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O grande Mestre da Filosofia Portuguesa, Pinharanda Gomes, natural de Quadrazais, publicou um ensaio notável acerca das linhas mestras do pensamento de Agostinho da Silva, um dos maiores pensadores lusófonos e profeta do mundo a haver.

«Agostinho da Silva – História e Profecia» é o título do ensaio sobre o filósofo nascido no Porto em 1906 e falecido em Lisboa em 1994, que passou parte da infância em Barca d’Alva, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.
O ensaio fala das ligações de Agostinho da Silva à Escola Portuense, fundada por Leonardo Coimbra. Homem sonante do movimento da «Renascença» em Portugal, Agostinho da Silva levou para o Brasil a «Renascença Portuguesa», cujos valores transmitiu e fixou, especialmente através da chamada Escola de S. Paulo. Foi com o filósofo Agostinho que se renovou a «filosofia luso-brasileira».
Pinharanda Gomes relembra no seu ensaio que o grande legado de Agostinho da Silva foi «uma Filosofia da História, que entrança a finitude humana com a infinitude divina», segundo o mesmo ponto de vista de filósofos da Renascença, como Leonardo Coimbra, Teixeira Rêgo, Álvaro Ribeiro ou José Marinho.
O livro fala-nos também da «projecção do mundo novo, ou mundo a haver, a missão portuguesa», que Agostinho da Silva defendia. Um mundo centrado no Atlântico Sul, a «Lusitânia», onde o filósofo antevia como «o mundo a vir, sem lhe fixar datas aritméticas, pois esse mundo é um clima de vida e não uma época», numa espécie de messianismo português.
George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto em 1906, tendo-se nesse mesmo ano mudado para Barca d’Alva, onde viveu até aos seus 6 anos, regressando depois ao Porto. Dono de um percurso académico notável, cursou Filologia Clássica, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Com apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que dá o nome de «O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas», doutorando-se «com louvor».
Foi para Paris, onde estudou como bolseiro na Sorbonne e no Collège de France. Regressou a Portugal e passou a leccionar numa escola secundária de Aveiro, até que, em 1935, foi demitido do ensino oficial por se recusar a declarar por escrito que não participava em organizações secretas e subversivas. Foi para Espanha, mas regressou com a eclosão da guerra civil.
Em 1943 foi preso pela polícia política e, no ano seguinte, saiu de Portugal no seguimento da sua oposição a Salazar, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina. Acabou por se instalar no Brasil, onde viveu até 1969. Deu aulas em diversas universidades brasileiras, ajudando à fundação de algumas delas e foi assessor do presidente Jânio Quadros.
Regressou a Portugal após a queda de Salazar e começou a leccionar em diversas universidades portuguesas.
A fase mais popular de Agostinho da Silva foi quando, em 1990, apareceu na televisão, numa série de treze entrevistas, denominadas Conversas Vadias.
Agostinho da Silva é tido como um dos principais intelectuais portugueses do século XX. Da sua ampla bibliografia, destaca-se o livro «Sete cartas a um jovem filósofo», publicado em 1945.
plb

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(Este texto poderia ser escrito por Medina Carreira – todos liam, mas depois ninguém levava a sério – acrescentando no entanto umas quantas baboseiras típicas de quem nunca fez nada, mas numa manjedoura farta, se acha no direito de emitir opinião.)

