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É necessário um acto de desagravo à Senhora da Póvoa.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalEstão frescas na nossa memória as notícias de dois graves sacrilégios: com uma serra de serrar rocha, alguém cortou e roubou as cruzes manuelinas (do século XVI) que desde há séculos estavam implantadas no adro da Matriz de Loures e nos Quatro Caminhos de Frielas. Inacreditável! Para que irão e para que servirão essas cruzes, emblemas do património nacional, acerca de cujo destino não vemos as autoridades em acção. É pedra… Se fossem notas!
Somos agora feridos com uma punhada no peito, quando soubemos que a veneranda e antiga imagem de Nossa Senhora da Póvoa de Vale de Lobo tinha sido roubada do seu santuário.
Nossa Senhora da Póvoa é, desde dos fins do século XVIII, o santuário mariano da Beira Baixa e de Ribacoa. Os mais novos não sabem, mas os da minha geração, jovens nos meados do século XX, ainda nos lembramos das filas de carros de tracção animal (bois, burros ou cavalos) enfeitados com festões e colchas de seda, transportando famílias inteiras, para a Senhora da Póvoa, logo na segunda-feira de Pentecostes. Romagem para dois dias, levava-se de comer o bastante e, à ida e à volta, era costume parar no sítio do Castanheiro das Merendas, já muito depois do Sabugal, para alimentar os animais e as pessoas.
Senhora da PóvoaRomaria de piedade, de promessas e também das folias que vinham de Monsanto e de Penamacor, com os seus estandartes, descantes e bombos; e, algumas vezes, toldados pelo vinho, moços que acabavam em lutas de vida e de morte. Leiam o «Maria Mim» de Nuno de Montemor e a «Celestina» de Joaquim Manuel Correia.
O ladrão deve ter-se arrependido, e abandonou a secular e sagrada imagem, debaixo de uma árvore, onde gente do povo a encontrou. Já devolvida à sua santa casa, falta agora que os povos da Beira-Côa e da Beira da Malcata e do Meimão, procedam a uma cerimónia de desagravo, na presença de todas as autoridades civis, militares e políticas da região. Não é possível que nada se faça como se nada tivesse acontecido:

«Nossa Senhora da Póvoa
Tem um galo no andor,
Cada vez que o galo canta
Acorda Nosso Senhor»

«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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Depois da poeira da batalha eleitoral, é preciso que cada um, entre vencedores e vencidos, saiba encontrar o seu papel, na tradução exacta do mandato que lhe foi confiado pelos votos dos eleitores. Uns e outros, embora de forma diversa, assumiram compromissos e responsabilidades perante os sabugalenses e estes esperam que os seus eleitos estejam à altura de tais desafios.

