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José Couto tem 63 anos de idade e é natural da Ilha Terceira, nos Açores. É um desportista assumido com êxitos no futebol, basquetebol e andebol mas considera-se, igualmente, um grande aficionado da festa tauromáquica. Este ano é responsável, mais uma vez, pelas Festas Sanjoaninas, e resolveu incluir duas touradas com forção (à moda da raia sabugalense) nos grandes festejos da Ilha Terceira. As Câmaras Municipais do Sabugal e de Angra já acertaram todos os pormaiores…

José Couto (Foto Jornal «A União»)Estivemos à fala, telefonicamente, com José Couto, o açoriano responsável pela divulgação da Capeia Arraiana nas açorianas Festas Sanjoaninas que decorrem este ano, entre 19 e 28 de Junho, na cidade de Angra do Heroísmo.
«Tenho 63 anos e profissionalmente pode-se dizer que fui, ou melhor, sou um desportista. Joguei futebol no Lusitânia, joguei basquetebol e andebol», começou por nos dizer José Couto que desde o primeiro contacto se disponibilizou, simpaticamente, para nos falar dos festejos.
As Festas Sanjoaninas são organizadas pela Câmara Municipal de Angra e pela Comissão das Sanjoaninas 2009. Os festejos são camarários e o presidente da comissão, alternadamente homem e mulher, é nomeado todos os anos pelo presidente da autarquia.
Miguel Costa é o nome escolhido para presidente das «Festas Sanjoaninas -Festa do Sol 2009». As diferentes áreas da festa – cortejos, gastronomia, desporto, etnografia, espectáculos e tauromania – têm, também uma pessoa responsável por cada equipa de trabalho num total de cerca de 60 pessoas que gerem um orçamento de aproximadamente um milhão de euros. José Couto é, pela quarta vez em cinco anos, o responsável pela equipa da tauromaquia e tem para investir 400 mil euros na promoção das festas dos toiros.
A 25.ª edição da Feira de São João apresenta na Monumental Praça de Toiros da Ilha Terceira um cartel de luxo com alguns dos maiores nomes do toureio internacional como os matadores El Juli e El Fundi.
– É uma programação arrojada?
– Vamos realizar 11 espectáculos com toiros. Seis corridas de praça, incluindo uma para crianças, três touradas de corda com duas para adultos e uma para crianças e duas esperas de gado, uma normal e outra para crianças. Os toiros são deixados num espaço fechado durante duas horas para que todos possam brincar com eles e depois fazem um percurso de cerca de um quilómetro à solta pelas ruas.
– Há muitos aficionados da festa tauromáquica na Ilha Terceira?
– Muitos. Temos, também, dois grupos de forcados, o Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e o Grupo do Ramo Grande (Praia da Vitória) e 12 ou 13 ganadarias. Aliás os toiros para as touradas são todos açorianos.
– E como é que aparece uma Capeia Arraiana no programa das Festas Sanjoaninas para 2009?
– Esta terra é uma terra de toiros e todos os espectáculos tauromáquicos nos interessam. Vamos chamar-lhe «Tourada de corda com forcão». Nunca vi nenhuma Capeia Arraiana ao vivo mas já assisti na televisão a reportagens. Já há algum tempo que pensávamos trazer cá o forcão. Considero que vai ser uma forma de quebrar a monotonia trazendo alguma emoção e curiosidade por comparação com as tradicionais touradas de corda.
– Mas não têm experiência para fazer e manejar o forcão…
– Desloquei-me a Lisboa para falar com um sabugalense que é muito amigo de Rui Bento, administrador do Campo Pequeno. Acertámos pormenores, trocámos contactos e foi-me ofertado um livro muito interessante sobre a Capeia Arraiana. Posteriormente a Câmara Municipal de Angra entrou em contacto com a Câmara Municipal do Sabugal que escolheu e indicou os sabugalenses que se vão deslocar no dia 8 de Maio aos Açores para construir o forcão. Aproveito para mandar dizer que já cortámos as madeiras de acordo com as orientações que nos enviaram. Por altura das festas, em Junho, esses sabugalenses voltam para estar presentes durante as touradas. Vamos organizar duas touradas com forcão. Uma para adultos onde eu e o meu filho já decidimos que também vamos participar e outra para crianças com um forcão mais leve e com um animal adequado.

