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Esta não é uma matéria nova no «Capeia»: história da Serra da Pena (1910-1961 / anos 2000). Mas hoje trago-lhes uma sistematização e uma síntese da história de um hotel fantasma encravado no meio de uma serra de mimosas. Lembram-se das mimosas, uma mata de mimosas (primaveras) por aquela encosta acima desde a estrada Santo Amaro-Sortelha até ao hotel?

Hoje trago uma crónica anormalmente extensa. Mas acho que o tema o merece. Quem gostar vai ficar encantado. Quem não gostar, tenha paciência, amigo: passe adiante (é a lei da net: dá para todos).
Para mim, a Serra da Pena sempre foi do Casteleiro. Embora administrativamente não o seja, na prática, aquela gente sempre «caiu» para a minha terra e nunca para Sortelha, lá tão longe. A rapaziada (pouca) da Serra da Pena era nossa. Era assim que os sentíamos. Vinham à escola ao Casteleiro e tudo. Vinham pela Ribeira da Cal e pela Carrola – era um saltinho. As mulheres vinham a pé. E os rapazes (dois ou três) vinham era de bicicleta.
1954 ou 55. Tinha eu os meus seis ou sete anos. O meu pai conduzia aquele jeep Willys, igualzinho aos que encontraria na tropa às centenas. O patrão dele era o Engº Elias, gerente do complexo da Serra da Pena, então propriedade de ingleses. Eu ia lá muitas vezes com ele. Lembro-me muito bem de todos aqueles recantos – as fotos actuais, apesar do mato, da erva seca e do palhiço, mostram-me as vistas exactas da minha meninice por aqueles meandros todos. Nas de interior revejo o que era o hotel e aquilo em que se tornou, com a delapidação de meados dos anos 50 e depois disso.
Mas naquele dia fui ver o fim da Serra da Pena. O gerente, como não lhe pagavam e adivinhava a falência que se avizinhava, resolveu pagar-se por suas próprias mãos: arrancou tudo o que era metal (torneiras, chuveiros, tubagens, apetrechos da enorme cozinha do hotel e das termas… tudo o que fosse cobre ou níquel e até as loiças). Levou tudo em camiões e despachou a carga para Lisboa. Acho que o meu pai nunca mais o viu. Leio (não me lembro, sinceramente, mas leio) que ele vivia no Casteleiro. Não garanto. Mas lá que ia muitas vezes ao Casteleiro, isso ia.

A «febre da radioactividade»
Vamos por partes: hoje, os médicos vêm dizer-nos que afinal o café contém químicos que atrasam as doenças neurovegetativas e que, se tomado moderadamente, é positivo para o organismo. Isto, depois da diabolização do café durante décadas – lembram-se? Pois bem: com o urânio aconteceu exactamente o contrário. Há um antes e um depois de Hiroshima e Nagasáki, a partir do que o urânio passou a ser também diabolizado. Mas entre o início do século XX e o final da II Guerra Mundial, o urânio foi tido como substância curativa pelas suas propriedades (que foram e são mal utilizadas pelos humanos).
Mas naqueles anos de 1900, corria na Europa a chamada «febre da radioactividade»: acreditava-se que o rádio curava quase tudo e as pessoas acorriam onde houvesse esse elemento. Foi o caso.
Quando falamos de rádio (elemento químico), saiba que estamos a falar de uma substância fortíssima: «o rádio é um milhão de vezes mais radiativo do que a mesma massa de urânio». Hoje, por serem mais seguros e até mais eficazes, o cobalto e o césio substituíram o rádio, o qual foi descoberto por Marie e Pierre Curie em 1898, e foi muito usado na medicina. E ainda hoje: «O rádio (geralmente na forma de cloreto rádio) é usado em medicina para produzir o gás radónio para o tratamento do cancro», segundo se lê também na Wikipédia – o que vale o que vale… E ainda: «O rádio pode causar grandes danos aos ossos substituindo o cálcio. A inalação, ingestão ou exposição ao rádio pode causar cancro ou outros distúrbios orgânicos».

