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«Haja saúde e coza o forno», sentenciava o nosso povo, querendo afirmar a importância maior que tinha a saúde e o pão, alimento de todos os dias. Em verdade, a alimentação nas aldeias baseava-se no pão, que se embutia só ou com peguilho. Mas para que houvesse pão na mesa, tinha que funcionar o forno, onde era confeccionado.

Forno ComunitárioNa aldeia o forno era comunitário e no seu uso valia o sistema da adua, com regras ancestrais religiosamente cumpridas, para que ninguém se visse privado de usufruir de um bem essencial.
O forno era construção sóbria, normalmente dentro de uma choupana ou casebre, no meio da povoação, para que todos lhe tivessem fácil acesso. Tinha, por regra, uma arquitectura circular, em forma de cúpula, erguida em tijolo-burro. A cobrir a cúpula era colocada uma camada de terra barrenta, o que ajudava a preservar o calor. A parede exterior, que envolvia a cúpula, era edificada em granito ou em xisto, conforme a morfologia do terreno em que assentava a aldeia. O forno tinha apenas uma boca, por onde entrava a lenha, se retirava a cinza, assim como entrava e saía o pão no acto da cozedura. Ao redor tinha pousos de pedra, para aí se colocarem as masseiras, que traziam a massa tendida e levavam o pão no final da operação. Também ao redor existia sempre uma grande pia de pedra, que se mantinha cheia de água, para nela se embeber o trapo com que se varria o forno.
Para cada fornada era necessário aquecer o forno, metendo-lhe dentro mato seco, a que se apichava lume, cabendo ao forneiro voltear o fogo com a ajuda do ranhadouro, ou bulidor, que não era mais que um varapau comprido, manejado com habilidade para rapidamente espalhar o braseiro por todo o espaço interior. Depois de bem aquecido, era preciso retirar os restos da combustão, o que se fazia com o manejo do mesmo ranhadouro. No fim, para limpar os restos de cinza, usava-se o varredouro, ou vasculho, outro varapau, com um trapo atado na ponta, que, encharcado na água da pia, lavava o solo do forno.
Meter o pão no fornoEntretanto, já a forneira amassara e tendera o pão, dando-lhe a forma devida, e trouxe-o para junto da boca do forno, dentro de um tabuleiro. O forneiro, com o manejo da pá, ia acomodando o pão, no soalho do forno, chispando depois a porta de ferro, para manter a alta temperatura.
Dado que em muitas ocasiões uma fornada levava pão de mais de uma pessoa, era uso colocar-lhe um sinal identificativo, para não houver enganos. Ao fim de cerca de uma hora, a porta era franqueada, e verificava-se o estado da cozedura. Se dado por apto, o pão era retirado com a pá e colocado no tabuleiro, onde a dona o transportaria para casa.
Em muitas terras, os fornos comunitários tinham proprietário, estando aqui designado um forneiro, que tinha por responsabilidade manusear o equipamento e ainda um joineiro, que era quem tinha a incumbência de arranjar e transportar lenha para uso do forno. Também aqui era livre o acesso ao forno, tendo porém os utilizadores que deixar a «poia», no fim de cada cozedura. Isso era a paga ao proprietário, ao forneiro e ao joineiro e consistia num pão para cada um dos intervenientes referidos.
Geralmente os fornos eram também o local onde a rapaziada se juntava nas noites inverniças, aproveitando o ar quente que ali se sentia. Os fornos eram, assim, um equipamento essencial das aldeias, onde o povo se juntava periodicamente, não apenas para cozer o pão, mas também para falar da vida, conviver, propagar e recolher todas as novidades da terra.
Paulo Leitão Batista

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O Verão vai quase a meio, quente impiedoso, a pedir sombra e locais frescos com água por perto. Logo, logo, virá o mês de Agosto, o mês dos emigrantes e mês de todas as festas. Por aqui não há terra que a não tenha, com mais ou menos pompa, com mais ou menos desassossego.

