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Tim Burton é daqueles realizadores que consegue, nos dias de hoje, ter uma imagem que nos faz reconhecer os seus filmes à distância. Ambientes negros, cenários góticos e personagens inadaptadas são as principais características das suas obras, que acabaram por lhe dar uma enorme legião de fãs.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» faz parte da sua filmografia mais negra. É também mais uma das suas colaborações com Johnny Depp, a terceira, actor que faz parte de um grupo que normalmente integra os filmes de Tim Burton e a par de Helena Bonham Carter, esposa do realizador, é um dos actores mais presentes neste universo bastante peculiar.
Passado no final do século XVIII (é curioso vermos as personagens falarem da chegada do novo século da mesma forma que em 1999, o ano deste filme, se aguardava com um misto de surpresa e euforia a chegada do ano 2000), «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» leva o polícia Ichabod Crane (Johnny Depp) à localidade de Sleepy Hollow, onde tem de investigar uma série de homicídios levados a cabo por um cavaleiro sem cabeça (Christopher Walken), que dá nome à lenda.
Lenda Cavaleiro Sem CabeçaDe início céptico, devido à sua fé na ciência, Ichabod acaba por se aperceber que a estranha personagem existe de facto e fica enredado numa conspiração que envolve grande parte da população de Sleepy Hollow e uma boa dose de bruxaria.
Com um argumento destes, baseado num livro de Washington Irving, Tim Burton sente-se em casa e consegue fazer uma bela obra, que mistura tons de suspense e alguns pozinhos de terror, muito ao estilo do realizador. A banda sonora do seu cúmplice Danny Elfman também ajuda a criar um ambiente de certa forma sombrio e vai muito ao encontro do que se pretende num filme destes. Johnny Depp, uma vez mais, interpreta uma daquelas personagens que aparentemente só ele consegue interpretar nos filmes de Burton, com os seus tiques específicos que veremos mais tarde aprofundados em filmes como «Charlie e a Fábrica de Chocolate» ou «Alice no País das Maravilhas».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Ben Affleck é talvez dos maiores canastrões do cinema actual. Mas a sua passagem para trás das câmaras em «Vista Pela Última Vez…» em 2007 deu-nos uma outra faceta do actor, que já tinha dado cartas na escrita de argumentos logo na estreia com «O Bom Rebelde» de Gus van Sant, com a ajuda de Matt Damon.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDesta vez com «A Cidade» Ben Affleck resolveu realizar e interpretar a personagem principal. E é este segundo pequeno pormenor que acaba por ser um dos pontos negativos do filme.
Passado em Boston, tal como «Vista Pela Última Vez…», este filme conta a história de Douglas MacRay, o ‘arquitecto’ de um gangue de assaltantes de bancos e carrinhas de valores que quer mudar de vida, depois de um dos assaltos não correr de acordo com o planeado. Tudo estava a correr bem até o grupo se lembrar de fazer uma refém (Rebecca Hall), por quem Douglas acaba por se apaixonar quando não devia. Esta paixão é mais uma razão para Douglas deixar a ‘má vida’ mas tudo se complica porque ninguém do seu grupo o quer ajudar, a não ser se for para participar em mais um assalto. Ao mesmo tempo, o gangue tem um agente do FBI (Jon Hamm) à perna que não lhes dá tréguas.
A CidadeBem filmado, sobretudo nas cenas dos assaltos e nas perseguições de automóveis, «A Cidade» acaba por perder muito por ter Ben Affleck no papel principal, pois o actor quase não muda de registo. O mesmo sucede com Jon Hamm que não parece ter sido a escolha mais acertada para o agente do FBI. Salvam-se Rebecca Hall e Jeremy Renner, que interpreta o melhor amigo de Douglas e seu parceiro nos assaltos, James Coughlin.
Esperemos que da próxima vez que Affleck se decida a realizar, opte por apenas ficar atrás das câmaras, pois já deu provas de que poderá vir a ser um bom realizador.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Em 1972 os Rolling Stones estavam com problemas fiscais no Reino Unido, depois de terem sido enganados pelo seu manager, e «fogem» para o Sul de França. O documentário «Stones in Exile» conta este período atribulado de uma das maiores bandas do mundo.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDeste exílio forçado nasce um dos maiores e mais experimentalistas álbuns da carreira da banda: «Exile on Main St.», fruto de uma temporada de excessos numa mansão alugada por Keith Richards. E desta experiência de sexo, drogas e rock ‘n roll nasceu «Stones In Exile», um documentário com pouco mais de uma hora com imagens da época que nos mostram como foi feito o álbum.
O filme conta com depoimentos actuais de alguns dos intervenientes que sobreviveram àqueles dias de excesso, em que praticamente tudo era possível naquela que já era considerada a maior banda do mundo.
Stones in exileMas não são os excessos e as histórias do quotidiano da mansão o grande trunfo de «Stones In Exile».
Para quem gosta de música este documentário é uma excelente forma de conhecer um pedaço da história da música popular do século XX e como foi feito o álbum clássico, directamente da cave da mansão de Keith Richards.
A mais neste documentário só estão alguns depoimentos de pessoas que se sentiram influenciadas pelo álbum, algo que já parece um cliché dentro deste género de filmes.
Apesar de contar com depoimentos de músicos e pessoas ligadas ao cinema a falar de «Exile on Main St.», «Stones In Exile» bem se podia ficar apenas pela história da gravação do clássico LP.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Harvey Pekar faleceu há algumas semanas atrás. Não sendo uma figura ligada ao cinema, a sua história ficou ligada à Sétima Arte, com a adaptação da banda desenhada «American Splendor».

