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Embora pouco referida pelos historiadores, houve uma quarta invasão francesa de Portugal, a que se pode chamar incursão ou «manobra de diversão». A sortida, comandada por Marmont, passou pelo Sabugal, onde de resto ficou instalado o quartel-general, e foi marcada pela violência inusitada dos soldados franceses que, sedentos de vingança, exerceram terríveis atrocidades.

Após o fracasso da terceira invasão, Bonaparte, agastado com Massena, retirou-lhe o comando do Exército de Portugal, entregando-o ao marechal Marmont. O Imperador não desistira de invadir Portugal, aguardando contudo pelo melhor momento.
O Inverno de 1811, passou-se com a presença de Wellington na região de Riba Côa, instalado na Freineda. Foi aí que planeou, em grande secretismo, o cerco a Ciudad Rodrigo. Reconstruiu a fortaleza de Almeida, e apetrechou-a com artilharia pesada e material de cerco. A 1 de Janeiro de 1812, com um exército de 35 mil homens, munido do trem de artilharia que estava em Almeida, irrompeu de encontro à fortaleza espanhola, que foi bloqueada, cercada e bombardeada, sendo tomada a 19 de Janeiro, numa acção que custou a vida ao general Craufurd.
Após tomar Ciudad Rodrigo Wellington encaminhou-se para sul e pôs cerco a Badajoz, cuja praça foi tomada aos franceses num assalto muito caro para ambos os lados, no dia 7 de Abril, assim escancarando a porta da via directa para Madrid.
O forte ataque a Badajoz assustou Napoleão, que ordenou a Marmont a execução de uma manobra de diversão, investindo em Portugal pelo centro. Foi assim que a 3 de Abril, exactamente um ano após a batalha do Sabugal, os franceses lançaram uma forte e rápida ofensiva, tentando tomar Almeida de assalto, no que foram repelidos pela milícia portuguesa que guarnecia a praça. Marmont avançou então com 18 mil homens para o Sabugal, onde a 8 de Abril estabeleceu o seu quartel-general. Dali enviou sortidas a Penamacor, Belmonte, Covilhã e Fundão, chegando a sua vanguarda a Castelo Branco.
Entretanto o brigadeiro Trant, à frente da milícia portuguesa que ajudara o governador de Almeida, La Masurier, na defesa da fortaleza, verificando que os franceses tinham acampado no Sabugal, elaborou um ousado plano para o atacar de surpresa. Comunicou com o brigadeiro Wilson e com o general Bacelar, que igualmente comandavam milícias, e pediu-lhes para se reunirem a si na Guarda, a fim de executarem juntos o movimento de ataque aos franceses. Marmont, apercebendo-se porém da concentração das milícias, antecipou-se aos planos de Trant e enviou à Guarda uma sortida de cavalaria. O brigadeiro inglês retirou à pressa, indo instalar-se para lá do Mondego, mas na manhã do dia 14 de Abril a cavalaria francesa atacou o batalhão português que cobria a retirada, que foi rapidamente desbaratado, fazendo 150 prisioneiros.
Entretanto Wellington, face à movimentação francesa, subiu de Badajoz em marchas forçadas, o que fez Marmont abandonar as suas posições em Castelo Branco, recuando para evitar o confronto com o exército luso-britânico. No caminho da retirada Medelim e Pedrógão foram saqueadas e destruídas pelas tropas invasoras.
Trant escrevera ao comandante-chefe dando-lhe conta da retirada precipitada e do fracasso do plano de ataque ao quartel-general de Marmont no Sabugal. A 17 de Abril, Lord Wellington respondeu-lhe de Castelo Branco, censurando-o vivamente por se ter posicionado na Guarda, que considerava ser «a mais traiçoeira posição militar em Portugal», por não oferecer condições de retirada, louvando-o contudo por ter dado disso conta a tempo de salvar o grosso da milícia.
De Castelo Branco o exército continuou a sua marcha apressada, em perseguição a Marmont, porém este deixou o Sabugal e regressou a Espanha em 24 de Abril, sem que a vanguarda aliada o tivesse alcançado.
Após mais de 250 quilómetros, sem conseguir avistar o inimigo, que recuava com avanço, Wellington decidiu parar em Alfaiates, onde deu merecido descanso às tropas.
Esta fugaz invasão de Portugal, que apenas durou 20 dias, deixou um tremendo rasto de sangue e de morte. Nunca uma passagem de tropas napoleónicas pelas nossas terras raianas fora tão violenta e excessiva como a desta incursão fugaz.
O cenário nas aldeias era de pura destruição, com casas saqueadas e queimadas, igrejas pilhadas e profanadas e cadáveres abandonados no chão.
William Warre, jovem major britânico ao serviço do exército português, que veio com Wellington na perseguição aos invasores, escreveu uma carta à família a partir da aldeia da Nave, onde pernoitou:
«Meu querido pai,
É impossível dar-vos uma ideia da desgraça existente em todas as vilas por onde o inimigo passou, pois destruíram tudo aquilo que não puderam levar. Na minha presente habitação, o chão foi feito em pedaços e as janelas, portas e mobílias incendiadas, só escapando a arca e a cadeira que estou usando, que parecem ter desafiado as chamas. A fome e a penúria dos infelizes camponeses que nos cercam por toda a parte, e a caridade que fomos fazendo a alguns, já esgotou completamente os nossos meios. O dinheiro tem pouca utilidade onde nada pode ser comprado. Toda a forragem para os cavalos foi, nos dois últimos dias, aquela que conseguimos cortar nos campos, embora nem estes tenham escapado à rapacidade do inimigo.(…).
Nava (sic), na estrada entre Sabugal e Alfaiates, 24 de Abril de 1812.
»
Uma invasão quase desconhecida, mas que deixou marcas profundas na nossa região e que, por isso, não devemos deixar apagar da memória histórica.
Paulo Leitão Batista

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«Há momentos únicos, reportagens únicas… afectos que só experenciamos em momentos como este.» Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Especialistas da França, Grã-Bretanha, Portugal e Espanha vão apresentar a importância do Vale do Douro durante a Guerra da Independência na Conferência Internacional «A Guerra de Independência no Vale do Douro: os cercos de Ciudad Rodrigo e Almeida». O congresso histórico realiza-se nas cidades amuralhadas de Almeida e Ciudad Rodrigo entre os dias 5 e 8 de Outubro.

Congresso Internacional Almeida Ciudad Rodrigo«La Guerra de Independencia en el Valle del Duero: Los asedios de Ciudad Rodrigo y Almeida» é um congreso histórico que analisará a importância da fronteira luso-espanhola por onde chegaram as tropas de Napoleão a Portugal e que serviu ao mesmo tempo para o contra-ataque do Duque del Wellington que culminaria na batalha de Arapiles (Salamanca).
O congresso será presidido pela professora de História Moderna na Universidade de Burgos (UBU), Cristina Borreguero, pretende analisar de forma «minuciosa» a importância do Vale do Douro e Ciudad Rodrigo que foram nos últimos 200 anos a porta de acesso à meseta de Castilha.
O Congresso, coordenado pelo Grupo de Estudos sobre Guerra (HM-1), da Universidade de Burgos, procuram explorar questões tão variadas como a terra ea estratégia da Vale do Douro, as chefias militares, diplomacia, cercos, o governo e as placas, e o fluxo da vida quotidiana durante a guerra: a música, medicina e cirurgia de material de campanha, e publicações periódicas de arte dedicada ao conflito.
O encontro reparte-se entre o Palácio de Los Águila em Ciudad Rodrigo e o auditório do Centro de de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida, que será visitada pelos participantes a 7 de Outubro. A organização pretende publicar em 2011 os textos e fotografias do congresso.

Programa do Congresso. Aqui.
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Massena comandou a terceira invasão de Portugal em 1810, à frente de um exército que se propunha enviar os ingleses para o mar e tomar conta de um território e de um povo que se mostrava indomável. Porém, tal como as anteriores, esta invasão fracassou e com ela esmoreceu a chama do ilustre Marechal de França.

