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A localização do Concelho do Sabugal deve ser entendida não como factor negativo, mas como um dos pilares de uma estratégia de desenvolvimento sustentada.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Numa recente visita aos Fóios a convite do José Manuel, seu Presidente de Junta, permitiram-me tomar contacto com um gigantesco mapa que se destaca na parede da recepção do Centro Cívico.
O mapa que reproduzo em anexo é em si mesmo de tal modo elucidativo que quase dispensava quaisquer comentários. No entanto não quero deixar passar esta oportunidade para, mais uma vez repetir aquilo que venho defendendo há muito tempo.

Em crónica escrita há perto de um ano, dizia então, e cito:
«(…) um modelo de regionalização que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.»

E o mapa a que me refiro, permite ter um olhar diferente para o posicionamento do nosso Concelho, já não enquanto um território isolado e em situação desfavorável face às dinâmicas regionais da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas enquanto parte integrante de uma realidade transfronteiriça que, em torno do complexo montanhoso Malcata/Gata, agrega quatro Unidades Territoriais – Sabugal e Penamacor em Portugal e Alto Águeda e Sierra de Gata em Espanha.
Percebe-se pela leitura deste Mapa, como podem ser estreitas as relações inter-fronteiriças: Batocas – La Almedilla; Aldeia da Ponte – La Albergueria de Argañan; Lajeosa – Navas Frias – Casillas de Flores; Aldeia do Bispo – Navas Frias;e Fóios – Navas Frias.
Mas percebe-se também como seria importante aprofundar as ligações das freguesias de Santo Estêvão, Casteleiro e Moita com o Meimão, o Vale da Senhora da Póvoa e a Meimoa, no Concelho de Penamacor, quer pela gestão comum da Reserva Natural da Serra da Malcata, quer do sistema de aproveitamento hídrico das águas do Côa.
Todos sabem que não sou dos que pensam que o desenvolvimento vai vir de Lisboa como os bebés vinham de Paris numa cegonha…
As realidades socioeconómicas deste conjunto de municípios são muito semelhantes e os problemas e desafios com que se defrontam muito idênticos.
Isolados pouco poderemos fazer. Em conjunto, estabelecendo estratégias de afirmação regional comuns, somos mais fortes.
A riqueza natural das Serras da Malcata e da Gata; o património histórico edificado; o património cultural; a gastronomia e o artesanato; os usos e costumes; a centralização relativa face aos principais núcleos urbanos da Região – Castelo Branco – Fundão – Covilhã – Guarda e Salamanca – Ciudad Rodrigo- Cáceres, eis outras tantas oportunidades de desenvolvimento.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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Mais um bom exemplo que nos chega do nosso vizinho Concelho de Almeida.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Decreto-Lei n.º 14/2004, de 8 de Maio, cria as Comissões Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI), as quais, entre outras atribuições devem elaborar o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI).
No cumprimento da legislação, a CMDFI de Almeida elaborou em 2007 o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Concelho, a cinco anos, o qual estabelece «um conjunto de orientações para a protecção e promoção da área florestal do concelho de Almeida, avaliando a sua vulnerabilidade a incêndios florestais e propondo a implementação de medidas e acções de curto, médio e longo prazo, no âmbito da prevenção e do combate, para a defesa da floresta contra incêndios florestais».
O Plano elaborado pretende estrutura-se segundo 5 Eixos Estratégicos:
1.º EixoAumento da resiliência do território aos incêndios florestais, promovendo a gestão florestal e intervindo preventivamente em áreas estratégicas;
2.º EixoReduzir a incidência dos incêndios, educando e sensibilizando as populações; melhorando o conhecimento das causas dos incêndios e das suas motivações;
3.º EixoMelhoria e eficácia do ataque e da gestão dos incêndios, articulando os sistemas de vigilância e detecção com os meios de 1.ª Intervenção; reforçando a capacidade de 1ª Intervenção; reforçando o ataque ampliado; melhorando tornando eficaz o rescaldo e vigilância pós rescaldo;
4.º EixoRecuperar e reabilitar ecosistemas;
5.º EixoAdaptação de uma estrutura orgânica funcional e eficaz, operacionalizando a Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios.

Entretanto e já em 2009 a CMDFCI de Almeida elabora o Plano Operacional Municipal, que define o Dispositivo de Defesa da Floresta contra Incêndios (DFCI), identificando de forma exaustiva os meios e recursos e a sua área e período de utilização; o Dispositivo Operacional e respectivas funções e responsabilidades; os procedimentos de actuação nos alertas amarelo, laranja e vermelho; a lista geral de contactos importantes; o sistema territorial de vigilância e detecção; os mapas de localização territorial dos meios de 1.ª intervenção, de combate, de rescaldo e vigilância pós-incêndio e depoio ao combate.
A dimensão destas crónicas não permite apresentar com maior detalhe todo o conteúdo destes Planos, os quais poderão ser consultados no site da Câmara Municipal de Almeida.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Mais um bom exemplo que nos chega do Concelho da Pampilhosa da Serra.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Concelho de Pampilhosa da Serra, com uma localização estratégica desfavorável, tem vindo a registar um progressivo decréscimo populacional e um aumento significativo da população envelhecida, o que, acompanhado pela elevada taxa de analfabetismo, pelo baixo nível de ensino, e pela excessiva tendência de terciarização da base económica local, resulta numa estrutura socioeconómica frágil.
Como resposta a esta situação desfavorável a Câmara Municipal optou por definir uma estratégia local sustentada, centrada na Inovação, Competitividade e Empreendedorismo (ICE), criando vantagens competitivas com base nos factores diferenciadores do Concelho e em parcerias estratégicas, e explorando eficazmente as oportunidades existentes, mandando elaborar o Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo (PD-ICE).
Aconselhando todos os interessados a consultarem no site da Câmara da Pampilhosa este documento, saliento somente alguns aspectos essenciais:
Visão Estratégica
Pampilhosa da Serra: um refúgio onde a paisagem e os recursos locais são fontes de inspiração, iniciativa e investimento.
Linhas de orientação estratégica
– «Desenvolver o Compromisso e a Responsabilização Cívica – Estimular a Apropriação do Concelho: o Concelho és Tu!», apostando em intervenções nas áreas da educação, da identidade, do empreendedorismo e risco e do tecido empresarial.
– «Valorizar os Recursos Endógenos Estruturando a sua Cadeia de Valor: da Qualidade à Inovação, Antigos Recursos, Novos Produtos», assente na transformação do sector florestal de antigo recurso a novo produto, estruturando a sua cadeia de valor e no desenvolvimento de novos produtos a partir dos recursos endógenos existentes.
– «A Grandiosidade da Paisagem como Fonte de Mais-Valias Competitivas: o Relevo Acidentado, a Extensão Territorial e a Diversidade como Novos Recursos Económicos», acreditando que «ser único é uma mais valia» e apostando no sector energético, na cinegética, no sector criativo e na astronomia, e criando a marca «Pampilhosa Lab uma paisagem ao serviço da Inovação».
Este Programa Director define depois um conjunto de 14 projectos mobilizadores da sociedade do Concelho da Pampilhosa da Serra e que concretizam as três Linhas de Orientação Estratégica definidas, aos quais, pela sua importância, prometo voltar numa outra altura.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Continuo a trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não me refiro nesta crónica a um Concelho específico, englobando antes um conjunto de 96 concelhos que, um pouco por todo o País, criaram até Setembro de 2009 os Fundos Municipais FINICIA.
Destaco que destes Concelhos, 7 pertencem ao distrito da Guarda – Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia e Trancoso; e 2 ao distrito de Castelo Branco – Penamacor e Proença-a-Nova.
O FINICIA é um Programa promovido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI), vocacionado para o apoio a projectos de forte conteúdo inovador, negócios emergentes de pequena escala e iniciativas empresariais de interesse regional.
Tem como objectivo central facilitar o acesso ao financiamento pelas empresas de menor dimensão, sendo um produto de crédito destinado ao apoio a projectos de investimento desenvolvidos por micro e pequenas empresas no concelho.
Um fundo FINICIA pretende:
– Dinamizar o tecido empresarial do Concelho;
– Estimular o investimento das Micro e Pequenas Empresas do Concelho;
– Melhorar os produtos e/ ou serviços prestados;
– Promover a modernização das instalações e equipamentos.
Um Fundo FINICIA assenta numa Parceria envolvendo obrigatoriamente o Município, o IAPMEI, uma entidade bancária e uma sociedade de garantia mútua, para além doutros parceiros locais e/ou regionais, tendo um capital social máximo de 500.000 euros, dos quais 20% pertencem à Autarquia e os restantes 80% à entidade bancária.
O financiamento a projectos de investimento através do FINICIA é limitado a um valor limite de 45.000 euros por projecto, dos quais 80% revestem a forma de empréstimo bancário de Médio/Longo Prazo, a juros bonificados e os restantes 20% são um subsídio reembolsável sem juros.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Inicio hoje um conjunto de pequenas crónicas onde pretendo trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Começo por Proença-a-Nova, localizada no distrito de Castelo Branco, com uma área de 395km² e 8849 habitantes em 2008.
Em 2005 teve início o Programa «PROGRIDE – Uma Comunidade, uma Família», tendo como entidade promotora a Câmara Municipal, entidade executora, a Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa e um conjunto alargado de 15 entidades parceiras: Município, Juntas de Freguesia, Centro Distrital da Segurança Social, Pinhal Maior – Associação de Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul, Centro Social Cultural Recreativo de Montes da Senhora, Centro de Dia de Peral, Santas Casas da Misericórdia de Proença-a-Nova e de Sobreira Formosa, CPCJ de Proença-a-Nova e REAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza Nacional).
No âmbito deste Programa foram desenvolvidas diversas acções, das quais saliento:
– Criação e dinamização de uma Ludoteca – A Bibliomóvel percorre as localidades mais isoladas do Concelho permitindo à população requisitar livros, DVD’s, jornais, revistas e consultar a Internet, tendo como objectivo que as pessoas mais afastadas e com difícil mobilidade tenham acesso à cultura e ao entretenimento;
– Unidade Móvel de Saúde – Tem como objectivo principal tornar a saúde mais «acessível» a uma população marcadamente idosa e geograficamente isolada. Constituída por uma carrinha medicamente equipada, a Unidade percorre as localidades do concelho realizando rastreios de glicemia, colesterol, triglicerídeos, tensão arterial e peso. Para além disso pretende ser um centro de aconselhamento e esclarecimento de dúvidas;
– Recuperação de Habitações Degradadas – Destina-se a dar condições de habitabilidade a famílias vivendo em situações degradantes e sem posses económicas para proceder às obras necessárias;
Banco de voluntariado – Tem como objectivo principal ser um espaço de aproximação entre os interessados no trabalho voluntário e as organizações promotoras do mesmo;
– Linha de Apoio Social – É uma linha gratuita que se encontra disponível 24 horas por dia e que tem como objectivo proporcionar a grupos desfavorecidos e geograficamente isolados um maior apoio;
– Banco Solidário – Recolhe bens doados pela população para posteriormente os entregar a pessoas carenciadas. Bens como electrodomésticos, alimentos, brinquedos, vestuário, etc.;
– Apoio a Associações – Faz o levantamento das necessidades em termos de equipamentos do Movimento Solidário e Associativo do Concelho, e cria condições para ultrapassar essas necessidades sem encargos para as Associações;
– Animação sócio-cultural – Tem como objectivo incentivar a vida colectiva, possibilitar o acesso ao lazer, à cultura, ao desporto e ao entretenimento, da população idosa.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A definição de um projecto de futuro para o Concelho do Sabugal não é, nem deve ser, uma tarefa exclusiva dos poderes políticos, antes devendo ser assumida por todos os sabugalenses.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Tenho vindo a defender, desde há largos, anos que se torna necessário e urgente iniciar um processo de reflexão estratégica centrada nas questões do desenvolvimento sustentado e sustentável do nosso Concelho e que deve conduzir à elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento.
Este é um processo que, apoiado numa equipa técnica experiente e capaz, deve ser amplamente participado por todos, individual ou colectivamente, onde os agentes económicos, sociais, culturais e associativos terão naturalmente um papel fundamental.
Falando com o meu amigo e compadre Oliveira das Neves, homem com quem tenho trabalhado e cuja vida profissional tenho acompanhado muito de perto, chamou-me a atenção para o que se passava no Concelho de Peniche, onde desde 2007 se realiza anualmente a Convenção «Sou de Peniche», ponto de encontro de todos os que se sentem parte da comunidade penichense e querem participar no debate do seu futuro, aberto a todos os que naquele Concelho nasceram ou trabalham e a todos os que partilhando memórias e afectos com o território de Peniche e as suas gentes se consideram também associados ao seu destino.
Porque de boas iniciativas é que o nosso Concelho precisa e porque também considero que no Sabugal, como em Peniche existe um «patriotismo» sabugalense que nos impele a assumir compromissos com a terra que nos viu nascer;
Porque iniciativas como estas ganham novas dimensões quando têm origem na vontade das pessoas e das instituições colectivas,
Inicio, neste momento, o processo de angariação de vontades para a realização no 1º Semestre de 2010 da primeira Convenção «Sou do Sabugal».
Esta Convenção terá como objectivo pensar de forma colectiva o futuro do nosso Concelho, produzindo um conjunto de recomendações que serão entregues à Câmara Municipal como o contributo da chamada “sociedade civil” para a adopção de estratégias de desenvolvimento da nossa terra.
Claro que esta iniciativa que apresento a nível pessoal, só terá viabilidade de realização se a ela se associarem outras vontades, individuais e colectivas, públicas e privadas.
Existe um conjunto de questões de carácter logístico e de organização para as quais o querer de um não chega.
Por isso, aqui deixo o apelo a todos os que quiserem embarcar nesta aventura para me contactarem através do endereço electrónico.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A minha participação cívica enquanto deputado municipal eleito para a Assembleia Municipal reger-se-á pelos princípios que venho defendendo há muitos anos de defesa intransigente do Concelho do Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Neste momento de início dos trabalhos de mandato vêm-me à memória os primeiros versos de um dos mais belos poemas de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa:

