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A Capeia Arraiana, tourada popular exclusiva das terras raianas do concelho do Sabugal, foi regista como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), tendo em conta o seu valor enquanto manifestação popular e etnográfica.

Foi publicado no Diário da República do dia 16 de Novembro o Anúncio relativo à inscrição da «Capeia Arraiana» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Resultante do pedido de inventariação elaborado pela Câmara Municipal do Sabugal, o registo daquela tradição no Inventário Nacional foi objecto de decisão favorável da Comissão para o Património Cultural Imaterial, em 4 de Novembro de 2011, tomada após o período de consulta pública sobre o processo.
A Capeia Arraiana é uma manifestação tauromáquica específica de algumas freguesias da orla raiana do concelho do Sabugal, que se singulariza pelo facto de a lide do touro bravo ser realizada com o auxílio do forcão, estrutura triangular em madeira suportada por um grupo de homens que assim enfrenta as investidas do touro.
O IMC disse em comunicado que «a finalização deste primeiro processo de inventariação de uma manifestação cultural no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, de forma desmaterializada e com a participação das respectivas comunidades, assume um particular significado no trajecto da recente valorização do património imaterial em Portugal».
O Inventário Nacional, na forma digital, foi resultado de um aprofundado trabalho desenvolvido pelo IMC nos últimos anos, que incluiu a aprovação do regime jurídico para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial. A finalização deste primeiro processo relativo à Capeia Arraiana veio dar expressão ao principal objectivo da implementação do Inventário Nacional: «o cumprimento, por parte de Portugal, da sua obrigação fundamental decorrente da ratificação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (UNESCO, 2003), que exige, precisamente, a criação de inventários nacionais».
A Câmara Municipal do Sabugal emitiu igualmente um comunicado manifestando regozijo pela inventariação da Capeia Arraiana enquanto património imaterial, na medida em que isso «dá resposta aos anseios da população e das forças vivas do concelho que pretendiam uma maior valorização, preservação e promoção desta manifestação cultural, única no mundo, que constitui um inquestionável factor identitário das povoações onde se pratica e o mais valioso Património Cultural Imaterial do concelho».
«Estão agora reunidas as condições para uma eventual candidatura da Capeia a Património Cultural Imaterial da Humanidade, uma vez que, nos termos da legislação em vigor, o registo no Inventário Nacional é condição indispensável para tal», conclui o comunicado da Câmara do Sabugal.
plb

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As tradições tauromáquicas ganham novo protagonismo no concelho do Sabugal. Os raianos vão sair das praças das aldeias tradicionais e levar o forcão aos quatro cantos do mundo. O Portugal dos toiros e das touradas pode, agora, acrescentar à família dos forcados amadores o mui bravo e valoroso grupo de Capeadores Amadores do Sabugal. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Um grupo de amigos de variadas localidades do concelho do Sabugal, que estudam na sede do concelho, lembrou-se de organizar uma tourada seguida de baile, que acontecerá no próximo Sábado, dia 8 de Outubro, no Soito.

Há iniciativas que nascem assim, da espontaneidade. Alguém se lembrou de que, passado o mês dos toiros, Agosto, e o mês de descanso da generalidade dos sabugalenses, Setembro, era oportuno aproveitar o bom tempo com que os dias de Outubro têm sido brindados. E, vai daí, lançou-se a ideia de realizar uma tourada e um baile. A proposta teve eco num grupo de amigos, que decidiram juntar as mãos para realizar essa festa raiana, escolhendo o Soito para palco.
Do dia 8, às 14 horas, abre o bar da Praça de Touros do Soito, assim se dando início ao convívio, que aposta sobretudo da presença dos jovens.
Pelas 16 horas terá início a tourada, que se prolongará pela tarde dentro.
Depois do jantar, pelas 22h30, é a vez de se dar início ao baile com o grupo Trio Musical, no salão da Associação Cultural e Desportiva do Soito. A festa continuará pela noite e entrará na madrugada, culminando com a actuação, às 3 horas, do Rik DJ e DJ.
Os jovens do concelho do Sabugal têm uma festa de Outono à sua espera.
plb

Aceitei o desafio de escrever um texto semanal neste blogue numa daquelas tardes quentes de Verão e em que «el roedo quemava» na principal das capeias arraianas – o festival «ó forcão rapazes» na praça de touros de Aldeia da Ponte. Portanto, o ambiente em que todos somos arraianos, os de lá e os de cá, dessa princesa de ribeira que é a Côa ou príncipe rio Côa!