André Massena nasceu numa aldeia dos Alpes a 6 de Maio de 1758, no seio de uma família humilde, em que o pai era curtidor e fabricante de sabão. Foi o terceiro de cinco irmãos e teve uma infância dura. Aos 14 anos embarcou num navio mercante como grumete e aos 16 ingressou no exército francês. Passados dois anos era sargento, patente de que nunca passaria, dadas as suas origens humildes, não fosse a revolução de 1789, que o catapultou para o topo da hierarquia militar. Os seus elevados méritos no campo de batalha levaram-no a Marechal de França, e a acumular os títulos de Duque de Rivoli e Príncipe de Essling.
Cobriu-se de glória nas campanhas da Áustria e de Itália, o que lhe valeu ser chamado por Napoleão Bonaparte de «filho querido da vitória», e tido como o melhor estratega francês, cuja fama apenas era suplantada pela do próprio imperador.
Em 1810, após o fracasso da segunda invasão de Portugal, comandada por Soult, Napoleão decidiu acabar de vez com a resistência deste rincão ocidental da Europa, onde os ingleses se haviam instalado, ajudando a que se mantivesse como o único país do continente que não estava submetido à vontade dos franceses. Em 17 de Abril, ordenou a formação do Exército de Portugal que ele próprio comandaria. Porém os afazeres da politica prenderam-no em Paris, e nomeou comandante-em-chefe do novo exército o Marechal Massena, tido como o seu melhor e mais prestigiado lugar-tenente.
Massena tudo fez para evitar a nomeação. Não via com bons olhos que o exército fosse formado por corpos comandados por oficiais generais que estavam há muito na Península. Desconfiava especialmente de Ney e de Junot. O primeiro porque era também Marechal e era demasiado orgulhoso e irascível, e o segundo porque havia comandado a primeira invasão e não apreciaria reentrar em Portugal numa posição secundária. Napoleão recebeu porém Massena em audiência e convenceu-o a aceitar a missão.
Escolheu os oficiais do seu estado-maior e os comandantes de engenharia e artilharia e, em 29 de Abril, partiu de Paris, chegando a Valladolid a 10 de Maio, onde se correspondeu com os chefes dos três corpos que formavam o Exército de Portugal: o marechal Ney e os generais Junot e Reynier. Passou depois a Salamanca, onde organizou o seu exército e ordenou a tomada de Ciudad Rodrigo, que capitulou a 9 de Julho, criando-se assim as condições para que cumprisse com segurança a missão de submeter Portugal.
A tropa lançou-se sobre Almeida, cuja praça foi tomada após a infeliz explosão do paiol, e dali seguiu pela estrada da Beira, travando um primeiro combate no Buçaco, em 27 de Setembro, onde as forças anglo-lusas levaram a melhor sobre um exército francês que caiu no erro de tentar forçar linhas bem posicionadas. Massena perdeu ali um pouco do seu brio, mas prosseguiu com a invasão levando os ingleses e os portugueses da sua frente. Só as célebres Linhas de Torres Vedras, autêntica barreira defensiva inexpugnável, fez parar o movimento de Massena, que se quedou à espera de reforços para forçar a tomada de Lisboa.
Até Março de 1811, o exército francês subsistiu como pôde, com as tropas depauperadas e desmotivadas. Sem meios para atacar Lisboa, desiludido e desconfiado dos seus lugar-tenentes, Massena decidiu retirar. Planeou cada movimento com o maior rigor, conseguindo evitar grandes perdas, mau grado a perseguição tenaz que o exército ango-luso lhe deu. Sem força para avançar, soube controlar a retirada, demonstrando neste particular os seus dotes de estratega. Mesmo assim, quis evitar abandonar Portugal, planeando deixar os feridos e o material pesado em Almeida e avançando sobre o Sabugal e Penamacor, tomando o caminho do Sul, onde se reuniria ao Marechal Soult, que operava no sul de Espanha, para relançar a invasão pelo Alentejo. Contudo a insubordinação de Ney não lhe deixou margem para executar esse projecto, tanto mais que Wellington o interceptou no Sabugal, onde lhe deu combate, obrigando-o a recuar para Espanha.
Massena perdeu na batalha do Sabugal um obus, não se cansando de dizer que essa foi a única peça de artilharia que lhe foi retirada pelo inimigo em Portugal, assim provando que retirara sempre em boa ordem, nunca se considerando literalmente derrotado.
Já em Salamanca decide voltar a Portugal para abastecer a praça de Almeida, e trava com grande vigor a batalha de Fuentes de Oñoro, onde não conseguiu romper as linhas aliadas, assim se gorando a derradeira tentativa de reentrar em Portugal. Face ao fracasso, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, substituindo-o por Marmont. Para o humilhar o major general do exército francês envia-lhe de Paris uma missiva com as ordens expressas do imperador: «É desejo de Sua Majestade que se apresente em Paris imediatamente. O Imperador ordena expressamente que só traga consigo o seu filho e outro dos seus ajudantes-de-campo.»
Muitos franceses consideram Massena como o responsável pelo fracasso da invasão, fosse por ausência de uma estratégia ousada, por não ter conseguido submeter os seus comandantes de corpo ou por não ter dado combate vigoroso aos ingleses entrincheirados nas Linhas de Torres.
Mas são também muitos os militares franceses do seu tempo e os historiadores que vêm em defesa de Massena. Houve desde logo o mérito de lord Wellington que ao retirar para se fortificar junto a Lisboa, lhe deixou um território deserto e sem recursos, onde não pôde subsistir. Depois há a questão da dimensão do exército que Napoleão lhe entregou, porque ao invés dos 70 mil homens prometidos, Massena nunca teve mais de 45 mil. Fulcral foi também a constante insubordinação do Marechal Ney, que comandava o 6º corpo, que se recusou por diversas vezes a cumprir as ordens literais de Massena, colocando em causa as manobras do exército invasor.
André Massena, que morreria tuberculoso em 4 de Abril de 1817, esteve nas nossas terras raianas no momento em que preparava a execução da invasão e também aquando da retirada. No movimento retrógrado instalou o quartel-general em Alfaiates, de onde intentou a manobra de evolução para o sul. Porém o avanço dos aliados para o Sabugal, pela margem esquerda do Côa, gorou-lhe esses planos. No dia da Batalha do Sabugal, a 3 de Abril de 1811, foi de Alfaiates que enviou a ordem de retirada a Reynier, que comandava o corpo que foi atacado pelo exército anglo-luso. Foi ainda em Alfaiates que concentrou os seus corpos de exército e fez de seguida a manobra de recuo para Espanha.
Paulo Leitão Batista

O CERVAS devolve à Natureza, entre 10 e 17 de Setembro, 21 aves selvagens nos concelhos do Sabugal, Guarda, Gouveia, Almeida Penamacor, Mangualde, Oliveira do Hospital, Coimbra e Montemor-o-Velho.

CERVASO CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (Gouveia) devolve à Natureza, entre os dias 10 e 17 de Setembro, aves selvagens recuperadas no centro (hospital) de Gouveia.
Os animais recuperados são seis grifos (Gyps fulvus), cinco corujas-das-torres (Tyto alba), três águias-calçadas (Aquila pennata), três peneireiros-vulgares (Falco tinunculus), dois gaviões (Accipiter nisus) e dois milhafres-pretos (Milvus migrans) e vão ser devolvidos à natureza nos concelhos de Sabugal, Guarda, Gouveia, Almeida, Penamacor, Mangualde, Oliveira do Hospital, Coimbra e Montemor-o-Velho.

10 de Setembro, sexta-feira.
12.00 – Devolução à natureza de três grifos.
Alimentador de Aves Necrófagas da Serra da Malcata, Sabugal.

Estas três aves são animais juvenis que, ao iniciarem o processo de dispersão após a saída do ninho, não terão conseguido encontrar alimento, tendo por isso ficado muito debilitados. O seu processo de recuperação no CERVAS consistiu em alimentação para que pudessem alcançar uma boa condição física, treinos de voo e o contacto com animais da mesma espécie. A sua devolução à natureza irá realizar-se num local com as condições adequadas à espécie.
15.00 – Devolução à natureza de peneireiro-vulgar. Albardo, Guarda.
Esta ave foi encontrada, em Abril de 2009 na freguesia de Albardo (Guarda) por um particular, que o recolheu e entregou à equipa do SEPNA da GNR da Guarda, que procedeu à entrega da mesma no CERVAS. No momento do seu ingresso, ave apresentava uma fractura no úmero direito, compatível com trauma. Numa fase inicial, o seu processo de recuperação envolveu o tratamento da lesão e, numa fase posterior, em treinos de voo e de caça, bem como contacto com animais da mesma espécie.

12 de Setembro, domingo.
13.30 – Devolução à natureza de gavião. Cativelos, Gouveia.
Esta ave foi encontrada por um particular, após ter caído do ninho. O seu processo de recuperação envolveu a alimentação, de modo a permitir um correcto desenvolvimento muscular e também da plumagem de voo, o contacto com animais da mesma espécie, de modo a permitir a aprendizagem dos comportamentos típicos, e também treinos de voo e de caça. Esta acção de devolução à Natureza será integrada nas actividades do «Encontro Ibérico Land Rover 2010», que irá decorrer em no Parque da Sra. dos Verdes (Cativelos, Gouveia) entre 12 e 14 de Setembro.

14 de Setembro, terça-feira.
11.00 – Devolução à natureza de três grifos.
Alimentador de Aves Necrófagas da Serra da Malcata, Sabugal

Ponto de encontro: Parque de Estacionamento próximo do Castelo do Sabugal e das bombas da GALP, às 10.00 horas.
Estas três aves são animais juvenis que, ao iniciarem o processo de dispersão após a saída do ninho, não terão conseguido encontrar alimento, tendo por isso ficado muito debilitados. O seu processo de recuperação no CERVAS consistiu em alimentação para que pudessem alcançar uma boa condição física, treinos de voo e o contacto com animais da mesma espécie. A sua devolução à natureza irá realizar-se num local com as condições adequadas à espécie.
14.00 – Devolução à natureza de duas águias-calçadas. Penamacor.
Ponto de encontro: Piscinas Municipais de Penamacor.
A primeira ave foi recolhida em Quadrazais, no concelho do Sabugal, em Agosto de 2008, por um particular, aparentando ter dificuldade em voar, tendo sido entregue no CERVAS por intermédio de um vigilante da Reserva Natural da Serra da Malcata. Na altura do seu ingresso verificou-se que se a ave se apresentava bastante debilitada, tendo o seu processo de recuperação incidido na alimentação de modo a permitir que alcançasse uma boa condição física, treinos de voo e de caça e ainda o contacto com animais da mesma espécie. A segunda ave encontrava-se numa situação de cativeiro ilegal, tendo sido recolhida por elementos da equipa do SEPNA da Serra da Malcata. Apresentava alguns sinais ligeiros de domesticação, pelo que o seu processo de recuperação incidiu essencialmente no contacto com animais da mesma espécie de modo a que pudesse readquirir os comportamentos normais da espécie, tendo sido ainda submetida a treinos de voo e de caça.
16.30 – Devolução à natureza de águia-calçada. Miuzela, Almeida
Ponto de encontro: Cemitério de Miuzela.
Esta ave foi encontrada por um particular, na localidade de Miuzela, tendo a sua recolha e transporte até ao CERVAS sido feita pela equipa do SEPNA da GNR da Vilar Formoso. No momento do seu ingresso verificou-se que a ave se encontrava debilitada, pelo que o seu processo de recuperação envolveu a alimentação, de modo a que pudesse recuperar uma boa condição corporal, tendo ainda sido submetida a treinos de voo e de caça, para além de ter sido mantida em contacto com animais da mesma espécie.

15 de Setembro, quinta-feira.
15.00 – Devolução à natureza de peneireiro-vulgar. Alcafache, Mangualde.
Ponto de encontro: Igreja Matriz de Alcafache.
Esta ave foi encontrada na freguesia de Alcafache, tendo sido recolhida por um particular e entregue à equipa do SEPNA da GNR de Mangualde, que procedeu ao transporte até ao CERVAS. Apresentava-se bastante debilitado e o seu processo de recuperação incidiu na alimentação de modo a que pudesse recuperar a sua forma física, tendo sido também submetido a treinos de voo e de caça, bem como ao contacto com animais da mesma espécie.
17.00 – Devolução à natureza de gavião. Pinheiro de Baixo, Mangualde.
Ponto de encontro: Capela de S. Silvestre, Pinheiro de Baixo.
Esta ave foi encontrada num jardim de uma residência, tendo sido recolhida por um particular e entregue à equipa do SEPNA da GNR de Mangualde. Na altura do seu ingresso no CERVAS verificou-se a que a ave apresentava alguns sinais neurológicos compatíveis com uma colisão, pelo que o seu processo de recuperação iniciou-se com uma terapia de suporte, de modo a permitir que a ave recuperasse a sua forma física e, numa fase posterior, foi submetida a treinos de voo e de caça, bem como ao contacto com animais da mesma espécie.
18.30 – Devolução à natureza de três corujas-das-torres. Mourilhe, Mesquitela, Mangualde.
Ponto de encontro: EB 1 de Mourilhe.
Estas aves foram encontradas por um particular caídas do ninho, sem ainda terem plenas capacidades de voo, tendo sido encaminhadas para o CERVAS pela equipa do SEPNA da GNR de Mangualde. No centro passaram pelo processo de recuperação comum a outras aves que entram como crias/juvenis, que passa pela alimentação adequada para que a ave atinja o peso ideal e tenha um normal desenvolvimento corporal e da plumagem. Foram ainda colocadas em contacto com outros indivíduos da mesma espécie para que adquirissem comportamentos naturais, bem como submetidas a treinos de voo e caça para se tornarem aptas a serem devolvidas à natureza, perto do local onde foram encontradas.
18.30 – Devolução à natureza de uma coruja-das-torres. Penalva de Alva, Oliveira do Hospital.
Ponto de encontro: Igreja Matriz de Penalva de Alva.
Esta ave foi encontrada no interior da Igreja Matriz de Penalva de Alva, após ter caído do ninho, tendo sido recolhida por um particular, que a entregou à equipa do SEPNA da GNR da Lousã. O seu processo de recuperação decorreu de forma similar aquilo que sucede com os animais que ingressam enquanto crias/juvenis, desde a alimentação para assegurar um correcto desenvolvimento corporal e da plumagem de voo, passando pelo contacto com animais da mesma espécie e treinos de voo e de caça.

