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Numa semana em que se discute na Assembleia da República as alterações ao código do trabalho, proposto pelo Governo, a pergunta que me ocorre é… e se não houvesse trabalhadores?

O que teria sido, ou que seria, a Humanidade hoje, se não existissem trabalhadores? Provavelmente, não sairíamos do estado de recolectores.
Sempre que se fala em relações laborais existe uma espécie de preconceito em relação a uma das partes da relação laboral. Os trabalhadores são sempre vistos como uma espécie perigosa, arruaceira e, ironia, como não querendo trabalhar. Pode ser que esta imagem tenha surgido, e ainda perdure, na segunda metade do séc. XIX, quando os movimentos de trabalhadores, mais tarde sindicatos, começaram a reivindicar alguns direitos. É verdade. Houve lutas, e lutas na verdadeira acepção da palavra. As greves e manifestações desse tempo foram verdadeiros campos de batalha entre os trabalhadores e a polícia, enviada pelos governos, muitas vezes a pedido dos patrões. É por isso que, ainda persiste essa palavra de ordem de «a luta…». Se é esta a imagem que ainda perdura, volvidos cerca de século e meio depois, significa que a sociedade avançou muito pouco.
A relação laboral não é, e nunca pode ser, uma relação a um. São precisos dois. O patrão (ou empregador) e o trabalhador. É no equilíbrio da balança dos interesses de ambos, que pode haver harmonia na relação laboral.
Ora, assistimos, com esta proposta, a uma alteração intencional desta relação quando, se reporta mais poder para um dos lados. Sendo este um problema, não consigo entender o argumento de que, este agilizar de despedir, se transforme na mais valia de criar emprego! Preferia que, sem andar com palavras sonantes, falácias, rodriguinhos eviras, dissessem claramente que esta alteração ao código do trabalho, facilita o despedimento e, mais uma vez, vai aumentar o número dos desempregados. Ou alguém acredita que se vai despedir para se contratar?!
Os trabalhadores vão ficar mais fragilizados. Encaminhando-se a sociedade para um beco sem saída. O trabalho não pode ser encarado somente como lei, antes como um direito, como dizia Victor Hugo. Nós estamos a transformá-lo num favor. Numa caridade. É este o paradigma traçamos. Uma sociedade onde as pessoas serão um número e, submissas, pelo favor do seu trabalho, lhe darão o pão.
Dir-me-ão, o título da crónica também pode ser posto ao contrário, e se não houvesse patrões? Sem dúvida que sim. Respondo, pegando precisamente no conceito de relação. Continuo acreditar que não são os salários o óbice da nossa economia. Muitas vezes é a mediocridade dos nossos empresários que obstam a um maior progresso na nossa economia. A maioria dos nossos empresários, não se vêm como tal, mas sim como patrões e donos das empresas. Alinhando no quero posso e mando e, em que tudo o que entra é para o seu bolso.
É preciso alterar o paradigma, percebendo o ponto de partida (mesmo agora, nesta crise, seria uma boa oportunidade) para se saber onde se quer chegar. O que temo, é que esta alteração, seja o princípio de um recuo civilizacional.

P.S.1 Já repararam nos vários ataques a José Sócrates, agora que deixou de estar no poder? Não parece estranho que, só agora, venham todos estes ataques? Demonstra o quanto quem está lá em cima tem poder e em como todos os que gravitam à volta dele, depressa esquecem.
P.S.2 Uma palavra, para referir aqui, o meu lamento pela morte de António Tabuchi. Uma perda enorme para a literatura, em particular, e para a cultura portuguesa, em geral.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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«Quem não tem vergonha não tem consciência»; Thomas Fuller.

Hoje, trago a esta página, três ou quatro assuntos, que me parecem relevantes para o título desta crónica. Quando se aponta o dedo aos outros de falta de seriedade e honestidade, esquecemos que outros três dedos, da mesma mão, apontam para nós.
Esta semana ouvimos o todo poderoso chairman Catroga dizer, engasgadamente, que o valor que o estado paga às empresas energéticas, não era assim tanto, que era preciso fazer as contas… Uma explicação que nada explicava e que deixava claro a mentira e, acima de tudo, a falta de vergonha. Este foi o senhor que aconselhou, representou e assinou o memorando da troika pelo PSD. Sabia obviamente, o que lá estava estipulado quanto às rendas que o estado paga às empresas energéticas e que, com a sua assinatura, concordava serem exageradas e que, portanto, deveriam ser reduzidas. Pois bem, este senhor é agora chairman de uma dessas empresas e que, agora, considera errado o que há uns meses considerava certo e correcto! Este assunto fez cair um secretário de estado. E este senhor, não? Não. Porque este senhor não tem vergonha. Nem ele nem quem o lá colocou e se mantém calado.
Depois não estranhem os adjectivos com que os políticos são brindados.
Outro assunto é o dos estaleiros navais de Viana do Castelo. Numa altura em que tanto se fala do mar e das suas potencialidades, da aposta que deve (ou deveria) ser feita nessa matéria, encontramo-nos perante uma estranha situação com estes estaleiros. O governo PS passeou-se por ali com aquele amigo do ex-primeiro ministro Sócrates, Hugo Chavez, anunciando a salvação dos estaleiros. Esse amigo encomendou uns navios no valor de cento e tal milhões de euros, contudo, os navios ainda não começaram a ser construídos porque… os estaleiros não têm dinheiro para comprar o aço e o ferro! Parece que precisavam de três milhões de euros para tal. Este governo, quando tomou posse prometeu resolver o problema, tido como prioritário. Já lá vão oito meses e parece, parece, que encontraram a solução: privatizar. O que não consigo entender é que se existem milhões para o BPN, para o BIC, «subsídios» chorudos para as empresas energéticas e para as PPP’s, não existem três milhões para os estaleiros de Viana?! Três!?
Agora avança a privatização, o que vai implicar que o estado enterre mais uns milhões (muitos) para a capitalizar e a poder vender. O mais certo é ser ao desbarato, como o BPN. Uma vergonha.
Falando PPP’s (Parcerias Público Privadas). Sabem que as primeiras PPP’s foram feitas, registadas, sem haver legislação que as regulasse? Que só onze anos depois essa legislação foi criada? Por aqui se vê a trafulhice com que foram criadas. O estado estabelece um acordo em que uma empresa faz uma obra e o estado proporciona-lhes a sua exploração e ainda lhes paga uma renda durante trinta ou quarenta anos! São negócios ruinosos para o estado, melhor, para os cidadãos e contribuintes. Pois são estes que pagam. E, contudo, ninguém é responsabilizado. Aliás, são os ministros que, depois de o serem, vão para administradores dessas empresas. Está bom de ver porquê! Uma vergonha.
Por fim, este espantar pela confirmação da derrapagem na execução orçamental. Vindo a explicar tal fracasso com o falhanço dos pressupostos (arrecadação de impostos, aumentos das prestações sociais…). Eu fico espantado com estes argumentos! Então não estava mais que visto que tal vinha acontecer? Não percebo é como o governo, com tantos especialistas e um infindável rol de comissões e equipas de trabalho, não viu que tal era inevitável com o rumo e as políticas que está a seguir. O seu espanto e a sua ignorância são uma vergonha.
Infelizmente, assistimos a um desfiar, diariamente, de gente sem vergonha. Pois, como diz o provérbio, «donde a vergonha sai, nunca mais lá entra».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Um prefácio é um resumo do conteúdo de um livro. Uma introdução. Um prefácio eventualmente contém algumas impressões de terceiros sobre a obra. Estas definições servem para contextualizarmos a crónica.

O livro «Roteiro VI», ou melhor, o seu prefácio, tornou-se esta semana na obra mais citada cá pelo burgo. Não porque seja uma marca literária ou um ensaio científico mas, porque expressa a visão da história do Sr. Presidente da República. Dito desta forma nada haveria de novo. Só que este texto, vem falar de lealdade ou de falta dela. Este texto, vem falar das relações institucionais entre o Presidente da República Cavaco silva e o Primeiro – Ministro José Sócrates. Este texto, expressa uma vingança.
Cavaco Silva acusa José Sócrates de não lhe ter contado a verdade sobre a situação do país. Violando, desta forma, a Constituição, concretamente o artigo 201. Pois bem, Cavaco Silva, Presidente da República, tem como obrigação e dever (foi isso que jurou quando tomou posse) de cumprir e fazer cumprir a constituição. Se nada fez, quem está a faltar ao compromisso? E, então, o homem que fez toda uma campanha eleitoral assente no facto de ser economista e, portanto, conhecedor desses meandros, não sabia, não se apercebia, do que se estava a passar, quando o cidadão, dito comum, sabia?!
Quanto à lealdade, Cavaco Silva não tem autoridade moral para esgrimir tal conceito. Recordo telegraficamente alguns episódios: aquando da sua passagem pelo governo como ministro das finanças e a sua chegada à presidência do PSD (aliás, até com o nome do partido, mudou-lhe o nome) e a conspiração contra o Bloco Central e a “lealdade” para com o Dr. Mário Soares e o Dr. Hernani Lopes aquando da assinatura da adesão à então CEE. Outros exemplos haveria desse tempo. Mas, voltando a estes tempos, vejamos a lealdade de Cavaco Silva, as célebres escutas em Belém, acusando o governo de o estarem a espiar. Vindo-se a saber que tinha sido uma orquestração da própria presidência. Depois, aquele discurso na tomada de posse do último governo de Sócrates. Foi um discurso de uma lealdade impressionante!
Cavaco Silva passou o primeiro mandato calado. Começou o segundo a falar de mais, agora, brinda-nos com uma vingança sobre Sócrates oito meses depois. E faz isto, sacudindo a água do capote, como se o estado em que o país está não tivesse nada a ver com ele. É caso para dizer que a «vingança se serve fria»! Tudo isto mostra um homem mesquinho, medíocre e ressabiado. O que lamento, é que é isto que temos como presidente da República.
Esta semana ficámos, também, a saber que, o programa da troika, tem servido, somente, para que este governo aplique as medidas de austeridade aos mais pobres e aos fracos. Com a demissão do Secretário de Estado das energias, ficámos a saber que, é uma imposição da troika, reduzir às empresas energéticas o «subsídio» que o estado lhes paga. Mas esta medida troikiana ainda não foi aplicada (fala-se em quatro mil milhões…). Contudo, o corte nos salários, na saúde, na educação e por aí fora, foram imediatos. E os subsídios nem sequer eram imposição da trioka! Por aqui se vê as mentiras que se vão dizendo e contando, recorrendo ao famigerado memorando para justificar uma acção política que levará infalivelmente à miséria a maior parte da população portuguesa.
O que me deixa perplexo, é o facto de todas estas medidas apontarem para um mesmo resultado – a falência das pessoas, das empresas e dos países. E desconfio que não passamos de cobaias em experiências de soturnos iluminados das economias que, em gabinetes fechados e desconhecendo a realidade, vão experimentando as suas teorias.

P.S. Afinal, o célebre acordo de concertação social, que tanto regozijo deu ao governo e patrões e enfeitiçou a UGT e outros sindicalistas, acaba de ser mandado às malvas pelo governo no que concerne aos trabalhadores de recibo verde. Quanto querem apostar, em como outras se lhes seguem?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A polémica desta semana anda à volta de qual o ministro que gere os fundos comunitários. Sendo um assunto sério, não deixa de ser um episódio que demonstra em como a nossa política vive de mediocridades e de irrelevâncias.

