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Aproximam-se, a passos largos, as férias e as diversas festas anuais arraianas. Todo o Concelho, especialmente a Raia, onde nos inserimos, é invadido por uma juventude ansiosa e ávida de divertimentos e actividades proporcionadas pelas festas e Capeias, ponto alto das comemorações nas diferentes povoações.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaÀ nossa Aldeia vai chegando, em primeiro lugar, toda uma imensa juventude, pois terminadas as aulas mais os exames, é vê-los regressar contentíssimos, antes dos pais, para a companhia dos avós ou outros familiares, libertando-se um pouco da rigidez de um ano de estudo, dando asas a uma liberdade quase total, que só as nossas terras sabem proporcionar.
Há muitos anos a esta parte, as nossas Aldeias ganham cada vez mais, uma nova vida, com o bulício dos jovens, a vida que transportam, mais o gosto por este período de repouso, nas origens dos seus antepassados.
A todos nós compete-nos, um pouco, acompanhá-los e, se possível, orientá-los o melhor que soubermos, proporcionando-lhes as diversões possíveis neste período, tendo os Mordomos das Festas um papel preponderante na organização das actividades, sejam desportivas ou outras, ajudando a concentrar a rapaziada jovem, mantendo-os ocupados com as diferentes programações das festas.
Aldeia da Ponte tem sido fértil em actividades no Verão, conseguindo manter a grande maioria da juventude mais ou menos ocupada, com as inúmeras realizações neste mês de Agosto. O mesmo se passará nas outras aldeias, servindo bem estes objectivos.
Estamos a lidar com muitos dos homens de amanhã, é importante que se realce e toda a juventude merece um pouco do nosso esforço.
Por ali andaremos, como é bem habitual da nossa parte, convivendo, petiscando e bebendo um copo, jogando também alguma, muita, conversa fora.
Bons divertimentos para a malta nova são os nossos desejos. Aproveitem bem as coisas boas, que as férias na nossa zona, a todos proporcionam.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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Quando começo a escrever estas poucas linhas, encontramo-nos a pouco mais de um mês das ansiadas férias, vacances ou vacaciones, na nossa região, o tal «carchinho» que falta, desfrutando o merecido descanso, ou talvez não, pois quando nos deslocamos para a raia, repousa um pouco o espírito, é certo, mas o corpo não descansa por aí além, ainda se cansa mais, tais são as actividades, todas de enfiada, com as festividades e Capeias jorrando todos os dias, não se resistindo muito às atracções dos divertimentos genuínos das nossas paragens.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNas férias, nem pensar em escrever, não há grande tempo, nem disposição para a devida concentração, afinal de contas, férias são férias…
Nesta altura do ano, com a ansiedade da abalada para a Aldeia, vamos fazer uma pequena pausa nos escritos, à semelhança do ano passado, podendo surgir, eventualmente, alguma novidade que se justifique, pois não se pense que é uma tarefa fácil, reescrever histórias da nossa Aldeia ou de outros assuntos, antes pelo contrário, exige um enorme esforço e consome inúmero tempo de que não dispomos muito, nesta altura, quando o pensamento já mora lá para os lados de cima, que todos bem sabem.
Apenas um interregno breve, retomando depois das férias com mais alguns temas e mais tempo, para repensar outros escritos, pois matéria não deixará de aparecer.
Os emigrantes amigos estão aí a chegar, tal como nós, também eles para o merecido repouso, depois de um árduo ano de trabalho, reencontrando o afecto de familiares e amigos, restabelecendo as energias e revivendo as tradições anuais, por que tanto anseiam, ao longo do ano, mais parecendo que o tempo nunca mais passa, acabando por chegar sempre o momento da partida, lá de bem longe, fazendo subir um pouco a adrenalina, tal é a pressa em iniciarem o caminho, rumo ás suas origens.
Cá os esperamos, fazendo votos para que cheguem bem e de boa saúde, reeditando as conversas, interrompidas no ano passado.
Neste mês, haverá tempo para um pouco tudo, apesar das férias passarem a correr, por demais, como se constata facilmente. Será melhor, nem sequer pensar nisso. Venham elas, que serão bem-vindas, principalmente, para os que estão mais longe, sofrendo um pouco mais, devido à distância. Nós, por aqui, temos outras facilidades, a começar pela redução desta última, bem como mais oportunidades de fins-de-semana alargados, ou outras ocasiões especiais, que justificam uma fugida à nossa origem.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

A Capeia da Festa de São Pedro ainda tem uma vida curta, visto ter início apenas em 2004, quando os Mordomos deste ano, resolveram implementar esta jovem tradição, regressando à velhinha praça, no centro da povoação.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA antiga praça traz à memória inúmeras recordações de tempos que já lá vão, onde os Encerros e as Capeias eram dominados pelos touros do Natcho, vindos da Nave Atalaia, apresentando-se finos e corpulentos, de cornos bem afiados.
Pelo quarto ano consecutivo vai assistir-se, a mais uma largada pelas ruas da Aldeia, desembocando na velha praça, tapada com reboques de tractores, juntamente com umas tantas cancelas, que lá no alto da nova Praça de Touros, dão vida aos diversos Encerros, nas restantes Capeias do ano.
Encravada entre a de Junho e Agosto, organizadas estas, pelos Mordomos das Festas de Santo António, esta é uma realização especial, onde se revivem as emoções do passado, que não é assim tão distante como isso, atendendo a que a última de Agosto, ali realizada, foi há cerca de 29 anos.
O programa é semelhante aos dos últimos anos, contemplando, no Sábado, dia 28, para além da Capeia, com os touros do Ganadeiro Romeu, a tradicional merenda depois da Capeia, oferecida pelos Mordomos, seguindo-se o baile pela noite dentro, como de costume.
No Domingo, a festa culminará com a missa e procissão de São Pedro, como manda o figurino da tradição religiosa.
A, sensivelmente, um mês do início dos tradicionais festejos de Agosto, a Capeia de São Pedro, tal como outras, que se realizam ao longo do ano, vai trazer mais uma animação, lá para as nossas bandas arraianas.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Englobada nas Festas em Honra de Santo António de 2008, em Aldeia da Ponte, decorreu com a normalidade esperada, a Capeia de Junho, organizada pelos Mordomos, na Praça de Touros.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPela manhã, como vem sendo habitual, a concentração dos cavaleiros nas imediações da Praça de Touros domina este momento, com um bocado bem passado, onde se destacam os cumprimentos efusivos, bem como os preparativos, mais as piadas características deste momento, só visto e vivido por quem madruga, bem entendido, dirigindo-se então, todos para as proximidades da raia, em direcção ao lameiro, onde os touros aguardam calmamente, a hora da partida.
Servida a merenda, tem início a caminhada dos touros e cavaleiros, rumo à Praça, pelos caminhos habituais. Na saída do lameiro, uma correria louca dos touros animou este pedaço, parando, quando atingiram os arames da tapada, sossegando aqui um pouco e retomando o trajecto normal.
Depois de atravessarem a estrada, um pouco mais à frente, foi então a vez de um deles fugir, sendo de imediato atalhado pelos cavaleiros, seguindo os outros, o seu curso até à Praça, recuperando-se o fugitivo, um pouco mais tarde, com a ajuda dos cabrestos que retornaram ao local onde ficou vigiado, consumando-se assim o Encerro.
Exibidos os touros na arena, para a tarde, como mandam as normas, foi esperado o da prova, com a tranquilidade habitual.
Capeia Arraiana de Junho de 2008 em Aldeia da PonteSeguiu-se o almoço para os cavaleiros, mais os que foram convidados pelos Mordomos, nos Balneários da nossa Aldeia.
Pela tarde, o tradicional Passeio e Pedido da Praça ao Sr. Presidente da Junta, Sr. José Nabais, com os Tamborileiros de Aldeia e os Mordomos de Santo António, numa manifestação, que tem acontecido, ao longo dos tempos, bem conhecida de todos.
Os touros foram sendo esperados ao Forcão, tendo um deles vencido o desafio, ao passar para um dos lados da galha, obrigando a rapaziada a agarrá-lo em plena Praça, pois quando isto se verifica, raramente o touro se livra de ser engolido pela malta, lá tem que ser, não há outro remédio, para evitar algum mal colateral a este deslize da rapaziada, no manuseamento do Forcão. Por vezes acontece.
Para além deste facto, que causa sempre alguma emoção nas bancadas, a Capeia decorreu com a habitual normalidade, sendo de destacar, ainda a pega de caras à bezerrita, com mortal à retaguarda, do nosso destemido e eterno candidato a tirar a «alternativa» a toureiro, Carlinhos Vasco, que não ganhou para o susto. Digamos que foi um belo momento de agitação, ao vivo e em directo, animando um pouco as bancadas e a malta da arena.
Assistiu-se durante todo dia, a mais uma boa jornada de convivência, na nossa Aldeia, que tão bem sabe, às nossas gentes e a todos os que nos visitam, não resistindo a estas manifestações bem genuínas da raia Sabugalense.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

É já neste fim-de-semana que têm lugar as Festas em Honra de Santo António, organizadas pelos Mordomos de 2008.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDia 12, quinta-feira, tem lugar a procissão nocturna de Santo António, da sua Capela para a Igreja.
No dia 13, pela manhã, irrompe o Passeio dos Mordomos com os Tamborileiros, à semelhança de Agosto, seguindo-se a Missa solene. Terminada esta, a procissão de volta à Capela, com mais um espectacular Passeio, nas imediações da Capela e Ponte Romana.
Tem sido assim, ao longo dos anos, em Junho, tal como antigamente, esta festa religiosa, depois de transferida para Agosto, em finais da década de sessenta, mais devido aos emigrantes, pois sem esta transferência, muitos deles, se não a maior parte, não teria grandes hipóteses de assistir à festa do seu Santo devoto.
Logo no dia imediatamente a seguir, sábado, dia 14 de Junho, tem lugar a Capeia com Forcão, culminado estas festas, seguindo-se uma tradição, que se tem vindo a manter, há uns poucos de anos.
Num ano ou noutro, esta Capeia não se efectua, devido à pouca disponibilidade dos Mordomos, quando acontece serem todos emigrantes. Nem sempre a vida o permite, também não é obrigatório assim acontecer, dependendo, bem entendido, de quem organiza os festejos.
Nos primeiros anos da passagem das festas para Agosto, também isso não se verificou, pelos motivos acima apontados.
Dado as principais festas serem em Agosto, como em quase todas as Aldeias, fica assim explicado esta, eventual, falha da Capeia em Junho, em alguns anos, nada que afecte, ou ponha em causa, a festa religiosa. Esta, sempre foi efectuada, ao longo dos tempos em Junho, venerando-se o nosso Santo, a duplicar, em todos os anos.
Tenho como opinião, não passa disso mesmo, que as festas de Junho, por vezes, são mais especiais, calmas e acolhedoras, sem o reboliço de Agosto, não deslustrando, de maneira nenhuma, estas últimas. É apenas um sentir, sem qualquer significado por aí além, que muitos outros dos que cá moram, também partilham.
Mas o que importa, é que a nossa Aldeia vai estar em festa durante estes dias, como vem sendo tradicional nesta época.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Decorreu no passado sábado a XXX Capeia Arraiana, organizada pela Casa do Concelho do Sabugal, no Campo Pequeno, em Lisboa. Tal como previmos, este espectáculo teve a participação de muita gente, vinda de propósito do Sabugal, bem como, a maior parte da grande região lisboeta, que não quis deixar os seus créditos por mãos alheias, acorrendo, em grande número, à principal Praça de Touros do País.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNão é nada fácil descrever todas as incidências deste grande dia, que marcou o retorno a tão emblemático monumento.
A azáfama começou pela manhã, com a montagem do Forcão em plena arena, pelos especialistas do costume, bem liderados pelo Ti Domingos de Vale de Espinho, aprontando o instrumento, que iria servir durante a tarde para esperar os touros.
Ao longo de toda a manhã, foram chegando uns e outros, que deram uma primeira espreitadela à Praça de Touros, aumentando o movimento, mais para o final da manhã, com a chegada das seis camionetas da Viúva Monteiro transportando os arraianos, que não quiseram perder pitada, deste regresso ao Campo Pequeno.
Quase todos estes amigos, por ali estacionaram, aconchegando o estômago no espaço do Clube Operário de Lisboa, cedido gentilmente à Casa, pelo seu Presidente, a quem a ficámos agradecidos, pois com este espaço, deu-se continuidade ao antigamente.
Foi a grande festa inicial, prenunciando o que se iria passar pela tarde na Capeia.
Chegados todos os principais intervenientes na Capeia, Bombeiros do Sabugal, Tamborileiros de Aldeia da Ponte, Charanga La Mosca de Ciudad Rodrigo, Cavaleiro Zé Manel do Soito e os touros do Ganadeiro Sr. José Dias, foi altura de todos rumarem em direcção à Casa, para o merecido almoço.
Os Bombeiros do Soito não compareceram, apesar de convidados, não nos chegando nenhuma justificação para a sua ausência. Algo terá acontecido, que não lhes permitiu a sua presença, foi uma pena, pois a sua participação era tão importante, como as de todos os outros, no magnífico desfile inicial. Outro tanto, aconteceu com outras entidades importantes do Concelho, convidadas para o evento, que não compareceram, o que se lamenta. Como se costuma dizer, nestas coisas, só faz falta quem cá está.