16 de Setembro, sexta-feira.
15.00 – Devolução à natureza de dois milhafres-pretos. Coimbra.
Ponto de Encontro: Sede da Reserva Natural do Paúl de Arzila – Mata Nacional do Choupal.
Estas duas aves ingressaram no CERVAS bastante jovens, tendo sido animais recolhidos após a sua queda do ninho, sendo que um deles apresentava também uma fractura na asa. Para além do tratamento da fractura neste último, o processo de recuperação das duas aves envolveu todos os passos típicos de casos de crias/juvenis, como a alimentação, os treinos de voo e de caça e o contacto com animais da mesma espécie.
17.00 – Devolução à natureza de um peneireiro-vulgar. Montemor-o-Velho.
Ponto de Encontro: Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho.
Esta ave foi encontrada na freguesia de Montemor-o-Velho, por um particular, tendo sido entregue à equipa do SEPNA da GNR desta localidade. Posteriormente foi entregue aos cuidados da Reserva Natural do Paúl de Arzila, que encaminhou a ave para o CERVAS. Apresentava lesões compatíveis com atropelamento e o seu processo de recuperação consistiu no tratamento das mesmas, bem como em treinos de voo e de caça, para além do contacto com animais da mesma espécie.
18.30 – Devolução à natureza de coruja-das-torres. Eiras, Coimbra.
Ponto de Encontro:Campo do Vale do Fojo (União Clube Eirense).
Esta ave foi recolhida por um particular, após ter caído do ninho, tendo sido entregue aos funcionários da Reserva Natural do Paúl de Arzila, que posteriormente a encaminharam para o CERVAS. Sendo um animal juvenil, o seu processo de recuperação incidiu na alimentação da ave, de modo a permitir um correcto desenvolvimento tanto a nível físico, como da plumagem de voo, para além de ter sido submetida a treinos de voo e de caça e ao contacto com animais da mesma espécie.
jcl (com cervas)

Almeida recorda a sua história com recriação ao vivo das Invasões Francesas e da tomada da fortaleza da estrela pelas tropas de Napoleão. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Miguel Almeida da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Os 200 anos da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida foram assinalados pela Câmara Municipal de Almeida, entre 26 e 29 de Agosto, com quatro dias de recriação histórica que incluíram cerimónias militares, rondas e vigias de sentinelas, assaltos à fortaleza de Almeida e fogo de artilharia.

Fotos João Aristídes Duarte – Clique nas imagens para ampliar

As cerimónias da recriação histórica da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida tiveram início no dia 26 com o hastear das bandeiras de Portugal, Reino Unido, Espanha e França. Na cerimónia militar presidida pelo General de Estado Maior, tenente-coronel Mário de Oliveira Cardoso, foram prestadas honras militares e homenagem aos mortos, evocação da defesa e resistência de Almeida e desfile das tropas. No Salão Nobre da Câmara Municipal de Almeida a data ficou registada com a aposição de carimbo e lançamento dos selos comemorativos da Guerra Peninsular.
No dia 27, sexta-feira, foi instalada a ronda de sentinelas nas portas da Vila de Almeida.
No sábado foram recriadas a marcha e o combate na calçada do Côa com assalto do Exército Imperial Francês e a defesa da ponte do Côa pelo Exército Anglo-Luso. Ao meio-dia realizou-se uma cerimónia evocativa dos tombaram em combate com a presença em parada de todas as forças participantes. Às 22.00 horas teve lugar a recriação do assalto à fortaleza de Almeida, com fogo de artilharia e combates de infantaria nas muralhas.
No domingo, dia 29, os visitantes poderam assistir a um desfile até à Praça Alta e à cerimónia evocativa aos mortos do Cerco de Almeida nas ruínas do castelo, seguida de desfile das forças até às Portas de S. Francisco. Às 11.00 horas tiveram início os combates através das ruas e muralha da Fortaleza de Almeida, com assalto ao último reduto de defesa e explosão do paiol.
jcl (com fotos de João Aristídes Duarte)

A 26 de Agosto de 1810 deu-se a terrível explosão do castelo medieval de Almeida, desastre que semeou a destruição e a morte em toda a fortaleza e que ditaria a capitulação da guarnição perante as tropas francesas sitiantes.

Recriação do Cerco de AlmeidaA praça, defendida por cerca de cinco mil bravos portugueses, comandados pelo governador William Cox, estava debaixo de uma poderosa flagelação. Desde as 5 da manhã que as dezenas de bocas de fogo dos sitiantes disparavam balas para abrir brechas na muralha e bombas com mechas incendiárias para lançar o terror no interior da praça.
Os artilheiros portugueses mantiveram-se firmes na defesa, respondendo com vivacidade e provocando baixas e sérios estragos nas baterias inimigas. Porém, ao cair da noite, uma das bombas incendiárias caiu junto ao castelo de Almeida, que servia de paiol, e o fogo seguiu um rasto de pólvora até fazer deflagrar as 75 toneladas de explosivo que estavam em armazém. Deu-se uma autêntica erupção vulcânica, indo o castelo e as casas da vila pelos ares. Muitos dos canhões e respectivos artilheiros foram projectados para os fossos, 500 pessoas ficaram sepultadas nos escombros das casas e muitos combatentes morreram com o sopro da explosão. Os destroços foram cair nas trincheiras francesas, matando muitos soldados. Para piorar o desastre deflagrou na praça um violento e horrendo incêndio.
O susto deixou surpresos sitiados e sitiantes, que pararam de combater. Mas em breve algumas das peças de canhão portuguesas eclodiram, dando a entender que, mau grado o acidente, a praça não desistia de se defender. Os franceses, responderam então com tiros de obus que duraram toda a noite, perturbando as operações de socorro aos feridos e a recomposição da força defensiva.
Só às 9 horas do dia seguinte houve um cessar-fogo ordenado por Massena, que enviou um representante ao interior da praça com uma carta para o governador, intimando-o a entregar-se à «generosidade do Imperador e Rei». Massena esperou todo o dia por uma resposta de William Cox, mas como esta não chegou decidiu, às 9 da noite, recomeçar a flagelação da praça. Isso provocou a revolta de alguns oficiais portugueses que fizeram ver ao governador a inutilidade da defesa perante o estado lastimoso em que se encontravam. O governador decidiu então capitular, assim caindo Almeida, que na manhã do dia seguinte recebeu as tropas francesas.
O chamado «desastre de Almeida» foi a causa de uma tão rápida queda da fortaleza, que tinha condições para se defender durante várias semanas ou meses. Os franceses viram assim aberto o caminho para a invasão de Portugal, podendo mandar prosseguir as movimentações militares.
O horror da explosão motivou várias descrições por parte de quem testemunhou este tremendo desastre.
O relatório do governador William Cox, é de um realismo extremo: «Tinha-me sentado, quando senti um choque violento, semelhante a um tremor de terra com um estrondoso som; uma coluna de ar entrou pela porta da galeria e logo depois juntou-se muita gente na abóbada, ao pé da porta do meu quarto. Levantei-me e perguntei qual a causa disto, mas era tal o temor geral e a consternação, que não pude obter uma resposta conclusiva. Saí e fui ao castelo trepando pelo montão de ruínas com que as ruas estavam entulhadas e assim que cheguei conheci que todo o edifício, que era uma imensa massa de cantaria, estava demolido. (…) Mandei tocar às armas, fui às muralhas e peguei num molho de bota-fogo e, ajudado por um único oficial de artilharia, fiz fogo com todas as peças que achei carregadas».
Marbot, ajudante de campo de Massena, que estava enfermo em Ciudad Rodrigo, sentiu ali o rebentamento: «Ao cair da noite ouviu-se uma formidável explosão. A terra tremeu. Julguei que a casa ia desmoronar-se. (…) Embora Ciudad Rodrigo fique a meio dia de viagem daquela praça fez-se sentir uma viva comoção.»
Também a duquesa de Abrantes, Laura Junot, mulher do general comandante do 8º corpo do exército napoleónico, que estava com o marido em San Felices, relatou o sucedido: «A minha casa experimentou um violento abalo – será um tremor de terra? exclamei aterrada – parecia-me que a casa desabava. (…) Junot foi o primeiro a correr para uma velha e desbaratada torre situada no cume de uma colina ao sair da povoação. É um espectáculo admirável, gritava ele, voltando quase no mesmo instante!… É mister que tu o vejas. Almeida está em chamas!… Levaram-me à torre e presenciei a uma horrenda maravilha. Era um horizonte todo de fogo, orlando um céu cor de ardósia e lançando às vezes sobre aquela sombria tapeçaria brilhantes girândolas.»
O capitão francês Guingret, que estava na trincheira, deixou também a sua perspectiva: «A explosão foi tão terrível que destruiu toda a cidade e respectiva população no mesmo segundo. Pedras enormes, rochedos, foram lançados até às nossas trincheiras onde mais de vinte soldados morreram esmagados pela sua queda; peças de grande calibre foram sugadas da cidadela e lançadas a mais de duzentas toesas, partidas em vários pedaços. Todos os que guarneciam as muralhas foram mortos pelos estilhaços, ou levados com as pedras.»
Cumprem-se hoje 200 anos sobre o «desastre de Almeida».
Paulo Leitão Batista

«Não desejo envolver-me em qualquer situação para lá do Côa… Não seria melhor que viésseis para o lado de cá, pelo menos com a vossa infantaria?» – Missiva de Lord Wellington ao general Craufurd, de Alverca (perto de Pinhel) em 22 de Julho de 1810.