Agostinho da Silva - JarmeloMuito se tem dito sobre a vaca jarmelista, uns de forma mais assertiva outros de forma mais gratuita, lá se vai falando. E fazendo? O que é que realmente se faz?
Já fui considerado o «homem-vaca» ou até o pai da vaca jarmelista, mas isso não me confere nem mais nem menos direitos públicos que os demais. Conferiu-me, até por inerência de funções, a tarefa de tentar salvaguardar o que os nossos antepassados um dia para nós seleccionaram.
Nos mais de dez anos que levei nesta luta, muito cedo fiz o prognóstico deste momento que em paralelo com o momento que vivemos, nos poderá, para já levar ao chamado «calvário da vaca jarmelista».
Será que, de uma morte anunciada, poderemos ver a luz, como quem vislumbra uma espécie de ressurreição?
Fazendo um ligeiro apanhado do que foi um caminhar lado a lado, noto que no essencial, desde os finais dos anos 90 (em que me meti nisto) até agora ao final da primeira década do novo milénio, pouco ou nada se fez seriamente para evitar o desaparecimento da vaca jarmelista.
Não tivesse sido o apoio (culpa) dos Media e já tudo estava resolvido: tinha-se acabado com o maldito animal e já não se falava mais nisso! Por sorte, ou talvez não, conseguiu-se uma invulgar visibilidade, que quando transposta para a carga/capital de influência pública, torna o tema tão incómodo que os que estão fora querem entrar e os que estão dentro, não sabem como dele sair.
A questão da vaca jarmelista, só tem duas saídas, ambas de carácter político (isso sim é que me custa): deixar que o «problema» se resolva por si só, com o tempo impiedosamente a fazer estragos; ou também com o tempo, mas em «contra-relógio» (contra ciclo também) avançar de uma vez por todas para o que um dia ficou «sonhado», a implantação em «barrigas de aluguer», para se chegar ao tal efectivo próximo dos 400 animais.
Sinceramente, não vejo vontades políticas, e até das outras, para que a tal se consiga chegar. No já demasiado longínquo ano de 2003, pelo então director de serviços, Dr. Mário Costa, a Direcção Geral de Veterinária, fez-se representar, ainda hoje não tenho a certeza se oficialmente ou por simpatia, na Feira-concurso do Jarmelo. Tivemos uma longa conversa, da qual resultaram as bases do que até agora tem acontecido. Mas resultaram também muitas mais bases, que quer eu, quer o Dr. Mário Costa, achávamos fundamentais e condição sem a qual, tudo ruiria como um castelo de cartas.
O tal plano, quiçá «maquiavélico», de sustentar a existência de uma raça com nome Jarmelo associada; parecia o início de um sonho lindo, que afinal teima em se revelar pesadelo para quem nele entrar.
Com o Dr. Mário Costa, cedo concordámos (nunca nos tínhamos visto nem contactado), que a inseminação e implantação em barrigas de outras raças era a única saída possível. Ele, é um técnico superior, eu, era e sou um «estorvo» que de vacas nada sei (nem sabia), os «ilustrados» existem, andam por aí.
É inconcebível que a forma como é dado o apoio aos criadores (os tais 17, na maioria pequenos proprietários), tenha que funcionar como funciona. Aqui, terei que repor justiça na forma como a ACRIGUARDA se tem empenhado e esforçado, para manter o serviço que mantém.
E é inconcebível e incomportável, que para a Acriguarda, um dia venha a cair a «culpa» de não ter feito mais. Sem conhecer os constrangimentos, basta olhar ao mundo rural para saber que todos estão descapitalizados. Como se não bastasse a Acriguarda, com a jarmelista, tem ainda pendentes situações em tribunal.
Não duvido da imensa vontade da Acriguarda, mas já isso sim, duvido da vontade quer do Ministério da Agricultura, quer dos seus serviços desconcentrados (a última vez que afirmei isto, valeu-me 15 mil euros de apoios; espero que desta não implique algum amuo, ou similar, que resulte em cortes no que ainda não vem). Agora que já não pertenço nem á Junta nem á Feira, podem apoiar conforme é devido, pois algumas vezes fiz «pagar» o Jarmelo por pecados da vaidade pessoal (do que o Jarmelo ganhou não cabe aqui o momento).
O Ministério da Agricultura terá que de uma vez por todas tratar a «doença» com vontade de a resolver: ou assumir uma coisa (acabar com) ou outra (avançar para). Assim que se falou da possibilidade de implantação em «barrigas de aluguer», logo apareceram pessoas com vontade de colaborar e disponibilizar as suas vacas para tal.
Num processo destes, não pode haver lugar a invejas, muito menos providências cautelares; qual a moral de uma associação (pelo menos pela tomada de posição pública em programa de TV), quando a argumentação se baseia em questões económicas/subsídio de excepção? Então e todos os outros anos em que a suposta jarmelista nada recebeu? A jarmelista até ao reconhecimento oficial, recebia ZERO! E quanto recebiam as demais raças nacionais? Viram alguém reclamar apoios (solidariedade) para a jarmelista? Continuamos a olhar para a vaca como um ser que tem MAMAS!!
Num processo destes, qualquer coisa é melhor que nada, mas pode não ser o suficiente! Devem manifestar-se os criadores e eventuais parceiros a integrar, nomeadamente neste assunto das «barrigas de aluguer», e claramente compensar as eventuais perdas que venham a verificar-se face ás expectativas que se criem. Explico: não pode um produtor (num processo tão urgente como este) estar a correr «riscos» de que a sua vaca não tenha pelo menos uma cria por ano, daí que era urgente definir este género de situações par evitar (como foi o meu caso) que uma vaca em estábulo em três anos só tenha tido uma cria (não tem forçosamente que ver com as condições de acondicionamento ou manuseamento, mas em minha opinião, com a tal necessidade de munir a ACRIGUARDA (ou instituição superior) com meios financeiros e técnicos que possam suprir estas «falhas».
As vacas integradas numa vacada, manifestam o cio de forma mais visível, tendo macho serão «cobertas»; em estábulo e muitas vezes uma ou duas (acumulando no meu caso falta de saber sobre cio) dificulta muito mais. Sei que há formas de provocar o cio, sei que haverá outras maneiras de solucionar a situação… mas também sei que com esta inércia, não vamos lá
Diz-se no entanto por aí (e ninguém acredita que seja assim) que o Ministério da Agricultura (diversos serviços) além de supostamente…, também carrega de «papelada» as situações de tal forma que as pessoas comuns não podem ser «bafejadas» (termo do reino animal em época de prendas – menino Jesus, presépio).
A propósito: só no concelho de Lisboa (esse concelho extremamente rural), trabalham (ou trabalhavam até há pouco) quase 50% dos funcionários do ministério, que sendo boa parte chefias e afins, ajudarão a consumir o que em 2006 eram 260 milhões de euros do “funcionamento” do ministério. A agricultura tem que continuar a cheirar a Merda!! E não a eventuais «Channel», a agricultura deve voltar para o campo, lá para o sítio onde estão as gentes. O Portugal profundo precisa que o Portugal «ilustrado» se volte de novo para as raízes, e delas não tenha vergonha.
As raças de vacas autóctones, as 13 reconhecidas, mais as tais, eventuais, outras seis (sub-raças da mirandesa), poderão vir a ser o «furo» para um país que tem que ser aquilo que o mercado disser: pequenos nichos, com ofertas muito diversificadas, em que os gostos de cada região estejam ali ao alcance de quem os queira voltar a sentir ou provar pela primeira vez.
Sei que já se come por aí «vitela do Jarmelo» (só porque supostamente criada em pastos das terras daquele microclima, e espero que quem eventualmente «ganhe» com isso não tenha que ter engolido algum sapo – é que ás vezes há quem bata no «amoijo»/úbere em que mama). Porque não comer mesmo Vitela jarmelista, certificada?
Como também para os que me conhecem, pouco disto é novidade, a forma como me tenho expressado publicamente é realmente um tanto provocatória (palavra que na raiz pede palavra – resposta); tantas vezes lido/entendido das mais enviesadas formas, mas que pela persistência (e sempre com apoio dos MEDIA regionais e nacionais) lá se foi fazendo ouvir.
Das diversas tomadas de posição pública sobre este e outros temas, nunca foi meu objectivo prejudicar a «causa» da vaca jarmelista, mas tão só num mecanismo de visibilidade, evitar que o caso fosse esquecido, como é tão do (bom) gosto dos decisores políticos: matá-los pela exaustão – como a visibilidade pública me alimentava o EGO, fui continuando, e criei um capital de tal forma evidente, que ainda hoje, sempre que se fala do tema, as pessoas esperam que eu também fale ou apareça. Mesmo as minhas ausências, chegam a ser tão incómodas como as presenças, os meus silêncios perturbam por vezes mais que as palavras.
Tenho que reconhecer publicamente também, que «montei estratégias» com fins muito objectivos, sendo que por exemplo em relação à Feira (posso dizê-lo) era que de uma vez por todas a Câmara Municipal (a tal do interesse), agarrasse o tema com as mãos (e com as duas). Contrariamente a outras terras, o Jarmelo está escasso de gente com ânsia de protagonismo, daí que aquilo que poderia ser um lugar apetecível, é na verdade o contrário (dá trabalho, falta apoio concertado).
Para poder aguentar mais de dez anos num tema destes, tem que se ter pele de bombo, para aguentar toda a «porrada», inveja, maledicência e outros «usos». Sempre quis acreditar que este tema não seria/serviria para a luta política, mas também percebi que era mais um local para tal, há uma atracção fatal pelo abismo.
Agostinho da Silva (Jarmelo)