Importante, porque deve ser claro quem é o responsável pela movimentação desses dinheiros, quem coordena os projectos e os financiamentos. Mais a mais, num país em que os dinheiros comunitários têm sido canalizados, na sua maioria, para contas (leia-se bolsos) de uns quantos… A prova é visível. A indústria praticamente não existe, a pesca foi dizimada, a agricultura não produz e, no entanto, foram gastos em subsídios rios de euros! É, portanto, essencial, que os fundos comunitários comecem a ser investidos de forma séria e estruturalmente. De forma a que, eles contribuam efectivamente para o desenvolvimento da área em que são investidos mas, também, para o desenvolvimento do país. Mas este episódio deve ser visto pelo lado em que não se vê. O lado obscuro. Aí, nas sombras dos corredores do poder, onde se movimento aqueles que, politicamente, se chamam de lobistas. Este episódio mostra os interesses dos que queriam um ministro a mandar e os que queriam outro.
Todavia, este assunto, demostra o quão é pobre o nosso debate político. Este é um assunto que não pode levar oito meses a ser decidido por um governo. Ainda por cima, numa altura em que o país vive uma crise profunda. Em que o financiamento das empresas e dos empresários é extremamente difícil, o governo prefere entreter-se em escolher o galo para o poleiro! Entretanto, o desemprego ganha proporções muito preocupantes, principalmente nos jovens. As empresas fecham. Outras deslocam-se para países em que os impostos são baixos ou nulos e a mão de obra está pouco mais que acima de escrava. O interior do país vive isolado e abandonado. O custo de vida agrava-se diariamente e as políticas, desprovidas de humanismo e consciência social, vão arrastando o país para uma miséria que já nem disfarçada é.
Pois bem, enquanto o Sr. Primeiro se mantiver obcecado com o “custe o que custar”, que importa que os hospitais não tenham compressas nem medicamentos, a polícia não tenha carros patrulha nem tinteiros para as impressoras, a justiça ande a ritmo de caracol (principalmente se os arguidos ou suspeitos sejam figurões cá da praça) e seja somente aplicada aos fracos, a educação seja um conjunto de escolas (mega – agrupamentos) com a função de armazéns onde se guardam as crianças, a saúde seja tendencialmente só para ricos, que os bombeiros não tenham dinheiro para abastecer os carros… que importa?! No final o governo terá umas palmadinhas nas costas dos alemães e dos agiotas, mas não terá um país.
Afinal, como previa, os cortes e as restrições não são para todos. O regime de excepções começou e a «procissão só ainda vai no adro»! É a TAP, o Banco de Portugal, a CGD… enfim! E a maior excepção é o estado e as centenas ou milhares que orbitam à volta do orçamento do estado, cuja única função justificável é serem possuidores de um cartão partidário ou o sobrenome de um dos chefes.
Os cortes necessários deveriam ter começado por cima. Por quem ganha muito, em relação à maioria dos portugueses, e que fazem tão pouco. Para que, efectivamente, se cortasse nas despesas do estado e houvesse, dessa forma, autoridade moral para o aplicar ao povo. Assim, o que fizeram, foi anunciar de peito firme o corte nos salários, nos subsídios e em mais não sei quantas coisas mas que, depois, foram os que menos ganham quem levou com os cortes.
É pena. Pois quem se apresentava como paladino de transparência, de uma nova forma de estar na política, revela-se tão obscuro como os demais.
A política deixou de ser um serviço ou uma causa pública. Transformou-se numa pocilga.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Conta-se que Arquimedes, estando no banho descobriu que, o volume de qualquer corpo, pode ser calculado medindo o volume de água movida quando o corpo é submergido. È o princípio de Arquimedes.

A palavra «eureka» é a primeira pessoa do singular do perfeito do indicativo do verbo heuriskein (encontrar), significa, portanto, encontrei. Usamo-la, hoje, como sinónimo de descoberta, de fim de busca.
Foi precisamente o que me ocorreu estes dias com as notícias que, diariamente, invadiam as nossas casas. Como podem estes iluminados da economia e finanças, virem, com aquele ar de virgens imaculadas, apregoar o seu espanto em relação à recessão, á falta de crescimento económico, ao aumento do desemprego e à fraca entrada de impostos nos cofres do estado?!
Cada dia vinha um qualquer (ou nem tanto) dizer da sua admiração por os números não coincidiam com as previsões estabelecidas. Bom, eram previsões, argumentam. Contudo, esse argumento não justifica o eureka com que nos brindam:
Seria impossível haver crescimento económico quando o consumo (a procura) diminui. Penso não ser necessário ser economista para perceber que o mercado (como eles gostam tanto de dizer!) funciona na base da procura e da oferta. Não havendo procura a própria oferta tende a diminuir. Exemplifiquemos da seguinte forma, uma empresa fabrica frigoríficos, se os consumidores não os comprarem, brevemente, a empresa reduzirá a produção, despedindo trabalhadores, que irão engrossar o grupo dos consumidores que não compra. Mais tarde a empresa fecha. Desta forma, o fenómeno vai engrossando, provocando o efeito bola de neve. Ora, esta crise foi provocada pelos economistas e financeiros que, na obscuridade dos gabinetes, especularam, mentiram, conspiraram e inventaram esta crise que, no final, lhes vai dar milhares de milhões de lucro. E, todavia, são estes mesmos que chamamos para resolver crise! Se a memória não me falha, creio ter sido Churchill, primeiro ministro britânico aquando da 2ª guerra mundial, que afirmou que a guerra era um assunto demasiado sério para ser deixada só aos militares. Também a economia. Os resultados estrão á vista.
Mas sobre estes espantos, dou mais dois exemplos, em que as previsões teriam que sair, necessariamente, furadas. Um, a receita fiscal está aquém do esperado. E os economistas da nossa praça ficam espantados! Se há cada vez menos gente a trabalhar, como se pode esperar receita fiscal igual ou superior à do ano passado? Sabendo-se que a economia paralela já era enorme, agora é estrondosa. Eu diria que, por este andar, a paralela é que parece ser a real… Outro, a facturação das scut’s. Juro, tenho uma curiosidade enorme de saber qual o resultado da colecta (para não lhe chamar chulice) que a cobragem de portagens deu. Porque a diferença entre o estimado e o valor real deve ser colossal. No final, nem a cobragem resolve o problema da divida às empresas concessionárias e o resultado será o definhar definitivo do interior. Quando o governo perceber que não tem país, será tarde. Por aqui haverá aldeias fantasmas e a única vida será a passagem do vento pelos campanários vazios… pois os sinos já os terão roubado!
Por estes dias esteve por cá um prémio Nobel da economia para ser doutorado honoris causa e logo por três universidades. Não sei se cobrou o «serviço» ou não, mas vi ser apresentado por um senhor que pensa exactamente o contrário. Enfim. Este senhor veio dizer que Portugal está no bom caminho mas que não garantia que resultasse toda esta austeridade. Bem, foi a minha vez de dizer eureka! Então o homem, um laureado nobel em economia, e não pode garantir se aquilo que estamos a fazer vai ter resultados!? Depois tem o desplante de dizer que os salários dos portugueses deviam ser cortados em 30% em relação aos dos alemães. Então para que serviu e para que serve a União Europeia? Não era para equilibrar os povos europeus no seu nível de vida? Apetece-me voltar aos frigoríficos, os alemães que os façam, se ninguém os comprar quero ver o que lhes fazem!
Quanto ao nobel da economia, confesso que tenho alguma dificuldade em perceber a sua importância. Todos os anos temos laureados e não vejo nenhuma teoria ou descoberta desta gente que venha facilitar a vida das pessoas ou permitir-lhes soluções. Por detrás desta crise estão muitas das teorias de laureados com o nobel da economia! A este que por cá esteve, gostava que lhe cortassem o salário, só para ouvir mais uma prelecção do iluminado.
O Sr. Primeiro Ministro cá do burgo, finalmente, encontrou a culpa do estado de Portugal! Foi o anterior governo. Eureka! Permita-me que lhe diga, não foi o anterior. Foram todos os anteriores. A começar no do Sr. Cavaco Silva. Porque nessa altura de vacas gordas, as reformas estruturais que tanto apregoa agora não foram feitas. Os milhões da Comunidade Europeia foram estruturar os bolsos de uns quantos e dos amigos. Agora, quando não há dinheiro, vem pedir que se faça o que ele não fez quando devia e podia. Mais, se não concorda com a linha política seguida pelo governo do seu próprio partido, não publique as leis. Use os instrumentos ao seu dispor e demonstre a sua discordância. Agora publicar as leis e, depois, dar entrevistas à imprensa estrangeira a dizer que não pode ser tanta austeridade soa a cobardia e hipocrisia.
O Sr. Primeiro Ministro pode acusar a herança, mas não deve com isso camuflar as suas opções políticas, nem diluir as suas decisões com o programa da troika. Procurando, desta forma, sacudir a água do capote.
Espero que, qualquer dia, alguém não nos venha dizer que estamos mais pobres, com esse ar de quem descobriu a realidade.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

«Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos»; Stael (Madame de).

Por estes dias, a Europa tem-se enredado na fórmula e na forma de ajudar a Grécia a sair de uma espiral de decadência financeira e económica. Sabemos que grande parte da culpa dessa decadência é culpa dos próprios gregos. Mas, também sabemos, que poderia ter sido evitada e não o foi por culpa da própria Europa, com Alemanha à cabeça. A ideia de pertencer a um espaço, em que cada nação aceita ceder soberania, pressupõe algo em troca. E essa troca não pode passar, somente, por uma série de tratados comerciais. Se esses tratados não conterem solidariedade política e social, então, esse espaço não existe. Definitivamente a Europa enquanto união não existe. Continuamos assistir ao abandono disfarçado de solidariedade que a União apregoa aos países mais fracos – eu diria mais pobres – anunciada por discursos vazios e hipócritas! Profetizo que este abandono sairá mais caro à Europa, e não somente à União, quando a miséria grassar por essas pradarias, agora, verdejantes. A História tem mostrado e demonstrado á saciedade que é nestes momentos de crise, desemprego, miséria, fome… quando a própria esperança desaparece, que surgem as revoluções e as revoltas. Pela Europa semeiam-se ventos…
É o abandono dos princípios com que os pais fundadores estruturaram a União Europeia. Infelizmente, os líderes que temos esforçam-se todos os dias para a tornarem numa ilusão.
Ao abandono parece estar o concelho do Sabugal. É alarmante que se realize uma Assembleia Municipal sem ter nada na ordem de trabalhos! Alguém terá que explicar esta aberrante situação. Nada, mas nada, haverá para ser discutido em Assembleia? Devemos concluir que tudo está bem ou, certamente, que tudo está errado. E, no entanto, o governo camarário vai oferecendo temas para serem discutidos. E onde está a oposição? Não tem nada para levar à Assembleia Municipal? Também ela ao abandono…
A tendência, por más políticas de ordenamento do território quer a nível do poder central, quer a nível do poder local, e estes por se terem «vendido» ao poder do betão, é de dois países num. Um, o do interior, votado ao esquecimento e ao abandono. Onde uma população envelhecida espera pelo fim à réstea de um sol de inverno. Um estudo a nível europeu mostra que Portugal é o segundo país com as habitações mais frias. E reparem, com o Alto Patrocínio da Presidência da República, realizou-se no fim-de-semana passado um conjunto de conferências subordinadas ao tema da natalidade em Portugal. O tema é interessante, pertinente e necessário, mas realizá-lo em Cascais deve ser para gozar com o interior! O Sr. Presidente da República acaba de abandonar o interior, esquecendo (ou não) que é aqui, no interior, que a falta de natalidade mais se nota e acontece. Não haveria nenhuma cidade ou vila no interior do país para realizar tal conferência?! Este é um exemplo sintomático da abrangência que os nossos governantes têm do país. O resto é demonstrado diariamente e à fartazana!
O outro país é um embaranhado de betão e gente, suspensos sobre as arribas do Atlântico.
O Sr. Primeiro Ministro dizia antes do carnaval (porque agora, em tempo de quaresma não teria piada) que, para além de sermos piegas, deveríamos esquecer as velhas (ou antigas, não sei precisar o termo) tradições. Sr. Primeiro, são tradições por serem antigas. Tradição é a transmissão de práticas e de valores de gerações em gerações. Se as esquecermos, que povo seremos? Sem memória não somos nada. É para aí que o Sr. Primeiro Ministro nos quer levar? Entendo que seja mais fácil de governar um povo acéfalo…
Felizmente, há sempre alguém que resiste, e o povo festejou o carnaval, mandando o governo visitar as peças de Rafael Bordalo Pinheiro!

