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No dia 3 deste mês comemorou-se o bicentenário da Batalha do Gravato ocorrida durante a 3ª Invasão Francesa.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Durante três dias, e digo três dias porque na sexta-feira, dia 1, o Professor Adérito Tavares proporcionou a largas dezenas de alunos das nossas escolas um contacto com a história sabugalense, numa iniciativa a todos os títulos louvável.
A larga adesão dos sabugalenses nas iniciativas de sábado mostra que existe uma grande vontade de conhecer a história do nosso Concelho.
Merece realce nessa tarde a qualidade dos dois livros apresentados, um, «A Batalha do Gravato» da autoria de Manuel Morgado (embora nascido em França, sabugalense de adopção e de querer), e Marques Osório, arqueólogo do Município do Sabugal; e o segundo, «Sabugal e as Invasões francesas», da autoria dos conterrâneos Paulo Leitão Batista e Joaquim Tenreira Martins, a que se associou o historiador militar Manuel Francisco Mourão.
Igualmente realce para as intervenções seguintes que prenderam os assistentes, muitos deles, como eu, sem um conhecimento profundo do que se havia passado há 200 anos.
Mas se esta parte, diga-se mais cultural, foi importante, igual ou maior importância teve a ida ao local da batalha no domingo e, sobretudo, a inauguração de uma peça escultórica de arte pública, da autoria do escultor Augusto Tomás, natural de Santo Estêvão. Vale a pena a próxima vez que forem ao Sabugal irem à rotunda de saída do Sabugal para a Guarda e admirarem a escultura, pois a mesma é de grande qualidade.
Foram momentos significativos e, estou certo que todos os que assistiram sentiram orgulho em serem descendentes das mulheres e homens que, duzentos anos antes, souberam reagir ao invasor e, sobretudo, souberam encontrar os caminhos para recuperar da destruição e miséria em que ficaram após a derrota e expulsão dos franceses.
É esta a fibra de que somos feitos e por isso continuo a acreditar que saberemos encontrar os caminhos para sairmos da situação difícil em que o Concelho do Sabugal se encontra hoje.
Que o exemplo dos nossos avoengos nos sirva de motivação para construirmos, todos, um Sabugal melhor!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Comemora-se no dia 3 de Abril (domingo) o bicentenário da Batalha do Sabugal, a última das que aconteceram em território português por ocasião das invasões francesas. A Câmara Municipal e a empresa Sabugal+ elaboraram um programa evocativo que acontece no próximo fim-de-semana.

No sábado, dia 2 de Abril, pelas 14 horas, haverá a inauguração de uma exposição, designada «A defesa da Fronteira da Beira», no Museu Municipal do Sabugal.
De seguida, no Auditório Municipal, decorrerá o lançamento de dois livros dedicados às invasões. O primeiro, intitulado «A Batalha do Gravato – Narrativas do Famigerado Combate do Sabugal», é da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório.
O segundo, intitulado «Sabugal e as Invasões Francesas», sendo seus autores Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista, será apresentado pelo escritor e pensador J. Pinharanda Gomes, que assina o prefácio da obra.
Seguir-se-á, ainda no auditório, um Encontro Temático dedicado às invasões, estando previstas as comunicações:
Adérito Tavares: «O expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio do fim»;
Joaquim Tenreira Martins: «Sabugal e as tentações de Massena na terceira Invasão Francesa»;
José Alexandre Sousa: «Condicionalismos humanos e naturais numa acção militar – o combate do Sabugal a 3 de Abril de 1811»;
Paulo Leitão Batista: «O Sabugal e a quarta Invasão Francesa»;
José Paulo Ribeiro Berger: «A importância da ponte sobre o rio Côa no Sabugal para o êxito do exército aliado na perseguição a Massena».
Pelas 21 horas haverá um concerto pelo Ensemble da Orquestra Sinfónica do Exército.
No domingo, dia 3, haverá repique de sinos pelas 9h30, seguido da inauguração de um memorial no sítio do Gravato, com presença militar.
Pelas 11 horas será inaugurado um monumento evocativo da Batalha na rotunda de entrada no Sabugal, da autoria do escultor Augusto Tomás, seguida de cerimónia de homenagem aos mortos e evocação histórica pelo Tenente-Coronel Urze Pires.
Às 12 horas haverá missa pelos mortos em combate.
À tarde, pelas 15 horas, decorrerá no castelo uma recriação das comemorações da vitória.
plb

Pinharanda Gomes, consagrado escritor e filósofo natural de Quadrazais, vai apresentar no sábado, dia 2 de Abril, pelas 14h30, no Auditório Municipal do Sabugal, o livro «Sabugal e as Invasões Francesas», que incluiu os textos que Paulo Leitão Batista publicou acerca do tema no Capeia Arraiana.

Sabugal e as Invasões FrancesasPinharanda Gomes, ele próprio um colaborador de longa data do blogue Capeia Arraiana, assinou o prefácio do livro, que para além de Paulo Leitão Batista, tem ainda como co-autores Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão e Joaquim Tenreira Martins.
O lançamento da obra conta ainda com a presença do editor, Joaquim Pinto da Silva, da editora Orfeu, com sede em Bruxelas.
O coronel Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, especialista em História Militar, escreve sobre a Batalha do Sabugal, explicando os pormenores do combate entre o segundo corpo do exército francês, comandado por Reynier, e as tropas aliadas, comandadas por Wellington. O escritor e investigador Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de Espinho, aborda aspectos ligados à terceira invasão e à passagem das tropas por Riba-Côa. Paulo Leitão Batista, nascido no Sabugal, recuperando o essencial dos textos publicados no blogue, escreve sobre aspectos curiosos das invasões, nomeadamente acerca da passagem das tropas pelas terras raianas que actualmente formam o concelho do Sabugal.
Seguidamente ao lançamento do livro, dois dos seus autores, Paulo Leitão Batista e Joaquim Tenreira Martins, integrarão o painel de oradores do «Encontro Temático» dedicado às invasões, que a Câmara Municipal e a empresa Sabugal+ programaram para essa mesma tarde de 2 de Abril no Auditório Municipal.
aps

A retirada das tropas francesas por incapacidade para ultrapassarem as linhas fortificadas que defendiam Lisboa, iniciou-se em 7 de Março de 1811, deixando para trás uma região depauperada devido às constantes rapinas e destruições.

