As operadoras de comunicações móveis TMN, Vodafone e Optimus, terão de garantir serviços móveis de quarta geração numa parte do território português, o qual abrange 20 freguesias do concelho do Sabugal.

Nessas freguesias alguma das operadoras assegurará a disponibilidade de banda larga móvel. Em todo o país cada operadora garantirá cobrir com banda 4G um total de 160 freguesias.
A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) teve em conta a existência de infra-estruturas locais, usando como critério a distância entre cada sede de freguesia e a estação móvel que lhe está mais próxima. Também avaliou os planos comerciais de desenvolvimento de rede de cada operadora para os próximos tempos, assinalando quais as freguesias que ficariam fora da cobertura de acesso.
São 480 as freguesias que não terão garantias de acesso.
O distrito de Bragança é o mais beneficiado, com 117 freguesias eleitas para receber 4G. O distrito da Guarda é o segundo com maior número de freguesias abrangidas, quase 100.
A Vodafone foi a primeira empresa a escolher as suas 160 freguesias de cobertura. Segue-se a TMN e a Optimus, que terão um prazo de 30 dias para o fazer, de forma sequencial.
As freguesias do concelho do Sabugal que não terão assegurado acesso 4G são as seguintes:
Águas Belas, Aldeia da Ribeira, Badamalos, Bismula, Casteleiro, Fóios, Malcata, Penalobo, Pousafoles do Bispo, Quadrazais, Rapoula do Côa, Rendo, Ruivós, Ruvina, Sortelha, Vale das Éguas, Valongo, Vila Boa, Vila do Touro, Vilar Maior.
plb

Porque já entrámos em pleno período pré-eleitoral…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaEm junho de 2008 escrevi uma crónica que terminava da seguinte forma:
«E porque penso que as pessoas se devem definir e que quando se escreve num espaço público se deve aos seus leitores a clarificação das suas posições, não posso deixar de declarar que apoio de forma incondicional o anunciado candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal, o António Dionísio, isto é, o Toni.
Apoio-o por ser um sabugalense; apoio-o por ser um homem bom e um homem de bem; apoio-o por ser uma lufada de ar fresco na vida política do Concelho; apoio-o por acreditar nas suas capacidades para criar uma nova era de desenvolvimento do Concelho; apoio-o por fim, por ser o candidato do Partido Socialista.»
Os meses seguintes vieram dar-me razão, pois o Toni teve a capacidade de apresentar um programa eleitoral ambicioso e muito exigente, o qual, estou certo, permitiria criar um Concelho do Sabugal com futuro.
Mas teve também a capacidade de juntar à sua volta um conjunto de militantes socialistas e de independentes que tudo fizeram para que o Toni fosse eleito Presidente e, assim, pudesse concretizar as suas propostas.
Passados quatro anos, o Partido Socialista escolhe um candidato que, pelas suas próprias palavras, não se revia na estratégia do Partido Socialista em 2009, e que agora avança num processo de seleção para o qual uma parte significativa dos sabugalenses que se envolveram e continuaram envolvidos politicamente com as ideias da candidatura do Toni, não foi perdida nem achada.
Como o disse em 2008, há alturas em que devemos a quem nos lê, um esclarecimento das nossas posições, custe o que custar.
E por isso, não posso deixar de dizer que nada tenho a ver com a atual estratégia eleitoral do Partido Socialista, pelo que comuniquei já aos órgãos partidários competentes esta minha posição, lamentando que tudo o que foi construído em conjunto nos últimos quatro anos, seja deitado fora como se de lixo se tratasse, e lamentando ainda que tudo isto se pareça mais com uma vingança de quem não esteve com o PS em 2009, e se aproveite agora da ocasião para expurgar o Partido de qualquer memória do Toni e da sua equipa.
Este lamento e este desânimo que passa um pouco pela maioria dos sabugalenses que se mobilizaram em 2009, vinha-me sendo transmitido de várias formas, acompanhadas, quase sempre, de uma pergunta «mas não é possível construir uma alternativa?»
Ora da minha estadia no Sabugal no último fim de semana, fico com a sensação que há uma hipótese de se renovar a esperança que o Toni nos deu em 2009. Tomei conhecimento da existência de um grupo alargado de sabugalenses, independentes e militantes partidários, presidentes de junta e membros da assembleia municipal, que ainda hoje se reveem no programa apresentado pelo Toni e com vontade de criar uma plataforma que corporize essa alternativa para as próximas eleições autárquicas.
Acredito hoje que o amor à terra que nos viu nascer, e a crença que todos temos em que as propostas apresentadas continuam a ser as mais adequadas para inverter o ciclo de desertificação, envelhecimento e perda de competitividade regional do Concelho do Sabugal, levará, repito, acredito eu, a que muitos, incluindo o Toni, se mobilizem para apresentar uma alternativa de futuro!
Se assim for, e embora lamente que o Partido Socialista tenha tomado outras opções, lá estarei na linha da frente como há quatro anos!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O filme que Marcelo Rebelo de Sousa produziu para a visita da Chanceler Angela Merkel a Portugal chegou, através das redes sociais, a 139 países em apenas três dias. Segundo o Google Analytics são 250 mil visualizações só na versão principal. Mas há mais 27 versões, que incluem cópias com legendas em diferentes línguas, a ultrapassar o meio milhão de visualizações.

O filme português – de cerca de cinco minutos – apresenta à Europa a situação que se vive hoje em Portugal. Para desfazer o preconceito de que existe uma Europa forte que ajuda e outra que é ajudada, procura demonstrar a relação de dependência económica entre os países da União, apresentando os números da balança comercial entre Portugal e Alemanha, bem como alguns exemplos de negócios entre os dois países.
São 250 mil visualizações só na versão principal. Mas há mais 27 versões, que incluem cópias com legendas em diferentes línguas, a ultrapassar o meio milhão de visualizações. Segundo o Google analytics, o filme que Marcelo Rebelo de Sousa produziu para a visita da Chanceler Angela Merkel a Portugal chegou, através das redes sociais, a 139 países em apenas três dias.
No top5 das visualizações estão Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e França. É em Portugal que o vídeo tem a mais alta taxa de aprovação, com 89 por cento, mas na Alemanha a taxa é muito próxima – 81 por cento.
No offline, além da cobertura em Portugal, o vídeo mereceu tratamento noticioso em Espanha, Brasil, Alemanha e França.
Após 24 horas, o primeiro resultado obtido ao pesquisar no YouTube «Ich bin ein berliner» era já a versão em Português do filme do Professor Marcelo e ultrapassava em número de visualizações o discurso proferido por John F. Kennedy em Berlim, em 1963, onde é originalmente proferida a frase «Ich bin ein berliner».
Para Marcelo Rebelo de Sousa, o principal objetivo foi cumprido: o filme «mostra que a solidariedade é fundamental entre os povos».
jcl (com Rodrigo Moita de Deus)