Foi nessas imensas tertúlias fugazes, algumas, outras mais longas, que o desafio me foi lançado. Pois bem, aqui estou.
Para não fugir dessa tarde de Agosto, falo-vos do que são as sensações e emoções que percorrem os seres daqueles rapazes que pegam ao forcão. E como vamos falar de sensações e emoções, obviamente, que as palavras são minhas! É uma visão subjectiva, pessoal. Minha.
Não tenciono fazer história, nem escrever uma crónica desde os tempos em que se começa a pegar ao forcão… Mas pela adolescência dá-se (ou dava-se!) a iniciação. A palavra aqui não é inocente! O pegar ao forcão representa uma certa iniciação. O adolescente/jovem apresentava-se perante a comunidade. Participava em pleno na festa, na tradição… Pois a capeia é, verdadeiramente, a actividade plenamente comunitária! Mas este é outro assunto… Dizia eu, que se começava a pegar pela adolescência, primeiro temerariamente… mas o sangue ferve e… lá estamos nós a mais um. Depois… bem, depois afeiçoamo-nos. E torna-se quase um vicio. Pois o sangue ferve!
Reparem que pega-se, quase sempre, no mesmo sitio: à galha, em segundo, terceiro… ao rabicho (rabião n’algumas terras), no meio… temos um lugar! E esta é uma das importantes sensações, o lugar não nos pertence, nós pertencemos àquele lugar!
Outra das sensações e emoção é o facto de, quando se pega ao forcão, deixamos de ser um para nos diluirmos com todos os outros que estão a pegar! A ideia de todos nos tornarmos um. Transformar as partes num todo, o forcão como um bloco. Dirão que isto é óbvio. Claro! Mas é importante constatar o que o torna uno: a confiança. Cada um confia no outro! Por vezes, consegue-se sentir o que os outros estão a sentir!…
Agora que já estamos no nosso lugar, agarrados ao forcão, e se abrem as portas do curro… É tempo de vos falar do medo, do receio, do que lhe quiserem chamar! O medo é o que nos mantém alerta e nos dá alguma lucidez e… até coragem! O medo aparece nesse instante, em que se levanta o forcão e se abrem aquelas portas! São segundos, fracções de segundos, até aparecerem os cornos do touro! Nesses instantes, incrivelmente, é como se houvesse um silêncio absoluto na praça e, esta estivesse, também ela em suspense. Diria, que o filme da nossa vida nos passa pela frente num instante! Ninguém fala. A adrenalina está nos níveis máximos.
…As portas do curro abrem, o touro aparece na arena como um relâmpago e, ainda que as vozes se comecem a ouvir, ainda falta o momento em que tudo flui e se esvai, também ele, num instante! Esse momento acontece com a primeira pancada no forcão! É aí, nesse instante, que toda adrenalina, o medo, a tensão, a dor e a felicidade… se unem num estrondoso berro de alivio!
Claro que não termina aí o desfiar das sensações. Elas estão ligadas ao touro. À sua forma de investir, ao seu comportamento. Quanto ao forcão, deve tornar-se o mais possível numa dança, em que os passos de desenrolam com suavidade e de forma natural. E quanto mais o touro investe, mais confortáveis nos sentimos. Emocionalmente, esquecemos tudo o resto. Ali, só somos nós e o touro. E será sempre este – o touro – o dínamo de todas as emoções!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Fernando Lopes, natural de Aldeia da Ponte, licenciado em Filosofia, inicia hoje uma colaboração regular no Capeia Arraiana.
Bem-vindo Fernando Lopes
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jcl e plb

No passado dia 10, do corrente mês de Setembro fui, com um grupo de amigos, ao encerro da Freineda.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaConfesso que nunca havia ido e tinha a impressão de que pouco deveria valer. Enganei-me, redondamente, e vou ficar cliente.
É verdade que estava habituado aos encerros da raia sabugalense pelo que nem me passava pela cabeça que pudesse haver tão bom ou melhor.
Os amigos da Freineda provaram saber receber e provaram que o encerro não são só toiros e cavalos.
Então os aspectos humanos não contam? Foi, na verdade, o que mais me impressionou.
Numa tapada, grande e plana, colocaram umas extensas mesas com comida variada e em abundância, para toda a gente.
Reparei que, à medida que as pessoas iam chegando, havia logo alguém da organização a convidá-las para se aproximarem das mesas.
Quando verificavam que alguém se acanhava eram eles próprios que lhes levavam comida e bebida. Que belos exemplos!
Eu já conhecia bastante bem o pessoal da Freineda mas confesso que quase sempre me surpreendem com a sua gentileza e simpatia. É que este procedimento parece-me contagiante. Não é só um ou outro amigo a assim proceder. Este sentimento generalizou-se e parece-me que todas as pessoas já assim são.
Mas voltando ao encerro verifiquei que, ainda a maioria das pessoas estavam em volta das mesas, quando se aperceberam que os toiros e cavaleiros se aproximavam.
Todas as pessoas se começaram a movimentar em carrinhas, tractores e motas. Outras acompanhavam os toiros, os cabrestos e os cavaleiros, a pé, sem demonstrarem grande receio.
A festa torna-se mais bonita e mais participativa pelo facto dos terrenos serem extensos e muito planos. Todas as pessoas se incorporam e se sentem participativas.
Desde essa zona até ao local do redondel ainda se demora cerca de meia hora. Dá para a maioria das pessoas se deslocarem, por todos os meios, até à praça para verem entrar o gado.
Depois destas bonitas cerimónias todas as pessoas vão tratar da barriguinha.
Aqui também pretendo fazer uma referência à união das pessoas da Freineda. A Comissão de Festas instalou um bar e um restaurante, na zona, e servem bebidas e refeições sem explorarem a clientela.
Admirei o entusiasmo com que todas as pessoas, homens e senhoras, se movimentam para que tudo corra pelo melhor e para que os forasteiros vão a contar bem da festa.
Aqui fica o meu registo e os meus agradecimentos ao povo da Freineda que me parece ser um modelo a copiar e a seguir por muitas outras freguesias.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Partilhe esta nossa tradição!!!

