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Se eu tivesse uma boa relação com a informática conseguia fazer como alguns colaboradores quando querem que se leia algo já em «arquivo», chamemos-lhe assim, bastando para isso um click numa palavra qualquer, mas como a minha relação é péssima, vou dizer-lhe querido leitor(a) que leia o meu artigo de 19 de Abril de 2011 – «As ideias têm um fim».

António EmídioDigo nesse artigo que muitas ideias políticas já fazem parte do cemitério da História, entre elas a Socialdemocracia. Convivemos com ela durante tês décadas, ou mais, foi durante esse período que a Europa Ocidental conheceu o seu progresso político e económico, e também o baby boom, um aumento explosivo da taxa de natalidade que teve o seu auge em 1964. A Socialdemocracia «monopolizou» a política e a economia da Europa Ocidental desde o final da Segunda Guerra Mundial até princípio dos anos 80 do século passado, mas com a queda do Muro de Berlim e posterior crise da esquerda, originada pelo desaparecimento do chamado Socialismo Real, surge a Globalização Económica com a sua ideologia Neoliberal, ou seja, a circulação de capitais por todo o Mundo, sem controlo, onde a concorrência se transformou em rainha e senhora da actividade económica, o Capitalismo Selvagem sem regras. Toda esta desregulação e livre concorrência ultrapassa os países, os seus governos e os seus parlamentos, sendo assim, a Socialdemocracia tornou-se impotente para controlar este Capitalismo Selvagem sem ética, mas se por acaso tentar reformar todo este estado de coisas, concorrência e desregulação, há uma perca de competitividade das empresas nacionais, ou seja, das dos países onde a Socialdemocracia tentar regular todo este caos económico, originando elevadas taxas de desemprego. A actual desorientação e confusão ideológica da Socialdemocracia vem daí, salários de miséria, ou desemprego, não há alternativa como dizia Margaret Thatcher. Recapitulando: baixos salários em nome do emprego, porque se uma empresa tem o azar de aumentar salários é logo ultrapassada por uma rival que aproveita para baixar o custo do seu produto, menos custos significam mais vendas e mais lucros, a empresa que aumentou salários vai ter mais custos e menos lucros, espera a maior parte dos seus trabalhadores o desemprego. Não é por acaso que os políticos conservadores, os social-democratas reciclados e os grandes empresários, passam a vida a falar na «cultura do esforço» e na «cultura do rendimento», retórica e cinismo, o que eles querem engrandecer com toda esta atitude heróica é a exploração e a intimidação de quem trabalha, Angela Merkel é perita nisto…
O capitalismo Selvagem sente-se ainda obstaculizado na sua luta pela vitória final pelos serviços públicos e pelos direitos dos trabalhadores, a Socialdemocracia sempre preservou os serviços públicos e garantiu os direitos aos trabalhadores. Mas os obstáculos que impedem o Capitalismo Selvagem da vitória são fáceis de resolver, quanto ao primeiro, vão ser-lhe entregues de mão beijada, através de privatizações, a saúde, o ensino, os transportes a segurança social e todo o que der lucro, quanto ao segundo, os direitos dos trabalhadores já não existem.
Quem se atreve pôr fim a isto? Vamos supor que uma força política, uma força de mudança ganhava as eleições num qualquer país da União Europeia submetido ao Diktat Neoliberal, ao Diktat alemão, começava por pôr cobro à violenta austeridade, não permitia o desmantelamento do Estado Social, regulava os mercados e governava para o bem estar de todos. Guerreavam essa força política até à sua destruição, os meios de comunicação social, o capital financeiro, a polícia, Bruxelas, Berlim a NATO e Wall Street, ou seja, toda uma estrutura nacional e internacional. Aliás, a chanceler alemã deu isso a entender quando se deslocou a Portugal, não recebeu os partidos da oposição, para mim esse gesto teve um significado, rejeição e marginalização pura e simples de quem não seguir o Diktat Neoliberal alemão.
Eu ainda recordo bem das primeiras vezes que usei o termo Neoliberalismo aqui nos meus artigos do Capeia Arraiana, chacota geral, hoje vou falar-lhe querido leitor(a) do «Ordoliberalismo», uma escola de pensamento político/económico, conservadora e tipicamente de direita, nascida na Alemanha nos anos 30 e 40 do século passado. Esta escola só se diferencia do Neoliberalismo clássico porque aceita uma certa regulação dos mercados, principalmente dos financeiros, potencia também o sector exportador em detrimento da procura interna, da subida de salários e gasto público. Tem como prioridade a privatização do sector público, põe a maior parte da economia nas mãos dos empresários, os salários são discutidos entre patrões e sindicatos, menos protecção social e, o Keynesianismo é considerado de esquerda, quase a rondar o comunismo. Diferencia também o «Ordoliberalismo» do Neoliberalismo o grau de austeridade para potenciar as exportações, ambos querem reduzir o deficit público do Estado procurando assim a confiança dos mercados, mas para os «Ordoliberais» é preciso um mínimo de estabilidade social, para os Neoliberais não interessa essa estabilidade, o prioritário é o deficit.
Assistimos então querido leitor(a) ao fim da Socialdemocracia, porque muitos partidos social democratas europeus já se reciclaram em «Ordoliberais», na Grécia, na Espanha, na Itália e na França, o discurso da Socialdemocracia já é este, em Portugal ainda é Neoliberal, mas tenhamos esperança! Dentro dele já se ouvem vozes «Ordoliberais»…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A comissão política concelhia do Partido Socialista do Sabugal emitiu um comunicado em que torna pública a sua posição em relação à extinção/anexação de freguesias do concelho, que transcrevemos na íntegra.

PSConsiderando que:
• O Poder Local democrático, indissociável da existência de órgãos próprios eleitos democraticamente, é parte da arquitectura do Estado Português;
• As autarquias, em concreto as freguesias, constituem um dos pilares da democracia Portuguesa;
• Estas freguesias têm as suas gentes, a sua origem, a sua história, a sua identidade, os seus usos e costumes;
• As Juntas de Freguesia têm uma importância fulcral para a melhoria da qualidade de vida das populações locais, tanto pela proximidade com os seus munícipes, como pela capacidade de dar resposta célere e eficaz às suas necessidades;
• A identidade coletiva, a coesão social, a história secular das freguesias agora extintas/anexadas não pode ser simplesmente “apagada”;
• A Constituição da República Portuguesa prevê mecanismos de criação e extinção de Freguesias, mas não figuras como a agregação, a reunião ou a aglomeração;
• A agregação de qualquer Freguesia significa a sua perda de identidade, contribui para a desertificação e acentua a perda da relação de proximidade que até aqui tem existido, enfraquecendo a coesão local. Trará menos eficiência e qualidade às populações, eliminará mais um serviço público fulcral e de proximidade que provocará mais despovoamento e desertificação dos territórios;
• A reorganização administrativa imposta pelo Governo ignora a “realidade social e económica, a natureza dos territórios e o enquadramento regional” e atende sobretudo a critérios economicistas;
• A proposta concreta de reorganização administrativa da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), está a deixar revoltados os Srs. Presidentes das Juntas de Freguesias e a População em geral.
Defendemos, por tudo isto, a manutenção das freguesias agora extintas/anexadas.

Consideramos pois, que o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Eng.º António Robalo, deveria interpor de imediato, no Tribunal Administrativo uma providência cautelar contra o parecer já emitido pela UTRAT.

Consideramos também, que os Órgãos Autárquicos, Câmara Municipal e Assembleia Municipal (na qual têm assento todos os Srs. Presidentes de Junta de Freguesia), deveriam pronunciar-se, uma vez mais, contra este parecer já emitido pela UTRAT e adotar novas formas de luta contra esta posição que demonstra grande desprezo relativo às populações das freguesias atingidas.
A Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Sabugal

No decurso da semana transacta o comando da GNR da Guarda deteve uma mulher por furto em residência e um homem por crime de tráfico de estupefacientes.

Guarda Nacional RepublicanaNa tarde de 17 de Novembro a GNR deteve na cidade da Guarda, em flagrante delito, uma mulher de 45 anos de idade, residente em Seia, por crime de furto em residência. A detenção ocorreu após uma chamada telefónica para a GNR a comunicar o furto de uma quantia significativa em dinheiro, de uma residência na cidade, onde a suspeita era empregada doméstica. Os militares lograram intersectar o veículo onde a mesma seguia, ainda próximo da referida residência. Após busca ao veículo foram encontradas no mesmo, de forma camuflada, 53 notas de 20 euros, perfazendo a quantia de 1.060 euros. A cidadã foi detida sendo-lhe ainda apreendido o carro e o dinheiro.
Presente ao Tribunal Judicial da Guarda, ficou com a medida coação de Termo de Identidade e Residência a aguardar o julgamento.
No dia 15 de Novembro, militares da GNR identificaram um homem de 30 anos de idade, residente em Seia, por crime de tráfico de estupefacientes. O suspeito já estava a ser investigado há algum tempo no âmbito de um Inquérito por tráfico de droga, a correr termos no Núcleo de Investigação Criminal de Gouveia. Em cumprimento de mandado de busca à sua residência, foram-lhe apreendidas três plantas de cannabis em estado seco, 3,73 gramas de cannabis e diversas sementes da mesma planta
O suspeito foi constituído arguido e os factos foram participados ao Tribunal Judicial de Seia.
plb

Na ideia de ligar o Sabugal à Auto Estrada da Beira Interior (A23), agora sujeita a portagens, o Município do Sabugal «esturrou» algumas centenas de milhares de euros na abertura de uma estrada por trancos e barrancos, que de um momento para o outro, já lá vão dois anos, mandou suspender.

«O que nasce torto tarde ou nunca se endireita», diz o povo na sua imensa sabedoria. O rifão aplica-se ao caso em apreço, que é um exemplo de lamentável delapidação de dinheiro público, comparável a tantos outros que contribuíram para a desgraça das finanças do Estado. Alguém sonhou e quando acordou avançou a colocar em prática os ditames do devaneio. Não tinha plano de acção nem promoveu a discussão prévia. Avançou de peito aberto, desprovido de qualquer estudo e absolutamente indiferente à necessidade de consensos.
Chamaram a Engenharia Militar para abrir a estrada, pensando que isso não comportaria custos dignos de registo. Porém coube ao Município arcar com as despesas de manutenção das máquinas, reparações, combustíveis, explosivos, deslocações. Quando se deu fé a factura de meses e meses a marcar passo já ia numa cifra incomportável. As verbas despendidas eram ademais irrecuperáveis por não sujeitas a qualquer programa de financiamento.
Face ao desperdício reconheceu-se o óbvio: o Município não possui meios para tal aventura.
As obras pararam e da dita estrada aberta por entre penedias, a poder de fogo e de caterpillar, não mais se ouviu falar. Impõe-se saber o que fazer, que rumo tomar, até por que há eleições à porta.
Damos a nossa opinião, como contributo para uma discussão que se deseja.
Ao invés de se navegar sem rumo nem horizonte, impõe-se colocar rigor na conduta. E o caminho é simples:
Elabore-se o projecto (com o devido rigor técnico). Cumpra-se a inclemência da lei, submetendo-o à avaliação do impacto ambiental. Remeta-se o processo ao governo, e solicite-se, fundamentando com o interesse regional e nacional, a inclusão daquela via no Plano Rodoviário Nacional. Só assim o Estado financiará a obra.
Entretanto, face ao impasse, há que definir outras prioridades para o concelho: a requalificação da estrada nacional para a Guarda (sede do distrito) e da estrada nacional para o Terreiro das Bruxas e dali para Caria (a nossa ligação actual à A23).
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

No meio das agruras da vida, ao Povo restou sempre uma veia de piada. Uma enorme vontade de viver e de não se deixar derrotar. E isso, o instinto da sobrevivência levado ao extremo e no dia-a-dia, é fundamental. O Povo tem mesmo uma grande, enorme vontade de ser feliz, de estar bem, de contrariar as agruras da vida, custe o que custar.

Muitos ditos populares têm por base a ironia, o sarcasmo. O bom humor anda sempre por ali, nos ditos, naquelas frases que me diziam quando era pequeno e que estão cá gravadas até hoje: as frases e as circunstâncias em que eram atiradas à criança que eu era. Mas há também os ditados muito irónicos e cheios de malandrice…
Se pensarmos que a maioria desses ditos vêm de tempos de grande dificuldade de vida, ainda nos admiramos mais.
Ditados e ditos. Acho que um ditado popular é um dito que se refere a situações pré-determinadas e que se constituem em regras de vivência e de sabedoria. Exemplo: «Pelo São Martinho, / Vai à adega e prova o vinho».
Um dito é em minha opinião uma frase que se baseia em estória antiga que nunca é contada mas que está por detrás de muitas dessas palavras que juntas numa sentença dizem tudo o que o autor quer dizer mas que muitas vezes em seu sentido profundo e em seu alcance mais lato escapam a muitos dos interlocutores – mas há sempre alguns que entendem muito bem. E, assim, a sentença ganha o dobro da força. As risadinhas e o sarcasmo rodeiam a «vítima».

