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Mais uma vez começo uma crónica com título emprestado, agora o da célebre canção popularizada por Liza Minnelli e Frank Sinatra, que retrata o fascínio exercido pela Big Apple sobre todos aqueles que a visitam e, principalmente, sobre os que nela moram. Na verdade, com todos os seus defeitos e os seus perigos, Nova Iorque é uma cidade única, apaixonante. Como dizia Fernando Pessoa acerca da coca-cola, «primeiro estranha-se, depois entranha-se».

Vista nocturna de Nova Iorque. À esquerda, distingue-se o Empire State Building e, ao centro, o Chrysler Buiding
Estátua da Liberdade. Ao fundo, Manhattan (já sem as Torres Gémeas) Edifício da Bolsa de Nova Iorque, em Wall Street Um aspecto da Broadway

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaQuando, às vezes, conversava com amigos sobre países, viagens e cidades, mostrava-me sempre um tanto ou quanto céptico relativamente aos Estados Unidos em geral e a Nova Iorque em particular. O cinema deixara-me na retina uma cidade perigosa, cheia de drogados e de mafiosos, loucas correrias de psicadélicos e ululantes carros da polícia, bairros pobres com tomadas de água esguichando por todo o lado e tampas de esgoto fumegantes. Para mim só existia a cidade do Scorsese em «Nova Iorque fora de horas» e no «Taxi Driver», ou então a Nova Iorque dos chocantes contrastes sociais, dos grandes especuladores financeiros, de Wall Street e Central Park Avenue, e também a terrífica megalópole dos “«ghettos» do Bronx e do Harlem, magistralmente descritos por Tom Wolfe na «Fogueira das Vaidades». Como podia alguma vez gostar de uma babilónia daquelas, eu que tinha uma dúzia de autênticas «paixões urbanas», cidades carregadas de patine e de magia, como Paris, Praga, Veneza, Florença, Siena, Roma, Toledo, Salamanca, Istambul, etc.?
Pois bem, leitores amigos, dou de bom grado a mão à palmatória. Nova Iorque, tal como aconteceu com São Francisco, passou a integrar a minha lista pessoal das cidades mais belas e fascinantes do mundo. Claro que tudo separa a grande metrópole americana das lindíssimas cidades europeias que eu referi. Mas é exactamente aí que reside o fascínio: Nova Iorque é absolutamente única. Quem conheça bem as deslumbrantes cidadezinhas da Itália central, como Pisa, Lucca, Siena, San Gimignano, Gubbio, Assis ou Orvietto, dificilmente poderá destacar uma. São todas verdadeiras preciosidades, mas têm muitos pontos comuns. Agora Nova Iorque, essa não tem similar, nenhuma outra cidade do mundo se lhe pode comparar! É a urbe cosmopolita por excelência, a capital do mundo, o coração financeiro do planeta (coração que recentemente tem tido alguns «enfartes»!). É «a cidade», a big apple, a grande tentação, que não admite meias tintas: ou se ama ou se detesta. Não hesito em confessar que mordi a maçã, aceitei conscientemente a tentação e voltarei a Nova Iorque sempre que possa.
A baía do rio Hudson, onde se situa Nova Iorque, foi inicialmente explorada pelo navegador italiano Giovanni da Verrazano, em 1524 e, em 1609, por Henry Hudson, que daria o nome ao lugar. Em 1624, a ilha de Manhattan, situada entre o East River e o Hudson, foi comprada aos índios pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Aí viria a nascer a cidade de Nova Amsterdão, capital da Nova Holanda. Pouco tempo depois, porém, a região seria ocupada pelos Ingleses, que mudaram o nome da cidade para Nova Iorque, em homenagem ao duque de York, irmão do rei Carlos I.
Na segunda metade do século XVII, Nova Iorque tinha apenas cerca de mil habitantes. No final do século XVIII, pouco depois da independência dos EUA, a cidade alcançava já as 50 mil almas. Dispondo de um belíssimo porto natural, em breve Nova Iorque se transformaria na principal e mais populosa cidade da União. O seu poderio aumentou graças sobretudo ao comércio e à industrialização e, em 1830, contava com 200 mil habitantes, em consequência das sucessivas vagas de emigrantes, principalmente irlandeses. Em 1884, Manhattan uniu-se a mais quatro “burgos” vizinhos (os boroughs de Bronx, Brooklyn, Queens e Richmond), formando a Grande Nova Iorque, cuja população atingia 3,5 milhões por volta de 1900.