Câmara Municipal do Sabugal

António Cabanas - «Terras do Lince»Desde o meu ingresso no Instituto de Conservação da Natureza e na Reserva da Malcata, já lá vão mais de 20 anos, tornei-me um amante do Sabugal, da sua riqueza histórica e cultural, das suas especificidades, das suas belezas naturais e, obviamente, das suas gentes. Fui descobrindo, confesso até com alguma inveja, as imensas potencialidades deste enorme município raiano. Alguém, nessa altura, já nem me lembro quem, ofereceu-me uma cópia do «Maria Mim», que estava esgotado, e li um dos exemplares das «Caçadas aos Javalis na Serra da Malcata» que havia na pequena biblioteca da Reserva. Daí para cá descobri, entre outros interessantes comunicadores, esse fascinante escritor, que dá pelo nome de Leal Freire. Tenho adquirido, lido e coleccionado todos os livros do Sabugal, as suas monografias, os estudos, os livros de poesia e romance. E que Rica surpresa ao ler «Celestina», onde encontrei referências ao carlo-miguelista penamacorense Francisco Pina Ferraz!
Apesar do meu feitio, ríspido, tenho granjeado bons amigos nas terras de Riba Côa, na actividade política e profissional, nos convívios gastronómicos, nas actividades de lazer, e, claro, nas inevitáveis capeias. Conheço e sou amigo dos presidentes de câmara e vereadores, permanentes e da «senha», que têm passado pelo Município. Tenho amigos na esquerda e na direita, numa e na outra margem desse belo rio Cuda, acerca do qual o professor Zé Manel lembrava, cheio de oportunidade, que nenhum rio teria foz se não tivesse nascente.
Remato, afirmando que se não fosse natural de onde sou, da Princesa da Cova da Beira, só gostaria de ser de Riba Côa. E dito isto, já se entende onde quero chegar. É que tinha prometido a mim mesmo não escrever uma linha que fosse sobre a política local sabugalense. E se não resisto à tentação de transigir nesta minha promessa, há apenas dois motivos: a actual situação política sem paralelo nas terras transcudanas e a estima que me merecem os seus protagonistas.
Tenho acompanhado o aceso debate político sobre a gestão dos assuntos autárquicos sabugalenses e as recentes posturas dos grupos eleitos, como acompanhei, com interesse a campanha eleitoral, desde o anúncio dos primeiros nomes e a feitura de listas, até ao rescaldo eleitoral. Pelas razões que se entendem, sempre recusei os vários convites dos contendores para intervir neste ou naquele evento que pusesse em causa o meu distanciamento. Mas só nesses.
Na última «Capeia das Capeias», em Aldeia da Ponte, lá estive, entre amigos, ao sol tórrido do Verão, misturado nas conversas tauromáquicas de emigrantes e espanhóis, alguns deles também amigos. Mas a conversa mais absorvente não era sequer em redor dos toiros, mas sim das eleições. Noutros territórios vizinhos, fizera-se uma pausa, uma trégua, foi-se a banhos e esperou-se pela rentrée para se voltar à luta pura e dura da política. No Sabugal, não! Ninguém quis tirar férias, a luta ficou até mais encarniçada, havia um ar pesado que ameaçava borrasca, marcava-se à zona, homem ao homem, taco a taco. No apinhado bar da praça, espaço de homens, juntavam-se os candidatos, sempre rodeados pelos seus mais próximos colaboradores e por candidatos às Juntas de Freguesia. Pagavam-se rodadas e mais rodadas de cerveja. Mas a espuma que pairava no ar, não era a da cerveja dos muitos copos que se bebiam ou dos que ficavam cheios, rejeitados em cima do balcão, era outra a espuma, era outro o éter que as conversas destilavam, entre meias palavras e entre grupos que se faziam e desfaziam, no leva e traz de quem vai despejar a bexiga. Sentia-se que a coisa estava dividida! No meio da confusão de quem apoia a quem, pressentia-se que o PSD estava mais fragilizado do que habitualmente e que o Partido da Terra viera baralhar as contas a uns e outros. Uma incógnita das grandes!
Contados os votos, o povo, mais esclarecido, ou mais alienado, disse o que queria. Se não o disse claramente, foi porque não o quis dizer, o que também quer dizer alguma coisa. Expressou a sua vontade e cada um ficou com um pedaço da manta que, como sempre, não estica: ou tapa os pés ou a cabeça.
Terão agora os eleitos que entender o que o eleitorado disse nas entrelinhas.
Confesso que tenho assistido com alguma expectativa à catadupa de acontecimentos em redor da acomodação no poder. Tranquiliza-me a convicção que tenho de que, apesar da poeira que ainda paira no ar, das feridas por sarar e das diatribes da campanha que alguns tardarão em esquecer, «maioria» e oposição saberão ultrapassá-las com elevação, com sentido da causa pública e do interesse municipal. É assim que sempre procedem as sociedades civicamente evoluídas.
Bem sei que já há quem se posicione para daqui a 4 anos, mas ninguém pense que ganhará o que quer que seja com jogadas precipitadas ou irreflectidas, a tanto tempo de distância. Ganhará, isso sim, quem for mais forte e mais inteligente, atributos que se demonstram na prática da acção política, nas opções e posições assumidas e quantas vezes na recusa da pressão dos aparelhos partidários e dos interesses particulares.
Quem ganha sem maioria terá que ter a humildade de dialogar, chegar a entendimentos duradouros, sob pena de não conseguir garantir a governabilidade e se fragilizar ainda mais. Mesmo quando se ganha com maioria há que ser magnânimo e respeitar as oposições.
Quem perde tem também que assumir as suas responsabilidades. Não há vitórias morais: ganha-se ou perde-se. E quem perde não pode querer o poder para si.
Quem ganha sem maioria sabe o que o espera: que a oposição, se quiser, pode emperrar o exercício do poder. E uma situação pantanosa que perdure será prejudicial ao Sabugal, numa altura do quadro comunitário em que todas as energias devem estar concentradas no desenvolvimento de novos projectos. Um presidente e uma câmara que desperdicem o tempo e as energias a resolver os litígios do poder, dificilmente poderão ter um bom desempenho. Por certo que os sabugalenses não querem que isso aconteça, desejarão antes que a sua câmara os governe com justiça e saber e esteja na primeira linha do combate aos muitos problemas com que o Sabugal, como todo o interior, se debatem.
Não haverá outro caminho, e braços de ferro dão quase sempre mau resultado, designadamente para quem os levanta.
Sempre admirei a forma raçuda como o raiano sabugalense encara a vida do dia e dia e as suas dificuldades. Mais admiro o seu orgulho e a defesa que faz das tais especificidades. Como dizia há dias o Antoine das trutas: isto é como ao forcão, temos que lhe pegar todos juntos!
Ao forcão rapazes!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