Rebelhos
Primeiro dito de hoje:
– Este foi como o Manel Leitão a Rebelhos.
Era-me dito quando ia a um sítio sem objectivo ou se me enganava no que me pediam ou se me esquecia do que ia fazer.
Que história era essa, afinal, do tal Manel Leitão que terá ido a Rebelhos sem objectivo?
Parece que o rapazola era de facto muito bem mandado: fazia tudo o que lhe pediam, mesmo que se precipitasse e fosse fazer recados até antes de lhe dizerem o que era preciso ir fazer.
Então um dia alguém lhe disse:
– Ó Manel, amanhã hás-de ir a Rebelhos.
E pronto. Era preciso ir e ele foi.
Nem deu tempo de lhe dizerem o que devia ir fazer a Rebelhos nem ele perguntou.
Foi.
Do Casteleiro a Rebelhos são para lá de sete quilómetros, parece-me.
Foi.
E, quando lá chegou, é que se deu conta de que afinal nem sabia o que ia fazer.
Voltou ao Casteleiro e perguntou então o que é que tinha de ir fazer a Rebelhos…
Coitado…
A caminhada dupla e a estouvadice fizeram dele uma referência negativa: ir como o Manel Leitão a Rebelhos significou sempre na minha terra fazer primeiro e pensar depois, sobretudo se se tratar de uma caminhada.
Vai-se para o campo e não se levam as batatas para semear? È como o Manel Leitão a Rebelhos.
Chegava à minha madrinha (e avó) e não me lembrava o que ia buscar? É como o Manuel Leitão a Rebelhos…

Edital
Esta frase sempre a ouvi chateado, porque era dita quando fazia asneira da grossa e me dava mal com o resultado.
Exemplo: estar a tentar arranjar a bicicleta mas afinal acabar por estragar ainda mais.
Aí, ou me diziam aquela do «Não te metas a mordomo sem devoção».
Mas aquela sentença que mais vezes me lembra e que mais me incomodava: «Está um edital à porta da igreja: / Quem é burro, não o seja».
Já em tempos aqui escrevi quanto esta me irritava… talvez por me chamarem burro, mesmo que indirectamente.
Qualquer das duas sentenças é, como se vê, bastante irónica e bastante brincalhona. No fundo, trata-se de chamar a atenção de forma forte mas meio a brincar, como quem dissesse: «Tens de aprender à tua custa».
Mas ambas transmitem duas coisas que em meu entender são a base da filosofia popular: por um lado, a referência religiosa que é uma constante na vida rural daqueles tempos, por outro, a imensa vontade de sorrir no meio das dificuldades da mesma vida rural da mesma época…

Abafado
Agora, uma piada minha que nunca fiz vinho – mas vi fazer muito, e aguardente e jeropiga e abafado – tudo…
E agora até aprendi que se fazem de modo diferente e que é nessa pequena diferença que está a diferença. A piada, para mim mesmo, é eu falar disto como se soubesse do que estou a falar…
Já ouviu falar de jeropiga? E de vinho abafado? Você pensa que é a mesma coisa??? Engana-se.
É isso.
Neste São Martinho até deu para provar ambos…
E sabe qual a diferença entre as duas bebidas no fabrico artesanal?
Eu explico em resumo, pelo que perguntei e me responderam.
Quando se pisa a uva, começa aí um processo de fermentação. O líquido vai ferver. Depois de ferver, começa o processo de «consolidação» do vinho, que vai durar na pipa mais de mês e meio até ser provado.
Vindima-se em Setembro e prova-se o vinho pelo São Martinho.
Ora bem: antes de o vinho ferver, ou seja, logo que está pisado, mas sem que comece a fermentar, quem quiser fazer abafado ou jeropiga tira a quantidade desejada de mosto e envereda de um dos dois processos:
– Para fazer jeropiga: mistura-se o mosto com aguardente, na proporção de 3 para 1 (25% de aguardente), mete-se no pipo ou vasilha que se quer, espera-se um dia e tapa-se antes de ferver. Passadas umas semanas valentes, abre-se e… bebe-se com estalar de lábios…
– Para fazer abafado, é tudo igualzinho, mas com uma enorme diferença: tapa-se logo que se tira da dorna onde foi pisado. O resto segue igual: como fica logo tapado, ainda fermenta menos do que a jeropiga (jurpia, no linguajar do Casteleiro!…). Depois prova-se e… é de estalar a língua.
Há muito quem escreva que abafado e jeropiga é a mesma coisa. Há quem escreva: «vinho abafado, vulgo, jeropiga». Erro. São feitos de modos ligeiramente diferentes.

Imagens
Quem ler com atenção o artigo entende a selecção das seguintes imagens:
Procissão no Casteleiro.
Rebelhos, freguesia vizinha.
Uvas pretas e belas.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Ribeiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes duas aldeias anexas desta freguesia: Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO RIBEIRO

Ribeira era a margem não o curso
Da água sussurrando desde a fonte
A abrir por entre fragas o percurso
Traçado pela linha do horizonte

Ribeiro sempre foi, haja quem conte
Com mais ciência ou menos recurso
O veio de água que, descendo o monte
Venceu os irmãos em leal concurso

Sem ambições jamais será um rio
Mas cumpre o seu dever com todo o brio
Mesmo em Outubro de ano sequeiro

Que melhor trova ou sonorosa loa
Do que esta que por aqui se entoa
Não há Quinta igual á do Ribeiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CÃO DE VILA – indivíduo que habita na vila do Sabugal (dito em sentido pejorativo).
CÃO TINHOSO – Diabo. Cão afectado com a tinha (doença cutânea).
CAPACHO – estrado; peça circular de ráfia entrelaçada, usada como suporte do bagaço da azeitona, onde é espalhado e aguardará por ir à prensa. Clarinda Azevedo Maia traduz de modo diferente, em sinónimo de caçapo: ponta de chifre que o ceifeiro traz pendurada à cinta e onde mete a pedra de afiar a gadanha (Forcalhos).
CAPADA – rebanho de ovelhas; piara de gado.
CAPADO – bode ou chibo castrado – a que foram extraídos os testículos, com o fim de o engordar para matar. «Abate uma vitela e dois capados muito gordos» (Joaquim Manuel Correia ).
CAPADOR – homem que capa os animais; castrador. Montado mum possante macho, o capador assomava ao cimo da aldeia e soprava um apito para indicar a sua presença.
CAPADURA – pequeno corte em melão ou melancia, para verificar o seu estado.
CAPÃO – molho de vides cortadas na poda (Júlio António Borges).
CAPAR – castrar animais, cortar-lhes os órgãos de reprodução.
CAPAR A RIBEIRA – fazer saltar um seixo no cimo da água (Rapoula do Côa). também se diz capar a água (Célio Rolinho Pires). Joaquim Manuel Correia refere captar: «brincavam com as pedras finas de xisto, captando a água do pego».
CAPEIA – tourada arraiana onde se utiliza o forcão para desafiar o toiro – do Castelhano: capea.
CAPELA DO OLHO – pálpebra (Clarinda Azevedo Maia).
CAPELO – capuz de pano que protege a cabeça e o pescoço do apicultor das picadas das abelhas. Nevoeiro, ou névoa, que se forma no cimo dos montes. Clarinda Azevedo Maia apresenta um significado diferente: máscara de rede de arame usada para proteger a cara quando se tira o mel (Vale de Espinho).
CAPINDÓ – casaco curto e mal feito (Júlio António Borges).
CAPINHA – toureiro amador que, vindo de Espanha, percorria as aldeias da raia portuguesa a fim de estagiar nas capeias, exercitando-se com o sonho de um dia tourear numa praça. Ao capinha também se lhe chama maleta.
CAPUCHA – capa tradicional, com garruço que proteje a cabeça e o pescoço, muito usada pelas mulheres. À capucha: à socapa, às escondidas. «Mostrou-me então, à capucha, um saquitel que trazia» (Abel Saraiva).
CAPUCHO – costume da noite de Natal, em que os rapazes mais velhos, de cabeça encapuzada, afugentavam os mais novos (a canalha) para a cama. A designação provém do facto de ser costume colocar uma saca na cabeça. Capucho também designa um jogo tradicional – o jogo do capucho – em que um dos jogadores tapava a cabeça e tentava apanhar os companheiros que corriam à sua volta. Aquele que fosse panhado passava a ser o capucho e o jogo continuava.
CAQUEIRO – vaso de barro para flores; o m. q. caco.
CARABINEIRO – guarda alfandegário espanhol. Também designado por crabineiro. Os carabineiros eram geralmente mais severos no desempenho do serviço do que os nossos guardas-ficais, seus congéneres em Portugal, sobretudo com o chamado contrabando da barriga – aquele que se compunha por géneros alimentícios para consumo doméstico.
CARACHO – caramba (interjeição). Também se diz carache ou carago.
CARA DE CU À PAISANA – basbaque; ingénuo; anjinho. «À paisana» significa aqui ao léu, despido.
CARAMBOLA – monte de qualquer coisa, sejam, por exemplo, pedras, paus ou abóboras.
CARAMBOLO – jogo tradicional. Trata-se de um jogo de pontaria, em que se colocam de pé e em fila nozes, amêndoas, cascudos ou simplesmente bolotas. Os jogadores que se enfrentam iniciam com as mesma unidades e ficam com as que conseguem derrubar (Júlio Silva Marques).
CARAMELO – gelo; superfície de água gelada. Está tudo encaramelado. Também se diz caramelina: «está uma caramelina» (Joaquim Manuel Correia).
CARAMOÇO – carambola; montão de pedras; cabeço pedregoso. Júlio António Borges escreve caramosso.
CARANGONHA – cegonha (José Prata).
CARANTONHA – cara feia; careta. À carantonha: às cavalitas (Duardo Neves).
CARAPELA – bola de farrapos; péla. Jogo tradicional, também designado por jogo da pelota, em que os rapazes arremessam uma bola de trapos contra uma parede.
CARAPETEIRO – planta brava com espinhos.
CARAPETO – coluna de gelo na forma de estalagmite, formada da solidificação de águas que escorrem de lugares altos; o m. q. escarapeto. Espinho, pico: espetou-se-me um carapeto no dedo.
CARAPULO – componente do mangual: tira de cabedal que envolve a ponta da mangueira.
CARAVA – companhia; grupo de companheiros. Fazer carava.
CARAVELA – cata-vento para espantar pássaros. Também se diz cravela.
CARBUNCO – carbúnculo; doença que faz desenvolver insectos parasitas sob a pele. Também se diz cabrunco: «Que vos nasçam no corpo tantos cabruncos como de pelos tendes na cabeça, santarrões do diabo!» (Abel Saraiva).
CARCABIO – feijão – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CARCÁVIO – dente – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CARCHA – pedaço em que se dividem as batatas para cozer; talhada de melancia ou de melão. Clarinda Azevedo Maia traduz literalmente por batata, acrescentando ainda que o plural designa batatas cozidas com bacalhau (Lageosa).
CARCHAIS – ossos da cabeça do porco (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
CARCHANETA – risonho (José Prata).
CARCHANOLAS – castanholas; instrumento musical de duas peças de madeira, que se agitam com os dedos em concha. Nos Fóios eram assim designadas as matracas (Clarinda Azevedo Maia).
CARCHANOTE – salto. «Seguiam com os braços no ar dando carchanotes de feição» (José Pinto Peixoto sobre as danças populares).
CARCHANTADA – cabeçada (Adérito Tavares).
CARCHENTADA – dentada forte (Francisco Vaz).
CARCHO – pedaço de qualquer coisa: carcho de pão. Pequeno período de tempo: «se viesses à carcho comias connosco» (Júlio Silva Marques). Do Castelhano: cacho.
CARCHOILA – banco de madeira, onde as mulheres ajoelham quando lavam a roupa na ribeira (Adérito Tavares). Aumentativo de carcha (Júlio Silva Marques).
CARCÓDIA – casca de pinheiro. Também designa a faúlha (fanisca) que salta da casca de pinheiro quando arde (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo). Também se diz carcóvia.
CARCOLÉ – codorniz (Célio Rolinho Pires).
CARDAR – não fazer coisa de jeito (Francisco Vaz); andar na boa vida. Dobrar o corpo para com a cabeça coçar ou lamber o traseiro – referente a animais (Duardo Neves).
CARDENA – cabra de cor acinzentada (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
CARDENHO – casa pequena e pobre. Lugar onde pernoitam os cabritos ao serem desmamados. Também se diz cardanho. Termo usado na gíria de Quadrazais, traduzido por casa (Franklim Costa Braga).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Há cerca de uma semana fui contactado pelo meu colega e amigo Prof. Alberto Pinto, do Agrupamento de Escolas do Sabugal, para me informar de que estava programada uma visita de estudo a várias localidades e sítios da nossa bonita e simpática zona raiana.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaInformou-me que viria um grupo de cerca de vinte alunos acompanhados por quatro docentes como, na verdade, se confirmou.
Na qualidade de professor e de bom autarca, como me prezo, estou sempre de braços abertos para receber todas as pessoas que vierem aos Fóios. Neste caso concreto e a pedido do Prof. Pinto, foi com prazer e honra que recebi alunos e professores.
Chegaram ao Centro Cívico dos Fóios por volta das dez horas e depois de se ter tomado um café no bar do restaurante Eldorado fiz uma visita guiada ao Centro Cívico dos Fóios tendo o grupo ficado muito agradado, sobretudo com o museu «Nascente do Côa».
Já próximo das onze horas o autocarro da empresa «Viúva Monteiro» transportou o grupo até ao ponto mais alto do nosso concelho, a Serra das Mesas (1.256 m), onde a água já corre em grande abundância.
Apesar do dia estar um pouco ameaçador, em termos meteorológicos, o S. Pedro lá se lembrou de aguentar a chuva enquanto o grupo, muito animado e bem disposto, realizava a visita à nascente do Côa onde os alunos(as) tiraram bastantes fotografias para a prosperidade.
Depois de cumprida a visita o grupo passou de novo pelos Fóios, em direcção ao viveiro das trutas, em cujo restaurante os aguardava um saboroso almoço.
No final, o proprietário do viveiro, Sr. Antoine Tavares, fez uma visita guiada tendo alguns alunos pegado em canas de pesca para tentarem enganar algumas trutas que vivem na charca.
Confesso que gostei de ter acompanhado e colaborado com o grupo de professores(as) Kátia, Solanja, Virgínia, Jorge e com os alunos do CEF (Informática) e de Técnicas de Secretariado.
Venham mais vezes e contem sempre com a minha colaboração.
TURISMO É FUTURO.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Dizia-me um amigo meu que as melhores histórias são as histórias de vida, as histórias contadas na primeira pessoa.