Actualmente, a Grande Nova Iorque alberga cerca de 11 milhões de habitantes, constituídos por numerosas comunidades descendentes de emigrantes vindos de todo o lado. As maiores dessas comunidades são a asiática (8%), a irlandesa (10%), a italiana (12%), a hispânica (13%), a judaica (18%) e a afro-americana (22%).
Além de ser uma das áreas mais urbanizadas do mundo, Nova Iorque é um grande centro industrial, com mais de 30 mil unidades fabris, e um imenso complexo comercial, onde é possível comprar e vender literalmente tudo (a título de exemplo – na fachada de um grande armazém podia ler-se: «Seja o que for que procura, entre. Nós temos.»). Esta intensa actividade fabril e mercantil fez de Nova Iorque o centro vital da alta finança. Em Wall Street, na Lower Manhattan, tem a sua sede a bolsa de valores de que todas as outras dependem (por isso é costume dizer-se: “quando Wall Street espirra o mundo constipa-se!”). Aí se situam também os maiores e mais poderosos bancos, companhias de seguros, empresas financeiras, etc. Quando passeamos por Wall Street e avenidas adjacentes temos a nítida sensação de que os destinos do mundo se decidem ali. Não na Casa Branca, ou em qualquer outra sede do poder político, mas ali, onde o poder do dólar é estabelecido. Como dizia o outro, quem comanda o mundo é o Goldman Sachs.
No entanto, Nova Iorque não é só poder, riqueza, dinheiro. É também cultura. Nova Iorque possui uma das mais dinâmicas vidas culturais de todo o planeta. Na Broadway situam-se as melhores salas de teatro declamado e de teatro musical; por toda a cidade encontramos um extraordinário dinamismo das actividades artísticas, como a pintura, a música e a dança. A Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, a Metropolitan Opera, o New York City Ballet têm uma actividade regular e os seus espectáculos estão sistematicamente esgotados, em salas prestigiadíssimas como o Carnegie Hall, o Lincoln Center ou o Radio City Music Hall. Na região de Nova Iorque funcionam várias universidades, com um total de quase meio milhão de alunos, e existem 1300 bibliotecas. A Biblioteca Pública de Nova Iorque, uma das maiores do mundo, tem quase 10 milhões de livros. E existem em Nova Iorque alguns dos mais prestigiados jornais, como o New York Times, com milhões de exemplares de tiragem todos os dias.
Nova Iorque tem inúmeros museus. Visitei quatro, qual deles o melhor. O Natural History Museum, que possui excepcionais colecções de mineralogia, botânica e biologia, museologicamente expostas de forma altamente atractiva e pedagógica. O Metropolitan Museum of Art, com as suas mais de 380 mil peças, desde o Egipto Antigo até Picasso, foi um dos meus lugares de perdição: para me arrancarem de lá foi preciso empurrarem-me! O Guggenheim Museum, cujo edifício, da autoria de Frank Lloyd Wright, é em si mesmo uma verdadeira obra de arte: desenvolve-se em espiral invertida e os visitantes vão observando a colecção descendo essa espiral. E, finalmente, o Museum of Modern Art, o famoso MOMA, com uma vastíssima e completíssima colecção de pintura moderna, desde os pós-impressionistas, como Van Gogh, Gauguin e Cézanne, aos fauvistas, como Matisse, aos cubistas, como Picasso e Braque, aos surrealistas, como Magritte, Dali e Miró, passando por abstraccionistas como Kandinsky e Mondrian, e todas as demais tendências contemporâneas, da op art de Vasarely à pop art de Lichtenstein e Warhol, das colagens de Rauschenberg à action painting de Pollock.
Mas ninguém consegue descrever Nova Iorque sem falar das suas imensas avenidas e dos seus gigantescos arranha-céus. Ao contrário daquilo que se pode pensar, os altíssimos edifícios de Manhattan não tornam a cidade escura, sombria. As grandes avenidas são muito largas e as construções vão-se desenvolvendo em sucessivos planos à medida que sobem, não impedindo, por isso, que a luz chegue ao solo. Por outro lado, os arquitectos utilizam frequentemente o vidro e o aço polido, o que reflecte não só a luz como o céu, as árvores, as cores, os edifícios em frente, etc. Aquilo que aparentemente é uma floresta de cimento torna-se um jardim de luz e cor. E os próprios arranha-céus são, boa parte deles, verdadeiras obras-primas da arquitectura contemporânea, como acontece com o Empire State Building ou o Chrysler Building. O Empire State, por exemplo, é um lindíssimo edifício art déco, com um perfil elegante e acabamentos requintados. Inaugurado em 1929, com os seus mais de cem andares, constituiu durante muito tempo o mais alto arranha-céus do mundo. Por sua vez, o Chrysler Building, concluído em 1930, com a sua torre também art déco, destaca-se na paisagem como um verdadeiro símbolo do urbanismo moderno. No entanto, os dois edifícios mais altos de Nova Iorque eram as duas torres gémeas do World Trade Center. Do seu terraço tinha-se uma vista espectacular sobre a cidade, a baía e os arredores. Um panorama de ficar sem fôlego. Infelizmente, porém, a tragédia de 2001 roubou à cidade um dos seus ex-libris. Também a vista do cimo do Empire State, sobretudo à noite, é um espectáculo deslumbrante.
