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O título da crónica com que hoje retomo o convívio dos leitores pedi-o emprestado a um admirável filme de Elia Kazan, que nos mostra a odisseia dos emigrantes europeus a caminho dos Estados Unidos, a nova «Terra Prometida», onde «corria o leite e o mel». Essa América da abundância e das grandes oportunidades, que, entre 1800 e 1990 acolheu mais de 80 milhões de imigrantes vindos de todo o mundo, incluindo muitos dos nossos antepassados raianos. Toda esta gente, somada aos que já lá se encontravam (os índios, quando os deixaram sobreviver) e aos que para lá foram levados à força (os escravos africanos), fizeram dos Estados Unidos da América o «melting pot» de que falam alguns sociólogos. Ou seja, um país onde convivem (nem sempre pacificamente) muitas e desvairadas gentes, de todas as etnias, de todos os credos e de todas as proveniências.

Vista aérea da Baía de San Francisco. Em primeiro plano, a Golden Gate Bridge; ao longe, os arranha-céus de Downtown; à esquerda, a famosa ilha de Alcatraz, assim chamada pelos espanhóis por nela haver muitos alcatraces (pelicanos)
As famosas casas vitorianas de São Francisco Vista aérea e nocturna de Las Vegas Vista do Grand Canyon, num meandro do rio Colorado

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaFoi este país cheio de contrastes e de contradições que eu visitei aqui há tempos. No artigo de hoje e no próximo tentarei transmitir aos leitores algumas das minhas impressões desta viagem.
Estive na Califórnia (San Diego, Los Angeles, incluindo Hollywood, San Francisco, etc.); e também em Las Vegas e em Nova Iorque. Deixemos a «Big Apple» para a próxima crónica. Merece-a bem. Falemos hoje dessa terra de sol e de progresso que é a Califórnia, e também de Las Vegas, cidade protótipo da megalomania kitsch americana.
O primeiro europeu a explorar a costa da Califórnia foi o navegador português João Rodrigues Cabrilho, ao serviço da Espanha. Cabrilho era natural de uma perdida aldeia dos confins transmontanos, cujo nome hoje nos está nos ouvidos devido à construção de uma barragem que recebeu o seu nome: Cabril. As voltas e reviravoltas da História acabaram por levar Cabrilho bem longe! E a casa onde se diz ter nascido recebe anualmente muitos visitantes californianos.
Em Setembro de 1542, João Rodrigues Cabrilho explorou a baía de San Diego, cidade que o homenageou com uma boa estátua da autoria de Álvaro de Bré. Cabrilho prosseguiu a sua viagem para Norte, em busca do mítico El Dorado, terra de ouro e de pedraria, autêntico paraíso terrestre. Já no começo do século XVII, outro português, Sebastião Biscainho, percorreu também a costa californiana, tendo descoberto a baía de Monterey, onde, mais tarde, viria a nascer a cidade que foi a primeira capital da Califórnia mexicana. No entanto, a colonização espanhola da região apenas seria efectuada de modo sistemático durante o século XVIII, com a fundação de inúmeras missões e povoados. Pouco a pouco vão surgindo cidades cujos nomes actuais não deixam dúvidas quanto à fundação hispânica: San Diego, Los Angeles, Sacramento (hoje capital do Estado), San Francisco, San Fernando, etc.
Mas como é que toda esta riquíssima região foi integrada nos Estados Unidos? Vejamos um pouco de História.
Quando os Estados Unidos da América se tornaram independentes eram constituídos por apenas 13 Estados (as Treze Colónias inglesas que se sublevaram e proclamaram a Declaração da Independência, no 3.º Congresso de Filadélfia, em 4 de Julho de 1776). A bandeira adoptada tinha 13 riscas alternadamente brancas e vermelhas (que ainda conserva) e treze estrelas. As estrelas, todavia, aumentaram muito à medida que o País dilatava a sua fronteira para Oeste (hoje são 50). Toda a extensa região situada entre os montes Apalaches e o rio Mississipi foi cedida em 1783 pela Inglaterra, na ocasião da assinatura do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Guerra da Independência. Em 1803, seria a vez da anexação de outro vastíssimo território, a Louisiana, na margem direita do Mississipi, comprado à França. A Florida foi também comprada à Espanha, em 1819, e, três anos depois, o Alasca seria adquirido à Rússia (por dez mil dólares!). A jovem nação americana, como vemos, mostrou-se desde cedo expedita a fazer verdadeiros negócios da China.
Em 1846, pela celebração de acordos com a Grã-Bretanha, é fixada a fronteira com o Canadá, de que resultou a anexação do Oregon. Quanto à fronteira com o México (independente desde 1821), a questão foi mais complicada. Um vasto espaço que compreendia todo o Texas («o Gigante») e parte do Novo México e do Colorado foi anexado pelos Estados Unidos em 1845, o que desencadeou uma guerra entre os dois países. Os Mexicanos foram vencidos (apesar de vitórias esporádicas, como a do Forte Álamo) e a derrota custou-lhes uma fatia impressionante do seu próprio país: em 1848, os EUA forçaram o México a «vender-lhes» o imenso e riquíssimo território que hoje é formado pelos Estados do Arizona, do Utah, do Nevada e da Califórnia! Assim se fez a nação mais rica da Terra e assim se fez uma das mais pobres. Em História não há «ses», há factos. Mas pensemos no que seria hoje o México, «se» tivesse conservado todos esses vastíssimos territórios! Não os conservou e tornou-se o vizinho pobre, fornecedor de mão-de-obra barata para os trabalhos mais humildes, gente a quem os americanos pejorativamente chamam «chicanos».
