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O processo de elaboração do Plano Estratégico do Concelho do Sabugal motivou um conjunto de opiniões que me lembraram uma história verdadeira que passo a contar.

Sabugal

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Há largos anos já, integrei uma equipa que preparou a candidatura de um Município da Beira Interior a um Programa Comunitário.
Sabendo que o Sabugal também preparava uma candidatura, ofereci-me para ajudar sem qualquer contrapartida financeira, ao que um vereador respondeu que sabia bem como elaborar a dita candidatura.
Saídos os resultados, aquele Município tinha um programa de várias centenas de milhar de contos aprovado, e o Sabugal, nada!
Em conversa posterior com o mesmo vereador, mostrei-lhe a candidatura elaborada pela equipa a que pertencia, tendo eu visto nessa altura e pela primeira vez a do Sabugal.
O vereador virava as páginas e só dizia – «Isto é palha! Isto é palha» –, ao que eu lhe respondi, pois é, mas essa palha valeu muito dinheiro e a vossa proposta mereceu zero!
Pensava que tantos anos passados, essa mentalidade já havia desaparecido, mas pelos vistos deixou muitos adeptos…
Felizmente que o atual Executivo da maioria e da oposição, não tem a mesma opinião e mandou elaborar o Plano.

Li com grande apreço a primeira crónica de António Pissarra «Raia – o Algarve do Interior», com o qual estou em grande parte de acordo.
Virei na próxima semana ao tema, mas aqui deixo o que o Caderno de Encargos que a Câmara preparou define como missão do Plano Estratégico: «Afirmar o Sabugal no contexto regional e como pólo de desenvolvimento da Raia Central Ibérica, reforçando a sua identidade e valorizando os seus recursos, afirmando-o como território sustentável e qualificado, atrativo para viver, investir e visitar.»
Como se vê, onde pretendemos chegar começa a ser consensual. O que precisamos é de saber como lá chegar…

ps. Chegou a altura de, todos, dizermos basta!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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A unidade móvel de mamografia da Liga Portuguesa Contra o Cancro está junto ao Centro de Saúde do Sabugal para efectuar exames gratuitos de mamografia digital. A acção decorre até meados do mês de Outubro.

O Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) vai estar junto ao Centro de Saúde do Sabugal com uma unidade móvel de mamografia.
As mulheres inscritas no Centro de Saúde são convocadas por carta para efetuar o rastreio. O programa está aberto à população feminina entre os 45 e os 69 anos, residente no concelho e que mostre interesse em fazer o exame.
O exame mamográfico deve ser repetido de dois em dois anos, de forma a garantir uma prevenção eficaz contra o cancro da mama a neoplasia mais frequente do sexo feminino.
Afecta uma em cada nove mulheres e constitui a causa mais frequente de mortalidade na faixa etária entre os 35 aos 55 anos de idade na União Europeia.
Atendendo a que não existem, ainda, medidas efetivas capazes de prevenir ou curar a doença em qualquer estádio de diagnóstico e a que mais de 90 por cento das doentes com cancro podem ser curadas, se diagnosticadas num estádio precoce e adequadamente tratadas, não devem ser poupados esforços no diagnóstico precoce da doença.
O serviço gratuito de exame mamográfico digital estará disponível até meados do mês de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17.00 horas.
Para marcações ou informações adicionais, devem contactar o Centro de Coordenação do Rastreio, através do telefone 239 487 495/6 ou do e-mail rcmama.nrc@ligacontracancro.pt.
aps

A direcção da Associação de Pais e Encarregados de Eduação do Sabugal (APEES) solicitou a publicação de uma carta aberta aos pais da comunidade estudantil do concelho do Sabugal, onde se apela à ajuda para a criação de uma sala para crianças com necessidades educativas especiais. Publicamos na íntegra a referida carta aberta.

APEES

No mês de Junho do corrente ano, apresentou a APEES (Associação de Pais e Encarregados de Educação do Sabugal), ao agrupamento de escolas do Sabugal (ao seu director), e ao município do sabugal (á sua vice presidente), um projecto que a APEES pretende levar a cabo para a comunidade estudantil do concelho do Sabugal, projecto a que foi dado uma importância primeira, tendo o agrupamento já disponibilizado uma sala e o município material escolar.
Este projecto surge, depois da APEES, ter constatado a lacuna da falta de um espaço que reunisse, todas as condições para a aprendizagem, integração e autonomia das crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE), um espaço que para alem da aprendizagem, possa ser um espaço motivador, um espaço de reunião para estas crianças, mas sobretudo um espaço onde estes possam desenvolver competências de autonomia e responsabilidade para a sua vida futura.
Concluído um levantamento pelas técnicas do ensino especial que trabalham na APEES, verificou-se que as crianças com NEES no concelho de Sabugal, para este ano lectivo que vai começar (2012-2013) é de 47 crianças, este projecto pretende congregar em um único espaço de aprendizagem varias áreas temáticas e do comportamento, permitindo em um mesmo local trabalhar com um numero de 6 a 8 crianças durante um dia inteiro, permitindo às técnicas (terapeuta da fala, motricidade, psicóloga, entre outros) desenvolver as suas actividades com o real valor que estas crianças merecem.
Este projecto necessita de um valor considerável de investimento, montante este que a APEES não possui, pretendemos assim levar a cabo uma recolha de fundos, onde o chamamos a aliar-se a esta construção:
Para o efeito foi criada uma conta solidária no credito agrícola, balcão do sabugal com o NIB- 0045 4025 4025 2279 23726, onde de forma muito sincera e agradecia contamos com a sua generosidade.
Dada a extrema importância deste projecto e certos do vosso apoio, agradecemos desde já, em nome da associação, mas sobretudo em nome de toda a comunidade, este não é um projeto da APEES, mas sim um projeto de todos.
O vosso empenho, mas sobretudo a atenção dada bem como o vosso contributo é para nós de um valor inestimável.
O nosso Muito Obrigado.

Sabugal, 30 de Agosto 2012
A Direção da APEES:
Ana Gonçalves, António Castilho, David Carreira, Carlos Robalo, Ester Saldanha

A notícia caiu como uma bomba e foi esta quarta-feira, 22 de Agosto, dada pela RTP e pela SIC. A Fundação AGAPE afinal não foi fundada pelo ex-futebolista e emigrante português na Suécia, Carlos Quaresma. A troco de 13 mil euros foram muitas as autarquias, incluindo o Sabugal, que receberam um camião carregado de material hospitalar usado proveniente da Suécia. Mas afinal nem tudo é como parecia…

Carlos Quaresma - AGAPE - Arquivo SIC

O português Carlos Quaresma não é fundador da Fundação AGAPE, uma ONG com sede na Suécia e os principais responsáveis pela organização afirmam desconhecer os«negócios» do emigrante luso. Quem o diz é a RTP e a SIC nos noticiários da hora do almoço desta quarta-feira, 22 de Agosto, onde ficaram prometidos desenvolvimentos para os jornais da noite.
Foram muitas as autarquias portuguesas, incluindo o Sabugal, que aceitaram o tal camião com material hospitalar «oferecido» pela AGAPE a troco de 13 mil euros para pagamento do transporte desde a Suécia. A face visível em Portugal destes actos de solidariedade foram os ex-futebolistas e velhas glórias do Benfica, José Augusto e Veloso, que se deslocavam aos concelhos para fechar o «negócio» e a cantora Micaela que realizou alguns concertos de solidariedade em apoio à causa.
Para o Sabugal ficou acordada (de acordo com informações tornadas públicas) a entrega de diverso material ortopédico – cadeiras de rodas, camas eléctricas, andarilhos eléctricos, canadianas, material de fisioterapia, um equipamento hospitalar bastante caro para tratamento de derrames cerebrais e… um piano.
A acta da reunião ordinária de 22 de Junho de 2011 do executivo da Câmara Municipal do Sabugal esclarece, pelo voz do presidente da Câmara Municipal do Sabugal, como decorreu o processo de aquisição de material hospitalar «oferecido» pela AGAPE, uma ONG com sede na Suécia. As questão são da vereadora Sandra Fortuna e as respostas do presidente Robalo:
Sandra Fortuna declarou que «(…) tinham sido informados de que a Câmara já tinha recebido o material ortopédico, vindo da Suécia, pretendendo saber qual o valor final do seu transporte. Disse ainda que estava disponívelo na LocalVisão, um vídeo onde se podia verificar que este material tinha sido colocado num armazém, no Alto do Espinhal, pertencente a um privado, pelo que pretendiam saber qual o motivo, considerando que a Câmara dispunha de locais para colocação deste material.» Em resposta «o Presidente da Câmara disse que o custo do transporte tinha sido de 13.000,00 euros, tendo o equipamento sido avaliado no montante de 500.000,00 euros. Que o material tinha sido colocado nesse armazém em virtude da Câmara não dispor de um espaço com agilidade de carga e descarga. Por isso agradecia ao privado a sua disponibilidade para ceder gratuitamente as suas instalações. Disse ainda que tinha enviado à AGAPE uma listagem das necessidades, baseada no inquérito efectuado aos Lares e Associações do Concelho, contudo não tinha vindo o material referenciado mas o material que, no momento, estava disponível, nomeadamente cadeiras de rodas e andarilhos.(…)»

Imposto de Selo de oito mil euros é ilegal
De acordo com a reportagem da SIC «o homem que ficou conhecido por trazer material hospitalar e ortopédico da Suécia para distribuir em Portugal pode afinal ter burlado autarquias e instituições. Carlos Quaresma dizia-se fundador de uma associação de beneficência e oferecia camas articuladas, cadeiras de rodas e outro equipamento, dispensado pelos hospitais suecos. Em troca, pedia o pagamento do transporte, feito em camiões, por cerca de cinco mil euros, e de um imposto de selo, no valor de oito mil euros. Uma investigação SIC apurou que esse imposto, afinal, não existe. Por outro lado, o preço do transporte também era muito superior ao real.» A SIC adiante ainda que «a burla pode ultrapassar um milhão de euros e está a ser denunciada pela fundação sueca AGAPE que já apresentou queixa à polícia. Algumas autarquias ponderam fazer o mesmo em Portugal».

Reportagens na RTP (Aqui) e na SIC (Aqui).

Agora, após a investigação da RTP e da SIC, parece que o benemérito Carlos Quaresma vai ter de clarificar algumas coisinhas…
jcl

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal comemorou 117 anos de existência no passado dia 7 de Agosto. Em cerimónia simples mas muito sentida (e molhada) tomaram posse como Segundo Comandante, José Henriques, e como Adjunto do Comando, Carlos Oliveira. Na sessão solene em frente ao quartel dos bombeiros sabugalenses foram ainda condecorados alguns bombeiros e proferidas palavras de incentivo a toda a corporação pelo Presidente da Direcção, Luís Carlos Carriço, pelo Presidente da Federação Distrital da Guarda dos Bombeiros, Luís Gil Barreiros e através da leitura de uma carta do Presidente da Assembleia Geral, Ramiro Matos.

(Fotos Carla Clara. Clique nas imagens para ampliar.)

jcl

O Posto da GNR do Sabugal é agora comandado pela sargento Freitas. Estivemos à conversa com esta jovem militar, que pela primeira vez chefia um posto territorial. Os militares que integram o dispositivo da GNR do Sabugal, são também pela primeira vez comandados por uma mulher. As primeiras impressões sobre o Sabugal e a sua gente são muito positivas, no dizer da comandante que é natural do concelho de Aveiro e ostenta na lapela o símbolo dos pára-quedistas.

