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Hollywood já tem uma bela galeria de espiões nas suas fileiras. Evelyn Salt é apenas a mais recente e voltou a trazer para as salas de cinema a extinta Guerra Fria.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaLonge vai o tempo em que os russos da União Soviética metiam medo a meio mundo, mas Hollywood é um mundo à parte onde tudo é possível. E prova disso é o mais recente filme protagonizado por Angelina Jolie. Realizado por Phillip Noyce, «Salt» conta a história de uma espia da CIA que descobre de um momento para o outro que é afinal uma espia ao serviço dos interesses da antiga URSS. A partir daqui vale tudo e as reviravoltas no argumento são mais que muitas, tantas quantas as acrobacias de Evelyn Salt para cumprir a sua missão.
Mas o problema de «Salt» é precisamente a sua faceta mais acrobática, que torna a história um bocado confusa e às tantas já não se percebe quem é o mau da fita e quais os verdadeiros propósitos da espia, que tão depressa está do lado dos americanos como passa para os russos, voltando outra vez, aparentemente, a apoiar os EUA.
Salt - Angelina JolieO que podia ser um bom blockbuster de Verão acabar por não ser mais do que uma imitação das fitas de Jason Bourne, a série protagonizada por Matt Damon onde este desempenha um agente secreto com amnésia, mas numa versão de saias. As reviravoltas são de tal forma mirabolantes e irreais que acabam por não convencer ninguém e a história está claramente fora de prazo. Quase parece que Phillip Noyce encontrou um argumento perdido no século passado e resolveu adaptá-lo aos dias de hoje, voltando a trazer à luz os fantasmas da Guerra Fria, algo que já nem o espião dos espiões James Bond, personagem que também já teve melhores dias, combate.
Com o lançamento destes filmes Hollywood mostra alguma falta de imaginação, mesmo quando tenta reabilitar géneros populares. Mesmo assim o final aberto de «Salt» deixa antever a chegada de uma sequela para dentro de alguns meses. Mais uma fita para engrossar os cofres da indústria.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Se há décadas que têm géneros cinematográficos específicos, a década de 1970 ficou marcada pelos thrillers políticos. «Os Homens do Presidente» é um dos melhores exemplos.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Alan J. Pakula, que fez carreira com mais filmes do género, «Os Homens do Presidente» conta a história da investigação jornalística verídica que levou à demissão do presidente dos EUA Richard Nixon em 1974. Tudo começou no célebre assalto ao hotel Watergate, que deu nome ao escândalo, quando o Partido Democrata aí tinha a sua sede de campanha. O que parecia ser um simples assalto e um caso de polícia cedo se descobriu esconder segredos de um novelo bastante complicado.
E o desvendar da trama ficou a cargo dos jornalistas do Washington Post Bob Woodward, com poucos meses de tarimba, e Carl Bernstein, que antes deste caso esteve à beira do despedimento.
Os Homens do PresidenteEm «Os Homens do Presidente», que se baseia no livro homónimo sobre a investigação dos dois repórteres, é esta dupla interpretada por Robert Redford e Dustin Hoffman que toma conta das rédeas do filme e toda a acção gira em volta do que vão descobrindo, desde o julgamento dos quatro assaltantes, que se descobre terem ligações à CIA até aos diálogos com o Garganta Funda, talvez uma das fontes mais famosas do mundo, num parque de estacionamento.
Apenas o desenrolar do caso não é representado, pois o final do filme é feito com o início das notícias que contam o que se passou depois da publicação da primeira peça, onde eram referidas de forma mais clara as ligações entre a Casa Branca e os tais homens do presidente que minaram o percurso do candidato rival de Nixon, George McGovern.
Ver este filme quase 35 anos depois do seu lançamento é uma forma de descobrir como funcionava o jornalismo de investigação antes de a informação estar tão acessível como nos dias de hoje, graças à Internet. O exemplo recente do site Wikileaks, que trouxe a lume milhares de documentos secretos sobre a Guerra do Afeganistão, apenas veio provar que nada pode ficar escondido e mais cedo ou mais tarde a verdade acabar por vir ao de cima. Basta haver homens como Woodward e Bernstein para o fazer.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Depois de passar novamente por Gotham City, a mítica cidade protegida por Batman, o realizador Christopher Nolan pegou num projecto antigo. «A Origem» pode ser comparado ao primeiro «Matrix» na questão dos universos paralelos, mas fica-se por aí.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaEm «A Origem» o realizador britânico, que se tornou mundialmente conhecido há precisamente 10 anos com o filme de culto «Memento», conta a história de um assaltante com uma particularidade muito especial. A sua especialidade não é roubar bancos ou automóveis, mas sim entrar nos sonhos das vítimas e roubar-lhes as ideias. Um métier bastante procurado por empresas que pretendem roubar segredos dos rivais, numa espécie de espionagem empresarial alternativa.
Mas a acção de «A Origem» não se centra no roubo de uma ideia. A proposta que é feita a Cobb é plantar uma ideia na mente do filho de um magnata às portas da morte para que este tome uma decisão que vai beneficiar o seu principal rival. Em troca o assaltante é aliciado com o regresso aos EUA onde está proibido de entrar, mas onde vivem os seus filhos que não vê há algum tempo.
Estamos perante um filme em que o argumento, da autoria do próprio Christopher Nolan, está de tal forma bem feito que todos os pormenores estão no sítio certo. Mesmo correndo o risco de se perder a meio, pois a missão de Cobb consiste em entrar em sonhos dentro de sonhos, que por sua vez estão dentro de outros sonhos, isso não acontece. Basta estarmos bem atentos e não perder pitada do que se passa, mas a própria narrativa se encarrega de ir explicando aos poucos como trabalha esta equipa dos ladrões de sonhos.
A OrigemOutro dos grandes pontos fortes de «A Origem» é o excelente elenco que o realizador conseguiu reunir. Leonardo DiCaprio, que tem vindo a revelar-se um grande actor nos últimos anos, nomeadamente desde que começou a trabalhar mais com Martin Scorcese, volta a provar que está entre os grandes. A par da estrela de «Titanic», a fita conta com duas jovens promessas: Ellen Page, que ficou conhecida há uns anos pelo seu papel em «Juno», e Joseph Gordon-Levitt, o jovem actor da série «O Terceiro Calhau a Contar do Céu» que aqui aparece numa grande produção depois de passagens pelo cinema independente. A estes junta-se os mais conhecidos Michael Caine, num curto papel, a francesa Marion Cottilard, que depois de interpretar Edith Piaf em 2007 tem conseguido firmar o seu nome em Hollywood aos poucos, Ken Watanabe e Cillian Murphy.
Não podendo ser comparado com «Matrix», o mais recente filme de Christopher Nolan de certo será um bom filme para quem gosta de uma boa história que dá um pouco que pensar, mesmo sendo uma fita de acção q.b.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Depois de uma passagem pelo Indie Lisboa em 2009, chega às salas «Louise-Michel», a terceira obra da dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine. Uma comédia negra sobre o capitalismo e as suas consequências junto de uma fábrica numa aldeia francesa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BRoman Polanski está a viver uma fase atribulada na sua vida, fruto de um crime cometido no passado pelo qual decidiu fugir à Justiça. Polémicas à parte, isso não o impediu de apresentar um grande filme.
Protagonizado por Ewan McGregor, «O Escritor Fantasma» é a história de um escritor sem nome, que é contratado para escrever a autobiografia de um antigo primeiro-ministro britânico, interpretado pelo anterior James Bond, Pierce Brosnan. À partida nada podia ser mais simples, mas a proposta do realizador polaco cedo nos leva para a área dos thrillers políticos, género que se pensava ter ficado perdido nos idos anos 1970, quando chegaram às salas de cinema títulos como «Os Homens do Presidente».
Neste caso, apesar de nunca assumido, percebe-se que a história podia ser decalcada da realidade actual, pois este ex-primeiro ministro esconde segredos que bem podiam ser os de Tony Blair, com algumas nuances. A começar pelas acusações de que é alvo sobre a Guerra no Iraque, que o levam a ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade. A sua sorte é que está em território norte-americano, país que não reconhece este órgão da Justiça internacional, logo safo de julgamento. Blair nunca foi acusado de nada, mas há quem defenda a sua presença perante a Justiça para responder sobre esta questão.
O Escritor FantasmaTodos estes factos vão sendo desvendados aos poucos pelo escritor fantasma, que vai descobrindo os segredos do passado deste antigo homem de poder, que parece ser influenciado por todos os que o rodeiam, à medida que a sua investigação o leva para caminhos estranhos. Desde a descoberta de um anterior escritor que fez um primeiro esboço da obra e morreu misteriosamente, passando por ligações à CIA e a presença de antigos colaboradores do primeiro-ministro que de repente viram para o outro lado da barricada.
Com esta obra Polanski apresenta um dos grandes filmes deste ano, com McGregor em boa forma, que nos faz voltar atrás no tempo, quando os thrillers políticos fizeram História em Hollywood. Este consegue não só ser uma grande história, bastante actual e que nos dá uma boa imagem dos jogos de poder e as ligações escondidas nas relações políticas, como tem um final bastante surpreendente e irónico, que acaba fora do plano, mas que deixa bem perceptível o que acontece.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Depois de uma passagem pelo Indie Lisboa em 2009, chega às salas «Louise-Michel», a terceira obra da dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine. Uma comédia negra sobre o capitalismo e as suas consequências junto de uma fábrica numa aldeia francesa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO ataque ao capitalismo não é terreno virgem na obra desta dupla francesa, que na sua estreia, o magnifico «Aaltra» de 2004, colocou um par de vizinhos em cadeira de rodas à procura da empresa que os meteu naquele estado à espera de uma indemnização choruda. Desta vez a história de «Louise-Michel» gira à volta de um grupo de operárias de uma fábrica no interior de França que de um dia para o outro vê o seu local de trabalho ser esvaziado.
Mas o que podia ser o argumento perfeito para um drama de fazer chorar as pedras da calçada, às mãos dos dois realizadores torna-se a desculpa perfeita para uma comédia negra. Isto porque as operárias resolvem contratar um assassino profissional, que nem um pequeno cachorro consegue matar, para liquidar o patrão. Mas não são as aventuras de Louise, a operária que fica encarregue contratar o assassino, e Michel, o tal assassino profissional, o mais importante da fita. Isso fica remetido para os pequenos pormenores, como o facto de vermos o suposto patrão da fábrica e o líder sindical a brincarem ao papel, pedra e tesoura, com a vitória a calhar sempre ao primeiro. A razão para esse resultado: simplesmente «porque eu mando», responde o patrão. Ou a dificuldade em encontrar o verdadeiro patrão.
Louise-MichelApesar do rasto de mortos que fica pelo caminho em «Louise-Michel», nunca ninguém chega a saber quem é o patrão da fábrica, ou sequer qual a empresa responsável por aquela fábrica. A última das vítimas chega mesmo a gozar com os dois protagonistas, depois de passar o tempo a comprar e a vender acções enquanto faz exercícios no ginásio, ao defender que já há muito tempo que não há fábricas no interior de França.
Com um final feliz e hilariante «Louise-Michel», dedicado a uma célebre anarquista francesa do século XIX com o mesmo nome, é um filme sobre coisas sérias para ver e reflectir sobre os tempos conturbados que se vivem nos dias de hoje, em que o capitalismo destrói vidas sem dar conta. Neste caso, os realizadores viram o bico ao prego e metem as vítimas a levarem a vingança até ao fim.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A morte de José Saramago, o único Prémio Nobel da Literatura da língua portuguesa, deixou a Cultura um pouco mais pobre. Por quatro vezes a sua obra foi transposta para o grande ecrã.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDas quatro obras baseadas em livros de José Saramago que foram alvo das objectivas da Sétima Arte, «Ensaio Sobre a Cegueira» é a mais célebre. Realizada em 2008 pelo brasileiro Fernando Meirelles, autor de «Cidade de Deus» e «O Fiel Jardineiro», a adaptação desta visão catastrófica da Humanidade, em que uma misteriosa epidemia torna a população mundial cega e acaba por nos mostrar a natureza do Homem quando perde um dos seus sentidos fundamentais através do olhar da única personagem que vê, conta com um elenco de luxo e de várias nacionalidades (Julianne Moore, Danny Glover, Gale Garcia Bernal ou Alice Braga). Apesar de o tema ser bastante difícil de filmar, senão mesmo impossível devido à própria natureza da obra (no fundo estamos perante um mundo onde as personagens são cegas), Meirelles conseguiu dar uma nova visão da obra de Saramago, uma das mais conhecidas do escritor.
Já antes, em 2000, tinha sido a vez do holandês George Sluizer ter feito uma versão de «Jangada de Pedra», filme que conquistou alguns prémios em festivais de cinema. Nesta história da separação da Península Ibérica do território europeu, rumo aos Açores, uma vez mais surge um elenco internacional, onde se encontram os portugueses Diogo Infante e Ana Padrão.
José SaramagoA mais recente adaptação de uma obra de Saramago ao Cinema ainda está por estrear e baseia-se num conto publicado pelo Nobel em 1978 na colectânea «Objecto Quase». Passado durante uma crise petrolífera, o filme é assinado pelo português António Ferreira («Esquece Tudo o que te Disse») e conta a história do inventor de um digitalizador de pés que perde a oportunidade de comercializar a sua tecnologia por não ter gasolina no carro. Esta obra tem estreia prevista para os próximos meses.
Por fim, há ainda uma curta-metragem de animação feita em 2006 pelo galego Juan Pablo Etcheverry, «A Maior Flor do Mundo», onde o próprio José Saramago é uma das personagens que conta a ideia de um livro infantil, contando uma história de um rapaz que fez nascer a maior flor do mundo.
Todos estes filmes são um exemplo de que a obra de Saramago continua para além dos livros, chegando a outras artes. Para recordar o Homem fica esta última curta-metragem.