Craufurd, o general inglês que comandava a divisão ligeira do exército aliado, com a missão de observar os movimentos do exército do marechal Massena, não satisfez o desejo de Wellington e, dois dias depois, sofreu as consequências. Batido pelos franceses, viu-se atirado para os barrancos do Côa, perdendo no combate 333 homens portugueses e britânicos.
O domínio do vale do Côa era considerado decisivo para qualquer manobra militar no tempo das Invasões Francesas. O major William Warre, ajudante de campo do marechal Beresford, explorou a região semanas antes da célebre Batalha do Côa, e deu conta da importância do rio na manobra militar.
«O curso do rio desde a sua confluência com o Douro até perto de Alfaiates em direcção à sua nascente, representa, devido aos grandes declives e ao solo rochoso das suas margens, uma barreira formidável para qualquer exército que procure avançar sobre Viseu, Celorico, Guarda ou Trancoso, a partir das imediações de Ciudad Rodrigo. Pode contudo ser contornado pelo Sabugal, e perante um exército numeroso a sua grande extensão constitui uma grande contrariedade, pois se qualquer parte da linha ceder o resto terá de retirar.»
O Côa teve de facto uma importância fundamental nas manobras militares da terceira invasão francesa, feita a partir de Almeida, com posterior retirada pelo Sabugal. Quando Massena avançou, Wellington protegeu-se por trás do Côa enquanto observava a movimentação dos franceses, que punham cerco à praça forte de Almeida.
Depois do fracasso da invasão, já na retirada, foi a vez de Massena se instalar na margem direita do rio, entre a Ruvina e o Sabugal, esperando aí conter o avanço do exército aliado.
Wellington, conhecedor da morfologia do terreno, escolheu o Sabugal para dar combate aos franceses, por saber que aí o rio não corre em vale escavado, podendo ser mais facilmente transposto a vau. Assim aconteceu a batalha do Sabugal, disputada na margem direita do Côa, no dia 3 de Abril de 1811, no lugar do Gravato. Essa importante e decisiva refrega com o 2º corpo do exército napoleónico, que ali não pode beneficiar no obstáculo que o rio constitui mais a jusante, levou à retirada dos franceses para Espanha.
Porém Massena deixara uma guarnição francesa em Almeida e, passado um mês, reorganizou o seu exército e decidiu voltar a marchar sobre Portugal em socorro da praça, fixando o objectivo de fazer recuar os anglo-portugueses para lá do vale do Côa. Em Ciudad Rodrigo dirigiu uma proclamação ao exército, a fim de lhe dar ânimo: «Soldados (…) dareis ao Côa, até hoje ignorado, uma celebridade igual à dos rios que na Alemanha e em Itália dizem e redizem osvossos triunfos».
Os franceses foram contudo travados na batalha de Fuentes de Oñoro, não conseguindo reentrar em Portugal.
Paulo Leitão Batista

Evoca-se agora o bicentenário da terceira Invasão Francesa, que se iniciou a 23 de Julho de 1810, com uma forte incursão da vanguarda do exército de Massena em terras portuguesas, junto a Almeida, e que terminou em 4 de Abril de 1811, após a decisiva Batalha do Sabugal. Por todo o País estão em curso, ou em preparação, iniciativas que evocam esse período terrível da nossa história.

Coube ao general Loison (o celebérrimo «Maneta»), à frente de 3000 homens de infantaria, apoiados por cavalaria e artilharia ligeira, comandar uma sortida de reconhecimento em território português, contornando o forte La Concepcion, parcialmente destruído pelos ingleses, e atravessando a fronteira em Vale da Mula.
No dia seguinte, 24 de Julho, o comandante do 6º Corpo, Marechal Ney, fez avançar mais soldados franceses para o território português e, passando ao largo da fortaleza de Almeida, deu combate às tropas do general Craufurd, que, contrariando as ordens de Wellington, se mantinha na margem direita do rio Côa, junto à ponte. A tropa inglesa tentou então a travessia para se concentrar na margem esquerda, em posição favorável, mas os franceses deram fogo e avançaram rapidamente, chegando-se a combater corpo a corpo.
Ney queria, num movimento rápido, impelir os anglo-portugueses para o escarpado onde o Côa corre, não lhes dando tempo para passarem a ponte. Mas Craufurd conseguiu colocar atiradores na margem esquerda do rio, que, bem posicionados, deram forte fuzilaria, assim cobrindo o movimento das colunas, que passaram o rio.
Com a Batalha do Côa o exército aliado recuou, desguarnecendo por completo a margem direita do rio, onde os franceses se movimentaram à vontade. Seguiram-se os trabalhos do bloqueio e do cerco a Almeida, com material pesado vindo de Ciudad Rodrigo. A praça defender-se acerrimamente, obrigando os franceses a cavarem fundas trincheiras e a instalarem baterias de artilharia para lhe abrirem brechas. Almeida capitularia a 28 de Agosto, após 12 dias de cerco e três de bombardeamento contínuo, que provocou a explosão do castelo, que servia de paiol, incidente tenebroso e fatal para os esforços de defesa.
Tomada Almeida, Massena ultimou os preparativos da a invasão, abastecendo o exército e concentrando todas as suas tropas na margem direita do rio Côa, entre o Sabugal e Almeida. O «Exército de Portugal», designação que Napoleão deu à força invasora comandada por Massena, apenas atravessou o rio Côa a 15 de Setembro, iniciando o movimento geral em direcção a Celorico com o intuito de atingir Lisboa pela estrada da Beira.
Durante o tempo em que os militares ocuparam a raia, o povo das nossas vilas e aldeias sofreu as atrocidades da soldadesca francesa. Face à absoluta falta de provisões, a população foi sucessivamente vítima de confiscos e rapinagens para abastecimento das tropas. Destacamentos de «forrageadores» percorriam as aldeias raianas em busca de cereais, carne, vinho, fruta, palha e feno. Surripiavam tudo o que encontravam e violentavam os que lhes fizessem a mínima oposição. Pelos campos da raia estava espalhado um exército de 60 mil homens e 15 mil cavalos, que tinha de ser alimentado todos os dias à custa da região.
Paulo Leitão Batista

Iniciamos aqui um novo «Arquivo Histórico» do Capeia Arraiana, dedicado às Invasões Francesas, com enfoque na terceira, que foi a que mais fez sofrer os povos da nossa região. Convidamos os leitores a enriquecerem este arquivo, enviando textos ou imagens relacionadas com as invasões.
plb

A freguesia da Miuzela, do concelho de Almeida, vai comemorar o centenário da Implantação da República e o bi-centenário das Invasões Francesas, tendo já delineado um programa comemorativo que inclui diversas iniciativas de interesse.

A acção partiu da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, sedeada na freguesia, e vai em grande parte desenrolar-se no próximo fim-de-semana.
No sábado, dia 7 de Agosto, a Associação, de parceria com a Câmara Municipal de Almeida, realiza uma conferência na Biblioteca Municipal, haverá uma sessão evocativa da República e das Invasões Francesas. Aí se homenagearão algumas almeidenses que se distinguiram na luta pela República, sendo conferencistas Augusto Monteiro Valente e António Sousa Júnior.
No domingo, 8 de Agosto, haverá uma conferência a cargo do professor universitário Amadeu Carvalho Homem, especialista em história contemporânea, que abordará o tema: «As Invasões Francesas e o Republicanismo». A intervenção deste professor da Universidade de Coimbra está prevista para as 15 horas, seguindo-se a entrega de prémios aos vencedores de um concurso de trabalhos sobre as temáticas evocadas, a que concorreram os alunos da escola básica da Miuzela.
A população da Miuzela, tal como a de outras terras da região, sofreu grandemente com as Invasões Francesas, sobretudo com a terceira invasão, que se iniciou em 23 de Julho de 1810. Os soldados franceses, assolados pela fome, prestaram-se a actos de extrema violência sobre as populações, quer para lhes confiscarem alimentos, quer para se vingarem quando nada encontravam capaz de lhes servir.
plb

Instalado nas Casamatas, no subsolo do Baluarte de S. João de Deus, o Museu Histórico-Militar de Almeida contém uma exposição permanente e recebe também exposições temporárias, sendo de todo aconselhável uma vista a este local de cultura da vila histórica fronteiriça.

As Casamatas, também chamadas de Quartéis Velhos, são instalações subterrâneas datadas do século XVIII, construídas em abóbada, para efeitos de defesa militar, e que comportam vinte salas e corredores. As casamatas serviam para abrigar os militares da guarnição e a população civil nas situações de bombardeamento, servindo ainda para armazém de mantimentos, possuindo cisterna e poço de água.
Em Agosto de 2009, foi inaugurado o Museu Histórico-Militar de Almeida, que ocupou as várias galerias subterrâneas. É um espaço interactivo e multimédia em que se reconstitui a História de Portugal desde a época medieval até à era contemporânea, com especial destaque para as Guerras Peninsulares, e o cerco de Almeida.
Este interessante e muito bem cuidado museu tem-se tornado num dos locais mais visitados da vila histórica.
Num percurso pelas galerias, temos primeiramente um espaço dedicado às origens de Portugal e de Almeida, onde se expõem elmos e espadas lusitanas, bem como couraças e escudos romanos, para além de painéis interactivos. Passa-se depois à arte militar na Idade Média, onde há diversas armas antigas, elmos e armaduras.
Uma das galerias é dedicada à Guerra da Restauração, onde têm relevo os canhões e algumas gravuras alusivas. Passa-se depois à Guerra dos Sete Anos, ou «Guerra Fantástica», no âmbito da qual Almeida foi, em 1762, cercada e ocupada por franceses e espanhóis.
Merece realce o espaço dedicado à Guerra Peninsular e ao papel que a fortaleza teve no decurso das invasões francesas. Há gravuras alusivas, canhões e outras armas usadas na época, bem como recriações dos militares, envergando fardas militares.
As últimas galerias da exposição permanente são dedicadas às Lutas Liberais, onde Almeida também esteve envolvida, e à Grande Guerra, ou Primeira Guerra Mundial, onde tombaram muitos soldados naturais do concelho de Almeida.
Na actualidade está patente ao público uma exposição temporária denominada «As linhas de defesa de Lisboa durante a Guerra Peninsular». Trata-se de uma exposição cartográfica que mostra como as chamadas Linhas de Lisboa, permitiram que Portugal conservasse a sua independência ao evitarem que as tropas de Napoleão ocupassem a capital. O sistema defensivo, idealizado por Lord Wellington, foi construído pelo povo, sob orientação de engenheiros militares ingleses, portugueses e alemães.
Uma vista à fortaleza de Almeida e ao Museu Histórico-Militar é a viva sugestão que deixamos a quem anda pelas terras da raia neste Verão.
plb

O Município de Almeida agendou para este ano um vasto programa de evocação do bicentenário da 3.ª Invasão Francesa, que terá o seu ponto alto na recriação histórica da célebre Batalha do Côa e do cerco e tomada da praça forte de Almeida.