Comandante GNR Sabugal

– Podemos saber de onde é natural e qual o seu percurso profissional?
Sou natural do Concelho de Aveiro e o meu percurso profissional na GNR iniciou-se em 1998, com o Curso de Formação de Praças, no Grupo de Instrução de Aveiro e após a sua conclusão, estagiei no Posto Territorial da GNR de Ílhavo. Em Setembro de 2009 fui colocada no Regimento de Infantaria, na Companhia da Estrela, onde estive cerca de 3 anos. Em Outubro de 2002, fui colocada no Posto Territorial da GNR de Aveiro, em 2003 fui tirar o Curso de Investigador, tendo sido colocada na Secção de Investigação Criminal de Aveiro, onde estive a chefiar o Núcleo de Investigação e Apoio a Vitimas Especificas, até Outubro de 2009. Em Novembro de 2009, fui frequentar o Curso de Formação de Sargentos, durante dois anos, findo o qual regressei a Secção de Investigação Criminal de Aveiro, onde fiquei a aguardar nova colocação. A nova colocação foi no Comando Territorial da GNR da Guarda, nomeadamente no Posto Territorial da GNR do Sabugal.
– Quais as primeiras impressões com que ficou do Sabugal e do seu concelho?
– Na verdade, não conhecia o concelho do Sabugal, sendo este um concelho bastante grande e com uma cultura e história bem visível. Fiquei fascinada com toda a riqueza histórica que existe por todo o concelho e pelas pessoas que me têm recebido de forma tão acolhedora.
– Já foi recebida pelas entidades locais?
– Sim, já tive a oportunidade de conhecer algumas entidades locais, que me falaram um pouco do Sabugal e da sua gente.
– Como é comandar um Posto unicamente composto por homens, que pela primeira vez são aqui no Sabugal comandados por uma mulher?
– Para mim também é a primeira experiencia em comandar um Posto e está a ser muito gratificante. Fui muito bem recebida no Posto e estão todos empenhados em ajudar, pois tanto para mim como para eles é uma experiencia nova, mas que até à data tem sido positiva e assim irá continuar, tenho a certeza.
– O sabugal não tem grandes problemas a nível de ordem pública e de criminalidade, mas tem uma população idosa que por isso é muito vulnerável em termos de segurança, o que pensa dessa realidade que aqui veio encontrar?
– É sem duvida uma realidade que nos preocupa a todos enquanto cidadãos e a mim em especial como comandante de Posto, no entanto tanto eu como o Comando Territorial da Guarda Nacional Republicana da Guarda, estamos muito sensibilizados para essa realidade. Em todos os Comandos Territoriais da Guarda Nacional Republicana, existem equipas especializadas, que fazem acções de sensibilização junto da população mais vulnerável, nomeadamente idosos. No entanto, esta realidade, tem que ser uma preocupação de todos nós, assim como temos que ser responsáveis em tornar a vida dessas pessoas mais segura e cómoda possível. Chegou a nossa vez de fazer algo, por alguém que no passado, o fez por nós.
– Sabemos que já assistiu a uma Capeia Arraiana. O que pensa desta tradição popular tão viva no concelho do Sabugal?
– Quando cheguei ao Sabugal um dos temas de conversa eram as Capeias Arraianas. A verdade é que nem sabia o que era, no entanto decidi ir assistir a uma Capeia, e reparei que vinham emigrantes de propósito nesta altura do ano, só para assistirem a estes eventos. É uma tradição, notoriamente vivida intensamente pelas pessoas desta terra, altura que aproveitam para se reunir e conviver com os seus familiares.

O Capeia Arraiana espera que se dê muito bem por cá e aqui exerça com eficácia o comando que recentemente assumiu.
jcl

No dia 23 de Agosto, por ocasião da 7ª etapa da Volta a Portugal em Bicicleta, a RTP transmitirá o programa «Há Volta» a partir da cidade do Sabugal, onde nessa tarde os ciclistas cruzarão a meta.

volta«Sempre na cabeça do pelotão a RTP vai andar “Há Volta”», é a frase chave da televisão pública para o acompanhamento da 74.ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, que estará na estrada entre 15 e 26 de Agosto de 2012.
João Baião, Diamantina Rodrigues e Catarina Camacho vão acompanhar a Volta pelas cidades e vilas do país por onde passa o maior evento do ciclismo nacional.
No dia 23, a partir das 14h45, o Sabugal será o palco do país através desse programa de animação e entretenimento, à mistura com informação sobre o Sabugal, o seu concelho e a região em que se insere.
A programação da RTP ligada ao evento desportivo começará nesse dia em Gouveia, de onde os ciclistas partirão para a 7ª etapa, rumo ao Sabugal. Será a partir dessa cidade serrana que será transmitido o programa Verão Total, às 10 horas, prolongando-se até às 13 horas.
Às 14h45, enquanto os ciclistas rodam, a emissão da RTP passará para o Sabugal, prolongando-se por toda a tarde.
A 7ª etapa será este ano uma autêntica volta ao Sabugal em bicicleta, com os ciclistas a passarem por três vezes na cidade raiana, a última das quais para atravessarem a meta.
plb

«Imagem do Dia» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

MiniPreço - La fête au village
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Data: 8 de Agosto de 2012.
Local: MiniPreço do Sabugal.
Autoria: Capeia Arraiana.
Legenda: Agosto é mês de emigrantes. Agosto é mês de festa na aldeia. A parede do MiniPreço, no Sabugal, tem festas e músicas para todos os gostos. Viva la fête au village.
jcl

Decorreu ontem, dia 8 de Agosto, no Sabugal, o segundo encontro de descendentes do concelho.

Não foram muitos os aderentes a esta iniciativa que alguns lançaram e promoveram através das redes sociais. Ainda assim foram suficientes para garantirem momentos de convívio e animadas conversas sobre as recordações do Sabugal de outro tempo e sobre o momento que o concelho atravessa.
À semelhança do primeiro, que ocorreu há um ano, este segundo encontro aconteceu na praia fluvial do Sabugal, onde os intervenientes procuraram recuperar a tradição dos cabazes das merendas e das mantas de trapos, sobre as quais as iguarias caseiras que cada um trouxe foram dispostas e partilhadas.
No final foram sorteados dois novos animadores da iniciativa, para que a tradição tenha continuidade.
plb

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal comemorou dia 7, terça-feira passada, 117 anos de existência!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Como Presidente da Assembleia Geral da Associação, e como sabugalense filho de bombeiro e de membro dos corpos gerentes (o meu pai), não poderia deixar de me associar a esta data.
Permito-me assim reproduzir aqui a mensagem que enviei ao Corpo de Bombeiros e aos Associados.
«Caras e caros Bombeiros
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal cumpre hoje, dia 7 de agosto de 2012, 117 anos de existência!
Como dizia meu pai “Ser bombeiro é a forma mais nobre de servir os outros!”
E é a forma mais nobre pois, todos os bombeiros dizem no seu juramento solene:
ESTAR SEMPRE PRONTO A SERVIR O MEU SEMELHANTE, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA
Sabemos como os tempos vão difíceis; sabemos como hoje é fácil deitar a culpa para os Bombeiros; sabemos que em muitas cabeças os Bombeiros são, por um lado, pouco mais que carne para canhão, e, por outro, um encargo do qual se querem livrar, numa lógica economicista, mas também numa lógica de lucro fácil de muitos que aguardam o nosso desaparecimento para ocuparem o lugar…
Mas aqui estamos hoje, celebrando mais de 100 anos de uma ação permanente de apoio e socorro de todos os que de nós necessitam.
Foi assim, e sempre assim será, “sempre prontos!”
E por isso, em meu nome pessoal, e, penso poder dizer, em nome de todos os sabugalenses, um sincero e comovido bem-haja!
E quando na manhã do dia 7 de agosto comerem uma fatia de “bola”, saibam que estão a partilhar esse momento com todos os sabugalenses que desde esse ano de 1895 envergaram com garbo e orgulho a farda dos Bombeiros Voluntários do Sabugal!
E nesse momento, repitam nas vossas mentes e no vosso coração o juramento que vos tornou um dia Bombeiros!
Ao José Henriques e ao Carlos Oliveira que hoje tomam posse como 2º Comandante e como Adjunto do Comando os meus parabéns.
Ides ocupar lugares que vos dão novas responsabilidades, para as quais sei bem que tendes o perfil adequado.
Outros antes de vós souberam honrar esses lugares de comando de forma exemplar. Aprendei com a sua história e, estou certo, que sabereis encontrar, em conjunto com o 1º Comandante, a forma de manter o elevado nível de prontidão e coesão do Corpo de Bombeiros.
Caras e caros Associados
Mais do que nunca os Bombeiros do Sabugal precisam da vossa ajuda.
A população do Concelho do Sabugal sempre esteve ao lado dos seus Bombeiros, mas agora eles precisam de vós como nunca.
Cada associado, para além das suas obrigações estatutárias, tem o dever de ser o primeiro defensor da Corporação de Bombeiros.
No vosso lar, no local de trabalho, nas horas de lazer, cada um de nós, sócios, deve ser um embaixador e um defensor implacável dos nossos bombeiros.
A sobrevivência da Corporação e, naturalmente, da Associação está em risco.
Vamos todos dar as mãos e fazer com que daqui por outros 117 anos os nossos descendentes ainda comemorem o aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal!
»
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

«Imagem do Dia» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

Equipa do Boavista treina no Sabugal
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Data: 2 de Agosto de 2012.
Local: Centro Comercial Ricardos – Big Mat.
Autoria: Capeia Arraiana.
Legenda: A equipa de ciclismo profissional do Boavista andou a treinar no concelho do Sabugal para preparar a Volta a Portugal em Bicicleta. A autocaravana e os ciclistas boavisteiros fizeram uma breve paragem para recuperar forças no Centro Comercial Ricardos correspondendo, possivelmente, ao apelo e reconhecimento da marca «BigMat» que teve uma equipa profissional no último Tour de France. Em breves declarações para o Capeia Arraiana destacaram as dificuldades da subida para Sortelha e o esforço financeiro para manter a equipa do Boavista na caravana ciclista nacional.
jcl

A sétima etapa da 74ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realiza a 23 de Agosto, terá a meta no Sabugal, cidade onde os ciclistas passarão por duas vezes antes de aí terminarem a etapa.

Mais de 100 quilómetros da etapa, num total de 185, serão percorridos no concelho do Sabugal, numa autêntica «volta ao concelho».
Os ciclistas sairão de Gouveia onde e seguirão para a Guarda, tomando depois a estrada nacional 16 até ao Alto do Leomil, onde tomarão a estrada para o Sabugal. Entrarão no concelho do Sabugal pela Cerdeira, passando depois no Peroficós, Rapoula do Côa e Quintas de São Bartolomeu. Passam pelo Sabugal sem parar, seguindo para Santo Estêvão, Terreiro das Bruxas e Casteleiro. Dali seguirão para a aldeia histórica de Sortelha, de onde prosseguirão para a Urgueira e Aldeia de Santo António, para depois passarem pelo Sabugal pela segunda vez, de onde rumarão a Rendo, Vila Boa, Nave, Alfaiates, Soito, Quadrazais, Colónia, chegando depois ao Sabugal pela terceira e derradeira vez, onde cortarão a meta.
Nesta sétima etapa os ciclistas contarão com maiores dificuldades na escalada à cidade da Guarda. Depois o pelotão terá pela frente um percurso embelezado pelas ricas paisagens do planalto raiano e pela passagem na aldeia histórica de Sortelha, em cuja subida os ciclistas, vindos do vale da Quarta-Feira, sentirão também algumas dificuldades.
O Sabugal que, que no ano passado foi local de partida da Volta, recebe este ano, pela primeira vez, um final de etapa.
A edição deste ano da Volta começa em Castelo Branco e termina em Lisboa, sendo no total 11 dias de prova (em Agosto) e 10 etapas (1.606,8 km):
Dia 15: Prólogo (CRI), Castelo Branco – Castelo Branco, 2 km.
Dia 16: 1.ª etapa, Termas de Monfortinho – Oliveira do Hospital, 200,8 km.
Dia 17: 2.ª etapa, Oliveira do Bairro – Trofa, 190,7 km.
Dia 18: 3.ª etapa, Vila Nova de Cerveira – Fafe, 176,1 km.
Dia 19: 4.ª etapa, Viana do Castelo – Mondim de Basto (Senhora da Graça), 151,9 km.
Dia 20: 5.ª etapa, Armamar – Oliveira de Azeméis, 176,9 km.
Dia 21: 6.ª etapa, Aveiro – Viseu, 186,1 km.
Dia 22: Descanso.
Dia 23: 7.ª etapa Gouveia – Sabugal, 185,3 km
Dia 24: 8.ª etapa, Guarda – Alto da Torre, 154,9 km.
Dia 25: 9.ª etapa (CRI), Pedrógão – Leiria, 32,6 km.
Dia 26: 10.ª etapa, Sintra – Lisboa, 149,5 km.

A prova contará com mais de uma centena de ciclistas de 16 equipas de vários países: Andalucia-Coldeportes (Colômbia), Andalucia (Espanha), Caja Rural (Espanha), Saur-Sojasun (Espanha), Unitedhealthcare (EUA). Carmim-Prio (Portugal), Efapel-Glassdrive (Portugal), LA-Antarte (Portugal), Onda (Portugal), Funvic-Pindamonhangaba (Brasil), Orbea Continental (Espanha), Burgos BH.Castilla y Leon (Espanha), Itera-Katusha (Rússia), Lokosphinx (Rússia), Team Bonitas (África do Sul), MTN Qhubeka (África do Sul).
plb

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Chegados a julho, muitos sabugalenses, entre os quais eu próprio, entram em ritmo de férias. Aqui deixo pequenos poemas de amor escritos durante o ano de 2001.