Muito mais haveria que dizer ainda: poderia falar aos leitores dos meus passeios pelo Central Park, da ida à Liberty Island, onde está a célebre estátua da Liberdade, ou à Ellis Island, que foi durante décadas o centro de recepção dos milhares de emigrantes que afluíam a Nova Iorque. Ou falar ainda das vastíssimas e requintadas livrarias onde me perdi e me encontrei (e onde gastei boa parte do meu dinheiro!) Ou dos restaurantezinhos de Little Italy e dos bares-restaurantes sulistas onde se come a boa comida de New Orleans e se ouve o puro dixie-jazz. Ou dos passeios a pé pela 5.ª Avenida, sem compromissos nem destino, vendo as montras faiscantes da Tiffany, da Cartier e da Van Cleef, ou abrindo os olhos de espanto para os cinco mil euros de um fato Armani. E, ao mesmo tempo, dar de caras com uma exposição de autênticas estátuas de Rodin, incluindo «O Pensador», ao ar livre, junto ao Rockefeller Center. E, entretanto, entrar na St. Patrick’s Cathedral, também em plena 5.ª Avenida, uma imensa catedral neo-gótica, igualzinha às grandes catedrais europeias mas ladeada de espelhentos arranha-céus de vidro e aço.
Muito mais haveria para contar, claro. Mas assim pouco ficaria para o leitor poder descobrir, ao vivo, quando lá for. E aconselho-o, sinceramente, a ir logo que possa.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

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O título da crónica com que hoje retomo o convívio dos leitores pedi-o emprestado a um admirável filme de Elia Kazan, que nos mostra a odisseia dos emigrantes europeus a caminho dos Estados Unidos, a nova «Terra Prometida», onde «corria o leite e o mel». Essa América da abundância e das grandes oportunidades, que, entre 1800 e 1990 acolheu mais de 80 milhões de imigrantes vindos de todo o mundo, incluindo muitos dos nossos antepassados raianos. Toda esta gente, somada aos que já lá se encontravam (os índios, quando os deixaram sobreviver) e aos que para lá foram levados à força (os escravos africanos), fizeram dos Estados Unidos da América o «melting pot» de que falam alguns sociólogos. Ou seja, um país onde convivem (nem sempre pacificamente) muitas e desvairadas gentes, de todas as etnias, de todos os credos e de todas as proveniências.

Vista aérea da Baía de San Francisco. Em primeiro plano, a Golden Gate Bridge; ao longe, os arranha-céus de Downtown; à esquerda, a famosa ilha de Alcatraz, assim chamada pelos espanhóis por nela haver muitos alcatraces (pelicanos)
As famosas casas vitorianas de São Francisco Vista aérea e nocturna de Las Vegas Vista do Grand Canyon, num meandro do rio Colorado

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaFoi este país cheio de contrastes e de contradições que eu visitei aqui há tempos. No artigo de hoje e no próximo tentarei transmitir aos leitores algumas das minhas impressões desta viagem.
Estive na Califórnia (San Diego, Los Angeles, incluindo Hollywood, San Francisco, etc.); e também em Las Vegas e em Nova Iorque. Deixemos a «Big Apple» para a próxima crónica. Merece-a bem. Falemos hoje dessa terra de sol e de progresso que é a Califórnia, e também de Las Vegas, cidade protótipo da megalomania kitsch americana.
O primeiro europeu a explorar a costa da Califórnia foi o navegador português João Rodrigues Cabrilho, ao serviço da Espanha. Cabrilho era natural de uma perdida aldeia dos confins transmontanos, cujo nome hoje nos está nos ouvidos devido à construção de uma barragem que recebeu o seu nome: Cabril. As voltas e reviravoltas da História acabaram por levar Cabrilho bem longe! E a casa onde se diz ter nascido recebe anualmente muitos visitantes californianos.
