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O historiador Jorge Martins publicou em tempos de comemorações centenárias mais um livro intitulado «A República e os Judeus». O autor recorda no jornal «Público» que com a República «os judeus tinham vida pública e não se escondiam na sinagoga como seres exóticos e marginais».

«A República e os Judeus» - Jorge Martins

O historiador Jorge Martins dispensa apresentações. Escritor e cronista no Capeia Arraiana fez coincidir o lançamento de mais um livro sobre a história dos judeus com as comemorações do Centenário da República que vão acontecendo um pouco por todo o País.
No jornal «Público» escreveu, recentemente, um artigo intitulado «A 1.ª República – A conquista da cidadania» do qual publicamos um excerto:
«A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) obteria a sua legalização a 9 de Maio de 1912, através de um alvará do Governo Civil de Lisboa. Como o regime republicano facilitava a reorganização da CIL, foram criadas várias instituições: o Boletim (1912); a Associação de Estudos Hebraicos Ubá-le-Sion (1912), organização cultural sionista; a Biblioteca Israelita (1914); o Albergue Israelita (1916), antecessor do Hospital Israelita; a Federação Sionista de Portugal (1920); a associação Malakah Sionith (1915), fundada por Barros Basto no Porto; a Escola Israelita (1922), obra de Adolfo Benarus; o Hehaver (1925), organização juvenil sionista, que desempenharia importante acção de apoio aos refugiados durante a 2.ª Guerra Mundial.
A República também veio criar condições favoráveis à descoberta do fenómeno criptojudaico nas Beiras e Trás-os-Montes. Foi o judeu polaco e engenheiro de minas Samuel Schwarz, contratado em 1915 para vir trabalhar em Portugal, quem desencadeou a chamada «Obra do Resgate», dirigida, a partir de 1926, pelo capitão Barros Basto, republicano “dos quatro costados”, o responsável pelo ressurgimento e legalização da Comunidade Israelita do Porto em 1923, a construção da sinagoga Mekor Haim («Fonte da Vida»), inaugurada em 1938 e a fundação de várias comunidades judaicas (27 entre 1924 e 1934).» (excerto do artigo de Jorge Martins no jornal «Público».)
O excelente prefácio do livro, assinado por Miguel Real, aconselha à leitura da obra pela importância das suas investigações históricas:
«Pelos seus livros publicados, nomeadamente os três volumes de «Portugal e os Judeus» (2006) e a «Breve História dos Judeus em Portugal» (2009), Jorge Martins é hoje, indubitavelmente, o maior historiador português vivo do judaísmo. Não é de admirar, assim, que, em harmonia com as Comemorações do I Centenário da República, ora seja publicado o seu estudo «A República e os Judeus» (…)
No século XX, especialmente no tempo da I República, são exemplarmente estudados e realçados os casos dos projectos de colonização judaica de Moçambique e de Angola, que teriam mudado radicalmente a face económica e religiosa destas colónias portuguesas, elevando em muito o seu peso estratégico internacional, alterando porventura a totalidade subsequente da história portuguesa deste século (…)
Se, por via da política do confronto directo com as instituições católicas, existe claramente uma questão religiosa na I República, não existe, como o estudo de Jorge Martins o prova com clareza, uma questão religiosa com as comunidades judaicas portuguesas. Não existe, portanto, uma questão judaica na I República.
Um livro de aconselhável leitura nos 100 anos do aniversário da implantação da República.» (Prefácio de Miguel Real.)

Jorge Martins é professor, investigador do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e cronista no Capeia Arraiana.

O Capeia Arraiana dá os parabéns a Jorge Martins por mais uma obra indispensável na História de Portugal.
jcl

A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi travada durante a Guerra Peninsular, próxima do Luso, na Mealhada, a 27 de Setembro de 1810, combatendo por um lado forças coligados portuguesas e britânicas, sob o comando de Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington, e por outro as forças francesas lideradas pelo marechal André Massena.

Wellington retirara do Côa frente ao avanço imparável na máquina de guerra francesa, cujos soldados estavam ávidos por combater os ingleses e portugueses, que lhes fugiam sucessivamente, dando-lhes a entender que receavam qualquer recontro.
Mas, chegado à montanha do Buçaco, o comandante inglês decidiu ocupá-la com as suas forças (cerca de 50 mil homens, metade dos quais portugueses), esperando aí pelo exército invasor.
A posição ocupada no alto da montanha era formidável e meteu respeito aos franceses, fazendo com que Massena hesitasse. Bastar-lhe-ia contornar a serra para evitar um recontro generalizado, fazendo com que Wellington desmonta-se as suas linhas, mas o desejo de uma batalha era demasiado forte para soldados que se achavam os melhores do mundo, ainda mais perante um inimigo que assistira impávido à queda das praças de Ciudad Rodrigo e de Almeida e que se colocara em fuga face ao avanço do exército francês. A posição era difícil e claramente desfavorável, mas o comandante francês acreditava na vitória.
Do outro lado Wellington estava confiante na vantagem da sua posição, e esperava serenamente que os franceses o atacassem rompendo a pique pela serra e expondo-se ao fogo dos aliados. Foi atacado por cinco vezes sucessivas pelos homens de Massena, mas não cedeu a posição. O último assalto foi comandado pelas forças do Marechal Ney e do general Reynier, que foram incapazes de desalojar as forças anglo-lusas. Os franceses tiveram cerca de 4500 baixas, entre mortos e gravemente feridos, sendo que as perdas dos luso-britânicos ascenderam apenas a 1250 homens.
Esta foi a primeira batalha da Guerra Peninsular em que as forças do reconstituído e reorganizado exército português participaram (o exército havia sido desmobilizado por Junot em Dezembro de 1807 e parte dele enviado para servir Napoleão; só em 1809 havia sido restaurado e treinado pelo marechal inglês William Carr Beresford). Os soldados portugueses bateram-se aliás com grande coragem, o que lhes valeu fortes elogios por parte de Wellington.
A Batalha do Buçaco, vai ser recriada a 25 e 26 de Setembro numa iniciativa organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, que reúne cerca de 200 figurantes de associações napoleónicas de vários países.
Ao princípio da tarde do dia 25 realiza-se um desfile pela Avenida Emídio Navarro, no Luso, ao qual se seguirá a recriação de uma escaramuça junto ao monumento evocativo da batalha.
No dia 26 recria-se a Batalha do Buçaco, pelas 11h00, junto às portas do Sul.
plb

A Lapa de Maria foi um dos refúgios naturais que os habitantes de Valongo do Côa usaram para se esconderem dos franceses, procurando evitar os abusos desmedidos da soldadesca, que percorria as aldeias em busca de sustento ou na perseguição das guerrilhas que os atacavam.