A primeira recriação histórica acontecerá no dia 27 de Agosto, sexta-feira, em que será representada uma distribuição das sentinelas pelas portas de acesso à fortaleza de Almeida, seguida de rondas e vigias nas muralhas e baluartes, incluindo ainda uma simulação do que era há duzentos anos a rendição das sentinelas.
No dia 28 de Agosto, sábado, será representada a Batalha do Côa, no próprio local onde as tropas do general Crawford, contrariando as ordens de Wellington, aguardaram pelos franceses e lhe deram combate.
Nesse mesmo dia, à noite, recria-se em Almeida o assalto à fortaleza, com fogo de artilharia, combates de infantaria nas muralhas e fossos e simulação da explosão do castelo, que na altura servia de paiol.
No domingo, dia 29, os figurantes voltam a Almeida, onde recriam a queda da fortaleza com o assalto final das tropas francesas.
A Batalha do Côa, cujo bicentenário aconteceu a 24 de Julho, teve já uma cuidada evocação nessa mesma data. A Câmara Municipal de Almeida homenageou os que caíram na batalha e inaugurou uma exposição evocativa da terceira invasão. Realizou ainda um colóquio acerca do combate do Côa e lançou o livro do general Gabriel Espírito Santo intitulado «A divisão da infantaria ligeira no combate da ponte do Côa».
Para além das recriações históricas haverá ainda exposições dedicadas ás invasões e um seminário sobre «arquitectura na rota das invasões francesas». Haverá também muita música e animação, de forma se comemorar este bicentenário com a maior adesão por parte da população local e de outra gente que venha até Almeida para assistir aos actos comemorativos.
plb

Bicentenário da Batalha do Côa comemorado no dia 24 de Julho e perpetuado com memorial pela Câmara Municipal de Almeida. Reportagem da jornalista Sara Castro e imagem de Miguel Almeida da redacção da Local Visão Tv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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Ela chama-se Valerie Censier e ele Jorge Ribeiro. Ela é francesa e ele nasceu no Porto. Ela é artista plástica e ele músico. Ambos são vegetarianos. O casal tem um modo de vida adaptado (e actualizado) dos movimentos hippies que promoveram a paz, o amor e o respeito pelos outros e pela Terra. Ainda em comum têm o voluntariado na ASTA. Vivem em Almendra numa casa senhorial que viu transformado o piso térreo em estúdio de som e atelier de cerâmica e pintura. No ar o cheiro a alecrim dá as boas-vindas perfumadas às visitas.

Valerie Censier - Jorge Ribeiro - Almendra

Almendra é uma vila medieval do concelho de Foz Côa, situada na região de Riba-Côa no distrito da Guarda. Apresenta um conjunto de edifícios quinhentistas bem conservados como a Igreja Matriz, a Capela da Misericórdia e um grande número de janelas manuelinas. Em redor podem ser visitados o Parque Arqueológico do Côa, o Museu do Côa, a aldeia histórica de Castelo Melhor e a união entre os rios Côa e Douro. Paisagens magníficas no Douro Internacional que podiam ser admiradas numa inesquecível viagem de comboio que os poderes do Terreiro do Paço entenderam deixar ao abandono. Coisas deste país chamado Portugal que esqueceu e tem medo de promover as regiões raianas da Beira e Trás-os-Montes.
Fomos ao encontro da Valerie Censier e do Jorge Ribeiro que vivem em Almendra, no concelho de Foz Côa. Recebeu-nos sentada na berma da estrada. Após umas boas-vindas calorosas conduziu-nos por uma ruela íngreme onde se sente no ar um suave aroma a alecrim que rodeia a antiga casa senhorial de dois pisos. O sotaque da artista plástica e ceramista Valerie não escondem ao fim de 20 anos de contacto com o portuense Jorge as suas origens francesas. Nos primeiros tempos dividiam-se entre França e Portugal. «Passávamos cá o Inverno. Na minha primeira visita a Portugal apaixonei-me pelos azulejos das estações dos comboios. São simplesmente fantásticos. A minha base de estudo da cerâmica é o azulejo tradicional mas quando comecei a trabalhar em Almendra necessitei de redescobrir as cores, novos materiais numa pesquisa autodidácta», explica-nos Valérie no seu atelier do rés-do-chão onde molda, pinta, coze e seca as suas criações em cerâmica partilhando o espaço com os estúdio de som e os instrumentos musicais de Jorge Ribeiro.
– Os azulejos portugueses eram diferentes? O que sentiu?
– Os azulejos eram muito figurativos e não tinham cores. Apenas o azul e o branco. Os meus vidrados com muitas cores são feitos com uma espécie de pó-cola que depois de misturado em água produz uma textura com cores. A cor final é, por vezes, uma surpresa. A região tem muito barro vermelho, tipo terracota, com magnésio e o barro – vermelho ou branco – também tem a sua influência. Muitas das minhas peças têm tons terra.
– Quanto tempo demora a criar um objecto? São todos para vender?
– Não ligo ao tempo. Depende da ideia. Tenho que passar todos os dias por aqui. A inspiração surge quase sempre e se estou concentrada é mais rápido mas há trabalhos em que paro e recomeço muitas vezes. Tive que aprender a separar-me das minhas peças mas custa sempre muito porque fazem parte da minha essência. Tenho bons preços e o Jorge é muito comercial mas vender arte é muito difícil nos dias de hoje. Gosto muito de viver aqui por detrás dos barrocos mas está a ser difícil sobreviver. Tenho peças expostas à consignação em muitas lojas da região como, por exemplo, na Casa do Castelo no Sabugal.
A arte de Valerie é única e surpreende pelas coloridas pinceladas que se transformam em azulejos vidrados e pelas peças em barro que molda com as mãos. Mais um grande valor artístico escondido em Terras de Riba-Côa.

Jorge Ribeiro é músico e voluntário na ASTA – Associação Sócio-Terapêutica de Almeida, onde formou o grupo musical «Pé Coxinho» com jovens utentes. A associação está localizada muito perto da Cerdeira do Côa na localidade de Cabreira do Côa.
– Há trabalho para um músico nestas terras raianas entre a Beira Alta e o Alto Douro?
– Tenho vários projectos simultâneos em grupo e a solo. Trabalho muito por temas mas há muitos anos que faço músicas e letras de sensibilização ecológica. Os meus espectáculos são um misto de música e teatro. É um processo exigente que me obriga a praticar muito em frente ao espelho. Tenho vários trabalhos em parceria como, por exemplo, «O Burro» com a Associação para a Preservação do Burro ou o «Música Paleolítica» com o Parque Arqueológico do Côa. Mas, claro, gostaria de poder actuar mais.
– É voluntário na ASTA. Pode falar-nos da associação?
– A ASTA é uma associação que lida com jovens com deficiência mental. Uma deficiência não é uma doença é algo que a pessoa vai ter que saber viver com ela até ao final da vida. A nossa intervenção terapêutica vai no sentido de os fazer felizes. Tirei dois cursos e durante cinco anos praticamente vivi na associação. Aprendi muito no contacto pessoal com os companheiros que agora se denominam utentes porque as terminologias vão mudando ao longo do tempo definidas pela Segurança Social. No entanto eu mantenho o termo «companheiros». Dei outro valor à vida e surpreendi-me porque descobri em mim mesmo recursos que não imaginava possuir. Vi com um novo olhar as qualidades e os talentos que têm porque trabalho com eles a música, a dança e a expressão dramática. A Valerie enquanto foi voluntária trabalhou a cerâmica. A associação permite ainda actividades nas áreas da carpintaria, tecelagem e agricultura biológica. Os 33 companheiros são todos diferentes e têm idades entre os 20 e os 35 anos. Há alguns que requerem uma atenção individualizada e a tempo inteiro. A ASTA é praticamente uma utopia. Fica num local ermo e nunca ninguém acreditou que a Maria José iria conseguir construir e organizar uma obra como aquela. Mas aproveito para destacar o senhor Luís Queirós, da Marktest, natural de São Pedro do Rio Seco que ofereceu à ASTA três casas recuperadas no centro histórico de Almeida denominadas «O Canto Com Alma» que vão servir de palco a várias actividades. Além disso como presidente da Fundação Vox Populis lançou o «Prémio Ribacôa» no valor de 10 mil euros para encontrar a melhor ideia para o desenvolvimento de Almeida que foi ganho por um rapaz universitário de Lisboa. Os voluntários da ASTA promovem a igualdade em ambiente terapêutico rural ajudando os companheiros a caminhar em família e comunidade dignificando-os como seres humanos.

Valerie e Jorge. Uma forma (apenas) diferente de viver a vida.
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Contacto atelier: 279 713 335.
Email: jodamusica@hotmail.com
Página Web da ASTA. Aqui.
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O Capeia Arraiana aconselha a leitura da entrevista do mecenas Luís Queirós ao jornal «A Guarda». Aqui.
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Ela chama-se Valerie Censier e ele Jorge Ribeiro. Ela é francesa e ele nasceu no Porto. Ela é artista plástica e ele músico. Ambos são vegetarianos. O casal tem um modo de vida adaptado (e actualizado) dos movimentos hippies que promoveram a paz, o amor e o respeito pelos outros e pela Terra. Ainda em comum têm o voluntariado na ASTA. Vivem em Almendra numa casa senhorial que viu transformado o piso térreo em estúdio de som e atelier de cerâmica e pintura. No ar o cheiro a alecrim dá as boas-vindas perfumadas às visitas.

GALERIA DE IMAGENS – ALMENDRA
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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A Associação Sócio-Terapeuta de Almeida (ASTA) realizou nos dias 17 e 18 de Julho a Feira da Solidariedade, que juntou centenas de pessoas nas suas instalações em Cabreira do Côa, concelho de Almeida. Entre os utentes, os voluntários e os colaboradores da Associação há muita gente do Sabugal, que se reúne aos demais apoiantes, em sinal de solidariedade e de apoio a uma associação que desempenha um papel essencial em toda a região. As telas foram doadas à ASTA para angariação de fundos. Capeia Arraiana foi à Feira da Solidariedade e colheu algumas imagens do momento.

GALERIA DE IMAGENS – ALMENDRA
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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Tesouros Gastronómicos das Beiras - Capeia Arraiana

«Casa d`Irene» é o primeiro fascículo de um nova categoria do Capeia Arraiana denominada «Tesouros Gastronómicos das Beiras». Estes fascículos vão destacar espaços gastronómicos de eleição privilegiando as regiões raianas das Beiras. A «Casa d`Irene» está situada no Largo do Almo, na aldeia de Malpartida, no concelho de Almeida. É um acolhedor espaço familiar de comida tradicional gerido pela simpática Dona Irene onde o polvo e o bacalhau no forno reinam, bem longe dos mares, nas terras raianas de Almeida.