Embora perceba o seu contexto, que é o da actual crise económica da Europa e de Portugal, o artigo do meu querido amigo António Emídio sobre o «Egoísmo Alemão» é redutor e injusto para a cultura e povo alemães, porque os julga por uma época histórica e por um único filósofo.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaO que faz, equivaleria a julgar o povo e cultura portuguesas pela Inquisição, pelo regime do Estado Novo, ou pela crise económica e política actual!
As contribuições da Alemanha para o património cultural da humanidade são evidentes, numerosas e conhecidas, a ponto de ser conhecida pela terra dos poetas e pensadores (das Land der Dichter und Denker), e não é a actual situação da Europa que apaga esta verdade!
A Alemanha foi o berço de vultos importantíssimos na história da música no passado (Sebastian Bach, Christian Bach, Carl Weber, Felix Mendelssohn, Beethoven, Wagner, Händel, Brahms, Orff, Strauss, Schumann, Offenbach, ou que foram de cultura e língua alemã como Mozart, Haydn, Alban Berg, Bruckner, Mahler, Franz Liszt, Schönberg, Dietrich Buxtehude, Schubert, etc.) e continua no presente a ter uma enorme cultura musical (destaque para o Tokio Hotel, Scorpions, Alphaville, Böhse Onkelz, Boney M., Rammstein, Die Ärzte, Die Toten Hosen, Lacrimosa, Accept, Kreator, Destruction, Grave Digger, Sodom, Gamma Ray, Running Wild, B. Guardian, Avantasia, Helloween,, Edguy, Megaherz, Tankard, Desaster, Inquisitor, Protector, Cinema Bizarre. etc); nas artes, de movimentos e nomes bem conhecidos (No Renascimento, Albrecht Dürer foi um dos nomes maiores. Max Ernst, no surrealismo; Franz Marc, na arte conceptual; Joseph Beuys, Wolf Vostell, Bazon Brock, no neo-expressionismo Georg Baselitz); no pensamento, dos mais importantes filósofos modernos (Copérnico, Kant, Hegel, Marx, Nietzshe, Schopenhauer) que influenciam toda a filosofia actual, inclusive a francesa, tida como a Terra das Luzes, mas que não teve um único filósofo original; na religião, de Lutero, o pai da reforma protestante; na teologia uma escola sempre avançada no tempo (com nomes como Friedrich Schleirmacher, Davisd Staruss, Albert Ritschl, Ennst Troeltsch, Adolf von Harnack, Herman Samuel Reimarus, Gerhard Maier, Ernst troeltsch, Hans Kung, Erich Fromm, Ratzinger) e da qual nasceu o recente e importante manifesto reformista «Igreja 2011, uma viragem necessária», subscrita por mais de duzentos catedráticos de teologia alemães, austríacos e suiços; na literatura, alguns dos mais importantes poetas, romancistas e dramaturgos mundiais (Goethe, Schiller, Novalis, Holderlin, Thomas Mann, Heinrich Mann, Klaus Mann, Hermann Hesse, Günter Grass, Gerhart Hauptmann, Georg Büchner, Frank Wedekind e mais recentemente Ernst Toller, Peter Weiss e Bertolt Brecht, etc).
Na ciência e tecnologia há também conhecidos alemães (na ciência, Albert Einstein e Max Planck, Werner Heisenberg, Max Born, Hermann von Helmholtz, Joseph von Fraunhofer, Daniel Gabriel Fahrenheit. Wilhelm Conrad Röntgen, na técnica Wernher von Braun, Heinrich Rudolf Hertz, Alexander von Humboldt; na matemática Carl Friedrich Gauss, David Hilbert, Bernhard Riemann, Gottfried Leibniz,Carl Gustav Jakob Jacobi, Hermann Grassmann, Karl Weierstrass, Richard Dedekind, Felix Klein e Hermann Weyl; na invenção Johannes Gutenberg, Hans Geiger,Konrad Zuse; engenheiros e industriais como Ferdinand von Zeppelin, Otto Lilienthal, Gottlieb Daimler, Rudolf Diesel, Hugo Junkers, Hans von Ohain, Nikolaus Otto, Robert Bosch, Wilhelm Maybach e Karl Benz) e as principais pesquisas na Europa do século passado tiveram origem na Alemanha, laureada com cerca 1/3 dos prémios Nobel (química e física) entre 1901 e 1933, e cujos cérebros, com a diáspora da segunda guerra, estiverem na origem do desenvolvimento cientifico dos EUA.
E se tal não bastasse, na Alemanha existem cerca de 300 teatros, alguns de nome mundial, como os Deutsches Theater, Schillertheater e Opernplatz em Berlim, Teatro Nacional, em Munique, Theater im Hafen, em Hamburgo, 130 orquestras profissionais, como a Orquestra Sinfónica Alemã, em Berlim, Orquestra Sinfónica de Hamburgo, e pelo menos onze orquestras estatais, 630 museus de arte com acervos de importância internacional, como o Ludowig, de Colónia, ou de Arte Contemporânea ou de História da Alemanha, em Berlim, cerca de 370 estabelecimentos de ensino superior de renome internacional, como a secular universidade de Heidelberg, a Universidade Humboldt de Berlim, Técnica de Dresden, Colónia, Bremen, Tübingen. Técnica de Munique, Ludwig Maximilian de Munique, Livre de Berlim, Escola Superior Técnica (RWTH) de Aachen e de Konstanz.
O «antigermanismo», é uma questão de preconceito e deve-se à ignorância da importante e brilhante cultura Alemã, sobretudo literária e filosófica, no concerto dos países civilizados e cultos, que é muito superior à cultura francesa; uma cultura brilhante, assente nas suas universidades e construída pelos seus mais notáveis filósofos e poetas da Europa, que foram beber, como Goethe, Hoderlin, Schopenhauer e Heidegger, aos Gregos e à Revelação Bíblica, das águas da melhor inspiração intelectual e espiritual.
É este intimo diálogo entre a poesia e a filosofia, em que muitos poetas, como Holderlin, também foram filósofos, e muitos filósofos, como Heidegger, que também foram poetas, faz a particularidade do «Génio Alemão». Um diálogo que até é semelhante ao da «tradição portuguesa» – cujo expoente máximo foi o Infante D. Henrique, Camões, Vieira, no passado; e mais recentemente Sampaio Bruno, Pessoa e Pascoais – porque os Alemães, como alguém disse, também de algum modo procuraram essa «Índia Nova de que são feitos os sonhos», no dizer admirável de Fernando Pessoa, Índia que não está no mapa, e que os mitólogos situam eruditamente na perdida Atlântida, de que nós, nas Ilhas e na Península, somos ainda o remanescente.
Heidegger, um dos últimos filósofos Alemães de alta qualidade, fazendo sua toda a compreensão da idealidade romântica e grega, interpreta Holderling, um poeta que, quase à semelhança do nosso Pascoais, enlouqueceu por querer encontrar o Céu.
No livro que lhe dedicou, agudo e penetrante é o estudo que Heidegger faz do poeta, esse poeta louco de Dionísio, como em parte foi também o nosso Pascoais. Tal como Nietzsche, enlouqueceu pelo deus que, na mítica grega, corresponde a Cristo, porque é o Deus sacrificado.
Esta correlação e reciprocidade entre Dionísio e Cristo é fundamental e importantíssima para a nova cultura e influenciou toda a Europa Ocidental, inclusive Portugal.
Quem não leu entre nós a obra de Pascoais, nomeadamente os seus livros «S. Paulo» e «Jesus e Pã», ou Sampaio Bruno e o seu «Brasil Mental» e «A Ideia de Deus», para perceber que esta procura da consciência interior tão presente na poesia e pensamento alemão, esta dualidade entre a matéria e o espírito, esta correlação entre Dionísio e Cristo, influenciou a cultura europeia?
Foi precisamente a imitação deste diálogo entre a poesia e a filosofia, de influência alemã, conscientemente feito pelo Nosso Sampaio Bruno e Teixeira de Pascoais, e de que Leonardo Coimbra faria a síntese, que deram origem ao Existencialismo Português, e permitiram um florescimento da cultura portuguesa na transição do século XIX para o XX em torno do movimento da Renascença e da revista Águia, que influenciaria muitos dos movimentos culturais e artístico do nosso país do século XX, inclusive, por remota filiação o pensamento, entre outros, dos nossos Álvaro Ribeiro, Júlio Marinho, Eduardo Lourenço e Pinharanda Gomes.
Resumindo e concluindo:
O povo Alemão, é como todos os povos e indivíduos: tem fases boas e menos boas de existência; e não é uma fase ou aspecto menos bom da mesma, que, generalizando, nos dá o direito de a distratarmos no seu todo!
O povo alemão, é como qualquer povo. Nem melhor, nem pior!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Soube da ausência (não da morte porque os poetas não morrem) de Manuel António Pina, na tarde de dezanove de Outubro. Foi um dia de Outono triste e cinzento. O céu chorava pequenas lágrimas de chuva nos breves instantes em que o dia se abraçava à noite.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Fiquei incrédulo com a notícia perante a ameaça de uma ausência que me fez fixar a imagem do poeta antes de buscar, no meu íntimo, o esforço suficiente para me convencer. Levantei, depois, o olhar ao céu, um céu frio e angustiado retalhado de nuvens de algodão sujo que, com a chegada da noite, se fazia mais escuro. Dir-se-ia que o luto se queria impor embrulhado na cor da noite. Vi, então, uma imensidão de sombras. Juraria que muitas delas eram sombras de livros que se espalhavam dispersos, desordenados entre as nuvens, como se tivessem caído de uma gigantesca estante. A poesia andava à solta no céu cinzento e o poeta teria partido em busca dela.
Não sei da razão pela qual preferi afastar-me desse momento para só agora tecer este comentário.
Não tive a sorte de conhecer pessoalmente Manuel António Pina embora a sua condição de sabugalense e de beirão/raiano provoque em mim sentimentos amalgamados e misticismos que se situam algures, lá entre o orgulho e o regozijo.
Leio e releio, com a frequência possível, Manuel António Pina. Li-o algumas vezes sofregamente. E sei, sim, que foi dramaturgo, cronista, jornalista e muito mais mas permitam-me que, para mim, ele seja sobretudo poeta, um poeta que desenhou casas com poesia e que me explicou que um livro nos fala com a nossa voz.
Nunca privei com ele, portanto, mas parece-me, neste momento em que escrevo, que o conheci muito bem. Sinto-me como se tivesse por ele (e tenho) uma imensa amizade.
Claro que não sei nem nunca soube explicar a amizade. Não a explico mas entendo-a e sei, absolutamente, o que ela é e quando existe.
O que seria do nosso mundo, tão adensado de estorvos, se não existisse a amizade e se o coração pudesse ser, tão só, um logro? O que seria de nós se a beleza pudesse ser, apenas, ilusão? Ora, a poesia de Manuel António Pina era, é e será eternamente bela. Eis, portanto, a razão pela qual o poeta não morreu nem morrerá. Apenas se ausentou.
Poderemos sempre sentir nos dedos o prazer de tatear as páginas dos seus livros. Poderemos sempre consultá-los antes e quando pretendermos interpretar mistérios. A sua poesia continuará a iluminar as nossas vidas. As suas palavras serão sempre armas com as quais lutaremos contra os escuros das nossas existências e serão, também, a promessa de um final valido nos nossos percursos.
Após a sua ausência, ainda que a noite caia, ainda que o escuro nos envolva e mesmo que o desânimo nos aflore significativamente a poesia de António Pina sempre nos alentará porque ela é e será inseparável das nossas vidas.
Escureceu, então, nesse final de tarde chorosa e outonal mas, apesar de indesejável, a notícia não foi definitiva. Nunca diremos adeus a Manuel António Pina. Será sempre um até à próxima leitura.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

«Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da Vizinha Região de Xalma e Alamedilha»

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaTanto se tem falado do charro, das terras do charro e da unidade hipotalássica que a região constitui que nos sentimos obrigados a falar, aqui e agora, dum livro editado pela Universidade de Coimbra já no ano de mil novecentos e setenta e sete, e da autoria da filóloga Clarinda de Azevedo Maia e que tem o título com que encimamos a presente charla.
No prefácio, assinala a autora depois de frisar o carácter de trabalho escolar do livro – tese de licenciatura com que a obra nasceu, o destaque que pretendeu dar à avaliação do grau de penetração do castelhano e do português nestas duas faixas extremas – a raia sabugalense e as terras de Xalma, situadas na periferia dos dois países e até aos nossos dias em desfavoravéis condições de comunicação e por isso mesmo bastante conservadoras.
E daí também a complexidade deste trabalho sobre matéria dialectal nalguns aspectos com muito de pioneirismo.
Trabalho de grande folego científico, forma o seu corpo principal, explica a Autora, além duma extensa introdução, onde são postos em relevo os factos de carácter histórico e ainda a amplitude e a frequência dos contactos estabelecidos ao longo da fronteira cujo conhecimento é indispensavel para uma rigorosa interpretação dos factos linguísticos, toda a parte consagrada ao estudo e análise das características dos falares das duas regiões que em introdução caracteriza.
Transcrevamos:
Muito motanhosa e de acesso difícil, em precárias condições de acesso e comunicação com os seus vizinhos de Espanha e Portugal, a região de Xalma é uma das mais isoladas e menos exploradas de toda a Ibéria, seca ou húmida.
Aliás inóspita e de acesso difícil é toda a Serra da Gata, nomeadamente daquela parte de onde emergem o Coa, o Erges e o Águeda.
E os cerca de vinte quilómetros que vão da carcerenha San Martin de Trevejo á portuguesa Aldeia do Bispo, passando pelo Pico de Xalma ou Jalama, a mais de mil e quinhentos metros de altitude, são ásperos e difíceis com caminhos nem sequer de ferradura.
E nessa longa caminhada, que leva meio-dia passa-se junto de Payo e Navasfrias, pequenas povoações serranas, em muito acentuadas condições de isolamento…
Depois, frisava a Autora:
Em grande isolamento, se encontravam também as aldeias raianas portuguesas do Sabugal.
Intervém ainda negativamente a pobreza do solo e a rudeza do clima, de nítida influência continental áspera – invernos muitíssimo rigorosos e verões excessivamente quentes.
As dificuldades uniam.
E assim se impôs um caldo de cultura que marca e individualiza.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que no sábado, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Fotos de Daniel Salgueiro e José Carlos Calixto

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que hoje, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Fotos de Daniel Salgueiro e José Carlos Calixto

Decorreu como estava previsto, o primeiro Magusto dos Sabugalenses, residentes no Concelho do Fundão. O cenário não podia ter tido melhor escolha, que recaiu num espaço envolvente à Capela de S. José, nas Quintas do mesmo nome, na Freguesia de Aldeia de Joanes.

Numa tarde com as cores outonais, com uma envolvência natural impar, no meio de duas serras, a sul, a Gardunha amarelecida, e a norte a Estrela vazia de neve, numa Cova da Beira, onde ainda se ouve o balido dos rebanhos, o mugir das vacas, que disciplinarmente se colocam para a ordenha, o zurrar dos burros e o canto suave de algumas aves.
Numas instalações adequadas a estes eventos, era já o princípio da tarde, quando começaram a chegar os primeiros Sabugalenses, alguns com as dúvidas do local, apesar de todo o percurso se encontrava devidamente assinalado.
Visitas a destacar, a do Pároco de Aldeia de Joanes, Padre Casimiro Mendes Serra, que quis associar-se a este encontro, por alguns momentos, atitude apreciada por todos os presentes. A segunda, do Padre Manuel Joaquim Martins da Bismula, num espaço que lhe é muito familiar, porque foi no seu tempo de Pároco de Aldeia de Joanes, que foi construído.
Numa simples auscultação a alguns participantes, fomos ouvir e registar as motivações que os conduzem a este evento:
Júlio Fernandes Martins – Quadrazais, depois de uma estadia por terras de França, encontrasse há 30 anos no Fundão, como gerente de lavandarias, onde também trabalha uma filha. Aprecio este convívio com os nossos conterrâneos.
Mário Luís Santos Dias – Bendada, está no Fundão há 29 anos, trabalha como técnico de confeções, e veio ao magusto para me encontrar com a malta do Concelho do Sabugal e gosto de conhecer as pessoas que aqui vem da nossa zona.
Joaquim Esteves Barbara – Alfaiates, há 15 anos no Fundão, no Posto da G.N.R. A viver a alguns anos no Fundão, desconhecia por completo, que aqui vivessem tantos naturais do Sabugal. Foi uma agradável surpresa. Estes encontros têm a particularidade de nos conhecermos melhor e relembrarmos as nossas origens.
Maria Teresa Carvalho Moreira Barreto Amaral – Aldeia do Bispo, há 22 anos no Fundão. Gosto de estar, de me reunir com as gentes do Sabugal, e estes encontros servem para nos conhecermos melhor. Veja, trabalhei 12 anos na Empresa Eres, com pessoas do Sabugal e não sabia. Aqui damo-nos a conhecer mutuamente.
Natália Fernandes Martins – Quadrazais, há trinta anos no Fundão, diz que estes encontros são muito positivos e servem para nos conhecermos.
Isabel Gonçalves Martins Leitão – Aldeia da Ribeira, há 27 anos no Fundão, trabalha como empresária de produtos alimentares. Estes encontros permitem conhecer pessoas da nossa zona arraiana. É uma feliz ideia, é bom o encontro.
Joaquim Lopes Pinto – Santo Estevão, há 42 anos no Fundão, comerciante. Gosto desta gente de alma arraiana, que é batalhadora, trabalhadora, dinâmica e vencedora em toda a parte. Estamos espalhados pelo mundo. São importantes estes convívios.
Maria Rita Martins Pinheiro Costa – Bismula, há 45 anos no Fundão, reformada. Estes encontros são interessantes. Tive pena de não estar até ao fim, não me foi possível. Não falharei o próximo. É uma forma de partilharmos com os nossos conterrâneos sabugalenses e fazermos um elo de ligação com as suas famílias.
Marta Marcos Barroso Ramos – Aldeia da Ponte, há 8 anos de Fundão, arquiteta. Diz que é uma boa iniciativa e participei com muita honra a cantar para os meus conterrâneos, num sítio fantástico, maravilhoso e encantador. Tenho pena de sair mais cedo, por compromissos já assumidos. No entanto, no próximo encontro espero estar presente.
Esta jovem arraiana com grandes dotes musicais, brindou-nos com lindas canções que empolgou todos os presentes, principalmente a canção dedicada a São Martinho.
Em todos os rostos havia alegria e felicidade por mais esta jornada de convívio dos Sabugalenses, com a certeza de que no próximo ano, se vai realizar neste local bucólico, na companhia da mãe natureza.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

O livro «Como se desenha uma casa», de Manuel António Pina, venceu a oitava edição do prémio de poesia Teixeira de Pascoaes.