Interessante conversa com José Couto onde ficámos a saber mais pormaiores sobre a «Tourada de corda com Forcão» nas Festas Sanjoaninas nos Açores.
jcl

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A anunciada utilização do forcão nos Açores tem provocado um conjunto de reacções emotivas que me parece não nos tem permitido assumir uma atitude mais racional.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Vai a discussão ampla e argumentada a preceito, pelo que hesitei antes de decidir meter a minha colherada.
Do que li, vai haver brevemente uma festa nos Açores onde vai ser mostrado e, pelos vistos manejado, um objecto que tentará, no mínimo, imitar o forcão.
Mas também li que, como lá não sabem como utilizar o dito objecto, haverá uns «sabugalenses», que irão «ensinar» aos açorianos tal arte.
Porque me custa a acreditar que os mordomos daquela festa terceirense sejam uns «criminosos» que nos querem roubar a nossa cultura e identidade raiana, e um dos seus símbolos principais – a capeia e o forcão;
Porque não acredito ainda que os tais «sabugalenses» que vão dar explicações aos açorianos sejam igualmente uns «vendidos»,
faço as seguintes perguntas e sugestões:
1. Não seria possível estabelecer contactos com os responsáveis por aquela festa e tentar perceber o que verdadeiramente se passa?
2. Não seria possível saber quem são os sabugalenses intervenientes e perceber qual a sua ideia?
3. Não seria preferível tirar partido deste acontecimento e, em cooperação com os açorianos, preparar uma embaixada raiana que mostrasse aos terceirenses como é a nossa Capeia e aproveitasse para divulgar o nosso Concelho?
No meu entendimento pode aqui criar-se uma óptima oportunidade de todos ganharmos, e por isso, peço alguma contenção, algum bom senso e, sobretudo, muito empenhamento.
A Câmara Municipal, as Juntas de Freguesia raianas, o Concelho no seu todo devem olhar para este episódio não como uma ameaça à nossa cultura e identidade, mas como mais um momento de afirmação nacional das nossas terras e do que nos torna diferentes e únicos.
Como diz o Povo, as moscas não se apanham com fel…

ps. Uma pequena provocação: Quem terá sido o política da nossa praça sabugalense que produziu em público esta pérola, dizendo que «estava desapontado pelo facto de, possuindo o Estádio Municipal um equipamento como a Pista de Atletismo e (com) todo o material necessário se verifique a falta de utilização dos mesmos pelos munícipes»?
Estes sabugalenses são uns mal-agradecidos…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O Capeia Arraiana é Opinião Pública provocada pela edição informativa dos pensamentos de quem escolhe este espaço para dar espaço ao seu pensamento. O tema do momento anda à volta da realização de uma Capeia Arraiana nos Açores por ocasião das festas Sanjoaninas onde o religioso anda de mãos dadas, perdão, de cordas dadas com as célebres largadas das vacas. E só há duas hipóteses: os que estão a favor e os que estão contra. Os indecisos não contam para esta discussão. Após a discussão importa ficarmos todos do mesmo lado, ou seja, a agarrar ao forcão.

