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A dívida da Câmara Municipal do Sabugal à empresa Águas do Zêzere e Côa (AdZC), ascendia no final do ano de 2011 a um valor superior a 1,8 milhões de euros, devidos pelo serviço de abastecimento de água e de saneamento prestado pela empresa ao Município, a que acrescem juros de mora.

Segundo os dados disponibilizados pela AdZC, dois terços da dívida da Câmara Municipal do Sabugal é relativa a facturas emitidas há mais de seis meses, cujos pagamentos o Município mantém em atraso.
Em média a AdZC factura mensalmente à Câmara Municipal do Sabugal 166 mil euros, dos quais 82 mil euros se reportam ao serviço de abastecimento de água e 84 mil ao tratamento das águas residuais. Tendo em conta os valores em dívida e os fornecimentos mensais que serão efectuados, o Município terá de despender durante o ano corrente uma verba próxima superior a 3,8 milhões de euros para que tudo fique regularizado.
Os municípios que integram a AdZC vêm contestando as tarifas praticadas pela empresa, o que levou a um acumular de valores em atraso. Os municípios intentaram uma acção contra a AdZC onde solicitam a declaração de nulidade do contrato de concessão entre o Estado e a empresa.
O Fundão lidera a lista dos municípios devedores, contestando uma dívida acumulada de 7,5 milhões e reclamando 40 milhões da empresa. Esse facto tornou polémica a notícia de que o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, vai integrar a administração da Águas de Portugal (AdP), empresa maioritariamente detida pela AdZC.
O total da dívida dos 15 municípios que integram o sistema multimunicipal da AdZC ascende a cerca de 35 milhões de euros e já levou a, pelo menos, 130 injunções (meio de certificar as dívidas das autarquias) no valor de 26 milhões, esclarece a empresa na Internet.
Fazem parte do sistema os municípios: Almeida, Belmonte, Figueira de Castelo Rodrigo, Fundão, Guarda, Manteigas, Mêda, Penamacor, Pinhel, Sabugal, Fornos de Algodres, Gouveia, Oliveira do Hospital, Seia e Aguiar da Beira. O município de Celorico da Beira é utilizador do sistema.
plb

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A federação distrital da Guarda do Partido Socialista (PS) remeteu aos quatro deputados da nação eleitos pelo círculo da Guarda duas petições, pedindo-lhes que se empenham em minorar as dificuldades sentidas pelas populações que residem no interior.

Electricidade

As petições assumem a forma de propostas, uma no sentido da harmonização e consequente redução das tarifas da água e outra defendendo a redução do preço da água e do gás natural para os habitantes do distrito.
As missivas endereçadas aos três deputados eleitos pelo PDS (Manuel Meirinho, Carlos Peixoto e Ângela Guerra) e ao que foi eleito pelo PS (Paulo Campos), têm a pretensão de expressar as preocupações crescentes da população do distrito.
A harmonização das tarifas da água em todo o território nacional foi um assunto muito ventilado na campanha eleitoral, altura em que o PS colocou on-line uma petição pública em defesa dessa ideia e contra o facto dos habitantes do distrito da Guarda pagarem tarifas mais elevadas do que aquelas que são cobradas em muitas cidades do Litoral.
Quanto á defesa de uma significativa diminuição no preço da electricidade e do gás natural, trata-se de uma discriminação positiva justificada pelo contexto de crise económica e social que o país atravessa e do agravamento do preço destes bens de primeira necessidade decorrente da decisão governamental de aumentar-lhes a taxa do IVA de 6% para 23%. Na petição do PS sobre este tema defende-se que a mudança na taxa do IVA cria uma situação extraordinariamente difícil para as famílias que residem no interior do país, nomeadamente devido ao clima rigoroso no Inverno, que obriga a um gasto extremamente alto de energia.
plb

Nos anos 50 e 60, quando no Casteleiro ainda se cultivava qualquer «chãozinho» que a família tivesse, a água desempenhou um papel económico central. Era fonte de vida humana: directa (bebia-se) e indirectamente (com ela se alimentavam os animais domésticos e se regavam as produções agrícolas). Por causa da água se vivia e se morria (sem exageros).

