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Querido leitor(a), vou dizer-lhe uma coisa de que talvez já se tenha apercebido, se por acaso não é um fanático germanófilo, a Alemanha é o país mais visceralmente antidemocrático da Europa, e o seu povo é de um conformismo político impressionante, aceita tudo e não se rebela contra nada, é um povo seguidista, racista e com complexo de superioridade.

António EmídioVejamos o comportamento de alguns alemães célebres:
Hegel, hierarquizou a História, para ele todos os povos foram inferiores desde os egípcios aos persas, passando pelos gregos, em contrapartida a Alemanha era a culminação do espirito universal, e o único homem livre era o homem alemão.
Hengels, disse que o destino dos países de Leste Europeu era serem colonizados pela Alemanha. Isto foi dito por um senhor que apregoava o internacionalismo operário…
Marx, segundo consta não era um grande patriota, da Alemanha não gostava muito, mas durante a guerra Franco-Germânica, que foi a Alemanha a provocá-la, disse que a França necessitava de uma sova, porque se a Alemanha vencesse, as ideias marxistas expandir-se-iam melhor.
Os seus líderes desencadearam a I Guerra Mundial, com isso provocaram 18 milhões de mortos.
Hitler, desencadeou a II Guerra Mundial, causou essa guerra 60 milhões de mortos, a mente alemã criou Auschwitz, Dachau e outros campos de concentração. Ainda só foi tudo isto, todo este horror, morte e violência, há pouco mais de sessenta anos, sessenta anos na História é um tempo ínfimo, é tão ínfimo que ainda está presente a vontade de domínio na mente desse povo…
Raynhard Heydrich, o carniceiro de Praga, sofreu um atentado feito pelos resistentes checos durante a II Guerra mundial, não morreu, mas ficou ferido, não permitiu que nenhum médico local o tratasse, mandou ir um da Alemanha, enquanto chegou e não, morreu ele! Este Nazi devia «adorar» professores, digo isto porque num discurso saiu-se com esta: «temos de ajustar contas com os professores checos, porque o corpo docente é um viveiro de oposição».
Fim da Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha dividida o perigo de um novo confronto bélico desapareceu, anos 90, com a Alemanha unida regressou a sua ambição desmedida e a sua arrogância. Esta nova ambição, vontade de domínio e racismo estão concentrados em Angela Merkel, tornou-se dona e senhora da Europa, da burocracia e dos senhores de Bruxelas que se limitam única e simplesmente a obedecer-lhe. O que é que ela quer? A nível económico reformas estruturais nos países do Sul da Europa, Grécia, Itália, Espanha e Portugal e, como quem não quer a coisa deitando os olhos para a França e Bélgica. Em seis pontos condensarei essas reformas que ela deseja:
1º – Venda de empresas estatais, ou seja, privatizações dos sistemas de saúde, ensino, transportes e segurança social.
2º – Destruição dos direitos e protecção do emprego, leis laborais injustas para o trabalhador.
3º – Baixos salários para quem trabalha e redução no valor das pensões de reforma, reduções escandalosas.
4º – Leis feitas simplesmente para proteger empresários. (grandes empresários e multinacionais principalmente alemãs)
5º – Destruição do Estado Social.
6º – Formação de Zonas Económicas Especiais, as chamadas Z.E.E.
Se por acaso a senhora Merkel conseguir isto tudo, assistiremos na Europa à exploração de quem trabalha nos mesmos moldes da China e do resto dos países asiáticos. As Z.E.E., são zonas onde as empresas multinacionais, e não só, não pagam impostos, não respeitam as leis de protecção do meio ambiente e as quase inexistentes leis laborais, pode chegar-se a este paradoxo, um trabalhador ser chamado de «boca», não contratado porque os contratos não existirão, no dia 1 de um qualquer mês para começar a trabalhar, e no dia 20 do mesmo mês ser posto na rua sem nada receber, a lei laboral estará feita de maneira que o salário ou outra prestação qualquer só serão recebidas depois de 30 dias de trabalho, antes disso não há direito a qualquer compensação. A lei não diz isso! Isso é um exagero! O senhor é um radical! Chame-me o que quiser querido leitor(a), mas as leis são feitas pelos homens, e conforme as fazem, assim as desfazem. Actualmente o partido do Governo aqui em Portugal não está a preparar um Golpe de Estado Palaciano importando-se pouco com o que a Constituição da República diz! Ou seja com as suas leis? Aí nem precisa de as mudar, passa por cima delas! Resultado disto tudo, querem reduzir quem trabalha a um escravo empobrecido.
Como pôr cobro a isto? Só com os trabalhadores europeus mobilizados contra esta ofensiva da Alemanha e dos seus mercados, exigindo programas verdadeiramente social- democratas, programas socialistas, do Socialismo Democrático, e Trabalhistas (ingleses). Alguns inocentes ainda pensam que se Merkel perder as eleições as coisas mudarão para melhor. Pura ilusão! Os social-democratas irão perder as eleições, mas se por acaso ganhassem, a política para a Europa seria a mesma. O problema é que por trás do egoísmo alemão está a vontade de poder que sempre caracterizou a Alemanha. E agora que os mercados alemães e os seus banqueiros, juntamente com os de outros países ricos movimentam 7 biliões de euros das dívidas dos estados da Zona Euro, a vontade de domínio e poder aumentam!
Dizem os germanófilos que a Alemanha é o país das vitórias, do trabalho, da riqueza, do progresso económico e tecnológico, o país que está acima de tudo e de todos, não a invejo, foi ela que até agora mais derrotas teve nesta Europa, e tudo devido à sua ambição desmedida. Penso que não há-de tardar muito que não sofra outra.

Não posso passar sem comentar isto: aqui na nossa então Vila do Sabugal, durante a Segunda Guerra Mundial, contam-me os mais velhos, só se falava na Alemanha e em Hitler, era a propaganda do Estado Novo a trabalhar, diziam alguns que se Hitler viesse ao Sabugal o levavam para casa!! Desconfio que há por aí alguns que presentemente levavam Frau Merkel, para quê? Eles lá saberão…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Está um curso um doloso processo de destruição do Interior que conta com a cumplicidade de muitos autarcas que não defendem os interesses das suas populações.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

(clique na imagem para ampliar.)

Sob a divisa «agregação de freguesias», o governo quer cumprir o desiderato de extinguir órgãos locais representativos da população. Este desígnio é particularmente grave quando estão em causa aldeias do interior de Portugal que ademais à perda sucessiva de população, ao fecho de escolas, extensões de saúde, postos de correio, farmácias e outros serviços de interesse público, agora se confrontam com a perda da sua própria identidade.
A raia sabugalense tem sido particularmente fustigada por essa política de terra queimada que se pratica a partir dos gabinetes governamentais. Primeiro acabaram com as regedorias, os juízos de paz, os postos da Guarda Fiscal, da Polícia e da Guarda Republicana. O processo acelerou e só parará quando estiverem varridos de vez todos os serviços públicos de aldeias, vilas e cidades menores, concentrando-os nas grandes urbes. O economicismo prevalece em detrimento dos interesses das populações, nem que tal poupança se resuma ao valor dum prato de lentilhas.
Na generalidade das aldeias só uma instituição resistiu à fúria avassaladora da extinção: a Junta de Freguesia. É ela que confere identidade e dá voz activa à população. Mas os tempos mudaram e a pretexto da crise decidiu-se exterminar esse resquício, considerando-o desnecessário e inútil. Deixou de haver pudor, porque decretando-se o decesso da Junta de freguesia assina-se no mesmo acto a certidão de óbito da aldeia em apreço.
Foi agora conhecida a proposta da Unidade Técnica criada para a reorganização administrativa do território, que aponta para que o concelho do Sabugal passe a ter apenas 30 freguesias, menos 10 do que as actuais.
A Assembleia Municipal do Sabugal pronunciou-se a devido tempo contra a reforma, defendendo a inalterabilidade das juntas, mas os homens da comissão, lá de longe, cortaram a eito. Analisando a proposta percebe-se que em parte foi de encontro à ideia que alguns autarcas defenderam numa fase anterior à pronúncia, quando acharam que a ideia era boa. A questão que se coloca é a de como souberam os homens da dita Unidade Técnica da perfídia desses autarcas, que decidiram pelo povo, mas nas suas costas, sem o consultarem? Talvez o exemplo da futura «União de Freguesias da Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas», uma ímpar aberração, explique o que se passou. Alguém terá telefonado e explicado aqueles senhores cinzentos, cujo presidente lamentou com hipocrisia que tenham que se encerrar tantas freguesias no interior de Portugal, por onde deveria cortar. É que a sede da nova junta funcionará na primeira dessas freguesias, impondo às outras duas o que a sua população não quer nem nunca manifestou querer.
A anuência de alguns autarcas a este infame ataque à integridade territorial das freguesias foi geralmente precedido de reuniões e de uma espécie de negociação, na qual se traçou o destino a dar à freguesia e ao povo que a habita. Os autarcas que assim agiram cometeram, digamo-lo com todas as letras, um acto de traição para com o povo que os elegeu. Foi decidir à revelia da sua vontade, sem considerarem a sua opinião.
Somos de parecer de que nenhuma freguesia do concelho do Sabugal deve aceitar render-se, anuindo à agregação numa outra. Ceder neste processo significa assassinar as nossas aldeias enquanto organismos vivos, capazes de terem voz própria e capacidade de acção.
E aqui há ainda a questão do perigoso precedente. Se hoje Badamalos, Aldeia da Ribeira e Vilar Maior se «agregam», passando a ser uma só Junta, nada impedirá que amanhã se tenham de juntar à Bismula, à Rebolosa ou até a Alfaiates, num imparável processo destruidor de identidades e liquidador das nossas terras.
Este roubo de freguesias que nos fazem segue a mesma lógica daquele que nos anunciará o fecho do centro de saúde, da repartição de finanças, da extensão da Segurança Social e dos postos da GNR. Culminará, se o deixarmos avançar, no encerramento do próprio concelho e da Câmara Municipal e no puro abandono das populações à sua sorte.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Todos adoramos a nossa terra. Para cada um, a sua é a melhor, a mais bonita. Mas o Casteleiro é mesmo terra de encanto. «Em toda a Beira não há igual / É a mais bela de Portugal, / Mais pitoresca de todo o mundo.».

Hoje trago-lhe três momentos da vivência da minha aldeia em tempos idos. Por aí se vê quão bela e diversificada era a vida na minha terra há umas décadas. Num dos temas, o Casteleiro aparece mesmo como «terra de encanto». Leia: vai gostar – e depois tenha a disponibilidade de contar também coisas da sua terra, de antanho.
Estas referências às festas e à sabedoria popular em matéria também de medicina, as restantes histórias de hoje já foram por mim abordadas noutros portais digitais. Designadamente, no ‘Viver Casteleiro’.
Talvez conte as coisas de outro modo, mas respeitando sempre a veracidade do acontecido.

1 – O mesmo número
Há dias, em roda de amigos, contei esta cena como conto muitas vezes, porque na altura me impressionou bastante. Por mais que o diga, não me canso de repetir: esta história é para mim marcante, lembro-me dela constantemente e, mesmo que quisesse, nunca conseguiria esquecê-la. Nem a história nem o seu protagonista. Estávamos em Setembro de 1968. Como já se tornara habitual, o Dr. Rosa (‘Toninho Rosa’, era como lhe chamávamos ao falar dele) dispunha-se sempre, a seguir ao jantar, a dar o seu passeio acompanhado por alguns rapazes até lá acima à escola nova (feminina). Nessas caminhadas, era um vê se te avias de perguntas ao professor de História que ele era – não sobre História, mas sobre a vida real, o que se passava aqui e na França etc.. Éramos três ou quatro amigos à beira das faculdades e alguns até já no ensino superior. Ele adorava brilhar. E tinha tiradas do arco-da-velha. Maneiras simples e sofisticadas de comunicar connosco.
Pois bem.
Nesse Setembro, como se sabe, Salazar cai da cadeira e é substituído por Marcelo Caetano.
Claro que nessa noite isso foi logo tema.
Lembro-me como se fosse há bocado.
Eu ia daí a uns dias para Direito, para a Faculdade onde Marcelo era Director e catedrático ate aí.
Com a maior das naturalidades, perguntei-lhe:
– Ó Dr. Rosa, como é que vai ser o Marcelo no Governo? Vai ser muito diferente do Salazar?
Resposta pronta dele:
– Olha: calçam o mesmo número. É só outra fôrma…
Saiu tão certo, que esta sentença me ficou para sempre.
(Na palavra «forma» não devia pôr o acento circunflexo, porque de facto a palavra não o leva: mas quis pôr, para o leitor ler correctamente).

2 – Medicina popular
Há quem diga que nos encharcamos de químicos por tudo e por nada. Talvez. Exagerar é perigoso em todos os domínios. E neste caso dos medicamentos por tudo e por nada quando se tem uma constipaçãozeca (em teoria, esta palavra não devia levar o til, mas não consigo. Desculpem).
Ora bem: dantes não só não havia tanto químico à disposição, como não havia dinheiro para comprar. Assim, o Povo teve de se socorrer ao longo dos séculos de ervas e produtos da terra para minorar os efeitos das doenças.
Na minha terra, havia muitas soluções para isso.
Vamos então a duas ou três mezinhas simples que eram muito usadas no Casteleiro e que me foram relatadas por quem as conhecia bem:

Infecções graves por golpes profundos
Lavagem com borato (de sódio) – um pó branco como o bicarbonato, diz a minha fonte – e depois punha-se mel como se fosse uma pomada.

Dores de intestinos e dores menstruais
Chá de malvas e bredos mercuriais (parece erva cidreira e dá-se nas paredes. Tinha muitíssima fama há 50 anos).

Constipações e dores de garganta
Chá de sabugueiro misturado com leite. Era difícil de tomar. Tinha um sabor esquisito, diz a minha mãe.
Ou então: aguardente queimada, mel e chá de alecrim.

A propósito de ervas e poções: um dia escrevi que há ervas que não servem para nada: «Não têm utilidade: nem os cocilhos, nem as urtigas, nem as azedas». Pois bem, parece que em parte me enganei. Num «site» dedicado a estas coisas, encontrei uma pequena nota: «Da Ortiga faz-se o chorume que é uma maceração das plantas num recipiente com água e pode servir para adubar e prevenir doenças produto biológico por excelência. Se colocarmos Ortigas cortadas na cova onde se plantará a seguir os pés de tomates, serve de adubo e protege das doenças».
Mas o que é facto é que não conheço essa utilidade (nunca me foi relatada).