Contam-se pelos dedos de uma mão, ou nem tanto, os concelhos do País, que conseguem realizar eventos com esta envergadura na Capital. A Casa do Concelho do Sabugal há 30 anos que os realiza, mostrando a força da nossa gente, do antes quebrar que torcer, apesar deste ano, concorrer com o Rock in Rio, em Lisboa e o jogo de futebol da Selecção, no mesmo dia. Foram cerca de duas mil e quinhentas almas a vibrar com as incidências da Capeia no Campo Pequeno, podiam ser muitas mais, mas enfim, não tão poucos como isso, mas todos bons.
Antes do espectáculo ter início, foi dada uma volta a todo o local, com a Charanga La Mosca, animando com as suas músicas, todos os que se concentravam à volta da Praça e no local onde os nossos amigos, vindos do Concelho reconfortaram o estômago com as suas merendas, bem como os enchidos da zona, que foram disponibilizados pela Casa, para ajudar no repasto.
Capeia Arraiana no Campo PequenoAproximam-se as 17 horas e, como o movimento ainda era grande em redor das bilheteiras, retardámos em alguns minutos, o início do desfile, englobando a rapaziada, os Tamborileiros, os Bombeiros, bem como todos os que quiseram desfilar com as Bandeiras das Juntas e Associações do Concelho, pois foi aberto a quem quis participar.
Foi um desfile espectacular, cheio de vida e cor, bem ritmado, ao som dos tambores, fartamente aplaudido por todos os espectadores, sendo estes compensados com uma grande salva de palmas pelos desfilantes, como retribuição pelo grande calor com que todos os da arena foram brindados.
Pedida a Praça ao Ex.º Sr. Vice-Presidente da Câmara de Sabugal, Dr. Manuel Corte, que dirigiu umas amáveis palavras a todos, precedido pelo Sr. Presidente da Casa do Concelho do Sabugal, Sr. José Eduardo Lucas, que também fez uma breve mensagem, endereçando as boas-vindas a todos.
Teve então início a Capeia, com a espera habitual de todos os touros, com uma compleição de meter respeito, um após outro, sendo bem esperados pela rapaziada das Aldeias, culminando as lides com o agarrar dos touros, em plena arena, como já nos habituaram ao longo dos tempos, com a excepção do último, que se desembolou numa marrada ao Forção, tendo de ser recolhido, após a espera, como mandam as leis, não há que arranjar desculpas estapafúrdias. Não estamos, propriamente, na raia sabugalense, mas sim no Campo Pequeno, principal Praça do País
É assim, temos que o aceitar, não fosse o diabo tecê-las, pois um animal em pontas, poderia deitar abaixo todo o trabalho de quem tem responsabilidades, bem como consequências para a própria Praça. Quando outros tiverem o poder de decidir, decidam como lhes aprouver.
O que, de facto, importa, é que passámos mais uma Capeia, sem ter nada a lamentar, como vem sendo habitual, há longos anos a esta parte, tirando um susto ou outro, mas que não passou disso mesmo.
Um referência ainda, para a actuação do simpático casal Rute e Pedro, com as suas danças sevilhanas e a exibição do cavaleiro Zé Manel do Soito, que encantaram o vasto auditório, nos dois intervalos, fluindo o espectáculo muito bem, a uma cadência acertada, sem enfados dos presentes.
Acabada a Capeia, deu-se início ao convívio das nossas gentes, com os assados no espaço do Clube Operário de Lisboa.
Reeditámos mais uma jornada inesquecível, com um grande espectáculo cheio de vivacidade, a fazer lembrar os tempos de antigamente, no Campo Pequeno. Uma palavra simpática para a grande falange de apoio, vinda directamente do Concelho, na Viúva Monteiro.
À boa maneira sabugalense, todos os elementos sociais da Casa do Concelho do Sabugal só têm uma palavra para todo o público magnífico do Campo Pequeno, bem como para todos os que ajudaram e colaboraram desinteressadamente. Obrigado!
Bem-hajam pela vossa presença e apoio. Quem ficou a ganhar, foi, seguramente o Concelho de Sabugal.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Coincidindo a próxima data da Capeia de 2008, dia 31 de Maio de 2008, também teve lugar a 3.ª Capeia, em 31 de Maio de 1980, organizada pela Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa no Campo Pequeno.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA Capeia deste longínquo ano de 1980 chamou, aproximadamente, cerca de 3000 pessoas vibrando nas bancadas, não dando o seu tempo por mal empregue, uma vez que para além de uma excelente Capeia, com magníficos touros, contou ainda, com uma bela actuação dos «toureiros» e «pegadores do Forcão».
A anteceder, o espectacular Passeio da rapaziada o respectivo Pedido da Praça, ao Ex.º Sr. Presidente da Câmara da época.
Terminada esta, seguiu-se, nas imediações do Campo Pequeno, pela noite dentro, o animado convívio de comes e bebes, com os nossos enchidos do Sabugal como vedetas de bem acondicionar o estômago. As incidências da Capeia puxaram bem pelo apetite e o pessoal não se fez rogado, degustando e bebendo uns copos valentes, como bem manda a tradição no nosso cantinho.
Seguiu-se um baile espectacular, a lembrar a Raia dos velhos tempos, com a actuação do conjunto «Curto Circuito» do Sabugal.
Mas não se ficou por aqui, madrugada dentro, uma sessão de Fados, proporcionada pela casa de fados «Rosmaninho» deu continuidade à festa, acabando a noite em beleza.
Nada melhor que os fados, que os resistentes souberam apreciar, para terminar uma grande jornada sabugalense na Capital, mostrando a força da nossa gente das terras de Riba Côa.
Apenas uma curiosidade, já lá vão cerca de três décadas, apurando a Capeia neste ano, um saldo positivo, vulgo lucro, na importância de 103.592$00, com receitas na ordem dos 380.873$70, sendo que o aluguer do Campo Pequeno custou a módica quantia de 80.000$00. Oitenta contos de reis, 400 Euros na moeda actual.
Para a próxima semana, teremos a Capeia de 2008, onde as expectativas de uma boa presença de arraianos e outros aficionados são promissoras, não só devido ao espectáculo, que promete, mas também, a uma vontade em apreciar as novíssimas instalações da principal Praça do País.
Lá nos encontraremos, para mais uma grande realização da Raia Sabugalense.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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No passado dia 26 de Abril, uma comitiva de arraianos, liderados pelo Presidente da Casa do Concelho do Sabugal, José Eduardo Lucas, deslocou-se à herdade do Sr. José Dias, em Santo Estêvão, Benavente, para aferir a escolha dos Touros para a Capeia do dia 31 de Maio, como é bem sabido, na moderna e remodelada Praça de Touros do Campo Pequeno.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPara quem não saiba, a ligação entre a Casa do Concelho do Sabugal e o Sr. José Dias, já vem dos primórdios da Capeia em Lisboa, fornecendo os touros para a maioria das Capeias, fruto de velhas amizades, acrescido do trato e simpatia recíprocas, que a Casa manteve ao longo dos tempos com este Ganadeiro.
No regresso ao Campo Pequeno, achámos por bem, reencontrar o Sr. José Dias, depois de alguns anos de interregno.
O ganadero José Dias recebeu-nos na sua herdade com toda a amizade e simpatia, habituais na sua pessoa, presenteando-nos com um almoço a condizer, depois da vistoria e escolha dos animais, que irão estar presentes na nossa Capeia de Lisboa.
Tem sido habitual, na Casa, efectuar-se uma Festa Campera, mas devido ao adiantado do tempo, apenas um mês antes, não se reuniram as condições para se realizar, as tarefas são mais que muitas, não havendo tempo para se preparar convenientemente um encontro dos Sabugalense na Quinta dos touros em Benavente.
Escolha dos touros para a Capeia do Campo PequenoPara o próximo ano, com certeza, que se vai retomar este costume da Festa Campera, proporcionando a todos os interessados, um dia bem passado, à semelhança de muitos outros, que já vivemos, com mais tempo para se poder preparar condignamente, fazendo chegar a mensagem a todos os que não dispensam estas lides e queiram estar presentes. Apenas a falta de tempo o impediu, desta vez, este o motivo, que levou esta delegação reduzida a escolher os touros.
Aqui deixamos as fotos possíveis da comitiva, bem como de alguns dos possantes animais, assim o esperamos, que irão estar presentes no dia 31 de Maio, no Campo Pequeno.
Esperamos que proporcionem uma boa Capeia, lá corpo não lhes falta, resta esperar pela sua bravura ao Forcão.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Abordámos no último escrito, a Ronda dos rapazes em 1923, num dia de pagamento do vinho, que derivou em tragédia, conforme tivemos oportunidade de constatar. No tiroteio, para além das mortes, vários rapazes foram baleados, tendo um deles sido atingido numa perna, ficando a bala alojada na dita cuja, durante 58 anos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaO jornal «A Ponte» publicou uma entrevista com o «jovem rapaz», que também lá esteve na Ronda dessa noite, sendo um dos bafejados pela sorte, ganhando uma bala na perna, que se conservou por ali, durante largos anos, sem que nesses anos todos incomodasse o portador.
No seu dizer, à época, foi levado ao Hospital da Guarda, sentindo que a bala tinha entrado mas não tinha saído, pelo que lá continuaria. Nessa altura, a bala não foi detectada pelos médicos e, como não o incomodasse por aí além, lá a deixou repousar tranquilamente, sentindo sempre, que por lá se conservava.
Passados estes largos anos, o organismo cedeu e começou a reparar que no local da perna onde a bala entrou, de repente, apareceu uma ferida. Os vários tratamentos não conseguiam cicatrizar a ferida, sendo enviado ao Hospital do Sabugal, para uma consulta, tendo os médicos detectado a bala na perna, com a ajuda de uma radiografia.
Através de uma pequena cirurgia, facilmente lhe foi retirada, finalmente, a bala alojada na perna, já um pouco deteriorada, a qual foi, religiosamente, guardada em casa, embebida num frasco de álcool, para recordação.
Como acabamos de constatar, este episódio da Ronda trouxe ao nosso «jovem rapaz» o inesperado presente, que só ao fim de todos estes anos foi detectado, quando já perfazia cerca de 80 anos de idade, fazendo relembrar a noite da morte dos rapazes, naquele longínquo ano de 1923.
O Ti Manel Maria Sanches escapou da morte, nessa noite, «ganhando» uma lembrança na perna, mas antes isso, do que ter perecido no local, para sua sorte, que não acompanhou os que tombaram baleados, desafortunadamente, no Largo do Sagrado, mesmo ao lado da Igreja Matriz.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Na sequência do costume, que era o pagamento do vinho em Aldeia da Ponte, no ano já longínquo de 1923, aconteceu uma noite dramática, onde perderam a vida cinco jovens, abatidos com os tiros das autoridades, sedeadas mesmo atrás da Igreja, pois era aqui, que existia o antigo posto desta corporação na nossa Aldeia.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaAnimados com o pagamento do vinho de um abastado forasteiro, o Sr. Gata, que disponibilizou uma barrica deste néctar, muito apreciado pelos antigos, pois era a bebida dominante na época, lá foram os rapazes fazendo a Ronda pelas ruas habituais, com a algazarra própria de uma juventude, para quem estas manifestações eram uma tradição, durante a noite, nada de especial, apenas o barulho característico dos «aghigos», quiçá devido ao saboroso vinho, não sendo de descartar, por certo, algum grãozinho na asa.
Ao chegarem em frente do posto da Guarda Republicana, esta fez-lhes frente, não os deixando passar, intimidando-os a seguirem por outro caminho. Os rondeiros não arredaram dali, fazendo finca-pé às autoridades, o trajecto normal era aquele, não viam motivo para irem por outro, numa teimosia, que viria de facto a tornar-se uma tragédia.
Depois de algum diálogo, quiçá acalorado, entre o grupo da Ronda e a Guarda Republicana e, não conseguindo esta demovê-los a seguirem por outro caminho, ordenou o Comandante interino do posto, na altura, tiros para o ar, mas nem assim os rapazes desistiram de fazer o habitual caminho da ronda. Como não se intimidaram face a estes tiros, nova ordem, desta vez, em direcção ao grupo da ronda, caindo quatro rapazes, seguindo-se a debandada de todos os outros, em direcção às suas casas, com mais alguns feridos.
No Largo do Sagrado amontoaram-se os corpos dos atingidos, verificando-se que três deles tiveram morte imediata, com um quarto a ser transportado mais tarde, ainda com vida, para o Hospital da Guarda, vindo aqui a falecer.
Temendo a reacção do povo, as autoridades presentes, em número reduzido, tiveram que pedir reforços ao Soito e Sabugal. Chegados os primeiros reforços, toda a povoação foi vasculhada, no dizer de um dos rapazes, que relatou estes pormenores, procurando as autoridades, por tudo o que era sítio, palheiros, «paranhos» e até as «cortelhas» dos porcos foram vistoriadas, na tentativa de encontrar mais algum dos jovens da ronda.
Ainda o sol não raiava, quando um inofensivo pastor, que nada tinha a ver com a ronda, nem era natural de Aldeia, mas que por lá trabalhava, fazia-se ao caminho, em direcção ao gado, sendo confundido, lamentavelmente, com os resistentes à autoridade, foi barbaramente abatido, contabilizando-se assim, a quinta vitima mortal, sem que para nada tivesse contribuído, apenas seguia apressado, para o seu dia normal de trabalho no campo, junto ao rebanho.
Os que escaparam com vida foram chegando a suas casas amedrontados com este acontecimento, que deixou o povo consternado, temendo ser reconhecidos e receando sofrer ainda, alguma eventual represália.