Antes de mais, há que dizer que a água no Casteleiro sempre foi um bem muito escasso, excepção feita para a Ribeira e suas margens. Hoje ainda mais – mas há pelo menos dois factores que reduzem o impacto real desse facto sobre a vida das pessoas: primeiro porque há abastecimento público de água canalizada em todas as casas desde há muitos anos (os miúdos de hoje já nem imaginam o que seja ir de cântaro à fonte buscar água); e depois porque o cultivo de terrenos hoje é mínimo.
Dantes não era assim.
As fontes, os poços, as charcas, a ribeira, os regatos, as presas (represas)… fosse o que fosse, se tivesse água, era um filão.
Os modos de extrair a água da Natureza não são muito diversificados: vão apenas do cântaro ou qualquer outra vasilha quando se apanha directamente, até à «burra» (picota) ou à nora, esta puxada por burros ou por vacas.
Acho que a maior parte das pessoas – por não terem burro nem vaca – tirava a água da ribeira ou dos poços com a tal «burra», mas a maior parte da terra seria regada na base da água tirada com nora (porque, claro, cada proprietário de burro ou de vacas teria muito mais terra do que os outros).
Nas meias encostas, a presa era a safa: era só abrir e a água – se a havia – vinha por aí abaixo.
Toda a alimentação humana se baseia na água. Toda a higiene humana se faz à base de água.
Os animais domésticos dependiam da água, fossem os de companhia, fossem os de criação para matar e servirem de alimento.
Daí, a importância da água em todas as horas de todos os dias.
«Regar à adua» era quando os vizinhos de uma presa ou de um poço, em geral por razões de herança, tinham de partilhar entre si a água para regar as suas produções agrícolas.
Resumindo: a água esteve presente de forma bem vincada e sempre falada pelos adultos em toda a minha infância. Ou faltava ou era tão pouca que as culturas chegavam a ser regadas aos bocados, uma parcela em cada manhã ou em cada tarde. Isso constituiu sempre uma grande preocupação das pessoas que se referiam ao assunto com grande angústia, se bem interpreto hoje a coisa.
Ali por alturas de Junho-Julho, quando o calor começava a apertar e as culturas a secar desalmadamente, portanto quando a terra cultivada precisava mais da água – era exactamente quando a água começava a rarear nos poços e nos regos e se tornava preocupação constante e sem solução.
Assim era a vida angustiada de muita gente na minha aldeia nesses tempos duros e complicados – para não dizer desumanos.

Água radioactiva
Marginalmente, vou referir um aspecto que podia ter transformado para melhor toda a vida de muitas pessoas do Casteleiro – mas que deu em nada, ou por burla ou por desleixo.
Tem a ver com a história das Águas Radium.
Foi um caso que aconteceu antes de eu nascer.
Toda a zona do chamado «Marneto» (Marineto), que se localiza nas costas da Serra da Bica e que do nosso lado nós já chamamos impropriamente Serra da Vila, tem água com o mesmo tipo de composição química, mesmo que menos acentuada. Ou seja: trata-se da mesma serra que, do lado da Azenha e da Quarta-Feira, tem urânio em dose apreciável ao ponto de os ingleses ali terem aberto e gerido a célebre Mina da Bica (mais tarde fechada por razões de pouco interesse económico e, depois, por causa do perigo de contaminação). Desse lado, a composição química da água permitiu a abertura da exploração de águas radioactivas pelos espanhóis e depois pelos ingleses com a criação do grande Hotel cuja ruína ainda ali permanece a enfeitar a serrania, para nossa miragem saudosa.
Na mesma serra, do lado do Casteleiro, as águas têm urânio mas não em quantidades que as tornassem economicamente dignas de exploração. Para muita gente, prova disso é o número de pessoas que no Casteleiro tinham problemas de estômago, talvez mesmo o que hoje se chama cancro.
A composição química das águas é ligeiramente parecida à das da Serra da Pena.
Tanto é assim, que os ingleses terão chegado a estabelecer contratos de exploração com alguns proprietários para que os camiões ali viessem encher – os engarrafamentos eram sempre feitos na Serra da Pena. Esta água tinha nessa altura muita saída e a quantidade existente lá não chegava para as vendas em Castelo Branco e em toda a região.
Mas o negócio nunca deu em nada: por um lado, os ingleses eram de más contas e, por outro, o negócio das Águas Rádium foi abaixo muito cedo.
Uma oportunidade histórica perdida para muitas famílias do Casteleiro.