Capeia Arraiana e SevilhanasUma das regras de ouro do jornalismo que me ensinaram obriga a que se relatem factos. O jornalista não é metereologista. Os opinadores não podem e não devem ser confundidos com opiniáticos. Mas todos podemos e devemos ter opinião. O jornalismo, a comunicação social, o poder da cidadania alicerçado nos blogues e outros meios da internet tem direitos e deveres, ou melhor, deveres e direitos. Garantir e permitir uma discussão pública sobre os temas mais envolventes das sociedades. Até porque o mundo está em mudança, em acelerada mudança, e o lugar na História sempre se conquistou e muito poucas vezes se comprou.
«Branding is everything», ou seja, «a notoriedade da marca é tudo» é a definição mágica do professor All Ries, guru da comunicação. All Ries considera que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, pode ser usada como ponto de partida para planear estratégias e produzir produtos inovadores, construir marcas vencedoras e alcançar o êxito nos negócios. Quando sentimos vontade de saborear uma boa refeição associamos logo esse apetite a um determinado momento e/ou a determinado restaurante. A psicologia reconhece este fenómeno de persuasão que condiciona e reforça as decisões. Aconselho vivamente aos três candidatos à Câmara Municipal do Sabugal a leitura das «22 Consagradas Leis do Marketing, de All Ries & Jack Trout» até porque vão ser obrigados a «venderem-se» ao eleitorado até Outubro.
Na comunicação de marketing todos trabalham para uma marca. Wilbur Schramm (1907-1987) no seu «Modelo Funcional» defende que é absolutamente necessário construir um código (marca) que possa conquistar o receptor. As marcas reúnem as experiências reais e virtuais, a tradição e a modernidade, a memória e o futuro, a recordação e a realidade. A marca é um atalho, um elemento catalisador e age como forma de expressão social. A marca lidera, acelera e interage.
O Conceito de Branding diz-nos que o processo de desenvolvimento, criação, lançamento, fortalecimento, reciclagem e expansão de marcas passa pela fase da organização empresarial com modelos de negócios (gestão horizontal e integrada) e a fase do posicionamento competitivo e estratégico. A identificação no mercado, a confiança, o valor, a intimidade, a fidelidade e defesa dos consumidores é o património natural do reconhecimento e valor de uma marca (brand equity).
Vem isto a propósito das opiniões veiculadas no Capeia Arraiana sobre a possibilidade de o forcão se deslocar aos Açores por ocasião das festas sanjoaninas. Começo por dizer que estou totalmente de acordo e que é, sem qualquer dúvida, uma excelente jornada de divulgação da nossa maior marca. O problema está naquilo que não foi feito até aqui, ou seja, quase nada. Aproveito para fazer uma análise à marca «Capeia»:
1 – O posicionamento é uma política e não um resultado. E o que foi feito até aqui? Folheando uma publicação da Câmara Municipal do Sabugal intitulada «Roteiro Turístico» as referências às capeias aparecem envergonhadas na página 42 (num total de 62) e teve direito a uma explicação de 12 linhas e uma foto. Errado! O posicionamento é uma decisão política estratégica e o concelho não tem uma marca com mais força do que as capeias. Porquê? Porque são genuinamente originárias das terras raianas. Um valor de marca (branding) que nunca foi utilizado até hoje. Defendo a criação de um grupo profissional, tipo forcados, que se desloque por todo o mundo a promover a nossa tradição apoiado pelos poderes oficiais. Criava cerca de 30 postos de trabalho (já vi dinheiro mais mal aplicado) com possibilidade de se tornarem auto-suficientes. Não é bem como uma banda filarmónica mas é parecido. Para os que não concordam recordo que há touradas com forcados em muitos países europeus e da América Latina.
2 – Nicho estratégico no mercado. «Para dançar o tango são precisos dois», diz uma bela definição que aprendi com os mais exímios praticantes argentinos durante uma reportagem no Festival de Tango que decorreu no Coliseu de Lisboa. Dá vontade de ir a correr aprender a dançar nas milongas lisboetas. E ir a Buenos Aires transforma-se logo numa prioridade. E pode-se dançar o tango em Lisboa? Será um sacrilégio? E levar a capeia a Buenos Aires e provocar nos argentinos o desejo de vir conhecer as terras do Sabugal?
Tenho feito parte da organização de muitas das capeias organizadas pela Casa do Concelho do Sabugal. Tem sido, sempre, uma grandiosa jornada de promoção da marca Sabugal. E trazer o forcão a Lisboa já é natural? E a Paris? E aos Açores? As respostas são simples. Seria extraordinário ver uma capeia em Madrid, em Barcelona, em Paris, em Moscovo, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires. Seria extraordinário obrigar aquela gente a ir ao Google Earth ver onde ficava o concelho do Sabugal e provocar-lhes a necessidade de nos visitarem.
3 – A História é, no século XXI, um projecto global da comunicação digital. No Sabugal faltou pensar o Sabugal. Um evento ou uma excursão, de fora para dentro, organizados fora do mês de Agosto, têm muita dificuldade em incluir uma capeia no seu programa no concelho do Sabugal. Erro tremendo com cerca de 100 anos. Repito. Já vi dinheiro mais mal gasto do que no possível apoio a um grupo profissional para agarrar ao forcão durante todo o ano.
4 – Em cada pessoa, em cada actividade, há sempre uma notícia. Aproveito para deixar mais duas perguntas. E cantar o fado no excelente auditório dos Fóios é natural? E a Mariza cantar fado em Tóquio é correcto? Claro que é. Mas possivelmente só devia ser cantado em Lisboa ou Coimbra…
Na actual conjuntura o conhecimento da marca tem de ser vertido com qualidade no copo de cristal do cliente apoiado na comunicação como um bem abstracto. O turista que chega pela primeira vez ao Sabugal, com excepção dos debutados placards colocados no tempo do presidente Morgado (excelente ideia) nada mais tem que identifique a marca «Capeia». Tantas rotundas despidas que podiam ser aproveitadas para valorizar a essência da alma raiana. Podiam…
Viva a Capeia Arraiana! Vamos com ela até ao fim do Mundo!