Com a chegada de mais reforços, verificou-se um grande aparato de militares a pé e a cavalo, o caso não era para menos, não deixando ninguém aproximar-se dos corpos, prostrados no chão, mantendo o povo a uma distância considerável, que tinha acorrido em peso, ao local da tragédia, pelo nascer daquele dia fatídico.
Este longínquo episódio sangrento serve para aferir a importância das tradições na nossa Aldeia, para quem estes costumes eram demasiado caros, bem como a sua preservação, podendo levar a consequências extremas, como viria de facto a acontecer.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

O «Pagamento do Vinho» era um costume antigo, que existia na Aldeia, bem como em outras aldeias vizinhas, prolongando-se ainda pela nossa juventude, que consistia no pagamento de uma importância, face à tentativa de um forasteiro namorar e conquistar uma donzela de Aldeia, com o objectivo óbvio, na maioria dos casos, de contrair matrimónio com a dita, escolhida para este fim, seguindo-se assim a tradição, que já vigorava nos tempos de outrora.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaQuando se descortinava algum galfarro, já bem grandote, rondando pelos nossos lados, eram espiados vários locais de acesso, não era muito difícil, diga-se, até se conseguir apanhar o artista, em flagrante delito, isto é, entrando na casa dos pais, onde morava a eleita do coração, para namorar, nada de retirar conclusões precipitadas, que não são chamadas aqui para esta matéria.
A prometida era avaliada pela sua beleza e, consoante as posses da família, determinava-se assim um valor aproximado, mais ou menos justo, que o inesperado pretendente tinha que desembolsar para a rapaziada beber uns copos, o designado pagamento do vinho.
Quando do lado da pretendida, não se concordava com o valor estipulado pelos “pedidores”, podia ser o cabo dos trabalhos, com grandes discussões entre os negociantes e a família da escolhida, comparando-se com outros exemplos de beldades anteriores, que tinham pago um valor ou outro, chegando-se, depois de árduo batalhar, a um entendimento, sem vencedores nem vencidos, antes a satisfação de ambos os lados, como convinha, nestes casos difíceis.
Da recordação dos tempos, ainda relativamente recentes, o trato tornou-se mais civilizado, combinando-se, por acordo mutuo, um borrego assado, juntamente com as bebidas, em que o pretendente amigo, também tinha, forçosamente de alinhar, as mais das vezes, com grande gosto, como era desejável, familiarizando-se com a rapaziada, contribuindo para uma melhor integração com a malta da Aldeia, sendo considerado um dos nossos, depois desta obrigatória prova dos nove.
Como é bem sabido, as moças, antigamente mal saíam de casa, sendo bem protegidas, especialmente pelas mães, enquanto que com os rapazes, a coisa era um pouco mais liberal e tolerante, não havia as mesmas restrições, tinham uma certa rédea solta, como se dizia na altura, não se verificando a mesma preocupação neste assunto. Esta situação desigual foi-se esbatendo ao longo dos tempos, até chegar aos nossos dias, onde as diferenças já não fazem grande sentido, como se constata facilmente.
Existiu um episódio de um candidato ao pagamento do vinho, que se foi descartando algumas vezes, até que a paciência se esgotou. Enquanto namorava, tranquilamente, dentro de casa, decidiu-se tapar a rua com uns carros de bois, pois tencionava esquivar-se à “obrigação”, face a este grave motivo, a rua teve de ser bloqueada desta maneira.
Foi, seguramente, um pouco exagerado, mas o sangue na guelra da malta e a continuação da tradição, assim o exigiu, tendo até dado origem à chamada da GNR. Depois deste episódio, não mais constou que deambulasse, outra vez, pela nossa Aldeia, acabando por desistir da donzela, que naquela época pretendia cativar.
Outros casos aconteceram, alguns que bem mais brado deram, de consequências graves e funestas, a que voltaremos, e ainda muitos outros, onde eram os próprios voluntários, quem tratava de tudo, com a ajuda do pessoal, passando-se magníficas tardes de convívio.
Actualmente, muitos dos costumes antigos vão-se esbatendo, embora se recordem com alguma saudade. Naquelas épocas, os divertimentos eram totalmente diferentes dos que hoje existem, proliferando estes, por aí, ao virar da esquina, em quantidade e variedade suficiente, pois os tempos são outros, bem mais evoluídos, assim como a nova mentalidade da geração mais recente.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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– Considerações finais – Quando iniciei os escritos sobre o Colégio tive como primeira intenção, recordar alguns passos da sua história, ainda que superficial, como referi na altura.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaÀ medida que fui avançando, também fiquei impressionado, ao recordar algumas das suas peripécias, passadas há muitos anos, muitas outras mais haverá, ainda com grande interesse, mas ficando com uma sensação de algum vazio, ao contemplar o Colégio, de cada vez que nos deslocamos a Aldeia da Ponte.
Para além de todos os factos relatados, é com alguma pena, que verificamos o estado da Igreja, sendo um sentimento partilhado por muitos conterrâneos, que veriam com bons olhos a sua recuperação, cuja degradação poderá vir a constituir um perigo para as casas vizinhas, em caso de uma derrocada, que não se deseja, para bem do património do Colégio e da nossa Aldeia.
Os monumentos, como todas as construções não são eternas, como é fácil perceber, precisam de manutenções ou reparações, que se impõem, devido ao desgaste, ao longo dos tempos. Se, se deixarem degradar e não se acudirem, um dia, poderão desabar. Está neste caso o telhado da Igreja, que ameaça vir abaixo. Quando isso acontecer, vamos contemplar, da nova estrada, uma imagem nada consentânea com a beleza da nossa Aldeia, tornando-a menos atractiva com esta vista menos boa.
Nada nos move contra ninguém, nem podia ser de outro modo, a não ser deixar aqui o meu contributo, ainda que modesto, para um melhor conhecimento da história antiga e alguma mais recente do Colégio, no sentido de apelar a um esforço, dando visibilidade a este assunto, no sentido de se encontrar uma solução, que honre todas as partes envolvidas.
Antigo Colégio de Aldeia da PonteO único interesse, como o de muitos outros, é meramente, chamar a atenção para a realidade do Colégio, sem subterfúgios de ordem nenhuma, tentando que estes escritos sirvam para sensibilizar as famílias que detêm a Igreja, caso tenham oportunidade de os ler, esperando algum eventual acolhimento ou abertura, que estará sempre dependente dos proprietários, como é bom de ver. Estes são a parte mais importante, pois são os detentores do espaço.
Em 2002, com a construção dos Balneários no Vale, existindo aqui um amplo espaço, onde muitas realizações festivas e convívios se efectuam ao longo de todo o ano, talvez se tenham arrefecido os anseios da recuperação da Igreja do Colégio, a manter-se os factores anteriormente descritos, entre os quais, o preço solicitado, considerado demasiado alto, pela Junta de Freguesia.
Aldeia da Ponte já demonstrou, por todas as obras novas e outras recuperações efectuadas, que é bem capaz de levar a bom porto, mais uma recuperação, que face à sua grandiosidade, poderá exigir um esforço hercúleo, nada que não se possa resolver ou amedronte a nossa Aldeia, caso se proporcione a oportunidade, haja alguma boa vontade e permissão de quem de direito.
Depois de várias dissertações sobre o Colégio, aqui expostas, damos por findo, por agora, esta viagem em torno de um emblemático monumento de Aldeia da Ponte e do Concelho de Sabugal, que mexeu um pouco com toda a nossa região, já lá vão mais de cem anos.
As gerações futuras, dificilmente entenderão, como não houve capacidade para se encontrar uma solução para o Colégio, ao longo do século passado, podendo acontecer uma catástrofe, mais ano menos ano, com uma eventual derrocada, fazendo desaparecer uma parte importante da história da nossa Aldeia.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Decorria o ano de 1978, quando teve lugar a primeira Capeia Arraiana em Lisboa, mais concretamente, na Praça de Touros do Campo Pequeno, sedeada em plena Capital.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNunca antes se tinha feito algo no género, isto é, transportar a Capeia para fora do seu habitat natural, que é a região arraiana, nas terras de Riba Côa.
Entre a primeira Capeia e a XXIX, realizada em 2006, em Sobral de Monte Agraço, passaram longos 30 anos, plenos de muitas recordações com magnificas Capeias realizadas, a maior parte delas no Campo Pequeno, com incursões por Cascais, Vila Franca de Xira, Sobral de Monte Agraço, Moita e Paio Pires, não esquecendo algumas exibições do Forcão em Arruda dos Vinhos e Santarém, fora das realizações da tradicional Capeia Arraiana anual, que a Casa do Concelho de Sabugal levou a efeito.
O Campo Pequeno tornou-se assim o palco privilegiado, ano após ano, onde decorriam grandes espectáculos do Forcão, precedidos do passear da Praça com os rapazes bem aprumados, acompanhados por algumas Bandas Filarmónicas, Grupos de Ranchos e os Bombeiros Voluntários do Sabugal e Soito, previamente convidados para a Capeia, pedindo-se a Praça a Sua Ex.ª o Sr. Presidente da Câmara do Sabugal, ou outra personalidade, na sua ausência.
A azáfama começava pela manhã bem cedo, com os preparativos do Campo Pequeno, a montagem do Forcão, a chegada dos Touros, os convidados, os Bombeiros, o Rancho Folclórico e a Banda de Música, seguindo-se o almoço na Casa, ou nas imediações do Praça de Touros.
Alguns anos, foram incluídos Passeios, acompanhados pela rapaziada em fila, Banda de Música, Rancho Folclórico e os Bombeiros, numa manifestação espectacular ao longo da Avenida João XXI, saindo da sede da Casa, no Areeiro, até ao Campo Pequeno, fazendo parar o trânsito, seguindo-se uma volta exterior na Praça de Touros, entrando todo o cortejo de seguida na dita, num ambiente indescritível de grande fervor arraiano. Só visto e vivido, pois as palavras são curtas para esta manifestação.
O pessoal arraiano, residindo na grande Lisboa, acrescido de muitos que se deslocavam do Concelho, de propósito para este grande acontecimento, dava seguimento assim à Capeia, oriunda da Raia, dando outro colorido à Festa que iria decorrer pela tarde, logo após o Passeio e o Pedido da Praça, tal e qual como acontecia na Raia, em qualquer povoação, com o pormenor de nunca se ter efectuado a cavalo, pois também não havia «Encerro», seguindo-se brilhantes faenas, que culminavam com o agarrar os touros em plena arena, numa demonstração de valentia e coragem, já por demais reconhecida e elogiada, sendo os nossos jovens e menos jovens, merecedores de fortes aplausos, de assistências consideráveis.
Pela noite, acabada a Capeia, a festa continuava nas imediações da Praça, num grande ambiente, nada ficando a dever à Raia, antes pelo contrário, numa animação com baile também, acrescido de muitos petiscos e bebidas, principalmente as morcelas e chouriças, que vinham lá do Concelho, desembocando no Campo Pequeno, proporcionando a Casa os assadores, para todos se refastelarem com estes pitéus inigualáveis. Ai que saudades!…
Francisco Engrácia, natural de Vila Boa, falecido em Junho de 2003, foi um dos principais impulsionadores do lançamento da Capeia em Lisboa, deixando um vácuo difícil de preencher, por tudo o que representou na divulgação da cultura da Raia, ao introduzir a Capeia Arraiana na grande região de Lisboa há, sensivelmente, 30 anos.
A sua ligação à Casa do Concelho de Sabugal, desde a sua fundação, aliado aos múltiplos conhecimentos, que dispunha nos diversos círculos da sociedade Lisboeta, sendo bem secundado por alguns arraianos, levou a que se efectuasse a Capeia no Campo Pequeno, coisa impensável nos tempos que corriam. Mas o Chico, era assim que o tratávamos, não desarmou e, derivado à sua capacidade e perseverança, conseguiu os seus intentos, tornando a Capeia do Campo Pequeno, todos os anos, num dos principais pontos de convergência da nossa gente da Raia, residindo na grande Lisboa.
É mais que justo e merecido reconhecer os seus méritos, por todo o seu contributo desinteressado, tanto no arranque, como ao longo dos muitos anos, cuja ligação à Casa e ao Concelho de Sabugal é por demais conhecido, contribuindo para resolver inúmeros problemas, que surgiam numa altura, em que a Casa dava os primeiros passos na Capital, acolhendo mais uma Associação, que continua a prestigiar o Concelho de Sabugal e a Raia, ao longo de mais de três décadas, onde as actividades foram consideráveis e diversificadas.
No regresso à espectacular Praça de Touros do Campo Pequeno, «o Chico vai estar presente em pensamento», pois ficará sempre ligado à história da Capeia em Lisboa, numa moderna e magnificamente renovada, principal Praça de Touros do País. Para muitos, será uma oportunidade de conhecer as novas instalações da Praça.
A Capeia em Lisboa tem servido, assim, ao longo dos tempos, para promover a cultura e tradição do Concelho de Sabugal, levando a nossa região a ser falada e escrita em diversos jornais e inclusive a ser tema de reportagem televisiva nos diversos noticiários.
Marque já na sua agenda: Capeia Arraiana no dia 31 de Maio de 2008, às 17 horas, na renovada Praça de Touros do Campo Pequeno.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Aqui há uns anos atrás, Aldeia da Ponte não tinha um espaço, digno deste nome, para a realização de algumas actividades, sejam culturais, festivas ou outras, de modo a poder corresponder aos anseios de toda uma população, sendo que a criação de um grande salão amplo, permitiria uma resposta condigna ao desenvolvimento de todos estes eventos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDevido à existência da Igreja do Colégio, ainda que privada, por força da arrematação, seria, porventura, este o sitio ideal para a concretização deste anseio da população, alicerçado na sua grandiosidade, aproveitando-se, ao mesmo tempo, para revitalizar este templo, que foi querido, há muitos anos, para a nossa Aldeia.