Apesar do nevoeiro, da chuva e do imenso frio que se fazia sentir, a antiga tradição popular do «julgamento e morte do galo» voltou a animar a noite de carnaval da Guarda, em 15 de Fevereiro, atraindo às ruas da cidade milhares de pessoas.

Agostinho da Silva fez o papel de «juiz» e presidiu à audiência realizada na Praça Velha para julgar o galaró na sequência da acusação, que o considerava culpado pelas intrigas e desavenças que tiveram lugar durante o ano.
O texto da representação foi da autoria de Norberto Gonçalves, e, para além do juiz Agostinho da Silva, houve também um polícia bonacheirão (interpretado pelo actor Rui Nuno), a advogada de acusação Carolina Beatriz Ângelo (interpretada por Cristina Fernandes), o advogado de defesa Rui de Pina (interpretado por Carlos Lopes), a mulher do povo (interpretada por Isabel Monteiro) e o homem trauliteiro (interpretado por Albino Bárbara).
Nas ruas e passeios havia neve e o vento puxava bátegas gélidas que fustigavam os rostos. A humidade avariou o sistema de luzes e os ecrãs gigantes que a organização, coordenada por Américo Rodrigues, montara na Praça Velha. Mesmo assim a população saiu à rua, desafiando o frio para assistir ao espectáculo baseado numa tradição ancestral.
Face às condições adversas, o espectáculo esteve para ser cancelado. Porém, em respeito para com a população que acudiu à cidade, o desfile e a representação teatral foram por diante conforme o previsto, utilizando-se porém apenas uma parte dos recursos que estavam disponíveis.
Mais de cinco mil pessoas assistiram ao desfile dos foliões desde a Alameda de Santo André até à Praça Velha. Cerca de 400 pessoas, entre técnicos, representantes de colectividades, músicos, actores e grupos convidados, deram forma ao espectáculo que animou a noite fria e chuvosa, fazendo com que ninguém arredasse o pé.
O longo cortejo dirigiu-se à Praça Velha, onde se deu o julgamento, com defesa e acusação esgrimindo argumentos, numa autêntica sátira à vida social da cidade, o que arrancou sorrisos e gargalhadas à assistência. No final sucedeu o que todos esperavam: Agostinho da Silva, o juiz, considerou o galo culpado e condenou-o a morrer na fogueira. Concedeu-lhe porém um último desejo, e o condenado quis ver o Anjo da Guarda. Então uma figura em forma de anjo «esvoaçou» pela praça. Só após o cumprimento deste curioso desejo, o galo foi queimado, para gáudio de todos, que agora esperam que este sacrifício lhes traga um ano feliz.
Findo o espectáculo, a Culturguarda e a Câmara Municipal da Guarda, ofereceram canja de galo e vinho para todos.
plb