Durou cinco longos meses a permanência do exército invasor no triângulo compreendido entre as cidades de Santarém, Torres Novas e Tomar. Massena defrontou-se com a impossibilidade em ultrapassar as linhas de Torres Vedras, que praticamente nem sequer forçou, e decidiu esperar por reforços, à medida em que tentava lançar uma ponte de barcas sobre o rio Tejo, para progredir pela sua margem esquerda, onde esperava encontrar também melhores meios de subsistência.
Porém a ponte de barcas que chegou a ser construída, nunca foi lançada, porque Wellington, descobrindo essa intenção dos franceses, colocou tropas na outra margem do Tejo, vigiando todos os locais onde a ponte pudesse ser instalada.
Entretanto, a longa presença dos franceses foi especialmente penosa para a população. Parte dela cumprira as indicações de Wellington e da Regência, e acompanhara as tropas aliadas em retirada para lá das linhas, destruindo tudo o que pudesse servir aos invasores, seguindo a rigor o plano de «terra queimada» gizado pelo comandante inglês. Outros, porém, ficaram nas suas terras, ou porque pensaram que os franceses passavam longe e não os importunariam, ou porque resolveram pura e simplesmente desobedecer.
O facto é que o exército invasor teve de sobreviver e, nessa senda, atirou-se a tudo o que lhes poderia servir de alimento. A tropa estava também sequiosa por deitar a mão ao que tivesse valor, pelo que cidades, vilas e aldeias foram saqueadas até à exaustão. As pessoas foram maltratadas e muitas forçadas a colaborar indicando os esconderijos dos géneros e das riquezas, muitas vezes sob ameaças e através de sevícias. Foi um tempo terrível para aquelas populações, que viveram em situação de ocupação e usurpação permanentes.
Massena, sem esperança de receber os reforços que reclamara ao Imperador, e já sem condições de subsistência, por tudo já ter sido esbulhado, decidiu então retirar. O seu plano inicial era instalar-se em Coimbra, onde pensava encontrar meios para alimentação do exército. Restabeleceria as comunicações com Almeida e veria aí de uma vez garantido o recebimento de reforços. Porém a sistemática insubordinação do marechal Ney, que comandava o 6º corpo de exército, inviabilizou-lhe o plano, por não ter efectuado as manobras necessárias a atingir Coimbra.
Restou-lhe seguir com a retirada para Espanha, esboçando contudo o plano de relançar a invasão a partir do Sabugal. Dali avançaria para o Sul de Espanha, onde se juntaria ao exército do marechal Soult que aí operava. Mas mais uma vez a insubmissão de Ney, em Celorico da Beira, inviabilizou-lhe as intenções. A invasão teria fim com a decisiva batalha do Sabugal, travada a 3 de Abril de 1811.
Entretanto a tropa francesa deixava para trás terras completamente depauperadas. Grande parte das casas tinham sido queimadas ou demolidas, os animais abatidos para servirem de alimento e os que ainda viviam seguiram com o exército que retirava.
A terceira invasão francesa constituiu para as populações, especialmente as do Ribatejo e das Beiras um dos períodos mais negros da história. A miséria, a violência, a fome, o frio, e as constantes humilhações que passaram, não devem ficar envoltas na nuvem do puro esquecimento.
Paulo Leitão Batista

Fomos a Torres Vedras falar com o Coronel Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, um dos autores do livro «Sabugal e as Invasões Francesas», que vai ser lançado no Sabugal no próximo dia 2 de Abril, por ocasião da evocação do bicentenário da Batalha do Sabugal. No livro o coronel Mourão descreve com grande minúcia essa última batalha com as tropas francesas em solo português, o que também serviu de mote para a animada conversa com o afável investigador.