Há 200 anos, no tempo em que Napoleão espalhou a guerra por toda a Europa, os exércitos não tinham ainda capacidade logística para transportarem consigo os meios de abastecimento. Atrás das colunas de cavalaria e infantaria seguiam os pesados trens da artilharia e da engenharia, carroças com pólvora, balas de canhão e cartuchos de espingarda, caixões de biscoito, e algum material de intendência.
Bonaparte fixara a máxima: «A guerra deve alimentar a guerra.» Tal significava que cada um dos seus exércitos deveria subsistir com o que o país ocupado produzisse, cabendo aos comandantes providenciar no sentido de garantir esses recursos.
Ora, em certas regiões, os exércitos franceses andavam depauperados. Os soldados passavam fome, tinham as roupas e o calçado rotos, além de que os soldos estavam em atraso. A solução era mandar «forragear».
Constituíam-se destacamentos com carroças para transporte, que seguiam pelos territórios ocupados em busca de víveres. Onde havia algo a confiscar para a sobrevivência do exército, os forrageadores deitavam a luva, sem pedir licença. Embora procurassem sobretudo cereais, tudo lhes servia: vinho, aguardente, animais para abate, ovos, enchidos, fruta, e até feno e palha para os cavalos. Quem se lhes interpusesse, alegando defender o que era seu, arriscava-se à morte. Por isso era tremendo o medo dos franceses e os povos das zonas ocupadas procuravam locais de refúgio, para onde se escapuliam logo que os franceses se aproximassem das aldeias.
No concelho de Vilar Maior, junto a Valongo, na margem do Côa, havia um refúgio natural que foi sucessivamente usado durante o tempo em que os militares de Napoleão operaram na raia. Trata-se da Lapa de Maria, que é uma gruta natural, formada por grandes barrocos. A entrada é muito baixa e estreita, sita na base dos rochedos. Porém o interior da gruta contém uma nave ampla, onde cabem mais de três dezenas de pessoas. No topo contém uma pequena abertura, por onde entra luz natural.
Está localizada a pouco mais de um quilómetro da povoação, na margem direita do rio, em local aprazível. O isolamento da Lapa de Maria e a sua localização privilegiada, tornam-na num esconderijo perfeito, perante um invasor que possuía cartas das principais estradas e caminhos e sabia localizar facilmente as principais povoações, mas não podia conhecer os abrigos que o povo escolhia para se esconder.
Joaquim Manuel Correia, no seu livro «Celestina», fala na Lapa de Maria e conta alguns episódios que o povo não esqueceu.
«Durante o “tempo dos franceses” cerca de 30 pessoas estiveram escondidas na Lapa de Maria, junto ao rio Côa, na zona do Seixo. Estiveram três dias sem comer, até que um homem, Afonso Correia, “foi ao Seixo comprar uma bolacha, uma coisa dura a arremedar uma bola, por oito tostões, repartindo-a por todos”.
Muitas vezes ali estavam escondidos, quando viam o perigo assomar. Conta-se que duma vez ouviram gritar “Ó Maria, olha que já abalaram os franceses”, porém desconfiaram e não saíam porque quem gritava era um garoto a mando dos franceses que assim esperavam surpreender os escondidos. Como não saíam ameaçaram deitar fogo a toda a gente, pelo que saíram, fugindo cada um para seu lado.
Uma mulher, chamada Josefa, fugiu com todo o ouro do grupo para a Serra do Seixo, sendo perseguida por um francês que a tentou, sem êxito, balear.
No mesmo local consta que os invasores tentaram enforcar uma rapariga chamada Paula, de Vale das Éguas, deixando-a pendurada num carvalho, decerto depois dela terem abusado. Valeu-lhe ali passar um homem que lhe acudiu cortando a corda. “Ficou sã e escorreita, inda casou e teve filhos”.
Na Ruvina mataram um rapaz por defender a mãe que um francês queria acometer. Eles, desagradados com a acção do rapaz em defesa da mãe, “deitaram-no sobre um banco e obrigaram a mãe a aparar o sangue como se fosse um porco”.»
A Lapa de Maria deveria ser inserida numa «rota das invasões» a criar no concelho do Sabugal.
Paulo Leitão Batista

No dia 11 de Setembro de 1810, o corpo de tropas de Reynier abandonou os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, onde estavam instaladas há 14 dias, iniciando, sob o comando de Massena, a manobra da terceira invasão de Portugal. Para trás deixavam aldeias saqueadas, homens mutilados e assassinados e mulheres violadas. Portugal e os portugueses viviam um dos períodos mais pavorosos da sua história.
plb

Almeida recorda a sua história com recriação ao vivo das Invasões Francesas e da tomada da fortaleza da estrela pelas tropas de Napoleão. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Miguel Almeida da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Invasões Francesas, Liberalismo e República, muito se tem falado este ano sobre estes acontecimentos históricos. Para o ano, aqui no nosso Concelho, iremos comemorar os 200 anos sobre a batalha do Gravato, que se travou aqui bem perto da cidade do Sabugal, na margem direita do Côa em 3 de Abril de 1811.

António EmidioAcredito que a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia também do Sabugal, não irão deixar passar esse dia, sem pelo menos, singelamente, homenagear todos aqueles que participaram nesse combate. Aliás, tanto a Câmara como a Junta, já nos habituaram durante o período democrático de trinta e seis anos, a honrar este povo e a sua história.
No nosso Concelho não foi só a batalha do Gravato que marcou a passagem dos exércitos franceses. Aldeia da Ponte, Soito e Quadrazais, ficaram quase em ruínas, as terras agrícolas junto a Malcata foram saqueadas, levando os seus produtos e, queimando as matas.
Este Artigo é para quem o ler, é público, mas vou escrever agora para todas as mulheres e homens do nosso Concelho que estão dedicados à causa pública, aquelas e aqueles que nós eleitores, democraticamente pusemos no poder.
A história do nosso Concelho confunde-se com o Mundo, o há bem pouco tempo falecido Tony Judt, o historiador mais lúcido da Social Democracia, no seu volumoso livro intitulado Pós-Guerra, a história da Europa desde 1945, diz o seguinte numa das suas páginas: «Num município português, Sabugal, no norte rural, a emigração reduziu a população local de 43.513 em 1950 para unicamente 19.174 trinta anos depois». Isto faz parte da história da Europa. As carências de toda a ordem obrigaram a partir, a responder à chamada de De Gaulle, milhares de habitantes do Concelho.
Todas as manhãs bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou beber um café, quem se cruza comigo a essa hora também a caminho do trabalho? Búlgaros, ucranianos e sérvios. Quem me serve o café? Uma romena. O Sabugal e o seu Concelho também foram apanhados pela onda de choque causada pela queda do Muro de Berlim, a história está novamente presente.
Falei somente um pouco da história contemporânea, por uma questão de disciplina de espaço.
Presentemente o que poderá acontecer? Há quem por razões comerciais, interesses espúrios e sórdido autocentrismo, poderá querer apoderar-se da história do nosso Concelho, porque nesta sociedade em que infelizmente vivemos, predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, a partir daí a história poderá ser deturpada, se com isso alguém tirar dividendos económicos ou políticos. Esta época é cínica, perdeu todo o pudor e guia-se por essa lei do tudo é permitido, para isso lá estão os «mass media» e a publicidade.
Termino com um apelo aos eleitos, não deixem privatizar a história do nosso Concelho.
E nós, cidadãos, não podemos ser uma massa amorfa e manipulável, temos uma história a defender. Eu, já a estou a defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A edição on-line de ontem, 29 de Agosto, do jornal israelita «The Jerusalem Post» contém um artigo que relata uma viagem a Portugal que passou pela Casa do Castelo, no Sabugal, onde a viajante se comoveu ao deparar-se com o altar representativo das práticas de culto dos judeus que foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

O artigo, intitulado «No trilho dos judeus de Portugal», é escrito por Judith Fein, uma jornalista e escritora sobejamente conhecida, que manifesta o prazer de viajar pelo mundo em busca de vestígios dos povos judaicos.
Na visita que fez a Portugal, acompanhada pelo marido, a sua atenção centrou-se nos milhares de judeus que foram forçados a converter-se ao cristianismo, mantendo porém, às ocultas, a prática do culto original. A primeira etapa foi em Lisboa, no Largo de S. Domingos, junto ao Rossio, onde observou comovida o monumento às vítimas da intolerância e do fanatismo religioso. Naquele lugar foram queimados por ordem da Santa Inquisição alguns milhares de judeus em 1506.
Em Lisboa a autora percorreu ainda as ruas de Alfama, que era o bairro onde viviam muitos dos judeus que passariam a ser chamados «cristãos-novos», por se terem convertido ao cristianismo para evitarem a sua expulsão de Portugal.
Depois a jornalista tomou parte numa visita guiada até ao centro e norte de Portugal. A caminho de Belmonte, a comitiva passou no Sabugal. Quando se dirigiam ao castelo o guia, apontando a Casa do Castelo, informou: «Aqui encontraram um Aron HaKodesh».
Judith Fein conta que correu imediatamente para a casa, onde entrou e falou com a proprietária, a Natalia Bispo, que a acompanhou ao andar de baixo e lhe apontou um armário de pedra incrustado na parede.
A viajante ficou comovida: «No fundo do armário havia dois grandes buracos redondos. O meu coração bateu. Sabia instintivamente que os furos marcavam o local onde a Tora estivera. Há 15 anos que estudo, escrevo e falo sobre os judeus que viviam em segredo, mas esta foi a primeira vez que vi provas físicas das orações clandestinas no lugar onde elas aconteceram.»
Conta depois como Natália Bispo lhe explicou a descoberta do armário: «Há cerca de quatro anos, eu e o meu marido comprámos esta casa de pedra que estava muito velha e completamente degradada. (…) Nós queríamos transformá-la num restaurante e numa loja, chamada Casa do Castelo, onde pudéssemos vender produtos regionais e artesanato local. Durante o processo de restauração, descobrimos algo surpreendente: um armário fora do comum que estava embutido numa parede de granito de grande espessura, a cerca de três metros do chão. Tinha uma moldura de madeira, e duas portas também de madeira, e dentro tinha duas prateleiras de pedra. Na parte inferior tinha dois círculos afundados no granito. O armário foi observado por dois arqueólogos que consideraram tratar-se de um altar de culto judaico, um “Armário da Lei”, “Aron HaKodesh”, ou “Arca”. »
A jornalista conta como, face á emoção, lhe rodopiaram na mente possíveis explicações para aquele importantíssimo achado: «Estaria a olhar para o vestígio de uma sinagoga? A casa de um rabino? Quem tinha ali rezado? Será que a arca existiu antes da Inquisição? Seria usada durante e depois da Inquisição?»
Depois especulou a partir da posição geográfica do Sabugal, que está junto à fronteira com Espanha, sendo possível que os judeus expulsos desse país tenham tido abrigo nesta casa e que depois continuassem as práticas de culto em segredo, desafiando a proibição prescrita.
Já em Belmonte, vila que visitou pela terceira vez, falou com o director do Museu Judaico da sua «espectacular» descoberta no Sabugal, tendo-lhe António Mendes confirmado o uso desses armários pelos cristãos-novos, que assim mantinham a prática judaica em segredo.
plb