3 – Inauguração da luz eléctrica
Agora que a Junta, Câmara e EDP andam a melhorar a iluminação eléctrica das ruas principais da aldeia, vem bem a propósito recordar este episódio.
Vou lembrar o dia da inauguração da luz eléctrica.
Era assim mesmo que se dizia: a luz eléctrica. Foi em 1956. Meteu Governador Civil e tudo. Coisa séria. Coisa importante. Então era preciso receber a autoridade com pompa e circunstância. Aquilo foi uma farra, uma grande festa popular. Muita alegria, a electricidade era sem sombra de dúvida uma grande aquisição, mesmo com meia dúzia de lâmpadas na rua e de fraquíssima potência – muito sumidinhas, pareciam velas. Arranjou-se um grupo coral de jovens (rapazes e raparigas – coisa nem sempre aprovada, esta de misturar os sexos). Uma das responsáveis, Céu Mourinha, fez a letra e deve ter adaptado uma melodia, que ficou uma tal delícia que ainda hoje nos diverte quando a entoamos…
A letra era assim e foi depois usada noutras ocasiões:
Ó Casteleiro, terra de encanto,
Terra tão linda não há, não há.
É por ser bela que a amo tanto.
Nem que me paguem não vou de cá.

Quanto te deixo, ai que saudade…
Sinto os meus olhos brilhar de pranto,
Mas ao voltar que felicidade:
Sinto-me presa ao teu encanto

Em toda a Beira não há igual
Por isso a amo com amor profundo.
É a mais bela de Portugal,
Mais pitoresca de todo o mundo.

Nota sobre as imagens
Escolhi apenas imagens em que se vêem postes eléctricos por me parecer o tema mais importante.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta da Ribeira. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes três aldeias anexas desta freguesia: Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DA RIBEIRA

O mundo correm trovas cuja fama
Nos vem já não de anos mas milénios
Bem dormirá quem acha boa a cama
Quem tem sopros de fúria, enfim refrene-os

Há outros com doçuras de auriflama
Suaves como vinhos de Silénios
Bonança que em bonanças se recama
Desejos que não são alucigéneos

Viver á beira de água é um regalo
Quem se atreverá a denegá-lo
Não sei se haverá quem o não queira

Eleitos, pois, de Deus decerto são
Os que fora de um munto em confusão
Em paz vivem na Quinta da Ribeira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaDesde jovem aprendi a ver a Guarda e a admirá-la como uma cidade histórica, onde aquele D. Sancho do Foral, com ar de quem domina o espaço, a meus olhos enchia a Praça. Os arcos ao fundo, onde as lojas quase se escondiam do frio e acoitavam qualquer «estrangeiro» que ali passasse sem abrigo, faziam-me sentir acolhida como se a sua proteção me trouxesse conforto. Por tudo isto, eu estremecia sempre que me abeirava daquela Praça Imponente.

Sé da Guarda - Neve

Depois, através da sua história, percebi como muitas verdades se podiam confirmar, pelo que ainda hoje, ir à Guarda é um passeio que me agrada, quase direi, me enche a alma. O clima é frio mas as pessoas são quentes e acolhedoras.
Homenageio o seu castelo que ficou para final entre os castelos de fronteira, não por descuido, mas por querer fechar com algum esmero «La Ruta de los Castilhos», do lado de cá, pois irei ponderar a hipótese de fazer uma busca aos castelos dos nossos vizinhos.

GUARDA

Ó Guarda se foste castro
De nome
Lancia opidana
Dos Visigodos eras
Warda
Teu castelo fiel guarda
Pela coragem que de ti emana.

Castelo em alvenaria de granito
Estilos românico e gótico são teus
Torre de Menagem no alto da colina
Torre Velha, isolada combina
Como se todas olhassem os céus.

A chamada Torre dos Ferreiros,
Apresenta planta quadrangular
E mostra quadros da paixão
Que quer queiramos quer não
Serve para a muralha recordar.

A Porta da Covilhã e a dos Curros
Provam seu longo existir
Pois entre elas a Rua Direita
Mostra-se caminhando perfeita
Para a todo o burgo servir.

No século XIII, Sancho I
Egitânia para aqui transferiu
Como diocese a vila revigorou
Em 1199 foral te doou
Foi isto que a pesquisa descobriu.

Iniciou vigoroso teu castelo
Que dominou a vila e a paisagem
O distinto e altivo torreão
Que de há tempos já cumpria missão
E Afonso II te fez torre de Menagem.

D. Dinis, Fernando e João
Retocam-te e te fortalecem
Torre Ferreiros, Covilhã também
Porta da Erva, como à época convém
De que muitos traços qu’ainda prevalecem.

No séc. XIV muitas portas existiam
Mas em XIX, as muralhas são benefícios
Alguns troços de muralhas demolidas
As suas pedras dali subtraídas
Para a construção de edifícios.

Em 10 Foste Monumento Nacional
Mas a demolição continuou
Em 40 houve restaurações
Até 21 mais remodelações
Pelo que a Torre dos Ferreiros vingou.

Mais lembro que na vila da Guarda
O Tratado de Alcanizes foi planeado
Em século XIII, seus finais
E apesar de aqui deixar pouco mais
Deixo seu castelo homenageado.

E nessa homenagem deixo também o meu abraço às suas gentes.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Tem continuado esta semana a saga da «refundação» do estado, com argumento do governo e tendo como protagonistas Passos Coelho e António José Seguro.

Esta história da refundação do estado, desculpem, refundação do estado não, só refundação das funções do estado, surge num tempo e num contexto improváveis. Surge, apresentado pelo Primeiro-Ministro, numas jornadas parlamentares da sua maioria, dois dias antes da apresentação do Orçamento do Estado. Não foi explicado nenhum pormenor desse peregrino plano de refundação nem aí, aos seus correligionários, nem ao país. E, o convite público ao PS, soou a convite envenenado. A forma como este governo tem apresentado as suas ideias tem sido de uma forma tão desastrada, que chego acreditar que há ali uma barreira entre o que pensam e o que se transmite. Era bem melhor estarem a pagar a um profissional de comunicação do que ao tal conselheiro para as privatizações… O facto é que, todas as medidas que o governo toma e vem publicamente apresentar, assemelham-se a um elefante numa loja de porcelanas. Se a ideia era um debate ou, como gostam de lhe chamar cá no burgo, um pacto de regime, faria sentido propô-lo á Assembleia da República. Dessa forma, traria para a opinião pública, um debate que tem que ser público. E aqui, seria interessante debater qual o verdadeiro mandato de que um governo é empossado. Reparem (e serve somente como exemplo), o governo nunca é apresentado antes, ele não sai dos deputados que são eleitos e, quando se tornam governos, nunca implementam o programa com que se apresentaram a eleições. E, contudo, falam em nome do povo, da vontade do povo e da sua legitimidade para tomarem decisões mesmo contra aquilo que apregoavam e com o qual foram eleitos. Legitimidade? Qual? E dada por quem? Neste aspecto, a lei do poder autárquico é mais verdadeira. E no entanto é nesta que querem mexer! Porque será?
A refundação de que tem falado este governo mais não é do que o fim do estado. Não falta muito. Vão fechando asa escolas e os centros de saúde. Fecham os correios. Fecham os tribunais. O estado está cada vez menos presente. Deixando as populações ao abandono. E, contudo, ainda nos pedem mais impostos! Para quê? Para Quem? Se já não existe estado na maior parte do território nacional?
E tudo isto surge num tempo de penúria e no momento da apresentação do orçamento. O que pretendia o governo? Se não introduziu o item no orçamento é porque não pode, se o compromisso é com a troika, então deveria ter avisado o país antes. Se… o facto é que este governo é habitual comprometer-se e, depois, é que vem com o discurso lamechas de que tem que ser, é necessário e tal coisa e tal. Quando se lhe pergunta porquê, então, depois de muitas voltas, lá confessa que se comprometeu. O mal, é que não se compromete com os portugueses. E era com estes que deveria estar comprometido.
Ora, faz bem o PS em não alinhar com o governo nessa da refundação, não porque se sinta melindrado com as formalidades, mas, essencialmente, porque seria uma brecha na matriz do partido socialista e um retrocesso civilizacional. Lembro-me de uma frase de um filme, “ a civilização está em ruina, logo agora quando mais precisávamos dela”.
É preciso cortar despesas no despesismo do estado? Inevitavelmente. Mas por que, sempre que se fala em cortar despesas, elas são sempre na saúde, na educação e na acção social? Não há outras áreas em que esses cortes podem ser feitos? Claro que há! Mas aí estão metidos os interesses corporativistas, dos amigos e dos financiadores de campanhas…
Passaremos as próximas semanas acompanhar esta novela da refundação, cujo objecto são quatro mil milhões de euros. Agora, e para já, com mais um laivo da teimosia do Primeiro-Ministro, após a nega do Seguro.
Entretanto, vejam bem, num momento em que nos são apresentadas diariamente restrições, austeridade, pobreza, despedimentos, dificuldades de toda a ordem, emigração… o sr. Silva (Presidente da República), depois de estar calado desde a borrada do 5 de Outubro e de ter “falado” via facebooK, apareceu para comentar a austeridade na inauguração de um hotel de luxo! Ficava-lhe bem um certo pudor. Poderia mandar o ministro da economia, outra pessoa, mas ele deveria comedir-se, porque o luxo destoa com austeridade e com a miséria que grassa pela sociedade portuguesa. E que disse ele? Disse que não se deixava pressionar acerca do Orçamento de Estado! E precisa sr. Presidente?

P.S. Saúdo a reeleição do Presidente Barac Obama. É uma excelente notícia para o mundo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Em Portugal, ensina Marcelo Caetano no «Manual de Direito Administrativo» (segunda edição, páginas 177), pode dizer-se que os termos concelho e município são considerados sinónimos, sendo concelho a autarquia local que tem por base territorial a circunscrição municipal.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaSão várias as teses que historicamente fundam esta realidade institucional, sendo comumente aceite como dominante a que o filia no direito romano.
Não deixando, todavia, de relevar o contributo do Código de Alarico, o Conventus Publicus Vicinorum, os Ajuntamentos da Cabilia.
O Município expressa-se através de órgãos de administração activa comuns que são a Assembleia Municipal, a Câmara Municipal e o Presidente da Câmara Municipal, pondo-se o acento tónico no segundo, o que em linguagem comum torna sinónimos as palavras município e concelho e ainda a expressão câmara municipal.
As pessoas colectivas de direito público – passamos agora a palavra a Diogo Freitas do Amaral, Manual de Direito Administrativo (Tomo II, páginas 617) – exprimem a sua vontade através de órgãos, com os quais as identificamos.
Os dicionaristas, por todos Frei Domingos Vieira, in Thesouro da Lingua Portugueza, põem o acento tónico no carácter histórico, atribuindo-lhes o significado de cidades do Lácio e da Itália e, mais tarde, de todo o Império, que viviam segundo suas próprias leis e costumes, ao contrário das colónias que se regiam por leis vindas de fora, normalmente da cabeça do Império. O que pressupunha a existência duma câmara municipal, que legislasse para dentro.
Isolado o termo câmara identifica-se para os dicionaristas como salão, divisão mais ou menos monumental de casa também de marcada monumentalidade.
É a domus, de que falam cronistas e poetas:
De capa e volta, de calção e vara
Eu hei-de ir á casa do concelho
Falar ao senhor Alcaide, de voz clara
Dizer-lhe uma oratória que aparelho…

Assim, o salão dos dicionaristas, o vocábulo câmara, aditado de municipal, simboliza o próprio município de que é o orgão por excelência e generalizado entendimento.
Conclui-se, portanto, que não obstante as maiores ou menores dicotomias a que se pode chegar numa linguagem marcadamente cientifica, concelho, município e câmara se podem considerar palavras sinónimas no campo do direito administrativo – lato sensu…
Município, camara municipal, concelho… assumem-se, pois, como instituições jurídicas que têm de comum o poder municipal… que simbolizam ou exercitam.
Instituições jurídicas no sentido em que Savigni, in La Ciencia del Derecho (Editorial Losada), lhes atribui, a vida depois plasma-as, não havendo surgido nenhum conflito quanto a direitos de personalidade, pois a pessoa colectiva, como unidade da vida social e jurídica, viu assim afirmada a sua própria individualidade.
O nome e órgão são um só.
E, para quem queira pôr em causa, com relevância no mundo do processual, aquela identidade, terá de objetar-se que, sendo o concelho ou município o agregado de pessoas residentes na circunscrição municipal com interesses comuns, prosseguidos por órgãos próprios, são estes órgãos que dão vida ao ser de sem eles inerte, que seria o concelho…
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