Deixemos, porém, o passado. Das grandes cidades californianas que visitei, aquela de que mais gostei foi San Francisco. Com a sua lindíssima baía, as suas ruas ondulando pelas colinas percorridas por carros eléctricos (os «cable cars») e a sua famosa Golden Gate Bridge (muito parecida com a nossa Ponte 25 de Abril), San Francisco faz-nos lembrar Lisboa. É, além disso, uma cidade cosmopolita, onde existe uma convivência interétnica mais fácil do que noutras metrópoles americanas. Basta lembrarmo-nos do movimento hippy que, no final da década de 60, para aí fez confluir dezenas de milhares de jovens adeptos do «flower power».
No meio da recortada baía destaca-se a mítica ilha de Alcatraz («The Rock»), onde funcionou, entre 1934 e 1963, uma prisão federal de alta segurança. Ali estiveram “hospedados” criminosos célebres como Al Capone e o «Birdman of Alcatraz». Em toda a sua história, apenas se registou uma única fuga com sucesso, justamente um ano antes do seu encerramento. Hoje, Alcatraz é apenas um lugar de turismo, onde eu próprio me fiz fotografar «atrás das grades».
Mas de tudo quanto existe nesta belíssima cidade, o que mais me cativou foram as preciosas casas vitorianas de San Francisco. Trata-se de pequenas moradias da segunda metade do século XIX, feitas de madeira, hoje recuperadas, requintadamente pintadas e luxuosamente mobiladas. São caríssimas: não se encontra uma por menos de 2 ou 3 milhões de dólares! Mas são uma beleza! Um livro ilustrado que comprei, exclusivamente dedicado a estas casas, chama-lhes «the painted ladies».
Em contrapartida, Los Angeles e Hollywood constituíram uma desilusão. A Cidade dos Anjos é uma diabólica megalópole: ruas tão compridas como a distância de Lisboa a Santarém; bairros mais perigosos que os piores de Nova Iorque; poluição mais mortífera que a de Atenas (sobretudo quando há «smog», uma fatal mistura de nevoeiro e fumo); auto-estradas que são autênticos formigueiros, com 5 ou 6 faixas em cada sentido (onde, apesar de tudo, se conduz mais civilizadamente que na nossa A1, devo confessar); gente mais indiferente que outra qualquer. Claro que Beverly Hills é deslumbrante pelo luxuoso requinte das mansões das «estrelas», ou pelas caríssimas lojas de Rodeo Drive, a rua onde se podem encontrar mais Rolls Royces ou Ferraris por metro quadrado. Mas já Hollywood Boulevard, com os seus famosos «passeios das estrelas», ou o chão em frente do Chinese Theater coberto de assinaturas e marcas das mãos e dos pés dos grandes mitos do cinema me deixou indiferente, com um certo sabor a “pirosas americanices”.
E por falar em “americanices”: Las Vegas é o supra-sumo de tudo isso. Uma cidade construída no deserto, num local onde os fundadores espanhóis encontraram umas escassas «veigas», uns lameiros primaveris irrigados por ténues fios de água (que é o que significa “vegas”). Uma cidade que cresceu, a partir da 2.ª Guerra Mundial, sobretudo graças ao jogo e à energia produzida pela grande barragem Hoover, no rio Colorado. Energia indispensável para alimentar a prodigiosa festa de néon que explode ao anoitecer. As luzes de néon, ao longo da grande avenida central de Las Vegas (The Strip), onde se situam os principais hotéis-casinos, constituíram para mim um dos mais delirantes espectáculos a que assisti. Depois, o resto foi a comédia humana: gente obcecada pelo jogo, nos luxuosos halls tilintantes dos casinos, gente quase sempre gorda, imensamente gorda, mastodonticamente gorda, comendo toneladas de pizzas e de hambúrgueres nos discricionários buffets, assistindo a espectáculos de strip-tease de silicone, percorrendo os intermináveis labirintos dos mega-hotéis de cinco estrelas com cinco mil quartos. Quase todos os hotéis de Las Vegas são temáticos: o Luxor é uma pirâmide egípcia onde não podia faltar, no interior, uma esfinge em tamanho natural e a reconstituição do túmulo de Tutankhamon; o Excalibur parece um castelo de fadas; o New York New York pretende reproduzir Manhattan, com arranha-céus e estátua da Liberdade; o Ceasar’s Palace é isso mesmo, um palácio dos césares romanos, prodigiosamente grande e absurdamente luxuoso; o Treasure Island é a hollywoodesca ilha dos piratas, uma espécie de disneylândia à beira do passeio, com combates e navios a afundarem-se; o Mirage, com as suas palmeiras e as suas cascatas monumentais, é uma verdadeira miragem paradisíaca; o Circus Circus tem lá dentro uma gigantesca montanha russa e uma verdadeira cúpula de circo, onde nem faltam trapezistas em acção; etc., etc. «The american dream» ao vivo. A mim, Las Vegas lembra-me a «welwitschia mirabilis», a planta carnívora do deserto de Moçâmedes: com o seu odor atrai os incautos, que acabam por ser devorados em vida. É que nos casinos só há um vencedor: o Casino.
No entanto, foi a partir de Las Vegas que fiz uma excursão que me lavou a alma: nada mais nada menos que a visita ao Grand Canyon, o fabuloso vale rochoso cavado pelo rio Colorado, um dos mais deslumbrantes e esmagadores panoramas naturais existentes à face da Terra. Ali sim, perante aquele incrível rendilhado geológico, com centenas de milhões de anos de existência, apetece-nos dizer: que mesquinha e pretensiosa é esta nossa breve existência de 80 ou 90 anos!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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