Agostinho da Silva está perpetuado em Barca d’Alva com monumento do escultor Eugénio Macedo. Uma excelente iniciativa do Município de Figueira de Castelo Rodrigo. O monumento ainda não foi inaugurado mas já se encontra no local escolhido.

Agostinho da Silva - Eugénio MacedoO escultor Eugénio Macedo acabou de implantar em Barca D´Alva o monumento ao filósofo, ensaísta e escritor Agostinho da Silva.
A iniciativa foi do Município de Figueira de Castelo Rodrigo, que assim presta uma digna homenagem a Agostinho da Silva, um dos mais insignes e representativos filhos da região.
Trata-se de uma escultura da figura de Agostinho da Silva, sentado num banco, em tamanho natural, com vários tipos de granito e que se enquadra, de forma muito feliz, no anfiteatro ao ar livre, do cais do porto fluvial de Barca D´Alva, onde ficará a receber e a dar as boas-vindas aos inúmeros turistas e passantes que ali confluem. Permitindo-lhes que se sentem e descansem ao lado do grande filósofo, fonte inspiradora para meditar em tão bela paisagem ou, se não for esse o caso, apenas para tirar uma fotografia ao seu lado e levar como recordação.
É mais uma obra, de excelente qualidade artística, do escultor e artista multifaceado Eugénio Macedo, que se revela, desde já, mais um exlibris de Barca D´Alva.
José Manuel de Aguiar

«A minha vida não foi gasta! A minha vida foi vivida!», afirma com toda a certeza do mundo a menina Zézinha, uma das quatro solteiras da aldeia da Urgueira, na freguesia do Jarmelo. O carismático autarca Agostinho da Silva tudo faz para divulgar os fenómenos das suas terras.

As meninas solteiras da Ulgueira no Jarmelo

(Clique na imagem para ver a reportagem da SIC.)

Caros amigos, esta não é uma notícia, este foi um acontecimento, pelo qual todos passamos. O meu pai, companheiro de tantas lutas – forte na causa da vaca jarmelista, apoio até na execução da vacagalo –, disponível sempre que lá chegava com jornalistas, ou mesmo pessoas que queriam saber do Jarmelo e das suas coisas.

Silva do ImaSubimos os dois, até ao alto, subimos, muitas vezes com sacríficio e alguma dor (angústia), deixámos a causa da vaca jarmelista, mesmo ali no ponto de onde se pode partir para muito mais… ou cair ao mais fundo.
Levámos esta caminhada até ao tal ponto alto, do qual a ele já só lhe sobravam vertigens, a pressão de algumas angústias, forçaram-no a várias quebras de tensão (umas mais figuradas, outras mesmo reais) sendo que a última foi na sexta-feira, dia 17 de Abril, cerca de 40 anos depois de, ele também com sensivelmente a minha idade, ver partir seu pai e cerca de 30 anos depois, pela mesma época ver partir sua mãe.
Algumas coisas que estão destinadas aos sábios, acho que o «Silva da Ima», as tinha. Teve a lucidez de saber que o «tempo» estava próximo e como me disse no dia da partida (emocionados os dois, claro) – já vi partir o meu avô, o meu pai… não há nada de novo.
Ora citado nos jornais locais, ora falando nas rádios ou aparecendo nas TVs, o «Silva da Ima» teve sempre a preocupação de não dizer (principalmente sobre a vaca jarmelista), tudo o que lhe ia na alma, mas tão só aquilo que achava que poderia ajudar à estratégia de «salvar» as situações em que eu o metera.
Deixou-nos com grande lucidez, a tal que perturba os que presentem osacontecimentos.
Passou os últimos dias a falar com os amigos e a dizer-lhes as últimas coisas.
Quantas horas faltavam para a revisão do tractor, quando é que se tratavam as abelhas, a renda da lameira ou da regada, isto e aquilo.
Depois de 3 episódios de quebras de tensão, em 12 horas… visitas ao hospital… depois da primeira, disse-me, logo vi que me mandavam pra casa pra morrer.
Não foi da primeira, mas acabou por acontecer depois da última saída do hospital (3) em 12 horas, teve direito a um dia completo para voltar a falar das coisas que naquele momento eram importantes. O «Silva da Ima», era um «gracejador» e ainda disse, não tarda muito e estou a lavrar novamente no «Lameirinho» (terreno, onde
quarta-feira deu os últimos 10 regos com a charrua do “Massey Fergusson 135″). Depois destes últimos dez regos, ainda foi com a nossa mãe semear «gravanços»; aí deu-se o primeiro episódio de quebra de tensão e convulsões. A nossa Mãe (que é CORAGEM) assistiu-o com recurso a algumas dicas que lhe fomos ensinando, e todo o resto de força interior, não havendo por que pedir socorro, teve que o deixar, já consciente, mas deitado, para ir telefonar por apoio e trazer um cobertor.
O «Silva da Ima» andava a sismar com a morte dos pais (dele) que se dera há cerca de 40 e 30 anos respectivamente pai e mãe, ambos no mês de Abril, próximo da Páscoa… estas coisas vão marcando e às vezes fazem lei.
Para ele, guardou um dia que não sendo de páscoa, era ainda nos 8 dias após.
O «Silva da Ima» guardou para ele, que o funeral pudesse ser num sábado ou domingo. Acho que o que o traria perturbado, podia ser o facto de o filho mais velho ser camionista e não poder estar (até isso acertou, estva sem carga e perto do aeroporto de Milão na Itália). Não tivemos que faltar aos empregos para tratar de tudo.
O «Silva da Ima», acho eu que era vaidoso, pena que não tivesse visto o mar de gente que o acompanhou, o «Silva da Ima» não queria flores nem choros. Dizia em tom de brincadeira: o que me custa mais, Isablinha (nossa mãe) é deixar-te viúva.
AEUS PAI!!, conta connosco MÃE!!!
Agostinho da Silva