O prémio literário foi criado pela Câmara Municipal de Amarante e a sua atribuição ao último livro de Manuel António Pina resultou de uma escolha entre 166 livros apresentados a concurso, de 159 autores.
A entrega do prémio, a título póstumo, está marcada para 15 de Dezembro, no auditório da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, em Amarante.
Manuel António Pina, poeta, escritor, jornalista, Prémio Camões em 2011, natural do Sabugal, faleceu no Porto a 19 de Outubro deste ano, com 68 anos.
O prémio Teixeira de Pascoaes, de periodicidade bienal, foi instituído em 1997, aquando da passagem dos 120 anos do nascimento do poeta de Amarante.
plb

Querido leitor(a), vou dizer-lhe uma coisa de que talvez já se tenha apercebido, se por acaso não é um fanático germanófilo, a Alemanha é o país mais visceralmente antidemocrático da Europa, e o seu povo é de um conformismo político impressionante, aceita tudo e não se rebela contra nada, é um povo seguidista, racista e com complexo de superioridade.

António EmídioVejamos o comportamento de alguns alemães célebres:
Hegel, hierarquizou a História, para ele todos os povos foram inferiores desde os egípcios aos persas, passando pelos gregos, em contrapartida a Alemanha era a culminação do espirito universal, e o único homem livre era o homem alemão.
Hengels, disse que o destino dos países de Leste Europeu era serem colonizados pela Alemanha. Isto foi dito por um senhor que apregoava o internacionalismo operário…
Marx, segundo consta não era um grande patriota, da Alemanha não gostava muito, mas durante a guerra Franco-Germânica, que foi a Alemanha a provocá-la, disse que a França necessitava de uma sova, porque se a Alemanha vencesse, as ideias marxistas expandir-se-iam melhor.
Os seus líderes desencadearam a I Guerra Mundial, com isso provocaram 18 milhões de mortos.
Hitler, desencadeou a II Guerra Mundial, causou essa guerra 60 milhões de mortos, a mente alemã criou Auschwitz, Dachau e outros campos de concentração. Ainda só foi tudo isto, todo este horror, morte e violência, há pouco mais de sessenta anos, sessenta anos na História é um tempo ínfimo, é tão ínfimo que ainda está presente a vontade de domínio na mente desse povo…
Raynhard Heydrich, o carniceiro de Praga, sofreu um atentado feito pelos resistentes checos durante a II Guerra mundial, não morreu, mas ficou ferido, não permitiu que nenhum médico local o tratasse, mandou ir um da Alemanha, enquanto chegou e não, morreu ele! Este Nazi devia «adorar» professores, digo isto porque num discurso saiu-se com esta: «temos de ajustar contas com os professores checos, porque o corpo docente é um viveiro de oposição».
Fim da Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha dividida o perigo de um novo confronto bélico desapareceu, anos 90, com a Alemanha unida regressou a sua ambição desmedida e a sua arrogância. Esta nova ambição, vontade de domínio e racismo estão concentrados em Angela Merkel, tornou-se dona e senhora da Europa, da burocracia e dos senhores de Bruxelas que se limitam única e simplesmente a obedecer-lhe. O que é que ela quer? A nível económico reformas estruturais nos países do Sul da Europa, Grécia, Itália, Espanha e Portugal e, como quem não quer a coisa deitando os olhos para a França e Bélgica. Em seis pontos condensarei essas reformas que ela deseja:
1º – Venda de empresas estatais, ou seja, privatizações dos sistemas de saúde, ensino, transportes e segurança social.
2º – Destruição dos direitos e protecção do emprego, leis laborais injustas para o trabalhador.
3º – Baixos salários para quem trabalha e redução no valor das pensões de reforma, reduções escandalosas.
4º – Leis feitas simplesmente para proteger empresários. (grandes empresários e multinacionais principalmente alemãs)
5º – Destruição do Estado Social.
6º – Formação de Zonas Económicas Especiais, as chamadas Z.E.E.
Se por acaso a senhora Merkel conseguir isto tudo, assistiremos na Europa à exploração de quem trabalha nos mesmos moldes da China e do resto dos países asiáticos. As Z.E.E., são zonas onde as empresas multinacionais, e não só, não pagam impostos, não respeitam as leis de protecção do meio ambiente e as quase inexistentes leis laborais, pode chegar-se a este paradoxo, um trabalhador ser chamado de «boca», não contratado porque os contratos não existirão, no dia 1 de um qualquer mês para começar a trabalhar, e no dia 20 do mesmo mês ser posto na rua sem nada receber, a lei laboral estará feita de maneira que o salário ou outra prestação qualquer só serão recebidas depois de 30 dias de trabalho, antes disso não há direito a qualquer compensação. A lei não diz isso! Isso é um exagero! O senhor é um radical! Chame-me o que quiser querido leitor(a), mas as leis são feitas pelos homens, e conforme as fazem, assim as desfazem. Actualmente o partido do Governo aqui em Portugal não está a preparar um Golpe de Estado Palaciano importando-se pouco com o que a Constituição da República diz! Ou seja com as suas leis? Aí nem precisa de as mudar, passa por cima delas! Resultado disto tudo, querem reduzir quem trabalha a um escravo empobrecido.
Como pôr cobro a isto? Só com os trabalhadores europeus mobilizados contra esta ofensiva da Alemanha e dos seus mercados, exigindo programas verdadeiramente social- democratas, programas socialistas, do Socialismo Democrático, e Trabalhistas (ingleses). Alguns inocentes ainda pensam que se Merkel perder as eleições as coisas mudarão para melhor. Pura ilusão! Os social-democratas irão perder as eleições, mas se por acaso ganhassem, a política para a Europa seria a mesma. O problema é que por trás do egoísmo alemão está a vontade de poder que sempre caracterizou a Alemanha. E agora que os mercados alemães e os seus banqueiros, juntamente com os de outros países ricos movimentam 7 biliões de euros das dívidas dos estados da Zona Euro, a vontade de domínio e poder aumentam!
Dizem os germanófilos que a Alemanha é o país das vitórias, do trabalho, da riqueza, do progresso económico e tecnológico, o país que está acima de tudo e de todos, não a invejo, foi ela que até agora mais derrotas teve nesta Europa, e tudo devido à sua ambição desmedida. Penso que não há-de tardar muito que não sofra outra.

Não posso passar sem comentar isto: aqui na nossa então Vila do Sabugal, durante a Segunda Guerra Mundial, contam-me os mais velhos, só se falava na Alemanha e em Hitler, era a propaganda do Estado Novo a trabalhar, diziam alguns que se Hitler viesse ao Sabugal o levavam para casa!! Desconfio que há por aí alguns que presentemente levavam Frau Merkel, para quê? Eles lá saberão…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O Comando da Guarda da GNR informou através de comunicado que na semana transacta procedeu à detenção de três jovens por furto em estabelecimentos comerciais na cidade de Gouveia.

GNRNa noite de 9 de Novembro, militares do Posto de Gouveia, detiveram nessa cidade três homens, de 21, 24 e 29 anos de idade, residentes na Covilhã, por crime de furto em estabelecimentos comerciais.
As detenções ocorreram no decurso de uma fiscalização à viatura em que os mesmos seguiam, tendo-se apurado que estes eram suspeitos da prática de dois furtos, ocorridos momentos antes, numa papelaria e num restaurante, em Gouveia. Após buscas efetuadas ao veículo e às residências dos suspeitos, foi-lhes apreendido o veículo, diverso material utilizado nos furtos, designadamente, um pé-cabra, uma rebarbadora e nove discos de corte, uma parafusadora elétrica, uma caixa de chaves, quatro telemóveis, luvas e gorros. Foram ainda apreendidos alguns artigos furtados (128 maços de tabaco, um DVD e um saco de desporto), bem como cerca de 18 doses individuais de cannabis e haxixe.
Os detidos confessaram a autoria dos dois crimes e são suspeitos da prática de diversos outros furtos nos concelhos de Gouveia, Seia, Covilhã e Fundão. Os mesmos possuem antecedentes criminais pela prática dos crimes de tráfico de estupefacientes e de condução sem habilitação legal.
Presentes ao Tribunal Judicial de Gouveia, foi-lhes aplicada a medida coação de prisão domiciliária, com recurso a pulseira electrónica.
plb

Está um curso um doloso processo de destruição do Interior que conta com a cumplicidade de muitos autarcas que não defendem os interesses das suas populações.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

(clique na imagem para ampliar.)

Sob a divisa «agregação de freguesias», o governo quer cumprir o desiderato de extinguir órgãos locais representativos da população. Este desígnio é particularmente grave quando estão em causa aldeias do interior de Portugal que ademais à perda sucessiva de população, ao fecho de escolas, extensões de saúde, postos de correio, farmácias e outros serviços de interesse público, agora se confrontam com a perda da sua própria identidade.
A raia sabugalense tem sido particularmente fustigada por essa política de terra queimada que se pratica a partir dos gabinetes governamentais. Primeiro acabaram com as regedorias, os juízos de paz, os postos da Guarda Fiscal, da Polícia e da Guarda Republicana. O processo acelerou e só parará quando estiverem varridos de vez todos os serviços públicos de aldeias, vilas e cidades menores, concentrando-os nas grandes urbes. O economicismo prevalece em detrimento dos interesses das populações, nem que tal poupança se resuma ao valor dum prato de lentilhas.
Na generalidade das aldeias só uma instituição resistiu à fúria avassaladora da extinção: a Junta de Freguesia. É ela que confere identidade e dá voz activa à população. Mas os tempos mudaram e a pretexto da crise decidiu-se exterminar esse resquício, considerando-o desnecessário e inútil. Deixou de haver pudor, porque decretando-se o decesso da Junta de freguesia assina-se no mesmo acto a certidão de óbito da aldeia em apreço.
Foi agora conhecida a proposta da Unidade Técnica criada para a reorganização administrativa do território, que aponta para que o concelho do Sabugal passe a ter apenas 30 freguesias, menos 10 do que as actuais.
A Assembleia Municipal do Sabugal pronunciou-se a devido tempo contra a reforma, defendendo a inalterabilidade das juntas, mas os homens da comissão, lá de longe, cortaram a eito. Analisando a proposta percebe-se que em parte foi de encontro à ideia que alguns autarcas defenderam numa fase anterior à pronúncia, quando acharam que a ideia era boa. A questão que se coloca é a de como souberam os homens da dita Unidade Técnica da perfídia desses autarcas, que decidiram pelo povo, mas nas suas costas, sem o consultarem? Talvez o exemplo da futura «União de Freguesias da Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas», uma ímpar aberração, explique o que se passou. Alguém terá telefonado e explicado aqueles senhores cinzentos, cujo presidente lamentou com hipocrisia que tenham que se encerrar tantas freguesias no interior de Portugal, por onde deveria cortar. É que a sede da nova junta funcionará na primeira dessas freguesias, impondo às outras duas o que a sua população não quer nem nunca manifestou querer.
A anuência de alguns autarcas a este infame ataque à integridade territorial das freguesias foi geralmente precedido de reuniões e de uma espécie de negociação, na qual se traçou o destino a dar à freguesia e ao povo que a habita. Os autarcas que assim agiram cometeram, digamo-lo com todas as letras, um acto de traição para com o povo que os elegeu. Foi decidir à revelia da sua vontade, sem considerarem a sua opinião.
Somos de parecer de que nenhuma freguesia do concelho do Sabugal deve aceitar render-se, anuindo à agregação numa outra. Ceder neste processo significa assassinar as nossas aldeias enquanto organismos vivos, capazes de terem voz própria e capacidade de acção.
E aqui há ainda a questão do perigoso precedente. Se hoje Badamalos, Aldeia da Ribeira e Vilar Maior se «agregam», passando a ser uma só Junta, nada impedirá que amanhã se tenham de juntar à Bismula, à Rebolosa ou até a Alfaiates, num imparável processo destruidor de identidades e liquidador das nossas terras.
Este roubo de freguesias que nos fazem segue a mesma lógica daquele que nos anunciará o fecho do centro de saúde, da repartição de finanças, da extensão da Segurança Social e dos postos da GNR. Culminará, se o deixarmos avançar, no encerramento do próprio concelho e da Câmara Municipal e no puro abandono das populações à sua sorte.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

A Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela (ADRUSE) organizou no domingo, 11 de Novembro, em São Paio, concelho de Gouveia, um festival com o objectivo de divulgar a gastronomia regional com especial destaque para as sopas.

