Se eu tivesse uma boa relação com a informática conseguia fazer como alguns colaboradores quando querem que se leia algo já em «arquivo», chamemos-lhe assim, bastando para isso um click numa palavra qualquer, mas como a minha relação é péssima, vou dizer-lhe querido leitor(a) que leia o meu artigo de 19 de Abril de 2011 – «As ideias têm um fim».
O capitalismo Selvagem sente-se ainda obstaculizado na sua luta pela vitória final pelos serviços públicos e pelos direitos dos trabalhadores, a Socialdemocracia sempre preservou os serviços públicos e garantiu os direitos aos trabalhadores. Mas os obstáculos que impedem o Capitalismo Selvagem da vitória são fáceis de resolver, quanto ao primeiro, vão ser-lhe entregues de mão beijada, através de privatizações, a saúde, o ensino, os transportes a segurança social e todo o que der lucro, quanto ao segundo, os direitos dos trabalhadores já não existem.
Quem se atreve pôr fim a isto? Vamos supor que uma força política, uma força de mudança ganhava as eleições num qualquer país da União Europeia submetido ao Diktat Neoliberal, ao Diktat alemão, começava por pôr cobro à violenta austeridade, não permitia o desmantelamento do Estado Social, regulava os mercados e governava para o bem estar de todos. Guerreavam essa força política até à sua destruição, os meios de comunicação social, o capital financeiro, a polícia, Bruxelas, Berlim a NATO e Wall Street, ou seja, toda uma estrutura nacional e internacional. Aliás, a chanceler alemã deu isso a entender quando se deslocou a Portugal, não recebeu os partidos da oposição, para mim esse gesto teve um significado, rejeição e marginalização pura e simples de quem não seguir o Diktat Neoliberal alemão.
Eu ainda recordo bem das primeiras vezes que usei o termo Neoliberalismo aqui nos meus artigos do Capeia Arraiana, chacota geral, hoje vou falar-lhe querido leitor(a) do «Ordoliberalismo», uma escola de pensamento político/económico, conservadora e tipicamente de direita, nascida na Alemanha nos anos 30 e 40 do século passado. Esta escola só se diferencia do Neoliberalismo clássico porque aceita uma certa regulação dos mercados, principalmente dos financeiros, potencia também o sector exportador em detrimento da procura interna, da subida de salários e gasto público. Tem como prioridade a privatização do sector público, põe a maior parte da economia nas mãos dos empresários, os salários são discutidos entre patrões e sindicatos, menos protecção social e, o Keynesianismo é considerado de esquerda, quase a rondar o comunismo. Diferencia também o «Ordoliberalismo» do Neoliberalismo o grau de austeridade para potenciar as exportações, ambos querem reduzir o deficit público do Estado procurando assim a confiança dos mercados, mas para os «Ordoliberais» é preciso um mínimo de estabilidade social, para os Neoliberais não interessa essa estabilidade, o prioritário é o deficit.
Assistimos então querido leitor(a) ao fim da Socialdemocracia, porque muitos partidos social democratas europeus já se reciclaram em «Ordoliberais», na Grécia, na Espanha, na Itália e na França, o discurso da Socialdemocracia já é este, em Portugal ainda é Neoliberal, mas tenhamos esperança! Dentro dele já se ouvem vozes «Ordoliberais»…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com