Os 200 anos da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida foram assinalados pela Câmara Municipal de Almeida, entre 26 e 29 de Agosto, com quatro dias de recriação histórica que incluíram cerimónias militares, rondas e vigias de sentinelas, assaltos à fortaleza de Almeida e fogo de artilharia.

Fotos João Aristídes Duarte – Clique nas imagens para ampliar

As cerimónias da recriação histórica da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida tiveram início no dia 26 com o hastear das bandeiras de Portugal, Reino Unido, Espanha e França. Na cerimónia militar presidida pelo General de Estado Maior, tenente-coronel Mário de Oliveira Cardoso, foram prestadas honras militares e homenagem aos mortos, evocação da defesa e resistência de Almeida e desfile das tropas. No Salão Nobre da Câmara Municipal de Almeida a data ficou registada com a aposição de carimbo e lançamento dos selos comemorativos da Guerra Peninsular.
No dia 27, sexta-feira, foi instalada a ronda de sentinelas nas portas da Vila de Almeida.
No sábado foram recriadas a marcha e o combate na calçada do Côa com assalto do Exército Imperial Francês e a defesa da ponte do Côa pelo Exército Anglo-Luso. Ao meio-dia realizou-se uma cerimónia evocativa dos tombaram em combate com a presença em parada de todas as forças participantes. Às 22.00 horas teve lugar a recriação do assalto à fortaleza de Almeida, com fogo de artilharia e combates de infantaria nas muralhas.
No domingo, dia 29, os visitantes poderam assistir a um desfile até à Praça Alta e à cerimónia evocativa aos mortos do Cerco de Almeida nas ruínas do castelo, seguida de desfile das forças até às Portas de S. Francisco. Às 11.00 horas tiveram início os combates através das ruas e muralha da Fortaleza de Almeida, com assalto ao último reduto de defesa e explosão do paiol.
jcl (com fotos de João Aristídes Duarte)

A 27 de Agosto de 1810, há precisamente 200 anos, as tropas do 2.º corpo do exército francês, comandadas pelo general Reynier, vindas do sul para se juntarem ao grande exército de Massena, ocuparam em força as terras dos concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, provocando a fuga desesperada das populações.

Enquanto o 6.º corpo, de Ney, manobrava em redor de Almeida, estabelecendo o cerco à fortaleza, e o 8.º corpo, de Junot, estava ainda em Espanha nas margens do rio Águeda, o 2.º corpo, de Reynier, operava em Cória e Placencia, na linha do Tejo. Massena montara o seu quartel-general no forte de La Conception, frente a Vale da Mula, de onde emanava as ordens do dia.
O marechal ainda não decidira como invadir Portugal e estava inclinado a fazê-lo em duas frentes, partindo uma coluna de Almeida, pela estrada da Beira, e penetrando a outra pelo vale do Tejo, em direcção a Abrantes. Porém acabaria por preferir juntar os três corpos e avançar em força por Celorico e Viseu, pois a postura de Wellington, que deixara cair Ciudad Rodrigo e não auxiliava Almeida, indiciava que podia dar-lhe perseguição e enfrentá-lo em qualquer posição.
Foi assim que na manhã do dia 25 de Agosto enviou ordens a Reynier para se deslocar para norte e tomar posição na margem direita do Côa, à esquerda do corpo do marechal Ney. Em cumprimento dessas instruções, o 2.º corpo avançou em marchas rápidas e no dia 27 ocupou em força os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, cujas aldeias ao redor foram também tomadas pelos destacamentos, tendo os soldados ocupado as casas abandonadas pelos habitantes receosos. Tal como o comandante em chefe lhe prescrevera, Reynier estabeleceu o seu quartel-general em Alfaiates e guarneceu fortemente a ponte do Sabugal, tendo em vista dissuadir qualquer tentativa do exército anglo-português de atravessar a linha do Côa.
Os concelhos raianos onde até então tinham forrageado os destacamentos do 6.º Corpo, ficavam agora literalmente ocupados pelas tropas do 2º corpo, as mesmas que com o marechal Soult haviam protagonizado a segunda invasão de Portugal. Estes soldados experientes e com amargas recordações dos portugueses teriam que ali subsistir até que fosse dada a ordem de avançar em direcção a Lisboa. Os povos das terras em redor sofreram então como nunca os excessos da soldadesca que, querendo alimentar-se e aprovisionar-se de viveres, lançavam mão a tudo o que servisse de alimento para os homens e para os animais do exército.
Esta forte e dura ocupação militar das nossas terras manter-se-ia até ao dia 11 de Setembro, data em que Massena transmitiu aos seus lugares tenentes as instruções para a execução dos movimentos preparatórios para o avanço da invasão. Nesse mesmo dia o 2.º corpo deixou as suas posições na margem direita do Côa e marchou para a Guarda, de onde depois prosseguiu num movimento combinado com os restantes corpos do exército.
Já em finais de Março de 1811, malograda a terceira invasão e em plena retirada, as tropas do 2.º corpo voltariam a ocupar as terras do Sabugal, com a ideia de aí conterem o avanço dos anglo-lusos, que lhes davam perseguição. As populações voltaram então a sofrer com as atrocidades dos soldados franceses que vinham ainda mais famintos e coléricos do que quando dali haviam estado há sete meses.
No dia 3 de Abril de 1811, teve lugar a batalha do Sabugal, onde os homens de Reynier foram batidos pelos portugueses e ingleses comandados por Wellington, livrando-se assim os sabugalenses das pilhagens e dos excessos da tropa francesa.
Paulo Leitão Batista

A 26 de Agosto de 1810 deu-se a terrível explosão do castelo medieval de Almeida, desastre que semeou a destruição e a morte em toda a fortaleza e que ditaria a capitulação da guarnição perante as tropas francesas sitiantes.