Organizado pela ADRUSE o XIII Festival de Sopas da Serra da Estrela teve lugar em São Paio, concelho de Gouveia e recebeu cerca de 1.500 visitantes. No festival foram servidas 28 variedades de sopas confeccionadas por 24 particulares e instituições dos concelhos que integram a zona de intervenção da associação: Gouveia, Seia, Manteigas, Celorico da Beira, Fornos de Algores e Guarda.
Os visitantes puderam provar, entre muitas outras, sopa da pedra com castanha, sopa de míscaros, aveludado de nabiça, sopa à moda do rancho e sopa de rabo de boi.
A Confraria da Urtiga, de Fornos de Algodres, foi uma das participantes, e apresentou uma sopa de cogumelos com urtiga. A cozinheira, Clara Paraíso, esclareceu que «a base da sopa leva batata, cebola, abóbora e boletos» sendo depois adicionada urtiga. «A urtiga é uma planta que tem muito potencial», explicou Rosa Costa, da confraria, acrescentando que «voltou a entrar na confecção das refeições de muitos habitantes da região».
O festival incluiu um concurso, cujo júri foi presidido por Justa Nobre, que distinguiu a «sopa da pedra», confeccionada pela Associação Musical Sampaense (Gouveia) como o galardão de «Melhor sopa do festival». A especialista defendeu o consumo de sopa por ser «sinónimo de saúde e de boa alimentação» e aconselhou as pessoas a comerem «sopa ao almoço e ao jantar». Foram também atribuídos os prémios «Sopa de castanhas», «Sopa de São Martinho», «Outro tipo de sopas» e «Profissionais de restauração».
O presidente da Câmara Municipal de Seia e presidente da ADRUSE, Carlos Filipe Camelo, valorizou a iniciativa hoje realizada por contribuir para a divulgação da gastronomia regional e por incentivar o aparecimento de novas sopas.
«Em cada festival que acontece há coisas novas que aparecem, utilizando produtos antigos que fizeram sempre parte daquilo que era a tradição de uma região como a da Serra da Estrela», disse na ocasião o autarca.
Muitos dos visitantes que passaram pelo recinto do festival deslocaram-se propositadamente ao concelho de Gouveia para degustarem as sopas tradicionais.
O Festival de Sopas da Serra da Estrela foi co-financiado pelo subprograma 3 do PRODER e contou com a colaboração do Município de Gouveia, da Junta de Freguesia de São Paio, entre outras entidades.
jcl (com agência Lusa)

Todos adoramos a nossa terra. Para cada um, a sua é a melhor, a mais bonita. Mas o Casteleiro é mesmo terra de encanto. «Em toda a Beira não há igual / É a mais bela de Portugal, / Mais pitoresca de todo o mundo.».

Hoje trago-lhe três momentos da vivência da minha aldeia em tempos idos. Por aí se vê quão bela e diversificada era a vida na minha terra há umas décadas. Num dos temas, o Casteleiro aparece mesmo como «terra de encanto». Leia: vai gostar – e depois tenha a disponibilidade de contar também coisas da sua terra, de antanho.
Estas referências às festas e à sabedoria popular em matéria também de medicina, as restantes histórias de hoje já foram por mim abordadas noutros portais digitais. Designadamente, no ‘Viver Casteleiro’.
Talvez conte as coisas de outro modo, mas respeitando sempre a veracidade do acontecido.

1 – O mesmo número
Há dias, em roda de amigos, contei esta cena como conto muitas vezes, porque na altura me impressionou bastante. Por mais que o diga, não me canso de repetir: esta história é para mim marcante, lembro-me dela constantemente e, mesmo que quisesse, nunca conseguiria esquecê-la. Nem a história nem o seu protagonista. Estávamos em Setembro de 1968. Como já se tornara habitual, o Dr. Rosa (‘Toninho Rosa’, era como lhe chamávamos ao falar dele) dispunha-se sempre, a seguir ao jantar, a dar o seu passeio acompanhado por alguns rapazes até lá acima à escola nova (feminina). Nessas caminhadas, era um vê se te avias de perguntas ao professor de História que ele era – não sobre História, mas sobre a vida real, o que se passava aqui e na França etc.. Éramos três ou quatro amigos à beira das faculdades e alguns até já no ensino superior. Ele adorava brilhar. E tinha tiradas do arco-da-velha. Maneiras simples e sofisticadas de comunicar connosco.
Pois bem.
Nesse Setembro, como se sabe, Salazar cai da cadeira e é substituído por Marcelo Caetano.
Claro que nessa noite isso foi logo tema.
Lembro-me como se fosse há bocado.
Eu ia daí a uns dias para Direito, para a Faculdade onde Marcelo era Director e catedrático ate aí.
Com a maior das naturalidades, perguntei-lhe:
– Ó Dr. Rosa, como é que vai ser o Marcelo no Governo? Vai ser muito diferente do Salazar?
Resposta pronta dele:
– Olha: calçam o mesmo número. É só outra fôrma…
Saiu tão certo, que esta sentença me ficou para sempre.
(Na palavra «forma» não devia pôr o acento circunflexo, porque de facto a palavra não o leva: mas quis pôr, para o leitor ler correctamente).

2 – Medicina popular
Há quem diga que nos encharcamos de químicos por tudo e por nada. Talvez. Exagerar é perigoso em todos os domínios. E neste caso dos medicamentos por tudo e por nada quando se tem uma constipaçãozeca (em teoria, esta palavra não devia levar o til, mas não consigo. Desculpem).
Ora bem: dantes não só não havia tanto químico à disposição, como não havia dinheiro para comprar. Assim, o Povo teve de se socorrer ao longo dos séculos de ervas e produtos da terra para minorar os efeitos das doenças.
Na minha terra, havia muitas soluções para isso.
Vamos então a duas ou três mezinhas simples que eram muito usadas no Casteleiro e que me foram relatadas por quem as conhecia bem:

Infecções graves por golpes profundos
Lavagem com borato (de sódio) – um pó branco como o bicarbonato, diz a minha fonte – e depois punha-se mel como se fosse uma pomada.

Dores de intestinos e dores menstruais
Chá de malvas e bredos mercuriais (parece erva cidreira e dá-se nas paredes. Tinha muitíssima fama há 50 anos).

Constipações e dores de garganta
Chá de sabugueiro misturado com leite. Era difícil de tomar. Tinha um sabor esquisito, diz a minha mãe.
Ou então: aguardente queimada, mel e chá de alecrim.

A propósito de ervas e poções: um dia escrevi que há ervas que não servem para nada: «Não têm utilidade: nem os cocilhos, nem as urtigas, nem as azedas». Pois bem, parece que em parte me enganei. Num «site» dedicado a estas coisas, encontrei uma pequena nota: «Da Ortiga faz-se o chorume que é uma maceração das plantas num recipiente com água e pode servir para adubar e prevenir doenças produto biológico por excelência. Se colocarmos Ortigas cortadas na cova onde se plantará a seguir os pés de tomates, serve de adubo e protege das doenças».
Mas o que é facto é que não conheço essa utilidade (nunca me foi relatada).

3 – Inauguração da luz eléctrica
Agora que a Junta, Câmara e EDP andam a melhorar a iluminação eléctrica das ruas principais da aldeia, vem bem a propósito recordar este episódio.
Vou lembrar o dia da inauguração da luz eléctrica.
Era assim mesmo que se dizia: a luz eléctrica. Foi em 1956. Meteu Governador Civil e tudo. Coisa séria. Coisa importante. Então era preciso receber a autoridade com pompa e circunstância. Aquilo foi uma farra, uma grande festa popular. Muita alegria, a electricidade era sem sombra de dúvida uma grande aquisição, mesmo com meia dúzia de lâmpadas na rua e de fraquíssima potência – muito sumidinhas, pareciam velas. Arranjou-se um grupo coral de jovens (rapazes e raparigas – coisa nem sempre aprovada, esta de misturar os sexos). Uma das responsáveis, Céu Mourinha, fez a letra e deve ter adaptado uma melodia, que ficou uma tal delícia que ainda hoje nos diverte quando a entoamos…
A letra era assim e foi depois usada noutras ocasiões:
Ó Casteleiro, terra de encanto,
Terra tão linda não há, não há.
É por ser bela que a amo tanto.
Nem que me paguem não vou de cá.

Quanto te deixo, ai que saudade…
Sinto os meus olhos brilhar de pranto,
Mas ao voltar que felicidade:
Sinto-me presa ao teu encanto

Em toda a Beira não há igual
Por isso a amo com amor profundo.
É a mais bela de Portugal,
Mais pitoresca de todo o mundo.

Nota sobre as imagens
Escolhi apenas imagens em que se vêem postes eléctricos por me parecer o tema mais importante.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Hoje, 11 de Novembro, evoca-se S. Martinho, dia em que a tradição manda comer castanhas e provar o vinho novo e a jeropiga.

Nas nossas terras sabugalenses, um pouco à semelhança de todo o País, o dia de S. Martinho, obriga à realização de convívios entre amigos, onde o vinho, a jeropiga e as castanhas fazem parte das ementas, proporcionando bons momentos de lazer e de convivência social.
Os nossos adágios populares referem-se abundantemente a este dia maravilhoso do nosso calendário. Liga-se o nome do santo não apenas à amizade e ao convívio, mas também à gastronomia e à vida agrícola. Vejamos esses rifões, alguns com curiosas cambiantes:
– Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
– Dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
– No S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho e põe-te a mal com o teu vizinho.
– Pelo S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho.
– Pelo S. Martinho, fura o teu pipinho.
– Pelo S. Martinho, prova o teu vinho e mata o porquinho.
– Pelo S. Martinho, semeia fava e linho.
– Queres pasmar teu vizinho? Lavra e esterca no S. Martinho.
– Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.

Na liturgia, o dia de S. Martinho celebra a data em que este santo, falecido em Candes, foi a enterrar em Tours, França, no ano de 397.
S. Martinho é o primeiro dos santos não mártires, o primeiro confessor, que subiu aos altares.
Antigamente era o santo mais popular de França. O seu túmulo, que está dentro de uma basílica, era o maior centro de peregrinação de toda a Europa Ocidental. A sua generosidade e a fama de milagreiro fizeram deste santo uma figura extremamente popular.
É santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, dos restauradores, hotéis, e pensões, dos produtores de vinho, dos alcoólicos, dos soldados… e também de muitos animais, como cavalos e gansos.
Em Portugal o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas exaltando o seu espírito de solidariedade. Lembra-se sobretudo o episódio em que partilhou a sua capa com um pobre que encontrou num caminho.
plb

Foi ontem, dia 10 de Novembro, entregue ao filósofo quadrazenho Pinharanda Gomes a medalha de mérito, que o executivo municipal do Sabugal decidira conceder-lhe.