O Município de Oliveira do Hospital não se limita a queixar-se…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaPor iniciativa do Município de Oliveira do Hospital foi criada uma Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro – BLC3 – que visa desenvolver o município e a região, e promover uma nova visão de inovação, ciência, qualidade, e empreendedorismo, fomentando assim o aparecimento de novas ideias de negócio e de uma nova geração empresarial.
São associados/ fundadores desta Plataforma o Município de Oliveira do Hospital, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, as Universidades de Coimbra e de Aveiro, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, IP, o Biocant e o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras.
A Plataforma tem como linhas estratégicas para o desenvolvimento da região:
– Fazer da Região Interior uma referência nacional em desenvolvimento sustentável do território;
– Promover a floresta e a agricultura, dando prioridade à proteção, valorização e gestão sustentável dos recursos florestais, prevenindo o risco de incêndio e promovendo a sua exploração numa ótica empresarial;
– Apostar nas energias renováveis, valorizando e explorando o potencial para a produção de energias renováveis, sobretudo, a eólica, a hídrica e a de biomassa;
– Apoiando a atividade empresarial, implementando políticas de incentivo à instalação de atividades de atividades económicas, designadamente, das produtoras de bens e serviços mercantis transacionáveis;
– Promover o potencial turístico, dando projeção ao património natural e paisagístico da região;
– Gerir o declínio da população e a baixa densidade, de forma a garantir os mínimos de ocupação necessários à gestão sustentável do território.
Entre as iniciativas já levadas a cabo, destaco:
– Uma Incubadora de Ideias e Empresas, localizada na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, que presta apoio gratuito a novos empreendedores, tendo já sido criadas e ali instaladas empresas como: Ecoelec, cujo negócio incide sob a utilização de recursos energéticos limpos, amigos do ambiente; Regional-Innovation, apostando no desenvolvimento de um Centro Comercial Virtual Multi-Língua; Go-Star, plataforma de venda online de produtos tradicionais da região da Serra da Estrela; Living Açor, visando potencializar e promover as propriedades inseridas em contexto rural através de uma ferramenta online; A.H. – Saúde e Formação, projeto empresarial que consiste numa solução de acompanhamento de idosos, de pessoas com demência ou com necessidades especiais, em ambiente domiciliário; ISEV, de criação de soluções para uma mobilidade sustentável; Voz da Natureza, centrada em investigação científica e biotecnológica associada ao desenvolvimento de produtos inovadores e diferenciadores em micologia; Centro TV, de informação multimédia, com cariz regional, através de uma televisão online e de outras plataformas digitais.
– Um Centro Tecnológico, que tem em desenvolvimento projetos como: Trans-I-Duca – Educar para o Desenvolvimento Sustentável Transfronteiriço, em consórcio com a Asociación para el Desarrollo Rural Integral de las Sierras de Salamanca (ADRISS) e a AAPIM – Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha: Valor Queijo – Solução Biotecnológica, de valorização de um queijo DOP, através do desenvolvimento de um projeto de investigação aplicada para a construção de um protótipo de fabrico de unidoses de queijo de pasta mole; Value MicotecTruf, visando desenvolver, na região interior centro do país, a produção de cogumelos silvestres nativos e investigar as condições propícias para a produção de trufas;
– Um Centro de Inovação, o Clube 3 i – Inteligência/Inovação/Investigação, que pretende visa captar talentos, naturais da Região Interior Centrol e da região, por via do estabelecimento de uma cultura de empreendedorismo.
Eis mais um exemplo de como se pode contribuir para a inversão da atual situação de desertificação e de perda de competitividade no interior beirão.
Claro que, como já o disse, não pretendo que ideias como estas sejam pura e simplesmente, imitadas pelo Município do Sabugal.
Mas há muitas mais hipóteses a explorar neste campo. E não posso deixar de lembrar mais uma vez algumas propostas que o programa eleitoral do Toni apresentava:
– Criar o Gabinete de Apoio ao Investidor, e uma Agência de Captação de Investimento elementos de atração do investimento.
– Criar um Centro de Formação de Excelência, assente numa Parceria Público-Privada, que promova formações técnico-profissionais e tecnológicas dos níveis III e IV em áreas como a agricultura, a energia e o ambiente e a economia social.
– Criar o Programa “Empresário Sabugalense Jovem”, favorecendo a criação de empresas por jovens.
– Criar em parceria com as Instituições Universitárias e Politécnicas da Região o “Prémio de Inovação Empresarial”, destinado a incentivar o aparecimento de projetos empresariais inovadores da iniciativa de jovens empreendedores.
– Criar o Programa “Sabugal Investidor”, apoiando técnica, burocrática, financeira e fiscalmente, a criação, fixação e manutenção de empresas no Concelho.
– Transformar as Zonas Industriais existentes em Áreas de Localização Empresarial, incluindo a criação de Ninhos de Empresas.
– Criar o Programa “Sabugal Renovável”, em parceria com os empresários e as suas Associações, apoiando o desenvolvimento de um Pólo Industrial “Energias Renováveis”.
– Criar Centros de Incubação de Empresas tendo como destinatários principais jovens empreendedores naturais, residentes ou que queiram investir no Concelho.
– Apoiar e incentivar o desenvolvimento por empresas do Concelho de programas e projetos de Investigação e Desenvolvimento (I&D).
– Criar as condições para a constituição no Concelho do Sabugal do Centro de Apoio à Criação de Empresas (CACE) da Beira.
E repito, o que já disse anteriormente. Muitos nos acusaram de utopia! Em Oliveira do Hospital preferem sonhar e concretizar os seus sonhos!

PS. Há 4 anos, após a vitória de Obama escrevi aqui “E quando nos disserem que o Sabugal não pode mudar, responderei com esta crença eterna que resume o espírito do povo sabugalense. Podemos!”
Como se mantem actual esta frase, no dia em que Obama ganhou de novo!…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O milénio pasado foi o tempo das nações-estado que, de resto, já se haviam começado a desenhar na segunda metade do antecedente por reflexo da grande crise provocada pela queda de Roma e consequente desagregação do seu império.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO reino dos francos, antecâmara da actual França, foi o primeiro.
Naquilo que nós, hoje, chamamos de Europa Central e Europa de Leste, fervilharam então os gérmenes que cissiparizando-se, deram as centenas de principados, ducados e guelfas que, pelo fenómeno oposto viriam a dar os grandes impérios… O de Otão, antecessor do Sacro e do bismárquico, dos margraves de Viena de Austria, consubstanciado nos Habbsburgos, do de Pedro, o Grande, fundador de São Petersburgo, centralizador dos canatos que o seu ceptro unificou, o dos turcos-otomanos que as quezílias de Bizâncio deixaram passar aquém Danúbio.
Aqui, na Península Ibérica iam sucedendo os godos, visigodos, ostrogodos, suevos, alanos e vandaluzes, precursores das monarquias neogóticas que, por seu turno, vieram a gerar a Espanha dos condados, mãe de reinos.
E assim surgiu o reino de Portugal o país mais antigo e estável em fronteiras de todo o velho Continente.
O resto da península foi até mil e quinhentos um mosaico de reinos, dificilmente unificado por Fernando e Isabel, soberanos cada um seu trono, contendor um do outro até á cruzada contra Boadbil que expulsaram de Granada.
A França é de registo mais antigo. Mas não tem conseguido manter a integridade territorial, baldeada segundo os sucessos e insucessos das guerras com a Alemanha.
E ainda de mil novecentos e quarenta a mil novecentos e quarenta e cinco esteve partida em duas, só a de Vichi, gozando de independência aliás relativa.
Terrivelmente oscilantes em todas as direcções tem sido as fronteiras da Alemanha, dividida até ao tutano em duas durante metade do século passado.
A Itália foi durante milénio e meio uma autêntica manta de retalhos… com os reinos do Piemonte, de Nápoles e as Duas Sicilias, os ducados de Parma e de Veneza, as repúblicas de Piza e de Florença…
E das partilhas, levantamentos, cissiparizaçoes e fenónemos inversos é testemumho o que foram as partes europeias, primeiro, do Império Bizantino, depois, do otomano.
O segundo milénio foi o da dança das nacionalidades, agredindo-se reciprocamente.
O Milanado oscilava servindo alternadamente duas cortes em guerra endémica, a Casa de Áustria e a Monarquia Francesa. De tal modo que os seus militares tinham uma farda de dupla cor. Bastava virar a casaca
O Imperio Russo, czariano primeiro, comunista depois, entra em maré cheia ou vazia, ao sabor de preiamares e baixamares.
Unificado sob mão ferrea, cissipariza-se quando o centralismo abranda e no momento presente são às dezenas as repúblicas minúsculas que apareceram no xadrez.
Até a Geórgia, pátria de Estaline, entra na contradança em que também figuram os pequenos estados bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia.
Ainda no Báltico, a Suécia, ora assume dignidade imperial, ora se reduz a uma pequena coroa.
De modo que a Europa das Pátrias e Nações e das regiões mais ou menos autónomas, no nosso milénio tem de ser a Europa das Pequenas Comunidades.
E nesta cabem as Terras do Charro…
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Nos meus passeios pelo Côa, vêm-me à memória episódios da minha adolescência. Um deles, inesquecível, foi a travessia do Pego (zona do rio Côa junto à cidade) a pé! Sim a pé, era um dia de Inverno, um dia gelado, o rio estava transformado numa estrada de gelo. Então eu, o João Leitão e o João Carriço, temerariamente atravessamos de uma margem à outra.

António EmídioE hoje querido leitor(a)? Presumo, oxalá me engane, que o Côa não voltará a gelar da mesma maneira, todos sabemos porquê, cada vez se acentua mais o Aquecimento Global. Ninguém pode ignorar que uma catástrofe ecológica ameaça o nosso Planeta, a Mãe Terra está ferida e o futuro da Humanidade está em perigo. Quem feriu a Mãe Terra? Um sistema económico cuja lógica se baseia na concorrência entre empresas nesta economia mundializada e, no progresso e crescimento ilimitados. Este sistema de produção e consumo procura a ganância ilimitada, conseguiu com isto fazer a separação entre o homem e a natureza, entre o homem e a Mãe Terra. Esta, a Mãe Terra, é um ser vivo com a qual temos uma relação interdependente e também espiritual (quantos de vós queridos leitores[as] da Diáspora vos lembrais das vossas aldeias, dos vossos campos, dos vossos rios e ribeiros, e até dos animais que povoam as vossas terras), mas o homem tudo transformou numa mercadoria: a água, a biodiversidade, a vida, e até a morte. A desflorestação dos bosques é um autêntico atentado à natureza, só a Amazónia perde por ano uma superfície de perto de seis mil quilómetros quadrados de arvoredo, na África e na Ásia acontece o mesmo. A agricultura industrial envenena com pesticidas os campos agrícolas, estes pesticidas que são produtos tóxicos, estão incorporados na cadeia alimentar, o que comemos está envenenado, o aumento de casos de cancro é uma consequência disto. Há países na Europa cuja contaminação provocada pelas actividades industriais e agrícolas (agricultura industrial) afecta 80% dos seus rios e 50% das suas capas freáticas. Num outro, uma empresa siderúrgica, das maiores da Europa, contamina o Mar Mediterrâneo com toneladas de produtos tóxicos, calcula-se que entre 2007 e 2012, 10.000 pessoas morreram por doenças que tiveram origem nessas emissões tóxicas. Em Portugal, as agressões ambientais matam bastantes portugueses por ano.
A degradação do meio ambiente e a mudança climática atingem presentemente niveis críticos e são uma das principais causas das migrações internas e também externas, na África e na Ásia. Segundo algumas projecções, em 1995 havia aproximadamente 25 milhões de migrantes climáticos, presentemente são 50 milhões, e prevê-se que para o ano de 2050 sejam entre 200 e 1000 milhões de pessoas deslocadas por causas da mudança climática.
A Humanidade está num dilema: ou continuamos com a contaminação, a devastação e a morte, ou entramos no caminho da harmonia e de respeito com a natureza e com a vida. Não há meio-termo.

Querido leitor(a), não tenho saudades do passado, ninguém tem saudades do passado, do passado têm-se boas ou más recordações, tenho saudades de um futuro diferente, de um futuro melhor, de ver a Mãe Terra sarada, mas já não verei, sabe porquê ? Porque para estabilizar o sistema climático é preciso reduzir para metade as emissões de CO2 nos próximos 40 anos!
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Tal como vai acontecendo um pouco por todo o lado também nos Fóios se realizou um extraordinário magusto a que chamamos «transfronteiriço».

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaFoios e Eljas são duas localidades geminadas desde 1995 e todos os anos realizam, alternadamente, um magusto. Foi no passado sábado dia 3 que aconteceu o de 2012.
Os elementos da Junta de Freguesia dos Fóios e do Ayuntamiento de Eljas programam, atempadamente, o magusto visto que ser de grande envergadura.
Para além dos duzentos quilos de castanhas e dos cem litros de jeropiga, da responsabilidade dos Fóios, nuestros hermanos preocupam-se, igualmente, com os produtos de «Su Pueblo», como seja o vinho, o mel e as azeitonas.
Este ano a animação musical foi da responsabilidade dos «Lagarteiros» – assim designados porque noutros tempos comiam os lagartos – e correu tudo na perfeição.
É que em Eljas há um grupo de jovens, muito bem organizadas, que nos divertem com as tradicionais sevilhanas que são muito apreciamos nesta bonita zona raiana.
O baile foi abrilhantado pelo «Homem Orquetra» que veio pela primeira vez aos Fóios. Animou de tal maneira o baile que os responsáveis pela capeia, do próximo ano, o contrataram para estar nos Fóios no dia 20 de Agosto de 2013.
Foi, na verdade, um dia de muita animação a ponto de muitos dos «nuestros hermanos» dizerem que o pavilhão estava a abarrotar, tal como eles costumam dizer do outro lado da fronteira.
À noite ouvi também dizer a algumas pessoas dos Fóios que os mais de duzentos espanhóis, sobretudo espanholas, animaram extraordinariamente os Fóios tendo esgotado muitos produtos nos comércios e enchido os restaurantes, tanto ao meio dia como à noite.
Afinal, com estas actividades, é mesmo isso que se pretende. Animar os pueblos e fazer funcionar a economia.
TURISMO É FUTURO.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Acreditem ou não, encontrei à venda no agora badalado portal OLX senhas de racionamento da Caparica datadas de 1945. Uma mera curiosidade. Mas isso leva-me a voltar à minha linha habitual: ligar o hoje aos ontens da nossa meninice e, neste caso, da geração anterior à minha. O racionamento deixou marcas fortes nessa geração no Casteleiro. De vez em quando, já alguém falava dos tempos do racionamento.

Sempre ouvi falar do tempo em que havia racionamento na minha terra. Muitas vezes isso aparecia logo associado ao contrabando. Nunca percebi muito bem como é que isso era feito: está bem, para a minha casa só podiam vir umas colheres de açúcar por semana. Mas quem é que dizia quantas colheres?
Sempre ouvi dizer que uma sardinha era para três. Mas não sabia que isso se devia ao racionamento. Pensava que era mesmo porque não havia dinheiro para nada.
Hoje sei que se juntava tudo numa só década: a absoluta indigência das populações empobrecidas até ao limite mínimo, por um lado, e, por outro, o racionamento dos bens alimentares (e não só, mas era isso, basicamente, embora a gasolina e a electricidade também sofressem limitações).
A tudo isso somava-se o facto de para muitos bens haver uma espécie de requisição estatal permanente que se destinava a garantir que Portugal exportava para a Alemanha e para a Inglaterra uma determinada quota de pescado e de metais como o volfrâmio, por exemplo.
Tudo junto, deu uma situação de penúria total com as pessoas a terem de se defender com esquemas – cada um como podia.

Guerras e racionamento
O Casteleiro sofreu como todos os recantos do País quando na década de 40 o Estado estabelece a venda de apenas pequenas quantidades de bens de consumo – foi o tempo do chamado racionamento».
Vamos por partes. Nesses dias duros da década de 40, a Guerra Civil na Espanha (1936-39) e a II Guerra Mundial (1939-45) deixaram na penúria os países afectados, directa ou indirectamente – como foi o caso de Portugal.
Mas essa não foi a primeira vez que gerações portuguesas conheceram os mecanismos do racionamento. Não. N a1ª República, e também depois da Guerra (I Guerra Mundial, 1914-18), também foi decretado o regime de racionamento de alguns bens. De facto, a História regista que até 1921 houve falta de produtos, designadamente de açúcar.

Faltam produtos e dinheiro
Mas a época a que me vou referir é a das guerras em Espanha e na Europa (1936-45). Não havia que comer. O Estado requisitava produtos e levava-os a título de confisco. Pouco restava para as famílias que faziam a sua jeira de agricultura. Para as outras, nada havia. Eram os tempos em que a sardinha que era pescada no nosso mar ia direitinha quase toda para a Alemanha. Eram os tempos em que se havia dinheiro se comprava uma sardinha para três – história sempre repetida com o peso e a carga que se imagina da parte de quem passou pela situação e ainda se lembra dessa angústia.
Esta situação levava a que muitas pessoas produzissem e escondessem a produção a fim de sobreviverem. A GNR fiscalizava, mas nem tudo podia ver. Foi em 1943 que o regime procedeu à criação da Intendência Geral dos Abastecimentos (IGA), um organismo especial: a Intendência, como lhe chamavam. Era nos postos da Intendência que as pessoas recebiam as senhas de racionamento.
O contrabando veio ajudar e cresceu muito.