Recriação do Cerco de AlmeidaA praça, defendida por cerca de cinco mil bravos portugueses, comandados pelo governador William Cox, estava debaixo de uma poderosa flagelação. Desde as 5 da manhã que as dezenas de bocas de fogo dos sitiantes disparavam balas para abrir brechas na muralha e bombas com mechas incendiárias para lançar o terror no interior da praça.
Os artilheiros portugueses mantiveram-se firmes na defesa, respondendo com vivacidade e provocando baixas e sérios estragos nas baterias inimigas. Porém, ao cair da noite, uma das bombas incendiárias caiu junto ao castelo de Almeida, que servia de paiol, e o fogo seguiu um rasto de pólvora até fazer deflagrar as 75 toneladas de explosivo que estavam em armazém. Deu-se uma autêntica erupção vulcânica, indo o castelo e as casas da vila pelos ares. Muitos dos canhões e respectivos artilheiros foram projectados para os fossos, 500 pessoas ficaram sepultadas nos escombros das casas e muitos combatentes morreram com o sopro da explosão. Os destroços foram cair nas trincheiras francesas, matando muitos soldados. Para piorar o desastre deflagrou na praça um violento e horrendo incêndio.
O susto deixou surpresos sitiados e sitiantes, que pararam de combater. Mas em breve algumas das peças de canhão portuguesas eclodiram, dando a entender que, mau grado o acidente, a praça não desistia de se defender. Os franceses, responderam então com tiros de obus que duraram toda a noite, perturbando as operações de socorro aos feridos e a recomposição da força defensiva.
Só às 9 horas do dia seguinte houve um cessar-fogo ordenado por Massena, que enviou um representante ao interior da praça com uma carta para o governador, intimando-o a entregar-se à «generosidade do Imperador e Rei». Massena esperou todo o dia por uma resposta de William Cox, mas como esta não chegou decidiu, às 9 da noite, recomeçar a flagelação da praça. Isso provocou a revolta de alguns oficiais portugueses que fizeram ver ao governador a inutilidade da defesa perante o estado lastimoso em que se encontravam. O governador decidiu então capitular, assim caindo Almeida, que na manhã do dia seguinte recebeu as tropas francesas.
O chamado «desastre de Almeida» foi a causa de uma tão rápida queda da fortaleza, que tinha condições para se defender durante várias semanas ou meses. Os franceses viram assim aberto o caminho para a invasão de Portugal, podendo mandar prosseguir as movimentações militares.
O horror da explosão motivou várias descrições por parte de quem testemunhou este tremendo desastre.
O relatório do governador William Cox, é de um realismo extremo: «Tinha-me sentado, quando senti um choque violento, semelhante a um tremor de terra com um estrondoso som; uma coluna de ar entrou pela porta da galeria e logo depois juntou-se muita gente na abóbada, ao pé da porta do meu quarto. Levantei-me e perguntei qual a causa disto, mas era tal o temor geral e a consternação, que não pude obter uma resposta conclusiva. Saí e fui ao castelo trepando pelo montão de ruínas com que as ruas estavam entulhadas e assim que cheguei conheci que todo o edifício, que era uma imensa massa de cantaria, estava demolido. (…) Mandei tocar às armas, fui às muralhas e peguei num molho de bota-fogo e, ajudado por um único oficial de artilharia, fiz fogo com todas as peças que achei carregadas».
Marbot, ajudante de campo de Massena, que estava enfermo em Ciudad Rodrigo, sentiu ali o rebentamento: «Ao cair da noite ouviu-se uma formidável explosão. A terra tremeu. Julguei que a casa ia desmoronar-se. (…) Embora Ciudad Rodrigo fique a meio dia de viagem daquela praça fez-se sentir uma viva comoção.»
Também a duquesa de Abrantes, Laura Junot, mulher do general comandante do 8º corpo do exército napoleónico, que estava com o marido em San Felices, relatou o sucedido: «A minha casa experimentou um violento abalo – será um tremor de terra? exclamei aterrada – parecia-me que a casa desabava. (…) Junot foi o primeiro a correr para uma velha e desbaratada torre situada no cume de uma colina ao sair da povoação. É um espectáculo admirável, gritava ele, voltando quase no mesmo instante!… É mister que tu o vejas. Almeida está em chamas!… Levaram-me à torre e presenciei a uma horrenda maravilha. Era um horizonte todo de fogo, orlando um céu cor de ardósia e lançando às vezes sobre aquela sombria tapeçaria brilhantes girândolas.»
O capitão francês Guingret, que estava na trincheira, deixou também a sua perspectiva: «A explosão foi tão terrível que destruiu toda a cidade e respectiva população no mesmo segundo. Pedras enormes, rochedos, foram lançados até às nossas trincheiras onde mais de vinte soldados morreram esmagados pela sua queda; peças de grande calibre foram sugadas da cidadela e lançadas a mais de duzentas toesas, partidas em vários pedaços. Todos os que guarneciam as muralhas foram mortos pelos estilhaços, ou levados com as pedras.»
Cumprem-se hoje 200 anos sobre o «desastre de Almeida».
Paulo Leitão Batista

«Imagem do Dia» e «Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data: 25 de Agosto de 2010.
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Local: Largo do Castelo do Sabugal.
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Legenda: Cláudio Costa, engenheiro informático em Lisboa está a percorrer Portugal de bicicleta. Esta quarta-feira passou pelo Sabugal.
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Blogue: «O Meu Querido Mês de Agosto» é o título do blogue onde Cláudio Costa vai publicando as suas crónicas de viagem. Aqui.
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Autoria: Cláudia Bispo.
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Clique na imagem para ampliar

Madrugada de 24 de Agosto de 1820 (há precisamente 190 anos), o Coronel Sebastião Drago de Brito Cabreira, reuniu as suas tropas no campo de Santo Ovídeo, no Porto, juntando-se-lhe outras guarnições da mesma cidade. Foi o início da Revolução Liberal em Portugal. A partir daí começam as lutas liberais, uma guerra entre portugueses que durou alguns anos, uma guerra caseira. É nesta Revolução Liberal que se encontram as raízes mais profundas do 5 de Outubro de 1910, da implantação da República.

António EmidioA Revolução teve o apoio do povo e a adesão das forças vivas da cidade, que se juntaram na Câmara Municipal do Porto. Foram militares e juristas os principais chefes rebeldes, como o brigadeiro António da Silva Pinto da Fonseca, o coronel Drago Cabreira, o desembargador Manuel Fernandes Tomás e o jurista José Ferreira Borges, entre outros.
Uma revolução não surge de um dia para o outro, esta já tinha tido o seu prólogo em 1817, mas nessa altura foi neutralizada pela Regência do Reino. Também em 1817 se dá a revolta de Pernambuco, no Brasil. Terá uma coisa a ver com a outra? As ideias liberais começavam a ter muita força e a serem aceites na sociedade portuguesa de então.
Por mais estranho que pareça, foram as invasões francesas com o seu cortejo de morte e destruição que deixaram a marca do liberalismo. Em 1820, Portugal estava num impasse político, D. João VI e a Corte estavam no Brasil, com essa ausência, havia um vazio de poder em Portugal. Também no exército português a supremacia de Inglaterra era notória, já durava pelo menos há uma década, o povo via isso como uma tutela política, como uma humilhação. A Inglaterra significava para os liberais uma barreira ao progresso das novas ideias. Convém recordar que tanto em Inglaterra como em França, era o liberalismo que dominava, mas em França era radical, jacobino, em Inglaterra era um liberalismo conservador. O liberalismo português era de origem francesa.
No plano externo, foi a Constituição de Cádis em Espanha, chamada a «Revolução de Espanha», cujo artigo 2º dizia: «A Nação Espanhola é livre e independente não é património de nenhuma família nem pessoa», vê-se aqui um ataque ao absolutismo real, que influenciou depois a Constituição Portuguesa saída das Cortes.
Só em 1821, depois das Cortes legislarem é que foi extinto o Conselho Geral do Santo Ofício e as Inquisições, a Revolução Liberal terminou com essa instituição diabólica que durava há trezentos anos!!!.
Lisboa aderiu à revolução passados uns dias.
Porquê o Porto baluarte do liberalismo? A Inglaterra tirava grandes vantagens de ordem política e comercial na protecção que dava ao País. O tratado anglo-luso foi muito favorável a Inglaterra. Esta situação prejudicou a burguesia a partir de 1815, especialmente o comércio duriense, isto também foi uma das causas da Revolução. Antes disso, no século XVIII, a exportação de vinhos finos pela barra do Douro trouxe riqueza à cidade, abrindo-a também à cultura das luzes, chegavam lá ilustrações de França e Inglaterra, havendo muitos assinantes da imprensa estrangeira. No Porto havia também muitos clubes jacobinos que fomentavam a revolta.
Este pequeno artigo, é uma também pequena homenagem, mas sincera, que quis prestar ao Exército Português. Foi em 1820, pela primeira vez, que a força das armas impunha o destino político. A partir daí, até Abril de 1974, o Exército teve muita influência no desenrolar político de Portugal.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Tendo as populações da Raia abandonado as aldeias e os campos com as searas amadurecidas, Massena não teve outro remédio que ordenar aos seus soldados que fizessem a ceifa para assim fazer face à extrema penúria do seu exército.