Em tempos, relativamente recentes, foram feitas algumas abordagens, no sentido apenas da recuperação da Igreja do Colégio, pela anterior Junta de Freguesia.
Segundo consta, a Igreja do Colégio é pertença de três famílias, tendo duas destas, manifestado a intenção de doar a sua parte à Junta de Freguesia. Com a restante família, ainda não houve oportunidade de se chegar a um acordo, apesar de alguns contactos, bem como de um grupo de pessoas da nossa Aldeia, que manteve uma reunião com um dos representantes da família, propondo este, no ano de 2000, a venda dos bens do Colégio, onde se inclui a casa, bem como a sua parte na Igreja, por um valor de 125.000 euros, o equivalente a 25.000 contos na moeda antiga, considerando a Junta de Freguesia, este valor incomportável para as suas possibilidades.
Segundo informações recolhidas, de referir ainda, que dos cinco membros da família, apenas um deles, terá já manifestado a sua vontade, em doar a sua parte na Igreja à Junta de Freguesia, tal como as duas famílias, acima mencionadas.
Colégio de Aldeia da PonteO ideal seria conseguir-se um acordo semelhante com os restantes quatro membros desta família, apelando à sua boa vontade, no sentido de se poder recuperar e preservar este monumento histórico da Igreja do Colégio, que aos antigos, encheu de orgulho, há mais de um século, muito contribuindo para isso também, todo o povo, com a ajuda e entusiasmo, despendidos na sua construção, naquela época, conforme referimos num escrito anterior.
Seria um gesto nobre e gratificante, que honraria, seguramente, os detentores da Igreja e os nossos antepassados, orgulhosos da grandiosa obra, permitindo a recuperação deste belo e altivo monumento, contribuindo para o enriquecimento da historia de Aldeia da Ponte.
Para a Junta de Freguesia, seja ela qual for, face às suas parcas receitas, será uma dificuldade acrescida, conseguir o financiamento para a compra, restando ainda toda a recuperação, que atingirá, por certo, valores bem altos e difíceis, face à sua capacidade financeira, a qual só será possível, mediante uma candidatura a fundos oficiais, através da Câmara Municipal, ou outros Organismos, que à partida, poderá não se afigurar fácil, de todo.
De salientar, que desde a sua arrematação por particulares em 1922, foram as casas do Colégio habitadas por várias famílias, que para o efeito, as foram adquirindo, mantendo-se hoje, em estado de ser habitadas, depois de alguns melhoramentos efectuados pelas mesmas, com a excepção da casa acima referida, que a família detentora propôs vender, mantendo-se há largos anos desabitada.
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Com a ameaça de um tempo nada condizente para estes espectáculos, teve lugar a III Capeia da Páscoa (edição 2008), organizada pela A.J.P., na Praça de Touros de Aldeia da Ponte, neste último sábado de Páscoa, dia 22 de Março.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaO dia amanheceu bastante cinzento, com alguma ventania à mistura, prenunciando a chuva, que acabaria por chegar na altura do touro da prova, não servindo para desanimar a malta, antes pelo contrário, contando-se uma boa presença do pessoal da raia no Encerro, como vem sendo um hábito, nestas ocasiões.
Manhã bem cedo, ao largo da Praça de Touros, começam a chegar os cavaleiros de todos os lados, trocando-se os primeiros cumprimentos esfusiantes e joviais, destes amantes madrugadores dos cavalos, houve quem se «alevantasse» às quatro da matina, para ferrar e preparar o cavalo, tudo nas calmas sem stress, apresentando-se a preceito.
Assistimos depois à descarga dos cavalos e toca de aparelhar os ditos, que vieram de mais longe, juntando-se a estes, os da terra, rumando com a boa disposição do costume, em direcção às cercanias da raia espanhola, acompanhados de muitos outros, que não querem perder a saída dos touros, depois de uma apetitosa merenda, proporcionada pelos jovens organizadores.
Resolvidos estes assuntos do mata-bicho, com o estômago bem mais aconchegado, tem início a caminhada, rumo à Praça. Os cavaleiros conduzem os bois pelo caminho habitual, ladeados pelos que vão a pé, bem como o magote de carros, carrinhas e tractores, todos os veículos servem para acompanhar, de perto, este cortejo de cavaleiros, touros e cabrestos.
Pelo meio, respira-se um pouco de ar puro, caminha-se um bom bocado a pé, que sabe bem aos pulmões e ao resto do corpo, grita-se, conversa-se e surgem alguns encontros imprevistos. De tudo um pouco se passou no Encerro, com os bois a dar mais trabalho, do que o esperado, com o início de uma correria louca, logo à saída do lameiro, acabando um deles por fugir, tornando infrutífero, o esforço dos cavaleiros para o recuperar.
Com a aproximação à zona da Praça, o alvoroço é bem maior, com as correrias da ordem, sendo necessário vigiar bem as portas da estrada, que para o efeito é cortada por minutos, para a passagem do cortejo, com muito pendurados nas cancelas, assistindo a este espectáculo de cavalos e cavaleiros, com outros mais afoitos correndo à frente, até à entrada na Praça, consumando-se assim mais um Encerro, primeira parte do espectáculo.
Capeia da Páscoa-2008 em Aldeia da PonteDada a volta dos cavaleiros na praça, para as exibições e as palmas do muito público presente, seguiu-se o touro da prova, apesar do início da chuva, servindo para aquilatar da bravura das reses.
Arrumada que ficou esta questão, mais a recolha das cancelas, ainda à chuva, ala, de abalada até ao almoço nos Balneários, onde nas habituais conversas dos cavaleiros, se comentam os pormenores vividos de perto, retemperando-se também as energias, degustando o almoço, este ano com um porco assado no espeto, com a presença de muita gente, como vem sendo habitual.
Durante o almoço, a chuva não parou de cair, temendo-se a não abertura das condições para a Capeia, puro engano, apesar do tempo nebuloso, lá se conseguiu realizar.
Antes do início da Capeia, foi passeada a Praça pelos jovens, acompanhados pelos Tamborileiros da nossa Aldeia, pedindo-se a Praça ao Tó Chorão, a fazer lembrar as Capeias dos Mordomos.
Quanto à Capeia, propriamente dita, tratou-se de um espectáculo normal para esta época, portando-se a rapaziada à altura do acontecimento, outra coisa não seria de esperar dos Jovens e outros menos jovens, esperando uns touros próprios para esta época, bem voluntariosos por sinal, investindo bem ao Forcão, tendo-se assistido a boas lides a pé, no afoliar, bem como se consumou o agarrar de todos os touros em plena Praça. Divertimento e atrevimento da rapaziada com o Forcão são o que mais interessa nas Capeias, desejável sem azares, de preferência, que foi o que se passou nesta Páscoa em A. Ponte.
Estão de parabéns todos os envolvidos, desde os organizadores, passando pelos cavaleiros, o ganadeiro e a rapaziada, que deram corpo a esta Capeia, apesar do tempo não ter colaborado por aí além.
Como foi anunciado, à noite, a inevitável concentração nos Balneários, para mais uns largos momentos de convívio dos que tiveram a oportunidade de aparecer.
A Capeia da Páscoa da A.J.P. inicia um novo ciclo, terminando no final do Verão, com a maior incidência no mês de Agosto, onde se realizam as de maior porte e valentia, como acontece, todos os anos, nas aldeias da raia do Sabugal.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Reportada que foi, nestes escritos, uma grande parte da vida do Colégio, com a sua actividade intensa, no final e inicio dos últimos dois séculos, apenas mais umas poucas considerações sobre a sua utilidade, depois do encerramento.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPara quem viveu na rua do Colégio, enquanto foi totalmente habitado pelas famílias que o arremataram, ou outras posteriores, com a sua altaneira e imponente Igreja transformada em palheiro, servindo para as famílias detentoras deste espaço arrecadarem os animais, a palha ou outras alfaias agrícolas, enfim tudo o que era necessário, pois espaço era coisa que abundava numa Igreja com aquele tamanho todo.
Franqueámos, inúmeras vezes, as suas grandiosas e trabalhadas portas de madeira, na nossa juventude, pois vivemos mesmo na sua frente, pertencendo a um número de privilegiados, que mantivemos alguma facilidade na sua entrada, devido às relações de amizade, boa vizinhança e contacto diário com a família, detentora da maior parte da Igreja.
Muitos serões passámos no quentinho da Igreja, seja em amena cavaqueira típica das noites, seja no ajudar a arrumar as «fachas» de palha ou feno para os animais, bem como outras tarefas que por lá ocorriam, como a feitura de aguardente caseira na Alquitarra, durante a noite, acompanhando com alguns petiscos, que tivemos oportunidade de saborear, assados na brasa, enquanto a aguardente se ia formando.
Aquele edifício, com a sua altivez, exercia um fascínio difícil de explicar na pequenada, que por ali morava, não sendo muito perceptível para todos nós, enquanto canalha miúda, compreender como foi possível o aparecimento deste monumento, que apesar de ter sido encerrado na primeira década de 1900, registou ainda alguma utilidade e vida, depois da arrematação em hasta pública em 1922, servindo os últimos moradores com pertença da Igreja, que a foram mantendo activa para as suas necessidades, embora com uma tarefa bem diferente, para a qual foi erigida.
Colégio de Aldeia da PonteComo o telhado nunca teve uma grande reparação, apenas um ou outro retoque e, devido às infiltrações, era visível, nos dois cantos da frente, a deterioração que na década de 50 já existia na Igreja, ainda sem perigo aparente, para quem lá entrasse, pois estes dois cantos estiveram sempre protegidos, não fosse alguma telha ou madeira vir por ali abaixo, causando algum dissabor.
Antes de abordar algumas considerações sobre uma eventual recuperação, dependendo da vontade dos detentores da Igreja, num artigo próximo, uma referência para a imensa vida no grande forro do telhado, servindo de refúgio a várias aves, pois aqui tiveram protecção e sossego, principalmente as pombas, fazendo neste local um autêntico pombal com os seus ninhos, por muitos anos, complementada com o altaneiro ninho das cegonhas, chegando a existir dois.
Todas as Primaveras, as cegonhas ali arribavam para a criação, frequentando as «charcas» das redondezas, onde recolhiam os alimentos para criar os filhotes cegonhos.
Deduzidas as novas atribuições agrícolas e, à falta de melhor, o edifício da Igreja também serviu, como acabamos de referir, de poiso para muitas aves, transmitindo-lhe alguma visibilidade no regresso das cegonhas, com o matraquear característico e inconfundível dos seus longos bicos.
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Com a fundação do Colégio e a passagem de todos os Frades por Aldeia da Ponte e por toda esta vasta região, ficaram lançadas as sementes, redundando em algum aproveitamento para as Ordens Religiosas, pois daqui nasceram muitas vocações para a missionação e a religião, iniciando-se com o envio de cerca de 12 pessoas, no ano de 1900, para Segóvia, um dos centros da Ordem dos Claretianos, em Espanha.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDerivado às acções e ensinamentos dos Frades, durante os anos seguintes ao encerramento do Colégio, as vocações religiosas multiplicaram-se, levando inúmeras pessoas a frequentar as diversas casas das Ordens, dedicando muita da sua vida ao serviço pastoral e bem-estar dos outros, formando-se inúmeros Padres, Irmãos e Freiras, de que Aldeia da Ponte é exemplo, demandando por esse país fora, sempre que solicitados, não só para a evangelização, como para socorrer os necessitados, onde quer que fosse preciso.
Abundam por demais os exemplos, que se podem apontar, pelas aldeias arraianas, em que nas últimas cinco ou seis décadas era usual, os jovens seguirem a sua vida escolar no seminário, à procura da vocação, fruto também da falta de recursos. As nossas terras não eram ricas por aí além, sempre foi muito difícil para os nossos antepassados, criando famílias numerosas, mesmo assim, concluindo, alguns deles, a ordenação sacerdotal, enquanto muitos outros saíram beneficiados pelos estudos, preparando-os e ajudando-os a enfrentar melhor o futuro.
Colégio de Aldeia da PonteQuem viveu na longínqua época do Colégio de Aldeia da Ponte beneficiou, seguramente, de uma aprendizagem, inacessível a tantos outros, pois estabelecimentos de ensino não existiam muitos nesta região, sendo a sua criação uma tarefa complicada, bem como a disponibilidade financeira das famílias para dar formação aos filhos, como constatámos ao longo destes escritos.
Contando com uma história rica e bem mais vasta, sucintamente, fica retratado, ainda que um pouco superficialmente, o encerramento prematuro do Colégio, bem como a passagem dos Frades por Aldeia da Ponte, penalizando toda uma imensa região das Beiras, com o final destas acções e os seus ensinamentos, cujos prejuízos nunca poderão ser avaliados nem quantificados.
Apesar das muitas vicissitudes e outras tantas histórias reportadas aos Frades e ao Colégio, algo de extraordinário, emotivo e benéfico, aconteceu na nossa terra, naquela época, que deve ser relevado e recordado como merece.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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O ensino escolar, nesta nova fase, funcionou desde 1901 até ao ano lectivo de 1906/07, quando foram extintos o ensino oficial e o Seminário no Colégio.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA partir daqui começaram os problemas no Colégio, derivado à situação politica instável, agravando-se mais tarde, com o assassinato do Rei D. Carlos em 1 de Fevereiro de 1908, tornando-se difícil às Ordens religiosas exercerem a sua actividade, sendo inspeccionadas, várias vezes, pelos serviços do Reino, no sentido de verificar os seus registos e respectivos livros de contas.