P.S. Zeca Afonso sempre! Pois cada vez mais temos que ser filhos da madrugada….
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O tema das questões, isto é, o questionarmo-nos, o porquê, é, há muito, um assunto que tem vindo a ser exposto e explicado por pensadores, filósofos e pelo homem comum. Desde os gregos, especialmente os pré-socráticos, e a sua preocupação com o principio dos princípios, devem estar agora a questionar-se de como foi possível chegar à situação em que o país chegou, passando por Descartes e pelo nosso Pedro Hispano (papa João XXI), com a chamada dúvida metódica, procuram responder o que leva o homem a questionar-se. Afinal, a pergunta mais primária é o «porquê».

Esta pequena divagação serve apenas para enquadrar as razões dos porquês que aqui exponho.
Foram nomeados os novos presidentes das comissões de coordenação e desenvolvimento regional, as famosas CCDR. A minha questão levanta-se com a utilidade destas comissões. Não lhes reconheço nenhum trabalho útil. Numa altura em que a austeridade e os sacrifícios recaem sobre os portugueses e o governo apregoa que é preciso poupar, vem nomear mais uns quantos figurões a custar uns milhões! Pois parece que serve precisamente para isto, para acomodar mais uns quantos boys. Volto a repetir que, os sacrifícios, só são para os que trabalham, e não vejo nenhum corte na estrutura do Estado, aquela precisamente, que mais suga o dinheiro dos contribuintes. Não servem para nada, a não ser para aumentar uma burocracia que, unicamente, justifica a existência de uns quantos parasitas de cartão da cor do partido do poder. Enquanto o estado não aniquilar estes apêndices (e são muitos) os sacrifícios serão em vão. Enfim…
Outra questão, por que motivo as instituições ligadas directamente ou indirectamente à Câmara Municipal do Sabugal não funcionam e, no entanto, recebem e gastam rios de dinheiro?
Ainda outra, a escolha de um Delegado Administrativo da Associação de Juntas de Freguesia da Raia sabugalense (e não está em causa a pessoa escolhida), numa altura em que está em discussão pública a proposta do governo para a reforma da administração local? Quando algumas daquelas juntas de freguesia poderão vir a deixar de o ser? Parece-me fora do tempo.
Agora, uma questão e um lamento, no concelho do Sabugal os serviços fecham uns atrás dos outros, cada vez estamos mais longe de tudo e, no entanto, não vejo Assembleia Municipal, nem a câmara nem qualquer outra entidade barafustar, contestar, mandar vir, argumentar contra. Porquê?

P.S. Um bom Carnaval para todos. Sem ironia.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Piegas, adj. e s. 2 gén. que ou a pessoa que é ridiculamente sensível ou assustadiça; que ou quem se preocupa demasiado.

Há uns meses atrás, ouvíamos diariamente e por todo o país, um discurso do Presidente do PSD, elogiando, valorizando, glorificando os portugueses e as suas capacidades. O discurso saia pronto e não cessava de «engraxar» os portugueses em troca de um voto. Os portugueses eram activos, decididos e empreendedores! Mas estávamos em pré – campanha e em campanha eleitoral…
Hoje, os portugueses são preguiçosos, acomodados, quase parasitas. Hoje, o Sr. Primeiro-Ministro, o mesmo Presidente do PSD, chama piegas aos portugueses. São uns chatos estes portugueses. Era bem melhor governar sem eles! Contudo, são os mesmos de há uns meses atrás. E serão os mesmos quando alguma eleição se aproximar. É impressionante o quanto este governo detesta os portugueses! São o convite à emigração, as adjectivações com que nos brinda e todas as políticas que visam uma opressão económica (para já) sobre os cidadãos. Aniquilando, precisamente, a cidadania.
Parece esquecer, o Sr. Primeiro-Ministro, que estes portugueses são os filhos e os netos dos fundadores de uma nação com oitocentos anos!
E até podíamos pegar na definição de piegas e encará-lo pelo lado positivo. Poderia ser um elogio. Sim, somos um povo sensível. Sim, somos um povo preocupado demasiado. Então, o Sr. Primeiro-Ministro, o que pretendia era alertar para o facto de nos preocuparmos demais! E não devemos? Claro! Quem nos tira direitos, nos obriga a empobrecer, nos transforma em mendigos de trabalho e da dignidade e, por fim, ainda nos insulta, não nos devemos preocupar?!
Também tem razão o governo em estar contra o carnaval. Afinal, chega o governo para as palhaçadas. Todas as semanas há um dia de carnaval. E já que falo do carnaval, ainda não me convenceram que com o fim dos feriados propostos, o país é mais produtivo. Apresentam-se números de quanto o país perde, mas nunca se apresentam os números de quanto a economia interna beneficia! Nestas coisas os números são sempre facciosos. São como os estudos encomendados. São sempre a favor de quem os encomenda.
O Presidente do parlamento Europeu, alemão e socialista, acaba de fazer umas declarações acerca das relações de Portugal com Angola. Não vou desfiar aqui os argumentos que justificam essas relações. Resumo-as numa frase feita, «por todas e mais uma», e esta uma são quinhentos anos de História. Mas parece-me que ao alemão, o incómodo, é a dor de cotovelo. Vendo Portugal trilhar outros rumos e não se agachar ao lado da Alemanha, esta vê um pedaço do quintal (leia-se União Europeia) fugir.
E é esta gente que nos governa!…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Esta frase foi proferida pelo sr. Primeiro-ministro, num discurso, na apresentação de um livro com os contributos para a elaboração do programa do PSD, acerca do programa da troika e do seu cumprimento.

Aprecio a determinação. Mas temo que esta determinação se transforme unicamente em teimosia. Quando o país está á beira da rotura, o custo de vida sobe vertiginosamente, 30% dos desempregados são jovens e, grande número deles, são jovens qualificados, os idosos são esquecidos e a população activa sobrevive na pobreza envergonhada e paga os desvarios de dirigentes políticos que, convencidos de serem iluminados, tomam decisões em nome do povo e da nação. É que, o sr. Primeiro-ministro, disse, ainda, que o programa da troika é semelhante ao programa do seu PSD! Engraçado, não me lembro desse seu (dele) programa na campanha eleitoral! Espero que no final da intervenção da troika ainda haja Portugal.
Entretanto, continua o fandango das especialidades em relação aos sacrifícios. São para todos ou não? É que é a CGD, a TAP, o Banco de Portugal… agora são os médicos, cujas horas extraordinárias e nocturnas, são muito mais bem pagas do que as dos outros funcionários públicos. Tenho dificuldade em entender este “todos” onde não cabem todos!
Olho para o mapa de Portugal e continuo a ver um pequeno rectângulo situado a sudoeste da Península Ibérica, no continente europeu, e não uma pequena faixa à orla do mar oceano. Então, por que motivo, tudo neste país se concentra nessa parte do território? No resto, fecham as escolas, os centros de saúde, os correios, os comboios… agora os tribunais. Será que o governo abdicou da soberania no interior do país? Ou esta dos tribunais, será por os juízes não quererem vir para a província e, com o pouco que ganham e mais com pouco de subsídio de residência que recebem, morrerem à fome?
Um país que renuncia á educação, à defesa/segurança e á aplicação da justiça, está ao abandono. É este o caminho que seguimos «custe o que custar».
Enquanto a União Europeia se desmorona e Alemanha, qual abutre, se banqueteia com o cadáver, a comissão europeia apresentou um ultimato a alguns países, entre os quais Portugal, para aplicar as directrizes acerca dos direitos das galinhas! Num momento em que, em toda a Europa, as pessoas sofrem, a miséria grassa pelo povo, a comissão preocupa-se com as galinhas. São mesmo uns galináceos, estes, da comissão europeia!
Alemanha «sugeriu» que um funcionário europeu (alemão, digo eu) acompanhasse a execução orçamental grega, abdicando esta dessa parte da soberania. Incrível! O conselho da Alemanha à Grécia é de se preocupar somente com a divida (à Alemanha, digo eu). Pois bem, a Alemanha ainda não pagou á Grécia o que lhe deve como compensação pela ocupação nazi da Grécia. A preços actuais, Alemanha deve quase o dobro à Grécia do que aquilo que a Grécia está a necessitar. Pois é.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Primeira. Se fosse no mundo do futebol, diria que o treinador seria demitido.

Fazendo aqui a comparação com as últimas declarações do primeiro-ministro e dos figurões da troika, acerca da necessidade de recorrer a uma nova ajuda a Portugal. Isto porque, no futebol, quando os presidentes dos clubes vêm dizer publicamente o seu apoio ao treinador, regra geral, no dia seguinte são despedidos! E, como parece que vai acontecer, seria importante explicar, para que se perceba, a dimensão da espiral de endividamento de Portugal. Ao mesmo tempo, perceber, se os sacrifícios que estão a ser pedidos são para todos e proporcionais ou vamos chegar a essa conferência de imprensa sem direito a perguntas (é a moda das conferências dos políticos cá no burgo), anunciando a necessidade desse novo pedido e esbarremos com um qualquer buraco provocado por uns boys ou compadres (leia-se estado) do costume. É que, só consigo enxergar cortes nos salários, nos serviços à população (transportes, saúde, educação…) mas nãos vejo o estado e aquela máquina infernal cortar em nada! Entretanto, o país vai sendo abandonado e empobrecendo. Temo que o tratamento leve à morte do paciente!

Segunda. Hesitei em trazer a esta crónica as declarações do sr. Silva, Presidente da República. Classificá-las de lamentáveis é demasiado redutor! Neste tempo em que o vencimento de milhares de portugueses é diminuto, o sr. Silva vem queixar-se de que os seus milhares de euros de reforma não dá para as despesas?! Nem com aqueles milhares que ganhou com as acções do BPN, ajudam? São declarações miseráveis, insensíveis e egoístas. Mas, porque há sempre um mas, o comunicado emitido para justificar foi… pronto, “pior a emenda que o soneto”! Como é possível dizer que as suas declarações procuravam realçar as dificuldades dos pensionistas, reformados e desfavorecidos? Revela falta de vergonha e que exerce o lugar pelo dinheiro. Porque, se tivesse vergonha, demitia-se. E é este o homem que fala dos profissionais da política, ele que leva trinta e cinco anos na política! Que bem prega frei Tomás…

Terceira. Esta semana ouvi o ministro da Segurança Social dizer que iria ser revista a lei ou as leis que regulam os lares da terceira idade, fazendo realce para um serviço mais domiciliário do que, propriamente, o encerramento no lar. As palavras, obviamente, que me levaram para as terras da raia, onde a maioria da população é idosa. O tema é interessante de se debater e é urgente encontrar respostas para um problema que se tende agravar. No concelho do Sabugal há aldeias em que a maior parte da sua população está no lar. E estes não conseguem dar resposta a todas as solicitações. Portanto, das duas uma, ou lhe damos assistência em casa ou os abandonamos.
Trago, também, este assunto aqui como algo de positivo. Existe no concelho uma empresa vocacionada precisamente para a prestação destes serviços idosos. Chama-se ESSENCIAL SÉNIOR, está sediada no centro de negócios transfronteiriços do Soito e é uma criação de dois jovens arraianos. Numa altura em que tanto se fala de empreendorismo, sabe bem constatar que há gente jovem a investir no concelho e em teimar em não o abandonar. Esta empresa presta apoio a idosos, a doentes, apoia nas actividades domésticas… entre outros serviços. Trago aqui o assunto (passe a publicidade), por me parecer inevitável ser uma questão premente e porque me parece importante realçar as coisas boas que acontecem, que se fazem e que se criam no concelho.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho assalariado»; Bernard Shaw (1856-1950).