Já o dissemos antes: há duzentos anos, nestes dias de Agosto, os campos de Riba Côa estavam pejados de soldados franceses, preparando-se para atravessarem o Côa e avançar decididamente em Portugal.
O exército anglo-luso aguardava a ofensiva na margem esquerda do rio, observando os movimentos dos franceses, mas não esboçando o mínimo movimento de auxílio à praça de Almeida, que estava cercada e era flagelada pelos canhões. As tropas de Wellington estavam nutridas, sendo abastecidas regularmente por comboios de víveres vindos do sul, porém o exército de Massena passava por enormes privações, subsistindo com dificuldade.
Quando os franceses entraram em Portugal para a terceira invasão, no final de Julho de 1810, estavam a meia ração de pão e biscoito e as doenças, motivadas pelo calor excessivo, dizimavam muitos soldados. Não se poderia prosseguir com a incursão sem ser resolvido o problema do abastecimento das tropas, pelo que o marechal francês decidiu reunir recursos, enquanto prosseguia com o cerco de Almeida.
Os campos estavam cobertos de searas doiradas, mas não havia quem fizesse a colheita, porque os portugueses levavam a preceito as instruções de Wellington e da Regência no sentido do abandono literal dos campos para dificultar a subsistência do exército invasor. O capitão Guingret, que comandava um batalhão do 6º corpo do exército de Massena, descreveu no livro «Campanhas do Exército de Portugal» as dificuldades resultantes dessa política de terra queimada: «Os habitantes fugiam constantemente quando nos aproximávamos; abandonavam as suas casas para se refugiarem no meio das montanhas ou no âmago das florestas. Levavam sempre consigo os seus pertences e provisões de toda a espécie; levavam também o gado e antes de fugir tinham todo o cuidado de esconder e enterrar, nos lugares mais difíceis, tudo aquilo que não podiam levar. Se a nossa marcha rápida ou imprevista não lhes deixava tempo para construir ou cavar os seus esconderijos, lançavam para os poços, nos charcos ou nos rios tudo o que podia servir para alimentar o nosso exército.»
Face à situação, Massena resolveu que os seus próprios soldados procederiam à ceifa, à malha, à moagem e à cozedura do pão para abastecimento do exército. Para tanto mandou vir das imediações de Salamanca todas as foices que foi possível reunir, distribuindo-as depois pelos soldados. «Cada regimento tinha os seus ceifeiros, os seus debulhadores, os seus moleiros e os seus padeiros», escreveu o General Koch nas «Memórias de Massena». E o empenho foi tal que os soldados gauleses se espalharam, em grupos, pelos campos da raia, em toda a margem direita do rio Côa, tornando-se em camponeses zelosos, de foices e de manguais em punho. Outros dedicaram-se a reparar os moinhos junto às ribeiras, que os portugueses haviam desactivado, e a construir fornos ou a recuperar os que tinha cada aldeia.
O coronel Nöel, chefe do estado-maior do 6º corpo do exército francês, contou também nas suas «Memórias Militares de Um Oficial do Primeiro Império», como se deram os trabalhos no seu sector: «Estando o trigo ainda por colher, tomo a decisão de o colher eu mesmo, bater, moer e confeccionar o biscoito. (…). Mando que recolham as foices junto dos camponeses e mando fabricar manguais aos operários de artilharia e aos correeiros do comboio militar. Apodero-me de um moinho e consigo fabricar um excelente biscoito. Os camponeses julgavam que ao recusarem-se às nossas requisições escapariam a isso. ».
A azáfama foi tal na angariação das provisões para a subsistência do exército que os trabalhos do cerco de Almeida, nomeadamente a construção da trincheira e a instalação das baterias de artilharia, não avançavam ao ritmo pretendido: «mais de metade dos regimentos estavam a ceifar as searas ou a trabalhar nos moinhos e nas padarias», revelou ainda o general Koch.
Paulo Leitão Batista

Susana Falhas, autora do Guia Turístico «Aldeias Históricas de Portugal» e Natália Bispo, da Casa do Castelo no Sabugal vão estar presentes esta segunda-feira, 23 de Agosto, no programa da TVI «Você na TV!» apresentado por Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira.

Manuel Luís Goucha - Cristina Ferreira - TVIAs aldeias históricas de Portugal e o concelho do Sabugal vão estar em destaque esta segunda-feira, 23 de Agosto, a partir das 10 horas da manhã, em directo no programa da TVI «Você na TV!».
Susana Falhas, da empresa Olho de Turista, vai dar a conhecer o Guia Histórico «Aldeias Históricas de Portugal» de que é autora. Natália Bispo, empresária responsável pela «Casa do Castelo» no Largo do Castelo do Sabugal vai falar sobre o «seu» espaço de cultura.
Natália Bispo vai ser portadora de diversas ofertas promocionais do Município do Sabugal e da Casa do Castelo constituídas por folhetos turísticos, gastronomia e artesanato dos territórios raianos.
Apresentado de segunda a sexta-feira, das 10 às 13 horas, por Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira «Você na TV!» é um espaço de entretenimento que privilegia a conversa e o envolvimento entre os telespectadores e público presente em estúdio.
O programa é, actualmente, líder de audiências no seu horário. A dupla Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira, com seis anos de convivência diária com os telespectadores, tem-se afirmado como uma referência incontornável no panorama televisivo nacional.
jcl

«Não desejo envolver-me em qualquer situação para lá do Côa… Não seria melhor que viésseis para o lado de cá, pelo menos com a vossa infantaria?» – Missiva de Lord Wellington ao general Craufurd, de Alverca (perto de Pinhel) em 22 de Julho de 1810.

Craufurd, o general inglês que comandava a divisão ligeira do exército aliado, com a missão de observar os movimentos do exército do marechal Massena, não satisfez o desejo de Wellington e, dois dias depois, sofreu as consequências. Batido pelos franceses, viu-se atirado para os barrancos do Côa, perdendo no combate 333 homens portugueses e britânicos.
O domínio do vale do Côa era considerado decisivo para qualquer manobra militar no tempo das Invasões Francesas. O major William Warre, ajudante de campo do marechal Beresford, explorou a região semanas antes da célebre Batalha do Côa, e deu conta da importância do rio na manobra militar.
«O curso do rio desde a sua confluência com o Douro até perto de Alfaiates em direcção à sua nascente, representa, devido aos grandes declives e ao solo rochoso das suas margens, uma barreira formidável para qualquer exército que procure avançar sobre Viseu, Celorico, Guarda ou Trancoso, a partir das imediações de Ciudad Rodrigo. Pode contudo ser contornado pelo Sabugal, e perante um exército numeroso a sua grande extensão constitui uma grande contrariedade, pois se qualquer parte da linha ceder o resto terá de retirar.»
O Côa teve de facto uma importância fundamental nas manobras militares da terceira invasão francesa, feita a partir de Almeida, com posterior retirada pelo Sabugal. Quando Massena avançou, Wellington protegeu-se por trás do Côa enquanto observava a movimentação dos franceses, que punham cerco à praça forte de Almeida.
Depois do fracasso da invasão, já na retirada, foi a vez de Massena se instalar na margem direita do rio, entre a Ruvina e o Sabugal, esperando aí conter o avanço do exército aliado.
Wellington, conhecedor da morfologia do terreno, escolheu o Sabugal para dar combate aos franceses, por saber que aí o rio não corre em vale escavado, podendo ser mais facilmente transposto a vau. Assim aconteceu a batalha do Sabugal, disputada na margem direita do Côa, no dia 3 de Abril de 1811, no lugar do Gravato. Essa importante e decisiva refrega com o 2º corpo do exército napoleónico, que ali não pode beneficiar no obstáculo que o rio constitui mais a jusante, levou à retirada dos franceses para Espanha.
Porém Massena deixara uma guarnição francesa em Almeida e, passado um mês, reorganizou o seu exército e decidiu voltar a marchar sobre Portugal em socorro da praça, fixando o objectivo de fazer recuar os anglo-portugueses para lá do vale do Côa. Em Ciudad Rodrigo dirigiu uma proclamação ao exército, a fim de lhe dar ânimo: «Soldados (…) dareis ao Côa, até hoje ignorado, uma celebridade igual à dos rios que na Alemanha e em Itália dizem e redizem osvossos triunfos».
Os franceses foram contudo travados na batalha de Fuentes de Oñoro, não conseguindo reentrar em Portugal.
Paulo Leitão Batista

Evoca-se agora o bicentenário da terceira Invasão Francesa, que se iniciou a 23 de Julho de 1810, com uma forte incursão da vanguarda do exército de Massena em terras portuguesas, junto a Almeida, e que terminou em 4 de Abril de 1811, após a decisiva Batalha do Sabugal. Por todo o País estão em curso, ou em preparação, iniciativas que evocam esse período terrível da nossa história.