O racionamento
As famílias do Casteleiro não tinham dinheiro para comprar. Mas mesmo que tivessem, só podiam comprar muito pequenas quantidades de produtos alimentares essenciais. De que bens se fala quando se fala de racionamento nesses anos terríveis? Açúcar, azeite, leite, pão, milho, arroz, bacalhau, massa, sabão, óleo, manteiga, café, cacau, cereais, farinhas, mercearias em geral: tudo era contadinho.
As pessoas que tinham terras procuravam defender-se cultivando.
É contado que todos os bocadinhos de terra acabam por ser cultivados: quem tem e quem pode socorre-se dos legumes e dos cereais para se alimentar a si e aos filhos.
Era assim no Casteleiro e era assim no resto do país rural.
Produzia-se muito. Portugal não tem em muitas regiões solos muito ricos, sendo que a produção de searas é ainda mais rara.
Mas, mesmo assim, muita dessa produção era confiscada pelo Estado.
Ia para a tropa e para exportar para a Inglaterra e para a Alemanha, segundo se conta.
No Casteleiro, plantam-se mais legumes para consumo, criam-se coelhos, galinhas e porcos – quem pode defende-se assim.
Mas falta sempre a muitas famílias o pão e outros bens. O racionamento de pão é rigoroso. «Até o pão não escapa e passa a ser reduzido, o branco, a 120 gramas por dia e por pessoa ou, em alternativa, o pão escuro a 180 gramas. A batata é meio quilo por semana e por pessoa» (leio no «Coisas do Arco da Velha», que também acrescenta algo que corre nos contos de antigamente do Casteleiro: «A fruta e o peixe tornam-se praticamente proibitivos»).

As imagens:
1. A carta de racionamento / 1951 / Braga foi tirada do blog ‘Conta-me como era’.
2. A foto da fila de racionamento em Lisboa e a da carta de racionamento do pão foram captadas no blog ‘Citizen Grave’.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Monteiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às demais quatro anexas desta freguesia: Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO MONTEIRO

Monteiro é nome de altas honrarias
Assim o rezam velhos cronicões
Cantando fragorosas montarias
Romances velhos, trovas de truões

Com tanta fama só as romarias
Vivência funda a fé das multidões
Além o corpo mostra bizarrias
Aqui a alma pias intenções

Conforme se ilustra ou não a crónica
Pois cada um lhe apõe a sua tónica
História e lenda, fluído verdadeiro

Quem vem certificar-nos a verdade
Registo batismal e identidade
Da razão deste nome de Monteiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

A longa viagem de mais de dois meses que o então chefe do governo chinês Chou En Lai levou a cabo em África na parte final de mil novecentos e sessenta e três marca uma data importante, pois foi por ela que aquela potência que começava a ter intenções de hegemonia mundial saiu do seu próprio continente, para potenciar o movimento revolucionário no chamado Terceiro Mundo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaJá antes, em em mil novecentos e quarenta e nove, Liu Shao Chi, que havia de ser presidente da república, defendera a tese de que a via chinesa é a via que devem tomar todos os países coloniais e semicoloniais no seu combate para a independência nacional. Era a formação de frentes nacionais.
Os elementos de vanguarda da luta revolucionária, preconizava, devem atrair a si os elementos patriotas da burguesia nacional e formar com eles uma frente tão larga quanto possivel. Mas a direcção dessa Frente deve pertencer à classe operária, leia-se ao partido comunista.
Porque a partilha do poder com a burguesia nacional não conduziria ao triunfo da Revolução, mas à prevalência de interesses burgueses.
Ponto essencial era também o da necessidade da luta armada, relembrando os ensinamentos de Mao Tse Toung, segundo o qual o poder está sempre nos canos das espingardas.
Mas esta luta só de per si é insuficiente e não pode ser levada a cabo só pelos povos colonizados. É fundamental o auxílio dos países socialistas
Enfim, os povos da Ásia, da África, da América Latina devem aplicar na sua luta contra os colonizadores a técnica revolucionária que o povo chinês praticou e se encontra sintetizada nas lições de Mao.
Tem de ser assim, dizia o compêndio.
Para o Egito, a Argélia, Marrocos, o Quénia, as três Guinés, o Mali, a Somália, o Tanganica, Zanzibar, o Iemen, a Palestina, o Paquistão, o Ceilão, nas Antilhas, nas Caraíbas, no Peru, na Nova Caledonia…
Como se vê, não há limites geográficos para o expansionismo chinês.
Poderá perguntar-se das razões pelas quais Pequim decidiu intrometer-se tão larga e profundamente por todo o Terceiro Mundo.
Porque os países ocidentais ou abdicaram ou se mostram apenas preocupados com a colonização económica, única que também em seu entendimento interessava aos soviéticos.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

No passado fim de semana, realizaram-se as Jornadas Parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP. Sendo um acto normal da nossa democracia, as televisões mostraram umas jornadas em que os ministros foram desfilar e onde cada ministro desfiou a sua actividade enquanto ministro.

A minha análise destas jornadas e de todas é que, em vez de se ouvir e de se discutir a actividade parlamentar, acertar estratégias e modos de intervenção política comum, elas serviram para que os ministros se mostrassem e justificassem a sua actividade. Falo destas jornadas, sabendo que as outras são a mesma coisa. É uma espécie de folclore da nossa política. Contudo estas, as da maioria, acontecem depois de mais uma desavença no governo e na maioria. Depois de ser criada uma comissão (especialidade cá do burgo) para acompanhar a coligação. Desta feita, foi uma espécie de declaração de amor, tipo as bodas de prata, ouro ou diamante de um casamento. As jornadas parlamentares desta maioria não discutiu o Orçamento de Estado que ia ser apresentado dois depois, nem acrescentou nada à política desastrada deste governo. Foram um desperdício de tempo e de dinheiro. Dinheiro este que vem do estado e, portanto, de todos nós. Era fundamental que, na actual crise que se vive, houvesse a coragem e o bom senso de terminar com o financiamento dos partidos através de dinheiros públicos. Um partido é uma instituição privada, não deve receber dinheiros públicos. Seria uma medida em que, para além de cortar despesa, era, também, uma medida higiénica politicamente. Dir-me-ão que a democracia vive dos partidos. Sem dúvida. Mas a democracia exige que os participantes nela não sejam os seus «chulos». Assim, quer os partidos, quer as pessoas, devem entender que a participação política e pública é uma actividade que se reveste de dever, direito, e da liberdade de escolha, no sentido de ser uma opção de cada um. Acontece que os partidos e as pessoas que se envolvem na política fazem-no para proveito próprio, desvirtuando a res publicae. Desta forma se vendem os princípios, a ideologia, a moral, a personalidade. Transformando a democracia numa amálgama de interesses obscuros e perniciosos. Contribuindo para a descrença na política e, principalmente, nos políticos.
O debate do Orçamento de Estado é a prova da opaca nuvem que move o parlamento. Por um lado, a ingenuidade do governo ou a sua manifesta má fé, na apresentação do seu modelo económico. Apresentando uma lei de orçamento e, ao mesmo tempo, apresentando desde já um plano B. Declarando, logo ali, que o orçamento que apresenta não vai ser cumprido. Por outro, a discussão do orçamento foi passada no enredo da “refundação”. Conceito que o sr. Primeiro Ministro trouxe para a ribalta nas jornadas parlamentares. A refundação do memorando, não é revê-lo, é refundar. Na refundação do estado. Não é acabar comas funções do estado, não é acabar com as suas funções, é… As reticências são propositadas. Não sei o que é refundar o estado. O sr. Primeiro Ministro não explicou. É acabar com as funções sociais? Reduzi-lo à mera recolha de impostos? As perguntas são mais que muitas. As respostas foram e são nulas. Aliás, uma verdadeira especialidade deste governo! E o debate lá foi prosseguindo, até terminar com uma intervenção final do sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros. E esta intervenção, em vez de falar do orçamento, das suas virtudes (o que se esperava de um ministro e do líder de um dos partidos da coligação governamental), não, vem falar da Europa! Como que querendo fazer de conta que não se estava a discutir um orçamento que assalta quem trabalha, que estrangula a economia, que propõe a miséria a milhares de pessoas, que ostraciza a sua população, deteriora os cuidados de saúde e de educação… mas que mantém os privilégios de classe aos magistrados, não corta nas mordomias dos estado, melhor, de quem o representa, não arrepia caminho quanto às privatizações ao desbarato e com muitas dúvidas nos processos negociais (vejam o caso BIC, foi vendido com desconto de 60% aos angolanos e ao seu testa de ferro, Mira Amaral), privilegiando amigos, não reduz e não corta no que é acessório (é possível a Assembleia da República ter um orçamento de 100 milhões de euros?!) e não cumprindo com o que efectivamente a troika dizia. Sabemos que este governo foi sempre muito mais longe do que aquilo que era exigido pelo memorando. O mesmo que tem sido usado pelo governo como pedra de arremesso. O problema tem sido a incompetência do governo. Alguém acredita nas contas do governo? Não. Depois de um ano em que todas, repito, todas, as contas do governo saíram erradas, ninguém acredita. Nem eles! E por isso o plano B. E o que é o Plano B? è um plano que tem como único objectivo um assalto anunciado aos bolsos dos funcionários públicos e aos trabalhadores. Aliás, e, também, a única actividade desenvolvida por este governo e, pelos vistos, a única ideia saída da brilhantíssima cabeça do génio Gaspar! Contudo, parece-me que este país, infelizmente, é meramente um plano B. Até no slogan mais ouvido pelas ruas é o B de «Basta».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Como é do conhecimento geral o magusto que junta Fóios e Eljas, localidades geminadas, realiza-se todos os anos, alternadamente.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaEste ano, de 2012, o convívio vai ter lugar no Pavilhão Multiusos dos Fóios no próximo sábado, dia 3, do corrente mês de Novembro, com a seguinte programação:
15h00 – Recepção a Nuestros Hermanos no Largo da Praça – Centro Cívico – em cujos mastos serão içadas as duas bandeiras nacionais, a de Foios, a de Eljas e a da Comunidade Económica Europeia.
15h30 – Atuação do Grupo de Sevilhanas
16h30 – Magusto
17h30 – Baile abrilhantado pelo extraordinário «Homem Orquestra», que consegue pôr toda a gente a bailar.
19h30 – Ronda pelos bares da localidade.
A organização é da Junta de Freguesia dos Fóios, e do Ayuntamiento de Eljas, contando com a prestimável colaboração da Câmara Municipal do Sabugal, Grupo Cultural e Desportivo dos Fóios, Damas de Casa de Eljas, Equipa de Sapadores dos Fóios, Comissão de Melhoramentos e Associação de Caça e Pesca dos Fóios.

Nota: Para além dos 300 quilos de castanhas e cem litros de jeropiga haverá também vinhos e produtos regionais provenientes de nuestros hermanos de Eljas. O magusto transfronteiriço é aberto à população das duas localidades, bem como a outros amigos que pretendam comparecer.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

A família é a primeira e a mais perfeita e natural das comunidades de base. E é a familia de origem que assegura, até que o cidadão constitua a sua própria casa a exercitação do direito à habitação.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaAlçapremando-se pelo casamento à plenitude da cidadania é sobre os cônjuges que passa a pender aquela obrigação.
Todos os nossos romancistas – e o romance, incluído o menos realista, é sempre um espelho da vida – nos dão conta do esforço, com todos os foros de ingência, de um casal de rústicos para levantarem a casa, dota-la de um poço e horta e, ao lado, fazerem vingar uma figueira.
Assim se exaure o melhor de duas vidas, lamenta Vergílio Godinho, in O Calcanhar do Mundo, não diferindo muito a xácara de Mestre Aquilino, em Terras do Demo.
No Portugal urbano dos últimos lustros, o esforço tem sido financeiro. As instituições bancárias, com o pleno apoio do Estado, propiciaram a aquisição de casa própria praticamente a todos os casais com um mínimo de solvabilidade.
Negociaram-se empréstimos a longo prazo e juros acessíveis. Ficou, é certo, a pender sobre os imóveis uma hipoteca. Mas, embora com aquele ónus, a casa pertencia-lhes.
Genericamente, as coisas têm corrido bem e os mutuários estão a pagar. Exceptuam-se, e são infelizmente já muitos, os casos de inopinado desemprego, que leva os atingidos por aquela fatalidade à impossibilidade prática de cumprir.
E aqui falhou o legislador e falhou o sistema bancário.
Sempre com o torvo olhar posto unicamente sobre o lucro, os bancos não encararam qualquer solução humanamente realista. Avançaram para a execução pura e dura dos créditos, leoninamente engrossados com juros e alcavalas, que tornaram o pacto autenticamente desumano.
A dívida facilmente galgou todas as raias da moralidade. De ascenso em ascenso, ultrapassou o valor venal do imóvel e as coisas só valem o que dão por elas.
Em corolário, o desgraçado fica sem a casa e com dívidas que até ao fim da vida, por mais longa que seja, não conseguirá solver.
Se os administradores bancários tivessem peso de consciência, mediriam o criminoso da situação. Uma dívida, por causa dum imóvel, não pode, não deve legitimamente exceder o valor do imóvel.
Os banqueiros não têm alma.
Mas, se não estivessem cegos pela codicía do lucro, veriam que à distância, até materialmente perdem. E semeiam o ódio e a fúria entre os fracos, sementeira que leva fatalmente a progtromes e destruições.
As perseguições a judeus e banqueiros – e o povo tende a identificar a raça e a usura – tem aqui uma herança genética.
Quem explora o povo, morre às mãos do povo.
Ora, se a banca, ofuscadamente cega pelas ânsias de lucro, não vê o perigo que corre, os governos deviam impor-lhe normas de conduta. Obrigá-la a negociar soluções de solvabilidade e, no limite dos limites, impor que a entrega do imóvel pague todas as dívidas directa ou indirectamente emergentes.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Sem querer alimentar questões estéreis, porque, de um modo geral, parece-me que todos estamos de acordo, não posso deixar de fazer algumas referências à questão da capeia (parece que o Sabugal não tem mais soluções e questões para resolver, mas…) e ao comentário de João Valente, sobre algo que sugeri.

(clique nas imagens para ampliar.)