O livro que acaba de publicar a editora Verso da Kapa, de Patricia Lopes, tem por título Missão – diário de uma médica em Moçambique. É um livro enternecedor e apaixonante. Lê-se de um fôlego. Quando se começa, dificilmente se larga. Está salpicado de histórias comoventes e coloridas, eivadas de um verdadeiro ambiente africano, e estou convencido que cada um dos leitores não se importaria de ter acompanhado a Dra. Patrícia Lopes nas suas viagens de voluntariado ao norte de Moçambique, para partilhar o entusiasmo desta jovem pediatra que se empenhava de tal modo no tratamento das crianças e jovens doentes, a ponto de ter feito uma transfusão de sangue de si próprio para salvar a vida de um menino que estava condenado a morrer. Nota-se uma grande paixão pelo povo macua, tão cheio de tradições ancestrais que o protegem, mas que também o subjugam.
Na sua redoma lisboeta, sentia-se sufocada pelo ram-ram de um curso de medicina demasiado distante das pessoas doentes. Jovem e intuitiva, pressentia ser a África o melhor terreno para pôr em prática o saber acumulado dos estudos de pediatria. A medicina tropical iria estudá-la no terreno, com o seu olhar clínico sempre atento, corroborado com o saber acumulado das irmãs da congregação religiosa de S. João de Deus, em cujo convento a Dra. Patrícia se alojou durante o seu trabalho de voluntária num hospital pediátrico em Iapala.
Entre ir para a prestigiada universidade de Harvard, onde tinha sido selecionada e anuir a um apelo humanitário em África, que a atraía num desejo de servir e de curar crianças necessitadas e, ao mesmo tempo a repelia pelo seu imaginário de florestas atravancadas de animais selvagens, de insetos repelentes, de cobras venenosas, em cima dos cajueiros, e de perigos em todos os cantos, preferiu lançar-se generosa e abertamente à escuta de uma outra cultura, dar do seu melhor a um país que quase a enfeitiçou, aprendendo mais nas suas estadas de voluntariado do que em qualquer curso da melhor universidade americana.
É que o diagnóstico médico na África, e mais concretamente na civilização macua, não é apenas ciência médica, é também antropologia, semântica, sociologia, psicologia, uma autêntica abordagem multidisciplinar. E a Dra. Patrícia não iria aprender isso em Harvard. Inteligente como é, depressa percebeu que o diagnóstico não é só olho clínico, baseado no saber da medicina. É também antropologia, conhecimento das tradições. E nesta civilização têm um peso tremendo. Felizmente que lá estava a irmã Lurdes, com a experiência de largos anos em África – um autêntico livro aberto junto de quem a Dra. Patrícia tentava obter as explicações para compreender os comportamentos menos inteligíveis das pessoas que a vinham consultar. Claude Levi Strauss não saberia mais que aquela competente e boa irmã.
Com este livro, Patrícia Lopes recria um estilo literário muito intimista – o do Diário, que nos atrai e nos empolga, sem conseguirmos retirar os olhos de uma leitura apressada e viva, a fervilhar de imagens. Estamos ao lado da Patrícia, no hospital de Iapala, no norte de Moçambique, em plena savana, a muitas horas de viagem de Nampula, e não queremos sair de lá. Terminando o tratamento de um doente, temos logo vontade de acompanhá-la para partilhamos os sentimentos, as angústias em frente de outros doentes que só vêm ao hospital em último recurso.
São textos saborosos onde se ri ás gargalhadas, como aquele sobre uma jovem mamã que foi a Nampula fazer o registo de um filho recém-nascido e que não lhe aceitaram o nome. Disseram-lhe que não era um nome normal. Veio lamuriar-se às irmãs que a ouviam um pouco distraidamente. Curiosa, a Patrícia perguntou-lhe.
– Mas, afinal, qual era o nome que lhe queria dar?
– Padre Arlindo

Com esta, também nós nos escancarámos às gargalhadas com a Patrícia que, morta de riso, para não chocar a jovem mamã, deixou cair um brinco no chão para esconder a cara debaixo da mesa. Depois compreendera que o padre Arlindo tinha sido um missionário – categoria de pessoas muito importantes – que tinha ficado amigo do papá do bebé, quando trabalhava em Nampula.
Ou aquele em que descreve o calvário para reparar a prótese dentária que uma irmã tinha partido. Habituada ao desenrasque africano, a irmã acreditou que alguém lhe poderia valer, mesmo se o velho estomatologista indiano, a viver em Nampula há trinta anos, não dispunha do equipamento adequado. Por conselhos de uns e de outros, as irmãs e a Patrícia dirigiram-se em vão à garagem em frente do mercado, que dispunha de material para soldar e ao latoeiro que executava trabalhos minuciosos. Por fim, e em desespero de causa, aceitaram ir ao reparador de bicicletas e das câmaras-de-ar, ao senhor Castelo Branco, que a consertou com uma cola milagreira e a poliu de seguida com um pano de flanela mais negro que um tição ardido.
– Já está. Experimentar, irmã.
Gostava mesmo de lá estar para ver a cara da irmã que, depois de a ter limpo com a ponta dos dedos, sujeitou-se a metê-la na boca, mesmo em frente do senhor Castelo Branco. Trabalho perfeito pelas mãos de artista moçambicano que Deus dotou com tanto engenho, aprovado e elogiado pelo velho estomatologista indiano.
Neste livro, ri-se às gargalhadas, mas também se chora ao lado das mães desconsoladas que fazem quilómetros a pé com os filhos doentes embrulhados nas capulanas sobre as costas, depositando toda a esperança nesta jovem voluntária e dedicada que de vez em quando decidia interromper os estudos de pediatria, em Lisboa, para acudir à miséria infantil moçambicana.
Está de parabéns a Dra. Patrícia Lopes por este lindo livro onde se espelha a sua inteligência e dedicação pelos outros e a sua generosidade, a tal ponto de ter decidido entregar todo o produto dos direitos de autor à APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, que tem lutado contra a erradicação da lepra – flagelo de mutilação física e sobretudo moral, pois as pessoas afetadas por esta doença são degradadas da família e da comunidade em que vivem, consideradas como autênticas párias da sociedade.
Por isso e por tudo o mais, vale a pena ler e comprar o livro da Patrícia Lopes: Missão – diário de uma médica em Moçambique.
Joaquim Tenreira Martins

A recente e fugaz visita da sra. Merkl a Portugal, revestiu-se de um aparato policial e militar terceiro mundista. Foi um espectáculo nunca visto pela capital cá do burgo. Com medo de quê? De que ela visse o povo que protestava nas ruas? Pela miséria já não escondida nem calada das portuguesas e dos portugueses?

Sinceramente, não compreendi tanta medida de segurança, quando se apregoa que somos um povo sereno, de brandos costumes. Mas o facto, é que a senhora esteve por cá. Esteve com o Primeiro-Ministro e com o Presidente da República. Ao primeiro, veio dar umas palmadinhas nas costas, como bom menino que é, num apoio a uma política que nos levará andar com as calças na mão. Num rumo sem esperança. Num programa em que ninguém acredita. Se a ideia era a de reforçar a legitimidade das políticas do governo, a verdade é que é um flop. Ninguém acredita na senhora. A sua visita ficou logo esvaziada na entrevista que deu à RTP. Deixou aí claro que, politicamente, nada viria alterar ou propor. Dizer que o governo está a cumprir com o memorando, não precisava de cá vir, nós sabemo-lo. Até está a cumprir mais do que o memorando! Portanto, a sua visita foi a de, ao estilo imperial, vir visitar um protectorado, mostrar quem manda. Foi visível o estilo submissivo do primeiro-ministro, quer na pose, quer no discurso. E para a submissão não ser monocolor, a tradução do alemão para português era feita em… brasileiro!!! Bom, a senhora veio cá almoçar um bom cabrito e trouxe com ela uma série de empresários. Estes vieram cheirar, como abutres, as empresas que se podem “comer” facilmente. Não sou contra investimento estrangeiro, obviamente, mas esta visita parece isso exactamente. Este encontro poderia perfeitamente acontecer sob o patrocínio da Associação luso-alemã ou da embaixada da Alemanha. Mas não. Ela acontece com a visita da chefe. Chefe deles (alemães) e dos nossos (portugueses). Portanto, qual a importância desta visita? Empresarialmente, apoio à formação profissional, deve ser para formar os emigrantes para lá, politicamente, zero. Esta visita serviu para confirmar que a Europa, nada tem de novo para responder aos desafios que se lhe deparam. As medidas que teimosamente tem aplicado não têm dado resultado e, todavia, insiste-se nelas. Não sei se por fé ou por não querer assumir o erro, o falhanço, das políticas seguidas. O facto é que a Europa se encontra à beira da cisão. E muito por culpa dos ditames desta senhora.
Ao governo, se não quer continuar, que se renda. Mas que o faça com dignidade. Mas que não ande por aí submisso. Porque, para isso, tire a bandeirinha da lapela, não a envergonhe.

P.S.1 Lamentáveis as afirmações do primeiro-ministro, felicitando os que foram trabalhar em dia de greve geral. Pode pensar dessa forma, ser contra o direito á greve, mas ela é constitucional e o senhor governa segundo essa constituição. O mesmo do senhor Presidente da República, vir dizer que «hoje até estive a trabalhar» (recebeu o presidente da Colômbia), afirmando, com ar enfadado, que a greve era um direito constitucional. Que chatice! Não é?

P.S.2 Está por cá a troika e encontrou-se com os partidos. Desconcertante, os comentários no final. Para a esquerda, a troika nada muda, para a direita, a troika mostrou muita abertura para mudar algumas coisas. Afinal, como é que ficamos? Ou a troika diz uma coisa a uns e outra a outros, ou alguém mente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Quer salvar o País? Ligue o 760 xxx xxx. Quer mandar a Troika embora? Ligue o 760 xxx xxx. Quer… ? Ligue o 760 xxx xxx. Como cantam os Xutos e Pontapés «A vida vai torta. Jamais se endireita. O azar persegue. Esconde-se à espreita! […]». A verdade é que o azar se instalou em Portugal e é cada vez mais curta a perspetiva de um futuro melhor. Talvez umas chamadas de valor acrescentado ajudem o Governo a resolver o défice.

Prefere políticos limpos? Ligue 760 xxx xxx. Prefere ‘fruta podre’? Ligue 760 xxx xxx

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaTenho andado para aqui a magicar, como diz o Povo, naquilo que motiva as televisões a promover tanta caridade para os telespectadores. É nos programas da manhã, é nos programas da tarde, é para «ganhar o carro», é conseguir uma maquia que quase dava para tirar o país da miséria, é para «pôr os patins ao Hélio do skate», é para manter no programa o obeso que não perdeu tanto peso quanto devia, é para o outro a quem o Paulo Futre não deu nota 10 e continua com a «banha», é para saber se o Sporting vai descer de divisão ou o Benfica ser campeão, etc., etc. Ora, é tal a profusão de números e de propostas para exercer o voto que esta prática deve adivinhar-se muito rentável para os promotores.
Enquanto o Povo se distrai com estes programas de elevado valor cultural e de extrema importância para a resolução dos problemas do País, a crise segue de degrau em degrau, fazendo-nos a cada passo descer um pouco mais baixo na qualidade de vida e na esperança num futuro melhor. É certo que vem a senhora Merkel e os amigos da Troika elogiar os nossos avanços nas reformas e na consolidação orçamental, mas, que raios, andamos tão distraídos a ver as telenovelas e a ligar para os números de valor acrescentado que nem temos noção do quanto estão a fazer bem pelo nosso futuro coletivo. Para aqueles que, de um dos lados da barricada, criticam/criticavam «os amanhãs que cantam», não vemos onde está a diferença de todas estas «balelas», daquilo que poderíamos chamar «fait-divers» não fora as consequências trágicas que se observam na sociedade portuguesa: cada vez mais pobres, crianças com fome, idosos sem dinheiro para medicamentos, pessoas sem emprego e sem prestações sociais, estudantes a abandonar o ensino superior porque os pais não têm meios para assumir as despesas inerentes à sua frequência, etc., etc.
Como aquilo que se houve falar é de cada vez mais impostos sobre os que menos têm, sem se vislumbrar um efetivo corte nas gorduras e mordomias do Estado, com o Povo a ser cada vez mais esmifrado, ao ponto de lhe pedirem para baixar as calças e apertar o cinto ao mesmo tempo, talvez não seja má ideia, uma vez que a prática parece surtir efeito, criar uns números de valor acrescentado para que o Povo possa opinar. Assim, andava toda a gente contente e talvez se resolvesse o problema do défice. Quer que s(c)aia o Governo? Ligue o número tal. Quer que o Governo permaneça? Ligue o número tal. Certamente iria ser um entupimento de chamadas e alguns, os que vêm vivendo, há décadas, alambazando-se com os dinheiros públicos, devolvessem «algum» em chamadas para manter o «tacho». Esta metodologia poderia seguir-se para uma série de situações que inquietam os portugueses.
Pensem nisso!
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

Uma conta de gerência actua sobre realidades. Um orçamento sobre previsões que, mesmo quando fundadamente fundadas, não passam de expectativas que o futuro dirá se são ou não concretizadas.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaObviamente que tratando-se de um instrumento tão importante como é a previsão das receitas que hão-de suportar as despesas de todo um ano de governação, todos os cuidados com vista a aproximar o desejado do real sempre serão poucos.
E a menor das dificuldades não será certamente a de se tratar de previsões sobre previsões, sob um múltiplo risco de falibilidade.
No domínio das receitas, numa sociedade em acentuado estado de crise tentar saber como se comportarão a generalidade dos impostos indirectos é quase esperar uma resposta do oráculo de Delfos.
Ou até mesmo no imposto sobre as pessoas singulares, dadas as perspectivas dum galopante aumento de desemprego.
Para não falar do imposto sobre as sociedades de lucros em muitos casos de todo em todo aleatórios, quando não mesmo condenadas à falência.
E se é assim pelo lado da receita, as incertezas caracterizam também o aspecto despesas, bastando pensar na evolução, por exemplo, dos custos sociais do desemprego ou da acentuação a um ritmo quase inimaginável do empobrecimento geral.
A austeridade gera austeridade, a pobreza avoluma o número de pobres, praticamente em progressão geométrica.
Orçamentar ao ritmo de uma crise significa sempre potenciar a crise.
E o orçamento que a Troika aplaude e apoia não será nunca senão o orçamento que agrade aos nossos credores.
Os sacrifícios que a Nação suporte pela austeridade orçamental são-lhe absolutamente indiferentes.
A Troika não existe para a felicidade do povo português, nem para a resolução dos nossos problemas internos.
A sua função, levada quase ao estatuto de missão, é garantir que os nossos credores externos recebam sacramentalmente os seus créditos, acrescidos dos juros que nos impuseram.
E são esses os parâmetros que fixam para a elaboração do orçamento, bem como para todas as demais regras da governação que, para eles, só será boa se assegurar o pontual pagamento de créditos e juros.
Obviamente que um devedor – pessoa individual ou um estado, a pessoa colectiva mais complexa – deve honrar os seus compromissos. Mas há regras e pressupostos básicos.
O contrato de mútuo não pode ser leonino. O credor não pode abusar do estado de necessidade do devedor.
E que Portugal assinou o tal memorando de entendimento em estado de necessidade alardeiam-no todos os partidos do arco da governabilidade quando pregam que, sem ele, seria o caos.
E que se falharmos, minimamente que seja, o caos, apenas suspenso, aí estará em toda a plenitude.
Há ainda um outro considerando que se impõe.
O credor não pode levianamente conceder empréstimos sem previamente se certificar da capacidade de cumprimento do mutuário. Se o fizer, corre os riscos que inerem à sua própria displicência.
Como não deve também incentivar a gastos superfluos, a cobrir por empréstimos, desenfreando o consumo.
Todos estes argumentos poderão e deverão ser utilizados na nossa negociação com a troika.
E todos por igual poderão e deverão estar presentes na elaboração do orçamento do Estado.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

As operadoras de comunicações móveis TMN, Vodafone e Optimus, terão de garantir serviços móveis de quarta geração numa parte do território português, o qual abrange 20 freguesias do concelho do Sabugal.