Obs. (1): Não sou existencialista nem admiro Sartre (1905-1980) muito citado pelos opiniáticos dependentes dos temas da sexologia (aprés um bom almoço de quinta-feira), mas como amanhã, domingo, é Dia da Mulher, aproveito para citar Simone de Beauvoir (1908-1986), emblemática figura do feminismo, da literatura e do pensamento franceses que «acreditava na possibilidade de inventar a vida e de para ela conquistar um sentido» quando afirmava: «O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da acção porque o homem é livre e encontra a lei na sua própria liberdade».

Obs. (2): O almoço da Confraria do Bucho Raiano superou as nossas expectativas e algumas mesas não tiveram bucho em abundância. Reconhecemos que não foi perfeito porque participou muita gente e os buchos não são confeccionáveis em cima da hora. Muitos confrades compareceram sem marcação. Mas estamos de consciência tranquila. Tal como estariamos se tivesse aparecido pouca gente e sobrassem muitos barris de cerveja alemã…
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

Há várias semanas foi publicada aqui, a notícia de uma capeia com forcão na Ilha Terceira, em ocasião das festas Sanjoaninas.

Paulo AdãoEssa notícia solicitou de imediato alguns comentários, manifestando alguma curiosidade face à este evento e alguma inquietação. Nos últimos dias apareceu mesmo uma petição online (já com mais de 500 assinaturas), contra este evento. Todos os assinantes, manifestam algum desconforto face à esta iniciativa. Todos, estamos preocupados de uma maneira ou de outra, de perder uma tradição, com tanto valor, em favor de uma Ilha, com outras tradições taurinas, e com poder para fazer aquilo que nós ainda não soubemos fazer, ou seja reconhecer esta tradição como património da raia. O nosso amigo Kim Tomé fala disso no seu comentário ao artigo, outros na página da petição falam numa associação das aldeias do forcão, das juntas de freguesia, de outras entidades com interesses no concelho, para patentear o forcão e a capeia arraiana, ideias a serem ser exploradas e porque não concretizadas.
Faço duas leituras desta situação: de um lado a união raiana dos «filhos da raia» em fazer tudo o que seja possivel para defender, dando ideias em favor destas e outras tradições raianas. Demonstra, como estamos preocupados com a situação social, cultural, presente e futura do nosso concelho e das nossas aldeias, mesmo se por vezes não conseguimos manifestar ou fazer mais por isso.
Mas do outro lado, demonstra, também, talvez insconscientement e sem maldade, que iniciativas privadas e sem consenso, podem destruir grandes tradições. Vimos debates acerca dos recentes festejos de carnaval entre Aldeia do Bispo e o Sabugal, voltamos a assistir com este evento à uma situação menos positiva (à primeira vista) para o sabugal e as aldeias do seu concelho. Quem se ofereceu para «ensinar» os açorianos a pegarem ao forcão, talvez não tenha pensado nas consequencias, mas na realidade, ou porque não sabemos bem o que se seguirá à esta iniciativa, todos estamos preocupados.
Seria bem que «os professores» do forcão dessem a cara e explicassem a razão e as vantagens que esta iniciativa vai trazer ao concelho.
Seria mais positivo trazer açorianos às capeias da raia, que levar o forcão para os açores, mas isto é só a minha opinião.
Será talvez a ocasião e o momento oportuno, para que os poderes locais, Câmara, Juntas, Casa do concelho, Associações e outros, se sentassem à mesa e discutissem de uma solução rapida e definitiva para defender e definir este património que nos une.
Força raia, o forcão é nosso.
Um abraço desde Paris.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A Comissão das Festas Sanjoaninas da Feira de São João 2009, na Ilha Terceira, nos Açores, confirmou no programa das festas uma Capeia Arraiana com forcão à moda da raia sabugalense.

