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Em 1941 um avião Vicker’s pilotado pelo oficial da Força Aérea Portuguesa C. Quintela, natural de Alfaiates, sobrevoou o Sabugal e o oficial co-piloto, J. Fernandes, captou a fotografia que agora apresentamos.

Fotografia aérea - Sabugal - 1941

Pode observar-se a parte mais antiga da vila, então um aglomerado singelo e harmonioso. O castelo pentagonal em sua altivez, e as construções ainda dentro do estilo típico. Uma que outra casa mostra maior gradação, mas o enquadramento é pleno e proporcional. O branco das paredes das casas sobressai – era uso de então revestir as pedras de granito e caiar as paredes.
Ainda não era chegada a construção desenfreada, que fez crescer as nossas terras e lhes trouxe maiores comodidades, mas que rompeu com o equilíbrio arquitectónico que a imagem do Sabugal da fotografia denota.
O Bairro da Ponte não existia, a torre sineira da Igreja Matriz conseguia ainda impor-se no alto, a Avenida das Tílias era livre de casario, na encosta do Castelo estava uma mata de castanheiros seculares, perto da zona urbana havia manchas de terreno arável.
O betão tudo transformou e a vila do Sabugal, agora cidade, não fugiu à regra: expandiu-se, modernizou-se, vestiu nova roupagem. A mancha urbana lembra agora um polvo com seus tentáculos, que são as vias de acesso escoltadas por modernas construções. Mas a parte antiga da vila, bem poderia ter mantido a sua traça original. Quanto teríamos hoje a ganhar!
plb

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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Badamalos. No spróximo domingo será editado o poema relativo à aldeia anexa de Badamalos: Carvalhal do Coa.

BADAMALOS

Vocábulo de sonoras ressonâncias
Recorda vozes de alteroso sino
No éter não se medem as dustabuas
Mas os toques do bronze volvem hino

Serenas existências de sem ânsias
A paz é por ali um dom divino
O Coa quase sente relutâncias
Em ter de ser um peregrino

Ser lago e quedar-se eternamente
Entregue às boas mãos da boa gente
Seria o regalo entre os regalos

Qualquer entenderá todo este apego
Pensando no edénico sossego
Que marca o viver em Badamalos

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Alfaiates e ao seu herói histórico, o antigo governador da praça forte: Brás Garcia de Mascarenhas. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Badamalos

ALFAIATES

Não é composta lenda mas história
A que da praça forte aqui ressuma
Quem ouvir uma gesta rememore-a
A fama varre ao longe toda a bruma

A Pátria Portuguesa merencória
Sofria as desgraças uma a uma
Esparsos os resquícios de glória
Armadas em destroços e verruma

A raça por indómita ressurge
Que haja chefe novo é o que urge
As ameaças vêm das Espanhas

Dos cumes dos Hermínios o reforço
Trará o chefe, capitão de esforço
O nome Brás Garcia de Mascarenhas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Na próxima sexta-feira, dia 14 de Setembro, e numa estreia em Portugal, a cantora, compositora e multi-instrumentista Nawal, oriunda das ilhas Comores actua no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), pelas 21h30.

Entre o tradicional e o contemporâneo, as composições de Nawal são uma fusão de raízes com base acústica, um reflexo do carácter diverso das Comores. A sua música tem origem Indo-Arábico-Persa e compreende polifonias Bantu e ritmos misturados com transe Sufi. Nawal canta principalmente em Comorano (Xikomor) uma língua da família suaíli, também em Francês, Inglês e Árabe.
Nawal canta para a educação e para a união dos seres humanos. Ela orgulha-se de conservar e divulgar a filosofia de seu bisavô Al Maarouf, um grande mestre Sufi, que foi inspirado pela luz do Islão, baseando-se no respeito, amor e paz.
A artista toca gambusi (alaúde tradicional, herdado do Lémen), e percussão diversificada. Contudo, Nawal prefere a voz (como os olhos, o espelho da alma) a qualquer outro instrumento.
Ao TMG Nawal vem apresentar o seu novo disco, intitulado «Embrace the Spirit».

Teatro físico no Pequeno Auditório
No sábado, dia 15 de Setembro, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro, o TMG apresenta «Action Man» com Raúl Cano dos Yllana (Espanha).
Sozinho em palco, o actor irá dando vida a dezenas de personagens e situações, utilizando a mímica e o seu hábil controlo do corpo, num estilo muito próprio.
A história de Action Man relata as aventuras de um Super Agente Especial na sua última missão que se vê embrulhado numa série de situações cómicas, inspiradas no melhor humor cinematográfico, televisivo e da banda desenhada.
Raúl Cano é actor e co-autor de espectáculos da companhia espanhola Yllana como «¡Muu!», «Glub Glub», «666», «Star Trip» e «Brokers».

Vítor Pomar na Galeria de Arte
«KarmaMudra» do artista plástico Vítor Pomar é a exposição que o TMG inaugura na Galeria de Arte no próximo sábado, dia 8 de Setembro. Nesta exposição, refere o artista, é invocada «a dimensão simbólica que está presente em toda a actividade humana». A inauguração que contará com a presença de Vítor Pomar está marcada para as 18 horas.
Vítor Pomar nasceu em Lisboa em 1949. Frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa (66-69). Emigrou para a Holanda em 1970, onde frequentou a Academia Livre de Haia e a Academia de Arte de Roterdão, onde completa estudos em 1973. Ensina serigrafia na Academia Livre de Haia. Trabalhou no quadro do Regulamento dos Artistas Plásticos (BKR) em Amesterdão entre 1976 e 1985. Utiliza no seu trabalho técnicas tão variadas como a fotografia a preto e branco, o cinema experimental em 16mm e Super 8 e o vídeo.
Estabelecido em Portugal desde 1985, funda e dirige a Associação cultural Casa-Museu Álvaro de Campos em Tavira. Frequenta o curso de Gestão das Artes dirigido pelos professores Joan Jeffri da Columbia University e Jorge Calado, no Instituto Nacional de Administração, 1989.
Viveu em Lisboa entre 90 e 95, período em que se ausentou longamente em viagens de estudo na Índia do Norte, junto de alguns grandes lamas tibetanos.
Actualmente vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior. Está representado em diversas colecções, nomeadamente: Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Caixa Geral dos Depósitos, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Casa de Serralves e Ministério das Finanças.
«KarmaMudra» ficará patente até 28 de Outubro. A Entrada é livre.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) é uma das instituições que vai assinalar, no dia 28 de Setembro, a «Noite Europeia dos Investigadores», um evento anual comemorado por toda a Europa de forma a celebrar a ciência e dar a conhecer a atividade dos investigadores científicos, nas diferentes áreas.

IPGNo corrente ano, o IPG está integrado no projeto nacional coordenado pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Cientifica e Tecnológica, o qual tem como principal objetivo aumentar o reconhecimento público dos investigadores nas suas diversas perspetivas e componentes, oferecendo, ao público em geral, a oportunidade de descobrir a «face humana» de ciência.
Este contato será viabilizado através de intercâmbios e discussões diretas com os investigadores, bem como proporcionando a reflexão sobre o impacto da pesquisa em suas vidas diárias.
A sensibilização para este evento, por parte do Instituto Politécnico inclui algumas atividades prévias, nomeadamente visitas a escolas (24 e 25 de Setembro) e a um programa de avaliação desportiva, a realizar dia 22 de Setembro, na pista do Parque Polis, na Guarda.
No dia 28 terá lugar, no IPG, uma conferência subordinada ao tema «Desporto e Ciência”», que terá como orador o Prof. Doutor Taborda Barata (Presidente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior). Esta conferência decorrerá a partir das 16 horas. As inscrições são gratuitas (embora obrigatórias) e podem ser feitas através do e-mail: udigeral@ipg.pt
Nesse mesmo dia, entre as 17h30 e as 22 horas, decorrerá no Café Concerto do TMG uma atividade de speed dating, que conta com a colaboração do Teatro Municipal da Guarda. No local será disponibilizado um Mural da Ciência e o Desporto para apoio da atividade de speed dating, onde os participantes no evento podem expressar os seus pensamentos.
Ao longo do speed dating, diferentes investigadores científicos, docentes do IPG, estarão disponíveis para rápidas conversas individuais ou em grupo, com a população em geral, de modo a explicarem o que fazem enquanto cientistas, bem como para responderem às questões que lhes forem colocadas.
jcl (com IPG)

Já em tempos, então diretor de um jornal, me referi à Raia Sabugalense nos termos que o faço neste título. Fi-lo, e faço-o, com a convicção que assim é relativamente ao potencial turístico que esta região pode ter, principalmente no mês de agosto. Pode argumentar-se que a comparação peca por excesso. Talvez, mas também penso que temos aproveitado por defeito as possibilidades que a Raia, as suas tradições seculares e o seu património humano e natural oferecem para uma realidade socioeconómica que poderia apresentar outro cariz.

(Clique nas imagens para ampliar.)

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaHabitualmente me manifesto sobre a injustiça que tem sido feita com o esforço de tantos sabugalenses que tiverem que partir à procura de um futuro melhor, principalmente em terras de França. O seu esforço, os seus sacrifícios, contabilizaram-se em números, nas remessas de dinheiro que enviavam para Portugal. Apesar disso, também por culpa própria, essas verbas serviram principalmente para desenvolver outras regiões. É certo que havia/há muita gente que teve arte para ganhar dinheiro, mas faltou-lhe sabedoria para o investir, nomeadamente no concelho. Investimento que criasse emprego e mais riqueza para todos, impedindo o êxodo que se tem observado nas últimas décadas. Faltou também, talvez, uma estratégia por parte dos responsáveis autárquicos que ajudasse a que as coisas fossem diferentes.
Voltando às comparações com as Terras do Sul, podemos dizer, para os mais pessimistas, que também o Algarve não está cheio o ano inteiro, mas sabemos como um bom verão pode «salvar» o ano inteiro. Salvaguardadas as devidas distâncias, também a Raia pode ter um bom verão que ajude o resto do ano. Quem não gostaria de ver nas diversas aldeias o movimento que se verifica no verão? Também os empresários algarvios desejariam o mesmo. Tal não é possível quando se fala de prestação de serviços e não na produção de produtos transacionáveis.
Apesar de as duas atividades serem distintas, uma e outra podem estar ligadas, nomeadamente, na Raia, no que aos produtos tradicionais se refere, e são estes, aqueles que são diferentes e que constituem uma marca de identidade, que podem ser uma mais-valia para o concelho.
A classificação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, pelo Instituto dos Museus e da Conservação, pode ajudar, mas vale de pouco se não se lhe acrescentar valor. Não se trata de regular, por lhe retirar autenticidade, uma manifestação de cultura popular, que emanou do Povo, é vivida pelo Povo e paga pelo Povo. A Capeia não pode ser vítima da sua notoriedade mais recente e deve ser fiel ao seu passado. No entanto, pode haver algumas iniciativas que potenciem este fenómeno, sem deixar de ser aquilo que sempre foi: uma festa do Povo.
Quando este verão, em Nave de Haver, observei uma banca de uns nossos vizinhos espanhóis a vender miniaturas de forcões a 10 euros, pensei para comigo: «Caramba, generosa é a gente da Raia, todos lá vão buscar e ninguém leva para lá nada!» Será que a culpa é de quem tem iniciativa ou de quem a não tem? Certamente é de quem a não tem. E já é tempo de fazer alguma coisa. Voltaremos ao assunto, apresentando algumas sugestões.
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

António Pereira de Andrade Pissarra é natural de Vila Garcia, concelho da Guarda, tem 50 anos, é professor de comunicação social no Instituto Politécnico da Guarda e foi o último director do Jornal Nova Guarda. Casado em Aldeia Velha, concelho do Sabugal, tem dois filhos, e mantém uma forte relação sentimental com as tradições raianas. Estudou na Guarda, leccionou em Évora, onde frequentou o curso de engenharia agrícola (que não concluiu), licenciou-se em Tecnologias da Informação aplicadas à educação, fez o mestrado em comunicação educacional multimédia e frequentou o doutoramento em processos de formação em espaços virtuais na Universidade de Salamanca. Actualmente é presidente e fundador do Guarda Unida Futebol Clube.

O Capeia Arraiana dá as boas-vindas ao jornalista e professor universitário António Pissarra que inicia hoje uma série de crónicas sob a rúbrica «Raia e Coriscos». O nosso bem-haja por ter aceite o convite para integrar e valorizar este painel da opinião raiana.
jcl e plb

O Consulado de Portugal em Paris inaugura no próximo dia 14 de Setembro, às 18h30, uma exposição dedicada à tradição popular portuguesa Capeia Arraiana.

Trata-se de uma iniciativa que se segue ao registo da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação, classificado pelo seu valor enquanto manifestação popular e etnográfica.
A Capeia Arraiana, diz-se numa nota divulgada pelo Consulado de Portugal em Paris, é uma manifestação tauromáquica específica de algumas freguesias da orla raiana do concelho do Sabugal, que se singulariza pelo facto de a lide do touro bravo ser realizada com o auxílio do forcão, estrutura triangular em madeira suportada por um grupo de homens que assim enfrenta as investidas do touro.
A mostra, que está integrada na programação cultural do Consulado, pode ser visitada até 26 de Setembro, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, no Espaço Nuno Júdice do Consulado Geral de Portugal – 6 Rue Georges Berger 75017 Paris.
A organização da exposição partiu da iniciativa da Associação RAIAR, de Aldeia do Bispo, e especialmente dos raianos Domingos Ricardo e Manuel Luís Gonçalves, contando com a colaboração do Consulado de Portugal em Paris.
plb

Paulo Leitão Batista tem sido um atentíssimo «repórter» das capeias que neste Verão decorreram na Raia sabugalense. Nós, os leitores do blogue «Capeia Arraiana», estamos-lhe todos muito gratos por isso, sobretudo aqueles que, como eu, não puderam assistir ao vivo.