Nessas freguesias alguma das operadoras assegurará a disponibilidade de banda larga móvel. Em todo o país cada operadora garantirá cobrir com banda 4G um total de 160 freguesias.
A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) teve em conta a existência de infra-estruturas locais, usando como critério a distância entre cada sede de freguesia e a estação móvel que lhe está mais próxima. Também avaliou os planos comerciais de desenvolvimento de rede de cada operadora para os próximos tempos, assinalando quais as freguesias que ficariam fora da cobertura de acesso.
São 480 as freguesias que não terão garantias de acesso.
O distrito de Bragança é o mais beneficiado, com 117 freguesias eleitas para receber 4G. O distrito da Guarda é o segundo com maior número de freguesias abrangidas, quase 100.
A Vodafone foi a primeira empresa a escolher as suas 160 freguesias de cobertura. Segue-se a TMN e a Optimus, que terão um prazo de 30 dias para o fazer, de forma sequencial.
As freguesias do concelho do Sabugal que não terão assegurado acesso 4G são as seguintes:
Águas Belas, Aldeia da Ribeira, Badamalos, Bismula, Casteleiro, Fóios, Malcata, Penalobo, Pousafoles do Bispo, Quadrazais, Rapoula do Côa, Rendo, Ruivós, Ruvina, Sortelha, Vale das Éguas, Valongo, Vila Boa, Vila do Touro, Vilar Maior.
plb

Porque já entrámos em pleno período pré-eleitoral…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaEm junho de 2008 escrevi uma crónica que terminava da seguinte forma:
«E porque penso que as pessoas se devem definir e que quando se escreve num espaço público se deve aos seus leitores a clarificação das suas posições, não posso deixar de declarar que apoio de forma incondicional o anunciado candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal, o António Dionísio, isto é, o Toni.
Apoio-o por ser um sabugalense; apoio-o por ser um homem bom e um homem de bem; apoio-o por ser uma lufada de ar fresco na vida política do Concelho; apoio-o por acreditar nas suas capacidades para criar uma nova era de desenvolvimento do Concelho; apoio-o por fim, por ser o candidato do Partido Socialista.»
Os meses seguintes vieram dar-me razão, pois o Toni teve a capacidade de apresentar um programa eleitoral ambicioso e muito exigente, o qual, estou certo, permitiria criar um Concelho do Sabugal com futuro.
Mas teve também a capacidade de juntar à sua volta um conjunto de militantes socialistas e de independentes que tudo fizeram para que o Toni fosse eleito Presidente e, assim, pudesse concretizar as suas propostas.
Passados quatro anos, o Partido Socialista escolhe um candidato que, pelas suas próprias palavras, não se revia na estratégia do Partido Socialista em 2009, e que agora avança num processo de seleção para o qual uma parte significativa dos sabugalenses que se envolveram e continuaram envolvidos politicamente com as ideias da candidatura do Toni, não foi perdida nem achada.
Como o disse em 2008, há alturas em que devemos a quem nos lê, um esclarecimento das nossas posições, custe o que custar.
E por isso, não posso deixar de dizer que nada tenho a ver com a atual estratégia eleitoral do Partido Socialista, pelo que comuniquei já aos órgãos partidários competentes esta minha posição, lamentando que tudo o que foi construído em conjunto nos últimos quatro anos, seja deitado fora como se de lixo se tratasse, e lamentando ainda que tudo isto se pareça mais com uma vingança de quem não esteve com o PS em 2009, e se aproveite agora da ocasião para expurgar o Partido de qualquer memória do Toni e da sua equipa.
Este lamento e este desânimo que passa um pouco pela maioria dos sabugalenses que se mobilizaram em 2009, vinha-me sendo transmitido de várias formas, acompanhadas, quase sempre, de uma pergunta «mas não é possível construir uma alternativa?»
Ora da minha estadia no Sabugal no último fim de semana, fico com a sensação que há uma hipótese de se renovar a esperança que o Toni nos deu em 2009. Tomei conhecimento da existência de um grupo alargado de sabugalenses, independentes e militantes partidários, presidentes de junta e membros da assembleia municipal, que ainda hoje se reveem no programa apresentado pelo Toni e com vontade de criar uma plataforma que corporize essa alternativa para as próximas eleições autárquicas.
Acredito hoje que o amor à terra que nos viu nascer, e a crença que todos temos em que as propostas apresentadas continuam a ser as mais adequadas para inverter o ciclo de desertificação, envelhecimento e perda de competitividade regional do Concelho do Sabugal, levará, repito, acredito eu, a que muitos, incluindo o Toni, se mobilizem para apresentar uma alternativa de futuro!
Se assim for, e embora lamente que o Partido Socialista tenha tomado outras opções, lá estarei na linha da frente como há quatro anos!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O filme que Marcelo Rebelo de Sousa produziu para a visita da Chanceler Angela Merkel a Portugal chegou, através das redes sociais, a 139 países em apenas três dias. Segundo o Google Analytics são 250 mil visualizações só na versão principal. Mas há mais 27 versões, que incluem cópias com legendas em diferentes línguas, a ultrapassar o meio milhão de visualizações.

O filme português – de cerca de cinco minutos – apresenta à Europa a situação que se vive hoje em Portugal. Para desfazer o preconceito de que existe uma Europa forte que ajuda e outra que é ajudada, procura demonstrar a relação de dependência económica entre os países da União, apresentando os números da balança comercial entre Portugal e Alemanha, bem como alguns exemplos de negócios entre os dois países.
São 250 mil visualizações só na versão principal. Mas há mais 27 versões, que incluem cópias com legendas em diferentes línguas, a ultrapassar o meio milhão de visualizações. Segundo o Google analytics, o filme que Marcelo Rebelo de Sousa produziu para a visita da Chanceler Angela Merkel a Portugal chegou, através das redes sociais, a 139 países em apenas três dias.
No top5 das visualizações estão Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e França. É em Portugal que o vídeo tem a mais alta taxa de aprovação, com 89 por cento, mas na Alemanha a taxa é muito próxima – 81 por cento.
No offline, além da cobertura em Portugal, o vídeo mereceu tratamento noticioso em Espanha, Brasil, Alemanha e França.
Após 24 horas, o primeiro resultado obtido ao pesquisar no YouTube «Ich bin ein berliner» era já a versão em Português do filme do Professor Marcelo e ultrapassava em número de visualizações o discurso proferido por John F. Kennedy em Berlim, em 1963, onde é originalmente proferida a frase «Ich bin ein berliner».
Para Marcelo Rebelo de Sousa, o principal objetivo foi cumprido: o filme «mostra que a solidariedade é fundamental entre os povos».
jcl (com Rodrigo Moita de Deus)

Embora perceba o seu contexto, que é o da actual crise económica da Europa e de Portugal, o artigo do meu querido amigo António Emídio sobre o «Egoísmo Alemão» é redutor e injusto para a cultura e povo alemães, porque os julga por uma época histórica e por um único filósofo.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaO que faz, equivaleria a julgar o povo e cultura portuguesas pela Inquisição, pelo regime do Estado Novo, ou pela crise económica e política actual!
As contribuições da Alemanha para o património cultural da humanidade são evidentes, numerosas e conhecidas, a ponto de ser conhecida pela terra dos poetas e pensadores (das Land der Dichter und Denker), e não é a actual situação da Europa que apaga esta verdade!
A Alemanha foi o berço de vultos importantíssimos na história da música no passado (Sebastian Bach, Christian Bach, Carl Weber, Felix Mendelssohn, Beethoven, Wagner, Händel, Brahms, Orff, Strauss, Schumann, Offenbach, ou que foram de cultura e língua alemã como Mozart, Haydn, Alban Berg, Bruckner, Mahler, Franz Liszt, Schönberg, Dietrich Buxtehude, Schubert, etc.) e continua no presente a ter uma enorme cultura musical (destaque para o Tokio Hotel, Scorpions, Alphaville, Böhse Onkelz, Boney M., Rammstein, Die Ärzte, Die Toten Hosen, Lacrimosa, Accept, Kreator, Destruction, Grave Digger, Sodom, Gamma Ray, Running Wild, B. Guardian, Avantasia, Helloween,, Edguy, Megaherz, Tankard, Desaster, Inquisitor, Protector, Cinema Bizarre. etc); nas artes, de movimentos e nomes bem conhecidos (No Renascimento, Albrecht Dürer foi um dos nomes maiores. Max Ernst, no surrealismo; Franz Marc, na arte conceptual; Joseph Beuys, Wolf Vostell, Bazon Brock, no neo-expressionismo Georg Baselitz); no pensamento, dos mais importantes filósofos modernos (Copérnico, Kant, Hegel, Marx, Nietzshe, Schopenhauer) que influenciam toda a filosofia actual, inclusive a francesa, tida como a Terra das Luzes, mas que não teve um único filósofo original; na religião, de Lutero, o pai da reforma protestante; na teologia uma escola sempre avançada no tempo (com nomes como Friedrich Schleirmacher, Davisd Staruss, Albert Ritschl, Ennst Troeltsch, Adolf von Harnack, Herman Samuel Reimarus, Gerhard Maier, Ernst troeltsch, Hans Kung, Erich Fromm, Ratzinger) e da qual nasceu o recente e importante manifesto reformista «Igreja 2011, uma viragem necessária», subscrita por mais de duzentos catedráticos de teologia alemães, austríacos e suiços; na literatura, alguns dos mais importantes poetas, romancistas e dramaturgos mundiais (Goethe, Schiller, Novalis, Holderlin, Thomas Mann, Heinrich Mann, Klaus Mann, Hermann Hesse, Günter Grass, Gerhart Hauptmann, Georg Büchner, Frank Wedekind e mais recentemente Ernst Toller, Peter Weiss e Bertolt Brecht, etc).
Na ciência e tecnologia há também conhecidos alemães (na ciência, Albert Einstein e Max Planck, Werner Heisenberg, Max Born, Hermann von Helmholtz, Joseph von Fraunhofer, Daniel Gabriel Fahrenheit. Wilhelm Conrad Röntgen, na técnica Wernher von Braun, Heinrich Rudolf Hertz, Alexander von Humboldt; na matemática Carl Friedrich Gauss, David Hilbert, Bernhard Riemann, Gottfried Leibniz,Carl Gustav Jakob Jacobi, Hermann Grassmann, Karl Weierstrass, Richard Dedekind, Felix Klein e Hermann Weyl; na invenção Johannes Gutenberg, Hans Geiger,Konrad Zuse; engenheiros e industriais como Ferdinand von Zeppelin, Otto Lilienthal, Gottlieb Daimler, Rudolf Diesel, Hugo Junkers, Hans von Ohain, Nikolaus Otto, Robert Bosch, Wilhelm Maybach e Karl Benz) e as principais pesquisas na Europa do século passado tiveram origem na Alemanha, laureada com cerca 1/3 dos prémios Nobel (química e física) entre 1901 e 1933, e cujos cérebros, com a diáspora da segunda guerra, estiverem na origem do desenvolvimento cientifico dos EUA.
E se tal não bastasse, na Alemanha existem cerca de 300 teatros, alguns de nome mundial, como os Deutsches Theater, Schillertheater e Opernplatz em Berlim, Teatro Nacional, em Munique, Theater im Hafen, em Hamburgo, 130 orquestras profissionais, como a Orquestra Sinfónica Alemã, em Berlim, Orquestra Sinfónica de Hamburgo, e pelo menos onze orquestras estatais, 630 museus de arte com acervos de importância internacional, como o Ludowig, de Colónia, ou de Arte Contemporânea ou de História da Alemanha, em Berlim, cerca de 370 estabelecimentos de ensino superior de renome internacional, como a secular universidade de Heidelberg, a Universidade Humboldt de Berlim, Técnica de Dresden, Colónia, Bremen, Tübingen. Técnica de Munique, Ludwig Maximilian de Munique, Livre de Berlim, Escola Superior Técnica (RWTH) de Aachen e de Konstanz.
O «antigermanismo», é uma questão de preconceito e deve-se à ignorância da importante e brilhante cultura Alemã, sobretudo literária e filosófica, no concerto dos países civilizados e cultos, que é muito superior à cultura francesa; uma cultura brilhante, assente nas suas universidades e construída pelos seus mais notáveis filósofos e poetas da Europa, que foram beber, como Goethe, Hoderlin, Schopenhauer e Heidegger, aos Gregos e à Revelação Bíblica, das águas da melhor inspiração intelectual e espiritual.
É este intimo diálogo entre a poesia e a filosofia, em que muitos poetas, como Holderlin, também foram filósofos, e muitos filósofos, como Heidegger, que também foram poetas, faz a particularidade do «Génio Alemão». Um diálogo que até é semelhante ao da «tradição portuguesa» – cujo expoente máximo foi o Infante D. Henrique, Camões, Vieira, no passado; e mais recentemente Sampaio Bruno, Pessoa e Pascoais – porque os Alemães, como alguém disse, também de algum modo procuraram essa «Índia Nova de que são feitos os sonhos», no dizer admirável de Fernando Pessoa, Índia que não está no mapa, e que os mitólogos situam eruditamente na perdida Atlântida, de que nós, nas Ilhas e na Península, somos ainda o remanescente.
Heidegger, um dos últimos filósofos Alemães de alta qualidade, fazendo sua toda a compreensão da idealidade romântica e grega, interpreta Holderling, um poeta que, quase à semelhança do nosso Pascoais, enlouqueceu por querer encontrar o Céu.
No livro que lhe dedicou, agudo e penetrante é o estudo que Heidegger faz do poeta, esse poeta louco de Dionísio, como em parte foi também o nosso Pascoais. Tal como Nietzsche, enlouqueceu pelo deus que, na mítica grega, corresponde a Cristo, porque é o Deus sacrificado.
Esta correlação e reciprocidade entre Dionísio e Cristo é fundamental e importantíssima para a nova cultura e influenciou toda a Europa Ocidental, inclusive Portugal.
Quem não leu entre nós a obra de Pascoais, nomeadamente os seus livros «S. Paulo» e «Jesus e Pã», ou Sampaio Bruno e o seu «Brasil Mental» e «A Ideia de Deus», para perceber que esta procura da consciência interior tão presente na poesia e pensamento alemão, esta dualidade entre a matéria e o espírito, esta correlação entre Dionísio e Cristo, influenciou a cultura europeia?
Foi precisamente a imitação deste diálogo entre a poesia e a filosofia, de influência alemã, conscientemente feito pelo Nosso Sampaio Bruno e Teixeira de Pascoais, e de que Leonardo Coimbra faria a síntese, que deram origem ao Existencialismo Português, e permitiram um florescimento da cultura portuguesa na transição do século XIX para o XX em torno do movimento da Renascença e da revista Águia, que influenciaria muitos dos movimentos culturais e artístico do nosso país do século XX, inclusive, por remota filiação o pensamento, entre outros, dos nossos Álvaro Ribeiro, Júlio Marinho, Eduardo Lourenço e Pinharanda Gomes.
Resumindo e concluindo:
O povo Alemão, é como todos os povos e indivíduos: tem fases boas e menos boas de existência; e não é uma fase ou aspecto menos bom da mesma, que, generalizando, nos dá o direito de a distratarmos no seu todo!
O povo alemão, é como qualquer povo. Nem melhor, nem pior!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Soube da ausência (não da morte porque os poetas não morrem) de Manuel António Pina, na tarde de dezanove de Outubro. Foi um dia de Outono triste e cinzento. O céu chorava pequenas lágrimas de chuva nos breves instantes em que o dia se abraçava à noite.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Fiquei incrédulo com a notícia perante a ameaça de uma ausência que me fez fixar a imagem do poeta antes de buscar, no meu íntimo, o esforço suficiente para me convencer. Levantei, depois, o olhar ao céu, um céu frio e angustiado retalhado de nuvens de algodão sujo que, com a chegada da noite, se fazia mais escuro. Dir-se-ia que o luto se queria impor embrulhado na cor da noite. Vi, então, uma imensidão de sombras. Juraria que muitas delas eram sombras de livros que se espalhavam dispersos, desordenados entre as nuvens, como se tivessem caído de uma gigantesca estante. A poesia andava à solta no céu cinzento e o poeta teria partido em busca dela.
Não sei da razão pela qual preferi afastar-me desse momento para só agora tecer este comentário.
Não tive a sorte de conhecer pessoalmente Manuel António Pina embora a sua condição de sabugalense e de beirão/raiano provoque em mim sentimentos amalgamados e misticismos que se situam algures, lá entre o orgulho e o regozijo.
Leio e releio, com a frequência possível, Manuel António Pina. Li-o algumas vezes sofregamente. E sei, sim, que foi dramaturgo, cronista, jornalista e muito mais mas permitam-me que, para mim, ele seja sobretudo poeta, um poeta que desenhou casas com poesia e que me explicou que um livro nos fala com a nossa voz.
Nunca privei com ele, portanto, mas parece-me, neste momento em que escrevo, que o conheci muito bem. Sinto-me como se tivesse por ele (e tenho) uma imensa amizade.
Claro que não sei nem nunca soube explicar a amizade. Não a explico mas entendo-a e sei, absolutamente, o que ela é e quando existe.
O que seria do nosso mundo, tão adensado de estorvos, se não existisse a amizade e se o coração pudesse ser, tão só, um logro? O que seria de nós se a beleza pudesse ser, apenas, ilusão? Ora, a poesia de Manuel António Pina era, é e será eternamente bela. Eis, portanto, a razão pela qual o poeta não morreu nem morrerá. Apenas se ausentou.
Poderemos sempre sentir nos dedos o prazer de tatear as páginas dos seus livros. Poderemos sempre consultá-los antes e quando pretendermos interpretar mistérios. A sua poesia continuará a iluminar as nossas vidas. As suas palavras serão sempre armas com as quais lutaremos contra os escuros das nossas existências e serão, também, a promessa de um final valido nos nossos percursos.
Após a sua ausência, ainda que a noite caia, ainda que o escuro nos envolva e mesmo que o desânimo nos aflore significativamente a poesia de António Pina sempre nos alentará porque ela é e será inseparável das nossas vidas.
Escureceu, então, nesse final de tarde chorosa e outonal mas, apesar de indesejável, a notícia não foi definitiva. Nunca diremos adeus a Manuel António Pina. Será sempre um até à próxima leitura.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

«Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da Vizinha Região de Xalma e Alamedilha»

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaTanto se tem falado do charro, das terras do charro e da unidade hipotalássica que a região constitui que nos sentimos obrigados a falar, aqui e agora, dum livro editado pela Universidade de Coimbra já no ano de mil novecentos e setenta e sete, e da autoria da filóloga Clarinda de Azevedo Maia e que tem o título com que encimamos a presente charla.
No prefácio, assinala a autora depois de frisar o carácter de trabalho escolar do livro – tese de licenciatura com que a obra nasceu, o destaque que pretendeu dar à avaliação do grau de penetração do castelhano e do português nestas duas faixas extremas – a raia sabugalense e as terras de Xalma, situadas na periferia dos dois países e até aos nossos dias em desfavoravéis condições de comunicação e por isso mesmo bastante conservadoras.
E daí também a complexidade deste trabalho sobre matéria dialectal nalguns aspectos com muito de pioneirismo.
Trabalho de grande folego científico, forma o seu corpo principal, explica a Autora, além duma extensa introdução, onde são postos em relevo os factos de carácter histórico e ainda a amplitude e a frequência dos contactos estabelecidos ao longo da fronteira cujo conhecimento é indispensavel para uma rigorosa interpretação dos factos linguísticos, toda a parte consagrada ao estudo e análise das características dos falares das duas regiões que em introdução caracteriza.
Transcrevamos:
Muito motanhosa e de acesso difícil, em precárias condições de acesso e comunicação com os seus vizinhos de Espanha e Portugal, a região de Xalma é uma das mais isoladas e menos exploradas de toda a Ibéria, seca ou húmida.
Aliás inóspita e de acesso difícil é toda a Serra da Gata, nomeadamente daquela parte de onde emergem o Coa, o Erges e o Águeda.
E os cerca de vinte quilómetros que vão da carcerenha San Martin de Trevejo á portuguesa Aldeia do Bispo, passando pelo Pico de Xalma ou Jalama, a mais de mil e quinhentos metros de altitude, são ásperos e difíceis com caminhos nem sequer de ferradura.
E nessa longa caminhada, que leva meio-dia passa-se junto de Payo e Navasfrias, pequenas povoações serranas, em muito acentuadas condições de isolamento…
Depois, frisava a Autora:
Em grande isolamento, se encontravam também as aldeias raianas portuguesas do Sabugal.
Intervém ainda negativamente a pobreza do solo e a rudeza do clima, de nítida influência continental áspera – invernos muitíssimo rigorosos e verões excessivamente quentes.
As dificuldades uniam.
E assim se impôs um caldo de cultura que marca e individualiza.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que no sábado, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

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Fotos de Daniel Salgueiro e José Carlos Calixto

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que hoje, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

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Fotos de Daniel Salgueiro e José Carlos Calixto

Decorreu como estava previsto, o primeiro Magusto dos Sabugalenses, residentes no Concelho do Fundão. O cenário não podia ter tido melhor escolha, que recaiu num espaço envolvente à Capela de S. José, nas Quintas do mesmo nome, na Freguesia de Aldeia de Joanes.

Numa tarde com as cores outonais, com uma envolvência natural impar, no meio de duas serras, a sul, a Gardunha amarelecida, e a norte a Estrela vazia de neve, numa Cova da Beira, onde ainda se ouve o balido dos rebanhos, o mugir das vacas, que disciplinarmente se colocam para a ordenha, o zurrar dos burros e o canto suave de algumas aves.
Numas instalações adequadas a estes eventos, era já o princípio da tarde, quando começaram a chegar os primeiros Sabugalenses, alguns com as dúvidas do local, apesar de todo o percurso se encontrava devidamente assinalado.
Visitas a destacar, a do Pároco de Aldeia de Joanes, Padre Casimiro Mendes Serra, que quis associar-se a este encontro, por alguns momentos, atitude apreciada por todos os presentes. A segunda, do Padre Manuel Joaquim Martins da Bismula, num espaço que lhe é muito familiar, porque foi no seu tempo de Pároco de Aldeia de Joanes, que foi construído.
Numa simples auscultação a alguns participantes, fomos ouvir e registar as motivações que os conduzem a este evento:
Júlio Fernandes Martins – Quadrazais, depois de uma estadia por terras de França, encontrasse há 30 anos no Fundão, como gerente de lavandarias, onde também trabalha uma filha. Aprecio este convívio com os nossos conterrâneos.
Mário Luís Santos Dias – Bendada, está no Fundão há 29 anos, trabalha como técnico de confeções, e veio ao magusto para me encontrar com a malta do Concelho do Sabugal e gosto de conhecer as pessoas que aqui vem da nossa zona.
Joaquim Esteves Barbara – Alfaiates, há 15 anos no Fundão, no Posto da G.N.R. A viver a alguns anos no Fundão, desconhecia por completo, que aqui vivessem tantos naturais do Sabugal. Foi uma agradável surpresa. Estes encontros têm a particularidade de nos conhecermos melhor e relembrarmos as nossas origens.
Maria Teresa Carvalho Moreira Barreto Amaral – Aldeia do Bispo, há 22 anos no Fundão. Gosto de estar, de me reunir com as gentes do Sabugal, e estes encontros servem para nos conhecermos melhor. Veja, trabalhei 12 anos na Empresa Eres, com pessoas do Sabugal e não sabia. Aqui damo-nos a conhecer mutuamente.
Natália Fernandes Martins – Quadrazais, há trinta anos no Fundão, diz que estes encontros são muito positivos e servem para nos conhecermos.
Isabel Gonçalves Martins Leitão – Aldeia da Ribeira, há 27 anos no Fundão, trabalha como empresária de produtos alimentares. Estes encontros permitem conhecer pessoas da nossa zona arraiana. É uma feliz ideia, é bom o encontro.
Joaquim Lopes Pinto – Santo Estevão, há 42 anos no Fundão, comerciante. Gosto desta gente de alma arraiana, que é batalhadora, trabalhadora, dinâmica e vencedora em toda a parte. Estamos espalhados pelo mundo. São importantes estes convívios.
Maria Rita Martins Pinheiro Costa – Bismula, há 45 anos no Fundão, reformada. Estes encontros são interessantes. Tive pena de não estar até ao fim, não me foi possível. Não falharei o próximo. É uma forma de partilharmos com os nossos conterrâneos sabugalenses e fazermos um elo de ligação com as suas famílias.
Marta Marcos Barroso Ramos – Aldeia da Ponte, há 8 anos de Fundão, arquiteta. Diz que é uma boa iniciativa e participei com muita honra a cantar para os meus conterrâneos, num sítio fantástico, maravilhoso e encantador. Tenho pena de sair mais cedo, por compromissos já assumidos. No entanto, no próximo encontro espero estar presente.
Esta jovem arraiana com grandes dotes musicais, brindou-nos com lindas canções que empolgou todos os presentes, principalmente a canção dedicada a São Martinho.
Em todos os rostos havia alegria e felicidade por mais esta jornada de convívio dos Sabugalenses, com a certeza de que no próximo ano, se vai realizar neste local bucólico, na companhia da mãe natureza.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

O livro «Como se desenha uma casa», de Manuel António Pina, venceu a oitava edição do prémio de poesia Teixeira de Pascoaes.

O prémio literário foi criado pela Câmara Municipal de Amarante e a sua atribuição ao último livro de Manuel António Pina resultou de uma escolha entre 166 livros apresentados a concurso, de 159 autores.
A entrega do prémio, a título póstumo, está marcada para 15 de Dezembro, no auditório da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, em Amarante.
Manuel António Pina, poeta, escritor, jornalista, Prémio Camões em 2011, natural do Sabugal, faleceu no Porto a 19 de Outubro deste ano, com 68 anos.
O prémio Teixeira de Pascoaes, de periodicidade bienal, foi instituído em 1997, aquando da passagem dos 120 anos do nascimento do poeta de Amarante.
plb

Querido leitor(a), vou dizer-lhe uma coisa de que talvez já se tenha apercebido, se por acaso não é um fanático germanófilo, a Alemanha é o país mais visceralmente antidemocrático da Europa, e o seu povo é de um conformismo político impressionante, aceita tudo e não se rebela contra nada, é um povo seguidista, racista e com complexo de superioridade.