Pairou por muitos anos a informação, que o Colégio teria cessado a actividade com a implantação da República, mas o que é um facto, é que foi encerrado, definitivamente, em 12 de Setembro de 1910, por ordem do Governo do Reino, um mês antes da proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 e depois da realização de dois inquéritos. O primeiro no ano de 1908, acrescido de um outro, já próximo do encerramento, chegando os inquiridores à conclusão, que se desviou dos objectivos e dos fins legais para que tinha sido criado, deixando de cumprir as suas obrigações, consignadas nos Estatutos, ficando reduzido a uma casa de missionários espanhóis da Companhia de Jesus, não tendo existência legal no País.
Colégio de Aldeia da PonteA má vontade contra o Colégio e os Frades já se pressentia no ar por demais, nesta altura de grande instabilidade, anterior à Republica, sofrendo uma campanha terrível na imprensa, apelidada até de miserável, levando ao resultado que se conhece, o fecho das suas portas.
Para esta situação extrema de conflito, envolvendo o Colégio, contribuíram alguns jornais nacionais, destacando-se neste papel, o antigo jornal «O Século», publicando vários artigos ofensivos, alguns na primeira página, reportando toda a actividade dos Frades espanhóis em Aldeia da Ponte, acusando-os de vários ilícitos, entre os quais, o contrabando, a caça de missas, bem como negociatas duvidosas e os diversos peditórios por tudo e por nada, abusando da boa vontade do povo, sobrecarregando-o com estas praticas.
Colégio de Aldeia da PonteConsumada a expulsão dos Frades espanhóis do Colégio, foi este confiscado e selado pelas autoridades, tendo o novo poder delegado ao Governo Civil, o arrolamento geral de todos os bens, até que se decidisse o seu destino futuro, procedendo-se a uma arrematação em hasta pública, anos mais tarde, por altura do ano de 1922, durando até aos nossos dias, com vários proprietários, como é sabido.
A despedida dos Frades de Aldeia da Ponte causou desconforto e lágrimas, misturadas com alguma mágoa e dor em todo o povo, pois por todos eram benquistos, apesar de tudo o que se publicava nos jornais da época, sendo preciso forças de segurança reforçadas, para levarem a efeito esta medida, verificando-se uma resistência assinalável, com algumas prisões, como consequência deste destemido acto, dos habitantes da nossa terra.
Perdeu Aldeia da Ponte e toda a comunidade das Beiras, depois do abastado trabalho dos seus mentores e de toda a ajuda do povo na construção deste monumento, que foi fundamental e útil a muitos antepassados, durante quase duas dezenas de anos, de 1892 até 1910, contribuindo para uma melhor formação, que sem a existência do Colégio, não seria possível, como se pode facilmente depreender.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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A actividade da Ordem dos Frades Claretianos centralizava-se, fundamentalmente, na evangelização e no ensino, considerado muito importante, conseguindo-se assim angariar vocações para a Ordem, ao contrário da anterior Ordem Hospitaleira de S. João de Deus.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo referimos no escrito anterior, a actividade dos Frades Claretianos, também conhecidos por Marianos, iniciou-se no princípio do ano de 1898, devido à intermediação de Bento Menni contactando os Irmãos desta Ordem que já exerciam a sua actividade nesta zona espanhola, bem próximo da fronteira.
Iniciadas as negociações para a passagem do Colégio para esta Ordem, chegou-se a um entendimento em relação aos bens móveis e ao edifício, comprometendo-se a nova Ordem, a ficar com as dívidas já existentes, formalizando-se a escritura no início de Janeiro deste ano, embora a sua chegada a Aldeia da Ponte para tomar conta do Colégio tenha sido em Maio.
Depois de cumpridas todas as formalidades, os novos Frades, todos espanhóis, foram recebidos de braços abertos e em clima de festa pelo povo, ao som da Banda de Música de Aldeia da Ponte, composta por cerca de vinte e dois elementos, que ao tempo já existia, conforme abordei num escrito recente.
Devido à situação politica actual e, como a vida não era nada fácil para as Ordens Religiosas em Portugal, foram aconselhados a serem moderados e a usarem os mesmos hábitos dos demais religiosos. A entrada dos novos Frades contou também com o apoio do Sr. Bispo da Guarda, D. Tomás de Almeida, que já autorizara a ida dos Irmãos de S. João de Deus para o Colégio.
Em 1901, as Congregações Religiosas que se dedicavam ao ensino, beneficência ou outras, foram obrigadas a legalizar-se, constituindo estatutos apropriados, sendo encerradas as que não obedecessem ao decreto-lei, que assim o determinava.
Os Frades espanhóis assim o fizeram, apresentando em Abril, uns primeiros estatutos improvisados, tentando convencer as autoridades, respondendo estas, com uma reacção demasiado enérgica, que poderia ter sido fatal para a Ordem, sendo todos expulsos para Espanha.
Antigo Colégio de Aldeia da PontePassado pouco tempo, surgiram mudanças no Concelho de Sabugal e, contando com o apoio do Governador Civil da Guarda, nesta situação mais favorável, foram apresentados novos Estatutos da Associação do Colégio, contendo 18 artigos, que viriam a ser aprovados meses mais tarde, em Outubro desse ano. O Colégio conseguiu, com este passo, ficar assim dentro da lei, continuando a sua missão em Aldeia da Ponte, com novos Frades espanhóis, condição imposta pelo Governo Civil, não permitindo o regresso dos anteriores, sendo todos substituídos, prosseguindo e alargando a sua acção por toda esta região.
Com a morte de D. Tomás de Almeida em 1903, sucede-lhe como novo Bispo da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos, que igualmente, lhe concede a sua protecção e apoio, ao mesmo tempo que estabelece ali uma extensão do Seminário da Guarda.
Conforme determinavam os estatutos, o Colégio passa a funcionar como estabelecimento escolar, contemplando o ensino oficial, primário e secundário, aproveitando os Frades para ministrar também o apostolado, chegando a ser frequentada por cerca de 200 alunos, onde se estudavam as diferentes disciplinas, como o Latim, Português, Francês, Literatura, Filosofia, Matemática e Ciências Naturais, recorrendo-se também a aulas nocturnas. Mediante o ensino destas disciplinas e com bons professores, alguns até da nossa região, o Colégio foi determinante para o grau de conhecimentos adquiridos, contribuindo para a elevação do nível cultural de quem teve a oportunidade de passar por Aldeia da Ponte, naquela época longínqua.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Este é o terceiro ano consecutivo que a A.J.P. – Associação da Juventude Pontense leva a efeito a organização na Páscoa da Capeia com Encerro, na Praça de Touros de Aldeia da Ponte. A festa está marcada para o sábado de Páscoa, que este ano calha a 22 de Março, com touros do amigo Romeu de Aldeia Velha.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo é habitual, as Capeias da Páscoa vão dando seguimento à tradição, que teve início há uns poucos de anos, as mais antigas com os objectivos de todos conhecidos.
As organizadas pela A.J.P.–Associação Juventude Pontense vão mantendo viva a tradição, mas é preciso que todos se consciencializem, que não basta os jovens quererem, é preciso algo mais, que é a nossa compreensão e ajuda, pois os trabalhos e as canseiras são mais que muitas, para se levar o barco a bom porto, como soi dizer-se.
A festa é bem bonita e o convívio entre a nossa malta, bem como dos que nos visitam, é merecedor de todo este espectáculo, em redor da Capeia.
A Capeia da Páscoa já ganhou um lugar nas realizações da raia sabugalense, por mérito próprio, sendo merecedora da presença dos arraianos e muitos outros a quem o bichinho morde, quando se aproximam estas faenas.
Lá mais para a noitinha, a continuação da festa, jogando mais alguma conversa fora, como de costume, acompanhado de um copo, como é bem normal na nossa malta, comentando-se, mais uma vez, as peripécias da Capeia e do Encerro.
Capeia da Páscoa em Aldeia da PonteA Associação dos Jovens de Aldeia da Ponte vai calcorreando o seu caminho, apesar de algumas criticas de quem nada faz, mas é sempre assim, os que nada fazem, o único prazer que têm é deitar abaixo os outros. Vale mais fazer algo, ainda que com erros ou algumas insuficiências, ninguém é perfeito, mas que vai contribuindo para que a nossa Aldeia vá tendo algum movimento, que bem preciso é, em certas e determinadas alturas do ano, pelo menos nessas, já que em outras alturas não se proporciona tanto, em que é necessário dar algum reboliço nas nossas gentes e nos amigos das outras Aldeias, que também já não dispensam esta realização, também eles contribuindo para animar esta época, assim como muitos de nós não dispensamos os espectáculos nas suas Aldeias. Está entranhado no sangue, pouco ou nada haverá a fazer. O pessoal da raia, a grande maioria, felizmente, é assim que convive mais assiduamente, avivando cada vez mais as nossas tradições antigas.
A Páscoa de 2008 promete mais algumas sensações bem especiais na Raia, especialmente na nossa Aldeia.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Colégio, foi assim que sempre foi conhecido, embora haja quem o tenha chamado mosteiro, convento, asilo ou hospital infantil de Aldeia da Ponte, devido à sua génese, ao ser criado para o acolhimento de crianças abandonadas, órfãos e aleijados pobres, funcionando, inicialmente, sob a orientação dos Irmãos enviados por Bento Menni de Lisboa.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDepois da anuência do Sr. Bispo da Guarda, a Ordem deu início à sua actividade com a construção de um pavilhão, que iria servir de apoio e onde se chegaram a albergar cerca de 50 meninos, iniciando-se a acção piedosa que fazia jus às suas atribuições, para a qual tinha sido criada na nossa Aldeia, retomando, ao mesmo tempo, as obras de acabamento da Igreja, onde o povo teve um papel primordial, conforme referimos no último escrito.
Ao instalar-se em Aldeia da Ponte, também foi intenção do Padre Menni e do Reverendo Dr. Fancisco Grainha a criação de um noviciado, afim de atrair jovens portugueses para a Ordem, mas esta ideia não se concretizou.
Com o decorrer dos anos, as dificuldades financeiras foram-se agravando, obrigando a Ordem a contrair algumas dividas, verificando-se, ao mesmo tempo, a diminuição das esmolas, acrescido da falta do pagamento prometido pelo Dr. Francisco Grainha, as 40 libras anuais, levando a uma situação insustentável, pois começaram a escassear os recursos para o sustento do Colégio, vendo-se os Frades na iminência de ter que mandar embora as crianças, o que viria, de facto, a acontecer mais tarde, com o conhecimento de Bento Menni.
Antigo Colégio de Aldeia da PonteCom a morte do Reverendo Francisco Grainha em 1896, Bento Menni fez, ainda, uma última tentativa junto do sobrinho, Dr. Francisco Sales Borges, no sentido de o sensibilizar, para o problema do Colégio, recordando-lhe que o seu tio tinha prometido, em vida, uma comparticipação monetária, mas sem resultados aparentes, tornando infrutífero o esforço de Bento Menni, no sentido de continuar com o Colégio em funcionamento, pois a sua vontade era prosseguir a actividade nesta região.
Perante esta situação inultrapassável, nada mais houve a fazer, levando a que Ordem cessasse a sua actividade em A. Ponte, prosseguindo-a no Telhal, nos arredores de Lisboa, onde em 1893 tinha comprado uma quinta, com o apoio do Arcebispado de Lisboa, alargando a capacidade da Ordem, na recolha dos necessitados.
A Ordem Hospitaleira S. João de Deus permaneceu na nossa Aldeia, entre meados de 1892 até final de 1897, sendo o Colégio entregue, no início de 1898, à Ordem do Imaculado Coração de Maria, fundada pelo Padre António Maria Claret, com as diligências directas a serem efectuadas por Bento Menni, entre Outubro e Dezembro de 1897.
Este passo tornou-se um marco histórico para o Colégio, uma vez que foi em Aldeia da Ponte, que teve início a actividade destes Frades, denominados Claretianos, em homenagem ao seu fundador, sendo também conhecidos por Frades Marianos, constituindo aqui a sua Casa-Mãe em Portugal, neste ano de 1898.
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O Colégio foi mandado construir pelo Dr. Francisco Grainha, da Covilhã, antes de 1891, com a ajuda de um benemérito de Castelo Branco, o Sr. Pedro Pina, que lhe disponibilizou cerca de 80 contos de reis, com a grande ajuda e colaboração do povo de Aldeia da Ponte despendendo muito trabalho, doando materiais, como madeira, carretos de pedra, essenciais para a sua construção, acrescido de tudo o que o Colégio necessitou, nada foi regateado pela população, que se prestou com o que pode, para a construção do magnífico edifício.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA Ordem Hospitaleira de S. João de Deus iniciou a sua actividade em Granada, Espanha, em 1538, tendo origem na acção e exemplo de vida do seu fundador, implementando uma nova maneira de tratar e acolher os pobres, os doentes e os necessitados. Em Portugal, tem início pelo ano de 1606, em Montemor-o-Novo, precisamente a terra natal do seu fundador, tendo comemorado em 2006, os seus 400 anos de presença no nosso país. Devido a questões políticas, com algumas perseguições pelo meio, fez com que a Ordem fosse obrigada a algumas interrupções, tanto em Espanha como em Portugal.