Salto ritual do touro. Pintura a fresco, Palácio de Cnossos, Creta, c. 1450-1500 a.C.
Salto numa corrida landesa. Sul de França, 2010 Salto mortal por um recortador. Navarra, Espanha, 2011 Salto-de-anjo numa corrida landesa. Sul de França, 2011

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaA propósito do texto de Paulo Leitão Batista intitulado «Os malabarismos das capeias» peço-lhe licença para acrescentar algumas «notas» antropológicas e históricas.
Na verdade, estes saltos acrobáticos remontam a uma tradição antiquíssima. Muito provavelmente, aqueles que, de forma tão ágil e corajosa os praticam nas nossas capeias, fazem-no tão espontaneamente que nem lhes passa pela cabeça que, na ilha de Creta, há cerca de 3500 anos, outros como eles faziam o salto mortal por cima de touros sagrados. Numa das fotografias aqui reproduzidas podemos ver um fresco do Palácio de Cnossos que nos mostra três momentos de um salto acrobático ritual. Os cretenses da época minóica veneravam o touro como símbolo da fertilidade e estas “acrobacias taurinas” efectuavam-se no âmbito de cerimónias religiosas. Muito provavelmente foram estas práticas que deram origem ao mito do minotauro.
Mas o curioso é que este ritual permaneceu na memória popular dos povos da orla mediterrânica e ainda hoje persiste: no sul de França efectuam-se as chamadas «corridas landesas» (courses landaises), nas quais jovens como o Frank ou o Balhé saltam por cima de vacas bravas ou dos pequenos touros da Camargue, conforme podemos ver nas fotografias. Também em várias regiões de Espanha encontramos uma prática semelhante, chamada «recorte»: rapazes destemidos e fisicamente bem preparados, chamados “recortadores”, saltam por cima de touros bravos, neste caso animais encorpados e poderosos.
As capeias arraianas sempre tiveram este segundo momento: depois do forcão «corria-se» o touro, com ou sem acrobacias. É sobretudo a pensar nesta segunda parte que Joaquim Manuel Correia chama «folguedo» à capeia. Ainda bem que estes rapazes, muitos deles «franceses-arraianos», alegram as capeias com a sua agilidade. Cabe-nos aplaudi-los.
Lembro-me bem de alguns dos mais «leves» rapazes de Aldeia do Bispo fazerem saltos espantosos, tanto por cima dos bois como para cima das calampeiras. Quando eu era garoto, dizia-se que o mais «leve» de todos era o António da Ti Claudina, também conhecido por António das Meninas: com as suas calças de pana metidas dentro das meias e as suas alpergatas espanholas, foi durante muitos anos um verdadeiro «líder» das capeias de Aldeia do Bispo. Morreu há pouco, com 93 anos. Merece descansar em paz e que a terra lhe seja leve.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia Velha, freguesia da orla raiana do concelho. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Alfaiates.

ALDEIA VELHA

A toponímia, madre de batismos,
Também perene fonte de mistérios
Revoca do mais fundo dos abismos
As regras que definem os critérios,

São poços de saber os aforismos
O sábio, porque sábio, prefere-os
A vetustez é fonte de lirismos
Negá-lo equivale a despautérios

O nome vale assim por nobre título
Que os povos reconhecem em capítulo
Não cabe uma avenida numa quelha

Se na vida é um posto a antiguidade
Brasão é da mais alta dignidade
Chamar-se uma aldeia Aldeia Velha…

«Poetando», Manuel Leal Freire

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Deixem ainda que, a título de hipótese, ou de exercício meramente académico, (penso não ser proibido!), e com base em três nomes de rios (hidrónimos) declaradamente romanos, em alguns topónimos bem conhecidos, complementados pela cultura popular no que, ainda, ao Cancioneiro do Alto-Coa se refere, me atenha ao que considero ser uma unidade espacial importante, espécie de pequeno país lusitano, a que nós beirões do Alto-Coa pertencemos, e aferir assim de hipotéticos avanços, faseados no tempo, de forças invasoras, provavelmente romanas. Vejamos.
O Rio Zêzere, a poente, que começa por definir o vale da Amesendinha a partir de Belmonte, mais não é, em termos etimológicos (José Pedro Machado) que o rio de César, querendo talvez significar que o espaço para além dele (adentro da hipótese que coloco – o lado poente…) é romano. Mas mais a norte, próximo de Famalicão da Serra, temos também a Ribeira do Quêcere, um afluente do Mondego, que é também o nome de César com pronúncia clássica, ou seja, o C a valer Q. Os entendidos sabem disso. Em termos delimitativos penso que o Rio Noémi, cujo significado desconheço, e que vos é aqui bem próximo, bem poderá ser o prolongamento da ribeira do Quêcere até ao Coa, a fechar o quadrilátero a norte. Mas, certo, certo, é que do lado leste temos um outro nome romano – o rio Cesarão – igualmente um rio de César, cujo aumentativo, poderia ter, tal como hoje, um sentido depreciativo ou pejorativo. Este rio, vindo de Aldeia da Ponte, a que se junta a ribeira das Chulreiras (ou Churras – ovelhas) de Aldeia Velha, fecha do lado leste o polígono ao desembocar no Coa entre Porto de Ovelha e Badamalos, como vocês sabem. A Sul, e mais uma vez, o Cancioneiro do Alto-Coa, a propósito do topónimo Malcata, seja a povoação seja a serra, diz-nos que «aí tocam armas ou caixas nem que seja para espantar os pardais». Este verso condiz, reparem bem, com o étimo de Malcata que é Male Capta, ou seja, espaço mal conquistado, querendo significar que aí, por esse lado sul, as populações do polígono em análise resistiram por largo tempo ao inimigo invasor de modo a que o fenómeno ficasse registado na linguagem. Mas há mais: o termo Coa, de um ponto de vista semântico, é francamente indígena, autóctone, a contrastar com os nomes romanos anteriores, quer considerado como cuda ou coda, com o significado de crina ou cauda de cavalo, quer seja cola – serpente. Ainda hoje o verbo colear, de cola, significa exactamente isso – serpear, serpentear. Portanto o rio Coa é pertença de povos que, entre eles, teriam o rito ou o culto da Serpente, e isto condiz ainda com o que consta do Ora Maritima de Avieno (século IV AC) ao falar dos Sefes e dos Draganes, adoradores da Serpente e do Dragão, eventualmente do Lagarto. Mas mais ainda: os dois topónimos – sabugal velho, nas imediações de Aldeia Velha e o sabugal novo (o actual) não terão nada a ver com os sabugueiros, penso, mas sim com a passagem dos sabujos em dois momentos históricos diferentes. Interessante de referir que o ponto exacto do sabugal velho não é no castro da Senhora dos Prazeres, junto da capela, mas em baixo, na ribeira das Chulreiras onde aliás existe uma cruz gravada numa pedra. Sabugal, em termos etimológicos, será assim um composto de sabujos + callis. Callis é o mesmo que a calle espanhola e significa rua, quelha, passagem estreita…Temos por aí muitos topónimos com esse nome… Sabujo, segundo o Dicionário da Língua portuguesa, significa “cão de montaria”, o que condiz com a cultura lusitana em que os perros ou cães estão em relação com os malfeitores, os prevaricadores, os traidores, os inimigos, como tenho proposto nos meus trabalhos. Portanto, estes cães, ou perros, ou sabujos, serão assim, originariamente, os romanos, os invasores, vindos de leste pelas Calçadas da Guinea, Dalmacia, e até de algumas derivações da Colimbriana que, segundo o Dr. Eurico Palos, passaria no alto do Barreiro aqui na Miuzela. Mas também pela via romana que ia de Mérida a Braga passando pela Idanha-a-Velha, Vale da Senhora da Póvoa e Centum Cellas de Belmonte… Isto converge, ainda, com os «cães de fila» do Cancioneiro do Alto-Coa que não terão nada a ver com a bondade ou maldade dos habitantes do Sabugal mas sim com os invasores de outras eras. Demasiadas coincidências! Não acham? Nada de extravagante quanto a esta minha interpretação para o étimo do Sabugal! Portugal não deriva também de portus-calle, ou seja, a passagem do porto?
Penso que a investigação, ao nível da História, pois é disso que se trata, terá abusado do método analítico e desprezado a síntese que pressupõe uma visão global, abrangente e multidisciplinar para a descoberta da verdade. Não me parece que o microscópio seja o aparelho indicado para a investigação histórica. Ao fim e ao cabo, tudo funciona como um puzzle em que as peças que não encaixam sobram necessariamente.
Finalmente, contextualizado que está, penso, o tema que aqui me trouxe, será tempo de vos falar do Porto Mancal que não pode, de modo algum, ser analisado fora da temática das Pedras que tratei nos meus três livros já publicados sobre o assunto. Não faria sentido, todavia, não sei se vocês teriam paciência para ouvir, mesmo que resumidamente, tudo o que ao tempo escrevi (1995, 2001, 2011) respectivamente em Os Cabeços das Maias, O País das Pedras e Na Rota das Pedras.
Grosso modo, e de forma sucinta, com estes meus livros, pretendi demonstrar, e penso tê-lo conseguido, que as Pedras, ou algumas Pedras, seja no tocante às muitas formas que apresentam, seja no que respeita às marcas nelas gravadas, não são um fruto da erosão provocada por ventos, mares que nunca existiram, chuvas, líquenes, como alguns pretendem, mas sim um resultado da acção do homem pela via do martelo e do escopro e do pistolo, pertencendo por isso à época e à cultura do ferro. Mais, ao inserirem-se em um contexto espacial de um determinado tipo de povoamento, no geral disperso, e de cultura (lusitana, penso), essas formas, essas marcas, têm um determinado significado que propus nos meus livros atrás referidos. E é aqui, neste tipo de interpretação proposta por mim que residirá porventura, alguma novidade, algum atrevimento, talvez pioneirismo, como lhe queiram chamar. Não há ninguém aqui, penso, que por esses barrocais fora, não tenha já tropeçado com o que parecem ser cabeças, cágados, figuras antropomórficas, zoomórficas, sulcos, poças, umas maiores, outras menores, etc, etc. No tocante à detecção do fenómeno são muitos os autores que a ele se referem. Entre outros, o nosso quase conterrâneo (da Ruvina), Dr. Joaquim Manuel Correia, já no século XIX, nas suas «Memórias sobre o Concelho do Sabugal», um grande livro, escrevia: «No limite da Ruvina cujo solo é todo granítico, existem grandes rochedos, a que chamam barrocos, que dão à paisagem um aspecto áspero e rude, mas onde há muito que observar porque nalguns existem vestígios incontestáveis de em tempos remotos o homem ter neles assinalado a sua passagem…Referimo-nos às fossas ou pias existentes nos barrocos, algumas denominadas cúpulas pelos especialistas». Leite de Vasconcelos chama-lhes covas ou covinhas. Eu chamo-lhes tão simplesmente poças, como toda a gente, por aqui, lhes chama!. Mas também as constituições dos bispados, o próprio S. Martinho de Dume (Século VI) a estas Pedras se referem ao proibirem certos cultos, por sinal bem tardios, por parte dos cristãos, que tarde ou nunca deixaram de venerar e honrar. Daí, e ainda, as muitas cruzes que por aí existem nos barrocais com vista à sua cristianização. Tratei disso abundantemente nos meus livros.
Uma das conclusões a que cheguei nos meus trabalhos, e a que já atrás aludi, é a relação directa e intrínseca dos nomes dos terrenos em que certas Pedras se situam, ou seja, os topónimos rústicos, com a função que essas Pedras tiveram em determinado momento histórico, certamente antes do advento do Cristianismo e da dita romanização. E é aqui que começa, ou melhor, continua, para mim, a história do vosso Porto Mancal que passarei a contar-vos pois, como disse no início, foi esta a principal razão que aqui me trouxe.
Conheci as sepulturas do Porto Mancal (6) aí pelos fins da década de 90 por intermédio do meu amigo, Sr. António Fernando, ao tempo penso que secretário da Junta de Freguesia da Miuzela, que fez o favor de me levar até lá, que observei e fotografei com a ideia de virem a integrar o meu livro «O País das Pedras», o que aconteceu, e que viria a ser publicado em 2001. Propus ao tempo, e mantenho, que essas sepulturas, como no geral as que se encontram abandonadas pelos nossos campos, quase sempre descontextualizadas, serviriam para expor o defunto, honrá-lo, venerá-lo, perfumá-lo, consoante o seu estatuto social ou guerreiro, antes da cremação – à semelhança, aliás, do que aconteceu com os funerais de Viriato, segundo os textos. Sabendo eu, no entanto, da relação dos topónimos com o fenómeno cultural do que aí se passava, ou à volta, dei em reflectir sobre o étimo de Mancal e proceder a outro tipo de observações, certo de que iria encontrar outros elementos, para além das sepulturas, em convergência com o seu significado. E não me enganei. Mancal vem de manco (mancus,a,um – lat.). Manco, como toda a gente sabe, é aquele que coxeia, a quem eventualmente falta uma perna; mas, na origem, manco era aquele a quem faltava qualquer coisa, fosse uma perna, um braço, uma das mãos, o nariz, ou até outras coisas em sentido ético e moral que eu agora não digo. Nesse sentido, o termo francês, «manquer», que muitos de vocês conhecem melhor que eu, estará mais próximo da sua verdadeira origem semântica pois significa tão somente faltar (seja o que for). O texto de Estrabão acerca da justiça lusitana também ajudou: «Os lusitanos cortam as mãos dos prisioneiros e consagram as direitas aos deuses; aos condenados à morte precipitam-nos e os parricidas são apedrejados e expulsos para além das montanhas e dos rios». Uma fotografia aérea do local gentilmente cedida pelo Sr. Dr. Eurico Palos, que ampliei, foi-me decisiva no sentido de poder reconstruir a área em que se situam as sepulturas, de formato ostensivamente fálico, eventualmente dividida em duas partes: uma afecta ao poder civil e militar (digamos) e a outra que seria o campo dos mortos, separados os dois espaços por uma divisória ou parede assinalada ainda hoje por um montão de pedras de que faz parte a da entrada com olhal para varal. Quanto às sepulturas, uma poça para trave mestra, mais ou menos ao meio do conjunto fúnebre, diz-nos que se tratava de uma área coberta, o que é natural. Um escudo derrubado, próximo e a sul, com o valor de sentido proibido, significa que o espaço das sepulturas era uma área interdita, o que também é natural. Um portado a norte sugere a saída dos despojos fúnebres rumo às aras crematórias, masculina e feminina, no barroco contíguo ao caminho velho e que corre junto ao muro norte do campo dos mortos. Na cabeça do acampamento, a poente, restos de muros de pedra solta atestam da existência de eventuais habitações, pelo menos duas, a justificar, no futuro, trabalhos de escavações arqueológicas.
Extra-muros, ou seja, fora da área vedada pelas paredes e alguns cavalos de frisa intervalados, na crença de que os condenados manchavam com o sangue a «civitas» ou o acampamento, tinham vez as execuções pela decapitação ou aplicação de outro tipo de penas, eventualmente a amputação de membros, a cegueira, e outras, bem em consonância com o significado e a semântica do termo Mancal. Daí os patíbulos executórios – o feminino a poente, e mais alto no terreno, assinalado por uma cabeça de mulher e com um símbolo feminino a meio de espécie de terreiro. O masculino situa-se lá ao fundo, a nascente, junto das aras crematórias. Um símbolo vélico, espécie de triângulo rectângulo, a nascente, e bem visível do fundo da ladeira, dos lados da ribeira do Noémi, atesta do grupo social e militar dominante – os vélites – a quem estaria confiado aquele espaço. As Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, surgem já na parte final do meu trabalho, como um complemento e como que por exclusão de partes, a justificar e a confirmar toda a semântica e todo o contexto fúnebre e sacrificial do Porto Mancal
Mas o texto do meu livro «Na Rota das Pedras», as fotos, e, seguramente, uma visita ao local, falarão muito mais do que aquilo que eu vos disse ou possa dizer.

