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Realizou-se no passado domingo o quarto Passeio Micológico de Rendo, reunindo participantes do concelho e até de terras mais longínquas, como Mangualde e Caldas da Rainha.

Num dia em que o sol se escondia por entre as nuvens, os cerca de 70 participantes saíram pelas 10h para um passeio onde todos puderam ver no campo algumas espécies micológicas, seguindo as palavras do técnico da DRAP, o Engº Gravito Henriques.
À chegada à casa do povo, os participantes puderam saborear alguns cogumelos como entrada, seguidos da nossa já tradicional feijoada de javali e do queijo da nossa terra e tartes de cantarelus.
Pelo meio da tarde, foi feita a palestra do Engº Gravito Henriques, que identificou e definiu as várias espécies que se encontravam em exposição, as quais haviam sido apanhadas pelo nosso sócio Luís Marcos.
O final da tarde foi mais uma etapa gastronómica, em que foram confeccionadas várias espécies de cogumelos de outras tantas maneiras, inclusive um arroz de cogumelos.
plb (com ACDRRENDO)

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A Direcção e o Conselho de Administração da Sociedade Portuguesa da Autores (SPA) decidiram atribuir, a título póstumo, a Medalha de Honra da cooperativa ao poeta, jornalista, cronista e dramaturgo sabugalense Manuel António Pina, recentemente falecido.

Manuel António Pina era beneficiário da SPA desde 1978 e seu cooperador desde 1985. Na nota inserta no seu sítio da Internet, a SPA destacou a importância da obra literária multidisciplinar e de invulgar qualidade do escritor e jornalista.
Manuel António Pina faleceu no dia 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, a um escasso mês de completar 69 anos, vitimado por um cancro.
O Prémio Camões, atribuído no ano passado, foi o maior galardão que o autor sabugalense recebeu, mas as manifestações e os prémios de reconhecimento sucederam-se a um título vertiginoso, dando mérito à sua obra literária.
Na sequência da sua morte o Presidente da República, Cavaco Silva, lamentou a perda de um autor que «ficará para sempre na memória dos leitores como um dos grandes poetas da sua geração».
plb

No próximo dia 18 de Novembro os estudantes finalistas realizam uma caminhada que irá do Sabugal às Teixedas e regresso.

O ponto de partida é a Escola Secundária do Sabugal, às 08:30 horas. A chegada da caminhada, depois do percurso de ida e volta às Teixedas, está prevista para as 13 horas no local da partida.
Pelas 16 horas está ainda prevista a realização de um magusto, o qual terá animação garantida.
As inscrições serão aceites até ao dia 15 de Novembro em diferentes locais: Retrosaria Elisabete, Bar da Central de Autocarros, Escola Secundária do Sabugal, Osiris Bar, Bar Azul (Soito), Bar das Piscinas Municipais. O preço da inscrição inclui pequeno-almoço e almoço!
Para qualquer dúvida ou necessidade de ajuda na inscrição os finalistas disponibilizam o seguinte telefone: 969556524.
plb

Há mais de meio século, que milhentas vezes fazia uma pergunta a mim próprio: onde estará a minha Professora Primária, ainda está na companhia dos vivos? Tinha umas pistas e havia necessidade de investigar, fazer prospeção e tentar a sua localização.

A última vez que tinha estado com ela, foi quando fiz exame da 4ª classe no Sabugal. Nos dias antecedentes, ainda tivéramos aulas na varanda da casa dos seus pais, numa quinta nos arredores daquela vila. Ao fim de algumas diligências, consegui localizá-la através de sua irmã Professora Joaquina Marques, residente no Sabugal, mas foram necessários diversos telefonemas, para que este aluno falasse com a sua professora. Quando o consegui fui invadido por uma emoção, por uma alegria, por uma felicidade, conversar com aquela que me abriu os caminhos do futuro, que me rasgou os horizontes da cultura e da arte. A minha Professora Primária, chama-se Otília d’Ascensão Marque Gonçalves, é natural de Águas Belas e filha de Joaquim Marques e de Alzira Pires Lages. Os pais eram proprietários de duas quintas, a Quinta Mateia e a Quinta Nova, junto à estrada nacional que liga o Sabugal à Guarda. O seu pai é de Águas Belas e a sua mãe, natural de Carvalhal Meão, e sobrinha do Padre Diamantino Lages, que durante muitos anos foi Pároco de Pega e Carvalhal Meão.
É originária de uma família muito respeitada, muito trabalhadora, organizada e amiga, solidária com todos os trabalhadores e com quem convivia. É a filha mais velha de cinco irmãos, três rapazes e duas raparigas. Todos estudaram e atingiram cargos superiores, na vida militar, no ensino e na engenharia.
Frequentou o Liceu na Guarda e quando terminou estes estudos, já funcionava a Escola do Magistério, formou-se como Professora Primária, em 19 de Agosto de 1952.
Em Outubro desse ano foi colocada na Escola Primária Feminina da Bismula – Sabugal-, como Professora do Quadro de Agregados. Iniciou na Bismula um longo e gratificante caminho de ensino. Seguiu-se a Escola de Penaverde – Aguiar da Beira. Em 1954 voltou novamente à Bismula, como Professora do Quadro Geral. Seguiu-se Vale de la Mula – Almeida-, e o Soito – Concelho do Sabugal. Voltou a fazer a “ terceira comissão“ e última na Bismula. Seguiu-se a Escola Primária de Alfaiates no Sabugal, Vila da Feira em Aveiro, Ota, Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira e Escola Secundária de Alenquer e Carregado.
Em 1973 tinha habilitações académicas para dar aulas na Escola Preparatória de Alenquer como Professora de História e Português. Continuou a estudar, frequentou a Universidade de Letras de Lisboa e fez a licenciatura em História, com grande sacrifício familiar. Eram as aulas, eram os filhos, eram os estudos. “Não foi fácil alcançar os meus objetivos, mas consegui com trabalho e esforço.”
Em Junho de 1993, com quarenta anos de ensino primário, preparatório e secundário, pediu a aposentação, por força da lei, terminando uma importante e brilhante carreira docente em Alenquer.
Teve um percurso frutuoso e maravilhoso na educação de milhares de jovens, onde me incluo com muita gratidão.
Na Bismula formou muitos jovens, aí alicerçou muitos homens e mulheres. Passou tempos felizes na primeira escola onde exerceu. «É sempre a primeira escola da minha vida profissional, o começo de uma vida a sério, de uma vida com responsabilidade, tanto para comigo própria, como para as crianças que eu ia ensinar e tentar abrir portas para a vida. Tive a sorte de encontra uma santa de uma senhora, a Senhora Antoninha Polónia, e a Família Vaz, que me ajudaram a ver a vida e o futuro. Esperava-me sempre com olhos de esperança e de confiança. Bons tempos!»
«Só havia uma pequena dificuldade: ir a pé ou a cavalo, da Bismula até à Nave e apanhar o transporte rodoviário da Viúva Monteiro para o Sabugal. Eram outros tempos… não havia estradas, havia caminhos onde mal se podia passar.»
A profissão de Professora é das mais importantes para mim, das mais importantes para a sociedade. É o seu pilar. São estes profissionais do ensino, sucessivamente vilipendiados pelos últimos governos, que ensinam com muita competência, responsabilidade, disciplina e missão, sem olharem a horários ou honorários extras, muitas vezes colocados em situações e locais difíceis, sem direito à mais pequena reivindicação.
Diz a minha Querida Professora Primária: «acho que fui sempre uma Professora que, ao exigir disciplina nas aulas, levava os alunos a desejarem aprender e a obter muitos bons resultados nos finais de cada ano escolar. A melhor prova foi que nenhum aluno da Bismula, levado a exame, reprovou.»
Nos arredores de Lisboa, viúva, chorando a partida de alguns familiares, com doenças irreversíveis, com a sua saúde precária, mas com a força, lucidez e ânimo, na companhia de dois filhos, respetivas noras e quatro netos. Minha Querida Professora Primária, um abraço de gratidão do tamanho do mundo, do seu aluno,
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Tal como vai acontecendo um pouco por todo o lado também nos Fóios se realizou um extraordinário magusto a que chamamos «transfronteiriço».

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaFoios e Eljas são duas localidades geminadas desde 1995 e todos os anos realizam, alternadamente, um magusto. Foi no passado sábado dia 3 que aconteceu o de 2012.
Os elementos da Junta de Freguesia dos Fóios e do Ayuntamiento de Eljas programam, atempadamente, o magusto visto que ser de grande envergadura.
Para além dos duzentos quilos de castanhas e dos cem litros de jeropiga, da responsabilidade dos Fóios, nuestros hermanos preocupam-se, igualmente, com os produtos de «Su Pueblo», como seja o vinho, o mel e as azeitonas.
Este ano a animação musical foi da responsabilidade dos «Lagarteiros» – assim designados porque noutros tempos comiam os lagartos – e correu tudo na perfeição.
É que em Eljas há um grupo de jovens, muito bem organizadas, que nos divertem com as tradicionais sevilhanas que são muito apreciamos nesta bonita zona raiana.
O baile foi abrilhantado pelo «Homem Orquetra» que veio pela primeira vez aos Fóios. Animou de tal maneira o baile que os responsáveis pela capeia, do próximo ano, o contrataram para estar nos Fóios no dia 20 de Agosto de 2013.
Foi, na verdade, um dia de muita animação a ponto de muitos dos «nuestros hermanos» dizerem que o pavilhão estava a abarrotar, tal como eles costumam dizer do outro lado da fronteira.
À noite ouvi também dizer a algumas pessoas dos Fóios que os mais de duzentos espanhóis, sobretudo espanholas, animaram extraordinariamente os Fóios tendo esgotado muitos produtos nos comércios e enchido os restaurantes, tanto ao meio dia como à noite.
Afinal, com estas actividades, é mesmo isso que se pretende. Animar os pueblos e fazer funcionar a economia.
TURISMO É FUTURO.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Recebemos do presidente da concelhia do CDS-PP, Francisco Paula, o seguinte comunicado ao abrigo do direito de resposta a uma notícia publicada pelo Capeia Arraiana na passada sexta-feira, 2 de Novembro.

CDS-PP«
Em relação à vossa notícia publicada hoje (dia 2 de Novembro de 2012) assinada “plb” e com o título “CDS pode candidatar Victor Cavaleiro no Sabugal”, na qualidade de Presidente da Comissão Politica Concelhia do CDS-PP Sabugal, compete-me fazer algumas correcções que julgo serem pertinentes:
1- Ao contrário do que induz a leitura do artigo em causa, o CDS-PP indicará em momento tido como oportuno quais os candidatos que o representarão nas próximas eleições Autárquicas, quer à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia da àrea do Municipio do Sabugal.
Até esse momento o CDS-PP distância-se de toda e qualquer notícia que envolva nomes de pessoas enquanto seus candidatos.
2- A Comissão politica do CDS-PP Sabugal nunca estabeleceu qualquer contacto com as estruturas locais do Partido Social Democrata no sentido de ser efectuada qualquer coligação para o processo eleitoral em causa.
3- A estrutura politica do CDS-PP Sabugal é um organismo autónomo e politicamente independente, onde os assuntos que a sí lhe dizem respeito são discutidos internamente e debaixo da participação democrática dos seus militantes.
4- Enqunto Presidente eleito da Comissão Politica local do CDS-PP, compete-me pessoalmente, não só defender as estruturas locais deste partido politico, como esclarecer qualquer dúvida que sobre si recaiam.
Assim, ao abrigo do direito de resposta e de rectificação, (artigo 24º da Lei de Imprensa) mas acima de tudo no sentido de colaborar com o esclarecimento da verdade, o qual será certamente também do vosso interesse enquanto orgão respeitável de comunicação social local, exige-se que seja devidamente corrigida a vossa notícia,
Aproveito a oportunidade para me colocar pessoalmente ao vosso dispor para qualquer esclarecimento adicional sobre este assunto e para lembrar que qualquer notícia sobre o CDS-PP Sabugal carecerá sempre da minha confirmação enquanto Presidente da sua Comissão politica.
Com os melhores cumprimentos
Francisco Paula
»
Admin do CA

Acreditem ou não, encontrei à venda no agora badalado portal OLX senhas de racionamento da Caparica datadas de 1945. Uma mera curiosidade. Mas isso leva-me a voltar à minha linha habitual: ligar o hoje aos ontens da nossa meninice e, neste caso, da geração anterior à minha. O racionamento deixou marcas fortes nessa geração no Casteleiro. De vez em quando, já alguém falava dos tempos do racionamento.