 

PEQUENOS POEMAS DE AMOR

talvez voar.
um vento. súbito. de inverno.
      um quase nada. a chuva.
e o calor. doce. de ti…

como se foras
      a luz.
uma fonte de verão.
ou. querendo.
      fogo…

por ti dói.
      meu corpo.
         sôfrego.
            de ti.

sabe. o corpo.
   os caminhos. de ti.
onde perder-se.
conhece. a boca.
      os sabores. teus.
como amoras.

ps1. Falho hoje a promessa de escrever sobre as propostas de revisão da lei eleitoral para as Autarquias. A culpa não é minha, mas dos Partidos que preferem mandar recados aos jornais que apresentar formalmente as suas propostas. Voltarei ao assunto quando as propostas forem conhecidas.

ps2. Já neste fim de semana um evento medieval na cidade do Sabugal, anunciando-se outro lá para setembro em Sortelha. Estes eventos são organizados pela Câmara Municipal sem, nas palavras do Sr. Presidente da Câmara na última Assembleia Municipal, a intervenção da SABUGAL+. No ano passado o evento medieval em Sortelha foi organizado por esta empresa municipal. Pelos vistos, e ao contrário do que tanto alguns têm dito, nem os eventos deixaram de se realizar, nem se sabe de colaboradores da SABUGAL+ que tenham sido despedidos…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Nos próximos cinco dias o Sabugal recuará à Idade Média e ao convívio com os personagens da história: cavaleiros, peões, escudeiros, mercadores, pajens e donzelas vindos de todo o Reino de Portugal.

O evento «Sabugal surpreenda os sentidos» começa amanhã, dia 18 de Julho e manter-se-á até domingo, dia 22.
Dia 18: Arautos anunciam entrada Régia de D. Diniz e da Rainha Santa Isabel;
Dia 19: À mesa com El-Rey: Ceia Medieval;
Dia 20: Anúncio Público do Tratado de Alcanices; Rapto da Donzela Aldegundes pelos Cavaleiros de Sortelha;
Dia 21: Recriação Histórica do «Milagre das Rosas»; Assalto ao Castelo;
Dia 22: Bodas Senhoriais entre o Senhor de Sortelha e a Donzela Aldegundes.
A iniciativa é da Câmara Municipal do Sabugal, promovida pelas Aldeias Históricas de Portugal e co-financiada pelo QREN e o Mais Centro no âmbito da EEC do PROVERE.
plb

A GNR apreendeu produto estupefaciente no Sabugal e na Guarda, tendo ainda procedido à detenção de dois homens e à identificação de um suspeito.

Na tarde de 9 de Julho a GNR apreendeu, no Sabugal, duas plantas de cannabis sativa, com cerca de 2,40 metros de altura. Em consequência, foi identificado um individuo de 29 anos de idade, residente na cidade, como sendo o proprietário das plantas, tendo-se apurado que as cultivava no sótão da sua residência. O mesmo foi constituído arguido e os factos foram participados ao Ministério Público.
Ontem, dia 10 de Julho, a GNR deteve dois homens, ambos de 28 anos de idade, residentes na Guarda, pelos crimes de tráfico de estupefacientes e posse ilegal de armas. Os suspeitos, que já estavam a ser investigados há algum tempo, foram detidos no decurso de buscas realizadas às suas residências, onde foram encontradas 200 gramas de haxixe, quantidade suficiente para cerca de mil doses individuais.
Foram-lhes ainda apreendidas 25 armas brancas (sabres, punhais e facas), três armas de ar comprimido (duas espingardas e uma pistola), 29 munições de diversos calibres, 244 munições de «salva» (sem projéctil), uma caixa de chumbos de 4,5 mm e um aerossol de gás pimenta, uma soqueira, duas matracas, dois moinhos para produtos estupefacientes e diverso material relacionado com o tráfico e o consumo, assim como 867 euros.
No mesmo dia a GNR deteve em Fornos de Algodres um jovem de 21 anos de idade, residente naquela localidade, em cumprimento de mandados de detenção por crime de violência doméstica. A detenção do suspeito, que possui antecedentes criminais, ocorreu no âmbito de um Inquérito por crimes de violência doméstica e de extorsão. O mesmo foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo ficado em prisão preventiva.
plb

O vereador da Câmara Municipal do Sabugal, Joaquim Ricardo, enviou com pedido de publicação uma tomada de posição relativa à defesa da sua honra. O assunto diz respeito a um esclarecimento pedido na última sessão da Assembleia Municipal relativo à morada da sua residência oficial. O texto é publicado na íntegra.

Joaquim Ricardo«DIREITO À DEFESA DA HONRA

Na sessão da assembleia municipal realizada no dia 29 de Junho, na qual não pude estar por motivos pessoais, um ilustre membro daquele órgão no uso legítimo do seu direito, solicitou esclarecimento ao senhor presidente da Câmara, sobre se no executivo havia algum vereador cuja residência estivesse localizada, agora, em Vila Nova de Gaia e a esse mesmo vereador aquando das suas deslocações para as reuniões de câmara eram pagas as respectivas deslocações desde aquela cidade.
Em resposta o senhor presidente disse que:
“…há excepção dos dias em que aquele vereador está de férias são-lhe pagas as respectivas deslocações sempre que se desloca às reuniões de câmara”.
Mais palavra menos palavra, julgo que foi esta a pergunta feita pelo senhor membro da assembleia municipal e foi aquela a resposta dada pelo senhor presidente da Câmara, pedindo desde já desculpa a ambos se não foi exactamente assim.
Dito isto e porque não pode defender-me naquela hora e naquele local, por não estar presente, tomo a liberdade de usar este local e esta reunião para esclarecer o seguinte:
1º – É verdade que reparto a minha residência pela cidade de Vila Nova de Gaia e a Aldeia de Santo António;
2º – Não é verdade que há excepção dos dias em que estou de férias me são pagas as respectivas deslocações sempre que me desloco às reuniões de câmara:

Porque após a minha aposentação reparto efectivamente a minha residência entre a aldeia e a cidade de Vila Nova de Gaia;
Porque para além do cumprimento do meu dever de eleito local, tenho outros afazeres particulares e obrigações sociais como, por exemplo, responsável por uma IPSS que ajudei a fundar e a cuja direcção pertenço;
3º – É verdade que me são pagas as deslocações desde Vila Nova de Gaia, quando me desloco propositadamente para participar nas reuniões de câmara mas:
Não uso esse direito quando me encontro na aldeia, o que acontece bastas vezes e por longos períodos durante o ano, ou quando me desloco ao concelho por motivos não exclusivamente relacionados com as reuniões de câmara.
4º – E, para que não restem dúvidas, o meu direito ao pagamento do subsídio de transporte está legitimado na lei geral – vidé nº 1 do art. 82º, do Código Civil, e reforçado pelo Parecer nº 85, de 18 de Março de 2002 da Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC), solicitado pelo nosso município, a propósito do pagamento daquele subsídio a um membro da assembleia municipal e que esclareceu em conclusão o seguinte:
“Entendemos, pois, que o que releva, para o pagamento do subsídio de transporte a membros da assembleia municipal é, não a residência indicada nas listas de candidatura, mas a residência actual, casa onde habitualmente se mora com estabilidade e se encontra organizada a economia doméstica.”
Feitos os devidos esclarecimentos e enquadramentos legais, importa agora esclarecer, afinal, quais os valores que estão em causa e, depois, cada um que tire as suas conclusões:

Desde que fomos eleitos (Outubro de 2009), realizaram-se até Junho de 2012 (inclusive), 65 sessões de Câmara;
O total pago pela autarquia, aos quatro vereadores da oposição, segundo dados fornecidos pela divisão financeira, em subsídios de transporte, ajudas de custo e senhas de presença foi 34 337,36 €;
Que tendo em conta o número de sessões realizadas e os valores pagos, o custo por sessão de câmara rondou os 528,27 € e por vereador de 132,07 €;
Que a repartição percentual, pelos quatro vereadores, do total gasto nas 65 sessões, foi de 32%, 28%, 24% e 16%, sendo que a correspondente ao vereador Joaquim Ricardo é de 28%.
Concluindo:
Senhor Presidente e caros colegas,
Era esta explicação que eu esperava e certamente todos esperávamos ouvir da boca do primeiro responsável por este executivo para que todos os membros da assembleia municipal ficassem devidamente esclarecidos.
Mas o senhor presidente optou por dar uma resposta evasiva (propositadamente!), deixando no ar justificadas dúvidas a todos os membros da assembleia municipal sobre o verdadeiro montante dos subsídios de viagem atribuídos ao vereador Joaquim Ricardo e bem assim da sua legitimidade.
E ao responder daquela forma, o senhor presidente, perdoe-me a comparação, lavou as mãos como Pilatos, entregando o vereador Joaquim Ricardo à justiça popular.»
Joaquim Ricardo

Também com pedido de publicação foi enviada pelo vereador da Câmara Municipal do Sabugal, Joaquim Ricardo, a resposta à tomada de posição de Norberto Manso sobre a empresa municipal Sabugal+. Em virtude da extensão da resposta vamos publicar os parágrafos iniciais do texto e disponibilizar para cópia o documento na íntegra.

Joaquim Ricardo«REUNIÃO DE CÂMARA DE 9 DE JULHO DE 2012

1 . SABUGAL + – Direito de resposta
Em resposta a análise que fiz as contas da empresa municipal Sabugal+, e que constam da declaração de voto emitida para justificar o meu voto, vem o senhor presidente da Câmara, no uso legítimo da sua defesa, através do seu adjunto, Dr. Norberto Manso, rebater as posições por mim assumidas em reunião de Câmara.
Como disse, é um direito que lhe assiste. Porém, ao fazê-lo na praça pública, num jornal local, em edição “on-line” de 29 de Junho de 2012 e através do seu adjunto, mostra falta de coragem em assumir frontalmente e no lugar próprio, tal posição. Em reunião de câmara não respondeu nem rebateu os meus argumentos, como seria oportuno e o lugar próprio para o fazer. Quis antes, vir a terreiro fazê-lo e de uma forma indirecta, o que é, para mim, lamentável.
E, porque acho que as mesmas não correspondem à verdade e nalguns casos são utilizados termos injuriosos que atentam à minha dignidade pessoal, faço a presente declaração, que tornarei pública de seguida.
(continua na íntegra no documento que disponibilizamos no link abaixo.)
Joaquim Ricardo

Resposta, na íntegra, do vereador Joaquim Ricardo. Aqui.
Capeia Arraiana

Realiza-se no Centro Histórico do Sabugal, entre os dias 18 a 22 de Julho, o evento «Viagens históricas – heranças», pelo qual se recriam cenas do Sabugal medieval.

Sob a conhecida epígrafe «Surpreenda os Sentidos», o programa do evento apresenta para o primeiro dia, 18 de Julho, quarta-feira, a acção dos Arautos anunciando a entrada de El Rei D.Dinis e da Rainha Santa Isabel na cidade. Para o dia 19, é tempo de ir à mesa com El-Rei numa deslumg«brante Ceia Medieval.
A 20 de Julho será feito o anúncio público do Tratado de Alcanices, pelo qual D. Dinis se apossará em definitivo do território de Riba Côa, dando-se ainda o rapto da donzela Aldegundes pelos Cavaleiros de Sortelha.
No dia 21 será recriado o famoso Milagre das Rosas, protagonizado pela rainha Santa Isabel perante o seu marido, El Rei D. Dinis, o que antecederá a representação de um assalto ao inexpugnável Castelo das cinco quinas.
No último dia, 22 de Julgo, haverá Bodas Senhoriais, que celebrarão a união entre o Senhor de Sortelha e a Donzela Aldegundes.
A organização do evento está a cargo da Câmara Municipal do Sabugal, sendo o promotor a entidade Aldeias Históricas de Portugal, conjuntamente com o PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos).
O evento será co-financiado pelo Mais Centro (Programa Operacional Regional do Centro), QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
plb

Os trabalhos da requalificação das margens do rio Côa no Sabugal, entre a Ponte Açude e a praia fluvial, foram parcialmente suspensos devido a erros no projecto, nomeadamente na localização de um dos passadiços, previsto para ser construído abaixo do leito de cheia do rio.