O Papa Pio IX pediu então ao Padre Bento Menni para restabelecer a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus na Península Ibérica, iniciando estas funções em Espanha, por altura de 1867, vindo mais tarde para o nosso país, em 1890, começando por tomar conta do Hospício de Santa Marta, em Lisboa.
Passado algum tempo e, devido à boa aceitação que a Ordem Hospitaleira estava a ter em Lisboa, Bento Menni pensou em criar novas fundações, mas os recursos eram diminutos, acrescido do facto de ainda ter poucos Irmãos portugueses.
Numa passagem pela Covilhã, o Reverendo Dr. Francisco Grainha desta localidade, propôs a Bento Menni para se encarregar de uma casa de beneficência, que pretendia criar em Aldeia da Ponte, comprometendo-se, ainda, a entregar-lhe uma importância, em dinheiro, no valor de 40 libras anuais, para as despesas desta casa, que seria doada à Ordem Hospitaleira, para recolher e cuidar de meninos desamparados, órfãos e aleijados pobres.
Colégio de Aldeia da PonteEm função desta generosa oferta, Bento Menni escreve uma carta ao Sr. Bispo da Guarda, D. Tomás Gomes de Almeida, em Janeiro de 1892, solicitando a sua autorização para instalar uma comunidade desta Ordem Hospitaleira em Aldeia da Ponte.
D. Tomás de Almeida respondeu que apoiava a iniciativa e concedia a sua autorização com muito gosto e de viva voz, não a dando por escrito, atendendo às circunstâncias dos tempos actuais. Alguma contestação já existia, à época, contra as Ordens religiosas e a situação do Reino não era propicia a grandes comprometimentos.
Segue-se um período de troca de correspondência entre Bento Menni e o Dr. Francisco Grainha, cedendo este, a quinta de Aldeia da Ponte à Ordem, pronta a funcionar, faltando apenas a conclusão da Igreja, que já existia, ainda em construção, com o fim exclusivo de ser destinada a obra de benemerência.
Em meados desse mesmo ano de 1892 teve início a actividade dos irmãos de S. João de Deus em Aldeia da Ponte, mas passado pouco tempo, o Colégio sofreu um revés, que foi uma multa de 1 conto de reis aplicada devido ao sub-avaliamento do edifício do Colégio, multa essa que viria a ser perdoada, pagando-se apenas os 10% desse valor, como determinava a lei, a pedido do padre Bento Menni, que para isso se deslocou a Lisboa, apelando aos bons serviços da Rainha D. Amélia, que confiava e reconhecia as boas causas da Ordem de S. João de Deus, no apoio aos pobres e desamparados.
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Ao abordar este tema do Colégio, não é minha intenção criar problemas ou situações do género, antes facultar alguma informação, ainda que superficial do Colégio, reforçando o conhecimento de uma instituição que foi merecedora de algum crédito, presumindo que não tenha sido muito fácil a sua criação, com estatutos próprios e aprovados em 1901, com a designação de Estatutos do Colégio de Aldeia da Ponte.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaO Colégio de Aldeia da Ponte desenvolveu um meritório trabalho, especialmente na recolha de crianças órfãs e desamparadas, bem como na educação e saber da nossa região, proporcionada pelos frades portugueses e espanhóis.
Nasci e cresci mesmo em frente ao Colégio antigo de Aldeia da Ponte, hoje com algumas casas em ruínas, outras recuperadas e habitadas, bem como a sua bela e altiva Igreja, transformada em palheiro depois do encerramento, na rua com o mesmo nome.
Toda a minha meninice e juventude foi passada paredes-meias com o Colégio, ainda era totalmente habitado por várias famílias.
Em Aldeia da Ponte há alguns especialistas na pesquisa de todo o historial desta instituição, construída há dois séculos atrás, servindo também como um centro escolar, onde os Frades espanhóis ministravam um ensino de qualidade.
Colégio de Aldeia da PonteSegundo relatos de quem conheceu a realidade do Colégio, começou por ser uma casa de acolhimento de meninos abandonados, necessitados e pobres, sendo transformado também em estabelecimento escolar, onde muitos adquiriram conhecimentos que lhes foram úteis e favoráveis para a vida.
Tal como acima referi, não serei a pessoa mais habilitada a escrever sobre a história do Colégio, que é muito rica, apenas referirei alguns aspectos gerais, que poderão conter algumas imprecisões, de que me penitencio.
A estrutura do Colégio englobava todo o casario em torno da Igreja, bem como as terras situadas atrás, passando do alto da Santa Bárbara, denominada a Costa, onde os Frades cuidavam das suas culturas, entre as quais um afamado vinho, em que a Costa ou Encosta era, e ainda se mantém, como um dos melhores locais para a cultura da vinha e muitas outras, na nossa Aldeia, que os Frades cultivavam para consumo de todos os seus utentes.
Hoje em dia, a Costa está a ficar apinhada de casas, expandindo-se a povoação para este local, com muitas casas de emigrantes, que apenas visitam a Aldeia por altura das férias.
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Já aqui abordei a criação dos jornais «A Luta» e «Terra Fria», por altura de 1975, logo a seguir ao período revolucionário, originado pelo 25 de Abril de 1974.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNa criação destes jornais, e sem desprimor para os vários colaboradores, o pessoal de Aldeia da Ponte era dos mais activos, tanto na feitura do jornal, como nos vários artigos a discutir para cada número.
Com o findar destes periódicos, um grupo de amigos da nossa Aldeia, sedeadas em Lisboa resolveu dar continuidade ao seu trabalho, criando o primeiro jornal «A Ponte» de Janeiro a Março de 1978, com tiragem trimestral, dando uma cobertura completa das novas de Aldeia da Ponte, levando o jornal por esse mundo fora, nomeadamente ao encontro dos emigrantes, que são dos que mais anseiam por novas da sua terra, devido à distância e ao isolamento em que se encontravam, à época, acontecendo o mesmo, ainda hoje.
A chegada deste novo jornal, que resistiu até ao número 17 (Janeiro a Março de 1982), levou uma lufada de ar fresco a todos os nossos amigos e conterrâneos, inserindo muitas novidades dos locais mais recônditos, que nos eram enviadas por alguns, também desejosos de colaborar com «A Ponte».
Como muitos outros, sofreu as mesmas consequências, vindo a encerrar a sua publicação passados quatro anos, fruto também de alguma saturação de quem o dava à estampa. As vidas vão-se modificando, as pessoas deixam de ter menos tempo, a renovação não aparece e a consequência fatal está mesmo ali, à porta, como em muitas outras actividades, como algures já escrevi.
Jornais de Aldeia da PonteDo jornal «A Ponte» guardamos gratas recordações e muitos artigos de qualidade, bem como muitas histórias divulgadas sobre a nossa Aldeia, que tentarei recuperar.
Para além de toda a divulgação de notícias e artigos, muitos outros assuntos foram abordados, que diziam respeito ao melhoramento e bem-estar da comunidade, como a saúde, água, luz, as ruas, esgotos, as Escolas velhas, o Colégio e a Ponte Romana. Espaço também para as novas da Associação dos Amigos, com muitas informações, principalmente sobre a construção da Praça de Touros de Aldeia da Ponte, que decorreu neste período.
As notícias têm o condão de chamar a atenção para a realidade dos povos. O Jornal «A Ponte» ajudou, e muito, a que algo, na nossa Aldeia, tivesse uma outra atenção de quem podia decidir nesta época. Apesar de tudo, valeu bem o esforço de todos os que colaboraram na feitura deste jornal trimestral.
Acabou este periódico, mas passado um ano, a Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte criou o seu Boletim número 1, de Janeiro a Abril de 1983, dando continuidade a muitas outras informações e notícias da nossa Aldeia, mantendo-se até aos nossos dias, com uma periodicidade quadrimestral.
Sabe sempre bem, receber as novidades da nossa terra.

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No final do século XIX, aí por volta dos anos de 1890-1895, existiu em Aldeia da Ponte uma Banda de Música, que percorria as redondezas, actuando nas festas religiosas, inclusive, com algumas incursões em Espanha.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaAldeia da Ponte teve a fortuna de ser dotada de variados artistas, que cultivavam a música, formando a tal banda, bastante conceituada e solicitada. Estamos em crer que não seria fácil, à época, mas o que é certo, é que a carolice, a vontade e a arte de uns quantos, levou por diante este agrupamento de artistas, representando a nossa Aldeia por tudo o que era sítio.
Quando se deslocavam um pouco mais longe, sempre a pé, não havia carros, tinham que sair um ou dois dias antes, afim de chegarem a tempo de honrar o compromisso assumido. Pelo caminho, era uma paródia daquelas e, lá iam entrando nas tascas, petiscando e bebendo o seu copito, para ajudar a retemperar as energias, que bem precisas eram, pois alguns instrumentos exigiam grande esforço, como é bem sabido. Os músicos que o digam.
Acontece que num belo dia de festa em Casillas de Flores, lá foram os nossos músicos, calcorreando o longo caminho de terra batida, para se apresentarem na tal dita cuja.
Segundo relato dos mais antigos, a banda começou a tocar uma música religiosa, na igreja, mas depressa se desviou para uma outra música portuguesa, as Carvoeiras, muito em voga nessa altura, mandando às malvas a orientação do Maestro, para espanto dos espanhóis, que não queriam acreditar no que estavam a ouvir e a presenciar. O Maestro bem tentou corrigir este «desvio», mas qual quê, os músicos estavam embalados e, só a muito custo, lá os conseguiu parar. Furioso com este incidente e, para castigo, apenas escolheu uns poucos, para acompanharem a procissão religiosa.
Banda de MúsicaDecorria muito bem a procissão por «el pueblo de Casillas», quando já próximo da igreja, numa rua a descer, azar dos azares, um dos nossos amigos músicos da retaguarda tropeçou, caiu e, com a sua queda, arrastou quase todos os outros, fazendo perder a paciência aos espanhóis, que já tinham suportado a troca de músicas, no início da cerimónia, entornando-se o caldo e, foi um ver se te avias, toca de afugentar os nossos músicos em direcção a Portugal, à nossa Aldeia.
Com mais um ou outro pormenor, assim ficou retratada a actuação da nossa Banda de Música, na ida a Casilhas de Flores.
Esta é uma deliciosa história que aconteceu, fruto da irreverência dos jovens músicos, que para além da sua arte e sabedoria a tocar, eram danados para as brincadeiras, juntando farras e outras partidas, pese embora os nossos amigos espanhóis tenham ficado furiosos pois, nestas ocasiões de desventura onde algo não corre como o esperado, as más novas propagam-se depressa, como é habitual nos infortúnios.
Este desgraçado episódio não serviu para manchar muitas outras actuações brilhantes dos afamados músicos de outrora, por onde tiveram a oportunidade de passear a sua arte de manusear os instrumentos. De contrário, logo se saberia, se mais alguma outra manifesta «desgraça» lhes tinha acontecido, o que abona, por demais, em favor da Banda de Música de Aldeia da Ponte de há dois séculos atrás.
Tentaremos, caso seja possível, se mais lembranças dos nossos antigos surgirem, voltar à nossa Banda de Música com mais algum eventual episódio.
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Depois de um primeiro escrito sobre o Alferes Piloto Aviador Raul Fernandes, que viria a falecer muito jovem, devido à queda da avioneta que pilotava, damos à estampa, desta vez, mais alguns factos recolhidos recentemente.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaEm 1956 aterrou no Vale de Aldeia da Ponte, juntamente com um amigo, cada um em sua avioneta, dando a primazia ao convidado, tendo este estacionado a sua avioneta junto à estrada para Albergaria, seguindo-se a aterragem do nosso piloto, para gáudio de um Vale repleto de gente.
A cada vinda do Raul da Casaca Azul, até da escola se fugia, para assistir às aterragens das avionetas, pois não era todos os dias, que se podia contemplar este espectáculo.
Quando chegava ao Vale, acabadinho de aterrar, as forças da ordem de Aldeia, neste caso, a Guarda Fiscal, perfilavam-se à sua frente, em sinal de respeito, fazendo-lhe a continência, pois o nosso amigo aviador possuía a graduação de Alferes. Imobilizado o aparelho, em chão firme, dirigia-se ao seu encontro, cumprimentava-os, um a um, retirando a sua mão da continência, num gesto de grande humildade e simpatia, como que significando, que ali, na Aldeia, eram todos iguais, não interessando a patente de cada um, o que cativava tanto as autoridades, como os populares, que assistiam a esta, digamos assim, pequena cerimónia de cortesia e boas-vindas.
Raul da casaca azul - Foto retirada do livro «O passeio dos moços da Raia» de José PrataNo dia do funeral, quando a urna saía de sua casa, para a última viagem em direcção ao cemitério, os céus de Aldeia da Ponte foram sobrevoados por umas quantas avionetas, alinhadas em formação, largando milhares de pétalas de rosas, em singela homenagem dos seus companheiros, despedindo-se, deste modo, do seu amigo Raul Fernandes, que por certo, estimavam e consideravam. Há quem me tenha confidenciado, que das avionetas foi lançada, ainda, uma carta, seria, porventura, uma missiva de condolências dos seus amigos aviadores, que se quiseram solidarizar com a família na sua dor.
Passado algum tempo, uma bela donzela, presume-se a sua noiva, visitou o seu túmulo, derramando fartas lágrimas por um amor, abruptamente interrompido na plenitude de uma juventude, que ficou por viver pelo aviador Raul Fernandes.