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«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
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Uma das surpresas da última edição dos Óscares foi a atribuição da estatueta dourada para o melhor filme estrangeiro à fita «O Segredo dos Seus Olhos», do argentino Juan José Campanella, em detrimento dos favoritos «O Laço Branco», de Michael Haneke, e «O Profeta», de Jacques Audiard.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO filme chegou recentemente às salas portuguesas e é uma das provas que o cinema da Argentina tem vindo a subir de qualidade ao longo dos últimos anos. O próprio Juan José Campanella já tinha visto um dos seus filmes anteriores, «O Filho da Noiva», ser reconhecido com uma nomeação aos Óscares em 2001. Esta nomeação abriu-lhe as portas nos EUA, onde nos últimos anos tem realizado episódios para diversas séries de televisão, incluindo o primeiro episódio de «30 Rock» e inúmeros episódios de «Dr. House» e «Lei e Ordem». Talvez por isso não tenha sido tão estranha a vitória nos Óscares, contra dois dos melhores filmes europeus mais recentes, que eram vistos como os grandes favoritos.
El secreto de sus ojosMas além da presença em território norte-americano, o tom mais acessível da história de «O Segredo dos Seus Olhos» poderá ter sido o factor fundamental na ponderação dos membros da Academia. Passado num período actual, o filme de Campanella conta a história de um antigo procurador, que durante a sua reforma pretende começar a escrever um livro sobre um caso que nunca chegou a ser resolvido pelas autoridades. Para tal pede ajuda a uma ex-colega, por quem se tinha apaixonado no passado, e vão recuperar o tempo perdido.
É este regresso ao passado que é retratado em «O Segredo dos Seus Olhos», com uma dupla investigação que decorre nos dias de hoje e ao mesmo tempo nos leva a recuar mais de 20 anos para o período dos anos da ditadura argentina. O ambiente no passado é um dos que dá mais força ao filme, que tem o defeito de se alongar demasiado e perde o vigor nos minutos finais.
Mas apesar de ser um bom filme, uns bons furos acima da média do que tem estreado, «O Segredo dos Seus Olhos» não supera os seus rivais nos Óscares, que mereciam ter levado a estatueta para casa.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Marco Bellocchio é um dos cineastas italianos mais velhos em actividade, mas pouco estreado por cá. A sua mais recente obra conta um episódio da História italiana que apenas foi conhecido recentemente: a suposta primeira esposa de Benito Mussolini que o ditador escondeu durante anos.

Pedro Miguel Fernandes - Série BBellocchio faz parte da mesma geração de Bernardo Bertolucci, que foi seu colega na escola de Cinema nos anos 1960, e conta com uma filmografia de mais de 30 títulos no currículo. O mais recente é «Vencer», a trágica história de Ida Dalser, uma mulher que afirmou até à sua morte ser a primeira esposa de Mussolini e a mãe do primogénito do ditador italiano.
Iniciando como uma história de amor, com Ida completamente apaixonada por Benito, cedo nos apercebemos que aquele amor não vai acabar bem. E os problemas aumentam assim que o antigo sindicalista chega ao poder e já com uma outra mulher, mais à imagem do ideal fascista, acaba por desprezar a sua antiga esposa.
Vencer«Vencer» centra-se sobretudo na figura de Ida Dalser, uma excelente interpretação de Giovanna Mezzogiorno, e nos seus esforços para convencer os que a rodeiam de quem verdadeiramente é, assim como quem é o seu filho. Ambos acabam por ir parar a um manicómio, depois de fazerem vários desafios públicos e não acatarem a decisão de esquecerem a sua ligação a Mussolini.
Paralelamente, esta obra dá-nos a ver a História de Itália no início do conturbado século XX, ao acompanhar o percurso de Mussolini: vemo-lo em acções sindicalistas, a defender a entrada de Itália na I Grande Guerra e a combater no conflito, a participar numa exposição do Movimento Futurista e a sua chegada ao poder. Neste último caso Bellocchio optou por recorrer a imagens de arquivo de alguns dos discursos do ditador, para reforçar o poder da imagem naquela época.
Há quem diga que este retrato poderia ser aplicado ao actual primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, que também utilizou os Media para chegar ao poder, mas o realizador em várias entrevistas já o negou. Contudo há aspectos que coincidem entre ambas as personalidades. Mas «Vencer» é também uma bela homenagem a uma personagem esquecida da História.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Dennis Hopper morreu no passado fim-de-semana, depois de uma vida de 74 anos cheia de excessos que nos trouxe algumas personagens memoráveis e uma obra-prima: «Easy Rider.»

Pedro Miguel Fernandes - Série BA estreia de Dennis Hopper no cinema deu-se em 1955 com um papel no clássico «Fúria de Viver», de Nicholas Ray, um dos poucos filmes protagonizados por James Dean, outro mito de Hollywood que foi considerado como um exemplo por Hopper. Um ano mais tarde ambos iriam participar em «O Gigante», que seria a última aparição de James Dean no Cinema.
Mas foi praticamente só em 1969, quando realiza «Easy Rider», que Hopper coloca o seu nome entre os grandes do Cinema. Até chegar à cadeira de realizador, passou por inúmeros papéis em séries de televisão, entre as quais «A Quinta Dimensão» ou «Bonanza», e em westerns onde interpretou maioritariamente papéis de vilão.
1969 foi sem dúvida um ano de grande mudança para o actor, ao realizar e protagonizar, ao lado de Jack Nicholson e Peter Fonda, «Easy Rider», filme que é considerado com «Bonnie e Clyde» de Arthur Penn um dos responsáveis pelo surgimento de uma nova era no cinema norte-americano, quando os jovens realizadores tomam conta dos estúdios nos anos de 1970. Já neste filme o motard rebelde Billy é uma das muitas personagens icónicas que Dennis Hopper vai protagonizar ao longo da sua carreira de mais de seis décadas.
Dennis HopperDe entre as personagens que deu vida, algumas ficaram mesmo na memória de muitos amantes da Sétima Arte: desde o fotojornalista que segue o temível Coronel Kurtz (interpretado por Marlon Brando) até aos confins do Vietname em «Apocalipse Now» ao demente Frank Booth de «Veludo Azul».
Depois do sucesso de «Easy Rider» e de uma segunda realização falhada, «The Last Movie», Dennis Hopper é apanhado no meio de uma espiral de álcool e droga que quase lhe desfaz a vida. É durante essa época que entra em «Apocalipse Now», mas curiosamente quando interpreta o papel Frank Booth, um criminoso com tendências psicopatas e completamente maníaco, os vícios já estariam de parte.
Apesar da sua idade avançada Dennis Hopper continuava bastante activo nos últimos anos, tendo estado em destaque na série de TV «Crash», baseada no filme homónimo de Paul Haggis, e mesmo em «24». Um dos últimos papeis onde apareceu foi em «Elegia», filme realizado pela espanhola Isabel Coixet.
Dennis Hopper faleceu no passado sábado, 29 de Maio de 2010, vítima de cancro da próstata.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«Tobacco Road» foi um dos filmes realizados por John Ford que aborda o tema da Grande Depressão nos Estados Unidos da América dos anos 1930.

