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A reforma administrativa do território poderá conduzir a uma substancial perda de freguesias nos distritos da Guarda e de Castelo Branco por força das agregações propostas pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Apenas Manteigas mantém intacta a sua estrutura administrativa do território.

Penamacor pode perder três freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Penamacor, passando o mesmo para nove freguesias, menos três do que as que possui actualmente.
Pedrogão de São Pedro junta-se à Bemposta, passando a formar uma única freguesia.
A outra união prevista é a que reúne as freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires, que passam a ser uma só.
A proposta mexe na única freguesias com menos de 150 habitantes, a Bemposta, que a UTRAT agrega a outra freguesia. Mas a proposta vai mais longe e, cumprindo os critérios legalmente definidos, aponta-se para a redução de três freguesias.
A Assembleia Municipal de Penamacor pronunciou-se contra a reorganização administrativa do território do concelho, não propondo a agregação de qualquer freguesia.

Manteigas não vai perder freguesias
O concelho mais pequeno do distrito da Guarda, mantém as quatro freguesias que o compõem, ainda que duas delas se situem na própria malha urbana da sede do Município.
Nenhuma das freguesias do concelho de Manteigas tem menos de 150 habitantes, além de que a lei da reorganização administrativa não obriga à redução de freguesias em municípios que têm quatro ou menos freguesias.
Face a estes factos a UTRAT entendeu não promover qualquer agregação, tanto mais que o próprio Município não expressou essa vontade.
A Assembleia Municipal de Manteigas pronunciou-se através da aprovação de uma moção em que lamentou a lei de reforma administrativa pelo facto da mesma não promover a transferência de freguesias entre municípios.
Assim sendo, em Manteigas vão manter-se inalteradas as freguesias de Santa Maria, São Pedro, Sameiro e Vale da Amoreira.

Almeida pode perder 13 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Almeida que implicarão que passe a ter apenas 16 freguesias, menos 13 do que as que possui actualmente.
Azinhal junta-se a Peva e a Valverde.
Junça e Naves passam a formar uma só freguesia.
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova também se agregam numa só.
Castelo Mendo, Ade, Monte Perobolso e Mesquitela serão igualmente agregadas.
Amoreira, Parada e Cabreira é outra das agregações em Almeida.
Miuzela e Porto de Ovelha também passam a uma só freguesia.
Malpartida e Vale de Coelha também se unem.
A proposta da UTRAT mexe em todas as 16 freguesias do concelho de Almeida com menos de 150 habitantes, provocando uma redução de 13 freguesias, número muito maior do que aquele que a lei obrigaria, pois aplicando os critérios legais este município apenas teria de perder, no máximo, sete freguesias.
Porém o facto de a mesma lei impor que em nenhum município poderão restar freguesias com menos de 150 habitantes determinou a proposta que a UTRAD aponte para um maior número de agregações.

Concelho da Guarda pode perder 12 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT vai de encontro ao parecer emitido pela Assembleia Municipal da Guarda, o que implicará que o concelho passe a ter apenas 43 freguesias, menos 12 do que as que possui actualmente.
As três freguesias localizadas no perímetro urbano da cidade da Guarda (Sé, São Vicente e São Miguel) ficam a constituir uma só freguesia.
Adão e Carvalhal Meão também se unem.
Gonçalo e Seixo Amarelo seguem o mesmo caminho.
São Miguel do Jarmelo e Ribeira dos Carinhos passam a uma só freguesia.
São Pedro do Jarmelo e Gagos irmanam-se igualmente.
Avelãs de Ambom e Rocamondo também ficarão agregadas.
Corujeira e Trinta passam a uma só freguesia.
Misarela, Pero Soares e Vila Soeiro também se juntam.
Pousade e Albardo reúnem o seu território.
Rochoso e Monte Margarido agregam-se também.
O caso da Guarda é um dos poucos na região em que a proposta da UTRAD vai inteiramente de encontro à pronúncia que a Assembleia Municipal fizera acerca do processo.