Célio Rolinho Pires

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

De referir ainda que, aquando da celebração do Tratado de Alcanizes em 1297, pelo rei D. Dinis, o espaço português até ao Algarve já estava definitivamente conquistado, o que aconteceu em 1249 com o rei D. Afonso III, como é sabido. Mesmo pelo que a nós diz respeito, neste espaço de aquém do Coa, também a fronteira a essa data estava já definida por esse rio e o território organizado e defendido pela Cidade da Guarda cujo concelho em termos de projecto ia até ao Tejo (1199) mas que, na prática, teve de repartir, dada a sua extensão, pelos concelhos de Vila do Touro e Sortelha (1228) que compreendiam uma boa parte das Terras do Estremo, até à Fatela, no sopé da Serra da Gata, incluindo terras hoje espanholas, seja, Valverde del Fresno, Eljas, S. Martinho de Trevejo, Hoyos, Vila Miel, etc, onde, aliás, ainda hoje se fala um dialecto galaico-português que Leite de Vasconcelos apelida de «Samartinhego», certamente uma fala residual dos tempos da presença portuguesa no Estremo (século XII a XIV). Mais ainda, e já que se trata de direito consuetudinário, os Costumes da Guarda, reduzidos a escrito apenas em 1217, no reinado de D. Afonso II, e com aplicação seguramente no território do seu concelho, que era a margem esquerda do Coa até ao Erges, na encosta da Serra da Xalma (Valverde), falam já, no seu art.º 117-º, dos «aveladores do monte», ou seja, os vigias ou sentinelas, espalhados pelo território, que tinham privilégios idênticos aos dos andadores (espécie de GNR), aos avinadeiros encarregados de levar as partes a acordo e aos saiões que aplicavam a justiça (algozes, carrascos…). Conheço duas dessas vigias naturais, entre fragas, uma na Vila do Touro, outra no S. Cornélio. Tratei de tudo isto no meu livro «A Guarda No Caminho do Estremo» (2001) em que me propus, e penso tê-lo conseguido, definir o papel da Guarda-Cidade, no alargamento do território até ao Tejo e na definição das fronteiras com o Reino de Leão pelo Coa e pelo Erges e ainda a organização das populações, de permeio, em concelhos, nomeadamente, como disse, Vila do Touro e Sortelha. Evidente que uma análise dos Costumes da Guarda e dos Forais destes concelhos teria de ser feita e foi-me muito gratificante e compensador verificar que muito do vocabulário e da cultura popular do Alto Coa têm raízes arcaicas bem profundas, no mínimo século XIII, ou mesmo antes, dado o cariz do direito consuetudinário predominantemente oral dos Costumes da Guarda que Alexandre Herculano classifica de os mais representativos do reino. Penso que alguns conflitos entre as populações de um e do outro lado da fronteira, pelo Coa e pela Ribeira do Boi, terão sido meramente episódicos e pouco duradouros, quase sempre, por razões de acerto dos limites e poderes dos concelhos ribeirinhos. Haja nomeadamente em vista o derrube do Castelo de Vila do Touro em 1221 pelos do concelho da Guarda e o diferendo acerca dos termos entre o concelho do Sabugal e o concelho de Sortelha, já depois do Tratado de Alcanizes, e resolvido pela Carta da Fatela (do Estremo e não de Penamacor!) em 1315, sob o alto patrocínio do Rei D. Dinis (Ver A Guarda no Caminho do Estremo).
Todavia, e antes dessa circunstância do alargamento dos vários reinos hispânicos, com o objectivo comum de recuperar o território aos mouros, penso que as populações de um e de outro lado do Coa reagiram sempre em bloco e solidárias perante inimigos comuns que, no geral, se apresentavam de leste, e não foram poucos ao longo da História. Vejamos.
Logo no início do século VIII AC, com origem no Danúbio e na Anatólia, foram as invasões indo-europeias que, segundo Manuel Gorbea Almagro, professor da Universidade de Madrid, terão trazido consigo a língua, a religião, a cultura do ferro e o culto da incineração dos mortos. Serão porventura estes povos que estão na origem da cultura ibérica que os romanos vieram encontrar no século II AC, aí incluída certamente a cultura lusitana..
Depois, aí pelo século III AC, foram os cartagineses que abriram as portas aos romanos e a cujo general, Aníbal Barca, e a propósito da ferocidade dos lusitanos, se atribui a ironia da seguinte frase: «andei por lá (na Lusitânia) e o que de mais feroz encontrei foram os rebanhos que tive de afastar a pontapé para poder passar com os meus soldados».
Depois (século II AC) foram os romanos cuja luta se prolongou por cerca de dois séculos. E a luta de guerrilha desencadeada pelos povos autóctones, nomeadamente lusitanos e vetões, não foi pera doce para eles.
A seguir foram os povos bárbaros (século V DC) – vândalos, alanos, suevos, visigodos que retalharam entre si o Império Romano e estarão na origem dos vários reinos ibéricos com destaque, no início, para o Reino dos Suevos (Braga) e o Reino dos Visigodos (Toledo).
No século VIII (711) chegaram os árabes que, em pouco tempo, ocuparam a Península, à excepção das Astúrias, dando origem ao movimento de sinal contrário – a Reconquista Cristã – que terminará apenas em 1492 com a conquista do Reino de Granada.
Quanto a leoneses e castelhanos não foram poucas as vezes que as populações fronteiriças tiveram de os enfrentar, quase sempre em relação com as várias crises dinásticas, nomeadamente a de 1383/85 e aquela que se seguiu à morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir (fins do século XVI). Quer isto dizer que a independência e a liberdade de Portugal que alguns povos ibéricos separatistas ainda hoje pedem a Madrid, não foi uma dádiva dos nossos «hermanos» do tipo do «tostão manuelino» que o alcaide do Sabugal dava todos os anos em uma salva de prata ao alcaide de Sortelha por despacho de Filipe II, em 1615, segundo o tombo desta vila.
Finalmente (princípios do século XIX) foram os franceses de que o Prof. Pinto Peixoto no seu livro sobre a Miuzela nos conta tantas histórias ouvidas à sua avó, ao abordar também a questão das milícias, das ordenanças e até da Ronda, em sentido próprio, quando os tambores anunciavam o perigo pelas ruas das aldeias.
De todos estes povos, não há dúvida que aqueles que mais marcas terão deixado na nossa cultura terão sido os romanos – é pelo menos o que consta! Basta pensar na rede viária, na organização e na unidade política e administrativa das populações, no direito, aquedutos, teatros, anfiteatros, pontes, etc. Já quanto à romanização linguística e à introdução, pela primeira vez, do latim como língua mãe e base das várias línguas românicas, não me parece que isso seja tão linear assim… É francamente perturbador, pelo menos, no tocante às inscrições das Fráguas e de Lamas de Moledo, consideradas do século I AC, e até a muitos dos topónimos que fazem ainda hoje muitas das matrizes das Finanças dos vários concelhos, constatar que muitos desses nomes pertencem ao denominado português popular, seja latim, seja grego, seja céltico, seja de origem obscura, todavia português, e anterior à chegada dos romanos. É que, muitas dessas palavras, sobretudo os topónimos têm a ver com a cultura das Pedras e com a função que elas tiveram antes da romanização. Sirvam, a todos os títulos de exemplo, topónimos como a Cornusela (santuário lusitano), as Carapitas, a Maçaperra, o Peneducho, o Barroco Empinado, o Tamanco, a Laje da Lancha, a Sangrinheira, as Panchorras, o Porto Mancal, etc, etc, muitos deles tratados no meu livro «Na Rota das Pedras». É que, não faria sentido, seria mesmo um absurdo, as Pedras, nomeadamente as que integram os patíbulos executórios, de que apresento vários modelos nos meus trabalhos, incluindo o vosso Porto Mancal, terem funcionado como tal em determinado momento histórico (séculos I, II AC?) e virem a ser baptizadas pelos romanos 300 ou 400 anos mais tarde. Mas essa questão ficará para os eruditos, ou tidos como tal, resolverem.

Célio Rolinho Pires

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Ao ser convidado pelo Sr. Major General Augusto José Monteiro Valente para uma sessão de «apresentação da minha obra e de esclarecimento sobre as sepulturas do Porto Mancal e das Eiras Velhas, seu valor histórico e interpretação», «no âmbito do programa de actividades respeitantes à inauguração das instalações definitivas da Casa de Cultura Pinto Peixoto e celebração do 90-º aniversário do nascimento do seu patrono…», devo confessar-vos, com toda a franqueza, o que na altura senti: surpresa, porventura alguma perplexidade e até, porque não dizê-lo, um certo embaraço. É que, se o convite me honra, e honra com certeza, aceitá-lo, assumi-lo, responsabiliza e compromete. E isso mexe por dentro! Afinal, e por pouco, já que aceitei o convite, que agradeço, a situação em que eu me encontro neste momento, se pensarem bem, não é nada cómoda porque embora vosso vizinho e quase conterrâneo, pois sou de Pêga, eu não sou de cá, e todavia, mercê das circunstâncias, vejam bem, aceitei vir aqui para vos falar de coisas que vocês conhecem, estou em crer, muito melhor que eu, seja, o Porto Mancal, as Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, o Barreiro, a ribeira do Noémi, etc, etc. Chama-se a isso meter a foice em seara alheia e isso não vale! Talvez, no entanto, assim o espero, eu possa sair um pouco redimido, se atendermos à maneira como eu, a partir de certa altura, comecei a olhar para estas coisas… Mas isso já não é comigo.
Como já disse, eu sou de Pêga e a Miuzela, como referência, faz ainda hoje parte das minhas memórias antigas! É que, junto ao Carvalho milenar que ainda hoje lá está no largo do mercado de Pêga, havia sempre uma taberneira, acho que era a Ti Lourdes, que assentava arraiais em um caracão de pedra onde os lavradores conversavam, discutiam e bebiam e o cheirinho do trigo de quartos da Miuzela a «rescender», como diria Eça de Queiroz, e que dispensava bem qualquer tipo de peguilho, foi coisa que me ficou para sempre. Verdade! Coisas tão simples, vejam bem, como uma noz, uma castanha fora de época, um figo seco, um rebuçado, uma bola mal finta… A escolha do local pela Ti Lourdes não era ocasional: estava-se a meio do mercado do gado e, como é sabido, negócio fechado, alboroque celebrado… Mas também, e ao longo da minha vida, consegui e tenho aqui ainda bons amigos que aproveito para cumprimentar. Evoco também, se me dão licença, a memória do meu amigo César Falcão que já não está entre nós.
Posto assim perante o facto consumado de ter aceite, e ainda antes de entrar na ordem do dia pelo que a mim diz directamente respeito, deixem que eu de forma sucinta e despretensiosa, preste a minha homenagem muito sincera ao vosso conterrâneo, Prof. Dr. José Pinto Peixoto, que dá o nome à vossa Associação de Cultura, que não cheguei a conhecer, mas de quem muito ouvia falar já nos meus tempos de Faculdade, aí pela década de 60, altura em que terá sido, penso, vice-reitor da Universidade de Lisboa. Já ao tempo era sem dúvida motivo de honra e de orgulho não só para os miuzelenses, mas também para todos os beirões confinantes e vizinhos deste espaço étnico-culturalmente homogéneo na margem esquerda do Rio Coa, que «grosso modo» se desenha desde o Rio Noémi até às nascentes do Coa, e que as vicissitudes da História ajudaram a construir e a cimentar. As qualidades humanas do Prof. Pinto Peixoto, tais sejam, a simplicidade, a popularidade, a simpatia, o bairrismo, o amor à sua terra, de que muito tenho ouvido falar, juntamente com os seus predicados ao nível da ciência que fizeram dele um dos mais conceituados geofísicos e meteorologistas, sendo mesmo pioneiro ao nível do estudo do ciclo da água à escala global, fizeram dele um verdadeiro modelo e paradigma a imitar sobretudo pelos mais novos e a merecer a estima e o respeito de todos nós. Esta é assim uma reunião de beirões que aqui se juntaram, na Miuzela, para homenagear um dos seus pares, porventura o mais ilustre e representativo da sua terra em sentido lato.
O beirão, como diz Miguel Torga, no seu livro «Portugal», é um ser muito especial capaz de lá longe, América, Canadá, França…dirigir os destinos da sua terra como presidente ou secretário da junta de freguesia, para não falar, acrescentaria eu, dos que, à distância, orientam e coordenam as Irmandades dos Mortos e as mordomias do orago e de outros santos do lugar. A Beira, esta nossa Beira, é uma terra vera, verdadeira, autêntica, vestida de luto na paisagem e nas roupas dos homens e das mulheres que a habitaram e habitam. O fato do casamento haveria de ser guardado religiosamente para a mortalha, como sabemos. Não será por acaso que, por aqui, ao cemitério se chama ainda a «terra da verdade». E nós sabemos que é! Foram, sem dúvida, as vicissitudes da História, as dificuldades, as lutas com o invasor, a morte, para não falar da avareza do solo povoado de pedras enigmáticas, austeras e sombrias que fizeram desta gente o que ela é na verdade – uma gente sóbria, de poucas falas, amiga do seu amigo, pouco dada a fanfarronices ao jeito dos arraiais minhotos, com o devido respeito…
Guardarei a temática das Pedras e do Porto Mancal lá mais para o fim, se me dão licença. Deixem então que vos fale de outras coisas que me parece terem sido igualmente importantes, mesmo decisivas, para a formação da nacionalidade, ainda antes do acerto das fronteiras por D. Dinis em 1297, com o Tratado de Alcanizes. Só que talvez menos badaladas… É que, se Guimarães foi o berço da nação, as terras de Beira-Coa foram sem dúvida esquife para muitos dos nossos antepassados…
Chamei há pouco a atenção para as afinidades de ordem étnico-cultural e de boa vizinhança sobretudo entre os povos da margem esquerda do Coa, seja, Miuzela, Cerdeira, Peroficós, Marmeleiro, Rapoula, Pêga, Pousafoles, Vila do Touro, Malcata…mas também com os povos do lado de lá, embora em momentos diferentes da nossa história. Que mais não seja, a título de curiosidade, vejam no vosso livro «Miuzela, a Terra e as Gentes» da autoria do homenageado, Prof. Pinto Peixoto, página 208, a série de castelos, redutos, atalaias, vigias, castros, etc, que povoavam todo este nosso espaço com vista à defesa do território e das populações! Alguns exemplos apenas: Miuzela, para começar, Vila Fernando, Cerdeira, Águas Belas, Sortelha, Vila do Touro, Rapoula, etc, do lado de cá…mas também Caria Talaia, em frente à Rapoula, Ruvina, Sabugal, Vilar Maior, Bismula, Alfaiates, do lado de lá… Só que, e até 1297, por razões óbvias, estas fortificações, de um e do outro lado do Coa, eram, evidente, de sinal contrário, já que os de cá defendiam-se dos de lá, e os de lá dos de cá… Mesmo assim, o Cancioneiro do Alto-Coa cujas quadras, muito antigas, da idade dos étimos, estou em crer, os tocadores cantavam e tocavam nos mercados e à Ronda, aí está ainda a denunciar o que foi a unidade e o movimento solidário das populações que através do lúdico e do humor, revelam bem o que terá sido assunto bem sério em termos de história, de luto e de luta, e de sofrimento…
Apenas alguns versos:
Lagartixos os de Sortelha
Carrapatos os da Bendada
Borrachões os de Pousafoles
Falupos os de Penalobo
Cornudos os do Monte Novo
Espreita-ratos os do Ruivós,
Ceboleiros os de Peroficós
Cerdeira curtos de vista
Tocam armas em Malcata
Cães de fila os do Sabugal…
Etc, etc, etc….