António EmídioVejamos o comportamento de alguns alemães célebres:
Hegel, hierarquizou a História, para ele todos os povos foram inferiores desde os egípcios aos persas, passando pelos gregos, em contrapartida a Alemanha era a culminação do espirito universal, e o único homem livre era o homem alemão.
Hengels, disse que o destino dos países de Leste Europeu era serem colonizados pela Alemanha. Isto foi dito por um senhor que apregoava o internacionalismo operário…
Marx, segundo consta não era um grande patriota, da Alemanha não gostava muito, mas durante a guerra Franco-Germânica, que foi a Alemanha a provocá-la, disse que a França necessitava de uma sova, porque se a Alemanha vencesse, as ideias marxistas expandir-se-iam melhor.
Os seus líderes desencadearam a I Guerra Mundial, com isso provocaram 18 milhões de mortos.
Hitler, desencadeou a II Guerra Mundial, causou essa guerra 60 milhões de mortos, a mente alemã criou Auschwitz, Dachau e outros campos de concentração. Ainda só foi tudo isto, todo este horror, morte e violência, há pouco mais de sessenta anos, sessenta anos na História é um tempo ínfimo, é tão ínfimo que ainda está presente a vontade de domínio na mente desse povo…
Raynhard Heydrich, o carniceiro de Praga, sofreu um atentado feito pelos resistentes checos durante a II Guerra mundial, não morreu, mas ficou ferido, não permitiu que nenhum médico local o tratasse, mandou ir um da Alemanha, enquanto chegou e não, morreu ele! Este Nazi devia «adorar» professores, digo isto porque num discurso saiu-se com esta: «temos de ajustar contas com os professores checos, porque o corpo docente é um viveiro de oposição».
Fim da Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha dividida o perigo de um novo confronto bélico desapareceu, anos 90, com a Alemanha unida regressou a sua ambição desmedida e a sua arrogância. Esta nova ambição, vontade de domínio e racismo estão concentrados em Angela Merkel, tornou-se dona e senhora da Europa, da burocracia e dos senhores de Bruxelas que se limitam única e simplesmente a obedecer-lhe. O que é que ela quer? A nível económico reformas estruturais nos países do Sul da Europa, Grécia, Itália, Espanha e Portugal e, como quem não quer a coisa deitando os olhos para a França e Bélgica. Em seis pontos condensarei essas reformas que ela deseja:
1º – Venda de empresas estatais, ou seja, privatizações dos sistemas de saúde, ensino, transportes e segurança social.
2º – Destruição dos direitos e protecção do emprego, leis laborais injustas para o trabalhador.
3º – Baixos salários para quem trabalha e redução no valor das pensões de reforma, reduções escandalosas.
4º – Leis feitas simplesmente para proteger empresários. (grandes empresários e multinacionais principalmente alemãs)
5º – Destruição do Estado Social.
6º – Formação de Zonas Económicas Especiais, as chamadas Z.E.E.
Se por acaso a senhora Merkel conseguir isto tudo, assistiremos na Europa à exploração de quem trabalha nos mesmos moldes da China e do resto dos países asiáticos. As Z.E.E., são zonas onde as empresas multinacionais, e não só, não pagam impostos, não respeitam as leis de protecção do meio ambiente e as quase inexistentes leis laborais, pode chegar-se a este paradoxo, um trabalhador ser chamado de «boca», não contratado porque os contratos não existirão, no dia 1 de um qualquer mês para começar a trabalhar, e no dia 20 do mesmo mês ser posto na rua sem nada receber, a lei laboral estará feita de maneira que o salário ou outra prestação qualquer só serão recebidas depois de 30 dias de trabalho, antes disso não há direito a qualquer compensação. A lei não diz isso! Isso é um exagero! O senhor é um radical! Chame-me o que quiser querido leitor(a), mas as leis são feitas pelos homens, e conforme as fazem, assim as desfazem. Actualmente o partido do Governo aqui em Portugal não está a preparar um Golpe de Estado Palaciano importando-se pouco com o que a Constituição da República diz! Ou seja com as suas leis? Aí nem precisa de as mudar, passa por cima delas! Resultado disto tudo, querem reduzir quem trabalha a um escravo empobrecido.
Como pôr cobro a isto? Só com os trabalhadores europeus mobilizados contra esta ofensiva da Alemanha e dos seus mercados, exigindo programas verdadeiramente social- democratas, programas socialistas, do Socialismo Democrático, e Trabalhistas (ingleses). Alguns inocentes ainda pensam que se Merkel perder as eleições as coisas mudarão para melhor. Pura ilusão! Os social-democratas irão perder as eleições, mas se por acaso ganhassem, a política para a Europa seria a mesma. O problema é que por trás do egoísmo alemão está a vontade de poder que sempre caracterizou a Alemanha. E agora que os mercados alemães e os seus banqueiros, juntamente com os de outros países ricos movimentam 7 biliões de euros das dívidas dos estados da Zona Euro, a vontade de domínio e poder aumentam!
Dizem os germanófilos que a Alemanha é o país das vitórias, do trabalho, da riqueza, do progresso económico e tecnológico, o país que está acima de tudo e de todos, não a invejo, foi ela que até agora mais derrotas teve nesta Europa, e tudo devido à sua ambição desmedida. Penso que não há-de tardar muito que não sofra outra.

Não posso passar sem comentar isto: aqui na nossa então Vila do Sabugal, durante a Segunda Guerra Mundial, contam-me os mais velhos, só se falava na Alemanha e em Hitler, era a propaganda do Estado Novo a trabalhar, diziam alguns que se Hitler viesse ao Sabugal o levavam para casa!! Desconfio que há por aí alguns que presentemente levavam Frau Merkel, para quê? Eles lá saberão…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O Comando da Guarda da GNR informou através de comunicado que na semana transacta procedeu à detenção de três jovens por furto em estabelecimentos comerciais na cidade de Gouveia.

GNRNa noite de 9 de Novembro, militares do Posto de Gouveia, detiveram nessa cidade três homens, de 21, 24 e 29 anos de idade, residentes na Covilhã, por crime de furto em estabelecimentos comerciais.
As detenções ocorreram no decurso de uma fiscalização à viatura em que os mesmos seguiam, tendo-se apurado que estes eram suspeitos da prática de dois furtos, ocorridos momentos antes, numa papelaria e num restaurante, em Gouveia. Após buscas efetuadas ao veículo e às residências dos suspeitos, foi-lhes apreendido o veículo, diverso material utilizado nos furtos, designadamente, um pé-cabra, uma rebarbadora e nove discos de corte, uma parafusadora elétrica, uma caixa de chaves, quatro telemóveis, luvas e gorros. Foram ainda apreendidos alguns artigos furtados (128 maços de tabaco, um DVD e um saco de desporto), bem como cerca de 18 doses individuais de cannabis e haxixe.
Os detidos confessaram a autoria dos dois crimes e são suspeitos da prática de diversos outros furtos nos concelhos de Gouveia, Seia, Covilhã e Fundão. Os mesmos possuem antecedentes criminais pela prática dos crimes de tráfico de estupefacientes e de condução sem habilitação legal.
Presentes ao Tribunal Judicial de Gouveia, foi-lhes aplicada a medida coação de prisão domiciliária, com recurso a pulseira electrónica.
plb

Está um curso um doloso processo de destruição do Interior que conta com a cumplicidade de muitos autarcas que não defendem os interesses das suas populações.

Concelho do Sabugal - Reforma das Freguesias - 2012 - Mapa Blogue Capeia Arraiana

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Sob a divisa «agregação de freguesias», o governo quer cumprir o desiderato de extinguir órgãos locais representativos da população. Este desígnio é particularmente grave quando estão em causa aldeias do interior de Portugal que ademais à perda sucessiva de população, ao fecho de escolas, extensões de saúde, postos de correio, farmácias e outros serviços de interesse público, agora se confrontam com a perda da sua própria identidade.
A raia sabugalense tem sido particularmente fustigada por essa política de terra queimada que se pratica a partir dos gabinetes governamentais. Primeiro acabaram com as regedorias, os juízos de paz, os postos da Guarda Fiscal, da Polícia e da Guarda Republicana. O processo acelerou e só parará quando estiverem varridos de vez todos os serviços públicos de aldeias, vilas e cidades menores, concentrando-os nas grandes urbes. O economicismo prevalece em detrimento dos interesses das populações, nem que tal poupança se resuma ao valor dum prato de lentilhas.
Na generalidade das aldeias só uma instituição resistiu à fúria avassaladora da extinção: a Junta de Freguesia. É ela que confere identidade e dá voz activa à população. Mas os tempos mudaram e a pretexto da crise decidiu-se exterminar esse resquício, considerando-o desnecessário e inútil. Deixou de haver pudor, porque decretando-se o decesso da Junta de freguesia assina-se no mesmo acto a certidão de óbito da aldeia em apreço.
Foi agora conhecida a proposta da Unidade Técnica criada para a reorganização administrativa do território, que aponta para que o concelho do Sabugal passe a ter apenas 30 freguesias, menos 10 do que as actuais.
A Assembleia Municipal do Sabugal pronunciou-se a devido tempo contra a reforma, defendendo a inalterabilidade das juntas, mas os homens da comissão, lá de longe, cortaram a eito. Analisando a proposta percebe-se que em parte foi de encontro à ideia que alguns autarcas defenderam numa fase anterior à pronúncia, quando acharam que a ideia era boa. A questão que se coloca é a de como souberam os homens da dita Unidade Técnica da perfídia desses autarcas, que decidiram pelo povo, mas nas suas costas, sem o consultarem? Talvez o exemplo da futura «União de Freguesias da Ruvina, Ruivós e Vale das Éguas», uma ímpar aberração, explique o que se passou. Alguém terá telefonado e explicado aqueles senhores cinzentos, cujo presidente lamentou com hipocrisia que tenham que se encerrar tantas freguesias no interior de Portugal, por onde deveria cortar. É que a sede da nova junta funcionará na primeira dessas freguesias, impondo às outras duas o que a sua população não quer nem nunca manifestou querer.
A anuência de alguns autarcas a este infame ataque à integridade territorial das freguesias foi geralmente precedido de reuniões e de uma espécie de negociação, na qual se traçou o destino a dar à freguesia e ao povo que a habita. Os autarcas que assim agiram cometeram, digamo-lo com todas as letras, um acto de traição para com o povo que os elegeu. Foi decidir à revelia da sua vontade, sem considerarem a sua opinião.
Somos de parecer de que nenhuma freguesia do concelho do Sabugal deve aceitar render-se, anuindo à agregação numa outra. Ceder neste processo significa assassinar as nossas aldeias enquanto organismos vivos, capazes de terem voz própria e capacidade de acção.
E aqui há ainda a questão do perigoso precedente. Se hoje Badamalos, Aldeia da Ribeira e Vilar Maior se «agregam», passando a ser uma só Junta, nada impedirá que amanhã se tenham de juntar à Bismula, à Rebolosa ou até a Alfaiates, num imparável processo destruidor de identidades e liquidador das nossas terras.
Este roubo de freguesias que nos fazem segue a mesma lógica daquele que nos anunciará o fecho do centro de saúde, da repartição de finanças, da extensão da Segurança Social e dos postos da GNR. Culminará, se o deixarmos avançar, no encerramento do próprio concelho e da Câmara Municipal e no puro abandono das populações à sua sorte.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

A Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela (ADRUSE) organizou no domingo, 11 de Novembro, em São Paio, concelho de Gouveia, um festival com o objectivo de divulgar a gastronomia regional com especial destaque para as sopas.

Organizado pela ADRUSE o XIII Festival de Sopas da Serra da Estrela teve lugar em São Paio, concelho de Gouveia e recebeu cerca de 1.500 visitantes. No festival foram servidas 28 variedades de sopas confeccionadas por 24 particulares e instituições dos concelhos que integram a zona de intervenção da associação: Gouveia, Seia, Manteigas, Celorico da Beira, Fornos de Algores e Guarda.
Os visitantes puderam provar, entre muitas outras, sopa da pedra com castanha, sopa de míscaros, aveludado de nabiça, sopa à moda do rancho e sopa de rabo de boi.
A Confraria da Urtiga, de Fornos de Algodres, foi uma das participantes, e apresentou uma sopa de cogumelos com urtiga. A cozinheira, Clara Paraíso, esclareceu que «a base da sopa leva batata, cebola, abóbora e boletos» sendo depois adicionada urtiga. «A urtiga é uma planta que tem muito potencial», explicou Rosa Costa, da confraria, acrescentando que «voltou a entrar na confecção das refeições de muitos habitantes da região».
O festival incluiu um concurso, cujo júri foi presidido por Justa Nobre, que distinguiu a «sopa da pedra», confeccionada pela Associação Musical Sampaense (Gouveia) como o galardão de «Melhor sopa do festival». A especialista defendeu o consumo de sopa por ser «sinónimo de saúde e de boa alimentação» e aconselhou as pessoas a comerem «sopa ao almoço e ao jantar». Foram também atribuídos os prémios «Sopa de castanhas», «Sopa de São Martinho», «Outro tipo de sopas» e «Profissionais de restauração».
O presidente da Câmara Municipal de Seia e presidente da ADRUSE, Carlos Filipe Camelo, valorizou a iniciativa hoje realizada por contribuir para a divulgação da gastronomia regional e por incentivar o aparecimento de novas sopas.
«Em cada festival que acontece há coisas novas que aparecem, utilizando produtos antigos que fizeram sempre parte daquilo que era a tradição de uma região como a da Serra da Estrela», disse na ocasião o autarca.
Muitos dos visitantes que passaram pelo recinto do festival deslocaram-se propositadamente ao concelho de Gouveia para degustarem as sopas tradicionais.
O Festival de Sopas da Serra da Estrela foi co-financiado pelo subprograma 3 do PRODER e contou com a colaboração do Município de Gouveia, da Junta de Freguesia de São Paio, entre outras entidades.
jcl (com agência Lusa)

Todos adoramos a nossa terra. Para cada um, a sua é a melhor, a mais bonita. Mas o Casteleiro é mesmo terra de encanto. «Em toda a Beira não há igual / É a mais bela de Portugal, / Mais pitoresca de todo o mundo.».

Hoje trago-lhe três momentos da vivência da minha aldeia em tempos idos. Por aí se vê quão bela e diversificada era a vida na minha terra há umas décadas. Num dos temas, o Casteleiro aparece mesmo como «terra de encanto». Leia: vai gostar – e depois tenha a disponibilidade de contar também coisas da sua terra, de antanho.
Estas referências às festas e à sabedoria popular em matéria também de medicina, as restantes histórias de hoje já foram por mim abordadas noutros portais digitais. Designadamente, no ‘Viver Casteleiro’.
Talvez conte as coisas de outro modo, mas respeitando sempre a veracidade do acontecido.