Belmonte pode perder uma freguesia
O concelho de Belmonte perde uma só freguesia, de acordo com a proposta formulada pela UTRAT, o que fará com que o concelho passe a ter quatro freguesias.
A própria cabeça do Município junta-se ao Colmeal da Torre, passando a formar uma só freguesia, o que melhora a dimensão demográfica de Belmonte enquanto sede.
As freguesias de Maçainhas, Inguias e Caria permanecem inalteradas.
A Assembleia Municipal de Belmonte não se pronunciou, limitando-se a fazer chegar à Assembleia da Republica as posições tomadas pelo Município e pelas assembleias de freguesia, que se mostraram contrárias a qualquer redução do número de freguesias no concelho.
plb

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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaCastelo Mendo é mais uma das Aldeias Históricas com que me comprometi em «La Ruta de los Castillos». Outro marco histórico, defensor da fronteira, guardião do Côa que, não tendo perdido imponência, terá sido vítima de algum abandono dos homens e das épocas. O facto não lhe retirou, no entanto, a dignidade merecida, como muralhado defensor das suas terras e das suas gentes, ideia que venho repetindo ao longo deste trabalho mas que não deixa de ser justo continuar a fazê-lo.

Castelo Mendo - Ruta de los Castillos

CASTELO MENDO

Ó Castelo Mendo sempre vigilante
Da Raia beirã, em Dinis reerguida.
Rei qu’em Alcanizes te fez doravante
Português altivo em defesa constante
Mas a tua história de longe vivida.

Cabeço granítico, ó Castelo Mendo,
Rodeando vale Côa, tu foste Fronteira
Vens do neolítico, e gótico sendo
Também castro foste, romano vivendo
Em ti se criou no reino uma feira.

Esta por D. Sancho em foral concedida
Mendo, Alcaide à época, a carta assinou
Seu nome o último ao foral deu vida
Três vezes no ano feira concedida
“Meenedus Menendi”, seu nome ficou.

Na Porta da Vila, em arco quebrado
Divinas figuras, aqueles “berrões”
«O ex-libris» da aldeia respeitado
E o poeta rei, D. Dinis lembrado
Na torre de Menagem e dois torreões.

1ª Feira Franca nos leva então
Ao século treze, quando ela criada
E para defesa desta povoação
El-rei se dedicou a uma construção
Da dita primeira cintura muralhada.

Ó Castelo Mendo, foste de coragem
De perdas sofridas, ao longo da vida
No livro das fortalezas, passa essa mensagem
De triste abandono, esmorecida tua imagem
Mas resististe a napoleónica corrida.

Teu fim de pedra, de pedras feito
Sofreste horrores em grossa medida
Monumento Nacional a que tens direito
Registado teu nome, teu caminhar perfeito
Não perdeste assim dignidade merecida.

E no teu Penedo lamúrias lançadas
Quantos ais não foram já dados aí
Fazendo as curas das tuas flores leitosas
Lembram-nos milagres como o das rosas
Fico assim feliz, por mim e por ti.

A minha homenagem a Castelo Mendo.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

A aldeia histórica de Castelo Mendo, no concelho de Almeida, vai receber de novo uma feira medieval, prevista para os dias 30 de Abril e 1 de Maio.