Célio Rolinho Pires

Aqui há um par de meses, a imprensa espanhola e europeia em geral «crucificou» o rei Juan Carlos I devido a um acidente que ele sofreu durante a participação numa caçada aos elefantes. Todavia, se as razões de ordem ecológica eram óbvias, existia por trás uma outra questão, esta de ordem ética: o rei encontrava-se acompanhado por uma alegada amante. Uma das muitas que a imprensa «cor-de-rosa» lhe costuma atribuir.

D. João V, rei de Portugal (1706-1750). Foram bem conhecidos dos seus contemporâneos os amores do Rei Magnânimo por uma freira de Odivelas, a Madre Paula, a quem instalou, com os três filhos bastardos que dela teve, no Palácio de Palhavã

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaMuitos dos meus leitores lembrar-se-ão, por certo, de um caso semelhante, que envolveu o antigo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e uma jovem estagiária da Casa Branca, caso que chegou às mais altas instâncias do Poder americano. O bom-senso acabou por levar os senadores americanos a pôr um ponto final no folhetim. Na sociedade romana, os «senatores» eram os cidadãos nobres mais velhos e conceituados, supostamente os mais avisados, prudentes, sábios e sensatos. Infelizmente, antes como hoje, nem sempre isso acontecia. Muitos senadores romanos eram o protótipo antecipado do Frei Tomás: «Fazei o que ele diz, mas não o que ele faz.» E as denúncias sensacionalistas do jornalismo tablóide têm mostrado que alguns dos julgadores americanos também têm telhados de vidro. As pedras que, hipocritamente, atiravam sobre a Casa Branca, fizeram ricochete e estilhaçaram os seus próprios telhados.
Ninguém veja nas minhas palavras a desculpabilização do comportamento do Presidente Clinton e, do mesmo modo, do rei de Espanha. Na minha modestíssima opinião, eles agiram mal antes, durante e depois dos factos. Mas isso é uma questão, e o aproveitamento político e jornalístico do caso é outra.
Ao tempo da «lewinskyzação» da política americana, o histerismo sobre a vida privada dos políticos mostrava um sinal exterior de uma mentalidade puritana, que aparecia, aos olhos de qualquer europeu com milhares de anos de civilização às costas, como que um infantilismo histórico. Vejamos apenas alguns exemplos tirados dessa história europeia secular, cheia de casos tão ou mais explícitos que os de Clinton ou de Juan Carlos I.
Poderíamos falar de César e Cleópatra, ou de Calígula e as suas bacanais, ou da imperatriz Messalina, que parece ter hospedado no seu leito mais homens do que os que cabiam na arena do Coliseu; ou de Luís XV e a Pompadour. Ou de muitas rainhas e princesas que também não deixaram os seus créditos por mãos alheias: Catarina da Rússia, que preferia cossacos espadaúdos cheirando a vodka; ou Paulina Bonaparte, irmã de Napoleão, que, depois de se divorciar do general Leclerc, casou com o Príncipe Borghese, membro da mais alta aristocracia italiana, mas que vivia separada do marido porque este se envergonhava do seu comportamento libertino e licencioso. Poderíamos começar por tudo isso, mas comecemos antes pela nossa própria História.
São muito raros os reis de Portugal que não tiveram amantes. Abundam os bastardos e alguns deles até se tornaram reis, como acontece com D. João I, filho ilegítimo de D. Pedro I. Os casamentos régios eram geralmente uniões políticas, combinadas entre as casas reinantes da Europa, e só por sorte a um príncipe podia calhar uma princesa por quem viesse a sentir verdadeiro amor. Tanto lhe podia calhar em sorte uma mulher bela, sensível e bondosa (como parece ter acontecido com D. Dinis e D. Isabel, a futura Rainha Santa), como lhe podia sair uma mulher agreste e de pêlo na venta (como aconteceu com D. João VI e D. Carlota Joaquina). Portanto, nada de admirar que, cumprida a obrigação de assegurar descendência legítima, os monarcas procurassem outros leitos. É verdade que a religião condenava o adultério, mas havia sempre um confessor disponível para aliviar as consciências. E os reis sempre trataram bem os seus bastardinhos, nobilitando-os e doando-lhes vastas propriedades. O já citado D. João I, apesar de casado com a virtuosa e culta D. Filipa de Lencastre, não deixou de ter as suas aventuras extra-conjugais. De uma delas nasceu D. Afonso, que ele faria conde de Barcelos e duque de Bragança. Este D. Afonso, que casou com D. Brites Pereira, filha de D. Nuno Álvares Pereira, encontra-se ainda na raiz de outra das mais antigas famílias aristocráticas portuguesas, a Casa de Cadaval. E, para além disso, está também na origem da dinastia de Bragança. Duas das dinastias portuguesas tiveram, portanto, origem bastarda. E, se virmos bem, até a primeira: D. Afonso Henriques era filho de D. Teresa, ilegítima de Afonso VI de Leão e Castela. E isso que importância tem? Nenhuma.
O segundo rei de Portugal, D. Sancho I, teve 19 filhos, 11 legítimos, da rainha D. Dulce, e 8 bastardos, de várias mulheres. O próprio D. Dinis (casado com uma santa, como acima se diz!), também teve os seus amores mais ou menos clandestinos, dos quais nasceram 6 bastardos. Quanto a D. Pedro I, é bem conhecida a sua paixão extra-conjugal, avassaladora e trágica. Casado com D. Constança, viria a tomar-se de amores por uma das suas damas de companhia, a castelhana Inês de Castro, de quem teve três filhos. Já depois do assassinato de D. Inês (em 1355), D. Pedro teria ainda, de uma dama chamada Teresa Lourenço, mais dois bastardos – o já referido D. João, Mestre de Avis e futuro rei D. João I, e uma menina, D. Brites ou Beatriz. E consta até que este nosso rei D. Pedro, chamado o Cru ou o Cruel, demonstrou igualmente o seu apreço por alguns dos jovens pajens que o rodeavam.
Poderíamos multiplicar os exemplos. Ainda na história de Portugal, demos apenas mais um, o de D. João V. A rainha que lhe destinaram era uma austríaca frígida e friorenta, D. Maria Ana de Áustria, que, segundo conta José Saramago no Memorial do Convento, o fazia suar abundantemente debaixo de edredons de penas, enquanto se esforçava por garantir a sucessão ao trono. Logo que Nosso Senhor lhe deu descendência suficiente (e pela qual construiu, em troca, o próprio Convento), D. João V tratou de procurar amores mais ardentes. (Por alguma razão, no Palácio-Convento de Mafra, o quarto do rei e o quarto da rainha estão separados por um corredor com mais de 200 metros de comprimento!) Esses amores encontrou-os o Rei Magnânimo nos braços de uma freira de Odivelas, a célebre Madre Paula, de quem teve três bastardinhos. Instalou-os, juntamente com a mãe, no Palácio de Palhavã, em Lisboa, onde hoje fica a Embaixada de Espanha. Por isso, os infantes eram chamados os «meninos de Palhavã». Um deles viria a ser arcebispo de Braga e o outro Inquisidor-Mor do Reino. Como vê, leitor, em Portugal a bastardia régia nunca impediu ninguém de voar bem alto.
Na aristocrática e tradicionalista Grã-Bretanha não faltam também exemplos de amores ilícitos ao mais alto nível. Sem ser preciso recuar às tragédias históricas shakespeareanas, basta lembrarmos dois ou três casos relativamente recentes, a começar pela moralista rainha Vitória (1819-1901). Tendo subido ao trono muito jovem, com apenas 18 anos, casou em 1840 com um homem que muito amou, o Príncipe Alberto de Saxe Coburgo-Gotha. Teve um indiscutível e enorme desgosto quando enviuvou precocemente, em 1861. Durante alguns anos encerrou-se num luto puritano e obcecado, quase exigindo que o Reino inteiro partilhasse com ela esse luto. Era tão intransigente e rigorosa com os comportamentos e as aparências que ainda hoje aplicamos o adjectivo «vitoriano» a uma pessoa moralista e recatada. Pois bem: a moderna história da vida privada ainda não esclareceu suficientemente as relações que a rainha Vitória manteve com um inseparável mordomo escocês e, mais tarde, com um criado de origem indiana, com o qual viajava para onde quer que fosse. Mas tudo leva a crer que o comportamento da viúva rainha Vitória não seria lá muito «vitoriano».
Também o seu herdeiro, Eduardo, príncipe de Gales e futuro rei Eduardo VII, teve uma vida recheada de aventuras galantes, que já deram lugar a filmes e séries televisivas. Eduardo VII passou uma eternidade à espera do trono (como está a acontecer, aliás, com o actual príncipe de Gales). A rainha Vitória morreu com 82 anos e Eduardo VII já tinha 60 quando subiu ao trono, em 1901. Entretanto, enquanto esperava, foi aproveitando bem o tempo. Embora casado com a princesa Alexandra da Dinamarca, teve sempre amantes mais ou menos oficiais ou oficiosas, tendo uma especial predilecção por actrizes (o nosso rei D. Luís também tinha um fraquinho por bailarinas e cantoras espanholas). Um dos amigos íntimos de Eduardo VII foi o marquês de Soveral, diplomata português em Londres. Sabe-se que o marquês de Soveral era muito discreto e eficiente na forma diplomática como preparava os encontros amorosos do príncipe de Gales. Era, se quiséssemos usar uma linguagem vicentina, uma espécie de alcoviteiro-mor do herdeiro do trono britânico.
Não falemos, porque seria pouco «caridoso», dos amores e desamores do actual herdeiro do trono de Inglaterra. Lembremos apenas que, bem perto de nós, François Miterrand manteve, em todo o tempo em que foi Presidente da República francesa, duas mulheres e duas casas, uma a oficial e outra a secreta, situação que só assumiu publicamente quando se encontrava próximo da morte.
A vida privada dos políticos, particularmente a sua vida sexual, na Europa, raramente foi motivo para a sua exclusão do poder. E até mesmo o rei Eduardo VIII de Inglaterra, que foi forçado a abdicar do trono em 1936, quando se apaixonou pela americana divorciada Sra. Simpson, sabe-se hoje que foi mais devido às suas simpatias pró-nazis do que ao seu casamento. Ao contrário do que se passa na América, a velha sabedoria dos europeus tem-nos levado a relativizar as fraquezas humanas, sobretudo as fraquezas da carne, e a valorizar as capacidades políticas, intelectuais e humanas dos governantes. Foi talvez por isso que o antigo chanceler conservador alemão Helmut Kohl declarou aos jornalistas que a novela Clinton-Lewinsky apenas lhe «dava vómitos».
Concluamos esta crónica com uma citação de «O Príncipe», de Nicolau Maquiavel: «Não é necessário a um príncipe possuir todas as qualidades, mas sim parecer possuí-las.»
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia do Bispo, freguesia da orla raiana do concelho. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Aldeia Velha.

ALDEIA DO BISPO

O ser reguengo episcopal impunha
Obrigações mas outorgava títulos
A fé o certifica e testemunha
São laudas nobres ditas em capítulos

Pedia a liturgia novos rótulos
O corpo dos deões é que os propunha
Queimasse-se o incenso nos turibulos
A mordomia em ápice os repunha

Vulgar na toponímia lusitana
O nome, mesmo assim, exalta e ufana
E a fé, de fervente ferve em crispo

Porém, o ser do bispo e ser da raia
Conduz a que se extreme e sobressaia
E seja ela a Aldeia do Bispo

«Poetando», Manuel Leal Freire

Aqui há tempos, numa crónica intitulada «Não Matarás!», eu comentava no «Capeia Arraiana» o sempre polémico problema da pena de morte. E escrevia, logo no início desse artigo: «Vivemos tempos de insegurança e de violência urbana: a delinquência, os assaltos, as violações, a droga, os homicídios, os maus-tratos, tudo contribui para criar na boa-consciência burguesa uma predisposição quase involuntária para a aceitação da pena de morte, ainda que frequentemente as pessoas guardem dentro de si essa opinião mais radical.»