Já no decurso dos trabalhos da empreitada, que se iniciou recentemente, os serviços de fiscalização da Câmara Municipal detectaram inúmeras «incongruências» no projecto. Uma das constatações foi a de que a estrutura do regadio que atravessa a área da intervenção não está devidamente implantada no projecto que serve de base às obras que estavam em execução.
Verificou-se ainda que a empresa que procedeu ao levantamento topográfico registou diversas incorrecções, das quais ressalta a deficiente implantação dos dois passadiços sobre o rio, que o projecto prevê para o local intervencionado.
Um dos passadiços está previsto para ficar implantado «abaixo do nível da cota de cheia», o que inviabiliza a sua construção no local para que está projectado, segundo os serviços de fiscalização da Câmara.
Face aos erros detectados, a obra foi quase totalmente suspensa, tirando apenas alguns pequenos trabalhos que não implicam intervenção nas áreas mal projectadas.
Esta suspensão de trabalhos por erros no projecto, segue-se a uma outra, acontecida recentemente em relação à obra de construção do um percurso de interpretação ambiental na envolvente à Albufeira do Sabugal.
plb

A firma sabugalense Ricardo & Ricardos inaugurou novas instalações, sitas na entrada do Sabugal, na estrada da Guarda.

As novíssimas instalações da empresa sedeada na Aldeia de Santo António, foram construídas de raiz e ocupam um espaço amplo, com óptima localização, ao lado da rotunda onde foi instalado o monumento evocativo à Batalha do Sabugal.
Trata-se de um espaço comercial com zonas de armazenagem, que seguiu um projecto arquitectónico que se enquadra na perfeição ao espaço envolvente. Evitando a tradicional forma rectilínea, as instalações, sem perderem funcionalidades, têm uma forma exterior estilizada, o que representa uma inovação a nível regional.
Trata-se sobretudo de um espaço multifuncional, com área comercial, armazém (coberto e ao ar livre), escritórios, restaurante e parques de estacionamento.
O mérito é da família Ricardo, constituída por gente trabalhadora e empreendedora que com este projecto decidiu investir no Sabugal mais de um milhão e meio de euros, apostando no reforço da sua projecção comercial na região. Outra aposta que o novo espaço potencia é a da afirmação do franchising Big Mat, que a firma sabugalense representa e que se baseia num conceito de loja de materiais de construção, ferramentas, bricolage, decoração e jardim. O Big Mat disponibiliza nas novas instalações uma gama de produtos totalmente adaptada às necessidades e às exigências da população da localidade onde se insere. O novo espaço permite a optimização da superfície de venda, em loja multifuncional, garantindo uma grande facilidade na escolha, dentro da ideia de maior proximidade para com o cliente.
O Big Mat é um grupo francês muito implantado em Espanha, que escolheu o Sabugal e Chaves, no Norte, para iniciar o seu lançamento em Portugal.
É de grande importância para a região este investimento da prestigiada firma sabugalense Ricardo & Ricardos, que para mais ocorre em tempo de crise, numa aposta em contra-corrente, dando um importante sinal de confiança na capacidade da região em expandir a economia, criando condições para o desenvolvimento.
O investimento é inteiramente privado e não beneficiou dos tão procurados financiamentos a fundo perdido, constituindo pois um risco que os empresários correm por sua conta.
plb

Com realização agendada para os dias 20, 21, 22, 23 e 24 de Junho, o São João deste ano garante um cartaz atractivo em termos de animação musical, onde se destacam Zé Cabra, Quim Barreiros e Santos & Pecadores.

Na abertura das festas do Sabugal, na noite de 20 de Junho, quinta-feira, actuará a banda sabugalense Men´s, que preparará o ambiente para a exibição em palco de Zé Cabra e sua banda, que serão a grande actuação dessa primeira noite festiva.
Na sexta-feira, dia 21 de Junho, será a vez da Opus Band, que preparará o recinto para o grande Quim Barreiros que animará a noite com a sua concertina.
Na noite de sábado, 23 de Junho, a animação será inicialmente garantida pela banda Roda Viva, que depois cederá o lugar à grande atracção das festas deste ano: o grupo Santos & Pecadores.
No Domingo, dia 24, a derradeira noite das festas estará a cargo da banda Uskadcasa, que antecederá a tradicional queima do Carvalho (mastro vestido com rosmaninho).
As festas de S. João são uma ocasião especial para se visitar o concelho do Sabugal. Para além da animação musical, o recinto das festas garante bar e restaurante permanente onde se poderão degustar as sardinhas assadas e outras iguarias.
Outra atracção será o Festival de Folclore que se realiza na tarde de domingo, dia 24, no qual se exibirão vários grupos, que actuarão em palco e desfilarão nas ruas da cidade do Sabugal.
Tudo boas razões para ir ao Sabugal participar na tradicional festa sanjoanina.
plb

A Organização que recentemente trouxe os Agentes de Viagens ao Concelho do sabugal vai realizar mais uma iniciativa em favor da divulgação das nossas terras, apostando desta feita num «tour turístico» que mostrará aos interessados as nossas potencialidades.

Move-nos o amor à terra que nos viu nascer, às pessoas que aqui vivem e que fazem tudo para que este rincão do território português não morra e ultrapasse, pouco a pouco mas decididamente, a Crise que tanto nos preocupa. Pela nossa parte tudo faremos para que isto não aconteça.
Peço a todos os meus amigo e amigas que nos ajudem a divulgar e promover, dentro e fora de portas, todas as potencialidades do Turismo do Concelho do Sabugal. Agradecemos aos media a ajuda que nos têm prestado na divulgação dos nossos eventos.
O Concelho do Sabugal é um ilustre desconhecido no panorama nacional. Temos encontrado, e não são poucas, pessoas de diversos quadrantes que não sabem aonde fica nem conhecem o nosso Concelho. É triste mas é real. Uma região que tem para oferecer alguns dos melhores pratos gastronómicos de Portugal não se pode dar ao luxo de continuar a ser um ilustre desconhecido da maioria dos portugueses. Temos de ter orgulho do que sabemos fazer, do que somos capazes de fazer, do papel que desempenhámos ao longo da História, e, sobretudo, do que somos.
Convém não esquecer! Um concelho que tem uma Gastronomia como a nossa; um único Castelo de Cinco Quinas de que há memória; uma Aldeia Histórica como a de Sortelha uma ponte como a de Sequeiros; um monte como o Cabeço de S. Cornélio e o Cabeço das Fráguas; a Rota do Contrabando que nos liga à vizinha Espanha; um rio com a história do Rio Côa; serras como a das Mesas e a de Malcata; já para não falar dos inúmeros vestígios criptojudaicos um pouco por todo o lado não se pode dar ao luxo de continuar a ser um Ilustre Desconhecido. E que dizer da qualidade das carnes e enchidos da Beira?!

PROGRAMA
Sexta-feira, 13 de Julho

22.30h – Recepção de boas vindas aos visitantes na Casa do Castelo.
23.00h – Chegada ao RaiHotel.

Sábado, 14 de Julho
9.30h – Partida para o Centro Histórico do Sabugal [visita guiada ao Solar dos Britos, Museu, e Judiaria]
12.30h – Almoço buffet no Restaurante O Lei
15.00h – Partida para à Aldeia Histórica de Sortelha [visita guiada e apresentação de uma peça de teatro].
18.00h – Partida para uma Visita Guiada à Quinta dos Termos com prova de vinhos e degustação de enchidos, presuntos e queijo da região).
21.00h – Regresso ao RaiHotel

Domingo, 15 de Julho
10.00h – Partida para a Nascente do Côa, visita às Ruinas Lusitanas do Sabugal Velho. Visita a Alfaiates [ida ao Santuário de Sacaparte, ao Castelo e à Igreja da Misericórdia (aqui se realizou o casamento da Infanta D. Maria, filha de D. Afonso IV de Portugal, com Afonso XI de Castela).
13.00h – Almoço no Restaurante/Viveiro Trutalcôa.
14. 00h – Tarde desportiva/recreativa. Visita guiada ao Viveiro das Trutas.(os participantes poderão, se assim o entenderem, desfrutarem das óptimas condições que este lugar oferece, entre elas, dedicar-se à pesca da truta na charca do viveiro.
16.30h – Partida para o Sabugal.

Nota:
Os interessados poderão inscrever-se pelos telefones: 969272706 / 919176246 ou para o email: betcentral@hotmail.com.
Informamos que quem vier de Lisboa tem autocarros da transportadora Viúva Monteiro da Gare do Oriente ao Sabugal. Horário: Todas as Sextas-Feiras às 18 horas e chegada ao Sabugal às 22 horas. Aos Domingos tem do Sabugal as 18 horas com chegada a Lisboa às 22 horas.

Alberto Luís (Pela Organização)

O vice-presidente da Associação Nacional de Municípios (ANM) Fernando Campos (PSD) considerou o encerramento de tribunais como «a machadada final» no interior, alertando que um acesso difícil à Justiça poderá levar a que se faça «Justiça com as próprias mãos».

«Dois terços do território estão a ficar desertificados e agora tomam medidas para acelerar esta desertificação. Se o interesse é que a gente saia daqui, então que digam de uma vez e nós fazemos as malas e vamos aí para um dos bairros periféricos dos grandes centros criar mais problemas», afirmou o também presidente da Câmara de Boticas, um dos tribunais a encerrar.
Fernando Campos realçou que o encerramento de tribunais «é uma machadada final nos territórios do interior», porque o Ministério da Justiça (MJ) não é um ministério qualquer, mas sim «o último representante da soberania do país».
«Nós não queremos mais nada que não seja Justiça. E a Justiça tem de ser feita fazendo um estudo e uma proposta de reorganização séria, que tenham em atenção as preocupações das pessoas e que não impeçam o acesso à Justiça. Se não, elas passarão a fazer Justiça pelas próprias mãos e o Estado de Direito não deve permitir que isso aconteça», disse.
O autarca social-democrata classificou o estudo que serviu de base à reorganização dos tribunais como «uma vergonha» e considerou que a solução encontrada demonstra a «insensibilidade de quem faz a régua e esquadro, e com o guia Michelin, uma proposta de reforma do mapa judiciário».
«Isto é absolutamente de quem nunca saiu de Lisboa, de quem está habituado a passar férias nas praias do Mediterrâneo, de quem não faz a mínima ideia de quais são as dificuldades do interior do país», afirmou ainda.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) acusou também o Governo de falta de diálogo com os autarcas, considerando que os portugueses do interior, que «pagaram e suportaram os custos da REFER, da CP e dos Metros sem nunca os ter utilizado», têm agora direito «a alguma solidariedade» por parte do litoral.
O tribunal do Sabugal está entre os 54 que o Governo quer encerrar.
plb (com Lusa)

O salão nobre da Câmara Municipal do Sabugal foi pequeno para acolher as centenas de pessoas que assistiram à cerimónia solene de homenagem a Pinharanda Gomes, que se realizou no Sabugal, no dia 9 de Junho, em momento prévio à inauguração do Centro de Documentação com o seu nome.

A mesa da cerimónia foi constituída por António Robalo (presidente da Câmara Municipal), Manuel Felício (bispo da Guarda), Norberto Manso, João Bigotte Chorão, Paulo Leitão Batista, Renato Epifânio, José Eduardo Franco, para além do próprio Pinharanda Gomes. Todos usaram da palavra para enaltecer o homem e a obra, num momento marcante, que juntou inúmeras pessoas, vindas dos mais variados pontos do país.
Ressaltou das intervenções a importância e a imensidão da obra escrita do filósofo quadrazenho, a qual abarca diversas áreas do saber. O bispo da Guarda, D. Manuel Felício fez questão de tomar a palavra para enaltecer a decisão de Pinharanda Gomes de se afirmar como intelectual à margem das universidades, no sentido de que estas estão divorciadas do espírito e do pensamento português. João Bigotte Chorão enalteceu o grande escritor que é Pinharanda Gomes, com uma obra multifacetada, e cuja monumentalidade o coloca no ponto mais alto dos homens de cultura do Portugal contemporâneo.
Destacou-se a presença de muitos quadrazenhos, que assistiram comovidos à cerimónia de homenagem ao ilustre conterrâneo.
Depois a comitiva deslocou-se dos Paços do Concelho para o edifício da Biblioteca Municipal, onde foi oficialmente inaugurado o Centro de Estudos Pinharanda Gomes, que reúne os livros da biblioteca pessoal do autor, que a ofereceu ao seu concelho através da Câmara Municipal. O espaço passa a estar aberto ao público, sujeito a um regulamento próprio, para que os investigadores interessados possam procurar ali matéria para os seus estudos em variadíssimas temáticas.
Um grupo de «Cantadeiras de Quadrazais», capitaneadas pela presidente da Junta de Freguesia, entoou cantigas tradicionais, perante a surpresa do homenageado, que se mostrou particularmente comovido com esta homenagem do povo da sua terra natal.
plb

A minha chegada ao Sabugal teve também um certo impacto nas Colegas, nas meninas. Esquisito, mas elas olhavam para mim com ar de quem via uma ave rara…Se calhar era porque viam sempre os mesmos rapazes da Vila, ano após ano. Eu era sangue novo naquela acalmia social!