Faleceu hoje, 17 de Abril de 2009, Joaquim Monteiro da Silva, o «Silva do Ima», pai de Agostinho da Silva, presidente da Junta de Freguesia de São Pedro do Jarmelo.

Agostinho da Silva com os paisJoaquim Monteiro da Silva, o «Silva da Ima», nasceu em 10 de Agosto de 1923 e faleceu esta sexta-feira, 17 de Abril, na sua aldeia natal.
A triste notícia chegou-nos pela voz do filho Agostinho que, de forma emocionada, pouco mais conseguiu dizer estando, ainda, por marcar a hora do funeral na freguesia do Jarmelo.
Foi por altura das vindimas que o Agostinho me levou ao encontro de seu pai, o senhor Joaquim da Silva. Acompanhado da esposa andava a tratar dos campos de milho na Ima do Jarmelo. Tinha sido o epílogo perfeito para uma longa jornada que teve por mote a vaca jarmelista pois nada melhor do que ouvir o maior especialista, uma verdadeira enciclopédia humana, relembrar algumas das muitas estórias sobre uma raça única no Mundo.
Em sua memória aqui vos deixamos umas palavras na primeira pessoa de Joaquim da Silva extraídas do livro «Vaca Jarmelista nas memórias do Silva da Ima»:
«Eu comecei a lavrar com 14 anos… foi no Cavaleiro a estravessar com a vaca Marreca que era boa de leite… Depois mais tarde, comecei eu a comprar vacas, comprei uma dos Alecrins… e trabalhava com outra vaca que cá foi criada… Essa vaca dos Alecrins, comprei-a cara… vendeu-a o Zeca, uma por três contos e oitocentos e eu comprei a tal por seis… foi a melhor vaca que tive!… As vacas aprendiam desde que a gente não as tratasse mal… as vacas andavam ao rego ou saíam quando a gente queria… as vacas tinham nome… a gente dizia – dá p’ra trás Formosa!… Cá Galante! e tocava com a aguilhada na que queria que saísse do rego… ou para virar mais p’rá direita ou mais p’rá esquerda… A vaca jarmelista além de ter a cabeça larga… tinha marrafa grande, que lhe chegava aos olhos… as vacas com o jugo não cortavam a marrafa… Os pastos… as pastagens tinham influência na produção de leite e na qualidade… dizia assim a minha avó p’ró meu avô. – Ó Manel, hoje as vacas andaram no lameiro dos Feixeiros… Atão como é que tu sabes? – Porque o queijo é muito melhor… a coalhada é mais macia quando estou a fazer o queijo…»
Faleceu Joaquim Monteiro da Silva, o Silva da Ima. A cultura beirã e a causa jarmelista ficaram mais pobres.
O funeral está marcado para 16 horas deste sábado, 18 de Abril, na freguesia do Jarmelo.

Para o nosso amigo Agostinho da Silva e restante família um abraço raiano de grande solidariedade.
jcl

Caros amigos, conforme vem sendo hábito, quando percebo que algum dos meus temas pode vir a ser «notícia» comunico-o.