Nascem as termas
É neste quadro que a zona da Azenha/Quarta-Feira conhece um «boom» de desenvolvimento: empresas e emprego.
Primeiro, a partir de 1910, a Société d’Uraine et Radium explora as propriedades da região. Logo de seguida, um conde espanhol vem aqui com a filha que tinha uma doença grave e, com estas águas, se curou.
Foi o motor de uma mudança forte: vai haver a partir daí muito crescimento e publicidade – presume-se mesmo que águas engarrafadas podem ter corrido pela Europa: «Água Radium dá Saúde Vigor e Força». A fase de exportação, aliás, deve ter conhecido algum incremento com a visita de Madame Curie, estudiosa do urânio, que aqui esteve uns quatro meses e que deve ter levado água desta para o seu conhecido laboratório de Paris.

Nasce o hotel
O atrás citado conde espanhol, depois da cura da filha, constrói então o hotel termal. Mas as propriedades radioactivas das águas só serão reconhecidas em 1920.
Em 1922, é atribuída a primeira de várias concessões oficiais de exploração de águas radioactivas no local do «Chão da Pena» (expressão que deve ter ficado perdida nos tempos. Da minha infância, o que ficou foi «Serra da Pena»).
Em 1926, uma reportagem de um jornal regional (A Serra) divulga a inauguração (tardia?) do hotel termal para 150 pessoas.
Em 1929, a Sociedade Águas Radium Lda toma de arrendamento as instalações e introduz outros tratamentos (até aí era usada apenas a imersão em balneário): aplicação de lamas, compressas eléctricas radioactivas e a studa chair para lavagem do cólon – como leio num dos sítios que consultei.

Morrem as termas e a exploração de águas engarrafadas
Durante a II Guerra morrem as termas: o urânio passa a ser um material maldito, cada vez mais detestado e temido. Os efeitos nos japoneses foram fatais para as termas também. Lá por 40 e poucos, acabou a febre radioactiva, que já vinha esmorecendo.
Não há notícia de publicidade nos jornais às Águas Radium depois de 36. Coincidência ou não: é a data da Guerra Civil de Espanha – de onde ainda vinham clientes também.
Assim, com o fim do arrendamento (1945), sobreveio a morte das termas.
Leio que as termas tiveram 35 inscrições em 1944 e 36 no ano anterior. Quase nada, portanto.
Ou seja: «a descoberta dos malefícios trazidos pela radioactividade e pela energia atómica durante a Segunda Guerra Mundial provocou a falência do complexo hoteleiro e industrial (termas e engarrafamento – esclareço eu, JCM) que anos antes tinha passado a ser explorado por ingleses».

Morre o hotel
Julgo que é por essa altura que o tal gerente que bem conheci em miúdo – o Sr. Engº Elias – toma conta, após aquisição por parte dos ingleses. Ingleses que também exploravam as Minas da Bica, na Azenha, Quarta-Feira. A empresa que explora o hotel a partir de 1951, em substituição da Société, é a Companhia Portuguesa de Radium, de capitais ingleses. Era para essa que trabalhava o Engº Elias, suponho que já antes.
Não era, ao que sei, a mesma empresa das minas, mas era também de ingleses, portanto.
O hotel ainda dura por uns tempos, mas já em grande depressão económica.
Avizinhava-se a falência a cada ano que passava. Isso acontecerá lá por 1954, 55, pelos meus cálculos.
E foi aí que um dia aconteceu a cena de arrancar de lá tudo o que podia ter algum valor, como acima narrei – e que tanto me impressionou na altura.
Leio que a «será em 1951, através da Companhia Portuguesa de Radium, uma empresa de capitais ingleses, que o Hotel volta a funcionar, embora as termas não voltem a ser exploradas. Em 1961, esta companhia mineira cessa a sua actividade, mas segundo a documentação o hotel já estaria encerrado».