– Foi o facto de ser militar a viver aqui em Torres Vedras, a cidade que deu o nome às linhas que defenderam Lisboa dos franceses, que o motivou a investigar e escrever acerca das invasões napoleónicas?
– Verdadeiramente eu nem sei bem como nasceu o meu gosto pela História mas, gostando deste ramo do conhecimento, é natural, pela minha profissão, que me interesse mais pela História Militar. Comecei por canalizar a minha atenção para o estudo da Primeira Guerra Mundial mas as comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular fizeram-me mudar de rumo. Esta é uma boa oportunidade para estudar este tema. Quanto à motivação para escrever sobre o assunto, essa é para mim uma consequência lógica da aquisição de conhecimentos. Estes terão de ser partilhados ou o trabalho de investigação (se é que o que eu tenho feito pode ser designado desta forma) torna-se inútil.
– Ao que sei trabalhou, enquanto oficial do exército, na área da História Militar, o que terá contribuído para aprofundar esse gosto pelo passado histórico.
– Isso é verdade. Em 1990 fui colocado na Escola de Sargentos do Exército onde exerci, entre outras funções, a de professor de História Militar. Antes disso, o meu contacto com a História Militar foi durante o Curso de Promoção a Oficial Superior, no IAEM, quando tive de apresentar um trabalho sobre as Linhas de Torres Vedras. Gostei de fazer o trabalho e a sua apresentação correu muito bem. Mais tarde, fui colocado na Direcção de História e Cultura Militar, onde terminei o serviço activo. Ali desempenhei várias funções e, a última, já na situação de reserva, tinha a ver com o estudo e divulgação da História e foi durante este tempo que decidi começar a publicar na Wikipédia os artigos sobre as batalhas em que participaram as forças portuguesas.
– E foi dessa forma que se deparou com a Batalha do Sabugal?
– Sim, o trabalho sobre a Batalha do Sabugal aparece no contexto de todo o trabalho que tenho desenvolvido. Esta batalha foi, na realidade, o último confronto importante, entre tropas anglo-lusas e tropas francesas, em território português. No entanto, quando Massena retirou deixou uma guarnição francesa em Almeida que só viria a abandonar Portugal alguns dias depois, numa fuga espectacular. Mas a Guerra Peninsular não termina com o fim das Invasões Francesas. Aliás, em 1812, Marmont entra em Portugal, embora por um curto período de tempo. Mas a Guerra Peninsular só termina em 1814, em França, e em todo este processo as tropas portuguesas são parte essencial do exército de Wellington. Mas, voltando à Batalha do Sabugal, procurei descrevê-la ao pormenor, a partir dos relatos que nos são apresentados pelos principais historiadores que escreveram sobre este tema: Napier, Oman e Fortscue. Nos trabalhos que tenho publicado sobre batalhas, para além dos antecedentes que nos permitem saber como se chegou aquela situação, tenho tido o cuidado de apresentar sempre dois elementos que me parecem fundamentais antes da descrição da batalha: o terreno onde se desenrola a batalha, e a composição das forças em presença. É muito difícil compreender qualquer descrição se não tivermos estes elementos presentes. Ao divulgar um texto sobre estes temas não estou a fazê-lo para quem conhece a organização militar, o que é uma divisão, uma brigada ou um batalhão.
– Descreveu e desenhou em croquis o próprio plano de Wellington para a batalha. Crê que ele pretendeu mesmo envolver e capturar o segundo corpo do exército francês, que estava na margem direita do Côa, um pouco acima do Sabugal?
– Como eu refiro no próprio texto (que irá ser publicado), não nos chega através dos autores que referi ou outros, uma clara definição do plano de Wellington. Fortescue e Charles Oman apresentam as intenções de Wellington de forma diferente. Li ambos os autores, verifiquei o terreno, através de mapas e croquis, vi a disposição inicial das forças e, perante isso, atendendo aos princípios doutrinários que se utilizavam (e utilizam) cheguei à conclusão que apresento. Se tudo fosse realizado de acordo com o que estava planeado, teria Reynier conseguido retirar? Se não conseguisse retirar, ofereceria resistência? E, se oferecesse resistência, teriam os outros corpos de exército, principalmente o oitavo, de Junot, oportunidade de intervir? São muitos «ses» que conduzem a raciocínios especulativos e esse não é, a meu ver, o trabalho do historiador.
– Mas Massena tinha outras forças muito perto, que podia enviar em socorro do segundo corpo. Será que Wellington não teve isso em conta?
– Repare que Wellington fixou o sexto corpo com a colocação de uma divisão na margem do Côa a sul do Sabugal. Por outro lado, utilizou as milícias de Trant e Wilson, a norte, ameaçando Almeida e fixando, desta forma, o nono corpo. O oitavo corpo estava recuado, em Alfaiates, muito maltratado. Fazer avançar essas forças em apoio do segundo corpo, de Reynier, significava para Massena aceitar outros riscos e ver a sua retirada cortada, não só para o segundo corpo mas para todo o Armée de Portugal. Wellington teve, certamente, isso em conta e, provavelmente, sabia que estava a correr riscos. Todas as operações militares envolvem riscos.
– À época, tendo em conta os meios de comunicação existentes, talvez fosse difícil ao comandante aliado ter conhecimento do real posicionamento de todas as forças inimigas…
– Existia um sistema de informações que funcionava. Forças de reconhecimento, os guerrilheiros ou a população, todos observavam e transmitiam o que viam. Existiam agentes no terreno em busca de dados que produzissem essas informações. Se olharmos para o dispositivo, não apenas das forças destinadas à batalha mas também que se destinaram a fixar os Sexto e Nono Corpos de Exército, vemos que Wellington tinha a noção clara da disposição das tropas francesas. De qualquer forma, os meios de comunicação poderiam facilitar, quando muito, o acompanhamento dos movimentos das suas próprias tropas. Mas, repare, a maior parte das fardas da época são bem coloridas. Os militares britânicos fardados de branco e vermelho são facilmente identificáveis no terreno. Na Roliça confundiram-se com as tropas suíças ao serviço dos franceses. As tropas ligeiras, como os Caçadores ou os «Rifles», utilizavam normalmente fardas com cor entre o castanho e o verde. Mas essas tinham, normalmente uma missão diferente e, para a cumprirem, deviam confundir-se o mais possível com o terreno.