Diogo Inácio de Pina Manique, Intendente-Geral da Polícia entre 1780 e 1805, numa gravura de Domingos Sequeira

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaPeriodicamente, a propósito de crimes de sangue muito violentos, a questão volta a ser aflorada na comunicação social. Os assassinos são por vezes condenados ao cúmulo jurídico de 80 ou 90 anos, sempre traduzido na pena máxima legal de 25 anos de prisão.
Muitos desses crimes selváticos e hediondos, sobretudo quando as vítimas são mulheres ou crianças, levam muita gente, no calor da indignação e sob o efeito da repulsa, a reclamar a pena de Talião: «olho por olho, dente por dente»; ou, na versão bíblica, «quem com ferros mata, com ferros morre».
Não vou aqui repetir as considerações que já explanei no artigo acima referido. As sociedades modernas, organizadas em Estados de direito, procuram ultrapassar os instintos primários e aplicar uma justiça de rosto humano. Racionalmente, civilizadamente, não podemos admitir que, num Estado moderno, se substitua a Justiça pela Vingança. E, muito menos, aceitar que sejam os cidadãos a fazer justiça pelas suas próprias mãos.
Ora é isso que, ultimamente, se tem vindo a verificar entre nós, com uma frequência inquietante. Os réus dos julgamentos mais mediáticos e chocantes, como aconteceu com o «caso de Joana», no Algarve, ou o do chamado «Rei Ghob», têm que ser constantemente protegidos da fúria irracional das populações. Caso contrário seriam linchados. O que, aliás, já aconteceu algumas vezes (lembremos o caso dos assaltantes de um armazém de electrodomésticos, em que um deles foi morto à pancada por populares, antes de a Polícia ter tempo de chegar).
E lembremos também as milícias populares que, um pouco por todo o País, se vão organizando espontaneamente, sempre que surge um problema local, real ou aparente: os que estamos atentos à comunicação social guardamos na memória nomes como Francelos, Oleiros, Cabanelas, etc., onde os telejornais nos têm mostrado magotes irados e gesticulantes, gente armada de varapaus e de barras de ferro, pronta a fazer justiça na praça pública. Umas vezes terão as suas razões para reclamar a atenção do Estado, outras vezes nem por isso. Seja como for, nada desculpa a intolerância, o racismo e a xenofobia, nada justifica a aplicação da lei da selva. Nos dias de hoje, melhor ou pior organizados, respondendo com maior ou menor eficiência, dispomos de vários corpos policiais cuja missão fundamental é exactamente aquela que as milícias populares pretendem usurpar: proteger os cidadãos e defender o Estado de direito.
Nos nossos dias, as sociedades modernas têm à sua disposição um vasto conjunto de polícias: urbana, rural, municipal, florestal, militar, marítima, fiscal, aduaneira, de viação, sanitária, judiciária, secreta, etc. Mas nem sempre foi assim. E, quando não havia quem as defendesse, as populações organizavam-se em milícias de vigilância e de defesa, então sim plenamente justificadas. Olhemos um pouco para trás, em busca da perspectiva histórica deste problema.
A palavra «polícia» tem a mesma origem que a palavra «política»: ambas derivam do conceito grego de «polis», a «Cidade-Estado». A política é a «arte de governar a polis»; a polícia é a «força pública encarregada de manter a ordem e defender os cidadãos».
A Polícia, tal como hoje a conhecemos, é relativamente recente. Mas sempre houve, nas sociedades antigas, senão corpos policiais organizados, pelo menos militares destacados para a manutenção da ordem pública e a defesa da estrutura social estabelecida. Em Roma, por exemplo, no tempo de Augusto, essa missão era desempenhada pelos stationarii, dirigidos por 12 curatores (um por bairro). Outros magistrados, os edis, velavam pela limpeza e abastecimento da cidade, tratando também dos divertimentos.
Durante a Idade Média europeia, a vigilância da ordem pública era efectuada pelas próprias comunidades, que se organizavam para o efeito. Todavia, à medida que se foram constituindo os Estados modernos (após o Renascimento), foram surgindo polícias governamentais, quase sempre com o objectivo primordial da manutenção da ordem social e política vigente. O conceito de polícia de segurança só irá surgir com o iluminismo setecentista.
Em Portugal, desde o século XIV que os monarcas criaram corpos de patrulhamento urbano (os quadrilheiros), mais ou menos numerosos consoante as épocas, mas sempre relativamente ineficientes. O grande sismo de 1755 revelou como os lisboetas estavam desprotegidos: centenas de ladrões e assassinos saíram das prisões desmoronadas e invadiram a cidade. Pombal, com a dureza e a rapidez de decisão que o haveriam de tornar famoso, reprimiu a ferro e fogo a criminalidade, mandando a tropa enforcar no local qualquer delinquente apanhado em flagrante. E, cinco anos depois, criou a Intendência-Geral da Polícia da Corte e Reino (lei de 25-6-1760). No entanto, a Intendência pombalina visava sobretudo objectivos políticos e menos a segurança pública. Esta vertente só seria acentuada mais tarde, depois de 1780, quando Diogo Inácio de Pina Manique foi nomeado intendente-geral.
A Lisboa desta época era uma cidade suja, sombria, infestada de ladrões, vagabundos, assassinos, prostitutas e… cães (nada menos que 80 mil!). Pina Manique tinha uma tarefa ciclópica à sua frente. Tratou, em primeiro lugar, de retirar muita daquela gente das ruas: os criminosos foram perseguidos e aprisionados, introduzindo o intendente nas cadeias portuguesas as modernas práticas de ocupação prisional; as crianças abandonadas, as prostitutas e os vagabundos foram recolhidos na Casa Pia, em sectores diferenciados. Em seguida, Pina Manique criou um sistema de recolha de lixo (inexistente em qualquer cidade portuguesa) e procedeu à instalação do primeiro sistema de iluminação nas principais ruas de Lisboa. Eram já passos importantes, indispensáveis para a prevenção do crime.
Mas o intendente dispunha de um reduzido corpo de funcionários policiais. Em 1793 eram apenas 100, numa cidade de 150 mil habitantes! E muitos deles, particularmente depois de 1789 (início da Revolução Francesa e das suas repercussões em Portugal), foram utilizados como agentes secretos (os «moscas»).
Perante a escassez de meios humanos com que garantir a segurança pública, Pina Manique, um político educado na «escola» pombalina, tomou uma decisão drástica: criou as Rondas Civis, autênticas milícias populares legais. Em 1785, surgiram rondas formadas pelos habitantes de cada rua, que eram escalados para o efeito. Cada casa tinha que disponibilizar, periodicamente, um elemento para a ronda, e nenhum homem ou rapaz se podia eximir a esta obrigação. Os ricos (nobres ou burgueses) podiam fazer-se substituir pelos respectivos criados. A ronda tinha uma matraca, um instrumento de percussão com o qual dava o alarme, alertando as outras rondas e a Guarda Civil a cavalo (duas patrulhas de cinco homens cada uma, que circulavam pela cidade).
Mas tudo isto era obviamente insuficiente. Os crimes violentos continuavam, e Diogo Inácio de Pina Manique não se cansava de exigir do Estado a constituição de um corpo policial numeroso e bem organizado. Demorou 20 anos a ser escutado. Só em 1801, por decisão do Príncipe Regente D. João, sob proposta do intendente ao secretário de Estado D. Rodrigo de Sousa Coutinho, foi formada a Guarda Real da Polícia de Lisboa. Um corpo militarizado constituído, inicialmente, por 628 homens e, a partir de 1805, 1241 guardas (a pé e a cavalo).
Nesse mesmo ano morria Pina Manique, o verdadeiro fundador da Polícia de Segurança, no nosso País(1).

(1) Para mais informações sobre este assunto, leia-se o excelente estudo de Albino Lapa, História da Polícia de Lisboa, publicado em 1964.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Urgueira, aldeia anexa da freguesia de Aldeia de Santo António. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Aldeia do Bispo.

URGUEIRA

Não há de entre os arbustos montesinhos
Algum que o iguale em fonte de calor
E rei tal como são reis os rosmaninhos
Quando se trata de aromas em odor

Criado ao deus-dará pelos maninhos
Não nega a ninguém o seu favor
O que só tem de seu pó dos caminhos
Incenseia na urze o criador

Nas bênçãos, trova hinário que um poeta
Tomando posição quase de asceta
Levou ás sumidades de bandeira

E como na filha é que se vê a mãe
Daqui entoaremos nós também
Glória et Laos a esta Urgueira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Entre Setembro e Dezembro de 2012, o Teatro Municpal da Guarda (TMG) apresenta dezenas de espectáculos e actividades culturais que vão da música às artes plásticas, passando pelo teatro e pelo cinema.

Nos grandes espectáculos, destaque a 22 de Setembro para a Grande Orquestra de Verão, que se apresenta no TMG numa iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura e que contará com a Orquestra do Norte dirigida pelo maestro António Vitorino de Almeida, apresentando obras do próprio, de Mozart e de Dimitri Chostakovitch.
Em Outubro, no dia 27, é Lura quem actua no Grande Auditório. A cantora portuguesa de ascendência cabo-verdiana, por muitos vista como a nova Cesária Évora, actua no Grande Auditório. A cantora tem percorrido os principais palcos das Músicas do Mundo, cantando em crioulo.
Em Novembro, nos dias 23, 24 e 25, é a vez de «Guarda: Sopro Vital», o espectáculo que comemora o 813º aniversário da cidade mais alta e que, uma vez mais, junta em palco centenas de actores, músicos e colectividades do concelho sob a coordenação de Américo Rodrigues, numa encenação de José Rui Martins e com a direcção musical de César Prata. Trata-se de uma produção da Câmara Municipal da Guarda, do Teatro Municipal da Guarda e do Trigo Limpo Teatro ACERT.
Destaque ainda em Dezembro, no dia 15, para o grande espectáculo da fadista Cuca Roseta. A fadista da nova geração da canção nacional vem ao Grande Auditório do TMG apresentar o seu disco de estreia que leva o seu nome.
De referir que em regime de extra-programação se apresenta, a 29 de Setembro, Herman José, com o «One (Her)Man Show», um espectáculo onde o humorista português faz desfilar dezenas de personagens como Maximiana, Serafim Saudade, Nelo ou José Estebes.
Na nova programação, destaque ainda para as estreias. A 3 de Novembro, «Cine Concerto 2» apresenta três curtas-metragens musicadas ao vivo por três artistas da Guarda. «A Propósito de Nice», de Jean Vigo, terá música original de Miguel Cordeiro, «The Blacksmith», de Buster Keaton, será musicado por César Prata, e «Überfall», de Ernö Metzner, contará com música de Luís Rolo. Outra estreia será a da nova produção do Projéc~: «As últimas palavras de Swaso Camacase – ou Um pouco mais de nada» de Pedro Dias de Almeida. A peça pode ser vista nos dias 26, 27 e 28 de Setembro; tem encenação e interpretação de Américo Rodrigues e música original de Micro Animal Voice. Na noite da estreia, será ainda apresentado o «Caderno TMG» desta peça, contando com a presença de autor e encenador.
Também no Síntese – Ciclo de Música Contemporânea da Guarda, organizado em parceria com o grupo homónimo, haverá estreias. O ciclo decorrerá a 20 de Setembro com o Performa Ensemble a fazer a estreia absoluta de uma obra da compositora Sara Carvalho, para além de o grupo interpretar ainda obras de outros compositores. No dia 4 de Outubro é o Síntese – Grupo de Música Contemporânea que faz a estreia absoluta de duas obras: «in modo concertante», de Sérgio Azevedo, uma obra concertante para violoncelo e grupo de câmara, dedicada à memória de Bernardo Sassetti, e «Narrativas», de Duarte Silva, para quarteto de cordas. E no último dia do ciclo é João Pedro Delgado que apresenta em estreia absoluta «Canções e Instrumentos Solistas – obras para voz, piano, saxofone, violino, viola e violoncelo», da sua autoria, no dia 19 de Outubro.
Para além dos destaques já referidos na área da música, o TMG apresenta ainda a 14 de Setembro Nawal (Ilhas Comores/França). A cantora, compositora herdeira da filosofia Sufi e multi-instrumentista toca gambusi (alaúde Tradicional) e percussão diversificada. Destaque ainda para o espectáculo que comemora no TMG o Dia Mundial da Música, «Guarda-Músicas: Uma viagem Musical», no dia 1 de Outubro. Trata-se de uma grande festa com dezenas de músicos a actuar pelos espaços mais inusitados do TMG desde o sub-palco ao terraço, entre as 21h e as 24h. A 30 de Outubro é o Noiserv que actua no TMG. O músico, autor da banda sonora do documentário “José e Pilar” regressa ao TMG para actuar desta vez no Pequeno Auditório.
No teatro, para além das estreias do Projéc~ e do espectáculo que comemora o dia da cidade destacam-se: «Aqui ninguém paga!», de Dario Fo, que o Teatro das Beiras apresenta a 26 de Outubro; «Farsas y Églogas», pelas conceituadas Compañía Nacional de Teatro Clásico e pela Nao d’Amores (Espanha), no dia 12 de Outubro; a divertida peça «Édipo», pela Companhia Chapitô a 9 de Novembro; e «As lágrimas amargas de Petra Von Kant», de R. W. Fassbinder, uma co-produção da ACE Teatro do Bolhão e Teatro Nacional D. Maria II. Uma história de mulheres que junta em palco Ana Padrão, Custódia Gallego, Diana Costa e Silva, Inês Castel-Branco, Isabel Ruth e Cláudia Carvalho, no dia 14 de Dezembro.
A iniciativa Famílias ao Teatro continua a marcar presença na programação dos últimos meses do ano. O público das famílias pode contar com três propostas em diferentes áreas como o teatro, o novo circo ou a dança para bebés. Para ver a 15 de Setembro, o divertido espectáculo «Action Man» por Raul Cano/ Ylana (Espanha); a 6 de Outubro, «Pas perdu», pela Companhia Les Argonautes (Bélgica); e «Pequenos Mundos», de Joclécio Azevedo e Teresa Prima, no dia 17 de Novembro.
Nestes últimos meses, a Galeria de Arte do TMG recebe a exposição «KARMAMUDRA», de Vítor Pomar, entre 8 de Setembro e 28 de Outubro. Uma exposição na qual o artista invoca a dimensão simbólica que está presente em toda a actividade humana e em particular nos relacionamentos e união de energias.
Destaque ainda para as exposições «Paisagens Improváveis», com Albuquerque Mendes, André Cepeda, António Olaio, Diego del Pozo, Gabriela Albergaria, Hugo Alonso, Irene Izquierdo, José Carlos Nascimento, José Luis Pinto e José Maria Yagüe e «Signos de Fronteira: propostas visuais de novos artistas», com Diana González, Elizabeth Leite, Ivo Andrade, Jairo Rekena, Javier Alfageme, João Currais, Juan Antonio Gil Segóvia, Julio García Falagán, Nuno Viegas e Rodrigo Neto. Ambas as exposições são uma Co-produção TMG / Junta de Castilla y León e estão patentes entre 10 de Novembro e 30 de Dezembro respectivamente na Galeria de Arte do TMG e na Galeria do Paço da Cultura. A iniciativa decorre no âmbito da cooperação transfronteiriça do Projecto REDES II e numa co-produção do Teatro Municipal da Guarda e da Junta de Castilla y León, mostrando trabalhos de artistas da zona centro de Portugal e da região de Castilla y León, em Espanha.
No Cinema, filmes de Wes Anderson, Gonçalo Tochas, Jacques Revette, Markus Scheleinzer, Bem Safdie e Joshua Safdie, Marcos Farias Ferreira e Arnaud Despleechin.
E no Café Concerto apresentam-se os projectos: Bela Nafa, JP Simões, Luís Vicente Trio, Abztraqt Sir Q, Vim-te Dizer, Demian Cabaud, José Peixoto/António Quintino + José Salgueiro, Nicolau Pais & Os Originais e Mind Da Gap.
plb (com TMG)

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto aos Amiais, pequena aldeia anexa da freguesia de Aldeia de Santo António. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra anexa: a Urgueira.