O dia 18 de Janeiro de 2012, será recordado como o dia em que as «torres gémeas» da estrutura do trabalho em Portugal foi atingida pelos aviões conduzidos pelo governo, pelos patrões e por uns quantos figurões que, verdadeiramente, não se sabe quem representam. Permitam-me esta analogia. Pois, aquilo que o acordo de concertação social apresenta é um atentado terrorista ao trabalho. Sei que um acordo que seja do agrado de todas as partes é difícil, afinal, «não se pode agradar a gregos e a troianos». Mas, neste acordo, assinado sem a CGTP, mas por uma UGT engasgada, com alegria dos patrões e do governo, desculpem, só pode ser um mau acordo para os trabalhadores! E este acordo é uma novela muito interessante. Vejamos, começou com esse slogan da mais meia hora por dia, mas não paga! Os patrões vieram logo a terreiro que não concordavam. Os sindicatos fizeram o mesmo. O governo apresenta-a como irredutível. E entre mais episódio, menos episódio das reuniões da concertação social (acho um piadão a este nome!), chegou-se a esta maratona de dezassete horas dezassete de reunião da dita concertação social, para que dela saísse um documento venenoso. Menos dois dias de descanso, fim de quatro feriados, as empresas definem as pontes e podem determinar férias forçadas, as horas extraordinárias valem menos dinheiro, passa a ser mais fácil despedir e o valor das indemnizações é mais baixo. O argumento da UGT é de que se não assinassem, o governo e os patrões desmontavam todo o edifício das relações laborais e que tinham conseguido acabar coma tal meia hora… Mas será que esta gente não percebeu que esse era o engodo?! Bom, a mim parece-me que ele ajudou à explosão.
Não acredito que a política dos salários baixos, dos despedimentos fáceis e arbitrários, da perda de segurança no trabalho e de estabilidade no emprego, seja o caminho para a competitividade. O sr. Ministro da economia dizia naquele ar de quem não é de cá que, esta era a fórmula da criação de emprego! A visão ultraliberal levará, infalivelmente à pobreza e à miséria das populações. E isto não é um acaso! Quando pagar-mos para trabalhar, quando perder-mos toda a dignidade de cidadãos e mendigar-mos liberdade, então o projecto estará concluído. A ditadura não precisa de ser política ou militar. Esta é económica e financeira. E é global. Sem rostos e na obscuridade desses olimpos que ninguém sabe onde ficam. A ideia que tenho dessas figuras é a dos engravatados que aparecem na saga «Matrix»…
Para confirmar gesta ideia, foi apresentado um estudo ontem elaborado por uma universidade em que mostra que a maior parte da população portuguesa aceita um regime mais autoritário. E não é por não acreditarem na democracia, mas porque não acreditam nos políticos e nem nas instituições estatais! Dá que pensar…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em cobardes.» – Abraham Lincoln.

Tentei. Juro que tentei escrever esta crónica, sem falar desse assunto tão premente que tem trazido o país em suspenso, como se, a cada revelação, se desvendasse um segredo do qual depende o presente e o futuro do país! Falo, claro está, dessa organização secreta chamada de «pedreiros» (desculpem se traduzo a palavra «maçon»). E não escondo um sorriso que se rasga no rosto, quando penso que conheço tantos maçons=pedreiros! Todos aqueles que, emigrantes, foram trabalhar para a construção civil em França. Todos eram maçons!
A maçonaria surgiu em França e Inglaterra e, num princípio, para combater o regime absoluto (monarquia absoluta) e a igreja Católica conluiada com aquele. E entendo o seu carácter secreto nesse tempo de Santo Ofício! Hoje, em regimes democráticos, tenho dificuldade em entender a existência de organizações secretas. Contudo, o problema não está na descoberta da sua existência. Não. Esta sempre foi conhecida. O problema levanta-se quando quase metade dos deputados são maçónicos e que, pelos vistos, o rol de ministros dos últimos governos o tem sido. Quando as coincidências de favorecimentos parecem tudo menos coincidências, quando parece a execução de um plano para o assalto ao poder, então existe um problema, pelo menos de transparência! Enquanto for do foro particular, e não sair daí, muito bem. Mas quando se procura a vida pública, esta exige maior verdade. «À mulher de César não basta ser séria, é preciso parece-lo»… E todo este espectáculo parece tudo, menos inocente e coincidente.
Tenho lido por aí que o governo pretende mexer na chamada lei do tabaco. Ouvi um secretário de estado qualquer dizer que é preciso aproximarmo-nos dos países avançados! E assustei-me. Já tardavam em falar nos países avançados (o do outro governo era a Finlândia)! Então, pelos vistos, a lei que por aí se sussurra, vai mandar às malvas todo o investimento feito pelos empresários para se adaptarem à actual lei, e vai proibir de se fumar na rua, nas esplanadas, nos terraços… Parece que a Direcção Geral de Saúde ou o Dr. George, encomendou um estudo a uma universidade – estudo esse que nós pagámos – para lhe dizer que é perigoso fumar-se na rua. Polui. Mas, senhores, os seus narizes apuradíssimos distinguem na rua o fumo do cigarro, dos escapes dos automóveis e das motas?! O que para aí se anuncia é o regresso aos ismos. Os fundamentalismos e os estupidismos!
O país está tão bem assim, que os nossos governantes tenham tempo para se entreterem em gastar o seu tempo nestas questões irrelevantes para o sucesso de Portugal? É isto que é importante para pagar à troika o que lhe andámos a pedir com as calças na mão? Se assim é, devolvam-me o dinheiro que me roubaram!
Desconfio que o governo enviou para a China (talvez os serviços secretos, talvez a loja Mozart 49, talvez…) um dossier com os melhores gestores de Portugal. Coincidência, todos do PSD e CDS-PP. Por coincidência os partidos da coligação do governo. E eis que a China faz a nomeação desses brilhantes gestores para administradores da EDP! Como acredito que os chineses nunca ouviram falar desses nomes, desconfio que tenha sido uma nomeação do governo. O tal que nunca faria como os outros, nunca nomearia por filiação partidária, os tais boys… E é verdade! Este não nomeou boys, nomeou veteranos! Para rematar, mais dois, agora para as Águas de Portugal: o vice-presidente da câmara do Porto e o presidente da câmara do Fundão. Este último, parece, tem uma dívida de uns milhares de euros às Águas do Zêzere e Côa, empresa esta pertencente à outra!
Tudo isto, são a política que por cá nos enreda e nos enrola. Entretanto o povo, descobre todos os dias que tudo está mais caro.
Meus senhores, o que se lhes pede é elementar, governem!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Para primeiro texto de novo ano, procurei encontrar um tema que fosse expressão de uma aberta no cenário apresentado mil e uma vez de nuvens carregadas. Não encontrei. A semana e o ano começavam com a notícia da fuga dos donos do grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia de supermercados Pingo Doce, para a Holanda. País, onde se pagam menos impostos. O facto é que não é o único. Muitas outras empresas já se mudaram para essas pradarias de túlipas. Ainda no ano passado, a PT, quando vendeu a VIVO à Telefónica espanhola, fê-lo através da Holanda. E porquê? Para não pagar ao estado português quinhentos milhões de euros! A Caixa Geral de Depósitos, o banco do estado, pondera abandonar a zona franca da Madeira e mudar-se para umas ilhas Caimão qualquer. É o estado a fugir do estado!

Portanto, começou a «emigração». Não dos jovens, não dos professores, mas dos mais ricos! Estes mesmos ricos, que sugaram o estado em subsídios, benefícios fiscais e outras benesses, e que têm vindo, nestes últimos tempos, apregoar o corte de salários, a redução de feriados e de férias, são os primeiros a fugir do país. A imagem, é a dos ratos abandonarem o barco.
Contudo, estes factos, podem ter várias leituras. Uma, a de que o país está muito pior do que aquilo que dizem, que até estes (os ricos) fogem. Outra, a de que ninguém tem nada a ver com isso. São os accionistas que decidem e, portanto, é lá com eles. Outra, a de que é nestes momentos mais adversos em que é preciso firmeza e determinação, que se deve marcar presença. E não estamos a falar de um cidadão qualquer. O seu império foi construído, também, com o labor dos portugueses. A leitura dessa atitude aponta para um acto de cobardia. Mas «a prudência dos cobardes assemelha-se à luz da vela; ilumina mal, porque treme», parafraseando Victor Hugo.
Cabe aqui, ainda, a confirmação de uma União Europeia formada por nações completamente egocentristas. Como pode ser concebível que empresas fujam de um país para outro por questões fiscais dentro da mesma «união» e, aqui reforço, económica?! Com agravante de Portugal estar a ser intervencionado (conceito politicamente correcto!) por uma troika composta em dois terços por instituições europeias! Para além do desfasamento legislativo fiscal, deveria sobrepor-se uma atitude de solidariedade entre países.
A confirmar esta ideia da desigualdade entre os, supostamente, países iguais, é uma notícia do Jornal de Negócios; Portugal é o país europeu (dos tais intervencionados) onde os sacrifícios pedidos aos cidadãos mais incidiu foi nos pobres. E no entanto são os ricos que fogem… Cada vez é mais visível que nem tudo são exigências troikianas, mas essencialmente uma ideia ultraliberal, assente na aniquilação do homem enquanto pessoa, transformando-o num código de barras. Vale tudo! Entretanto, os elogios à política da determinação em empobrecer uma nação, aparecem vindos dessa Europa barricada em Bruxelas. Miúpe e a caminho do autofagismo.
O ano começa com o pronúncio de tempestade…

P.S. Li aqui no Capeia, as obras que a Câmara Municipal do Sabugal pretende realizar. Não fazendo uma análise às obras, não consegui perceber onde está a aposta na fixação de gente ou na sedução para cativar gente!…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Ao balcão de um bar, enquanto refrescava o palato com um moscatel, o homem do bar tinha um desabafo, «ao ano que aí vem, não lhe anunciam nenhuma coisa boa. O melhor será prolongar este!». Apresentou, de seguida, um rol de argumentos que sustentavam a sua afirmação. Resolvi, nesse momento, que escreveria o texto deste final de ano com esse pensamento.

Voltemos o olhar para trás e, procuremos visualizar este ano que agora chega ao fim. Primeiro um olhar para Portugal. Começámos o ano com um governo e, praticamente com a certeza, que não o terminaríamos com o mesmo. Como facto do ano, marco o fim do socratismo e o início do passísmo. Também neste ano, o Sr. Silva (Presidente da República) sucedia ao Sr. Silva. Outro facto. E, referir, as mentiras que foram vendidas por um voto nas campanhas eleitorais. Entretanto a Troika aparecia por cá. E, a seu mando (ou talvez não), cortava-se em tudo e em todos (eu diria, nos que trabalham) e aumentavam-se os impostos. Mais um facto. Politicamente, este ano, marca a passagem do governo de Portugal para uns funcionários do FMI. Não relato aqui os muitos acontecimentos económicos e financeiros. Seria esgotante e monótono! Contudo, constatar, o aprisionamento da Democracia pelo dinheiro. Facto.
Neste final de ano, retiro, ainda, o vazio dos discursos políticos. Ninguém aponta, estruturalmente, uma ideia para o país. Nenhum profere uma única palavra de esperança e de confiança.
Portugal divide-se, aceleradamente, entre o litoral e o interior. Aquele, sobrelotado. Este, abandonado. O país perde tradições, saberes e sabores. Perde memória. E um país sem memória é um país sem futuro.
Quanto a nós, arraianos, pelo concelho do Sabugal, o ano decorreu envolto nas inumeráveis indecisões da formação de um executivo camarário. Nunca se sabe quem é quem! Quanto a políticas, parecem permanecer nas quezílias da «Sabugal+» e da sua administração, nos concursos e promoções… O facto é, a sensação de estagnação. Como se o concelho estivesse numa estação de caminhos de ferro, à espera de um comboio, mas por onde já não passam comboios!
Contudo, uma excelente notícia! A classificação da capeia arraiana como património cultural imaterial nacional. Foi a melhor marrada do ano!!!
No mundo, realço dois acontecimentos que marcaram este ano. O primeiro, a chamada «Primavera árabe». Marca uma página na História da Humanidade. Todavia, uma questão: para onde caminha essa primavera? Em direcção à liberdade que os fez sair à rua?
O segundo, o fracasso do ideal da União Europeia. Em consequência, o ressuscitar de velhos fantasmas, colocam a Europa perante um futuro incerto e obscuro.
Voltando ao bar, não sei se valerá a pena prolongar este ano. Prefiro acreditar que o próximo terá que ser melhor.

A todos os arraianos, a todos os portugueses, a todos os homens de boa vontade, um BOM ANO NOVO.

P.S. Declaro que sou contra o novo Acordo Ortográfico. Porque o considero um acto de terrorismo e de traição à língua portuguesa e, literalmente, um baixar de calças aos interesses brasileiros.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Ei-los que partem… Ou como nos mandam embora!
Ou ainda, como nos estamos a marimbar!