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaÉ com algum sentimento de raiva que vejo como vamos debatendo questões enquanto os grandes decisores se estão, passe a expressão, marimbando para nós. A não ser assim, o País ter-se-ia desenvolvido de forma mais harmoniosa, menos assimétrica e talvez houvesse menos problemas que aqueles que agora temos em Portugal.
O concelho do Sabugal é bem o exemplo da incúria dos sucessivos governos e um espelho do Interior. Com uma grande extensão o Sabugal só não tem perdido território, porque, quanto ao resto: população e serviços, por exemplo, é o que se sabe. E nem se pode dizer que a culpa pode ser só imputada aos governantes locais, pois a corda da fronteira sofre do mesmo mal. É por isso que recorrentemente insisto que ninguém fará nada por nós; a mudança far-se-á ou não pela nossa ação ou pela falta dela. Não estamos entregues à nossa sorte, mas perto disso.
É pela perspetiva estrutural, mas também conjuntural, que nos vamos agarrando àquilo que pode ajudar ao desenvolvimento ou, pelo menos, a evitar o definhamento. Compreende-se, assim, que por argumentos racionais, mas também emocionais, haja quem, exageradamente, considere a capeia arraiana a maior indústria do concelho. Consciente dessa importância, na economia dos afetos e na identidade cultural, a câmara do Sabugal resolveu acrescentar valor e preservar aquilo que é uma marca única. A classificação da capeia como Património Cultural Imaterial e as jornadas que decorreram dias 19 e 20 de outubro, no Auditório Municipal, subordinadas ao tema «Pensar a tauromaquia em Portugal – diversidade, valorização, sinergias», são um bom exemplo.
As jornadas apresentaram um vasto leque de assuntos e pessoalmente só posso lamentar não ter podido estar presente em todas as intervenções por razões profissionais. Infelizmente também não terão estado tantas pessoas quantas as que seria desejável, algumas com obrigações, mas as coisas são mesmo assim. Talvez noutro contexto temporal fosse mais apelativo – a festa dos touros quer calor. Ainda assim, perdeu quem esteve ausente, como por exemplo a intervenção de Luísa Mendes Jorge, arraiana, da Faculdade de Medicina Veterinária, que apresentou alguns dados preliminares sobre um estudo com caráter científico sobre o impacto socioeconómico da capeia arraiana. Aguardo com expectativa a conclusão desse estudo que trará alguma luz sobre um aspeto a propósito do qual tanta gente opina, mas ninguém apresenta dados concretos.
Reconhecida essa vertente económica da capeia, considera-se que deve potenciar-se sem, contudo, adulterar a sua essência. Na intervenção que tive fiz questão de frisar esse risco; que o sucesso mediático da capeia pudesse ser causa da transformação em algo que não corresponde a uma manifestação de cultura popular, que emanou do Povo e é propriedade do Povo e de mais ninguém. Foi nesses termos, como salientou Paulo Costa, da Direção-geral do Património Cultural, que a capeia arraiana obteve a classificação. Portanto, há uma matriz que engloba várias facetas, nomeadamente o contexto geográfico, o facto de ser uma festa do Povo, consequentemente não comercial, como acontece com outras manifestações tauromáquicas, e, ainda que «cada terra com seu uso», é essa diversidade e unidade que a tornam única, razões mais que suficientes para «não andar com o forção para todo o lado» e manter as coisas nos termos da inventariação. Pela parte que nos toca, em Aldeia Velha continuarão os carros de vacas, continuará o Rol e tudo o resto que é ancestral, continuar-se-á a receber bem quem quiser aparecer, mas sem esquecer que é o folguedo dos da terra.
Postas as coisas nos termos anteriores, não devemos esquecer que nestas terras vive gente, que gostaríamos que mais gente se mantivesse e outra regressasse e que todos tivessem uma qualidade de vida adequada aos tempos atuais, preservando as tradições, mas sem aquela ideia que basta o ar puro e a paisagem para se viver feliz.
É por isso que não vejo mal nenhum em ter iniciativas que possam ajudar as pessoas. A capeia é a capeia, o rock é o rock. Uma coisa não tem nada a ver com outra. No entanto, nada impede que a Raia tenha um grande festival de verão para a juventude que seja potenciado pelas nossas tradições. O pão é o pão e o queijo é o queijo, mas nada nos impede de comer pão com queijo e se for pão centeio, malhado ao mangual e moído num moinho recuperado, para não esquecer como se fazia antigamente, acompanhado de um queijinho de cabra, daqueles que nós conhecemos, nem perde o pão nem o queijo.
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

Dia 1 de novembro é dia de lembrarmos os nossos que já partiram…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaSei cada vez mais o que devo aos homens mais importantes da minha vida – o meu avô Manuel Gonçalves e o meu pai Armando Matos.

Devo-lhes esta forma de estar na vida.
Devo-lhes o acreditar que vale mais ser do que ter.
Devo-lhes o valor que dou a palavras como honestidade, honradez, lealdade, amizade, cumprimento da palavra dada.
Devo-lhes a forma simples mas firme de estar na vida.
Não me deixaram dinheiro nem propriedades, que não tinham, pois foram homens cuja riqueza se media pela sua estatura humana e pela capacidade de trabalhar.
Do meu avô recordo hoje coisas simples:
A maçã, a noz, a castanha que sempre havia nos seus bolsos quando ao fim do dia voltava da horta e via o neto;
A ida às cerejas na manhã de São João;
A ida à Sra da Póvoa em dias de romaria;
A ferramenta de sapateiro, único bem material, mas tão cheio desse homem bom, de que solenemente fez questão de me nomear seu herdeiro…
De meu pai recordo:
A sua severidade que escondia, sei hoje, uma ternura envergonhada, reprimida desde a sua infância;
A capacidade de trabalho, desde que se levantava até altas horas da noite quando voltava das escritas que fazia para poder ter os filhos a estudar;
A amizade que dedicava a quem o conhecia e que lhe mereceu o apelido de “Armando Colega”;
A doença dele que o levou praticamente à cegueira e as da minha mãe que sentia como suas;
A dedicação à causa pública, desde os bombeiros à Câmara (foi vereador), passando pelos seus escritos sob o pseudónimo de «SOTAM».
Neste dia 1 de novembro corporizo no meu avô e no meu pai todos os familiares e amigos que já vi partir.
De todos colhi ensinamentos.
A todos devo uma parte do que sou hoje…

PS1. Infelizmente a Igreja Católica acordou com este (des)Governo acabar com o feriado de 1 de novembro.
Para uma Instituição que tanto diz defender os valores da família, só falta acordar também o fim do feriado do 25 de dezembro, pois assim, já não havia nenhum feriado que os portugueses associassem à família.

PS2. Como já tive oportunidade de dizer à Presidente da Junta de Freguesia não me vai ser possível estar presente na Mostra de Doces e Compotas Locais que decorre entre hoje e domingo que vem em Sortelha.
Eu é que perco, pois pelo que por lá vi, vai ser de olhar, provar e chorar por mais. E já agora comprem para o prazer não acabar ali…

PS3. A situação a que estes garotinhos, mas malfeitores, nos estão a conduzir, traz-me à memória uma exclamação do meu avô, face a qualquer coisa que corresse mal no País: «Ai portugalito, portugalito!»
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Captei, por estes dias, o tom esverdeado das águas do Côa.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»O rio esvaía-se, silencioso, por entre o verde/velho dos prados envolventes. As folhas das árvores haviam esmorecido nas quenturas demoradas do Verão findo. Talvez por isso se levantasse, ao lado e sobre a corrente, um verde acastanhado, o verde das ramagens.
Verifiquei, então, o leito do rio guarnecido por alongadas fiadas de choupos entremeados de freixos cuja persistência da folhagem apenas se mantém enquanto garante a presença das cores outonais.
As águas vincavam o vale, ao fundo, um vale carismático e símbolo de horizontes ribacudanos. Enfim, o rio corria sob uma breve brisa que ondulava um mar de ervas resistentes e oriundas da Primavera sinalizado por árvores acastanhadas e sulcado por pedras cinzentas.
Sentei-me, assim, perante o rio, sem palavras, na pele de um visitante compulsivo.
Dentro em breve há-de celebrar-se o inverno ao longo das margens e do rio. O frio sobrevoará o vale. A chuva salpicará as águas. Os regatos e ribeiras farão crescer correntes. A neve e a geada pintarão tudo de branco e as águas engrossarão e seguirão como sempre.
Desejei nestes instantes de observação que o rio se mantivesse isento de poluições e que a mudança de cor nunca fosse outra que não a cor da invernia.
As margens do Côa sofreram, durante séculos, lavras e amanhos intensos mas regressam, hoje, a um emaranhado selvagem, um emaranhado que rejuvenescerá e enverdecerá o inverno e a paisagem.
Dou-me bem dentro destes tons de árvores sem flor, regadas por águas verdes que se amansam no Verão e se braveiam no Inverno. Cuido, assim, do meu intimo e julgo que, cuidar do íntimo, pode ser um dos objetivos da nossa vida.
Sei, portanto, dos segredos destes campos. Conheço-os bem porque já lhes percorri cultivos, matas e prados. Apraz-me encarnar num humilde embaixador destas paragens. Tento defini-las em palavras como se descrevesse um mundo, o meu pequeno mundo.
Estas imagens do rio chamam-me, também, para a ideia de conivência com o inverno que subirá e descerá o vale bordando-o de cores mais verdes.
Enfim, direi que conto, por gosto, o vale e o rio que enverdecem em mim, nesta época e todos os anos. Ambos me acompanham no meu encontro com o inverno, estação de que gosto muito depois de tantas vezes ter sido tocado pelas cores e pelos frios destes sítios.
Levo, então, comigo, quando vou e onde vou, estes lugares como se levasse quadros.
Não levo destas margens milhões de árvores como talvez levasse das margens de um grande rio mas, estas, são as minhas árvores, aquelas que o rio me oferece em sinal de amizade.
Dentro de alguns meses há-de abrir-se a Primavera em árvores e ervas renovadas, em flores novas e selvagens. As águas límpidas serão cercadas e o quadro florido e paradisíaco (de branco sobre verde) ficará completo.
Esta paisagem voltará a chamar por mim nessa época de renovo, quando chegarem Abril e Maio pintados de Primavera, raiados de sol morno e quando os pássaros jovens cantarem pela primeira vez os silêncios do rio.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

O Capitalismo sem regras posto em marcha por Milton Friedman e seus acólitos, choca com o Liberalismo de economistas como Keynes e até Adam Smith, estes nunca desvincularam a economia da sua dimensão política, social e moral.

António EmídioOs valores sociais e morais já desapareceram por completo dos actuais governantes liberais, melhor dizendo, neoliberais, só assim se compreende que queiram um relançamento económico, um crescimento baseado num retrocesso social e laboral, importando-se pouco ou nada, com os problemas humanos das pessoas.
Esta Europa, Portugal incluído, claro, está a afastar-se de uma economia regulada, de uma Social-Democracia em que tanto contava o capital como a mão-de-obra, e com o Estado a arbitrar os conflitos, lançando leis justas tanto para um lado como para o outro. Era um modelo socialmente justo.
Se um indivíduo ou uma nação, orientam toda a sua vida, todos os aspectos da sua vida, simplesmente para o dinheiro, isso não é vida, é morte! É o que nos acontece presentemente, porque os homens que administram o actual Capitalismo desregulado, só têm como objectivo multiplicar os seus lucros, sabendo que esta liberalização absoluta dos mercados e as privatizações, vão contra a população trabalhadora, ou seja 90 por cento das pessoas, só assim se compreende que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
O espírito liberal está no seu estertor, foi uma época destas, a época do laissez-faire, que tanto dano causou às classes trabalhadoras, a causa do surgir de pensamentos socialistas, comunistas, social-democratas e anarquistas, de teóricos sociais como Marx, Proudhon e outros. Agora, no actual momento histórico que atravessamos, o mesmo laissez-faire de meados do século XIX está de volta, o que irá dar origem a conflitos, na medida em que os poderosos, ébrios de lucro, não aceitam a justiça, e onde não há justiça há violência.

O dono da Zara (marca de roupa), é tão rico que com a sua fortuna comiam nove milhões de famílias durante um ano! É talvez por causa de coisas destas que Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, mandou as pessoas, principalmente os católicos a estarem quietinhos e deixarem-se roubar à vontade, mais um entrave à fé, como o é a Macroestrutura da Igreja Católica… Por aqui me fico, receio ter de mandar um qualquer inquisidor para um sítio desagradável…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Fez há pouco 38 anos. Era o dia 2 de Outubro de 1974. O «meu» avião veio de Luanda e aterrou em Lisboa. Era um dos dois Boeings 744 da tropa. Tinha acabado o pesadelo. O maior pesadelo de sempre. Do Casteleiro a Buco Zau. Nada de muitos pormenores: só um cheirinho. Esta é uma parte não despicienda do património psicológico de cada uma das nossas aldeias.

Por uma vez, e sem exemplo, por causa da efeméride do meu regresso da guerra, hoje saio da rotina desta rubrica e falo «de mim», mas sobretudo de nós, os que por lá passámos. Claro que o meu caso é igual a muitos. Mas é do meu que sei falar. Das marcas, dos traumas, das dores de espírito eternas e fundas. Tão fundas que ainda duram e durarão em mim e em todos nós.
Eu, como tantos jovens da minha terra, tínhamos ido à guerra colonial.
No meu caso, o destino foi uma vilória no meio da floresta virgem do Maiombe, em Cabinda, a 14 km do Congo Brazzaville e a 21 do Congo Kinshasa.
Não vou contar desgraças da guerra. Isso, já está tudo espremido. Foram dias do diabo. 27 meses. Sempre a pensar que podia ser o último segundo. G3, granadas, bazookas, HK 21, lança-granadas-foguete… de tudo. E sempre tudo a rebentar, a disparar, a lembrar que não era treino mas coisa séria. Tudo marcadinho na memória até agora.
Mas não é por aí que quero ir, hoje.
Vou fixar o leitor e prendê-lo a dois ou três pormenores – menores, uma ova, são mas é «pormaiores», melhor: «pormáximos»: também cá estão até hoje.

Esta palavra Mendes
Há coisas que fora daquele contexto não têm qualquer importância. Mas ali tudo ganhou de repente tanto peso psicológico…
Por exemplo – e só para começar este desvio inabitual em quem fala da sua guerra, dos seus traumas de guerra –, a questão de como me chamo e de como me chamam.
O meu nome de baptismo é assim: josé carlos mendes. Pus em minúsculas de propósito, para dizer que aqui se trata apenas de palavras, cada uma por si, sem reportarem à pessoa.
Antes da tropa, em todo o lado, o meu nome era apenas duas palavras. E assim voltou a ser depois daqueles malditos 37 meses. Zé Carlos.
Mas na tropa o meu nome não era esse, não, senhores: era Mendes.
Mendes.
Que estranho.
Aquilo na tropa não é (pelo menos não era) a brincar. Sim, para todos menos para mim, eu era agora Mendes.
Eu ouvia:
– … Mendes.
Ouvia «Mendes», mas não reagia logo.
Só depois é que o meu cérebro traduzia:
– Eh, pá, agora Mendes é igual a Zé Carlos.
E era então que respondia.
Ora aqueles décimos de segundo de atraso na resposta do cérebro foram tão importantes que me marcaram para o resto da vida: é uma situação que me incomodou sempre. Quando me lembro, essa memória ainda me arrasta outra vez para os cenários da tropa.
Muitos e cada um mais complexo que o outro.
Primeiro em Mafra em Julho de 1971, depois em Lamego, na Amadora (á espera de embarque), viagem para Luanda em 2 de Agosto de 1972 (nove horas de avião com o batalhão todo), por fim em Cabinda, junto do Rio Luáli (o que significa rio do ouro – e onde de facto havia, diziam, pepitas de ouro, e onde, sintomaticamente, fui encontrar um fazendeiro de Penamacor, Viriato de seu nome).
Claro que a questão do nome pelo qual me chamavam, visto no conjunto, não tem qualquer gravidade, se comparada com as emboscadas, os tiros, o fogo de reconhecimento, a defesa imediata ou a Curva da Morte, a caminho de Sangamongo e do Chimbete.
… Poupo os leitores a esses momentos horríveis…
Mas chamarem-me Mendes foi tão diferente que acabou por me marcar de forma surpreendente. Estranhamente, isso acabou por ganhar força dentro de mim.