A edição do romance Celestina, do etnógrafo Joaquim Manuel Correia, da Ruvina, entrelaçando a vida raiana da nossa região, sugere-nos uma breve meditação sobre o amor e a morte.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalCoisas do tempo, criando cenários propícios à ficção romanesca. Temos aí três óbvios exemplos das gestas de coragem e de ousadia entrelaçando com as saudades e as frustrações do amor. Por ordem cronológica: A Rosa da Montanha, o Celestina (se bem que longamente inédito) e o Maria Mim.
Em todos os romances as aventuras guerrilheiras (ao fim e ao cabo, a prática do contrabando era uma espécie de guerrilha…) e a procura da donzela, ao gosto romântico. Em A Rosa da Montanha, duas donzelas, Laura (a Rosa), a Florinda, a quadrazenha, que, ferida e mal ferida de amor, vem a ser a verdadeira heroína do romance; no texto de Joaquim Manuel Correia, Celestina e, no Maria Mim, a própria, morrendo de amor, ou sobre o amor frustrado adormecendo, cansada e destruida, num verde tapete de relva do arraial da Senhora da Póvoa.
Joaquim Manuel Correia aproveitou da sua informação etnográfica para construir um texto muito diferente dos de Carvalho e de Montemor. Com efeito, e conforme escreveu Fernando da Silva Coreia, «o romance é recheado de notas etnográficas e costumes já esquecidos, surpreendendo-se nele conversas, linguagem, cenas familiares e rurais, episódios políticos e religiosos… que o autor colheu com a máxima fidelidade». Dir-se-ia que Celestina foi um exercício pelo qual o autor ensaiou a transposição da colheita etnográfica para a obra de arte literária, repleta também, não apenas do pitoresco, mas da análise psico-social e da escultura do perfil das nossas gentes.
CelestinaO capítulo 55, único que ainda pudemos ler em texto impresso, resulta num admirável painel da religiosidade popular e do significado de Nossa Senhora da Póvoa para os povos da Raia, por isso também motivo no Maria Mim de Nuno de Montemor. O pitoresco, o colorido dos cortejos de carros de bois engalanados com colchas, transportando mães e filhas para a romaria, a animação profana e religiosa durante o tríduo festivo (Domingo, segunda e terças-feiras de Pentecostes) prende a nossa imaginação e sensibilidade. A Senhora da Póvoa foi o santuário mariano por excelência da região. O culto terá começado lá por fins do século XVIII, quando dois pastorinhos encontraram, escondida numas silvas, uma imagem de Nossa Senhora que o povo de Vale do Lobo moveu para a igreja onde pouco tempo esteve, pois se deu o fenómeno de a imagem ter voltado para o silvado. Do ponto de vista das «imagens milagrosas» (aparecidas) esta é apenas uma das dezenas com semelhantes histórias já contadas por Frei Agostinho de Santa Maria. Fosse como fosse, logo em 1802 foram erigidos os cruzeiros, assinalando um novo santuário, cuja capela foi construída em 1874. O sítio atraiu os fiéis, mas também os queixosos de doenças do fígado que se sentiam melhores bebendo água da fonte do santuário. Não sabemos se a imagem antiga ainda se conserva, mas o cancioneiro noticia a existência de duas, a velha e a nova, como se cantava no refrão das Loas poveiras: «Nossa Senhora da Póvoa / Viva a velha / Viva a nova!»
E com isto chegamos ao ponto em que seria lógico começar, indagando quem é a Celestina, que dá o nome ao romance de fundamentação histórica e geograficamente bem definida. No contexto dos episódios da última guerrilha carlo-miguelista, Celestina é uma bonita e educada jovem, filha oculta de um padre que, todavia, revelou a sua existência ao seu bispo. Celestina apaixonou-se por Benito, um carlista castelhano, que vivia oculto na região do Sabugal, e que os acidentes da vida não lhe consentiram dar a felicidade a Celestina, que veio a casar com outro, Alfredo chamado, que felicidade lhe não deu. No epílogo, Celestina e o marido têm ocasião de assistir a uma tourada, em Salamanca. Figura principal do cartaz era Benito, famoso toureiro. Foi este colhido, sem que Celestina o reconhecesse, mas o romancista conta que a última palavra pronunciada pelo toureiro, já no hospital, onde morreu, foi o seu nome: Celestina.
De novo as três infelizes donzelas de Riba Côa: Florinda, prometida a Tomás, mas que se apaixonou pelo estudante Eugénio, que amou sem ser amada, conforme ao entrecho de A Rosa da Montanha; Maria Mim, prometida ao Lareia e que deveio doente de paixão pelo alferes Marinho, que de todo a não merecia; e, agora, Celestina, doente de amor por Benito, e alfim casada com outro, e desfeita em lágrimas face à morte do amado intangido. O enquadramento histórico sustém a credibilidade dos factos e a verosimilhança das ficções, sempre úteis à arte do romance. Por saber fica se o retrato que idealizou da menina Celestina e que ilustra a capa da edição, corresponde apenas à imaginação do escritor. Pouco importa, todavia, para o caso.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

Editado este ano de 2008 pela Câmara Municipal do Sabugal, o livro «Celestina», de Joaquim Manuel Correia, é um romance histórico que retrata episódios da última guerrilha carlo-miguelista e que é sobretudo um testemunho etnográfico sobre as formas de vida das populações de antigamente.