Aproxima-se uma quadra que, ainda que religiosa, vai muito mais além do que a religião. O Natal. É nesta altura que todos se recordam um pouco dos outros e conseguimos enxergar que, afinal, o outro, a quem nataliciamente estendemos a mão, está ali sempre. Diria que conseguimos ser menos egoístas e indiferentes por esta altura e isso, de certa forma, deixa-nos bem connosco.
A ideia da crónica desta semana estava focada nesta quadra, e o que ela representa enquanto significado religioso e como ela se transformou num negócio. Todavia, o governo deste país, resolveu não ter tento na língua e, muito menos «careio» (como se diz na minha terra), na violência com que trata os seus cidadãos! Daí que me tenha lembrado de um poema do poeta Bertolt Brecht. Diz mais ou menos assim, primeiro vieram buscar o judeu e eu não me importei, pois eu não era judeu. Depois vieram buscar o negro e eu não me importei, pois eu não era negro… até que um dia me vieram buscar a mim! E, a causa de tais versos me saltarem à memória, foram, primeiro as palavras do secretário de estado da juventude, dizendo aos jovens para emigrarem. Procurei entender qual seria o ponto de vista de tal iluminado… confesso que não entendi! Então, um secretário de estado da juventude, em vez de levar esperança e crença no futuro, manda a malta ir embora?!! Bom, pensei, é uma voz isolada, por ventura um pouco toldada por qualquer motivo… Mas não! Era o pronúncio, assim uma espécie de profecia, para o grande momento! O primeiro ministro apontava, finalmente, um rumo para o país! Os jovens já foram convidados, agora convidam-se os professores para ir embora! E imagino quanta gentinha terá dito “muito bem”! Corra-se com esse bando que ganham muito e não trabalham nada! Mas, amanhã, serão os médicos, depois, os militares, depois os idosos (é uma chatice! só dão despesa), depois os juízes, depois estes e aqueles, depois… Até que fica somente o governo a falar com a troika. Porque a sociedade está como os versos desse poema. Não nos importamos, porque não é connosco, até que batem à nossa porta!
A prova-lo, aí está mais um ataque a quem trabalha, através da nova proposta da lei laboral. Para efeitos de reforma, contava trinta dias por ano de trabalho, a troika apontava para vinte, o governo avança com oito a dez dias. Os três dias de bónus aos trabalhadores de férias por comportamento no que diz respeito á assiduidade, desaparecem. Se somarmos a meia hora e o fim de feriados, chegamos depressa à conclusão em que, para se trabalhar é preciso, para além do trabalho, pagar! Desconfio que regressamos rapidamente à segunda metade do séc. XIX! À exploração nua e crua do trabalhador pelo patrão, seja este qual for. A nova escravatura está aí! Mas não nos importamos, não é connosco…
Se o outro se estava a marimbar para a dívida, neste país, toda a gente, infelizmente, se está a marimbar!…

Desejo a todos um Natal cheio de paz e felicidade!

P.S. 1 Saúdo aqui Eduardo Lourenço pelo Prémio Pessoa. Parabéns!
Dizia ele aquando da nomeação, que era como receber um pouco do próprio poeta Pessoa! Para nós beirões arraianos, o prémio de Eduardo Lourenço, é como se fosse um pouco nosso também!
P.S. 2 Também aqui, deixo o meu lamento e as condolências pela morte de Cesária Évora. Grande embaixadora da lusofonia.
P.S. 3 Uma nota para a memória de Vaclav Havel. Para além de um intelectual, desparece um democrata e um europeísta.
P.S. 4 Já agora, como Leitura neste Natal, leia ou releia Bertolt Brecht!

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«A violência faz-se passar sempre por uma contra-violência, quer dizer, por uma resposta à violência», Jean Paul Sartre.

Chamo a esta página um assunto delicado: a violência. Porque ela saltou esta semana para primeiro plano com os acontecimentos em Liège (Bélgica) e na Itália. Sendo acontecimentos diferentes, porque com motivações diferentes, eles representam o rumo que leva a sociedade europeia. O fenómeno da violência têm-se vindo a multiplicar por esta Europa fora, alguns com mais visibilidade mediática, outros ficam-se pelo anonimato.
O que se passou na Bélgica é o exemplo da facilidade com que alguém possui armamento e o usa sobre outros cidadãos. Um homem, referenciado policialmente, não hesitou em matar indiscriminadamente no centro da cidade de liège. Quais as motivações? A resposta pode ser múltipla e variada ou uma só. Mas deixo esse trabalho para os psicólogos e para os sociólogos. Para mim, referencio-o como a mostra da deriva em que a humanidade europeia se encontra. Os valores que foram estruturantes da sociedade europeia desmoronam-se, diluindo-se na ausência de esperança, que é o berço de todos os demónios! Cada um se considera profeta e, como tal, decide a sorte da vida e da morte. Em Itália, o assassinato de emigrantes africanos por um elemento da extrema direita, também referenciado policialmente, aponta o caminho que esta Europa parece querer traçar. Os nacionalismos e os xenofobismos pululam por aí. Envenenando as relações entre os povos. A Europa traça um rumo que leva a lugar nenhum.
Também por cá, a violência, tem feito primeiras páginas. Os ataques aos pórticos de cobrança de portagens na A22, demonstram o estado efervescente da sociedade. São os assaltos violentos, tiroteios… A procura de uma resposta leva sempre ao mesmo princípio – a violência. «A violência leva à violência, e justifica-a», diz Théophile Gautier e, o facto é que, cada vez mais, se exerce uma violência maior sobre a sociedade. Seja a nível do estado, fiscal, económica, social… empurrando-a para o desespero que leva à violência.
Os sinais são muitos e visíveis. Ignorá-los será fatal para a sociedade que hoje, ainda, conhecemos. E é aqui que, especialmente e especificamente, a política deve entrar! Se tal não acontecer, o futuro próximo será o de convulsões sociais que, inevitavelmente, acabará em violência. Deixo-vos uma citação de Mohandas Gandhi, expoente máximo da não-violência, «quando não se possa escolher senão entre a cobardia e a violência, aconselharei a violência». Temo que possamos estar perante essa escolha!

P.S. Um despacho do ministro da Educação e Ciência, põe ponto final na matriz definida para o ensino básico, chamado Curriculo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais. Não cabe aqui, agora, discutir o teor de tal documento. Importa essencialmente realçar a forma como se faz política em Portugal! Nenhuma reforma é levada até ao fim. Nunca se avalia, no final os resultados! Este documento deixa de valer, mas ainda não existe um substituto! Que, no entanto, já tem nome! Só! Agora chama-se «metas curriculares». E contudo, o ano lectivo já leva um terço… Um acaba. Ponto. O outro ainda não existe. Ponto. Os professores seguem qual matriz?!?…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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O meu pensamento vadiava por espaços insustentáveis, como se me levasse o ser… Esta é uma semana e peras!

O Sporting pode ter aberto as portas para conquistar a Taça de Portugal em futebol. Ainda no futebol, O FC do Porto perdia o direito de continuar a jogar a Liga dos Campeões e, nesta mesma liga, o SL e Benfica assegurava o primeiro lugar do grupo. O governo, de forma leviana, anunciava que havia saldo nas contas do estado. Portanto, viajava eu, pela última vez, sem portagens, tudo estava bem. Este é um país extraordinário! Ainda ontem nos roubaram descaradamente metade do subsídio de Natal, amanhã, roubam-me para poder circular em estradas que eles chamam de auto-estradas, mas que destas têm muito pouco! Por coincidência (ou não) a A25 está em obras! Está cheia de buracos. As outras (falo da A23 e da A24) estão mal sinalizadas, com curvas mal equilibradas e que se transformam em rios quando chove, já que o piso é feito de uma espécie de borracha… Todas foram chumbadas pelo IST num estudo de aqua planing! No entanto aí estão as portagens! Pagando mais do que na A1, pois somos, no interior, possuidores de maior poder de compra. Região onde nascem empresas como tortulhos e os empregos sobejam. Desculpem-me a ironia. Mas não resisto.
O facto, é que este processo das scut sempre foi um negócio mal contado. É obrigação do estado zelar por um equilíbrio do seu território, na criação de condições para que as desigualdades sejam cada vez menores. O nosso (ou os nossos!) parece fazer um esforço para aumentar o fosso das desigualdades no seu próprio território. As estradas construídas são um factor de desenvolvimento. Contribuíram para a fixação de pessoas e para seduzir a economia. Para nós, do concelho do Sabugal, foram o quebrar da distância e permitiram o encontro entre todos nós mais vezes. Hoje, afastaram-nos de novo. Mas as scut, dizia eu, sempre foram uma mentira! Venderam e vendem-nos «gato por lebre»! Destruíram as ip’s e, deixando-nos sem alternativas, dizem-nos que as portagens são cobradas por causa do défice e… porque existem alternativas!!! Incrível! O que me espanta (ou talvez não) é que temos sido governados por primeiros ministros que vieram do interior, que deveriam ter a obrigação de perceber o que se passa fora de Lisboa! Mas não. É como se tivessem um recalcamento ou vergonha das suas origens! Pois, mas para esse mal existe o divã do psiquiatra.
Todo este assunto tornou-se num jogo político. Numa rádio local, no bloco noticioso, dava-se a notícia de que a Câmara da Guarda tinha aprovado uma moção de repúdio, apresentada pelo seu presidente (PS), contra a introdução das portagens. A oposição (PSD), opôs-se, que até concordava com o conteúdo mas, porque considerava um aproveitamento político, apresentando como argumento, que eles (oposição) tinham manifestado a sua discordância aquando o anúncio de portagens pelo anterior governo (PS)! Mas agora já não. Porque o actual governo é PSD, digo eu! Serve este exemplo para se perceber o envolvimento daqueles que nos governam, jurando defender os interesses das populações. Estamos conversados. Não nos lixem mais!
Sexta-feira reúne-se a Europa. Não sei se a Europa, ainda, de 27 ou a Europa de 2! E dou comigo a pensar, e se mandássemos esses dois fazer uma Europa só deles e os restantes 25 fizessem uma Europa a sério?!
É uma semana e peras!

P.S.1: Mais uma penada! Vejam o timing para a introdução das portagens: antes do Natal e num dia de feriado! Brilhante!
P.S.2: Ouvi, e pasmei! José Sócrates veio dizer que a dívida dos países não é para pagar?!? E que ele tinha aprendido e estudado isto durante anos!!! Aquela licenciatura daquela universidade é, no mínimo, hilariante!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«O homem vendido por outro pode não ser escravo; o que se vendeu a si mesmo, esse é o escravo absoluto.» Ruskin, John.