Sempre ouvi falar do tempo em que havia racionamento na minha terra. Muitas vezes isso aparecia logo associado ao contrabando. Nunca percebi muito bem como é que isso era feito: está bem, para a minha casa só podiam vir umas colheres de açúcar por semana. Mas quem é que dizia quantas colheres?
Sempre ouvi dizer que uma sardinha era para três. Mas não sabia que isso se devia ao racionamento. Pensava que era mesmo porque não havia dinheiro para nada.
Hoje sei que se juntava tudo numa só década: a absoluta indigência das populações empobrecidas até ao limite mínimo, por um lado, e, por outro, o racionamento dos bens alimentares (e não só, mas era isso, basicamente, embora a gasolina e a electricidade também sofressem limitações).
A tudo isso somava-se o facto de para muitos bens haver uma espécie de requisição estatal permanente que se destinava a garantir que Portugal exportava para a Alemanha e para a Inglaterra uma determinada quota de pescado e de metais como o volfrâmio, por exemplo.
Tudo junto, deu uma situação de penúria total com as pessoas a terem de se defender com esquemas – cada um como podia.

Guerras e racionamento
O Casteleiro sofreu como todos os recantos do País quando na década de 40 o Estado estabelece a venda de apenas pequenas quantidades de bens de consumo – foi o tempo do chamado racionamento».
Vamos por partes. Nesses dias duros da década de 40, a Guerra Civil na Espanha (1936-39) e a II Guerra Mundial (1939-45) deixaram na penúria os países afectados, directa ou indirectamente – como foi o caso de Portugal.
Mas essa não foi a primeira vez que gerações portuguesas conheceram os mecanismos do racionamento. Não. N a1ª República, e também depois da Guerra (I Guerra Mundial, 1914-18), também foi decretado o regime de racionamento de alguns bens. De facto, a História regista que até 1921 houve falta de produtos, designadamente de açúcar.

Faltam produtos e dinheiro
Mas a época a que me vou referir é a das guerras em Espanha e na Europa (1936-45). Não havia que comer. O Estado requisitava produtos e levava-os a título de confisco. Pouco restava para as famílias que faziam a sua jeira de agricultura. Para as outras, nada havia. Eram os tempos em que a sardinha que era pescada no nosso mar ia direitinha quase toda para a Alemanha. Eram os tempos em que se havia dinheiro se comprava uma sardinha para três – história sempre repetida com o peso e a carga que se imagina da parte de quem passou pela situação e ainda se lembra dessa angústia.
Esta situação levava a que muitas pessoas produzissem e escondessem a produção a fim de sobreviverem. A GNR fiscalizava, mas nem tudo podia ver. Foi em 1943 que o regime procedeu à criação da Intendência Geral dos Abastecimentos (IGA), um organismo especial: a Intendência, como lhe chamavam. Era nos postos da Intendência que as pessoas recebiam as senhas de racionamento.
O contrabando veio ajudar e cresceu muito.

O racionamento
As famílias do Casteleiro não tinham dinheiro para comprar. Mas mesmo que tivessem, só podiam comprar muito pequenas quantidades de produtos alimentares essenciais. De que bens se fala quando se fala de racionamento nesses anos terríveis? Açúcar, azeite, leite, pão, milho, arroz, bacalhau, massa, sabão, óleo, manteiga, café, cacau, cereais, farinhas, mercearias em geral: tudo era contadinho.
As pessoas que tinham terras procuravam defender-se cultivando.
É contado que todos os bocadinhos de terra acabam por ser cultivados: quem tem e quem pode socorre-se dos legumes e dos cereais para se alimentar a si e aos filhos.
Era assim no Casteleiro e era assim no resto do país rural.
Produzia-se muito. Portugal não tem em muitas regiões solos muito ricos, sendo que a produção de searas é ainda mais rara.
Mas, mesmo assim, muita dessa produção era confiscada pelo Estado.
Ia para a tropa e para exportar para a Inglaterra e para a Alemanha, segundo se conta.
No Casteleiro, plantam-se mais legumes para consumo, criam-se coelhos, galinhas e porcos – quem pode defende-se assim.
Mas falta sempre a muitas famílias o pão e outros bens. O racionamento de pão é rigoroso. «Até o pão não escapa e passa a ser reduzido, o branco, a 120 gramas por dia e por pessoa ou, em alternativa, o pão escuro a 180 gramas. A batata é meio quilo por semana e por pessoa» (leio no «Coisas do Arco da Velha», que também acrescenta algo que corre nos contos de antigamente do Casteleiro: «A fruta e o peixe tornam-se praticamente proibitivos»).

As imagens:
1. A carta de racionamento / 1951 / Braga foi tirada do blog ‘Conta-me como era’.
2. A foto da fila de racionamento em Lisboa e a da carta de racionamento do pão foram captadas no blog ‘Citizen Grave’.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Monteiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às demais quatro anexas desta freguesia: Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO MONTEIRO

Monteiro é nome de altas honrarias
Assim o rezam velhos cronicões
Cantando fragorosas montarias
Romances velhos, trovas de truões

Com tanta fama só as romarias
Vivência funda a fé das multidões
Além o corpo mostra bizarrias
Aqui a alma pias intenções

Conforme se ilustra ou não a crónica
Pois cada um lhe apõe a sua tónica
História e lenda, fluído verdadeiro

Quem vem certificar-nos a verdade
Registo batismal e identidade
Da razão deste nome de Monteiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

O vice-reitor da Universidade da Beira Interior, Victor Cavaleiro, pode vir a ser o candidato do CDS ao Município do Sabugal.

Victor Cavaleiro parece estar disponível para liderar uma candidatura do CDS à Câmara Municipal do Sabugal nas eleições autárquicas de Outubro de 2013.
Capeia Arraiana apurou que o professor universitário, já terá conversado com o presidente da Câmara, António Robalo, sondando-o acerca de uma eventual coligação PSD/CDS. Não há ainda resposta para essa eventualidade, mas se não houver acordo Victor Cavaleiro parece estar disposto a avançar pelo CDS.
Doutor em Engenharia Civil e mestre em Geologia Aplicada, Victor Manuel Pissarra Cavaleiro, de 58 anos, é natural de Pousafoles do Bispo, concelho do Sabugal. É o actual Vice-Reitor da UBI e director do Centro de Formação e Interacção daquela Universidade, sendo ainda docente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura.
Nas eleições de 2009 o CDS apresentou a sufrágio Ana Isabel Charters, de Sortelha, obtendo apenas 212 votos, que corresponderam a 2,18% do total.
plb

O Capeia Arraiana está em condições de avançar esta sexta-feira, 2 de Novembro, que a Comissão Política do Partido Socialista do Sabugal aprovou o nome de António José Vaz para cabeça de lista nas eleições à Câmara Municipal que estão previstas para Outubro de 2013.

António José Vaz - candidato PS Câmara SabugalO Capeia Arraiana soube de fonte segura que a escolha de António José Vaz como cabeça de lista às eleições autárquicas de 2013 da estrutura concelhia do Partido Socialista (PS) aconteceu no sábado, 27 de Outubro, tendo sido já comunicada à distrital da Guarda, para ser ratificada pelos órgãos do partido.
António José Gonçalves dos Santos Vaz é actualmente director do Departamento Administrativo e Financeiro do Município de Tábua, onde exerce funções desde há alguns anos, depois de ter passado igualmente pelo Município do Sabugal, onde colaborou como técnico superior.
O eleito pela estrutura local do PS para candidato a presidente da Câmara Municipal do Sabugal foi deputado da Assembleia Municipal, entre 2005 e 2009, eleito nas listas socialistas na altura em que o candidato à Câmara foi José Freire, que perdeu para Manuel Rito, eleito pelo PSD.
António José Vaz, que tem 46 anos, nasceu no Sabugal, onde cresceu e frequentou os diferentes graus de ensino até ir estudar para Coimbra, em cuja Universidade se licenciou em Economia.
Nos termos do regulamente interno do PS para a escolha dos cabeças de lista candidatos às câmaras municipais, sendo aprovado e apresentado apenas um nome – o que terá sido, ainda de acordo com fonte segura, o caso no Sabugal – não necessita de ir a sufrágio dos militantes, pelo que o nome de António José Vaz já é dado como certo na candidatura socialista às próximas autárquicas.
Recordamos que nas eleições de 2009 o PS apresentou como candidato António Dionísio, que obteve 3.499 votos, correspondentes a 36% dos sufrágios. António Dionísio ficou a escassos 285 votos do candidato do PSD, António Robalo, que obteve a presidência do Município ainda que sem maioria absoluta.

Em declarações ao Capeia Arraiana o presidente da Concelhia do Sabugal, Nuno Teixeira, esclareceu que «o nome do candidato será confirmado depois da assembleia geral de militantes que ainda não tem data marcada».
jcl

Como é do conhecimento geral o magusto que junta Fóios e Eljas, localidades geminadas, realiza-se todos os anos, alternadamente.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaEste ano, de 2012, o convívio vai ter lugar no Pavilhão Multiusos dos Fóios no próximo sábado, dia 3, do corrente mês de Novembro, com a seguinte programação:
15h00 – Recepção a Nuestros Hermanos no Largo da Praça – Centro Cívico – em cujos mastos serão içadas as duas bandeiras nacionais, a de Foios, a de Eljas e a da Comunidade Económica Europeia.
15h30 – Atuação do Grupo de Sevilhanas
16h30 – Magusto
17h30 – Baile abrilhantado pelo extraordinário «Homem Orquestra», que consegue pôr toda a gente a bailar.
19h30 – Ronda pelos bares da localidade.
A organização é da Junta de Freguesia dos Fóios, e do Ayuntamiento de Eljas, contando com a prestimável colaboração da Câmara Municipal do Sabugal, Grupo Cultural e Desportivo dos Fóios, Damas de Casa de Eljas, Equipa de Sapadores dos Fóios, Comissão de Melhoramentos e Associação de Caça e Pesca dos Fóios.

Nota: Para além dos 300 quilos de castanhas e cem litros de jeropiga haverá também vinhos e produtos regionais provenientes de nuestros hermanos de Eljas. O magusto transfronteiriço é aberto à população das duas localidades, bem como a outros amigos que pretendam comparecer.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Sem querer alimentar questões estéreis, porque, de um modo geral, parece-me que todos estamos de acordo, não posso deixar de fazer algumas referências à questão da capeia (parece que o Sabugal não tem mais soluções e questões para resolver, mas…) e ao comentário de João Valente, sobre algo que sugeri.

(clique nas imagens para ampliar.)

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaÉ com algum sentimento de raiva que vejo como vamos debatendo questões enquanto os grandes decisores se estão, passe a expressão, marimbando para nós. A não ser assim, o País ter-se-ia desenvolvido de forma mais harmoniosa, menos assimétrica e talvez houvesse menos problemas que aqueles que agora temos em Portugal.
O concelho do Sabugal é bem o exemplo da incúria dos sucessivos governos e um espelho do Interior. Com uma grande extensão o Sabugal só não tem perdido território, porque, quanto ao resto: população e serviços, por exemplo, é o que se sabe. E nem se pode dizer que a culpa pode ser só imputada aos governantes locais, pois a corda da fronteira sofre do mesmo mal. É por isso que recorrentemente insisto que ninguém fará nada por nós; a mudança far-se-á ou não pela nossa ação ou pela falta dela. Não estamos entregues à nossa sorte, mas perto disso.
É pela perspetiva estrutural, mas também conjuntural, que nos vamos agarrando àquilo que pode ajudar ao desenvolvimento ou, pelo menos, a evitar o definhamento. Compreende-se, assim, que por argumentos racionais, mas também emocionais, haja quem, exageradamente, considere a capeia arraiana a maior indústria do concelho. Consciente dessa importância, na economia dos afetos e na identidade cultural, a câmara do Sabugal resolveu acrescentar valor e preservar aquilo que é uma marca única. A classificação da capeia como Património Cultural Imaterial e as jornadas que decorreram dias 19 e 20 de outubro, no Auditório Municipal, subordinadas ao tema «Pensar a tauromaquia em Portugal – diversidade, valorização, sinergias», são um bom exemplo.
As jornadas apresentaram um vasto leque de assuntos e pessoalmente só posso lamentar não ter podido estar presente em todas as intervenções por razões profissionais. Infelizmente também não terão estado tantas pessoas quantas as que seria desejável, algumas com obrigações, mas as coisas são mesmo assim. Talvez noutro contexto temporal fosse mais apelativo – a festa dos touros quer calor. Ainda assim, perdeu quem esteve ausente, como por exemplo a intervenção de Luísa Mendes Jorge, arraiana, da Faculdade de Medicina Veterinária, que apresentou alguns dados preliminares sobre um estudo com caráter científico sobre o impacto socioeconómico da capeia arraiana. Aguardo com expectativa a conclusão desse estudo que trará alguma luz sobre um aspeto a propósito do qual tanta gente opina, mas ninguém apresenta dados concretos.
Reconhecida essa vertente económica da capeia, considera-se que deve potenciar-se sem, contudo, adulterar a sua essência. Na intervenção que tive fiz questão de frisar esse risco; que o sucesso mediático da capeia pudesse ser causa da transformação em algo que não corresponde a uma manifestação de cultura popular, que emanou do Povo e é propriedade do Povo e de mais ninguém. Foi nesses termos, como salientou Paulo Costa, da Direção-geral do Património Cultural, que a capeia arraiana obteve a classificação. Portanto, há uma matriz que engloba várias facetas, nomeadamente o contexto geográfico, o facto de ser uma festa do Povo, consequentemente não comercial, como acontece com outras manifestações tauromáquicas, e, ainda que «cada terra com seu uso», é essa diversidade e unidade que a tornam única, razões mais que suficientes para «não andar com o forção para todo o lado» e manter as coisas nos termos da inventariação. Pela parte que nos toca, em Aldeia Velha continuarão os carros de vacas, continuará o Rol e tudo o resto que é ancestral, continuar-se-á a receber bem quem quiser aparecer, mas sem esquecer que é o folguedo dos da terra.
Postas as coisas nos termos anteriores, não devemos esquecer que nestas terras vive gente, que gostaríamos que mais gente se mantivesse e outra regressasse e que todos tivessem uma qualidade de vida adequada aos tempos atuais, preservando as tradições, mas sem aquela ideia que basta o ar puro e a paisagem para se viver feliz.
É por isso que não vejo mal nenhum em ter iniciativas que possam ajudar as pessoas. A capeia é a capeia, o rock é o rock. Uma coisa não tem nada a ver com outra. No entanto, nada impede que a Raia tenha um grande festival de verão para a juventude que seja potenciado pelas nossas tradições. O pão é o pão e o queijo é o queijo, mas nada nos impede de comer pão com queijo e se for pão centeio, malhado ao mangual e moído num moinho recuperado, para não esquecer como se fazia antigamente, acompanhado de um queijinho de cabra, daqueles que nós conhecemos, nem perde o pão nem o queijo.
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