– Tenho ideia de que Wellington era um general demasiado frio e calculista para se dar a uma aventura dessas, tendo por base o plano ousado que nos sugere.
– Wellington era de facto calculista, cauteloso, mas não deixava de mostrar audácia quando a oportunidade urgia. Sem essa audácia, Soult não teria sido expulso tão facilmente do Porto durante a segunda Invasão Francesa. Wellington soube sempre dar o devido valor ao terreno e aproveitar uma boa oportunidade para resolver a situação. Veja-se o desenrolar da Batalha de Salamanca, em que os exércitos inimigos observaram-se durante seis semanas e quando a oportunidade surgiu (também foi a necessidade de resolver a situação) Wellington atacou. Foi uma grande vitória. E actuava frequentemente com tropas numericamente inferiores às do inimigo. Em Fuentes de Oñoro, os aliados tinham menos 10 mil homens que os franceses. Wellington era um comandante que não fugia de se mostrar na linha da frente. Aliás, quando o seu prestígio era já muito maior que na época que estamos a tratar, Wellington utilizou a sua figura na linha da frente para influenciar as suas tropas e também as do inimigo. Foi assim em Sorauren, em Julho de 1813. Independentemente de tudo isto, Wellington terá cometido erros, como qualquer comandante. No campo da táctica, Napoleão é considerado um génio e cometeu erros…
– Ainda sobre a Batalha do Sabugal: concorda que foi porém o falhanço do plano de Wellington que ditou a vitória das forças anglo-lusas?
– Isso é especulação. Não o podemos afirmar dessa forma. O plano era plausível e pretendia alcançar um objectivo, porém algumas contrariedades, nomeadamente o nevoeiro cerrado e a consequente desorientação da força torneante, levaram à precipitação do combate. Na História, devemos procurar saber «como foi» e não «como seria se». Teria corrido bem se tudo se passasse como estava planeado? Não sabemos. Não se passou assim. Podemos, no máximo, procurar explicações para o que se passou. O que não se passou não existiu e o que não existiu não faz parte da História.
– Pelo que li da sua descrição da batalha, o desrespeito pelo plano deveu-se a erros de Erskine, o comandante interino da divisão ligeira, que fazia precisamente o tal movimento torneante a montante do rio Côa.
– Erskine comandava a divisão ligeira e a cavalaria. No comando da divisão ligeira substituía temporariamente Robert Craufurd. Erskine estava no exército de Wellington, não a pedido deste, pelo contrário. Charles Oman refere que a influência política de Erskine impediram Wellington de o enviar de volta para Inglaterra. Mas a verdade é que Erskine já tinha cometido erros, fez o que fez na Batalha do Sabugal e continuou no comando da divisão ligeira. O principal corpo de tropas sob o comando de Erskine era a divisão ligeira. Esta divisão tinha duas brigadas e isso significa que alguém tem que coordenar a acção das duas brigadas. Erskine, ao afastar-se com a cavalaria, deixou as brigadas por sua conta. Erskine foi uma figura muito polémica. Via mal e precisava que lhe indicassem a posição das tropas ao longe. O professor Charles Esdaile, autor de uma importante obra sobre a Guerra Peninsular, refere claramente o seu problema com a bebida. Outros referem a sua arrogância. É difícil saber o que há aqui de real ou de opinião mas é certo que foi uma figura polémica. Em resumo, na minha opinião, houve ausência de acção de comando por parte de Erskine.
– Massena terá dito mais tarde, em defesa da sua prestação em Portugal, que, tirando os canhões que deixou deliberadamente para trás durante a retirada, apenas perdeu para o inimigo uma peça de artilharia no Sabugal. Esse desejo de não deixar capturar peças e a inversa vontade de o conseguir, explicam essa disputa tão acirrada no Sabugal, por um simples obus?
– É sempre importante capturar artilharia ao inimigo. Impede-o de a utilizar contra a força que a capturou e isso é mais importante quando a artilharia não é numerosa. No entanto, o obus da Batalha do Sabugal, a sua captura, perda, recaptura, serve apenas para ilustrar melhor a forma como o combate se desenrolou, numa sucessão de ataques e contra-ataques, num terreno onde, no meio, tinha ficado um obus francês. Mais importante que perder um obus era deixar capturar o estandarte da unidade. O obus estava no local dos combates mas estes não se travaram por causa do obus.
– Voltamos a Massena, que elogiou Reynier pelo seu desempenho na Batalha do Sabugal, dado que conseguiu retirar em boa ordem, sem grandes perdas. Mas a verdade é que os franceses tiveram no Sabugal uma pesada derrota, não acha?
– Uma pesada derrota não significa necessariamente um mau desempenho do comandante ou das tropas derrotadas. Os franceses perderam a batalha, disso não há qualquer dúvida, porém temos de aceitar que Reynier teve o sangue frio suficiente para retirar de forma ordenada e de acordo com a doutrina táctica. Uma retirada perante um inimigo mais forte não é uma operação fácil nem do ponto de vista da execução táctica nem do ponto de vista do moral das tropas. Se não for executada com firmeza torna-se uma debandada o que significa, antes de mais, um número muito mais elevado de baixas. É normal darmos muita importância aos vencedores. Certamente será merecida e, neste caso, as tropas da divisão ligeira, foram merecedoras dos maiores elogios. Ficamos orgulhosos dos nossos batalhões de Caçadores, o 1 e o 3, que ali estiveram presentes. Com isto temos a tendência para ignorar ou depreciar o trabalho realizado pelos derrotados. Temos de ser cautelosos com este procedimento porque, ao estudarmos as retiradas de Soult ou de Massena no decorrer das segunda e terceira invasões francesas, temos de concluir que os soldados franceses eram bons soldados e os generais que os comandavam eram, em geral, grandes generais. O facto de terem sido aqui derrotados não lhes retira os méritos merecidos. Napoleão foi um grande general mas, por vezes, deu aos seus generais missões impossíveis.
plb