Em Setembro de 1542, João Rodrigues Cabrilho explorou a baía de San Diego, cidade que o homenageou com uma boa estátua da autoria de Álvaro de Bré. Cabrilho prosseguiu a sua viagem para Norte, em busca do mítico El Dorado, terra de ouro e de pedraria, autêntico paraíso terrestre. Já no começo do século XVII, outro português, Sebastião Biscainho, percorreu também a costa californiana, tendo descoberto a baía de Monterey, onde, mais tarde, viria a nascer a cidade que foi a primeira capital da Califórnia mexicana. No entanto, a colonização espanhola da região apenas seria efectuada de modo sistemático durante o século XVIII, com a fundação de inúmeras missões e povoados. Pouco a pouco vão surgindo cidades cujos nomes actuais não deixam dúvidas quanto à fundação hispânica: San Diego, Los Angeles, Sacramento (hoje capital do Estado), San Francisco, San Fernando, etc.
Mas como é que toda esta riquíssima região foi integrada nos Estados Unidos? Vejamos um pouco de História.
Quando os Estados Unidos da América se tornaram independentes eram constituídos por apenas 13 Estados (as Treze Colónias inglesas que se sublevaram e proclamaram a Declaração da Independência, no 3.º Congresso de Filadélfia, em 4 de Julho de 1776). A bandeira adoptada tinha 13 riscas alternadamente brancas e vermelhas (que ainda conserva) e treze estrelas. As estrelas, todavia, aumentaram muito à medida que o País dilatava a sua fronteira para Oeste (hoje são 50). Toda a extensa região situada entre os montes Apalaches e o rio Mississipi foi cedida em 1783 pela Inglaterra, na ocasião da assinatura do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Guerra da Independência. Em 1803, seria a vez da anexação de outro vastíssimo território, a Louisiana, na margem direita do Mississipi, comprado à França. A Florida foi também comprada à Espanha, em 1819, e, três anos depois, o Alasca seria adquirido à Rússia (por dez mil dólares!). A jovem nação americana, como vemos, mostrou-se desde cedo expedita a fazer verdadeiros negócios da China.
Em 1846, pela celebração de acordos com a Grã-Bretanha, é fixada a fronteira com o Canadá, de que resultou a anexação do Oregon. Quanto à fronteira com o México (independente desde 1821), a questão foi mais complicada. Um vasto espaço que compreendia todo o Texas («o Gigante») e parte do Novo México e do Colorado foi anexado pelos Estados Unidos em 1845, o que desencadeou uma guerra entre os dois países. Os Mexicanos foram vencidos (apesar de vitórias esporádicas, como a do Forte Álamo) e a derrota custou-lhes uma fatia impressionante do seu próprio país: em 1848, os EUA forçaram o México a «vender-lhes» o imenso e riquíssimo território que hoje é formado pelos Estados do Arizona, do Utah, do Nevada e da Califórnia! Assim se fez a nação mais rica da Terra e assim se fez uma das mais pobres. Em História não há «ses», há factos. Mas pensemos no que seria hoje o México, «se» tivesse conservado todos esses vastíssimos territórios! Não os conservou e tornou-se o vizinho pobre, fornecedor de mão-de-obra barata para os trabalhos mais humildes, gente a quem os americanos pejorativamente chamam «chicanos».
Deixemos, porém, o passado. Das grandes cidades californianas que visitei, aquela de que mais gostei foi San Francisco. Com a sua lindíssima baía, as suas ruas ondulando pelas colinas percorridas por carros eléctricos (os «cable cars») e a sua famosa Golden Gate Bridge (muito parecida com a nossa Ponte 25 de Abril), San Francisco faz-nos lembrar Lisboa. É, além disso, uma cidade cosmopolita, onde existe uma convivência interétnica mais fácil do que noutras metrópoles americanas. Basta lembrarmo-nos do movimento hippy que, no final da década de 60, para aí fez confluir dezenas de milhares de jovens adeptos do «flower power».
No meio da recortada baía destaca-se a mítica ilha de Alcatraz («The Rock»), onde funcionou, entre 1934 e 1963, uma prisão federal de alta segurança. Ali estiveram “hospedados” criminosos célebres como Al Capone e o «Birdman of Alcatraz». Em toda a sua história, apenas se registou uma única fuga com sucesso, justamente um ano antes do seu encerramento. Hoje, Alcatraz é apenas um lugar de turismo, onde eu próprio me fiz fotografar «atrás das grades».