Anos 2000: recuperação falhada
Julgo que em 1985, num leilão efectuado em Lisboa, o complexo hoteleiro e termal foi leiloado.
É adquirido por Ramiro Lopes, das Minas da Panasqueira. Em 2 000, vende a um irmão que pretende fazer a recuperação do «glamour» antigo. Diz-se que os fundos europeus escorreram em grande. A empresa chamava-se Golfibérica (não sei se com capital também espanhol – tenho uma ideia vaga de na altura ter ouvido falar dessas três circunstâncias: fundos europeus, fraude, espanhóis – mas não garanto ao certo).
E algumas pedras foram de facto «mexidas». Suponho que obedecendo àquele princípio famoso de que é preciso que algo mude para tudo ficar na mesma. E o que é facto é que os fundos europeus, se os houve, voaram sem deixar rasto nem resultado.
Na acta da CM Sabugal de 28 de Janeiro de 2000 lê-se que foi «presente ofício da Firma GOLFIBÉRICA referente ao projecto turístico da Águas Rádio – Serra da Pena – Sortelha, tendo o Presidente dado conhecimento da reunião com a gerência da empresa onde lhe foi dado a conhecer o interesse por parte de investidores estrangeiros naquele investimento, estimando-se a criação de cerca de 150 postos de trabalho. Propôs que a Câmara Municipal disponibilize a colaboração técnica possível e que se considere o investimento de interesse municipal, propostas que foram aprovadas por unanimidade».
Portanto: todos os benefícios, nenhum efeito prático positivo.
O que pretendiam ou diziam estes empresários que pretendiam fazer? Parece que algo grandioso: «… recuperação e ampliação do edifício de granito existente, convertendo-o num hotel de cinco estrelas, na construção de um campo de golfe com 18 buracos e de dois aldeamentos turísticos totalizando 146 “Villas”».
Nada mau… se não estivéssemos por ali todos convencidos logo de início de que se tratava, isso sim, de um gigantesco «bluff». Fraude ou não, um dia se saberá.

Divirta-se
Sendo esta uma crónica especial, gostaria de deixar ao seu dispor uma série de fontes e visitas que fiz para complementar a informação que já tinha. Há álbuns fotográficos aí publicados que são um mimo. Há alguma informação fidedigna – mas outra que nem tanto. Escolho os seguintes oito sites: Site 1, Site 2, Site 3, Site 4, Site 5, Site 6, Site 7, Site 8.
Que beleza! Pelo torneado das colunas ainda recordo a paz e a harmonia dos interiores daquele gigante no meio da serra.
Ainda hoje sentimos algo de atracção positiva quando da estrada olhamos «o hotel da Serra da Pena» (era assim que lhe chamávamos).
… Agora que dá dó olhar para a Serra da Pena e ver o mausoléu de pedra abandalhado e degradado, isso é inegável. Pedi aos editores do «Capeia» que publicassem um painel fotográfico para dar de comer aos olhos… Acho que vão gostar… Há como que uma onda de nostalgia avassaladora quando se olha para estes lugares assim.

Nota final
Vejam a foto do projecto (a do quadrado a tracejado à volta das construções). Notem como ela mostra a megalomania desconchavada de quem não queria mesmo fazer era nada… Impressiona a desfaçatez.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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Nos anos 50 e 60, quando no Casteleiro ainda se cultivava qualquer «chãozinho» que a família tivesse, a água desempenhou um papel económico central. Era fonte de vida humana: directa (bebia-se) e indirectamente (com ela se alimentavam os animais domésticos e se regavam as produções agrícolas). Por causa da água se vivia e se morria (sem exageros).