Casa Irene - Malpartida - Almeida

Almeida é uma das Aldeias Históricas de Portugal e sede de um concelho subdivido em 29 freguesias que tem como vizinhos Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Pinhel, Sabugal e Espanha. Avistada do ar apresenta o aspecto único de uma estrela mágica de 12 pontas que parece ter sido desenhada por seres extra-terrestres. Antes de passar pela porta de São Francisco o fosso que rodeia as muralhas surpreende os visitantes pela largura e pelo estado de conservação e limpeza extensível, aliás, a todo o centro histórico. O esmero e cuidado colocados pela autarquia na requalificação e manutenção das praças, ruas e ruelas permite fotografias para bilhetes postais mas… sem pessoas. Almeida é uma fortaleza que faz lembrar o cenário de um filme sobre as invasões francesas onde todos os figurantes saíram para ir almoçar…

…E para almoçar a escolha recai sobre a «Casa d`Irene», que fica ali bem perto no largo principal de Malpartida, terra com cerca de 100 eleitores. A proprietária e cozinheira, Irene Frias, nasceu na aldeia. Andou 10 anos por terras de França até decidir regressar para que a sua filha frequentasse a escola em Portugal.
Voltou nos anos 80, investiu na sua terra, adaptando uma casa de lavoura a minimercado e café e posteriormente «acrescentou» o restaurante quando abriram umas pedreiras na zona e os trabalhadores não tinham nada por perto para tomar as refeições.
«Alguns anos depois quando as pedreiras fecharam passei momentos difíceis», recorda Irene Frias reconhecendo que o alcatroamento da estrada – há cerca de seis anos – entre Almeida e Malpartida lhe deu um novo ânimo porque «com água vive-se no deserto». «A Câmara de Almeida e o presidente Baptista têm sido impecáveis no apoio ao meu restaurante», faz questão de afirmar.
«Nesse tempo não passava praticamente ninguém mas – nunca me esquecerei – um dia, uma quarta-feira, entrou pela porta o dono da empresa que andava a arranjar a estrada e perguntou-me o que havia para almoçar. Cozido à portuguesa, respondi-lhe. – Então somos quatro! – No dia seguinte vieram cerca de 20 e a partir desse dia nunca mais parou. Foram dizendo uns aos outros», recorda.
Irene Frias não tinha experiência profissional de cozinha mas confessa que aproveitou muito do que aprendeu com a mãe. «Costumo dizer que devemos dar valor ao que temos. Faço umas batatas à pobre com nabos refogados e carnes grelhadas iguais às que comia em casa quando era criança que ficam uma delícia. Claro que os tempos são outros e a fartura é outra. Mas o sabor das minhas origens está lá».
– O polvo e o bacalhau são reis na ementa da sua casa…
– Temos entradas de fumeiro, chouriças e buchos cortados aos bocadinhos, morcela doce com marmelo ou maça reineta, batatas compostas na frigideira e migas com bacalhau cozido e desfiado. O polvo e o bacalhau são tradições natalícias em toda a região da Guarda mesmo nas casas mais humildes. Adaptei os pratos porque, como não havia electricidade, mesmo o polvo chegava salgado. O polvo e o bacalhau no forno são as duas especialidades que temos por marcação. Também trabalhamos muito com o cabrito na brasa para quem chega e tem pouco tempo para comer. E aconselhamos o cozido à portuguesa e os peixinhos de escabeche, muito típicos da nossa região. Os pratos vão acompanhando a época do ano, como por exemplo, favas com presunto, bacalhau frito com arroz malandrinho… Estamos sempre a variar. Recebemos peixe fresco de Aveiro e as carnes são de produtores da região.
– Falta falar das sobremesas…
– Temos arroz doce e leite creme, porque não gosto muito de trabalhar com natas. Para aproveitar as claras faço as farófias e o doce de maça ou de marmelo quando é o tempo dele.
– Estão abertos ao domingo…
– Sim. Aliás abrimos todos os dias. Como é que faço isso? É uma questão de mentalidade. Abrimos todos os dias do ano. Quando foi no princípio custou-me muito adaptar-me a não ter férias nem fins-de-semana. Tenho três empregadas jovens e como já não sei fazer outra coisa a não ser trabalhar…
– Como define a Casa d`Irene?
– É uma casinha. No minimercado aqui ao lado – a que gosto de chamar a minha despensa organizada – podia fazer mais uma sala mas prefiro manter o espaço como está. Uma casinha. Um grupo que veio cá comer um dia entendeu voltar e oferecer-me uma moldura com uma declaração de qualidade assinada por todos. A minha melhor promoção são os meus clientes.
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Casa d`Irene – Largo de Almo – Malpartida – Almeida
Horário: Aberto todos os dias do ano
Tel.: 271 574 254
GPS: Latitude, 40°45’34.27″N – Longitude, 6°52’7.60″W
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Casa d`Irene, em Malpartida, uma agradável e saborosa surpresa. Um dos tesouros gastronómicos das Beiras.
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A «Casa d`Irene» está situada no Largo do Almo, na aldeia de Malpartida, no concelho de Almeida e é um acolhedor espaço familiar de comida tradicional gerido pela simpática Dona Irene. O polvo e o bacalhau no forno reinam, bem longe dos mares, nas terras raianas de Almeida.

GALERIA DE IMAGENS – CASA D`IRENE
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A Agência da Guarda da Fundação INATEL, em parceria com as Juntas de Freguesia de Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida, organiza nos dias 6 e 20 de Junho de 2010 dois Encontros de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio.

8.º Encontro de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio - Inatel GuardaO 8.º Encontro de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio organizado pela Fundação Inatel, delegação da Guarda, está marcado para os domingos 6 e 20 de Junho, respectivamente, em Figueira de Castelo Rodrigo e em Almeida. Esperam-se cerca de 150 tocadores.
A concentração dos inscritos será feita a partir das 11.30 horas no Largo Serpa Pinto em Figueira e no Largo 25 de Abril em Almeida. A partir das 12.30 horas decorrerá o almoço para os tocadores. Para as 14.00 horas está marcada a actuação dos participantes no Largo Serpa Pinto em Figueira e frente à Câmara Municipal de Almeida.
A Fundação INATEL desenvolve desde há cerca de 10 anos no distrito da Guarda um esforço de formação significativo na área deste instrumento tradicional, pretendendo reanimar a utilização da concertina e reforçando as tocatas dos grupos de folclore.
Este ano continuamos com os núcleos do curso de concertina em Pinhel e Seia, tendo iniciado um novo núcleo nas Freixedas. Estes dois Encontros de Figueira e Almeida são também uma boa oportunidade para um reencontro dos tocadores que aprenderam connosco.
Joaquim Igreja (Coordenador Cultural)

A 4.ª Feira das Artes e Cultura e Festas do Bacalhau em Almeida. Reportagem da jornalista Sara Castro e imagem de Sérgio Caetano da LocalVisãoTv (Guarda).

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Teresa Duarte ReisNo dia das Confrarias e Entronização do Bucho Raiano, lembrei-me que era jornalista e veio-me aquele gosto… De gravador em punho, a minha paixão, toca a entrevistar todo e qualquer confrade, confreira ou observador que se agrupavam no átrio junto às mostras de queijos, enchidos, mel, compotas e outras delícias dos produtores regionais presentes. É um meio de levar à conversa enquanto se prepara a festa e cada um em azáfama, prossegue no seu lidar. Quando for grande quero ser outra vez jornalista!

O 1.º Capítulo de Sua Excelência o Bucho Raiano

A boina é novidade
Diz a sorrir a Talinha
Ficam lindas as Senhoras
Elegantes de boininha
Os cavalheiros também
Se a boina lhe assenta bem!

Confraria Pinhal do Rei
De Leiria, é bom de ver
Há três anos já fundada
Também veio para conviver
Defende da terra e do mar
Bons produtos a provar.

Traz o Capitão Rapoula
A Cereja de Portugal
Revelar-lhe as qualidades
Que defende sem igual
Os valores da cereja
E que o País a proteja.

Da Confraria da Chanfana
Bem vestidas e vistosas
Madrinhas muito simpáticas
Sorridentes, bem-dispostas
Alice Simões sentia-se bem
Confia nesta partilha, também.

Confraria dos Nabos-Mira
Fala-nos Francisco Ferrão
Em Lisboa e Porto
Todo o nabo é dali
E o mais o que me fez rir
Não digo agora aqui.

Pois não estamos nas conversas
De escárnio e maldizer
Do livro da malcriadice
Do poeta «encartado»
Que me lembrou p´ra não esquecer
Podemos rir e brincar
Alegria salutar.

Fui revendo um por um
Os que no blogue escreviam
E aproveitei nessa onda
Os que ali conviviam
Vinham como convidados
Ou Confrades irmanados.

Ramiro Matos é mais um
Que quer o bem da região
É no dinamismo que aposta
Optando na certificação
E para ter resposta boa
Defende os produtos do Côa.

José Morgado, entre Côa e Raia
Faz pausas para reflexão
Considera o blogue Capeia
Um bom meio de comunicação
E aconselha moderador
Para evitar mau humor.

E o que nos diz Paulo Saraiva
Do nosso Bucho Raiano?
Já está preparadinha
Mas que boa comidinha!
(O fast food de antigamente)
Com Vinho Pinhel ou Figueira
Fica a refeição à maneira!

Cabanas tem pouco vagar
Não admira, é Vice-Presidente
E quando escreve no blogue
Sempre aborda tema quente
Sei que também é escritor
Isso é bom, para Penamacor.

Chanceler Lino, do Azeite
No Sabugal está feliz
A criação de Confrarias
Faz-nos voltar à raiz
Os produtos da região
São melhores, estão à mão.

Este movimento europeu
Veio, ficou e venceu.
Produzir, criar riqueza
Defendendo a natureza.

«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Foi no passado fim-de-semana, solarengo como já não se via este ano que decorreu mais uma «Feira Medieval» na Aldeia Histórica de Castelo Mendo com o cunho da Câmara Municipal de Almeida e participação da Junta de Freguesia de Castelo Mendo.

Começou por ser uma feira anual de fumeiro e enchidos só no exterior da aldeia.
A partir de 2006 passou a denominar-se de Feira Medieval e a ocupar o interior e exterior trazendo animação de rua e espectáculos de encenação medieval.
Este ano foi um sucesso a afluência de pessoas foi elevadíssima. Segundo os populares todos os anos a vinda de público aumenta.
No percurso das barracas dos tendeiros espalhados pelas ruas encontrava-se uma de venda de enchido que tinha expostos inúmeros artigos onde se destacava o Bucho Raiano. O que prova que o bucho já no tempo de dom João I era uma iguaria, digo eu. Após conversa com Paulo Manso do Cabo, o proprietário desta tenda, este informou-me que fez uma pequena fábrica de raiz para a produção de enchidos e salsicharia em Pínzio, no concelho de Pinhel, de nome «A Lareirinha».
O Bucho Raiano está vivo e bem vivo.
Terras Saraiva

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 11 de Abril de 2010.

Local: Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida.

Protagonista: Paulo Manso, produtor de buchos de Pínzio, concelho de Pinhel.

Autoria: Paulo Saraiva.

Legenda: Janelas históricas de oportunidades em Almeida. O Bucho (feito «a duas mãos… cheias de sangue» como dizia a minha avó) em destaque na Feira Medieval de Castelo Mendo. Há produtores e… produtores! E nos concelhos de Almeida, Pinhel e Guarda parece que tem havido um grande investimento na produção e… PROMOÇÃO do bucho. Viva o Bucho!
jcl

Sortelha, no concelho do Sabugal, foi a segunda Aldeia Histórica mais visitada durante o ano de 2009. O número de turistas nas 12 aldeias históricas de Portugal aumentou durante o ano de 2009, registando cerca de 376 mil visitantes, revelou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Segundo os dados fornecidos pelas autarquias dos concelhos onde se localizam as aldeias históricas, e tratados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o total de visitantes no ano de 2009 foi de 376 mil visitantes, superior em cerca de seis por cento face ao ano anterior.
A subida percentual deveu-se apenas ao aumento de visitantes nacionais, que em 2009 foram perto de 300 mil, cerca de 79 por cento do total.
Já quanto aos turistas estrangeiros, que em 2009 foram cerca de 80 mil, verificou-se uma quebra de 7,7 por cento face a 2008, com menos 6500 visitantes.
A Aldeia Histórica de Almeida continua a ser a mais visitada, com um total de cerca de 70 mil turistas, seguida das aldeias de Sortelha, Castelo Rodrigo, Trancoso e Belmonte.
Das cinco aldeias mais visitadas, apenas Almeida registou um decréscimo no número de turistas, embora continue a caber-lhe a maior fatia de visitantes espanhóis, que representam mais de metade do total de visitantes estrangeiros.
De acordo com os dados disponíveis no portal das aldeias históricas os turistas espanhóis aparecem em primeiro lugar com 44 mil visitantes registados em 2009 seguidos dos franceses (13 mil) e ingleses (8 mil visitantes).
O Programa de Aldeias Históricas de Portugal surgiu integrado no II Quadro Comunitário de Apoio (1994-1999) e reclassificado no quadro seguinte (2000-2006), tendo sido restauradas as 12 aldeias na Beira Interior.
Integram o programa Sortelha, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Sortelha e Trancoso.