A iniciativa, surge, à semelhança dos anos anteriores, pela mão da Câmara Municipal de Almeida, que assim pretende divulgar o valor histórico desta vila medieval, que foi durante largos séculos cabeça de concelho e que chegou a estar, por 15 anos, integrada no concelho do Sabugal, aquando da reforma autárquica de 1855 que extinguiu e fundiu um largo conjunto de municípios.
Do programa consta uma feira com figurantes trajando à época medieval, prevista para o dia 1 de Maio, o que recriará a imagem da antiga vila acastelada em dia de mercado e de festim. A anteceder a feira, na noite de 30 de Abril, terá lugar uma ceia medieval, com a recriação histórica de um banquete do tempo antigo, quando príncipes, alcaides demais senhores feudais, acorriam às vilas para conviverem e se divertirem. As inscrições para a ceia estão porém limitadas a 80 pessoas.
A organização da feira de Castelo Mendo espera que muitas centenas, senão milhares, de pessoas acorram à antiga fortaleza sobranceira ao rio Côa, onde dezenas de comerciantes instalarão as suas bancas e tendas com produtos artesanais, velharias, produtos da gastronomia tradicional e o vinho bom que alegra os espíritos nos dias de festa.
As feiras medievais tornaram-se, progressivamente, numa forma de valorizar e dar vida a aldeias e vilas históricas que hoje quase jazem esquecidas no interior de Portugal, ligando a sua importância histórica ao gosto de conhecer e visitar os recantos do nosso património antigo.
Nos mesmos dias da feira de Castelo Mendo teremos feira medieval em Almodôvar, no Alentejo, seguindo-se a de Monsanto (6 a 8 de Maio), da Batalha (15 de Maio), de Mértola (19 a 22 de Maio), de Elvas e de Vila Verde (de 20 a 22 de Maio), de Leiria (21 e 22 de Maio), de Machico e de Alhos Vedros (de 3 a 5 de Junho), de Coimbra, Monte Real e Oliveira do Bairro (de 9 a 12 de Junho), de Vouzela (17 de Junho), de Oleiros e de Terras de Bouro (18 e 19 de Junho), de Linda-a-Velha (25 e 26 de Junho), de Sintra (9 e 10 de Julho), de Óbidos (de 17 a 24 de Julho), de Idanha-a-Nova (de 27 a 31 de Julho), de Alter do Chão (de 29 a 31 de Julho), de Santa Maria da Feira (de 28 de Julho a 7 de Agosto) de Silves (de 6 a 14 de Agosto), de Penha Garcia (de 9 a 11 de Agosto), de Aljubarrota e Vila Pouca de Aguiar (de 12 a 14 de Agosto).
plb

Foi no passado fim-de-semana, solarengo como já não se via este ano que decorreu mais uma «Feira Medieval» na Aldeia Histórica de Castelo Mendo com o cunho da Câmara Municipal de Almeida e participação da Junta de Freguesia de Castelo Mendo.

Começou por ser uma feira anual de fumeiro e enchidos só no exterior da aldeia.
A partir de 2006 passou a denominar-se de Feira Medieval e a ocupar o interior e exterior trazendo animação de rua e espectáculos de encenação medieval.
Este ano foi um sucesso a afluência de pessoas foi elevadíssima. Segundo os populares todos os anos a vinda de público aumenta.
No percurso das barracas dos tendeiros espalhados pelas ruas encontrava-se uma de venda de enchido que tinha expostos inúmeros artigos onde se destacava o Bucho Raiano. O que prova que o bucho já no tempo de dom João I era uma iguaria, digo eu. Após conversa com Paulo Manso do Cabo, o proprietário desta tenda, este informou-me que fez uma pequena fábrica de raiz para a produção de enchidos e salsicharia em Pínzio, no concelho de Pinhel, de nome «A Lareirinha».
O Bucho Raiano está vivo e bem vivo.
Terras Saraiva

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


Clique na imagem para ampliar

Data: 11 de Abril de 2010.

Local: Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida.

Protagonista: Paulo Manso, produtor de buchos de Pínzio, concelho de Pinhel.

Autoria: Paulo Saraiva.

Legenda: Janelas históricas de oportunidades em Almeida. O Bucho (feito «a duas mãos… cheias de sangue» como dizia a minha avó) em destaque na Feira Medieval de Castelo Mendo. Há produtores e… produtores! E nos concelhos de Almeida, Pinhel e Guarda parece que tem havido um grande investimento na produção e… PROMOÇÃO do bucho. Viva o Bucho!
jcl

Recriação de uma feira medieval na Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida. Reportagem dos jornalistas Sara Castro e Sérgio Caetano da LocalVisãoTv Guarda.

