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Neste mês em que se celebra o 36.º Aniversário da Revolução de Abril de 1974, não poderia deixar passar em claro essa data, assinalando-a com esta crónica.

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»Por mais que tentem branquear o passado, ele existiu.
Existiu a PIDE, por mais que queiram fazer dela uma organização quase caritativa ou de um simples serviço de informações. Óscar Cardoso, por exemplo, um dos mais conhecidos agentes da PIDE afirma numa entrevista publicada em vários sites nacionalistas e que fazem a apologia do salazarismo o seguinte: «Eu servi na GNR e na PIDE. Onde eu vi grandes sovas foi na GNR. A PIDE era uma polícia semelhante à de muitos outros países democráticos.»
Quando questionado sobre a perseguição aos emigrantes clandestinos (de que o concelho de Sabugal é um bom exemplo) refere: «(A PIDE) perseguiu apenas os chamados engajadores, indivíduos sem escrúpulos que exploravam os que pretendiam emigrar e os sujeitavam a condições desumanas. Em relação aos emigrantes, nunca tomámos qualquer medida persecutória. Foram à nossa sede várias mulheres e mães de emigrantes pedir ajuda para visitar os seus maridos e filhos no estrangeiro. Recorriam a nós porque sabiam que, para além de assegurarmos o serviço de fronteiras, tínhamos competência para emitir passaportes.» Como se pode verificar a acção caritativa da PIDE era extremosa.
Mas não só a PIDE que nos «protegia» dos «malfeitores». Refiro também uma circular da Câmara Municipal do Sabugal para a Junta de Freguesia do Soito datada de 4 de Janeiro de 1960 (em pleno consulado de Salazar), para provar o que era esse regime que alguns apelidam, agora, de autoritário e de não ditatorial, muito menos de fascista ou sequer de fascizante:
«Aos Senhores regedores e Presidentes das JUNTAS
Por ordem superior determino o seguinte:
QUALQUER INDIVÍDUO que apareça nessa freguesia e seja desconhecido deve ser preso imediatamente e conservado sob prisão até à sua completa identificação. Desde que seja preso alguém deve comunicar imediatamente a ésta (Sic) Câmara, por telefone. O assunto é de muita importancia (Sic). Repete-se: Os senhores regedores PRENDEM qualquer individuo (Sic) que seja desconhecido na freguesia e que não se identifique. A ordem refere-se em especial a nacionais que não sejam do concelho e estranhos. O Presidente da Câmara.»
Ou, ainda, um ofício da Subdelegação da Guarda da Junta Nacional dos Produtos Pecuários para o Presidente da Junta de Freguesia do Soito, com data de 24 de Junho de 1955:
«Cumprindo a este organismo dar parecer sobre a abertura de 2 talhos solicitados por José Gomes Freire de Carvalho e José Martins e porque os talhos já existentes só poderão suportar, quando muito, mais um concorrente, solicito a V.Ex.ª se digne informar esta Delegação qual dos dois pretendentes oferece melhores condições para garantir o abastecimento de carnes dessa localidade. A Bem da Nação P’lo Delegado”.
PIDE - Rua António Maria CardosoQuando dizem que no tempo de Salazar é que era bom, que o Estado não se metia na vida das pessoas, que tudo era livre, basta ver estes dois singelos exemplos do que eram esses tempos para se ter uma (pequeníssima) ideia.
Com o 25 de Abril tudo isso (e muito mais) mudou. Hoje, tudo pode ser considerado sem importância, para os mais jovens. Uma das primeiras reivindicações, a seguir ao 25 de Abril, lembro-me bem (apesar de só ter 14 anos) era a «semana-inglesa». Se perguntarmos a um jovem o que é a «semana-inglesa», ele não deve fazer a mínima ideia disso.
O que se seguiu a essa madrugada de Abril foi um tempo em que tudo era novo. Todos os dias apareciam novidades. Era muito difícil, até, acompanhar essas novidades.
O Povo ganhou não só a liberdade, mas, também, a dignidade. Isso foi difícil de suportar para alguns, habituados que estavam a que a «ralé» (como lhe chamavam) nunca conseguisse «sair da cepa torta».
A «panela de pressão» popular rebentou, a seguir ao 25 de Abril. Cometeram-se erros, viveram-se situações complicadas, mas conseguiu-se muito, sobretudo (e esta é a grande questão) para os mais desfavorecidos.
Era o tempo em que os ardinas vendiam os jornais com o pregão «Lisboa, Capital, República, Popular», em que o Povo saía à rua, quase diariamente, para expressar o que lhe ia na alma. Foi uma Revolução que teve uma banda-sonora bem específica, desde as canções do Zeca Afonso e outros seus «companheiros de aventura», até ao tema de Ermelinda Duarte «Somos Livres» (conhecido pela «Gaivota, Voava, Voava»). Verdadeira explosão de uma alegria colectiva que nunca mais voltou a existir em Portugal.
O 25 de Abril de 1974 e período subsequente continua, portanto, na minha maneira de pensar, a ser o acontecimento mais importante de todo o século XX português.
Como político que sou (e faço gala de o ser) quero, aqui, expressar os meus agradecimentos a todos os que contribuíram para essa data libertadora, lutando, antes e depois de Abril, para que esse dia surgisse. Um agradecimento especial aos capitães de Abril que arriscaram a vida prejudicaram as carreiras para que, hoje, se possa viver em liberdade nesta terra.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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Em Maio de 1974 realizou-se no Sabugal uma manifestação de apoio ao regime saído da revolução de 25 de Abril do mesmo ano, convocada através de panfletos colocados em todas as freguesias do concelho.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Joao Aristides DuarteEstiveram presentes milhares de pessoas, naturais e residentes em todo o concelho de Sabugal. Participaram pessoas de todas as idades e condições sociais.