1 – O mesmo número
Há dias, em roda de amigos, contei esta cena como conto muitas vezes, porque na altura me impressionou bastante. Por mais que o diga, não me canso de repetir: esta história é para mim marcante, lembro-me dela constantemente e, mesmo que quisesse, nunca conseguiria esquecê-la. Nem a história nem o seu protagonista. Estávamos em Setembro de 1968. Como já se tornara habitual, o Dr. Rosa (‘Toninho Rosa’, era como lhe chamávamos ao falar dele) dispunha-se sempre, a seguir ao jantar, a dar o seu passeio acompanhado por alguns rapazes até lá acima à escola nova (feminina). Nessas caminhadas, era um vê se te avias de perguntas ao professor de História que ele era – não sobre História, mas sobre a vida real, o que se passava aqui e na França etc.. Éramos três ou quatro amigos à beira das faculdades e alguns até já no ensino superior. Ele adorava brilhar. E tinha tiradas do arco-da-velha. Maneiras simples e sofisticadas de comunicar connosco.
Pois bem.
Nesse Setembro, como se sabe, Salazar cai da cadeira e é substituído por Marcelo Caetano.
Claro que nessa noite isso foi logo tema.
Lembro-me como se fosse há bocado.
Eu ia daí a uns dias para Direito, para a Faculdade onde Marcelo era Director e catedrático ate aí.
Com a maior das naturalidades, perguntei-lhe:
– Ó Dr. Rosa, como é que vai ser o Marcelo no Governo? Vai ser muito diferente do Salazar?
Resposta pronta dele:
– Olha: calçam o mesmo número. É só outra fôrma…
Saiu tão certo, que esta sentença me ficou para sempre.
(Na palavra «forma» não devia pôr o acento circunflexo, porque de facto a palavra não o leva: mas quis pôr, para o leitor ler correctamente).

2 – Medicina popular
Há quem diga que nos encharcamos de químicos por tudo e por nada. Talvez. Exagerar é perigoso em todos os domínios. E neste caso dos medicamentos por tudo e por nada quando se tem uma constipaçãozeca (em teoria, esta palavra não devia levar o til, mas não consigo. Desculpem).
Ora bem: dantes não só não havia tanto químico à disposição, como não havia dinheiro para comprar. Assim, o Povo teve de se socorrer ao longo dos séculos de ervas e produtos da terra para minorar os efeitos das doenças.
Na minha terra, havia muitas soluções para isso.
Vamos então a duas ou três mezinhas simples que eram muito usadas no Casteleiro e que me foram relatadas por quem as conhecia bem:

Infecções graves por golpes profundos
Lavagem com borato (de sódio) – um pó branco como o bicarbonato, diz a minha fonte – e depois punha-se mel como se fosse uma pomada.

Dores de intestinos e dores menstruais
Chá de malvas e bredos mercuriais (parece erva cidreira e dá-se nas paredes. Tinha muitíssima fama há 50 anos).

Constipações e dores de garganta
Chá de sabugueiro misturado com leite. Era difícil de tomar. Tinha um sabor esquisito, diz a minha mãe.
Ou então: aguardente queimada, mel e chá de alecrim.

A propósito de ervas e poções: um dia escrevi que há ervas que não servem para nada: «Não têm utilidade: nem os cocilhos, nem as urtigas, nem as azedas». Pois bem, parece que em parte me enganei. Num «site» dedicado a estas coisas, encontrei uma pequena nota: «Da Ortiga faz-se o chorume que é uma maceração das plantas num recipiente com água e pode servir para adubar e prevenir doenças produto biológico por excelência. Se colocarmos Ortigas cortadas na cova onde se plantará a seguir os pés de tomates, serve de adubo e protege das doenças».
Mas o que é facto é que não conheço essa utilidade (nunca me foi relatada).

3 – Inauguração da luz eléctrica
Agora que a Junta, Câmara e EDP andam a melhorar a iluminação eléctrica das ruas principais da aldeia, vem bem a propósito recordar este episódio.
Vou lembrar o dia da inauguração da luz eléctrica.
Era assim mesmo que se dizia: a luz eléctrica. Foi em 1956. Meteu Governador Civil e tudo. Coisa séria. Coisa importante. Então era preciso receber a autoridade com pompa e circunstância. Aquilo foi uma farra, uma grande festa popular. Muita alegria, a electricidade era sem sombra de dúvida uma grande aquisição, mesmo com meia dúzia de lâmpadas na rua e de fraquíssima potência – muito sumidinhas, pareciam velas. Arranjou-se um grupo coral de jovens (rapazes e raparigas – coisa nem sempre aprovada, esta de misturar os sexos). Uma das responsáveis, Céu Mourinha, fez a letra e deve ter adaptado uma melodia, que ficou uma tal delícia que ainda hoje nos diverte quando a entoamos…
A letra era assim e foi depois usada noutras ocasiões:
Ó Casteleiro, terra de encanto,
Terra tão linda não há, não há.
É por ser bela que a amo tanto.
Nem que me paguem não vou de cá.

Quanto te deixo, ai que saudade…
Sinto os meus olhos brilhar de pranto,
Mas ao voltar que felicidade:
Sinto-me presa ao teu encanto

Em toda a Beira não há igual
Por isso a amo com amor profundo.
É a mais bela de Portugal,
Mais pitoresca de todo o mundo.

Nota sobre as imagens
Escolhi apenas imagens em que se vêem postes eléctricos por me parecer o tema mais importante.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Hoje, 11 de Novembro, evoca-se S. Martinho, dia em que a tradição manda comer castanhas e provar o vinho novo e a jeropiga.

Nas nossas terras sabugalenses, um pouco à semelhança de todo o País, o dia de S. Martinho, obriga à realização de convívios entre amigos, onde o vinho, a jeropiga e as castanhas fazem parte das ementas, proporcionando bons momentos de lazer e de convivência social.
Os nossos adágios populares referem-se abundantemente a este dia maravilhoso do nosso calendário. Liga-se o nome do santo não apenas à amizade e ao convívio, mas também à gastronomia e à vida agrícola. Vejamos esses rifões, alguns com curiosas cambiantes:
– Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
– Dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
– No S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho e põe-te a mal com o teu vizinho.
– Pelo S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho.
– Pelo S. Martinho, fura o teu pipinho.
– Pelo S. Martinho, prova o teu vinho e mata o porquinho.
– Pelo S. Martinho, semeia fava e linho.
– Queres pasmar teu vizinho? Lavra e esterca no S. Martinho.
– Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.

Na liturgia, o dia de S. Martinho celebra a data em que este santo, falecido em Candes, foi a enterrar em Tours, França, no ano de 397.
S. Martinho é o primeiro dos santos não mártires, o primeiro confessor, que subiu aos altares.
Antigamente era o santo mais popular de França. O seu túmulo, que está dentro de uma basílica, era o maior centro de peregrinação de toda a Europa Ocidental. A sua generosidade e a fama de milagreiro fizeram deste santo uma figura extremamente popular.
É santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, dos restauradores, hotéis, e pensões, dos produtores de vinho, dos alcoólicos, dos soldados… e também de muitos animais, como cavalos e gansos.
Em Portugal o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas exaltando o seu espírito de solidariedade. Lembra-se sobretudo o episódio em que partilhou a sua capa com um pobre que encontrou num caminho.
plb

Foi ontem, dia 10 de Novembro, entregue ao filósofo quadrazenho Pinharanda Gomes a medalha de mérito, que o executivo municipal do Sabugal decidira conceder-lhe.

Na cerimónia solene que comemora o Dia do Concelho foram distinguidas diversas personalidades que a Câmara Municipal homenageou dada a sua meritória de dedicação ao desenvolvimento e à divulgação do concelho do Sabugal.
A medalha de mérito cultural foi entregue ao escritor Pinharanda Gomes, que a recebeu, como documenta a foto, das mãos do presidente da Câmara António Robalo, sob o olhar atento do Presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos.
Na cerimónia solene foi ainda concedida a mesma Medalha de Mérito Cultural ao Grupo Etnográfico do Sabugal, à Associação Etnográfica de Sortelha e ao Centro de Convívio Cultural e Desportivo de Quarta-feira (Grupo de Teatro Guardiões da Lua).
Outra personalidade homenageada foi a judoca sabugalense Carla Gonçalves Vaz, que recebeu a Medalha de Mérito Desportivo.
Foram ainda distinguidas três empresas do concelho (Lactibar, Palagessos e Univest) com a Medalha de Mérito Empreendedor.
O agora chamado dia do concelho, foi criado pelo regulamento de distinções honoríficas. Não é porém feriado municipal – esse mantém-se inalterado e corre na segunda-feira de pascoela, dia de festa rija na Senhora da Granja e da Senhora da Graça. Ainda assim neste ano de 2012, o segundo em que o chamado dia do concelho é «festejado», aconteceu a um sábado, o que permitiu preparar uma digna e vistosa sessão solene no auditório do Município, a que assistiu muita gente.
plb

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta da Ribeira. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes três aldeias anexas desta freguesia: Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DA RIBEIRA

O mundo correm trovas cuja fama
Nos vem já não de anos mas milénios
Bem dormirá quem acha boa a cama
Quem tem sopros de fúria, enfim refrene-os

Há outros com doçuras de auriflama
Suaves como vinhos de Silénios
Bonança que em bonanças se recama
Desejos que não são alucigéneos

Viver á beira de água é um regalo
Quem se atreverá a denegá-lo
Não sei se haverá quem o não queira

Eleitos, pois, de Deus decerto são
Os que fora de um munto em confusão
Em paz vivem na Quinta da Ribeira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Passou de cem o número de confrades e amigos do Sabugal e do bucho raiano que hoje, dia 10 de Novembro, se juntaram no Clube Náutico Al Foz, em Alcochete, para conviver e degustar os bons sabores das nossas terras.

O convidado de honra deste almoço foi o general Pina Monteiro, Chefe de Estado-Maior do Exército, que se juntou aos confrades para saborear com os conterrâneos o bom bucho.
Enquanto observavam a magnífica paisagem que o estuário do Tejo proporcionava, os convivas foram conversando e provando as farinheiras e morcelas grelhadas que serviram de entrada. Depois passou-se para o salão, onde, já nas mesas, foi servido o Dom Bucho, acompanhado, como manda a tradição, com grelos de nabo e batatas cozidas.
Após as sobremesas e os cafés, por ser véspera de S. Martinho, vieram à mesa castanhas assadas e jeropiga, tudo produto da terra, o que satisfez o apetite e o gosto dos comensais.
À mesa estiveram um chefe de cozinha e um monitor da Escola de Hotelaria da Casa Pia, que ali vieram a convite da Confraria para conhecerem o bucho e para dar seguimento a uma parceria. Os alunos terão formação acerca do que é uma confraria, tendo por modelo a Confraria do Bucho. Também estudarão e proporão novas formas de confeccionar e de apresentar o bucho. A ideia é aproveitar o sabor tradicional desta peça gastronómica para a partir dela se prepararem novas iguarias. Também se apresentarão propostas inovadoras acerca da forma como o bucho pode ser «empratado» e servido à mesa.
O almoço de Alcochete também serviu para se marcar o próximo convívio, que acontecerá em Elvas, no Alentejo, em 19 de Janeiro de 2013. Nessa data haverá almoço de bucho no Hotel Brasa, sendo anfitrião o confrade Daniel Salgueira.
plb

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CANCHO – polpa dos frutos (Joaquim Manuel Correia ). Penedo; penhasco (Maria Leonor Buescu).
CANDEIA – utensílio de metal, com depósito para azeite ou petróleo, que se suspende para iluminar. Candeeiro com longo pé de madeira ou de metal, que acompanha as procissões.
CANDIL – candeia pequena.
CANDONGA – negócio ilícito; contrabando.
CANDONGUEIRO – indivíduo que anda na candonga; contrabandista.
CANEAR – morrer (Leopoldo Lourenço).
CANECO – caneca alta e estreita; chapéu alto (Júlio António Borges).
CANEJO – indivíduo com as pernas tortas, cujos joelhos roçam ao andar (Rebolosa).
CANELA – peça da lançadeira do tear, em forma de cubo, onde se enrola o fio.
CANELEIJA – recipiente ligado à moega do moinho, onde cai o grão a moer, que depois pingará para o buraco da mó (Franklim Costa Braga). José Prata chama-lhe caneleja. Clarinda Azevedo Maia acrescenta caleija.
CANELEIRA – instrumento de madeira usado para encher com fio de linho a canela do tear.
CANELEIRO – parte do tear onde se fixa a canela para enrolar fio.
CANELO – ferradura própria para o gado bovino.
CANGA – trave de madeira trabalhada e adaptada a ser colocada sobre o cachaço de dois animais de tracção, para que puxem ao carro ou lavrem a terra. A canga, normalmente feita em madeira de nogueira, contém os castelos, o vergueiro, as cravelhas e os barbantes.
CANDAÇO – engaço; pé do cacho de uvas, sem os bagos (Júlio António Borges).
CANGALHAS – dispositivo de madeira que se suspende no lombo dos burros para transporte. Há diferentes tipos de cangalhas: para a água (transporte de cântaros), para o estrume, para a lenha. Também significa óculos. De cangalhas: de pernas para o ar. Virou tudo de cangalhas. Nas terras do Campo (Penamacor, Idanha), chamam angarela ao dispositivo com que transportam os cântaros da água nos burros.
CANGRA – igreja – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CANHA – mão esquerda.
CANHADA – calçada (José Prata). Rua íngreme (Clarinda Azevedo Maia) do Castelhano: cañada.
CANHÃO – mulher mal reputada; prostituta.
CANHO – esquerdino; canhoto.
CANIÇO – grade de madeira onde se secam (pilam) as castanhas, que se suspende na cozinha, de modo a apanhar o calor e o fumo da lareira. Armação de vime que se coloca no carro de bois (Júlio António Borges).
CANIL – pão próprio para os cães, feito de farelo (Júlio António Borges, Clarinda Azevedo Maia).
CANIVETE – habitante de Vilar Maior (Júlio Silva Marques).
CANJADA – cajado (José Prata).
CANJERÃO – jarro grande de barro vidrado (José Pinto Peixoto). Júlio António Borges refere canjirão, como sendo jarro para vinho, ou pessoa alta e desajeitada, vocábulo que reporta a Escarigo.
CANOA – pente de ornamentação, à espanhola (Francisco Vaz).
CANOCO – alimento para os animais (Duardo Neves).
CANÕES – canas de milho, já secas.
CANOSTRAS – costas; avesso. Virou-o de canostras. Também se diz calhostras.
CANTADOR – galo.
CANTANTE – galo ou galinha – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CANTAR A MOLIANA – diz-se do choro das crianças. E serve de ameaça: vê lá se te ponho a cantar a moliana! (Júlio Silva Marques).
CANTAR DO CARRO – som estridente produzido pelo antigo carro de vacas, com eixo de pau de freixo. «O chiar dos carros era o orgulho dos lavradores que, quando chegavam a alguma localidade, faziam questão que o seu carro “cantasse” bem alto» (Norberto Gonçalves).
CANTAREIRA – estante onde se coloca a loiça e os cântaros da água; o m. q. vasal.
CANTARIA – pedra de granito bem talhada. Casa de cantaria: erguida com pedra aparelhada – casa de rico.
CÂNTARO – medida de capacidade; meio almude. A medida exacta do cântaro varia de terra para terra. Na maior parte das terras mede 12 litros. Porém, segundo Franklim Costa Braga (de Quadrazais) e Clarinda Azevedo Maia (que estudou o léxico de diversas terras da raia sabugalense) o cântaro mede 14 litros,. Lugar onde se metem os novelos quando se está a urdir a teia no tear (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CANTEIRO – artista que trabalha as pedras de cantaria e alvenaria.
CANTIGAS – lérias; tretas; mentiras. Deixa-te de cantigas.
CANTIGAS DAS FILHOSES – cantares próprios do final da malha (Manuel dos Santos Caria).
CANTILENA – cantiga simples e pouco elaborada.
CANTORIA – reunião de vozes cantando, muito usado pelos rapazes da ronda, de noite. José Pinto Peixoto diferencia entre: cantorias ao profano (risos, gargalhadas sem jeito) e cantorias ao divino (cânticos religiosos próprios da Quaresma).
CANUCHO – o m. q. canudo.
CANUDO – interior da maçaroca de milho a que estão agarrados os grãos. Parte do foguete onde está contida a pólvora.
CANUTO – o m. q. canudo (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CANZOADA – matilha de cães; gente reles e velhaca. Nas terras do Campo (Monsanto) dizem cãzoada (Maria Leonor Buescu).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaDesde jovem aprendi a ver a Guarda e a admirá-la como uma cidade histórica, onde aquele D. Sancho do Foral, com ar de quem domina o espaço, a meus olhos enchia a Praça. Os arcos ao fundo, onde as lojas quase se escondiam do frio e acoitavam qualquer «estrangeiro» que ali passasse sem abrigo, faziam-me sentir acolhida como se a sua proteção me trouxesse conforto. Por tudo isto, eu estremecia sempre que me abeirava daquela Praça Imponente.