«O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.»

Copiando o poeta, permito-me dizer que haverá cidades, vilas e aldeias mais belas que a cidade, a vila e as aldeias do nosso Concelho. Mas nenhuma é mais bela que aquela onde nasci, onde cresci, onde estão as minhas raízes.
E estou certo que todos os deputados municipais, seja qual for o Partido porque foram eleitos, comungam do mesmo amor por estas terras do nosso Concelho, a todos unindo o desejo legítimo e profundo de tudo fazerem para, como diziam António Dionísio e o Partido Socialista no seu Programa Eleitoral:
– Transformar o Concelho do Sabugal num território competitivo e atractivo para nascer, crescer, viver, trabalhar, investir, envelhecer e visitar, promovendo de forma sustentada a qualidade de vida dos sabugalenses.
Para mim, enquanto deputado Municipal do Partido Socialista, a Assembleia Municipal não deve transformar-se num mero órgão de oposição política ao Executivo Municipal.
Mas não me peçam nunca para aprovar propostas que vão no sentido contrário das ideias que o Toni e o Partido Socialista apresentaram de construção de um Concelho do Sabugal desenvolvido e com futuro.
Continuo e continuarei a pensar que se perdeu uma oportunidade única para conseguirmos inverter um ciclo negro da história do Concelho, criando novas dinâmicas de intervenção e mobilizando um conjunto crescente de cidadãos e investidores para o combate da modernidade e qualificação.
Continuo e continuarei a pensar que a manutenção de um Executivo Municipal do PSD constitui um sério revês para o Concelho, pois iremos ter quatro anos de «mais do mesmo» e não sabemos se o Concelho aguentará mais quatro anos assim…
Continuo e continuarei a pensar que se vai agravar a situação de desertificação e de envelhecimento da população pois vai continuar a faltar ao Concelho do Sabugal uma cultura de progresso, criando condições e envolvendo todos – entidades públicas, associativas e privadas, individuais e colectivas -, num projecto de desenvolvimento do Concelho.
Mas, estou certo que o trabalho do Toni, do Luís Sanches e da Sandra Fortuna, enquanto vereadores da Câmara Municipal, e dos Deputados Municipais do Partido Socialista demonstrará aos sabugalenses que somos nós os portadores da esperança num futuro melhor para o Concelho do Sabugal.
E porque acredito que é possível, termino como comecei, citando Alberto Caeiro:

«Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…»

ps. Já estava esta crónica escrita, quando, em Sessão Extraordinária realizada no dia 30 de Outubro, fui eleito Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal. Após pesar os prós e os contras decidi, no entanto, manter este texto, pois não deixei de ser deputado municipal, nem deixei de pensar como penso. No entanto, esta nova situação obrigar-me-á a voltar ao tema na próxima semana.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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As questões do judaísmo em Portugal e no Concelho do Sabugal foram o mote para uma tarde memorável em que tive o prazer de participar na Casa do Castelo da Talinha e do Romeu.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A apresentação do livro «Breve História dos Judeus em Portugal» da autoria do Prof. Jorge Martins, foi o pretexto para que algumas dezenas de pessoas pudessem assistir a um acontecimento cultural memorável, pela qualidade do autor e dos intervenientes, mas, sobretudo, pelo conjunto significativo de informação que, para um leigo como eu, foi transmitida.
Ficou clara a importância das comunidades judaicas do Concelho do Sabugal (Sabugal, Alfaiates e Vila do Touro), referenciadas já em textos oficiais do Reino no século XIII.
Ficámos a saber que na Torre do Tombo estão já identificados 110 processos da Inquisição referentes a famílias judaicas do Sabugal.
Foram claramente afastadas dúvidas que houvesse sobre a autenticidade do «altar» judaico (HARON HAKODESH) da Casa do Castelo, após a aula de sapiência judaica ministrada por um proeminente membro da Comunidade Judaica de Belmonte.
Ficámos a saber que havia outro «altar» judaico de grande valor no Sabugal, por mim, que ia àquela casa desde que nasci, desde sempre conhecido como uma cantareira.
Ficámos, todos os presentes, perfeitamente convencidos da urgência em se estudar o judaísmo no Concelho do Sabugal, colocando esta parte da nossa história ao serviço do desenvolvimento do Concelho, pela sua importância enquanto mais uma valência turística.
Breve História dos Judeus em Portugal - Casa do Castelo - SabugalAo Carlos Alberto que trouxe ao Sabugal o Prof. Jorge Martins e à Talinha e ao Romeu que abriram as portas da Casa do Castelo, o meu sincero agradecimento pela tarde que nos proporcionaram.
Lamentavelmente, a Câmara Municipal preferiu não estar presente…