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«American Splendor» é um daqueles filmes fantásticos que surgem do nada e são difíceis de classificar. Quando parece ser uma ficção sobre a vida de Harvey Pekar, um norte-americano que um belo dia se lembrou de contar o seu dia a dia numa banda desenhada underground, logo vemos o próprio Pekar a ser entrevistado pela dupla de realizadores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, como se se tratasse de um documentário sobre a sua vida.
«American Splendor» é assim uma mistura dos dois géneros e é um excelente filme sobre uma pessoa singular, com gostos peculiares e uma vida tão banal como a de qualquer um de nós.
American SplendorA banalidade deste arquivista é que o levou precisamente a deixar algo ao resto do mundo: a banda desenhada sobre o quotidiano, o trabalho no hospital, a convivência com um cancro ou o relacionamento com os amigos e o amor. Paul Giamatti brilha num papel feito à sua medida e que lhe assenta como uma luva.
Em 2003 o filme foi uma das sensações do cinema independente e ainda hoje continua a ser uma obra peculiar que se vê muito bem. A mistura entre ficção e realidade, as imagens de cartoon e as imagens reais estão muito bem conseguidas e rever este «American Splendor» poucos meses depois da morte de Harvey Pekar, que faleceu no passado mês de Julho, é uma justa homenagem à sua vida cheia de incidentes tragicómicos, alguns dos quais são recuperados no filme. Um óptimo filme para ver nestes dias de chuva que começam a chegar.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.
O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge.
Crepúsculo dos deusesE estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratados como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.
Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O cinema soviético do período mudo é sobretudo conhecido por grandiosos filmes de propaganda que relatam os episódios da Revolução Russa. Sergei Eisenstein é o nome mais conhecido dessa geração, mas há muitos nomes que a integraram e que não são tão conhecidos nos dias de hoje. Inclusive alguns fizeram comédias.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaUm desses exemplos de comédias é «A Casa da Praça Trubnaia», de Boris Barnet. Tal como os filmes dos seus companheiros da altura, este é um filme de propaganda onde se exaltam os valores da sociedade soviética e os inimigos são os burgueses.
No caso deste filme o tema principal é o papel dos sindicatos e a importância destas associações para evitar a exploração laboral. A história de «A Casa da Praça Trubnaia» é a de Paracha Pitunova, uma jovem que é enviada do campo para Moscovo para se encontrar com o tio, que por um acaso do destino está a chegar à sua aldeia quando o comboio parte para a capital russa. Na grande cidade Paracha vai deparar-se com um mundo novo onde é fácil perder-se e acaba por ir parar precisamente à casa da Praça Trubnaia, um edifício comunitário, e é contratada como doméstica por um casal de burgueses, que só a aceita por não estar sindicalizada, logo, potencialmente não trará problemas.
É esta a base da história, que depois vamos acompanhando, com a jovem a chegar ao sindicato e com o seu patrão a acabar na polícia, onde lhe vão traçar a sentença por não respeitar os direitos da funcionária. Mas «A Casa da Praça Trubnaia» vai muito para além da história, não fosse este um filme soviético. Como noutros casos, aqui dá-se muita importância ao que é filmado, não só às personagens, mas também à forma como se filma.
Casa da Praça TrubnaiaHá três momentos muito bem conseguidos neste excelente filme de Boris Barnet: o acordar de Moscovo, com a filmagem de cenas da cidade acompanhadas com entre-títulos que nos explicam como são as primeiras horas de Moscovo até as ruas ficarem cheias de gente; a filmagem do prédio comunitário num corte transversal que nos mostra em simultâneo o que se passa nos vários andares; e por fim, a utilização de objectos em movimento para dar a ideia de som que não havia na altura. Por exemplo, a genialidade dos planos em que a jovem está irritada com o patrão e a câmara foca diversos tachos e cafeteiras ao lume com água a ferver.
Apesar de pouco conhecido, tanto o filme como o próprio género no cinema soviético do período mudo, este é um excelente filme que nos permite descobrir uma faceta daquele período cinematográfico que vai muito para além de Eisenstein.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Estreia esta semana a sequela de «Wall Street», filme realizado por Oliver Stone nos anos 1980 sobre o universo financeiro protagonizado por Michael Douglas, numa personagem que ficou naquela década. Antes, tinha chegado às salas um outro filme com Michael Douglas.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«Eterno Solteirão» sofre de um mal, que apesar de não ter nada a ver com cinema, bastante comum nas traduções dos títulos em Portugal. Quem olhar para o título dado pela distribuidora ao filme, que no original é «Solitary Man» (homem solitário, em português), pensa que estamos perante mais uma comédia romântica. Mas este filme de Brian Koppelman e David Levien tem muito pouco de comédia.
É antes um drama sobre um antigo vendedor de automóveis, que chegou a ter um bom momento profissional, a quem o médico diz que não tinha gostado de algo que descobriu no seu coração. Mas em vez de fazer os exames, para saber realmente o que se passa, Ben Kalmen (Michael Douglas) opta por esquecer o que se passou naquela consulta de rotina e começa a fazer o que lhe vai na cabeça, desde sair com mulheres a torto e a direito, incluindo a filha de uma das suas conquistas, que acaba por lhe arruinar um regresso ao trabalho, a destruir o negócio que lhe deu uma posição de topo.
Solitary ManNão estamos perante um grande filme, mas é um filme que se vê bem. O próprio final está bem conseguido, pois a dupla de realizadores conseguiu escapar ao facilitismo de dar uma resposta ao dilema que se apresenta a Ben Kalmen no banco de jardim onde conheceu a sua antiga esposa.
Michael Douglas carrega o filme às costas, pois este é um daqueles filmes que praticamente só a personagem principal conta, dado que está presente em todas as cenas. E fá-lo bastante bem, a provar que ainda consegue ser um grande actor. Destaque ainda para a presença de um bom naipe de secundários, onde despontam Danny DeVito ou Susan Sarandon. Um bom aperitivo enquanto esperamos pela estreia da sequela de «Wall Street».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O cinema francês volta a estar de luto. Depois da morte de Eric Rohmer no início do ano, uma outra figura da Nouvelle Vague faleceu esta semana: Claude Chabrol.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaTal como muitos dos seus companheiros da nova vaga do cinema francês, que despontou no final dos anos 1950 e durante a década de 1960, Chabrol começou por ser crítico na revista Cahiers du Cinéma. A sua estreia atrás das câmaras teve lugar em 1958, quando rodou «Le Beau Serge» («Um Vinho Difícil»), o primeiro de cerca de 80 filmes realizados para cinema e televisão, numa carreira de meio século, que terminou no ano passado, com «Bellamy», filme protagonizado por Gérard Depardieu. Estas 80 fitas tornaram Chabrol como um dos cineastas franceses com maior obra na segunda metade do século XX. As suas fitas ficaram conhecidas por uma descrição mordaz da burguesia francesa da província e por filmar num estilo mais clássico quando comparado com nomes da mesma época, como Jean-Luc Godard, François Truffaut ou Eric Rohmer.
Claude ChabrolNascido em Paris em 1930, no seio de uma família de farmacêuticos, Claude Chabrol começou a escrever sobre cinema para os Cahiers ainda na universidade e iniciou-se na Sétima Arte quando criou uma produtora, com a ajuda da sua primeira esposa, que se estreou com uma curta-metragem de Jacques Rivette.
Quando volta a casar em 1964, Chabrol escolhe como companheira uma actriz que figurará em diversas obras ao longo das décadas de 1960 e 1970: Stéphane Audran. Nesta fase o cineasta francês filma vários policiais. No final da década de 1970, mais concretamente em 1978, com a estreia de «Violette Nozière», Claude Chabrol ganha uma nova actriz fetiche, que irá ser presença constante nos seus filmes estreados nas duas últimas décadas do século passado: Isabelle Huppert.
Claude Chabrol faleceu aos 80 anos, vítima de complicações decorrentes de um pneumotórax.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Tal como a guerra do Vietname deu pano para mangas na Sétima Arte, os conflitos do Iraque e do Afeganistão começam também a chegar em força ao cinema.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaUm dos mais recentes a estrear por cá foi «Entre Irmãos», um remake de um filme norueguês realizado por Jim Sheridan. No centro do argumento está a história de uma família que vê um jovem militar (Tobey Maguire), filho de um veterano do Vietname (Sam Shepard) e pais de duas filhas, partir para o Afeganistão enquanto o irmão mais novo (Jake Gyllenhall) sai da prisão. Contudo uma das missões em que o militar se vê envolvido corre da pior maneira e o soldado é dado como morto.
É a suposta morte deste militar, que mais tarde vemos que foi raptado por um grupo de guerrilheiros talibãs com um colega, que vai despoletar um conjunto de emoções na família: o seu irmão, dado como um delinquente mas em recuperação, aproxima-se da cunhada (Natalie Portman) e das sobrinhas, enquanto o pai tem uma explosão de raiva no funeral do filho contra o comportamento do mais novo. O regresso do soldado a casa, com diversos traumas resultantes do cativeiro, vem abrir algumas feridas na família.
Entre IrmãosCom «Entre Irmãos» o cinema norte-americano aborda uma vez mais os recentes conflitos onde os EUA se têm metido e começam aos poucos a surgir grandes obras sobre esta temática. Basta ver como exemplo o grande vencedor da última edição dos Óscares, «Estado de Guerra» ou «No Vale de Elah», realizado um ano antes por Paul Haggis. Neste caso o filme de Jim Sheridan não é tão focado na acção e no cenário de guerra, mas antes nos traumas provocados nas famílias dos soldados que regressam. E um dos grandes pontos positivos vai para a interpretação, pois o realizador irlandês conseguiu reunir um excelente elenco, com três grandes jovens actores. Neste campo destaque para o desempenho de Tobey Maguire, que lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro, muito diferente do que nos tem habituado, sobretudo quando se fala da trilogia Homem Aranha.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Richard Kelly realizou um dos grandes filmes de culto da primeira década deste século: «Donnie Darko». Depois de uma aventura meio falhada com «Southland Tales», o realizador norte-americano regressa com «Presente de Morte».