Fez há pouco 38 anos. Era o dia 2 de Outubro de 1974. O «meu» avião veio de Luanda e aterrou em Lisboa. Era um dos dois Boeings 744 da tropa. Tinha acabado o pesadelo. O maior pesadelo de sempre. Do Casteleiro a Buco Zau. Nada de muitos pormenores: só um cheirinho. Esta é uma parte não despicienda do património psicológico de cada uma das nossas aldeias.

Por uma vez, e sem exemplo, por causa da efeméride do meu regresso da guerra, hoje saio da rotina desta rubrica e falo «de mim», mas sobretudo de nós, os que por lá passámos. Claro que o meu caso é igual a muitos. Mas é do meu que sei falar. Das marcas, dos traumas, das dores de espírito eternas e fundas. Tão fundas que ainda duram e durarão em mim e em todos nós.
Eu, como tantos jovens da minha terra, tínhamos ido à guerra colonial.
No meu caso, o destino foi uma vilória no meio da floresta virgem do Maiombe, em Cabinda, a 14 km do Congo Brazzaville e a 21 do Congo Kinshasa.
Não vou contar desgraças da guerra. Isso, já está tudo espremido. Foram dias do diabo. 27 meses. Sempre a pensar que podia ser o último segundo. G3, granadas, bazookas, HK 21, lança-granadas-foguete… de tudo. E sempre tudo a rebentar, a disparar, a lembrar que não era treino mas coisa séria. Tudo marcadinho na memória até agora.
Mas não é por aí que quero ir, hoje.
Vou fixar o leitor e prendê-lo a dois ou três pormenores – menores, uma ova, são mas é «pormaiores», melhor: «pormáximos»: também cá estão até hoje.

Esta palavra Mendes
Há coisas que fora daquele contexto não têm qualquer importância. Mas ali tudo ganhou de repente tanto peso psicológico…
Por exemplo – e só para começar este desvio inabitual em quem fala da sua guerra, dos seus traumas de guerra –, a questão de como me chamo e de como me chamam.
O meu nome de baptismo é assim: josé carlos mendes. Pus em minúsculas de propósito, para dizer que aqui se trata apenas de palavras, cada uma por si, sem reportarem à pessoa.
Antes da tropa, em todo o lado, o meu nome era apenas duas palavras. E assim voltou a ser depois daqueles malditos 37 meses. Zé Carlos.
Mas na tropa o meu nome não era esse, não, senhores: era Mendes.
Mendes.
Que estranho.
Aquilo na tropa não é (pelo menos não era) a brincar. Sim, para todos menos para mim, eu era agora Mendes.
Eu ouvia:
– … Mendes.
Ouvia «Mendes», mas não reagia logo.
Só depois é que o meu cérebro traduzia:
– Eh, pá, agora Mendes é igual a Zé Carlos.
E era então que respondia.
Ora aqueles décimos de segundo de atraso na resposta do cérebro foram tão importantes que me marcaram para o resto da vida: é uma situação que me incomodou sempre. Quando me lembro, essa memória ainda me arrasta outra vez para os cenários da tropa.
Muitos e cada um mais complexo que o outro.
Primeiro em Mafra em Julho de 1971, depois em Lamego, na Amadora (á espera de embarque), viagem para Luanda em 2 de Agosto de 1972 (nove horas de avião com o batalhão todo), por fim em Cabinda, junto do Rio Luáli (o que significa rio do ouro – e onde de facto havia, diziam, pepitas de ouro, e onde, sintomaticamente, fui encontrar um fazendeiro de Penamacor, Viriato de seu nome).
Claro que a questão do nome pelo qual me chamavam, visto no conjunto, não tem qualquer gravidade, se comparada com as emboscadas, os tiros, o fogo de reconhecimento, a defesa imediata ou a Curva da Morte, a caminho de Sangamongo e do Chimbete.
… Poupo os leitores a esses momentos horríveis…
Mas chamarem-me Mendes foi tão diferente que acabou por me marcar de forma surpreendente. Estranhamente, isso acabou por ganhar força dentro de mim.

Anotações finais
O Casteleiro e as nossas aldeias estão seguramente cheias de pessoas com memórias destas. Mas poucos falam delas. E menos ainda têm um local onde exprimir essas «mágoas» da vida real. Nesse aspecto, esta é uma história do Casteleiro mas é mais do que isso: é uma história do País todo.
Vejam como simplesmente o nosso nome, uma coisa que ao leitor parece tão simples, no meio das conhecidas misérias daquela desgraçada guerra, acabou por me marcar para sempre. Claro que tudo ali ganhava uma dimensão enorme porque corríamos perigo de vida e isso é que marcava cada segundo.
E, milagre dos milagres, passados estes anos todos, tudo está tão nítido cá dentro. Tudo, em cada pormenor.

… Desculpem ter trazido isto para aqui, mas não pude evitar, por uma vez. É que tudo aquilo ainda dói muito. Basta-me ouvir aqui passar um Puma (é um heli pesado da tropa) e volta tudo ao de cima. E passam aqui tanta vez…
Estive 20 anos sem falar do assunto, tal era o trauma. Um dia, a pedido, escrevi umas crónicas no «Notícias da Amadora». Depois, de forma esparsa, contei coisas destas há uns tempos aqui, aqui, aqui e aqui.
Se tiver algum interesse, dê um olhinho.
E nunca esqueça o mais importante: o meu caso é apenas um em muuuuuitos milhares.

Nota
O ‘Capeia’ tem muitas visitas
– Quero deixar aqui um registo sobre as estatísticas deste blogue, porque vale a pena chamar a atenção do leitor. Trata-se das estatísticas principais de leitura e de popularidade. Registei-as no dia 25 de Outubro, às 10.30 h, e são as seguintes: 1- ESTATÍSTICAS: Visitas únicas – 1 885 159; Páginas lidas – 2 797 800. 2 – VISITANTES: On-line – 12 (em simultâneo naquele momento). 3 – ENTRADAS MAIS POPULARES: 1 – A casa onde nasceu Manuel António Pina; 2 – Praça Manuel António Pina; 3 – Casteleiro: o cultivo do linho; 4 – Sabugal tem fábrica de caldeiras a biomassa; 5 – Palace Hotel de Penamacor já está a funcionar.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Foram plantados medronheiros no mesmo local onde em Janeiro de 2012 a Câmara Municipal do Sabugal cortou árvores centenárias, com o pretexto de que poderiam cair sobre os carros estacionados e de que era necessário requalificar o largo.

Os trabalhos na Praça da República, centro administrativo do Sabugal, decorreram na semana passada, sendo arrancados os «toros» e as raízes das antigas árvores e seguidamente colocados medronheiros no seu lugar.
O medronheiro é um arbusto de folha persistente, que pode atingir os cinco ou seis metros de altura, apresentando ramos recurvos e copa arredondada. Quando carregada de frutos a planta adquire uma redobrada formusura, especialmente quando os medronhos amaduram e adquirem a cor rubra. Outro elemento de beleza são as flores do medronheiro, que aparecem no Outono, de cor branca com raias cor de rosa, que normalmente formam cachos pendentes.
A decisão pelos arbustos em detrimento de árvores clássicas de jardim, está a motivar polémica. Para muitos as memórias do local imporiam que fossem plantadas árvores da mesma espécie ou similares às que foram abatidas. Alega-se também ser algo raro encontrar espaços públicos onde o medronheiro seja árvore de ornamentação, antes sendo arbusto que cresce sobretudo no campo. Alega-se também que quando os medronheiros derem frutos os mesmos cairão ao solo, ficando sujeitos a serem esmagado e assim tingirem a calçada ou as pessoas que passam, sendo também por isso considerada uma espécie nada apropriada para o local em questão.
Diversa literatura diz-nos que na antiguidade os romanos usaram medronheiros para ornamentação sendo comum haver destas árvores nos jardins de Roma e de outras cidades do Império. Contudo, há muito que este arbusto não é normalmente usado para este fim, com raras excepções, como é o caso do jardim envolvente à Escola de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, no Alentejo, e também, agora, na praça mais emblemática do Sabugal.
plb

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Como se pode verificar pelas imagens, os melhoramentos vão aparecendo e tudo vai ficando limpo, seguro e agradável.
«Obrigado por ajudar quem ajuda».

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia sulista do concelho: a Bendada. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às cinco anexas da freguesia: Quinta do Monteiro, Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

BENDADA

O nome com sonâncias de benesse
Reflete desde logo pia obra
Aquele que bem dá certo merece
Ainda que só dê o que lhe sobra

Os donativos valem como prece
Ou mais até quando a fé redobra
Ou quem dando oferta o que carece
Os ceitis da viúva Deus desdobra

Registos são prenúncios de um futuro
Premarca o nascimento o nascituro
Traçando o roteiro que lhe agrada

A pia batismal aqui no caso
Marcou um horizonte sem ocaso
Lançando suas bençãos á Bendada

«Poetando», Manuel Leal Freire

Decorreram no passado fim-de-semana, no Sabugal, as jornadas subordinadas ao tema «Pensar a touromaquia em Portugal – diversidade, valorização, sinergias». O programa era vasto e o tema motivador, multiplicando o interesse. Interesse este, que não ficou defraudado com intervenções inteligentes e, permitam-me, aficionadas.

Logicamente que a questão central se centrava na capeia arraiana, mesmo que tal não fosse propriamente a génese das jornadas. Contudo (e era inevitável), o interesse estava naquela que é a maior manifestação cultural do concelho do Sabugal. E sendo assim, o primeiro apontamento que registo é o facto das autodenominadas onze freguesias onde se realizam capeias arraianas, não terem estado presentes praticamente nenhum Presidente de Junta de Freguesia (creio que estiveram dois!). E aqui, perdoem-me a franqueza, mostra como tratamos aquilo que é nosso. Sabiam que a capeia arraiana é património cultural imaterial nacional? E que é o primeiro e único registo deste tipo? Como podem estar preparados para rentabilizar, dinamizar, preservar e desenvolver esta tradição e este fenómeno? Não podem. E não podem porque não sabem e nem se preocupam em saber. Perderam uma excelente oportunidade de se informarem, de tirar dúvidas e de exporem preocupações. Lamento. Também um apontamento para a ausência de gente e de aficionados. A sala apresentou-se demasiado vazia. E podemos tirar algumas conclusões; ou desinteresse, ou deficiente publicitação ou data da realização inadequada (uma sexta-feira é sempre complicado). Todas elas podem estar certas. Mas confesso, desejo que não seja o desinteresse o que tenha motivado tamanha ausência de gente.
As intervenções foram, todas elas, de grande qualidade. Desde as intervenções mais técnicas às mais substantivas historicamente. Intervenções empenhadas e que foram muito além do discurso racional. Demonstrando, também ali, que a relação com o touro é, essencialmente, paixão. E é a paixão pela capeia arraiana que me leva a outro apontamento, o pouco tempo que houve para o debate. Sei que o programa era apertado, vasto, o que não dava muita margem de manobra. Mas… faltou um diálogo mais profundo sobre a capeia. Pois era esse o principal objectivo das pessoas que ali foram. O que me leva, também, á espectativa da realização de mais eventos sobre o tema e deste calibre.
Só uma curiosidade, de todos os concelhos que estiveram representados e com manifestações taurinas, todas elas têm eventos na própria sede de concelho, menos o Sabugal. Mera curiosidade…
Não deixo de manifestar as minhas felicitações para a e pela realização destas jornadas.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O Presidente da República vai dar posse, amanhã, dia 26 de Outubro, a Jorge Barreto Xavier, que substitui Francisco José Viegas como secretário de estado da Cultura. O novo membro do governo está ligado ao Sabugal, onde residiu e estudou enquanto jovem.