Coube ao general Loison (o celebérrimo «Maneta»), à frente de 3000 homens de infantaria, apoiados por cavalaria e artilharia ligeira, comandar uma sortida de reconhecimento em território português, contornando o forte La Concepcion, parcialmente destruído pelos ingleses, e atravessando a fronteira em Vale da Mula.
No dia seguinte, 24 de Julho, o comandante do 6º Corpo, Marechal Ney, fez avançar mais soldados franceses para o território português e, passando ao largo da fortaleza de Almeida, deu combate às tropas do general Craufurd, que, contrariando as ordens de Wellington, se mantinha na margem direita do rio Côa, junto à ponte. A tropa inglesa tentou então a travessia para se concentrar na margem esquerda, em posição favorável, mas os franceses deram fogo e avançaram rapidamente, chegando-se a combater corpo a corpo.
Ney queria, num movimento rápido, impelir os anglo-portugueses para o escarpado onde o Côa corre, não lhes dando tempo para passarem a ponte. Mas Craufurd conseguiu colocar atiradores na margem esquerda do rio, que, bem posicionados, deram forte fuzilaria, assim cobrindo o movimento das colunas, que passaram o rio.
Com a Batalha do Côa o exército aliado recuou, desguarnecendo por completo a margem direita do rio, onde os franceses se movimentaram à vontade. Seguiram-se os trabalhos do bloqueio e do cerco a Almeida, com material pesado vindo de Ciudad Rodrigo. A praça defender-se acerrimamente, obrigando os franceses a cavarem fundas trincheiras e a instalarem baterias de artilharia para lhe abrirem brechas. Almeida capitularia a 28 de Agosto, após 12 dias de cerco e três de bombardeamento contínuo, que provocou a explosão do castelo, que servia de paiol, incidente tenebroso e fatal para os esforços de defesa.
Tomada Almeida, Massena ultimou os preparativos da a invasão, abastecendo o exército e concentrando todas as suas tropas na margem direita do rio Côa, entre o Sabugal e Almeida. O «Exército de Portugal», designação que Napoleão deu à força invasora comandada por Massena, apenas atravessou o rio Côa a 15 de Setembro, iniciando o movimento geral em direcção a Celorico com o intuito de atingir Lisboa pela estrada da Beira.
Durante o tempo em que os militares ocuparam a raia, o povo das nossas vilas e aldeias sofreu as atrocidades da soldadesca francesa. Face à absoluta falta de provisões, a população foi sucessivamente vítima de confiscos e rapinagens para abastecimento das tropas. Destacamentos de «forrageadores» percorriam as aldeias raianas em busca de cereais, carne, vinho, fruta, palha e feno. Surripiavam tudo o que encontravam e violentavam os que lhes fizessem a mínima oposição. Pelos campos da raia estava espalhado um exército de 60 mil homens e 15 mil cavalos, que tinha de ser alimentado todos os dias à custa da região.
Paulo Leitão Batista

Iniciamos aqui um novo «Arquivo Histórico» do Capeia Arraiana, dedicado às Invasões Francesas, com enfoque na terceira, que foi a que mais fez sofrer os povos da nossa região. Convidamos os leitores a enriquecerem este arquivo, enviando textos ou imagens relacionadas com as invasões.
plb

Após passagem pelas Livrarias FNAC chegou a vez da Casa do Castelo, no Sabugal, apresentar o livro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal.

GALERIA DE IMAGENS  – ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL  –  1-8-2010
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Após passagem pelas Livrarias FNAC chegou a vez da Casa do Castelo, no Sabugal, apresentar o livro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal.

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Após passagem pelas Livrarias FNAC chegou a vez da Casa do Castelo, no Sabugal, apresentar o livro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal. Reportagem da jornalista Paula Pinto da redacção da Local Visão Tv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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A apresentação do Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal está marcada para este domingo, 1 de Agosto, às 18 horas, na Casa do Castelo, no Largo do Castelo do Sabugal.

Apresentação Guia Turístico Aldeias Históricas Portugal - Casa do Castelo

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A Feira Franca no Largo do Castelo do Sabugal «acontece» no último domingo de cada mês. Excepcionalmente em Julho está marcada para este sábado, 31 de Julho, entre as 9 e as 19 horas. As duas próximas edições podem ser visitadas nos domingos, respectivamente, dias 29 de Agosto e 26 de Setembro. A organização é da responsabilidade da Casa do Castelo e conta com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, do Capeia Arraiana, da Rádio Caria e da LocalVisãoTv.

Feira Franca - Largo Castelo Sabugal - Casa do Castelo

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Os míticos «2 Cavalos» da Citröen passearam pelo concelho do Sabugal no passado dia 5 de Junho. Fotogénicos em todas as paisagens ficaram especialmente bonitos no largo do Castelo das Cinco Quinas no Sabugal onde os participantes foram recebidos e brindados com um Porto de Honra na Casa do Castelo.

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Natália Bispo

António Augusto Louro, nascido no Sabugal em 22 de Outubro de 1871, foi um proeminente republicano, a cujo movimento aderiu antes da implantação da República, assumindo-se também como maçónico e carbonário, em cujos movimentos ganharia especial notoriedade. Foi sucessivamente administrador dos concelhos de Torres Novas, Coruche e Alcanena e esteve especialmente ligado ao desenvolvimento do ensino em Portugal.