Mas de tudo quanto existe nesta belíssima cidade, o que mais me cativou foram as preciosas casas vitorianas de San Francisco. Trata-se de pequenas moradias da segunda metade do século XIX, feitas de madeira, hoje recuperadas, requintadamente pintadas e luxuosamente mobiladas. São caríssimas: não se encontra uma por menos de 2 ou 3 milhões de dólares! Mas são uma beleza! Um livro ilustrado que comprei, exclusivamente dedicado a estas casas, chama-lhes «the painted ladies».
Em contrapartida, Los Angeles e Hollywood constituíram uma desilusão. A Cidade dos Anjos é uma diabólica megalópole: ruas tão compridas como a distância de Lisboa a Santarém; bairros mais perigosos que os piores de Nova Iorque; poluição mais mortífera que a de Atenas (sobretudo quando há «smog», uma fatal mistura de nevoeiro e fumo); auto-estradas que são autênticos formigueiros, com 5 ou 6 faixas em cada sentido (onde, apesar de tudo, se conduz mais civilizadamente que na nossa A1, devo confessar); gente mais indiferente que outra qualquer. Claro que Beverly Hills é deslumbrante pelo luxuoso requinte das mansões das «estrelas», ou pelas caríssimas lojas de Rodeo Drive, a rua onde se podem encontrar mais Rolls Royces ou Ferraris por metro quadrado. Mas já Hollywood Boulevard, com os seus famosos «passeios das estrelas», ou o chão em frente do Chinese Theater coberto de assinaturas e marcas das mãos e dos pés dos grandes mitos do cinema me deixou indiferente, com um certo sabor a “pirosas americanices”.
E por falar em “americanices”: Las Vegas é o supra-sumo de tudo isso. Uma cidade construída no deserto, num local onde os fundadores espanhóis encontraram umas escassas «veigas», uns lameiros primaveris irrigados por ténues fios de água (que é o que significa “vegas”). Uma cidade que cresceu, a partir da 2.ª Guerra Mundial, sobretudo graças ao jogo e à energia produzida pela grande barragem Hoover, no rio Colorado. Energia indispensável para alimentar a prodigiosa festa de néon que explode ao anoitecer. As luzes de néon, ao longo da grande avenida central de Las Vegas (The Strip), onde se situam os principais hotéis-casinos, constituíram para mim um dos mais delirantes espectáculos a que assisti. Depois, o resto foi a comédia humana: gente obcecada pelo jogo, nos luxuosos halls tilintantes dos casinos, gente quase sempre gorda, imensamente gorda, mastodonticamente gorda, comendo toneladas de pizzas e de hambúrgueres nos discricionários buffets, assistindo a espectáculos de strip-tease de silicone, percorrendo os intermináveis labirintos dos mega-hotéis de cinco estrelas com cinco mil quartos. Quase todos os hotéis de Las Vegas são temáticos: o Luxor é uma pirâmide egípcia onde não podia faltar, no interior, uma esfinge em tamanho natural e a reconstituição do túmulo de Tutankhamon; o Excalibur parece um castelo de fadas; o New York New York pretende reproduzir Manhattan, com arranha-céus e estátua da Liberdade; o Ceasar’s Palace é isso mesmo, um palácio dos césares romanos, prodigiosamente grande e absurdamente luxuoso; o Treasure Island é a hollywoodesca ilha dos piratas, uma espécie de disneylândia à beira do passeio, com combates e navios a afundarem-se; o Mirage, com as suas palmeiras e as suas cascatas monumentais, é uma verdadeira miragem paradisíaca; o Circus Circus tem lá dentro uma gigantesca montanha russa e uma verdadeira cúpula de circo, onde nem faltam trapezistas em acção; etc., etc. «The american dream» ao vivo. A mim, Las Vegas lembra-me a «welwitschia mirabilis», a planta carnívora do deserto de Moçâmedes: com o seu odor atrai os incautos, que acabam por ser devorados em vida. É que nos casinos só há um vencedor: o Casino.
No entanto, foi a partir de Las Vegas que fiz uma excursão que me lavou a alma: nada mais nada menos que a visita ao Grand Canyon, o fabuloso vale rochoso cavado pelo rio Colorado, um dos mais deslumbrantes e esmagadores panoramas naturais existentes à face da Terra. Ali sim, perante aquele incrível rendilhado geológico, com centenas de milhões de anos de existência, apetece-nos dizer: que mesquinha e pretensiosa é esta nossa breve existência de 80 ou 90 anos!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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