Jorge Barreto Xavier, de 47 anos, é professor no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e ex-diretor-geral das artes, cargo que ocupou entre 2008 e 2010.
Francisco José Viegas saiu do governo a seu pedido, alegando razões de saúde.
O novo secretário de estado da Cultura nasceu em Goa, na Índia, vindo ainda criança para Portugal. Nos anos 70 a família instalou-se no Sabugal, onde o pai, Filomeno Barreto Xavier, foi conservador do Registo Civil. Jorge Xavier frequentou aí o na altura designado ciclo preparatório. Foi depois para a Guarda e dali seguiu para Lisboa, onde prosseguiu os estudos.
Licenciou-se em direito na Universidade de Lisboa e doutorou-se em Ciência Política na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (especialidade Políticas Públicas). Possui ainda uma pós-graduação em Gestão das Artes, obtida no Instituto Nacional de Administração.
Desde jovem que dedica a sua actividade profissional à cultura, tendo sido fundador do Clube de Artes e Ideias. Mais tarde, entre 2003 e 2005, foi vereador da cultura, juventude e defesa do consumidor na Câmara Municipal de Oeiras. Em 2008 foi diretor geral das Artes, nomeado pelo ex-ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro, apresentando depois a demissão, por divergências com a nova ministra, Gabriela Canavilhas.
É autor e co-autor de diversas publicações, com especial incidência nas áreas das artes e das políticas culturais.
Em 26 de Janeiro de 2012, Jorge Barreto Xavier esteve na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa, como convidado especial de um grupo de naturais e amigos do Sabugal que ali reuniram para jantar e trocar ideias acerca do futuro da região. «A cultura é o que nos liga», disse nessa ocasião Barreto Xavier, considerando que a economia passou a dominar as nossas vidas, em detrimento do tempo livre, do lazer e da cultura, que foram atirados para um canto da nossa existência. Reveja aqui a notícia desse encontro.
plb

A Câmara do Sabugal vai requalificar a Praça da República, arrancando os cotos das árvores que cortou em redor do chafariz, plantando de seguida, ao que parece, uns medronheiros.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAssim como assim, a República já anda de «penas para o ar»…
O crime de cortar as árvores, já não pode a Câmara repará-lo. Como dizia o Manuel António Pina, no prefácio de um livro sobre o mundo das árvores, elas «são seres silenciosos que, a nosso lado, partilha quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mas damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima. A maior parte das vezes pouco mais somos capazes de dizer do que “árvores”, porque também as nossas palavras se foram, pouco a pouco, tornando silenciosas. E, no entanto, cada árvore, como cada um de nós, é um ser absoluto e irrepetível, idêntico e apenas mutuamente a si mesmo, uma vida única com uma história única, um passado para sempre atado, de forma única, ao nosso próprio passado».
Mas pode muito bem, se quiser emendar a mão, minimizando o estrago, da forma como passo a explicar:
Manuel António Pina teve uma ligação afectiva com aquele largo, aquelas árvores e aquele chafariz que se situa bem defronte da casa onde nasceu, como podem testemunhar algumas pessoas que com ele privaram na intimidade e ouviram histórias das suas brincadeiras naquele largo.
Numa recente entrevista o Manuel A. Pina manifestou a sua gratidão por ter sido lembrado e agraciado pela câmara da sua terra natal, terra essa a quem o ligava um profundo afecto, testemunhado nessa mesma entrevista.
Na TSF, por ocasião da morte do poeta, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura e amigo do poeta, que sabia da paixão daquele por gatos e árvores, sugeriu que em nome do poeta maior, que desapareceu, devia ser plantada uma árvore.
A árvore que mais associada está ao poeta, por estar no seu quintal, é a macieira, conforme refere o poeta num poema do seu livro «Como se desenha uma casa»:
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Porque não dá a câmara ao Largo o nome do poeta e planta em redor da fonte umas macieiras?
É coisa simples de fazer, homenageava-se um homem bom e excelente poeta da terra, e ouro sobre azul, apagava-se a burrice feita!

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina, falecido esta sexta-feira, 19 de Outubro, transcrevemos, com a devida vénia, um excerto da entrevista que em 2009 Pedro Dias de Almeida, editor de cultura da revista Visão fez ao escritor sabugalense, dias antes do mesmo se deslocar ao Sabugal, onde foi homenageado pela Junta de Freguesia, descerrando uma placa na casa onde nasceu. A entrevista seria depois publicada na revista cultural Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda.

«- Há vários temas recorrentes no teu discurso poético. Um deles é a infância. E, às vezes, associada à infância aquela ideia do regresso…
– A casa. É engraçado, e agora vou lá ao Sabugal, à primeira casa de todas…
E perguntava-te se quando falas nisso há uma casa concreta na tua cabeça, uma casa a que sempre voltas…
– Lá do Sabugal pediram-me um verso para pôr lá na placa, na casa. Encontrei vários versos que falam nisso mas nenhum que servisse para pôr lá, eram todos muito grandes. Em alternativa propus-me ler alguns poemas que falam da casa, do regresso a casa. Mas… Não há nenhuma casa concreta, de facto. A casa é a origem, é a morte. Tenho um livrinho pequenino que se chama Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, e a casa é também isso, o sítio onde pousar a cabeça. Isso em termos mais gerais. Agora, em termos mais particulares: eu tive uma vida… saí de lá do Sabugal, descobriram agora, com seis anos… eu não me lembro. O meu pai tinha uma profissão – era chefe de finanças, que acumulava com juíz das execuções fiscais – que estava abrangida pela lei do sexanato, só podia estar seis anos em cada terra. A ideia era mesmo não deixar criar raízes, amigos, influências, essas coisas. Como na altura não havia escolas e liceus em todo o lado, o meu pai começava a pensar mudar logo ao fim de três ou quatro anos para sítios onde houvesse ensino para mim e para o meu irmão… No sítio onde gostou mais de estar, que foi na Sertã, a situação arrastou-se, arrastou-se, e ao fim de seis anos foi mandado para os Açores, para Santa Cruz da Graciosa, mas como eu sofria dos pulmões conseguiu mudar… Para mim, tudo isto teve uma consequência: era uma situação quase de Sísifo, estava sempre a fazer amigos e a desfazê-los, e a fazê-los de novo com a consciência que eram para ser desfeitos, a estabelecer relações sabendo que iam acabar ao fim de três ou quatro anos. Os amigos mais antigos que eu tenho são aqui do Porto, de quando cheguei, aos 17 anos. E aqui, como havia vários bairros fiscais, o meu pai ia mudando de bairro.
Mas quando falas de casa nos teus poemas da infância, nunca é essa casa do Sabugal? Não tens nenhuma recordação dela?
– Tenho… Mas agora confundo porque já lá voltei uma vez. A senhora que comprou a casa dos meus pais convidou-me uma vez a entrar. Tinha umas memórias assim muito obscuras. Ainda tenho uma espécie de melancolia por andar sempre assim a mudar de casa… Mas tenho memórias, claro. Lembro-me de alguns nomes de miúdos, mas não tenho amigos da escola primária. Fiz a primeira classe em Castelo Branco, a 2ª, 3ª e 4ª na Sertã, o 1 º ano de Liceu em Cernache do Bom Jardim, depois Santarém, o 3º outra vez em Cernache, o 4º em Oliveira do Bairro, o 5º e 6º em Aveiro, e o 7º é que já fiz aqui no Porto. Eu detesto viajar. Uma vez estava em Bordéus, fizeram-me uma entrevista e a jornalista disse-me “se calhar não gosta de viajar por ter andado tanto de terra em terra”, e eu tomei consciência disso, que se calhar é verdade… O melhor das viagens, para mim, é o regresso. Quando chego ao Porto, quando sei que atravessei a fronteira… Digo num poema meu: “O ideal é não nos afastarmos da casa mais do que nos permite metade das nossas forças”, que é para regressarmos. E falo também de “ver sempre ao longe a cor do nosso telhado”. O meu percurso biográfico sublinhou essa melancolia em relação às origens, à casa… Esta homenagem no Sabugal até me permite o reencontro com uma casa concreta, com raízes concretas… Na verdade, nunca tive raízes em parte nenhuma.
Mas nasceste ali, naquela casa.
– Nasci ali, sim, naquela casa. E a minha memória mais antiga que tenho é do Sabugal. Tenho duas memórias muito antigas. Uma é muito vaga… Estas memórias não sabemos se fomos nós que as construímos, ou… Como aquela frase do William James: “A memória é uma narrativa que nós vamos construir com aquilo que desejamos e com aquilo que tememos”…
E tu escreveste: “Por onde vens passado, pelo vivido ou pelo sonhado?”…
– Pois é. Anda tudo muito misturado. Não sei se foi a minha mãe que me contou… Como diz também o William James, nós não nos lembramos do passado, lembramo-nos da última vez que nos lembrámos. E quem se lembra de um conto, aumenta um ponto, ou diminui um ponto. Vamos construindo sempre uma narrativa… Mas esta eu sei que me lembro mesmo. A memória mais antiga que eu tenho é numa fonte de mergulho, eu devia ter uns três ou quatro anos – e ainda lá está essa fonte, eu já contei isto à senhora que está agora lá na casa, a Natália Bispo. Para mim essa fonte era muito grande, mas agora já verifiquei que é pequenina. Numa fonte de mergunho a água não corre, as pessoas apanhavam a água mergulhando um balde. Nesta minha memória estou com um chapéu de palha e há um miúdo qualquer que pega no meu chapéu de palha, atira-o à água, e vai-se embora. E eu não fui apanhar o chapéu, por orgulho, porque achava que era uma injustiça, ele é que devia ir… Ele não foi, e eu também não fui. Cheguei a casa sem o chapéu de palha e, deve ter sido muito traumatizante para ainda me lembrar, cheio de medo de ser castigado… E estava lá a minha mãe, com a melhor amiga dela, a Ti Céu. Lembro-me da minha mãe me ralhar e me dizer para ir lá buscar o chapéu, e eu dizer ‘não vou, não vou, não vou’, e a minha Ti Céu (que não era mesmo minha tia) é que acabou por ir lá buscar o chapéu. E deu-mo, molhado e tudo. Estava cheio de medo, mas não fui castigado. E tenho uma memória mais antiga, de que julgo que me lembro vagamente: estou sentado numa daquelas cadeiras altas, preso, porque era uma daquelas cadeiras para dar comida às crianças, e a casa está a arder. Isso aconteceu de facto. Tenho uma memória disso, foi aflitivo, pelos vistos. Não me lembro da casa a arder, na minha memória é fumo. E eu, ou esse de quem eu me lembro, está muito aflito, porque está amarrado, não consegue sair da cadeira… A minha mãe estava a dar-me de comer e, ao mesmo tempo estava a aquecer água num daqueles fogareiros a petróleo para dar banho ao meu irmão, 15 meses mais novo do que eu. O meu irmão começou a tentar dar à bomba do tal fogareiro e a água a ferver caiu para cima dele. Ele gritou e a minha mãe foi a correr para a cozinha, pensou que ele ia ficar cego. Pegou nele e desceu as escadas a correr, não sei para onde, para o hospital, para um médico qualquer… O fogareiro caiu e incendiou a casa, a cozinha começou a arder. Estes pormenores contou-me a minha mãe, depois. Eu estava lá sozinho, preso, e foi uma vizinha que viu a minha mãe a sair aos gritos de casa, e viu depois o fumo, que foi lá buscar-me. Só me lembro da parte do fumo e de ficar sozinho e cheio de medo, com a minha mãe a sair de casa aos gritos… As memórias que tenho dessa casa são essas. Depois tenho umas memórias obscuras de escadas, talvez por isso é que falo tanto de escadas, de corredores…
Um portão velho…
– O portão velho de que falo mistura-se com outras casas, com a de Oliveira do Bairro, provavelmente… Havia o tal portão em ruínas, nas traseiras, por onde eu saía para ir apanhar o comboio para Aveiro, tinha uma ameixieira, e o tal portão velho de madeira… Mas misturam-se umas casas com as outras, a verdade é essa.
O teu lugar da infância são lugares, vários lugares, não o associas ao Sabugal…
– São lugares, sim. Essa coisa do regresso a casa é tão importante para mim, que um dos meus pesadelos infantis era eu ir para a escola – nessa casa da Sertã, em que eu tinha que atravessar a rua para ir para a escola – e a certa altura começava a passar um comboio na rua que não me deixava voltar para casa… Esse comboio era um comboio eterno, sempre a passar, a passar, a passar; eu estava do lado de cá e havia esse comboio entre mim e a casa… Por isto tudo é que a casa aparece muito nos meus poemas. Casa. Mãe. Muito associada à infância, sim…
Também falaste logo de morte, há pouco, a propósito da casa…
– Tem que ver, tem que ver… A morte também é uma mãe, é maternal, é um sossego. Sai-se do ventre da mãe e entra-se no ventre da terra, não é? Tem essa coisa de acolhimento, de serenidade, de tranquilidade. De regresso. É uma coisa engraçada: desde miúdo sempre tive uma noção circular de tudo. Concebia o mundo sempre numa estrutura circular. Havia uma frase engraçada que a minha mãe me dizia, e sei onde foi, foi em Castelo Branco, tinha eu 6 ou 7 anos, ou menos… Lembro-me de querer ir para a rua e a minha mãe não me deixar… [Pausa] Acho que eles estão enganados, eu devo ter saído do Sabugal com 4 anos, não foi com 6, porque ainda não dizia ‘érre’ dizia ‘éle’… Vivíamos nessa altura na casa do Bairro do Cansado e antes tinhamos vivido no bairro do quartel. Os meus pais viviam com bastantes dificuldades económicas, até arrendavam quartos, na primeira casa esteve lá um sargento, do quartel em frente. Tenho duas memórias dessa casa, também… E acho que é a primeira vez que estou a contar isso a alguém, normalmente ocorrem-me quando estou sozinho. Uma: um dia o sargento trouxe-me um pássaro que ele achou; eu andava excitadíssimo com o pássaro mas ele fugiu, deixei fugir o pássaro e fiz uma gritaria, queria o pássaro… Ali fiquei à janela com uma grande raiva ao pássaro por me ter abandonado. E lembro-me da frase do sargento: ‘Não te preocupes, logo te trago outro’ e de eu responder ‘não quero outro, quero aquele! Vamos lá buscá-lo de avião!’. Queria ir apanhá-lo de avião… Essa é uma. A outra memória tem a ver com a tal noção circular do universo. Lembro-me de a minha mãe não me deixar ir para a rua, para a ‘lua’, como eu dizia, e de eu dizer assim: “Ai, não deixas? Vais ver que quando tu fores filha e eu for mãe, também não te vou deixar!” A vida circular, lá está. Afinal ainda tenho outra memória, traumatizante… Os meus pais viviam com muitas dificuldades económicas, num andar, e um dia fui a casa da vizinha de cima e vi uma nota de 20 escudos, que em 1947 ou 1948 era muito dinheiro, em cima da mesinha de cabeceira. E roubei-os. Nunca falei disto, também…
Então é uma grande confissão, agora…
– Não faz mal, já prescreveu… [risos]. Roubei-os para os dar aos meus pais, porque estava sempre a vê-los a discutirem por causa das despesas, porque não havia dinheiro… Aquilo afligia-me muito. Peguei nos 20 escudos e levei-os à minha mãe. Ela perguntou-me onde é que eu os tinha arranjado, e eu lá acabei por contar… E ela então obrigou-me a ir pôr o dinheiro outra vez lá em cima. Eu, claro, não queria ir, com medo de ser apanhado, encontrar a vizinha. Castigaram-me, e eu já estava a chorar desesperado, quando a minha mãe me disse “vai lá descansado que eu tenho a certeza que ela não está, nunca saberá”. Lá fui pôr o dinheiro no sítio onde estava e voltei para casa a correr. Soube depois que ela disse à vizinha para sair dali, para se esconder, para ir lá eu e aprender a lição. São estas as minhas primeiras memórias. As coisas mais traumatizantes que tive…
(…)»