José Jorge CameiraOlhares matreiros, sorrizinhos, joguinhos de olhos, bilhetinhos com mimos atirados para mim durante as aulas… a minha auto-estima subiu para valores inimagináveis !
Até cheguei a pensar que afinal eu era um rapaz bonito, catancho!
Houve uma menina que me chamou uma atenção especial. Era aloirada, olhos azuis, rosto redondo, de coranço rápido, vestidinhos amarelos, verdes, limpíssima, exalava meiguice, inacessível … E não era menina fácil, nem me dirigia especiais olhares…
Um dia, numa festa no Externato, até declamei um poema dedicado a ela! Eu que sempre detestei poesias, tive que procurar um poema adequado num livro antigo, não fossem descobrir que o dito poema não fora da minha lavra…
Mas eu já sabia, apesar dos meus verdes 18 anos, que um rapaz com tempo e paciência, consegue namorar com qualquer rapariga que deseje ou escolha! Bastava marcar a «presa»! Mais tarde ou mais cedo, seria minha namorada, eram favas contadas!
Tinha o meu objectivo supremo quase alcançado – namorar com a difícil Colega – quando um dia, no fim dum período, fomos esperar as camionetas que traziam os estudantes da região da Guarda.
Estava eu com a minha mão tocando de raspão na mão dela (de bmão dada era impossível), quando da camioneta saiu uma estudante que eu não conhecia, que se me dirigiu e disse:
– Tu és o Zé Jorge?
– Sou…
– A tua namorada não pôde vir e manda-te cumprimentos…
O chão desabou sob mim, senti as pernas perderem força, quase que desmaiei! A menina dos meus olhos, ali ao meu lado, corou e abandonou-me logo ali para sempre, de nada valendo os meus bilhetinhos e inúmeros argumentos sobre a falsidade do acontecido.
Dessa vez senti-me injustiçado. Tanto trabalho, tanto ardor… para nada, era ali o fim do meu sacrifício! Era mentira e nem sei até hoje como e quem forjou aquela armadilha! Talvez tivesse sido a mando do gajo com quem ela casou…

Sendo eu do Vale e estudando no Sabugal, onde se faziam grandes jogatanas no campo pelado do Sporting Clube do Sabugal, foi natural eu organizar um jogo de futebol entre a malta do Vale e colegas do Externato.
Num domingo combinado, eis que a minha aldeia é atravessada por um vistosa camioneta com a bandeira do Sporting do Sabugal. O Alexandrino, o capitão dos sabugalenses e colega do 4ºano, diz-me então:
– Zé Jorge, cá estamos nós, não te aflijas porque veio a equipa de juniores do Sporting. A malta do Externato afinal não apareceu e então viemos nós, fazemos um treinozinho nas calmas…
– Alexandrino, não foi isso que combinámos e assim vamos levar uma abada!
Lá fomos para o nosso estádio – aquela nesga de terreno em frente à porta da Ermida da Senhora da Póvoa.
A nossa equipa reuniu e dissemos todos: a nossa única esperança são as árvores. Os gajos do Sabugal são melhores que nós, mas não sabem das árvores e vão marrar nelas de certeza, até pode ser que a gente ganhe com a ajuda da Senhora da Póvoa!
– E tu, Zé Jorge, como és alto, ficas à baliza!
Bem… aconteceu mesmo a tal abada! Os gajos do Sporting pareciam endiabrados e nem as árvores os paravam. Chocavam com elas a toda a hora, sim, mas levantavam-se logo!
Perdemos e por 7 secos!
No fim do jogo, uma mulher que estava sentada no paredão ali mesmo perto do coreto, vem a correr na minha direcção, arreia-me várias vezes com a sombrinha e grita bem alto e repetidamente:
– Traidor ! Vendido ! Zé Preto dum raio!
(Na aldeia era esse o meu nome e não Zé Jorge. Por que a minha pele era morena, mesmo escurinha…)
Durante o meu 5ºano de Ciências, quando me apercebi que conseguia manter a média de 12 valores, decidi organizar um grande convívio (baile e jogo de futebol) entre a malta do Externato e alunos do Colégio de S. José da Guarda, conhecia muita malta de lá e entre eles o António Marques. Correu tudo bem: o jogo ganhámos por 2-0 (eu com uma bela exibição que quase fui chamado para internacional junior) e o baile abrilhantado pelo gira-discos do Nélito Alexandrino correu do melhor, as meninas foram aos «milhares» dançar preferentemente com os rapazes da Guarda, mesmo com o cheiro a suor da jogatana, banho só lá em casa na Guarda…
Conheci o António Marques quando eu era estudante no Outeiro de S. Miguel, teria uns 16 anos. Um dia disse-me:
– Ó Jorge, vamos a Pinhel. Vamos ver as meninas que dizem ser lindas e jeitosas…
Levou-me a casa dele (o pai era um conhecido professor egitaniense) e perante o meu espanto pegou da garagem o Carocha preto do pai e lá fomos até Pinhel, mesmo sem carta de condução.
O António vivia numa cidade, a Guarda, que nos meses de Verão enchia-se de milhares de turistas. Para compensar do frio dos Invernos…
Conheceu no Jardim Público e durante as Festas de Agosto uma jovem turista sueca que estava acampada com os pais no Parque de Campismo. Era lindíssima, cabelos loiros compridos, olhos azuis e um corpo atlético que todos olhavam…
O meu amigo entrou em intimidade total com ela. Diariamente bebia e abusava daquele mel e o feitiço tomou conta dos seus sentidos, a ponto de querer convencê-la a ficar na Guarda! Mas que ilusão mais maluca!
Os pais dela, após 15 dias na cidade, pegaram na caravana e foram para outras paragens, foi para isso que vieram da Suécia, para férias…
Foi depois daquele jogo de futebol do Sabugal, em que eu e o António Marques jogámos como adversários, que eu soube da notícia que me derrotou a alma durante muito tempo:
O António, roído de saudades da sua linda sueca, foi à casa de banho do Jardim da Guarda e ali mesmo pôs termo à vida!
Mas que desperdício!
Ali bem perto do campo de futebol do Sporting, onde se realizou o tal jogo contra o Colégio de S. José, vivia numa moradia uma linda e prendada menina que namorava um rapaz da Vila que não era lá muito masculino. Houve até um colega que afirmou peremptoriamente que espreitou atrevidamente pela janela da casa e viu-o a fazer bordados…
Passados uns anos fiquei a saber que essa menina afinal não casou com o rapaz dos «bordados» e é hoje a companheira dum meu amigo de sempre dos Fóios…
Neste Externato consegui um relativo sucesso escolar: após fazer o 4ºano, no ano seguinte decidi como aluno-maior preparar-me para a Secção de Ciências do antigo 5ºano.
Fiz todas as provas escritas e orais no Liceu da Guarda e consegui a média que eu estabeleci: 12 valores… ena cum catano!!
Porque mais do que esta nota, seria privar-me de muita coisa!!!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O crítico literário João Bigotte Chorão e o escritor Miguel Real estarão no Sabugal no próximo dia 9 de Junho (sábado), por ocasião da inauguração do Centro de Estudos Pinharanda Gomes.

Às 15 horas terá lugar uma cerimónia solene, a realizar no Salão Nobre da Câmara Municipal do Sabugal, onde intervirão João Bigotte Chorão e Miguel Real, que falarão da obra do escritor e pensador Jesué Pinharanda Gomes.
Seguidamente será inaugurado o Centro de Estudos, sito no edifício da Biblioteca Nacional, na rua Luís de Camões.
Pinharanda Gomes nasceu em Quadrazais em 1939. Estudou na Guarda e fixou-se em Lisboa, onde seguiu a carreira profissional numa empresa comercial, e onde se dedicou a uma intensa actividade de investigador independente e escritor. Como pensador beneficiou do magistério filosófico de Álvaro Ribeiro e José Marinho, inserindo-se no «Movimento da Filosofia Portuguesa», seguidora da herança de Leonardo Coimbra.
Escreveu e editou centenas de títulos, focados em diferentes áreas, como a Filosofia, História, Etnografia, Teologia, Geografia, Linguística e Literatura. Colaborou com mais de uma centena de jornais e revistas e proferiu cerca de 250 conferências.
É membro de diversas academias, entre elas a Academia Internacional da Cultura Portuguesa e a Academia Portuguesa da História.
Para além do manancial de livros que editou colaborou em diversas Enciclopédias, de onde se destacam a Verbo, Logos, Enciclopédia de Fátima e Dicionário da História Religiosa de Portugal.
Miguel Real, no seu extenso volume «O Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010» dedica um capítulo ao pensador quadrazenho, que intitula: «Jesué Pinharanda Gomes (1939) – O Peregrino de Deus». Daí colhemos esta citação reveladora do valor da obra monumental de Pinharanda Gomes:
«Pinharanda Gomes estatui o seu pensamento do lado do peregrino que busca uma estalagem para o descanso do pensamento, sabendo que este se constitui como uma longa caminhada tortuosa, uma longa escadaria labiríntica, sem princípio nem fim que não seja o da transcendência da Graça. (…)
Nesta peregrinação labiríntica, o pensamento de Pinharanda Gomes não se perde – uma bússola espiritual orienta o caminho do viandante, indicando o Norte permanente da Filosofia Portuguesa.»
plb

A Comissão de Finalistas 2012/2013 da Escola Secundária do Sabugal vai organizar a sua primeira festa, designada por «Mix Party».

O evento lúdico MIX PARTY será uma espécie de divertimento de verão, a realizar no salão da Junta de Freguesia do Sabugal e terá inicio ás 22h30 do dia 6 de Junho (quarta-feira – véspera do feriado do Corpo de Deus).
A festa contará com a animação dos DJ Dino e Dj Rick, ambos naturais do concelho do Sabugal.
Segundo a Comissão de Finalistas, estão em perspectiva grandes emoções! A grade de cerveja estará a 14 «discos»! Havendo ainda outras bebidas para matar a sede e servir-se-ão bifanas para enganar a fome.
plb

O ataque despudorado ao direito dos cidadãos sabugalenses serem iguais a todos os cidadãos portugueses tem mais um capítulo: a proposta de encerramento do Tribunal do Sabugal mantém-se!

Tribunal Sabugal

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Conforme já divulgado pelo Capeia a nova proposta de organização judiciária continua a apontar para a extinção do Tribunal do Sabugal, agora transformado numa Extensão da Comarca da Guarda.
De acordo com a definição apresentada, Extensão é um local «(…) de atendimento ao público, prestado por oficiais de justiça, com acesso integral ao sistema de informação do Tribunal, isto é, a todos os processos da comarca e com competência para rececionar articulados e documentos, para prestar informações e para acompanhar testemunhas ouvidas através de videoconferência. Não têm atribuída a função jurisdicional, mas, sempre que instaladas em edifício onde anteriormente funcionou um tribunal, podem receber julgamentos ou alguma sessão de julgamento que o juiz titular do processo a correr numa instância local ou central entendesse, justificadamente, fazê-lo».
E veja-se, a justificação dada para a extinção: «A comarca do Sabugal apresenta valores reduzidos ao nível do movimento processual. No que se refere à evolução demográfica, nos últimos 10 anos (Censos 2011 Preliminares), a comarca do Sabugal apresenta uma diminuição de 15,65% da população. Tendo em atenção a situação descrita, propõe-se a extinção do Tribunal do Sabugal e a sua integração no Tribunal da Guarda que oferece condições para tal.» Nem uma palavra sobre a interioridade do Concelho, nem uma palavra sobre o direito dos sabugalenses a níveis de qualidade de vida e de acesso à Justiça, idênticos às dos restantes portugueses!
Nada, a não ser um discurso cego de quem da vida só sabe (e mal) o que leu nos livros, e para quem igualdade, cidadania, coesão social e territorial são transformados naquelas «cabecinhas loucas» em euros e em défice orçamental…
Já expressei publicamente, aqui e na Assembleia Municipal, o meu total desacordo com mais esta machadada nas condições de sobrevivência do Concelho e, sobretudo, na diminuição significativa da cidadania de cada sabugalense, posição que mantenho na íntegra.
Está na altura, no entanto, de nos deixarmos de conversas e passarmos aos atos e, por isso aqui deixo, desde já a minha total disponibilidade para, enquanto cidadão e enquanto Presidente da Assembleia Municipal (e lembro que a AM aprovou em fevereiro de 2012, sem qualquer voto contra e com 8 abstenções, uma Moção em que a Assembleia manifestava «o seu total desacordo quanto ao encerramento do Tribunal do Sabugal, solidarizando-se com o coletivo sabugalense e colocando-se desde já ao seu lado na luta que todos teremos que encetar para que tal encerramento não se verifique»), integrar todas ações que visem lutar contra a extinção do tribunal
E aqui deixo um repto aos eleitos autárquicos, a nível de Freguesia e a nível municipal para que saibam honrar o voto e a confiança que os sabugalenses lhe deram.
Aqui deixo igualmente um repto aos Partidos Políticos para que junto dos seus militantes e das estruturas regionais e nacionais iniciem um processo de mobilização popular contra mais esta medida de asfixia do interior de Portugal!
E, por último, um repto aos advogados e juristas sabugalenses, para encetarem desde já um processo legal de impugnação da decisão, seja através de uma Ação Popular, seja pela figura da Providência Cautelar.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O Dr. Salgueiro era o professor de Matemática. Era do tipo seminarista, daqueles que desistem no último ano, sempre com casaco e calças terylene, camisa tv com esticadores e gravata com pregador. Logo de princípio começou com um implicanço contra mim, mas com um tom positivo.