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaCom um título que mais parece saído de um filme de terror (pelo menos na tradução portuguesa, pois no original «Presente de Morte» é «The Box», ou seja, a caixa em português) o mais recente filme de Richard Kelly pouco tem a ver com este género. Em «Presente de Morte» um casal na casa dos 30 anos (James Mardsen e Cameron Diaz) recebe a visita de um estranho que lhes oferece uma caixa onde se encontra um botão, semelhante aos que se vêem nos concursos televisivos. Este estranho personagem, uma grande e sinistra interpretação de Frank Langella faz-lhes uma proposta: se carregarem no botão recebem um milhão de dólares e alguém que não conhecem morrerá, dando-lhes um dia para decidir o que fazer.
Desta forma «Presente de Morte» coloca os dois personagens principais perante um dilema moral de facto curioso. Seria legítimo receber uma pipa de massa em troca da morte de alguém, mesmo com os problemas financeiros à perna? Acaba mesmo por ser um dilema que aparece quase na altura certa, em que muitas pessoas atravessam graves problemas precisamente pela falta de dinheiro.
Cameron DiazMas o filme de Richard Kelly vai para além deste dilema e parte para terrenos que já tinham feito sucesso em «Donnie Darko». Infelizmente o resultado não é o mesmo, pois uma boa ideia não se repete e falta a «Presente de Morte» melhores actores. Tirando Frank Langella, que tem aqui um excelente vilão, os actores que compõem o casal não convencem. Sobretudo Cameron Diaz, que parece talhada para outro género de filmes.
«Presente de Morte» não deixa de ser um bom filme, algo diferente do que é normal estrear. E para os adeptos da música mais alternativa, há sempre a hipótese de ouvirem uma banda sonora criada por Win Butler e Régine Chassagne, dois dos membros da banda canadiana Arcade Fire, e Owen Pallet.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Hollywood já tem uma bela galeria de espiões nas suas fileiras. Evelyn Salt é apenas a mais recente e voltou a trazer para as salas de cinema a extinta Guerra Fria.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaLonge vai o tempo em que os russos da União Soviética metiam medo a meio mundo, mas Hollywood é um mundo à parte onde tudo é possível. E prova disso é o mais recente filme protagonizado por Angelina Jolie. Realizado por Phillip Noyce, «Salt» conta a história de uma espia da CIA que descobre de um momento para o outro que é afinal uma espia ao serviço dos interesses da antiga URSS. A partir daqui vale tudo e as reviravoltas no argumento são mais que muitas, tantas quantas as acrobacias de Evelyn Salt para cumprir a sua missão.
Mas o problema de «Salt» é precisamente a sua faceta mais acrobática, que torna a história um bocado confusa e às tantas já não se percebe quem é o mau da fita e quais os verdadeiros propósitos da espia, que tão depressa está do lado dos americanos como passa para os russos, voltando outra vez, aparentemente, a apoiar os EUA.
Salt - Angelina JolieO que podia ser um bom blockbuster de Verão acabar por não ser mais do que uma imitação das fitas de Jason Bourne, a série protagonizada por Matt Damon onde este desempenha um agente secreto com amnésia, mas numa versão de saias. As reviravoltas são de tal forma mirabolantes e irreais que acabam por não convencer ninguém e a história está claramente fora de prazo. Quase parece que Phillip Noyce encontrou um argumento perdido no século passado e resolveu adaptá-lo aos dias de hoje, voltando a trazer à luz os fantasmas da Guerra Fria, algo que já nem o espião dos espiões James Bond, personagem que também já teve melhores dias, combate.
Com o lançamento destes filmes Hollywood mostra alguma falta de imaginação, mesmo quando tenta reabilitar géneros populares. Mesmo assim o final aberto de «Salt» deixa antever a chegada de uma sequela para dentro de alguns meses. Mais uma fita para engrossar os cofres da indústria.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Se há décadas que têm géneros cinematográficos específicos, a década de 1970 ficou marcada pelos thrillers políticos. «Os Homens do Presidente» é um dos melhores exemplos.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Alan J. Pakula, que fez carreira com mais filmes do género, «Os Homens do Presidente» conta a história da investigação jornalística verídica que levou à demissão do presidente dos EUA Richard Nixon em 1974. Tudo começou no célebre assalto ao hotel Watergate, que deu nome ao escândalo, quando o Partido Democrata aí tinha a sua sede de campanha. O que parecia ser um simples assalto e um caso de polícia cedo se descobriu esconder segredos de um novelo bastante complicado.
E o desvendar da trama ficou a cargo dos jornalistas do Washington Post Bob Woodward, com poucos meses de tarimba, e Carl Bernstein, que antes deste caso esteve à beira do despedimento.
Os Homens do PresidenteEm «Os Homens do Presidente», que se baseia no livro homónimo sobre a investigação dos dois repórteres, é esta dupla interpretada por Robert Redford e Dustin Hoffman que toma conta das rédeas do filme e toda a acção gira em volta do que vão descobrindo, desde o julgamento dos quatro assaltantes, que se descobre terem ligações à CIA até aos diálogos com o Garganta Funda, talvez uma das fontes mais famosas do mundo, num parque de estacionamento.
Apenas o desenrolar do caso não é representado, pois o final do filme é feito com o início das notícias que contam o que se passou depois da publicação da primeira peça, onde eram referidas de forma mais clara as ligações entre a Casa Branca e os tais homens do presidente que minaram o percurso do candidato rival de Nixon, George McGovern.
Ver este filme quase 35 anos depois do seu lançamento é uma forma de descobrir como funcionava o jornalismo de investigação antes de a informação estar tão acessível como nos dias de hoje, graças à Internet. O exemplo recente do site Wikileaks, que trouxe a lume milhares de documentos secretos sobre a Guerra do Afeganistão, apenas veio provar que nada pode ficar escondido e mais cedo ou mais tarde a verdade acabar por vir ao de cima. Basta haver homens como Woodward e Bernstein para o fazer.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A Direcção da Associação Cultural e Recreativa de Aldeia da Dona (ACRAD) lançou uma iniciativa diferente, designada «Cinema na Areia», com que se pretende possibilitar a toda a comunidade o visionamento de alguns filmes ao ar livre.

A actividade teve início na primeira semana do mês de Agosto, tendo-se conseguido uma forte adesão da população.
Segundo uma nota que a associação nos fez chegar, a iniciativa surgiu do empenho de alguns dos seus membros. Para a colocar no terreno a associação fez todos os esforços para a criação de um ambiente acolhedor e propício à realização da actividade, tendo sido colocada areia no espaço exterior, criando assim um ambiente diferente daquele a que a aldeia está habituada, o que permitiu a «miúdos e graúdos» assistirem a filmes sentados nas suas toalhas, na areia, como se estivessem numa praia.
«O próprio ecrã onde é projectado o filme foi criado por alguns sócios com o intuito de tornar mais real esta sala de cinema improvisada ao luar», acrescenta a direcção da ACRAD, que porém alerta que as sessões nem sempre serão diárias, uma vez que neste período festivo a associação desenvolve também outras actividades em Aldeia da Dona.
A direcção da ACRAD considera que a iniciativa tem tido um bom acolhimento por parte das pessoas, o que se deve em grande parte ao empenho de alguns dos associados, que assim garantem a realização em Aldeia da Dona desta iniciativa pioneira
plb

Depois de passar novamente por Gotham City, a mítica cidade protegida por Batman, o realizador Christopher Nolan pegou num projecto antigo. «A Origem» pode ser comparado ao primeiro «Matrix» na questão dos universos paralelos, mas fica-se por aí.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaEm «A Origem» o realizador britânico, que se tornou mundialmente conhecido há precisamente 10 anos com o filme de culto «Memento», conta a história de um assaltante com uma particularidade muito especial. A sua especialidade não é roubar bancos ou automóveis, mas sim entrar nos sonhos das vítimas e roubar-lhes as ideias. Um métier bastante procurado por empresas que pretendem roubar segredos dos rivais, numa espécie de espionagem empresarial alternativa.
Mas a acção de «A Origem» não se centra no roubo de uma ideia. A proposta que é feita a Cobb é plantar uma ideia na mente do filho de um magnata às portas da morte para que este tome uma decisão que vai beneficiar o seu principal rival. Em troca o assaltante é aliciado com o regresso aos EUA onde está proibido de entrar, mas onde vivem os seus filhos que não vê há algum tempo.
Estamos perante um filme em que o argumento, da autoria do próprio Christopher Nolan, está de tal forma bem feito que todos os pormenores estão no sítio certo. Mesmo correndo o risco de se perder a meio, pois a missão de Cobb consiste em entrar em sonhos dentro de sonhos, que por sua vez estão dentro de outros sonhos, isso não acontece. Basta estarmos bem atentos e não perder pitada do que se passa, mas a própria narrativa se encarrega de ir explicando aos poucos como trabalha esta equipa dos ladrões de sonhos.
A OrigemOutro dos grandes pontos fortes de «A Origem» é o excelente elenco que o realizador conseguiu reunir. Leonardo DiCaprio, que tem vindo a revelar-se um grande actor nos últimos anos, nomeadamente desde que começou a trabalhar mais com Martin Scorcese, volta a provar que está entre os grandes. A par da estrela de «Titanic», a fita conta com duas jovens promessas: Ellen Page, que ficou conhecida há uns anos pelo seu papel em «Juno», e Joseph Gordon-Levitt, o jovem actor da série «O Terceiro Calhau a Contar do Céu» que aqui aparece numa grande produção depois de passagens pelo cinema independente. A estes junta-se os mais conhecidos Michael Caine, num curto papel, a francesa Marion Cottilard, que depois de interpretar Edith Piaf em 2007 tem conseguido firmar o seu nome em Hollywood aos poucos, Ken Watanabe e Cillian Murphy.
Não podendo ser comparado com «Matrix», o mais recente filme de Christopher Nolan de certo será um bom filme para quem gosta de uma boa história que dá um pouco que pensar, mesmo sendo uma fita de acção q.b.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Depois de uma passagem pelo Indie Lisboa em 2009, chega às salas «Louise-Michel», a terceira obra da dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine. Uma comédia negra sobre o capitalismo e as suas consequências junto de uma fábrica numa aldeia francesa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BRoman Polanski está a viver uma fase atribulada na sua vida, fruto de um crime cometido no passado pelo qual decidiu fugir à Justiça. Polémicas à parte, isso não o impediu de apresentar um grande filme.
Protagonizado por Ewan McGregor, «O Escritor Fantasma» é a história de um escritor sem nome, que é contratado para escrever a autobiografia de um antigo primeiro-ministro britânico, interpretado pelo anterior James Bond, Pierce Brosnan. À partida nada podia ser mais simples, mas a proposta do realizador polaco cedo nos leva para a área dos thrillers políticos, género que se pensava ter ficado perdido nos idos anos 1970, quando chegaram às salas de cinema títulos como «Os Homens do Presidente».
Neste caso, apesar de nunca assumido, percebe-se que a história podia ser decalcada da realidade actual, pois este ex-primeiro ministro esconde segredos que bem podiam ser os de Tony Blair, com algumas nuances. A começar pelas acusações de que é alvo sobre a Guerra no Iraque, que o levam a ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade. A sua sorte é que está em território norte-americano, país que não reconhece este órgão da Justiça internacional, logo safo de julgamento. Blair nunca foi acusado de nada, mas há quem defenda a sua presença perante a Justiça para responder sobre esta questão.
O Escritor FantasmaTodos estes factos vão sendo desvendados aos poucos pelo escritor fantasma, que vai descobrindo os segredos do passado deste antigo homem de poder, que parece ser influenciado por todos os que o rodeiam, à medida que a sua investigação o leva para caminhos estranhos. Desde a descoberta de um anterior escritor que fez um primeiro esboço da obra e morreu misteriosamente, passando por ligações à CIA e a presença de antigos colaboradores do primeiro-ministro que de repente viram para o outro lado da barricada.
Com esta obra Polanski apresenta um dos grandes filmes deste ano, com McGregor em boa forma, que nos faz voltar atrás no tempo, quando os thrillers políticos fizeram História em Hollywood. Este consegue não só ser uma grande história, bastante actual e que nos dá uma boa imagem dos jogos de poder e as ligações escondidas nas relações políticas, como tem um final bastante surpreendente e irónico, que acaba fora do plano, mas que deixa bem perceptível o que acontece.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Depois de uma passagem pelo Indie Lisboa em 2009, chega às salas «Louise-Michel», a terceira obra da dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine. Uma comédia negra sobre o capitalismo e as suas consequências junto de uma fábrica numa aldeia francesa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO ataque ao capitalismo não é terreno virgem na obra desta dupla francesa, que na sua estreia, o magnifico «Aaltra» de 2004, colocou um par de vizinhos em cadeira de rodas à procura da empresa que os meteu naquele estado à espera de uma indemnização choruda. Desta vez a história de «Louise-Michel» gira à volta de um grupo de operárias de uma fábrica no interior de França que de um dia para o outro vê o seu local de trabalho ser esvaziado.
Mas o que podia ser o argumento perfeito para um drama de fazer chorar as pedras da calçada, às mãos dos dois realizadores torna-se a desculpa perfeita para uma comédia negra. Isto porque as operárias resolvem contratar um assassino profissional, que nem um pequeno cachorro consegue matar, para liquidar o patrão. Mas não são as aventuras de Louise, a operária que fica encarregue contratar o assassino, e Michel, o tal assassino profissional, o mais importante da fita. Isso fica remetido para os pequenos pormenores, como o facto de vermos o suposto patrão da fábrica e o líder sindical a brincarem ao papel, pedra e tesoura, com a vitória a calhar sempre ao primeiro. A razão para esse resultado: simplesmente «porque eu mando», responde o patrão. Ou a dificuldade em encontrar o verdadeiro patrão.
Louise-MichelApesar do rasto de mortos que fica pelo caminho em «Louise-Michel», nunca ninguém chega a saber quem é o patrão da fábrica, ou sequer qual a empresa responsável por aquela fábrica. A última das vítimas chega mesmo a gozar com os dois protagonistas, depois de passar o tempo a comprar e a vender acções enquanto faz exercícios no ginásio, ao defender que já há muito tempo que não há fábricas no interior de França.
Com um final feliz e hilariante «Louise-Michel», dedicado a uma célebre anarquista francesa do século XIX com o mesmo nome, é um filme sobre coisas sérias para ver e reflectir sobre os tempos conturbados que se vivem nos dias de hoje, em que o capitalismo destrói vidas sem dar conta. Neste caso, os realizadores viram o bico ao prego e metem as vítimas a levarem a vingança até ao fim.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A morte de José Saramago, o único Prémio Nobel da Literatura da língua portuguesa, deixou a Cultura um pouco mais pobre. Por quatro vezes a sua obra foi transposta para o grande ecrã.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDas quatro obras baseadas em livros de José Saramago que foram alvo das objectivas da Sétima Arte, «Ensaio Sobre a Cegueira» é a mais célebre. Realizada em 2008 pelo brasileiro Fernando Meirelles, autor de «Cidade de Deus» e «O Fiel Jardineiro», a adaptação desta visão catastrófica da Humanidade, em que uma misteriosa epidemia torna a população mundial cega e acaba por nos mostrar a natureza do Homem quando perde um dos seus sentidos fundamentais através do olhar da única personagem que vê, conta com um elenco de luxo e de várias nacionalidades (Julianne Moore, Danny Glover, Gale Garcia Bernal ou Alice Braga). Apesar de o tema ser bastante difícil de filmar, senão mesmo impossível devido à própria natureza da obra (no fundo estamos perante um mundo onde as personagens são cegas), Meirelles conseguiu dar uma nova visão da obra de Saramago, uma das mais conhecidas do escritor.
Já antes, em 2000, tinha sido a vez do holandês George Sluizer ter feito uma versão de «Jangada de Pedra», filme que conquistou alguns prémios em festivais de cinema. Nesta história da separação da Península Ibérica do território europeu, rumo aos Açores, uma vez mais surge um elenco internacional, onde se encontram os portugueses Diogo Infante e Ana Padrão.
José SaramagoA mais recente adaptação de uma obra de Saramago ao Cinema ainda está por estrear e baseia-se num conto publicado pelo Nobel em 1978 na colectânea «Objecto Quase». Passado durante uma crise petrolífera, o filme é assinado pelo português António Ferreira («Esquece Tudo o que te Disse») e conta a história do inventor de um digitalizador de pés que perde a oportunidade de comercializar a sua tecnologia por não ter gasolina no carro. Esta obra tem estreia prevista para os próximos meses.
Por fim, há ainda uma curta-metragem de animação feita em 2006 pelo galego Juan Pablo Etcheverry, «A Maior Flor do Mundo», onde o próprio José Saramago é uma das personagens que conta a ideia de um livro infantil, contando uma história de um rapaz que fez nascer a maior flor do mundo.
Todos estes filmes são um exemplo de que a obra de Saramago continua para além dos livros, chegando a outras artes. Para recordar o Homem fica esta última curta-metragem.