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Mais um ano e mais uma grandiosa capeia arraiana de realizou na Nave… Como sempre no dia 14 de Agosto esta grandiosa tradição deixou a população em alvoroço que esperou afincadamente a chegada deste dia.
Contando a cem por cento com o apoio dos residentes e dos nossos visitantes que neste dia são a chave para que tudo possa correr como os conformes. Fazendo assim a festa dos touros alimentada pelos grandiosos aplausos e pela imensa alegria e orgulho pela tradição que faz com que seja única no mundo…
Sendo por isso que é necessário uma maior preservação desta que é nossa tradição, fazendo com que mais pessoas fiquem a conhecer e que se atrevam a vir ver e a participar. Pois por isso aqui fica um vídeo dos melhores momentos que se viveram mais um ano na Capeia Arraiana 2011 na Nave.
Para o ano esperamos encontra-lo novamente para viver esta tradição. Partilhe esta nossa tradição!
Edgar Fernandes

Pegar ao forcão parece fácil para quem olha da bancada. O momento de esperar a investida do toiro é uma sensação de pura adrenalina prazeirosa. Mas pode ser um momento de momentâneo pânico. Tudo aconteceu em Aldeia da Ponte. O vídeo foi realizado por Dominique Ferreira.

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Mais um vídeo que merece figurar na galeria da história da Capeia Arraiana com origem no concelho do Sabugal.
jcl

Mais uma vez a AAR-Associação dos Amigos de Ruivós apoiou os mordomos da Capeia Arraiana de Ruivós que decorreu no passado dia 6 de Agosto de 2011, no recinto de touros de Ruivós. Para sempre ficará na memória de todos os presentes o minuto de silêncio em memória de Rogério Caramelo Madeira que até os pássaros respeitaram.

Rogério Madeira - Capeia Ruivós 2011

A Capeia Arraiana 2011, em Ruivós, foi mais uma vez um sucesso e felizmente sem qualquer incidente e contou, também, com a presença do pároco da aldeia, Padre Hélder, a pegar ao Forcão em Ruivós.
Este ano os mordomos (Ricardo Leitão, Rui Moura, Miguel Caramelo e Marlene Leitão) e a AAR quiseram homenagear um amigo querido e nunca esquecido – Rogério Caramelo Madeira – que nos deixou à 10 anos e que estivesse ainda entre nós, teria concerteza lugar garantido no Forcão de Ruivós, pois como se sabe, o seu desejo era que Ruivós tivesse uma Capeia Arraiana, sonho que foi realizado depois da sua partida por um grupo de Amigos.
«A saudade é a prova que não te esquecemos!» foi a frase que representou o nosso sentimento na homenagem ao Rogério Madeira na Capeia de Ruivós de 2011.
Gonçalo Pires
(Presidente da Associação dos Amigos de Ruivós)

Mês de Agosto é sinónimo de Festas no concelho do Sabugal. E logo na primeira semana tiveram lugar em Ruivós noites de intenso convívio organizadas pelos mordomos da Capeia Arraiana e pela Associação dos Amigos de Ruivós.

Festa Associação Amigos Ruivós Agosto 2011

A semana em movimento, organizada pelos Mordomos da Capeia de 2011, revelou-se um importante marco para prender as nossas gentes na aldeia.
Desde o dia 1 até ao 6, a animação não parou e o Salão de Festas foi o local escolhido para os festejos. Em cada dia o tema festivo era diferente, desde os Anos 80, à caipirinha, à noite branca, à noite da mulher e à festa da cerveja e do shot.
O último dia – 6 de Agosto, foi dedicado ao Dia do Sócio da Associação dos Amigos de Ruivós (AAR), em que tiveram lugar: uma missa, um almoço convívio, a assembleia geral da AAR, a anual capeia nocturna e para o encerrar das festividades uma festa temática em que se comemorava o início do verão.
De facto, o principal motivo destas festas – a capeia – foi bem sucedido e, com grande agrado por parte dos mordomos, com grande assistência.
Sem dúvida, Ruivós esteve em movimento durante essa semana, pois todos os dias marcaram grande agitação desde a ginástica ritmica, jogos tradicionais e ainda um passeio de motas velhas pelo concelho do Sabugal que reuniu cerca de 25 motards.
No final, é grande a satisfação dos mordomos que desde o primeiro momento aceitaram o convite, para que a aldeia de Ruivós fosse espaço de festejos e animação neste mês onde o que não falta por aí são festas mas que nesta aldeia não exitem (existiam).
Os Mordomos da Capeia de 2011 agradecem a todos os que participaram e colaboraram nestes belos dias vividos em Ruivós.
Marlene Leitão
(Mordoma da Capeia Arraiana de 2011)