Festas de Agosto - António Cabanas - Terras do Lince - Capeia Arraiana

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia ArraianaLonge de ser apenas um desperdício ou um acontecimento sem significado, a festa comporta um forte elemento de subversão dos códigos estabelecidos, constituindo simultaneamente, um fenómeno social, cultural, económico e político.
Interrompendo a rotina do quotidiano, ela é uma espécie de válvula de descompressão que nos proporciona a explosão de uma série de sentimentos contidos durante os restantes dias do ano.
Acontecimento quase sempre associado ao sagrado e ao ritual, a festa é vivida nas nossas aldeias com grande intensidade, em ruptura com a vida banal de todos os dias, tornando-se ainda no principal espaço de reencontro de familiares e amigos.
As ruas e largos tornam-se cenário de uma realidade virtual, de imagens, de enfeites coloridos, de muita luz. Geralmente associada à festa religiosa, o mundo dos santos convive com as pessoas que os veneram, que os vestem, que os transportam em procissão. É uma aproximação entre o Céu e a Terra!
Põem-se as colchas nas janelas, alcatifa-se o chão de flores e verdura, o homem veste o fato novo, a mulher põe as arrecadas de ouro e faz uma «permanente», mata-se uma rês e partilha-se a comida e a bebida. É um momento de exaltação e de transcendência, sem lugar para a menoridade.
Aparentando tratar-se de um rol de comportamentos fúteis e superficiais, a festa têm, no entanto, uma abrangência que ultrapassa esta realidade, constituindo um investimento de carácter social, um meio de comunicação entre a comunidade, uma forma de afirmação e demonstração e faz parte de um complexo conjunto de estratégias de ajustamentos sociais.
Caracterizando-se pelo divertimento e pela mudança do ritmo normal da vida em comunidade, a festa é mobilizadora, de vontades, de novos projectos, de novos negócios e quantas vezes de novos amores!
Mas a festa tem também uma outra face. A sua coerência programática e o seu sucesso só se atingem mercê do muito trabalho das comissões de festas. Para que tudo funcione bem, nada pode ser deixado ao acaso, sendo necessárias muitas horas de trabalho. Para os mordomos é quase sempre um exame muito exigente em que não se pode falhar. O júri é o próprio povo da aldeia e a bitola mínima é a festa do ano anterior. Obrigam-se, a trabalhar arduamente, colocando na organização todo o seu empenho e dos seus familiares. Merecem, por isso, todo o nosso respeito e admiração, o nosso apreço e incentivo.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt

«Há Tourada na Aldeia», do realizador Pedro Sena Nunes, estreou na sexta-feira, 30 de Abril, no Grande Auditório da Culturgest, integrado no Festival Indie Lisboa. No final a plateia, bem composta, aplaudiu durante alguns minutos o documentário que transmitiu – a quem conhecia e a quem não conhecia – o espírito e a alma dos povos raianos. Em foco estiveram as festas e as Capeias Arraianas em quatro aldeias do concelho do Sabugal. «Filmei em treze mas, com muita pena minha, foi impossível colocá-las todas no filme», disse o realizador na breve apresentação antes do início da projecção.