Comemora-se hoje o dia internacional para abolição da escravatura. A história da escravatura perde-se na bruma dos tempos. Mas, podemos situá-la desde o surgimento do homem! Em todas as partes do mundo, desde sempre, os vencidos eram feitos escravos pelos vencedores. Referências a este fenómeno temo-las em muitos e variados testemunhos escritos desde a antiguidade.
Portugal foi um dos primeiros povos europeus a traficar escravos de África para a América do Sul (Brasil), seguindo-se os espanhóis, franceses, ingleses… Os descobrimentos, a necessidade de mão de obra, o lucro… levou a que, milhões de africanos negros, fossem traficados para as Américas. Transportados pelos célebres Barcos Tumbeiros (de tumba), já que grande parte deles acabava por morrer nos dois meses que durava a travessia do Atlântico, por falta de higiene, fraca nutrição e variadas doenças…
Em Portugal, o Marquês de Pombal, através do Alvará de 12 de Fevereiro de 1761, abolia a escravatura no reino continental. Era a primeira lei contra a escravatura. E dava seguimento às ideias difundidas pelo iluminismo do séc. XVIII. Contudo, as leis do abolicionismo aparecerão no séc. XIX. Em 1807, a 25 de Março, o Slave Trade Act, declarava ilegal todo o tráfico de escravos. Mas é com o Marquês de Sá da Bandeira que, por decreto, «abolia totalmente, em toda a monarquia portuguesa o tráfico de escravos». Abolir o tráfico não significava acabar com a escravatura. Contudo, eram os ventos nascidos com a revolução francesa que sopravam. E os princípios de Igualdade e Liberdade não se adequavam com a condição da escravatura.
Em 25 de Julho de 1849, no tratado luso-britânico declarava ser pirataria o tráfico de escravos.
Em Portugal, a 25 de Fevereiro de 1869 declarava-se abolição total.
Costumamos olhar para este assunto com uma espécie de afastamento no tempo. Recordamos uma série de filmes e telenovelas brasileiras, e ficamos convictos que isso foi no tempo da outra senhora! Trago, hoje, este assunto, porque ele não é de outrora. A escravatura está hoje bem viva e presente nos nossos dias!
A escravatura, já não se cinge aos homens e mulheres de cor negra levados para as Américas. Ela é, hoje, a escravatura de mulheres com destino ao comércio do sexo. De crianças, para trabalhar em minas… De trabalhadores escravizados em explorações agrícolas… Basta abrir o jornal, para nos apercebermos de que a escravatura está viva!
Mas trago este assunto, hoje, também, porque novas formas de escravatura vão aparecendo. Caminhamos para uma sociedade perigosa. Em que o capital volta a ditar regras, disfarçadas de democráticas e que nos vão empurrando para uma sociedade cada vez mais controlada e asfixiada de liberdade. Os povos passam a ser dominados por governos sem rosto, impondo obrigações que se tornarão ditames escravizantes.
A escravatura moderna não precisa de capatazes, nem de capitães do mato. A escravatura moderna embala-nos em ilusões de empregos, de saúde e educação para todos, de justiça e igualdade! Quem nos escraviza não é o branco, nem o negro, nem o amarelo. Quem nos escraviza não tem rosto nem cor. Quem nos escraviza não nos comprou, limitámo-nos a vendermo-nos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Escrevo, hoje, do planalto arraiano, com vista, a perder de vista, para terras de Castela. O vento frio acaricia-nos o rosto, reconfortando-nos a alma. E liberto, sobre as suas asas, o pensamento.

Calcorreio as ruas da minha aldeia… desertas. E não evito uma sensação de angústia, muito mais do que saudade. Não há gente!
A raia desertifica-se. Consequência dos tempos, para uns, inevitabilidade, para outros.
A verdade, é que Portugal sempre esteve desequilibrado no que respeita à distribuição da sua população. Em primeiro lugar, por razões históricas. A fundação deu-se a norte num tempo de reconquista. Esta razão levou a que a população se fixasse mais em zonas e regiões, longe da «fronteira» com os mouros. O povoamento do reino foi, por isso, uma preocupação dos nossos primeiros reis. A partir do séc. XV, com as descobertas, o mar torna-se pólo de atracção. As populações procuram fugir do campo (interior) e do ferrolho do feudalismo, procurando a sorte além – mar! Desde então, que o litoral se tornou mais habitado do que o interior. A segunda metade do séc. XX foi, verdadeiramente, a sangria das gentes da raia! Entre os que migraram para os centros urbanos de Portugal, a maioria emigrava para terras de França, Alemanha… e por aí fora! A raia, num ápice, passava a ter uma diáspora semelhante aos que a habitavam. Nos últimos anos assistimos à partida de mais alguns. Não se nota tanto?! Pois não. Somos já tão poucos…
Contudo, a vontade, e esta espécie de cordão umbilical que nos une a estas terras, sempre foram demasiado fortes. Assim, fins – de – semana, férias e… sempre que se pode, abalava-se para cá!
Temo, que essas abaladas passarão a ser cada vez menos frequentes. A situação económica, o desemprego, as portagens… serão entraves à vontade. E quantas vezes não serão mesmo um soco no estômago! O facto, é que, a raia vai perder imenso com a mais controlada vinda dos seus às suas terras! Quer a nível económico, mas também, a nível social e, sobretudo, a nível humano!
Como não aceito fatalismos, e acredito que cada um de nós traça o seu próprio destino, estou convicto que esta situação é consequência de políticas erradas. Erradas desde o Poder Central. Que sempre só conseguiu ver o país até à saída dos ministérios. Portugal, nunca teve um plano de ordenamento do território sério. Tudo era e é feito através de compadrios e interesses particulares e, a maior parte deles obscuros. Erradas as do Poder Local que, nunca conseguiu pensar o concelho e sofre de miopia política. Desconheço a existência de um plano de ordenamento estruturado e estruturante do concelho. Desconheço políticas que consigam ver mais longe que o imediato. E o imediato, são as intrigas e as tricas que se vão passando dentro da câmara e seus apêndices!
Culpados?! Somos todos. Porque votamos, porque não exigimos, porque assobiamos para o lado, porque somos amigos, porque… enfim!
Com os tempos conturbados que atravessamos, mais do que nunca, é necessário planear bem o caminho que queremos seguir. O contrário é o definhar anunciado da raia.
Meto mais um ratcho ao lume e beberico mais uma jeropiga da nossa! E, por instantes, reconforto-me com o calor e o adocicado néctar. Esqueço a crise e o mundo e sinto-me um privilegiado por ser de e estar aqui.
Mas as nuvens tempestuosas ameaçam. O Orçamento de Estado que, antes de ser apresentado já estava aprovado, traça um rumo de miséria para o povo português. Se a ideia era, a de nos aproximarmos do nível de vida dos outros povos da Europa, a prática mostra que nos estamos afastar. Estamos cada vez mais longe! Este orçamento apresenta somente aumentos na receita (impostos) e nada, ou quase nada, na despesa. Verdadeiramente vai aos bolsos dos que menos têm, fazendo de conta que os que mais têm não existem. A sumptuosidade dos gastos supérfluos do estado e dos seus comensais são intocáveis!
Está aí a greve geral. Direito consagrado na Constituição Portuguesa (Artigo 57, 1). Assusta-me o ruído (e, de certa forma, até coação) que têm feito as associações patronais (governo incluído) contra greve. Os argumentos usados são confrangedores. Para alguns, que jeito dava, isto não ser uma democracia!
… Sirvo mais uma jeropiga e meto mais uns ratchos ao lume… Saio à rua, e penso que devíamos cobrar por este ar!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Vi as democracias intervirem contra quase tudo, salvo contra os fascismos»; André Malraux.

Em História aprende-se que a democracia nasceu na Grécia, concretamente, em Atenas. Num tempo em que o sistema político assentava nas cidades – estado. A democracia era o sistema de governo em que o poder era exercido pelos cidadãos. Em que estes tomavam decisões pelo voto. Claro que a ideia/conceito de democracia hoje, não é igual ao da Grécia antiga. Desde logo, porque a concepção de cidadão é hoje bem diferente daquela da Grécia antiga! Contudo, a ideia de chamar a votar o povo é uma ideia grega e, é esta ideia que sustém a democracia de hoje.
Convém, então, compreender o que é hoje a democracia. Para isso, algumas ideias simples, mas essenciais. Entender que, democracia, é o governo em que o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, directamente ou através dos seus representantes livremente eleitos. Olhamos para o mundo nos dias de hoje e observamos um mundo ocidental orgulhoso da sua democracia e com vontade mal disfarçada de a impor a outra parte do mundo. Todos somos capazes de nos colocarmos do mesmo lado da barricada com a bandeira na mão da democracia contra todos aqueles regimes que o não são. Todavia, vejo a mãe da democracia – a Europa – embarcar numa espécie de canto de sereias e, substituir a democracia por funcionários troikianos! Os governos eleitos democraticamente são substituídos por outros, nomeados nos corredores e salas obscuros de gabinetes distantes…
Custa aceitar que as democracias não se ergam para defender a sua própria essência: a liberdade de ser eleito e de eleger, de votar! Pois a liberdade faz parte da definição de democracia. Sem ela não há democracia! Pois esta integra no seu âmago um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana, é a institucionalidade da liberdade.
A Europa, avança para um fascismo sem rosto e sem ideologia. A bandeira que se ergue, mostra o símbolo do dinheiro conforme a zona do mundo. Os governos deixam de ser livres nas suas escolhas e caminhamos apressadamente para uma ditadura disfarçada, mas ditadura. Se deixarmos de poder escolher (votar) deixamos de ser livres. Recordo uma frase de Abraham Lincoln, «um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda». Sim, o voto assusta… Reparem que não votamos naqueles que, verdadeiramente, mandam em nós!.. Nunca fomos chamados a votar sobre a Europa! A mesma Europa que manda em nós. Porquê? Ah! O medo do voto!…
Depois disto, acresce que, numa democracia os cidadãos não têm apenas direitos! Têm o dever de participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades. É por isso que, a democracia, exige a participação de todos.
Ousa dizer-se que, a democracia, dos sistemas de governo conhecidos, é o melhor. Todavia, ela ainda exige ser aperfeiçoada. Precisa de ser completada em muitos dos seus aspectos, a começar pelo sistema eleitoral. Ainda votamos naqueles que os partidos nos colocam à frente, sem alternativa, nem na sua escolha para ali constarem, nem em outros (sistema uninominal)! A democracia ainda funciona em círculos fechados (partidos). O resultado, infelizmente, tem sido abstenção… E esta é a contradição da democracia!
A democracia tem sido, ainda assim, o garante de alguma paz no mundo ocidental. Mas tem vindo a ser tão maltratada que o futuro não augura nada de bom. Importa, como nunca, estar atento. Pois atravessamos tempos conturbados.
Bernard Shaw dizia que a «democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes», temo ter que lhe dar razão.

P.S.: Foi preso Duarte Lima. Já repararam que os amigos do Sr. Silva (que é presidente da República) ou estão presos ou andam a monte? Espero que este episódio não se transforme em mais uma novela, só que desta vez em vez de Lima Duarte (o actor de telenovelas brasileiro) é com Duarte Lima (ex-deputado e ex-líder parlamentar, advogado, …)!!!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça.»; Jean de La Bruyère.

Trago hoje a esta página um tema delicado – a Justiça. Faço-o com a convicção de que sou um leigo na matéria, mas sou cidadão deste, ainda, país, onde a justiça tem andado pelas ruas da amargura.
Todos os dias, nos jornais, na televisão, na rádio, ouvimos notícias impressionantes sobre o estado da justiça em Portugal e de decisões tomadas pelos tribunais que nos deixam pasmados.
Seria um exercício longo e delicado fazer uma análise exaustiva das decisões da justiça portuguesa. Deixo esse trabalho para os historiadores destas coisas!
Importa-me, essencialmente, fazer algumas referências ao assunto e reflectir sobre um tema estruturante de uma nação e de uma democracia. Os compêndios ensinam-nos que os poderes são três: o poder legislativo – aquele que faz as leis; o poder executivo – aquele que executa as leis, governa; e o poder judicial – aquele que julga quem não cumpre a lei, exercido pelos tribunais. Desta forma, podemos entender que os poderes devem estar separados, para que não se caia num regime absoluto. Contudo, vimos assistindo, a um desfiar de acontecimentos em que o poder judicial se tem prostituído, entregando-se ao dinheiro e ao poder político.
As razões são, com certeza, várias.
Primeiro, as leis são feitas no parlamento. E este é, na sua maioria, composto por deputados que são advogados ou juristas. Obviamente que as elaboram, não a pensar no cidadão comum, mas num determinado segmento de cidadãos: aqueles que podem pagar! Os senhores advogados apressam-se a engendrar mecanismos que lhes possam permitir dar a volta a essa mesma lei, seja na interpretação da lei, seja nos mecanismos para atrasar a aplicação da mesma lei. E escusa de vir o senhor Bastonário da Ordem dos Advogados armar-se em paladino da justiça, acusando ministros e juízes. Pois são todos farinha do mesmo saco! Em Portugal uma grande parte dos processos prescreve. Artimanhas do legislador! E, desta forma, os advogados (diria os escritórios de advogados) fazem um papelão na comunicação social expondo a sua sabedoria acerca dos casos de que são parte interessada ou como meros comentadores. O interessante, é que nunca, mas nunca, expressam a sua preocupação com a justiça! Limitam-se a apresentar recurso atrás de recurso atrasando decisões ad infinitum. Mais, a justiça usa uma linguagem que ninguém entende, permitindo-lhe «falar» só entre ela. Apetece dizer que «quem não sabe latim fica assim»!
Segundo, é impressionante o tempo que qualquer tribunal leva a tomar uma decisão! Para além dos já falados mecanismos inventados precisamente para atrasar tal decisão, os juízes, parece, fazerem questão de demorar e adiar a tomada de decisões.
Terceiro, os tribunais estão cheios de processos. Sim, é verdade. São os próprios agentes da justiça que o afirmam. Mas, o que têm feito para melhorar tal serviço? Nada.
Os juízes são dos mais bem pagos profissionais deste país. Funcionam num sistema de corporativismo, protegendo-se uns aos outros. Cheios de regalias e benesses.
No final, o que vemos é serem condenados os que não têm posses para pagar aos tais advogados e serem inocentados os poderosos e, aqui, incluo os políticos. Não deixo de lembrar o caso Freeport, as escutas telefónicas mandadas destruir pelo então Procurador-geral, o caso Portucale, o caso Isaltino Morais… e tantos outros! Agora é caso Face Oculta que vai ficar, mais uma vez, em «águas de bacalhau». E, reparem, não se fala em inocência, mas em erros processuais. A tal esperteza do legislador…
Um país que se diz de estado de direito, com uma justiça destas, coloca o direito em maus lençóis e deteriora a democracia. A justiça deveria ser a salvaguarda dos direitos dos cidadãos, de todos os cidadãos!, mas em Portugal ,com estes legisladores, a justiça aplica-se aos mais fracos e iliba os mais fortes.
Costuma-se dizer que a justiça é cega, mas, em Portugal ela vê! E vê muito bem!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Tanto o conceito de comédia como o de tragédia são gregos. Não pretendendo ser esta crónica uma análise dos conceitos, deixo aqui alguns elementos para que se possa entender o cenário e a peça.