Filho de António Correia Louro e de Maria José Correia Louro, António Augusto Louro ficou órfão ainda criança, o que o levou a trabalhar desde muito jovem como praticante de farmácia. Do Sabugal seguiu para o Porto e depois para Lisboa, onde ingressou na Escola Médico Cirúrgica. Em 1891, apenas com vinte anos, sai diplomado em Ciências Farmacêuticas e casa no ano seguinte, o que o levou a viver para o Seixal, na margem sul do Tejo, instalando uma farmácia na Amora. Dali vai para Barrancos, no Alentejo, onde abre uma segunda farmácia e inicia actividades de natureza politica e cultural.
De regresso ao Seixal, em 1897, abre um laboratório e novas farmácias na Arrantela e na própria vila do Seixal. Embora de início tivesse aderido ao Partido Regenerador, tornou-se depois num republicano assumido. António Louro preocupava-se especialmente com o problema do analfabetismo, o que o levou a criar as chamadas Escolas Móveis e cursos para adultos. Em 1901 escreveu uma Cartilha Nacional e uma Gramática e Fonologia Portuguesa, pelos quais muitos adultos aprenderam a ler e a escrever. A sua preocupação e dedicação para com a instrução pública foram uma constante na sua intervenção social, que se prolongou após a implantação da República e se manteve nas diversas localidades por onde passou.
Escreveu artigos em diversos jornais da época e empenhou-se no movimento associativo, fundando o Montepio dos Operários e participando nas actividades da Sociedade Filarmónica Timbre Seixalense.
A sua farmácia do Seixal era um pólo importante da luta republicana, realizando-se ali reuniões frequentes, em que participaram figuras republicanas proeminentes como Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Arriaga, Miguel Bombarda, Brito Camacho e Luz de Almeida.
Presidiu à comissão que organizou a primeira Festa da Árvore em Portugal, realizada no Seixal, em 26 de Maio de 1907, na qual participaram centenas de crianças que cantaram hinos à Natureza e plantaram árvores.
António Augusto Louro esteve ligado à proclamação da República no dia 4 de Outubro no Seixal, Almada, Moita e Barreiro, onde aliás a mesma se assumiu um dia antes do que sucedeu em Lisboa e no resto do país.
Ainda antes da Revolução, António Louro ingressou na Maçonaria Portuguesa, onde ganhou notoriedade. Empenhado na expansão do movimento, fundou uma loja maçónica no Seixal, à qual agregou muitos «obreiros» de grande prestígio. Também se assumiu como Carbonário, lutando pelo ideal revolucionário e republicano e defendendo a separação do Estado e da Igreja.
Após a implantação da República António Augusto Louro foi viver para Alcanena, no distrito de Santarém. Em 1912 tomou posse como administrador do concelho de Torres Novas, com o apoio do Partido Republicano, do qual era militante activo. Em 1913 passa a exercer essas mesmas funções no concelho de Coruche, mas mantém a ligação a Torres Novas, onde funda o Centro Republicano Guerra Junqueiro.
Em 1918 lidera um movimento cívico e político em defesa da criação do concelho de Alcanena. A acção teve pleno êxito, sendo logo no ano seguinte criado o novo concelho, tornando-se António Augusto Louro no seu primeiro administrador. Fortemente dedicado a Alcanena, criou aí um corpo de bombeiros voluntários e a Associação de Beneficência e Instrução Autonómica através da qual se fundaria o Hospital de Alcanena. Em 1922 passa a exercer as funções de Conservador do Registo Civil de Alcanena.
Após a implantação da ditadura, em 1926, passa a fazer oposição ao regime. Integra vários movimentos oposicionistas e participa nas actividades do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e na campanha eleitoral do general Norton de Matos.
O ilustre sabugalense, republicano convicto e defensor da democracia, António Augusto Louro, faleceu em 1 de Agosto de 1949 em Alcanena.
Em homenagem ao grande defensor da instrução pública foi dado o seu nome à Escola Básica do 2º e 3º Ciclos do Seixal, agora sede de um Agrupamento Escolar. Foi ainda criado o Prémio Dr. António Augusto Louro, para destacar o aproveitamento e o comportamento de alunos, que pelo seu esforço e dedicação, empenho, exercício de cidadania e espírito de solidariedade, merecem ser alvo de distinção pela comunidade escolar.
Também em Alcanena e em Paio Pires (concelho do Seixal) há ruas com o nome António Augusto Louro, em homenagem ao ilustre republicano natural do Sabugal.
Paulo Leitão Batista

Foi o sabugalense José Dias, proprietário do restaurante Adega Típica Quarta-feira, em Évora, que me elucidou acerca da importância de António Augusto Louro, cedendo-me uma cópia de um artigo publicado pelo Grande Oriente Lusitano por ocasião de uma exposição temporária ocorrida no Museu Maçónico Português em 2005, designada «António Augusto Louro – um maçon há cem anos». Foi nesse artigo que colhi elementos para o texto que acima editei.
plb

Capeia Arraiana no Campo Pequeno. Vídeo de Paulos Antunes.

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A Praça de Touros do Campo Pequeno foi o palco da 32.ª Capeia Arraiana da Casa do Concelho do Sabugal. Edição da jornalista Paula Pinto e imagem de Marcos Prata da LocalVisãoTv (Guarda).

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A Capeia Arraiana voltou ao Campo Pequeno e os sabugalenses juntaram-se para conviver em clima de grande amizade.

GALERIA DE IMAGENS – 29-5-2010
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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A Capeia Arraiana voltou ao Campo Pequeno e os sabugalenses juntaram-se para conviver em clima de grande amizade.

GALERIA DE IMAGENS – 29-5-2010
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A Capeia Arraiana voltou ao Campo Pequeno e os sabugalenses juntaram-se para conviver em clima de grande amizade.

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A Capeia Arraiana voltou ao Campo Pequeno e os sabugalenses juntaram-se para conviver em clima de grande amizade.

GALERIA DE IMAGENS – 29-5-2010
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A Capeia Arraiana voltou ao Campo Pequeno e os sabugalenses juntaram-se para conviver em clima de grande amizade.

GALERIA DE IMAGENS – 29-5-2010
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Nos últimos dias carros de bois colocam-se em círculo formando a arena onde touros de raça serão lidados numa luta entre homem e animal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Nos carros toros de árvores darão a estabilidade suficiente para que as gentes da terra e arredores se dependurem neles e participem na tourada.
O largo, onde ainda ontem garotos jogavam à bola, é hoje a praça da lide.
Pela manhã chegam os animais. A camioneta é acompanhada por um bando de garotada que entre medos e fascínios vai gritando e pulando de modo a que os touros de olhos grandes e língua de fora urrem e urrem deixando os putos ainda mais empolgados.
Na praça já o forcão marca presença. Aquele «instrumento» de lide característico das touradas das terras do Côa, será manejado pelos rapazes da terra emprestando a esta tourada as características próprias da garraiada arraiana.
Os touros são despejados dentro das paredes do castelo, onde permanecerão até hora da tourada. Coração apertado, sentia sempre o medo da fuga de algum animal.
Nas horas seguintes as pessoas iam-se amontoando nos carros de bois e eu sentava-me no telhado de minha casa, onde em segurança assistia à união do homem contra a natureza.
Confesso aqui, que aquela luta nunca me deixou tranquilo. Sei hoje que a razão estava no facto da lide ser feita no largo em frente da minha casa e ter medo da possibilidade de ser visitado por algum daqueles selvagens touros.
Anos mais tarde quando já jovens adultos percorríamos as aldeias nos dias de verão para ver as garraiadas, começando logo pela manhã pelo encerro, descobri e senti, que estas manifestações de cultura local faziam e fazem parte da nossa identidade.
E por fazer parte da nossa identidade e por ser importante divulgá-la a Casa do Concelho realizará em Lisboa a XXXII Capeia Arraiana, onde muitos sabugalenses, numa união de saberes e quereres, numa crença colectiva, demonstrarão que o que faz genuinamente parte das culturas locais vencerá todos os obstáculos e continuará a manifestar-se através dos tempos.
Por isso é importante participar.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Apresentamos os cartazes alusivos às três primeiras edições da Capeia Arraiana no Campo Pequeno em Lisboa, organizadas pela Casa do Concelho do Sabugal, nos anos de 1978, 1979 e 1980.

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O primeiro cartaz, referente à Capeia de 4 de Junho de 1978, anuncia a novidade: «Acontecimento inédito em Lisboa». Em ilustração está uma fotografia captada numa tourada em Aldeia Velha, com o touro e os rapazes a pegar ao forcão em primeiro plano. Ao fundo vêm-se os espectadores nas calampeiras, formadas por carros de vacas carregados de lenha, à boa maneira das antigas touradas da raia.
Anuncia-se ainda que os touros são de uma «distinta ganadaria do Ribatejo», embora a mesma não surja identificada.
Em grande destaque está a referência à organização da Casa do Concelho do Sabugal e a colaboração dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, a que não é estranho o facto desta primeira capeia se destinar a angariar fundos para os bombeiros. Aliás, os bombeiros foram sempre presença assídua nas várias edições da tourada de Lisboa.
O segundo cartaz anuncia a capeia de 2 de Junho de 1979, tendo como ilustração uma fotografia tirada na primeira capeia e um desenho com um forcão e um touro. Este segundo cartaz acrescenta informação pertinente acerca do que constará o espectáculo: «Desfile dos toureiros com alabardas. Formalidades do pedido da praça. Forcão e tamborileiro.»
O terceiro cartaz, referente à capeia do dia 31 de Maio de 1980, não tem fotografia, apresentando antes o desenho estilizado de um forcão com os pegadores a desafiarem um enorme touro negro. Também este cartaz, à semelhança do do ano anterior, faz referência, em letra pequena, ao que compõe o espectáculo.
Os três primeiros cartazes das capeias de Lisboa têm um formato comum, com dimensões também similares e todos encimados com a referência ao Campo Pequeno como local de realização do espectáculo. Todos os cartazes contêm em nota de rodapé o aviso de que os «convites» podem ser adquiridos antecipadamente na Casa ou na sede dos Bombeiros do Sabugal, ou também, no dia da tourada, na praça de touros.
plb

Por ocasião da primeira tourada com forcão em Lisboa realizou-se um cortejo desde a sede da Casa do Concelho do Sabugal até à Praça do Campo Pequeno, no qual participaram os elementos dos corpos sociais, os rapazes do forcão e os Bombeiros Voluntários do Sabugal, a favor dos quais se realizou o evento.