Agostinho da Silva no JarmeloNão vejo em nenhum de vós gente capaz de ridicularizar as minhas notas, daí que aí vai:
Fruto de uns posts colocados na blogosfera, surgiu por parte de alguns órgãos de comunicação social regional, a vontade de falar comigo, mormente sobre o presumível facto de não me recandidatar à Junta de freguesia de S. Pedro do Jarmelo.
Acrescentarei mais: nem me recandidato à Junta, nem farei parte da organização da Feira-Concurso do Jarmelo.
Da Junta saio, depois de dois mandatos, em que o desgaste foi notório e os logros foram escassos. Não posso de forma alguma fazer um balanço positivo do meu desempenho, uma vez que as lutas que protagonizei em prol das condições básicas das populações, continuam, até à data, por resolver.
As aldeias que não tinham água, eram e são as mesmas: Donfins, Urgueira e Pereira.
As aldeias que não têm piso nas ruas (ou só têm em parte) são também as acima referidas.
As aldeias que não têm saneamento são ainda Donfins, Urgueira, Pereira, Ima e Devesa.
Estamos pois na presença de uma magistratura de influências que não conseguimos exercer (nego-me a considerar-me incompetente, mas tão só, considero que foram estas populações vítimas dos constrangimentos económicos).
Em diversas ocasiões, por diferentes meios, alertei para estas realidades, daí que não conseguindo, não posso admitir a qualquer «poder» que um dia tenha o «desplante» de chegar ao Jarmelo e dizer, que mais não se fez, porque mais não foi pedido.
Ao passo que outras freguesias já se preocupavam, com jardins e espaços de diversão, as nossas gentes amarguraram, supostamente, a pena de um dia ter aqui nascido um dia um dos assassinos de Inês de Castro.
Confio que aparecerão pessoas que tenham outra forma mais eficaz para levar a cabo estas «empresas». Não posso acreditar que um dia por um cálculo per capita se conclua que já não vale a pena. Pelo que me é dado observar, algumas pessoas, embora poucas, já vão ter água – não sendo todas na mesma aldeia, ao menos algumas… talvez por um critério sui generis, depois de uns, virão os outros (embora na mesma aldeia).
O futuro, será certamente muito melhor, é esta a vantagem de se ter batido no fundo: saindo de lá, só para cima. O PIAZAR, ou um outro programa de coesão, virá suprir estas mágoas e transformar de uma vez por todas a realidade desta gente.
Seja qual for a equipa que se apresente na Junta, fará certamente melhor trabalho, pois as condições parecem-me forçosamente melhores face ao futuro. Talvez o método e a forma sejam eficazes e daí resultem verdadeiras melhorias para todos. Pelo menos é essa a minha certeza.
Quanto à Feira-Concurso, que também vou deixar de coordenar/colaborar, é mais uma das «guerras» que levei demasiado a peito, com os eventuais prejuízos que daí advieram para a causa.
Percebi que muitas vezes o método e a forma foram longe demais, trazendo dissabores ao conjunto do evento. Mais uma vez, neste tema também estou certo que os verdadeiros jarmelistas, não deixarão o tema acabar de forma inglória.
Certo de que nos últimos anos alertámos até à exaustão, para a necessidade de se dignificar este evento e de uma vez por todas ser assumido como referência estratégica regional, certos disso, achamos que as entidades que têm o «dever», dele não se demitirão.
Não considero esta minha retirada um acto de cobardia, tão só uma saída para o lado, para que outros protagonistas tomem lugar. Ao que tudo indica os constrangimentos económicos, não se farão sentir, pelo menos nos próximos anos, dado que estamos em pleno QREN.
Uma vez que durante vários episódios, se percebeu que havia interesse em apoiar este evento, é chegada a hora de outra entidades agarrarem com mais firmeza este evento.
Este projecto deve e tem que ser definitivamente catapultado a interesse regional e local, devendo todas as entidades que super-entendem o tema, agarrá-lo e referenciá-lo, ou de uma vez por todas dizer às gentes do Jarmelo, que afinal o que se passou até agora foi mesmo um erro de casting.
Este evento não tem que forçosamente ser coordenado pela Junta, mas dado o histórico recente, talvez deva continuar a ser um parceiro a ter em conta.
Quanto a mim já tive protagonismo em exagero sobre este tema..
Disponível par outras «conversas».
Jarmelo, Fevereiro de 2009.
Agostinho da Silva

A Vacagalo, apareceu no meu «espírito» no «desfile» do ano passado. Seria uma forma graciosa de mais uma vez chamar a Vaca jarmelista para a visibilidade.

Vacagalo do JarmeloNeste momento, depois de apresentada a ideia à coordenação deste espectáculo – TMG-Teatro Municipal da Guarda – avançámos para a execução, com gente devidamente «certificada», sejam eles: Mateus Miragaia (o tal das tesouras de tosquia), na soldadura; Elsa Miragaia (produtora cultural/espectáculos), nos adereços dos acompanhantes do «bicho»; arquitectos Isidro Almeida e António Trindade e o designer Agostinho da Silva na execução (este último, acumulou, indevidamente outros cargos pomposos de coordenação executiva, ideia e mais tachos – ainda assessorado por Joaquim Monteiro da Silva nas especificações morfológicas da vaca).
Trata-se de uma figura que mistura a vaca (jarmelista) e o galo (do entrudo), poderíamos considerá-la como a prima do Jarmelo, que vem visitar o galo da cidade no dia do seu infortúnio.
Esta vaca, ao que parece, esárá a sofrer um plano mais abrangente de adaptação a dias melhores, daí que se transvista em outras roupagens, na tentativa de de alguma forma despertar o ineresse da região para as suas sine die, questões, de resolução sem fim à vista.
Claro!! estes sujeitos, e sujeitas, esquerdistas plebeus e também chiques, fazem parte da Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, que por eles será representada, mais uns quantos que se inscreveram na página na Internet do Jarmelo.
Agostinho da Silva