Como se diz no evangelho de S. João, «no princípio existia a palavra». Porém, para a feitura deste livro, eu preferiria dizer, no princípio havia muitas palavras, havia muitos textos. Os autores – o Coronel Manuel Veiga Mourão, o Dr. Paulo Leitão Batista e eu próprio – já tínhamos trabalhado muito sobre o tema da guerra peninsular, cada um no seu respectivo domínio.

Mas citando ainda a Bíblia, o livro da génese, poderíamos afirmar que «a terra estava ainda informe e vazia». Era portanto necessário dar um impulso à ideia de valorizar o trabalho de cada um. Para resumir, afirmaríamos, como no prefácio, que «ventos favoráveis e convergentes congregaram os autores deste livro…num intuito de recordar as invasões francesas em terras de Riba-Côa e, mais precisamente, no Sabugal».
Fazendo agora a leitura da génese do «Sabugal e as Invasões Francesas» podemos afirmar que a sua feitura assemelha-se a um conto de fadas que se pode contar assim. Era uma vez um coronel que passava os seus tempos de reformado a escrever sobre a história militar e mais particularmente sobre a participação do nosso bravo exército na chamada guerra peninsular. Os seus artigos, todos bem documentados, eram colocados gratuitamente à disposição na biblioteca digital, que alguns até desvalorizam, designada Wekipédia. Depois das minhas leituras de Charles Oman, Fortescue, Baron de Marbot, Thiers, Napier e tantos outros, voltava, de vez em quando aos artigos da Wikipédia e constatava que se encontravam ali valiosos e condensados resumos relativos a estudos que estava a realizar e, sobretudo, a batalhas travadas em terras de Riba-Côa: Sabugal, Almeida, Ponde de Almeida e cercos de Cidade Rodrigo. Era como que a repetição da matéria. Mão amiga encaminhou-me o mail do autor desses artigos e resolvi enviar-lhe os meus escritos que descreviam as mesmas épocas, em lugares coincidentes. Pela pronta resposta na volta do correio, percebi que textos destes lhe interessavam. Percebi também que estava diante de um militar que não poupava o seu sabre para cortar uma ou outra palavra, para corrigir um regimento em vez de uma divisão e, sobretudo, não consentir a despromoção de um qualquer oficial que eu não tinha colocado no seu devido posto.
A troca de mails intensificou-se e percebi que o seu saber deveria ser aproveitado para poder valorizar as gentes e as terras do Sabugal, as quais nem sequer faziam a menor ideia do valor do seu património histórico-militar. Aliando a sua generosidade e competência, o Coronel Manuel Mourão veio reconfortar-me no meu receio de não me apresentar como o profeta rejeitado da terra onde nasci ou como o santo que na sua própria terra não faz milagres. Ao meu desafio aceitou colaborar prontamente nesta aventura e trouxe-nos o seu saber técnico-militar para nos descrever a importante Batalha do Sabugal, baseada no melhor que existe actualmente sobre o assunto.
Tal como em qualquer manobra militar, o tempo é um elemento precioso muito difícil de gerir. A data das comemorações aproximava-se e apercebi-me que o escritor do Capeia Arraiana, Paulo Leitão Batista, já tinha quase um arrátel de livro escrito no seu assíduo blogue. Os dados estavam lançados. Só faltava um editor. E bati logo à porta da Orfeu, e já sabia que o Dr. Joaquim Pinto da Silva, não iria virar as costas ao Sabugal, a estas terras e a estas gentes que precisam de ser divulgadas nos seus feitos, valores e tradições. Também o grafista, Paulo Rocha, estava fiel ao seu posto. Entusiasmou-se com o manejar das armas, com os soldados que ia vestindo e revestindo para lhes colocar a devida cor das fardas da época. E até se lembrou de colocar a figura caracterizada de um soldado de cara rosada e numa posição bem british que se batia em terras portuguesas com os caçadores 3 e os Red Coat da famosa e temida Light Division.
Este trabalho escrito a três mãos foi uma verdadeira batalha ganha num tempo record. Mas, seguindo o exemplo de Lord Wellington, com tropas bem treinadas e disciplinadas pode-se manejar bem e rapidamente a escrita para ganhar ao inimigo o esquecimento, porque duzentos anos depois, é justo celebrar este acontecimento com dignidade e valor.
Além de ser um prazer para todos nós a sua escrita, este livro parece quase uma obra virtual. Por mais estranho que pareça e acredite quem quiser, nenhum dos autores se conhece pessoalmente. Nunca se viram antes. Só se conhecem por telefone e por mails. Iremos encontra-nos pela primeira vez na apresentação do livro, no auditório do Sabugal, no próximo dia 2 de Abril.
Esta é também a contribuição que os intelectuais, no bom sentido da palavra, animados num espírito cívico, pretendem ofertar às gentes e aos representantes do Sabugal, no momento em que se comemoram os duzentos anos em que o tempo de Napoleão poderia ser transformado num tempo de subserviência e subjugação perante o louco imperador que sonhou ter a Europa inteira a seus pés e que, tal como uma carraça, nunca mais largava Portugal.
Joaquim Tenreira Martins (Investigador do CAPP – ISCSP)

Jean-Louis Ebénézer Reynier nasceu a 14 de Janeiro de 1771 em Lausanne, na Suíça, tendo-se destacado enquanto militar ao serviço de Napoleão. Na terceira invasão de Portugal coube-lhe ocupar o Sabugal e Alfaiates, onde permaneceu no período preparatório do avanço para Lisboa. Na retirada voltou a acampar no Sabugal, onde enfrentou as tropas anglo-portuguesas comandadas directamente por lord Wellington.