Enquanto romance histórico, «Celestina» reporta à época das guerrilhas que na década de 70 do século XIX lutavam por restaurar o regime absolutista monárquico. Em Portugal os revoltosos queriam devolver o trono ao exilado D. Miguel de Bragança. Já em Espanha a coisa era mais dura com a luta pelo regresso do absolutista D. Carlos ao poder.
Na Raia portuguesa as duas guerrilhas ibéricas andavam de conluio por interesse táctico. Aos revoltosos portugueses interessava o apoio do forte exército carlista à causa que queria depor o Rei D. Luís. Aos guerrilhas espanhóis interessava a colaboração dos esconjurados portugueses na camuflagem de alguns agentes de D. Carlos, que aqui aguardavam o momento de passar á acção.
Foi neste contexto que o Padre João de Matos, pároco de Aldeia da Ribeira, cabecilha do movimento português no concelho do Sabugal, pediu ao seu colega padre Manuel que desse guarida a D. Benito, distinto oficial do exército carlista, que estava refugiado em Portugal.
Padre Manuel tinha uma filha, a que chamava sobrinha, de nome Celestina. Tinha apenas 15 anos, mas era muito formosa, a ponto de por ela se apaixonar D. Benito. Nasceu daqui um amor impossível, mas verdadeiramente profundo, o que trouxe imensos problemas ao bom padre Manuel, que queria a sua filha livre das garras do espanhol.
Mas mais do que um romance com enquadramento histórico, o livro é sobretudo um repositório de aspectos etnográficos do concelho do Sabugal. Expressiva é a descrição viva do que foram as Caldas do Cró no segundo quartel do século XIX. Uma estância termal e lúdica, onde as pessoas de teres iam curar-se ou retemperar forças, para ali se mudando durante semanas com as suas famílias. O episódio da pescaria no rio Côa, no açude do Lêndeas, é deveras expressivo. O Bogas e os filhos, experimentados pescadores, entram encarrapatos na água do açude, munidos de redes e de varapaus, e em breve enchem cestos de trutas e barbos para grande admiração dos banhistas do Cró que ali foram em passeio.
Ademais fala-se nas bicas, nos serões da aldeia, nos mercados, nas tabernas, nos variados trabalhos campestres e no que demais caracterizava, à época, a vida nas nossas aldeias. Os quadrazenhos estão sempre presentes, nas aldeias do concelho ou ainda que seja em terras longínquas, vendendo os produtos do contrabando, com sua peculiar expressão linguística.
Joaquim Manuel Correi é mestre na arte de narrar, não lhe escapando pormenores especiais, que condimentam qualquer história. Para exemplo, atente-se a este diálogo em linguagem vernácula, de um mulher com uma criança, querendo que esta lhe veja no livro dos baptizados a idade de alguém:
«- Ó Fresmina! Chama o vosso Gaudêncio, que há-de ler aqui o assento da filha da Ângela, ouviste?
– Ó Gaudêncio! – ouviu-se gritar a Maria Felismina.
Veio o rapaz e Anastácia acercou-se dele, dando-lhe nozes.
– Olha, tu já lês por cima?
– Já se senhora.
– Lê aí nesse livro e vê se achas o assento da filha da Ti Ângela, sim filho?
– Eu cá vejo.
O rapaz gastou uma hora ou mais a desfolhar o livro, procurando.
– Não está, tia Anastácia.
– Leste mal! Deixa cá ver – disse, nervosa, tirando-lhe o livro das mãos e abrindo-o, mas o rapaz desapareceu.
– Ó Gaudêncio, anda cá, não te esgueires.
– Ora! Eu nã no acho lá.»

O livro tem 503 páginas, algumas ocupadas com fotografias de Joaquim Manuel Correia e desenhos seus.
«Celestina» era um escrito inédito do autor das «Memórias sobre o Concelho do Sabugal». O texto foi cedido à Câmara por Natália Correia Guedes, neta do escritor, possibilitando a sua edição por ocasião dos 150 anos do nascimento do autor.
O livro pode ser adquirido no Museu Municipal ou na Casa do Castelo, no Sabugal.
plb

As comemorações dos 150 anos do nascimento do escritor ruvinense Joaquim Manuel Correia reservaram lugar na história do concelho do Sabugal. As cerimónias decorreram durante a manhã com palestras no Auditório Municipal e durante a tarde no Museu com o lançamento do romance «Celestina», um inédito que, finalmente, pode (e deve) ser lido por todos os sabugalenses. Extraordinário e preocupante foi o alheamento dos alunos e professores do Sabugal que primaram pela ausência e indiferença perante a qualidade e o valor indiscutível dos oradores presentes.

Joaquim Manuel CorreiaFoi uma jornada repleta de ensinamentos sobre a vida e obra de Joaquim Manuel Correia, a história do Sabugal e de Portugal.
Norberto Manso, pela «Sabugal+», Natália Correia Guedes, neta do homenageado, e Manuel Rito Dias, presidente da Câmara Municipal do Sabugal abriram as comemorações e deram as boas-vindas aos presentes.
Moderados pelo vereador António Robalo, natural e residente na Ruvina, participaram no primeiro painel João Serra (professor e historiador das Caldas da Rainha) com o tema «Os trabalhos de Joaquim Manuel Correia», mestre Jesué Pinharanda Gomes (pensador e filósofo de Quadrazais) com «Joaquim Manuel Correia: aspectos da sua vida e obra» e Manuel Leal Freire (poeta e escritor da Bismula) que falou de «Aspectos de uma família na Ruvina nos finais do séc. XIX».
O segundo painel foi constituído por Adérito Tavares (professor e historiador de Aldeia do Bispo) que resumiu «O País e o Sabugal: Enquadramento Histórico – 1858-1974» e Manuel Meirinho Martins (politólogo do Soito) finalizou com «O Sabugal de hoje».
No final o moderador António Robalo concluiu e encerrou os trabalhos da manhã lendo excertos de um texto que um ruvinense passou à prosa nas «Páginas Interiores» deste blogue. Aqui deixamos a excelência do seu pensamento e do seu sentir sobre a Ruvina: «Na Ruvina tomei consciência do mais importante da vida tendo aprendido a gostar das pessoas e a valorizá-las pelo que são. Quando falo da Ruvina as emoções assaltam-me e embarga-se-me a voz. O meu pensamento treme, quando falo da minha aldeia.
Foi na Ruvina que me cortaram o cordão umbilical, porque na altura não havia maternidades e tudo ficava longe. Foi aqui que aprendi a rir, a chorar, andar, a falar, a ler e a escrever.
Acredito como Rilke, que a nossa pátria é a nossa infância. A minha infância é a minha aldeia. A Ruvina sempre foi e será para mim uma lição de vida e por isso, sempre que posso retorno às origens. Em pensamento nunca a abandono e a ela regresso diariamente. A sua ausência é uma coisa que trago sempre comigo.»