A manifestação iniciou-se junto às bombas da Shell, na estrada para Vilar Formoso e percorreu toda a vila do Sabugal. As pessoas foram dando largas à sua alegria e gritando palavras de ordem, durante o percurso.
A concentração da multidão teve lugar no largo fronteiro à Câmara Municipal, onde não havia espaço para tanta gente.
Na varanda da Câmara Municipal houve uma série de oradores que proferiram diversas intervenções. Entre esses oradores contaram-se o, recentemente falecido, José Manuel Ramos (do Soito), o sr. Alexandre Pereira (de Rendo) e uma representante dos estudantes do concelho, a estudante Vitória (do Soito).
Um oficial das Forças Armadas foi também orador, tendo recebido uma grande ovação.
Nesta série de fotografias, da autoria de Manuel Joaquim Rito, podemos ver a grande concentração de pessoas junto à Câmara Municipal e alguns dos cartazes que os manifestantes exibiam.
As palavras de ordem inscritas nos cartazes (todos brancos) eram do género: «Lambões, Acabaram-se presuntos e cabritos» (exibido pela representação dos Fóios), «Vivam as Forças Armadas», «Paz nas Colónias», «A Bendada saúda as Forças Armadas» (pelas pessoas da Bendada, obviamente), «Fora com os Fascistas», «Fóios também é Portugal» (mais uma vez os Fóios), «Sindicato para os lavradores – Reforma aos 60 Anos», «Fim à exploração do Povo- As Receitas do Povo são para o Povo», «Queremos assistência na velhice», «Onde está o dinheiro dos impostos?» ou «Abaixo o capitalismo».
Quem se lembra?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Esta semana comemora-se o 25 de Abril, o dia mágico, em que os Capitães de Abril, como foram celebrizados, devolveram a democracia ao povo, depois de 48 anos de ditadura, onde não havia liberdade de expressão, sendo a de opinião, cerceada, amiúde.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaJá lá vão 35 anos de uma democracia, onde nem tudo foram rosas, principalmente, nos primeiros anos do PREC, Período Revolucionário Em Curso, onde a luta pelo poder foi muito acesa, cometendo-se muitos atropelos e excessos, não há como escondê-los, a história lá os foi desbravando, devido, sobretudo, a uma ânsia grande de poder e protagonismo, acrescido também de alguma falta de experiência e emoções exacerbadas, levando a tentativas de golpes e contra-golpes, atentados à bomba, quando isso convinha a quem os mandou executar, causando algumas baixas.
Durante este tempo, também se foi formando uma consciencialização positiva, com uma nova mentalidade, ajudando a compreender melhor a situação política, que acabava de dealbar.
A liberdade conquistou-se com a ajuda dos militares, foram determinantes no golpe dessa madrugada de 1974, alguns da nossa zona, como o amigo Natalino Fernandes, do Baraçal, que avançou com Salgueiro Maia, de Santarém, em direcção a Lisboa, ao Quartel do Carmo, porventura ainda alguns mais, nas diversas zonas fulcrais do Movimento dos Capitães, mas também com inúmeros outros, fora da esfera militar, que lutaram, abnegadamente, ao longo das suas vidas. A todos estes, também temos que estar agradecidos, pela sua luta e perseverança, em busca de um novo ideal.
Todo o movimento dos militares no Quartel do Carmo, a chegada do General Spínola, a entrada do Dr. Marcelo Caetano na chaimite da tropa, para ser protegido e levado ao aeroporto, as palavras de ordem que ali foram gritadas durante a tarde, tudo isto exerceu um fascínio difícil de descrever, em todos os que por lá permaneceram.
Uma semana depois, o espectacular primeiro, 1.º de Maio, passe a redundância, comemorado em liberdade e euforia, acompanhando a enorme manifestação, que decorreu desde o Martim Moniz, subindo a Av. Almirante Reis até ao Estádio 1.º de Maio, a abarrotar de gente, seguindo-se os discursos dos lideres, regressados do exílio, com destaque para Mário Soares e Álvaro Cunhal, entre outros.
O que me move, apenas, é recordar aqueles dois dias, plenos de simbolismo, que representaram uma nova vida, em termos de liberdade e democracia para a nossa geração, esta beleza singela, em directo, focando sobretudo, as explosões de alegria e as manifestações espontâneas de contentamento dos populares, vividas nas ruas de Lisboa, a que se seguiram as discussões de interesse politico e de poder, que por pouco, não descambaram em consequências desastrosas, como uma eventual guerra civil, estando próxima, deitando tudo a perder, depois de bastos esforços dos que se empenharam.
Parecia que nada se sabia, antes da tentativa do denominado golpe das Caldas da Rainha, um mês antes, dando a impressão de ignorância politica, fosse por cautela e medo da PIDE, ou porque razão fosse e, de repente, tudo se transformou, como por artes mágicas, toda gente passou a ser catedrática da democracia, num clic!…
Comemorar o 25 de Abril de 1974 é fundamental pelo que representa, independentemente do que a história registará, não adiantando muito, atirar-se o ónus das culpas que não convêm, para o vizinho do lado. Haverá, por certo, responsabilidades a repartir, seja pelo voto ou pela abstenção deliberada, deixando para outros, o que poderíamos ajudar a resolver, com mais e melhor participação.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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