Reynier foi um oficial talentoso, que porém era por vezes acusado de ser muito inseguro e de trato difícil.
Formado em engenharia civil, ofereceu-se para servir no exército francês em 1792, tornando-se oficial de artilharia. Serviu abnegadamente em combate, o que, aliado aos seus conhecimentos, lhe valeu ser promovido a general de brigada com apenas 24 anos.
Integrou a expedição ao Egipto, onde serviu na batalha das Pirâmides e foi nomeado governador de uma província. Tomou parte na expedição à Síria, e, de volta ao Cairo, desentendeu-se com o comandante-em-chefe, o general Menou, o que lhe valeu ser preso e acusado de traição.
Já em Paris, bateu-se em duelo com o general Destaing, a quem provocou a morte. Napoleão expulsou-o então da cidade. Mas o reconhecido talento de Reynier fez com que estivesse de volta pouco tempo depois.
Em 1804 integrou o Corpo de Observação de Nápoles, e, no ano seguinte, venceu os austríacos. Em 1806 serviu sob as ordens de Massena e, em 1807, assumiu o comando do exército francês na Calábria, cuja campanha o levou a Grande Oficial da Legião de Honra. Em 1808 foi nomeado Ministro da Guerra e da Marinha do Reino de Nápoles.
No decurso da importante Batalha de Wagram, o Imperador retirou o comando ao Marechal Bernadotte, chamando Reynier para o substituir à frente de um dos corpos.
No final de 1809 foi enviado para a Península Ibérica, onde tomou o comando do 2º corpo, que integrou o Exército de Portugal, sob as ordens de Massena. Apesar dos reveses desta campanha, Reynier tornou-se Conde do Império, em reconhecimento dos seus méritos.
Em Janeiro de 1812 retornou a França para preparar a campanha da Rússia, na qual participou. Na retirada, já na Alemanha, ficou prisioneiro dos russos, que, sabendo-o suíço de nascimento, lhe ofereceram uma comissão no seu exército. Reynier recusou, permanecendo fiel à França, e retornou a Paris, graças a uma troca de prisioneiros. Desgastado pelas campanhas adoeceu gravemente e morreu pouco depois, em 27 de Fevereiro de 1814.
No decurso da terceira invasão de Portugal foram diversos os momentos de tensão entre Massena e os seus comandantes dos corpos, incluindo Reynier. Massena considerava-o um general com muito talento, mas que era tímido e desesperava perante a menor dificuldade.
Antes da invasão se iniciar, coube-lhe cobrir a linha do Tejo, sustendo as tropas do general Hill. Depois o marechal comandante ordenou-lhe que viesse para norte, entrasse em Portugal pela Idanha e atingisse o Sabugal e Alfaiates, onde deveria instalar os seus 18 mil homens. Esteve no Sabugal de 27 de Agosto a 11 de Setembro de 1810. Seguiu depois para a Guarda e desceu o vale do Mondego, acompanhando os outros corpos no movimento geral.
Na batalha do Buçaco Reynier formou a esquerda do ataque francês, tendo sofrido pesadas baixas. Passando Coimbra e Leiria o exército invasor chegou às célebres linhas de Torres Vedras, também chamadas de Lisboa, que não conseguiu ultrapassar, espraiando-se em toda a sua extensão, cabendo a Reynier ocupar Vila Franca de Xira e Castanheira do Ribatejo. Recuou depois para Santarém, cidade que ocupou enquanto os franceses esperaram por reforços que nunca chegaram.
Reynier era admirado pelos seus soldados, dado o rigor com que manobrava as tropas e os estratagemas a que recorria para iludir o inimigo. Em Santarém, passando grandes privações, por falta de víveres, Reynier pensou numa incursão à margem esquerda do Tejo para recolher algum do gado. Wellington tinha soldados guardando toda essa margem, sem porém se conhecer o seu número. Reynier concretizou então um plano, que consistiu em fazer subir um balão de ar quente que mandou fazer com papéis, facto que despertou a curiosidade dos soldados portugueses e ingleses, que saíram dos seus refúgios para observarem o artefacto. Munido do seu binóculo o general contou então as tropas inimigas, planeando depois uma incursão que foi muito bem sucedida.
Aquando da retirada, Reynier voltou a surpreender ao montar um estratagema que iludiu as linhas luso-britânicas e lhe garantiu um avanço considerável. Mandou fazer manequins vestidos de soldados, colocou-os nos locais das sentinelas e abandonou os postos durante a noite. Só ao amanhecer os aliados deram conta de que as linhas francesas estavam desertas.
Na véspera da batalha do Sabugal Reynier fez mais uma vez desesperar Massena, que estava em Alfaiates. O Marechal ordenara-lhe que garantisse a ponte do Côa, dando tempo a Loison para recuar com o seu corpo. Porém Reynier mostrava-se nervoso e impaciente, face aos movimentos que os seus postos avançados observavam ao exército anglo-luso, que vinha de Vale Mourisco em direcção ao Sabugal. Os ajudantes de campo de um e outro oficial cruzavam-se incessantemente com missivas. Reynier dizia estar defronte de toda a vanguarda do exército aliado e queria retirar durante a noite, mas Massena ordenava-lhe que se mantivesse firme e escrevia-lhe: Não penso que o inimigo nos queira atacar; colocou-se na estrada de Penamacor para ver se queremos ir por ela. (…) o 6º corpo está à sua direita e o 8º atrás de si, e ou um ou o outro lhe dará apoio em caso de necessidade. (…) Para lhe dizer a verdade, não creio que lord Wellington esteja à sua frente. Mas estava, e em pessoa, preparando um ataque vigoroso às linhas francesas. Atacado, Reynier resistiu quanto pôde, até receber enfim autorização para retirar.
Massena elogiou porém o esforço do seu general: o combate do Sabugal honra Reynier, pois este general recuperou toda a sua energia logo que a acção começou, escreveu o general Koch nas «Memórias de Massena». Na verdade cumpriu a sua missão e conseguiu retirar em boa ordem, sem perdas consideráveis.
O nome de Reynier está escrito no lado sul do Arco de Triunfo.
Paulo Leitão Batista

«Não desejo envolver-me em qualquer situação para lá do Côa… Não seria melhor que viésseis para o lado de cá, pelo menos com a vossa infantaria?» – Missiva de Lord Wellington ao general Craufurd, de Alverca (perto de Pinhel) em 22 de Julho de 1810.