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«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
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Uma das surpresas da última edição dos Óscares foi a atribuição da estatueta dourada para o melhor filme estrangeiro à fita «O Segredo dos Seus Olhos», do argentino Juan José Campanella, em detrimento dos favoritos «O Laço Branco», de Michael Haneke, e «O Profeta», de Jacques Audiard.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO filme chegou recentemente às salas portuguesas e é uma das provas que o cinema da Argentina tem vindo a subir de qualidade ao longo dos últimos anos. O próprio Juan José Campanella já tinha visto um dos seus filmes anteriores, «O Filho da Noiva», ser reconhecido com uma nomeação aos Óscares em 2001. Esta nomeação abriu-lhe as portas nos EUA, onde nos últimos anos tem realizado episódios para diversas séries de televisão, incluindo o primeiro episódio de «30 Rock» e inúmeros episódios de «Dr. House» e «Lei e Ordem». Talvez por isso não tenha sido tão estranha a vitória nos Óscares, contra dois dos melhores filmes europeus mais recentes, que eram vistos como os grandes favoritos.
El secreto de sus ojosMas além da presença em território norte-americano, o tom mais acessível da história de «O Segredo dos Seus Olhos» poderá ter sido o factor fundamental na ponderação dos membros da Academia. Passado num período actual, o filme de Campanella conta a história de um antigo procurador, que durante a sua reforma pretende começar a escrever um livro sobre um caso que nunca chegou a ser resolvido pelas autoridades. Para tal pede ajuda a uma ex-colega, por quem se tinha apaixonado no passado, e vão recuperar o tempo perdido.
É este regresso ao passado que é retratado em «O Segredo dos Seus Olhos», com uma dupla investigação que decorre nos dias de hoje e ao mesmo tempo nos leva a recuar mais de 20 anos para o período dos anos da ditadura argentina. O ambiente no passado é um dos que dá mais força ao filme, que tem o defeito de se alongar demasiado e perde o vigor nos minutos finais.
Mas apesar de ser um bom filme, uns bons furos acima da média do que tem estreado, «O Segredo dos Seus Olhos» não supera os seus rivais nos Óscares, que mereciam ter levado a estatueta para casa.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O documentário «Há Tourada na Aldeia» teve ante-estreia no TMG-Teatro Municipal da Guarda. A tertúlia/debate que se seguiu à projecção do filme teve a participação do realizador Pedro Sena Nunes, do director do TMG, Américo Rodrigues, do historiador e escritor Adérito Tavares, o professor Cameira Serra, o aficionado José Galhano e do público presente no Pequeno Auditório. Uma reportagem com assinatura de Andreia Marques e Miguel Almeida da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

O TMG-Teatro Municipal da Guarda apresenta esta terça-feira, dia 15, às 21.30 horas, em ante-estreia o filme «Há tourada na aldeia» do realizador Pedro Sena Nunes, rodado em várias localidades da raia Sabugalense. A tertúlia que se segue ao visionamento do filme tem a presença entre outros de Adérito Tavares, reconhecido especialista em Capeias Arraianas.

Há Tourada na Aldeia - TMG

O TMG convida todos os aficionados das Capeias Arraianas a assistir ao filme e ao debate que se lhe seguirá que contará com a presença do realizador Pedro Sena Nunes, do professor Adérito Tavares, autor do livro «A Capeia Arraiana», do professor Cameira Serra e do aficionado José António Galhano.
O encontro está marcado para as 21 horas desta terça-feira, 15 de Junho, no Pequeno Auditório do TMG. A presença no videograma e na tertúlia que se segue tem um custo de apenas 2 euros.

O Capeia Arraiana aproveita a ante-estreia do filme «Há Tourada na Aldeia» na cidade da Guarda para voltar a afirmar (tal como fizemos aquando do IndieLisboa2010 na Culturgest) que a película de Pedro Sena Nunes é um documento fundamental no processo de candidatura a Património Imaterial da Humanidade. E é altura de marcar no Auditório Municipal do Sabugal a estreia do documentário integrado num colóquio ou congresso. Os responsáveis pelo Capeia Arraiana ficam, desde já, disponíveis para colaborar na organização do evento.

O Capeia Arraiana colabora com o TMG na promoção e divulgação da ante-estreia de «Há Tourada na Aldeia».
jcl

Marco Bellocchio é um dos cineastas italianos mais velhos em actividade, mas pouco estreado por cá. A sua mais recente obra conta um episódio da História italiana que apenas foi conhecido recentemente: a suposta primeira esposa de Benito Mussolini que o ditador escondeu durante anos.