ALDEIA VELHA – CAPEIA E… ENCERRO

«O Forcão, guarnecido de homens, está a postos no meio da praça. Dispensam-se as cerimónias de cortesia, e o pedido da praça, tal como a música, as camisolas e os bonés estampados dos rapazes que pegam ao forcão. Tudo isso se reserva para a tarde. Por ora, trata-se apenas de testar a bravura dos bois, uma espécie de tenta, ou, talvez mais correcto, uma forma de dar expressão à ânsia incontida da festa, à fome dos touros! Na falta do clarim, quatro pancadas fortes na chapa metálica do portão dos curros avisam que o touro vai entrar em cena. Ei-lo, negro, bisco e desenvolto como um relâmpago, a sair de revés, a percorrer todo o perímetro do largo, a limpar, obrigando a recolher aos salva-vidas todos os que ainda permaneciam na arena. Finalmente o bicho apercebe-se do forcão, à sua direita, de onde os rapazes o desafiam insistentemente. Sem se fazer rogado, vai-se à galha, prega-lhe uma valente marrada que obriga a rodar harmonicamente todo o conjunto. Ouvem-se gritos de euforia e receio. A rapaziada aguenta firme e os aplausos irrompem, merecidos.»

Capeia

Negro
Mais negro que os fogueiros ào inferno;
Gordo,
Mais gordo que as mulheres de um rei negróide;
Bufão,
Mais bufão do que Noto, Eolo e Bóreas à compita;

Veloz,
Mais veloz que os golfinhos de Nereu –
Entrou na praça o boi galhardo.
Escarvando,
Olfacteou o argiloso chão,
Com um ar de Satã alucinado.

Depois,
Erguendo a cabeça,
Achou pequenas a pequenez da praça
E a amplidão dos céus.

Depois, ainda,
Mugiu
Em ódio clamoroso e clangoroso.
Então,
A praça entrou nos delírios do pavor.
O forcão
Quedou-se desamparado
No meio do terreiro
E os capinhas galgaram em pamco
O espaço que os separava das trincheiras.
Sozinho,
No meio da praça,
O boi,
Já gigante,
Mais se agigantava.

Empoleirado num carro,
Exalçado a lenha
E enfeitado a colchas,
O tamborileiro rufava,
Querendo rebentar o velho bode.

Então os solteiros ganharam coragem
E, saltando aos magotes para a arena,
Imobilizaram o boi
Entre os aplausos dos homens
E os gritos das mulheres.
Manuel Leal Freire

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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BRAVURA E ARTE

«Tratando-se de um espectáculo onde a cor e a arte, numa palavra a beleza está sempre presente, achamos que a escrita não seria suficiente para traduzir toda a sua dimensão. Costuma dizer-se que uma boa imagem vale por mil palavras. E para a melhor tradição raiana só o seu melhor fotógrafo. A prova está à vista, não precisamos de elogiar. Mais do que um texto ilustrado com belas fotos, o resultado é um livro de fotos ilustrado com texto.»

FÓIOS – CAPITAL DA RAIA

«A Capeia dos Foios realiza-se na terceira terça-feira do mês de Agosto integrada nas festas em honra do Santíssimo Sacramento. O encerro inicia-se no planalto do Lameiro, para onde os touros vêm de madrugada, e dirige-se para a aldeia pelo caminho da serra, seguindo depois pela estrada que vem da Aldeia do Bispo em direcção à praça. Como sempre, o professor Zé Manel, presidente da Junta quase uma vida, num breve discurso gritado no megafone, dirige-se à assistência: agradece aos forasteiros a visita, pede aos fojeiros que recebam bem e recomenda valentia e prudência aos que enfrentam os toiros.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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IDENTIDADE DE UM POVO (2)

«A afición das gentes de Riba Côa não fica atrás da de outras regiões onde ocorrem manifestações tauromáquicas. Pelo contrário, a sua adesão aos touros supera em muito a adesão das regiões onde se fazem touradas à portuguesa, que como se sabe têm sofrido nas últimas décadas um decréscimo de assistência. Qualquer capeia arraiana encherá todos os lugares disponíveis da praça, por maior que seja, a pontos de ser dizer na Raia que onde há cornos há gente.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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Realizou-se em Aldeia da Ponte mais uma edição do festival «Ó Forcão Rapazes», onde os pegadores de nove povoações do concelho do Sabugal com tradições tauromáquicas arreigadas mostram como se lida o toiro com o forcão, perante uma praça a abarrotar de gente.