Pedro Miguel Fernandes - Série BBaseado numa obra de Erskine Caldwell «Tobacco Road» é um olhar do período da Grande Depressão que assolou os EUA durante a década de 1930 por John Ford, que já em 1940 tinha realizado sobre o mesmo tema uma das suas obras-primas: «As Vinhas da Ira», adaptação do livro homónimo de John Steinbeck. O sucesso deste último, que deu a Ford o seu segundo Óscar de Melhor Realizador, acabou por ofuscar o seu sucessor estreado em 1941, que ficou um tanto esquecido. Mas não deixa de ser um grande filme realizado por um dos nomes que é uma das figuras mais marcantes do cinema clássico norte-americano.
Ao contrário de «As Vinhas da Ira», que conta a história de uma família que atravessa os EUA à procura de trabalho para ultrapassar as dificuldades daqueles tempos difíceis, o cenário de «Tobacco Road» é praticamente apenas a estrada que dá nome ao título do filme. É em «Tobacco Road» que vive uma família que anteriormente trabalhava as terras e está em risco de perder tudo quando os donos dessas terras têm de as entregar ao banco para pagar dívidas. O filme retrata assim os tempos difíceis daquela época do ponto de vista de quem perde o sustento indirectamente, dado que as terras que lhes davam o sustento não eram suas.
Tobacco RoadE o retrato é deveras trágico, tal como já acontecia em «As Vinhas da Ira». A família tenta a todo o custo resistir mas é difícil e ao longo do filme acaba por se ir desagregando: o casal acaba por desistir, apesar das diversas tentativas que faz para tentar arranjar o dinheiro para pagar ao banco, e pelo caminho perde os filhos e a avó, o elemento mais velho da família que desaparece sem deixar rasto.
Mas a realidade é que a família também não faz muito para resolver os seus problemas, procura sempre estrategemas para dar a volta pelo caminho mais curto. E aqui surge outra das grandes mensagens de Ford: apesar das dificuldades, as personagens estão sempre à espera que tudo se resolva por si. Não é à toa que o final é quase um final feliz, quando o dono das terras consegue arranjar dinheiro para ajudar a família. Para pouco depois o patriarca, agora já sozinho com a sua mulher, dizer que fica para amanhã a resolução dos problemas. Só que fica bem patente que esse amanhã não virá e aquela família nunca recuperará.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Sam Mendes, um realizador luso-britânico vindo do mundo do teatro britânico, é um dos cineastas de Hollywood que consegue atrair ao mesmo tempo o grande público, culpa do Óscar atribuído a «Beleza Americana», a sua estreia atrás das câmaras, e ao cinéfilo mais exigente.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO seu mais recente filme é «Um Lugar Para Viver», a história de um jovem casal, na casa dos 30, sem grandes expectativas de futuro, que se vê a braços com uma gravidez inesperada. O que Sam Mendes nos mostra é o percurso deste par, um aluado Burt Farlander (John Krasinski) e a sua amada com os pés mais assentes na terra Verona De Tessant (Maya Rudolph) – à procura de um rumo para as suas vidas.
Esta busca passa por diversas etapas que correspondem a lugares que o casal percorre para tentar identificar o seu lugar para viver.
Um lugar para viver - Sam MendesPelo caminho vão tendo conversas e vivem alguns dias com amigos e familiares mais ou menos estabelecidos na vida, que lhes dão uma imagem do que eles podem vir a ser. Sempre num tom de comédia agridoce, a lembrar algum cinema independente norte-americano.
Com uma excelente banda sonora, a cargo de Alexi Murdoch, nome que não conhecia e foi uma agradável surpresa ficar a conhecer, Sam Mendes consegue com este simpático filme ao cinema mais simples, apostando em actores pouco conhecidos do cinema. Tirando Jeff Daniels e Catherine O’Hara, que interpretam os pais de Burt, e Maggie Gyllhenhaal, são poucas as caras conhecidas. O próprio par protagonista é desempenhado por duas figuras que vêm da televisão dos EUA: ele é uma das caras da versão norte-americana do «The Office» e ela é proveniente da fábrica «Saturday Night Live».
E é também curioso ver que estamos perante um filme bastante actual, à semelhança do que já se podia constatar com «Nas Nuvens», de Jason Reitman. O que este casal atravessa e as questões que enfrentam devem passar pelas cabeças de inúmeros casais dos dias de hoje. O que só prova que Hollywood está a acompanhar o que se passa na actualidade e talvez daqui a muitos anos, com o passar do tempo, este seja um daqueles filmes que é capaz de representar uma época.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Se há filmes que podem ser considerados uma experiência, «Líbano» de Samuel Maoz é um deles. A estreia do documentarista na área da ficção é uma experiência sufocante em 92 minutos a bordo dum tanque de guerra israelita.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Líbano» é um filme brutal e claustrofóbico, que consegue a proeza de colocar literalmente o espectador dentro da acção e sentir o que sentem as personagens. O cenário de «Líbano» é apenas um: um tanque de guerra de uma unidade de jovens israelitas que é chamada a participar numa missão durante o início da primeira guerra do Líbano, em Junho de 1982. Durante pouco mais de hora e meia de filme acompanhamos os quatro soldados na sua missão e ponto de vista é precisamente o deles. Para além do que vemos dentro do tanque, todas as cenas passadas fora do tanque são vistas através da mira. E se o que se vê dentro da máquina de guerra não é agradável, ‘lá fora’ não é melhor. Todas as espécies de atrocidades de uma guerra são vistas pelos jovens, que começam a entrar em paranóia e perdem o controlo da situação.
LibanoO ambiente claustrofóbico e paranóico vem ao de cima quando a unidade se apercebe que a missão está perdida e ninguém sabe aonde estão. E sendo o único contacto com o exterior um superior que aparenta não ser muito simpático, os jovens não se sentem muito confortáveis na situação e as dúvidas surgem. «Líbano» é um daqueles filmes que nos deixa sem respirar durante algum tempo na sala de cinema, quase uma experiência semelhante à que está a ocorrer com os jovens soldados.
Apesar deste sufoco permanente, as imagens mais fortes do filme estão no campo de girassóis que surge no início e no final de «Líbano», quando tudo acalma. Mas ao mesmo tempo dá que pensar: o que será do futuro destes quatro jovens que durante poucos dias viram o inferno e escaparam para o mundo ‘normal’? À semelhança do brilhante «Valsa com Bashir», de Ari Folman, que retrata o mesmo conflito, esta obra é mais uma de uma vaga de cineastas de Israel que está a filmar o passado do país e os seus ‘pesadelos’ em forma de guerra.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Não era suposto falar do festival IndieLisboa, mas acabei por não resistir. A «culpa» é de Heddy Honigmann, uma das realizadoras homenageadas no festival e que descobri em dois filmes, cada um representando uma reflexão diferente sobre a vida.

Pedro Miguel Fernandes - Série BNascida no Peru e filha de judeus que fugiram da Europa durante a II Grande Guerra, Heddy Honigmann é uma cineasta com obra feita na área do documentário, mas cujos filmes são pouco conhecidos por cá. O festival lisboeta resolveu este ano suprimir esta lacuna e está a mostrar uma retrospectiva integral da sua carreira, iniciada em 1979 um ano após ter imigrado para Amesterdão para estudar Cinema. Desde então assentou arraiais na Holanda, tornando-se mesmo cidadã do país alguns anos mais tarde.
Depois de algumas experiências na área da ficção, Heddy Honigmann resolveu apostar no documentário. E os seus documentários são obras bastante originais e algo diferentes do que é normal neste tipo de filmes. A começar pela falta de voz off e acabar nas reflexões sobre a vida feitas pelas pessoas que falam para a câmara da cineasta.
Dois dos filmes que tive a oportunidade são muito belos. O primeiro foi filmado em 2007 e chama-se «Forever» (Para Sempre, em português). Neste filme Heddy Honigmann aborda a forma como a arte influencia a vida das pessoas. Para tal foi ao cemitério de Père-Lachaise, em Paris, onde estão sepultados grandes nomes da cultura mundial, desde Chopin a Proust, passando por Jim Morrison, o vocalista dos Doors. Foi neste cenário que entrevistou não só fãs dos mortos mais célebres, como uma jovem pianista que visita a campa de Chopin e toca as suas músicas em homenagem ao pai falecido recentemente, mas também as pessoas que visitam os seus familiares. O truque de Heddy Honigmann é precisamente deixar os seus entrevistados falar sem interromper. O resultado são belas reflexões sobre a vida.
Heddy Honigmann - Indie Lisboa 2010Um outro exemplo das obras de Heddy Honigmann é «Metal and Melancholy» (Metal e Melancolia), um regresso da cineasta em 1993 ao seu Peru natal para filmar os taxistas de Lima, a capital do país numa altura em que atravessava uma grave crise económica, que tinha deixado o país praticamente na miséria. A ideia de ter resolvido entrevistar os taxistas, que talvez sejam um dos grupos profissionais que melhor conseguem contar as histórias das cidades, deve-se ao simples facto de na altura muitos dos habitantes de Lima serem taxistas em part time, como resultado das dificuldades que atravessavam. Desde polícias a actores, médicos e funcionários governamentais, todos utilizavam o seu automóvel pessoal para ajudar a aumentar o orçamento. É um filme que dá muito que pensar, sobretudo numa altura em que os problemas económicos estão na ordem do dia. Mesmo assim, no meio de algumas histórias mais complicadas, sempre aparecem pessoas que afirmam não ter medo de morrer, porque «já estiveram do outro lado», ou que se lembram de uma história de amor passada há muitos anos.
Dois exemplos de belos filmes, que são ao mesmo tempo simples e falam da vida como ela é vivida, pelos mais comuns de nós.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«Um Sonho Possível» era um dos filmes surpresa dos Óscares e muitos ficaram de boca aberta como um drama protagonizado por Sandra Bullock lá tinha ido parar. A verdade é que, não sendo um grande filme, foi uma agradável surpresa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BRealizado por John Lee Hancock, um nome praticamente desconhecido, «Um Sonho Possível» conta a história baseada em factos verídicos de Michael Oher, um jovem negro com problemas sociais que foi adoptado por uma família branca da classe média-alta do Mississipi e que acaba por se tornar um excelente jogador de futebol americano. É assim uma história tipicamente pertencente ao universo dos EUA, daí talvez tenha sido por isso que caiu nas boas graças da Academia.
Mas não é só o facto de apelar aos sentimentos da Academia que faz deste filme uma fita simpática. O grande truque deste filme está na forma simples como conta uma história com contornos complexos.
Um sonho possívelTemos um jovem com problemas de aprendizagem que vive num bairro problemático e cuja mãe tem diversos problemas com drogas, uma família cristã do Sul dos EUA que prova o seu amor pelos mais necessitados ao dar abrigo a quem precisa – as cenas em que a personagem de Sandra Bullock conta às amigas porque ajuda o jovem dão-nos uma boa imagem de um certo tipo de pessoas que parecem viver num mundo à parte – e inclusive do desporto escolar e universitário norte-americano.
Ou seja, este «Um Sonho Possível» tinha tudo para ser um daqueles filmes que passam despercebidos, mas uma história de um coitadinho semelhante a «Precious», outro dos nomeados a Melhor Filme. Mas John Lee Hancock deu-lhe a volta e assina um daqueles filmes que nos deixam com um sorriso nos lábios quando saímos da sala de cinema e a acreditar que ainda há histórias com final feliz e quem queira contá-las.

