal, como mandam as regras protocolares. Destacou a acção social e centro de encontros da referida colectividade, à qual desejou as maiores felicidades.
A seguir falou o representante da tribo maior, que veio da capital do império, começando por esclarecer o atraso. Era a primeira vez que vinha ao Fundão, apanhou muito nevoeiro que lhe dificultou a viagem, mas chegou ao destino. Não aconteceu o mesmo ao nosso Rei D. Sebastião, que o Povo continua à espera, num dia ou noite de nevoeiro. Informa que veio a custo zero. Será que não pagou as malditas portagens? Se a crise de golos não for como as finanças do país, espera ser campeão do futebol indígena.
Perante tanta crise, o profissional da rádio meteu no saco o gravador e foi-se embora, porque não podia colocar no ar tanta falta de qualidade oratória.
Por causa da crise, a Banda Musical não colocou colunas de som na sala, mas ouviu-se e bem.
Que mais irá acontecer. Maldita crise. Que vá para o Diabo que a carregue.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A minha formação académica começou na filosofia e teologia, passou pelo direito e, só depois, chegou à economia. Por isso, a visão que tenho da economia é heterodoxa, mais próxima da escola personalista Austríaca de Hayks, que da escola tradicional, keynesiana, assente em modelos matemáticos.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAssim, ao homo economicus da corrente ortodoxa e clássica, das relações económicas de troca e de pura justiça comutatitva, contraponho o homo viator, um homem em permanente interrogação da sua origem, do seu papel e do seu futuro na sociedade, no seio da qual procura a sua realização na sua dupla dimensão material e espiritual. Em consequência, a economia não é tanto uma ciência de obtenção e afectação de recursos, mas um instrumento para eliminação da pobreza, porque só com acesso a um conjunto mínimo de bens o homem tem garantia de um minimo conforto material, que lhe permita também desenvolver o seu lado espiritual e cultural; a sua dupla dimensão interior e exterior (pneuma/sarx).
Posto isto, a minha abordagem das questões económicas, designadamente da actual crise económica, é também heterodoxa, feita portanto, do ponto de vista filosófico, moral, ético e político, como o leitor, se tiver paciência em acompanhar-me, poderá constatar:
Karl Marx no seu Das Kapital já previra que «todos os povos do mundo se vêm cada vez mais intricados na rede do mercado mundial» e que o carácter internacional do capitalismo se haveria cada vez mais de tornar evidente (in Kapital, p.18) e no manifesto do Partido comunista em 1848, que as indústrias tradicionais, especialmente as de recorte local e produtos locais, haveriam de ser gradualmente ser substituídas por outras de nível internacional e novos produtos, dependendo de matérias primas provenientes de zonas remotas do mundo, e cujos produtos não serão mais de consumo trans-regional. (Karl Marx e Federich Engels; in Manifesto do Partido Comunista, Londres, 1848).
Esta previsão de Marx aconteceu pela globalização dos mercados. A consequência é que, ganhando dimensão internacional e global, a economia e o capital já não podem ser fiscalizados, como no liberalismo económico, pelo poder político de cada estado, exigindo antes, uma concertação e regulamentação inter-regional e mundial.
A livre iniciativa económica, que fazia sentido em mercados locais ou nacionais, que os respectivos estados podiam fiscalizar e regulamentar, também já não é aceitável, sob pena de conduzir a graves distorções de mercado.
A globalização da economia teve também outras consequências, que Bento XVI explica na sua encíclica Caritas in Veritate: «O mercado, à medida que se foi tornando global, estimulou antes de mais nada, por parte dos países ricos, a busca de áreas para onde deslocar as actividades produtivas a baixo custo a fim de reduzir os preços de muito bens, aumentar o poder de compra e deste modo acelerar o índice de desenvolvimento centrado sobre um maior consumo pelo próprio mercado interno. Consequentemente, o mercado motivou as novas formas de competição entre estados procurando atraír centros produtivos de empresas estrangeiras através de variados instrumentos, tais como impostos favoráveis e a desregulamentação do mundo do trabalho. Estes processos implicaram a redução das redes de segurança social em troca de maiores vantagens competitivas no mercado global, acarretando grave perigo para os direitos dos trabalhadores, os direitos fundamentais do homem e a solidariedade actuada nas formas tradicionais do Estado social.» (Caritas in Veritate, nr. 25, pp. 36-37).
É isto a que hoje assistimos; a destruição, em consequência da cada vez maior globalizaçao da economia, do estado-benificiente inventado por Bismark para subornar o proletariado com benefícios sociais, e evitar a revolução socialista.
A consequência é o retorno gradual, que já se faz sentir noutros países europeus a partir da segunda metade do século XX, enquanto em Portugal e Espanha só aconteceu na viragem do séc. XX para o XXI, ao modelo de estado liberal do século XIX e a perca das regalias sociais garantidas pelo moderno estado providência.
Marx também previu que a acumulação crescente de lucros e a concentração monopolísta do capital, com os grandes capitalistas a «comerem» os mais pequenos, levaria a tal situação de desigualdade na distribuição de riqueza, que fomentaria a revolução das massas e o fim do capitalismo.
Marx tem razão nesta análise; de facto, o maior perigo para a estabilidade política é a desigualdade social. Não chega a liberdade e a garantia formal de direitos que o sitema capitalista e burguês proporciona a todos os cidadãos, se a criação de riqueza não for acompanhada da satisfação das necessidades elementares de cada indivíduo, da erradicação da pobreza, e a igualdade de direitos estiver longe dos factos.
E também acertou, além da sua previsão da globalização dos mercados, na concentração do capital e na gritante e desigual distribuição de riqueza do sistema capitalista, potenciadora de instabilidade política e social.
De facto, a realidade mundial actual é de 40% da riqueza mundial estar na mão de 2% dos indivíduos; um bilião e meio de pessoas viverem com menos de 1€; cerca de três biliões viverem com menos de 2€, sendo que esta fatia da população dispõe apenas 1% da riqueza mundial.