AMIAIS

Bifronte o amieiro em seu destino
Mil vezes entre a lama enlameado
Mas outros talhando o desatino
Ao cimo dos altares alçapremado

O férreo tamanco agrilhoado
O povo o recorda e em seu ensino
Aos Santos aparece religado
Gémeos irmãos quais o bronze e o sino

A dura pedra o escultor amolda
Do inerme bloco sai formosa Isolda
A derreter Tristão por derradeiro

Por sobre os troncos obra igual milagre
O vero artesão que se consagre
A tornar sacro o pau do amieiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

AMANHÃ, 6 DE AGOSTO, TUDO COMEÇA… NA LAGEOSA DA RAIA

«Pouca gente saberá explicar que fenómeno é este que faz com que as pessoas mais idosas, muitas vezes de bengala e com dificuldade de movimentos, consigam sair de casa e encalampeirar-se num palco ou enfiar-se num buraco debaixo de um carro, para não perder nem um carxinho do espectáculo! Por vezes, dá-se a desculpa do filho ou do neto que andam no corro… Outras, foge a boca para a verdade e confessa-se: «Não há nada melhor que a capeia! Não sou capaz de ficar em casa… Para o ano, quem sabe se cá estou!»

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Texto de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»

Vá às capeias arraianas que se realizam na raia sabugalense durante o mês de Agosto. Consulte o calendário das capeias de 2012 que o blogue disponibiliza.
jcl e plb

Nem sempre a História foi feita por solenes senhores de respeitáveis barbas brancas, ou por ministros de puritanas suíças ruivas, ou por autoritários imperadores de bigode eriçado. Entre desgraças e maus-humores encontramos sempre quiméricos Quixotes e prosaicos Sanchos Panças, à mistura com subtis Erasmos e irónicos Eças. No entanto, nos testes escritos (os «pontos»), os nossos alunos conseguem o prodígio de nos revelar uma História insuspeitada, divertida, sacudida da poeira e das teias de aranha que, por vezes, a tornam tão maçadora.

A arte ao serviço da educação

Adérito Tavares - Na Raia da Memória«Pontos»! Fazê-los. Vê-los. Às centenas. Repeti dos. Monótonos. Cheios de erros ortográficos. É o nosso tormento, a nossa cruz, o nosso pesadelo! Claro, não é isso que manda a cartilha didáctico-pedagógica: o ensino planificado, as metas, os testes de diagnóstico e de posição, os testes formativos e sumativos, etc., etc. Os testes são indispensáveis, eu sei. Mas corrigi-los! E se o desgraçado professor tem 10 turmas de 30 alunos? Trezentos pontos!!!
Bom, mas não estou aqui para me encostar ao muro das lamentações. Pelo contrário: o título, lá em cima, promete coisa leve. No meio de toda a monotonia e aridez da correcção das provas escritas surge, aqui e além, um oásis repousante: são as «anedotas» involuntárias que os alunos nos oferecem. Qual o professor que as não encontrou? Quando nos juntamos, temos sempre uma na ponta da língua. Ainda recentemente uma revista escrevia sobre o assunto e, há anos, foi editado um livro sobre o tema. Quanto a mim, desde há muito que vou anotando graças involuntárias, quase sempre fruto da ignorância, da distracção ou da ingenuidade. O riso, ao contrário do que se diz, não é sinal de pouco siso. Só os animais inteligentes riem. E nós temos direito ao riso. Aqui ficam registadas algumas das muitas piadas recolhidas ao longo de vários anos de «pontos» de História.
Comecemos pela Pré-História. Um aluno distinguia assim os três grandes períodos do Paleolítico: «No Paleolítico Inferior, os homens usavam pedras, no Paleolítico Médio usavam espadas e no Paleolítico Superior usavam espingardas.» Outro, fez uma curiosa estatística demográfica: «Os pré-históricos faziam deusas da fertilidade porque em cada criança que nascia muitas morriam.»
A arte do povo do Nilo sempre intrigou aquele aluno que escrevia: «Os Egípcios eram um povo muito engraçado: andavam de lado.» Outro, à pergunta: «Na monarquia teocrática egípcia, qual era o papel do faraó?», respondeu com uma lógica irrefutável: «O papel do faraó era o papiro.» Ainda a propósito da história egípcia, escrevia um rapazinho: «No Egipto, a medicina não era propriamente para curar mas sim para tratamento dos mortos.» Finalmente, esta curiosa conclusão epis temológica: «Os Egípcios desenvolveram a astronomia hidráulica.»
A civilização hebraica inspirou mais estas: «Os Hebreus foram para a Palestina pastar»; «Abraão levou os Hebreus para Israel, que era a terra onde corria o leite e a manteiga»; «A Bíblia é o livro sagrado onde está escrita toda a vida de Jesus Cristo, antes e depois de Ele nascer».
A civilização romana também tem os seus apreciadores: «Roma foi fundada por dois recém -nascidos»; «A organização do Império Romano era uma organização muito bem organizada.» Por sua vez, «a Península Ibérica foi muito difícil de conquistar, porque estava rodeada de água por todos os lados menos por um». E Nero, dizia um dos meus alunos que «era imperador porque bebia muitas imperiais».
Avançando agora para a Idade Média, encontramos aquela menina que afirmava que «o Papa con cedeu ao rei o direito de investir». Ou ainda o outro que estabelecia conceitos inovadores: «A lei mental excluía os descendentes varões femininos.» E o leitor sabia que «D. Fernando fez a lei das Seis Marias»? Aliás, na História de Portugal não faltam exemplos graciosos, como aquele do aluno que, depois de baralhar os nomes, afirmava: «Pedro Álvares Pereira descobriu o Brasil depois de ganhar a batalha de Aljubarrota.» Quais são as características da arte manuelina? É fácil: «Os componentes da arte manuelina são a pedra, o cimento e a cal.»
E, acerca dos descobrimentos, esta prodigiosa descoberta: «Antes de descobrirem as terras, os Portugueses estudavam a sua situação nas cartas de marear.» Um autêntico ovo de Colombo, portanto. Quanto ao D. Sebastião, o Encoberto, dizia um rapazinho: «D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, sendo aprisionado pelos Castelhanos. Ele morreu numa manhã de nevoeiro.» E, se o leitor não sabia, fica a saber que «a baixa pombalina chama-se assim porque tem muitos pombos».
O Renascimento italiano é um período que costuma fascinar os jovens. Só que, por vezes, os conceitos saem ligeiramente distorcidos pela ortografia, como no caso daquela menina gue escrevia, com ingénua ignorância: «Miguel Ângelo desenhou a cópula da Basília de S. Pedro.» Ou, ainda, no caso de um moço sem grande sensibilidade para as subtilezas da língua portuguesa, que afirmava: «Os mecenas eram senhores do Renascimento que costumavam acariciar os artistas.» Claro que o que eles costumavam era acarinhar os artistas. Honi soit qui mal y pense! Se não fosse deseducativo, eu podia ter escrito por baixo: «Às vezes também!»
Em Portugal, D. João III foi um rei-mecenas. Pergunta, a um aluno do 10.º ano: «Fale da política cultural de D. João III.» Resposta: «Pode-se dizer que D. João III era mais culto que D. João II e muito mais que D. João I.» Apeteceu-me anotar por baixo, com uma dupla ironia que ele, seguramente, não alcançaria: «Que grande cultura não teria D. João VI!»
A revolução industrial, o sindicalismo, as ideias socialistas, etc., também têm originado boas piadas (por favor, não me interpretem mal). Dizia um jovem e aplicado estudante, matando dois coelhos de uma cajadada: «A Inglaterra dispunha de muita mão-de-obra-prima.» Por sua vez, outro afirmava que «o Comboio revolucionou a revolução dos transportes». E um terceiro garantia que «o socialismo utópico é aquele que chega ao topo». Ainda dentro do mesmo tema: perante a miséria da classe operária, no século XIX, qual foi a resposta do movimento sindical? Conclusão óbvia de um aluno com nítida vocação burocrática: «O movimento sindical respondeu dizendo que ia estudar o caso…»
Finalmente, um exemplo daquilo a que nós chamamos «palha», isto é, escrita para encher, sem ideias nem conteúdo, numa hábil manobra de «deitar o barro à parede». Pode ser que pegue! Pedia-se para os alunos, num exame de História das Artes Visuais, falarem da arquitectura romântica. E surgiu esta preciosidade: «As características básicas deste edifício são inovadoras, pois a dinâmica elaboral flui sem precedentes do exotismo das linhas arquitectónicas. A linha básica é canalizada por detorpismo de formas e pelo exagero de cenas decadentes e improvisadas, representativas da cultura romantesca não incluída nos padrões projectuais vigorizantes.» Um espanto! Com neologismos e tudo.
É tempo de acabar. Aguardemos por mais. A originalidade e a criatividade dos nossos jovens alunos são uma promessa de humor constante e renovado. E Clio (a musa da História) não se zanga.

As cabecinhas formatadas da «geração computorizada»

«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaE ainda na minha viagem pelos castelos de Fronteira, surge-me Penamacor que não posso de modo algum esquecer. Tornada uma vila com história, Penamacor enleia-se na altivez da sua Torre de Menagem, na beleza da sua “Domus Municipalis”, nas marcas que provam como atravessou as épocas e permaneceu, apesar de muito esquecido pelos tempos. O castelo e fortaleza são ainda sinais de que o passado não pode ser totalmente apagado, uma vez que deixou registos do vigor das gentes ou dos cuidados régios.
Penamacor foi um dos mais poderosos castelos beirões e continua a ser uma porta de passagem para a Reserva Natural da Serra da Malcata que abriga um espécime enriquecedor do património da região: o lince ibérico.

PENAMACOR

Eis que vem Penamacor
De castro romanizado
Onde terá nascido Vamba
Rei godo eternizado
Eis que regressa D. Sancho
Que também te deu foral
E com D. Afonso III
Tiveste Feira anual
Vem então D. Dinis
De visões largas, como se diz.

E no livro das fortalezas
Duarte de armas escreve
Que as obras de remodelação
Torre de menagem descreve
E na guerra da Restauração
A fronteira de Penamacor
Cresceu em Conselho de Guerra
Que aumentou seu valor
Castelo Melhor e Marquês
Reforçaram muralhas que pólvora desfez.

Mais tarde as pedras usadas
Para se fazerem moradas
Mas o Domus Municipalis
Fortaleceu suas fachadas
E no final do século XX
É Monumento Nacional
Que se mantém alerta na vila
Com sua Torre principal
Para que recordemos e sempre
O seu valor monumental.

E lembro ainda a lenda
Que fez surgir o desejado
Como se Sebastião fosse
Pelo povo, ai, tão amado.
Ali foi então acolhido
Como Rei e proclamado
Porém o demo tapa e destapa
Foi descoberto e castigado
Mas Penamacor ainda vence
E a quem o visita, convence.

O meu carinho a Penamacor

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Depois de sete anos como professora cooperante em São Tomé e Príncipe a jovem professora Petra decidiu regressar em definitivo a Portugal.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaA jovem fojeira convidou sete colegas seus, também cooperantes, para virem conhecer os Fóios e a região.
Ontem, à noite, quarta-feira, dia 1 de Agosto, promoveram um jantar convívio – ou poético – como lhe chamaram.
Este grupo de jovens professores e professoras tem muito nível e muito treino no campo das letras. Todos eles, e elas, leram poemas de encantar.
Também a nossa poetisa, Amélia Rei, brindou o grupo com a leitura de um poema, alusivo às capeias, por estarmos na altura delas.
A Ramitos, como anfitriã e mãe da Petra, provou porque é que o Eldorado é um restaurante de excelência e de referência.
Tanto o Presidente da Junta dos Fóios como o Presidente da Câmara do Sabugal entregaram algumas lembranças aos ilustres visitantes que prometeram voltar.
Obrigado, Petra, pelo excelente serão poético que nos proporcionaste.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

O secretário-geral do Partido Socialista vai estar em Penamacor, a sua terra natal, no dia 5 de Agosto (domingo), para apresentar o livro «As Estranhas e fantásticas histórias de Jolon», que reúne textos de Jolon, o correspondente do Jornal do Fundão naquele concelho.

Segundo noticia a agência Lusa, José Lopes Nunes (Jolon) nasceu na freguesia de Aranhas, Penamacor, a 29 de Setembro de 1943, e foi chefe de redacção do jornal A Verdade de Penamacor, do qual António José Seguro era director.
O livro das edições A23 percorre, ao longo de 300 páginas, os últimos 40 anos da vida do concelho do distrito de Castelo Branco, destacando tradições, profissões em vias de extinção e «histórias fantásticas de velhotes que povoam a paisagem humana da raia», refere a editora em comunicado.
O livro será apresentado às 18h30 por António José Seguro e o director do Jornal do Fundão Fernando Paulouro Neves, no auditório da pólo da Academia de Música e Dança de Penamacor, no antigo quartel militar da vila.
plb

Já por mais que uma vez, nesta «raia da memória», pedi títulos emprestados. Volta a ser o caso de hoje: «Noite e nevoeiro» é o título de um admirável filme de Alain Resnais sobre o Holocausto, um verdadeiro libelo acusatório sobre a barbárie nazi e, simultaneamente, uma reflexão sobre os limites da crueldade humana.