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O Grande Auditório da Culturgest recebeu durante o Indie Lisboa 2010 dois filmes documentários que tiveram como pano de fundo as terras raianas do concelho do Sabugal. Na sexta-feira, 23 de Abril, estreou «Muito Além», do realizador luso-alemão Mário Gomes com raízes em Aldeia da Ponte e, uma semana depois, no dia 30, foi a vez do tão aguardado «Há Tourada na Aldeia» que teve como media partner o Blogue Capeia Arraiana.
O realizador, Pedro Sena Nunes, fez uma pequena introdução antes do filme perante uma plateia entusiasta e bem composta com estudantes de cinema, com cinéfilos, com espectadores que nunca tinham ouvido falar de capeias e com muitos raianos como, por exemplo, o professor Adérito Tavares.
Pela tela passaram os momentos marcantes da alma raiana: os encerros, as capeias, as festas de Verão e infelizmente muitas casas de pedra com as portas de madeira definitivamente fechadas. É com muita curiosidade que se vão adivinhando as vozes dos muitos narradores que na primeira pessoa vão esclarecendo o espectador sobre o que vai acontecendo na tela. São muitas as caras conhecidas da Raia que aparecem a legendar as imagens em Alfaiates, nos Forcalhos, em Vale das Éguas (onde assistimos a um monumental banho nas águas do Côa do presidente Fernando Proença) e em Aldeia da Ponte.
No final o realizador foi brindado com uma prolongada salva de palmas reconhecendo que a prova foi superada.
Após a projecção do filme decorreu um debate onde foram colocadas algumas questões a Pedro Sena Nunes.
«Filmei muito. Filmei em todas as aldeias. Em todas as aldeias encontrei e lidei com particularidades únicas. Mas, com muita pena minha, quando começámos a montar percebemos que era impossível mostrar as 13 aldeias onde estivemos. O cinema é feito de decisões e, infelizmente, algumas pessoas ficaram de fora», começou por explicar o realizador.
Uma espectadora – que reconheceu nunca ter ouvido falar em capeias – quis saber se já conhecia a região raiana e as «estranhas» touradas que felizmente não magoavam o animal. O cineasta esclareceu que «é um olhar sobre uma região que não é a minha» acrescentando que «o filme sobre as capeias faz parte de um projecto mais amplo denominado Microcosmos, uma colecção de olhares sobre o meu país»
O projecto Microcosmos é uma série de documentários. Um documentário por província. Já foram feitos filmes em Trás-os-Montes, Minho, Beira Litoral, Beira Baixa e Algarve e agora, para simbolizar a Beira Alta, o cineasta escolheu as capeias da Raia sabugalense.
«A memória de um país pode e deve ser retratada de forma directa. Quero filmar nos labirintos da memória».
«Neste trabalho estiveste mais distante, não te envolveste tanto», observa outra espectadora. «Sim, achei que devia deixar falar os da terra e penso que consegui. Não foi necessário narrador. A história é contada pelos olhos de quem a conhece e dos mais diversos pontos de vista».
Questionado sobre como tinha sentido a desertificação das aldeias que filmou o realizador Pedro Sena Nunes respondeu: «Vivi a realidade das festas de Verão e do mês de Agosto e sei que tudo se altera nos restantes onze meses do ano. A desertificação é um facto mas não quero acreditar que um dia apenas se vai ouvir falar francês aos rapazes que agarram ao forcão».
O professor Adérito Tavares, especialista em capeias, aproveitou para dar os parabéns ao realizador e para destacar um momento mágico: durante um eterno minuto a imagem «fica em câmara muito muito lenta» e todos os espectadores param de respirar enquanto assistem «à luta» entre o touro encornado nas galhas medindo forças, olhos nos olhos, com os rapazes que agarram ao forcão.
O filme «Há Tourada na Aldeia» podia perfeitamente chamar-se «Terras do Forcão». Ao longo da projecção vivemos dois sentimentos intensos. Por um lado interpretar a «visão de fora para dentro» de um realizador que soube colocar na tela toda a nossa alma raiana e por outro perceber em cada novo plano que estávamos perante um trabalho que irá fazer parte do património cultural da Capeia Arraiana e do Sabugal.

E porque há factos que são notícia… ouvimos o realizador afirmar que teve o apoio de todas as autarquias onde filmou os outros documentários do projecto Microcosmos e na Câmara Municipal do Sabugal, entre 2008 e 2009, sempre se recusaram a recebê-lo. Na ficha técnica apenas surge uma breve referência ao nome de António dos Santos Robalo. Curiosamente a newsletter da Câmara Municipal do Sabugal destaca a estreia de «Há Tourada na Aldeia» e ignora «Muito Além» que também foi filmado em terras raianas. Ele há coisas…
jcl

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008, 15 horas. Data histórica para os de Aldeia de Santo António. As sensações e as emoções estavam à flor da pele. O sonho de alguns, liderados por Joaquim Ricardo, tornou-se realidade. Tinha chegado a hora de inaugurar as instalações do Lar da Liga dos Amigos de Aldeia de Santo António que acrescentará mais qualidade de vida à população idosa da freguesia.