Craufurd, o general inglês que comandava a divisão ligeira do exército aliado, com a missão de observar os movimentos do exército do marechal Massena, não satisfez o desejo de Wellington e, dois dias depois, sofreu as consequências. Batido pelos franceses, viu-se atirado para os barrancos do Côa, perdendo no combate 333 homens portugueses e britânicos.
O domínio do vale do Côa era considerado decisivo para qualquer manobra militar no tempo das Invasões Francesas. O major William Warre, ajudante de campo do marechal Beresford, explorou a região semanas antes da célebre Batalha do Côa, e deu conta da importância do rio na manobra militar.
«O curso do rio desde a sua confluência com o Douro até perto de Alfaiates em direcção à sua nascente, representa, devido aos grandes declives e ao solo rochoso das suas margens, uma barreira formidável para qualquer exército que procure avançar sobre Viseu, Celorico, Guarda ou Trancoso, a partir das imediações de Ciudad Rodrigo. Pode contudo ser contornado pelo Sabugal, e perante um exército numeroso a sua grande extensão constitui uma grande contrariedade, pois se qualquer parte da linha ceder o resto terá de retirar.»
O Côa teve de facto uma importância fundamental nas manobras militares da terceira invasão francesa, feita a partir de Almeida, com posterior retirada pelo Sabugal. Quando Massena avançou, Wellington protegeu-se por trás do Côa enquanto observava a movimentação dos franceses, que punham cerco à praça forte de Almeida.
Depois do fracasso da invasão, já na retirada, foi a vez de Massena se instalar na margem direita do rio, entre a Ruvina e o Sabugal, esperando aí conter o avanço do exército aliado.
Wellington, conhecedor da morfologia do terreno, escolheu o Sabugal para dar combate aos franceses, por saber que aí o rio não corre em vale escavado, podendo ser mais facilmente transposto a vau. Assim aconteceu a batalha do Sabugal, disputada na margem direita do Côa, no dia 3 de Abril de 1811, no lugar do Gravato. Essa importante e decisiva refrega com o 2º corpo do exército napoleónico, que ali não pode beneficiar no obstáculo que o rio constitui mais a jusante, levou à retirada dos franceses para Espanha.
Porém Massena deixara uma guarnição francesa em Almeida e, passado um mês, reorganizou o seu exército e decidiu voltar a marchar sobre Portugal em socorro da praça, fixando o objectivo de fazer recuar os anglo-portugueses para lá do vale do Côa. Em Ciudad Rodrigo dirigiu uma proclamação ao exército, a fim de lhe dar ânimo: «Soldados (…) dareis ao Côa, até hoje ignorado, uma celebridade igual à dos rios que na Alemanha e em Itália dizem e redizem osvossos triunfos».
Os franceses foram contudo travados na batalha de Fuentes de Oñoro, não conseguindo reentrar em Portugal.
Paulo Leitão Batista

Passou mais um ano sobre a importante batalha do Sabugal, que aconteceu em 3 de Abril de 1811, no quadro da guerra peninsular. Para o ano fazem-se 200 anos e até ao momento nenhuma autoridade responsável avançou com a ideia de evocar esse momento histórico.

O exército do marechal Massena, cuja fama de estratega militar só era superada pela do próprio imperador Napoleão Bonaparte, tinha batido em retirada após não ter sido capaz de atravessar as Linhas de Torres Vedras e tomar Lisboa. O segundo corpo, comandado pelo General Reynier cumprira as ordens do marechal e instala-se no Sabugal, onde foi surpreendido pelas forças anglo-lusas de Wellington, que atacaram o seu acampamento no sítio do Gravato obrigando-o a retirar para Espanha.
Massena não queria desistir da conquista de Portugal e o seu recuo era apenas estratégico.
Não conseguindo entrar em Lisboa, os 65 mil homens do exército francês fixaram-se em Santarém, onde estiveram durante semanas aguardando reforços. Mas o caso é que os franceses ficaram isolados, sem conseguir estabelecer comunicações com os restantes corpos de exército que operavam em Espanha e desconhecendo por completo se as restantes movimentações ordenadas pelo imperador se estavam a cumprir. Cansado de esperar e já com imensas dificuldades em alimentar o seu exército, Massena decidiu recuar. Fê-lo de forma controlada, mas seguido de perto pela tropa de Wellington.
Quando conseguiu comunicar com os corpos de exércitos que operavam em Espanha, verificou o ponto da situação: a sul o marechal Mortier conquistara Badajoz e Campo Maior e tinha ali estacionadas forças consideráveis; o marechal Bessiéres marchava com um corpo de exército para Ciudad Rodrigo, vindo do norte de Espanha. Face a esta realidade Massena elaborou um plano audaz, disposto a relançar a invasão: abandonar na fortaleza de Almeida, tomada pelos franceses, os doentes e feridos e tudo o mais que embaraçava os movimentos do seu exército e seguir pelo vale do Côa até ao Sabugal, depois para Belmonte e Penamacor, entrar em Espanha, atravessar Coria e encontrar-se com o exército de Mortier em Alcântara. Dali lançaria uma forte ofensiva sobre Lisboa, seguindo desta vez pela margem esquerda do Tejo.
O arrojado plano de Massena de fazer uma ofensiva pelo Alentejo, confrontou-se porém com a recusa do marechal Ney, que comandava o 6º corpo, em obedecer a essas ordens, o que levaria à sua exoneração e substituição. Esta contrariedade fez-lhe perder o tempo suficiente para que Wellington, apercebendo-se de que a movimentação que os franceses ensaiavam não era lógica, avançasse para o Sabugal, onde já estava a vanguarda de Massena, e aí atacasse o corpo do general Reynier, infligindo-lhe uma derrota
Com a linha de operações interceptada, e um corpo de exército destroçado, nada mais restou a Massena que mandar retirar todas as suas tropas de Portugal, assim terminando a terceira invasão.
Foi esta a importância histórica da Batalha do Sabugal na guerra peninsular. Foi decisiva, na medida em que fez desistir os franceses de tentar invadir o nosso país. De facto, permaneceram mais dois anos em Espanha, mas não mais tentariam ocupar o solo português.
É possível que as entidades do concelho não se aponham à tarefa de comemorar os 200 anos da Batalha do Sabugal, mas fica a promessa que no ano que vem o Capeia Arraiana voltará a evocar a data.
plb