Na cerimónia solene que comemora o Dia do Concelho foram distinguidas diversas personalidades que a Câmara Municipal homenageou dada a sua meritória de dedicação ao desenvolvimento e à divulgação do concelho do Sabugal.
A medalha de mérito cultural foi entregue ao escritor Pinharanda Gomes, que a recebeu, como documenta a foto, das mãos do presidente da Câmara António Robalo, sob o olhar atento do Presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos.
Na cerimónia solene foi ainda concedida a mesma Medalha de Mérito Cultural ao Grupo Etnográfico do Sabugal, à Associação Etnográfica de Sortelha e ao Centro de Convívio Cultural e Desportivo de Quarta-feira (Grupo de Teatro Guardiões da Lua).
Outra personalidade homenageada foi a judoca sabugalense Carla Gonçalves Vaz, que recebeu a Medalha de Mérito Desportivo.
Foram ainda distinguidas três empresas do concelho (Lactibar, Palagessos e Univest) com a Medalha de Mérito Empreendedor.
O agora chamado dia do concelho, foi criado pelo regulamento de distinções honoríficas. Não é porém feriado municipal – esse mantém-se inalterado e corre na segunda-feira de pascoela, dia de festa rija na Senhora da Granja e da Senhora da Graça. Ainda assim neste ano de 2012, o segundo em que o chamado dia do concelho é «festejado», aconteceu a um sábado, o que permitiu preparar uma digna e vistosa sessão solene no auditório do Município, a que assistiu muita gente.
plb

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta da Ribeira. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes três aldeias anexas desta freguesia: Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DA RIBEIRA

O mundo correm trovas cuja fama
Nos vem já não de anos mas milénios
Bem dormirá quem acha boa a cama
Quem tem sopros de fúria, enfim refrene-os

Há outros com doçuras de auriflama
Suaves como vinhos de Silénios
Bonança que em bonanças se recama
Desejos que não são alucigéneos

Viver á beira de água é um regalo
Quem se atreverá a denegá-lo
Não sei se haverá quem o não queira

Eleitos, pois, de Deus decerto são
Os que fora de um munto em confusão
Em paz vivem na Quinta da Ribeira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que hoje, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

O convidado de honra deste almoço foi o general Pina Monteiro, Chefe de Estado-Maior do Exército, que se juntou aos confrades para saborear com os conterrâneos o bom bucho.
Enquanto observavam a magnífica paisagem que o estuário do Tejo proporcionava, os convivas foram conversando e provando as farinheiras e morcelas grelhadas que serviram de entrada. Depois passou-se para o salão, onde, já nas mesas, foi servido o Dom Bucho, acompanhado, como manda a tradição, com grelos de nabo e batatas cozidas.
Após as sobremesas e os cafés, por ser véspera de S. Martinho, vieram à mesa castanhas assadas e jeropiga, tudo produto da terra, o que satisfez o apetite e o gosto dos comensais.
À mesa estiveram um chefe de cozinha e um monitor da Escola de Hotelaria da Casa Pia, que ali vieram a convite da Confraria para conhecerem o bucho e para dar seguimento a uma parceria. Os alunos terão formação acerca do que é uma confraria, tendo por modelo a Confraria do Bucho. Também estudarão e proporão novas formas de confeccionar e de apresentar o bucho. A ideia é aproveitar o sabor tradicional desta peça gastronómica para a partir dela se prepararem novas iguarias. Também se apresentarão propostas inovadoras acerca da forma como o bucho pode ser «empratado» e servido à mesa.
O almoço de Alcochete também serviu para se marcar o próximo convívio, que acontecerá em Elvas, no Alentejo, em 19 de Janeiro de 2013. Nessa data haverá almoço de bucho no Hotel Brasa, sendo anfitrião o confrade Daniel Salgueira.
plb

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CANCHO – polpa dos frutos (Joaquim Manuel Correia ). Penedo; penhasco (Maria Leonor Buescu).
CANDEIA – utensílio de metal, com depósito para azeite ou petróleo, que se suspende para iluminar. Candeeiro com longo pé de madeira ou de metal, que acompanha as procissões.
CANDIL – candeia pequena.
CANDONGA – negócio ilícito; contrabando.
CANDONGUEIRO – indivíduo que anda na candonga; contrabandista.
CANEAR – morrer (Leopoldo Lourenço).
CANECO – caneca alta e estreita; chapéu alto (Júlio António Borges).
CANEJO – indivíduo com as pernas tortas, cujos joelhos roçam ao andar (Rebolosa).
CANELA – peça da lançadeira do tear, em forma de cubo, onde se enrola o fio.
CANELEIJA – recipiente ligado à moega do moinho, onde cai o grão a moer, que depois pingará para o buraco da mó (Franklim Costa Braga). José Prata chama-lhe caneleja. Clarinda Azevedo Maia acrescenta caleija.
CANELEIRA – instrumento de madeira usado para encher com fio de linho a canela do tear.
CANELEIRO – parte do tear onde se fixa a canela para enrolar fio.
CANELO – ferradura própria para o gado bovino.
CANGA – trave de madeira trabalhada e adaptada a ser colocada sobre o cachaço de dois animais de tracção, para que puxem ao carro ou lavrem a terra. A canga, normalmente feita em madeira de nogueira, contém os castelos, o vergueiro, as cravelhas e os barbantes.
CANDAÇO – engaço; pé do cacho de uvas, sem os bagos (Júlio António Borges).
CANGALHAS – dispositivo de madeira que se suspende no lombo dos burros para transporte. Há diferentes tipos de cangalhas: para a água (transporte de cântaros), para o estrume, para a lenha. Também significa óculos. De cangalhas: de pernas para o ar. Virou tudo de cangalhas. Nas terras do Campo (Penamacor, Idanha), chamam angarela ao dispositivo com que transportam os cântaros da água nos burros.
CANGRA – igreja – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CANHA – mão esquerda.
CANHADA – calçada (José Prata). Rua íngreme (Clarinda Azevedo Maia) do Castelhano: cañada.
CANHÃO – mulher mal reputada; prostituta.
CANHO – esquerdino; canhoto.
CANIÇO – grade de madeira onde se secam (pilam) as castanhas, que se suspende na cozinha, de modo a apanhar o calor e o fumo da lareira. Armação de vime que se coloca no carro de bois (Júlio António Borges).
CANIL – pão próprio para os cães, feito de farelo (Júlio António Borges, Clarinda Azevedo Maia).
CANIVETE – habitante de Vilar Maior (Júlio Silva Marques).
CANJADA – cajado (José Prata).
CANJERÃO – jarro grande de barro vidrado (José Pinto Peixoto). Júlio António Borges refere canjirão, como sendo jarro para vinho, ou pessoa alta e desajeitada, vocábulo que reporta a Escarigo.
CANOA – pente de ornamentação, à espanhola (Francisco Vaz).
CANOCO – alimento para os animais (Duardo Neves).
CANÕES – canas de milho, já secas.
CANOSTRAS – costas; avesso. Virou-o de canostras. Também se diz calhostras.
CANTADOR – galo.
CANTANTE – galo ou galinha – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CANTAR A MOLIANA – diz-se do choro das crianças. E serve de ameaça: vê lá se te ponho a cantar a moliana! (Júlio Silva Marques).
CANTAR DO CARRO – som estridente produzido pelo antigo carro de vacas, com eixo de pau de freixo. «O chiar dos carros era o orgulho dos lavradores que, quando chegavam a alguma localidade, faziam questão que o seu carro “cantasse” bem alto» (Norberto Gonçalves).
CANTAREIRA – estante onde se coloca a loiça e os cântaros da água; o m. q. vasal.
CANTARIA – pedra de granito bem talhada. Casa de cantaria: erguida com pedra aparelhada – casa de rico.
CÂNTARO – medida de capacidade; meio almude. A medida exacta do cântaro varia de terra para terra. Na maior parte das terras mede 12 litros. Porém, segundo Franklim Costa Braga (de Quadrazais) e Clarinda Azevedo Maia (que estudou o léxico de diversas terras da raia sabugalense) o cântaro mede 14 litros,. Lugar onde se metem os novelos quando se está a urdir a teia no tear (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CANTEIRO – artista que trabalha as pedras de cantaria e alvenaria.
CANTIGAS – lérias; tretas; mentiras. Deixa-te de cantigas.
CANTIGAS DAS FILHOSES – cantares próprios do final da malha (Manuel dos Santos Caria).
CANTILENA – cantiga simples e pouco elaborada.
CANTORIA – reunião de vozes cantando, muito usado pelos rapazes da ronda, de noite. José Pinto Peixoto diferencia entre: cantorias ao profano (risos, gargalhadas sem jeito) e cantorias ao divino (cânticos religiosos próprios da Quaresma).
CANUCHO – o m. q. canudo.
CANUDO – interior da maçaroca de milho a que estão agarrados os grãos. Parte do foguete onde está contida a pólvora.
CANUTO – o m. q. canudo (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CANZOADA – matilha de cães; gente reles e velhaca. Nas terras do Campo (Monsanto) dizem cãzoada (Maria Leonor Buescu).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaDesde jovem aprendi a ver a Guarda e a admirá-la como uma cidade histórica, onde aquele D. Sancho do Foral, com ar de quem domina o espaço, a meus olhos enchia a Praça. Os arcos ao fundo, onde as lojas quase se escondiam do frio e acoitavam qualquer «estrangeiro» que ali passasse sem abrigo, faziam-me sentir acolhida como se a sua proteção me trouxesse conforto. Por tudo isto, eu estremecia sempre que me abeirava daquela Praça Imponente.

Sé da Guarda - Neve

Depois, através da sua história, percebi como muitas verdades se podiam confirmar, pelo que ainda hoje, ir à Guarda é um passeio que me agrada, quase direi, me enche a alma. O clima é frio mas as pessoas são quentes e acolhedoras.
Homenageio o seu castelo que ficou para final entre os castelos de fronteira, não por descuido, mas por querer fechar com algum esmero «La Ruta de los Castilhos», do lado de cá, pois irei ponderar a hipótese de fazer uma busca aos castelos dos nossos vizinhos.

GUARDA

Ó Guarda se foste castro
De nome
Lancia opidana
Dos Visigodos eras
Warda
Teu castelo fiel guarda
Pela coragem que de ti emana.

Castelo em alvenaria de granito
Estilos românico e gótico são teus
Torre de Menagem no alto da colina
Torre Velha, isolada combina
Como se todas olhassem os céus.

A chamada Torre dos Ferreiros,
Apresenta planta quadrangular
E mostra quadros da paixão
Que quer queiramos quer não
Serve para a muralha recordar.

A Porta da Covilhã e a dos Curros
Provam seu longo existir
Pois entre elas a Rua Direita
Mostra-se caminhando perfeita
Para a todo o burgo servir.

No século XIII, Sancho I
Egitânia para aqui transferiu
Como diocese a vila revigorou
Em 1199 foral te doou
Foi isto que a pesquisa descobriu.

Iniciou vigoroso teu castelo
Que dominou a vila e a paisagem
O distinto e altivo torreão
Que de há tempos já cumpria missão
E Afonso II te fez torre de Menagem.

D. Dinis, Fernando e João
Retocam-te e te fortalecem
Torre Ferreiros, Covilhã também
Porta da Erva, como à época convém
De que muitos traços qu’ainda prevalecem.

No séc. XIV muitas portas existiam
Mas em XIX, as muralhas são benefícios
Alguns troços de muralhas demolidas
As suas pedras dali subtraídas
Para a construção de edifícios.

Em 10 Foste Monumento Nacional
Mas a demolição continuou
Em 40 houve restaurações
Até 21 mais remodelações
Pelo que a Torre dos Ferreiros vingou.

Mais lembro que na vila da Guarda
O Tratado de Alcanizes foi planeado
Em século XIII, seus finais
E apesar de aqui deixar pouco mais
Deixo seu castelo homenageado.

E nessa homenagem deixo também o meu abraço às suas gentes.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Tem continuado esta semana a saga da «refundação» do estado, com argumento do governo e tendo como protagonistas Passos Coelho e António José Seguro.