Pedro Miguel Fernandes - Série BBellocchio faz parte da mesma geração de Bernardo Bertolucci, que foi seu colega na escola de Cinema nos anos 1960, e conta com uma filmografia de mais de 30 títulos no currículo. O mais recente é «Vencer», a trágica história de Ida Dalser, uma mulher que afirmou até à sua morte ser a primeira esposa de Mussolini e a mãe do primogénito do ditador italiano.
Iniciando como uma história de amor, com Ida completamente apaixonada por Benito, cedo nos apercebemos que aquele amor não vai acabar bem. E os problemas aumentam assim que o antigo sindicalista chega ao poder e já com uma outra mulher, mais à imagem do ideal fascista, acaba por desprezar a sua antiga esposa.
Vencer«Vencer» centra-se sobretudo na figura de Ida Dalser, uma excelente interpretação de Giovanna Mezzogiorno, e nos seus esforços para convencer os que a rodeiam de quem verdadeiramente é, assim como quem é o seu filho. Ambos acabam por ir parar a um manicómio, depois de fazerem vários desafios públicos e não acatarem a decisão de esquecerem a sua ligação a Mussolini.
Paralelamente, esta obra dá-nos a ver a História de Itália no início do conturbado século XX, ao acompanhar o percurso de Mussolini: vemo-lo em acções sindicalistas, a defender a entrada de Itália na I Grande Guerra e a combater no conflito, a participar numa exposição do Movimento Futurista e a sua chegada ao poder. Neste último caso Bellocchio optou por recorrer a imagens de arquivo de alguns dos discursos do ditador, para reforçar o poder da imagem naquela época.
Há quem diga que este retrato poderia ser aplicado ao actual primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, que também utilizou os Media para chegar ao poder, mas o realizador em várias entrevistas já o negou. Contudo há aspectos que coincidem entre ambas as personalidades. Mas «Vencer» é também uma bela homenagem a uma personagem esquecida da História.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Dennis Hopper morreu no passado fim-de-semana, depois de uma vida de 74 anos cheia de excessos que nos trouxe algumas personagens memoráveis e uma obra-prima: «Easy Rider.»

Pedro Miguel Fernandes - Série BA estreia de Dennis Hopper no cinema deu-se em 1955 com um papel no clássico «Fúria de Viver», de Nicholas Ray, um dos poucos filmes protagonizados por James Dean, outro mito de Hollywood que foi considerado como um exemplo por Hopper. Um ano mais tarde ambos iriam participar em «O Gigante», que seria a última aparição de James Dean no Cinema.
Mas foi praticamente só em 1969, quando realiza «Easy Rider», que Hopper coloca o seu nome entre os grandes do Cinema. Até chegar à cadeira de realizador, passou por inúmeros papéis em séries de televisão, entre as quais «A Quinta Dimensão» ou «Bonanza», e em westerns onde interpretou maioritariamente papéis de vilão.
1969 foi sem dúvida um ano de grande mudança para o actor, ao realizar e protagonizar, ao lado de Jack Nicholson e Peter Fonda, «Easy Rider», filme que é considerado com «Bonnie e Clyde» de Arthur Penn um dos responsáveis pelo surgimento de uma nova era no cinema norte-americano, quando os jovens realizadores tomam conta dos estúdios nos anos de 1970. Já neste filme o motard rebelde Billy é uma das muitas personagens icónicas que Dennis Hopper vai protagonizar ao longo da sua carreira de mais de seis décadas.
Dennis HopperDe entre as personagens que deu vida, algumas ficaram mesmo na memória de muitos amantes da Sétima Arte: desde o fotojornalista que segue o temível Coronel Kurtz (interpretado por Marlon Brando) até aos confins do Vietname em «Apocalipse Now» ao demente Frank Booth de «Veludo Azul».
Depois do sucesso de «Easy Rider» e de uma segunda realização falhada, «The Last Movie», Dennis Hopper é apanhado no meio de uma espiral de álcool e droga que quase lhe desfaz a vida. É durante essa época que entra em «Apocalipse Now», mas curiosamente quando interpreta o papel Frank Booth, um criminoso com tendências psicopatas e completamente maníaco, os vícios já estariam de parte.
Apesar da sua idade avançada Dennis Hopper continuava bastante activo nos últimos anos, tendo estado em destaque na série de TV «Crash», baseada no filme homónimo de Paul Haggis, e mesmo em «24». Um dos últimos papeis onde apareceu foi em «Elegia», filme realizado pela espanhola Isabel Coixet.
Dennis Hopper faleceu no passado sábado, 29 de Maio de 2010, vítima de cancro da próstata.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«Tobacco Road» foi um dos filmes realizados por John Ford que aborda o tema da Grande Depressão nos Estados Unidos da América dos anos 1930.

Pedro Miguel Fernandes - Série BBaseado numa obra de Erskine Caldwell «Tobacco Road» é um olhar do período da Grande Depressão que assolou os EUA durante a década de 1930 por John Ford, que já em 1940 tinha realizado sobre o mesmo tema uma das suas obras-primas: «As Vinhas da Ira», adaptação do livro homónimo de John Steinbeck. O sucesso deste último, que deu a Ford o seu segundo Óscar de Melhor Realizador, acabou por ofuscar o seu sucessor estreado em 1941, que ficou um tanto esquecido. Mas não deixa de ser um grande filme realizado por um dos nomes que é uma das figuras mais marcantes do cinema clássico norte-americano.
Ao contrário de «As Vinhas da Ira», que conta a história de uma família que atravessa os EUA à procura de trabalho para ultrapassar as dificuldades daqueles tempos difíceis, o cenário de «Tobacco Road» é praticamente apenas a estrada que dá nome ao título do filme. É em «Tobacco Road» que vive uma família que anteriormente trabalhava as terras e está em risco de perder tudo quando os donos dessas terras têm de as entregar ao banco para pagar dívidas. O filme retrata assim os tempos difíceis daquela época do ponto de vista de quem perde o sustento indirectamente, dado que as terras que lhes davam o sustento não eram suas.
Tobacco RoadE o retrato é deveras trágico, tal como já acontecia em «As Vinhas da Ira». A família tenta a todo o custo resistir mas é difícil e ao longo do filme acaba por se ir desagregando: o casal acaba por desistir, apesar das diversas tentativas que faz para tentar arranjar o dinheiro para pagar ao banco, e pelo caminho perde os filhos e a avó, o elemento mais velho da família que desaparece sem deixar rasto.
Mas a realidade é que a família também não faz muito para resolver os seus problemas, procura sempre estrategemas para dar a volta pelo caminho mais curto. E aqui surge outra das grandes mensagens de Ford: apesar das dificuldades, as personagens estão sempre à espera que tudo se resolva por si. Não é à toa que o final é quase um final feliz, quando o dono das terras consegue arranjar dinheiro para ajudar a família. Para pouco depois o patriarca, agora já sozinho com a sua mulher, dizer que fica para amanhã a resolução dos problemas. Só que fica bem patente que esse amanhã não virá e aquela família nunca recuperará.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Sam Mendes, um realizador luso-britânico vindo do mundo do teatro britânico, é um dos cineastas de Hollywood que consegue atrair ao mesmo tempo o grande público, culpa do Óscar atribuído a «Beleza Americana», a sua estreia atrás das câmaras, e ao cinéfilo mais exigente.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO seu mais recente filme é «Um Lugar Para Viver», a história de um jovem casal, na casa dos 30, sem grandes expectativas de futuro, que se vê a braços com uma gravidez inesperada. O que Sam Mendes nos mostra é o percurso deste par, um aluado Burt Farlander (John Krasinski) e a sua amada com os pés mais assentes na terra Verona De Tessant (Maya Rudolph) – à procura de um rumo para as suas vidas.
Esta busca passa por diversas etapas que correspondem a lugares que o casal percorre para tentar identificar o seu lugar para viver.
Um lugar para viver - Sam MendesPelo caminho vão tendo conversas e vivem alguns dias com amigos e familiares mais ou menos estabelecidos na vida, que lhes dão uma imagem do que eles podem vir a ser. Sempre num tom de comédia agridoce, a lembrar algum cinema independente norte-americano.
Com uma excelente banda sonora, a cargo de Alexi Murdoch, nome que não conhecia e foi uma agradável surpresa ficar a conhecer, Sam Mendes consegue com este simpático filme ao cinema mais simples, apostando em actores pouco conhecidos do cinema. Tirando Jeff Daniels e Catherine O’Hara, que interpretam os pais de Burt, e Maggie Gyllhenhaal, são poucas as caras conhecidas. O próprio par protagonista é desempenhado por duas figuras que vêm da televisão dos EUA: ele é uma das caras da versão norte-americana do «The Office» e ela é proveniente da fábrica «Saturday Night Live».
E é também curioso ver que estamos perante um filme bastante actual, à semelhança do que já se podia constatar com «Nas Nuvens», de Jason Reitman. O que este casal atravessa e as questões que enfrentam devem passar pelas cabeças de inúmeros casais dos dias de hoje. O que só prova que Hollywood está a acompanhar o que se passa na actualidade e talvez daqui a muitos anos, com o passar do tempo, este seja um daqueles filmes que é capaz de representar uma época.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Ao longo de um ano o realizador suíço Diran Noubar acompanhou o piloto português Tiago Monteiro para todo o lado, mostrando em detalhe as rotinas (e a ausência delas) do maior nome do desporto automóvel em Portugal. O resultado é um filme surpreendente, que mostra um lado desconhecido do piloto, numa abordagem criativa que poderá ser vista em estreia na edição deste ano do festival de Cannes, que começa no próximo dia 12 de Maio.