Monumento em memória das crianças vítimas dos nazis em Lídice, na Checoslováquia
Gravura do século XVI alusiva ao Massacre de Lisboa de 1506 Memorial do Massacre de Lisboa, no Largo de São Domingos, inaugurado em 19 de Abril de 2006 Mulheres e crianças judias, em Auschwitz, pouco antes de serem conduzidas às câmaras de gás

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaJá foram escritos milhares de livros e realizados inúmeros filmes sobre esta temática; os factos ocorreram há setenta anos, numa Europa varrida pela maré negra dos extremismos (fascismo, nazismo e estalinismo); vivemos em democracia, não vislumbramos no horizonte europeu novos Mussolinis, Hitleres ou Estalines; então porquê insistirmos no mesmo tema?
Não tenho certezas sobre isto. Costumo dar a ler aos meus alunos de História Contemporânea um texto de Umberto Eco intitulado «O protofascismo», no qual o conhecido escritor italiano desenvolve a ideia de que o fascismo não é um fenómeno histórico localizado no tempo, que surgiu e se afirmou um pouco por toda a Europa nos anos 20 e 30 do século passado, e ao qual a vitória das democracias em 1945 pôs um ponto final. Para Umberto Eco, o fascismo é intemporal, encontrando-se de forma embrionária e latente no seio das sociedades humanas; bastará que as circunstâncias económicas, sociais e políticas se conjuguem para ele ressurgir. O «ovo da serpente» está pronto para ser chocado pelas dificuldades económicas, o hiper-desemprego, os nacionalismos exacerbados, os egoísmos nacionais, o militarismo, o proteccionismo, etc.
Já assistimos, nos anos 90 do século XX, ao afloramento de práticas nazi-fascistas nos Balcãs. Voltámos a ver prisioneiros esqueléticos em campos de concentração sérvios e descobrimos, horrorizados, o massacre de milhares de bósnios muçulmanos em Srebrenica, cujas valas comuns se assemelhavam às da floresta de Katyn.
Mas será que a civilizada União Europeia corre o risco de regredir à «noite e nevoeiro» da «era dos extremos»? Não estaremos já vacinados contra os extremismos e os anti-semitismos? Talvez não. O ressurgimento de forças políticas de ultradireita na Áustria, na Holanda, na Alemanha, na Itália e até nos civilizadíssimos países escandinavos não nos deixa descansados. Outro sinal preocupante é o alastramento do negacionismo relativamente ao Holocausto: «As câmaras de gás e os fornos crematórios onde foram assassinados milhões de seres humanos nunca existiram.» Afirma-o (sem grande credibilidade é certo) o presidente do Irão, mas também filósofos como Roger Garaudy, corifeu daqueles a quem Mário Vargas Llosa chama «los Purificadores». E o senhor Le Pen, sem coragem para ir mais longe, classifica o Holocausto como «um detalhe da História».
A 2.ª Guerra Mundial deixou atrás de si um rasto de morte e destruição (50 milhões de mortos, incontáveis feridos, deslocados e desaparecidos, cidades arrasadas). O sofrimento humano foi indescritível, mas existem episódios que, por si só, nos dão a dimensão da desumanidade alcançada nesta época; uma desumanidade tão extrema que levou a historiadora Hannah Arendt a falar, relativamente ao totalitarismo nazi, em «banalização do mal». Podíamos aqui referir os casos das cidades de Oradour-sur-Glane, em França, e de Lídice, na Checoslováquia, cujas populações foram completamente exterminadas pelos nazis – homens, mulheres e crianças. Mas limitemo-nos a transcrever um episódio ocorrido em 10 de Julho de 1941 na aldeia polaca de Jedwabne, descrito por Jan Tomasz Gross, no seu livro Vizinhos. Este massacre, segundo Gross, teria sido perpetrado com a colaboração activa de parte da população não-judia da aldeia:
«Depois de cercarem a vila por guardas para que ninguém pudesse escapar, os judeus foram obrigados a dirigirem-se até ao celeiro, numa via dolorosa pontuada por violentos espancamentos: ensanguentados e feridos, foram empurrados para o interior do celeiro. Depois, este foi regado com querosene e incendiado. A seguir, os selvagens andaram de casa em casa à procura dos doentes e crianças que tivessem ficado para trás. Transportaram para o celeiro os doentes que encontraram, enquanto as crianças eram atadas pelas pernas, umas às outras, em pequenos grupos e levadas às costas e depois colocadas em forquilhas para serem atiradas às chamas.»
Em contraponto, para reforçar a ideia de intemporalidade do racismo e dos extremismos religiosos, defendida por Umberto Eco, podemos citar um drama semelhante a este mas muito mais antigo, narrado por Damião de Góis na sua Crónica do Felicíssimo Rei D. Emanuel, a propósito do massacre de judeus em Lisboa no ano de 1506. Apesar da distância temporal, as semelhanças são evidentes:
«Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na Ribeira e no Rossio. […] E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas. A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens, os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes.»
Paremos um pouco para respirar fundo. Os tempos de crise e de desnorte que vivemos, em que todas as nossas certezas parecem desmoronar-se como castelos de cartas, obrigam-nos a repensar o presente à luz dos erros do passado. Na Espanha, o desemprego total anda pelos 24% e o desemprego jovem aproxima-se dos 50%! Os números em Portugal ainda não são tão dramáticos mas são igualmente assustadores. Sem querer fazer induções anacrónicas, lembro que, quando os nazis chegaram ao poder, em Janeiro de 1933, o desemprego total na Alemanha tinha atingido 43%! Estamos na hora de a Europa acordar e de se olhar ao espelho da sua História.

Por ordem do general De Gaulle, Oradour-sur-Glane nunca foi reconstruída. Permanece como um memorial da 2.ª Guerra Mundial

«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
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Era tarde, quase noite e o sol apresentava-se palidamente frio para a época de Verão. Surgia-me, uma vez mais, a urgência de escalar o meu Monte, o Monte do Jarmelo. Assolava-me a tal vontade incontida de verificar as encostas com ervas expostas, de confirmar as moitas desordenadas e as margens das múltiplas regueiras secas a sulcar o chão, embora impotentes e inofensivas. Era mais uma subida, mais uma visita a somar a milhentas outras.

Martírio de Inês de Castro representado no alto do Jarmelo

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»No espaço lá em cima, naquele espaço coincidente com a Antiga Vila, lá onde, em tempos, as velhas ruas se encruzilhavam, irrompem agora rodeiras verdes que ziguezagueiam por entre a ingremidade das rochas.
É um o velho hábito, este, de aqui vir rever o Monte, para o saudar na sua quietude, para, junto com ele, imaginar tempos idos e para lhe averiguar a mutação do revestimento vegetativo.
Lá, nas alturas, um pouco abaixo do enorme marco geodésico persiste, ainda, alguma urbanidade. Para além das novas instalações da Junta de Freguesia e da Casa da Câmara, resiste ao tempo um velho campanário que continua a convidar os fiéis a entrar nas duas igrejas, convictas, onde os jarmelistas continuam a rezar. Os naturais do atual Jarmelo mantêm, no essencial, as mesmas características dos naturais do antigo Jarmelo. São gente que sempre se persignou numa fé sem dúvidas e é detentora de uma devoção e de um respeito isento de qualquer desconcerto.
Para além dos ténues sinais urbanos, quase tudo são ruínas. Mantêm-se restos de paredes destruídas, algo altivas e tristemente medievais, que impõem o silêncio da pedra e a perfusa dispersão da solidão. Mas nutrem-se, ainda, neste local alguns sentimentos anacrónicos dos escassíssimos habitantes da base do Monte completamente dados a efemérides.
O Jarmelo, acabou por sucumbir, ao lado de um passado histórico que continua a servir de pretexto para metáforas e alegorias. Na recordação dos amores de Pedro e Inês relembra-se a possibilidade de amores impossíveis.
As velhas casas, quase desfeitas, inundam-se de silêncios rudes e de ásperos esquecimentos ainda que deixando transparecer escassos sinais de uma Vila antiga, alta, volátil e trágica que, agora, se expõe em ruínas e recordações patrióticas, envolta numa melancolia amadurecida pela resignação dos séculos. São, sim, vestígios que não querem nem podem desistir da altura do monte, intrometido no céu, com um cimo aclarado pelo marco geodésico. De resto o cume do monte é esbelto, moldurado à imagem de dois seios de mulher, muito belo e sensual.
Este sítio testemunhou caçadas e estadias reais, numa terra com tradição de caça. Presentemente é um lugar de palavra pouco ouvida, virado para dentro dos seus próprios limites serracenos num território abençoado por história e lendas.
Por aqui se crê no milagre do sol em tardes de Inverno. Por aqui se grita verde até às securas do Verão e, sendo embora sítio de olvido, ainda é possível acreditar que algo de bom ou de mau possa acontecer.
Povoam ,ultimamente, o Monte, um conjunto de estátuas alusivas ao assassínio de Inês de Castro. Lá no cimo, à entrada da Vila, num quase paraíso para o olhar mas vencendo infernos de calor estival ou resistindo a invernos gélidos e ventosos as estátuas parecem conversar entre elas, em pose lenta, ensaiando a explicação do sucedido há vários séculos. Elas ligam o Monte a ele próprio através da história, trazem o passado ao presente e reforçam o carisma destes sítios provando, também, a arte, a criatividade e a sensibilidade jarmelistas visto que o escultor é natural do Jarmelo.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

A Banda Filarmónica de Pínzio – 1888-2012 – comemora, este ano, 124 anos de existência.

As comemorações dos 124 anos de existência da Banda Filarmónica de Pínzio decorreram nos dias 13, 14 e 15 de julho com grande adesão da população.
Nos dias 13 e 14, decorreu o 1.º Estágio de Orquestra Juvenil de Sopros e Percussão da Associação Cultural de Pínzio em que participaram elementos das bandas filarmónicas de Bendada, Covilhã, Malhada Sorda, Pinhel, Pínzio e Vale de Azares. Ainda no dia 14, teve lugar a audição dos alunos da Escola de Música e o Concerto da Orquestra Juvenil de Sopros e Percussão. Foram momentos de grande qualidade aqueles a que pudemos assistir.
No dia 15 a Banda anfitriã recebeu as Bandas de Santana (Figueira da Foz) e Charneca do Lumiar (Lisboa). Foi o reencontro de bandas amigas que há muito se conhecem. As três tiveram prestações de excelente nível.
As comemorações constituíram uma manifestação de grande vitalidade da Banda e da associação a que pertence: a Associação Cultural de Pínzio.
A todos os que contribuíram para o evento, aos convidados e aos executantes, a Banda Filarmónica de Pínzio e a Associação Cultural de Pínzio deixam o seu profundo e sentido agradecimento.
José Dinis

Estamos em «Ano Olímpico»: não tarda, desta vez em Londres, iniciar-se-á mais uma Olimpíada Moderna. Talvez valha a pena, como temos feito nesta «Raia da Memória», tentarmos estabelecer mais algumas relações passado-presente.

Prova de corrida nos Jogos Olímpicos antigos. Pintura de um vaso de cerâmica ateniense (séc. V a. C.)
Discóbolo, do escultor grego Míron (séc. V a. C.) Carlos Lopes, medalha de ouro na Maratona, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) Rosa Mota, medalha de ouro na Maratona, nos Jogos Olímpicos de Seul (1988)

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaO historiador inglês Arnold Toynbee considerava que, na origem das civilizações, se encontrava sempre um processo de desafio-resposta. A humanidade avançava, progredia, criava civilização quando respondia positivamente aos desafios naturais – a caça, a pesca, a agricultura foram respostas ao desafio fome; a disputa das cavernas aos animais ferozes, a construção de cabanas, de casas, de arranha-céus, foi a resposta ao desafio frio. E assim por diante. Dito de outro modo: todo o processo histórico se teria resumido a uma constante fuga à dor e busca do prazer. Nas áreas onde os estímulos eram demasiado fortes (como as regiões polares) ou demasiado fracos (como os trópicos), as civilizações não se desenvolveram ou estagnaram.
E quem respondia aos estímulos? Seria uma resposta colectiva ou individual? Seria dada por toda a comunidade ou só por alguns dos seus elementos? Na opinião de Toynbee, apenas alguns indivíduos excepcionais, que ele designava por «minoria criadora», respondia aos estímulos e, portanto, geravam cultura e civilização. Esses teriam sido os génios, os insubmissos, os inconformistas, os inovadores − os Aristóteles, os Arquimedes, os Galenos, os Da Vincis, os Galileus, os Hertz, os Darwins, os Einsteins, os Picassos, etc. Teriam sido esses os homens que ultrapassaram os limites, que dilataram as fronteiras do conhecimento.
Trata-se de uma tese, de uma opinião, da qual podemos obviamente discordar. Pessoalmente, penso que esta análise do processo evolutivo das sociedades humanas é demasiado esquemática, demasiado linear. As coisas nem sempre são apenas isto ou aquilo. Há inúmeras variáveis que podem condicionar o processo histórico. Até o acaso, como vimos numa destas crónicas. E, se é verdade que o papel do indivíduo como agente da história não pode ser ignorado, não é menos verdade que cada vez mais tem que ser tomado em consideração o papel das massas, das classes sociais, dos grupos de pressão, das instituições, etc. A concepção de história baseada exclusivamente na decisiva actuação dos Césares e dos Napoleões está ultrapassada. Mais que a história das árvores, procura-se hoje fazer a história da floresta. Ainda que no meio dela existam árvores mais altas ou mais frondosas, que dão mais frutos ou mais sombra. Mas essas árvores, por si, não formam a floresta. Hoje, a história é a «ciência dos homens no tempo», como dizia Marc Bloch. Dos homens e das mulheres no seu todo, em sociedade.
E, no entanto, vivemos tempos de individualismo e de fortíssima competição. Mas só na aparência este facto é contraditório em relação a uma história cujo agente primordial é colectivo. Cada vez mais, nas sociedades contemporâneas, exaltamos os ganhadores, o triunfo, o sucesso. Teria Toynbee razão? As nossas sociedades progridem e avançam em função da resposta de uma «minoria criadora»? Não forçosamente. É verdade que incensamos os heróis da política, do espectáculo e do desporto. Mas que tem isso de mal? Absolutamente nada. A competição estimulante faz parte da natureza humana. É natural e saudável que as crianças e os jovens lutem pelas melhores classificações, pelo primeiro lugar nos jogos, pelo emprego melhor remunerado. Foi precisamente a convicção de que o estímulo concorrencial era maléfico, de que os homens deviam ser tratados todos igualitariamente, que conduziu à atrofia económica e cultural das sociedades ditas socialistas. Segundo parece, o homem gosta de lutar pelo triunfo, sobretudo se souber que, no final, pode obter uma recompensa. Ainda que essa recompensa seja uma simples coroa de oliveira brava, como acontecia nos Jogos Olímpicos antigos.
Em Olímpia, de quatro em quatro anos, entre 776 a.C. e 392 d.C., atletas vindos de todo o mundo grego reuniam-se em honra de Zeus para tentar ir mais alto, ir mais longe, ser mais forte. Ser o primeiro, para receber depois as honras do triunfo, as ovações da assistência, a glória efémera dos deuses do estádio. Regressar à sua cidade-estado, ser vitoriado pelas ruas e apontado às crianças como um modelo, eis a suprema ambição do jovem atleta helénico.
O espírito competitivo não impediu os Gregos de cultivarem o amor pelos altos valores do espírito e da moral. Não impediu o florescimento da filosofia, do teatro, da poesia, da arte. Não impediu a formação de personalidades profundamente humanas e humanistas como a de Sócrates. O próprio Aristóteles foi atleta olímpico. O espírito competitivo, em si mesmo, é positivo. Negativa é a competição sem regra nem lei.
Quando, em 1896, o barão Pierre de Coubertin promoveu a realização dos primeiros Jogos Olímpicos modernos, procurou restaurar o espírito da competição desinteressada. Hoje cada vez menos desinteressada, é certo, mas nem mesmo isso é forçosamente negativo. Até porque não é rigorosamente verdade que os atletas da Grécia antiga competissem apenas pela coroa de oliveira. No ano de 594 a. C., Sólon decretou que os campeões de Olímpia podiam receber um prémio de 500 dracmas, o que apenas oficializou o costume de o povo e as autoridades vencedoras recompensarem generosamente os seus heróis.
Tudo isto não significa a apologia da concorrência desenfreada e a todo o preço, da competição selvagem, do triunfo custe o que custar, do sucesso maquiavelicamente obtido sem olhar a meios para alcançar os fins, usando e abusando dos outros para «subir mais alto, ir mais longe e ser mais forte».
O doping, seja ele químico, social ou moral, deverá ser sempre penalizado.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Quinta das Batoquinhas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia de Santo António.