Começa hoje mais uma edição do Indie Lisboa, o Festival de Cinema Independente de Lisboa. Numa das minhas primeiras crónicas falei no meu ‘amor’ por este evento. Este ano não o vou abordar, apenas queria deixar uma nota para uma sessão em particular. O filme chama-se «Há Tourada Na Aldeia» e é um documentário realizado por Pedro Sena Nunes sobre as capeias arraianas e tem como Media Partner o «Blogue Capeia Arraiana». Passa no dia 30 de Abril na Culturgest, às 19 horas.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A propósito da estreia da mini série em 10 episódios «The Pacific», que retrata a II Grande Guerra na região do Pacífico, reparei que aquele que foi um dos conflitos mais importantes do século XX tem sido presença frequente na filmografia de Steven Spielberg.

Pedro Miguel Fernandes - Série BA série que por estes dias passa nos EUA e por cá pode ser vista no canal de cabo AXN tem como produtor executivo o realizador de ET e da saga Indiana Jones. Uma vez mais Spielberg juntou-se a Tom Hanks para produzir uma série sobre o conflito, depois de em 2001 terem apresentado «Irmãos de Armas», que contava a história de um grupo de soldados norte-americanos na frente europeia da II Guerra Mundial, desde o treino militar até à rendição das tropas de Hitler. Quase dez anos depois o projecto é semelhante, mas o cenário é diferente: o conflito que opôs os EUA às tropas do império japonês.
A união destes dois grandes nomes de Hollywood em torno do conflito vem contudo de trás, mais precisamente de 1998, quando Spielberg realiza um dos grandes filmes de guerra do final do século passado: «O Resgate do Soldado Ryan», fita que valeu o Óscar de Melhor Realizador ao cineasta. Foi a partir deste filme que surgiram os dois projectos para televisão.
Mas a câmara de Steven Spielberg desde cedo se voltou para a II Grande Guerra. O primeiro filme onde o conflito está presente sob a perspectiva do cineasta foi filmado em 1979 e foi considerado um fiasco na altura. Trata-se de «1941 – Ano Louco em Hollywood» e é um dos mais estranhos filmes da obra do realizador, que conta de forma cómica uma invasão fictícia dos japoneses à Los Angeles dos anos 1940. O filme contava com um elenco de grandes figuras da altura, entre os quais despontava John Belushi, mas não deixou de ser um flop.
Steven Spielberg - The PacificO filme seguinte é também um regresso ao universo da II Guerra Mundial e marca o nascer de uma das míticas personagens da Sétima Arte, Indiana Jones. Neste primeiro capítulo da saga, «Os Salteadores da Arca Perdida», o arqueólogo interpretado por Harrison Ford tem de enfrentar os nazis para salvar a Arca da Aliança. Mais tarde, em 1989, a personagem iria ser recuperada para defrontar os agentes de Hitler no terceiro episódio da série, «A Última Cruzada», desta vez com a ajuda do pai.
Pelo meio mais um filme passado durante a II Grande Guerra. Foi em 1987 que Spielberg estreou «Império do Sol», a adaptação de um livro escrito por J. G. Ballard e que apresentou ao mundo um rapaz que se tornou um dos melhores actores da actualidade: Christian Bale. Desta feita o conflito é visto no lado do Oriente, dado que a história foca a invasão da China por parte do exército japonês. A personagem de Christian Bale é o filho de um casal da classe média que acaba perdido dos pais e vai parar a um campo de concentração enquanto aguarda o fim da guerra.
Em 1993 é a vez de Spielberg voltar à Europa e apresentar mais um dos seus grandes filmes. «A Lista de Schindler» relata a história verídica de um empresário alemão, com simpatias pelo Partido Nacional Socialista, que tenta salvar alguns judeus do extermínio do Holocausto. Filmado a preto e branco, valeu o Óscar de Melhor Filme ao realizador.
Numa carreira com mais de 35 anos, sem contar com os projectos de início de carreira para televisão, Spielberg assinou um total de 24 filmes, 6 filmes ambientados na II Guerra. Sem contar com as duas mini séries e alguns projectos na área dos videojogos onde participou de qualquer forma, este conflito sempre esteve presente na sua obra. «The Pacific» é a sua mais recente aventura.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Já aqui falei da versão de Alice no País das Maravilhas assinada por Tim Burton, filme que me desiludiu de certa forma. Pelo contrário o mais recente filme de Terry Gilliam, também passado num universo fantástico, foi uma grande surpresa.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Parnassus – O Homem Que Queria Enganar o Diabo», assim se chama a última realização de Terry Gilliam, o Monty Python americano, que ficará também para a História como o último filme do malogrado actor Heath Ledger, falecido precocemente em 2008, quando tinha apenas 28 anos e uma promissora carreira pela frente. Mas o actor australiano não é o Parnassus que dá título ao filme. Parnassus, interpretado por Christopher Plummer, é um monge que para conquistar a imortalidade faz uma aposta com o Diabo. E que diabo: o cantor Tom Waits num papel que parece mesmo ter sido feito à sua medida. Mas as reviravoltas do destino levam o monge a voltar a ser mortal e acaba por fazer uma troca com o demónio: a sua filha passa a ser do Diabo quando fizer 16 anos.
ParnassusA acção passa-se assim nas vésperas do aniversário da jovem, quando Parnassus, já bastante velho, tenta dar a volta ao destino. A solução é proposta pelo próprio Diabo, que lhe apresenta uma nova aposta: o primeiro a conseguir cativar cinco almas fica com a rapariga. É aqui que os mundos e universos mágicos ganham vida, pois para conquistar as tais almas Parnassus tem um espectáculo circense com um estranho espelho que mais não é do que um portal para a imaginação da assistência. Quem passar pelo portal vê o que gostaria de ver. Quando o tempo está prestes a esgotar-se entra em cena a personagem de Heath Ledger, que vai ajudar o herói a tentar enganar o Diabo. Se consegue ou não, não o direi, o desfecho fica para quem o vir.
De realçar que este filme esteve em risco de nunca ver a luz do dia. Tudo porque a morte inesperada de um dos actores principais veio intrometer-se nos planos de Gilliam durante boa parte das filmagens. Solução: recorrer a duplos completamente diferentes de Ledger, mas cuja fisionomia passa bem pelo argumento, pois estes só entram em cena quando a personagem passa pelo portal. E aqui o realizador teve um golpe de sorte, ao ter a ajuda de três amigos de Ledger para interpretar a sua versão para lá do espelho: Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. Daí no final do filme esta aventura ser dedicada a Heath Ledger e a um dos produtores que faleceu antes da estreia e vir assinado como sendo feito pelos amigos do actor.
Um universo bastante recomendável.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Se fosse vivo Akira Kurosawa, um dos grandes mestres do cinema japonês e mundial, faria esta semana 100 anos. Ao longo de 50 anos e mais de 30 anos foi um nome bastante influente na Sétima Arte.

Pedro Miguel Fernandes - Série BNascido em Tóquio a 23 de Março de 1910 numa família com oito filhos, sendo ele o mais novo, Akira Kurosawa chega à idade adulta com a ideia de ser pintor, mas a falta de recursos financeiros acabar por afastá-lo deste campo. A influência de uma das irmãs, que era narradora de filmes mudos antes do cinema passar a sonoro, foi fundamental para levar o jovem Akira para o mundo do cinema.
Aos 26 anos um anúncio para assistente de realizador abriu-lhe as portas para a Sétima Arte. Foi em 1943 que se estreou finalmente na cadeira de realizador para filmar «Sugata Sanshiro». Nesta primeira fase da sua carreira, que durou até 1965, Kurosawa assinou 24 filmes, entre os quais os seus filmes mais conhecidos: «O Anjo Bêbedo» (1948), «Os Sete Samurais» (1954), «A Fortaleza Escondida» (1958) e «Yojimbo – O Guarda-Costas» (1961).
«Os Sete Samurais» talvez seja a obra mais popular deste período, muito em parte devido a um remake norte-americano «Os Sete Magníficos», assinado em 1960 por John Sturges que adapta a história da vingança de sete samurais que protegem uma aldeia tiranizada por um grupo de bandidos ao universo do western. Como prova esta obra-prima, o universo dos samurais é uma das suas imagens de marca.
Akira KurosawaDepois de uma primeira grande época, Kurosawa entra em declínio e em 1971 tenta o suicídio, sem sucesso. O período final da sua carreira começa em 1975 com mais uma grande obra, filmada com capitais da ex-União Soviética: «Dersu Uzala: A Águia das Estepes», filmado em grande parte na Sibéria e que relata a história de um explorador que trava amizade com o seu guia mongol. Cinco anos depois outro ponto alto da sua filmografia: «Kagemusha: A Sombra do Samurai», um filme que contou com produção de Francis Ford Coppola e George Lucas, dois dos grandes responsáveis pelo reconhecimento internacional do cineasta.
Em 1985 o mestre japonês realiza aquele que considerou ser o seu melhor filme: «Ran – Os Senhores da Guerra», uma excelente adaptação da peça de teatro «Rei Lear» de William Shakespeare ao Japão feudal. Depois desse ano Kurosawa assina mais três filmes: «Sonhos» (1990), «Rapsódia em Agosto» (1991) e «Ainda Não» (1993).
Akira Kurosawa faleceu a 6 de Setembro de 1998 na localidade de Setagaya, perto de Tóquio, vítima de um enfarte. Com 88 anos, deixou um dos mais importantes legados do cinema asiático e do mundo.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A adaptação de Tim Burton do clássico da literatura infantil escrito por Lewis Carroll, «Alice no País das Maravilhas», é um filme diferente para os padrões do realizador, mais colorido do que é habitual.