A tarde acalorada e abafada de 20 de Agosto ficou marcada nas terras raianas pela excelente exibição na lide dos toiros com forcão, num espírito de rivalidade e de competição entre as diferentes aldeias, onde o convívio e a amizade entre os povos raianos também teve lugar. A força dos toiros de Zé Nói, ficou desde logo evidente com a forte investida do primeiro deles no forcão de serviço, cuja trave fronteira foi literalmente partida, deixando o instrumento inoperacional. O forcão suplente sofreu também com as imponentes investidas, com as galhas de carvalho a quebrarem-se sucessivamente, o que motivou a intervenção dos «especialistas», que, munidos de galhas novas e ferramentas apropriadas, consertaram o forcão em plena arena.
A evidente força dos touros, não deixou de motivar queixas de uma ou outra equipa que viu quedar-lhe em sorte um boi com menor sentido em investir nas galhas do forcão. No geral assistiu-se a boas intervenções, que cumpriram o objectivo de demonstrarem a espectacularidade da capeia arriana, enquanto diversão tauromáquica num ano em que o Município sabugalense avançou com a candidatura desta tradição a património imaterial da humanidade.
Para além dos touros e do forcão a tarde tórrida de Agosto proporcionou momentos de confraternização entre os povos das aldeias, malgrado a rivalidade e a disputa pela melhor pega. A solidariedade esteve exemplarmente à vista quando um elemento da equipa de pegadores de Aldeia da Ponte se sentiu mal durante a lide, num momento em que o toiro investia rijo. Face ao percalço, de que muitos mal se aperceberam, os rapazes de outras equipas saltaram para a arena, desviando a atenção do touro e retirando em ombros o jovem indisposto para a trincheira, onde foi prontamente assistido pelos bombeiros voluntários do Soito.
O festival «Ó Forcão Rapazes», é um excelente momento de divulgação da tradição raiana e de demonstração da bravura e coragem das suas gentes. Muitos vieram de longe para assistirem à excelente demonstração, o que traz à evidência a potencialidade da capeia arraiana como promoção do concelho do Sabugal.

A importância do festival na divulgação da capeia exige uma mais cuidada organização do evento. O ritual associado a esta tradição tem que ser mais bem cuidado e o orador de serviço (o nosso estimado amigo Esteves Carreirinha) deveria seguir um guião mais formal, no sentido de dizer apenas o que era necessário e no momento adequado. Os tempos mortos poderiam ser ocupados com alguma animação. É necessário fazer algo mais pelo Festival, dando-lhe outra dinâmica, numa altura em que o mesmo pode ser aproveitado como um dos grandes pólos de divulgação da Capeia Arraiana face à candidatura a património da humanidade.
plb

IDENTIDADE DE UM POVO (1)

«À hora da capeia todos os lugares estão preenchidos. Cada pessoa posiciona-se onde encontre sítio disponível. A afluência ultrapassa em muito a lotação das bancadas, apinhadas de gente nas posições mais caricatas. Há quem veja o espectáculo debaixo dos reboques, deitado por terra, outros permanecem durante toda a lide encalampeirados em postes de electricidade, telhados e outras estruturas. Janelas e varandas mal podem com tanta gente. Com a tourada prestes a iniciar, há ainda tempo para ajudar senhoras e crianças a subir para os tabuados e beber uns copos com os amigos, correndo-se o risco de não conseguir o melhor sítio para assistir ao primeiro touro, situação que se pode corrigir logo que alguém se levante para ir ao bar. Já que não há lugares marcados, os que vão ao bar deixam os lugares para os que deles precisam.»

Ó FORCÃO RAPAZES

«O festival Ó Forcão Rapazes realiza-se por volta do dia 20 de Agosto, no segundo ou no terceiro sábado, conforme o maior ou menor avanço do calendário. Com a Praça de Touros a regurgitar de gente, completamente esgotada por uma assistência vibrante e colorida, a rapaziada da Raia demonstra a sua raça na espera dos bravos e corpulentos touros. A lide, com duração de 15 minutos para cada equipa, é controlada pela organização. Antes do início da capeia tem lugar o espectacular desfile das equipas, marcado pelo rufar dos tambores e pelos aplausos ruidosos dos apoiantes de cada uma das equipas. No final do desfile, os grupos alinham-se em conjunto no centro da Praça, lado a lado, e escutam as palavras de circunstância e de estímulo proferidas pela entidade oficial convidada, normalmente o presidente da Câmara, representante máximo do concelho. Terminado o discurso, as equipas voltam a desfilar, desta vezpara a trincheira, onde aguardarão a sua vezde medir forças com o touro que lhes calhou em sorteio.»

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FORCÃO (3)

«O forcão é empunhado por uma trintena de jovens, distribuídos pelos mais de 300 quilos de toda a estrutura. O rabiche, leme do artefacto, é operado à altura da cabeça dos rabejadores, enquanto a base se mantém pela cintura ou até mais abaixo, dependendo da forma como investem os touros. Estes, ao marrarem, por vezes levantam a cabeça (derrote), e com ela o próprio forcão, obrigando os rapazes da respectiva galha a dependurarem-se nele, fazendo peso para o baixar. Há, porém, outros que marram de cima para baixo, humilhando, podendo ainda ser bons trepadores, o que causa, por vezes, alguns embaraços aos jovens. Neste caso é preciso usar de toda a força para levantar o forcão.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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FORCÃO (2)

«Falar da capeia arraiana é falar do artefacto que a torna tão peculiar. Não é difícil, ao analisarem-se outras tauromaquias, encontrar razões para as suas diferentes formas e meios utilizados: o cavalo, os ferros, a corda, os enganos, etc. Explicam-se pela origem da própria tauromaquia, pela caça, pelos treinos de guerra, ou simplesmente pela necessidade de domínio do homem sobre as espécies bravias, com vista ao aproveitamento dos recursos que propiciam. Com o forcão tudo é diferente, não são fáceis as explicações nem descortináveis as origens. Se não oferece dúvidas a ninguém a ancestralidade das garraiadas em Riba Côa, já quanto ao uso do forcão ninguém tem certezas sobre a época do seu aparecimento. Há quem o associe a guerras passadas.»