Esta história da refundação do estado, desculpem, refundação do estado não, só refundação das funções do estado, surge num tempo e num contexto improváveis. Surge, apresentado pelo Primeiro-Ministro, numas jornadas parlamentares da sua maioria, dois dias antes da apresentação do Orçamento do Estado. Não foi explicado nenhum pormenor desse peregrino plano de refundação nem aí, aos seus correligionários, nem ao país. E, o convite público ao PS, soou a convite envenenado. A forma como este governo tem apresentado as suas ideias tem sido de uma forma tão desastrada, que chego acreditar que há ali uma barreira entre o que pensam e o que se transmite. Era bem melhor estarem a pagar a um profissional de comunicação do que ao tal conselheiro para as privatizações… O facto é que, todas as medidas que o governo toma e vem publicamente apresentar, assemelham-se a um elefante numa loja de porcelanas. Se a ideia era um debate ou, como gostam de lhe chamar cá no burgo, um pacto de regime, faria sentido propô-lo á Assembleia da República. Dessa forma, traria para a opinião pública, um debate que tem que ser público. E aqui, seria interessante debater qual o verdadeiro mandato de que um governo é empossado. Reparem (e serve somente como exemplo), o governo nunca é apresentado antes, ele não sai dos deputados que são eleitos e, quando se tornam governos, nunca implementam o programa com que se apresentaram a eleições. E, contudo, falam em nome do povo, da vontade do povo e da sua legitimidade para tomarem decisões mesmo contra aquilo que apregoavam e com o qual foram eleitos. Legitimidade? Qual? E dada por quem? Neste aspecto, a lei do poder autárquico é mais verdadeira. E no entanto é nesta que querem mexer! Porque será?
A refundação de que tem falado este governo mais não é do que o fim do estado. Não falta muito. Vão fechando asa escolas e os centros de saúde. Fecham os correios. Fecham os tribunais. O estado está cada vez menos presente. Deixando as populações ao abandono. E, contudo, ainda nos pedem mais impostos! Para quê? Para Quem? Se já não existe estado na maior parte do território nacional?
E tudo isto surge num tempo de penúria e no momento da apresentação do orçamento. O que pretendia o governo? Se não introduziu o item no orçamento é porque não pode, se o compromisso é com a troika, então deveria ter avisado o país antes. Se… o facto é que este governo é habitual comprometer-se e, depois, é que vem com o discurso lamechas de que tem que ser, é necessário e tal coisa e tal. Quando se lhe pergunta porquê, então, depois de muitas voltas, lá confessa que se comprometeu. O mal, é que não se compromete com os portugueses. E era com estes que deveria estar comprometido.
Ora, faz bem o PS em não alinhar com o governo nessa da refundação, não porque se sinta melindrado com as formalidades, mas, essencialmente, porque seria uma brecha na matriz do partido socialista e um retrocesso civilizacional. Lembro-me de uma frase de um filme, “ a civilização está em ruina, logo agora quando mais precisávamos dela”.
É preciso cortar despesas no despesismo do estado? Inevitavelmente. Mas por que, sempre que se fala em cortar despesas, elas são sempre na saúde, na educação e na acção social? Não há outras áreas em que esses cortes podem ser feitos? Claro que há! Mas aí estão metidos os interesses corporativistas, dos amigos e dos financiadores de campanhas…
Passaremos as próximas semanas acompanhar esta novela da refundação, cujo objecto são quatro mil milhões de euros. Agora, e para já, com mais um laivo da teimosia do Primeiro-Ministro, após a nega do Seguro.
Entretanto, vejam bem, num momento em que nos são apresentadas diariamente restrições, austeridade, pobreza, despedimentos, dificuldades de toda a ordem, emigração… o sr. Silva (Presidente da República), depois de estar calado desde a borrada do 5 de Outubro e de ter “falado” via facebooK, apareceu para comentar a austeridade na inauguração de um hotel de luxo! Ficava-lhe bem um certo pudor. Poderia mandar o ministro da economia, outra pessoa, mas ele deveria comedir-se, porque o luxo destoa com austeridade e com a miséria que grassa pela sociedade portuguesa. E que disse ele? Disse que não se deixava pressionar acerca do Orçamento de Estado! E precisa sr. Presidente?

P.S. Saúdo a reeleição do Presidente Barac Obama. É uma excelente notícia para o mundo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A reforma administrativa do território poderá conduzir a uma substancial perda de freguesias nos distritos da Guarda e de Castelo Branco por força das agregações propostas pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Apenas Manteigas mantém intacta a sua estrutura administrativa do território.

Penamacor pode perder três freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Penamacor, passando o mesmo para nove freguesias, menos três do que as que possui actualmente.
Pedrogão de São Pedro junta-se à Bemposta, passando a formar uma única freguesia.
A outra união prevista é a que reúne as freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires, que passam a ser uma só.
A proposta mexe na única freguesias com menos de 150 habitantes, a Bemposta, que a UTRAT agrega a outra freguesia. Mas a proposta vai mais longe e, cumprindo os critérios legalmente definidos, aponta-se para a redução de três freguesias.
A Assembleia Municipal de Penamacor pronunciou-se contra a reorganização administrativa do território do concelho, não propondo a agregação de qualquer freguesia.

Manteigas não vai perder freguesias
O concelho mais pequeno do distrito da Guarda, mantém as quatro freguesias que o compõem, ainda que duas delas se situem na própria malha urbana da sede do Município.
Nenhuma das freguesias do concelho de Manteigas tem menos de 150 habitantes, além de que a lei da reorganização administrativa não obriga à redução de freguesias em municípios que têm quatro ou menos freguesias.
Face a estes factos a UTRAT entendeu não promover qualquer agregação, tanto mais que o próprio Município não expressou essa vontade.
A Assembleia Municipal de Manteigas pronunciou-se através da aprovação de uma moção em que lamentou a lei de reforma administrativa pelo facto da mesma não promover a transferência de freguesias entre municípios.
Assim sendo, em Manteigas vão manter-se inalteradas as freguesias de Santa Maria, São Pedro, Sameiro e Vale da Amoreira.

Almeida pode perder 13 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Almeida que implicarão que passe a ter apenas 16 freguesias, menos 13 do que as que possui actualmente.
Azinhal junta-se a Peva e a Valverde.
Junça e Naves passam a formar uma só freguesia.
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova também se agregam numa só.
Castelo Mendo, Ade, Monte Perobolso e Mesquitela serão igualmente agregadas.
Amoreira, Parada e Cabreira é outra das agregações em Almeida.
Miuzela e Porto de Ovelha também passam a uma só freguesia.
Malpartida e Vale de Coelha também se unem.
A proposta da UTRAT mexe em todas as 16 freguesias do concelho de Almeida com menos de 150 habitantes, provocando uma redução de 13 freguesias, número muito maior do que aquele que a lei obrigaria, pois aplicando os critérios legais este município apenas teria de perder, no máximo, sete freguesias.
Porém o facto de a mesma lei impor que em nenhum município poderão restar freguesias com menos de 150 habitantes determinou a proposta que a UTRAD aponte para um maior número de agregações.

Concelho da Guarda pode perder 12 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT vai de encontro ao parecer emitido pela Assembleia Municipal da Guarda, o que implicará que o concelho passe a ter apenas 43 freguesias, menos 12 do que as que possui actualmente.
As três freguesias localizadas no perímetro urbano da cidade da Guarda (Sé, São Vicente e São Miguel) ficam a constituir uma só freguesia.
Adão e Carvalhal Meão também se unem.
Gonçalo e Seixo Amarelo seguem o mesmo caminho.
São Miguel do Jarmelo e Ribeira dos Carinhos passam a uma só freguesia.
São Pedro do Jarmelo e Gagos irmanam-se igualmente.
Avelãs de Ambom e Rocamondo também ficarão agregadas.
Corujeira e Trinta passam a uma só freguesia.
Misarela, Pero Soares e Vila Soeiro também se juntam.
Pousade e Albardo reúnem o seu território.
Rochoso e Monte Margarido agregam-se também.
O caso da Guarda é um dos poucos na região em que a proposta da UTRAD vai inteiramente de encontro à pronúncia que a Assembleia Municipal fizera acerca do processo.

Belmonte pode perder uma freguesia
O concelho de Belmonte perde uma só freguesia, de acordo com a proposta formulada pela UTRAT, o que fará com que o concelho passe a ter quatro freguesias.
A própria cabeça do Município junta-se ao Colmeal da Torre, passando a formar uma só freguesia, o que melhora a dimensão demográfica de Belmonte enquanto sede.
As freguesias de Maçainhas, Inguias e Caria permanecem inalteradas.
A Assembleia Municipal de Belmonte não se pronunciou, limitando-se a fazer chegar à Assembleia da Republica as posições tomadas pelo Município e pelas assembleias de freguesia, que se mostraram contrárias a qualquer redução do número de freguesias no concelho.
plb

Em Portugal, ensina Marcelo Caetano no «Manual de Direito Administrativo» (segunda edição, páginas 177), pode dizer-se que os termos concelho e município são considerados sinónimos, sendo concelho a autarquia local que tem por base territorial a circunscrição municipal.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaSão várias as teses que historicamente fundam esta realidade institucional, sendo comumente aceite como dominante a que o filia no direito romano.
Não deixando, todavia, de relevar o contributo do Código de Alarico, o Conventus Publicus Vicinorum, os Ajuntamentos da Cabilia.
O Município expressa-se através de órgãos de administração activa comuns que são a Assembleia Municipal, a Câmara Municipal e o Presidente da Câmara Municipal, pondo-se o acento tónico no segundo, o que em linguagem comum torna sinónimos as palavras município e concelho e ainda a expressão câmara municipal.
As pessoas colectivas de direito público – passamos agora a palavra a Diogo Freitas do Amaral, Manual de Direito Administrativo (Tomo II, páginas 617) – exprimem a sua vontade através de órgãos, com os quais as identificamos.
Os dicionaristas, por todos Frei Domingos Vieira, in Thesouro da Lingua Portugueza, põem o acento tónico no carácter histórico, atribuindo-lhes o significado de cidades do Lácio e da Itália e, mais tarde, de todo o Império, que viviam segundo suas próprias leis e costumes, ao contrário das colónias que se regiam por leis vindas de fora, normalmente da cabeça do Império. O que pressupunha a existência duma câmara municipal, que legislasse para dentro.
Isolado o termo câmara identifica-se para os dicionaristas como salão, divisão mais ou menos monumental de casa também de marcada monumentalidade.
É a domus, de que falam cronistas e poetas:
De capa e volta, de calção e vara
Eu hei-de ir á casa do concelho
Falar ao senhor Alcaide, de voz clara
Dizer-lhe uma oratória que aparelho…

Assim, o salão dos dicionaristas, o vocábulo câmara, aditado de municipal, simboliza o próprio município de que é o orgão por excelência e generalizado entendimento.
Conclui-se, portanto, que não obstante as maiores ou menores dicotomias a que se pode chegar numa linguagem marcadamente cientifica, concelho, município e câmara se podem considerar palavras sinónimas no campo do direito administrativo – lato sensu…
Município, camara municipal, concelho… assumem-se, pois, como instituições jurídicas que têm de comum o poder municipal… que simbolizam ou exercitam.
Instituições jurídicas no sentido em que Savigni, in La Ciencia del Derecho (Editorial Losada), lhes atribui, a vida depois plasma-as, não havendo surgido nenhum conflito quanto a direitos de personalidade, pois a pessoa colectiva, como unidade da vida social e jurídica, viu assim afirmada a sua própria individualidade.
O nome e órgão são um só.
E, para quem queira pôr em causa, com relevância no mundo do processual, aquela identidade, terá de objetar-se que, sendo o concelho ou município o agregado de pessoas residentes na circunscrição municipal com interesses comuns, prosseguidos por órgãos próprios, são estes órgãos que dão vida ao ser de sem eles inerte, que seria o concelho…
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

A proposta formulada pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) aponta para várias agregações de freguesias no concelho do Sabugal, passando o mesmo das actuais 40 para apenas 30 freguesias.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

(clique na imagem para ampliar.)