ps1. Mais uma vez os jornais publicaram a classificação das Escolas Secundárias Portuguesas. Têm o valor que têm, pois segundo cada jornal, assim a classificação das Escolas, ressaltando, no entanto, a classificação modesta da Escola Secundária do Sabugal e, no geral, das Escolas do Distrito da Guarda, o que me merece três considerações:
– Em primeiro lugar, salientar o esforço que os professores da Escola Secundária (muitos dos quais conheço pessoalmente), desenvolvem para, em situações nem sempre as mais favoráveis, transmitirem os conhecimentos aos alunos;
– Em segundo lugar salientar que muitos dos alunos gastam diariamente horas do seu descanso e de estudo no transporte diário de e para as freguesias do Concelho, com claras consequências a nível do aproveitamento escolar;
Por último, saliento o estado de relativa degradação em que se encontram parte das instalações da Escola, que necessita de urgente intervenção. Sabendo que é intenção da Administração Central passar todas as Escolas para a responsabilidade das Autarquias, medida que merece o meu acordo, considero que o Município do Sabugal não deveria aceitar essa responsabilidade sem que previamente o Governo efectuasse os trabalhos de beneficiação que se impõem.
ps2. No Largo do Castelo encontra-se em obras uma casa antiga, verificando-se a utilização de materiais que, claramente, nada têm a ver com o local (por exemplo, tijolo de cimento). Acredito que o resultado final esteja de acordo com o local, pois não me parece que o IGESPAR e a Câmara autorizassem outra coisa. Mas lá que o aspecto actual não é muito bom, não é…
ps3. Quase em jeito de adivinha. Quantos sabugalenses sabem onde fica o largo «Santa Maria de fátima» (não é gralha, a placa tem mesmo fátima com letra minúscula)?
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Durante cerca de dois meses interrompi este espaço por considerar que, eticamente, não devia manter a minha colaboração ocupando o primeiro lugar na lista do Partido Socialista candidata à Assembleia Municipal. Terminado o período eleitoral retomo esta minha ligação semanal, a qual reflectirá, como sempre, a minha opinião sobre a realidade do nosso Concelho.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»As eleições de 11 de Outubro tiveram como resultado a vitória do PSD e do seu candidato António Robalo e, consequentemente, a derrota do PS e do António Dionísio e a de Joaquim Ricardo e do MPT, para não falar do CDS e da CDU.
Em democracia o voto é soberano e se os eleitores sabugalenses deram a vitória a um determinado Partido, é porque cada cidadão que votou considerou que, face às alternativas que lhe eram apresentadas, esta era a que melhor serviam os seus interesses.
Tenho, no entanto, o direito de, democraticamente, pensar que se perdeu uma oportunidade de ouro para alterar o estado a que chegou o nosso Concelho.
Entre um voto na continuidade e um voto na mudança, a parte maioritária do eleitorado optou pela continuidade.
Pela minha parte manterei a posição de criticar o que considero mau e de colocar à discussão pública as minhas ideias, postura que norteará as minhas posições na Assembleia Municipal.
Estou certo que esta será também a posição do Toni, da Fernanda e do Luís enquanto vereadores eleitos do Partido Socialista.
Disse e repeti até à exaustão que um voto nas listas lideradas pelo Joaquim Ricardo podia ser um voto no escuro, pois não se sabia se, após as eleições, iriam colocar-se do lado da continuidade ou do lado da mudança.
A atitude do vereador eleito pelo MPT (Joaquim Ricardo?), nos mostrará o que na realidade pretendia esta candidatura.
Em democracia a vitória e a derrota são sempre o fruto do jogo democrático e são sempre prova da vitalidade do regime.
O PSD e o seu Presidente têm quatro anos para demonstrar que tinham razão e para transformar o Concelho do Sabugal num Concelho com futuro.
O Partido Socialista e os seus representantes na Câmara e na Assembleia Municipal têm quatro anos para mostrar que a razão estava do seu lado e que a derrota de 2009 foi, sobretudo, uma derrota do Concelho…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Caros Paulo e Zé Carlos. Durante cerca de 100 semanas mantive este espaço que pretendi fosse um pretexto para discutirmos colectivamente o futuro da nossa terra.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Desde o primeiro momento me declarei apoiante de António Dionísio (Toni) na sua caminhada para a Câmara Municipal do Sabugal. Mantive, no entanto, esta crónica semanal no pressuposto que era possível manter este espaço não o confundindo nunca com o período pré-eleitoral que já se vive no Sabugal.
Entretanto o Toni e a Comissão Política Concelhia do Partido Socialista honraram-me com o convite para liderar a lista candidata à Assembleia Municipal do Sabugal, convite que aceitei.
Embora não fosse obrigado a suspender esta minha colaboração e tal não me tivesse sido pedido por vocês, não me sentiria de bem comigo mesmo, nem com vocês os dois, nem com os leitores habituais do Capeia, se continuasse a escrever semanalmente.
Considero que desde o momento em que é pública a minha candidatura, estes escritos seriam sempre entendidos enquanto campanha eleitoral, o que lhes retiraria o objectivo que os norteava.
Lamento que outros não pensem assim e continuem (ou comecem agora) a escrever como se não fossem parte interessada, enquanto candidatos.
A partir de 11 de Outubro, e se vocês, Paulo e Zé Carlos, assim o entenderem, retomarei este meu contacto semanal.
Até lá, serei leitor atento, não me retraindo a introduzir os comentários que achar oportunos.
Até já.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Embora não possa dizer que tenha tido férias, continuo esta semana ainda neste ambiente, ficando-me por algumas notas soltas.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1.ª nota – Morreu o João Galo, sabugalense de gema, amante da sua terra como poucos e benfiquista até à medula.
Foi enterrado no domingo, acompanhado por algumas centenas de sabuglenses e de quadrazenhos. Aos familiares e, em especial ao meu amigo de infância João, seu sobrinho, os meus sentidos pêsames.
Há muitos anos, era eu pequeno, lembro o respeito com que um enterro era seguido, levando mesmo as lojas e os cafés a fecharem as portas e as pessoas a calarem-se à sua passagem. Claro que hoje são outros tempos e o corpo já não segue na «carreta» puxada à mão, mas mesmo assim caiu mal aquele jovem que, mesmo à porta do cemitério, encostado ao seu carro, comia, eu diria de forma provocatória, uma sandes!…
2.ª nota – Primeira segunda-feira de Agosto, muitos turistas deram com a cara na porta fechada do Castelo do Sabugal.
Sei que é sempre assim todas as segundas-feiras, mas não se podia abrir uma excepção no mês de Agosto? É que pelo que me disseram no local, os funcionários que abrem e controlam as entradas no Castelo não são funcionários públicos…
3.ª nota – Numa iniciativa de vários anos, no Verão, a rua principal (deixem-me chamar-lhe assim) do Sabugal encerra e os cafés e bares que ali existem montam esplanadas que a tornam num local aprazível para tomar um copo e conviver.
Mas como tenho este hábito de me levantar muito cedo, tenho de lamentar que nem todos os proprietários dos ditos cafés e bares tenham o cuidado de, na hora de encerramento, limparem o espaço público que ocuparam, o que tem como consequência que, na manhã seguinte, parte da rua principal esteja pejada de «restos» da noite…
Eu sei que alguns fecham alta madrugada, mas não podem esquecer-se que o chão que ocupam de noite não é deles, mas de todos, e se o interior do estabelecimento pode ser limpo quando quiserem, têm obrigação de limpar de imediato a rua pública que ocuparam, para que os sabugalenses possam usufruir da mesma na manhã seguinte.
4.ª nota – Sábado, dia 8 de Agosto, foi dado o primeiro passo para o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, com a assinatura entre o Presidente da Câmara do Sabugal e o Presidente da Direcção da Associação Humanitária da escritura de cedência de um terreno junto ao Complexo Desportivo. No convívio que a seguir se fez, foi possível ver o Ante-Projecto do novo Quartel.
Parabéns aos Bombeiros do Sabugal!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Os Bombeiros da Cidade do Sabugal estão de parabéns. Dia 7 de Agosto a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal atinge a bonita idade de 114 anos.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Nascida ainda no século dezanove, a sua história está umbilicalmente ligada à história do Concelho do Sabugal, constituindo hoje um motivo de orgulho para todos que vêem nos «soldados da paz» um dos esteios da comunidade sabugalense.
Desde muito novo me habituei a associar o barulho estridente da sirene com a saída apressada do meu pai para, junto com os outros bombeiros, responderem à chamada. Mais tarde, o assunto Bombeiros continuou a ser vivido em casa pois o meu pai ocupou sucessivamente vários lugares nos Corpos Gerentes da Associação.
Mais recentemente, foram os Bombeiros que se tornaram na companhia amiga dos meus pais, nas suas deslocações sucessivas aos Hospitais de Coimbra e da Guarda por motivos de doença.
Compreenderão assim como me orgulho hoje por, na senda do meu pai, ter sido eleito há mais de um ano para Presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária.
Ser Bombeiro Voluntário é algo que honra e enobrece quem aquela farda veste. Respeitar e apoiar os Bombeiros Voluntários é um dever de todos nós.
Por isso a passagem de mais um aniversário deve ser um momento de júbilo de todos os sabugalenses.
E este ano temos um presente especial.
Desde há muitos anos se torna necessário criar condições para que a Corporação de Bombeiros melhor sirva o Concelho.
Quem conhece o Quartel actual sabe das suas limitações quer em termos de espaço para as viaturas, quer em termos de condições para albergar os Bombeiros de serviço.
Há vários anos a Câmara Municipal decidiu entregar à Associação um terreno localizado junto ao Estádio Municipal para a construção do novo Quartel.
Motivos vários foram impedindo a realização da escritura de cedência do referido terreno.
Ultrapassados estes problemas, sábado dia 8 de Agosto será assinada na Câmara Municipal a escritura de cedência.
Penso que na pequena festa de aniversário que se realizará ao fim da tarde junto ao Quartel, será igualmente possível ver as plantas do novo Quartel.
Ainda resta muito caminho para andar, mas estes primeiros passos marcarão para sempre o centésimo décimo quarto aniversário dos Bombeiros do Sabugal.
Na década de cinquenta e de sessenta do século passado, quando os Bombeiros queriam angariar fundos, realizavam-se os célebres “cortejos de oferendas” que mobilizavam todas as freguesias e gentes do Concelho
Hoje, outras formas de angariação de fundos existem, mas a participação de todos é essencial.
Apoiar os Bombeiros na construção do novo Quartel é garantir a sua continuidade e, logo, garantir que os mesmos dirão presente quando deles necessitarmos…
Aos Bombeiros do Sabugal, ao seu Comandante Bogas, aos associados, aos Corpos Gerentes na pessoa do seu Presidente Luís Carriço, parabéns e que seja possível comemorarmos os 115 anos de vida no novo espaço onde possamos ver já o Quartel a crescer.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O acontecido no Hospital de Sta Maria em Lisboa com seis cidadãos que, por razões que ainda desconheço, correm o risco de cegar, e os depoimentos que vejo e ouço, leva-me a escrever esta crónica.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Sou miope desde praticamente a infância e há dois anos o meu oftalmologista propôs-me ser operado. Confiando no médico, lá fui uma sexta-feira à tarde a uma Unidade de Saúde particular ser operado a um dos olhos, tendo regressado a casa no mesmo dia.
No dia seguinte, sábado, fui observado pelo médico, estando tudo bem e vendo eu da vista operada sem óculos, pela primeira vez desde há várias décadas.
Domingo de manhã acordo cego da vista. Contactei o médico que, de imediato, me levou para o Hospital onde estive internado e em tratamentos cerca de duas semanas, após o que fui de novo operado, tendo felizmente recuperado 70% da visão.
E conto isto, porque durante aquele grave momento e mesmo agora, nunca me passou pela cabeça nenhuma destas hipóteses: Contactar os órgãos de informação; pedir uma indemnização à Clínica; pedir uma indemnização ao médico; ou, ainda, mudar de médico.
Será que estou errado?
É que o sucedido em Santa Maria coloca-me questões importantes e que passo a enumerar.
Quem e com que intenção passou a notícia para os órgãos de informação? (e sabendo hoje como isto resultou numa guerra comercial entre fabricantes de medicamentos…)
Qual a relação que os doentes afectados tinham com os médicos que os operaram? E que reacção tiveram estes médicos quando isto aconteceu? (a minha relação com o meu oftalmologista não foi afectada pelo que me aconteceu, saiu aliás mais reforçada, porque ele não me abandonou e desde o primeiro momento, mesmo sendo domingo, ficou do meu lado, garantindo-me todo o apoio técnico e, sobretudo, moral.)
Quem empurra as pessoas afectadas e os seus familiares a falarem desde já em indemnizações? (é que há organizações em Portugal como em todo o mundo que recebem à percentagem do total da indemnização conseguida).
Porque vivi na carne o drama que estas pessoas estão a passar, desejo-lhes que tenham a sorte que eu tive e que recuperem, pelo menos, os 70% que eu recuperei.
Aos médicos que estiveram e estão envolvidos neste problema só lhes peço que sejam bons tecnicamente, mas que, sobretudo, se envolvam emocionalmente com aquelas pessoas, e que saibam tirar as devidas ilações do que aconteceu.
E deixemos as questões das indemnizações e das responsabilizações para depois. É que já ouvi um depoimento que mais parecia querer dizer, «cego mas rico…».
Ou será que estou errado?

ps1: Morreu um amigo e uma pessoa bem conhecida de todos os sabugalenses – o Toninho Carteiro. Conhecia-o desde criança e sempre tive por ele uma grande consideração. A forma como ele e a sua mulher, a Dona Edite, souberam, apesar da doença grave que o Toninho, apoiar a minha mãe nas suas deslocações a Coimbra, são a prova de estarmos perante pessoas boas. Por isso o seu desaparecimento é uma má notícia… À Dona Edite e à restante família, permitindo-me destacar a Adozinda minha vizinha na Póvoa de Sta Iria as minhas sentidas condolências.
ps2: Não foi notícia em lado nenhum, mas no início deste mês um membro do Corpo de Bombeiros do Sabugal foi atingido por um fogo que combatia tendo ficado com queimaduras de 2.º grau num dos braços. Ao Jorge reitero publicamente os desejos de rápidas melhoras.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Os ingleses chamam a esta época de Verão a «silly season», que os brasleiros traduziram pela «estação da bobagem»…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»É a altura em que nada havendo para noticiar, chegam aos jornais e às televisões tudo o que vem à cabeça, desde os fenómenos do Entroncamento aos candidatos aos Livros de Recordes…
Parece que tal está a acontecer um pouco neste Blogue onde já vieram a terreiro desde as questões do homossexualismo, ao magno problema dos «escarradores» e do «respeitinho pela autoridade», passando por aquele tristemente célebre homem «que ainda usava ceroulas», mais conhecido por Salazar…
Felizmente estamos perto de eleições e o Blogue não tem descurado esta situação, e ainda bem…
Mas chegou também a minha altura de integrar o espírito da época e me afastar um pouco dos problemas reais do nosso Concelho. Mas, não conseguindo encontrar nada de verdadeiramente estival, decidi falar sobre isto…
O mundo que se vivia há quarenta anos não era, custe a quem custar, o que alguns tentam hoje fazer passar.
O capitalismo industrial mais retrógrado, associado a um capitalismo rural de terratenentes cujos lucros resultavam da exploração extensiva das planícies alentejanas e da sobreexploração das populações rurais, associado ainda à exploração desenfreada das colónias, este o cenário onde Salazar e os seus acólitos (incluindo o inenarrável Tomás), eram o garante da sobrevivência daquelas classes.
Ao cidadão comum (hoje podemos dizer assim pois naquele tempo este era um termo não muito bem visto…), pouco restava do bolo, e para mim chega o exemplo do meu pai que, gerente e guarda-livros do Grémio da Lavoura, tinha em 1974 um vencimento mensal de pouco mais de mil quinhentos escudos, obrigando-se a fazer escritas um pouco por todo o lado, para poder ter os filhos a estudar.
E éramos mesmo assim uma minoria os jovens que nos podíamos dar ao luxo de dizer que estudávamos…
O respeitinho era uma coisa para os pobres ou já esquecemos os colégios que havia pelo o País onde se metiam os filhos das famílias bem para serem controlados? Ou de outra forma, as jovens criadas engravidadas pelo filho do patrão? Ou já ninguém se lembra do célebre escândalo dos «ballet rose» que obrigou um certo ministro de Salazar a ser punido com o cargo de Governador-Geral de Moçambique.
Havia insegurança, mesmo que alguns queiram esconder isso, pois se não, para que eram as cadeias que havia em todos os Concelhos, incluindo o Sabugal?
E parte da insegurança que hoje se sente tem entre outras, origem nos bairros de lata que, curiosamente, têm a sua génese no regime derrubado em 1974… E só quem não viveu, como eu vivi, junto a um bairro da lata é que não sabe como na década de setenta a polícia não entrava nesses bairros que eram verdadeiras terras sem lei.
Claro que muita coisa mudou, a maior parte, penso, para melhor, alguma para pior. Para uns, a quem interessa louvar o «antigamente», tudo serve para denegrir a sociedade portuguesa actual.
Mas quando coloco o que está melhor num dos pratos da balança e o que está pior no outro, nem com todas as «águas-bentas», nem com a minha elevada miopia, consigo ver a balança a pender para o lado do pior.
Nem nesta época estival…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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A Associação de Municípios do Vale do Côa a que o Sabugal pertence apresentou recentemente o Plano estratégico de promoção turística do vale do Côa.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Tenho vindo a afirmar, e mantenho esta minha opinião, que a ligação Côa-Douro é uma ligação a manter, mas nunca será através dela que o Concelho do Sabugal se afirmará como um destino turístico a nível nacional e internacional.
Tal não significa, antes pelo contrário, que não se tire proveito de tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento das nossas terras, e por isso, a apresentação deste Plano pode ser vista como uma boa notícia.
Não podendo fazer uma análise muito detalhada do Documento apresentado pela Associação, limito-me a uma breve análise das propostas apresentadas em forma de Projectos Estruturantes.
Naturalmente, e reflectindo aquilo que tenho a vindo a dizer, uma parte significativa destes Projectos, pouco ou nada têm a ver com o Sabugal, antes se centrando nos Concelhos mais a jusante, onde se localiza o Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Museu do Côa.
No entanto, a importância para o Concelho de muitos dos Projectos propostos, depende, somente da capacidade que o Município tiver de se afirmar regionalmente e de impor a defesa dos seus interesses no seio da Associação.
Estão neste caso, por exemplo:
– a construção de um aeródromo na confluência da A25 e da A23 apontada para o eixo Almeida-Guarda (e porque não, Guarda-Sabugal?), onde o Concelho deveria ter uma palavra a dizer e que deveria levar a pensar nas ligações rodoviárias de aproximação àquela infraestrutura aeronáutica;
– a realização de eventos de âmbito internacional, referenciados apenas «em sede do Museu do Côa», porquê? Não é possível realizar este tipo de eventos também no Sabugal?
– a revitalização dos centros históricos e requalificação dos castelos medievais, restando saber quais os centros históricos e os castelos medievais do Concelho que serão objecto deste Projecto;
– o reforço das infra-estruturas e equipamentos de visitação – quais os pontos de visitação que serão considerados no Sabugal?
– a definição de uma carta gastronómica da região só com 3 ou 4 pratos – haverá algum tradicionalmente associado ao Concelho?
– a criação da Agência de Desenvolvimento e Marketing Territorial do Vale do Côa – que papel está o Município do Sabugal disposto a desempenhar neste Órgão? (e naturalmente, não me refiro aos actuais eleitos municipais, pois o seu mandato está a terminar…).