A comédia era uma peça teatral da Grécia antiga, estava voltada para cenas do quotidiano, os costumes são vistos de uma forma satírica e de crítica. E desta forma, cómica, engraçada. A tragédia, também peça teatral, está centrada na vida de um herói que luta contra um factor transcendental, que vai controlando os acontecimentos, no final, o herói, sofrerá as consequências por enfrentar o destino (Fado). Os actores usavam máscaras (as personas). Realizavam-se em honra do deus Dionísio (para os gregos, Baco, para os romanos), o deus do vinho, da alegria e do teatro. Importa referir que a reacção dos espectadores é diferente perante cada uma das peças. Aristóteles referencia a catarse (purgação, neste caso, de emoções, espécie de purificação através do sofrimento alheio) na tragédia.
Ora bem, por estes dias tem decorrido um frenesim pela Europa – principalmente para o directório franco-alemão – devido à situação financeira da Grécia. Primeiro, com a decisão de perdoar parte da divida grega. Uma decisão arrancada a ferros! Principalmente, porque a grande dívida grega é aos bancos alemães e franceses. Daí o sistemático «ménage a deux» da senhora Merkel e do senhor Sarkozy!
Neste drama (ou trama?!) a que vimos assistindo desde há uns tempos largos na Europa, encontramos de forma bem definida estes dois estilos de representação. Está lá tudo!
A Grécia pôs em cena, de forma magistral, uma comédia. Nunca cumpriu os seus compromissos com a Europa. E, agora, para que a comédia fique mais satírica, lança para o palco um referendo! Modelo que permite, de forma directa, consultar o povo (este povo que todos esgrimem defender) e logo entra em pânico a nomenklatura europeia! O referendo é a forma mais pura de uma democracia. A mesma democracia que todos apregoamos como o melhor modelo político é, por ironia, invenção dos gregos! Mas os «democratas» assustam-se! Porquê? O que, provavelmente, falta explicar é por que não se fizeram referendos para a adesão a essa Europa, por que não se fizeram referendos à moeda única, por que não se fizeram referendos a todos aqueles tratados, por que não…
São as máscaras!…
Eis, então, a vez, da Europa representar o seu drama – a tragédia! Não sei qual será o herói desta tragédia, mas desconfio que é o povo, mas adivinho um final condizente com o género. Também sei qual é o factor transcendental, nada mais que a banca e os seus financeiros, que se comportam como deuses de um Olimpo obscuro.
São as máscaras!…
A nós, cabe-nos a catarse.

P.S. Diz o nosso Primeiro-Ministro que temos que empobrecer (não vejo como seja possível, pois já estamos na miséria!) para podermos recuperar. Pois eu temo que, este passo atrás, na expectativa de darmos dois em frente, não se transforme em dois passos atrás e nenhum em frente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Nada provoca mais danos num estado do que homens astutos a quererem passar por sábios.», Francis Bacon, in «Essays, of Cunning»

Ocorreu-me esta citação pelo facto de esta semana se encontrarem os chefes de estado e chefes de governo da Europa. E tive uma leve sensação de saudade da Europa!…
A ideia de uma Europa unida nasceu dos escombros da Segunda Guerra Mundial (1945) fruto, entre outras razões, dos nacionalismos extremos que fervilhavam por esse continente fora. Assim, em 1951, com assinatura do Tratado de Paris, seis países fundavam a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Mesmo sendo uma comunidade fundamentalmente de controlo monopolista do carvão e do aço, afirmava-se como “a primeira etapa para a federação da Europa”. Depois veio o Tratado de Roma (1957) instituindo a Comunidade Económica Europeia – a célebre CEE! – Depois, foram assinados vários tratados até Maastricht e Lisboa (o último), fundando a União Europeia. Nesse entretanto, acabaram as fronteiras, primeiro para as mercadorias e depois para as pessoas. Elegeram-se parlamentos e comissões. Criaram-se leis gerais para toda a Europa… E, dos primeiros seis países, somos hoje vinte e sete!
Se recupero a história da fundação é porque, essa Europa que nascia em meados do século passado, anunciava o alvor de uma nova era! Apresentava um projecto de futuro em que todos os cidadãos estariam acima dos seus países para se sentirem, essencialmente, cidadãos de um continente, de um espaço comum. Reduzindo as possibilidades de se repetirem as atrocidades que as duas grandes guerras tinham mostrado.
Eram sábios esses fundadores. De passo em passo, foi possível criar a ideia de uma Europa solidária, igualitária, tolerante e fundada sobre princípios democráticos.
Contudo, essa Europa, foi-se diluindo e terminando nas fronteiras do paíszinho de cada um. Cada país olhou para a Europa conhecendo apenas a parte do Pai-Nosso do «venha a nós o vosso reino». Nada mais! Mas, também, a própria Europa foi olhando para os países meramente como extensões mercantis.
Os líderes europeus foram perdendo o horizonte do ideal da Europa, o ideal de uma vida melhor para todos os europeus e da diluição das assimetrias entre os países. Tornando-se hoje num dueto franco-alemão carregado de uma miopia que não lhes deixa ver nada mais que o seu umbigo.
A política deu lugar à economia. E as pessoas deram lugar ao cifrão. E desta forma foi-se destruindo a democracia. A democracia, que aparecia como o grande valor e conquista de uma Europa nova, porque unida, vem dando lugar a um grupo de economistas e financeiros sem rosto. Burocratas que confundem o mundo com o gabinete e orientados por líderes manifestamente incompetentes, mesquinhos e cobardes!
Decididamente, a Europa é governada por homens astutos a quererem passar por sábios. E o resultado está à vista!
A Europa desagrega-se a cada dia que passa, a sentido solidário só é pensado se houver interesse dos bancos, a igualdade afasta-se cada vez mais e a própria liberdade é um valor cada vez mais posto em causa. Os direitos e os deveres passaram a ser retórica, mas cada vez mais sem conteúdo. A Europa é cada vez mais a megalomania dos seus comissários e deputados e cada vez menos a Europa dos cidadãos.
Apetece-me dizer: e a Europa ali tão perto!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«A felicidade é a compreensão lógica do mundo» (Spinoza).

Vou tentar que esta crónica seja um mero exercício de lógica. A lógica é um ramo da filosofia que trata das regras de bem pensar. È um instrumento do pensar. Assim, um sistema lógico é um conjunto de regras e de axiomas para aferir e que procuram demonstrar formalmente o raciocínio lógico.
A ideia anda à volta da proposta do governo do Orçamento de Estado (OE). Aviso, desde já, que não me interessam as cores políticas para este exercício!
Ora, segundo as afirmações do governo, foi descoberto (ou existe) um buraco (reparem, é sempre um buraco, nunca um poço! É que estes ainda podem ter petróleo ou água, os buracos só têm… buracos!) de três mil milhões! Estes, a somar a outros buracos, dá um número, que não se sabe ao certo, de buracos e ainda nem somei o buraco da Madeira!!
O governo, para tapar um buraco, provisoriamente, retêm metade do subsidio de Natal aos funcionários públicos. Mil milhões. Nesse mesmo dia, o governo passava um cheque ao BPN dos amigos do Sr. Silva, que, por acaso, é Presidente da República, de… mil milhões! Poderão argumentar que era um compromisso do anterior governo. Sim, mas o subsídio de Natal é um compromisso com os trabalhadores! Porquê cumprir um e não outro?
Sigamos o raciocínio, 50% de subsídio = a mil milhões, 100% de subsídio = a dois mil milhões. Com o anúncio do governo de reter o subsídio de Natal e de férias durante dois anos, portando, 100% x 4 = a oito mil milhões! Neste anúncio, o governo até já prevê um buraco em 2013! Não sabe de onde, não sabe porquê, mas sabe de um buraco para daqui a dois anos!!! E lá vamos nós a pagar o buraco do Sr. Jardim!!!
É que, este OE, parece apresentar somente como grande vector de cortar nas despesas esta magnânime ideia: corta-se nos salários dos trabalhadores e retira-se-lhe o subsídio de Natal e de férias. A todos? Não. Só alguns. Porque as reformas vitalícias… dos políticos, não se toca! Coitados, eles ganharam tão pouco e ganham tão pouco… Pois foram estes mesmos políticos que assinaram e construíram esta situação!
Mas voltemos à lógica! Se, menos poder de compra, menos consumo. Menos consumo, logo, menos negócio. Menos negócio, menos produção. Menos produção, logo, maior desemprego! Maior desemprego, mais subsídio de desemprego, menor receita fiscal. Menor receita fiscal, logo aumento de impostos. Aumento de imposto… é a velha história da pescadinha de rabo na boca!
Mas analisemos um pouco mais a pobreza deste OE. Não por ser de austeridade. Mas por não trazer uma única ideia para o pais! Resume-se a cortes e aumentos. Nem uma estratégia para o país, nenhum investimento e, contudo, consegue manter toda a nomenklatura existente. Seria importante que fosse apresentado um plano para dar aos portugueses uma esperança, que mais não fosse!, de que os sacrifícios são necessários mas não em vão. Por exemplo, seria uma excelente oportunidade para olhar para o interior. Incentivando as pessoas e as empresas a instalarem-se no interior, através de benesses e benefícios. Tentando equilibrar o país.
Apetece dizer que, para tomarem estas decisões e, restringidos às directrizes da troika, pergunto, para quê um governo com tanta gente? Não chegariam, vamos lá, quatro, para poderem jogar uma sueca, ministros? Para quê tanta gente na Assembleia? Não seria um bom sinal, começar a poupar por aí?!… Mas isto seria a lógica.. E aquilo que vejo é, precisamente, a ausência de lógica. Como pode haver lógica, se chamamos para resolver o problema os mesmos que o causaram?! Como pode haver lógica, quando os prazos que nos são colocados para o pagamento de dívidas, para a resolução das reformas, é completamente irrealista?! Como pode haver lógica, quando queremos ovos, mas matamos a galinha?!
É a troika, respondem-me. E, é aqui que falta novamente a lógica, precisávamos de um primeiro-ministro que fosse diplomata, e temos um primeiro-ministro que não passa de um secretário-geral da troika. É alógica, ou falta dela.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«A História é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro»; Miguel de Cervantes, in «D. Quijote».