Antes de mais, há que dizer que a água no Casteleiro sempre foi um bem muito escasso, excepção feita para a Ribeira e suas margens. Hoje ainda mais – mas há pelo menos dois factores que reduzem o impacto real desse facto sobre a vida das pessoas: primeiro porque há abastecimento público de água canalizada em todas as casas desde há muitos anos (os miúdos de hoje já nem imaginam o que seja ir de cântaro à fonte buscar água); e depois porque o cultivo de terrenos hoje é mínimo.
Dantes não era assim.
As fontes, os poços, as charcas, a ribeira, os regatos, as presas (represas)… fosse o que fosse, se tivesse água, era um filão.
Os modos de extrair a água da Natureza não são muito diversificados: vão apenas do cântaro ou qualquer outra vasilha quando se apanha directamente, até à «burra» (picota) ou à nora, esta puxada por burros ou por vacas.
Acho que a maior parte das pessoas – por não terem burro nem vaca – tirava a água da ribeira ou dos poços com a tal «burra», mas a maior parte da terra seria regada na base da água tirada com nora (porque, claro, cada proprietário de burro ou de vacas teria muito mais terra do que os outros).
Nas meias encostas, a presa era a safa: era só abrir e a água – se a havia – vinha por aí abaixo.
Toda a alimentação humana se baseia na água. Toda a higiene humana se faz à base de água.
Os animais domésticos dependiam da água, fossem os de companhia, fossem os de criação para matar e servirem de alimento.
Daí, a importância da água em todas as horas de todos os dias.
«Regar à adua» era quando os vizinhos de uma presa ou de um poço, em geral por razões de herança, tinham de partilhar entre si a água para regar as suas produções agrícolas.
Resumindo: a água esteve presente de forma bem vincada e sempre falada pelos adultos em toda a minha infância. Ou faltava ou era tão pouca que as culturas chegavam a ser regadas aos bocados, uma parcela em cada manhã ou em cada tarde. Isso constituiu sempre uma grande preocupação das pessoas que se referiam ao assunto com grande angústia, se bem interpreto hoje a coisa.
Ali por alturas de Junho-Julho, quando o calor começava a apertar e as culturas a secar desalmadamente, portanto quando a terra cultivada precisava mais da água – era exactamente quando a água começava a rarear nos poços e nos regos e se tornava preocupação constante e sem solução.
Assim era a vida angustiada de muita gente na minha aldeia nesses tempos duros e complicados – para não dizer desumanos.

Água radioactiva
Marginalmente, vou referir um aspecto que podia ter transformado para melhor toda a vida de muitas pessoas do Casteleiro – mas que deu em nada, ou por burla ou por desleixo.
Tem a ver com a história das Águas Radium.
Foi um caso que aconteceu antes de eu nascer.
Toda a zona do chamado «Marneto» (Marineto), que se localiza nas costas da Serra da Bica e que do nosso lado nós já chamamos impropriamente Serra da Vila, tem água com o mesmo tipo de composição química, mesmo que menos acentuada. Ou seja: trata-se da mesma serra que, do lado da Azenha e da Quarta-Feira, tem urânio em dose apreciável ao ponto de os ingleses ali terem aberto e gerido a célebre Mina da Bica (mais tarde fechada por razões de pouco interesse económico e, depois, por causa do perigo de contaminação). Desse lado, a composição química da água permitiu a abertura da exploração de águas radioactivas pelos espanhóis e depois pelos ingleses com a criação do grande Hotel cuja ruína ainda ali permanece a enfeitar a serrania, para nossa miragem saudosa.
Na mesma serra, do lado do Casteleiro, as águas têm urânio mas não em quantidades que as tornassem economicamente dignas de exploração. Para muita gente, prova disso é o número de pessoas que no Casteleiro tinham problemas de estômago, talvez mesmo o que hoje se chama cancro.
A composição química das águas é ligeiramente parecida à das da Serra da Pena.
Tanto é assim, que os ingleses terão chegado a estabelecer contratos de exploração com alguns proprietários para que os camiões ali viessem encher – os engarrafamentos eram sempre feitos na Serra da Pena. Esta água tinha nessa altura muita saída e a quantidade existente lá não chegava para as vendas em Castelo Branco e em toda a região.
Mas o negócio nunca deu em nada: por um lado, os ingleses eram de más contas e, por outro, o negócio das Águas Rádium foi abaixo muito cedo.
Uma oportunidade histórica perdida para muitas famílias do Casteleiro.