Na parte da tarde decorreu no Museu Municipal a inauguração da exposição sobre o homenageado e a apresentação e lançamento do romance «Celestina».
Entre outros marcou presença o padre António Souta que levou consigo um exemplar autografado pela neta do escritor. Com aquela tranquilidade que lhe é peculiar confessou enquanto Natália Correia Guedes lhe autografava o exemplar de «Celestina»: «Quanto tinha que ir visitar uma freguesia do concelho lia primeiro o livro de Joaquim Manuel Correia, Memórias do Concelho do Sabugal, para melhor me preparar para a homília.»
Extraordinário e preocupante é a ausência de alunos e professores que muito teriam a aprender com todas as sábias apresentações de todos os conferencistas. Ou, então, é porque já sabem tudo…
(fim)
jcl

O historiador Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, deu no Auditório Municipal do Sabugal uma brilhante lição de História de Portugal. Muito lhe ficou por dizer apesar de o ilustre docente da Universidade Católica se ter limitado ao período em que viveu Joaquim Manuel Correia.

Adérito TavaresAdérito Tavares ilustrou a sua apresentação com imagens projectadas no grande ecrã do Auditório Municipal que ajudaram a melhor perceber o período conturbado de passagem da Monarquia para a República.
Como já tocou está na hora de entrar na «sala de aulas»…
«Vamos iniciar esta análise histórica na chamada segunda parte da Dinastia de Bragança onde reinaram D. Maria II (1834-53) e D. Pedro V (1853-1861) que assistiram entre 1851 e 1887 ao movimento político que procurou restaurar a tranquilidade em Portugal.
Em 1884 dá-se a Patuleia (revolução da Maria da Fonte) com o Duque de Saldanha (regeneração) a conseguir impor uma certa acalmia no País. Mas D. Pedro V morre em 1861, com apenas 24 anos, e D. Luís sucede ao irmão.
As freguesias do concelho do Sabugal apresentam no Censo de 1864: Aldeia da Ponte, Aldeia Velha e Alfaiates com mais de 1000 habitantes. Quadrazais com 1654 habitantes e Soito 1226 são as freguesias com mais habitantes. O Sabugal regista 1550 habitantes. A Ruvina com 180 habitantes e cerca de 180 habitantes (50 fogos) e Ruivós com 165 são as menos populosas.
Por essa altura aparece António Maria Fontes Pereira de Melo, o grande visionário que faz a modernização de Portugal no século XIX. Surgem o telégrafo, os correios (o primeiro selo em Portugal data de 1853 e regista a morte da rainha embora o selo postal já existisse desde 1840 em Inglaterra) e o telefone.
O surgimento do caminho-de-ferro vai dar o grande contributo para a modernização do País. Em 1856 é inaugurado o primeiro troço entre Lisboa e o Carregado. A Estação do Rossio é inaugurada a 18 de Maio de 1890 em conjunto com o túnel que ainda hoje existe.
Em 1879 foi inaugurada a Avenida da Liberdade por iniciativa de Ressano Garcia formado na escola de Paris.
A praça do Rossio recebeu, por essa altura, o edifício do Teatro Nacional de Almeida Garrett e depois rebaptizado de D. Maria.
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço foi construída após o terramoto de 1755. No centro, em lugar de destaque, a estátua de D. José alinhado com o arco da Rua Augusta que foi concluído no reinado de D. Luís.
Em 1855 (ano da morte de D. Luís) dá-se o ultimato inglês para impedir que Portugal una Angola a Moçambique. O poderio de Inglaterra face à fraqueza portuguesa impõe-se reivindicando a ligação entre a cidade do Cabo e o Cairo.
Quando o ministro dos negócios estrangeiros português pergunta ao homólogo inglês porque não respeitam a velha aliança este responde-lhe com a célebre afirmação: Não há alianças eternas. Eternos são os interesses de sua magestade.
Rafael Bordalo Pinheiro aproveita para caricaturar um catético Portugal que vive do passado perante a vitalidade da Inglaterra que reivindica a posse das colónias portuguesas.
Os republicanos culpam a monarquia do estado a que chegou Portugal e passam a governar em regime de alternância entre o partido progressista e o partido relativista. O Partido Republicano aparece, entretanto, para colocar em causa a alternância no poder entre os dois partidos. A República consolida a sua caminhada mas o Rei D. Carlos reage e confia a João Franco um governo de ditadura com o parlamento encerrado.