Há muito que estava prometido o encontro no Jarmelo com Agostinho da Silva. O espírito de missão que leva este homem a defender a causa da vaca jarmelista é digno de registo. Com discurso rápido e fluente o irreverente presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo mistura a polémica sadia com algum marketing provocante. A conversa fez parar o tempo lá riba no marco geodésico onde, musicadas pelas brisas beirãs, se avistam paisagens a perder de vista desde a Guarda até Ciudad Rodrigo. «Preparo-me para ser candidato à Câmara da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso porque quero apenas abanar um pouco o estado das coisas em relação à raça jarmelista», diz-nos com um sorriso matreiro, Agostinho da Silva enquanto nos guiava pelos terras e terreólas da sua freguesia desenhada pelos martelos dos ferreiros de outros tempos.

«Quando iam comprar as vacas, escolhiam as que dessem muito leite… paridas de pouco tempo, p’ra se ver o amoijo, se tinha bom amoijo alguma coisa havia. As vacas cá se iam seleccionando, uma vaca que desse muito leite, o proprietário depois de ver que não dava leite, engordava-a e procurava vendê-la… ia procurar outra… a este mercado aqui… ou até Pousafoles do Bispo, Vila do Touro, Alfaiates, para onde tinham ido as nossas bezerras, aquelas que mais tarde dessem bom amoijo, iam-se lá comprar, tanto assim, que uma vez veio de lá uma vaca de Pousafoles para o Ti Órfo… era uma vaca muito linda! Muito bem posta, mas não era grande; tinha o focinho amacacado assim de sapo, virado p’ra diante… mas é lindo o focinho curto.» (retirado do livro das memórias do Silva da Ima, pai do nosso entrevistado).

