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Depois da enumeração e breve caracterização de quem usou o título de Conde do Sabugal, vale a pena divagar um pouco mais acerca da vida do chamado 5.º Conde do Sabugal, Manuel Assis Mascarenhas Castello Branco da Costa Lencastre, nascido a 18 de Julho de 1778, que foi de todos os titulares do cargo o que granjeou maior prestígio.
Foi também conde de Óbidos, alcaide-mor de Óbidos e de Salir, Senhor de Palma, Meirinho-Mor e Par do reino, mas era sobretudo conhecido por «Conde do Sabugal».
Recebeu uma educação esmerada, e conhecia perfeitamente as línguas francesa e italiana. Traduziu várias composições poéticas e compôs versos originais em francês, italiano e português, mas não imprimiu nunca os seus trabalhos literários.
Em 1804 e 1805 frequentou a casa da poetisa Marquesa de Alorna, onde o jovem conde era muito bem recebido, não só pelo seu talento e conhecimentos literários, mas também pelas suas anedotas e epigramas. Esses epigramas, porém, não agradavam ao governo, que além do mais o acusou de ter entrado numa tramóia com a rainha D. Carlota Joaquina, ao ajudá-la a redigir um decreto a proclamá-la regente do reino. Assim o conde, que era oficial do exército, recebeu ordem de ir inspeccionar as fortalezas do Algarve, e de prolongar a inspecção até lhe dizerem de Lisboa que podia regressar. Era um desterro disfarçado, que seria apenas o primeiro da sua vida.
Com a invasão francesa, o general Junot criou a Legião Lusitana, onde o conde serviu como tenente-coronel, combatendo brilhantemente na Áustria, em 1809. Em reconhecimento do seu mérito, foi condecorado pelo Imperador com a Legião de Honra de França, cuja insígnia lhe colocou por mão própria no campo de batalha.
Enviado depois em campanha para a Península Ibérica, evadiu-se do exército francês e voltou a Portugal onde foi mal recebido e enviado para a Ilha Terceira, nos Açores, onde permaneceu impedido de regressar ao continente. Com a revolução de 1820, arriscou voltar, mas foi de imediato intimado a deixar o reino.
Deu-se bem com o regime liberal de 1826, sendo mesmo eleito par do reino. Em 1828 partiu de novo para o exílio em Inglaterra, recusando aceitar o domínio de D. Miguel. Abraçando com empenho a causa liberal, coube-lhe em missão presidir, em 1829, à deputação encarregada pelo Marquês de Palmela de ir ao Rio de Janeiro fazer ver a D. Pedro os prejuízos que poderiam advir para a sua causa se o Brasil não tomasse a defesa dos direitos de sua filha, D. Maria, como legítima soberana de Portugal. A sua missão não teria inicialmente sucesso, mas em meados de 1830 o conde foi acreditado junto do governo brasileiro como representante da regência portuguesa fixada na Ilha Terceira.
Foi nomeado pelo governo de D. Maria II ministro de Portugal junto da Corte do Brasil, de onde regressaria doente em 1834. As enfermidades não lhe permitiram um serviço activo e conservou-se praticamente alheio à política, passando a viver em ameno convívio com os homens de letras, que prezava e que o prezavam. Faleceu em 5 de Fevereiro de 1839.
Paulo Leitão Batista
O conde do Sabugal esteve por largo tempo ligado ao cargo de meirinho-mor do reino e, mais tarde, o título foi acumulado com o de Conde de Óbidos. Enquanto meirinho-mor, ao conde do Sabugal cabia a administração da justiça, podendo prender, citar e cumprir quaisquer mandados judiciais, cumprindo especialmente as questões de justiça decididas por El-Rei, como prender pessoas de Estado e apresentá-las a juízo
O título de Conde começou por ser atribuído ao servidor do palácio real ou o conselheiro do monarca. Depois passou para comandante da guarda do palácio e para o alto funcionário da confiança do rei, que exercia funções locais temporárias e, por fim, passou a ser atribuído ao encarregado do governo, tanto civil como militar, de determinados territórios, denominados condados.
Em Portugal os primeiros condes surgiram no reinado de D. Sancho I e, a partir do século XIV, à concessão do título de conde correspondia um senhorio, cuja localização nem sempre era coincidente com o título. Desde fins do século XVIII o título de conde passou a ser meramente honorífico.