Anotações finais
O Casteleiro e as nossas aldeias estão seguramente cheias de pessoas com memórias destas. Mas poucos falam delas. E menos ainda têm um local onde exprimir essas «mágoas» da vida real. Nesse aspecto, esta é uma história do Casteleiro mas é mais do que isso: é uma história do País todo.
Vejam como simplesmente o nosso nome, uma coisa que ao leitor parece tão simples, no meio das conhecidas misérias daquela desgraçada guerra, acabou por me marcar para sempre. Claro que tudo ali ganhava uma dimensão enorme porque corríamos perigo de vida e isso é que marcava cada segundo.
E, milagre dos milagres, passados estes anos todos, tudo está tão nítido cá dentro. Tudo, em cada pormenor.

… Desculpem ter trazido isto para aqui, mas não pude evitar, por uma vez. É que tudo aquilo ainda dói muito. Basta-me ouvir aqui passar um Puma (é um heli pesado da tropa) e volta tudo ao de cima. E passam aqui tanta vez…
Estive 20 anos sem falar do assunto, tal era o trauma. Um dia, a pedido, escrevi umas crónicas no «Notícias da Amadora». Depois, de forma esparsa, contei coisas destas há uns tempos aqui, aqui, aqui e aqui.
Se tiver algum interesse, dê um olhinho.
E nunca esqueça o mais importante: o meu caso é apenas um em muuuuuitos milhares.

Nota
O ‘Capeia’ tem muitas visitas
– Quero deixar aqui um registo sobre as estatísticas deste blogue, porque vale a pena chamar a atenção do leitor. Trata-se das estatísticas principais de leitura e de popularidade. Registei-as no dia 25 de Outubro, às 10.30 h, e são as seguintes: 1- ESTATÍSTICAS: Visitas únicas – 1 885 159; Páginas lidas – 2 797 800. 2 – VISITANTES: On-line – 12 (em simultâneo naquele momento). 3 – ENTRADAS MAIS POPULARES: 1 – A casa onde nasceu Manuel António Pina; 2 – Praça Manuel António Pina; 3 – Casteleiro: o cultivo do linho; 4 – Sabugal tem fábrica de caldeiras a biomassa; 5 – Palace Hotel de Penamacor já está a funcionar.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia sulista do concelho: a Bendada. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às cinco anexas da freguesia: Quinta do Monteiro, Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

BENDADA

O nome com sonâncias de benesse
Reflete desde logo pia obra
Aquele que bem dá certo merece
Ainda que só dê o que lhe sobra

Os donativos valem como prece
Ou mais até quando a fé redobra
Ou quem dando oferta o que carece
Os ceitis da viúva Deus desdobra

Registos são prenúncios de um futuro
Premarca o nascimento o nascituro
Traçando o roteiro que lhe agrada

A pia batismal aqui no caso
Marcou um horizonte sem ocaso
Lançando suas bençãos á Bendada

«Poetando», Manuel Leal Freire

Decorreram no passado fim-de-semana, no Sabugal, as jornadas subordinadas ao tema «Pensar a touromaquia em Portugal – diversidade, valorização, sinergias». O programa era vasto e o tema motivador, multiplicando o interesse. Interesse este, que não ficou defraudado com intervenções inteligentes e, permitam-me, aficionadas.

Logicamente que a questão central se centrava na capeia arraiana, mesmo que tal não fosse propriamente a génese das jornadas. Contudo (e era inevitável), o interesse estava naquela que é a maior manifestação cultural do concelho do Sabugal. E sendo assim, o primeiro apontamento que registo é o facto das autodenominadas onze freguesias onde se realizam capeias arraianas, não terem estado presentes praticamente nenhum Presidente de Junta de Freguesia (creio que estiveram dois!). E aqui, perdoem-me a franqueza, mostra como tratamos aquilo que é nosso. Sabiam que a capeia arraiana é património cultural imaterial nacional? E que é o primeiro e único registo deste tipo? Como podem estar preparados para rentabilizar, dinamizar, preservar e desenvolver esta tradição e este fenómeno? Não podem. E não podem porque não sabem e nem se preocupam em saber. Perderam uma excelente oportunidade de se informarem, de tirar dúvidas e de exporem preocupações. Lamento. Também um apontamento para a ausência de gente e de aficionados. A sala apresentou-se demasiado vazia. E podemos tirar algumas conclusões; ou desinteresse, ou deficiente publicitação ou data da realização inadequada (uma sexta-feira é sempre complicado). Todas elas podem estar certas. Mas confesso, desejo que não seja o desinteresse o que tenha motivado tamanha ausência de gente.
As intervenções foram, todas elas, de grande qualidade. Desde as intervenções mais técnicas às mais substantivas historicamente. Intervenções empenhadas e que foram muito além do discurso racional. Demonstrando, também ali, que a relação com o touro é, essencialmente, paixão. E é a paixão pela capeia arraiana que me leva a outro apontamento, o pouco tempo que houve para o debate. Sei que o programa era apertado, vasto, o que não dava muita margem de manobra. Mas… faltou um diálogo mais profundo sobre a capeia. Pois era esse o principal objectivo das pessoas que ali foram. O que me leva, também, á espectativa da realização de mais eventos sobre o tema e deste calibre.
Só uma curiosidade, de todos os concelhos que estiveram representados e com manifestações taurinas, todas elas têm eventos na própria sede de concelho, menos o Sabugal. Mera curiosidade…
Não deixo de manifestar as minhas felicitações para a e pela realização destas jornadas.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Repetidamente vimos sustentando que a política é um serviço, não podendo e muito menos devendo profissionalizar-se.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO político tem de viver para a política – mas não pode viver dela.
O funcionário vive profissionalmente para a sua função e pode e deve viver a um nível razoável – a expensas dela.
Ora, no Portugal post-abrilino, verifica-se que os políticos, não vivendo para a Política, vivem dela… e muito acima do nível comum dos cidadãos.
Com vencimentos nalguns casos escandalosamente altos.
Com pensões de reforma, obtidas em tempo mínimo e volume máximo.
Com benesses dificilmente aceitáveis mesmo na Austrália das minas de ouro.
Pra não falar já dos invisíveis de que tanto tanta gente fala e tanta coisa salta para a ribalta, mas que tão pouco se certifica, pairando no ar uma tremenda nuvem que ofusca a de todos os Junos.
Seria, pois, de toda a conveniência para a classe política que os seus membros dessem provas de não apego aos lugares, deles abrindo mão logo que circulem com alguma consistência determinados rumores.
Como seria salutar – para mais num regime que tanto se ufana do seu republicanismo – que se não estivessem a erigir autênticas dinastias políticas, com direito de sucessão alargado a descendentes por parentesco e afinidade, para não falar já do paraninfado de influências.
A lei que circunscreve a três mandatos consecutivos a possibilidade de candidatura a uma determinada autarquia assume, inquestionavelmente uma posição morigeradora.
E interpretada dando prevalência ao elemento histórico e à base lógica deveria impedir uma quarta candidatura do mesmo cidadão, independentemente de ser outra ou não, a autarquia almejada.
Impedir-se-ia assim o anichamento de uns, ao mesmo tempo que se abriam hipóteses a outros.
Com uma dupla vantagem, pois…
Os políticos de profissão já anunciaram a ruptura com aquela restritiva interpretação. Luis Filipe Meneses, impedido, em qualquer interpretação, de se candidatar à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, anunciou já – e com sete tubsas – ser candidato à do Porto. Fará, ou melhor, repetirá o cursum histórico – do Portus Calém Antiquus para o Portus Calém Novus.
Certamente que Sua Excelência é um prestante cidadão e poderá vir a ser um zeloso e zelador autarca.
Por mim preferia vê-lo a exercer clínica.
Mas Sua Excelência prefere fossilizar-se na carreira política. E à falta de concorrente de peso equivalente, a vitória parece-lhe assegurada, com o risco de o Porto virar um enorme estaleiro.
O poeta popular já faz vibrar a lira:
Dizem para aí que o Meneses
Que tem a sua graça às vezes
Daria um bom presidente

Mas
Fazendo o que a Gaia fez
O Porto de lés a lés
É terramoto iminente

Objectar-me-ão que pior do que o tremor de terra ou o maremoto é a inércia.
Mas o Porto já sofreu o iconoclasta martelo do Rio e a fúria das suas enxurradas.
De qualquer modo, Meneses avança para um reinado. E para construir uma dinastia, tendo já conseguido no Parlamento assento para o filho…
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

O Município do Sabugal realizou em boa hora as Jornadas «Pensar a Tauromaquia em Portugal – Diversidade, Valorização, Sinergias», reunindo um conjunto de intervenientes de grande valia a nível nacional, os quais, durante dois dias, refletiram sobre o passado, o presente e o futuro das expressões de cultura e identidade popular que têm como objeto central o Touro.

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaTendo estado presente em praticamente todos os painéis, aqui deixo três notas muito breves:
1. A qualidade e o conhecimento aprofundado que os intervenientes demonstraram a que se associou uma demonstração clara de que aqueles homens e mulheres, para além do seu conhecimento intelectual, tinham uma grande ligação à questão da tauromaquia, o que se traduziu no afeto e na emoção com que falaram.
2. O reconhecimento por todos da valia identitária, mas também enquanto fator de afirmação do Concelho, da Capeia Arraiana, bem como do excelente trabalho desenvolvido que conduziu à sua inventariação enquanto património cultural imaterial nacional.
3. A certeza, transmitida de forma emocionada, pelos Presidentes de Câmara ou seus representantes ali presentes – Sabugal, Coruche, Moita, Barrancos, Montalegre, Angra do Heroísmo, Ponte de Lima, Alter do Chão, Setúbal e Vila franca de Xira – de que as práticas de tauromaquia popular realizadas nas suas terras continuam vivas e bem vivas, com uma cada vez maior adesão por parte das camadas jovens destes Concelhos.
Não poderia, no entanto, deixar de registar a muito fraca adesão dos sabugalenses, sobretudo dos oriundos das Freguesias onde se realizam Capeias, bem como dos eleitos locais (Juntas e Assembleias de Freguesia e Assembleia Municipal).
Como não partilho da posição de que «se o povo não me dá razão, a culpa é do povo», então só posso considerar que muito há ainda a fazer por todos, incluindo-me a mim, enquanto Presidente da Assembleia Municipal, para que próximas realizações deste tipo sejam atrativas aos principais interessados e que saibamos encontrar as formas adequadas para os motivar a estar presentes e a participar.
A Capeia Arraiana está viva e tem milhares e milhares de seguidores que a vivem e a discutem como sua e se os temas em discussão eram, sem dúvida, do máximo interesse, então devemos analisar onde falhámos e não lamentar-nos porque havia poucos sabugalenses a assistir e a participar.

PS1. A estadia no Sabugal para participar nas Jornadas permitiu-me, acompanhado por alguns amigos do Concelho, mas também de Vila Franca de Xira onde resido, revisitar alguns restaurantes de que deixo aqui notas breves:
(i) O Horizonte no Alto das Alagoas onde me deliciei com um bacalhau cozido com grão, demonstrando que não é preciso mais do que bons ingredientes e boas mãos para fazer bem um prato simples.
(ii) O restaurante da TRUTALCÔA entre Quadrazais e Vale de Espinho, onde umas trutas de escabeche e outras no forno fizeram a minha delícia e daqueles que têm como peixe rei o sável.
(iii) O Robalo e o seu cabrito que continua a ser o seu ex-libris e que estava uma maravilha. No caso do João, os meus amigos pernoitaram na sua Residencial, onde foram igualmente muito bem tratados.
(iv) A Casa da Esquila onde o meu amigo Rui nos presenteou com uma demonstração clara de que, com os nossos produtos naturais, se consegue fazer uma cozinha de autor de grande qualidade.

PS2. Aproveitei esta estadia para revisitar Sortelha, um deslumbramento renovado, como se de cada vez fosse a primeira. Chegando à porta da Junta e estando esta aberta, entrei, tendo o prazer de falar com a sua Presidente, bem como com o Secretário e o Tesoureiro. Era domingo de manhã e para aqueles que tanto querem destruir o poder local, seria bom que ali tivessem estado para ver como 3 cidadãos, mais um freguês que colabora com a Junta, passam parte do seu domingo ao serviço da comunidade sem que para isso ganhem mais do que o prazer de servir os outros…

PS3. Uma nota ainda para lamentar a perda de António Manuel Pina que, nascido circunstancialmente no Sabugal, nunca escondeu isso, bem pelo contrário, sempre gostou de dar a saber que o Sabugal era a sua terra natal.

PS4. Um pedido sentido ao sr. Coelho, primeiro-ministro deste país, para que me dê o seu número de telemóvel. É que, à semelhança do presidente do BESI também eu tenho alguns protestos ou desabafos a transmitir-lhe só que, por certo por falta de oportunidade, o sr. Coelho, ainda não me forneceu o seu número para lhe poder falar e desabafar no seu ouvido…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Câmara do Sabugal vai requalificar a Praça da República, arrancando os cotos das árvores que cortou em redor do chafariz, plantando de seguida, ao que parece, uns medronheiros.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAssim como assim, a República já anda de «penas para o ar»…
O crime de cortar as árvores, já não pode a Câmara repará-lo. Como dizia o Manuel António Pina, no prefácio de um livro sobre o mundo das árvores, elas «são seres silenciosos que, a nosso lado, partilha quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mas damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima. A maior parte das vezes pouco mais somos capazes de dizer do que “árvores”, porque também as nossas palavras se foram, pouco a pouco, tornando silenciosas. E, no entanto, cada árvore, como cada um de nós, é um ser absoluto e irrepetível, idêntico e apenas mutuamente a si mesmo, uma vida única com uma história única, um passado para sempre atado, de forma única, ao nosso próprio passado».
Mas pode muito bem, se quiser emendar a mão, minimizando o estrago, da forma como passo a explicar:
Manuel António Pina teve uma ligação afectiva com aquele largo, aquelas árvores e aquele chafariz que se situa bem defronte da casa onde nasceu, como podem testemunhar algumas pessoas que com ele privaram na intimidade e ouviram histórias das suas brincadeiras naquele largo.
Numa recente entrevista o Manuel A. Pina manifestou a sua gratidão por ter sido lembrado e agraciado pela câmara da sua terra natal, terra essa a quem o ligava um profundo afecto, testemunhado nessa mesma entrevista.
Na TSF, por ocasião da morte do poeta, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura e amigo do poeta, que sabia da paixão daquele por gatos e árvores, sugeriu que em nome do poeta maior, que desapareceu, devia ser plantada uma árvore.
A árvore que mais associada está ao poeta, por estar no seu quintal, é a macieira, conforme refere o poeta num poema do seu livro «Como se desenha uma casa»:
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Porque não dá a câmara ao Largo o nome do poeta e planta em redor da fonte umas macieiras?
É coisa simples de fazer, homenageava-se um homem bom e excelente poeta da terra, e ouro sobre azul, apagava-se a burrice feita!