Agostinho da Silva no JarmeloAgostinho da Silva nasceu a 15 de Dezembro de 1965 na Ima do Jarmelo. Depois da Escola primária entrou para a ordem religiosa missionária Verbo Divino, no Tortosendo. Frequentou a Escola António Arroio, em Lisboa, entrou na Belas Artes do Porto, onde fez o curso de Design de Comunicação. É, actualmente, presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo (um conjunto de várias povoações), vive em Porto da Carne (e em breve na Guarda) e vai sempre que pode à aldeia que o viu nascer – Ima do Jarmelo –, uma terra onde ainda resistem cerca de 20 pessoas. Fotógrafo, designer e professor de Artes Visuais é um dos maiores activistas da campanha contra a extinção da raça jarmelista. Foi, com muito orgulho, que nos mostrou a vaca e a bezerra, dois exemplares lindíssimos, que mantém na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Iniciámos a nossa visita guiada pelo Largo da Igreja de Cima onde se percebe na muralha a intervenção sofrida por um portal alargado. Agostinho da Silva recorda a memória dos mais antigos sobre o que aconteceu…
– As procissões antigamente saiam da igreja de cima passavam na vila e entravam na igreja de baixo e no ano seguinte era ao contrário – ainda hoje as pessoas vão à missa ao domingo, alternadamente, a São Pedro e São Miguel – e como passavam por aqui e a portaleira era um pouco estreita havia sempre uma picardias entre quem levava o andor e… empurra para lá, encontrão para cá riscando as madeiras… e o padre para acabar com isso mandou deitar abaixo um dos lados da portada.
A cada passada é possível chutar pequenos calhaus negros duros e pesados. Deixamos a explicação para o nosso anfitrião. «Isto é escória de ferro. Na reconquista de Portugal aos mouros um grande núcleo de ferreiros veio implantar-se no Jarmelo. No início do século XX tinhamos 120 forjas de ferreiro na região do Jarmelo. A vaca jarmelista é bastante parecida com a asturiana de Los Valles. E a minha teoria está associada a isto. Quando vieram os carregos com os bens dos ferreiros asturianos eles também trouxeram os carros e as vacas. Eram comunidades fechadas auto-suficientes que associadas ao microclima que aqui existe apuraram uma raça diferente de todas as outras.»
Continuámos até um espaço no interior das muralhas, nas ruínas da antiga Vila do Jarmelo. «Aqui actuou o Chuchurumel, no Dia do Património.» – E o que é o Chuchurumel? – «É um grupo constituído por César Prata e a Julieta Silva cantam cantigas populares, tradicionais. Fizeram um levantamento, sistematizaram as recolhas e concretizaram, aqui, uma apresentação com 15 temas.»
Mais à frente percebem-se as marcas do que sobra das paredes em pedra de uma casa. «Aqui viviam os pais de Pero Coelho, um dos assassinos de Inês de Castro. Quando D. Pedro subiu ao trono mandou arrasar a vila do Jarmelo que o povo vai lembrando com a lenda – não ficou pedra sobre pedra e que salgou as terras para que elas nunca mais produzissem – mas a verdade é que as terras são pobres. Perto da ribeira faz-se algum cultivo mas afastando-nos 50 metros é só centeio e mato.»
A intervenção que houve no Castro foi coordenada pela Câmara da Guarda, com um arqueólogo e com uma equipa de quatro pessoas que estiveram aqui a trabalhar cerca de um ano. «Notamos é a falta de datação de objectos. Chegámos a pensar num campo de férias com características especiais, por exemplo, vocacionado para a história mas ainda nada se concretizou», esclarece Agostinho da Silva.
O carreiro bem trilhado levou-nos a um dos sítios mais emblemáticos das terras do Jarmelo. A pedra de montar. Mais uma vez deixamos a explicação para o nosso guia. «Esta é a famosa pedra de montar mas parece que não estava aqui. Foi aqui colocada há cerca de 60 ou 70 anos. Tem talhada uma ferradura e uma poça para colocar a ração e está associada à lenda de que Inês de Castro montava neste pedra para o cavalo.»
A visita ao Jarmelo tem um ponto de passagem obrigatório. O marco geodésico. Substituiu uma antiga torre de menagem e permite desfrutar de uma paisagem a perder de vista desde a Guarda até às planícies espanholas de Ciudad Rodrigo.
«Todas as aldeias do Jarmelo tinham o chamado caminho da missa – por momentos era carreiro, outras era caminho, outras era atalho – e a cerca de 100 metros da igreja estava uma lasca, uma pedra espalmada, onde as mulheres metiam por baixo as alpargatas espanholas (com sola de borracha e pano preto) e calçavam os sapatos. No regresso voltavam a calçar as alpargatas. Naquele tempo havia uns sapatos para ir para à missa e uns sapatos para o trabalho do campo. Eu que não sou assim tão velho tive as primeiras sapatilhas aos 10 anos quando fui para o Seminário para o primeiro ano do ciclo. Mas não fomos tão massacrados nem traumatizados como são os miúdos de hoje em dia», recorda o autarca do Jarmelo.
A paragem seguinte foi na Fonte de Santa Maria, onde apesar de Setembro já ter terminado, ainda pingava. A guardá-la, um imponente castanheiro com mais de cinco séculos, olha-nos com desinteresse. Junto ao largo da feira um curioso redondel talhado na encosta…
– Há uns anos largos – nos tempos em que havia dinheiro para apoiar a feira por parte do Ministério da Agricultura – e sendo secretário de Estado, o doutor Álvaro Amaro e sendo presidente da Câmara da Guarda, o senhor Abílio Curto, concederam-nos um fundo para a construção do redondel. Ainda está inacabada mas tem imenso potencial. Eu e o arquitecto Isidro, que está com a dinâmica cultural da Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, organizámos aqui uma iniciativa com piada. Esticámos uma tela e projectámos uns vídeos para a população.
– Este conjunto em ferro que nos liga à morte de Inês de Castro está com um aspecto muito interessante…
– O conjunto escultórico surgiu um pouco em tom de contra-corrente como muitas das coisas que costumamos fazer. Foi uma iniciativa do arquitecto Isidro e o autor foi o filho do ferreiro das tesouras de tosquia. A partir da imagem de Bordalo Pinheiro fez-se esta encenação à escala um e meio que representa o assassinato de Inês de Castro. Lançamos esta iniciativa nos 651 anos da sua morte. Como o Jarmelo não contou para as verbas as comemorações oficiais nós, em tom de pirraça, resolvemos comemorar no ano seguinte.
As aldeias de Ulgueiar e de Donfins do Jarmelo – onde vive o Ti Mateus Miragaia (o último ferreiro fazedor de tesouras de tosquia do país e com quem iremos publicar muito em breve um «à fala com…») – conservam ainda a traça bastante próxima do que eram as casas de outro tempo. O chafariz tem duas bicas. – «Quando andávamos na escola costumavam dizer que uma era para as pessoas e a outra para os animais e os ciganos. Coisas de miúdos.» – A Ulgueira tem muitos vestígios judaicos e uma característica muito especial. É a aldeia das meninas. Aquelas que não se casavam, e foram muitas, ficavam menina Zézinha, menina Aninhas ou menina Mariazinha para a toda a vida.
– «A escola era aqui na Urgueira para os das terras de Donfins, Ima, Devesa e Alto de Valdeiras e da Ulgueira. A caminho da escola tínhamos o jogo das nascentes onde os mais velhos ganhavam sempre. Escolhíamos uma nascente no caminho e todos os dias tentávamos afundá-la para que não deixasse de deitar água.»
Ainda houve tempo ao final da tarde para conhecer Joaquim Monteiro da Silva e mulher, pais de Agostinho que, curvados ao peso da idade, andavam a tratar dos campos de milho e com quem, depois de saber que eramos do Sabugal, recordou com emoção as suas viagens até aos mercados das vacas em terras raianas.
E, claro, tudo terminou com uma visita aos dois exemplares jarmelistas (uma vaca e uma bezerra) que Agostinho da Silva, orgulhosamente guarda na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Provocador lançou a última aguilhada: «Vou concorrer a presidente da Câmara Municipal da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso. Não tenciono ir até ao fim. É só para ter tempo de antena para a vaca Jarmelista.»
Mas… lá acabou por concordar com a divulgação da novidade.
jcl

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