José Jorge CameiraBonzinho, não chateava muito. Não era um professor-inimigo! E porquê?
Como já escrevi, eu estava hospedado na casa da Dona Alexandrina, cuja distância da parede do Colégio era precisamente a largura da rua, uns cinco metros.
A aula de Matemática era sempre a primeira da manhã, às oito e meia. Como eu andava quase sempre na borga até às tantas, ou no petisco ou a jogar à lerpa, para mim era difícil levantar-me cedo e chegar a horas à aula. Então no Inverno, era um suplício, sabendo que o Sabugal recebe os ventos gélidos de Espanha e da Guarda.
Então chegava sempre atrasado às aulas do Dr Salgueiro.
– Então Sr. Jorge, atrasado? Que se passou?
– Ó Sôtore, moro longe, tenho de vir a pé, desculpe lá… Respondia eu, gemendo de fingimento.
Esta conversa provocava sempre uma caterva de risos, principalmente da Lena Ermidinha, que ria como se fosse uma gata a ser esganada. Que provocava risos histéricos!
Era o aluno que morava mais perto do Colégio! E o último a entrar na aula!
E o pobre (salvo seja) do Dr. Salgueiro ali sobre o estrado, com o ponteiro na mão abanando, compreensivo com os atrasos, nunca percebendo até ao fim do ano por que razão todos se riam daquele meu paleio frouxo…
Uma vez foi demais a risada: caiu um grande nevão e eu, mal saí de casa, fiquei logo com neve até aos joelhos! Cheguei atrasado, como era hábito…
Mal abri a porta da aula, o Dr Salgueiro disse:
– Ó Sr Jorge, não precisa se desculpar pelo atraso, entre lá, já sei, compreendo ter demorado tanto tempo a chegar, com este nevão…
A risada foi total e mais forte nesse dia…
Mas houve uma partida que fiz com outro colega que o Dr. Salgueiro nunca descobriu.
No ano seguinte, estava eu no 5.º ano, apresentou-se no Externato um aluno vindo de Beja! Filho de uma família abastada do Alentejo, o pai mandara-o estudar para o Sabugal acompanhado pela tia, para fugir às traquinices de uma grande(!) cidade como Beja. A fama de disciplinador do Dr. Diamantino chegava bem longe!
Só que esse aluno não era um qualquer. Tinha um Morris Cooper S à porta do apartamento onde vivia! Às vezes acelerava e o ruído do motor com dois colectores de escape roncava por toda a vila!
Um dia esse colega bejense diz-me, antes de entrar para a aula de Matemática do Dr. Salgueiro:
– Ó Zé Jorge vamos faltar à aula, tenho uma coisa melhor para fazermos.
Levou-me para junto do carro do Dr. Salgueiro, um Ford Cortina 1600 GT, quase novo, estacionado frente ao Colégio. É que o colega alentejano tinha reparado que ninguém tirava as chaves dos carros, incluindo o nosso professor – naquela pasmaceira de vila, quem é que roubava carros? Então disse:
– Vamos levar emprestado o carro do Salgueiro, vamos até Vila Boa, eu olho o relógio, cinco minutos antes de acabar a aula, pomos o carro no mesmo sítio onde ele o deixou.
Assim aconteceu… grande passeata fizemos e eu, claro, aqui com um grande aperto!
Só nós dois entendemos por que vimos da parte da tarde o Dr. Salgueiro a pedir ajuda a alunos para empurrar o carro até à bomba de gasolina! E olhando de vez em quando debaixo do carro… pensando:
– Será que tenho aqui algum furinho por onde a gasosa se foi?
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Havia também o professor de Religião e Moral, um padre todo prá-frentex, que era a pessoa mais esquisita que havia no Colégio. Por que seria que pagava cinco Tostões por cada matrícula de carro que lhe trouxessem? Fartei-me de ganhar dinheiro com ele!… até pensei: se a religião católica, a dele, é assim, então vou já rebaptizar-me!
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Qualquer estudante que se preze, o copianço nos pontos ou testes é uma obrigação.
Eu via os meus colegas, eles e elas, fazendo cabulazinhas bem enroladas, escondidas junto aos pulsos ou dentro das meias.
Achava isso assim meio-esquisito, porque o acto de fazer uma cábula já era estudar!
O que desvirtuava o «copiar», uma arte engenhosa do estudante que se preze e queira ter sucesso, passe a contradição!
Recordo-me duma cena passada num ponto com o Dr. Moreira, alentejano de Campo Maior, fanático pelas coisas do futebol. Foi numa sala de um apartamento que o Dr. Diamantino anexara ao edifício principal do Externato.
No dia do teste, coloquei sobre a secretária do Professor, o jornal Record que trouxe do Altobar, mas de uma semana atrás. Logo que ele distribuiu a folha das perguntas, sentou-se e tal como previsto, começou a folhear o jornal.
O teste parece-me que era de Botânica. Olhei à volta e vi todos tirarem as cábulas, eles e elas de esconderijos corporais diferentes.
Eu que era avesso a cábulas… peguei no livro de Botânica, o próprio, abri e folheei onde era preciso e assim respondia às perguntas. Era só copiar dali para aqui… e esperar por um 15 ou 16!
Mas eis que algo inesperado aconteceu.
A colega ao meu lado sentiu-se aflita vendo o meu livro de Botânica ali escaqueirado à minha frente e começou a sentir-se mal: Tinha-lhe aparecido o «incómodo»… como nós os rapazes nos referíamos ao problema mensal das senhoras.
Perguntaram-lhe o que tinha causado aquela aflição àquela hora e assim teve de contar o que vira!
E assim nasceu no Externato a minha fama de terrível «copiador»!
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Tínhamos a Professora de Inglês, uma lady sempre de mini-saia, doutora de Coimbra com 20 e poucos anos, que desconfiando dos meus 17 e 18 nos pontos de Inglês e sabendo que eu não era amigo de estudar aquela disciplina, colocava-me bem à frente da sua secretária no dia dos testes. Mas era assim mesmo: não era preciso estudar para eu ter notas boas a Línguas.
Era inadmissível que eu tivesse mais sucesso que o Tomás, colega que era um marrão, de fatiota, sempre limpando as unhas, sem noitadas e cujas nota máxima era o 10 ou 11 nessa disciplina. Contrastando com os seus 16 ou 17 a Matemática!
A malta sabia que a professorinha estava hospedada na Pensão perto dos Correios e então nós à noite subíamos às árvores para vermos o «streap» dela no quarto. Credo, era toda boazona em cada centímetro do corpo! Alguns de nós vimos pela primeira vez o corpo nú de uma mulher…
Ganda vida, esta de estudante!!!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O concelho do Sabugal é geograficamente trimorfe, economicamente biforme e historicamente policéfalo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaA policefalia resulta do facto de o nosso concelho, na sua actual definição territorial, abranger freguesias que até às ultimas reformas de JOSÉ DA SILVA PASSOS, pertenceram umas aos extintos municípios de SORTELHA, TOURO — a vila do Touro —ALFAIATES e VILAR MAIOR, todas as que já lhe pertenciam, e, ainda, uma, a de CERDEIRA DO COA, do desaparecido termo de CASTELO MENDO.
Como se sabe, com a irrupção do liberalismo e queda do ANTIGO REGIME, MOUSINHO DA SILVEIRA deu início a uma série de reformas marcadamente iconoclastas, porque todas elas tendentes a destruir o passado, cortando com a tradição.
Os seus principais executores receberam ápodos que a História registou e, de algum modo, sintetiza a obra de extinção por eles promovida.
V. g.
JOAQUIM ANTONIO DE AGUIAR — O MATA FRADES
Responsável pelo confisco dos bens da Igreja Católica, o encerramento dos conventos, a expulsão dos religiosos.
BENTO PEREIRA DO CARMO — O RASGA BANDEIRAS
Que decretou o fim das corporações de artes e ofícios, também conhecidas por grémios ou bandeiras e das Santas Casas da Misericórdia, nacionalizando a de Lisboa, que nunca mais recuperou o estatuto de associação de fiéis católicos, transformando-se em ludolândia ou seja em instituto nacional de jogos.
E, para o caso de que agora tratamos, o DEGOLA CONCELHOS que extinguiu cerca de oitocentos concelhos.
Só no distrito da Guarda, acabou com oitenta e seis, reduzindo a catorze os cem preexistentes.
Frise-se que o nome PASSOS JOSÉ serviu para o caracterizar relativamente a seu irmão — PASSOS MANUEL, que teve uma muito meritória acção nos domínios da escolaridade.
De resto, também a reforma administrativa personificada em Passos José foi muito positiva, adequando o número de concelhos a uma nova realidade baseada em vários pressupostos, designadamente na substituição dos caminhos de ferradura pelas novas vias, com o encurtamento dos tempos de viagem.
Já se anuncivam as vias férreas.
E o caminho beirão de São Tiago só não foi aproveitado como novo itinerário por o PADRE PAULO, grande terratenente em Aldeia da Ponte, temer cortes nos seus agros e perversões nos paroquianos.

Um território trimorfe
Consabidamente, é o concelho do Sabugal de grande extensão territorial.
Não tanto, é certo, como o de Odemira, que dizem ser o maior da Península, ou sequer o de Idanha-a-Nova, nossa vizinha porque apenas separadas por terras de Penamacor.
Mais pequenos do que estes dois, é, no entanto superior em área a noventa e oito por cento dos outros municípios.
Além disso, tem a particularidade de abranger três zonas fortemente diferenciadas — uma de montanha, outra de planalto e a terceira com características de cova.
A primeira encosta-se a Espanha e ocupa os contrafortes portugueses das regiões salamantinas de Francia e Gata, do lado de cá chamados genericamente Serra de Malcata, embora com subdenominações interessantes, v g das Mesas, baseado no encontro de quatro bispos — da Guarda, de Pinhel, de Coria e de Cidade Rodrigo — todos lado a lado, mas cada um num banco de pedra incrustado na sua área de jurisdição.
A zona de planalto abrange a parte restante dos antigos concelhos de cima Coa que o do Sabugal presentemente integra.
A zona de cova tem por epicentro o Casteleiro e assume as características que os geógrafos costumam congregar no conceito de TERRA QUENTE DO NORTE.
Até por oposição á anterior tipicamente TERRA FRIA DO NORDESTE.
Quem se achar interessado em aprofundar esta genérica conceptualização, pode fazê-lo através de três autores sabugalenses — todos eles, no entanto, da zona serrana:
o geógrafo CARLOS MARQUES, de Vale de Espinho.
O romancista NUNO DE MONTEMOR, nascido em Quadrasais.
O poliígrafo PINHARANDA GOMES, também quadrasenho.
Este nome ressuma a COA, de CUDA.
E as relações com a montanha, para nós sacralizada vieram para o Cancioneiro.
O lugar de Quadrasais
Ao fundo da terra fica

Ler «Maria Mim», ou até «Crime de um Homem Bom», do segundo, «O Motim do Aguilhão no Sabugal» ou «Práticas de Etnografia», do terceiro, e, sobretudo, «A Bacia Hidrográfica do Coa», do primeiro, para além de um enorme prazer espiritual, ganhará excelências de conhecimento.