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FORCÃO (1)

«Diz Adérito Tavares que, etimologicamente, a origem do nome forcão se liga à palavra latina furca, de onde também deriva forquilha, fourchete do francês, que significa garfo. Aliás, o forcão, assemelha-se muito a uma gigantesca forquilha. Adolfo Coelho corrobora que palavras como forcado ou forcada e forquilha derivam de furca, termo latino que se referia a uma rudimentar e tosca ferramenta de madeira, com dois ou mais dentes, usada na recolha de feno e palha, também chamada forca. Joaquim Lino da Silva descreve forcada ou forcado como um grosseiro tridente feito de um ramo de carvalho ou vidoeiro a que se dá a melhor forma em verde.5 Embora este autor a mencionasse no Barroso, a ferramenta sempre existiu noutras regiões, designadamente na Beira.»

A PRAÇA

«Actualmente quase todas as freguesias da margem direita do Rio Côa, incluindo algumas anexas, possuem capeias. Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito participam no festival Ó Forcão, uma espécie de 1.ª divisão da capeia, como já alguém disse. A Rebolosa, que até tem praça, sente-se discriminada por não lhe ser permitido participar, uma vez que tem capeias com regularidade. A Nave, voltou à regularidade que, pelos vistos, tinha no início do século XX. Ruivós, Vale de Espinho, Vale das Éguas, Badamalos, Seixo do Côa (margem esquerda) e até o Sabugal organizam garraiadas, capeias noturnas ou capeias diurnas de forma intermitente.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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ENCERRO

«Entre a poeira ao longe despontam as varas dos cavaleiros e, logo no meio do turbilhão, o sobe e desce dos vultos em corrida encrespada, enquanto um rio de poeira acompanha a turba ao longo do caminho. Depressa a cavalgada se aproxima em crescendo ruidoso e passa em grande velocidade sob a muita algazarra de participantes e assistentes. À frente vão os cavaleiros mais experientes, abrindo caminho como batedores, e logo a seguir os cabrestos com enormes chocalhos servindo de chamariz aos seis lustrosos touros pretos, que, misturados no turbilhão, mal se apercebem do que se passa em redor. Só contei quatro – diz um sujeito atrás de nós. Iam mais dois amarelos junto aos cavalos – contrapõe prontamente outro dos presentes. Atrás, vêem-se agora dezenas de cavaleiros e algumas amazonas e, de seguida, a enorme procissão de peões, carros e motos vai engrossando até desembocar na praça. No meio da confusão, os cães ladram de excitação.»

MORDOMOS

«Sem organizadores não haveria festas ou outros eventos sociais. É às comissões também designadas por mordomias, que competem os preparativos, e as tarefas inerentes aos festejos. A escolha dos futuros mordomos é da responsabilidade dos mordomos cessantes. A nomeação dos seus substitutos é a derradeira acção da comissão. Em princípio, cada elemento escolhe o seu sucessor sem precisar de o consultar; mas o normal é que o consulte previamente para indagar da sua vontade em aceitar. A escolha sigilosa significa quase sempre intenção de castigar alguém que criticou ostensivamente a comissão anterior. A nomeação é, por regra, feita publicamente na igreja ou numa pausa do baile. Normalmente nunca se repetem as pessoas, uma vez que se trata de uma festa que exige muito trabalho, responsabilidade e dinheiro.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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CAVALOS… CAVALOS… CAVALOS

«Onde existem touros há geralmente cavalos, como acontece em Riba-Côa. Frequentemente aponta-se como origem das capeias arraianas a tradicional existência de gado na Genestosa espanhola; mas a verdade é que a presença de gado bovino e equino em Riba-Côa é ancestral, como prova o foral leonês de Alfaiates, que sobre o assunto tem variadíssimos preceitos legais. Aí se diz, por exemplo, que um guardador de gado recebia por cada quatro éguas guardadas um morabitino; os proprietários de mais de 25 vacas teriam de as registar, e para as vistorias do concelho teriam que disponibilizar um cavaleiro.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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O CULTO RAIANO DO CAVALO

«Nos últimos anos tornaram-se habituais os encontros equestres na região, realizados sobre a forma de passeios. Em Aldeia do Bispo, no tradicional passeio que ocorre antes da capeia, vêem-se agora dezenas de cavaleiros, que dão mote ao próprio cartaz. Mas onde os raianos demonstram a sua grande afeição pelos cavalos é no encerro dos touros, onde chegam a juntar-se mais de uma centena. Dá gosto vê-los, bem arreados, pêlo lustroso, crinas e caudas aparadas e penteadas, aqui e ali tranças e laços, alguns efectuando acrobacias e passos artísticos à voz do cavaleiro. Nas aldeias raianas da capeia, os cavalos são às centenas, muito por causa dos encerros. Alguns são apenas montados no dia da capeia.»