A Câmara Municipal da Guarda aprovou na reunião desta segunda-feira, dia 22 de Outubro, um voto de pesar pela morte do escritor sabugalense Manuel António Pina.
O texto aprovado considera o poeta «um dos nomes maiores da Poesia e da Cultura em Portugal» e «grande intérprete da realidade social e interventor crítico e lúcido».
«Manuel António Pina deixou-nos uma obra vasta, que se reveste de sensibilidade, emoção e ironia. Enquanto pessoa e enquanto beirão, mereceu-nos a maior admiração e deixa-nos um sentimento de perda e de enorme saudade», lê-se ainda na deliberação aprovada pela Câmara.
A Guarda homenageara Manuel António Pina no final de 2009, através de um ciclo de iniciativas a que deu o nome do escritor. ainda em sua homenagem criou, nesse ano de 2009, um prémio literário, que todos os anos galardoa um trabalho de poesia e de prosa, alternadamente.

plb

No Casteleiro, até há 40 anos, durante três ou quatro meses em cada ano, muita gente, desde que tivesse um pedaço de terra à beira da ribeira, tinha uma tarefa muito interessante – mas muito, muito trabalhosa: dedicava-se ao cultivo e tratamento do linho, desde a semente até ao lençol branquinho, às camisas ou às toalhas e panos.

A Humanidade já conhecerá o linho há nada menos do que 5.000 anos A. C. e na Península haveria milho em 2.500 A.C.. Com o linho fazia-se roupa e diversas peças de uso doméstico, como camisas ou lençóis, e até religioso, como toalhas de altares.
Tudo começava pela sementeira. O linho deve ser semeado em terreno húmido e com bastante água. Isso, semear o linho, acontecia em Março e Abril. Mas o linho tem um ciclo natural rápido: três a quatro meses depois, estava pronto a arrancar e… começar uma infindável série de operações até obter o tecido de linho.
Depois de semeado, o linho exige muita rega, muita água.
(Note. Eu estou a escrever como se ainda se cultivasse o linho no Casteleiro. Mas não. Já desde os anos 70 que a tarefa rareou na minha terra e hoje nem existe).
O que era o linho? Que aspecto tinha?
Deve haver leitores que se calhar nunca o viram a não ser já costurado…
O aspecto da planta é o dos cereais, de palha. A altura é um pouco menor do que a do centeio ou do trigo.
De resto, a «seara» de linho era idêntica a qualquer outra das searas que bem conhecemos.
Mas não é ceifado: é arrancado (com raiz e tudo).

Começa agora o cabo dos trabalhos
O linho dava muito trabalho. Sobretudo depois de ser arrancado. Se não, leia: arrancar, levar para a ribeira para curtir, enterrado na água e tapado com areia durante quinze dias, estender na areia para secar em molhitos encostados uns aos outros, levar para casa… e aí outra série de tarefas infindáveis e duras, até à fiação e à feitura / costura das peças desejadas: lençóis, toalhas etc..
Logo para começar, era preciso bater o linho de forma bem forte, com uma maça própria, de madeira e durante muito tempo. Havia até quem passasse dias inteiros a bater o linho num passeio de pedra que lá havia ou num banco de pedra. Bater muito. Quase até à exaustão.
Segue-se outra operação dura: esfregar à mão para limpar até saírem as praganas todas.
Depois, o linho era espadelado – com um instrumento específico chamado mesmo espadela. Essa operação era feita contra um cortiço, mas, fazem-me notar, sem bater na cortiça para não partir o linho.
É que, nestas operações de preparação do linho, ainda há mais isso: tarefas duras e feitas com cuidadinho, para que o produto não fosse adulterado…
Agora, atenção: do linho-caule saem pelo menos dois produtos finais: o linho ele mesmo, produto fino, mais delicado, e a estopa, mais grosseira, menos limpa de fibras, digamos.
Onde se faz essa bifurcação? Depois de espadelado, o linho era ripado «até ficar muito fininho e molinho». E separado: para um lado o que havia de ser o linho propriamente dito, mais fino, e para outro lado, os «tumentos», mais grosseiros, de que haveria de resultar a estopa.

Os teares da aldeia
Da fiação ao tear, vai ainda muito trabalho. Logo para começar, o linho era fiado, com roca adequada. Daí passava-se à dobadeira para fazer as meadas e ao argadilho para fazer os novelos.
Sabem o que era uma estriga de linho?
Nada menos do que a quantidade de linho ainda em «rolo», digamos, que as mulheres punham na roca para depois o puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem os fios, enrolando-os no fuso (fiar é isso).
… Tudo ia depois à barrela em água a ferver com cinza num cesto, até o linho amolecer (o linho era um material muito duro – uma camisa ou um lençol de linho duravam uma vida).
Agora, então, os teares.
Havia na aldeia três ou quatro teares. Peças-chave do processo. Era aí que as artesãs populares, grandes artistas do ramo, exerciam com mestria o seu mester… Eram apreciadas por toda a gente e eram indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer os lençóis, as camisas (dantes), as almofadas, as toalhas compridas e de rosto, em geral com franjas, os panos para tapar os tabuleiros dos presentes de casamento e similares.
No tear, o fio de linho era manobrado com a ajuda de um pequeno instrumento oval comprido chamado «canela».
As peças de tecido de linho iam por fim para a ribeira durante mais alguns dias para corar ainda mais ao sol – tinham de ser sempre regadas permanentemente.
Só depois é que eram cortadas em casa para fazer as utilidades (roupa de cama e outra, as utilidades para a casa etc.).
Um pequeno registo sensitivo final: o cheirinho dos lençóis de linho daqueles tempos é inesquecível. Perdura uma vida inteira.

1.
Nota sobre as fotos

Havia milhares de fotos que podiam ser seleccionadas para esta peça. Escolhi três:
– roupa de cama em linho,
– uma dobadeira,
– e, numa mesma foto, uma espadela e uma roca, utensílios guardados há décadas e expostos cá em casa.

2.
Aparte

Na sexta, na peça sobre a morte de Manuel António Pina, fiz um comentário. Mas esse texto ficou incompleto. Propositadamente incompleto, porque não era justo falar de outra coisa naquele momento. Mas ficou guardada e vai agora: a foto de MA Pina, da autoria de Kim Tomé, é especial. Muito especial, em meu entender.
Fica aí o aparte, porque é justo. Se quiser voltar lá, clique aqui.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Zona Empresarial do Sabugal (no Alto do Espinhal) conta agora com a presença da empresa Sopro Radiante, especializada na concepção, fabrico e comercialização de caldeiras a biomassa, o que constitui uma alternativa às habituais caldeiras de aquecimento que usam outras fontes de energia.

Segundo os seus responsáveis, a empresa Sopro Radiante propõe-se encontrar soluções à medida de cada cliente, procurando satisfazê-lo com uma boa relação qualidade/preço e ministrando acções de formação semanais acerca das potencialidades dos produtos que comercializa. Aposta ainda num bom serviço pós-venda.
A empresa fabrica caldeiras de aquecimento de elevado rendimento, cujo combustível é constituído por resíduos sólidos. De construção robusta e fiável, as caldeiras a biomassa são concebidas para produzir água quente para aquecimento central de habitações, assim como de piscinas, estufas, armazéns, e outras instalações.
As caldeiras para além da performance que atingem, são uma aposta ecológica, na medida em que utilizam uma energia renovável, queimando resíduos florestais e da indústria da madeira, como o «pellet» (concentrado de madeira), caroço de azeitona, cascas de nozes, amêndoas, etc… Comparada com a tradicional caldeira a gasóleo ou gás, a caldeira a biomassa permite uma apreciável economia de combustível, que pode chegar aos 60 por cento.
Outra vantagem é a redução da dependência energética, ao não estar sujeito à subida dos preços dos combustíveis fosseis (como o gás e o gasóleo), sendo um recurso produzido localmente.
A caldeira a biomassa contribui ainda para a sustentabilidade da economia local, na medida em que a procura deste recurso incentiva a limpeza das áreas florestais, o que por sua vez reduz o risco de incêndios.
Um dos responsáveis da nova empresa aponta como grande vantagem a eficiência das caldeiras: «a combustão de “pellets” é muito eficiente quando comparada com a lenha, pois tem menor percentagem de humidade o que resulta numa menor libertação de gases poluentes – uma combustão eficiente origina grande poder calorífico. Também é prático, na medida em que o combustível é comercializado em sacos que variam entre os 15 e os 30 quilos, o que facilita não só o armazenamento, mas também o transporte.
Os investidores, António Fernandes, José Manso Ramos e Marco Nunes, possibilitaram já a criação de seis novos postos de trabalho, número que poderá aumentar em breve, dada a evolução positiva do negócio.
A empresa tem em curso uma campanha de retoma de caldeiras a gasóleo, gás ou lenha.
A Sopro Radiante pode ser contactada pelo telefone 271 104 900 ou pelo endereço electrónico soproradiante@sapo.pt.