Economicamente marcado pelas assimetrias morfológicas nuns casos, noutros pelas influências espanholas, biforme no mínimo, poliforme em boa parte.
Como economia de subsisteêcia, baseada numa quase sempre deficiente exploração agro-pecuária, se terá de classificar a que secularmente se viveu no concelho.
Dos cereais panificáveis só o centeio, semeado por todas as freguesias, em regime de folhas, é que se produzia de modo a cobrir as necessidades locais.
O trigo, afora os barros do Soito, resumia-se a pequenas belgas, que apenas davam para uma pastelaria, singelamente pobre.
A cevada, a aveia, o milho, cultivavam-se sobretudo como forraginosas, poucas dando grão.
Não se usava pão de milho.
O grosso mal chegava para as sementeiras, revertendo o sobrante para as papas, gordas ou doces,consoante a maré.
E o miúdo, por aqui chamado painço, ia para o bico dos pintainhos, amorosamente chocados e desemburrado
A grande cultura era a da batata que cobria todo o agros que dispusesse de alguma àgua para rega e até o sequeiro cuja humidade desse algumas garantias.
Entremeando, espetavam-se feijões que generosamente — muito mais que o cem por um dos evangelhos — pagavam o desvelo.
E nos tornadoiros, cresciam alfaces e beterrabas porqueiras ou agigantavam-se abóboras.
Mas eram as batatas e feijões que asseguram a entrada no orçamento familiar de alguma moeda corrente.
O regadio, para além de cobrir as necessidades de hortícolas, contribuía para o passadio dos gados com carradas de nabos e muitos feixes de ferrã.
O mato, para além de prover o forno e o lar, contribuía pelas ramadas verdes para alimentação de cabras e ovelhas e pela folhagem seca — caruma e ramalhos — para camas e esterqueiras, no que também ajudavam muito os giestais.
Os proprietários de mais geiras podiam ainda extrair mais proventos pela venda de madeira — freixo, carvalho e pinho, sendo de acrescentar que o último, pela sangria de resinagem alguma coisa rendia e mais renderia, se não fora a cupidez das empresas e a manigãncia dos operadores locais.
Algumas manchas florestais da azinheira, por aqui chamada carrasco, permitiam, quando de maior extensão, o porco de montado.
Aliás, mesmo isolada, apanhava-se-lhe a lande bolota ou boletra, dizíamos, para a engorda, no que competia com o roble, segundo o Cancioneiro, árvore de excelência.
Pois,
Não há pau como carvalho
Que dá num ano quatro frutas
Dá a bogalha, o bogalho
Bolotas e maças-cucas

Mas isto, observam os de idade e saber, são tretas, que árvore a sério é o castanheiro.
Para além dos muitos contos de reis vindos para o concelho pela castanha vendida para fora, foi ela que evitou a fome e varreu a tuberculose.
Crua, cozida, em caldo.
Transformada em pão…
E também contribuía para a lírica, até mordaz:

Menina, já que as castanhas
Lhe são tão apreciadas
Por artes ou artimanhas
Vou-lhe dar duas piladas

E se achar poucas as duas
Eu juro por minha fé
Dar-lhe não apenas duas
Mas três, quatro ou mais até…

«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

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Inicia-se hoje a edição de mais uma coluna assinada pelo escritor raiano Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, designada «O concelho», na qual abordará temas históricos e etnográficos do concelho do Sabugal. Esta rubrica terá edição quinzenal, alternando com a crónica «Terras do Jarmelo» de Fernando Capelo.
Com esta nova crónica, Manuel Leal Freire passa a assinar quatro colunas no «blogue de todos os sabugalenses», a saber: «Poetando» (ao domingo), «O concelho» (à quarta-feira), «Caso da Semana» (à quinta-feira) e «Politique d’Abord – Reflexões de um politólogo (ao sábado).

plb e jcl

A nova versão do Quadro de Referência para a Reforma da Organização Judiciária aponta para o fecho de mais 10 tribunais do que os previstos em Janeiro, mantendo-se o do Sabugal entre os que encerrarão as portas.

No total, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, quer fechar 57 tribunais, entre os quais cinco no distrito da Guarda, sendo eles os de Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Agodres, Mêda, Vila Nova de Foz Côa e Sabugal.
Em relação ao primeiro mapa de extinções ou agregações, conhecido no início do ano, há agora a considerar 14 novas propostas de encerramento, de que são exemplo os tribunais de Vila Flor, Golegâ, Nisa, Mértola, Avis, Nisa, Golegã, Miranda do Douro e Mondim de Basto. Porém o novo mapa «salvou» quatro comarcas, que afinal se mantêm: Castelo de Paiva, Cabeceiras de Basto, Penacova e Tábua.
O novo acerto fez-se a partir de uma reanálise às estatísticas da Justiça, feita pela Direcção-geral da Administração da Justiça.
plb

Hoje destacamos o semanário «O Interior». O jornal dirigido Luís Baptista-Martins deu destaque (merecia ser manchete) a uma morte anunciada: «Águas do Zêzere e Côa tem os dias contados. A empresa vai ser extinta e dar lugar à Águas do Zêzere e Vale do Tejo, no âmbito da reestruturação do setor das águas em Portugal.»

Jornal O Interior

O semanário «O Interior», de Luís Baptista-Martins, deu esta semana à estampa a morte da «Águas do Zêzere e Côa». A decisão anunciada por Manuel Frexes, autarca da Câmara do Fundão e administrador da «Águas de Portugal» é o ponto final em gestões por muitos consideradas duvidosas (como foi o caso de Esmeraldo Carvalhinho, presidente da autarquia de Manteigas) e que parecem ter sobrevivido graças ao aval dos seus «accionistas», representados pelos presidentes de muitas das câmaras da Beira Alta e da Beira Baixa.
Por respeito ao trabalho do jornalista aqui fica, na íntegra, a peça sobre um dos elefantes brancos do nosso reino.

«A empresa Águas do Zêzere e Côa, que gere o sistema multimunicipal de águas e resíduos em 16 concelhos da região vai ser extinta no âmbito da reestruturação do setor das águas em Portugal, para se fundir numa das quatro mega concessões que vão ser criadas a nível nacional. A nova concessão, que terá a designação de Águas do Zêzere e Vale do Tejo, agregará os municípios do Interior Centro e da Área Metropolita de Lisboa.
Em consequência deste alargamento de escala, será possível conseguir uma «harmonização tarifária», anunciou o administrador da Águas de Portugal, Manuel Frexes. O antigo presidente da Câmara do Fundão afirma que «não faz sentido uma pessoa que vive no litoral pagar dois euros por metro cúbico de água, e no interior esse valor subir para o triplo». «Assim, através da fusão do litoral com o interior, conseguiremos regionalizar as águas e criar uma tarifa nacional», acrescenta. Manuel Frexes diz que o objetivo passa por estabelecer um «preço suportável» para as tarifas da água, tanto residuais como de abastecimento, «que esteja dentro de uma margem que consideramos correta, nunca superior a 30 euros mensais».
Para além da equidade de preços, esta redução é também feita com o propósito de reduzir custos, pois «ter 40 empresas no grupo é demais e é sinónimo de desperdício». A distribuição em baixa, isto é, da água ao consumidor final, passará a ser gerida pela mesma entidade, a Águas de Portugal, pelo que as faturas deixarão de ser cobradas pelas Câmaras. «Pretendemos com isso ter ganhos de gama e de escala, bem como tarifas mais baixas, e impedir que pelo meio haja a divisão do problema, que depois se traduz na situação do acumular de dívidas por parte dos municípios», refere Manuel Frexes. «As tarifas em alta são bastante elevadas, os municípios têm de as suportar, enquanto os custos em baixa, junto do consumidor, são bastante baixos e não incorporam os custos da atividade, o que representa uma discrepância com prejuízos para as duas partes, municípios e empresa pública», explica. Acrescenta que «os municípios, como muitas vezes não conseguem recuperar os custos da operação, não têm capacidade para pagar a água em alta, e a Águas de Portugal, que realizou o investimento mais significativo, não consegue recuperar os custos para continuar a operar».
Relativamente às dívidas dos municípios, Manuel Frexes diz que a questão «está a ser resolvida». «Vamos promover uma verificação para chegar a um entendimento com as Câmaras, que contemple, por exemplo, a entrega de ativos em troca da dívida, ou um acordo para pagamentos faseados». Mas para já, o administrador apela aos municípios para que «cumpram as suas obrigações, pagando a fatura mensal do serviço que reconhecem, até porque só assim se conseguirá equilibrar o preço da água». «Esta reforma vem também ajudar a resolver este problema e é do agrado da maioria dos autarcas», revela.
Já quanto à sede da empresa, que se encontra a funcionar na Guarda, Manuel Frexes garante que o imóvel vai continuar em atividade. «Ali funcionará o centro de exploração do novo sistema», afirma, afastando também qualquer cenário de redução de postos de trabalho. «Haverá um redirecionamento de algum pessoal diretivo e de administração, mas não há necessidade de reduzir o número de trabalhadores, e nem sequer há margem para isso», assegura.
O administrador revela que o processo de fusão «já está em vias de implementação», sendo que a Águas de Portugal pretende «ter tudo pronto até ao final do ano», para que o novo figurino seja uma realidade no primeiro semestre de 2013.

Joaquim Valente favorável ao processo de fusão
Na reunião do executivo da passada segunda-feira, o presidente da Câmara da Guarda disse que «não vê nenhum inconveniente nesta integração, desde que o modelo de gestão possibilite um melhor serviço no abastecimento de água e no saneamento e que a água possa ser consumida a um valor mais baixo». Para Joaquim Valente, o valor cobrado atualmente é «injusto», considerando que «somos penalizados porque somos menos», e que por isso a tarifa única é «essencial». «Justiça seria haver uma tarifa única para todo o país, como acontece com a eletricidade», defende.
Quanto ao facto desta fusão ser um primeiro passo para a privatização da água em Portugal, Joaquim Valente admite o cenário, «desde que seja salvaguardado o interesse público que está subjacente a este serviço». Ainda assim, o edil lembra que «o país está a desbaratar o seu património, porque privatiza o que dá dinheiro e fica sem nada».

1 – Esta notícia merecia ser manchete até porque a decisão de «embaralhar e dar de novo» parece mais uma fuga para a frente para resolver um grande berbicacho. A decisão, não tenho qualquer dúvida, tem a assinatura de Manuel Frexes que conhece de gingeira os problemas da malfada empresa. Além disso não tenho motivos para duvidar que tão importante assunto/decisão que diz respeito a «águas» que até dão pelo nome de «Côa» já foi discutido em reunião de vereadores e mesmo em Assembleia Municipal no concelho do Sabugal.
2 – Ilustre director Luís Baptista-Martins. Reconheço o esforço hérculeo para manter vivo um semanário nos montes Hermínios. Mas deixe que lhe diga que se fosse à banca talvez não comprasse uma publicação que me quer comunicar que «o mundo da Diana ainda não é o melhor». Mas, contudo, aqui fica o meu abraço solidário pelo trabalho desenvolvido na sua redacção.
3 – «A nova concessão, que terá a designação de Águas do Zêzere e Vale do Tejo, agregará os municípios do Interior Centro e da Área Metropolita de Lisboa.» Não sei se repararam mas cai a palavra «Côa» que até tem mais a ver com o Douro… Ele há coisas!

jcl (com redacção do semanário «O Interior»)

Tinha acabado o ano escolar no Outeiro de São Miguel, colégio situado num ermo a poucos quilómetros da Guarda, e fui para férias do Verão para a minha aldeia, o Vale da Senhora da Póvoa. É então que o meu Avô me comunica que no próximo ano me ia matricular no Externato Secundário do Sabugal para frequentar o 4.º Ano do Liceu.