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Pode dizer-se que o toureiro vai à praça para ganhar dinheiro, posição social, glória, aplausos, mas não é verdade.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO toureiro vai á praça para se encontrar com o touro, ao qual tem muito que dizer e a que, a um mesmo tempo, teme e adora.
É certo que os aplausos do público o incitam, lisonjeiam e animam. Mas ele está embevecido no seu rito e vê e ouve o público como se estivesse noutro mundo.
E, efectivamente, está. Está num mundo de criação e de abstracção.
Como os expectadores, cada um dos quais imaginariamente toureia o touro, com um capote imaginário e de modo diferente do que está vendo.
Assim o toureiro transforma-se num mito diferente para cada um dos expectadores e o touro passa a ser a única realidade e o primeiro actor.
É que todos sentem intimamente o desejo de tourear, sem pensar que o toureio é uma arte dificílima, que reclama génio individual, impõe escolas e tem modas.
Mas esta vontade lateja imanente em todos os espanhóis. Por isso, todos se sentem actores, actuando na praça com o toureiro.
Achando natural e não incrivel uma verónica de Belmonte ou um farol do inimitável Rafael, El Gallo.
E este desejo profundo de enfrentar o touro baila profundamente no ânimo de qualquer jovem espanhol.
São, aliás em número incontável os que se arrojam à praça, saltando dos tendidos,
con un trapito rojo y una caña en vez de espada, como verdaderos ecce homos de la fiesta… o se desnudan para pasar el rio y torear desnudos á la luz de la luna.
La Fortis Salamantina, torre que se reflecte no espelho do Tormes e a Giralda de Sevilha, alcandorada sobre o Guadalquivir são os dois minaretes simbólicos sob os quais se vive a aficion.
Claro que tudo vem do Sul.
O passodoble ressuma a sangue andaluz e toda a escola e ciência do toureio brotam da Serra Nevada para baixo. Mas, hoje, o Campo Charro tem bravas ganaderias que brilham nos redondéis de todo o mundo.
E assim o mérito divide-se entre os sinos da torre salamantina, carregada da universitária cultura renascentista e as badaladas da Giralda ressonantes ao mais belo arabismo em que há todo um rosário de ressonâncias e um gigantesco touro negro decantado já pelos poetas e que excita todos os ânimos.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

«Hoje, sempre que vos apareça no ecrã da televisão um economista com funções governamentais – não duvideis: eis a face explícita do mal, aquele que levou a Europa à decadência e se prepara para, alegremente, destruir o planeta»; Miguel Real.

António EmídioO jornal Público trazia uma notícia no dia 8 deste mês de Outubro, em grandes parangonas, que dizia o seguinte: «Empresa de que Passos foi gestor dominou fundo gerido por Relvas». Como este há dezenas e dezenas de casos em Portugal, fica então demonstrado mais uma vez, se fosse preciso, que os partidos políticos são correias de transmissão do poder económico. Somos livres querido leitor(a), (já fomos mais) mas isso não impede de cairmos no desemprego, na pobreza e na miséria Sabe porquê? Porque quem manda hoje são os «negócios», as grandes empresas com o seu poder económico, nós temos que ir atrás dos interesses e manobras do Grande Capital Financeiro e dos governantes que a ele se enfeudam, uma elite ignorante e incapaz, que a única capacidade que teve foi entrar para um partido político e servir-se a si mesma, em vez de servir os cidadãos. Esta pequena elite formou então o Estado Neoliberal, cujo procedimento é a acumulação de capital, por isso passa a vida a apoderar-se da riqueza produzida pelos cidadãos que trabalham, conseguindo isso através de impostos e coimas. Com tanto dinheiro nas arcas públicas (que o há!!) aumenta o número daqueles que querem viver do Estado, é essa pequena elite, mas que cada vez cresce mais. Como são ignorantes e incapazes só causam problemas e não têm soluções para nada, então, a primeira coisa que fazem é culpar o cidadão comum, acusando-o de não trabalhar, de ganhar muito, de se reformar cedo, de comprar o que não precisa e, mais uma dúzia de atoardas. Esta é a escola dos senhores que nos governam presentemente.
Fazendo jus agora ao título do artigo, quero dizer que o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, o senhor Mitt Romney apresenta-se como um «homem de negócios», sendo este o maior trunfo em relação a Obama. Esta é a cultura e ideologia empresariais, também conhecida por Neoliberalismo. O fanatismo empresarial é de tal ordem que um dos maiores especuladores do sector imobiliário norte-americano, Donald Trump, fez uma proposta de modificar a Constituição dos Estados Unidos, acrescentando-lhe que só os cidadãos que tenham nascido nos Estados Unidos e tenham tido experiência como homens de negócios ou gestores de empresas privadas, possam ser presidentes dos Estados Unidos.
Um estudo feito nos próprios Estados Unidos mostra que os piores presidentes foram precisamente os homens de negócios que tiveram êxito no sector privado, não há regra sem excepção, a excepção foi Harry Truman. Os piores foram Herbert Hoover, George Bush pai, George Bush filho e Jimmy Carter, estes tiveram «êxito» nos negócios. A aplicação dos modos e princípios de trabalho e orientação de uma empresa privada no sector público, são ineficazes e perigosos. Muitas das grandes empresas privatizadas continuam a ser «alimentadas» pelo Estado, tendo os accionistas e patrões lucros chorudos já que os gastos são mínimos. Os nossos impostos vão para as mãos desses senhores. É assim o Neoliberalismo.

Frau Merkell vem a Portugal no dia 12 de Novembro, segundo as gazetas, escusado será dizer que vem mandar apertar mais o cinto. Era de toda a conveniência que viesse ou no dia 1 de Novembro ou no dia 1 de Dezembro…

O prémio Nobel da Paz este ano foi para a União Europeia, para o ano será para a Troika.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

No Casteleiro, até há 40 anos, durante três ou quatro meses em cada ano, muita gente, desde que tivesse um pedaço de terra à beira da ribeira, tinha uma tarefa muito interessante – mas muito, muito trabalhosa: dedicava-se ao cultivo e tratamento do linho, desde a semente até ao lençol branquinho, às camisas ou às toalhas e panos.

A Humanidade já conhecerá o linho há nada menos do que 5.000 anos A. C. e na Península haveria milho em 2.500 A.C.. Com o linho fazia-se roupa e diversas peças de uso doméstico, como camisas ou lençóis, e até religioso, como toalhas de altares.
Tudo começava pela sementeira. O linho deve ser semeado em terreno húmido e com bastante água. Isso, semear o linho, acontecia em Março e Abril. Mas o linho tem um ciclo natural rápido: três a quatro meses depois, estava pronto a arrancar e… começar uma infindável série de operações até obter o tecido de linho.
Depois de semeado, o linho exige muita rega, muita água.
(Note. Eu estou a escrever como se ainda se cultivasse o linho no Casteleiro. Mas não. Já desde os anos 70 que a tarefa rareou na minha terra e hoje nem existe).
O que era o linho? Que aspecto tinha?
Deve haver leitores que se calhar nunca o viram a não ser já costurado…
O aspecto da planta é o dos cereais, de palha. A altura é um pouco menor do que a do centeio ou do trigo.
De resto, a «seara» de linho era idêntica a qualquer outra das searas que bem conhecemos.
Mas não é ceifado: é arrancado (com raiz e tudo).

Começa agora o cabo dos trabalhos
O linho dava muito trabalho. Sobretudo depois de ser arrancado. Se não, leia: arrancar, levar para a ribeira para curtir, enterrado na água e tapado com areia durante quinze dias, estender na areia para secar em molhitos encostados uns aos outros, levar para casa… e aí outra série de tarefas infindáveis e duras, até à fiação e à feitura / costura das peças desejadas: lençóis, toalhas etc..
Logo para começar, era preciso bater o linho de forma bem forte, com uma maça própria, de madeira e durante muito tempo. Havia até quem passasse dias inteiros a bater o linho num passeio de pedra que lá havia ou num banco de pedra. Bater muito. Quase até à exaustão.
Segue-se outra operação dura: esfregar à mão para limpar até saírem as praganas todas.
Depois, o linho era espadelado – com um instrumento específico chamado mesmo espadela. Essa operação era feita contra um cortiço, mas, fazem-me notar, sem bater na cortiça para não partir o linho.
É que, nestas operações de preparação do linho, ainda há mais isso: tarefas duras e feitas com cuidadinho, para que o produto não fosse adulterado…
Agora, atenção: do linho-caule saem pelo menos dois produtos finais: o linho ele mesmo, produto fino, mais delicado, e a estopa, mais grosseira, menos limpa de fibras, digamos.
Onde se faz essa bifurcação? Depois de espadelado, o linho era ripado «até ficar muito fininho e molinho». E separado: para um lado o que havia de ser o linho propriamente dito, mais fino, e para outro lado, os «tumentos», mais grosseiros, de que haveria de resultar a estopa.

Os teares da aldeia
Da fiação ao tear, vai ainda muito trabalho. Logo para começar, o linho era fiado, com roca adequada. Daí passava-se à dobadeira para fazer as meadas e ao argadilho para fazer os novelos.
Sabem o que era uma estriga de linho?
Nada menos do que a quantidade de linho ainda em «rolo», digamos, que as mulheres punham na roca para depois o puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem os fios, enrolando-os no fuso (fiar é isso).
… Tudo ia depois à barrela em água a ferver com cinza num cesto, até o linho amolecer (o linho era um material muito duro – uma camisa ou um lençol de linho duravam uma vida).
Agora, então, os teares.
Havia na aldeia três ou quatro teares. Peças-chave do processo. Era aí que as artesãs populares, grandes artistas do ramo, exerciam com mestria o seu mester… Eram apreciadas por toda a gente e eram indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer os lençóis, as camisas (dantes), as almofadas, as toalhas compridas e de rosto, em geral com franjas, os panos para tapar os tabuleiros dos presentes de casamento e similares.
No tear, o fio de linho era manobrado com a ajuda de um pequeno instrumento oval comprido chamado «canela».
As peças de tecido de linho iam por fim para a ribeira durante mais alguns dias para corar ainda mais ao sol – tinham de ser sempre regadas permanentemente.
Só depois é que eram cortadas em casa para fazer as utilidades (roupa de cama e outra, as utilidades para a casa etc.).
Um pequeno registo sensitivo final: o cheirinho dos lençóis de linho daqueles tempos é inesquecível. Perdura uma vida inteira.

1.
Nota sobre as fotos

Havia milhares de fotos que podiam ser seleccionadas para esta peça. Escolhi três:
– roupa de cama em linho,
– uma dobadeira,
– e, numa mesma foto, uma espadela e uma roca, utensílios guardados há décadas e expostos cá em casa.

2.
Aparte

Na sexta, na peça sobre a morte de Manuel António Pina, fiz um comentário. Mas esse texto ficou incompleto. Propositadamente incompleto, porque não era justo falar de outra coisa naquele momento. Mas ficou guardada e vai agora: a foto de MA Pina, da autoria de Kim Tomé, é especial. Muito especial, em meu entender.
Fica aí o aparte, porque é justo. Se quiser voltar lá, clique aqui.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Covadas, lugar anexo à freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Bendada.

COVADAS

O côvado foi vara de medir
Tal como o era o braço da braçada
São usos que se não devem impedir
Que o corpo nunca dá a taxa errada

É certo que a estatura variada
Pode em certos casos desmedir
A régua sabiamente mensurada
Os exageros há-de comedir

Qual seja deste nome a vera origem
É coisa que se perde na caligem
De lendas entre si desencontradas