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Tiago Monteiro faz questão de sublinhar a dificuldade e a importância deste trabalho: «É um documento incrível. Fiquei muito surpreendido com o resultado e com o que o Diran conseguiu fazer. Foi um trabalho que exigiu dele grande esforço, persistência, e já agora alguma paciência para me aturar. Para mim foi um privilégio que um realizador se interessasse em fazer um documentário sobre a minha actividade e é também uma honra poder estrear o documentário num evento tão importante na indústria audiovisual, como é o Festival de Cannes. Foi também uma forma de fazer um resumo da minha carreira até agora e espero que o resultado impressione o público tal como me impressionou a mim.»
jcl

Se há filmes que podem ser considerados uma experiência, «Líbano» de Samuel Maoz é um deles. A estreia do documentarista na área da ficção é uma experiência sufocante em 92 minutos a bordo dum tanque de guerra israelita.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Líbano» é um filme brutal e claustrofóbico, que consegue a proeza de colocar literalmente o espectador dentro da acção e sentir o que sentem as personagens. O cenário de «Líbano» é apenas um: um tanque de guerra de uma unidade de jovens israelitas que é chamada a participar numa missão durante o início da primeira guerra do Líbano, em Junho de 1982. Durante pouco mais de hora e meia de filme acompanhamos os quatro soldados na sua missão e ponto de vista é precisamente o deles. Para além do que vemos dentro do tanque, todas as cenas passadas fora do tanque são vistas através da mira. E se o que se vê dentro da máquina de guerra não é agradável, ‘lá fora’ não é melhor. Todas as espécies de atrocidades de uma guerra são vistas pelos jovens, que começam a entrar em paranóia e perdem o controlo da situação.
LibanoO ambiente claustrofóbico e paranóico vem ao de cima quando a unidade se apercebe que a missão está perdida e ninguém sabe aonde estão. E sendo o único contacto com o exterior um superior que aparenta não ser muito simpático, os jovens não se sentem muito confortáveis na situação e as dúvidas surgem. «Líbano» é um daqueles filmes que nos deixa sem respirar durante algum tempo na sala de cinema, quase uma experiência semelhante à que está a ocorrer com os jovens soldados.
Apesar deste sufoco permanente, as imagens mais fortes do filme estão no campo de girassóis que surge no início e no final de «Líbano», quando tudo acalma. Mas ao mesmo tempo dá que pensar: o que será do futuro destes quatro jovens que durante poucos dias viram o inferno e escaparam para o mundo ‘normal’? À semelhança do brilhante «Valsa com Bashir», de Ari Folman, que retrata o mesmo conflito, esta obra é mais uma de uma vaga de cineastas de Israel que está a filmar o passado do país e os seus ‘pesadelos’ em forma de guerra.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«Há Tourada na Aldeia», do realizador Pedro Sena Nunes, estreou na sexta-feira, 30 de Abril, no Grande Auditório da Culturgest, integrado no Festival Indie Lisboa. No final a plateia, bem composta, aplaudiu durante alguns minutos o documentário que transmitiu – a quem conhecia e a quem não conhecia – o espírito e a alma dos povos raianos. Em foco estiveram as festas e as Capeias Arraianas em quatro aldeias do concelho do Sabugal. «Filmei em treze mas, com muita pena minha, foi impossível colocá-las todas no filme», disse o realizador na breve apresentação antes do início da projecção.

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O Grande Auditório da Culturgest recebeu durante o Indie Lisboa 2010 dois filmes documentários que tiveram como pano de fundo as terras raianas do concelho do Sabugal. Na sexta-feira, 23 de Abril, estreou «Muito Além», do realizador luso-alemão Mário Gomes com raízes em Aldeia da Ponte e, uma semana depois, no dia 30, foi a vez do tão aguardado «Há Tourada na Aldeia» que teve como media partner o Blogue Capeia Arraiana.
O realizador, Pedro Sena Nunes, fez uma pequena introdução antes do filme perante uma plateia entusiasta e bem composta com estudantes de cinema, com cinéfilos, com espectadores que nunca tinham ouvido falar de capeias e com muitos raianos como, por exemplo, o professor Adérito Tavares.
Pela tela passaram os momentos marcantes da alma raiana: os encerros, as capeias, as festas de Verão e infelizmente muitas casas de pedra com as portas de madeira definitivamente fechadas. É com muita curiosidade que se vão adivinhando as vozes dos muitos narradores que na primeira pessoa vão esclarecendo o espectador sobre o que vai acontecendo na tela. São muitas as caras conhecidas da Raia que aparecem a legendar as imagens em Alfaiates, nos Forcalhos, em Vale das Éguas (onde assistimos a um monumental banho nas águas do Côa do presidente Fernando Proença) e em Aldeia da Ponte.
No final o realizador foi brindado com uma prolongada salva de palmas reconhecendo que a prova foi superada.
Após a projecção do filme decorreu um debate onde foram colocadas algumas questões a Pedro Sena Nunes.
«Filmei muito. Filmei em todas as aldeias. Em todas as aldeias encontrei e lidei com particularidades únicas. Mas, com muita pena minha, quando começámos a montar percebemos que era impossível mostrar as 13 aldeias onde estivemos. O cinema é feito de decisões e, infelizmente, algumas pessoas ficaram de fora», começou por explicar o realizador.
Uma espectadora – que reconheceu nunca ter ouvido falar em capeias – quis saber se já conhecia a região raiana e as «estranhas» touradas que felizmente não magoavam o animal. O cineasta esclareceu que «é um olhar sobre uma região que não é a minha» acrescentando que «o filme sobre as capeias faz parte de um projecto mais amplo denominado Microcosmos, uma colecção de olhares sobre o meu país»
O projecto Microcosmos é uma série de documentários. Um documentário por província. Já foram feitos filmes em Trás-os-Montes, Minho, Beira Litoral, Beira Baixa e Algarve e agora, para simbolizar a Beira Alta, o cineasta escolheu as capeias da Raia sabugalense.
«A memória de um país pode e deve ser retratada de forma directa. Quero filmar nos labirintos da memória».
«Neste trabalho estiveste mais distante, não te envolveste tanto», observa outra espectadora. «Sim, achei que devia deixar falar os da terra e penso que consegui. Não foi necessário narrador. A história é contada pelos olhos de quem a conhece e dos mais diversos pontos de vista».
Questionado sobre como tinha sentido a desertificação das aldeias que filmou o realizador Pedro Sena Nunes respondeu: «Vivi a realidade das festas de Verão e do mês de Agosto e sei que tudo se altera nos restantes onze meses do ano. A desertificação é um facto mas não quero acreditar que um dia apenas se vai ouvir falar francês aos rapazes que agarram ao forcão».
O professor Adérito Tavares, especialista em capeias, aproveitou para dar os parabéns ao realizador e para destacar um momento mágico: durante um eterno minuto a imagem «fica em câmara muito muito lenta» e todos os espectadores param de respirar enquanto assistem «à luta» entre o touro encornado nas galhas medindo forças, olhos nos olhos, com os rapazes que agarram ao forcão.
O filme «Há Tourada na Aldeia» podia perfeitamente chamar-se «Terras do Forcão». Ao longo da projecção vivemos dois sentimentos intensos. Por um lado interpretar a «visão de fora para dentro» de um realizador que soube colocar na tela toda a nossa alma raiana e por outro perceber em cada novo plano que estávamos perante um trabalho que irá fazer parte do património cultural da Capeia Arraiana e do Sabugal.

E porque há factos que são notícia… ouvimos o realizador afirmar que teve o apoio de todas as autarquias onde filmou os outros documentários do projecto Microcosmos e na Câmara Municipal do Sabugal, entre 2008 e 2009, sempre se recusaram a recebê-lo. Na ficha técnica apenas surge uma breve referência ao nome de António dos Santos Robalo. Curiosamente a newsletter da Câmara Municipal do Sabugal destaca a estreia de «Há Tourada na Aldeia» e ignora «Muito Além» que também foi filmado em terras raianas. Ele há coisas…
jcl

Um dos filmes da programação do IndieLisboa deste ano foi mais uma surpresa. De seu nome «Há Tourada na Aldeia», é um documentário realizado por Pedro Sena Nunes sobre as capeias arraianas e as tradições da região.

Pedro Miguel Fernandes - Série BInserido num projecto de Pedro Sena Nunes mais abrangente, através do qual o realizador pretende documentar diversas tradições das regiões portuguesas, «Há Tourada na Aldeia» conta como se realiza este tipo de touradas únicas no país, em que o touro é lidado com um forcão de madeira, manejado pelos bravos locais. Sem narrador, a palavra é dada aos protagonistas: são os próprios habitantes das aldeias da Raia que contam como surgiu esta tradição e as suas lendas.
Mas não são só as touradas que estão em destaque no documentário. Muito ao de leve é abordada a questão da desertificação do Interior, que durante 11 meses do ano é bem patente, mas em Agosto, com o regresso dos emigrantes, deixa de se notar. E foi bom reparar que muitos dos jovens que falam, alguns filhos de emigrantes que vivem em países cuja cultura nada tem a ver com a nossa, apreciam este regresso às origens e garantem que vão continuar a tradição, passando-a aos seus descendentes.
Microcosmos - Pedro Sena NunesPara quem não conhecer este tema, como era o meu caso, «Há Tourada na Aldeia» foi uma boa janela para conhecer um pouco mais do meu país e das suas múltiplas tradições. Ao mesmo tempo, este filme tem também uma grande força ao documentar, e ao mesmo tempo preservar, um pouco mais de Portugal. Fazem falta documentários deste tipo, para que a nossa História e as tradições não desapareçam no futuro. Quem sabe o que dirão daqui a 100 anos os que voltarem a ver este filme.

