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Dois eleitos na lista do MPT-Partido da Terra à Assembleia Municipal do Sabugal, António Gata e Francisco Bárrios, entenderam fazer um «Esclarecimento e correcção relativamente ao “Comunicado dos deputados do MPTSabugal”».

António Gata«ESCLARECIMENTO E CORRECÇÃO RELATIVAMENTE AO “COMUNICADO DOS DEPUTADOS DO MPT DO SABUGAL”

A leitura do comunicado em causa leva, naturalmente, os seus leitores à conclusão, natural, de que todos os eleitos do M.P.T. o subscrevem.
Ora, isso, não corresponde à verdade. Porque não estamos mandatados por mais ninguém, nem temos que estar, esclarecemos que nós não o subscrevemos pelas razões a seguir mencionadas:
PRIMEIRA: porque até ao momento em que o lemos na comunicação social desconhecíamos por completo o seu conteúdo.
SEGUNDA: porque é nossa maneira de estar na vida, caso nos considerássemos atingidos na nossa honra e/ou posto em causa o nosso curriculum, não delegarmos em terceiros a nossa defesa.
TERCEIRA: porque entendemos que o local próprio para fazer esta defesa é o plenário da Assembleia Municipal, local onde o visado bem como os “alegados” subscritores do comunicado em causa o podiam ter feito de imediato.

Os membros da Assembleia Municipal do Sabugal (consideramos o termo deputado muito “elitista” e inadequado)
António Gata, que foi cabeça de lista à Assembleia Municipal do Sabugal pelo M.P.T.,
Francisco Bárrios»

O esclarecimento foi publicado na íntegra.
Capeia Arraiana

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A mercearia do meu bairro é dos únicos locais aqui em Leiria onde costumo encontrar os queijos Torre (Rendo, Sabugal) e Ródão (Vila Velha de Ródão) que aprecio e consumo. São curiosamente dois produtos originários de vilas acasteladas, ribeirinhas, desertificadas e às quais tenho ligações afectivas.

Queijo

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaSe o branco casario do Sabugal é dominado pelo ocre do seu castelo Dionisiano, o castelo do rei Wamba paira como águia vigilante sobre a acentuada colina de Vila Velha; Se o Côa demora a passagem num largo cotovelo para ir molhar os pés do Sabugal, o Tejo alarga as margens em Vila Velha receando transpor a garganta abrupta do Ródão; Se muitas freguesias dos Sabugal não assistem a um nascimento há décadas, em Vila Velha o pragmático padre António Escarameia junta os funerais por não ter mãos a medir para tanto ofício.
Ambas as vilas têm bom queijo, paisagem magnífica, águas tranquilas e dormem o mesmo sono da morte. Mas nisto se resumem as coincidências, porque a política das respectivas autarquias tem sido bem distinta:
– Em Vila Velha há mais de duas décadas, desde o inspector Baptista Martins, a autarquia percebeu que a desertificação era inevitável, adoptando políticas integradas de valorização do património natural, cultural e edificado; investindo em projectos que garantam directamente a qualidade de vida da população envelhecida; apoiando e realizando iniciativas, que pelas oportunidades de negócios geradas, estimulem a iniciativa privada e a criação de micro empresas familiares;
– No Sabugal alguns autarcas e ex-autarcas ainda pensam, que a desertificação e envelhecimento da população são reversíveis, pelo efeito necessário e colateral da realização de grandes obras estruturais.
É a diferença entre o realismo e a pura ilusão!
O défice demográfico dificilmente se inverte quando a taxa de mortalidade há mais de duas gerações supera a taxa de nascimentos. Quando não há mulheres em idade reprodutiva, e porque as crianças não nascem espontaneamente como as giestas nos cabeços, a terra desertifica-se. A agravar isto, está a taxa de emigração dos jovens!
O trágico é que muita gente ainda pensa como antigamente. As asneiras e os milhares de euros desperdiçados não lhes fizeram abrir os olhos.
Desafia o Manuel Rito ao António Gata no jornal «Cinco Quinas» que… se critica as opções do anterior executivo, apresente soluções. Mas que resposta espera o Manuel Rito neste assunto, se ele próprio quando pode fazer alguma coisa andou às aranhas por não perceber o cerne do problema?
O padre Escarameia de Vila Velha, que lida mais de perto com as coisas do espírito e da alma, transcendentes da vida comezinha do dia-a-dia, já compreendeu a questão metafísica que o Manuel Rito ainda não alcançou. Aqui fica, pragmática:
– Somos tão poucos, que quando nós morreremos, já não haverá quem morra! (in Semanário Expresso de 10-07-2010).
Mas no caso de Vila Velha e do Sabugal, existe uma pequena nuance, que faz a diferença:
Apesar do mesmo sono da morte, o queijo Ródão ainda se faz com o leite do concelho; o Queijo Torre, há muito que não.
O Manuel Rito, se conseguir saber porquê, chegará sem ajuda às tais soluções que ainda procura…
Tarde, mas chegará!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Conversámos com António Gata, que durante vários mandatos foi presidente da Junta de Freguesia de Vilar Maior. Agora algo afastado da política concelhia mantém-se porém atento, sobretudo aos assuntos referentes à sua terra, aldeia histórica do concelho do Sabugal que considera desprezada e desaproveitada. O mote da conversa foi a decisão recente do povo de Vilar Maior em manter a festa do Senhor dos Aflitos no primeiro domingo de Setembro, cumprindo a tradição. Nessa espécie de referendo António Gata bateu-se por opção diferente, defendendo que a festa deveria ocorrer em dois momentos distintos, o primeiro em Agosto e o segundo em Setembro, na data tradicional.