Alice no País das Maravilhas - Tim Burton

Pedro Miguel Fernandes - Série BFilmado em 3D, técnica que parece estar na moda, apesar de neste caso me parecer ter sido mal utilizada, a nova versão de «Alice no País das Maravilhas» é um típico filme da Disney, dirigido a um público mais familiar. Há até quem o considere uma encomenda que Tim Burton terá feito para os míticos estúdios criados por Walt Disney. Este factor poderá afastar os fãs de Burton, um dos realizadores contemporâneos que tem uma marca muito própria, com filmes ambientados em universos negros e a piscar o olho ao imaginário do gótico.
Mas desta vez o negro ficou de fora, apesar de a história não ser das mais alegres para os parâmetros da literatura infantil. Quem for à espera de ver algo semelhante ao anterior «Sweeney Todd» ou mesmo «Eduardo Mãos de Tesoura» sai defraudado. A Alice de Burton é muito colorida, chegando mesmo a ser um pouco exagerado.
Em comum com o universo de Burton apenas temos a banda sonora, uma vez mais a cargo de Danny Elfman, e os actores Johnny Depp e Helena Bonham Carter, ambos irreconhecíveis: Depp transfigura-se no Chapeleiro Louco e Carter, esposa de Burton, interpreta a vilã Rainha Vermelha, com uma enorme cabeça. Um dos pontos fortes desta Alice, que pouco tem a ver com a versão animada clássica, é a descoberta de Mia Wasikowska, uma jovem actriz que encarna a protagonista na perfeição e leva praticamente o filme às costas.
E não nos podemos esquecer que esta adaptação é demasiado livre face ao original. Em vez de uma Alice que adormece por estar entediada com a irmã, o filme conta a história de uma adolescente que foge de um casamento preparado e acabar por cair na célebre toca do coelho. Até uma batalha final para salvar o País das Maravilhas parece enfiada a martelo.
Sem querer Tim Burton acaba por realizar um filme que acabará por ser um clássico para devorar a um domingo à tarde. Aos fãs do cineasta gótico resta esperar pela sua próxima aventura.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Aproxima-se a cerimónia mais aguardado do ano para os lados de Hollywood. Este ano são 10 os filmes que concorrem à estatueta de «Melhor Filme do Ano», numa lista sempre muito subjectiva.

Pedro Miguel Fernandes - Série BÉ já no próximo Domingo que os cinéfilos se vão ficar a saber qual a fita que a Academia considera ser a melhor do ano. Na linha da frente como favoritos estão «Avatar», o mega sucesso de James Cameron, e «Estado de Guerra», de Kathryn Bigellow, cada um com nove nomeações. Se o épico espacial de James Cameron já era esperado na lista, e muitos acreditam que será o grande vencedor da noite, a presença de «Estado de Guerra», filme que já abordei aqui, é uma surpresa. Em particular por abordar um tema complexo: a história de um grupo de soldados especialistas em minas e armadilhas no Iraque.
Na lista há outras surpresas, como um outro filme de ficção científica, «Distrito 9», uma fita produzida por Peter Jackson (realizador da trilogia «O Senhor dos Anéis») que foca a presença de uma raça extraterrestre na África do Sul que acaba fechada num ghetto, espelhando o período do apartheid no país. Outra surpresa na lista dos nomeados a melhor filme é «Uma Outra Educação», uma produção britânica da realizadora dinamarquesa Lone Scherfig que nos conta numa história simples, algo comum aos seus filmes, o primeiro amor de uma adolescente por um homem mais velho que não é o que parece.
Mais habituados a estas andanças são os filmes «Sacanas Sem Lei» (Quentin Tarantino), «Um Homem Sério» (Joel e Ethan Coen), «Up – Altamente» (Pete Docter e Bob Peterson) e «Nas Nuvens» (Jason Reitman). O primeiro é de um dos enfants terribles de Hollywood, o autor de «Pulp Fiction» e «Cães Danados», que tenta finalmente o Óscar com uma excelente homenagem ao estilo Western Spaghetti, mas passando este universo para a II Guerra Mundial.
«Um Homem Sério», dos irmãos Coen, dupla que conquistou o galardão há dois anos com «Este País Não é Para Velhos», não é um filme fácil de gostar e a sua presença na lista também é de certa forma surpreendente, pois esta fita é de um humor negríssimo e passa-se no universo judeu e conservador. Não acredito que caia nas boas graças da Academia.
Oscares de Hollywood«Up – Altamente» é o último filme da fábrica de animação digital Pixar e também ele uma homenagem a um estilo de cinema clássico: o cinema de aventuras dos anos 1940/1950. Jason Reitman, com a sua terceira obra «Nas Nuvens» (a segunda que consegue colocar na lista de candidatos a melhor filme do ano após «Juno») consegue uma vez mais atrair as atenções de Hollywood, tornando-se um dos mais promissores realizadores desta geração. Se conquistasse o Óscar era uma prova de que a Academia dá valor aos mais novos.
Por fim a lista termina com dois filmes: «Precious» (Lee Daniels) e «The Blind Side» (John Lee Hancock). O primeiro tem sido um dos filmes mais falados do ano, mas na minha opinião a sua popularidade resulta mais do efeito Oprah Winfrey (a popular apresentadora é uma das produtoras do filme) do que do mérito desta história de uma rapariga negra obesa que sofre graves abusos em casa. O segundo é para mim desconhecido, pois ainda não estreou por cá e segundo consta apenas deverá estrear a 25 de Março, quando a febre dos Óscares passar.
Concluindo: a lista deste ano tem filmes para todos os gostos. Palpites são difíceis de fazer, pois o efeito surpresa reina neste tipo de eventos. Se por um lado «Avatar» e «Estado de Guerra» partem como favoritos, há obras que poderão vir a baralhar as previsões. E aqui falo sobretudo de «Sacanas Sem Lei», «Up – Altamente», «Nas Nuvens» e «Precious». Os restantes já se podem dar satisfeitos pela nomeação.
E se fosse eu a votar? Apesar de na minha lista dos melhores do ano passado ter colocado a animação da Pixar à frente de «Sacanas Sem Lei», abria uma excepção e entregava o Óscar. Não só premiava um dos meus realizadores favoritos como distinguia um dos poucos autores que ainda vão surgindo no Cinema, que consegue sempre fazer obras muito originais a partir de géneros clássicos. É um verdadeiro amante da Sétima Arte.
Domingo se saberá quem será o grande vencedor.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Eric Cantona foi um dos jogadores que fez história no futebol britânico dos anos 1990 ao serviço do Manchester United. Tão depressa fazia passes e golos brilhantes como agredia adversários ou até o público. O francês está no centro da última obra de Ken Loach.

Pedro Miguel Fernandes - Série BE a escolha não podia ser melhor para «O Meu Amigo Eric», o mais recente filme de Ken Loach, um realizador britânico habituado a filmar a classe trabalhadora do Reino Unido e os seus problemas do dia-a-dia. Este filme conta a história do carteiro Eric, um homem na casa dos 50 que atravessa um período complicado da sua vida, com o regresso de fantasmas do passado, que surgem quando tem de voltar a ver a mãe da sua filha, o amor da sua vida que abandonou quando a bebé nasceu.
É precisamente o craque francês que serve de inspiração ao carteiro Eric, aparecendo qual génio da lâmpada enquanto o protagonista fuma substâncias ilícitas. A partir desse momento o carteiro ganha um novo melhor amigo na figura de Eric Cantona. E é o jogador que o vai ajudar a ultrapassar o mau momento, dando-lhe dicas sobre o que fazer em determinadas circunstâncias. Sempre utilizando frases feitas em francês, que deixam o carteiro Eric bastante confuso.
Cantona - Dos Relvados para o CinemaÉ assim num registo cómico que Ken Loach retrata alguns aspectos bastante sérios e actuais. Tirando o caso amoroso, que é um pouco universal (no fundo o romance entre Eric e a sua amada é como todas as histórias de amor), o filme aborda a questão da gravidez adolescente com a filha do protagonista que tem um bebé nos braços e tem de acabar a escola e os problemas de delinquência juvenil representados nos filhos de uma ex-companheira que acabaram por ser abandonados em casa de Eric e pouco fazem a não ser passar o tempo em casa a ver pornografia ou a provocar desacatos nas ruas. Estes problemas acabam com um episódio que envolve uma arma escondida em casa de Eric e mostra um certo abuso de autoridade quando alguém conta à polícia o que está escondido no lar do carteiro. O que vemos nessa cena é uma rusga em que ninguém escapa e quase que parece que a polícia quer deitar a casa abaixo, sendo uma denúncia de Ken Loach contra os poderes que as autoridades têm ganho nos últimos tempos sob a desculpa do terrorismo.
Por fim, para quem gosta de futebol e delirou com as jogadas de Eric Cantona nos anos 1990, como é o meu caso, «O Meu Amigo Eric» faz-nos recordar alguns dos mais geniais lances do futebolista. Também na vertente futebolística Ken Loach alerta para uma realidade que tem vindo a transformar o futebol numa cultura de elite, quando antes tinha sido um desporto para as massas. São disso exemplo os adeptos do Manchester United que para protestarem contra a venda do clube a um magnata norte-americano resolveram criar um novo clube. Para quem se interessar sobre esta temática aconselho um excelente livro de crónicas escrito por Nick Hornby («A Febre no Estádio») que reúne um conjunto de textos autobiográficos que contam a sua relação com o seu clube, o Arsenal, e os momentos mais marcantes da sua vida.
Quanto ao filme «O Meu Amigo Eric», é mais um retrato bem conseguido da classe trabalhadora britânica, filmado através da câmara de Ken Loach.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Woody Allen regressou a Nova Iorque e trouxe consigo Larry David, da série de televisão «Calma Larry». «Tudo Pode Dar Certo» é não só um regresso à sua cidade de sempre, mas também um regresso às boas comédias do nova-iorquino neurótico.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO mais recente filme de Woody Allen faz-nos lembrar as suas comédias dos anos 1970, período que muitos consideram ser o melhor do realizador. A única diferença é que a interpretação não é de Allen, mas de Larry David, produtor executivo da série Seinfeld e protagonista de «Calma Larry». Mas o papel não fica por mãos alheias. Apesar das enormes diferenças físicas entre os dois, quando vemos Boris, a personagem principal, não há que enganar: estamos perante um Woody Allen à moda antiga.
E quem é Boris. Boris é um antigo nomeado para o prémio Nobel para a Física com um certo ódio de estimação pela Humanidade (para ele, toda a gente deveria enviar os filhos para um campo de concentração durante pelo menos duas semanas para lhes mostrar o que é a humanidade) que se apaixona por uma jovem que foge da sua casa no Sul dos EUA, mais concretamente do estado do Mississipi, e acaba à porta do prédio de Boris.
Tudo pode dar certoE é assim que o pouco humano Boris começa a ganhar um pouco de coração, mas não muito pois continua a disparar em todas as direcções: dos miúdos a quem ensina a jogar xadrez, aos seus amigos, passando pelos pais da sua jovem esposa, todos levam com as palavras ácidas do nova-iorquino.
Para quem gosta de se rir com coisas sérias, este filme é o indicado. Mesmo assim, «Tudo Pode Acontecer» não é recomendado às mentes mais sensíveis, pois as opiniões de Boris não são fáceis de engolir.
E depois de Londres e Barcelona, ver Woody Allen filmar a cidade que nunca dorme como ninguém sabe é como ver um regresso às origens. Nem o jazz, nos últimos filmes preterido face a estilos de música clássica, falhou a chamada.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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George Clooney como actor e Jason Reitman como realizador, formam uma dupla que tem estado nas graças de Hollywood. Juntos apresentam-nos «Nas Nuvens», um dos sérios candidatos aos Óscares deste ano com seis nomeações.