A CULTURA DO TOURO

«A força, poder e coragem que emanam do touro valeram-lhe o respeito e admiração do homem, que em alguns casos o considera como representativo de um ser superior. O poder reprodutivo, a virilidade, a luta incessante, investindo até à morte contra o inimigo, originaram mitos sagrados que perpassam em alguns livros da Bíblia: símbolo de fertilidade, invencibilidade, chefia e poder de destruição1. Acreditava-se que era nos chifres que o touro concentrava a força da vida, razão para neles se amarrarem os arados que deviam semear as terras.»

As capeias arraianas do mês de Agosto começam na Lageosa da Raia no dia 6 e terminam em Aldeia Velha no dia 25. A alma do povo do concelho do Sabugal materializa-se na festa do forcão. «Eternamente raianos» como diz a repórter Helena Leitão (com imagens de Henrique Concha) da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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A CULTURA DO TOURO

«A força, poder e coragem que emanam do touro valeram-lhe o respeito e admiração do homem, que em alguns casos o considera como representativo de um ser superior. O poder reprodutivo, a virilidade, a luta incessante, investindo até à morte contra o inimigo, originaram mitos sagrados que perpassam em alguns livros da Bíblia: símbolo de fertilidade, invencibilidade, chefia e poder de destruição1. Acreditava-se que era nos chifres que o touro concentrava a força da vida, razão para neles se amarrarem os arados que deviam semear as terras.»

A ESCOLHA DOS TOIROS

«Quando está no seu meio natural, rodeado pelos da sua espécie, o touro não demonstra o comportamento agressivo que apresenta na praça. É para recriar o ambiente de manada, em que o touro se sente mais tranquilo, que se usam cabrestos8 para o conduzir nos encerros e para o retirar da arena, depois da lide. Quando está isolado, é estimulado a investir, não só contra pessoas e animais, como contra qualquer objecto, ainda que movido pelo vento.»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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ESCOLHER AS GALHAS E FAZER O FORCÃO

«A preparação do forcão é tarefa da máxima responsabilidade, pois da sua robustez depende a segurança de quantos lhe pegam. Em todas as aldeias da capeia há indivíduos especializados na sua execução, e a eles recorrem os mordomos na altura de o fazer. O Zé Penetra da Lageosa e João Fernandes de Aldeia do Bispo já executaram mais de meia centena para as suas terras e terras vizinhas, sem cobrarem pelo trabalho. Por se tratar de lenha de carvalho, pesada por natureza, corta-se no Inverno ou na Primavera, geralmente na Páscoa, para que esteja seca e leve quando for usada. Para a sua construção são necessários um pau principal de pinho, 3 galhas, 20 estadulhos, 4 varas transversais e 4 tornos para o rabicho. Em alguns casos, as galhas são cortadas no rebollar espanhol, com o consentimento do respectivo alcaide.»

UMA ESPÉCIE DE RELIGIÃO

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos e a lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida.»

E TUDO COMEÇA… NA LAGEOSA DA RAIA

«Pouca gente saberá explicar que fenómeno é este que faz com que as pessoas mais idosas, muitas vezes de bengala e com dificuldade de movimentos, consigam sair de casa e encalampeirar-se num palco ou enfiar-se num buraco debaixo de um carro, para não perder nem um carxinho do espectáculo! Por vezes, dá-se a desculpa do filho ou do neto que andam no corro… Outras, foge a boca para a verdade e confessa-se: «Não há nada melhor que a capeia! Não sou capaz de ficar em casa… Para o ano, quem sabe se cá estou!»

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Textos de António Cabanas e Fotos de Joaquim Tomé (Tutatux) retirados do livro «Forcão – Capeia Arraiana»
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No livro «Forcão – Capeia Arraiana» as poderosas imagens de Joaquim Tomé (Tutatux) investem ao longo das páginas nas galhas da escrita magistral de António Cabanas e vão servir para acrescentar história à História das terras de Riba-Côa. António Cabanas, natural de Meimoa, é também um homem da Malcata e da Raia e é agora, definitivamente, um verdadeiro raiano. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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A Associação da Mocidade de Aldeia do Bispo simulou uma Capeia Arraiana no recinto da Festa da Europa. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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A profusão de belíssimas fotografias, de excelente visibilidade e óptimo enquadramento, puxando à evidência os mais ínfimos pormenores de pessoas, cavalos e touros, quase ofuscam o também magistral texto do livro recentemente editado e lançado no Sabugal, intitulado «Forcão – Capeia Arraiana», da autoria de António Cabanas (texto) e Joaquim Tomé (fotografia).