Nota final
Ironicamente, quando o sistema de rega da Cova da Beira chega, com o canal que atravessa hoje uma parte do Casteleiro… já não há ninguém para cultivar e precisar do canal para regar…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O património que conservam as antigas caldas do Cró, na Rapoula do Côa, e as Águas Rádium, junto ao Casteleiro, são um excelente pretexto para uma visita a esses locais, onde muitas surpresas nos podem esperar.

Ultimamente o Cró tem sido sobejamente falado devido ao novo balneário termal, inaugurado no início do último verão. As novas instalações têm excelentes condições para a prática do termalismo, tendo em conta os equipamentos instalados, pelo que foram muitos os que ali se deslocaram para as conhecer e experimentar.
Houve porém um viajante que passou este Verão nas termas do Cró e observou-as com um outro olhar.
Carlos Caria, bem notou que há um novo balneário termal, mas a sua maior satisfação foi verificar que a Câmara Municipal do Sabugal decidiu preservar as paredes do velho balneário e dos demais edifícios antigos que apresentam ruína.
Vai daí o viajante muniu-se da câmara fotográfica e captou um conjunto de imagens deslumbrantes, que disponibilizou na Internet, no fórum «lugares esquecidos», onde igualmente contou, por breves palavras, a história das termas.
Veja Aqui a magnifica «reportagem» sobre as termas do Cró.
Pesquisando no referido fórum, chegámos a uma outra reportagem fotográfica, desta feita sobre as Águas Rádium, e o velho Hotel da Senhora da Pena, nos arredores do Casteleiro, embora já em terras pertencentes ao termo de Sortelha.
Veja Aqui essa também esplêndida reportagem fotográfica, efectuada no Verão de 2010.
plb

Toda a gente do Casteleiro cresceu com aquela imagem atraente e bela de um edifício muito especial, bonito, elegante, no meio da serrania. É um hotel. Melhor: foi um hotel.