A revolução das massas desfavorecidas é uma realidade histórica. Os acontecimentos das civilizações passadas e da europeia, e os do actual Magreb, demonstram-no.
Como dizia Horst kohler, antigo director do FMI e presidente da República Federal da Alemanha, não há maior ameaça para a estabilidade política e económica no mundo do que qualquer forma extrema de desigualdade na distribuição do bem-estar (citado por Reinhard Marx, arcebispo de Munique, in Das Kapital, Munchen, 2008, pág.23)
O modelo económico que conduziu a estes resultados, está por isso errado. A economia não devia, numa linha de pensamento económico moderno que vem já desde a Teoria dos Sentimentos Morais de Adam Smith, (antes do economista na célebre obra da «Riqueza Das Nações», excelente professor de filosofia moral), ser mais a economia convencional, anacrónica, alheia aos problemas de desenvolvimento, mais preocupada com a criação de riqueza das nações e orientada para o crescimento indeferenciado e consumismo, com nenhum efeito na erradicação dos níveis de pobreza.
Esta economia convencional fracassou porque, além dos resultados que são conhecidos, se desligou do fundo ético da antiga economia política, cuja preocupação é a justiça distributiva e não apenas a justiça comutativa da economia convencional.
Os programas de microcréditos de Mohamed Yunus (prémio Nóbel da Paz, quando o devia antes ter sido da economia) e Ela Bahatt, são insuficientes, mas bons exemplos de iniciativas de uma nova economia ética, preocupada mais com a pobreza, do que com a riqueza.
A globalização dos mercados exige um novo movimento internacional, como defende Jeffrey Saches no seu livro El fim de la pobreza, de cooperação entre países e regiões, em que os países ricos ajudem financeiramente os países pobres que não podem gerar a poupança por si próprios.
As empresas não deviam ter apenas como fim o lucro fácil e especulativo para satisfazer os accionistas e remunerar princepescamente os gestores.
A empresa, como elemento da sociedade, que aloca recursos sociais à sua actividade, vive da sociedade e na sociedade. Por isso a sua actividade não afecta só os que investiram nela o seu capital e trabalho.
Existe, à semelhança das relações humanas, que se pretendem de respeito mútuo, um contrato moral em que a empresa se obriga a agir com responsabilidade social, não defraudando as expectativas da sociedade num comportamento prudente e justo; isto é de boas decisões.
A moral e a ética não é só uma questão individual e pessoal. As organizações, como as empresas, são grupos humanos que também se orientam por valores, além de normas.
Como o homem virtuoso se orienta com prudência, no sentido clássico de adequar a sua acção em cada caso entre o excesso e o defeito (Aristóteles in Ética a Nicómaco, Livro VI, cap. 5), também uma empresa que se preocupa com o bem-estar social é uma empresa ética, preocupada com as boas decisões; um bem público, um daqueles bens que não só beneficiam as pessoas que investiram o seu esforço em produzi-lo, mas também quantos são afectados pela sua actividade, mesmo que não tenham contribuído para cria-lo (Amartya Sen in Desenvolvimento e Liberdade, Barcelona, 2000, pp 39-54).
E a riqueza do bem criado por uma empresa ética, responsável socialmente, é o clima de confiança, a boa sociedade, que tem valor económico incalculável, porque não contabilizável.
Resumindo:
A globalização dos mercados, a visão convencional da economia, a cultura empresarial institucional, levaram à destruição do estado social, concentração da riqueza, à não resolução dos problemas de pobreza, às desigualdades sociais, à actividade económica visando apenas a produção de riqueza e lucro.
Consequência disto, é a multidão de excluídos do bem-estar social, que clamam por uma maior justiça distributiva e acesso aos bens essenciais, a que só uma minoria da população mundial tem acesso.
A terra é a casa de todos nós, e os seus recursos naturais, independentemente da sua forma de apropriação, devem aproveitar, como defende, desde Leão XIII, a doutrina social da Igreja, a toda a humanidade, e não a um pequeno grupo.
Para isso temos de mudar o paradigma de desenvolvimento através de uma nova economia hermeneutica-filosófica que analise os fenómenos de exclusão e encontre soluções para a erradicação da pobreza.
É urgente uma cultura empresarial baseada na ética e na responsabilidade social, como ferramenta de gestão e de justiça social; uma economia do desenvolvimento.
Em suma, uma civilização ética, focada na inclusão social e na dignificação da pessoa humana; uma civilização da pessoa e para as pessoas.
Só que todos os governos, independentemente dos regimes, são oligárquicos e não cedem os privilégios de poder pacificamente; e quando caem pela força, outra oligarquia sucede á anterior. Por isso, nunca acontecerá esta mudança de paradigma económico!
Por mais mudanças e revoluções que haja, o egoísmo e a ganância humanas nunca desaparecerão. O individualismo, a que alguns filósofos da economia chamam liberdade-igualitária, prevalecerá sempre sobre o personalismo.
Para que isso não sucedesse, teriamos que ter uma sociedade, já não digo de homens nobres, interiores, que refere a doutrina paulina na carta aos Gálatas, mas pelo menos de homens honrados e bons cidadãos de que falava Benjamim Franklin, no seu pequeno opúsculo sobre os deveres de um cidadão. Uma sociedade constituída por indivíduos conscientes da sua liberdade responsável e de que a realização do bem comum é o melhor caminho para a realização e bem-estar de cada um.
Se assim não for, como dizia C. J. H. Hayes, a propósito da revolução francesa, «Plus ça change, plus c’est la même chose» (in estudos sociais, 1936, pág. 79).
Sem uma nova economia politica, filosófica e ética, e cultura de cidadania, não iremos a lado nenhum!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Este é o 100º artigo de João Valente no «Capeia Arraiana». Parabéns ao autor da coluna «Arroz com Todos», que intervém sempre pleno de oportunidade e imbuído de saber e de espírito crítico
Administração do Capeia Arraiana