Portal das Aldeias Históricas. Aqui.
jcl (com agência Lusa)

Recriação de uma feira medieval na Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida. Reportagem dos jornalistas Sara Castro e Sérgio Caetano da LocalVisãoTv Guarda.

Local Visão Tv - Guarda
Vodpod videos no longer available.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

A aldeia histórica de Castelo Mendo, no concelho de Almeida, recebeu este fim de semana uma feira medieval que recriou aspectos do passado e atraiu centenas de visitantes.

Feira Medieval em Castelo Mendo - AlmeidaO evento que proporcionou uma viagem ao século XVI foi promovido pela Câmara Municipal de Almeida, com o apoio da Junta de Freguesia de Castelo Mendo e a colaboração dos Agrupamentos de Escolas de Almeida e Vilar Formoso.
Mais de cem figurantes recriaram o ambiente medieval com cavaleiros, bobos, jograis, monges, damas, nobres, bruxas, mendigos, saltimbancos, acrobatas e malabaristas, para gáudio de visitantes e residentes.
jcl (com agência Lusa)

José Pinto Peixoto foi um dos mais destacados geofísicos e meteorologistas portugueses. Mas este cientista de renome, que viveu radicado em Lisboa, quis legar à sua terra de nascimento uma extensa e cuidada monografia, o que fez em cumprimento de um dever de homem citadino que nunca esqueceu as suas origens humildes.

«Miuzela a Terra e as Gentes» é uma monografia completa, dedicada a uma terra pertencente a concelho de Almeida mas com imensas afinidades com o concelho do Sabugal.
Depois de uma breve justificação e da referência às memórias da infância, que lhe ficaram para sempre gravadas, José Pinto Peixoto entra na história da região. Escreve acerca das origens da Miuzela, os povos antigos que a habitaram e os vestígios que deixaram. Também aborda as questões geográficas, e aventura-se pela colecta de expressões, adágios e provérbios populares.
No que toca ao registo histórico, a povoação viu ali nascer e viver gente importante e foi palco de guerras e das consequentes devastações, com manifesto prejuízo para as populações, alvo das mais variadas atrocidades. Neste particular, assumem importância as invasões francesas, sobretudo a terceira, onde a Miuzela foi saqueada, quando as tropas de Massena recuavam, acossadas pela tropa anglo-lusa.
Mas o mais relevante da monografia são as referências aos usos e costumes, quase todos hoje perdidos, mas que constituem um importante património da aldeia. Ligado a cada ciclo anual, estavam as tradições e, com elas, os sabores gastronómicos. Festas de nomeada, com o Natal e a Páscoa estavam ligadas a um conjunto de iguarias que eram preparadas com todo o rigor, seguindo ementas antigas que passavam de mães para filhas. O mesmo sucedia no referente aos grandes trabalhos colectivos, como a ceifa e as malhas, que eram momentos de esforço, compensado com boas e suculentas refeições.
Pinto Peixoto, descreve com especial denodo a importância dos enchidos na alimentação popular e, especialmente, a sua peça de excelência, o bucho, comido pelas famílias reunidas no Domingo Gordo. Fala-nos do jantar do bucho, que noutro tempo correspondia ao que hoje chamamos almoço. De facto o almoço comia-se pela manhã, sendo o jantar ao meio do dia e a ceia a refeição da noite.
«Era um jantar, quase tão importante, como o do dia da matança, mas mais elaborado e de mais cerimónia. Era uma festa!
O jantar do bucho ocorria, em geral, antes de entrar na Quaresma, por volta do Entrudo, porque a partir daí vinham os jejuns e as abstinências e, já, não se podia comer carne! Muitas vezes era no “Domingo Gordo”.
O jantar constituía um pretexto para se reunirem as famílias de parentes, e de amigos, mais queridos, num convívio são, afectivo e fraterno.
O bucho é, talvez, o enchido mais saboroso da Miuzela e é, por isso, o melhor das redondezas. É um manjar delicioso.
O bucho é o estômago do porco, cheio com ossos especiais, com cartilagens, orelheira e o rabo, depois de terem estado dois ou três dias em vinha de alhos. Mas no tempero é que está o segredo. O vinho, para a vinha de alhos, tem de ser de boa qualidade. E o pimento (colorau) não há-de ser só do doce, que tem que se lhe juntar do “queimoso”, com muito alho, bem migado, um pouco de sal, mais alguns “cheiros”, e tudo fica bem de molho, durante alguns dias.
Mas muito do sucesso, além da qualidade da matéria prima e “dos temperos”, vai da maneira de temperar e de encher o bucho. Os ossos têm de ser entremeados com outros bocados do recheio, mais suculentos, em camadas bem ordenadas. E vai-se calcando, sempre, porque depois, no fim, é mais fácil de aconchegar o bucho e espremê-lo bem, para não deixar lá dentro bolhas de ar! E, por fim, há-de ser muito bem atado e com segurança.
Depois de bem limpo (por fora), fica dependurado, a escorrer umas horas e só depois é que vai para o fumeiro, onde continua a pingar durante uns dias, até se começar a fumar e a ficar seco, bem vermelho e lustroso.
Depois, é a delícia, que se sabe: é queimoso, sem ser picante; é gorduroso, sem enjoar; é apetitoso, sem enfartar; é saboroso, sem ser indigesto; é gostoso, sem cansar. Até a pele do bucho, depois de cozida e bem torrada, constitui um manjar de eleição.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Ainda por terras da Beira Baixa, no Fundão e Covilhã não podemos esquecer o aproveitamento de duas Quintas e de um Solar, para turismo rural…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»QUINTA DO OURIÇO – Em Castelo Novo (Fundão) que é uma das dez localidades beirãs, abrangidas pelo Programa das Aldeias Históricas. A construção impressiona pela unidade arquitectónica do conjunto e pela manutenção de um ambiente rural que se julgava há muito extinto.
A Casa da Quinta do Ouriço data do Século XVII destacando-se, no seu exterior, a fachada da capela onde ainda se vêem um sino e o brasão da família Correia de Sampaio.
É rodeada por um espaço bem cuidado, com um campo de ténis com vista para a aldeia e o vale e uma piscina construída junto das antigas dependências agrícolas, agora adaptadas ao lazer. Completam o quadro um jardim com camélias centenárias, tendo à vista trecho da ribeira que atravessa o subsolo da quinta. Apresenta duas suites, cinco quartos e varias salas com tectos de masseira.
CASA DOS MAIAS – Solar barroco do século XVIII, dotado de capela e jardim, encontra-se situado na praça principal da cidade do Fundão. Como os antigos solares têm a forma de um L, conservando o pátio de entrada onde estacionavam as carruagens de onde sai imponente escadaria para o primeiro piso. O salão nobre é um verdadeiro retorno ao passado, com uma conversadeira de três lugares, um canapé império, várias mobílias do século XIX em pau-santo, fotos e óleos de antepassados.
A casa tem cinco quartos com espelhos rotativos e aliam o bom gosto e vários estilos. Tem ainda uma ampla sala de jantar, um jardim de Inverno com vistas para o jardim exterior, uma enorme sala para pequenos-almoços na antiga cozinha com uma chaminé de fumeiro e uma colecção de utensílios antigos.
QUINTA DO SANGRINHAL – Está situada em plena Cova da Beira a dois quilómetros do centro da Covilhã, em Boidobra. Era uma casa agrícola que apoiava a quinta. Trata-se de uma típica casa beirã de paredes de granito, a única coisa que ficou de pé na fase de reabilitação. Está decorada no estilo rústico com mobílias antigas. Na quinta, de catorze hectares, além de actividades agrícolas funciona um canil de cães da raça Serra da Estrela.