Inauguração do Lar de Aldeia de Santo AntónioA inauguração do Lar da Liga dos Amigos de Aldeia de Santo António teve início com a cerimónia religiosa que contou com uma presente muito especial: o reverendo Padre Soita, antigo pároco de Aldeia de Santo António, que apesar de retirado para um merecido descanso no Colégio da Cerdeira não quis deixar de se associar a este momento histórico.
A cerimónia oficial contou com a presença do Secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, da Governadora Civil da Guarda, Maria do Carmo Borges, do Vereador António Robalo em representação do presidente da Câmara Municipal do Sabugal, e do representante da Direcção-Geral da Segurança Social da Guarda.
Após a recepção de boas-vindas, foram asteadas as bandeiras de Portugal, da Uniao Europeia, do Município do Sabugal e da Liga dos Amigos de Aldeia de Santo António.
Nos jardins envolventes do edifício uma pedra gravada fica a testemunhar e perpetuar o momento. O acto simbólico de descerramento, apadrinhado por Joaquim Ricardo, esteve a cargo do Secretário de Estado, Pedro Marques.
A sessão solene decorreu no auditório do Lar com discursos do Presidente da Liga, Joaquim Ricardo, do Vereador António Robalo e do Secretário de Estado, Pedro Marques.
No final, um lanche permitiu a todos os presentes conviverem em clima de orgulhosa satisfação.
O Lar da Liga dos Amigos de Santo António é, agora, uma realidade oficial com capacidade para 21 utentes em regime de internato, 15 no Centro de Dia e 30 com apoio domiciliário. Mas o mérito da iniciativa tem ainda mais um número muito importante: foram criados 20 postos de trabalho directos.
E terminamos com chave de ouro. Com o nome dos fundadores. Joaquim Fernando Ricardo, Alexandre Manuel Neca, José Soares Ricardo, António Vinhas Ricardo, José Joaquim Mota, José Jorge, Leonel Francisco, Alexandre Birra e José Pires Ricardo.

Leia o discurso de Joaquim Ricardo, Presidente da Direcção do Lar: aqui.

O Capeia Arraiana associa-se ao marcante momento felicitando em nome de todos os que tornaram o sonho em realidade e dos obreiros-fundadores do projecto o seu grande protagonista: Parabéns Joaquim Ricardo.
jcl

GALERIA DE IMAGENS – 14-8-2008
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

Aldeia de Santo António – «Agora há outras pontes, mas esta, do Sabugal, é mítica: abriu as portas de Portugal a Ribacôa e as portas de Ribacôa a Portugal.» Assim pensava e escrevia recentemente mestre Pinharanda Gomes na sua crónica dominical. De facto quando se fala de Aldeia de Santo António é obrigatório falar da ponte que une e… divide como nenhuma outra as duas margens da Côa porque… para lá da ponte mandam os que lá estão. Mais do que uma rivalidade ou uma guerrilha é o orgulho do «Bairro da Ponte» que vai passando de geração em geração ao jeito de sentido de vida.

Aldeia de Santo António

Fomos até Aldeia de Santo António para dar continuidade ao tema «Equipamentos Sociais nas Freguesias do Sabugal» recuperados ou construídos, desde 2001, pelas Juntas de Freguesia ao abrigo das delegações de competências, atribuição de verbas e apoio suplementar da Câmara Municipal.
Encostado ao cajado enquanto olhava de soslaio para o carro que acabava de parar a poucos metros o pastor aguardou para perceber ao que vinhamos. As ovelhas e as cabras fizeram, também, uma pausa na escolha das ervas que iam petiscando no verde lameiro junto a um bonito fontanário empedrado.
Estávamos junto ao edifício da sede da Junta de Freguesia de Aldeia de Santo António, presidida por Maria Delfina Alves. Aldeia de Santo António é uma das 40 freguesias do concelho do Sabugal e inclui as localidades de Urgueira, Alagoas e Ameais.
O edifício rasteiro, cor de cal, está «escondido» pelo arvoredo verdejante e fresco. Observado exteriormente apresenta-se com bom aspecto. Recuperado pela Junta de Freguesia serve actualmente como auditório, posto médico (dependendo da afluência de utentes) e como assembleia de freguesia.
Não muito longe crianças a brincar provocam um som cada vez mais raro nos tempos que correm. São os miúdos de Aldeia de Santo António, Sortelha e Bairro da Ponte que utilizam um moderno infantário construído de raiz na sequência de uma candidatura ao POCentro3.
«Tivemos a capacidade de ir buscar cerca de 20 milhões de euros ao QCA3-POCentro que incluía sub-programas e eixos comunitários para infra-estruturas de saneamento básico», esclareceu-nos, depois, o Presidente Manuel Rito Alves a propósito do Jardim de Infância.
E porque o Bairro da Ponte tem a sua identidade própria foi construído na estrada de acesso à Senhora da Graça um pavilhão cultural que serve para reuniões, para torneios de sueca e como secção de voto nas eleições.