Como se percebe para mim o importante não é o melhor ou pior conteúdo deste Plano, pois já vi planos extraordinários darem em nada, e já vi acontecer coisas extraordinárias com maus Planos.
Importante, volto a repetir, é saber o que vai o Concelho do Sabugal fazer com este Plano.
E aqui não posso ficar de bem comigo mesmo se não colocar uma questão: o Documento agora divulgado é um Documento para discussão dos Municípios e dos cidadãos interessados, ou ele já foi aprovado?
É que este assunto, repito o que venho dizendo, é demasiado sério e importante para que a sua aprovação seja um mero acto de expediente, pensando, pelo contrário, que o mesmo merece ser amplamente discutido por todos os interessados.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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E, de repente, sabe-se que a COMURBEIRAS tem uma estratégia territorial de desenvolvimento! E como o Concelho do Sabugal pertence à COMURBEIRAS, então também estão todos os sabugalenses abrangidos pela tal estratégia, embora esteja certo que, à semelhança do que aconteceu comigo, ninguém sabia disto…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Mas vamos ao Programa.
Embora não tenha percebido bem qual é a Visão Estratégica, fica-se a saber que, e cito «Ao nível territorial, a adopção do modelo da tripla hélice assim o exige, dentro de um funcionamento articulado e estratégico, pois trata-se de catalisar o triângulo da competitividade territorial, cujos vértices contemplam a Ciência, a Indústria e o Governo».
E disto retiram-se, como áreas prioritárias de diferenciação: as especializações sectoriais; a cooperação; a competitividade; a e-mobilidade; e as rotas físicas. Lapidar, diria o sr. Inspector…
E das ditas áreas prioritárias de diferenciação, definem-se 5 Eixos de Desenvolvimento: Património Histórico, Turismo e Ambiente; Produtos do Território; Posicionamento Transfronteiriço; Inovação e Competitividade; e Coesão Social e Territorial.
E destes seleccionam-se 24(!) apostas estratégicas, tendo sido identificados, mas não apresentados, mais de 500(!) projectos.
Não cabendo no espaço desta crónica a apresentação das 24 apostas estratégicas, selecciono somente as que mais directamente terão a ver com o nosso Concelho:
1 – Aposta nos activos históricos medievais do Côa;
2 – Aposta na promoção do ambiente e recursos naturais;
3 – Aposta na interligação dos activos turísticos;
4 – Valorização dos produtos culturais;
5 – Valorização dos produtos de especialização tradicional;
6 – Reforço dos clusters tradicionais;
7 – Desenvolvimento do eixo logístico ibérico;
8 – Cooperação raiana e desenvolvimento transfronteiriço;
9 – Criação de clusters emergentes;
10 – Potenciação da especialização histórica;
11 – Infra-estruturas básicas de saúde, educação, água, saneamento e gás;
12 – Requalificação das acessibiliaddes municipais;
13 – Desenvolvimento de aldeias, vilas e cidades atractivas e com qualidade de vida.
Foi este em termos muito gerais o Programa que justificou que, no âmbito do POR Centro 2007-2013, fossem atribuídas à COMURBEIRAS competências para gerir 38,9 milhões de euros e foi, tendo em atenção este Programa que a Câmara Municipal do Sabugal inscreveu projectos que terão uma comparticipação de Fundos Comunitários de 3,6M€, com a distribuição que referi na crónica da passada semana.
Não quero neste momento questionar a qualidade deste Programa, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não levantasse aqui algumas questões que são motivadas por não ter descortinado nada sobre esta assunto nas Actas das Reuniões de Câmara e de Assembleia Municipal disponibilizadas no site da Câmara:
– Os vereadores da Câmara Municipal do Sabugal tinham conhecimento deste Documento?
– Este Programa foi discutido e aprovado em alguma Reunião de Câmara?
– Este Programa foi discutido e aprovado em Assembleia Municipal?
– Este Programa foi objecto de discussão pública?
E faço estas perguntas porque considero este assunto demasiado importante para ficar pura e simplesmente à decisão do órgão deliberativo da COMURBEIRAS, pensando, pelo contrário, que o Programa merecia ter sido amplamente discutido por todos os interessados.
E não me venham dizer, que era preciso apresentar o Programa para poder assinar o Protocolo com a CCDR…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Em finais do ano passado foi celebrado entre a Autoridade de Gestão do Programa Operacional da Região Centro e a Associação Intermunicipal baseada nas NUT III Beira Interior Norte e Cova da Beira, a que o Concelho do Sabugal pertence, um Contrato de Delegação de Competências com Subvenção Local, tendo como base um Plano Territorial de Desenvolvimento da COMURBEIRAS.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Na prática, o que isto significa é que a Autoridade de Gestão do PORCentro delegou na COMURBEIRAS a gestão do processo de aprovação de candidaturas a apresentar pelos Municípios e que, de acordo com a Minuta do Contrato a que tive acesso, atinge um valor de 38,9 milhões de euros, dos quais 34,4 a aprovar entre 2008 e 2010.
Uma análise da distribuição das verbas contratualizadas, permite perceber quais as prioridades da COMURBEIRAS. Assim:
– 20,9M€, 54% do total destinam-se a investimentos em projectos enquadrados no Eixo III – Consolidação e Qualificação dos Espaços Subregionais;
– 8,9M€ (23%), no Eixo I – Competitividade, Inovação e Conhecimento;
– 6,1M€ (16%) no Eixo IV – Protecção e Valorização Ambiental;
– 1,7M€ (4%) no Eixo V – Governação e Capacitação Institucional; e,
– 1,1M€ (3%) no Eixo II – Desenvolvimento das Cidades e dos Sistemas Urbanos.

Mas a leitura do Contrato permite detalhar um pouco mais a repartição das verbas disponibilizadas e perceber quais as mais significativas. Assim tem-se:
– Sistema de Apoio a Áreas de Localização Empresarial – 7,8M€ (20%);
– Mobilidade territorial (que inclui as estradas) – 7,5 M€ (19%);
– Equipamentos para a coesão local – 5,7M€ (15%);
– Acções de valorização e qualificação ambiental – 4,8M€ (12%);
– Requalificação da Rede Escolar de 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar – 3,8 M€ (10%);
– Património Cultural – 2,9M€ (7%);
– Sistema de Apoio à Modernização Administrativa – 1,7M€ (4%);
– Mobilidade territorial (mobilidade sustentável) – 1,1M€ (3%): e,
– Rede de equipamentos culturais – 1,1M€ (3%).

As informações de que disponho, permitem-me dizer que o Município do Sabugal contratualizou com a COMURBEIRAS a apresentação das seguintes candidaturas, no valor global de 3,6M€:
– Áreas de Acolhimento Empresarial e Logística – Ampliação do parque industrial do Sabugal – 0,24M€ (7%);
– Economia Digital e Sociedade do Conhecimento – Equipamento para o Pólo de Especialização Tecnológico – Níveis III e IV e Centro de Estudos de Jesué Pinharanda Gomes – 0,27M€ (8%);
– Mobilidade Territorial – Ligação da A23 à fronteira (passando por Sabugal e Soito) – 2,7M€ (75%); e,
– Acções de Valorização e Qualificação Ambiental – Requalificação de espaços ambientais públicos no concelho do Sabugal: Arborização da Av. 25 de Abril e da Av. Infante D. Henrique no Sabugal; Requalificação ambiental e paisagística do lugar do Calvário e do Largo de S. Sabastião e Recuperação Ambiental da Quinta da Colónia Agrícola Martim Rei (quinta pedagógica e campo de férias) – 0,34M€ (10%).