António Cabanas é um apaixonado pelas terras da raia sabugalense, o que está bem patente no livro agora editado, que para este autor é uma revisitação às tradições raianas. A primeira incursão traduzida em livro foi em «Carregos, Contrabando da Raia Central» (2006), em que recolhe inúmeros testemunhos acerca da vida dos antigos contrabandistas, traçando o seu perfil e a sua vida de constante desafio ao perigo.
Mas se o contrabando era a exposição ao risco das balas dos fiscais da fronteira para garantia de sustento, a capeia do forcão é também uma forma de desafiar o perigo, mas desta feita para pura diversão nos dias de festejo.
Cabanas vai ao fundo da questão, procurando os mais longínquos vestígios que provam a ancestralidade das touradas na raia sabugalense, enquanto valor cultural e etnográfico que interessa preservar, apesar das polémicas à volta do sofrimento dos animais. E o autor, natural da Meimoa, e autarca empenhado no concelho vizinho de Penamacor, toca no âmago da questão ao pressentir o verdadeiro valor da alma raiana: «não basta assistir é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo…».
Fazendo uma síntese do muito que já se falou e escreveu sobre a capeia arraiana, enquanto tradição popular única e mobilizadora de toda uma população, António Cabanas consegue traduzir aos leitores a emoção e o fascínio vivido pelos que se embrenham na festa dos touros. E, neste particular, foi necessário recorrer também ao talento do grande fotógrafo Joaquim Tomé, o Tutatux, que captou imagens que conferem magnanimidade à tradição. As imensas fotografias, ajudam quem lê os cuidados textos, a perceber que a capeia é algo único do mundo, apercebendo-se do valor supremo deste povo raiano, que nada teme e tudo desafia em nome de uma tradição que teima em manter viva.
Cabanas fala da origem imemorial do culto do touro, dos costumes taurinos na Península Ibérica testemunhados por Estrabão e das festividades tauromáquicas existentes em Portugal desde os alvores da nacionalidade, para assinalar que as touradas são algo de muito profundo na tradição popular.
Traça a diferença, de resto muito vincada, entre a corrida portuguesa e a espanhola, e embrenha-se a fundo na escalpelização do argumentário dos que defendem as touradas com unhas e dentes e daqueles que as criticam severamente. E, neste ponto, no que em particular se refere à capeia arraiana, descreve a forma como o espectáculo se humanizou: «já lá vai o tempo em que os touros eram lidados com garrocha e garrochão». A capeia deixou de ser selvajaria e tornou-se espectáculo com beleza, valentia e arte, onde o touro é tratado com dignidade, o que o leva a ser apreciado mesmo por muitos daqueles que não gostam de outro tipo de touradas.
Sobre as origens da «capeia», «folguedo» ou «corrida do boi», o autor rende-se à conclusão de que tal é de difícil constatação, enumerando porém as principais teorias conhecidas. A mesma dificuldade se constata na revelação da génese do uso do forcão, da realização do encerro, do passeio dos moços, do pedido da praça e demais rituais que estão associados à tradição taurina raiana. Referência ainda para o papel imprescindível de figuras típicas como o «tamborleiro» e o «capinha» espanhol, indispensáveis nas capeias de sabor mais original.
Um livro que é também um álbum fotográfico, que documenta melhor do que nunca a tradição raiana da capeia e que faz a síntese do que se disse e escreveu acerca de uma manifestação popular que constitui uma potencialidade que importa aproveitar.
Um livro que é essencial adquirir:
António Cabanas: kabanasa@sapo.pt; 968 492 522.
Joaquim Tomé: tutatux@gmail.com; 927 550 656.
Paulo Leitão Batista

Agosto o mês das férias, o mês das festas, o mês das tradicionais capeias, o mês de ver muita gente por todo as aldeias…

E este ano não é excepção, este mês continua a ser sem dúvida o mês dos grandes acontecimentos nas nossas aldeias, em que quase tudo se passa em torno dos festejos.
Para todos é um mês de encontros, das desejadas férias, e das belas festas que por toda a parte se fazem e que não nos deixam descansar nem um minuto.
É também este mês essencialmente conhecido pelas nossas tradicionais Capeias Arraianas que é sem dúvida o principal ponto de festejos no concelho do Sabugal. Uma tradição que paralisa todos os arraianos que têm aficion por esta tradição.
Para tal são vários os eventos e capeias que se agendam para este mês, todo quer chamar à atenção e cativar as pessoas com as suas festividades…
Sendo assim o mês de Agosto encontra-se preenchido com inúmeros eventos tauromáquicos.
Iniciando na Legeosa da Raia com encerro e capeia e à noite em Ruivós com uma garraiada, o mês estende-se com muitas mais capeias como no dia 8 e 9 com garraiada, encerro e capeia no Soito, a 10 igualmente na Rebolosa, para dia 14 está agendada a capeia arraiana na Nave, a 15 encerro e capeia em Aldeia do Bispo e Aldeia da Ponte e garraiada no Seixo do Côa.
A 17 continuamos com encerros e capeias em Osendo e Alfaiates, para 18 a garraiada nocturna em Vale das Éguas, e para dia 20 o Festival «Ó Forcão Rapazes» vai ser o evento com mais atenções neste dia.
Reservado para o final do mês restam ainda os encerros e capeias nos Forcalhos a 22, nos Fóios a 23 e para terminar este mês cheio de festa o encerro e capeia em Aldeia Velha.
Para então poder planear uma ida a todas as capeias arraianas do concelho, disponibilizo o Calendário das Capeias Arraianas 2011 que irá servir para uma melhor gestão das suas férias por estas aldeias que não perdem esta nossa tradição…
Há e não se esqueça de nos visitar dias 13 e 14 nas Festas e Capeia na NAVE!

Ver calendário das Capeias. Aqui.
Edgar Fernandes (com o apoio do Piú Bar da Nave)

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