O Sabugal junta-se a Aldeia de Santo António, passando a constituir uma única freguesia.
O mesmo acontece-se com Santo Estêvão e Moita.
Outra união é entre as freguesias de Pousafoles, Penalobo e Lomba, que se reúnem numa só.
Também Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas passam a uma só freguesia.
Seixo de Côa e Valongo juntam-se igualmente, agregando neste caso as duas margens do rio Côa.
Na raia, Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos também se juntam numa só freguesia.
Lageosa e Forcalhos são as outras duas freguesias da raia que se agregam.
A proposta mexe em todas as 11 freguesias com mesmos de 150 habitantes e ainda na do Sabugal e de Aldeia de Santo António, cuja junção a UTRAT justifica com o facto de serem contíguas, partilharem a albufeira do Sabugal e passarem a, juntas, perfazerem 2741 habitantes, reforçando assim demograficamente a sede do concelho.
Nas restantes agregações a UTRAT justifica-se com a homogeneidade do território, com a existência de legações rodoviárias directas, a pouca distância entre os agregados populacionais e a criação de um maior equilíbrio demográfico.
Recorda-se que a Assembleia Municipal do Sabugal se pronunciou contra a reorganização administrativa do território do concelho.
plb

O Município de Oliveira do Hospital não se limita a queixar-se…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaPor iniciativa do Município de Oliveira do Hospital foi criada uma Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro – BLC3 – que visa desenvolver o município e a região, e promover uma nova visão de inovação, ciência, qualidade, e empreendedorismo, fomentando assim o aparecimento de novas ideias de negócio e de uma nova geração empresarial.
São associados/ fundadores desta Plataforma o Município de Oliveira do Hospital, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, as Universidades de Coimbra e de Aveiro, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, IP, o Biocant e o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras.
A Plataforma tem como linhas estratégicas para o desenvolvimento da região:
– Fazer da Região Interior uma referência nacional em desenvolvimento sustentável do território;
– Promover a floresta e a agricultura, dando prioridade à proteção, valorização e gestão sustentável dos recursos florestais, prevenindo o risco de incêndio e promovendo a sua exploração numa ótica empresarial;
– Apostar nas energias renováveis, valorizando e explorando o potencial para a produção de energias renováveis, sobretudo, a eólica, a hídrica e a de biomassa;
– Apoiando a atividade empresarial, implementando políticas de incentivo à instalação de atividades de atividades económicas, designadamente, das produtoras de bens e serviços mercantis transacionáveis;
– Promover o potencial turístico, dando projeção ao património natural e paisagístico da região;
– Gerir o declínio da população e a baixa densidade, de forma a garantir os mínimos de ocupação necessários à gestão sustentável do território.
Entre as iniciativas já levadas a cabo, destaco:
– Uma Incubadora de Ideias e Empresas, localizada na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, que presta apoio gratuito a novos empreendedores, tendo já sido criadas e ali instaladas empresas como: Ecoelec, cujo negócio incide sob a utilização de recursos energéticos limpos, amigos do ambiente; Regional-Innovation, apostando no desenvolvimento de um Centro Comercial Virtual Multi-Língua; Go-Star, plataforma de venda online de produtos tradicionais da região da Serra da Estrela; Living Açor, visando potencializar e promover as propriedades inseridas em contexto rural através de uma ferramenta online; A.H. – Saúde e Formação, projeto empresarial que consiste numa solução de acompanhamento de idosos, de pessoas com demência ou com necessidades especiais, em ambiente domiciliário; ISEV, de criação de soluções para uma mobilidade sustentável; Voz da Natureza, centrada em investigação científica e biotecnológica associada ao desenvolvimento de produtos inovadores e diferenciadores em micologia; Centro TV, de informação multimédia, com cariz regional, através de uma televisão online e de outras plataformas digitais.
– Um Centro Tecnológico, que tem em desenvolvimento projetos como: Trans-I-Duca – Educar para o Desenvolvimento Sustentável Transfronteiriço, em consórcio com a Asociación para el Desarrollo Rural Integral de las Sierras de Salamanca (ADRISS) e a AAPIM – Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha: Valor Queijo – Solução Biotecnológica, de valorização de um queijo DOP, através do desenvolvimento de um projeto de investigação aplicada para a construção de um protótipo de fabrico de unidoses de queijo de pasta mole; Value MicotecTruf, visando desenvolver, na região interior centro do país, a produção de cogumelos silvestres nativos e investigar as condições propícias para a produção de trufas;
– Um Centro de Inovação, o Clube 3 i – Inteligência/Inovação/Investigação, que pretende visa captar talentos, naturais da Região Interior Centrol e da região, por via do estabelecimento de uma cultura de empreendedorismo.
Eis mais um exemplo de como se pode contribuir para a inversão da atual situação de desertificação e de perda de competitividade no interior beirão.
Claro que, como já o disse, não pretendo que ideias como estas sejam pura e simplesmente, imitadas pelo Município do Sabugal.
Mas há muitas mais hipóteses a explorar neste campo. E não posso deixar de lembrar mais uma vez algumas propostas que o programa eleitoral do Toni apresentava:
– Criar o Gabinete de Apoio ao Investidor, e uma Agência de Captação de Investimento elementos de atração do investimento.
– Criar um Centro de Formação de Excelência, assente numa Parceria Público-Privada, que promova formações técnico-profissionais e tecnológicas dos níveis III e IV em áreas como a agricultura, a energia e o ambiente e a economia social.
– Criar o Programa “Empresário Sabugalense Jovem”, favorecendo a criação de empresas por jovens.
– Criar em parceria com as Instituições Universitárias e Politécnicas da Região o “Prémio de Inovação Empresarial”, destinado a incentivar o aparecimento de projetos empresariais inovadores da iniciativa de jovens empreendedores.
– Criar o Programa “Sabugal Investidor”, apoiando técnica, burocrática, financeira e fiscalmente, a criação, fixação e manutenção de empresas no Concelho.
– Transformar as Zonas Industriais existentes em Áreas de Localização Empresarial, incluindo a criação de Ninhos de Empresas.
– Criar o Programa “Sabugal Renovável”, em parceria com os empresários e as suas Associações, apoiando o desenvolvimento de um Pólo Industrial “Energias Renováveis”.
– Criar Centros de Incubação de Empresas tendo como destinatários principais jovens empreendedores naturais, residentes ou que queiram investir no Concelho.
– Apoiar e incentivar o desenvolvimento por empresas do Concelho de programas e projetos de Investigação e Desenvolvimento (I&D).
– Criar as condições para a constituição no Concelho do Sabugal do Centro de Apoio à Criação de Empresas (CACE) da Beira.
E repito, o que já disse anteriormente. Muitos nos acusaram de utopia! Em Oliveira do Hospital preferem sonhar e concretizar os seus sonhos!

PS. Há 4 anos, após a vitória de Obama escrevi aqui “E quando nos disserem que o Sabugal não pode mudar, responderei com esta crença eterna que resume o espírito do povo sabugalense. Podemos!”
Como se mantem actual esta frase, no dia em que Obama ganhou de novo!…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Realizou-se no passado domingo o quarto Passeio Micológico de Rendo, reunindo participantes do concelho e até de terras mais longínquas, como Mangualde e Caldas da Rainha.

Num dia em que o sol se escondia por entre as nuvens, os cerca de 70 participantes saíram pelas 10h para um passeio onde todos puderam ver no campo algumas espécies micológicas, seguindo as palavras do técnico da DRAP, o Engº Gravito Henriques.
À chegada à casa do povo, os participantes puderam saborear alguns cogumelos como entrada, seguidos da nossa já tradicional feijoada de javali e do queijo da nossa terra e tartes de cantarelus.
Pelo meio da tarde, foi feita a palestra do Engº Gravito Henriques, que identificou e definiu as várias espécies que se encontravam em exposição, as quais haviam sido apanhadas pelo nosso sócio Luís Marcos.
O final da tarde foi mais uma etapa gastronómica, em que foram confeccionadas várias espécies de cogumelos de outras tantas maneiras, inclusive um arroz de cogumelos.
plb (com ACDRRENDO)

A Direcção e o Conselho de Administração da Sociedade Portuguesa da Autores (SPA) decidiram atribuir, a título póstumo, a Medalha de Honra da cooperativa ao poeta, jornalista, cronista e dramaturgo sabugalense Manuel António Pina, recentemente falecido.

Manuel António Pina era beneficiário da SPA desde 1978 e seu cooperador desde 1985. Na nota inserta no seu sítio da Internet, a SPA destacou a importância da obra literária multidisciplinar e de invulgar qualidade do escritor e jornalista.
Manuel António Pina faleceu no dia 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, a um escasso mês de completar 69 anos, vitimado por um cancro.
O Prémio Camões, atribuído no ano passado, foi o maior galardão que o autor sabugalense recebeu, mas as manifestações e os prémios de reconhecimento sucederam-se a um título vertiginoso, dando mérito à sua obra literária.
Na sequência da sua morte o Presidente da República, Cavaco Silva, lamentou a perda de um autor que «ficará para sempre na memória dos leitores como um dos grandes poetas da sua geração».
plb

O milénio pasado foi o tempo das nações-estado que, de resto, já se haviam começado a desenhar na segunda metade do antecedente por reflexo da grande crise provocada pela queda de Roma e consequente desagregação do seu império.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO reino dos francos, antecâmara da actual França, foi o primeiro.
Naquilo que nós, hoje, chamamos de Europa Central e Europa de Leste, fervilharam então os gérmenes que cissiparizando-se, deram as centenas de principados, ducados e guelfas que, pelo fenómeno oposto viriam a dar os grandes impérios… O de Otão, antecessor do Sacro e do bismárquico, dos margraves de Viena de Austria, consubstanciado nos Habbsburgos, do de Pedro, o Grande, fundador de São Petersburgo, centralizador dos canatos que o seu ceptro unificou, o dos turcos-otomanos que as quezílias de Bizâncio deixaram passar aquém Danúbio.
Aqui, na Península Ibérica iam sucedendo os godos, visigodos, ostrogodos, suevos, alanos e vandaluzes, precursores das monarquias neogóticas que, por seu turno, vieram a gerar a Espanha dos condados, mãe de reinos.
E assim surgiu o reino de Portugal o país mais antigo e estável em fronteiras de todo o velho Continente.
O resto da península foi até mil e quinhentos um mosaico de reinos, dificilmente unificado por Fernando e Isabel, soberanos cada um seu trono, contendor um do outro até á cruzada contra Boadbil que expulsaram de Granada.
A França é de registo mais antigo. Mas não tem conseguido manter a integridade territorial, baldeada segundo os sucessos e insucessos das guerras com a Alemanha.
E ainda de mil novecentos e quarenta a mil novecentos e quarenta e cinco esteve partida em duas, só a de Vichi, gozando de independência aliás relativa.
Terrivelmente oscilantes em todas as direcções tem sido as fronteiras da Alemanha, dividida até ao tutano em duas durante metade do século passado.
A Itália foi durante milénio e meio uma autêntica manta de retalhos… com os reinos do Piemonte, de Nápoles e as Duas Sicilias, os ducados de Parma e de Veneza, as repúblicas de Piza e de Florença…
E das partilhas, levantamentos, cissiparizaçoes e fenónemos inversos é testemumho o que foram as partes europeias, primeiro, do Império Bizantino, depois, do otomano.
O segundo milénio foi o da dança das nacionalidades, agredindo-se reciprocamente.
O Milanado oscilava servindo alternadamente duas cortes em guerra endémica, a Casa de Áustria e a Monarquia Francesa. De tal modo que os seus militares tinham uma farda de dupla cor. Bastava virar a casaca
O Imperio Russo, czariano primeiro, comunista depois, entra em maré cheia ou vazia, ao sabor de preiamares e baixamares.
Unificado sob mão ferrea, cissipariza-se quando o centralismo abranda e no momento presente são às dezenas as repúblicas minúsculas que apareceram no xadrez.
Até a Geórgia, pátria de Estaline, entra na contradança em que também figuram os pequenos estados bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia.
Ainda no Báltico, a Suécia, ora assume dignidade imperial, ora se reduz a uma pequena coroa.
De modo que a Europa das Pátrias e Nações e das regiões mais ou menos autónomas, no nosso milénio tem de ser a Europa das Pequenas Comunidades.
E nesta cabem as Terras do Charro…
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

O Judo Clube de Barcelos organizou, junto com o Clube de Judo do Porto um estágio Internacional com um dos melhores atletas de sempre da modalidade, o Holandês Mark Huizinga, campeão olímpico e quatro vezes campeão da Europa.

O evento teve lugar no Pavilhão Municipal da Maia, entre Sexta-feira 26 e Domingo 28 de Outubro. Participaram perto dos 100 atletas, onde se incluíam treinadores e atletas de competição, oriundos de todas a partes do país, desde o Algarve até Valença, Ilhas e ainda atletas da Galiza (Espanha).
Este antigo atleta é uma lenda do Judo Internacional, sendo portador de um curriculum invejável. Conquistou vários títulos Internacionais, sendo os mais marcantes medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e duas medalhas de Bronze Olímpicas. Como técnico, tem vindo a aparecer agora em diferentes cargos, desde da sua retirada como atleta.
Esta marca a sua primeira vinda a Portugal, como orientador de um estágio que trousse grande proveito aos seus participantes, tirando partido dos conhecimentos do técnico Holandês para aprender novas situações e formas de melhorar o aspeto competitivo. Houve ainda no Sábado uma conferência aberta com o Mark Huizinga, permitindo uma maior interação entre os atletas e o holandês, conhecer o percurso do campeão e os momentos marcantes da sua carreira, podendo em alguns casos serem exemplos a seguir para os competidores.
A secção de judo do Sporting Clube do Sabugal esteve presente com três elementos, o treinador David Carreira e os judocas Carla Vaz, já uma referência do judo distrital e Emanuel Martins, uma jovem promessa a ter em conta para os próximos anos, com muita vontade de evoluir na modalidade.
djmc

No próximo dia 18 de Novembro os estudantes finalistas realizam uma caminhada que irá do Sabugal às Teixedas e regresso.