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As três fotografias que agora editamos mostram o que foi o desfile que os sabugalenses fizeram em Lisboa no dia 4 de Junho de 1978.
Findo o almoço de confraternização na sede da Casa, o pessoal juntou-se na Praça do Areeiro e, formando duas colunas, seguiu pela Avenida João XXI até ao Campo Pequeno. A dar alguma solenidade ao acto seguiam as dezenas de elementos do corpo activo dos Bombeiros do Sabugal, que vieram até Lisboa para participarem na iniciativa.
O cortejo seguiu com muita alegria, mostrando a iniciativa e a dinâmica da gente da raia. Incorporada no desfile, seguindo entre as duas colunas, ia uma ambulância dos Bombeiros, de marca Peugeot 504, vinda de França, ostentando ainda a matrícula daquela nacionalidade, conforme se pode ver numa das fotografias.
Seria interessante voltar a realizar, por ocasião da Capeia Arraiana de Lisboa, um desfile similar ao que teve lugar há 32 anos. Haveria que trazer do concelho até Lisboa algumas associações culturais e recreativas, como a Banda da Bendada, grupos etnográficos, tamborileiros e até alguns cavaleiros, dando-se assim um novo esplendor à tradicional Capeia de Lisboa.
plb

No dia da primeira Capeia Arraiana em Lisboa, houve almoço de confraternização na sede da Casa do Concelho do Sabugal, reunindo os responsáveis da associação, os bombeiros do Sabugal e a rapaziada que durante a manhã disputara um jogo de futebol amigável com a Casa de Trás-os-Montes.

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O dia 4 de Junho de 1978, foi uma jornada memorável para os sabugalenses que residiam em Lisboa e se haviam juntado na formação da Casa do Concelho do Sabugal: pela primeira vez um forcão foi exibido na praça de touros do Campo Pequeno, iniciando-se assim uma iniciativa de convívio que se manteve até hoje.
Nesse mesmo dia, houve futebol durante a manhã, com uma partida disputada entre a equipa da Casa e a da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os sabugalenses venceram por um expressivo 7-0.
Ao meio-dia houve almoço na sede da associação, onde o presidente da Câmara Municipal do Sabugal também esteve presente.
As três fotografias que agora ilustram este momento histórico mostram as mesas dispostas, as mesmas mesas ocupadas e o pormenor de uma das mesas com os jovens fumando e ouvindo atentamente os discursos da praxe.
Findo o almoço os convivas abandonaram a Casa na Avenida Almirante Reis e seguiram em cortejo até à praça do Campo Pequeno, onde se realizou a Capeia Arraiana.
plb

A sede da Casa do Concelho do Sabugal, na Avenida Almirante Reis em Lisboa, foi pequena para acolher todos os que quiseram estar presentes na sessão de fados ali realizada há 32 anos, na véspera da primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno.

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Seguimos editando fotos alusivas ao ano de 1978.
O dia 3 de Junho foi intenso para os sabugalenses que aderiram às iniciativas da então jovem Casa do Concelho do Sabugal. Durante o dia decorreu o habitual convívio anual, iniciado em 1975, com um grandioso piquenique no parque do Seminário dos Olivais, que juntou centenas de pessoas. À noite houve fados e guitarradas na sede da Casa. A sessão foi longa e vivida com abundante alegria. Os fadistas eram amadores e oriundos da nossa região e de Trás-os-Montes.
Nesse fim-de-semana intenso realizou-se ainda, no domingo de manhã, um encontro de futebol entre uma equipa da Casa e outra da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Mas a maior iniciativa estava marcada para o domingo à tarde, na praça de touros do Campo Pequeno: a tourada com forcão, a que os organizadores chamaram Capeia Arraiana.
Numa das fotografias acima editadas pode ver-se o então presidente da Câmara do Sabugal, o Dr Lopes, de Vale de Espinho, que, acompanhado pelo vice-presidente da Casa, Adelino Dias, se dirige aos que nessa noite memorável foram assistir à sessão de fados.
plb

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se a derradeira transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso, onde fala da actividade do Hospital logo após a sua inauguração e descreve a sua acção enquanto médico.

Romeu Bispo«01.03.1940
Chegaram em meados de Fevereiro as Irmãs e abriu o Hospital com carácter definitivo. Nada de reclamo, nada de exibicionismo. Provisoriamente parece ter-se resolvido dentro da Comissão da Misericórdia que fizessem serviço os dois médicos do Hospital. Se houvesse concursos, com as respectivas condições, no Diário do Governo, ter-me-ia, talvez, resolvido a não concorrer, mas desta forma, sem saber se remunerado, se gratuito, não me pareceu razoável tomar deliberação contrária à opinião da Comissão da Misericórdia e assim entendeu também o Sr. Dr. José Batista Monteiro, que ficou fazendo serviço na enfermaria dos “homens”.
Quando os lugares sejam postos a concurso, a Comissão resolverá a escolha entre os concorrentes e até lá não se devem criar dificuldades a tão simpática e humanitária Instituição.

14.02.1945
Quasi cinco anos são passado sem escrever neste livro qualquer facto importante da história do Hospital da Misericórdia.
Manuscrito de Francisco Maria MansoDepois da nomeação provisória, minha e do Dr. José Batista Monteiro, entrou em acção a correspondência trocada entre a Misericórdia (Dr. Carlos Frazão) e a Direcção de Assistência de Lisboa
Para encurtar razões e discussões, a Direcção da Assistência informou que não podiam os médicos municipais serem nomeados para o Hospital, porque eram preferidos os médicos desempregados, isto é, sem lugar oficial. Não querendo de forma alguma ir de encontro a ideias tão “sociais” o Dr. José Batista e eu, resolvemos abster-nos de enviar os nossos documentos ao concurso e assim nos puseram termo a tantos trabalhos e canseiras. Da minha parte não sei se lucrei, se perdi. Amava o Hospital, que foi a dama dos meus pensamentos durante alguns anos. Ali, pensava executar operações cirúrgicas urgentes para as quais me considerava habilitado e nas quais me exercitei na técnica cirúrgica com o mestre Bissaia Barreto e donde saímos habilitados por cursarmos aquele, apenas 8 ou 10 estudantes e termos como programa toda a alta cirurgia. Pensei mesmo em voltar a cursar a cirurgia durante alguns meses para assim poder operar os doentes pobres, porque dos ricos não esperava ser cirurgião porque demais sabia que “Santos da porta não fazem milagres”.
Seja como for, a verdade é que muitos trabalhos me poupou a Direcção da Assistência recusando a nomeação.
Um dos primeiros doentes que foi morrer ao Hospital, foi o benemérito do mesmo Hospital, Sr. Pe. Joaquim Nabais Caldeira. Ali terminou os dias, não o podendo acompanhar na doença em virtude da minha exclusão, de médico, daquela casa.
O Concelho de Sabugal com 800 Kilómetros quadrados de superfície tem ainda poucos médicos e assim todos nos vemos assoberbados com trabalho, sendo o hospital uma forma de tratar doentes em conjunto que aumentariam ainda o nosso trabalho, para tratá-los cada um por sua vez, nos seus domicílios.
Actualmente e desde o início, por 1940, fazem serviço no Hospital os senhores Doutores Adalberto Pereira e José Gonçalves Pina
Os povos felizes não têm história e parece que sucede o mesmo ao Hospital.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

JOAQUIM SAPINHO

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