Local Visão Tv - Guarda
Vodpod videos no longer available.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

A aldeia histórica de Castelo Mendo, no concelho de Almeida, recebeu este fim de semana uma feira medieval que recriou aspectos do passado e atraiu centenas de visitantes.

Feira Medieval em Castelo Mendo - AlmeidaO evento que proporcionou uma viagem ao século XVI foi promovido pela Câmara Municipal de Almeida, com o apoio da Junta de Freguesia de Castelo Mendo e a colaboração dos Agrupamentos de Escolas de Almeida e Vilar Formoso.
Mais de cem figurantes recriaram o ambiente medieval com cavaleiros, bobos, jograis, monges, damas, nobres, bruxas, mendigos, saltimbancos, acrobatas e malabaristas, para gáudio de visitantes e residentes.
jcl (com agência Lusa)

Nos anos 50 e 60 do século XX, Portugal viu escaparem-se-lhe quase 2 milhões dos seus filhos e o Interior foi-se despovoando. Uns vieram para as grandes cidades do Litoral, outros partiram para Franças e Araganças. O concelho do Sabugal, por exemplo, perdeu, entre 1950 e 1970, 56 por cento dos seus habitantes. Aldeias houve, como por exemplo Quadrazais, que ficaram sem dois terços da população.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaUns voltaram, outros não. Mas o Portugal que deixaram, quando passaram a raia a salto, desapareceu. As aldeias do Centro e do Interior norte são hoje sombras do que eram há quarenta ou cinquenta anos atrás. Perderam gente, perderam tradições, perderam cultura, perderam alma. Visitamos terras lindíssimas, como Monsanto, Sortelha, Linhares, Piódão, Castelo Mendo, Marialva e que vemos? Pedras, sobretudo pedras. As gentes, que é quem dá vida às pedras, estão em vias de extinção. As poucas que ficaram estão velhas e vivem das magras pensões ou de um escasso e esporádico turismo. Abrem-se lares da terceira idade e fecham-se escolas. O mato cresce por todo o lado, a agricultura morre, o País tradicional agoniza.
Marialva é a imagem mais viva deste fenómeno de desertificação do Interior. Em poucos lugares do País podemos sentir a mesma emoção que em Marialva. Dentro das suas muralhas encontramos o castelo, a igreja, o cemitério, a Domus Municipalis, o tribunal, a cadeia, o pelourinho, casas sem tecto. Mas não encontramos ninguém, porque Marialva é uma vila fantasma. Dizem as lendas que sofreu a maldição da moura Maria Alva! Foi completamente abandonada pela sua população, que acabou por fundar uma nova Marialva cá em baixo, no vale. Caminhamos melancolicamente naquela ruína silenciosa, nobre no seu abandono, coberta de musgo, hera e silvas e, involuntariamente, visualizamos um país quase inteiro.

«Georges! anda ver meu país de Marinheiros,/ O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!/ Oh as lanchas dos poveiros/ A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!/ […] Senhora Nagonia!/ Olha acolá/ Que linda vai com seu erro de ortografia… […] Senhora Daguarda! […] Maim de Jesus! […] Senhor dos Navegantes!/ Senhor de Matusinhos!/ Os mestres ainda são os mesmos dantes:/ Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,/ Mailos quatro filhinhos,/ Vascos da Gama, que andam a ensaiar… […] Georges! anda ver meu país de romarias/ E procissões!/ Olha essas moças, olha estas Marias!/ Caramba! dá-lhes beliscões!/ Os corpos delas, vê! são ourivesarias!/ […] Tira o chapéu, silêncio!/ Passa a procissão/ Estralejam foguetes e morteiros./ Lá vem o Pálio e pegam ao cordão/ Honestos e morenos cavalheiros./ […] Que linda e asseada vem a Senhora das Dores!»

Este Portugal, o país de António Nobre, está prestes a desaparecer. É preciso correr, e olhá-lo demoradamente, para o gravar na memória antes que se transforme numa enorme, desolada e melancólica Marialva.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Foi uma história bem contada aquela que nos conduziu até às aldeias bem antigas do nosso Portugal ainda desconhecido, como Castelo Mendo, Almeida, Sortelha e Aldeã del Bispo, já em território espanhol.