Pedro Miguel Fernandes - Série BDepois de «Juno», um filme que conseguiu alguma popularidade contando de uma forma original a história de uma adolescente grávida que se depara com o dilema do que fazer ao bebé que traz na barriga, Jason Reitman (filho de Ivan Reitman, outro realizador que fez carreira em Hollywood há anos) aborda mais um tema difícil sem cair na tragédia.
up in the air - nas nuvens«Nas Nuvens» centra-se na vida de Ryan Bingham (George Clooney), um advogado cujo trabalho é despedir pessoas que passa a maior parte do ano a voar até à próxima vaga de despedimentos.
Além de focar a questão dos despedimentos, numa altura em que o mundo ainda está a ultrapassar uma crise bastante complicada, o filme de Jason Reitman tem como grande trunfo a interpretação de Clooney e a sua personagem, que sofre um volte-face quando se apaixona por uma mulher que também passa a vida a voar de um lado para o outro. Se antes o advogado não ligava ao que se passava em terra, e isso nota-se na relação que mantém com as irmãs, esta paixão e os dias que passa com uma colega novata que lhe tenta convencer a mudar o método de trabalho com recurso às novas tecnologias, levam-no a aterrar.
Desta forma «Nas Nuvens» é um filme que acaba por ser a história de um homem solitário e a comédia que pensamos estar a ver acabar por ter um sabor agridoce. O facto de concorrer contra «Avatar» nos Óscares, o épico espacial de James Cameron que está a ser visto como a salvação de Hollywood, não lhe deve dar grandes chances de vitória. Mas é pena porque, por vezes, as histórias mais simples são as melhores.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Em 1995 Nelson Mandela, recentemente eleito presidente da África do Sul, resolveu aproveitar a realização do mundial de rugby no país para aproximar as populações branca e negra, num período conturbado pós-apartheid. O episódio é recuperado por Clint Eastwood em «Invictus».

Pedro Miguel Fernandes - Série BUma vez mais o realizador norte-americano mostra porque é um dos grandes mestres do cinema actual, pois nos últimos anos tem-nos habituado a grandes fitas. «Invictus» não é excepção, apesar de não ser uma das melhores obras de Clint Eastwood. Para contar este epsiódio foram convocados Morgan Freeman, para interpretar o presidente Nelson Mandela e Matt Damon, que interpreta o capitão da selecção de rugby sul-africana da altura François Pienaar, que tinha uma equipa cujos resultados não eram os melhores e o seu fim esteve à beira de acontecer. Mas a vontade de Mandela foi mais forte e conseguiu incentivar o capitão da selecção a liderar os seus homens às vitórias, que culminaram na conquista do torneio, quando muitos consideravam a passagem aos quartos de final uma possibilidade irrisória.
Invictus - Clint EastwoodParalelamente à história desportiva, «Invictus» conta a relação de amizade entre estes dois homens e a união de um país que tinha saído recentemente de um regime racista, o apartheid. Curiosamente a união do povo é representada através de um desporto para brancos – apenas um negro ingressava na selecção sul-africana na altura e era o mais popular – que anteriormente era mal visto. Tal fica vincado no primeiro jogo que Nelson Mandela assiste, contra Inglaterra, quando o presidente é vaiado e os adeptos negros torcem pelos ingleses.
Outra das imagens que mostra o clima tenso entre as duas raças surge junto dos seguranças. Quando Mandela obriga os seus guarda-costas a aceitarem os agentes do seu antecessor, todos trocam olhares desconfiados. Mas durante a final histórica este clima altera-se e todos acabam a festejar.
Para a história do cinema fica mais uma boa obra assinada por Clint Eastwood, num registo um pouco diferente do que tem sido habitual, daí não ter chegado aos dez finalistas para os Óscares deste ano. Mas a presença dos dois actores entre os nomeados é justa. Na minha opinião, apenas a de Matt Damon é um pouco forçada, pois teria sido mais justo ser reconhecido pela sua prestação em «O Delator». Mas isso são outras histórias.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Corria a década de 1970 quando Bernardo Bertolucci foi convidado pelo Partido Comunista Italiano para fazer um filme sobre a história do país durante a primeira metade do século XX. O resultado foi um épico de mais de cinco horas com Robert De Niro e Gérard Depardieu.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«1900» conta a história de dois amigos nascidos no mesmo dia, um pobre (Depardieu) e um rico (De Niro), com os primeiros 45 anos do século XX italianos como pano de fundo. Este é também o pretexto para o Partido Comunista Italiano mostrar a sua versão daquele período e tal é o que fica registado ao longo das mais de cinco horas do épico de propaganda de Bertolucci. Pegando na história de amizade dos dois rapazes, cada um vindo do seu mundo, vemos em «1900» o que se passou em Itália durante a primeira metade.
1900E o trabalho está bem feito, tirando os exageros que os filmes de propaganda sempre têm. Vemos a queda das aristocracias com a imagem do avô de De Niro, interpretado por Burt Lancaster, a I Guerra Mundial onde os dois jovens combatem, o período dos loucos anos 1920 e a ascensão do fascismo durante os anos 1930 até ao final da II Guerra Mundial. Além da presença destes grandes actores no elenco, a que se pode acrescentar a excelente interpretação de Donald Sutherland como reitor da fazenda liderada pela família de De Niro e membro dos camisas negras de Mussolini, numa das personagens mais sádicas que me lembro de ver, há que ter em conta a banda sonora, que esteve a cargo de Ennio Morricone.
Mas para ver uma visão alternativa da primeira metade do século XX, neste caso do ponto de vista italiano, vale bem a pena aguentar as mais de cinco horas de «1900». Quanto mais não seja em duas sessões, como estreou nas salas de cinema.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Depois de vencer o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, «O Laço Branco» de Michael Haneke prepara-se para ser um dos candidatos a Óscar da mesma categoria. O realizador austríaco assina mais um filme que nos deixa desconfortável.

Pedro Miguel Fernandes - Série BVencedor da Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes, «O Laço Branco» é uma história onde o medo, a moral e a inocência andam lado a lado. A acção tem lugar numa aldeia no norte da Alemanha no período anterior à I Guerra Mundial, um conflito que marcou bastante a História da Europa e segundo vários historiadores o início do século XX, quando misteriosos acontecimentos começam a ocorrer.
É neste clima de pré-conflito que Michael Haneke conta a história de «O Laço Branco» através de um narrador que esteve presente mas não era originário da aldeia. É o Professor (todas as personagens adultas de «O Laço Branco» são designadas pela sua profissão: o professor, o doutor, a parteira, etc.) que relata os misteriosos acontecimentos que começam quando o Doutor tem um acidente.
Das Weisse BandEste caso é o ponto de partida para uma série de ocorrências que permanecem inexplicáveis, pois nem o narrador consegue descobrir para contar, nem os restantes personagens querem admitir o que se passa.
E as suspeitas caem em todos: tanto as crianças com os seus comportamentos inocentes como os adultos com pecados escondidos. E a juntar a isto surge a moral imposta pelos adultos, muitas vezes sem razão. Um dos exemplos é o laço branco do título, que é colocado na roupa de duas das crianças, para que eles se lembrem da inocência.
E é assim que Michael Haneke realiza um grande filme, com uma bela fotografia a preto e branco e sem banda sonora. O próprio realizador já admitiu numa entrevista recente que optou por não utilizar banda sonora para tornar o filme mais próximo da realidade e passou na prova.
No fundo o austríaco conseguiu fazer um filme que nos deixa desconfortáveis e com muito que pensar, não só no que diz respeito ao comportamento das personagens, mas também quanto ao próprio contexto histórico da acção. Esta é precisamente uma das mais valias de «O Laço Branco».
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«A Estrada» é bem capaz de ser um dos filmes mais negros e sombrios deste ano, tal como já acontecia no livro em que se baseia. Não tive oportunidade de ler a obra original de Cormac McCarthy, mas pelo que já me contaram a história é realmente sombria.