Fábrica das caldeiras de biomassa - Tó Chouco - Sabugal
(Clique na imagem para ver a reportagem da RTP.)

plb

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Covadas, lugar anexo à freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Bendada.

COVADAS

O côvado foi vara de medir
Tal como o era o braço da braçada
São usos que se não devem impedir
Que o corpo nunca dá a taxa errada

É certo que a estatura variada
Pode em certos casos desmedir
A régua sabiamente mensurada
Os exageros há-de comedir

Qual seja deste nome a vera origem
É coisa que se perde na caligem
De lendas entre si desencontradas

Ou vara de medir ou cova funda
Incertas a primeira e a segunda
Que certo só o nome de Covadas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Faleceu na tarde desta sexta-feira, 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, onde estava internado desde o início do Verão, o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

MANUEL ANTÓNIO PINA era jornalista, cronista, escritor, poeta, dramaturgo, actividades em que se notabilizou.
Nasceu no Sabugal em 18 de Novembro de 1943 e viveu a infância numa constante mudança de lugar, passando nomeadamente pela Sertã e Oliveira do Bairro, para depois se fixar no Porto. O pai era chefe de Finanças, cargo que acumulava com o de juiz das execuções fiscais, pelo que não podia estar mais do que certo tempo em cada terra, por imposição legal. Recordará sempre esse tempo da infância e adolescência como a época em que fazia amigos num lugar, que depois perdia para refazer novas amizades noutro local distante.
Após os estudos secundários, concluídos no Porto, licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, onde para além de estudar trabalhava para garantir a independência financeira. Embora cursasse Direito gostava mais e frequentar as aulas de Literatura, sobretudo as dos mestres Paulo Quintela e Vítor Aguiar Silva. Mesmo assim, seguiu Direito e, concluído o curso, foi advogado durante algum tempo, porém já escrevia no Jornal de Notícias desde 1971 e o apelo da escrita foi sempre mais forte.
No jornalismo notabilizou-se pela crónica, que, para ele é uma espécie de meio caminho entre o jornalismo e a literatura. No Jornal de Notícia, ao qual se manteve sempre ligado, ocupou o cargo de editor cultural, mantendo uma permanente ligação aos aspectos literários. Nas horas vagas poetava e escrevia contos infanto-juvenil, fazendo um percurso de escritor, onde sobretudo se notabilizaria, recebendo o reconhecimento do seu mérito com a atribuição de inúmeros galardões, entre os quais o Prémio Camões no ano 2011.
A sua poesia, algo hermética, foi sempre marcada por uma espécie de nostalgia, traduzida num sucessivo jogo de memórias entre a infância (parte dela passada no Sabugal) e o quotidiano. Os poemas de Pina são igualmente marcados pela inquietação e a melancolia, tocando por vezes no paradoxo. Nada do que escrevia ou pensava era definitivo, quando lhe perguntaram (JL, 31/10/2001) se fazia alterações aos seus poemas antigos quando os reeditava, respondeu que não, porque de certa forma um texto antigo, escrito por ele e editado, já não lhe pertencia: «quando leio textos que escrevi há algum tempo, tenho a sensação que não foram escritos por mim. E, de facto, foram escritos por outra pessoa, por aquele que eu era.» Esta mutação do ser que somos com o evoluir do tempo é explicada de forma comparativa: «A Ilíada é um dos meus livros de referência. Li-a pela primeira vez quando era jovem e a que leio hoje não é a mesma que li, nessa altura. Porque eu próprio já sou diferente. Os cabalistas dizem que há tantas bíblias quantos leitores da Bíblia. Eu acho que há mais, tantas quantas as leituras.»
Como escritor, foi autor de vários títulos de poesia, novelas, textos dramáticos e ensaios, entre os quais: em poesia – Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde pousar a Cabeça, Algo Parecido Com Isto da Mesma Substância; Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança; em novela – O Escuro; em texto dramático – História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez; no ensaio – Anikki – Bóbó; na crónica – O Anacronista; e, finalmente, na literatura infantil – O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, Os Piratas, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket, O Livro de Desmatemática, A Noite.
Embora afastado da sua terra natal desde menino, Manuel António Pina afirmava com orgulho ser sabugalense. Em 4 de Abril de 2009 a Junta de Freguesia do Sabugal homenageou-o colocando na casa onde nasceu uma placa com a seguinte epígrafe: «Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina»
Em 2010 a Câmara Municipal da Guarda, criou, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário com o seu nome, que distinguirá anualmente, e de forma alternada, obras de poesia e de literatura. Ainda em homenagem ao escritor sabugalense realiza-se na Guarda um ciclo cultural repleto de actividades.
Em 10 de Novembro de 2011, no ano em que foi galardoado com o Prémio Camões, o escritor foi por sua vez homenageado pela Câmara Municipal do Sabugal, que lhe atribuiu a medalha de mérito cultural do Município.
Manuel António Pina foi eleito pelo blogue Capeia Arraiana a «Personalidade do Ano 2011».

Segue-se um poema de Manuel António Pina, que aborda um assunto recorrente na sua poesia – a morte:

Algumas Coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

plb e jcl

A Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Rendo vai organizar o seu passeio campestre com o objectivo de identificar os fungos a que o povo chama míscaros e tartulhos, mas a que se tornou uso chamar «cogumelos» e agora (em versão erudita) «espécies micológicas».

Segundo a associação, com a entrada do Outono, o verde começa a chegar ao campos e as várias espécies micológicas que todos conhecemos aparecem pelo meio da vegetação.
Assim, no próximo dia 4 de Novembro, iremos realizar o nosso habitual passeio, onde todos podemos aprender um pouco mais sobre estas espécies, como e onde se desenvolvem, bem como as podemos preparar e integrar na nossa alimentação, sendo servidos o tradicional almoço e todas as provas de cogumelos a que estamos habituados.
A organização convida os interessados a irem a Rendo passa um dia em boa companhia, desfrutando da natureza e do convívio.
plb

No Sabugal, ao que consigo apurar, houve três jornais no início do século XX e foram os primeiros a existir na nossa zona. Um deles foi criado, dirigido e impulsionado por um abastado lavrador do Casteleiro e aqui sempre sediado e activo: o Dr. Guerra.

A peça que vai ler foi-me suscitada por um brilhante artigo, mesmo ao meu gosto, escrito há uns dias aqui no ‘Capeia’ por António Emídio – e que pode recordar aqui., e onde a dado passo se refere: «(…) já em 1926 os colaboradores do jornal «Gazeta do Sabugal», jornal do político integralista do Casteleiro, Joaquim Mendes Guerra, se queixavam do abandono do Concelho e davam a sua opinião para o melhorar».
Já em tempos me dispus a investigar um pouco sobre esse jornal de 1926, o «Gazeta do Sabugal».
Por questões de proximidade, foi agora a altura de poder trazer aos leitores alguns dados sobre os primórdios da imprensa no Concelho.
Os periódicos chegam aqui muito tarde. No século XVIII já havia jornais em Portugal.
Mas, no Sabugal, isso só vai acontecer no século XX e em câmara lenta e com pouco sucesso. Mas foi assim e vale a pena enaltecer essas iniciativas.

Primeiros passos da imprensa «bairrista»
Quais os primeiros jornais do Concelho e quando «viveram»? Foram poucos, tardios e de vida curta, ao que parece – o que não se pode estranhar. Afinal, o Sabugal fica cá nos confins de um país pouco dado ao desenvolvimento regional e que já desde os dias do ouro do Brasil vivia centrado na sua costa e nas zonas litorais em geral.
Não admira pois que as questões ligadas à comunicação, à divulgação, à informação e aos valores da cultura em geral tenham ficado para o mais tarde possível na nossa zona. É por isso também que os atrasos se repetem em várias áreas naqueles tempos e infelizmente também nestes agora.
Há dois anos, o Dr. Francisco Manso escreveu no ‘Cinco Quinas’ em artigo sobre «O Sabugal, a Republica e a Maçonaria» uma pequena mas importante referência aos três primeiros títulos existentes no Sabugal: «O primeiro jornal de que há notícia, “A Estrella do Côa”, foi publicado já nos alvores do séc. XX, e, mesmo assim, não há conhecimento de nenhum exemplar. Os jornais que se lhe seguiram, “O Sabugal” e a “Gazeta do Sabugal”, são já muito posteriores, pois foram publicados em 1925 e 1926, respectivamente».
Já este ano, o Dr. Júlio Marques, de Vilar Maior, escrevia algo parecido no seu blog ‘Vilar Maior’ acerca dos órgãos da imprensa regional do Sabugal: «O primeiro foi a ‘Estrella do Côa’, mais cometa do que estrela, porque de efémera existência, ou então a ser estrela seria cadente. Foi seu proprietário, director e editor Luis José Capello Barreiros, datando do ano de mil e novecentos. (…) em 1925, aparece o ‘Sabugal’, semanário regionalista, de propriedade, direcção e edição de um outro Capelo, José Capelo Martins.(…) Neste nosso mundo de efemérides, surgiu logo um outro semanário – bairrista e nacionalista – ao estilo tradicionalista. Foi a ‘Gazeta do Sabugal’ (…)».
Resta acrescentar que enquanto o ‘Sabugal’ era um jornal republicano, o ‘Gazeta do Sabugal’ era partidário do Integralismo Lusitano (ou seja, da monarquia tradicional), tal como o seu director, financiador e criador: o Dr. Joaquim Mendes Guerra, do Casteleiro.

1926/28: ‘Gazeta do Sabugal’
O ‘Gazeta do Sabugal’ foi um semanário regionalista, bairrista, de defesa dos interesses dos lavradores e da região. O jornal teve vida curta.
Nasceu em 1926, penso que em Abril. Note que o golpe de Estado militar de direita é de Maio desse ano. Saberá também que Salazar só vai chegar ao Governo, como titular da pasta das Finanças, em 1928 (já o ‘Gazeta’ tinha acabado, julgo).

53 números – Ao todo, foram publicados 53 números, ao que se sabe, entre Abril de 1926 e início de 1928 – ano em que são publicados apenas dois números.
Se era semanário, isso, 53 números, corresponde a pouco mais de um ano se saísse todas as semanas – mas espalhados então por quase três anos.
Três anos – Foi a seguinte a distribuição das edições, de acordo com a «hemeroteca» da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, da Guarda (com base nas «existências»): 1926 (nºs. 3, 5 a 32); 1927 (nºs. 33 a 47, 49, 50, 51); 1928 (nº. 52). Mas sabemos que há um número final, o 53. A informação é dada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que qualifica o jornal da seguinte forma: «semanário bairrista» e «órgão dos lavradores do concelho».
Colaboradores – E quem colaborou no ‘Gazeta do Sabugal’?
Segundo o atrás referido Júlio Marques, «A nata do escol concelhio, triplamente filtrada – porque regionalista, descentralizadora e nacionalista, segundo o credo do integralismo – acorreu a colaborar. Casos, entre outros, dos futuros presidentes de câmara, o advogado Carlos Frazão e o médico Francisco Manso, do etnógrafo Lopes Dias, do pedagogo Reis Chorão, do político Martins Engrácia».

Joaquim Mendes Guerra
Uma nota final sobre a participação política do Dr. Joaquim Mendes Guerra nos assuntos regionais dos anos 20.
São elementos recolhidos no próprio ‘Capeia’.
De facto, aprendi agora, há 32 anos, Pinharanda Gomes escreveu e a Casa do Sabugal publicou um opusculozinho intitulado «O Motim do Aguilhão no Sabugal».
Estas notas foram-nos proporcionadas numa curta recensão muito oportuna feita no ‘Capeia Arraiana’ há cinco anos por Paulo Leitão Baptista, que pode ler aqui.
O livro, diz PLB, «evoca aquele que porventura foi o mais relevante acto de revolta do povo do concelho raiano face às injustiças de que era alvo por parte do governo». Foi o caso que, a 10 de Fevereiro de 1926, «cerca de mil e 500 manifestantes invadiram a Praça da República, onde se situa a Câmara Municipal do Sabugal, gritando palavras de ordem contra os impostos recentemente lançados, contra a licença dos cães e contra a licença para se ter vara com aguilhão». Houve carga séria da GNR.
Segundo PLB, Pinharanda Gomes, no livrinho, «analisa com profundidade as razões dos protestos. Mostra que pessoas gradas estiveram do lado do povo, como o deputado Joaquim Dinis da Fonseca e o lavrador abastado Joaquim Mendes Guerra», do Casteleiro e dono e director do tal jornal, o «Gazeta do Sabugal».
O atrás citado «motim do aguilhão», é preciso dizê-lo, foi também designado como «revolução dos nabos». Essa nota é-nos trazida num livro de 2009, da autoria de Regina Gouveia, publicado pela Universidade da Beira Interior. Trata-se do título «A Interacção entre o Universo Político e o campo da Comunicação / A imprensa e as elites beirãs (1900-1930)». Aí, nas últimas páginas, Regina Louro divulga uma interessante cronologia sintética onde, designadamente, podemos ler: «1926, Fevereiro, 10 – ocorre no Sabugal a «revolução dos nabos», ou motim do aguilhão, contra os impostos».