Passeio Todo-o-TerrenoA aventura, porque foi disso que se tratou, já que muitos dos quilómetros foram percorridos fora de estrada e em veículos 4×4, começou bem cedo em Fátima num sábado a ameaçar chuva, mas não passou disso mesmo.
Miúdos e graúdos, enfim, toda a família como é timbre destes passeios da «Tracção Total de Fátima» num total de 80 participantes distribuídos por 28 veículos todo-o-terreno rumaram ao norte mas bem lá para o interior por entre vales e serras com paisagens deslumbrantes que só os 4×4 nos podem proporcionar.
A anteceder a visita a Castelo Mendo, uma aldeia histórica do século XII, outrora concelho, e que veio a ser declarada monumento nacional no ano de 1946 em conjunto com o seu castelo medieval construído no século XIII por D. Dinis, toda a caravana montou arraiais num parque de merendas ali bem próximo e era chegada a hora do piquenique, entenda-se almoço.
O sol deu o seu contributo ao convívio onde não faltou animação e o habitual partilhar de saborosos petiscos, onde imperou o tradicional coelho à moda da Ortiga, sobremesas, café, tudo bem regado, pois claro, com o tinto cá da região.
Terminada a visita à Aldeia de Castelo Mendo, e por trilhos fora de estrada lá chegamos a Almeida para uma outra visita, agora ao Centro Histórico onde se destaca o Castelo, o antigo convento de Nossa Senhora do Loreto, actual igreja matriz e a Fortaleza que teve importante papel defensivo do território Nacional a partir do século XVI. Foi só em 1927 que perdeu a função de praça de guerra.
Retomados os trilhos, lá seguimos entre paisagens agrestes rumo ao desconhecido. É que, ao pararmos numa pequena aldeia e sem que disso a caravana se tivesse apercebido (excepção à organização), alguém perguntou a uma senhora onde estávamos. «En España! En Aldea del Bispo», respondeu «e vivo aqui há muitos anos, mas sou portuguesa e com muito orgulho».
A noite estava a cair, eram horas de rumar a Vilar Formoso para o jantar, muito bom, e alojamento em hotel de óptimas condições.
Para este dia a organização tinha reservado um passatempo interessantíssimo que ocupou grande parte do tempo. Era necessário preencher um questionário que incluía perguntas sobre pontos de visita e de passagem. Um outro questionário, que veio a revelar-se fatal para os participantes, incluía perguntas sobre o código da estrada. Uma reciclagem ao código não fazia mal a ninguém. À noite após o jantar foram anunciados os vencedores. Uns contemplados com viagens e outros com a oferta da anuidade das quotas de sócio.
Segundo dia de aventura, um domingo com céu cinzento, mas sem chuva e pouco frio. Como o previsto, a meio da manhã chegámos ao Convento de Nossa Senhora de Sacaparte e Cruzeiro que fica a dois quilómetros da freguesa de Alfaiates, concelho do Sabugal.
Do conjunto fazem parte alpendres onde se realizavam feiras, ruínas do Convento, igreja, chafariz, cruzeiro e fonte de mergulho. Anualmente realiza-se ali uma festa onde se juntam centenas de pessoas vindas de vários pontos do País. São festas afamadas.
Existem várias lendas sobre a origem do nome Sacaparte. Uma delas, dizem as «más línguas» que o nome se deve a que, como este caminho fazia parte da rota dos Caminhos de Santiago, os monges daqui sacavam logo parte do que os peregrinos levavam para Compostela, era o tributo que pagavam pelo alojamento.
E porque se tratava de um recinto propicio a festas, à volta de uns bolinhos e de um cálice de abafado, aconteceu um momento de animação musical com o Jó e o Lecas ao acordeão o Armando com o seu «ranhoso» transmitiram ali uma alegria contagiante que até permitiu um pezinho de dança.
Com passagem pelo Sabugal onde chegamos por trilhos, seguimos até à Aldeia Histórica de Sortelha, de fundação medieval datada do século XIII. Entre muralhas todas as casas foram recuperadas em respeito pelo seu traçado medieval e também aqui se encontram algumas infra-estruturas de apoio, como bares, restaurantes, casas de alojamento, enfim um espaço muito agradável e a convidar para uma outra visita mais pormenorizada.
Após um almoço delicioso servido ali mesmo entre muralhas, e, com a caravana disposta a acabar com o licor de morango servido num dos bares, veio uma forte chuvada, para retemperar a viagem até Fátima.
Foi um passeio agradável, bem organizado, e deixou em todos o desejo de voltar embora que por outros caminhos, mas de certeza a valer a pena. Portugal é muito grande em história.
Como nota final, fica um agradecimento à organização, pelo excelente passeio que nos proporcionou, em particular, aos directores da «Tracção Total de Fátima», Ricardo, Lecas e Valter. Bem-haja.
José Vieira Gonçalves (Notícias de Fátima)