Nota final
Ironicamente, quando o sistema de rega da Cova da Beira chega, com o canal que atravessa hoje uma parte do Casteleiro… já não há ninguém para cultivar e precisar do canal para regar…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O aumento das tarifas da água e a ausência de resposta às propostas dos municípios para minimizarem o problema, levou os presidentes das câmaras que dependem do abastecimento através da empresa Águas do Zêzere e Côa (AZC) a avançarem com um processo judicial tendente à denúncia e anulação do contrato celebrado.

Os municípios mandataram em conjunto um advogado com escritório na Covilhã para os representar na acção contra a AZC. O objectivo é colocar em causa os contratos assinados de fornecimento de água em alta, de recolha de afluentes e de valorização das infra-estruturas municipais. A acção judicial visa ainda obter a celebração de novos contratos que tenham em conta as especificidades reais dos municípios e da região em que se inserem.
Face às despesas de interposição do processo, que já atingem uma verba que ronda os 80 mil euros, os presidentes das câmaras, reunidos na Mêda, em 14 de Junho, acordaram em distribuir esse encargo por todos os municípios envolvidos, tendo por base o que cada um recebe do Fundo de Equilíbrio Financeiro. Assim à Câmara do Sabugal caberá contribuir com 8.684 euros, o segundo valor mais alto, apenas inferior ao contributo previsto para a Câmara da Guarda, que será de 9.757 euros.
Os presidentes de câmara consideram que as posições irredutíveis da empresa levaram a uma saída prematura do Município da Covilhã do sistema, o que originou, logo no início, a perda de largos milhares de clientes, que colocou problemas à sustentabilidade financeira da empresa. Face à situação a AZC decidiu aumentar unilateralmente as tarifas, o que ensandeceu os presidentes das autarquias, que consideram o aumento incomportável, tendo que o fazer reflectir na facturação da água aos munícipes.
Face à situação os presidentes das câmaras propuseram que o passivo da empresa fosse incorporado e consolidado nas contas da empresa mãe, a Águas de Portugal (que é o principal accionista da AZC). Esse saneamento das contas tornaria possível avançar com os investimentos necessários para uma melhor exploração e distribuição da água, ao mesmo tempo que permitiria uma revisão do tarifário, definindo-se um preço justo e socialmente aceitável, tendo em conta a situação do Interior, assim como as dificuldades das autarquias e dos consumidores. Os autarcas avançam mesmo com a proposta de que as novas tarifas, resultantes desse processo de saneamento, não ultrapassem a média nacional das tarifas definidas.
Outro problema que os municípios vêm contestando é o método de contagem da quantidade de água que entra na rede de saneamento, isto porque a contagem inclui as água pluviais que entram na rede e que vão parar às estações de tratamento de resíduos, o que aumenta em muito os custos das autarquias. Aqui os municípios propõem uma mudança no método de contagem, que deverá ter por padrão os valores dos meses secos, pagando-se nos meses das chuvas um valor igual ao praticado no Verão.
Entretanto, e face ao impasse, a maior parte das autarquias deixaram de pagar o valor das facturas da água. face a isto a AZC resolveu moveu também processos contra essas autarquias nos tribunais administrativos e fiscais, o que aumentou a tensão no já difícil relacionamento.
O conflito levou, logo no início deste ano, a uma reunião dos autarcas com a ministra do ambiente, Dulce Pássaro, que no entanto não teve consequências práticas, e à decisão do presidente da Câmara de Belmonte, Amândio Melo, de se demitir do lugar de vogal do concelho de administração da empresa.
A situação parece estar para se manter, seguindo o conflito nos tribunais, com a empresa e exigir os pagamentos em falta e as câmara a intentarem a denúncia do contrato.
plb

Desperdícios e perdas de água nas redes de abastecimento e de saneamento básico do concelho do Sabugal fazem com que a Câmara apenas facture uma terça parte da água que compra à empresa Águas do Zêzere e Côa. Foi o que constatou um estudo que teve como resultado a elaboração do «Programa municipal para o uso eficiente da água».