Nota para os meus conterrâneos – Este director do jornal, o Dr. Guerra, era o marido da D. Maria do Céu (Mendes Guerra), dona da Quinta das Mimosas.

Post Scriptum
I. ‘Gazeta do Sabugal’, como muitos saberão, é também o nome de um blogue «actual», embora não actualizado desde há ano e meio. Foi criado em Novembro de 2010 e viveu meio ano. Será sina das gazetas do Sabugal, esta de terem curta vida? II. Sobre as imagens desta peça: para além da imagem do ‘Gazeta’, procurei outras. Assim: 1 – Houve em Portugal muitos jornais chamados ‘Gazeta’. O mais antigo deles, talvez inspirador de muitos, foi a ‘Gazeta de Lisboa’, de 1715 (numa das imagens). Repare: 1715. Mais de dois séculos antes do ‘Gazeta do sabugal’. Foto da Hemeroteca de Lisboa, no portal Hemeroteca Digital. 2 – Mas publicamos também a primeira página de outro periódico bem nosso conhecido: ‘A Guarda’, fundado em 1904 e, na altura, chamado «Boletim Quinzenal» (de inspiração católica). Foto da Biblioteca Municipal da Guarda.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O nono torneio de judo da cidade do Sabugal, realizou-se com grande sucesso, no passado dia 13 de Outubro, no pavilhão das piscinas Municipais do Sabugal. Participaram no evento organizado pela secção de judo do Sporting Clube do Sabugal 104 crianças com idades até aos 12 anos, divididas por 27 grupos.

A logística do IX Torneio de Judo da cidade do Sabugal esteve a cargo da secção de Judo do Sporting Clube do Sabugal (SCS) com ajuda de alguns treinadores de clubes convidados. Participaram no evento 104 crianças até aos 12 anos, divididas por 27 grupos. Os clubes que aceitaram o convite e visitaram a cidade raiana, vieram de Beja, Alvito, Marvão Castelo Branco, Covilhã, Coimbra e Gouveia, contando com a presença de 14 pequenos judocas do clube local.
A participação esteve dentro do esperado quanto ao número de participantes, tendo em conta as dificuldades que todas as instituições apresentam no que toca ao custo com deslocações.
Os judocas do Sporting Clube do Sabugal cumpriram com os objetivos previsto para este tipo de prova, que servem essencialmente para o amadurecimento do atleta na vertente competitiva da modalidade. As regras são aqui adaptadas as idades e não se fazem eliminatórias para que cada judoca faça pelo menos dois ou três combates.
A organização não deixa de querer agradecer aos judocas mais velhos da secção de Judo do SCS e a todos os que directamente ou indirectamente fizeram com que o torneio fosse um sucesso, incluindo os participantes e respectivos acompanhantes que encheram as bancadas. Agradecendo ao enfermeiro que esteve voluntariamente de prevenção durante a prova e aos funcionários da Empresa Municipal Sabugal +, pela gentileza como sempre têm recebido e colaborado neste evento.
Todos os judocas vão continuar a sua preparação, tendo em vista algumas provas de preparação até ao final do ano, esperando que as pessoas presentes conhecedoras ou não desta modalidade olímpica se apresentem no Dojo (sala de treino) para experimentar a prática do judo que se adapta a todos os escalões etários.
djmc

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Com a parte exterior quase pronta, os trabalhos seguem interiormente com máquinas em trabalhos especiais e próprios da obra que se pretende.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Roque Amador, aldeia anexa da freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra anexa da freguesia: Covadas.

ROQUE AMADOR

São Roque Amador porque era Santo
Amou tal como Deus os que mais penam
Apunha as suas mãos e por encanto
As dores do corpo e alma se serenam

Há traves mestras que jamais empenam
Ainda que esconsas em qualquer recanto
Aos ventos maus os bons os refrenam
É grande a dor, mas é maior o manto

O Santo que foi Santo Hospitalário
Aqui deixou provido relicário
De mãos que, quando apostam, saram

De Deus ungidos, eu anoto dois
O pai Cândido e o Quim Zé depois
Que, porque amadores a dor pararam

«Poetando», Manuel Leal Freire

A Agência da Guarda da Fundação INATEL, em colaboração com grupos de teatro amador e autarquias locais, organiza a iniciativa «Teatro de Outono 2012», que passará por diversas localidades, cabendo a representação a vários grupos teatrais, entre os quais o grupo Guardiões da Lua, de Quarta-Feira, aldeia do concelho do Sabugal.

O primeiro espectáculo é já na próxima semana, no dia 20 de Outubro (sábado), pelas 21h30, no Cine-Teatro S. Luís, em Pinhel. A peça a representar chama-se «O Movimento» e está a cargo do Grupo Escola Velha Teatro, de Gouveia.
A iniciativa Teatro de Outono leva os grupos de teatro amador do distrito da Guarda e da região centro-norte a itinerarem pelas salas do distrito da Guarda, entre os dias 1 de Outubro e 31 de Dezembro, a preços repartidos entre a agência da Guarda da Fundação INATEL e as autarquias locais.
Disponibilizam espectáculos para este Ciclo os grupos Escola Velha, Guardiões da Lua, Aquilo Teatro, Teatro do Imaginário, Gambozinos e Peobardos, Grup’Arte (estes seis do distrito da Guarda) e ainda o Teatro Experimental de Mortágua, Companhia Pouca Terra, Teatro de Arzila, Teatro O Celeiro, Ultimacto, Teatro Olimpo e Teatro da Perafita.
Estão já agendados mais seis espectáculos para as salas de Pinhel, Celorico e Manteigas, sobre as quais a seu tempo a Fundação INATEL prestará informação.
plb

Faz hoje três anos que se realizaram as últimas eleições autárquicas…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaComo candidato à Assembleia Municipal integrando as listas do Partido Socialista lideradas pelo António Dionísio disse e repeti que aquele dia podia marcar o início da inversão da situação de desertificação, envelhecimento e perda de competitividade regional que levava o Concelho do Sabugal para o abismo.
Acreditava e continuo a acreditar que manter no poder os principais responsáveis pela situação a que o Concelho chegara, era uma má opção e acreditava também, e continuo a acreditar, que a solução passava por eleger as mulheres e homens que, liderados pelo António Dionísio integravam uma candidatura de esperança num futuro melhor.
Infelizmente não conseguimos passar esta mensagem e o PSD, embora perdendo a maioria absoluta, manteve a presidência do Município.
Três anos passados, penso poder tirar as seguintes conclusões:
1. O Concelho do Sabugal está hoje pior do que há três anos;
2. A maioria relativa do PSD não tem conseguido definir uma estratégia de desenvolvimento sustentado do Concelho do Sabugal, situação hoje muito mais agravada pois a esta falta de ideias associa-se uma grave crise nacional o que torna a falta de ideias ainda mais flagrante;
3. As propostas inovadoras que a candidatura do PS e do António Dionísio são hoje ainda propostas corretas e cada vez mais atuais e urgentes;
4. A atuação coerente dos vereadores e deputados municipais do Partido Socialista tem sido uma mais valia para a tomada de decisões, sabendo votar a favor quando estão em causa os interesses do Concelho e sabendo dizer não quando as propostas em nada contribuem para o seu desenvolvimento.
Entramos (se não entrámos já) em ano eleitoral, o qual, se começa pela escolha dos candidatos, deveria, quanto a mim, começar pela definição do programa eleitoral de cada força política que pretenda candidatar-se.
E porque, como acima disse, continuo a considerar que as propostas de 2009 do António Dionísio e do PS são cada vez mais as respostas adequadas à situação a que o Concelho do Sabugal chegou, espero que elas continuem a fazer parte do programa eleitoral dos candidatos do Partido Socialista, mas espero também que em 2013 os candidatos e apoiantes das outras forças políticas olhem para essas propostas e as assumam também como suas, em vez de, como há 3 anos, as chamarem de utópicas e idealistas.

PS1: Por motivos pessoais e profissionais não estive presente na Inauguração do Monumento ao Combatente que teve lugar na cidade do Sabugal.
Aos sabugalenses que, quisessem ou não, foram combatentes, bem como aos familiares dos sabugalenses falecidos na guerra, um abraço de solidariedade e um pedido de desculpa pela ausência.
PS2: Como cidadão e como oficial reformado das Forças Armadas Portuguesas não posso deixar de repudiar a forma como o Presidente da República se comportou no passado dia 5 face ao hastear da bandeira nacional, com esta a ser colocada erradamente.
Claro que a culpa não é do Presidente, mas como mais alto magistrado da nação, competia-lhe não abandonar o local sem que a bandeira fosse arreada e hasteada de novo, desta vez corretamente.
A bandeira nacional não é um pano qualquer e, chamem-me o que quiserem, a minha família, a escola onde andei e os meus comandantes militares ensinaram-me a honrar os símbolos máximos da Nação.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Sendo a formação continua cada vez mais um trunfo na formação desportiva seja qual for a modalidade, os técnicos da secção de judo do Sporting Clube do Sabugal, os treinadores David Carreira e Carla Vaz, juntaram-se a mais de uma centena de outros treinadores nacionais e estiveram nos três dias do XVII Clinic de Judo organizado pela Associação Nacional de Treinadores e a Associação Nacional de Árbitros em pareceria com a Federação Portuguesa de Judo, na cidade de Coimbra.

Entre os dias 5 e 7 de Outubro os técnicos raianos e outros técnicos do distrito da Guarda presentes nesta ação tiveram o privilégio de ser dirigidos pelo treinador alemão, Richard Trautmann, treinador das Seleções de Cadetes e Juniores da Alemanha, que incidiu principalmente nas ações práticas específicas da modalidade. Outro preletor estrangeiro foi o Diretor Mundial de Arbitragem, o espanhol Juan Carlos Barcos, que teve uma ação específica na parte da compreensão das regras de arbitragem.
Alguns grandes nomes do desporto nacional também fizeram parte desta ação, tais como a Profª. Doutora Cláudia Minderico, o Prof. Doutor Manuel João Coelho e Silva e ainda o Prof. Mestre Luís Monteiro.
A escolha dos preletores para este XVII CLINIC, bem como as comunicações de cada orador foram direcionadas para questões relacionadas com o treino da iniciação à especialização do praticante de Judo e com a vertente da arbitragem, que todos os intervenientes na modalidade devem tentar decifrar, no sentido de haver uma sintonia na interpretação das regras em prol da verdade desportiva.
djmc

A Câmara Municipal do Sabugal está há longo tempo a negociar a aquisição de um prédio urbano tendo em vista livrar a paisagem da sua presença inestética.

Trata-se de um edifício erigido em blocos de cimento, inacabado, sem qualquer reboco, que durante anos acolheu uma oficina de reparação de automóveis. Actualmente acumula entulho, os vidros janelas estão partidos, o mato cresce-lhe no interior, parecendo uma casa fantasma.
Implantado no cruzamento onde se toma a estrada para a Aldeia de Santo António, a Urgueira e a aldeia histórica de Sortelha, o prédio devoluto causa má impressão e polui a paisagem. Essa é a razão pela qual o Município tenta adquirir o terreno, como forma de assim livrar a estrada de tal empecilho. Mas o tempo passa com sucessivas propostas e contrapropostas.
Porém, informou-nos quem sabe, que o acordo está prestes a ser alcançado, por uma verba que poderá rondar os 45 mil euros. Assim sendo, presumimos que a breve trecho haverá condições para que o colosso inestético seja erradicado do cruzamento da estrada de Sortelha.
plb

O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. A população do Concelho do Sabugal ficou dramaticamente reduzida. Vejamos o que dois articulistas do jornal Amigo da Verdade diziam da emigração concelhia em 1962.