Em tempo de férias há uma tendência natural para esquecer os problemas. Depois de aceitarmos não ser possível fazer aquelas férias com que sonhámos todo o ano, resta-nos aproveitar o sol. Esquecemos já o deficit e as medidas para o combater. Esquecemos o aumento do IVA, o imposto excepcional sobre os rendimentos do trabalho ou simplesmente as medidas alternativas que foram propostas, mas que o governo não aceitou.

José Manuel Monteiro - Largo de Alcanizes - Capeia ArraianaVem tudo isto a propósito das notícias recentes.
A PT faz um encaixe líquido de cerca de 3,8 mil milhões de euros, com a venda da VIVO à Telefónica por 7,5 mil milhões de euros e a aquisição de uma quota na OI.
O resultado líquido da transacção, será uma parte distribuída pelos accionistas, a título de dividendos. Estes terão uma retenção de 20%, de imposto, se for pessoal singular, podendo 50% desses dividendos serem englobados nos rendimentos dos seus titulares, ficando os 20% retidos como pagamento por conta.
Serão tributados se não forem colocados em offshores. Está visto que os accionistas não são funcionários públicos, nem simples trabalhadores por conta de outrem.
Mas, relendo os jornais do dia, outra notícia nos surpreende, ou talvez não, vejamos:
«Bancos com mais 12 % de lucros e menos 1/3 em impostos.»
Pois é, parece que a banca portuguesa, como todo o sector financeiro, lucra com a crise, crise em grande parte da sua responsabilidade.
Vejamos um quadro comparativo entre lucro e impostos (fonte DN, de 29-7).

BANCO LUCRO IMPOSTOS
BCP + 10,7 % – 52,7 %
BES + 14,6 % – 59,6 %
BPI + 11,8 % – — %
Total + 12,9 % – 68,9 %

Há muito que se exige que o sector financeiro pague os mesmos impostos que as restantes empresas, há muito que se pede para que as transacções bolsistas sejam tributadas.
Se a forma como é distribuído o rendimento é indicador dos índices de desenvolvimento, também a forma como a carga fiscal é aplicada é indiciadora das políticas praticadas.
Afinal a crise não é para todos.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

A crise económica mundial é coisa séria, no entanto, não resistimos a dar uma «solução» para acabar com a dita cuja…

100 EurosNuma pequena vila do Interior em que nada de especial acontece, a crise sente-se. Carregada de dívidas toda a gente deve a toda a gente.
Subitamente, um turista entra no pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 euros sobre o balcão. Pega na chave e sobe ao 3.º andar para inspeccionar os aposentos que lhe indicaram, na condição de desistir se estes não lhe agradarem.
O dono do hotel pega na nota de 100 euros e corre ao fornecedor de carne a quem devia 100 euros.
O talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100 euros em dívida há algum tempo.
Este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne (100 euros) que por sua vez corre a entregar os 100 euros a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.
Esta recebe os 100 euros e corre ao hotel a quem devia 100 euros pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o turista desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 euros.
Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido. Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e agora a população desta vila já encara o futuro com optimismo.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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