Ficamos assim a saber quais as prioridades que o conjunto dos Municípios da COMURBEIRAS apresentaram e, mais importante, as prioridades do Município do Sabugal.
Palavras para quê…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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O meu caro amigo e conterrâneo Kim Tomé vem defendendo de forma veemente a classificação da Capeia Arraiana enquanto Património Cultural Imaterial, posição com a qual estou de acordo e que agora pode e deve avançar.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Na verdade foi publicado no Diário da República, de 15 de Junho, o Decreto-Lei n.º 139/2009 que estabelece o regime jurídico de salvaguarda do património cultural, de harmonia com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada na 32.ª Conferência Geral da UNESCO, em Paris em 17 de Outubro de 2003.
Lendo o conteúdo deste decreto, percebe-se de imediato que a Capeia Arraiana pode vir a ser integrada no conceito de Património Cultural Imaterial, pois de acordo com o Artigo 1.º são consideradas como candidatáveis, entre outras, as práticas sociais, rituais e eventos festivos, classificação que, claramente, engloba a Capeia.
O processo de inventariação é naturalmente complexo e muito exigente, podendo ser apresentado pelo estado, pelas Autarquias Locais ou por qualquer comunidade, grupo ou indivíduo ou organização não governamental de interessados.
Está assim aberta a janela legal que permitirá classificar a Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, com as vantagens em termos de preservação e sobrevivência desta forma de cultura popular das nossas terras, mas igualmente como um contributo importante para o desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
Ao Kim Tomé a aos meus conterrâneos arraianos só posso dizer que podem contar comigo para integrar qualquer Grupo que queiram constituir para a preparação da Candidatura, colocando desde já ao vosso dispor, naturalmente de forma gratuita, a minha experiência profissional nestas áreas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Por certo alguns dos sabugalenses que costumam ler os textos que venho escrevendo para este blogue já começarão a estranhar que, de vez em quando, volte a este tema. Mas a verdade é que as hipóteses de candidatura a fundos comunitários no âmbito do Programa Operacional da Região Centro continuam a aparecer, sempre com o mesmo resultado, isto é, o Município do Sabugal não tem, infelizmente, apresentado qualquer proposta de investimento.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Desta vez está aberto um período de apresentação de candidaturas enquadradas pelo Contrato de Delegação de Competências com Subvenção Global celebrado entre a Autoridade de Gestão do POR Centro e a Comurbeiras, que passo a apresentar:
«SAMA – Sistema de Apoio à Modernização Administrativa» – podendo as Autarquias candidatar «Operações de qualificação e simplificação do atendimento dos serviços públicos aos cidadãos e às empresas», salientando-se: «criação de unidades móveis associadas à rede de Lojas do Cidadão»; «projectos conducentes à criação de balcões únicos de atendimento»; e «projectos de acesso do cidadão aos serviços públicos com o recurso à utilização das TIC»;
«Energia» – cobrindo iniciativas-piloto de valorização do potencial energético local e regional, que visem a promoção das energias renováveis e da eficiência energética, incluindo, por exemplo, a concepção e implementação de experiências-piloto de produção de energias renováveis com carácter demonstrador;
Economia Digital e Sociedade do Conhecimento – financiando projectos de criação e digitalização de conteúdos temáticos e desenvolvimento de conteúdos e aplicações científicas, educativas e culturais;
Sistema de Apoios a Áreas de Acolhimento Empresarial e Logística – financiando a construção de Infra-estruturas físicas de criação, expansão, qualificação e reconversão de AAE, inseridos numa óptica de coerência, racionalidade e complementaridade no seio da rede regional e supra-municipal de AAE;
Acções de Valorização e Qualificação Ambiental –nas áreas da requalificação ambiental e reabilitação do património natural e da gestão de Recursos Hídricos – Águas Interiores;
Património Cultural – nomeadamente, conservação, restauro, valorização ou reabilitação de monumentos, conjuntos e sítios arqueológicos, classificados ou vias de classificação nos termos legais em vigor e criação de centros interpretativos de património cultural e criação, remodelação e instalação de serviços de apoio ao visitante;
Mobilidade Territorial – financiando a construção/beneficiação de troços da rede municipal e de eixos supramunicipais que contribuam para organizar uma rede local de itinerários estruturantes, assim como a instalação de sinalização indicativa e de código a definir para conjuntos de municípios;
Equipamentos para a Coesão Local – que cobre investimentos em Equipamentos sociais, de âmbito supra-municipal: creches, lares de apoio, centros de acolhimento temporário, lares de infância e juventude, apartamento de autonomização, centros de apoio a imigrantes, centros de dia, lares de idosos, serviços de apoio domiciliário, centro de actividades ocupacionais, lares residenciais, residências autónomas e cuidados continuados integrados a pessoas dependentes; e em Equipamentos públicos específicos vocacionados para a promoção de serviços, actividades e recursos, sobretudo quando concorram para requalificar e animar o património construído ou integrem intervenções de regeneração urbana;
Mobilidade Territorial – de promoção da mobilidade sustentável e de modos alternativos de transporte (redes de ecopistas, ciclovias, pedonal, acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida, etc.), incluindo, por exemplo, a criação de corredores próprios uni ou multimodais.
Trata-se de um conjunto de Avisos de Abertura de Concursos, devendo as candidaturas ser entregues até 30 de Junho deste ano.
Estamos assim perante uma oportunidade de levar a cabo investimentos de grande importância para o desenvolvimento do Concelho e para a melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes.
Sabendo que Câmara Municipal conhece os investimentos possíveis no âmbito do Contrato estabelecido entre o POR Centro e a Comurbeiras, esta será, espero, mais uma oportunidade a não perder.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Defendi e defendo que as estratégias de desenvolvimento do Concelho do Sabugal e da Sub-Região onde se insere, devem apostar na cooperação transfronteiriça englobando os eixos urbanos Guarda-Covilhã-Fundão-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Por isso, as páginas centrais do Diário de Notícias do passado dia 2 de Junho, subordinadas ao título «Cidades da Raia Ibérica querem falar a uma só voz» não podem deixar de ser lidas como um sinal de alerta e de profunda preocupação.
Na verdade, do texto escrito pela jornalista Paula Sanchez, retiram-se conclusões muito gravosas para o nosso Concelho. Assim, percebe-se que:
– Se pretende criar, a norte, uma ligação privilegiada em torno da reactivação da linha férrea entre o Pocinho e Barca d’Alva, com ligação a Salamanca;
– Se pretende aprofundar a ligação Castelo Branco – Portalegre – Cáceres – Plasência, que há dez anos constituíram o Triângulo Urbano Ibérico-Raiano (TRIURBIR).
Como claramente se percebe, o Sabugal e a Guarda ficam entalados entre estas duas formas de cooperação transfronteiriça, das quais não retiram, antes pelo contrário, quaisquer benefícios.
Assim, o reforço da ligação ferroviária e das relações económicas entre Salamanca e o Norte de Portugal, retirarão a importância que hoje assume a linha da Beira Alta, perspectivando um eixo de desenvolvimento transfronteiriço que «esqueça» a ligação à Guarda.
Por outro lado, a aposta de Castelo Branco num eixo virado a sul (Portalegre), retira claramente importância ao eixo Guarda-Castelo Branco.
Estes novos dados não podem ser ignorados pois eles condicionarão de forma muito intensa o futuro do nosso Concelho.
Questões como:
(i) o reforço do papel do porto de Aveiro, enquanto lugar natural de saída/entrada de mercadorias do Centro de Portugal e do Centro de Espanha;
(ii) a modernização da Linha da Beira Alta e da sua ligação àquele porto, numa perspectiva de transporte de mercadorias;
(iii) a consolidação e afirmação transfronteiriça da Plataforma Logística da Guarda (PLIE);
(iv) o reforço das relações do Centro do País com o Centro de Espanha;
(v) a procura de pontos de encontro/colaboração entre a Guarda, a Covilhã, o Fundão (no seio da Comurbeiras), mas sempre tentando chamar a este grupo Castelo Branco, eis um conjunto de questões a que o Sabugal não pode ficar indiferente.
O futuro do Concelho não é viável se nos considerarmos uma ilha isolada. Somos parte de uma realidade mais alargada e, se formos actores activos e inteligentes, poderemos ter um papel fundamental no desenvolvimento desta Região.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Ter ou não ter uma ou várias «vacas púrpuras», eis um bom princípio para ancorar uma estratégia de desenvolvimento sustentado do nosso Concelho. (Actualização.)

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Existe um pensador norte-americano de nome Seth Godin de que gosto muito, e de quem me permito retirar este conceito de «vaca púrpura».
Diz então o autor que, e passo a citar: «Quando eu e a minha família atravessámos a França, ficámos encantados com as centenas de vaquinhas típicas dos livros de histórias que pastavam nos campos pitorescos, mesmo ao lado da auto-estrada. Não nos cansámos de olhar pela janela, maravilhados com tanta beleza. Porém, ao fim de 20 minutos, começámos a ignorar as vacas. As novas vacas eram iguaizinhas às vacas anteriores e o que antes nos parecia incrível tornava-se agora comum. Pior do que comum. Aborrecido. As vacas, depois de olharmos para elas durante algum tempo, são entediantes. Podem ser vacas perfeitas, vacas atraentes, vacas com uma personalidade fantástica, vacas iluminadas por uma bela luz, mas não deixam de ser entediantes. Mas uma Vaca Púrpura seria outra história. Seria bem interessante. A essência da Vaca Púrpura é que deve ser notável.»
Este é um texto verdadeiramente «notável», pois vem chamar a atenção para um princípio básico de quais devem ser hoje as palavras-chave de afirmação/êxito de um determinado produto, e no que a nós nos diz respeito, um território: a notabilidade e a diferenciação.
Vaca PúrpuraSaber descobrir a «Vaca Púrpura» do nosso Concelho, eis uma das fórmulas de inverter o actual estado de estagnação.
E exemplos não faltam no nosso País, de Municípios que souberam definir a sua «Vaca Púrpura»: a cereja no Fundão; o Museu do Pão em Seia (onde até há uma vaca de cor normal, a Serra da Estrela); a cortiça em Coruche; o chocolate em Óbidos; o Fluviário em Mora.
Aliás, em relação a este último caso, permito-me contar a história, por exemplar: Todos os sabugalenses que se deslocam do Sabugal para Lisboa conheciam Mora, pois por lá se passava na estrada velha, antes da A23. De repente, Mora ficou fora do mapa. Conta o seu Presidente da Câmara que contratou um Técnico a quem fez um único pedido: «Diga-me como coloco de novo Mora no Mapa.» Um dia, durante um almoço em Lisboa com aquele Técnico, este fala-lhe num aquário, mas num aquário diferente, um aquário de rio, um fluviário. E diz o Presidente que, de imediato percebeu a valia da proposta e logo ali ficou decidido avançar.
Haviam descoberto a «Vaca Púrpura» de Mora!
Claro que ter uma ideia notável e diferenciadora não resolve os problemas todos. Mas é também claro que se não encontrarmos a nossa «Vaca Púrpura», o Concelho do Sabugal não dará o salto.
E parece que é isto que muitos dos responsáveis políticos locais ainda não compreenderam.
Olham-se ao seu espelho mágico, afaga-lhes o ego a construção de mais uns quantos quilómetros de estradas (aquelas vacas normais do prado de Seth Godin), com alguns equipamentos (vacas iguais à de todos os prados/concelhos deste País), e vão-se lamentando quando alguém não reconhece a qualidade das suas «vacas»…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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O conhecimento da realidade de um território é a base essencial para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do mesmo.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Continuo hoje a análise dos dados estatísticos mais recentes (2006 e 2007), conforme constam do Anuário Estatístico da Região Centro – 2007, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em Janeiro de 2009.
No entanto, e antes de me debruçar sobre os indicadores do sector da Educação referentes ao ano escolar 2006/2007, dou conta de mais alguns aspectos da questão demográfica.
No ano de 2007 nasceram no Concelho somente 45 crianças, contra 303 sabugalenses falecidos, isto é mais de 7 óbitos para cada nado-vivo, o valor mais desfavorável da BIN, que tem uma média de 2,4 cidadãos falecidos por nado-vivo.
Passemos então ao sector da Educação.
Os indicadores mais importantes neste sector são:
Taxa de pré-escolarização – O Concelho tinha uma taxa de pré-escolarização de 81,1% (o que significava que somente 81,1% das crianças com idades entre os 3 e os 5 anos estavam matriculados neste ciclo de ensino) contra os 98,5% da média da BIN, e onde apenas Almeida apresentava um valor inferior;
Taxa bruta de escolarização – Ensino Básico – O valor registado de 123,8%, superior a 100, significa que frequentavam este ciclo crianças com idades superiores aos 14 anos, o que pode revelar um taxa de insucesso escolar muito elevada. Este valor é aliás superior à média regional (115,7%), e é ultrapassado mais uma vez apenas pelo concelho de Almeida;
Taxa bruta de escolarização – Ensino Secundário – O valor de 66,7% registado, mostra que 1 em cada 2 jovens com idades entre os 15 e os 17 anos não frequenta o Ensino Secundário. Somente Celorico da Beira com 53,5% apresenta um valor mais negativo que o do Sabugal;
Taxa total de retenção e desistência no Ensino Básico – 10,1% dos alunos do Ensino Básico registaram no ano lectivo 2006/2007 insucesso, valor superior aos 8,1% do total da BIN, apresentando os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo, Mêda e Pinhel valores ainda mais gravosos. Por ciclo, os valores são muito negativos sobretudo no 1º Ciclo (8,7% contra uma média de 2,9%), e mais favoráveis no que diz respeito ao 3º Ciclo (12,4% contra 14,4% de média regional;
Taxa de transição/conclusão no Ensino Secundário – Esta taxa que na prática mede o sucesso escolar dos jovens que frequentavam o 12º, tem um valor de 66,7%, que sendo positivo é, no entanto, inferior à média da BIN (73,2%), cabendo a Pinhel o único valor inferior ao do Concelho.
Os indicadores apresentados permitem aferir da capacidade que o próprio Concelho possui para criar uma população activa com formação de nível secundário, condição essencial para que um sector empresarial forte e moderno considere o Sabugal como um destino natural para a sua localização.
Um território onde um terço dos seus jovens não possui mais que o Ciclo Básico, não será nunca um território atractivo e competitivo a nível regional.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Tenho vindo a alertar para as hipóteses de candidatura a fundos comunitários no âmbito do Programa Operacional da Região Centro (POR Centro), às quais quase sempre o Município do Sabugal não tem, infelizmente, apresentado qualquer proposta de investimento.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Está agora aberto um período de apresentação de candidaturas que passo a apresentar.