Para situarmos melhor a história do nosso Piloto Aviador, recordamos que tinha como irmãos a D. Branquinha, D. Belmira e Joaquim Fernandes, com a sua casa situada em frente ao antigo Colégio de A. Ponte, na rua de São Brás, mesmo ao lado da Capela deste Santo, conservando ainda a traça antiga depois de recuperada recentemente.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Aqui há pouco tempo atrás, referi num artigo que o Piloto Aviador Raul Fernandes aterrava com a sua avioneta, de vez em quando no Vale de Aldeia da Ponte, por altura da década de 50. Teria sido por altura de 1954 a 1956.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaQuando soavam os motores, com o barulho característico do roncar da avioneta, próximo da Aldeia, surgiam as exclamações: «Lá vem o Raul da casaca azul», era assim que vinha vestido, fazendo referência à sua farda de piloto aviador, correndo todo o povo para o Vale, assistindo, extasiado, à sua manobra de aterragem. A descolagem era também mais um espectáculo acrescido levando a uma excitação em toda a nossa Aldeia
Aldeia da Ponte tinha o seu «aeroporto» no Vale, onde aterravam as avionetas, constituindo um feito difícil de igualar nas outras Aldeias, isso enchia a todos de orgulho naquela época, ouvindo as histórias contadas pelas pessoas mais idosas.
Também nós ficámos deslumbrados com esta história, apesar de não ser da nossa lembrança, o que é uma pena, mas aconteceu várias vezes na nossa Aldeia, só por este facto, dava para nos sentirmos com uma pontinha de orgulho na nossa terra.
Raul da casaca azul - Foto retirada do livro «O passeio dos moços da Raia» de José PrataImaginem o que pode acontecer com o início dos estudos, quando os despiques eram sobre a valia das Aldeias de cada um, coisa de jovens no dealbar da carreira de estudante e, quão difícil foi, convencer os nossos amigos da veracidade da história de Aldeia da Ponte. Podia lá ser, aviões em Aldeia da Ponte!… Estávamos a inventar, seguramente, quanto à Espanha, ainda vá que não vá, como estávamos na fronteira, era bem possível.
Cada um exaltava as histórias dos seus sítios e, para nós, nada era mais importante do que a nossa Aldeia, pois além de ter um «aeródromo» no Vale, onde aterravam avionetas, também tínhamos ali, à mão de semear, a Espanha, nomeadamente, Albergaria e Almedilha, com quem disputávamos jogos da bola, para não falar das outras inúmeras visitas, à cata do pão e outras mercearias para a casa, tornando-se para nós corriqueiras, tal era a frequência com que lá íamos.
Segundo contam os mais antigos, quase todas as avionetas da época caíram, tal como a do nosso herói de Aldeia pois, segundo rezam as lembranças, há quem diga, que na época eram sobrecarregadas com demasiado peso para a sua capacidade. Não garantimos que tenha sido assim, mas é provável que tenha acontecido.
O Alferes Piloto Aviador Raul Fernandes, nascido em 2 de Janeiro de 1930, faleceu vítima de queda da sua avioneta em 20 de Setembro de 1956 com 26 anos de idade e está sepultado no cemitério de Aldeia da Ponte.
Para a história de nossa Aldeia fica esta lembrança do Raul da casaca azul, piloto-aviador da década de 50.
Num próximo artigo voltaremos com mais pormenores do nosso aviador.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Nas imediações da revolução, por alturas de 1975, um grupo de Sabugalenses, com as melhores intenções e, no sentido de informar e esclarecer, criou um jornal regional para o Concelho de Sabugal que se denominou de «A Luta».

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaEsta iniciativa simbolizava uma luta contra o esquecimento do nosso concelho e um melhor esclarecimento das nossas gentes, para um certo número de problemas que estavam na ordem do dia, em pleno período revolucionário, nascido a 25 de Abril de 1974, com a implantação do regime democrático, derivado do golpe dos Capitães de Abril.
Nesta fase do quotidiano lisboeta, sucediam-se as sessões de esclarecimento e muitos outros programas culturais, relacionados com a revolução. Tudo era revolucionário na altura, com uma aprendizagem rápida de uns tantos valores, que o golpe militar deu azo a que se implementassem, não sem que acontecessem muitos exageros, mas isso é outra conversa. De repente, Lisboa encheu-se de revolucionários em cada esquina, os que já eram, os que não eram, os que regressaram do exílio e os que não sendo, nem uma coisa nem outra, depressa foram contagiados e aderiram a esta causa.
Assim, este primeiro título de «A Luta» apenas saiu com dois números, devido ao aparecimento de um outro diário com o mesmo nome, criado por Raul Rego, na sequência do caso do diário «República» que foi ocupado e deixou de se publicar, uns tempos mais tarde.
Este grupo de Sabugalenses decidiu, então, modificar o nome do jornal regional para «Terra Fria», nome mais consentâneo com a nossa região, tendo início em 1975, perdurando este jornal apenas durante um ano, com periodicidade mensal, num total de 12 números, com um número especial pelo meio.
Jornais «A Luta» e «Terra Fria»O «Terra Fria» foi um veículo de informação do nosso concelho, abordando inúmeros temas, escritos com alguma paixão exacerbada, própria de uma juventude com sangue na guelra, utilizando a terminologia da época, em defesa do direito das pessoas do concelho, principalmente na área da saúde, bem como divulgando todo o tipo de notícias, principalmente das comissões de moradores das aldeias, entretanto criadas, que nos chegava do concelho de Sabugal, nada que não fosse razoável trazer à estampa, antes pelo contrário, depois de longos anos em que muitas matérias estavam proibidas discutir na praça pública.
Apesar de tudo, achamos que valeu bem a pena todo o esforço despendido por esta altura, colhendo-se ainda, alguns ensinamentos importantes sobre assuntos variados, que não conhecíamos, aprendendo-se algo e evoluindo-se um pouco mais.
Tal como muitos outros órgãos de informação, foi curta a sua duração, pois o trabalho recaía sempre para os mesmos, quando esses mesmos se saturaram, acabou o jornal, como acontece em muitas outras áreas, em que há quem fale muito mas produza pouco e, quando a hora da verdade chega, quem vem atrás que feche a porta. Falar é muito lindo, principalmente com palavras caras e bonitas, mas quando toca a trabalho, em vez do palavreado, aqui é que a porca torce e retorce o rabo e lá vai tudo por água abaixo, pois como se diz na gíria, trabalhar faz calos, não estamos para isso, trabalhem os outros.
As reuniões para a feitura e discussão dos artigos efectuavam-se na Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa, também em fase de fundação. Nasceria em 13 de Fevereiro de 1975.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Tal como manda a tradição, muitos são os conterrâneos que não dispensam o regresso às origens, ainda para mais, numa ocasião como esta, onde as famílias se reúnem na ceia de Natal, passando alguns dias de férias na nossa Aldeia. O mesmo se passa nas outras Aldeias pois os sentimentos da quadra natalícia são idênticos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaAs nossas Aldeias são inundadas pelos que estão mais próximos e também uns poucos emigrantes, que apesar de estarem lá longe, não dispensam a visita à sua terra natal, principalmente nesta época. Também há quem saia da Aldeia e vá passar esta quadra com os familiares, o estar junto em família, lá se justifica, mas não são muitos os que têm de optar por esta via.
Degustada a Ceia de Natal na consoada, pela meia-noite, tem lugar a missa do Galo com o beijar do Menino, pelo final. Terminada esta, as pessoas têm logo, ali ao lado, a Fogueira de Natal que a todos aquece mais um pouco, pois as noites costumam ser bem frias nesta época.
Em Aldeia da Ponte, cabe aos Mordomos de Santo António a tarefa de organizar a Fogueira, bem como os petiscos, que há uns anos bem largos se têm verificado, passando-se, praticamente a noite de Natal em redor do quentinho, com os resistentes, a malta mais nova, a aguentar firme, pela noite dentro.
Fogueira de NatalLocalizada no Largo do Sagrado, bem ao lado da Igreja, a fogueira serve para animar, muitas vezes, uma noite fria, amenizada pelo calor das brasas que vão saindo dos fortes trocos de carvalho, servindo para os diversos assados, que normalmente são postos à disposição, acompanhados das várias bebidas, como não podia deixar de ser, com a particularidade de também existir, no mesmo largo, jorrando do chafariz, água bem fresquinha, para aqueles que a não dispensam, e bem boa é, disso podem estar seguros. Alternativas não faltam, a água cristalina pronta a servir, considerada uma das melhores do mundo, sem desprestigio nenhum para um tal néctar de «Baco» ou para as bjecas, por demais conhecidas, mas cada um lá saberá de si e, dias não são dias, assim como noites não são noites, como soe dizer-se.
Uma semana depois, eis-nos na passagem do ano, também com tradição na nossa Aldeia, ultimamente organizada pela «AJP – Associação da Juventude Pontense» nos balneários do Vale, onde todos se juntam e desejam as melhores venturas para o Ano que agora se aproxima, comendo-se as 12 passas de uva pela meia-noite, seguindo-se o champanhe a jorrar pelas gargantas abaixo.
Também aqui se segue a habitual tradição, que já vem desde a década de 1970, quando teve início este acontecimento nas Escolas Velhas, vindo mais tarde este edifício a transformar-se no Bar das Escolas, que hoje em dia se apresenta, com mais ou menos transformações.
A todos desejamos um bom Natal e começo de Ano Novo de 2008 ainda melhor. Façam o favor de tentarem ser felizes e passarem umas Boas Festas.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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O Jornal «Ecos da Aldeia» teve o seu início em Janeiro de 1965, com a saída do número 1, mantendo-se ao longo de sete anos, culminando em Outubro de 1971, com a publicação de 77 exemplares, sendo propriedade da Igreja Paroquial de Aldeia da Ponte e tendo como Director o Sr. Padre António Brás Carreto.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaEm Novembro de 1971 nasce um novo Jornal denominado «Nordeste» em substituição do «Ecos da Aldeia», que se prolongará até Janeiro do ano de 1974, mantendo a mesma bitola de escrita, semelhante à do seu antecessor.
Levando o Eco da nossa Aldeia, com as novas possíveis, há um bom ror de anos, deixando algumas saudades e boas lembranças, pois um veículo informativo desta natureza representou, sem dúvida, um grande passo, à época, para todos os Aldipontenses, transportando a nossa Aldeia para bem perto de todos aqueles que, lá bem longe, labutavam no ganho da vida.
No início da minha colaboração, às sextas-feiras, com a página «Capeia Arraiana» ponderei utilizar outros títulos, mas depois, quedei-me por este, por trazer algumas lembranças aos da minha geração, que não é ainda tão antiga, mas sobretudo a outros mais avançados na idade, bem como às gerações mais novas, que irão por certo, ter uma outra oportunidade de conhecer mais algumas histórias e outros episódios, que tentarei recuperar, aí mais para a frente, bem como de outros Jornais, que ajudei a fundar e onde tive, também, uma colaboração activa, mantendo-se durante alguns anos.
Com o nascimento desta minha rubrica, acrescida da página da Aldeia na Net, irão continuar a ecoar as notícias possíveis, bem como outras histórias, levando para bem longe, um pouco da nossa Aldeia, ao encontro dos nossos amigos, que se encontram por todo o lado, tentando que desfrutem o melhor possível, servindo para reavivar as saudades da nossa terra.
Jornais de Aldeia da PonteSabemos que é assim, devido a muitos testemunhos que nos transmitem, incentivando-nos a continuar, quando regressam nas férias de Agosto, ou em outras alturas do ano.
Acresce ainda alertar, que umas tantas histórias já foram descritas, também, por outros conterrâneos, com o seu modo de narração, com maiores ou menores pormenores, à sua maneira, mas estamos seguros, que vai valer a pena reavivá-las.
Em jeito de recordação, e com a devida vénia, transcrevemos o primeiro editorial do «Ecos da Aldeia», em Janeiro de 1965.
«Apresentando
Com o ano novo faz também a sua aparição o Jornal Ecos da Aldeia. Modesto, simples entra na vida preocupado com o futuro, que não sabe qual seja.
Tem uma missão a cumprir: estabelecer PONTE entre os presentes e os ausentes, ser ligação permanente com os que vivem fora, sedentos de notícias da sua terra, desejosos de acompanhar os problemas que por cá existem. Será uma voz amiga a ECOAR… e vai fazer-se ouvir nas paragens mais longínquas, onde houver um filho da Aldeia a lutar pela vida.
Que saudades não irá mitigar, que alento e conforto não irá proporcionar a tantos e tantos que trabalham com sacrifício e no meio de sérias dificuldades?
Pois bem, aí o tendes. É vosso. Ireis ajudá-lo a viver, porque entrou no mundo, pobre, sem nada, só com o fim de bem-fazer. É dever vosso contribuir para que ele se mantenha e cumpra a sua missão, até ao fim. Esperamos publicar já no próximo número a 1.ª lista dos amigos. Em Quadro de Honra publicaremos os nomes de todos os que derem 50$00 ou mais. Saúda-vos com muita estima. O Vosso Pároco.»

Com esta apresentação, teve então início o «Ecos da Aldeia», que constituiu um marco nas novas da nossa Aldeia, já lá vão mais de 40 anos, parece que ainda foi ontem.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

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Situado ao longo da estrada para Albergaria de Argañan, Espanha, o Vale de Aldeia da Ponte é composto de cinco espaços, onde nasceram algumas obras importantes.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDo grande complexo do Vale, sobram apenas duas grandes fatias deste território, o principal e o do Cabecito, separado daquele, pelo ribeiro que atravessa esta zona do Vale, que vai desaguar à nossa Ribeira da Aldeia, vulgo, rio Ceserão, que por sua vez desagua no rio Côa.