O ponto de partida é a Escola Secundária do Sabugal, às 08:30 horas. A chegada da caminhada, depois do percurso de ida e volta às Teixedas, está prevista para as 13 horas no local da partida.
Pelas 16 horas está ainda prevista a realização de um magusto, o qual terá animação garantida.
As inscrições serão aceites até ao dia 15 de Novembro em diferentes locais: Retrosaria Elisabete, Bar da Central de Autocarros, Escola Secundária do Sabugal, Osiris Bar, Bar Azul (Soito), Bar das Piscinas Municipais. O preço da inscrição inclui pequeno-almoço e almoço!
Para qualquer dúvida ou necessidade de ajuda na inscrição os finalistas disponibilizam o seguinte telefone: 969556524.
plb

Realizou-se nos passados dias 3 e 4 na Póvoa de Varzim, um Treino Nacional para os Karatecas da Seleção Nacional da Federação Nacional Karate – Portugal, onde Rita Morgado da AEKS esteve presente acompanhada da treinadora Carla Jerónimo.

Também nos mesmos dias Rui, José e Rosa Jerónimo estiveram presentes num Estágio Nacional de Formação que se realizou em Lisboa, sob a orientação de um mestre japonês Tatsuya Naka (7º Dan), que entre uma vasta formação académica e títulos desportivos, foi também ator principal em dois filmes, e tem já um terceiro agendado em Hollywood com rodagem para breve.
No sábado dia 3 na cidade de Pombal, realizou-se também um Treino Regional da FNKP, orientado pelo selecionador regional da Federação (Sensei Rui Diz), onde estiveram presentes três Karatecas da PKKS, Iara Silva (AEKS), Ana Isa Cardoso e Diogo Rafael (KST). A acompanhar os atletas esteve o treinador Eduardo Rafael.
Rui Jerónimo (Presidente do PKKS)

Há mais de meio século, que milhentas vezes fazia uma pergunta a mim próprio: onde estará a minha Professora Primária, ainda está na companhia dos vivos? Tinha umas pistas e havia necessidade de investigar, fazer prospeção e tentar a sua localização.

A última vez que tinha estado com ela, foi quando fiz exame da 4ª classe no Sabugal. Nos dias antecedentes, ainda tivéramos aulas na varanda da casa dos seus pais, numa quinta nos arredores daquela vila. Ao fim de algumas diligências, consegui localizá-la através de sua irmã Professora Joaquina Marques, residente no Sabugal, mas foram necessários diversos telefonemas, para que este aluno falasse com a sua professora. Quando o consegui fui invadido por uma emoção, por uma alegria, por uma felicidade, conversar com aquela que me abriu os caminhos do futuro, que me rasgou os horizontes da cultura e da arte. A minha Professora Primária, chama-se Otília d’Ascensão Marque Gonçalves, é natural de Águas Belas e filha de Joaquim Marques e de Alzira Pires Lages. Os pais eram proprietários de duas quintas, a Quinta Mateia e a Quinta Nova, junto à estrada nacional que liga o Sabugal à Guarda. O seu pai é de Águas Belas e a sua mãe, natural de Carvalhal Meão, e sobrinha do Padre Diamantino Lages, que durante muitos anos foi Pároco de Pega e Carvalhal Meão.
É originária de uma família muito respeitada, muito trabalhadora, organizada e amiga, solidária com todos os trabalhadores e com quem convivia. É a filha mais velha de cinco irmãos, três rapazes e duas raparigas. Todos estudaram e atingiram cargos superiores, na vida militar, no ensino e na engenharia.
Frequentou o Liceu na Guarda e quando terminou estes estudos, já funcionava a Escola do Magistério, formou-se como Professora Primária, em 19 de Agosto de 1952.
Em Outubro desse ano foi colocada na Escola Primária Feminina da Bismula – Sabugal-, como Professora do Quadro de Agregados. Iniciou na Bismula um longo e gratificante caminho de ensino. Seguiu-se a Escola de Penaverde – Aguiar da Beira. Em 1954 voltou novamente à Bismula, como Professora do Quadro Geral. Seguiu-se Vale de la Mula – Almeida-, e o Soito – Concelho do Sabugal. Voltou a fazer a “ terceira comissão“ e última na Bismula. Seguiu-se a Escola Primária de Alfaiates no Sabugal, Vila da Feira em Aveiro, Ota, Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira e Escola Secundária de Alenquer e Carregado.
Em 1973 tinha habilitações académicas para dar aulas na Escola Preparatória de Alenquer como Professora de História e Português. Continuou a estudar, frequentou a Universidade de Letras de Lisboa e fez a licenciatura em História, com grande sacrifício familiar. Eram as aulas, eram os filhos, eram os estudos. “Não foi fácil alcançar os meus objetivos, mas consegui com trabalho e esforço.”
Em Junho de 1993, com quarenta anos de ensino primário, preparatório e secundário, pediu a aposentação, por força da lei, terminando uma importante e brilhante carreira docente em Alenquer.
Teve um percurso frutuoso e maravilhoso na educação de milhares de jovens, onde me incluo com muita gratidão.
Na Bismula formou muitos jovens, aí alicerçou muitos homens e mulheres. Passou tempos felizes na primeira escola onde exerceu. «É sempre a primeira escola da minha vida profissional, o começo de uma vida a sério, de uma vida com responsabilidade, tanto para comigo própria, como para as crianças que eu ia ensinar e tentar abrir portas para a vida. Tive a sorte de encontra uma santa de uma senhora, a Senhora Antoninha Polónia, e a Família Vaz, que me ajudaram a ver a vida e o futuro. Esperava-me sempre com olhos de esperança e de confiança. Bons tempos!»
«Só havia uma pequena dificuldade: ir a pé ou a cavalo, da Bismula até à Nave e apanhar o transporte rodoviário da Viúva Monteiro para o Sabugal. Eram outros tempos… não havia estradas, havia caminhos onde mal se podia passar.»
A profissão de Professora é das mais importantes para mim, das mais importantes para a sociedade. É o seu pilar. São estes profissionais do ensino, sucessivamente vilipendiados pelos últimos governos, que ensinam com muita competência, responsabilidade, disciplina e missão, sem olharem a horários ou honorários extras, muitas vezes colocados em situações e locais difíceis, sem direito à mais pequena reivindicação.
Diz a minha Querida Professora Primária: «acho que fui sempre uma Professora que, ao exigir disciplina nas aulas, levava os alunos a desejarem aprender e a obter muitos bons resultados nos finais de cada ano escolar. A melhor prova foi que nenhum aluno da Bismula, levado a exame, reprovou.»
Nos arredores de Lisboa, viúva, chorando a partida de alguns familiares, com doenças irreversíveis, com a sua saúde precária, mas com a força, lucidez e ânimo, na companhia de dois filhos, respetivas noras e quatro netos. Minha Querida Professora Primária, um abraço de gratidão do tamanho do mundo, do seu aluno,
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Nos meus passeios pelo Côa, vêm-me à memória episódios da minha adolescência. Um deles, inesquecível, foi a travessia do Pego (zona do rio Côa junto à cidade) a pé! Sim a pé, era um dia de Inverno, um dia gelado, o rio estava transformado numa estrada de gelo. Então eu, o João Leitão e o João Carriço, temerariamente atravessamos de uma margem à outra.

António EmídioE hoje querido leitor(a)? Presumo, oxalá me engane, que o Côa não voltará a gelar da mesma maneira, todos sabemos porquê, cada vez se acentua mais o Aquecimento Global. Ninguém pode ignorar que uma catástrofe ecológica ameaça o nosso Planeta, a Mãe Terra está ferida e o futuro da Humanidade está em perigo. Quem feriu a Mãe Terra? Um sistema económico cuja lógica se baseia na concorrência entre empresas nesta economia mundializada e, no progresso e crescimento ilimitados. Este sistema de produção e consumo procura a ganância ilimitada, conseguiu com isto fazer a separação entre o homem e a natureza, entre o homem e a Mãe Terra. Esta, a Mãe Terra, é um ser vivo com a qual temos uma relação interdependente e também espiritual (quantos de vós queridos leitores[as] da Diáspora vos lembrais das vossas aldeias, dos vossos campos, dos vossos rios e ribeiros, e até dos animais que povoam as vossas terras), mas o homem tudo transformou numa mercadoria: a água, a biodiversidade, a vida, e até a morte. A desflorestação dos bosques é um autêntico atentado à natureza, só a Amazónia perde por ano uma superfície de perto de seis mil quilómetros quadrados de arvoredo, na África e na Ásia acontece o mesmo. A agricultura industrial envenena com pesticidas os campos agrícolas, estes pesticidas que são produtos tóxicos, estão incorporados na cadeia alimentar, o que comemos está envenenado, o aumento de casos de cancro é uma consequência disto. Há países na Europa cuja contaminação provocada pelas actividades industriais e agrícolas (agricultura industrial) afecta 80% dos seus rios e 50% das suas capas freáticas. Num outro, uma empresa siderúrgica, das maiores da Europa, contamina o Mar Mediterrâneo com toneladas de produtos tóxicos, calcula-se que entre 2007 e 2012, 10.000 pessoas morreram por doenças que tiveram origem nessas emissões tóxicas. Em Portugal, as agressões ambientais matam bastantes portugueses por ano.
A degradação do meio ambiente e a mudança climática atingem presentemente niveis críticos e são uma das principais causas das migrações internas e também externas, na África e na Ásia. Segundo algumas projecções, em 1995 havia aproximadamente 25 milhões de migrantes climáticos, presentemente são 50 milhões, e prevê-se que para o ano de 2050 sejam entre 200 e 1000 milhões de pessoas deslocadas por causas da mudança climática.
A Humanidade está num dilema: ou continuamos com a contaminação, a devastação e a morte, ou entramos no caminho da harmonia e de respeito com a natureza e com a vida. Não há meio-termo.

Querido leitor(a), não tenho saudades do passado, ninguém tem saudades do passado, do passado têm-se boas ou más recordações, tenho saudades de um futuro diferente, de um futuro melhor, de ver a Mãe Terra sarada, mas já não verei, sabe porquê ? Porque para estabilizar o sistema climático é preciso reduzir para metade as emissões de CO2 nos próximos 40 anos!
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Tal como vai acontecendo um pouco por todo o lado também nos Fóios se realizou um extraordinário magusto a que chamamos «transfronteiriço».

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaFoios e Eljas são duas localidades geminadas desde 1995 e todos os anos realizam, alternadamente, um magusto. Foi no passado sábado dia 3 que aconteceu o de 2012.
Os elementos da Junta de Freguesia dos Fóios e do Ayuntamiento de Eljas programam, atempadamente, o magusto visto que ser de grande envergadura.
Para além dos duzentos quilos de castanhas e dos cem litros de jeropiga, da responsabilidade dos Fóios, nuestros hermanos preocupam-se, igualmente, com os produtos de «Su Pueblo», como seja o vinho, o mel e as azeitonas.
Este ano a animação musical foi da responsabilidade dos «Lagarteiros» – assim designados porque noutros tempos comiam os lagartos – e correu tudo na perfeição.
É que em Eljas há um grupo de jovens, muito bem organizadas, que nos divertem com as tradicionais sevilhanas que são muito apreciamos nesta bonita zona raiana.
O baile foi abrilhantado pelo «Homem Orquetra» que veio pela primeira vez aos Fóios. Animou de tal maneira o baile que os responsáveis pela capeia, do próximo ano, o contrataram para estar nos Fóios no dia 20 de Agosto de 2013.
Foi, na verdade, um dia de muita animação a ponto de muitos dos «nuestros hermanos» dizerem que o pavilhão estava a abarrotar, tal como eles costumam dizer do outro lado da fronteira.
À noite ouvi também dizer a algumas pessoas dos Fóios que os mais de duzentos espanhóis, sobretudo espanholas, animaram extraordinariamente os Fóios tendo esgotado muitos produtos nos comércios e enchido os restaurantes, tanto ao meio dia como à noite.
Afinal, com estas actividades, é mesmo isso que se pretende. Animar os pueblos e fazer funcionar a economia.
TURISMO É FUTURO.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

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