Nota: Foi também com agrado que vi neste filme, tal como tem acontecido na maioria das sessões a que tenho assistido no festival, uma audiência bem composta. Será uma prova de que o público português adere bem a este tipo de filmes, que nos mostram quem somos. Gostaria de acreditar que sim e que possamos ter oportunidade de ver mais documentários destes.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Não era suposto falar do festival IndieLisboa, mas acabei por não resistir. A «culpa» é de Heddy Honigmann, uma das realizadoras homenageadas no festival e que descobri em dois filmes, cada um representando uma reflexão diferente sobre a vida.

Pedro Miguel Fernandes - Série BNascida no Peru e filha de judeus que fugiram da Europa durante a II Grande Guerra, Heddy Honigmann é uma cineasta com obra feita na área do documentário, mas cujos filmes são pouco conhecidos por cá. O festival lisboeta resolveu este ano suprimir esta lacuna e está a mostrar uma retrospectiva integral da sua carreira, iniciada em 1979 um ano após ter imigrado para Amesterdão para estudar Cinema. Desde então assentou arraiais na Holanda, tornando-se mesmo cidadã do país alguns anos mais tarde.
Depois de algumas experiências na área da ficção, Heddy Honigmann resolveu apostar no documentário. E os seus documentários são obras bastante originais e algo diferentes do que é normal neste tipo de filmes. A começar pela falta de voz off e acabar nas reflexões sobre a vida feitas pelas pessoas que falam para a câmara da cineasta.
Dois dos filmes que tive a oportunidade são muito belos. O primeiro foi filmado em 2007 e chama-se «Forever» (Para Sempre, em português). Neste filme Heddy Honigmann aborda a forma como a arte influencia a vida das pessoas. Para tal foi ao cemitério de Père-Lachaise, em Paris, onde estão sepultados grandes nomes da cultura mundial, desde Chopin a Proust, passando por Jim Morrison, o vocalista dos Doors. Foi neste cenário que entrevistou não só fãs dos mortos mais célebres, como uma jovem pianista que visita a campa de Chopin e toca as suas músicas em homenagem ao pai falecido recentemente, mas também as pessoas que visitam os seus familiares. O truque de Heddy Honigmann é precisamente deixar os seus entrevistados falar sem interromper. O resultado são belas reflexões sobre a vida.
Heddy Honigmann - Indie Lisboa 2010Um outro exemplo das obras de Heddy Honigmann é «Metal and Melancholy» (Metal e Melancolia), um regresso da cineasta em 1993 ao seu Peru natal para filmar os taxistas de Lima, a capital do país numa altura em que atravessava uma grave crise económica, que tinha deixado o país praticamente na miséria. A ideia de ter resolvido entrevistar os taxistas, que talvez sejam um dos grupos profissionais que melhor conseguem contar as histórias das cidades, deve-se ao simples facto de na altura muitos dos habitantes de Lima serem taxistas em part time, como resultado das dificuldades que atravessavam. Desde polícias a actores, médicos e funcionários governamentais, todos utilizavam o seu automóvel pessoal para ajudar a aumentar o orçamento. É um filme que dá muito que pensar, sobretudo numa altura em que os problemas económicos estão na ordem do dia. Mesmo assim, no meio de algumas histórias mais complicadas, sempre aparecem pessoas que afirmam não ter medo de morrer, porque «já estiveram do outro lado», ou que se lembram de uma história de amor passada há muitos anos.
Dois exemplos de belos filmes, que são ao mesmo tempo simples e falam da vida como ela é vivida, pelos mais comuns de nós.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O documentário «Há Tourada na Aldeia» é um dos grandes destaques da edição 2010 do Festival de Cinema «Indie Lisboa». A estreia está marcada para as 19 horas do dia 30 de Abril no Grande Auditório da Culturgest em Lisboa. O Capeia Arraiana associa-se à estreia com um passatempo a que podem concorrer todos os cibernautas.

O «Capeia Arraiana» associa-se como media partner a esta estreia em Lisboa do documentário «Há Tourada na Aldeia» com um passatempo a que podem concorrer todos os cibernautas.
Os primeiros cinco concorrentes que responderem correctamente às três questões que colocamos terão direito a um convite para assistir à sessão do dia 30 de Abril, sexta-feira, no Grande Auditório da Culturgest situado na sede da Caixa Geral de Depósitos ao Campo Pequeno em Lisboa.
Pretendemos respostas para três questões:

1 – Quem realiza o documentário «Há Tourada na Aldeia»?
2 – Indique os títulos de mais dois filmes do realizador?
3 – Quem é responsável pela produção geral?

Os primeiros cinco concorrentes que responderem correctamente às três questões que colocamos terão direito a um convite para assistir à sessão do dia 30 de Abril, sexta-feira, no Grande Auditório da Culturgest situado na sede da Caixa Geral de Depósitos ao Campo Pequeno em Lisboa. Na desistência ou impossibilidade de estar presente de algum dos cinco vencedores será substituído pelo concorrente que constar em primeiro lugar na lista com cinco suplentes.
O passatempo terá início às 17.00 horas desta quinta-feira, 29 de Abril.
A classificação final terá em conta as três respostas certas e a hora de recepção do e-mail.
Os convites estarão disponíveis entre as 18.30 e as 19.00 horas à entrada do Grande Auditório da Culturgest.
E-mail para concorrer a partir das 17.00 horas: capeiaarraiana@gmail.com

Blogue Capeia Arraiana: media partner da estreia de «Há Tourada na Aldeia».
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O documentário «Muito Além» (Far Beyond) do realizador Mário Gomes participa nas competições nacional e internacional do Festival de Cinema Indie 2010 que está a decorre em Lisboa. Estreou na sexta-feira no Culturgest e merece o nosso destaque porque foi rodado em Aldeia da Ponte, terra natal dos pais do cineasta que há décadas são emigrantes na Alemanha. Até porque há filmes que não terminam quando acabam…

Muito Além - Mário Gomes - Indie 2010

O Capeia Arraiana assistiu na sexta-feira, 23 de Abril, à estreia do documentário «Muito Além» (Far Beyond) no Grande Auditório da Culturgest na sede da Caixa Geral de Depósitos em Lisboa.
A sinopse do filme resume crua e friamente a realidade das terras raianas: «Uma pequena aldeia portuguesa está a morrer lentamente, depois de os seus habitantes terem emigrado. No Verão, no entanto, a aldeia enche-se de vida por umas semanas – antes de voltar a mergulhar no silêncio.»
Na sala uma grande claque de apoio de pontenses – de onde são naturais os pais do cineasta – fez questão de se manifestar e aplaudir o realizador, Mário Gomes, radicado na Alemanha. Aliás a história foi toda filmada nas terras raianas de Aldeia da Ponte e de Albergaria de Argañan do lado espanhol e tem como protagonistas e figurantes muitas caras conhecidas com, por exemplo, o pontense José Prata.
O filme tem início com a projecção de slides antigos que retratam casas e pessoas já desaparecidas em Aldeia da Ponte. A roca e o fuso nas mãos das mulheres pontenses, as festas de Santo António em 2008, o lar de idosos, os cafés da aldeia, a sede da Associação Juventude Pontense com a sua discoteca ao ar livre onde são batidos, anualmente, os records de consumo de minis (Sagres), as paisagens raianas, a praça de toiros, os encerros e as capeias arraianas estão presentes ao longo dos 51 minutos do documentário.

Ficha Técnica
Título: «Muito Além» (Far Beyond).
Realização: Mário Gomes (Alemanha/Portugal, 2010).
Secções: Competição Nacional e Competição Internacional.
Fotografia, Jorge Quintela; Música, Carlos Bica; Som, Dídio Pestana; Montagem, Elias Grootaers e Mário Gomes; Produtor, Mário Gomes, Rodrigo Areias e Produção, Bando à Parte.
Exibições: Quem perdeu a estreia no dia 23 de Abril pode ainda assistir ao documentário no Cinema São Jorge (Sala 3), no dias 28 (21.30) e 30 de Abril (23.59).

A projecção de «Muito Além» foi antecedida de duas curtas («Verão» e «Nenhum Nome») que confessamos nos terem deixado uma estranha sensação. Nem sim, nem não, antes pelo contrário. Há liberdades criativas que, por vezes, não somos capazes de decifrar.
jcl

O documentário «Há Tourada na Aldeia», do realizador Pedro Sena Nunes, é um dos grandes destaques da edição 2010 do Festival de Cinema «Indie Lisboa». A estreia está marcada para as 19 horas do dia 30 de Abril no Grande Auditório da Culturgest em Lisboa.