As perdas comerciais na rede de água estimam-se num valor superior a um milhão de euros em cada ano. O descaminho da água que não é facturada tem variados motivos, tais como: rupturas na canalização, ligações ilícitas, uso fraudulento das bocas-de-incêndio, extravasamentos nos reservatórios, erros e fraudes na medição. Outra razão é o uso da água que não é cobrado, uma boa parte pela própria câmara, nomeadamente na rega dos espaços ajardinados. Essa água é contudo paga pelo Município à empresa Águas do Zêzere e Côa.
O estudo efectuado aponta para a implementação de sete medidas tendo em vista o uso eficiente da água. Esse Programa foi aprovado por unanimidade na reunião do executivo camarário do dia 13 de Abril de 2011.
A primeira medida preconizada é a da redução das perdas reais no sistema público, através da localização das fugas e das rupturas da tubagem e a sua imediata reparação. Esta medida levará à substituição de ramais e de caixas de contadores, o que implicará o levantamento de calçadas e a sua reposição, assim como a abertura de valas e posterior tapamento.
A segunda medida consiste na redução das perdas aparentes, pondo cobro às ligações abusivas e não autorizadas, o que se fará pelo reforço da fiscalização.
A terceira medida aponta para a eliminação dos consumos que não são sujeitos a medição. A sua implementação implica identificar os locais onde o abuso é cometido e a consequente introdução de contadores para que esse consumo passe a ser facturado. Isso passa-se em relação a lares, associações, juntas de freguesia e em relação à própria câmara municipal, onde não estão instalados contadores que quantifiquem os consumos.
A quarta medida preconiza a implementação de um tarifário que permita a recuperação tendencial dos investimentos efectuados.
A medida número cinco é referente à rega dos jardins públicos, que deverá passar a fazer-se utilizando a água que provém da barragem através do sistema de regadio. Esta medida é porém dispendiosa por implicar a colocação de tubagem e de pontos de tomada de água nos sete grandes espaços ajardinados da cidade do Sabugal.
A sexta medida refere-se à redução dos custos associados à facturação, o que se conseguirá sobretudo através da implementação da factura electrónica, que reduzirá substancialmente os gastos em papel e em portes de envio.
A sétima e última medida preconizada no Programa é a reabilitação da rede de colectores das águas residuais, de modo a diminuir drasticamente as infiltrações de águas pluviais. Essas obras revelam-se fundamentais para fazer reduzir substancialmente os caudais da rede de saneamento que entram nas estações de tratamento e que são facturados pela empresa Águas do Zêzere e Côa.
As intervenções decorrentes da implementação das sete medidas propostas obrigarão a um investimento global superior a 260 mil euros, um custo demasiado elevado mas que poderá contribuir para um uso mais racional da água no concelho do Sabugal.
plb

Está disponível na Internet uma petição para a redução das tarifas da água no distrito da Guarda, cujo primeiro subscritor é Paulo Jorge de Oliveira Ribeiro de Campos, cabeça de lista do PS ás eleições legislativas de 5 de Junho.

Os peticionários insurgem-se contra o facto dos cidadãos do distrito pagarem mais pela água do que os habitantes dos grandes centros urbanos do litoral.
«Este é o tempo de mudar e concluir o trabalho de universalidade, de tratar os portugueses por igual no fornecimento de serviços essenciais, uniformizando o que falta: o preço da água», diz o texto da petição.
«Os abaixo assinados pretendem contribuir para que esta ambição se torne realidade, e desejam que assim o queiram também o Governo e as forças políticas representadas na Assembleia da República, de modo a que exista uma harmonização das tarifas aplicadas em termos nacionais, no que diz respeito à distribuição de água canalizada e ao tratamento de águas residuais.»
O objectivo da tomada de posição é requerer a adopção das medidas legislativas regulamentares necessárias à reorganização dos sistemas de cobrança da factura da água, de forma a eliminar os desfasamentos existentes entre as populações dos vários distritos e regiões de Portugal.
O acesso à petição Aqui.
plb

Os municípios que integram o sistema intercamarário de fornecimento de água querem denunciar o contrato com a empresa Águas do Zêzere e Côa (AZC), em reacção ao novo aumento nos preços do fornecimento de água, o que pode levar à asfixia financeira dos municípios. A Câmara Municipal do Sabugal está entre os contestatários e vai contratar os serviço de um advogado com vista a avançar com uma acção judicial.