Na crónica anterior sobre as casas de habitação rural da Beira Interior Norte, referiram-se somente as existentes no concelho do Sabugal. Nesta zona e nos concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida e Meda, existem também as seguintes casas de habitação rural:
QUINTA DA PONTE – Fica situada entre Celorico da Beira e a Guarda. É num cenário bucólico entre rochedos da serra e onde corre o rio Mondego, que foi construída a Quinta da Ponte. Durante 50 anos a casa foi submetida a várias obras entre as quais a mais importante foi a construção de uma capela em 1725 de frontaria neoclássica e consagrada a Nossa Senhora da Vitória. A quinta resultou de um projecto de restauro do solar do século XVII e do reaproveitamento dos jardins e espaços verdes para a construção de um conjunto de apartamentos T1, quartos, salas e tenda para acontecimentos sociais. Possui ainda piscina, campo de ténis e um picadeiro a 4 km.
QUINTA DO PINHEIRO – Situada em Cavadouce (Guarda) localizada no vale do Mondego, a quinta do Pinheiro assume-se como produtora de queijo da Serra da Estrela, recorrendo aos métodos tradicionais característicos da região. Quinta do século XVI, terá sido o seu primeiro proprietário o cronista-mor do reino, no tempo do Rei D.Manuel I. De linha arquitectónica senhorial todos os edifícios foram recuperados segundo a traça original sendo o granito uma presença relevante. Os três quartos de que dispõe ficam situados no edifício da quinta mas em zona independente da casa principal, sendo amplos e de decoração rústica agradável. A sala comum, espaçosa e acolhedora dá para o pátio interior, como é característico das casas beirãs convidando a um tempo repousante. Existe também um amplo salão de jogos e uma piscina bem enquadrada no jardim.
QUINTA DE SÃO JOSÉ – Situada em Aldeia Viçosa (Guarda) é uma casa agrícola na posse da mesma família há várias gerações e inserida no meio de genuína actividade agrícola. Oferece a serventia de um apartamento com decoração rústica e sóbria, que em tudo diz estarmos em verdadeira casa rural, não faltando a lareira com ancestral fumeiro.
Na falta de piscina, o tanque de rega confere a autenticidade final e se tiver licença de pesca, poderá pescar trutas no rio Mondego que confina com a quinta.
CASA DE SÃO PEDRO DE LINHARES – Situada no centro da aldeia histórica do mesmo nome Linhares da Beira, o seu acesso faz-se através de um pátio tipicamente beirão de casa de aldeia sala está situada no piso térreo e o quarto desafogado, no primeiro andar. Em Linhares pode-se assistir a provas de parapente, cujos praticantes iniciam os seus voos nas arribas rochosas sobranceiras à aldeia.
CASA DO BRIGADEIRO – Solar agrícola, situado na Lageosa do Mondego, deve o seu nome a um antigo proprietário, militar de carreira e cuja patente apadrinhou a casa. Construída por um avô do militar e proprietário de uma roça em São Tomé, esta casa chega aos nossos dias com visíveis ligações aquela ilha. Os hóspedes poderão desfrutar de frondoso jardim com uma centenária magnólia de resto classificada como de interesse público.
CASA DOS OSÓRIOS – Situada em Celorico da Beira, é uma construção solarenga com acesso por elegante balcão, com escadaria de granito, rematado com pináculos e ostentando na frontaria, uma bonita pedra de armas.
A sua construção data de fins do Século XVIII, tendo sofrido transformações no Século XIX. Para a prática de turismo rural dispõe no edifício principal de quatro quartos duplos, com casa de banho privativa e em construção anexa mais dois apartamentos.
Possui confortáveis salas de convívio, biblioteca, sala de snooker, sala de musica, de campo de ténis e bar.
SOLAR DE LONGROIVA – Situado no centro da aldeia que lhe dá o nome do concelho de Meda, esta construção solarenga, dispõe de quatro quartos que facultam uma óptima vista sobre as serranias envolventes..
CASA DO BALDO – O antigo proprietário João Baldo, deu nome a esta casa e os actuais proprietários procederam à sua reconstrução.
Hoje encontramos uma casa que exteriormente se enquadra perfeitamente na histórica aldeia de Castelo Rodrigo, sendo que o seu interior nos oferece uma casa moderna. Do alto das muralhas da cidadela medieval, o visitante tem soberbo panorama sobre as Terras de Riba-Côa.
CASA DO PÁTIO DA FIGUEIRA – No interior da praça-forte de Almeida, vamos encontrar uma casa especialmente concebida para quem por aqui quer ficar.
Duas salas grandes e bem decoradas no rés-do-chão, dão para um pátio donde se vê a piscina e está plantada a figueira que dá nome à casa. Nos andares cimeiros, encontram-se os quartos, numerados, segundo datas importantes do historial da vila (1296, 1385, 1762 e 1810).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

O Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso vai receber a 3.ª edição da Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural nos dias 6 e 7 de Fevereiro de 2010.

Vilar FormosoO evento, organizado pela Câmara Municipal de Almeida, em colaboração com a Federação da Beira Interior, Associação Recreativa de Nave de Haver e o Clube de Caça e Pesca de Vilar Formoso, visa valorizar, promover e divulgar o património cinegético, natural, paisagístico e gastronómico bem como os serviços e actividades relacionadas com o sector da caça, pesca e do mundo rural.
Para além das áreas de exposição relacionadas com a caça, pesca, mundo rural – produtos agro-alimentares regionais e tasquinhas com petiscos e pratos confeccionados à base de caça e pesca, o certame conta com um leque de actividades diversificadas: Montaria ao Javali, Prova de St. Huberto, Demonstração de Cetraria, Tiro ao Prato Virtual, Exposição de Fauna Viva e Espécies Cinegéticas.
No decorrer da feira, os visitantes poderão, ainda, desfrutar da constante animação com grupos musicais regionais.
O Programa da Feira inclui no sábado, 6 de Fevereiro, Montaria ao Javali (Associação Recreativa de Nave de Haver), animação musical com o Grupo de Bombos das Donas (Fundão), demonstração de Cetraria, demonstração de cães (equipa cinotécnica da GNR) e espectáculo de música popular com o Grupo de Cantares «Os Mata Brava». Para domingo estão previstos: demonstração de Aves de rapina, animação musical com o Grupo de Cavaquinhos de Louriçal (Pombal), demonstração de cães (equipa cinotécnica da GNR) e prova de Santo Huberto (Clube de Caça e Pesca de Vilar Formoso).
A feira conta ainda com actividades permanentes como o tiro ao prato virtual, passeios a charrette, exposição e prática de falcoaria, exposição de fauna viva e espécies cinegéticas, tasquinhas e animação de rua.
jcl (com Turismo Municipal de Almeida)

Mais um bom exemplo que nos chega do nosso vizinho Concelho de Almeida.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Decreto-Lei n.º 14/2004, de 8 de Maio, cria as Comissões Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI), as quais, entre outras atribuições devem elaborar o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI).
No cumprimento da legislação, a CMDFI de Almeida elaborou em 2007 o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Concelho, a cinco anos, o qual estabelece «um conjunto de orientações para a protecção e promoção da área florestal do concelho de Almeida, avaliando a sua vulnerabilidade a incêndios florestais e propondo a implementação de medidas e acções de curto, médio e longo prazo, no âmbito da prevenção e do combate, para a defesa da floresta contra incêndios florestais».
O Plano elaborado pretende estrutura-se segundo 5 Eixos Estratégicos:
1.º EixoAumento da resiliência do território aos incêndios florestais, promovendo a gestão florestal e intervindo preventivamente em áreas estratégicas;
2.º EixoReduzir a incidência dos incêndios, educando e sensibilizando as populações; melhorando o conhecimento das causas dos incêndios e das suas motivações;
3.º EixoMelhoria e eficácia do ataque e da gestão dos incêndios, articulando os sistemas de vigilância e detecção com os meios de 1.ª Intervenção; reforçando a capacidade de 1ª Intervenção; reforçando o ataque ampliado; melhorando tornando eficaz o rescaldo e vigilância pós rescaldo;
4.º EixoRecuperar e reabilitar ecosistemas;
5.º EixoAdaptação de uma estrutura orgânica funcional e eficaz, operacionalizando a Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios.

Entretanto e já em 2009 a CMDFCI de Almeida elabora o Plano Operacional Municipal, que define o Dispositivo de Defesa da Floresta contra Incêndios (DFCI), identificando de forma exaustiva os meios e recursos e a sua área e período de utilização; o Dispositivo Operacional e respectivas funções e responsabilidades; os procedimentos de actuação nos alertas amarelo, laranja e vermelho; a lista geral de contactos importantes; o sistema territorial de vigilância e detecção; os mapas de localização territorial dos meios de 1.ª intervenção, de combate, de rescaldo e vigilância pós-incêndio e depoio ao combate.
A dimensão destas crónicas não permite apresentar com maior detalhe todo o conteúdo destes Planos, os quais poderão ser consultados no site da Câmara Municipal de Almeida.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Estão abertas as inscrições para um curso de formação profissional em Hidrobalneoterapia orientado pelo Cinágua nas Termas do Cró, no Sabugal e nas Termas da Fonte Santa de Almeida.

CináguaTem início a 4 de Janeiro de 2010 uma acção de formação profissional para técnicos de hidrobalneoterapia e de hidroterapia ministrado pelo Cinágua – Centro de Formação Profissional para a Indústria do Engarrafamento de Águas e Termalismo em parceria com as Câmaras Municipais do Sabugal e de Almeida.
O curso de formação nível 3 com a duração de 1566 horas decorre durante 11 meses e tem como destinatários jovens com idades entre os 18 e os 23 anos com o ensino secundário completo (12.º ano) mas sem qualquer qualificação profissional.
Os formandos com aproveitamento ficam habitados com uma qualificação profissional que lhe dará acesso a candidaturas de trabalho em estâncias termais, clínicas de fisioterapia e SPA’s.
As aulas de formação terão lugar nas Termas do Cró, no Sabugal e nas Termas da Fonte Santa em Almeida.
Para mais esclarecimentos e inscrições devem ser contactados os serviços de apoio da Cinágua (tel. 213874405) e da Câmara Municipal do Sabugal (tel. 271752230).
fr

Continuo a trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não me refiro nesta crónica a um Concelho específico, englobando antes um conjunto de 96 concelhos que, um pouco por todo o País, criaram até Setembro de 2009 os Fundos Municipais FINICIA.
Destaco que destes Concelhos, 7 pertencem ao distrito da Guarda – Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia e Trancoso; e 2 ao distrito de Castelo Branco – Penamacor e Proença-a-Nova.
O FINICIA é um Programa promovido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI), vocacionado para o apoio a projectos de forte conteúdo inovador, negócios emergentes de pequena escala e iniciativas empresariais de interesse regional.
Tem como objectivo central facilitar o acesso ao financiamento pelas empresas de menor dimensão, sendo um produto de crédito destinado ao apoio a projectos de investimento desenvolvidos por micro e pequenas empresas no concelho.
Um fundo FINICIA pretende:
– Dinamizar o tecido empresarial do Concelho;
– Estimular o investimento das Micro e Pequenas Empresas do Concelho;
– Melhorar os produtos e/ ou serviços prestados;
– Promover a modernização das instalações e equipamentos.
Um Fundo FINICIA assenta numa Parceria envolvendo obrigatoriamente o Município, o IAPMEI, uma entidade bancária e uma sociedade de garantia mútua, para além doutros parceiros locais e/ou regionais, tendo um capital social máximo de 500.000 euros, dos quais 20% pertencem à Autarquia e os restantes 80% à entidade bancária.
O financiamento a projectos de investimento através do FINICIA é limitado a um valor limite de 45.000 euros por projecto, dos quais 80% revestem a forma de empréstimo bancário de Médio/Longo Prazo, a juros bonificados e os restantes 20% são um subsídio reembolsável sem juros.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Os mapas interactivos do Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal e dos outros 12 concelhos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) podem ser consultados através da Internet.

SIG - AMCBEm declarações à agência Lusa, Jorge Antunes, responsável pelo departamento de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) da AMCB explicou que «qualquer municípe poderá, por exemplo, editar on-line a delimitação de uma parcela de terreno, calcular distâncias e áreas ou imprimir uma planta de localização».
Estão disponíveis os planos directores do Sabugal, Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Penamacor e Trancoso. Cada município tem uma hiperligação na sua página que redirecciona o utilizador para o portal da AMCB onde está a informação.
A disponibilização dos PDM na Internet responde a uma imposição legal (Lei n.º 56/2007) e, de acordo, com informações fornecidas pela o projecto global está orçado em meio milhão de euros e é co-financiado pelo Programa Operacional da Região Centro – MaisCentro.
A solução implementada permitirá aos municipes dos 13 concelhos fazer uma consulta prévia a um PDM, tendo como ponto de partida um determinado ponto ou localização no território. Após a identificação da localização da pretensão é possível cruzar esta informação com as classes de espaço, com o regulamento e limitações do PDM e imprimir a informação para o processo de viabilidade de transformação do terreno rústico.
No futuro o sistema irá permitir fazer pesquisas, visualizar e consultar os processos de obras das Câmaras Municipais.

Página da AMCB com o SIG. Aqui.
Página da Câmara Municipal do Sabugal com o PDM on-line. Aqui.
jcl

E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.

À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar

«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»

Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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