No texto de promoção do documentário do realizador Pedro Sena Nunes pode ler-se que «Há Tourada na Aldeia é um filme onde as pessoas saem à rua, vestem as suas melhores roupas, os filhos da terra voltam e num misticismo renasce a união de uma aldeia de uma tradição comum, que os alimenta a todos a alma. Conscientes que desenvolvem uma tourada única no mundo, a Capeia Arraiana, uma tradição com raízes ancestrais, esta é aguardada ansiosamente pelos seus habitantes. Mas mais que um espectáculo é uma forma de ser, de estar, de viver. Há Tourada na Aldeia, é apenas um pequeno gesto numa cultura que se afirma de massas, no presente e no futuro».
A Capeia Arraiana é, de facto, um espectáculo único no mundo. Mas é mais do que um espectáculo. Simboliza a identidade de um povo que desde sempre viveu num território muito especial atravessado pelo Rio Côa e delimitado pela Raia. Simboliza a tradição, a saudade, os dias de festa na aldeia, os emigrantes, o contrabando e a dureza das terras frias. Simboliza a coragem de um povo que, unido e agarrado à galha, é invencível. Simboliza a alma raiana das terras do forcão. Viva a Capeia Arraiana!
O «Capeia Arraiana» associa-se como media partner a esta estreia em Lisboa do documentário «Há Tourada na Aldeia» no próximo dia 30 de Abril. Os sabugalenses a residir na capital têm uma boa oportunidade para se encontrarem e saborearem as sensações fortes das capeias na tela do Grande Auditório da Culturgest, na sede da Caixa Geral de Depósitos, junto ao Campo Pequeno.
Durante a próxima semana vamos oferecer – aqui no Capeia Arraiana – alguns convites para a estreia. Fique atento.

Página Oficial de «Há Tourada na Aldeia». Aqui.
jcl

«Um Sonho Possível» era um dos filmes surpresa dos Óscares e muitos ficaram de boca aberta como um drama protagonizado por Sandra Bullock lá tinha ido parar. A verdade é que, não sendo um grande filme, foi uma agradável surpresa.

Pedro Miguel Fernandes - Série BRealizado por John Lee Hancock, um nome praticamente desconhecido, «Um Sonho Possível» conta a história baseada em factos verídicos de Michael Oher, um jovem negro com problemas sociais que foi adoptado por uma família branca da classe média-alta do Mississipi e que acaba por se tornar um excelente jogador de futebol americano. É assim uma história tipicamente pertencente ao universo dos EUA, daí talvez tenha sido por isso que caiu nas boas graças da Academia.
Mas não é só o facto de apelar aos sentimentos da Academia que faz deste filme uma fita simpática. O grande truque deste filme está na forma simples como conta uma história com contornos complexos.
Um sonho possívelTemos um jovem com problemas de aprendizagem que vive num bairro problemático e cuja mãe tem diversos problemas com drogas, uma família cristã do Sul dos EUA que prova o seu amor pelos mais necessitados ao dar abrigo a quem precisa – as cenas em que a personagem de Sandra Bullock conta às amigas porque ajuda o jovem dão-nos uma boa imagem de um certo tipo de pessoas que parecem viver num mundo à parte – e inclusive do desporto escolar e universitário norte-americano.
Ou seja, este «Um Sonho Possível» tinha tudo para ser um daqueles filmes que passam despercebidos, mas uma história de um coitadinho semelhante a «Precious», outro dos nomeados a Melhor Filme. Mas John Lee Hancock deu-lhe a volta e assina um daqueles filmes que nos deixam com um sorriso nos lábios quando saímos da sala de cinema e a acreditar que ainda há histórias com final feliz e quem queira contá-las.

Começa hoje mais uma edição do Indie Lisboa, o Festival de Cinema Independente de Lisboa. Numa das minhas primeiras crónicas falei no meu ‘amor’ por este evento. Este ano não o vou abordar, apenas queria deixar uma nota para uma sessão em particular. O filme chama-se «Há Tourada Na Aldeia» e é um documentário realizado por Pedro Sena Nunes sobre as capeias arraianas e tem como Media Partner o «Blogue Capeia Arraiana». Passa no dia 30 de Abril na Culturgest, às 19 horas.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Já aqui falei da versão de Alice no País das Maravilhas assinada por Tim Burton, filme que me desiludiu de certa forma. Pelo contrário o mais recente filme de Terry Gilliam, também passado num universo fantástico, foi uma grande surpresa.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Parnassus – O Homem Que Queria Enganar o Diabo», assim se chama a última realização de Terry Gilliam, o Monty Python americano, que ficará também para a História como o último filme do malogrado actor Heath Ledger, falecido precocemente em 2008, quando tinha apenas 28 anos e uma promissora carreira pela frente. Mas o actor australiano não é o Parnassus que dá título ao filme. Parnassus, interpretado por Christopher Plummer, é um monge que para conquistar a imortalidade faz uma aposta com o Diabo. E que diabo: o cantor Tom Waits num papel que parece mesmo ter sido feito à sua medida. Mas as reviravoltas do destino levam o monge a voltar a ser mortal e acaba por fazer uma troca com o demónio: a sua filha passa a ser do Diabo quando fizer 16 anos.
ParnassusA acção passa-se assim nas vésperas do aniversário da jovem, quando Parnassus, já bastante velho, tenta dar a volta ao destino. A solução é proposta pelo próprio Diabo, que lhe apresenta uma nova aposta: o primeiro a conseguir cativar cinco almas fica com a rapariga. É aqui que os mundos e universos mágicos ganham vida, pois para conquistar as tais almas Parnassus tem um espectáculo circense com um estranho espelho que mais não é do que um portal para a imaginação da assistência. Quem passar pelo portal vê o que gostaria de ver. Quando o tempo está prestes a esgotar-se entra em cena a personagem de Heath Ledger, que vai ajudar o herói a tentar enganar o Diabo. Se consegue ou não, não o direi, o desfecho fica para quem o vir.
De realçar que este filme esteve em risco de nunca ver a luz do dia. Tudo porque a morte inesperada de um dos actores principais veio intrometer-se nos planos de Gilliam durante boa parte das filmagens. Solução: recorrer a duplos completamente diferentes de Ledger, mas cuja fisionomia passa bem pelo argumento, pois estes só entram em cena quando a personagem passa pelo portal. E aqui o realizador teve um golpe de sorte, ao ter a ajuda de três amigos de Ledger para interpretar a sua versão para lá do espelho: Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. Daí no final do filme esta aventura ser dedicada a Heath Ledger e a um dos produtores que faleceu antes da estreia e vir assinado como sendo feito pelos amigos do actor.
Um universo bastante recomendável.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Se fosse vivo Akira Kurosawa, um dos grandes mestres do cinema japonês e mundial, faria esta semana 100 anos. Ao longo de 50 anos e mais de 30 anos foi um nome bastante influente na Sétima Arte.

Pedro Miguel Fernandes - Série BNascido em Tóquio a 23 de Março de 1910 numa família com oito filhos, sendo ele o mais novo, Akira Kurosawa chega à idade adulta com a ideia de ser pintor, mas a falta de recursos financeiros acabar por afastá-lo deste campo. A influência de uma das irmãs, que era narradora de filmes mudos antes do cinema passar a sonoro, foi fundamental para levar o jovem Akira para o mundo do cinema.
Aos 26 anos um anúncio para assistente de realizador abriu-lhe as portas para a Sétima Arte. Foi em 1943 que se estreou finalmente na cadeira de realizador para filmar «Sugata Sanshiro». Nesta primeira fase da sua carreira, que durou até 1965, Kurosawa assinou 24 filmes, entre os quais os seus filmes mais conhecidos: «O Anjo Bêbedo» (1948), «Os Sete Samurais» (1954), «A Fortaleza Escondida» (1958) e «Yojimbo – O Guarda-Costas» (1961).
«Os Sete Samurais» talvez seja a obra mais popular deste período, muito em parte devido a um remake norte-americano «Os Sete Magníficos», assinado em 1960 por John Sturges que adapta a história da vingança de sete samurais que protegem uma aldeia tiranizada por um grupo de bandidos ao universo do western. Como prova esta obra-prima, o universo dos samurais é uma das suas imagens de marca.
Akira KurosawaDepois de uma primeira grande época, Kurosawa entra em declínio e em 1971 tenta o suicídio, sem sucesso. O período final da sua carreira começa em 1975 com mais uma grande obra, filmada com capitais da ex-União Soviética: «Dersu Uzala: A Águia das Estepes», filmado em grande parte na Sibéria e que relata a história de um explorador que trava amizade com o seu guia mongol. Cinco anos depois outro ponto alto da sua filmografia: «Kagemusha: A Sombra do Samurai», um filme que contou com produção de Francis Ford Coppola e George Lucas, dois dos grandes responsáveis pelo reconhecimento internacional do cineasta.
Em 1985 o mestre japonês realiza aquele que considerou ser o seu melhor filme: «Ran – Os Senhores da Guerra», uma excelente adaptação da peça de teatro «Rei Lear» de William Shakespeare ao Japão feudal. Depois desse ano Kurosawa assina mais três filmes: «Sonhos» (1990), «Rapsódia em Agosto» (1991) e «Ainda Não» (1993).
Akira Kurosawa faleceu a 6 de Setembro de 1998 na localidade de Setagaya, perto de Tóquio, vítima de um enfarte. Com 88 anos, deixou um dos mais importantes legados do cinema asiático e do mundo.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

JOAQUIM SAPINHO

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