O título de Conde do Sabugal foi instituído por D. Filipe I, em 1582, logo após a perda da independência de Portugal e a consequente sujeição à coroa espanhola.
O 1º Conde do Sabugal foi Duarte de Castello Branco, que era Conselheiro de Estado de Filipe I, que o agraciou com o título em 20 de Fevereiro de 1582.
O nobre havia servido com zelo a coroa portuguesa, tendo sido pajem da companhia do rei D. João III, embaixador em Castela já por mandado do rei D. Sebastião, meirinho-mor do reino, vedor da fazenda e senhor do morgado de Montalvão. Combateu em Alcácer Quibir, ao lado de D. Sebastião, em Agosto de 1578, onde ficou cativo até ser resgatado a toco de dinheiro.
O 2º Conde do Sabugal foi D. Francisco Castello Branco, filho do primeiro, que foi igualmente meirinho-mor do reino, cargo que acumulou com o de alcaide-mor de Santarém.
O 3.º Conde foi D. João de Mascarenhas, que era casado com a filha do 2º conde do Sabugal, e era também comendador de Alpedrinha de Ares e de S. Miguel da Coxa. Serviu na Flandres como oficial de cavalaria e combateu na guerra da restauração, vindo a ser promovido a general e nomeado governador do Alentejo e conselheiro de guerra de D. Afonso VI. Ao obter o título de Conde do Sabugal passou a ser também meirinho-mor do reino.
Era figura de relevo na arte da guerra e também intelectual de prestígio, tendo traduzido o «Tratado do Manejo e Governo da Cavalaria». Deixou ainda escritas obras em verso e em prosa.
O 4.º Conde do Sabugal foi Fernão Martins Mascarenhas, que foi também 2º Conde de Óbidos, por casamento. Foi nomeado Alcaide-mor das praças-fortes do Sabugal e de Alfaiates, onde esteve por algum tempo. D. Pedro II nomeou-o meirinho-mor do reino, que institui que o cargo seria ocupado pelos seus descendentes (a partir daqui começaram a ser chamados «condes meirinhos-mores»). Seria ainda Conselheiro de Estado e da Guerra de D. João V.
O 5.º Conde do Sabugal foi Manuel Assis Mascarenhas Castello Branco da Costa Lencastre, nascido a 18 de Julho de 1778. Foi também conde de Óbidos, alcaide-mor de Óbidos e de Salir, Senhor de Palma, meirinho-mor e ainda par do reino em 1826. Foi capitão de cavalaria do exército português, tenente-coronel do exército napoleónico, agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo e com a Legião de Honra do exército francês. Foi também embaixador de Portugal no Brasil.
Dos restantes condes do Sabugal pouco reza a história, cabendo no entanto aqui deixar os seus nomes:
6.ª Condessa: Eugénia Maria de Assis Mascarenhas, também condessa Óbidos.
7.º Conde: Manuel de Assis Mascarenhas de Sousa Coutinho, também conde de Óbidos.
8.º Conde: Luis António de Assis Mascarenhas Castelo-Branco de Sousa Coutinho, também conde de Óbidos.
9.º Conde: Pedro de Assis Mascarenhas, também conde de Palma.
10.º Conde: Miguel Pedro de Melo de Assis Mascarenhas, também conde de Óbidos.
11.º Conde: Pedro de Melo de Assis Mascarenhas.
12.º Conde: José Luís de Andrade Vasconcelos e Sousa, também marquês de Santa Iria.
13º Conde: José Luis de Melo de Vasconcelos e Sousa.
Os condes do Sabugal nunca nada tiveram a ver com o Sabugal, sendo apenas um título honorífico que ostentava o nome da nossa terra, como aliás aconteceu a muitas outras. De qualquer forma, a «Memória Paroquial do Sabugal», de 1758, refere que costumava haver na vila «um ouvidor que conhece dos apelos e agravos nesta vila e seu termo, posto pelos Condes dela, na forma de suas doações».
Bibliografia:
ALMEIDA, A. Duarte (e outros) – Liberais e Miguelistas.
BRANDÃO, Raul – El-Rei Junot.
PEREIRA, Esteves e RODRIGO, Guilherme – Dicionário Histórico, Coreográfico, Bibliográfico, Heráldico, Munismático e Artístico.
Paulo Leitão Batista

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