Hoje tomo a liberdade de escrever sobre história. Ao ler o comentário fantástico, porque útil e sábio, que o mestre Manuel Freire Leal deixou no meu último texto, tomei a liberdade – como dizia – de expressar um certo ponto de vista. Talvez mais, a partilha de uma opinião. E estas não passam, em último caso, de meras hipóteses!
O que todos sabemos, e dizemos, é que a história é a ciência que estuda o homem. Assim de simples! O que quase nunca pensamos é como ou quem monta os factos da história! Como se encadeiam os factos, ou quem os montou!
Os dicionários apresentam um rol de significados para a palavra «história» – o que demonstra a riqueza desta língua lusa e que alguns tanto tentam desprezar e humilhar! – mas, atendamos a dois: «narração critica e pormenorizada de factos sociais, políticos, económicos, militares, culturais e religiosos, que fazem parte do passado», e ainda, «ramo do conhecimento que se ocupa do estudo do passado, da sua análise e interpretação». Pego em duas expressões retiradas destes dois significados da palavra história: «narração crítica» e «análise e interpretação». A história é feita pelos homens e contada pelos homens! A história é sempre um reflexo da época, do paradigma, em que se constrói. Desta forma, a visão que nos é apresentada dos factos (repito: dos factos) é sempre, não o facto, diria cru, despido, mas a sua interpretação, analisado e criticado.
A história, de sua origem grega (sempre os gregos!), significa «pesquisar», «conhecimento advindo da investigação». Implicando um trabalho árduo de investigação, de estudo, mas no final, sempre, uma análise crítica. E, por mais que o historiador tente ser imparcial, deixará sempre um «explicação» pessoal.
Tudo isto a propósito de os manuais escolares de História apresentarem a «fórmula» de Salazar resolver os problemas financeiros de Portugal nos finais da década de 20 do século passado e, há intervenção e correcção dessa mesma «fórmula», do mestre Manuel Freire Leal!
Não é pouco!
Pois a manipulação da história leva a uma visão distorcida do passado, enviusando o presente, cegando o futuro. Mas essa manipulação existe, porque a construção da história serve sempre outros interesses – e não significa que sejam interesses maléficos! Por exemplo, a nossa história, a montagem da nossa história, foi extremamente influenciada pelo romantismo e pelos nacionalismos do séc. XIX. A época proporcionava uma visão gloriosa dos feitos, das vitórias. Apelava à pátria (vide A Portuguesa, o hino nacional, escrito nos finais do séc. XIX, aquando do ultimato inglês), ao orgulho de ser português. Esta mesma visão foi, depois, aperfeiçoada pelo Estado Novo.
É, ainda muito, esta a visão da história que os manuais escolares transportam.
A opinião que quero partilhar convosco, é a de que devemos olhar para a história com espírito crítico. Questionando-a. Contribuindo para que ela seja mais transparente, de forma a que, as lições, se as há a tirar, sejam claras e não tendenciosas. No campo da história, acredito que é preciso alterar o paradigma.
Termino citando Cícero, «a História é a mestra da vida».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Hoje trago a esta crónica dois assuntos que, parecem-me, são pertinentes para reflexão. Não serão completamente novos, pois outros – e notáveis bloguistas! – têm trazido de forma brilhante a esta página!

Primeiro ponto – A reflexão ocorreu-me no decurso dos falados cem dias de governação! Mas sobretudo, no decorrer da profissão que exerço. Nos manuais de História e Geografia de Portugal, 6º ano do 2º Ciclo, ensina-se que, António Salazar (que tinha chegado ao governo por convite do general Óscar Carmona, para a pasta das finanças) resolveu os problemas financeiros de Portugal da seguinte forma: aumento de impostos, cortes na saúde, cortes na educação, cortes na acção social. E… o que me vem à memória é que nestes cem dias a única coisa que ouvi foi aumento de impostos! Cortes na saúde! Cortes na educação! Cortes na acção social! Será coincidência?! Ou, como alguns apontam, que a história é cíclica e, portanto, repete-se!?
O que me deixa perplexo!
Quando se anunciou a vinda de gente tão qualificada, mestres e doutorados em economia, em gestão, em finanças… gente que dominava tais matérias e que, seguramente, trariam novas ideias, novos modelos, outros paradigmas! Não esperava é que tudo se resumisse a copiar o velho ditador… E nem tudo se justifica à pressão da «troika»!
Segundo ponto – Tenho estado atento a esta proposta do governo no que concerne à alteração da lei do poder local. É um assunto que merece ser reflectido e debatido. É que, não devemos olhar para o documento e renunciar ao todo! Muito menos olhar para ele somente no prisma do corte das freguesias!
Não me arrepia o princípio. Principalmente, da redução das freguesias urbanas. Até porque, muitas vezes as funções dessas juntas se sobrepôe às da câmara municipal e vice-versa. Quanto às outras, devemos analisar se os parâmetros estão adequados ou não.
Também, não me arranha o princípio de câmaras monocolores (de um só partido), desde que, e aqui é fundamental, que os poderes da assembleia municipal sejam reforçados e efectivos! De outra forma corremos o risco de «jardinzinarmos» o poder local!
O assunto é sério, é importante. Assim saibamos nós – a sociedade – intervir, discutir, debater e tirar conclusões. Apetece-me dizer que o assunto é demasiado sério para ser deixado aos profissionais da política. Qualquer decisão sobre este assunto, acreditem, vai tocar nas nossas vidas! Por isso, não lhe viremos as costas!
Participemos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Quem sou eu para avaliar?!». Foi com estas palavras, que o senhor ministro da Educação e da Ciência, Doutor Nuno Crato, respondeu no final da entrevista que concedeu há duas semanas ao canal público RTP1, à questão colocada pelo jornalista: «como avalia o trabalho dos seus antecessores?».

O que me surpreendeu nesta resposta, depois de uma entrevista onde nada disse, ou quase nada, sobre os assuntos relacionados e relevantes para a Educação em Portugal: gestão das escolas, financiamento das escolas, mega-agrupamentos, colocação de professores, objectivos claros de aprendizagens e de saberes no final de cada ciclo de ensino, encerramento de escolas do 1º ciclo… é a palavra «avaliação».
Quis-me parecer que foi uma entrevista a pedido (do Sr. Ministro), para ostentar uma vitória sobre os sindicatos acerca do modelo de avaliação dos docentes!
Uma vitórinha de Pirro! Pois, praticamente, tudo fica igual. Os avaliadores são externos. Contudo, o Sr. Ministro não explicou de onde vêm, se deixam de dar as suas aulas para assistir às dos outros, quem paga as deslocações… enfim! As cotas continuam como uma espécie de rebuçados geridos pelos, agora, todos poderosos senhores directores das escolas (alguns nunca deram uma única aula na vida!.. mas era o único lugar na administração pública onde não havia lugar para boys…)! E, por fim, avaliação só conta nos concursos para… os contratados!!!
Foi um acordo absolutamente fantástico!… O Sr. Ministro dá uma entrevista na televisão. Os sindicatos calam-se. E a Educação lá vai cantando e rindo. Só não se sabe para onde…
Depois disto, retomo o início da crónica.
Toda uma exibição televisiva para dizer aos portugueses que tinha uma vitória sobre avaliação dos professores, diz, no final, quem é ele para avaliar!?!
Sr. Nuno Crato, o senhor é ministro, e ministro da Educação! O senhor é professor! E quem é o senhor para avaliar??!!
Já imaginou se todos os professores respondessem como o senhor? E com que autoridade (moral) vai exigir que os outros (também professores como o senhor) vão avaliar?
A Educação é um dos pilares centrais de um estado e de uma nação. Tal como a saúde e a defesa/segurança. A educação é o veículo dos saberes, dos princípios do regime democrático e das regras da convivência em sociedade. È pela educação que são transmitidos os valores que nos tornam portugueses, um povo único, com uma história universal e uma língua própria (bem, agora nem tanto! Pois o novo Acordo Ortográfico torna-nos abrasileirados…), que nos torna nação! Por isso, o estado não pode, nem deve, encarar a educação como um negócio. Isto é, como um produto que se pode transaccionar sem mais! Como parece ser a intenção, para as câmaras municipais!
O papel da educação é o de formar melhores cidadãos. Mais capazes e melhor preparados para uma cada vez mais justa sociedade.
O que peço ao Sr. Ministro (e a todos os outros) é que não confunda o gabinete com a realidade!

Post scriptum Parabéns aos organizadores da Feira Manuelina em Sortelha. Obrigado Sortelha.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Aceitei o desafio de escrever um texto semanal neste blogue numa daquelas tardes quentes de Verão e em que «el roedo quemava» na principal das capeias arraianas – o festival «ó forcão rapazes» na praça de touros de Aldeia da Ponte. Portanto, o ambiente em que todos somos arraianos, os de lá e os de cá, dessa princesa de ribeira que é a Côa ou príncipe rio Côa!

Foi nessas imensas tertúlias fugazes, algumas, outras mais longas, que o desafio me foi lançado. Pois bem, aqui estou.
Para não fugir dessa tarde de Agosto, falo-vos do que são as sensações e emoções que percorrem os seres daqueles rapazes que pegam ao forcão. E como vamos falar de sensações e emoções, obviamente, que as palavras são minhas! É uma visão subjectiva, pessoal. Minha.
Não tenciono fazer história, nem escrever uma crónica desde os tempos em que se começa a pegar ao forcão… Mas pela adolescência dá-se (ou dava-se!) a iniciação. A palavra aqui não é inocente! O pegar ao forcão representa uma certa iniciação. O adolescente/jovem apresentava-se perante a comunidade. Participava em pleno na festa, na tradição… Pois a capeia é, verdadeiramente, a actividade plenamente comunitária! Mas este é outro assunto… Dizia eu, que se começava a pegar pela adolescência, primeiro temerariamente… mas o sangue ferve e… lá estamos nós a mais um. Depois… bem, depois afeiçoamo-nos. E torna-se quase um vicio. Pois o sangue ferve!
Reparem que pega-se, quase sempre, no mesmo sitio: à galha, em segundo, terceiro… ao rabicho (rabião n’algumas terras), no meio… temos um lugar! E esta é uma das importantes sensações, o lugar não nos pertence, nós pertencemos àquele lugar!
Outra das sensações e emoção é o facto de, quando se pega ao forcão, deixamos de ser um para nos diluirmos com todos os outros que estão a pegar! A ideia de todos nos tornarmos um. Transformar as partes num todo, o forcão como um bloco. Dirão que isto é óbvio. Claro! Mas é importante constatar o que o torna uno: a confiança. Cada um confia no outro! Por vezes, consegue-se sentir o que os outros estão a sentir!…
Agora que já estamos no nosso lugar, agarrados ao forcão, e se abrem as portas do curro… É tempo de vos falar do medo, do receio, do que lhe quiserem chamar! O medo é o que nos mantém alerta e nos dá alguma lucidez e… até coragem! O medo aparece nesse instante, em que se levanta o forcão e se abrem aquelas portas! São segundos, fracções de segundos, até aparecerem os cornos do touro! Nesses instantes, incrivelmente, é como se houvesse um silêncio absoluto na praça e, esta estivesse, também ela em suspense. Diria, que o filme da nossa vida nos passa pela frente num instante! Ninguém fala. A adrenalina está nos níveis máximos.
…As portas do curro abrem, o touro aparece na arena como um relâmpago e, ainda que as vozes se comecem a ouvir, ainda falta o momento em que tudo flui e se esvai, também ele, num instante! Esse momento acontece com a primeira pancada no forcão! É aí, nesse instante, que toda adrenalina, o medo, a tensão, a dor e a felicidade… se unem num estrondoso berro de alivio!
Claro que não termina aí o desfiar das sensações. Elas estão ligadas ao touro. À sua forma de investir, ao seu comportamento. Quanto ao forcão, deve tornar-se o mais possível numa dança, em que os passos de desenrolam com suavidade e de forma natural. E quanto mais o touro investe, mais confortáveis nos sentimos. Emocionalmente, esquecemos tudo o resto. Ali, só somos nós e o touro. E será sempre este – o touro – o dínamo de todas as emoções!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Fernando Lopes, natural de Aldeia da Ponte, licenciado em Filosofia, inicia hoje uma colaboração regular no Capeia Arraiana.
Bem-vindo Fernando Lopes
.
jcl e plb

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