António GataDefende que a festa de Vilar Maior poderá acabar com a manutenção da mesma na sua data tradicional. O que o leva a pensar assim?
A manter-se a festa nos moldes em que se vem realizando considero que ela pode acabar um dia. A festa religiosa não duvido que se mantenha mas o restante, como o arraial, o fogo preso e a presença da banda filarmónica, pode de facto vir a acabar. O arraial leva largas centenas de pessoas a Vilar Maior, que ali vão sobretudo para assistir ao fogo de artifício, que é um momento fabuloso. Toda essa gente, quando acaba o espectáculo, debanda em direcção às suas terras, muitas sem sequer beberem algo no bar da festa. Esse enorme gasto com o fogo de artifício bem poderia ser aplicado num programa musical ou de variedades, que levasse a que as pessoas permanecessem na aldeia durante várias horas.
Mas não vale a pena cumprir a tradição?
Claro que vale a pena e as pessoas optaram por isso, o que deve ser respeitado. Mas temos de ponderar até onde podemos aguentar, porque a capacidade para isso esgota-se ao comportar elevadíssimos custos que um dia poderemos não ser capazes de suportar. Estou sempre com muito gosto na festa e gosto muito de ali rever amigos que não vejo durante a maior parte do ano, mas também tenho pena de não poder ver muitas pessoas que estão longe da terra e cuja vida não lhes permite estarem presentes.
O Capeia Arraiana referiu-se há algum tempo a uma casa recuperada para museu que agora está ao abandono, por alegada incúria das entidades locais. Na altura manifestou-se contra essa ideia, dando a entender que a responsabilidade não era da Junta de Freguesia de Vilar Maior. Quer esclarecer?
O edifício em questão nunca foi recuperado para museu, aliás Vilar Maior tem um museu instalado noutro local. Mas a questão é que o edifício de que se fala é propriedade da Câmara Municipal, pelo que a responsabilidade pelo seu estado nunca pode ser da Junta de Freguesia. Aliás a recuperação desse edifício tem uma história. Ele era propriedade particular e eu, enquanto presidente da Junta de Freguesia convenci o então presidente da Câmara, que era o José Freire, a adquiri-lo. A Câmara comprou-o ao particular e ficou registado como sua propriedade, sendo depois recuperado e passando a existir ali um forno comunitário, um espaço destinado a posto de turismo e outro a ponto de venda de produtos locais.
Mas a Câmara Municipal não se considera responsável pelo estado de degradação a que o edifício chegou.
Está tudo ao abandono e num estado lastimável, com o telhado em perfeita degradação. E face a isso então eu também pergunto: sendo o edifício propriedade da Câmara Municipal, quem é que deve responsabilizar-se pela sua conservação e pela sua funcionalidade?
Disse que Vilar Maior tem um museu instalado noutro edifício, mas esse também tem estado encerrado.
O museu de Vilar Maior está instalado no edifício da antiga Câmara Municipal. Fui eu, enquanto presidente da Junta de Freguesia, que o recuperei para esse efeito, tendo em conta que era urgente acautelar as peças que a professora Delfina tinha no edifício da escola. Foi aliás um projecto pioneiro ao nível das juntas de freguesia, porque representou uma grande responsabilidade dado o tipo de projecto e os encargos financeiros envolvidos, o que, ao tempo, não era comum ser assumido pelas juntas de freguesia. Para além da recuperação do edifício a Junta arranjou ainda e instalou o espólio exterior. Mas o museu está hoje também votado ao abandono e este Verão foi um claro exemplo disso, pois esteve sempre encerrado.
E, neste caso, de quem é a culpa?
Quero deixar claro que a culpa não é de certeza da professora Delfina, que pouco ao nada pode fazer. Também não considero que seja da Junta de Freguesia, que foi arredada disso. E sobre o assunto mais não digo.
Sendo Vilar Maior uma aldeia histórica, o que se poderá fazer para se tornar num destino turístico?
Alguns criticam-me por eu falar sempre em Vilar Maior, mas a verdade é que eu falo da minha terra no contexto do concelho do Sabugal. Considero que Vilar Maior pode e deve complementar Sortelha. Ambas as aldeias históricas estão em extremidades do concelho. A aposta na recuperação e dinamização de Vilar Maior poderia fazer com que as pessoas, para visitarem as duas aldeias, tenham de cruzar o concelho, seguindo percursos que lhes podem ser sugeridos, beneficiando com isso todo o concelho do Sabugal. Mas no que particularmente se refere a Vilar Maior, espero que a Junta de Freguesia avance com o projecto dos trilhos, em que de resto colaborei. O projecto prevê a recuperação de alguns caminhos antigos ao redor da aldeia. Alguns foram já limpos pela população, faltando apenas sinalizá-los e divulgá-los. Os trilhos, além de proporcionarem e possibilidade de se praticarem saudáveis caminhadas, permitem conhecer Vilar Maior numa perspectiva diferente, observando as diferentes paisagens, as sepulturas antropomórficas, o antigo falcoal e muitos outros locais de interesse histórico.
Como homem atento à politica concelhia, e elemento do PSD há muito descontente com as opções do partido para o concelho, o que acha da escolha de António Dionísio por parte do PS para candidato a presidente da câmara nas próximas eleições?
Somos amigos e dou-me muito bem com ele, mas neste momento não tenho qualquer decisão tomada sobre a minha posição. Apenas o farei quando conhecer todos os candidatos.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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