Num primeiro espaço, que antigamente, ainda serviu para desafios de futebol, quando o Vale era inundado pelas imensas Mêdas de trigo e centeio, para as malhas, a seguir às últimas casas do povo, foi destinado à construção, há um bom ror de anos. Ao lado da Capela de Santo Cristo, nasceu o Lar de Santo Cristo, ocupando todo este espaço, sendo, em outros tempos, também bastante utilizado como campo de futebol, na altura das malhas. Do outro lado da Estrada para Albergaria, situa-se o novo Parque Desportivo e o recinto das festas, composta por um parque de estacionamento, onde se situou a anterior sala da ordenha, Ringue de Futebol de 5, Balneários e Campo de Futebol de 11, restando o espaço principal e o dito vale do caminho do Cabecito, completamente vedados, pois são alugados anualmente, advindo deste aluguer uma receita para a Junta de Freguesia, entidade a quem pertencem todos estes terrenos.
A acarranja e a malhaAs terras do Vale são de uma qualidade especial pois, mal caem as primeiras chuvas de Outono, de imediato, irrompem as suas abundantes ervas, sendo a primeira terra a rebentar, na nossa Aldeia, conferindo-lhe uma paisagem, que vale a pena contemplar. É frequente descortinar, quem por aqui passa, parar a viatura e sair um pouco, admirando este espaço verdejante, que se lhes depara, então no Inverno, totalmente coberto de um manto de neve, mais atractivo se torna.
Para além do Futebol e outros desportos, mais as tradicionais brincadeiras de épocas recentes, que lá tiveram lugar, serviu para as pastagens de várias espécies de animais, chegando para todos, pois a fartura de erva era abastada, como acima descrevemos, e ainda, para as malhas de trigo, centeio e outras utilidades, que em tempos mais remotos, as pessoas utilizavam a seu bel prazer, consoante as necessidades.
Apesar de não agradar muito à malta nova, na época, pois durante algum tempo, as malhas «roubavam-nos» o melhor espaço para o jogo da bola, devemos confessar, que todo este movimento diário proporcionava um espectáculo digno de ser apreciado, superlotando o Vale, com uma infinidade de grandes Mêdas de centeio e trigo, então com a chegada das máquinas de malhar, que faziam a delicia da canalha miúda, a azáfama começava bem cedo, todos os dias, durante um ou dois meses, num trabalho que dava os resultados das colheitas do ano neste capitulo, com o encher dos sacos de grão e mais as «faxas» de palha atadas com «nagalhos» de palha, feitos, previamente, para esta grande operação, sendo guardadas nos palheiros, com toda a utilidade que se conhece, seja para alimentação dos animais durante o Inverno rigoroso, que todos os anos acontece, seja também para a cama dos ditos cujos, nas suas cortes.
Na década de 50 destacam-se ainda, as aterragens e descolagens de pequenas avionetas, qual campo de aviação improvisado, de que o saudoso piloto-aviador Raul Fernandes, o célebre Raul da casaca azul, se serviu várias vezes, nas diversas visitas a Aldeia da Ponte, provocando um alvoroço danado na pacatez da nossa Aldeia, de cada vez que lá aterrava ou descolava. Voltaremos a este assunto.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Antigamente, as diversões em Aldeia da Ponte eram bem diferentes das actuais, pois não havia muito por onde escolher, nos dias de hoje, tudo é bem mais diferente para melhor, devido a uma evolução de comportamentos e melhorias, que foram sendo efectuadas na nossa Aldeia.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaBailes, só nas festas e casamentos, com as mães de olho «listro» nas suas filhas. Quando não havia bailes, o futebol de 11 era o desporto favorito da rapaziada, para além de outras diversões, como a caça e a pesca na ribeira, com canas de espinheiro e uma ou outra passagem por algum meloal, encontrado por acaso, ou outras espécimes de frutas, sempre com regras de não estragar, antes aproveitar as madurinhas, não fossem colhidas tardiamente e se estragassem na terra, o que também acontecia. Agora já se pode falar disto, com alguma saudade e bem gratos ficámos a quem os cultivava. Aldeia era e, ainda é, uma terra rica em culturas e um ou outro «desvio» dentro das regras, repito, sabia bem depois de longas caminhadas na labuta da caça e da pesca. Servia para retemperar as forças e o estômago agradecia.
Outras diversões tinham a ver com os jogos da bola. Como é sabido, a nossa Aldeia tem um imenso Vale verdejante, onde muitos de nós demos os primeiros passos no jogo da bola, se não eram todos os dias, eram a maior parte deles, em que às tardes, lá íamos nós até ao Vale, jogar à bola.
Foi ali que aprimorámos a técnica num relvado macio, onde os diversos tombos na relva nada traziam de grave, antes pelo contrário, dava um certo gozo até, comparado com os jogos que fazíamos nas outras terras, em campos pelados, onde as quedas serviam para ganhar alguns «farraches» nas pernas e nos braços, que se iam curando, com o passar dos dias.
Não havia nenhum Domingo que não houvesse um jogo de Futebol, confrontando as Aldeias vizinhas e as Espanholas. Toda a gente queria jogar com Aldeia da Ponte, dando-se o caso inédito de um Domingo se apresentarem três Aldeias para defrontar, em nossa casa, fruto, talvez de alguma falha na comunicação. Disputámos apenas dois jogos, não houve tempo para o outro, com alguma pena da terceira equipa, pois creio que teria escurecido, ou a outra equipa teria ido embora, já não estou bem seguro.
Fizemos os dois jogos, com alguns reforços frescos, tendo ganho os dois embates, se a memória não me atraiçoa.
Também era frequente haver dois jogos, o da equipa principal e outro dos mais pequenos da mesma terra, como nós tínhamos as condições ideais, dava para todos, para gáudio da miudagem, que já nesta época se aplicavam ao máximo, para ganharem o direito a ser chamados à equipa dos mais velhos da nossa Aldeia, logo que atingissem uma idade apropriada.
A terceira parte dos desafios era a mais importante, pois permitia um alargado convívio com os adversários no campo, mas amigos fora dele, retemperando as energias com as célebres latas grandes de escabeche espanholas, que bem gostosas eram, confeccionando-se uma apetitosa salada, devidamente acompanhada, que belas espécies havia ali para o lado das hortas, era por uma boa causa, sejamos sinceros, acompanhadas de outros assados e muita bebida à descrição para todos.
Foi nestes convívios que muitas amizades se fortaleceram e ainda hoje perduram com os nossos vizinhos do lado de cá e também os «nuestros hermanos» de Albergaria e Almedilha.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com


Equipa de Futebol de Aldeia da Ponte - 1979 (Foto www.aldeiadaponte.com)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por altura de 1963, mais ano, menos ano, novamente mais uma Capeia à noite, nos mesmos moldes, esta já bem da minha lembrança, pois acompanhei a pé, durante todo o dia e sem comer, tal era a febre, o que me acarretou uma violenta reprimenda da minha Mãe.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaManhã bem cedo, ala que se faz tarde, a caminhada era a pé e bem longe, não havia boleias, como agora, toca de apertar o passo, para chegar à quinta do Natcho, mesmo a tempo, de não perder pitada da saída dos bichos do curral.
Iniciado o encerro, seguíamos a pé, sempre atrás dos cavalos e muito próximos dos touros, «falando com eles», chamando-os pelos nomes, que ouvíamos aos cavaleiros espanhóis, nas diversas tentativas de os levar até à praça, só que fugiram várias vezes, tornando infrutíferas todas as caminhadas.
Então, decidiu-se que se faria ao entardecer uma última tentativa, coroada de êxito, sendo já noite, quando se conseguiu encerrar toda a boiada do Natcho, levando-a pelos Termos, Tapada do Moinho e Vêgas, derrubando paredes de lameiros e tapadas, abrindo portaleiras para a passagem de toda a «comitiva», vindo a sair ao Cemitério Novo, entrando na Praça, pelo lado contrário, seguindo-se a Capeia, com início por volta da meia-noite.
Encerros nos anos 60Como ainda não havia luz eléctrica, só a teríamos em 1967, colocaram-se quatro ou cinco candeeiros de «Petromax» em sítios estratégicos para se ver o melhor possível a praça.
Foi um espectáculo todo este movimento, Encerro e Capeia, apesar de ser à noite, sendo os touros esperados ao Forcão, não tendo perigado ninguém, apesar de um ou outro susto, como sempre acontecia antigamente.
Imediatamente a seguir, com uma praça a abarrotar de touros e vacas, apartaram-se os ajustados e escolhidos pelos Mordomos para a «corte», sendo os outros largados pelas ruas do encerro normal, rua da Praça, Colégio acima, em direcção à quinta espanhola, num primeiro desencerro nocturno, o outro foi pela manhã, bem cedinho, já raiava a aurora, quando a Capeia terminou. Estes desencerros converteram-se em dois momentos com grande emoção para a rapaziada nova, juntamente com os poucos cavaleiros, atrás dos touros, galgando rua acima, até ao fim do povo, retomando o caminho de terra batida, em direcção ao seu poiso habitual.
Que melhor divertimento para a «canalha» miúda, na qual nos incluíamos, bem como para todos os outros, depois de mais um ano de espera pelo Santo António. Com o Encerro e a Capeia, nesta época, vivia-se uma sensação especial de aventura, embora com alguns riscos, mas que importavam os riscos?
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Diferente de muitas outras capeias que já abordei, em artigos anteriores, houve alguns anos, em que as capeias que deviam ser de dia, tiveram que se realizar à noite.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPor vezes não havia outro remédio, pois os bois fugiam de cada vez, que se tentava encerrá-los, os cavaleiros eram em menor número e os bois muito mais finos e espertos, a que não seria alheio, por certo, o calor que se fazia sentir ao longo do dia, que em nada ajudava ao encerro, antes pelo contrário.
Pela fresca, conduzem-se melhor os animais, como é bom de ver e por demais sabido.
No ano de 1957, houve duas capeias, a normal efectuada em Junho e uma outra oferecida pelo Natcho, que se realizou à noite, devido aos bois terem fugido.
Ti Narciso «Choche»Destaque nesta última para o Zefo, a quem havemos de nos referir, aí mais para a frente, toureando uma vaca vermelha com uma corcha, daquelas das antigas.
Ressalta ainda nesta noite, a história do Ti Narciso «Choche», que andava no meio dos touros, dentro da corte, a apartá-los e a trazê-los à porta para saírem para a Praça.
Perguntava ele – Oh Rapazes, qual é que quereis? É aquele? – Sim –, respondiam eles.
Então o Ti Narciso lá ia na direcção dele, no escuro, agarrava-o pelos cornos, no meio dos outros, e levando-o, calmamente, à porta dizia: «Tomai-o lá», e lá o deitava fora, seguindo o animal para a Praça.
Não pensem que estou a exagerar, é mesmo verdade, há muitas testemunhas deste facto, nessa noite, fê-lo com quase todos os bois. Não sabemos o que o raio do Ti Narciso tinha, parece que conhecia todos os touros e a recíproca também era verdadeira, tal era o àvontade com que andava no meio deles.
O mais engraçado do acontecimento, é que ao outro dia, virando-se para a mulher, perguntou: Oh Graça, então ontem ainda fizeram a corrida? De nada se lembrava, o nosso amigo.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Tal como num artigo anterior foquei as idas a Albergaria, neste caso era a Almedilha, pois tínhamos e temos duas povoações bem próximas da raia, onde, assiduamente, íamos às compras, embora Almedilha fosse um pouco mais longe.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaAqui, próximo da Navetalaia existia a quinta do Natcho (Inácio), com carradas de bois que criava, muitos deles, para as Capeias da redondeza.
Aldeia da Ponte, Alfaiates, Soito e outras mais, ajustavam a este ganadeiro espanhol, os seus magníficos touros e vacas, exibindo uma parelha de cornos, que metiam respeito, mais parecendo agulhetas afiadíssimas, prontas para pinchar algum, menos cuidadoso na praça. Eram, realmente, um perigo, estes corpulentos animais vindos da Espanha, que tanto espectáculo deram nas nossas aldeias.
Ainda deambulávamos pela escola primária, mal se aproximava Junho, ninguém descansava, enquanto não íamos ver o gado, na quinta deste amigo espanhol.
Quando por lá não estava, então lá teríamos que os afoliar também um pouco, pois a longa caminhada a pé, para lá chegar, tinha sido dura e não podia ser em vão.
Touros no campoNo dia que decidíamos ir aos bois, não havia escola para uns quantos, faltávamos e ao outro dia, lá teríamos que enfrentar o Sr. Professor Andrade, inventando algumas desculpas, que duravam pouco, descobrindo-se a verdade num ai, sem que desse tempo de respirarmos, sendo premiados com uma vintena ou mais de reguadas em cada mão, para aprendermos a não ser insurrectos e mentirosos, levando ainda para casa uma infinidade de cópias para fazer no caderno e apresentar ao outro dia.
A quinta do Natcho perto de Almedilha e a seguir à Navetalaia deixou a todos imensas recordações, não só relacionadas com os touros, e que animais ele tinha, mas também com o contrabando, que se realizava nesta altura, principalmente máquinas de costura e outras coisas mais, cujo destino era Lisboa.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

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JOAQUIM SAPINHO

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