A freguesia de Aldeia de Santo António tem muitos «bairros» e identidades. O Bairro da Ponte do Ti Zé Ricardo, o Bairro da Sacor do meu amigo Paulo Leitão, a estrada da Senhora da Graça, a estrada para Santo Estêvão ou a estrada para Sortelha. Todos diferentes e todos iguais até porque nos permitem avistar em inúmeras perspectivas (qual delas a melhor) o castelo que há só um em Portugal.
jcl

Englobada nas Festas em Honra de Santo António de 2008, em Aldeia da Ponte, decorreu com a normalidade esperada, a Capeia de Junho, organizada pelos Mordomos, na Praça de Touros.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPela manhã, como vem sendo habitual, a concentração dos cavaleiros nas imediações da Praça de Touros domina este momento, com um bocado bem passado, onde se destacam os cumprimentos efusivos, bem como os preparativos, mais as piadas características deste momento, só visto e vivido por quem madruga, bem entendido, dirigindo-se então, todos para as proximidades da raia, em direcção ao lameiro, onde os touros aguardam calmamente, a hora da partida.
Servida a merenda, tem início a caminhada dos touros e cavaleiros, rumo à Praça, pelos caminhos habituais. Na saída do lameiro, uma correria louca dos touros animou este pedaço, parando, quando atingiram os arames da tapada, sossegando aqui um pouco e retomando o trajecto normal.
Depois de atravessarem a estrada, um pouco mais à frente, foi então a vez de um deles fugir, sendo de imediato atalhado pelos cavaleiros, seguindo os outros, o seu curso até à Praça, recuperando-se o fugitivo, um pouco mais tarde, com a ajuda dos cabrestos que retornaram ao local onde ficou vigiado, consumando-se assim o Encerro.
Exibidos os touros na arena, para a tarde, como mandam as normas, foi esperado o da prova, com a tranquilidade habitual.
Capeia Arraiana de Junho de 2008 em Aldeia da PonteSeguiu-se o almoço para os cavaleiros, mais os que foram convidados pelos Mordomos, nos Balneários da nossa Aldeia.
Pela tarde, o tradicional Passeio e Pedido da Praça ao Sr. Presidente da Junta, Sr. José Nabais, com os Tamborileiros de Aldeia e os Mordomos de Santo António, numa manifestação, que tem acontecido, ao longo dos tempos, bem conhecida de todos.
Os touros foram sendo esperados ao Forcão, tendo um deles vencido o desafio, ao passar para um dos lados da galha, obrigando a rapaziada a agarrá-lo em plena Praça, pois quando isto se verifica, raramente o touro se livra de ser engolido pela malta, lá tem que ser, não há outro remédio, para evitar algum mal colateral a este deslize da rapaziada, no manuseamento do Forcão. Por vezes acontece.
Para além deste facto, que causa sempre alguma emoção nas bancadas, a Capeia decorreu com a habitual normalidade, sendo de destacar, ainda a pega de caras à bezerrita, com mortal à retaguarda, do nosso destemido e eterno candidato a tirar a «alternativa» a toureiro, Carlinhos Vasco, que não ganhou para o susto. Digamos que foi um belo momento de agitação, ao vivo e em directo, animando um pouco as bancadas e a malta da arena.
Assistiu-se durante todo dia, a mais uma boa jornada de convivência, na nossa Aldeia, que tão bem sabe, às nossas gentes e a todos os que nos visitam, não resistindo a estas manifestações bem genuínas da raia Sabugalense.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Conta-se que há longo tempo, certamente há mais de um século, o Faleiro era uma terra grada e muito promissora. O tempo áureo há muito que passou e hoje é a aldeia fantasma do concelho do Sabugal, para a qual importa encontrar um destino alternativo ao desmoronamento total daquilo que dela resta.