Joaquim Manuel Correia referencia nos seus escritos que o infante D. Manuel visitou o Sabugal em 1906.
Nesta época o país tem a população a crescer. As estatísticas indicam um aumento de quatro mihões para seis milhões de habitantes. Nas eleições apenas votam os cidadãos do sexo masculino.
O povo português é maioritariamente pobre e anda descalço. Portugal foi um povo de pé descalço quase até aos anos 60. O romance de Aquilino Ribeiro Quando os lobos uivam foi apreendido pela PIDE (Polícia Política de Salazar) porque o escritor afirma na obra que Portugal é um povo de pé descalço. Eramos um País de pobres e entre 1861 e 1910 para fugir a essa pobreza emigraram quase um milhão de portugueses.
Mas também havia riqueza. António Carvalho Monteiro, um dos mais ricos do País, era conhecido pelo Monteiro dos Milhões. Foi ele quem mandou construir a Quinta da Regaleira.
Os empresários Francisco Grandella e Alfredo da Silva (CUF) vivem nos fins do séc. XIX e princípios do séc. XX e através das suas iniciativas a indústria portuguesa dá os primeiros passos. Mas Portugal é um país rural. Seis em cada dez portugueses vivem da agricultura. A grande maioria dos agricultores vive para comer. Os registos desse tempo apontam a mortalidade infantil e a tuberculose como a principal causa de morte em Portugal.
A taxa de analfabetismo é grande nos anos 20 com cerca de 60 em cada 100 portugueses sem saberem ler nem escrever. Nesse tempo a educação significa poder, um poder exclusivamente masculino.
Em 1900 o Sabugal tem 89 freguesias, 33 mil habitantes dos quais 86 por cento são analfabetos.
Outro homem contemporâneo de Joaquim Manuel Correia é o dr. Sousa Martins que ficou ligado à cidade da Guarda tendo morrido, em 1904, vítima da tuberculose.
Os republicanos portugueses estão em ebulição e dá-se o regicídio em 1908. Por toda a Europa e em especial na imprensa francesa a morte do Rei D. Carlos é considerada um assassinato bárbaro. Recorde-se que a rainha era francesa. O funeral de D. Carlos é feito no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
D. Manuel é muito jovem mas os seus apelos à acalmia popular resultam apenas por dois anos. Liderada pelos militantes da Carbonária a proclamação da República faz-se da varanda da Câmara Municipal de Lisboa por José Relvas. O escudo, a bandeira e o hino (composto para protestar contra o ultimato inglês) transformaram-se em símbolos da República.
O republicano Afonso Costa é um anti-clerical. Também em Aldeia da Ponte havia um colégio jesuíta que foi fechado em 1910. A revista Ilustração Portuguesa desse tempo traz uma reportagem em que aparece o administrador-delegado do Sabugal a encerrar o colégio de Aldeia da Ponte.
Quando Portugal está mergulhado na I Guerra Mundial (Batalha de La Lys em 1918) dão-se os acontecimentos de Fátima.
É implantada uma nova ditadura em que a cara visível é Sidónio Pais assassinado após um ano de governação. Sucede-lhe António José de Almeida (1919-1923) tendo sido o único presidente que cumpriu o seu mandato na sua totalidade. em clima de grande estabilidade.
Entra em cena o jovem Salazar que, como ministro das Finanças, consegue eliminar o défice crónico do País.
No discurso de tomada posse como presidente do Conselho de Ministros aparece acompanhado por Duarte Pacheco (ministro das obras públicas) e António Ferro (imagem de Salazar). Ficou célebre a lição de Salazar: Deus, Pátria, Família (a trilogia da educação nacional). Nós queremos um estado forte. Votai a nova constituição’ podia ler-se no cartaz da Almada Negreiros encomendado pela União Nacional.»
A finalizar Adérito Tavares deixou, ainda, alguns dados sobre o concelho do Sabugal em 1930: «Casamentos, 351 e divórcios, 1. Nasceram 1323 crianças legítimas e apenas 3 por cento nasceram fora do casamento. A natalidade regista 34 por mil e a mortalidade 24 por mil.»
Brilhante lição de História protagonizada por Adérito Tavares que incidiu em especial sobre o período da vida de Joaquim Manuel Correia.
(continua)
jcl

Os painéis moderados pelo vereador António Robalo contaram com ilustres convidados sabugalenses da área da cultura e da história. O filósofo e pensador mestre Pinharanda Gomes, o professor e historiador Adérito Tavares, o escritor e poeta Leal Freire, o professor e historiador João Serra e o politólogo Manuel Meirinho.