Pedro Miguel Fernandes - Série BMas literatura à parte, «A Estrada» filmada pelo australiano John Hillcoat é um filme que não nos deixa confortáveis na cadeira do cinema. É a história de um homem e um rapaz, pai (Viggo Mortensen) e filho (Kodi Smit-McPhee), que atravessam os EUA em fuga não se sabe de quê.
Apenas vamos sabendo alguma coisa através das histórias que o pai conta ao rapaz, de algumas (das poucas) personagens com quem o par se cruza ou através dos sonhos do pai, que remetem para o passado da família, quando a mãe do miúdo (Charlize Theron) ainda é viva.
Pouco mais adianta saber para se entrar na estrada que os dois percorrem, sempre para sul, onde estará a suposta salvação.
A EstradaCom uma história original muito forte, John Hillcoat só tinha de seguir o livro das regras e consegue-o pois tal como já referi, quem entra nesta estrada com o pai e o filho arrisca-se a entrar num mundo muito cinzento. E o rasto de destruição que desfez os EUA está bastante bem conseguido graças à maravilhosa fotografia de Javier Aguirresarobe, que tanto nos apresenta o presente da acção em tons mais escuros, como nos mostra o passado da família em tons mais iluminados, mesmo nos tempos mais difíceis.
Outro dos pontos fortes deste «A Estrada» é o desempenho dos dois actores que formam o pai e o filho. Kodi Smit-McPhee está à altura num papel bastante difícil, pois tem de representar uma relação muito forte num ambiente hostil. E Viggo Mortensen puxa dos galões e prova uma vez mais o excelente actor que é. É possível que consiga arrancar uma nomeação para os Óscares com esta interpretação.
O que também está muito bom é a banda sonora, a cargo de dois grandes nomes: Nick Cave, que já tinha escrito o argumento do filme anterior de Hillcoat, e Warren Ellis, um compincha de longa data do cantor australiano.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Pedro Miguel Fernandes - Série BCom o início de mais um ano chegam as tradicionais listas de balanço do melhor que se fez em 2009. Para esta lista, que tinha pensado colocar on-line na última crónica de 2009 mas não foi possível, escolhi aqueles que considero terem sido os melhores filmes estreados em Portugal ao longo dos últimos meses.

Não é uma lista completa, pois infelizmente não tive oportunidade de ver todos os filmes que estrearam e talvez pudessem fazer parte desta lista.
De fora estão também os filmes que foram directamente para DVD e os filmes que estrearam no último dia do ano passado, que terão de entrar na colheita de 2010 caso se justifique.
A ideia era ter uma lista de apenas 10 filmes, mas quando fui a ver já tinha uma lista infindável.
Esperemos que este ano também seja bastante prolífero em boas fitas.

A Valsa com Bashir1 – A Valsa com Bashir, de Ari Folman

2 – Tetro, de Francis Ford Coppola
3 – Moon – O Outro Lado da Lua, de Duncan Jones
4 – Up – Altamente, de Peter Docter
5 – Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino
6 – Revolutionary Road, de Sam Mendes
7 – Sinédoque, Nova Iorque, de Charlie Kaufman
8 – Gran Torino, de Clint Eastwood
9 – Che – Guerrilha e Che – O Argentino, de Steven Soderbergh
10 – Andando, de Hirokazu Koreeda
11 – Os Limites do Controlo, de Jim Jarmush
12 – Duplo Amor, de James Gray
13 – O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme
14 – Deixa-me Entrar, de Tomas Alfredson
15 – O Wrestler, de Darren Aronofsky
16 – O Visitante, de Thomas McCarthy
17 – Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
18 – Ponyo à Beira-Mar, de Hayao Miyazaki
19 – Abraços Desfeitos, de Pedro Almodóvar
20 – Um Conto de Natal, de Arnaud Desplechin.

«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
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Estreou finalmente «Avatar», o mais recente filme de James Cameron, mais de uma década depois de «Titanic». O recurso às novas tecnologias, nomeadamente o 3D, faz deste um dos grandes filmes do ano.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Avatar» era um dos filmes mais aguardados do ano e para os amantes do cinema espectáculo este é sem sombra de dúvida um dos melhores filmes do ano. E de facto o filme é muito bom do ponto de vista técnico e dos efeitos especiais. James Cameron conseguiu levar o espectador ao planeta Pandora, que está no centro da acção, tal como há uns anos Peter Jackson nos levou à Terra Média de Tolkien. Só por esta razão já vale a pena ver o filme.
Mas o grande problema em «Avatar» é que os efeitos especiais têm uma grande força e James Cameron acabou por falhar no essencial: a história. E «Avatar» peca por não ser tão forte no argumento como é na vertente técnica. É pena, porque o regresso de James Cameron merecia melhor. Talvez o facto de não ter optado por uma grande figura no papel principal (Sam Worthington) não ajude muito. Mas mesmo os secundários de luxo, como Sigourney Weaver, Giovanni Ribisi ou Michelle Rodriguez, para focar os mais conhecidos, não estão ao seu melhor nível. Mas gostei da presença de Sigourney Weaver.
AvatarEm «Avatar» James Cameron conta-nos a história de Jake Sully, um marine paraplégico que decide participar numa missão anteriormente desempenhada pelo seu irmão, um cientista que morreu no planeta Pandora. É em Pandora que se desenrola a acção do filme, durante a missão de Jake Sully (Sam Worthington) no programa Avatar, que permite aos humanos serem uma criatura com genes humanos e da tribo Navi, corpo esse que foi criado para poderem respirar o ar do planeta.
Paralelamente a esta missão de descoberta da vida de Pandora e dos Navi, uma grande empresa está no planeta com o objectivo de explorar um minério bastante valioso no planeta Terra. O problema acontece quando descobrem que uma grande fonte desse minério está debaixo de uma aldeia dos Navi e decidem encontrá-la a todo o custo, recorrendo a força militar. Pelo meio Jake é aliciado, na sua condição de Avatar, a tornar-se amigo dos indígenas para um outro fim que não a simples investigação dos seus hábitos: afastar a população Navi em troca de umas pernas novas.
Algumas pessoas que também já viram o filme e com quem já falei dizem-me que de facto o importante de «Avatar» são os efeitos especiais. Eu neste aspecto ainda sou tradicionalista, gosto de uma verdadeira história. E a nível de efeitos podemos comparar este filme à trilogia do «Senhor dos Anéis», que considero estar bem mais conseguida precisamente por ter uma grande história por detrás.

Aproveito este post para desejar Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos os leitores do Capeia Arraiana.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Michael Moore está de volta com os seus documentários de guerrilha. Depois das armas, da Administração Bush, do sistema de saúde dos EUA o alvo escolhido foi o Capitalismo.

Pedro Miguel Fernandes - Série BPartindo da crise de mercados nascida no final do Verão de 2008, Michael Moore resolveu ir questionar quem lhe convém (como sempre, apesar de quem devia responder às suas perguntas raramente oferece o peito às balas) para tentar descobrir o que aconteceu nos últimos anos ao dinheiro dos EUA.
E como é hábito nos filmes do realizador do Michigan, os tiros vão sendo disparados em todas as direcções para que o seu alvo seja considerado o demónio. Nem que para isso seja preciso invocar Jesus Cristo ou padres e bispos para explicar que o Capitalismo é perverso. Como por exemplo quando Michael Moore monta imagens de um filme sobre a vida de Jesus para lhe colocar na boca mensagens em favor do Capitalismo.
Mas desta vez penso que Michael Moore consegue ter um trabalho melhor do que no anterior «Sicko». Apesar de continuar a dar apenas só um lado da questão (por exemplo, quando vai para a porta do Congresso apenas fala com membros dos democratas – também não sabemos se tentou ouvir ou não os republicanos), em «Capitalismo: Uma História de Amor», o realizador pareceu-me menos arrogante do que no anterior.
O Capitalismo segundo Michael MooreE uma vez mais encontramos histórias que nos deixam completamente de boca aberta. Se em «Bowling For Columbine» fiquei pasmado porque um dos jovens entrevistados estava chateado porque não era o primeiro mais perigoso da turma (mesmo tendo um bidão de napalm no quintal), desta vez ficamos a saber que algumas empresas norte-americanas fazem seguros de vida aos seus funcionários para receberem dinheiro. Em alguns casos milhões de dólares, sem que as famílias saibam.
Penso que nesta altura em que se vivem tempos demasiado complexos esta ‘história de amor’ vem mostrar um pouco como funciona o capitalismo sem regras. Concorde-se ou não com as ideias e métodos de Michael Moore, é sempre bom descobrir aspectos bastante sérios do mundo actual de uma forma irónica e de certa forma divertida. O problema é que estas coisas acontecem na realidade.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Roland Emmerich gosta de destruir o mundo. Tudo começou em 1996 com «Dia da Independência», um dos primeiros filmes com Will Smith no papel principal. Em 2009, partindo de uma profecia da civilização Maia, o realizador alemão volta ao seu tema preferido.