Vaca das Cordas dos AçoresAs Festas da Feira de São João, na Ilha Terceira, nos Açores, vão contar este ano com uma Capeia Arraiana.
Quem o afirma é o responsável pelas festas, José Couto que, em declarações ao jornal açoriano «A União», garantiu «a presença de um forcão em duas ou três manifestações de cariz popular, concretamente, as touradas à corda na Prainha e no Porto das Pipas».
De acordo com o organizador «o forcão vai ser manejado por cerca de 30 voluntários terceirenses que irão ser treinados no seu uso por bravos do concelho do Sabugal que estarão, no dia 8 de Maio, na Praça da Toiros da Ilha Terceira para repartir conhecimentos e transmitir as instruções necessárias à boa utilização do artefacto».
A Capeia Arraiana com forcão está incluído, igualmente, no programa da Tourada de Praça para Crianças e Idosos, que inclui João Pamplona no toureio a cavalo e nas pegas os juvenis do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
jcl

José Robalo – «Páginas Interiores»

Em conversa com um velho trancador de baleias na Calheta de Nesquim, concelho de Lajes do Pico, ilha do Pico, este homem do mar com os olhos no horizonte de saudade dizia-me: «Se existe céu na terra, o céu está aqui.»

Os velhos baleeiros

Eu vi os barcos parados prisioneiros
na sede de um museu. E os arpões
pendurados. E gravadas
em dentes de baleia as passadas navegações
dos velhos baleeiros.

E vi os olhos daquele que falava
da última baleia como quem
remasse ainda sobre a onda brava
para um mar onde nunca mais ninguém.

Manuel Alegre

Trancador de BaleiasDe facto, neste fim de tarde numa conversa amena com um velo trancador de baleias respira-se serenidade, num olhar que repousa no infinito do Atlântico, da Atlândida, sempre na expectativa de lá ao fundo encontrarmos sinais de um cachalote. Hoje que a caça à baleia está proibida, por aqui a visita às baleias virou a negócio normalmente explorado por pessoas estranhas a este triângulo dos Açores, que envolve a ilha do Pico, Faial e S. Jorge.
Na Calheta de Nesquim, terra de baleeiros, os trancadores, oficiais, mestre de lancha, remador, cigana e construtor naval, profissões ligadas a esta actividade, caíram em desuso e hoje são figuras de museu.
Longe vai o tempo em que sentado no cais da Calheta de Nesquim conversei sobre esta temática com o Manuel Pereira de Lemos, o Manuel Alfaiate, que obsessivamente e de forma recorrente desfiava a sua memória sempre à volta desta temática. A proibição legal e a emigração para a América que fica lá bem longe no horizonte, transformaram esta gente em coisa inútil confinando-os à vida do campo.
As autoridades locais nesta ilha, onde se sente um grande cuidado com as coisas da cultura, reabilitaram estes espaços de transformação de cachalotes, erigindo museus, lembrando ao visitante que por estas terras existe gente de coragem. Os museus de S. Roque do Pico e das Lages do Pico, são o orgulho desta gente do mar onde «nunca mais ninguém».
O trancador de baleias pela sua coragem e atitude destemida ao enfrentar animais que pesam toneladas em condições adversas em alto mar e em pequenos botes, traz-me à memória a coragem das gentes da raia que sobreviveu ao contrabando. A coragem das nossas gentes mede-se também na forma destemida como enfrentam um touro em pontas com o forcão. Está aí mais um mês de Agosto e em boa hora pelas freguesias da raia encontramos capeias e festas populares que continuam a prender os nossos emigrantes ao concelho.
Penso que é chegado o momento para que alguém (uma junta de freguesia, ou município), aproveitando os novos fundos comunitários, se proponha avançar com a criação de um espaço museológico reavivando actividades e tradições raianas, uma vez que todos temos orgulho no nosso passado e na nossa memória colectiva.

:: :: PARA LER :: ::
«Mar pela proa», de Dias de Melo, Chão da Palavra.
«Mau tempo no Canal», de Vitorino Nemésio, Imprensa Nacional Casa da Moeda.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«L. A. Woman», The Doors.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

O jornal «A União» de Angra do Heroísmo na Ilha Terceira, nos Açores, publicou esta semana uma notícia com «pormaiores interessantes» sobre os preparativos para a Feira de São João do próximo ano. O organizador pretende introduzir o forcão raiano no programa taurino das festas.

