A recente e fugaz visita da sra. Merkl a Portugal, revestiu-se de um aparato policial e militar terceiro mundista. Foi um espectáculo nunca visto pela capital cá do burgo. Com medo de quê? De que ela visse o povo que protestava nas ruas? Pela miséria já não escondida nem calada das portuguesas e dos portugueses?

Sinceramente, não compreendi tanta medida de segurança, quando se apregoa que somos um povo sereno, de brandos costumes. Mas o facto, é que a senhora esteve por cá. Esteve com o Primeiro-Ministro e com o Presidente da República. Ao primeiro, veio dar umas palmadinhas nas costas, como bom menino que é, num apoio a uma política que nos levará andar com as calças na mão. Num rumo sem esperança. Num programa em que ninguém acredita. Se a ideia era a de reforçar a legitimidade das políticas do governo, a verdade é que é um flop. Ninguém acredita na senhora. A sua visita ficou logo esvaziada na entrevista que deu à RTP. Deixou aí claro que, politicamente, nada viria alterar ou propor. Dizer que o governo está a cumprir com o memorando, não precisava de cá vir, nós sabemo-lo. Até está a cumprir mais do que o memorando! Portanto, a sua visita foi a de, ao estilo imperial, vir visitar um protectorado, mostrar quem manda. Foi visível o estilo submissivo do primeiro-ministro, quer na pose, quer no discurso. E para a submissão não ser monocolor, a tradução do alemão para português era feita em… brasileiro!!! Bom, a senhora veio cá almoçar um bom cabrito e trouxe com ela uma série de empresários. Estes vieram cheirar, como abutres, as empresas que se podem “comer” facilmente. Não sou contra investimento estrangeiro, obviamente, mas esta visita parece isso exactamente. Este encontro poderia perfeitamente acontecer sob o patrocínio da Associação luso-alemã ou da embaixada da Alemanha. Mas não. Ela acontece com a visita da chefe. Chefe deles (alemães) e dos nossos (portugueses). Portanto, qual a importância desta visita? Empresarialmente, apoio à formação profissional, deve ser para formar os emigrantes para lá, politicamente, zero. Esta visita serviu para confirmar que a Europa, nada tem de novo para responder aos desafios que se lhe deparam. As medidas que teimosamente tem aplicado não têm dado resultado e, todavia, insiste-se nelas. Não sei se por fé ou por não querer assumir o erro, o falhanço, das políticas seguidas. O facto é que a Europa se encontra à beira da cisão. E muito por culpa dos ditames desta senhora.
Ao governo, se não quer continuar, que se renda. Mas que o faça com dignidade. Mas que não ande por aí submisso. Porque, para isso, tire a bandeirinha da lapela, não a envergonhe.

P.S.1 Lamentáveis as afirmações do primeiro-ministro, felicitando os que foram trabalhar em dia de greve geral. Pode pensar dessa forma, ser contra o direito á greve, mas ela é constitucional e o senhor governa segundo essa constituição. O mesmo do senhor Presidente da República, vir dizer que «hoje até estive a trabalhar» (recebeu o presidente da Colômbia), afirmando, com ar enfadado, que a greve era um direito constitucional. Que chatice! Não é?

P.S.2 Está por cá a troika e encontrou-se com os partidos. Desconcertante, os comentários no final. Para a esquerda, a troika nada muda, para a direita, a troika mostrou muita abertura para mudar algumas coisas. Afinal, como é que ficamos? Ou a troika diz uma coisa a uns e outra a outros, ou alguém mente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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