QUINTA DAS BATOQUINHAS

Na minha saudade as Batoquinhas
Não são uma quinta, mas a Quinta
Memórias soberanas quais rainhas
Que o mugre temporal a ouro pinta

Espadas postas fora das bainhas
Quixotes que o Cid em mim requinta
Carrascos entoando ladainhas
A noite dos cargueiros as pressinta

Quando os verdes anos dão o mote
Qualquer um verseja sem que note
Que o estro fica aquém da ambição

Rodeira não das cinzas lume vivo
Os verdes anos no carril revivo
Qual César indo além do rubicão

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Escabralhado, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Quinta das Batoquinhas, outra terra do nordeste do concelho.

ESCABRALHADO

Caber em pouco chão tanta abundância
Não é milagre ou coisa que o valha
Divina bênção, prémio é da constância
Do povo que muito reza e mais trabalha

Labor continuado mas sem ânsia
Que a pressa não ajuda, mas encalha
De passo a passo se cobre a distância
Do tempo da decrua até á malha

O cem por um promessa do Evangelho
Do Novo Testamento já no Velho
Estavam no timão e no arado

Ser dextro no domínio do timão
Na foice e na gadanha eis o brasão
Do homem que nasceu no Escabralhado

«Poetando», Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaE venho agora com a minha homenagem ao Castelo de Penha Garcia, mais um Senhor da história e um marco dos tempos. Com a chegada de mais um Solstício de Verão lembramos o dia maior do ano. E falando aqui de Penha Garcia, recordo o bom pão e as boas gentes, sinto a calma do fim da tarde estival, o fresco das regas e o cantar das águas correndo pelas levadas. Terras verdes, puras e belas, onde o calor humano está a ficar empobrecido pela desertificação. É contra ela que temos que continuar a lutar.

Penha Garcia

PENHA GARCIA

És também Penha Garcia
Um castelo a recordar
Retomamos a pré-história
Com D. Sancho a te marcar
Com o D. Afonso III
Recebes Carta de Foral(1)
Andaste com a Ordem de Cristo
Mas voltaste ao poder real
D. Manuel como convém
Traz Foral Novo também.

Estás num lugar rico
De pré-história registado
A povoação do teu nome
Um castro foi no passado
Eos teus moradores pelo foral
Ficam com regalias marcadas
Tal como em Penamacor
Elas estavam registadas
Tuas gentes bem lutadoras
Das descobertas senhoras.

Depois do séc. XVII
Muitos desaires sofreste
Foste couto, foste concelho
Título que depois perdeste
Caçadores de tesouros
Te foram tratando mal
Não foste classificado
Sem teres culpa para tal
Mas a lenda traz-te magia
Com linda Branca e D. Garcia.

(1) 31 de Outubro de 1256

Também o meu carinho para Penha Garcia
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Música, teatro e muito humor vêm ao Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) «Uma bizarra salada», com Bruno Nogueira, Luísa Cruz e a Orquestra Metropolitana de Lisboa.

Na próxima Sexta-feira, dia 13 de Julho, o TMG apresenta no Grande Auditório, às 21h30, o divertido espectáculo «Uma Bizarra Salada» que junta em palco o humorista e actor Bruno Nogueira, a actriz Luísa Cruz e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, numa co-produção do Festival de Almada, Metropolitana e São Luiz Teatro Municipal. «Uma Bizarra Salada» é para maiores de 12 anos e tem a direcção musical de Cesário Costa, direcção e espaço cénico de Beatriz Batarda, desenho de luz de Nuno Meira.
Trata-se de um espectáculo com música, teatro e muito humor que reúne textos de Karl Valentim. O autor «aproveita a metáfora da orquestra – corpo social complexo, mais problemático do que parece quando visto de fora – para questionar o mundo e as suas perplexidades. Um concerto onde as palavras irrompem? Um espectáculo de teatro em que a personagem principal é uma orquestra? Um recital absurdo onde dois comediantes improváveis estilhaçam a ideia simples de construir um espectáculo didáctico? Ninguém sabe. É Uma Bizarra Salada!», refere José Luís Ferreira no texto de apresentação desta singular salada musical.
Os textos reunidos, «reflectem o período de crise financeira profunda vivida na Europa antes da Segunda Grande Guerra. Infelizmente, muito a propósito do momento que vivemos actualmente, surgiu-nos como uma oportunidade pertinente voltar a trazer Karl Valentin à cena e juntar a Orquestra Metropolitana ao teatro do absurdo através da participação de Bruno Nogueira e Luísa Cruz. O humor e a sátira adoptaram as formas mais diversas dependendo dos seus autores e épocas, podendo ser triste, solitário, poético, feérico, filosófico, critico, absurdo ou surrealista. Neste espectáculo vivem-se momentos absurdos e podemos reconhecer a frustração do boicote provocado pelos outros ou por nós próprios», explica por seu turno a encenadora, Beatriz Batarda.

Panelas e rodas de bicicleta no folk de Le Skeleton Band
No próximo sábado, dia 14 de Julho, o TMG apresenta no Café Concerto a banda francesa Le Skeleton Band. Um trio que se formou em 2007 e que viu o seu primeiro álbum – Blues Preacher -, editado nesse mesmo ano, ser aclamado pela crítica musical francesa. A banda trabalha sonoridades folk e blues sempre fazendo-se acompanhar de estranhos objectos musicais, como panelas e rodas de bicicleta, aos quais junta outros mais convencionais, como guitarras, trompete, banjo e percussão.
No final do ano de 2010 a banda resolveu que estava na altura de regressar a estúdio, e gravaram novo disco. Com o título de Bella Mascarade, o novo álbum de Le Skeleton Trio foi editado em Fevereiro. É este o trabalho que a banda francesa vem apresentar ao TMG.
O espectáculo tem início marcado para as 22h00 e tem entrada livre.

Exposição de Mário Cesariny
O TMG tem patente na Galeria de Arte a exposição «Visto a esta luz», do artista plástico português Mário Cesariny, por muitos considerado o expoente máximo do surrealismo na pintura em Portugal. Esta exposição ficará patente até 29 de Julho e é apresentada no âmbito de uma parceria com a Fundação Cupertino de Miranda. A fundação assumiu nos últimos anos de vida do artista plástico uma relação de grande proximidade e amizade. Nesta exposição procura dar-se uma visão global da sua obra no contexto da Colecção da Fundação Cupertino de Miranda. A exposição é comissariada por António Gonçalves.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto às Batocas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Escabralhado, outra terra do nordeste do concelho.

BATOCAS

Batocas, Almedilha, passo e meio
A raia aqui é traço de união
Mil vezes eu passei-a sem receio
Falar também o charro a condição

Não há mundos além outro rincão
Em que se fale assim meio por meio
O nosso idioma e o alheio
Como eu senti na minha criação

Do lado espanhol nada difere
Que em cada duas frases que profere
O bom alamedilho uma é nossa

Assim se construiu uma irmandade
Indemne a qualquer contrariedade
Que o tempo não corrói antes engrossa

«Poetando», Manuel Leal Freire

Vai realizar-se a quarta edição do «Transblues – Festival ee Blues Béjar/Guarda», uma iniciativa que arrancou pela primeira vez em 2009 e que o Teatro Municipal da Guarda e a Junta de Castilla y León promovem com o apoio da Câmara Municipal da Guarda e do Ayuntamiento de Béjar, no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP). O Festival estará em Béjar de 11 a 14 de Julho e na Guarda de 18 a 22 de Julho.

Dia 18 (quarta-feira): Frankie Chavez (Portugal) no Café-Concerto do TMG – 22.00 horas.
Frankie Chavez é um dos mais promissores talentos da nova música portuguesa, tendo vindo a ser referido como a mais recente revelação blues do Sul da Europa. A sua música conjuga diferentes tipos de sonoridades, resultando num Blues/Folk composto por ambientes limpos e por outros mais crus e psicadélicos. Apesar de se identificarem diferentes influências musicais (Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder), é difícil encontrar um único termo para definir a sua música, o que lhe garante um estilo único e inconfundível.
Além de abordar instrumentos tão típicos dos blues como o Lap Slide Guitar, uma das características únicas da sua sonoridade é o facto de ter reinventado a abordagem da Guitarra Portuguesa.
Acompanha Frankie Chavez, João Correia – músico – Bateria/voz.

Dia 19 (quinta-feira): Indiana Blues Band (Portugal) no Café-Concerto do TMG – 22.00 horas.
Indiana Blues Band é um projecto do músico André Indiana que incorpora toda a estética dos Blues e de uma «Blues Band». Apresentam o seu primeiro disco intitulado «bloodline» com 7 temas originais e algumas versões de temas muito conhecidos como «Love Me 2 Times» (Doc Pomus) ou «Hoochie Coochie Man» (Willie Dixon).
Os Indiana Blues são: André Indiana – guitarra e voz; Hugo Danin – bateria; Joao André – baixo; Paulo Veloso – teclas.

Dia 20 (sexta-feira): Spikedrivers (Reino Unido) no Jardim José de Lemos – 21.30 horas.
Inspirados nas suas raízes americanas e no legado musical norte-americano, as músicas, as harmonias vocais e as suas composições instrumentais fazem do som dos Spikedrivers algo fresco e emocionante. A crítica especializada considera a banda como uma das mais inovadoras e originais da actualidade. A atmosfera criada pelos Spikedrivers ao vivo transporta-nos pelas estradas secundárias americanas, numa autêntica banda sonora que se movimenta entre os alpendres ao fim de tarde das casas do Sul da Carolina, e os enormes espaços abertos, sacudidos pelo vento e pela erosão, com as linhas-férreas a desaparecerem no horizonte.
Spikedrivers são; Ben Tyzack – Guitarra, voz e harmónica; Constance Redgrave – baixo, voz e percussão; Maurice McElroy – bateria, voz e percussão.

Dia 21 (Sábado): Sharrie Williams (EUA) no Jardim José de Lemos – 21.30 horas.
Desde a sua última actuação em 2002 no The Blues Estafette na Hollanda, Sharrie Williams despertou as atenções na Europa. Os seus concertos são incríveis. Sharrie impressiona pelas suas poderosas performances cheias de alma; tem como influências e referências as vozes de grandes vocalistas como Koko Taylor, Aretha Franklin, Tina Turner ou Etta James. A cantora norte-americana é apaixonada por gospel, soul, blues e rock.
Nos EUA ela é apelidada de «Princesa do Rockin’ Gospel Blues», um nome que lhe assenta que nem uma luva. O seu novo disco «I’m Here To Stay» foi gravado em Ann Arbor (Michigan, EUA), produzido e remisturado por Michael Freeman que afirma que a música de Sharrie vai directamente ao coração do público. O disco tem sido muito badalado pela crítica da especialidade e foi nomeado a vários prémios nos EUA.
Acompanham Sharrie Williams os músicos: Lars Kutschke – guitarra e voz; Attila Herr – baixo; Chris Jones – bateria e voz; Till Sahm – teclados.

Dia 22 (Domingo): Guitar not so Slim (Espanha)no Jardim José de Lemos – 21.30 horas.
O grupo espanhol vem mostrar as canções do seu último disco «Bailout». Uma viagem musical que passa pela denominada Roots Music, pelo Ragtime e os Blues dos anos 20/30. «Guitar not so slim» é uma banda que mistura o melhor de dois mundos, o velho e o novo, no que a música e a continentes diz respeito. Neste disco, a banda regressa ao verdadeiro âmago dos Blues, que sempre se destacaram pela sua componente de alerta social e de protesto. As canções são uma mistura eclética e as críticas vão desde o resgate financeiro e a crise europeia à cirurgia estética, tudo isto com sons tribais. A banda editou até ao momento dois discos, ambos com muito sucesso nos meandros dos Blues e muito elogiados pela crítica especializada.
Guitar not so Slim são: Troy Nahumko – guitarra e voz; Moi Martin – contrabaixo e voz; José Luis (Armónica Naranjo) – harmónicas; Lalo González – bateria.

Dia 12 (quinta-feira): Mr. Blues (Portugal) no Parque Municipal de Béjar – 20.00h (hora espanhola).
No âmbito do habitual intercâmbio do Transblues, o grupo português actua em Béjar, nesta edição. Trata-se de um dos projectos mais proeminentes de Portugal na vertente dos Blues. A linguagem musical e a vasta experiência dos músicos envolvidos já lhe permitiu tocar em vários Festivais Internacionais de Jazz & Blues fazendo as primeiras partes de artistas como Alvin Lee ou Sharrie Williams.
Mr Blues: Steve Rego – guitarras, kazzoo, harmónica, bombo, tarola e pratos de choque
plb (com TMG)

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia raiana de Aldeia da Ribeira, terra do nordeste do concelho, que tem três anexas. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Batocas.

ALDEIA DA RIBEIRA

Aldeia da Ribeira é ridente
Presépio a orlar o Cesarão
Que meigo trava ali sua corrente
Ciciado marulho em cantochão

O burgo a ocaso e oriente
Tem ramos que lhe dão continuação
Anexa ou simples quinta é indiferente
O nome não inquina a condição

Seus filhos, no negócio e no arado
Os das Batocas, os do Escabralhado
Aos da paróquia todos pedem meça

As Batoquinhas, essas são um mito
Altar sagrado de um antigo rito
A carrasqueira, uma moura egressa

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia raiana de Aldeia da Ponte, terra de fortes e arreigadas tradições. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia da Ribeira.

ALDEIA DA PONTE

Humosas veigas de humosos húmus
Silvestres prados de abundantes pastos
Carvalhos robles pródigos como numos
Canhadas donas de horizontes vastos

O vale de todo o povo traça rumos
Caminhos de Santiago nunca exaustos
O Cesarão de históricos ressumos
Das águias de Roma lembra os Faustos

Depois de César veio a Fé de Cristo
Ermidas e conventos que em registo
O burgo tornam em perfeita orada

De Santa Bárbara a Santa Catarina
A mesma fé nos guia e ilumina
Sem ela, tendo tudo, somos nada

«Poetando», Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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Em exibição nos cinemas UCI

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