João SerraO vereador António Robalo, natural e residente na Ruvina, abriu a palestra agradecendo à família de Joaquim Manuel Correia e a todos os participantes pela sua presença e fez a introdução ao primeiro palestrante o professor e historiador João Serra. Passamos ao resumo da sua intervenção:
«A vida de Joaquim Manuel Correia está dividida em duas partes» começou por dizer João Serra separando «uma parte entre 1858 e 1905 em que a vida se processa entre o Sabugal, Guarda e Coimbra e uma segunda metade 1905-1945 que decorre basicamente nas Caldas da Rainha e Óbidos. Peniche onde viveu entre 1888 e 89 mudou a história da sua vida. Aqui conheceu a sua mulher mas tiveram que ir viver para a Columbeira, Bombarral quando o sogro, médico, morreu.
Por essa altura deve ter conhecido os irmãos Bordalo Pinheiro. Um grupo de rendilheiras (renda de bilros) de Peniche eram orientadas por Augusta Bordalo Pinheiro e na edição da obra do escritor sabugalense encontramos um desenho que representa o escritor (com a nota «precisa de ser melhorado») feito por Rafael Bordalo Pinheiro e datado de 26-9-1889.
Entre 1905 e 1945, Joaquim Manuel Correia estabeleceu-se nas Caldas da Rainha, na Praça Maria Pia, (Praça da República depois de 1910) e passou a residir na Rua Nova que foi rebaptizada de Rua Rafael Bordalo Pinheiro. Tinha um percurso intelectual e percebeu-se, localmente, que não era uma pessoa qualquer. Em 1907 o Partido Republicano das Caldas convidou-o para uma paletra que teve um enorme êxito e em Novembro de 1908 o partido convidou-o a encabeçar a lista à Câmara.
Foi Presidente da Comissão Republicana e o primeiro presidente republicano das Caldas da Rainha e administrador do concelho (representante do Governo).
Dois momentos marcantes – No dia 7 de Outubro de 1910 dirige-se a todos os habitantes do concelho para que colaborem na concretização da implantação da nova ordem, a República Portuguesa, proclamando o fim da monarquia e aclamando o progresso de um novo regime assente na razão e nos operários da razão que são capaz de ir além da religião porque é necessário separar o Estado da religião.
Um levantamento popular invade o convento franciscano e dá ordem prisão dos frades. Considerou, como administrador do concelho, não haver justificação e devolve aos frades as suas terras o que lhe causa alguns dissabores no partido republicano. Na sequência de um conflito entre o professor e o padre na freguesia de Santa Catarina o edifício público da escola foi apedrejado. Outubro era o mês do rosário e o início do ano lectivo. O administrador do concelho, Joaquim Manuel Correia, foi chamado a intervir e fez então um apelo histórico: todos têm direito à sua fé mas o fanatismo é prejudicial à estabilidade social.
Um depois demitiu-se e não mais regressou à vida política activa.
Foi fundador da «Gazeta das Caldas» e fez parte da rede de sábios dos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX. A acumulação de saberes locais levou a proferir um dia uma frase lapidar. «A unidade de Portugal é feita de enorme riqueza de diversidades regionais.»
(continua)
jcl

As comemorações dos 150 anos do nascimento de Joaquim Manuel Correia organizadas pela Câmara Municipal do Sabugal e a empresa municipal Sabugal+ em colaboração com a família do autor arrancaram no dia 5 de Abril no Auditório Municipal do Sabugal com uma palestra e o lançamento editorial do romance inédito «Celestina» escrito em 1904. Completa-se assim a triologia de romances raianos, escritos nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX e que inclue a «Rosa da Montanha», de António José de Carvalho (1871) e «Maria Mim», de Nuno de Montemor, publicado em 1939.

Familia de Joaquim Manuel CorreiaAs comemorações dos 150 anos do nascimento de Joaquim Manuel Correia no dia 5 de Abril, no Auditório Municipal do Sabugal, foram abertas por Norberto Manso, presidente da Sabugal+ que deu as boas-vindas a todos os presentes.
«Estamos aqui para recordar o homem, a obra e alguns aspectos da vida do homenageado. Vamos ouvir durante a manhã as intervenções dos ilustres palestrantes convidados aos quais aproveito para agradecer a sua disponibilidade e na parte da tarde estamos todos convidados para o lançamento da edição do livro Celestina, um romance inédito de Joaquim Manuel Correia», salientou Norberto Manso no seu discurso de abertura finalizando com a apresentação da neta do autor, Natália Correia Guedes, a quem deu a palavra.
«É um dia muito importante para a família. A figura do meu avô não teria tido relevo se o seu filho Fernando Correia não tivesse contribuído para isso. A família sente-se muito honrada com a homenagem que a Câmara Municipal do Sabugal, a quem saudo na pessoa do seu presidente, lhe faz», começou por dizer Natália Correia Guedes recordando de seguida o percurso da família e do avô que «tinha paixão pela Ruvina, pelo Sabugal e de um modo geral pela Beira. Depois de se formar em Coimbra foi colocado no Litoral, em Peniche, teve uma breve estadia no Sabugal e voltou novamente ao Litoral para as Caldas da Rainha. Toda a minha vida houve um corte com o Sabugal. O regresso às origens deu-se agora com o regresso da família com o herdo da Quinta da Telhada na Ruvina. O meu avô emigrou para o Litoral e agora nós emigrámos para o Sabugal.»
A neta do escritor considerou ainda que a interioridade é qualidade de vida e descoberta para as novas gerações do prazer do campo. «As gerações urbanóides nunca ouviram matar um enxame de abelhas nem um javali bater à porta», poetizou.
«Felicito-vos por todos aqueles ficaram e que nos transmitem. Já começámos a recuperar as casas e os moinhos da quinta e tivemos o prazer de conhecer novos primos que não sabíamos que existiam. Queria agradecer em especial à Irmã Felicidade que nos recebeu no Colégio de Cristo-Rei, na Ruvina, como se fosse a nossa casa. É nosso desejo que actas desta conferência sejam publicadas em breve», disse a terminar.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, tomou a palavra para dar as boas-vindas, em nome do município, a todos os prelectores e à família do homenageado.
– Um concelho sem história não pode ter futuro! Não há dúvida que o autor escreveu o livro das memórias para que o castelo e o Sabugal nunca fosse esquecido. Joaquim Manuel Correia amava o concelho e pretendia acima de tudo dá-lo a conhecer. Conheci «pessoalmente» o autor ruvinense no Liceu da Guarda pelo livro Terras de Ribacôa apesar de ser muito difícil de consultar porque estava esgotado em todo o lado. Recordo que em 1988 o município sabugalense reeditou o livro. Em boa-hora, acrescento!
O presidente aproveitou, ainda, para destacar o «seu» concelho…
– Há algum tempo atrás fiquei a saber de um romance sem título definitivo que falava sobre os usos e costumes da nossa região. A família mostrou a sua disponibilidade para conversar e estamos em condições de afirmar que, por protocolo, houve uma cedência dos direitos dos livros Terras de Ribacôa e de Celestina a favor do património municipal. O concelho do Sabugal sendo um concelho do Interior é esquecido porque não aparece nas televisões mas… somos um concelho com muita qualidade de vida.
O período introdutório das comemorações terminou, assim, com a intervenção de Manuel Rito Dias, presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