A aldeia histórica de Sortelha foi visitada por mais de 50 mil turistas portugueses em 2007 de acordo com os dados oficiais dos registos dos postos de turismo.

Os números oficiais dos mapas das visitas das 12 aldeias históricas de Portugal colocam Sortelha, no concelho do Sabugal, em primeiro lugar no número de turistas nacionais com 52.406 visitantes.
A vila amuralhada de Almeida registou 44.953 visitantes nacionais e 36.584 estrangeiros (dos quais 23.280 são espanhóis) alcançando em valores totais (81.537) o primeiro lugar.
O Capeia Arraiana teve acesso aos mapas dos postos de turismo das aldeias históricas com os registos do número de visitantes em 2007. Os dados indicam uma clara preferência dos turistas portugueses pela «nossa» aldeia histórica de Sortelha. Por outro lado poderá ser interessante apostar na promoção da região sabugalense junto de nuestros hermanos da região autónoma de Castilla y León:

MAPA DAS VISITAS ÀS ALDEIAS HISTÓRICAS – 2007

DADOS OFICIAIS DOS REGISTOS DOS POSTOS DE TURISMO
ALDEIA NACIONAIS ESTRANG. TOTAL
SORTELHA 52.406 13.895 66.301
ALMEIDA 44.953 36.584 81.537
BELMONTE 27.302 05.803 33.105
CASTELO MENDO s.d.d. s.d.d. s.d.d.
CASTELO NOVO 17.266 02.446 19.712
CASTELO RODRIGO 34.065 12.184 46.249
IDANHA-A-VELHA 14.479 02.309 16.788
LINHARES DA BEIRA 16.461 01.206 17.667
MARIALVA 07.889 00.624 08.513
MONSANTO 11.311 04.882 16.193
PIÓDÃO 15.545 01.272 16.817
TRANCOSO 29.198 03.122 32.320
 
s.d.d. – sem dados disponíveis
 

O castelo de Sortelha foi erguido em 1187 por ordem de D. Sancho I com o objectivo de observação e defesa. Porém, depois do Tratado de Alcanizes (1297), a aldeia perdeu alguma importância mas chegou a ser sede de concelho até 1855.
Em tempos medievais as habitações de Sortelha eram protegidas por uma muralha com uma torre de menagem. Passando a porta da muralha entramos num terreiro (Largo do Curro) e caminhando em frente, ligeiramente a subir, vamos ter ao Largo do Pelourinho que data da época quinhentista. A muralha tem uma outra porta a poente que liga aos cemitérios e à Igreja da Misericórdia e relativamente perto situa-se a Torre do Facho que protegia a Porta Falsa.
As 12 aldeias históricas são: Sortelha (no concelho do Sabugal), Marialva, Almeida, Linhares da Beira, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Piódão, Castelo Novo, Monsanto, Idanha-a-Velha, Trancoso e Belmonte.
No próximo dia 6 de Março, no Fundão, reúne a primeira Assembleia da Associação das Aldeias Históricas recentemente constituída em Sortelha.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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