Quinta do FaleiroEmbora anexa da Bismula, que em si era aldeia imponente, o Faleiro conseguia ter expressão própria. Situado numa ligeira encosta, virado a Poente, era sobretudo um aglomerado de gente que vivia da lavoura.
Os habitantes exploravam as terras férteis, especialmente as veigas das margens da ribeira de Alfaiates, que lhe passa a poucas centenas de metros. Havia gado vacum, ovino e caprino, que conferia bons rendimentos. Do Faleiro também saíram homens para o contrabando. Consta que havia ali cargueiros varudos, de força viva e pé ligeiro, sempre prontos a juntarem-se aos rapazes das terras vizinhas, da Bismula, Escabralhado e Rebolosa, para cruzarem a raia nas noites de breu.
A aldeia terá chegado a possuir dez juntas de vacas de trabalho e meia dúzia de pastorias, sendo por isso terra de potencial.
Enigmaticamente, sem que ninguém encontrasse uma razão forte, o Faleiro viu-se, aos poucos, reduzido de gente. Algumas famílias procuraram as terras vizinhas, onde teriam raízes, e as quintas ficaram reduzidas a meia dúzia de casais, dando lugar a uma terreóla pequena e pobre. Com o correr dos tempos, a situação agravou-se. A juventude foi em busca de longes paragens, seguindo na aventura da emigração, e os velhos foram definhando. As antigas casas de lavoura foram ficando ao abandono, até que todos as deixaram de vez, uns pela morte, outros porque optaram por ir para os lares de idosos, alguns porque se sentiram sós e procuraram companhia nas casas de familiares. O último resistente saiu dali há meia dúzia de anos, largando a também derradeira casa de lavoura da aldeia.
Hoje o Faleiro é uma povoação fantasma, desprovida de gente, colosso de casas velhas ameaçando ruína. As habitações são bons exemplos da antiga arquitectura beirã. Paredes grossas, erigidas com grandes pedras de granito, janelas pequenas, telha de canudo, são as características comuns a todas elas. Algumas apresentam os característicos currais fronteiros, onde se recolhia o carro das vacas e as alfaias da lavoura. No térreo das casas estão as lojas que acolhiam os animais e os celeiros onde se formavam as tulhas com as colheitas. Para acesso ao piso cimeiro há uma escadaria de pedra, que termina no típico balcão ou patim, que era uma espécie de patamar.
Este destino atroz do Faleiro é o possível caminho de outras terras raianas, que também primam pela pequenez. Com o rodar do tempo as casas vão ficando desabitadas, as gentes que teimam em resistir vão envelhecendo e, num ápice, o despovoamento total pode acontecer.
Como fazer reviver o Faleiro? Será impossível que novos colonos ocupem as velhas habitações e recultivem os campos. Mas pode haver lugar a projectos de recuperação da aldeia para fins turísticos. Reconstruir as casas deixando-lhe a traça antiga, instalar comodidades no seu interior, recriar os objectos da lavoura, realojar animais domésticos, recuperar o carro das vacas e demais alfaias da lavoura. Numa palavra, fazer do local um museu vivo ou uma quinta pedagógica, voltado para a recepção de pessoas interessadas em passar um período de sossego, no puro contacto com a Natureza e com vista para os modos de vida de antigamente.
Um projecto isolado para os Casais do Faleiro não será viável, mas um plano integrado de recuperação de casas em várias aldeias para turismo rural, em paralelo com campanhas de promoção das nossas terras enquanto destino turístico no interior do país, poderão dar alguma esperança.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

É já neste domingo, dia 1 de Junho, no dia a seguir à Capeia Arraiana no Campo Pequeno, da Casa do Concelho do Sabugal que vai ter lugar na Escola Agrícola da Paiã, na Pontinha, o tradicional «Pic-nic de Aldeia da Ponte em Lisboa».