(Continua.) (Este trabalho de reportagem, dividido em seis partes, obrigou a uma preparação cuidada e vai ser publicado por fases e de acordo com a disponibilidade temporal do autor. A sequência completa e seguida pode ser lida na categoria «Cultura» / «Joaquim Manuel Correia».)
jcl

Homem de cultura e etnógrafo, jurista de profissão, Joaquim Manuel Correia nasceu em 1858, na Ruvina, concelho do Sabugal. No dia 5 de Abril terão início as comemorações dos 150 anos do seu nascimento com diversas iniciativas no Museu e Auditório Municipal do Sabugal.

Joaquim Manuel CorreiaAs comemorações da passagem dos 150 anos do nascimento de Joaquim Manuel Correia arrancam no sábado, 5 de Abril, organizadas pela empresa municipal «Sabugal+», Museu Municipal e Câmara Municipal do Sabugal.
A sessão de abertura (nove horas da manhã) está marcada para o Auditório Municipal, com as intervenções do presidente do município sabugalense, do presidente do conselho de administração da «Sabugal+» e de Natália Correia Guedes, neta do homenageado.
As palestras da manhã, com a participação de ilustres intervenientes, serão preenchidas com a sapiência de João Serra (Os trabalhos de Joaquim Manuel Correia), mestre Pinharanda Gomes (Aspectos da vida e obra de Joaquim Manuel Correia), Manuel Leal Freire (A vida de uma família na Ruvina nos meados do século XIX), Adérito Tavares (O país e o Sabugal – Enquadramento Histórico – 1858-1974) e Manuel Meirinho Martins (O Sabugal de Hoje).
Da parte da tarde, pelas 16 horas, será inaugurado no Museu do Sabugal uma exposição comemorativa e terá lugar uma sessão de lançamento do livro «Celestina» de Joaquim Manuel Correia.

Joaquim Manuel Correia nasceu a 21 de Março de 1858 na freguesia da Ruvina, concelho do Sabugal. Formou-se em Direito no ano de 1888 na Universidade de Coimbra e veio a falecer nas Caldas da Rainha no dia 10 de Outubro de 1945.
Exerceu como advogado no Sabugal e nas Caldas da Rainha, foi conservador do Registo Civil de Leiria e presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha.
Homem de cultura é autor de vários livros sobre as gentes e as terras raianas com destaque para «Terras de Ribacôa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal». Alguns dos mais importantes achados arqueológicos do Sabugal foram por si recolhidos, catalogados e enviados para o Museu Nacional de Arqueologia.
Aqui deixamos aos nossos leitores um excerto do livro «Celestina»:
«O dia estava belo e tudo preparado para a romaria. Todos os casados desse ano, da aldeia de Ruvina, no concelho do Sabugal, estavam já prontos para a partida, uns a pé, outros a cavalo. A família Calamote resolveu ir de carro (de bois), que ficara armado na véspera com alvos lençóis de linho, ligados fortemente aos estadulhos. Faltava só cobri-los com colchas. Sobre isso houvera divergências em casa. A Brízida queria que se enfeitasse o carro com uma colcha amarela, as filhas com uma linda colcha bordada a frouxo, em pano de alvíssimo linho, embora grosseiro, na qual, entre ramos caprichosos, havia correctas figuras em posições extravagantes.
Venceu a Brízida, alegando, e com razão, ser mais vistosa a colcha amarela e que, ainda que se estragasse, havia muitas iguais à venda.
Resolvida desse modo tal contenda, teve o ganhão ordem de cobrir o carro com a coberta amarela, logo que nascesse o sol, e de lhe estender dentro os melhores cobertores para atenuar o choque e a trepidação na
marcha. Eram sete horas da manhã quando a Domingas e o marido foram saber se já estavam prontos.
– Vou já vestir as meninas e encher as cuncas de merenda, enquanto o ganhão põe os bois no carro e o meu homem enche a borracha de vinho e albarda a égua nova.
– Não sabia que tinham uma égua nova!
– Pois temos, trocámos pela russa e vamos hoje experimentá-la à Senhora da Póvoa.»

Excelente iniciativa com ilustres intervenientes. Um momento superior de cultura e de defesa da nossa história.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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