José Jorge CameiraOu por estar perto da aldeia, ou porque tinha lá amigos que lhe recomendaram esse colégio dirigido pelo Dr. Diamantino, que tinha já fama de competente, disciplinador e com um bom grupo de Professores.
De princípio o assunto não me agradou muito, porque estava perto da minha Aldeia e o meu Avô poderia controlar melhor os meus passos e o pior de tudo seria a possibilidade de ele aparecer de repente por lá. Ora eu naquela idade queria, desejava, precisava de rédea solta…
Pensando melhor depois, aceitei a ideia, porque seria uma espécie de dois em um: era uma rambóia no Sabugal e outra aos fins de semana no Vale… Mas que boa vida de aventura eu iria ter!
O Sabugal é hoje cidade, mas é povoado que ficou pertença do Reino de Portugal pelo Tratado de Alcanizes, ao tempo do Rei D. Dinis, em pleno Século XIII. Por ser perto de Espanha, teve imensas estórias de contrabando de e para Espanha: para lá ia o café, o bacalhau, tabaco das marcas Porto, Definitivos e Kentucky e de lá vinha aquele saboroso pão formato quadrilátero além de outras coisas… era o tempo que 1 Escudo valia 2,5 Pesetas.
Famosas aldeias são deste concelho – Quadrazais, Fóios (terra do meu amigalhaço Ismael Sanches Vaz), Soito (das laranjadas e das castanhas)…
O Castelo é o ex-libris –«Castelo de Cinco Quinas só há um em Portugal ; fica nas margens do Côa, na vila do Sabugal».
À volta da Vila corre preguiçoso o Rio Côa – o único Rio de Portugal que vai para Norte, desaguando no Rio Douro. Por coincidência, ou talvez não, tem muitas semelhanças com o Castelo de Beja. O de Beja tem apenas «4 quinas», mas os documentos históricos dizem que a sua primeira reconstrução conhecida foi no tempo de D. Dinis, rei este que tem muito a ver com o Sabugal.
Chegou Outubro, fui para o Sabugal. Estava a papinha feita: ficaria hospedado na casa da Dona Jesus Alexandrino, uma casarona com quintal mesmo ao lado do Externato, com cama e comida prontinha na mesa. Na casa havia mais dois colegas estudantes do mesmo colégio, o Joaquim Corte e a Leopoldina de Santo Estevâo que haveria de casar com o Manuel Félix do Vale, já falecido.
Foram feitas as apresentações no Externato, mas eis que começam cedo as «confusões» – boas, entenda-se…
No Colégio conheci vários colegas, entre outros que já esqueci o nome: Orlindo Metaio, o Zé Rente, o Ferreira, o Zé Carlos Mendes, um gajo grandalhão e já com ares de intelectual…
Raparigas, algumas ainda lembro o nome: Hortênsia Malaquias, a Milice, Alice, a Lena Ermidinha, Isaura, as duas Fernandinhas.
O Zé Rente, lidei com ele os dois anos que estive no Colégio e tive uma admiração especial por ele: teve um acidente quando era mais novo – fez uma imitação de pistola em madeira e ao experimentá-la, o fulminante atingiu um dos olhos e cegou. Mas isso nunca o impediu de ser um exímio jogador de bola. Pegava na bola numa baliza e ia fazer golo na outra, sempre com toques de bola, saltitando no sapato dele… A fintar, era arte e finura em pessoa.
Mas tivemos as nossas makas: queria ser líder, mas eu também queria!
Casou com uma colega do Externato, a Vitória Pinto de Santo Estevão.

O Faustino (nome fictício) era um colega vivaço, sempre bem disposto, voluntarioso, fortalhaço, sempre rindo e um ás a jogar às damas. Ninguém no Sabugal o derrotava no tabuleiro do AltoBar!
Foi neste café que aconteceu uma estória engraçada.
A rapaziada bebia cerveja Sagres, a tal que custava 7 escudos.
Um dia foi uma risada geral quando um emigrante que chegou de «vacanças» e todo vaidoso pediu uma «bièrre» e cobraram-lhe 10 escudos. É que a «bièrre» é mais cara! – disse o empregado.
O Faustino logo nos primeiros dias disse a todos da turma, perante a minha estupefacção:
– Ei, malta, temos um novo colega, o Zé Jorge, temos que celebrar a vinda dele para o Externato! Na próxima segunda-feira, todos para minha casa à noite.
A recepção à minha chegada ao Sabugal foi assim programada o que deu ensejo que nesse fim de semana eu tivesse «subtraído» dois garrafões de vinho nas barricas da minha casa no Vale da Senhora da Póvoa.
Na noite da segunda-feira lá fui eu, éramos 12 ao todo. Já os tinha visto no Externato e só isso.
Quando entrei na casa do Faustino estava uma grande lareira acesa, grandes brasas que iluminavam uma grande sala. Sobre aquele braseal, várias galinhas assavam e estavam preparadas também chouriças. Pão… e, mesmo a calhar, os meus garrafões de vinho tinto.
Foi uma noitada de comer e beber, como eu nunca tinha tido na vida. Uma farra completa!
Alguém disse para irmos dar uma volta pela vila para refrescar a cabeça do tintol, depois voltarmos para a segunda demão.
Assim foi: passear, cantar, fazer barulho, pedradas nos gatos, alguns até com ruidosos traques que provocavam grandes gargalhadas! Alguém dava um, alguém respondia com outro.
Ora fazer algazarra a essa hora e naqueles tempos, a coisa tinha que dar para o torto. Podia ser coisa subversiva ou coisa de comunistas!
De repente lá em cima na rua principal e junto à Igreja ouvimos os apitos da GNR (os policias odiados de então) e os avisos habituais da bófia:
– Parem em nome da Lei! Ou vão todos presos!!!
É o páras!! Páro, o tanas… ai, pernas para que vos quero…
Nós os 12 começámos a correr pelas ruas fugindo aos GNR’s, cada um para o seu lado, e para agravar a situação, estávamos atordoados pela pinga e de barriga cheia de petiscos.
Lembro-me que fugia deles e sentia um preguinho do salto do meu sapato esquerdo que entrava e saía dentro do meu calcanhar, mas não havia hipótese: tinha de correr e muito!
Estava eu correndo com outro e chegados aquele pequeno jardim atrás do edifício onde era na altura as Finanças, ouvimos um voz forte e autoritária:
– EI , QUEM VEM LÁ?
Por instinto, julgando ser um dos polícias, eu e o meu colega jogámo-nos por aquela ribanceira que vai dar lá muito em baixo ao Rio Côa. Caímos no meio das silvas, rebolámos, ficámos todos arranhados, rasgados…
Inabanão, ouvimos alguém rir: era o Faustino que estava escondido e ouvindo os nossos passos, gritou daquela maneira! Mesmo na altura do perigo, ele gozava com a situação…
As correrias continuaram e eram 5 da matina entrei no meu quarto na casa da Dona Jesus Alexandrino.
A coisa não terminou assim. De manhã a ramona da GNR foi prender 11 moços, debalde procuraram o décimo segundo, que era eu…
Não fui dentro porque era novo na vila, ninguém me conhecia e os 11 não piaram!!
Acreditem: pelas 11 da manhã pedalava eu na bicicleta do Joaquim Corte junto ao local onde estavam de cana os meus colegas. Passaram algumas horas no xelindró e quando saíram, começámos logo de imediato a arranjar OUTRO MOTIVO para uma festança igual. O vinho das pipas da minha casa na aldeia estava garantido!

Um mês depois da aventura em que interveio a autoridade, apareceu novo motivo para uma festança entre os que estudávamos no Sabugal: o Faustino avisou que fazia anos e que tinha de haver festa!
– E tu ó Zé Jorge, não te esqueças de trazer uns garrafões de vinho, mas roubados, assim até sabe melhor a pinga…
Assim foi. Na tal sala da casa dele comemos um belo guisado de coelho e disse que foram roubados em Vila Boa. O Faustino avisou logo que era tudo para nós comermos, ela não iria comer por estar com uma grande dor de barriga!
Era um guisado feito numa panela de ferro das antigas e o cheiro entrava pelos narizes. Apiguilhado pelo vinho do Sr Tenente (o meu Avô do Vale), então foi o máximo. Ganda comezaina, cum catano! Não meteu barulho nas ruas, senão haveria outra «séjour» detrás das grades…
Estava a panela bem raspada, até houve quem passasse pão por dentro para aproveitar o molho como gulodice, quando o Faustino pediu silêncio. Aí vem discurso, pensámos!
– Oiçam, vocês lembram-se daquela gata velha em casa da minha avó, lá no cimo das escadas, cega dum olho, deitava pus amarelado, era um nojo, a velhota pedia-me muitas vezes para a matar?
– FOI ESSA GATA QUE VOCÊS ACABARAM DE COMER!!!
E começou rindo desavergonhadamente, segurando até a barriga…
Bem. Imagine-se a malta a sair correndo para a rua e todos enfiando o dedo bem fundo na goela para vomitar! Eu também. E injuriando o gajo… que ainda se ria perdidamente!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Quero dizer-vos algumas palavras acerca do Encontro de Agentes de Viagens ao Concelho do Sabugal. Tudo começou com um convite que lhes enderecei, há cerca de fim de mês e meio, para visitarem o concelho e conhecerem de perto a gastronomia e outras valências a fim de, numa fase posterior, elaborarem roteiros turísticos que contemplem a região raiana.

(Clique nas imagens para ampliar.)

A vinda deles só foi possível graças à pertinácia e persistência junto dos empresários e dos poderes públicos. Não foi fácil convencê-los da importância para a região da vinda destes especialistas de turismo. Uma luta ganha da qual nunca me arrependerei. Amo este concelho tão esquecido e desconhecido aquém e além-fronteiras.
Depois de todo este trabalho de relacionamento e compromissos firmados, cá chegaram na sexta-feira, dia 4 de Maio de 12, os agentes turísticos tão ansiosamente desejados, partindo para Lisboa no domingo à tarde, dia 6 do mesmo mês.
Tendo por base a Rota dos Cinco Castelos percorreram o concelho tomando contacto com a nossa gente, os nossos hábitos, e os nossos usos e costumes. Provaram a nossa comida e deliciaram-se com ela; visitaram os nossos castelos e admiraram a sua beleza majestática; olharam as nossas paisagens e deleitaram-se com os vales, as serras, o rio e as ribeiras que as constituem. Ficaram impressionados com o que viram e comeram e estou plenamente convencido que farão tudo o que estiver ao seu alcance para trazerem turistas ao Concelho do Sabugal.
Tanto os Hotéis, como os restaurantes e as casas de turismo rural aproveitaram a sua estadia, entre nós, para trocarem informações e conhecimentos, mas também aproveitaram para encetarem negócios possíveis num futuro que se espera bem próximo.
O levantamento das potencialidades turísticas, que temos para oferecer a quem nos visita, foi feito e relatado via oral ou através de um Questionário que lhes foi entregue à chegada e que contemplava todos os lugares por onde passaram ou restaurantes aonde comeram. A análise do questionário permite-me dizer que a gastronomia e a paisagem beirã, aonde se incluem os castelos, constituem os ex-libris do Concelho do Sabugal. Ressalta igualmente na necessidade de se apostar, cada vez mais num turismo com qualidade, a preços sempre concorrenciais, a única fórmula de sobrevivência num mercado altamente organizado e competitivo.
Os organizadores tiraram as suas conclusões, caberá também às entidades privadas e públicas que participaram tirarem as suas conclusões para que esta e outras iniciativas não caiam no rol do esquecimento. Pela nossa parte cabe-nos a árdua tarefa de conciliar o aparentemente inconciliável, com o propósito de defender um rico património que urge preservar a VIDA HUMANA.
Uma palavra de agradecimento à Natália Bispo pelo carinho com que acolheu a iniciativa. Tudo faremos para lutar contra a desertificação a que têm votado a nossa terra. A semente foi lançada à terra, agora é fundamental adobá-la para fortalecer o tronco e dar bons frutos no futuro.
Alberto Martins Luís

Tal como o previsto chegou ontem, dia 4 de Maio, ao Sabugal um grupo de agentes de viagens que se deslocam com o propósito de verificarem as potencialidades turísticas do Concelho. Durante o fim-de-semana terão um programa intenso de reuniões e visitas.

A recepção aos agentes de viagem teve lugar no Salão do Raihotel.
A visita prossegue hoje e amanhã, subordinada ao seguinte programa:
Sábado, 5 de Maio
10h00 – Visita guiada ao Museu Municipal e Castelo do Sabugal
11h30 – Porto de Honra na Casa do Castelo
12h30 – Partida para a aldeia do Casteleiro
13h00 – Almoço no Restaurante Gourmet Casa daEsquila.
15h00 – Visita guiada à Quinta dos Termos.
16h00 – Visita guiada a Sortelha. Actuação do Rancho de Folclórico de Sortelha. Lanche no Salão da Junta de Freguesia.
18h00 – Visita guiada à aldeia de Vila do Touro
20h00 – Jantar no restaurante O Pelicano
22h00 – Prova de vinhos Quinta dos Currais na Casa Villar Mayor. Prova de vinhos Gravato e Adega Cooperativa de Castelo Rodrigo com Sessão de Fados de Coimbra.
24h00 – Chegada ao Sabugal com dormida no Hospedaria Robalo

Domingo, 6 de Maio
10h00 – Visita guiada às Termas do Cró.
11h00 – Visita às Casas Carya Tallaya.
12h30 – Visita ao Centro Histórico de Alfaiates com passagem pelo Santuário de Sacaparte.
13h00 – Chegada Nascente doCôa.
13h30 – Porto de Honra no Centro Cívico dos Fóios.
14h00 – Almoço no Restaurante Trutalcôa / Viveiro das Trutas.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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