Águas do Zêzere e CôaA posição da Câmara do Sabugal é consonante com a dos outros municípios pertencentes ao sistema, que ponderam recorrer aos tribunais para fazer face ao problema. Os custos decorrentes das novas taxas de água e de saneamento, que aumentaram 10 e 15 por cento, respectivamente, tornaram-se incomportáveis para os cofres das câmaras. A solução poderia passar por imputar esses custos aos munícipes, o que porém os municípios recusam fazer.
As câmaras reuniram em manteigas, onde decidiram deixar um ultimato: ou a empresa AZC revê a sua posição dentro de 90 dias, ou avançam para os tribunais. Entretanto os autarcas, incluindo António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, foram a Lisboa na última terça feira, onde foram recebidos pela Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, a quem expuseram as suas preocupações.
Pelo sim pelo não, a Câmara do Sabugal avançou já com a constituição de um advogado, com a finalidade de recorrer ao tribunal. O executivo mandatou António Robalo para contratar os serviços de um causídico da Covilhã, a quem dará poderes forenses para representar o município na possível acção a interpor judicialmente contra a AZC com vista «à resolução do contrato de fornecimento de água, em alta, contrato de recolha de afluentes e contrato de valorização das infra-estruturas municipais, todos referentes ao concelho do Sabugal».
plb

O homem para subsistir, tem de ter acesso a um bem essencial: a água. Emprega-se na alimentação, na rega, em banhos, lavagens de roupas e de louças, tendo ainda utilização medicinal e entrada em rituais. Nas cidades e aldeias o chafariz constituiu um equipamento primordial para o bem-estar da população.

Chafariz no Largo do Castelo - SabugalO uso virtuoso da água é bem notório no nosso adagiário popular:
Quem não poupa água nem lenha, não poupa nada que tenha;
Água em cestinho, amor de menino;
Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa;
A água de Janeiro vale dinheiro;
A água lava tudo, só não lava as más línguas;
Água de Agosto, mel e mosto;
Água e lenha, cada dia venha;
Água o deu, água o levou;
Água que não hás-de beber, deixa correr;
Bendita seja a água, por sã e barata.

Interessa aqui rever como se obtinha nos dias de antanho a linfa que abastecia as aldeias, num tempo em que o mimo da torneia a correr dentro das habitações ainda vinha longe. A água nativa estava disponível nas fontes naturais, nos rios, ribeiras e lagoas. Havendo porém que a captar quando dela havia maior necessidade, o camponês teve que se dispor a fossar a terra, na ânsia de dar com os veios subterrâneos. Aqui intervinha o vedor, que, de varinha advinhatória nas mãos, indicava o ponto onde se deveria escavar.
A aldeia, para ser devidamente abastecida, tinha ao dispor a água de poços e de fontes. Dentro das fontes, o mais comum eram as de chafurdo, de mergulho ou de charco, que funcionavam a modos de cisterna. Coisa mais fina e de maior garantia higiénica eram os pios, onde a água brotava em bica, correndo por um cano ou, na sua falta, uma cana ou uma telha. Também aqui era maior a comodidade, pois facilmente se enchia o balde ou o cântaro. Bastas vezes as fontes tomaram a forma de chafarizes, alguns com graciosas formas, facto que em muito orgulhava os habitantes das terras.
Localidade onde abundassem os chafarizes era considerada terra grada, de avultada importância, significando muitas vezes também que um seu natural assumira cargo influente, que lhe permitia “puxar” pela terra. Havendo uma captação, a água seguia canalizada para a fonte, onde corria, do alto, para um tanque. O povo apulava a que queria para consumo doméstico e servia-se do tanque para dessedentar os animais. Por vezes o tanque passou também a lavadoiro, facto que inviabilizava o consumo da água pelos animais. Por isso se construíram depois lavadoiros públicos, com água encaminhada para a finalidade exclusiva de lavar as roupas.
Ora, se na maior parte dos chafarizes impera e simplicidade, onde a norma é somente a prática, outros há de especial graciosidade, que são, afinal, elementos patrimoniais de referência no meio aldeão. Geralmente o chafariz compõem-se de um tanque encostado a um muro de pedra, encimado com uma cruz ou uma pirâmide. A água cai de um cano de ferro, havendo muitos com cano ou cale em pedra. Em alguns casos, mais peculiares, a água cai mesmo de uma gárgula de pedra que tem insculpida uma figura.
Paulo Leitão Batista