Cresci a pensar que aquilo era da minha Freguesia, o Casteleiro. Só muito mais tarde, já adolescente, é que percebi que era da Freguesia de Sortelha.
Isso, em termos administrativos. Mas em termos sociais e de vivência de cada um, era assim: a Serra da Pena é um local de encanto nosso.
Adiante.
Em pequeno, estive sempre muito ligado à gestão daquele equipamento. Conheci os representantes dos ingleses donos da empresa que explorava o hotel, já moribundo, e as Águas Radium. Assisti ao desmantelamento de um e de outra. Desmantelamento, literalmente: banheiras, torneiras, sanitas, canalizações… tudo foi levantado, levado, apropriado por alguém que se julgava prejudicado e quis prejudicar também. Até sei os nomes das pessoas em causa, porque eles faziam parte do meu dia-a-dia naqueles dias de meados da década de 50.
O hotel foi construído muito cedo: pouco depois de 1910. As termas e a utilização medicinal das águas radioactivas e depois das lamas com as mesmas propriedades foram crescendo.
As primeiras concessões das águas datam de 1922.
Aos espanhóis que fundaram este complexo, segue-se uma administração francesa, ligada ao urânio – não esquecer as Minas da Bica, ali perto da Azenha (Quarta-Feira).
A água era engarrafada e vendida como quase milagrosa (ver aí em baixo).
Nos anos 30 do século XX, jornais de Castelo Branco publicitam profusamente as Águas, as Termas e o Hotel.
Mas, provavelmente, nessa altura são já os ingleses que dominam por ali.
E depois, vinte anos depois, tudo acaba sem honra nem glória.
Ficou o «castelo» encantado.
Era assim que lhe chamávamos no Casteleiro quando eu era pequeno: o Castelo da Serra da Pena.
Para que serviam as Águas Radium e as lamas radioactivas?
Procurei informação. Eis uma síntese do que encontrei:
Indicações
Reumatismo, gota, hipertensão arterial, colites, edemas, insuficiência circulatórias (Acciaiuoli.1939)
Doenças do aparelho circulatório, rins e nas perturbações da nutrição, hipertensão arterial e nas feridas (Contreiras, 1951)
Doenças da circulação, gastrointestinais.
Tratamentos / caracterização de utentes
«O tratamento metódico por lamas radioactivas […] a aplicação de lamas radioactivas em artrites e artroses mono ou poli-articulares, é sem dúvida uma óptima aquisição da Águas de Radium com rendimento terapêutico, bem comprovado […] A aplicação de compressas eléctricas radioactivas G. Ray nas artrites, ciáticas, dores ováricas – provocam redução das dores.
O aparelho Studa Chair para lavagem do cólon, com 35 litros de água mineral, produz uma boa desinfecção mecânica.
» (Acciaiuoli1940)
«”Studa chair” compressas e lamas radioactivas.» (Contreiras1951)
In aguas.ics.ul.pt.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Alguém escreveu que «as serranias de São Cornélio, da Serra da OPA, da Quarta-feira, de Pena Lobo, das Fráguas e da Bendada, constituem marcos notórios na transposição da paisagem de planalto para a depressão da Cova da Beira. Estes cabeços, altos, fortes e austeros, decorados por inúmeras fráguas e barrocos, que apesar do aspecto solene e ermo, provocam uma admirável comoção e deslumbramento, para quem os aviste do alto das muralhas de Sortelha».

José MorgadoA região de Quarta-feira, pelos seus relevos e vegetação verdejante, foi mesmo chamada na tradição literária como «A Sintra da Beira Interior».
Sem querer fazer história, relembro que o povoado de Quarta-feira, terra de artistas, em contraste com Sortelha de que é anexa, terra de turistas, não possui actualmente mais de 50 fogos.
Só conheci Quarta-feira, nos anos oitenta, quando a ela me desloquei, para visitar o meu velho amigo Zé da Costa, antigo colega no Externato do Sabugal, figura incontornável na terra, exímio «Mestre Escola» e que na altura acumulava o ensino primário, com actividades frutícolas e de apicultura.
Nas suas propriedades abundavam muitos pessegueiros (em Porto Covo só havia um).
A convite do vereador António Robalo, tive a oportunidade de, passados 30 anos, conviver novamente com a paisagem luxuriante de Quarta-feira e com o meu amigo Zé da Costa e sua gente no dia 22 do corrente mês no evento «O Pão da Nossa Aldeia» e «Apresentação da Fama do Entrudo», organizado pelo Grupo de Teatro «Guardiães da Lua».
De nome e algumas actuações, já ouvira falar deste Grupo de Teatro.Sei que concorreu ao Concurso Distrital «O Encontrão» organizado pela Fundação INATEL, ficando em segundo lugar constituído por 12 elementos, dos quais cinco com idades compreendidas entre os nove e os onze anos.
Na apresentação da Fama do Entrudo actuaram unicamente quatro elementos, sendo de realçar o encenador e autor dos textos João Abrantes, que não sendo nenhum Lorde Byron, soube imitar a veia satírica do nosso Gil Vicente «ridendo castigat mores-ou seja rir castiga os costumes», da terra, de Sortelha, de alguns vereadores presentes, dos professores, engenheiros e funcionários camarários, arrancando fortes aplausos e gargalhadas da numerosa assistência
Continuem que vão no bom caminho.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

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