António Emídio«Continua em grande ritmo a saída de gente para França. Parece que tal êxodo vai tocando as raias do vício. A escassez agrícola destes últimos anos justifica a permanente busca do dinheiro em parte. Todavia o mal não está no legítimo desejo de procurar uma condição económica mais humana, mas sim na finalidade exclusiva que muitos põem ao abandonar a sua terra. Só uma coisa os determina: a miragem do dinheiro francês. Este pensamento desordenado vai, pouco a pouco, na vida de cada dia tomando consequências sérias. Por cá – quem vê o seu povo vê o mundo todo – as famílias começam a perder o conceito de unidade matrimonial, pois é muito fácil passar-se dos factos consumados à ideia. O marido em França, os filhos e a mulher cá pelas terras, parecem formar, embora aparentemente, lares essencialmente diferentes.
Sob o ponto de vista educacional, a família deixou de ser praticamente uma escola de formação, já que a quase totalidade dos chefes de família se encontram ausentes. Cá andam os filhos à mercê da impotência maternal – salvo raras excepções de algumas. Na ordem social, tendo os filhos recebido praticamente uma autonomia prematura em ideias, vida, irresponsabilidade, com os bolsos atulhados de dinheiro, sem ninguém que os vigie e oriente os passos vão-se habituando a uma faceta de viver que não é real nem o mais próprio para a juventude. E isto é o princípio de tudo… que amanhã se verá!…
(…)
»

Como já escrevi, este artigo vem num jornal concelhio de 1962, o Amigo da Verdade, não traz o nome do autor, mas vem na coluna das Quintas de S. Bartolomeu.

«À hora que vos escrevo o dia está maravilhoso, um sol benéfico espalha os seus raios acariciadores através dos encantadores campos desta risonha aldeia. Sentado ao ar livre num recanto sossegado desfruto a beleza e a graça desta tarde e contemplo um rancho numeroso de rapazes e raparigas que no mais vivo entusiasmo se dedicam à faina da colheita da azeitona. Neste momento chegou junto de mim um amigo, mas dos verdadeiros que acaba de regressar do Sabugal e que me diz: então já sabia que desta vez segue mais pessoal para França?
– Sim?!
– É verdade. Encontrei hoje no Sabugal mais de vinte Casteleirenses a tratar dos seus papéis para saírem. Dizem que ganham lá muito dinheiro…
Repliquei:- Se assim continuamos daqui a pouco não há quem cuide das terras (…) lembrei-me que esta gente se ausentaria certamente porque a agricultura não lhes compensava tantos trabalhos, que se sentiriam desiludidos com a terra e os seus produtos. Realmente a situação do trabalhador rural é pouco animadora e por isso começa a sentir desprezo à terra e ao viver da aldeia e procura ausentar-se em demanda de nova vida, de vida que lhe garanta um futuro mais seguro e cómodo.
(…)
»

Este artigo vem também num Amigo da Verdade de 1962, também não traz nome do autor, vem na coluna do Casteleiro.

O fenómeno da emigração foi o causante do grande despovoamento do Concelho, mas não o foi do seu fraco desenvolvimento económico, político, social e cultural. Vejamos: já em 1926 os colaboradores do jornal «Gazeta do Sabugal», jornal do político integralista do Casteleiro, Joaquim Mendes Guerra, se queixavam do abandono do Concelho e davam a sua opinião para o melhorar. No Amigo da Verdade de 1962, estes dois colaboradores queixavam-se da situação do trabalhador da terra ser pouco animadora.
Ano de 2012: colaboradores deste Blog – Capeia Arraiana – queixam-se da situação do Concelho e opinam qual a melhor maneira para pôr um travão a um retrocesso galopante.
Pessoalmente, creio que das três épocas históricas que mencionei, a actual, 2012, é a mais problemática de todas, porquê?
1º O País está intervencionado. Neste momento podemos considerá-lo um «protectorado» de potências estrangeiras. Perdemos a soberania.
2º Vai ser feita uma nova divisão administrativa em Portugal, sendo como é lógico também abrangido o Concelho do Sabugal. A divisão administrativa foi ordenada do exterior por quem não conhece a realidade do País.
3º A profunda crise económica e os tratados europeus não permitem que Portugal crie riqueza e se desenvolva a todos os níveis desde o económico ao social, passando pelo político. O Concelho do Sabugal também sofre com isso, a recessão também afecta a economia local.
4º O desmantelamento dos serviços públicos no Concelho é uma ameaça séria ao seu equilibrado desenvolvimento.

Conseguiremos ultrapassar estes tempos difíceis? Sem dúvida! Já ultrapassamos outros, mas para suplantar o actual momento só temos uma opção: seguir estes três valores: valores éticos, valores sociais e valores ambientais. Sem estes três valores fundamentais em qualquer Democracia, podemos fazer do Sabugal uma Las Vegas, mas os mais jovens continuarão a sair como saíram no tempo do Estado Novo, com a diferença que não seria a nobreza (classe política dirigente) nem a Igreja que mandariam, mas sim o dinheiro, o dinheiro de um qualquer cacique, produzindo-se novamente uma involução social que nos desumanizaria. As sociedades só têm êxito quando lutam pelo bem comum, e o bem comum não é só material, por cima do materialismo está a qualidade da saúde dos habitantes do Concelho, a qualidade da educação dos nossos filhos, a nossa própria cultura e tradições, a defesa do nosso meio ambiente, o bem-estar dos nossos idosos a qualidade dos nossos escritores e a beleza dos poemas dos nossos poetas e, talvez o mais importante, a erradicação da pobreza. Assim vale a pena viver a vida no nosso Concelho.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Quando se aproxima o tempo das matanças e da degustação do saboroso bucho, publicamos o texto da oração de sapiência proferida pelo Professor Fernando Carvalho Rodrigues na cerimónia do Terceiro Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, sucedido no Sabugal, no dia 18 de Fevereiro de 2012. O Professor fala do bucho, centrando-se em Creado, a sua terra de nascimento, que pertence à freguesia de Casal de Cinza e ao concelho da Guarda.

Quando no Império era Imperador Barack Obama, Sumo Pontífice Bento XVI e na Lusitânia era Pró-Consul Cavaco Silva, foi, em Creado, Mordoma da festa de Santo Antão uma filha do José Braz casada com um rapaz de Carpinteiro filho do Fausto Raposo. Em 2013, será a Lúcia, filha de Zé Aires, e mais o marido.
Há uns milhares de anos que é assim: A Festa de Creado é no dia de Santo Antão. É a festa do Padroeiro. Em cada ano, a 17 de Janeiro, o Povo reúne-se para nomear o Mordomo do ano seguinte. Santo Antão é o Santo Padroeiro de Creado. De lá, vêm, por muitas gerações, meus antepassados. Em cada ano ter proteínas dependia um pouco de caça, mas sobretudo do marrano. E todos os anos compravam os porcos para cevar durante o ano e iam e recebiam quem vinha para pedirem a protecção de Santo Antão na capela do seu orago em Creado.
No dia seguinte da Festa, depois de celebrada a missa, oferecem um pé vindo da matança de Dezembro ao Santo para que lhe guardar o bácoro próspero e com saúde. Seguia-se animada a arrematação dos donativos. O leilão, como é público, incita vaidades. Não tem mal. Num dia, não tem mal. A vaidade deixa mais uns dinheiros porque leva o pé quem mais oferecer. Em tempos de oscilações da bolsa. O pé pode render vinte euros. Pode até, como se tem visto ultimamente, chegar aos cinquenta euros. Sim, porque os marranos da nossa Beira Alta foram classificados pelas agências de notação em triplo AAA com prospectiva positiva. Espera-se que o pé de porco salve a classificação da dívida soberana logo que a produção se intensifique. Pelo menos, a capela de Santo Antão, em Creado, beneficia. O dinheiro das arrematações, em bolsa, reverte a favor da Igreja. É que o Mordomo é quem faz as arrematações e ninguém e tem ordem para arredar pé enquanto houver ofertas para arrematar. E, para cada pedaço quem oferece o pé é o primeiro a dizer quanto vale. Que isto de deixar cair o valor em bolsa é só para os banqueiros.
Ao Santo Antão em Creado vai o povo honesto. E mais a prece pelo marrano que viverá por aquele ano até Dezembro. Viverá em um T0 com esplanada. Chamam-lhe: o cortelho. Mas é o único animal a quem se oferece um estúdio enquanto vive. Casa de granito afagado e porta de cerne de carvalho. E um dia, libertado do peso de viver, só o fará se Santo Antão o proteger. Partes, todas as partes do marrano passarão por nós, Homo Sapiens Sapiens, e todos aqueles bocados terão o privilégio de reconhecer que existem, terão a alegria de contemplar e estudar o Universo de que são parte e a parte que faz ao mundo perguntar. É este o milagre, renovado, de Santo Antão do Egipto.
Terá nascido pelo ano 251 D.C.. Inventou como ser Monge. Mas como todos aqueles que fazem trabalho solitário solta-se-lhes a imaginação, a compreensão e têm a tentação da soberba que vem da Soberania sobre os Saberes. E tentação, esta e outras, teve Santo Antão do Egipto como todos os que contemplam mistérios. A humildade de uma via simples livrou-o sempre. Mas houve quem as imortalizasse.
Chama-se Hieronymus Bosch, o espírito medieval vivido de uma forma única. Nas tentações de Santo Antão que deixou no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa . Estão as extravagâncias de monstros escarnecendo gárgulas. Sentou monstros nas cadeiras do coro. Pôs demónios olhando de soslaio para as margens dos manuscritos. Distorceu, horrivelmente, humanos lançados com forquilhas para o inferno. São o esconjuro pela arte. Pela pintura. Com Bosch sente-se o cerco diabólico a Santo Antão. Representa o mundo como um prolífico formigueiro. Os quadros de Hieronymus Bosch têm que ser interpretados símbolo a símbolo. Ele e a sua pintura mostram a intromissão do demónio na vida humana. Os elementos da fantasia na sua obra dão-lhe um inesgotável fascínio. E, num dos vários quadros das tentações do Santo Antão. No que está em Madrid. Ao lado e protegido pela paz de Santo Antão está o marrano. Ambos serenos, em Paz, com Deus no reequilíbrio do nervosismo da fantástica imaginação. Na aceitação que cada classe de vida alimenta outra classe de vida até que possa contemplar Deus. Mas a vida da pintura de Hieronymus Bosch não é só tentação e descrição. Descrição mordaz da percepção da vida como hoje em dia atravessamos. É colhida em fonte popular na Nave dos Loucos. O quadro da «A Nave dos Loucos» é uma fonte inesperada do retracto da vida de hoje. Inesgotável para os modernos psiquiatras, sociólogos, economistas, retratados suponho, por um discípulo de estilo, Pieter Breughel, o velho, na condução pelos cegos deste novo e actual Mundo. Mas voltando a Hieronymus Bosch é no pormenor, no detalhe. Numa espécie de extensão da beleza, do talento e da técnica dos iluministas tão atentos ao pormenor que nos fazem aparecer tentações de Santo Antão e o marrano a seus pés.
E é essa mesma atenção ao detalhe que faz do Bucho, o enchido delicioso, o ultimo dos manjares para o Intróito. Também lhe chamam o Entrudo.
Para o Bucho, em Creado, num alguidar de barro colocam-se as carnes partidas em pedaços: orelhas, carnes que tenham cartilagem, pontas das costelas, couratos e o rabo. Temperam com alho, sal, pimentão doce e picante e um bom vinho. Cinco dias. Reparem bem. Cinco dias em vinha de alho. Vai-se provando, a suprema medida da ciência, para ver se está temperado suficiente. E mais vos digo: se não for bem temperado: Olhai! Estraga-se. Mas se fizerdes como vos digo a bexiga do porco que se guardou bem com o palaio encheu-se com as tais carnes temperadas. Vai ao fumeiro durante algumas semanas e guarda-se para o Carnaval. Com a Família, mais batatas cozidas e grelos de nabo (bem se não houver pode ser acompanhado por couve Portuguesa). Pinga e por fim o arroz doce.. Acho, que corta a gordura. Bem é arroz doce. Acabou-se. Sempre foi assim. E no fim, está-se de novo pronto a embarcar nesta «Nave de Loucos», pilotada pelos cegos Breughel e livres das tentações mas com a protecção de Santo Antão. Até porque de todos os porcos que nos dão hoje o Bucho um pé ser-lhe-á oferecido para o ano que vem. Sim, que com os Mordomos já nomeados em Creado não há crise, que as agências de notação não se estrevem, ou mesmo atrevem, a meter-se. O Bucho lá estará em 2013.
Só a faz parar de o apreciar o dia das Cinzas. Por causa da Lua que determina o dia de Páscoa, o Dia das Cinzas, calha sempre a meio da semana. É sempre numa quarta-feira este Dia das Cinzas. E nesse dia, durante milénios os Homens da Ordem Militar do Hospital marcavam-no, com uma Cruz de Cinza, na fronte, numa cerca da Freguesia de que Creado é parte: a Freguesia de Casal de Cinza. Passa por lá o eixo da Terra e nela se faz o melhor Bucho do Mundo e tudo isto é o maior dos Milagres de Santo Antão de Creado de Casal de Cinza, que também foi, em outros tempos, do Egipto.

P.S. O Autor escreve de acordo com a ortografia da Dona Laura. Três reguadas por cada erro no ditado chegaram para lhe acabar com todas as veleidades. Quer as passadas, quer as presentes, ou mesmo as futuras.
Fernando Carvalho Rodrigues

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