Antes da chegada dos chafarizes com água canalizada e condições de asseio, a água para abastecimento das nossas aldeias repousava nas fontes de chafurdo, ou de mergulho, onde se enchiam caldeiros e cântaros.

Fonte de mergulhoA água é, dos bens comunais, o que cuja falta mais preocupa a colectividade. Água é fonte de vida e, na sua escassez, a existência humana torna-se penosa. Isso era ainda mais sentido quando não existiam as comodidades de hoje, em que o precioso líquido nos entra pela casa adentro, bastando rodar uma torneira.
Na aldeia antiga, a água ia buscar-se à ribeira, ao poço ou à fonte mais próxima. Claro que uma aldeia existia onde houvesse água, fosse ela oriunda de um curso a descoberto, ou resultante de captações locais, que garantissem o abastecimento da comunidade. Mas a água potável nem sempre era abundante. Para sua garantia, escavava-se uma captação, via de regra um poço ou uma fonte, em local acessível.
O mais comum era a aldeia abastecer-se numa ou mais fontes de mergulho, ou de chafurdo, onde, às tardes, as raparigas se dirigiam com os cântaros de barro de duas asas, carrejados sobre a cabeça, assentes nas rodilhas, ou molides, para melhor equilíbrio. Este tipo de fonte, antes tão comum e hoje quase desaparecido, consistia numa poça de água, de pouca profundidade, escavada no local onde a mesma remanescia. Para protecção era construída uma meia cúpula de pedra, com maior ou menor estilo, mas deixando sempre suficiente espaço para o manobrar do cântaro ou do caldeiro. Muitas fontes deste género estavam desniveladas em relação ao solo, sendo necessário construir uma escada de acesso, pela qual se descia até à tomada da água. O estilo, forma geral, era simples, pois havia nela apenas a componente prática, que revelava algumas preocupações básicas: garantir o acesso fácil, protegê-la dos detritos e evitar que os animais ali fossem dessedentar-se.
Na fonte de chafurdo cada utilizador mergulha o recipiente na água, assim o enchendo. Ora, sendo a fonte utilizada por toda uma comunidade, cada utilizador terá que ter o máximo cuidado, evitando enludrar a água. Era até comum ver ao lado da fonte uma pequena lata ou caço de barro, que tinha em vista servir de copo a quem passava e pretendia matar a sêde.
A manifesta falta de higiene deste tipo de fonte, levou à sua progressiva substituição pelo chafariz, construção mais sóbria, em que a água caía de uma caneira ou de um tubo para o pio onde se ia acumulando. Para além do asseio, o chafariz permitia o aproveitamento da água do pio, que servia para dessedentar os animais ou para lavagens. Muitos chafarizes tornaram-se vistosos monumentos, substituindo as antigas fontes, que foram soterradas, assim desaparecendo.
Importaria nos dia de hoje recuperar algumas destas fontes de chafurdo, atendendo ao que elas representam na história da vida aldaneja, quando a existência era difícil, com muitas provações. A fonte de mergulho era um bem essencial, de que toda a população necessitava, a par com o forno. Lá diz o rifão: água e lenha, cada dia venha.
Paulo Leitão Batista

JOAQUIM SAPINHO

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