Gestão Activa de Espaços Protegidos e Classificados
Trata-se de um Aviso de Abertura de Concurso, enquadrado pelo Contrato de Delegação de Competências com Subvenção Global celebrado entre a Autoridade de Gestão do POR Centro e a COMURBEIRAS, estando, naturalmente o Sabugal entre os Concelhos que se podem candidatar, até ao dia 30 de Junho deste ano.
As operações a financiar, obrigatoriamente enquadradas pelas tipologias que foram objecto de contratualização com a COMURBEIRAS, são acções de apoio à visitação, nomeadamente: caminhos, trilhos e rotas temáticas; sinalização e painéis, informativos e interpretativos; observatórios; infra-estruturas de informação e interpretação; suportes de comunicação e divulgação; centros de serviço ao visitante; natur-museus, relativos a temas magnos da conservação da natureza em Portugal; centros de interpretação e informação; e equipamentos de suporte a actividades de relação com a natureza.
As operações candidatas a financiamentos têm que apresentar um limiar mínimo de investimento no valor de 500 mil euros, sendo a taxa média de co-financiamento FEDER de 61,30%.
Estamos assim perante uma oportunidade de levar a cabo um investimento, naturalmente na Serra da Malcata, de elevada importância para o desenvolvimento do sector do turismo no nosso Concelho.
Estou convencido que conhecendo a Câmara Municipal os investimentos possíveis no âmbito do Contrato estabelecido entre o POR Centro e a COMURBEIRAS, esta será uma oportunidade que não será perdida, até porque não acredito que do outro lado da Serra, isto é, em Penamacor se esteja distraído.
Aliás, correcto, correcto, era as duas Câmaras apresentarem uma candidatura comum…

p.s. Sou há alguns anos fã incondicional de uma grande cantante mexicana, de nome Lila Downs. Domingo, dia 17, tive oportunidade de a ver actuar ao vivo num espectáculo único em Lisboa. Se não conhecem, comprem os seus discos ou vejam os seus vídeos na Internet.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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O conhecimento da realidade de um território é a base essencial para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do mesmo. Dou início, com esta crónica, a uma série de contributos para a caracterização do concelho do Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Inicio hoje um olhar sobre a realidade recente do Concelho, tendo como base os dados estatísticos mais recentes (2006 e 2007), conforme constam do Anuário Estatístico da Região Centro – 2007, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em Janeiro de 2009.
1 – Ponto de situação demográfica – valores absolutos
O Concelho do Sabugal tinha em Dezembro de 2007, 13.533 habitantes, o que significava um evolução negativa face a 2001 de -9%, perdendo em sete anos, 1.339 pessoas.
Por outro lado, e no que diz respeito à repartição etária da população, verificava-se que em 2007, os habitantes com mais de 65 anos, representavam mais de 35% do total (4.809), enquanto o total das crianças e jovens com idades inferiores a 25 anos era de 2.527 (18,7%), isto é havia praticamente 2 idosos por cada criança/jovem.
Uma análise regionalizada dos dados em consulta permite entretanto concluir que:
a) O Concelho continua a ser o segundo mais populoso da Beira Interior Norte (BIN), com 12,29% do total;
b) Entre 2001 e 2007 só o Concelho da Guarda viu a sua população crescer (+1%), o que contribuiu para que neste Concelho se concentrasse mais de 40% da população, contra 32,7% em 2001;
c) Nesta Sub-Região só o Concelho de Almeida registou uma evolução negativa superior à do Sabugal (-14%);
d) Embora não pertencendo à BIN, salienta-se o comportamento diverso de Penamacor (-12,9% entre 2001 e 2007) e o de Belmonte (+1,9% no mesmo período).
2 – Ponto de situação demográfica – índices demográficos
A situação verificada assume ainda aspectos mais preocupantes quando se analisa um conjunto de índices demográficos que dão uma ideia mais pormenorizada da situação.
2.1 Densidade de população – a distribuição da população pelo Concelho é muito dispersa, conduzindo a uma densidade de apenas 16,5 hab/km², muito inferior aos 27,1 verificados no conjunto dos Concelhos da BIN. Esta densidade só é menor em Almeida (13,9) e em Figueira de Castelo Rodrigo (13,1).
2.2 Taxa de crescimento efectivo – O Concelho possuía uma taxa negativa de -1,7%, quase o dobro da verificada a nível da BIN (- 0,9%), e só ultrapassada por Almeida (-2,6%). Embora a Guarda registasse igualmente uma taxa negativa de -0,2%, este é o Concelho com melhor desempenho no conjunto destes 9 Concelhos.
2.3 Índice de envelhecimento – O Concelho apresente um valor muito elevado de 423 (o que quer dizer que o nº de pessoas com mais de 65 anos é 4,23 vezes maior que o número de crianças com menos de 15 anos), valor que é o dobro do verificado no âmbito da BIN (214,3). Este é, aliás o valor mais elevado de todos os Concelhos, onde o valor mais aproximado se verificou em Almeida com 316,6.
2.4 Taxa bruta de natalidade – Não admira, assim, que este índice seja igualmente muito gravoso para o Concelho, com um valor de apenas 3,3 nados-vivos por 1000 habitantes, contra os 6,3 da BIN e os 4,5 de Almeida e da Mêda.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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A análise da factura da água de um conterrâneo que vive no Concelho, leva-me a afirmar, como diria o outro, «não havia necessidade…»

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Por vezes pagamos o que pagamos sem termos o cuidado de ler a factura que nos apresentam, e então se falamos de pessoas idosas, muitas vezes sem saber ler e escrever, ou com grandes dificuldades de visão ou mesmo de entendimento, o não ler a factura é quase certo.
Pego então num cidadão pensionista a residir sozinho no Sabugal, que consumiu durante um mês apenas dois metros cúbicos de água, o que significaria pagar, de acordo com o tarifário em vigor, 1,40 euros. No entanto, integram a factura mais 3 taxas – a Taxa de Disponibilidade no valor de 4,01 euros, a Taxa de Saneamento no valor de 0,68€ e por fim uma Taxa de Lixos de 1,11 euros.
Isto é, este idoso, cujo consumo de água é quase residual, paga 5,8 euros de Taxas Camarárias, o que representa quatro vezes o valor do seu consumo de água!…
Saliente-se aliás que todos estes valores eram em 2008 cerca de 2,9% mais baratos, ou seja, sofreram uma actualização muito acima daquilo que se prevê venha a ser a inflação deste ano.
Compreendendo que os cidadãos têm de participar financeiramente nos custos do Serviço Público, será correcta a forma como se estão a definir e a aplicar estas taxas? Numa altura em que tanto se fala de crise e de pobreza, será correcto cobrar 5,8 euros mensais a um idoso que, vivendo sozinho, tem um consumo de água tão baixo?
E quantos idosos sabugalenses estão nesta situação?
A título de exemplo, e consultando o tarifário dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Guarda, conclui-se que para o mesmo consumo (2 metros cúbicos), o valor da factura sem IVA seria de 6,05 euros, contra os 7,20 euros no Sabugal (cerca de 20% mais barato).
E não se entrou neste cálculo com tarifas sociais que na Guarda fazem com que até 10 metros cúbicos de consumo um pensionista cujo rendimento seja inferior a duas vezes a pensão mínima, pague o metro cúbico de água a 0,5 euros em vez dos 0,75 euros.
Como tenho repetidamente afirmado, a qualidade de vida das populações, com especial incidência nos idosos de recursos mais fracos, deve ser uma das prioridades dos responsáveis autárquicos.
E diminuir os custos fixos que os mesmos suportam mensalmente deveria ser um objectivo permanente.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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35 anos depois, ainda é 25 de Abril…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Madrugada ainda, sou acordado pelos meus colegas da Residência Universitária onde vivia, dando-me a notícia que havia um golpe de estado… Não vale a pena hoje falar do que foi esse dia, pois muito do que sonhara, ali estava concretizado e, sabia, nada seria como dantes.
Hoje interessa sobretudo perceber se valeu a pena, não tendo dúvidas que, da minha parte, a resposta é sim, sem hesitação.
E só quem não viveu os tempos da «outra senhora», ou quem tem memória fraca, pode ter outra resposta.
E isso é ainda mais claro no nosso Concelho.
Ou já esquecemos que em pouco mais de dez anos (década de sessenta do século passado), o Concelho perdeu perto de 60% da sua população que emigrou para França e Alemanha sobretudo?
Ou já esquecemos as nossas aldeias sem luz, sem água e sem esgotos?
Ou já esquecemos que os nossos idosos não tinham reforma, nem assistência médica, nem quaisquer descontos nos medicamentos?
Ou já esquecemos que não havia instituições de apoio à 3.ª Idade?
Ou já esquecemos o número reduzido de jovens que iam estudar e se ficavam, quando ficavam, pela 4.ª Classe?
Ou já esquecemos os tempos em que nas nossas casas (e falo por mim, que até era um privilegiado…), não havia frigorífico, não havia televisão, não havia máquinas de lavar roupa ou louça, não havia microondas, não havia…?
Ou já esquecemos que as famílias não tinham um carro, quanto mais dois ou três?
Ou esquecemos os jovens que voltaram mortos ou feridos ou marcados por uma guerra?
Tanta coisa que mudou…
E hoje podemos ter uma visão crítica do que se passa, porque, felizmente, conquistámos muito…
Continua a haver desigualdades? Sim, continua.
Continua a haver ricos e pobres? Sim, continua.
A sociedade actual é a ideal? Não.
O Portugal de 2009 é o Portugal com que muitos sonharam em 1974? Não.
Mas quanto caminho andado…
E se hoje continuamos a lutar por uma sociedade melhor isso o devemos à geração de 74 e à sua capacidade de revolta e de luta.
Se alguma coisa devemos às mulheres e aos homens de 74 é esta insatisfação, mas é também esta democracia e esta liberdade que nos permitem lutar por um mundo melhor.
Negar isto, é negar o 25 de Abril.
Afirmar que Portugal hoje está pior que em 1974 é negar o 25 de Abril.
Mas é igualmente negar o 25 de Abril, não acreditar nas instituições democráticas resultantes desse dia.
Mas é igualmente negar o 25 de Abril não participar nas decisões colectivas, seja através dos actos eleitorais, elegendo e sendo eleito, seja pela participação cívica em formas de democracia participativa.
E porque acredito que construir Portugal é um dever e um direito de todos, termino como terminava o Programa do MFA: «0 Movimento das Forças Armadas, convicto de que os princípios e os objectivos aqui proclamados traduzem um compromisso assumido perante o País e são imperativos para servir os superiores interesses da Nação, dirige a todos os Portugueses um veemente apelo à participação sincera, esclarecida e decidida na vida pública nacional e exorta-os a garantirem, pelo seu trabalho e convivência pacifica, qualquer que seja a posição social que ocupem, as condições necessárias à definição, em curto prazo, de uma política que conduza à solução dos graves problemas nacionais e à harmonia, progresso e justiça social indispensáveis ao saneamento da nossa vida pública e à obtenção do lugar a que Portugal tem direito entre as Nações.»
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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A romaria à Senhora da Graça na segunda-feira de Pascoela é uma das tradições mais arreigadas nos habitantes da sede do Concelho, assim como os jogos de futebol do Sporting do Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»E como era natural, sabugalense que sou, voltei à terra e, embora não cumprindo com a tradição de comer a merenda na Senhora da Graça, ali fui em romaria na segunda-feira de Pascoela, feriado municipal.
É uma festa de elevada singeleza e de grande devoção face a uma das formas como os católicos se relacionam com a Nossa Senhora (Maria, mãe de Jesus).
Na prática resume-se a uma ida a pé ou de carro até à capela localizada a três quilómetros da cidade, a assistir à missa e acompanhar a imagem da Sra. da Graça numa pequena procissão em torno da capela..
A manhã começa no entanto com umas pataniscas de bacalhau e umas rodelas de chouriça, acompanhadas com um copo de vinho, oferta da Câmara Municipal e dos mordomos, costume que em boa hora os mordomos de há quase duas décadas (penso que na mordomia do Presidente da Junta), recuperaram. Posta a mesa na sala da casa do ermitão, perto da antiga capela agora desactivada, constitui um momento ideal para um convívio e uma confraternização entre todos os que ali queiram ir.
Infelizmente já não se vêem as famílias com as suas merendas, o que dava um colorido e uma vida àquele sítio, após a procissão, quando todos ocupavam os espaços livres nos pinhais e carvalhais em volta para almoçar.
Agora, e após as cerimónias religiosas a grande maioria dos romeiros ruma às suas casas ou aos restaurantes da cidade, poucos sendo aqueles que ainda mantêm a tradição de merendar na Senhora da Graça.
A Festa continua linda e permitiu encontrar os amigos de sempre, aqueles que guardamos no coração desde a infância e dos bancos da escola…