Tourada com cordaA Terceira é a única ilha do arquipélago açoriano onde existem criações de gado bravo o que facilita a realização de dois tipos de touradas: as típicas à portuguesa numa praça ou redondel e as de cordas. Nas touradas de cordas o touro é lançado a correr pelas ruas preso a uma corda de 80 metros de comprimento que é segura na outra extremidade por seis homens que usam normalmente camisolas de linho e correm descalços ou de sapatilhas.
Mas parece que a tradição já não é o que era. O jornal angrense «A União» antecipa na edição desta semana os preparativos e o programa das Festas de São João em 2009 que estão a ser orientadas pelo açoriano José Couto.
Com a devia vénia transcrevemos algumas passagens do artigo que confirma José Couto no comando da Feira de São João 2009:
«O reconhecimento do mérito do trabalho desenvolvido pela equipa de José Couto foi fundamental para a escolha do timoneiro da Feira de São João de 2009. Pela sexta vez, José Couto vai estar encarregue de definir a filosofia, o figurino e os moldes da Festa dos Toiros nas Sanjoaninas do ano que vem. Como em equipa que ganha não se mexe, José Couto mantém unido o grupo responsável pela Feira de São João 2008, uma feira fantástica, sobretudo pela grandeza dos carteis, pela qualidade dos toureiros contratados, pelo nível de apresentação, bravura e nobreza da maioria dos exemplares dos curros saídos à arena da Praça de Toiros Ilha Terceira.
Com José Couto na liderança dos destinos da Feira de São João 2009, podem os aficionados e amantes da Festa ter a certeza de que a tauromaquia será valorizada, até na sequência do balanço feito nas páginas de A União, uma semana após o fecho das festividades. Por outro lado, nessa entrevista, José Couto propõe mudanças e alternativas para a Feira e para toda a outra vertente taurina das Sanjoaninas.
Nada está sequer esboçado, nem convém que esteja, mas um pormenor que pode vir a fazer a diferença no espectáculo da gloriosa e tradicional Espera de Gado do dia de São João, 24 de Junho, será a hipotética introdução do Forcão, engenho de raízes culturais utilizado na lide dos toiros na capeia raiana. O Forcão, de madeira, é manobrado por cerca de 30 homens. Proporciona momentos de autêntico deleite a quem vê a exibição da força e destreza dos executantes, significando para quem o manobra verdadeira prova de aficcion aos toiros.»

Sabugal e Angra do Heroismo – Tão longe e tão perto!
jcl

O escritor açoriano Cristóvão de Aguiar é homenageado hoje, sábado, 23 de Fevereiro, no Mercado Ferreira Borges na Festa do Livro. O autor da trilogia de romances «Raiz Comovida» aproveita a ocasião para apresentar o seu mais recente romance «Braço Tatuado».

«Braço Tatuado», de Cristóvão de AguiarCristóvão de Aguiar nasceu em 1940, na Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores e está ligado, pelo casamento, à vila do Soito no concelho do Sabugal. O seu mais recente romance «Braço Tatuado – Retalhos da Guerra Colonial» é hoje, sábado, apresentado na Festa do Livro, no Mercado Ferreira Borges, no Porto.
Licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Coimbra já depois de ter participado entre 1965 e 67 na Guerra Colonial na Guiné. Como escritor já recebeu várias distinções incluindo o Prémio Miguel Torga e a Ordem do Infante D. Henrique em 2001.
O ex-director de A Bola Carlos Miranda escreveu um dia: «Cristóvão de Aguiar retrata a sua passagem pela guerra de África. E o livro deixou de ser de cabeceira para ser de todos os possíveis momentos. Muito se tem escrito sobre um certo virar de costas dos nossos escritores ao tema da guerra colonial. Um certo mas não completo, pois a bibliografia da guerra de África, aos poucos e poucos, tem crescido o seu bocado, e com algumas obras de grande categoria. Confessamos, no entanto, que nenhum dos escritores nos terá impressionado tanto como o Cristóvão de Aguiar, um depoimento forte, impressionante, cruel, onde nos é revelada muita coisa que, até aqui, só nos tinha sido contado por familiares ou amigos.»
O escritor Victor Rui Dores considera que o romance é escrito com desenvoltura narrativa que nos percepciona a guerra não só sob o ponto de vista de ex-combatente mas também na perspectiva do próprio povo africano vitíma, como nós, dessa guerra escusada e inglória.
«Anti-heróis inadaptados numa guerra onde o que conta é manter-se vivo, as personagens (humaníssimas) deste livro entregam-se com sinceridade a contar o tempo que lhes falta para o definitivo adeus às armas, aguardando, com impaciência, que o navio Uíge os transporte de regresso a Portugal. Como aspecto positivo da guerra, ficarão apenas as amizades que se construíram, as cumplicidades que se aprofundaram, as experiências de grupo que se viveram», pode ainda ler-se no comentário à obra.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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