Pedro Miguel Fernandes - Série BLogo em 1996 Roland Emmerich mostrou ao que vinha. Em «Dia da Independência», um dos primeiros filmes com Will Smith no papel principal, o planeta Terra era invadido por extra-terrestres que destruíram tudo por onde passavam, com a ajuda de umas gigantescas naves espaciais que lançavam uns raios azuis. Em 2004 foi a vez de aproveitar as alterações climáticas para realizar «O Dia Depois de Amanhã» e uma vez mais o mundo sofreu às mãos de Roland Emmerich.
Para 2009 o pretexto é uma profecia da civilização Maia que nos diz que em 2012 uma conjugação celestial vai alinhar os planetas do sistema solar e destruir o planeta, tal como o conhecemos. «2012» é precisamente o nome do mais recente filme do alemão e uma vez mais não podemos esperar mais do que uma sessão de puro entretenimento.
2012Mas infelizmente não encontramos nestas duas horas e meio mais do que bons efeitos especiais que vão desde rachas a abrirem a Califórnia em milhares de pedaços passando pela destruição da Casa Branca por um porta-aviões ou um tsunami de proporções bíblicas a chegar ao Evereste.
O argumento de «2012» não tem muito por onde pegar, o facto de não se chegar a perceber bem o que aconteceu e como se resolveu também não ajuda, e um dos heróis principais, John Cusack no papel de um escritor falhado que tenta levar a família para as arcas que irão salvar os sobreviventes deste fim do mundo, também não dá muita credibilidade.
No meio desta destruição, há duas personagens que ficam bem na fotografia: um maluquinho das conspirações, interpretado por Woody Harrelson, e Danny Glover que encarna o papel de presidente dos EUA, numa figura bastante decalcada de Barack Obama. Além de ser negro, este presidente é bastante solidário e prefere estar junto do povo a tentar ajudar quem está a sofrer do que seguir com a sua administração para se salvar.
Felizmente que não cabe a Roland Emmerich decidir o futuro da Humanidade, pois se tal acontecesse estávamos tramados. Como filme «2012» não convence.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Francis Ford Coppola está de regresso, dois anos após ter apresentado «Uma Segunda Juventude». Desta vez o realizador de «O Padrinho» brinda-nos com «Tetro», uma grande obra a preto e branco passada na Argentina e com Vincent Gallo e o jovem Alden Ehrenreich.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Tetro» é uma história de família e as suas rivalidades que resultam da presença de um pai que é uma figura muito forte. Filmado em Buenos Aires, a preto e branco, «Tetro» conta a história de um jovem de 18 anos, Bennie (Alden Ehrenreich a lembrar os primórdios de Leonardo Di Caprio, até na própria fisionomia), que chega à capital argentina para rever o irmão. O irmão é precisamente o Tetro (Vincent Gallo) que dá nome ao filme. Tetro saiu de casa, onde vivia sufocado pela figura do pai, um maestro de renome que sugava a vida de todos à sua volta, incluindo a família.
Mas é na relação entre os dois irmãos que tudo se passa. A saída de casa de Tetro teve como objectivo escrever. E foi através da escrita que resolveu contar a história da sua vida e da sua família, uma vez mais com a figura do pai no centro. Estes textos nunca são publicados, mas a chegada de Bennie, que quer também saber a sua história que ninguém lhe conta, vai mudar tudo, quando este descobre o manuscrito original.
TetroUma das principais características deste «Tetro» é a utilização do preto e branco. A cor só aparece quando há flashbacks do passado, com pequenos episódios da vida da família Tetrocini no passado, e em cenas de uma peça baseada nos textos de Tetro. E em ambos os casos as cores são demasiado expressivas.
Além desta utilização do preto e branco há outra grande presença em «Tetro»: as luzes e os espelhos. No primeiro caso há um jogo de luzes que vai percorrendo todo filme, em cenas específicas. Não é por acaso que Tetro é especialista em iluminação num teatro. Já os espelhos também têm uma grande força. É o grande espelho na casa de Tetro que mostra o que nós não podemos ver no enquadramento e são também espelhos que ajudam Bennie a decifrar os textos do irmão.
Por fim uma nota para a interpretação de Alden Ehrenreich, um bom achado de Francis Ford Coppola, pois penso que o jovem tem um enorme potencial e ainda pode evoluir bastante, pois este é apenas o seu segundo papel no cinema depois de algumas participações em séries televisivas. Ao ver Tetro fez-me lembrar o Leonardo DiCaprio na sua fase antes de «Titanic». Se continuar assim, prevê-se um futuro brilhante.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Pedro Miguel Fernandes - Série BDepois de «Paris, Je t’aime», que se pode dizer obteve um sucesso razoável, chega agora «New York, I Love You». A ideia é a mesma. Juntam-se alguns realizadores conhecidos, actores que o grande público também conhece e filmam-se várias curtas-metragens que contam histórias de amor cujo cenário é uma grande cidade.

A ideia é original, pois cada uma à sua maneira, estas são duas cidades românticas quanto baste para espíritos apaixonados. Mas se no primeiro se notava algo de novo, agora isso não sucede. Contudo uma das mudanças é que aqui não há paragens entre as curtas e as personagens vão aparecendo em curtas distintas, dando uma ideia de interligação e um conjunto que o anterior passado em Paris não tinha.
New York I Love YouPara os cinéfilos este «New York, I Love You» traz um atractivo, que é a presença de actores que há muito não via, como James Caan, que está brilhante como dono de uma farmácia, ou Eli Wallach, o mítico Vilão do filme «O Bom, o Mau e o Vilão», que pensava já não estar entre nós, no papel de um velhote rabugento que está sempre a resmungar com a sua também idosa esposa.
E depois temos de tudo um pouco. Curtas bastante românticas, como a que foi realizada Shekhar Kapur, passada num hotel e com uma interpretação que me agradou bastante, a cargo de Shia LaBeouf, cómicas, como a realizada por Brett Ratner, outro dos nomes que me surpreendeu, e até uma história filmada por Natalie Portman.
No fundo este é um filme para quem está apaixonado e a próxima paragem já está definida. Xangai, na China, será a próxima cidade do projecto de curtas românticas.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Dois mundos em conflito surgem em «BirdWatchers – A Terra dos Homens Vermelhos», um filme de propaganda a favor dos índios da Amazónia e das suas terras roubadas pelos conquistadores europeus.

Pedro Miguel Fernandes - Série BPassado nos dias de hoje, o filme «BirdWatchers» centra-se na história de um grupo de índios da Amazónia que deixam a reserva onde estão confinados, como animais num jardim zoológico, para se estabelecerem perto da terra de um fazendeiro, que dizem ser a sua terra de origem. Só que chegados aqui, de início um punhado de homens e no final praticamente uma tribo inteira, nem tudo são rosas. O que antes era mato e lhes garantia sustento, agora são plantações ao serviço do fazendeiro.
Neste cenário sem esperança o líder da tribo mostra-se bastante fiel aos seus princípios e recusa abandonar o espaço que já foi dos seus antepassados. Uma das provas, e talvez uma das cenas mais fortes do filme, é quando este personagem agarra um bocado de terra e a come, para espanto dos fazendeiros que o tentam expulsar, temendo que esta ocupação seja vista como exemplo e acabe por ser imitada por outros.
BirdWatchersMas por mais que tenhamos pena (ou não) dos índios, que correm o risco de perder as suas tradições em prol do dito progresso, há também o lado do fazendeiro, que defende que aquela terra também é dele, pois foi comprada pelo seu pai. É aqui que o BirdWatchers nos coloca perante um dilema: quem tem razão? O ocupante ou o ocupado?
Para quem vê o filme é claro o ponto de vista do realizador, Marco Bechis. O mau é o homem branco, que tudo faz para expulsar a tribo. Não só lhe ocupou a terra, como tudo faz para o afastar outra vez. Começa por acampar um lacaio ao pé do acampamento, cuja única tarefa é meter medo aos ocupantes e acaba por ter de matar o chefe da tribo, com a ajuda de outros fazendeiros. Como consequência foge da região para deixar acalmar os ânimos.
Mas o destino dos índios está traçado: a extinção iminente. Pelo menos é a mensagem que acaba por ser transmitida em jeito de conclusão, num texto onde Marco Bechis opta por pedir aos espectadores para ajudarem os índios doando dinheiro para a sua causa. É o chamado cinema de causas, mas afinal, quem tem razão?
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Em tempos idos, durante a II Guerra Mundial, o Estoril foi porto de abrigo para espiões e refugiados. O produtor Paulo Branco quer agora recuperar a mística da cidade com um festival de cinema que pretende vir a ser tão grande como Cannes. A terceira edição do Estoril Film Festival arrancou ontem.

Pedro Miguel Fernandes - Série BApesar de se definir como um festival dedicado ao cinema europeu, este ano as paragens mais atractivas do certame por certo não integram o Velho Continente. Em primeiro lugar com uma retrospectiva do canadiano David Cronenberg, que a organização afirma ser uma das mais completas de sempre da obra do realizador de «A Mosca», «Videodrome» ou o mais recente «Promessas Perigosas». Também homenageada é a actriz francesa Juliette Binoche, que será alvo de uma revisão da sua carreira, de Rendez-vous, realizado por André Téchiné em 1985, até a Paris, de Cédric Klapish, e Désengagement, de Amos Gitai, ambos de 2008. Estas duas grandes figuras da Sétima Arte também vão ser homenageadas em exposições paralelas.
Outra das secções que promete ser forte este ano é a das ante-estreias. Pelo Estoril vão passar pela primeira vez em Portugal os novos filmes de realizadores como Lars Von Trier (Antichrist), Wes Anderson, a quem coube a honra de abrir o festival com o seu mais recente filme As Aventuras do Senhor Raposo, Jane Campion (Bright Star) ou Francis Ford Coppola, que vai estar presente no evento para apresentar o novo Tetro.
Para os fãs de música, destaque para a projecção de Renaldo and Clara e True Stories, filmes realizados por Bob Dylan e David Byrne, respectivamente. O músico dos nova-iorquinos Talking Heads vai passar pelo Estoril na sua qualidade de membro do júri e Paulo Branco já afirmou à imprensa que pode haver um concerto surpresa. Também no campo da música, os fãs de videoclips podem delirar com uma sessão dedicada à obra de David Fincher nesta área que nos últimos anos tem vindo a dar grandes realizadores.
Quem vier à procura de cinema mais alternativo, tem duas secções à espera: uma dedicada à obra do fotógrafo e realizador Robert Frank e outra sobre cineastas raros, onde este ano os escolhidos foram Victor Erice e Franco Piavoli.
Tudo boas razões para dar um salto ao Estoril, para assistir ao festival que Paulo Branco quer tornar o Festival de Cannes de Portugal. Sonho ou realidade? Só o tempo o dirá, mas os primeiros passos começam a ser dados.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Matt Damon é a grande estrela de «Delator!», o novo filme de Steven Soderbergh, um dos realizadores norte-americanos mais originais da actualidade, capaz de filmar obras de puro entretenimento, como a série Ocean, e obras mais experimentalistas, como Full Frontal.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Delator!» pode ser considerado uma mistura entre ambos os tipos de filmes que popularizaram a obra de Soderbergh. Por um lado tem um actor bastante popular, Matt Damon, numa história simples de um funcionário de uma grande companhia multinacional que decide tornar-se informador do FBI. Mas aqui tudo se complica, pois a personagem interpretada pelo actor que em tempos encarnou o célebre Jason Bourne, tem a característica de ser mentiroso compulsivo e ter um comportamento bipolar, o que não facilita a tarefa. Não só às restantes personagens, que quando se começam a aperceber na teia em que estão metidos passam o resto do filme à espera do próximo coelho a sair da cartola de Mark Whitacre, como ao próprio espectador, que ‘ouve’ o que vai na cabeça do funcionário, algumas vezes a meio de diálogos com outras personagens. E estas vozes que se ouvem na cabeça do actor, muitas vezes são reflexões avulsas, que pouco ou nada têm a ver com o que se passa no resto da história.
«Delator!»E à medida que a história vai avançando, a personagem principal continua a enredar-se numa confusão de mentiras gigantesca, que não deixa ninguém de fora, desde a família aos seus colegas de trabalho, passando pelos próprios agentes do FBI, que a principio o aceitam como informador, mas acabam por se arrepender quando se apercebem o que se passa.
No fundo, é curioso ver Steven Soderbergh realizar um filme que aborda, de certa forma, a temática do capitalismo (o filme começa praticamente com Matt Damon a querer ser informador do FBI para contar uma suposta concertação de preços entre a sua empresa e empresas rivais), logo depois de ter feito um excelente olhar sobre a figura de Che Guevara, nos dois anteriores filmes Che – O Argentino e Che – Guerrilha.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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