Ou vara de medir ou cova funda
Incertas a primeira e a segunda
Que certo só o nome de Covadas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Nos grandes debates sobre descolonização apresentaram-se como campeões da ideia a Rússia, a China, os Estados Unidos, o Japão, a União Indiana.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaE, no entanto, todos aqueles países eram ao tempo, tinham sido antes e dificilmente se poderão despir de aspirações de hegemonia e expansionismo, colonizadores no pior sentido do termo e sempre ávidos por mais e mais extensão.
Aliás, para além de eventuais diferenças de base ideológica ou de praxes políticas, que vêm opondo os governos de Moscovo e Pequim, assenta na chamada questão dos limites.
Com efeito, mau grado a enorme Área territorial daque1es dois colossos (mais de vinte milhões de quilómetros quadrados a Rússia, cerca de dez milhões a China), ambas se reivindicam rnutuamente parcelas fronteiriças.
E nenhuma delas se coibiu de continuar na senda das anexações. Que o digam, na Europa, a Polónia, a Finlândia ou a Roménia, amputadas largamente no fim da Segunda Guerra por um imperialismo não contente ainda com a incorporação da Sibéria, do Turquestão, do Cáucaso, da Transcaucásia…
Antes, alargara-se para o Báltico e Proximo Oriente, mesmo à custa da Suécia (não se esqueça que Sao Petersburgo, que assim nasceu, mas já foi Petrogado e Leninegrado, está construido em territórios extorquidos por Pedro o Grande à Suécia) e aquém da Sublime Porta, ex-dona da Crimeia e limítrofes.
Quanto à China, bastará recordar a anexação do Tibete, da Mongólia, da Manchúria, duma parte do Turquestão, e de todo um extenso rosário de arquipélagos espalhados por todos os mares da região.
De resto, as aspirações de hegemonia de uns e outros não se circunscrevem a questões de fronteira.
Reflexamente, influenciam também o dissídio Índia/Paquistao, relativamente às tendências expansionistas da primeira, que se julga predestinada ao domínio de toda a península, não obstante o autêntico mosaico de raças e culturas determinantes de cerca de uma vintena de estados, que são tantos quantos compõem a Índia, importa como fre-quentes e sangrentas irrupções bem demonstram.
Antes do colapso militar que lhe foi imposto pelos bombardeamentos de Hiroshima, também o Japão praticou uma política agressivamente expansionista, iniciada em fins do século passado. Vencendo sucessivamente russos e chineses, conquistou a Manchúria e ocupou as únicas áreas industrializadas da China, formando assim o Grande Império do Sol Nascente.
Além disso, incorporara também as ilhas que no Pacífico haviam constituído, até Versalhes, o império alemão.
Os Estados Unidos, para além da projecção da doutrina de Monroe (a América para os americanos), que naturalmente lhes conferia uma posição hegemónica, vem praticando desde fins do século passado uma política de expansão territorial, conseguida de diversos modos.
Em 1867, compraram o Alasca aos russos. Em 1889 anexaram as ilhas do Havai. A guerra hispano-americana, desencadeada pela posse de Cuba, terminou pela derrota da Espanha e a transferência para o domínio americano de Porto Rico, Guam e as Filipinas.
Mas não se quedou por aqui o alargamento do territorio. Por compra, adquiriam à Dinamarca as Ilhas Virgens. Na América Central, têm o domínio perpétuo da zona de protecção do Canal do Panamá.
A sorte dos dois últimos conflitos de que tem sempre ernergido vencedores, assegurou-lhes, por igual, outras zonas do domínio ou tutela: caso de antigas possessóes alemãs ou japonesas em diferentes áreas do Pacífico…
O anticolonialismo norte-americano (naturalmente hipócrita) explica-se por uma causa no mínimo dupla: por um lado, ao seu grande poderio económico-militar não interessava minimamente a influência das antigas metrópoles europeias; por outro, tratava-se de conquistar simpatias dos chefes que se julgavam independentizados. Todavia, por uma especie de justiça imanente, os territorios por que decidiram atacar as velhas soberanias têm-se revelado para Washington fonte das maiores preocupações e até de terríveis problemas, ainda não solucionados.
Bastará citar quatro exemplos. Contra o domínio espanhol, intervieram em Cuba que inicialmente satelitizaram, mas que com a ascenção de Fidel – aliás por eles mesmo promovida e potenciada – se lhes tornou o mais incómodo dos vizinhos.
Contra a hegemonia japonesa, intervieram na Coreia e as sequelas do conflito ainda não sararam.
Mas a pior de todas as provas emergiu na Indochina, onde se quiseram substituir aos franceses.
Falta saber como se saldará a substituição da influência britânica nas regioes onde foram Ur, Babilónia e Ninive.
A descolonização fez-se assim por influência de simples interesses comerciais ou devaneios ideo1ógicos.
A conversão em estados dos antigos territórios sob administração europeia fez-se não tendo minimanente em conta os interesses das populacões autótones, nem os irnperativos geográficos.
Bem pelo contrário, escreveu urn especialista (Ligório Marcela, in «Apontamentos de Geografia Política») firmou a divisão mais artificial do mundo… Com efeito, muitos dos novos estados além de não terem sido precedidos pela formação das nacionalidades têm fronteiras que não correspondem a divisórias naturais e que separam frequentemente povos da mesma etnia… E daí os genocídios que sinistramente irrompem para subjugar populações que são forçadas a permanecerr em esta¬dos arbitrariamente organizados e protegidos.
E a tragédia repete-se todos os dias.
A colonização movera-se de início por motivos de ordem espiritual. À descolonização, todavia, presidiram meros intentos economicistas, mesmo que disfarçados sob a capa da emancipação dos povos.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O título desta crónica foi pedido emprestado ao professor Adriano Moreira que, na segunda-feira, proferiu uma lição de filosofia política, aquando da realização de um congresso sobre economia organizado pela Antena 1.

A verdade, é que grassa pelo mundo uma anarquia política assente numa visão económica sem regras nem controlo. As democracias estão a ser subvertidas por princípios que a põem em causa. As nações são governadas por gente que não foi eleita, obscura e incógnita. Aliás, tenho aqui referido que, a escolha do elenco governativo, deveria ser conhecido antes das eleições e não depois. Esta subversão dos princípios democráticos tem conduzido o mundo (pelo menos o mundo ocidental) para um colapso das sociedades. Dizia o Professor, que é preciso que se imponha o poder da palavra contra a palavra do poder. Para que, desta forma, seja o povo a erguer-se para que se possa controlar esta anarquia. Os governos devem governar para as pessoas e com as pessoas. Hoje em dia as pessoas foram substituídas por números e governa-se para os agiotas.
Vamos imaginar que cada cidadão português quer ir para o governo para poder pagar a formação que o país lhe proporcionou Grande parte da população estaria no governo. Pois bem, foi este o argumento que o ministro das finanças apresentou para a sua presença no governo (não seria melhor que pegasse no dinheiro e, com juros, o entregasse ao estado?). Parece-me de uma pobreza tacanha que um governante apresente esta justificação para fazer parte de um governo. Ao mesmo tempo, percebe-se agora, o porquê do seguimento de uma política que tem levado os portugueses a um empobrecimento gradual. Este ministro está a vingar-se de o termos formado tão mal! Reparem que, ao final de um ano, toda a linha política financeira seguida tem levado a lado nenhum. Todos os sacrifícios pedidos – e para os quais a população se prestou a fazer, tomando de boa-fé os objectivos – têm saído completamente furados. Contudo, a receita não só não é posta de lado, como ainda é reforçada. Até aqui, a desculpa, era o cumprimento de um tal memorando. Agora sabemos que tal não é verdade. Pois as medidas aí previstas têm vindo a ser invertidas. O governo quis ir mais além, até aqui nada de mal viria ao mundo se, efectivamente, os resultados fossem os propostos. Mas a troika pedia que fossem dois terços de corte nas despesas e um terço na receita fiscal. O governo fez precisamente o contrário. E mesmo assim, os resultados não aparecem. E não aparecem porque a linha seguida tem levado a uma contração na receita. Aprende-se em economia e finanças que o aumento de impostos só leva a um efectivo recolher de receita até um determinado ponto. A partir daí, por mais que se aumentem os impostos, essa receita diminui. Ora, o que este governo está a fazer, é precisamente insistir numa receita que, em vez de aumentar a receita, tem levado à sua diminuição. Não havendo consumo, não havendo transações comerciais, não pode haver pagamento de impostos. Levando a um bloqueio económico e, em consequência, ao vazio de receitas, quer para o estado, quer para as empresas e para as famílias. Pois este Orçamento de Estado agora apresentado é, precisamente, o retrato do que acabo de dizer. Poderia ser somente uma opinião minha (assumidamente leigo nessa sacrossanta matéria que são as finanças), mas ela é partilhada por, praticamente, toda a gente (menos pelo ministro pardo, António Borges, que, mais uma vez, vem defender o aprendiz. Já repararam que andam os dois a elogiar-se um ao outro sistematicamente? Porque será?). Lembra-me a velha história do soldado que, marchando em sentido contrário aos demais, pensa que são os outros que estão marchar ao contrário. Este OE levará ao colapso da economia nacional, ao aumento de pobres em Portugal, ao regresso à miséria e, no final, ao fim do país. Só que, nessa altura, o senhor ministro das finanças, voltará para o seu excelente emprego em Bruxelas, e não haverá quem queira ficar com este retângulo «à beira mar plantado». É altura de lhe dizerem que têm que ser as teorias económicas adaptarem-se à realidade e não o contrário. Desta forma, lamento dizer-lhe que, a realidade é bem diferente da dos gabinetes majestosos (que nós pagamos), onde estes biltres se entretêm a jogar uma espécie de monopólio. Mas, bastaria que se percebesse, se tivéssemos políticos a sério e não uma cambada de incompetentes, que este OE está, não só arruinar o país pela via fiscal, como o está arruinar pela via política. Ele será a causa de uma crise política, a começar pela coligação governamental, vejam que há ainda pouco tempo esteva à beira da rotura por causa da TSU, como parlamentar. O PSD diz que este orçamento não é deles, o CDS diz o mesmo, ou melhor, cala-se, dizendo no Parlamento que o «orçamento é de Portugal» (João Almeida dixit), sacudindo ambos a água do capote. Afinal, de quem é este orçamento? Uma garantia, meu não é de certeza. Nem dos milhares que, consecutivamente, se têm manifestado.
Este governo não sabe para onde vai e, pelos vistos, nem sabe de onde vem. A prova é que o senhor primeiro-ministro (o tal do custe o que custar) começa sibilinamente a dizer que se quer ir embora. Há bem pouco tempo empertigava-se, recorrendo a todos os truques, para se colocar no poleiro.
Era bom que houvesse tino e vergonha. Por isso, a lição do Professor Adriano Moreira foi um raio de luz da razão, de sapiência e de bom senso. Já são poucos. No seu partido, nenhum.

P.S.1 A história da Sabugal + parece-me a história da pescada, antes de o ser já o era!

P.S.2 Ao fim da quarta revisão do mapa judicial, foi decidido que o tribunal de Almodôvar vai continuar. Primeiro era o de Mértola que ficava, depois nem um nem outro, agora o de Almodôvar. Esta é a única câmara PSD no baixo Alentejo. Coincidência? Mais, o tribunal de Mesão Frio vai fechar, contudo o ministério anda em obras de melhoria no edifício que rondam os 150 000 euros (digo rondam, porque sabemos como são as contas nestas coisas do estado). É de bradar.
É esta a seriedade do mapa judicial e desta ministra.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Do oito ao oitenta – ou inversamente do oitenta para o oito.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaOs alvarás de Farmácia, desde as das aldeias mais reconditas, que se podiam gabar de possuir tais tipos de estabelecimentos, às dos bairros mais movimentados ou ricos das nossas maiores cidades, ainda há pouco tempo,valiam fortunas.
Mercê duma política de restrições que apenas servia interessses instalados ou defendia certos títulos académicos, umas vezes às claras, outras debaixo de disfarces que só iludiam quem queria ser iludido, punham-se em jogo quantias fabulosas. Frequentemente se ouvia falar em propostas superiores a quinhentos mil contos, que não apenas quinhentos mil euros.
Por vezes, intervinham simples testas de ferrro, só chamados para dar foros de legalidade à operação, cujos titulares tinham de possuir determinadas qualificações. Mas do negócio, ou dos negócios, falava-se até á boca escancarada.
Que às escancaras se admiravam os povos, que falavam também de manobras para evitar a caducidade de alvarás ou da constituição de sociedades fictícias para dar foros de legalidade à transacção ou transacções.
Os poderes oficiais defendiam o estatuto de privilégio invocando os superiores interesses da saúde pública, arvorada em lex summa, embora os povos, certamente que por ignávia, não entendessem como é que a restrição do número de locais de venda ou a habilitação académica dos donos de tais locais – dos donos, que não dos que aviavam o receituário – favoreciam tais desideratos.
De todo o modo, o negócio ia prosperando, o que se tornava evidente, mesmo a olho nu.
Quando, por qualquer razão, se punha á venda um alvará, eram não cem cães a um osso, mas uma corrida de manatas por um bom naco do melhor lombilho.
E, para assegurar futuras benesses, iam-se abrindo postos em povoações limítrofes, postos futuramente – e num futuro próximo – convertíveis em unidades autónomas, não faltando até que recorresse à figura das parafarmácias, apostando também numa breve conversão.
Era esta, ainda ontem ou anteontem a realidade.
Mas bastou apenas que – passe o pleonasmo – se generalizassem os genéricos, naturalmente muito mais baratos, mas mesmo assim escandalosamente caros, face ao custo real dos componentes, e timidamente se legislasse sobre as margens de lucro, para que uma nuvem obscurecesse todo o panorama e que caricatamente tenhamos sido chamados ao caricato fúnebre do funéreo enterramento daqueles típicos estabelecimentos que vendiam saúde e civilização, na medida em que, para além do aviamento de receituários eram o centro cívico do burgo ou, pelo menos, do bairro.
Na justa repartição dos sacrifícios impostos pela crise é de perguntar onde estão os milhões embolsados até ás ultimas reformas…
Ou para rogar que se deixem actuar livremente as regras do mercado livre…
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

O Município de Oliveira de Azeméis não se limita a queixar-se…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaA Câmara de Oliveira de Azeméis e a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) assinaram um protocolo de colaboração no âmbito do empreendedorismo local, permitindo que uma pessoa sem possibilidade de aceder ao crédito bancário e que queira vir a desenvolver uma atividade económica, o possa fazer através do acesso ao microcrédito, criando o seu próprio posto de trabalho ou mesmo uma microempresa.
Este protocolo é também revelador do empenho da autarquia em contribuir para o aparecimento de atividades capazes de gerar rendimento e riqueza, trabalho que vem sendo prosseguido pelo Gabinete de Apoio ao Empresário (GAE).
O atendimento dos investidores interessados é realizado nesse Gabinete, onde lhes são prestadas todas as informações e fornecido todo o apoio desde a conceção da ideia ao planeamento e elaboração do projeto de investimento, o que significa que será dado aos candidatos o apoio técnico e o necessário acompanhamento dos processos de licenciamento junto dos serviços municipais.
O plano de financiamento está sujeito às condições acordadas entre a ANDC e as entidades bancárias. Aos investidores são exigidos fiadores que garantam 20% do capital emprestado. O valor de empréstimo varia entre os mil (o mínimo) e os 10 mil euros (máximo) para o primeiro ano de negócio.
Até ao momento, foram já estabelecidos protocolos idênticos com os Municípios de Beja, Castelo Branco, Grândola, Loures, Odivelas, Ovar, Portalegre e Santo Tirso.
Os Bancos com quem a ANDC estabeleceu protocolos foram o Millennium-BCP (desde 1999), a Caixa Geral de Depósitos (desde 2005) e o BES (desde 2006).
Eis mais um exemplo de como se pode contribuir para incentivar a criação e fixação de novas empresas no interior beirão.
Claro que, como já o disse, não pretendo que ideias como estas sejam pura e simplesmente, imitadas pelo Município do Sabugal.
Mas há muitas mais hipóteses a explorar neste campo. E não posso deixar de lembrar mais uma vez algumas propostas que o programa eleitoral do Toni apresentava:
– Criar o Gabinete de Apoio ao Investidor, e uma Agência de Captação de Investimento elementos de atração do investimento.
– Elaborar um Guia de Apoio ao Investidor.
– Criar o CÔAFINICIA, fundo de financiamento, destinado a apoiar projetos de investimento desenvolvidos por micro e pequenas empresas do Concelho.
– Criar o Programa “Sabugal Investidor”, apoiando técnica, logística, burocrática, financeira e fiscalmente, a criação, fixação e manutenção de micro, pequenas e médias empresas no Concelho.
– Criar Centros de Incubação de Empresas tendo como destinatários principais jovens empreendedores naturais, residentes ou que queiram investir no Concelho.
– Criar as condições, através de uma parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, para a constituição no Concelho do Sabugal do Centro de Apoio à Criação de Empresas (CACE) da Beira.
E repito, o que já disse anteriormente. Muitos nos acusaram de utopia! Em Oliveira de Azeméis preferem sonhar e concretizar os seus sonhos!

PS: Algumas pessoas me têm alertado que sabugalenses vêm comentando o que aqui escrevo nas suas páginas pessoais na Internet.
Às pessoas que me alertam para isso, tenho respondido que, quando escrevo neste Blogue, escrevo publicamente para todos os que o visitam, pelo que se alguns querem comentar o que escrevo na sua roda informática de amigos que o façam, mas não contem comigo para entrar nessas tertúlias.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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