Cartaz do pic-nic de Aldeia da Ponte em LisboaComo manda a tradição, esta realização anual já se realiza há mais de 50 anos, inicialmente com o encontro de conterrâneos, num restaurante da zona de Lisboa, para um almoço, prolongando-se durante a tarde.
A partir do ano de 1973, deu-se a mudança para «pic-nic», com o primeiro, desta nova era, a ser efectuado no Parque de Monsanto, casa habitual dos «pic-nics» da nossa Aldeia.
Há uns anos a esta parte, as dificuldades em conseguir Monsanto têm-se tornado difíceis ou incompatíveis com os anseios da nossa gente, por um motivo ou por outro, razão pela qual se tem variado o local de realização, cada ano que passa.
Como habitual, o programa contempla todos os ingredientes inerentes a esta realização, com a abertura do jogo de futebol, «Casados-Solteiros», seguindo-se o almoço.
Pela tarde, a criançada terá as suas afamadas corridas, bem como os jogos habituais para os adultos, seguindo-se o convívio habitual destas realizações.
Esteves Carreirinha

Aldeia da Ponte – Se dúvidas houvesse sobre a natureza raiana dos de Aldeia da Ponte elas ficam desfeitas quando se avista um estranha parede em pedra granítica que dá forma à Praça de Touros.

Aldeia da Ponte

Quem entra em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso e escolhe a direcção do Sabugal, passa pela estação da CP onde a história está contada em azulejos e cruza com a velha locomotiva BA101 da linha da Beira Alta. Silenciosa e imponente descansa agora, resguardada de vandalismos, recordando-nos outros tempos e a importância que o caminho-de-ferro teve no desenvolvimento da nossa região.
Avançando pela estrada nacional 332 com os marcos fronteiriços por companheiros de janela avistamos alguns quilómetros à frente ao desfazer uma curva rápida uma estranha parede granítica no cimo de uma elevação. Alta e circular com portões de dimensões generosas destaca-se do casario e da longa planície que se estende a perder de vista até terras espanholas. Estamos em Aldeia da Ponte cujo nome deriva de uma ponte romana sobre o rio Cesarão classificada de interesse público pelo Instituto de Património Cultural. Terra raiana de encerros e de capeias que se orgulha de possuir uma singular praça de touros. Obra do querer e da vontade das suas gentes incentivadas por António Chorão, reconhecido aficionado da festa brava.
Mas o nosso destino é o equipamento social junto ao longo lameiro onde as peripécias do aviador Raul da Casaca Azul foram descritas de forma superior pelo Esteves Carreirinha nosso companheiro de lides aqui no Capeia Arraiana.
Junto aos ringues de futsal na sede da Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte tinhamos à nossa espera o jovem presidente da Junta de Freguesia José Francisco Martins Nabais.
Afável no trato guiou-nos, orgulhoso, pela obra feita e falou-nos das infra-estruturas que os habitantes de Aldeia da Ponte têm ao seu dispor em toda a aldeia.
O complexo desportivo arrancou com uma candidatura da Associação e do Governo Civil da Guarda através da DRAOT-Direcção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e apoiada pela Câmara Municipal do Sabugal.
No final de 2001 a primeira fase do complexo desportivo foi ampliada para o dobro do espaço e passou a incluir os ringues de futebol e os balneários e a sede com bar e salão polivalente.
Em 2004 foi remodelado o piso sintético do ringue de futebol para evitar mazelas e lesões nos craques futebolistas. Encostados à parede da sede entram em jogo na terceira parte os assadores e o balcão de finos e refrigerantes.
«Para concretizar estes objectivos tivemos todo o apoio da autarquia. Aproveitámos a delegação de competências, a transferência das verbas que nos foram destinadas e o acompanhamento burocrático por parte dos serviços camarários. Estas instalações são frequentadas todos os dias e em especial ao fim-de-semana. Temos um professor que vem dar aulas de ginástica duas vezes por semana. Tem alunos de todas as idades e o ambiente é espectacular», diz-nos com satisfação José Francisco Nabais.
«O Bar é explorado pelos mordomos das Festas de Santo António que promovem aqui festas na passagem de ano, baptizados e os bailaricos da festa do Santo Cristo a 13 de Maio», acrescenta o autarca pontense recordando a famosa discoteca improvisada do mês de Agosto onde foram batidos os records de venda de minis no concelho.
Aldeia da Ponte dispõe de um moderno espaço associativo, cultural, desportivo e social muito acolhedor e funcional rodeado pela natureza e a poucos metros da mítica raia.
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Na minha meninice, eu e os meus primos, vinhamos pelos caminhos de terra batida até estes lameiros de Aldeia da Ponte. Atávamos os burros junto à raia e iamos a pé até Albergaria onde comprávamos pão e outros produtos que escasseavam em Portugal. O regresso era mais penoso porque os burros iam carregados com os alforges cheios e nós tinhamos que voltar pelo nosso pé. Um dia de aventuras «adrenalinado» com a sombra dos fantasmas dos guardas-fiscais e dos carabineiros.
jcl