Cumprem-se hoje, 3 de Abril, 198 anos sobre a Batalha do Sabugal, onde o exército anglo-luso, directamente comandado por Wellington, infligiu a derradeira e decisiva derrota ao exército francês, dirigido por Massena, pondo termo às invasões do território nacional. Mais uma vez a data passa em claro no Sabugal, onde nenhuma iniciativa assinala a efeméride.

Plano da Batalha do Sabugal - 3 de Abril de 1811

No bicentenário das invasões, o Município de Celorico da Beira iniciou no dia 26 de Março um ciclo de conferências, o primeiro sob o tema «As Invasões Francesas», a par com a inauguração de uma exposição denominada «Celorico no Tempo das Invasões». Já Almeida, que foi pioneira nos actos evocativos, mantém a iniciativa anual de recriar as invasões e em especial o cerco e a tomada da praça-forte.
O Sabugal, que foi palco de uma batalha decisiva, no decurso das invasões, voltou a esquecer a evocação desse facto histórico. E o mais espantoso é que nenhum monumento, ou sequer um simples obelisco, assinala no local do Gravato, hoje em parte submerso pela barragem, a realização dessa importante batalha.
A batalha do Sabugal é referenciada em todos os anais como a que esfrangalhou de vez o exército francês que protagonizou a terceira invasão, impedindo-o de cumprir o plano de Massena de recuar e se reorganizar.
O exército invasor, vindo em retirada, instalou-se no concelho do Sabugal, ocupando grande parte da margem direita do rio Côa, que usou como defesa natural para prevenir alguma investida. Massena procurava assim ganhar tempo para a reorganização das forças, que contavam ser reforçadas com efectivos vindos de Espanha.
As tropas francesas espalharam então o terror pelas aldeias, o que levou a que as pessoas as abandonassem e se refugiassem nos campos. Os franceses queriam reabastecer-se e para isso praticavam todo o género de roubos e confiscos. Muitas pessoas morreram por não colaborarem e houve notícias de violações de mulheres e espancamento de homens que não auxiliavam as tropas invasoras. Nas aldeias organizaram-se rondas e sentinelas, a fim de detectarem a aproximação dos franceses e as pessoas poderem fugir a tempo.
O segundo corpo do exército francês, comandado por Reynier, ocupou a vila do Sabugal e acampou no sítio do Gravato, dois quilómetros a sul da vila, num alto sobranceiro ao rio Côa, na sua margem direita. Wellington decidiu atacar este acampamento, de maneira a forçar a retirada das tropas napoleónicas. Estabeleceu o posto de comando num monte sobranceiro ao castelo do Sabugal, do outro lado do rio, e dali decidiu executar um plano, que consistia em entreter as forças napoleónicas com pequenos ataques ao acampamento do Gravato a partir da margem esquerda do rio, enquanto que o grosso das forças executava uma longa manobra de envolvimento, atravessando o rio já perto de Quadrazais, para dali avançar sobre o corpo do exército francês, apanhando-o pela retaguarda.
Porém o nevoeiro da manhã de 3 de Abril de 1811 comprometeu os planos do comandante inglês, já que a brigada ligeira, que fora incumbida de executar uma primeira investida, atravessou o rio um pouco acima da vila do Sabugal e avançou a coberto da névoa, surpreendendo os franceses que não contavam com a manobra. Quando o nevoeiro se dissipou Wellington viu que a sua pequena força combatia em clara desvantagem porque os franceses haviam-se reorganizado e estavam prestes a rechaçar o ataque. Decidiu então lançar todas as forças de reserva em defesa da sua posição. Após demoradas escaramuças as tropas francesas foram derrotadas, ficando o alto do Gravato e os campos vizinhos juncados de cadáveres, na sua grande maioria de soldados gauleses.
O general Reynier teve de retirar com as forças que lhe restavam, seguindo para Alfaiates, e dali, em marchas forçadas, para Ciudad Rodrigo.
Na batalha do Sabugal, também chamada do Gravato, ambos os lados lutaram determinadamente para vencer, pois sabiam que daqui se poderia resolver a sorte das armas.
Dentro de dois anos serão passados exactamente dois séculos sobre tão importante acção militar da guerra peninsular. Espera-se que as entidades oficiais comecem já a preparar os actos evocativos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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