Senhora da Graça - SabugalE, claro, havendo futebol no domingo, fui ver o nosso Sporting (o do Sabugal evidentemente…), que jogava com outro Sporting, este da Mêda. Jogava-se o segundo lugar do Campeonato, e, talvez mesmo o primeiro lugar.
Jogo vivo no campo de treinos em terra batida, por impossibilidade de utilização do campo principal.
Para quem se lembra do antigo campo onde está a Praça e o Terminal Rodoviário, parecia ter-se voltado aos «heróicos» jogos contra a Guarda…
Duas equipas aguerridas e lutadoras, um público entusiasta, uma vitória suada e vingadora, mas merecida do Sporting do Sabugal. Suada porque desde a meia hora da primeira metade jogaram com menos um jogador e nos últimos vinte minutos com menos dois. Vingadora, pela exibição do árbitro que mais parecia alguns árbitros das Ligas maiores do futebol, tanto fez para prejudicar a nossa equipa.
No final, embora lamentando alguns excessos, os sabugalenses presentes fizeram sentir o seu repúdio pelo que tinha acontecido, mas souberam também aplaudir e encorajar os nossos jogadores.
Foi uma boa tarde de afirmação das gentes do Sabugal e, embora possa ser mal interpretado, não posso deixar de referir a diferença de comportamento das Autarquias. Do lado da Meda o Presidente da Câmara Municipal acompanhou o clube e deu a cara por ele durante o intervalo quando as coisas já estavam quentes; do lado do Sabugal, o Presidente da Junta de Freguesia (o Manel Rasteiro), um dos maiores entusiastas no apoio à equipa da terra…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Contam-se anedotas da China maoista sobre gatos que nos deviam fazer pensar…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A edição de 11 de Abril, do Diário de Notícias, relembrou-me uma anedota chinesa que reproduzo: Pergunta Mao Zhe Dong: «Sabem como se faz para um gato morder uma malagueta?» Responde de imediato Zhou En Lai: «Segura-se nele, abre-se-lhe a boca e mete-se a malagueta lá dentro», ao que Mao responde: «Não, isso é obrigá-lo e nós queremos que o gato morda na malagueta de livre vontade.» É então a vez de Zheng Zhiao Ping que diz: «Pega-se na malagueta, envolve-se numa deliciosa posta de peixe e, antes de o saber, o gato já mordeu a malagueta», o que leva Mao a dizer: «Isso seria uma intrujice, pois nós queremos que o gato saiba que está a morder a malagueta.» E perante a incapacidade de resposta correcta, Mao conclui: «É fácil. Mete-se a malagueta no rabo do gato. Ele não vai querer outra coisa se não mordê-la…»
Outra história é atribuída a Zheng Zhiao Ping ao dizer que «não interessa se o gato é branco ou preto. Importa que cace o rato…»
Se estas duas histórias têm uma moral, a mesma tem a ver com, por um lado, o pragmatismo que os dirigentes comunistas, a partir da década de oitenta, souberam ter, mas também da forma como souberam transformar as enormes potencialidades que tinham em outras tantas oportunidades de afirmar o seu país na cena internacional.
E, perguntarão os que ainda estão a ler esta crónica, o que é que isto tem a ver com o Concelho do Sabugal?
Permito-me então, dar dois exemplos:

1 – Biblioteca Pública
Em 1987 foi iniciado um Programa de criação da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), com o objectivo de dotar todos os concelhos do país de uma biblioteca pública. Desde essa data, foi dado apoio a 261 Municípios para a criação de bibliotecas, mediante participação financeira de até 50% dos custos de obra de construção civil, de aquisição de mobiliário, equipamento e fundos documentais, bem como de informatização.
Consulta-se a lista de Municípios apoiados e não se encontra o nome Sabugal…
Claro que me virão dizer que o Sabugal tem uma biblioteca muito melhor que as outras 261…
É a malagueta envolvida numa bela posta de peixe…

2 – Política de Cidades – Parcerias para a Regeneração Urbana
Um dos Programas mais interessantes do QREN tem a ver com a Política de Cidades.
Abriu a 6 de Abril mais um período de apresentação de candidaturas para a «Qualificação de pequenos centros com potencial estruturante do território regional».
Esta candidatura, no valor máximo de um milhão de euros, apoia investimentos que tenham como objectivos:
a) Qualificar e integrar os distintos espaços de cada cidade;
b) Fortalecer e diferenciar o capital humano, institucional, cultural e económico de cada cidade;
c) Qualificar e intensificar a integração da cidade na região envolvente;
d) Inovar nas soluções para a qualificação urbana.
O Sabugal é um das cidades da Região Centro que pode apresentar candidatura.
Nas últimas candidaturas o Sabugal perdeu por falta de comparência!…
Desta vez o rato irá salvar-se por falta de gato?…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Tendo deixado clara a minha posição sobre qual o modelo de regionalização que mais interessava ao Concelho do Sabugal, vou agora responder à questão que havia colocado a mim mesmo: a inserção numa Região territorialmente mais alargada não seria boa para o Concelho?

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»E para responder a esta questão devo, antes do mais, relembrar algumas realidades sem retorno:
1 – As dinâmicas de reorganização «regionalizada» da Administração Central conduziram à sua divisão pelas cinco NUTs II – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve;
2 – A filosofia de organização do actual Quadro Comunitário de Apoio (QREN) assenta em cinco Programas Operacionais Regionais, territorialmente coincidentes com as tais cinco NUTs II;
3 – Estão a ser definidas estratégias de desenvolvimento peninsular que, no nosso caso, se baseiam nos territórios Região Centro (Portugal) e Região Castilla y Léon (Espanha).
Isto é, nem sempre a realidade se adequa ao sonho…
E tenho algumas dúvidas sobre a possibilidade de hoje congregar os interesses dos Municípios da Beira Interior para uma defesa comum desta Região, bastando pensar no que se passou com a constituição da COMURBEIRAS à qual Castelo Branco não pertence, arrastando consigo os restantes Municípios que integram a Beira Interior Sul.
E não sendo uma Região que envolvesse os dois distritos, que outra poderia ser?
Tendo em atenção o que acabo de dizer, e na perspectiva de que a opção final seja a das cinco Regiões, considero que tudo deve ser feito para, na defesa do princípio que avancei na primeira desta série de crónicas de que «regionalizar significa tornar mais eficaz a governação e modernizar as organizações territoriais assentes num exercício de democracia de proximidade» garantir que:
– A estruturação da Região Centro atenda às especificidades subregionais, criando mecanismos de decisão democrática descentralizados, e onde a Beira Interior tenha uma palavra a dizer sobre as opções de desenvolvimento da mesma;
– Não se adoptem processos de decisão meramente assentes na relativa importância demográfica dos Municípios, o que significaria à partida uma clara dominância dos territórios litorâneos;
– Seja entendida a especificidade territorial desta SubRegião, quer no contexto nacional, quer no contexto de centralidade peninsular.
Terminando, quero deixar bem claro que o que acabo de dizer tem uma única leitura: Os interesses do Sabugal passam pela defesa da Região Beira Interior, mas que, se tal não for possível, a atitude é defender uma Região Centro onde o Concelho do Sabugal não deva ser um parceiro menor.
E isto, custe a quem custar, só depende de nós…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Terminei a crónica anterior afirmando que tudo se devia fazer para aprofundar a ligação às estratégias de desenvolvimento da Guarda, da cooperação transfronteiriça e do eixo urbano Guarda-Belmonte-Covilhã-Fundão-Castelo Branco.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Para isso, venho defendendo um modelo para a envolvente próxima onde o concelho pode e deve desempenhar um novo e mais importante papel, a dois níveis:
1.º nível – No âmbito dos distritos da Guarda e de Castelo Branco e na sua relação com os concelhos vizinhos e, essencialmente com os núcleos urbanos principais, perspectivando a participação numa área diversificada de valências sócio-económicas, e numa óptica de aproximação ao núcleo principal, constituído pelas cidades da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas igualmente aos concelho vizinhos de Belmonte e de Penamacor, integrando deste modo o núcleo líder do desenvolvimento da Beira Interior;
2.º nível – Na relação com Espanha, integrando um novo conceito de centralidade entre o litoral português e as regiões centrais de Espanha, na consideração de que o Eixo urbano Guarda-Castelo Branco e o Eixo Urbano da Raia Central Espanhola Salamanca-Plasência-Cáceres, constituem o «sistema nervoso» raiano e as espinhas dorsais de estratégias de desenvolvimento de todo de todo este território.
Percebe-se deste modo que um modelo de regionalização a que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.