A campanha publicitária da Knorr «A Melhor Sopa do Mundo» foi integralmente filmada na Aldeia Histórica de Sortelha. O anúncio conta com a participação de residentes na aldeia que foi virtualmente apelidada pelos publicitários de «A-das-Sopas».

Os cenários únicos de Sortelha foram palco das filmagens do anúncio da campanha da Knorr que teve início a nível nacional no dia 21 de Fevereiro em diferentes suportes publicitários.
A promoção «Melhor Sopa do Mundo» apresenta o lançamento das novas sopas frescas da marca fundada em 1838 pelo alemão Carl Henrich Knorr.
Os anúncios foram integralmente filmados na aldeia histórica de Sortelha e tiveram a participação de habitantes locais.
O enredo da criação publicitária conta a história de uma remota aldeia portuguesa denominada «A-das-Sopas» que se orgulha de ter «A Melhor Sopa do Mundo» até que um dia os sinos tocam a rebate para que no largo da aldeia o regedor anuncie: «Dizem que chegou aí uma sopa tão boa como a nossa.»
As imagens com a aldeia de Sortelha (que durante dois dias se transformou num estúdio ao ar livre) vão estar presentes em televisão, outdoor, imprensa e internet até final de Março.
Idealizada pela dupla criativa Tiago Cruz e Issac Almeida para a JWT conta com a direcção criativa de João Oliveira e Jorge Barrote e foi produzida pela Tangerina Azul.
O património e a superior beleza das nossas terras raianas e em especial da freguesia presidida por Luís Paulo é um cartão de visita turístico que a todos nos enche de orgulho. Naturalmente natural e com muita qualidade de vida.
jcl

Sob a direcção de Justo Maria Nabais e com periodicidade trimestral o «Laje da Lancha» é o boletim dos lagarteiros de Aldeia do Bispo, no concelho do Sabugal.

«Laje da Lancha», o boletim de Aldeia do BispoNão nos cansamos de relembrar: um dos papéis fundamentais do Capeia Arraiana é a promoção e divulgação das nossas gentes e das nossas terras. Em tempo de acesso à informação à distância de um clique e de comunicação universal através das várias vertentes da Internet é sempre de saudar publicações que resistem e cumprem os seus objectivos em suporte papel. É este o caso do «Laje da Lancha», o boletim da sabugalense Aldeia do Bispo com periodicidade trimestral e uma tiragem de 500 exemplares.
Fundado por João António Nabais, o boletim tem como director Justo Maria Nabais e a redacção e impressão em Évora na Tipografia Diana Litográfica do Alentejo. Com uma boa apresentação gráfica e com excelente paginação a publicação «vive» das recordações de personagens de outros tempos, das actividades recentes e da opinião dos seus colaboradores.
O número de Agosto traz excelentes artigos como o do Tonho do Enxido sobre as malhas ilustrado por uma pintura a óleo de Alcínio Vicente, um artista da terra, ou a Extinção do Posto da Guarda Fiscal de Aldeia do Bispo, pelo capitão Nabais. A reabertura das piscinas de Aldeia do Bispo tem, também, um merecido destaque.
Os vizinhos Fóios e Forcalhos também coabitam pacificamente as páginas do «Laje da Lancha» dando à estampa o que de mais relevante por lá se vai passando.
O «Laje da Lancha» é com todo o mérito uma publicação raiana de qualidade que merece o nosso destaque.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

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