Sé da Guarda - Neve

Depois, através da sua história, percebi como muitas verdades se podiam confirmar, pelo que ainda hoje, ir à Guarda é um passeio que me agrada, quase direi, me enche a alma. O clima é frio mas as pessoas são quentes e acolhedoras.
Homenageio o seu castelo que ficou para final entre os castelos de fronteira, não por descuido, mas por querer fechar com algum esmero «La Ruta de los Castilhos», do lado de cá, pois irei ponderar a hipótese de fazer uma busca aos castelos dos nossos vizinhos.

GUARDA

Ó Guarda se foste castro
De nome
Lancia opidana
Dos Visigodos eras
Warda
Teu castelo fiel guarda
Pela coragem que de ti emana.

Castelo em alvenaria de granito
Estilos românico e gótico são teus
Torre de Menagem no alto da colina
Torre Velha, isolada combina
Como se todas olhassem os céus.

A chamada Torre dos Ferreiros,
Apresenta planta quadrangular
E mostra quadros da paixão
Que quer queiramos quer não
Serve para a muralha recordar.

A Porta da Covilhã e a dos Curros
Provam seu longo existir
Pois entre elas a Rua Direita
Mostra-se caminhando perfeita
Para a todo o burgo servir.

No século XIII, Sancho I
Egitânia para aqui transferiu
Como diocese a vila revigorou
Em 1199 foral te doou
Foi isto que a pesquisa descobriu.

Iniciou vigoroso teu castelo
Que dominou a vila e a paisagem
O distinto e altivo torreão
Que de há tempos já cumpria missão
E Afonso II te fez torre de Menagem.

D. Dinis, Fernando e João
Retocam-te e te fortalecem
Torre Ferreiros, Covilhã também
Porta da Erva, como à época convém
De que muitos traços qu’ainda prevalecem.

No séc. XIV muitas portas existiam
Mas em XIX, as muralhas são benefícios
Alguns troços de muralhas demolidas
As suas pedras dali subtraídas
Para a construção de edifícios.

Em 10 Foste Monumento Nacional
Mas a demolição continuou
Em 40 houve restaurações
Até 21 mais remodelações
Pelo que a Torre dos Ferreiros vingou.

Mais lembro que na vila da Guarda
O Tratado de Alcanizes foi planeado
Em século XIII, seus finais
E apesar de aqui deixar pouco mais
Deixo seu castelo homenageado.

E nessa homenagem deixo também o meu abraço às suas gentes.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Tem continuado esta semana a saga da «refundação» do estado, com argumento do governo e tendo como protagonistas Passos Coelho e António José Seguro.

Esta história da refundação do estado, desculpem, refundação do estado não, só refundação das funções do estado, surge num tempo e num contexto improváveis. Surge, apresentado pelo Primeiro-Ministro, numas jornadas parlamentares da sua maioria, dois dias antes da apresentação do Orçamento do Estado. Não foi explicado nenhum pormenor desse peregrino plano de refundação nem aí, aos seus correligionários, nem ao país. E, o convite público ao PS, soou a convite envenenado. A forma como este governo tem apresentado as suas ideias tem sido de uma forma tão desastrada, que chego acreditar que há ali uma barreira entre o que pensam e o que se transmite. Era bem melhor estarem a pagar a um profissional de comunicação do que ao tal conselheiro para as privatizações… O facto é que, todas as medidas que o governo toma e vem publicamente apresentar, assemelham-se a um elefante numa loja de porcelanas. Se a ideia era um debate ou, como gostam de lhe chamar cá no burgo, um pacto de regime, faria sentido propô-lo á Assembleia da República. Dessa forma, traria para a opinião pública, um debate que tem que ser público. E aqui, seria interessante debater qual o verdadeiro mandato de que um governo é empossado. Reparem (e serve somente como exemplo), o governo nunca é apresentado antes, ele não sai dos deputados que são eleitos e, quando se tornam governos, nunca implementam o programa com que se apresentaram a eleições. E, contudo, falam em nome do povo, da vontade do povo e da sua legitimidade para tomarem decisões mesmo contra aquilo que apregoavam e com o qual foram eleitos. Legitimidade? Qual? E dada por quem? Neste aspecto, a lei do poder autárquico é mais verdadeira. E no entanto é nesta que querem mexer! Porque será?
A refundação de que tem falado este governo mais não é do que o fim do estado. Não falta muito. Vão fechando asa escolas e os centros de saúde. Fecham os correios. Fecham os tribunais. O estado está cada vez menos presente. Deixando as populações ao abandono. E, contudo, ainda nos pedem mais impostos! Para quê? Para Quem? Se já não existe estado na maior parte do território nacional?
E tudo isto surge num tempo de penúria e no momento da apresentação do orçamento. O que pretendia o governo? Se não introduziu o item no orçamento é porque não pode, se o compromisso é com a troika, então deveria ter avisado o país antes. Se… o facto é que este governo é habitual comprometer-se e, depois, é que vem com o discurso lamechas de que tem que ser, é necessário e tal coisa e tal. Quando se lhe pergunta porquê, então, depois de muitas voltas, lá confessa que se comprometeu. O mal, é que não se compromete com os portugueses. E era com estes que deveria estar comprometido.
Ora, faz bem o PS em não alinhar com o governo nessa da refundação, não porque se sinta melindrado com as formalidades, mas, essencialmente, porque seria uma brecha na matriz do partido socialista e um retrocesso civilizacional. Lembro-me de uma frase de um filme, “ a civilização está em ruina, logo agora quando mais precisávamos dela”.
É preciso cortar despesas no despesismo do estado? Inevitavelmente. Mas por que, sempre que se fala em cortar despesas, elas são sempre na saúde, na educação e na acção social? Não há outras áreas em que esses cortes podem ser feitos? Claro que há! Mas aí estão metidos os interesses corporativistas, dos amigos e dos financiadores de campanhas…
Passaremos as próximas semanas acompanhar esta novela da refundação, cujo objecto são quatro mil milhões de euros. Agora, e para já, com mais um laivo da teimosia do Primeiro-Ministro, após a nega do Seguro.
Entretanto, vejam bem, num momento em que nos são apresentadas diariamente restrições, austeridade, pobreza, despedimentos, dificuldades de toda a ordem, emigração… o sr. Silva (Presidente da República), depois de estar calado desde a borrada do 5 de Outubro e de ter “falado” via facebooK, apareceu para comentar a austeridade na inauguração de um hotel de luxo! Ficava-lhe bem um certo pudor. Poderia mandar o ministro da economia, outra pessoa, mas ele deveria comedir-se, porque o luxo destoa com austeridade e com a miséria que grassa pela sociedade portuguesa. E que disse ele? Disse que não se deixava pressionar acerca do Orçamento de Estado! E precisa sr. Presidente?

P.S. Saúdo a reeleição do Presidente Barac Obama. É uma excelente notícia para o mundo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A reforma administrativa do território poderá conduzir a uma substancial perda de freguesias nos distritos da Guarda e de Castelo Branco por força das agregações propostas pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Apenas Manteigas mantém intacta a sua estrutura administrativa do território.

Penamacor pode perder três freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Penamacor, passando o mesmo para nove freguesias, menos três do que as que possui actualmente.
Pedrogão de São Pedro junta-se à Bemposta, passando a formar uma única freguesia.
A outra união prevista é a que reúne as freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires, que passam a ser uma só.
A proposta mexe na única freguesias com menos de 150 habitantes, a Bemposta, que a UTRAT agrega a outra freguesia. Mas a proposta vai mais longe e, cumprindo os critérios legalmente definidos, aponta-se para a redução de três freguesias.
A Assembleia Municipal de Penamacor pronunciou-se contra a reorganização administrativa do território do concelho, não propondo a agregação de qualquer freguesia.

Manteigas não vai perder freguesias
O concelho mais pequeno do distrito da Guarda, mantém as quatro freguesias que o compõem, ainda que duas delas se situem na própria malha urbana da sede do Município.
Nenhuma das freguesias do concelho de Manteigas tem menos de 150 habitantes, além de que a lei da reorganização administrativa não obriga à redução de freguesias em municípios que têm quatro ou menos freguesias.
Face a estes factos a UTRAT entendeu não promover qualquer agregação, tanto mais que o próprio Município não expressou essa vontade.
A Assembleia Municipal de Manteigas pronunciou-se através da aprovação de uma moção em que lamentou a lei de reforma administrativa pelo facto da mesma não promover a transferência de freguesias entre municípios.
Assim sendo, em Manteigas vão manter-se inalteradas as freguesias de Santa Maria, São Pedro, Sameiro e Vale da Amoreira.

Almeida pode perder 13 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Almeida que implicarão que passe a ter apenas 16 freguesias, menos 13 do que as que possui actualmente.
Azinhal junta-se a Peva e a Valverde.
Junça e Naves passam a formar uma só freguesia.
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova também se agregam numa só.
Castelo Mendo, Ade, Monte Perobolso e Mesquitela serão igualmente agregadas.
Amoreira, Parada e Cabreira é outra das agregações em Almeida.
Miuzela e Porto de Ovelha também passam a uma só freguesia.
Malpartida e Vale de Coelha também se unem.
A proposta da UTRAT mexe em todas as 16 freguesias do concelho de Almeida com menos de 150 habitantes, provocando uma redução de 13 freguesias, número muito maior do que aquele que a lei obrigaria, pois aplicando os critérios legais este município apenas teria de perder, no máximo, sete freguesias.
Porém o facto de a mesma lei impor que em nenhum município poderão restar freguesias com menos de 150 habitantes determinou a proposta que a UTRAD aponte para um maior número de agregações.

Concelho da Guarda pode perder 12 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT vai de encontro ao parecer emitido pela Assembleia Municipal da Guarda, o que implicará que o concelho passe a ter apenas 43 freguesias, menos 12 do que as que possui actualmente.
As três freguesias localizadas no perímetro urbano da cidade da Guarda (Sé, São Vicente e São Miguel) ficam a constituir uma só freguesia.
Adão e Carvalhal Meão também se unem.
Gonçalo e Seixo Amarelo seguem o mesmo caminho.
São Miguel do Jarmelo e Ribeira dos Carinhos passam a uma só freguesia.
São Pedro do Jarmelo e Gagos irmanam-se igualmente.
Avelãs de Ambom e Rocamondo também ficarão agregadas.
Corujeira e Trinta passam a uma só freguesia.
Misarela, Pero Soares e Vila Soeiro também se juntam.
Pousade e Albardo reúnem o seu território.
Rochoso e Monte Margarido agregam-se também.
O caso da Guarda é um dos poucos na região em que a proposta da UTRAD vai inteiramente de encontro à pronúncia que a Assembleia Municipal fizera acerca do processo.

Belmonte pode perder uma freguesia
O concelho de Belmonte perde uma só freguesia, de acordo com a proposta formulada pela UTRAT, o que fará com que o concelho passe a ter quatro freguesias.
A própria cabeça do Município junta-se ao Colmeal da Torre, passando a formar uma só freguesia, o que melhora a dimensão demográfica de Belmonte enquanto sede.
As freguesias de Maçainhas, Inguias e Caria permanecem inalteradas.
A Assembleia Municipal de Belmonte não se pronunciou, limitando-se a fazer chegar à Assembleia da Republica as posições tomadas pelo Município e pelas assembleias de freguesia, que se mostraram contrárias a qualquer redução do número de freguesias no concelho.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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