Fica deste modo claro qual o modelo de regionalização que considero melhor para o Concelho do Sabugal e que, naturalmente envolveria os Municípios que hoje integram os Distritos da Guarda e de Castelo Branco, chamando-se Beira Interior ou tendo outro qualquer nome.
Tal significa que a inserção numa Região territorialmente mais alargada não seria boa para o Concelho?
Como o afirmei na primeira crónica, sim e não, como tentarei demonstrar na próxima semana…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Afirmei na crónica anterior que a inserção do Concelho do Sabugal na Região Centro poderia ser uma coisa boa e má…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A minha posição sobre esta questão baseia-se num conjunto de pressupostos cuja explicitação inicio hoje.
Em primeiro lugar vejamos o que o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território diz no que respeita ao nosso Concelho e Região.
A figura condensa um conjunto de elementos estratégicos para a Região, destacando-se:
– A posição geográfica estratégica nas ligações entre o Norte e o Sul e com a Europa, geradora de uma nova geografia de fluxos nos contextos nacional, ibérico e europeu;
– Uma rede urbana multipolar e estruturada em sistemas urbanos sub-regionais com potencial para sustentarem um desenvolvimento regional policêntrico, merecendo destaque, o eixo urbano Guarda–Belmonte–Covilhã–Fundão-Castelo Branco e o sistema de Viseu que inclui Mangualde, Nelas, S. Pedro do Sul e Tondela, podendo ainda considerar-se o sistema formado por Oliveira do Hospital–Seia-Gouveia;
– Os recursos hídricos e os recursos florestais;
– A paisagem e o património, que constituem recursos estratégicos pelas suas valias e singularidades.
– A consideração de dois grandes corredores de conectividade internacional – um a norte, a A25, outro a sul do referido Sistema Urbano, ligando a A23 a Espanha pelo IC31.
Numa análise mais fina, o PNPOT apresenta ainda um conjunto de propostas para a Sub-Região Beira Interior, que inclui a Beira Interior Norte, a Cova da Beira, a Serra da Estrela e a Beira Interior Sul, destacando-se, pela sua importância para o Concelho, as seguintes:
– Explorar o potencial do eixo urbano estruturado pela A23 (Guarda-Belmonte-Fundão-Covilhã-Castelo Branco), traduzindo-o num conceito de desenvolvimento policêntrico valorizador de sinergias e complementaridades num quadro estruturado de cooperação inter-urbana;
– Explorar a posição estratégica da Guarda nos eixos rodoviários e ferroviários para o desenvolvimento de serviços logísticos e para a localização empresarial;
– Apoiar as apostas da Covilhã de articular o pólo universitário com um pólo de localização de actividades mais intensivas em tecnologia e conhecimento;
– Assumir uma estratégia comum de afirmação territorial e de aprofundamento da cooperação transfronteiriça e de exploração das oportunidades decorrentes da ligação a Espanha;
– Suportar o dinamismo emergente nas pequenas vilas melhor posicionadas relativamente aos eixos de comunicação e favorecer a sua articulação com as principais cidades;
– Promover o turismo nomeadamente nas áreas de maior valia patrimonial ou ambiental: aldeias históricas, Serra da Estrela, Vale do Côa/Vale do Douro; (curiosamente o PNPOT ignora a Reserva Natural da Serra da Malcata…);
– Valorizar os projectos de regadio da Cova da Beira e Idanha.
O PNPOT parece assim indicar um claro caminho para o Sabugal – tudo fazer para aprofundar a ligação às estratégias de desenvolvimento da Guarda, da cooperação transfronteiriça e do eixo urbano Guarda-Belmonte-Covilhã-Fundão-Castelo Branco, posição que condicionará a opção sobre o modelo de regionalização que melhor nos servirá.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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Se regionalizar significa normalmente tornar mais eficaz a governação e modernizar as organizações territoriais assentes num exercício de democracia de proximidade, o modelo de regionalização a adoptar deve ser aquele que mais contribua para a concretização das estratégias de desenvolvimento de cada Sub-Região e Concelho, não permitindo a criação de umas quantas novas «Lisboas» centralizadoras, nem dando origem a situações de exclusão territorial no seio de cada Região.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Dito isto, devo confessar que não tenho uma posição claramente assumida sobre qual o modelo de Regionalização que melhor serve o nosso Concelho.
Em 1998 foram propostas a referendo oito regiões – Alentejo, Algarve, Beira Interior, Beira Litoral, Entre Douro e Minho, Estremadura e Ribatejo, Lisboa e Setúbal e Trás-os-Montes e Alto Douro.
O Sabugal integraria a Beira Interior que integrava os Distritos da Guarda e de Castelo Branco. Logo nessa altura houve Concelhos (Seia, por exemplo), que não estavam muito de acordo por considerarem que ficariam melhor numa região que alcançasse o Litoral.
Dados os resultados negativos do referendo, tudo ficou como antes, ou pior, pois um processo democrático de regionalização foi, na prática, substituído por uma regionalização burocrática assente nas Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
E deste modo, pouco a pouco a decisão sobre os modelos de desenvolvimento e as opções regionais foram centralizadas e coordenadas por Órgãos da Administração Central localizados no Porto, Coimbra, Lisboa, Évora e Faro, situação que foi sendo repetida para os restantes Departamentos, o que faz com, que hoje praticamente toda a Órgãos burocráticos, não eleitos, isto é, não emergindo da vontade das populações abrangidas, mas simplesmente Órgãos da Administração Central, com responsáveis nomeados por esta, à qual prestam contas e devem obediência.
Por isso a proposta agora colocada à discussão, de criar «Cinco Regiões» que coincidem com a divisão administrativa já existente, tem as suas virtualidades, ao permitirem criar órgãos decisores eleitos e como tal representantes dos eleitores de cada Região.
Isto é, qualquer processo que retire poder ao conjunto de «funcionários» do Poder Central que, sem qualquer legitimidade democrática decidem sobre as estratégias de desenvolvimento de uma parte do território nacional, e a transfira para órgãos eleitos e sujeitos ao escrutínio popular, será sempre um passo em frente para que as decisões tomadas sirvam verdadeiramente os interesses locais.
Dito isto, torna-se necessário perceber se uma Região que integra os distritos de Aveiro, Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco serve ou não os interesses do Concelho do Sabugal.
As respostas como tentarei demonstrar na próxima crónica é que não e que sim…

ps. Sabe-se, mas não se acredita… Durante o ano de 2008 houve necessidade de abastecer com água potável transportada em camiões cisterna as localidades de Abitureira, Azenha, Bendada, Caldeirinhas, Espinhal, Lomba, Malcata, Monte Novo, Penalobo, Quinta do Clérigo, Torre e Vale Mourisco. Se em algumas destas localidades isto resulta de situações pontuais, na sua maioria trata-se de situações em que não existe abastecimento aos depósitos locais a partir da rede da AZC, ou as captações locais não têm capacidade para abastecer a localidade em condições.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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A anunciada utilização do forcão nos Açores tem provocado um conjunto de reacções emotivas que me parece não nos tem permitido assumir uma atitude mais racional.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Vai a discussão ampla e argumentada a preceito, pelo que hesitei antes de decidir meter a minha colherada.
Do que li, vai haver brevemente uma festa nos Açores onde vai ser mostrado e, pelos vistos manejado, um objecto que tentará, no mínimo, imitar o forcão.
Mas também li que, como lá não sabem como utilizar o dito objecto, haverá uns «sabugalenses», que irão «ensinar» aos açorianos tal arte.
Porque me custa a acreditar que os mordomos daquela festa terceirense sejam uns «criminosos» que nos querem roubar a nossa cultura e identidade raiana, e um dos seus símbolos principais – a capeia e o forcão;
Porque não acredito ainda que os tais «sabugalenses» que vão dar explicações aos açorianos sejam igualmente uns «vendidos»,
faço as seguintes perguntas e sugestões:
1. Não seria possível estabelecer contactos com os responsáveis por aquela festa e tentar perceber o que verdadeiramente se passa?
2. Não seria possível saber quem são os sabugalenses intervenientes e perceber qual a sua ideia?
3. Não seria preferível tirar partido deste acontecimento e, em cooperação com os açorianos, preparar uma embaixada raiana que mostrasse aos terceirenses como é a nossa Capeia e aproveitasse para divulgar o nosso Concelho?
No meu entendimento pode aqui criar-se uma óptima oportunidade de todos ganharmos, e por isso, peço alguma contenção, algum bom senso e, sobretudo, muito empenhamento.
A Câmara Municipal, as Juntas de Freguesia raianas, o Concelho no seu todo devem olhar para este episódio não como uma ameaça à nossa cultura e identidade, mas como mais um momento de afirmação nacional das nossas terras e do que nos torna diferentes e únicos.
Como diz o Povo, as moscas não se apanham com fel…

ps. Uma pequena provocação: Quem terá sido o política da nossa praça sabugalense que produziu em público esta pérola, dizendo que «estava desapontado pelo facto de, possuindo o Estádio Municipal um equipamento como a Pista de Atletismo e (com) todo o material necessário se verifique a falta de utilização dos mesmos pelos munícipes»?
Estes sabugalenses são uns mal-agradecidos…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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A relação do agricultor com a terra é um acto de amor que deveria ser entendido enquanto tal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O meu sogro não é sabugalense, mas a sua vida confunde-se com a vida de muitos dos idosos do nosso Concelho.
Homem com quase oitenta e um anos, com doenças várias, algumas do foro oncológico, vive numa aldeia do Concelho de Castelo Branco com mais uma dúzia de pessoas.
Tem um conjunto de pequenas propriedades onde cultiva desde as batatas e couves que come, às laranjas e outras frutas, tendo também algumas videiras que dão o vinho suficiente para ele e a família beberem e mais algumas oliveiras donde tira o azeite que se utiliza nas refeições. É o que se pode chamar de um pequeno agricultor.
Dia de Carnaval, chegado à sua casa, vou ao seu encontro numa pequena vinha de um seu cunhado emigrante em França, que podava e onde enxertava castas brancas em algumas cepas tintas.
As dores nas costas obrigavam-no a parar amiúde, mas o seu amor à terra vindo do mais fundo de si era mais forte que as dores e rápido voltava ao seu labor.
O seu entusiasmo era tanto que de repente eu que nunca havia feito aquele trabalho me senti motivado para, sob a sua orientação, o ajudar.
Face a este puro acto de amor à terra, de um octagenário doente que, num dia de Carnaval, enfrentava as suas dores para tratar da terra a que sabe pertencer, percebi quanto estes homens são necessários ás nossas aldeias.
Não se trata, como ali ficava claro, de ter pena, mas de nos sentirmos orgulhosos da sua presença.
Não se trata de uma prática agrícola que visa, antes do mais, o lucro.
Trata-se de puro acto de amor que se traduz na preservação de um território que, sem eles, já há muito havia soçobrado.
A eles devemos o facto de as terras onde nascemos ainda existirem.
É uma geração que acaba, nada será como dantes quando eles desaparecerem, mas devemos-lhe um sentimento de gratidão imensa.
Tudo o que pudermos fazer para que eles continuem esta labuta de formiguinha não é uma benesse, é um dever.
Melhores condições de vida, acessos facilitados aos cuidados de saúde, apoios diferenciados, tudo o que pudermos dar a estes homens e mulheres é a nós que o damos.
Este é um tema que, estou certo, marcará a diferença entre os candidatos à Câmara Municipal já anunciados.
Não vai chegar deitar as culpas para o Governo, seja ele qual for.
Não vai chegar encher programas eleitorais com promessas de difícil, quando não impossível concretização.
Os nossos idosos merecem que lhes criemos as condições para que os seus últimos tempos entre nós tenham a maior qualidade possível. E que possam continuar a amanhar a suas terras como sempre fizeram…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Recentemente foram apresentadas uma estratégia e um plano de acção para o desenvolvimento de uma plataforma pragmática de cooperação transfronteiriça envolvendo a Região Centro de Portugal e a Região de Castilla y León de Espanha.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Tendo iniciado a apresentação deste Projecto na crónica anterior, apresento hoje, de forma sumária os restantes Projectos-âncora que o constituem.
3 – Projecto-âncora Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, visando criar uma rede de cidades sustentáveis nas duas Regiões, de modo a alcançar os seguintes objectivos:
(i) Avançar para uma gestão integrada do meio ambiente urbano;
(ii) Aumentar a consciência ambiental dos cidadãos;
(iii) Melhorar as condições de vida das cidades, tornando-as mais atractivas e favorecendo o desenvolvimento das suas economias.
4. Projecto-âncora Turismo, criando um «cluster atractivo regional» com base na integração dos recursos mais distintivos dos territórios,principais:
4.1. um Gabinete de Iniciativas Turísticas Centro-Castilla Y Léon; e,
4.2. um Observatório do Turismo Centro-Castilla Y Léon.
5. Projecto-âncora Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, visando criar um Sistema Regional de Inovação que, partindo da caracterização da situação de partida do Sistema Regional de Inovação de cada uma das Regiões, permita construir e actualizar de forma dinâmica uma plataforma de recolha, sistematização e disseminação/transferência de conhecimento e de tecnologia produzida no seio dos sistemas regionais de inovação destas duas regiões, potenciando o aproveitamento de oportunidades de cooperação entre as duas regiões ao nível da investigação e do desenvolvimento tecnológico.
6. Projecto-âncora Indústria. Comércio e Serviços criando uma Rede de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial que envolva os diferentes actores regionais públicos e privados e tendo como missão principal conjugar os esforços que ambas as regiões vêm realizando no âmbito do empreendedorismo, da incubação de empresas, da modernização estratégica e da internacionalização empresarial.
Este é um Documento estratégico da máxima importância, potenciador da criação de uma nova centralidade ibérica.
A localização do Concelho do Sabugal, ao mesmo tempo excêntrica e próxima do Corredor principal Aveiro-Guarda-Salamanca-Valladolid, impõe uma abordagem muito cuidadosa das estratégias de desenvolvimento a seguir nos próximos tempos.
Definir uma linha de rumo que nos afaste deste Corredor pode significar, a curto prazo, a manutenção ou mesmo o agravamento das condições de vida dos sabugalenses e dos processos de desertificação que se vêm verificando.
A hora é de decisões urgentes, mas é também a hora de acabar com decisões cujos fundamentos não resistem a uma mera confrontação com as dinâmicas regionais em definição ou já estabelecidas.
O Sabugal não é uma ilha isolada, e temos de apanhar a carruagem da frente do comboio do desenvolvimento regional. Ou então, ficar na estação a dizer adeus aos Concelhos vizinhos que souberam incorporar o pelotão da frente do desenvolvimento das regiões Centro e Castilla Y Léon.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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