O título desta crónica foi pedido emprestado ao professor Adriano Moreira que, na segunda-feira, proferiu uma lição de filosofia política, aquando da realização de um congresso sobre economia organizado pela Antena 1.

A verdade, é que grassa pelo mundo uma anarquia política assente numa visão económica sem regras nem controlo. As democracias estão a ser subvertidas por princípios que a põem em causa. As nações são governadas por gente que não foi eleita, obscura e incógnita. Aliás, tenho aqui referido que, a escolha do elenco governativo, deveria ser conhecido antes das eleições e não depois. Esta subversão dos princípios democráticos tem conduzido o mundo (pelo menos o mundo ocidental) para um colapso das sociedades. Dizia o Professor, que é preciso que se imponha o poder da palavra contra a palavra do poder. Para que, desta forma, seja o povo a erguer-se para que se possa controlar esta anarquia. Os governos devem governar para as pessoas e com as pessoas. Hoje em dia as pessoas foram substituídas por números e governa-se para os agiotas.
Vamos imaginar que cada cidadão português quer ir para o governo para poder pagar a formação que o país lhe proporcionou Grande parte da população estaria no governo. Pois bem, foi este o argumento que o ministro das finanças apresentou para a sua presença no governo (não seria melhor que pegasse no dinheiro e, com juros, o entregasse ao estado?). Parece-me de uma pobreza tacanha que um governante apresente esta justificação para fazer parte de um governo. Ao mesmo tempo, percebe-se agora, o porquê do seguimento de uma política que tem levado os portugueses a um empobrecimento gradual. Este ministro está a vingar-se de o termos formado tão mal! Reparem que, ao final de um ano, toda a linha política financeira seguida tem levado a lado nenhum. Todos os sacrifícios pedidos – e para os quais a população se prestou a fazer, tomando de boa-fé os objectivos – têm saído completamente furados. Contudo, a receita não só não é posta de lado, como ainda é reforçada. Até aqui, a desculpa, era o cumprimento de um tal memorando. Agora sabemos que tal não é verdade. Pois as medidas aí previstas têm vindo a ser invertidas. O governo quis ir mais além, até aqui nada de mal viria ao mundo se, efectivamente, os resultados fossem os propostos. Mas a troika pedia que fossem dois terços de corte nas despesas e um terço na receita fiscal. O governo fez precisamente o contrário. E mesmo assim, os resultados não aparecem. E não aparecem porque a linha seguida tem levado a uma contração na receita. Aprende-se em economia e finanças que o aumento de impostos só leva a um efectivo recolher de receita até um determinado ponto. A partir daí, por mais que se aumentem os impostos, essa receita diminui. Ora, o que este governo está a fazer, é precisamente insistir numa receita que, em vez de aumentar a receita, tem levado à sua diminuição. Não havendo consumo, não havendo transações comerciais, não pode haver pagamento de impostos. Levando a um bloqueio económico e, em consequência, ao vazio de receitas, quer para o estado, quer para as empresas e para as famílias. Pois este Orçamento de Estado agora apresentado é, precisamente, o retrato do que acabo de dizer. Poderia ser somente uma opinião minha (assumidamente leigo nessa sacrossanta matéria que são as finanças), mas ela é partilhada por, praticamente, toda a gente (menos pelo ministro pardo, António Borges, que, mais uma vez, vem defender o aprendiz. Já repararam que andam os dois a elogiar-se um ao outro sistematicamente? Porque será?). Lembra-me a velha história do soldado que, marchando em sentido contrário aos demais, pensa que são os outros que estão marchar ao contrário. Este OE levará ao colapso da economia nacional, ao aumento de pobres em Portugal, ao regresso à miséria e, no final, ao fim do país. Só que, nessa altura, o senhor ministro das finanças, voltará para o seu excelente emprego em Bruxelas, e não haverá quem queira ficar com este retângulo «à beira mar plantado». É altura de lhe dizerem que têm que ser as teorias económicas adaptarem-se à realidade e não o contrário. Desta forma, lamento dizer-lhe que, a realidade é bem diferente da dos gabinetes majestosos (que nós pagamos), onde estes biltres se entretêm a jogar uma espécie de monopólio. Mas, bastaria que se percebesse, se tivéssemos políticos a sério e não uma cambada de incompetentes, que este OE está, não só arruinar o país pela via fiscal, como o está arruinar pela via política. Ele será a causa de uma crise política, a começar pela coligação governamental, vejam que há ainda pouco tempo esteva à beira da rotura por causa da TSU, como parlamentar. O PSD diz que este orçamento não é deles, o CDS diz o mesmo, ou melhor, cala-se, dizendo no Parlamento que o «orçamento é de Portugal» (João Almeida dixit), sacudindo ambos a água do capote. Afinal, de quem é este orçamento? Uma garantia, meu não é de certeza. Nem dos milhares que, consecutivamente, se têm manifestado.
Este governo não sabe para onde vai e, pelos vistos, nem sabe de onde vem. A prova é que o senhor primeiro-ministro (o tal do custe o que custar) começa sibilinamente a dizer que se quer ir embora. Há bem pouco tempo empertigava-se, recorrendo a todos os truques, para se colocar no poleiro.
Era bom que houvesse tino e vergonha. Por isso, a lição do Professor Adriano Moreira foi um raio de luz da razão, de sapiência e de bom senso. Já são poucos. No seu partido, nenhum.

P.S.1 A história da Sabugal + parece-me a história da pescada, antes de o ser já o era!

P.S.2 Ao fim da quarta revisão do mapa judicial, foi decidido que o tribunal de Almodôvar vai continuar. Primeiro era o de Mértola que ficava, depois nem um nem outro, agora o de Almodôvar. Esta é a única câmara PSD no baixo Alentejo. Coincidência? Mais, o tribunal de Mesão Frio vai fechar, contudo o ministério anda em obras de melhoria no edifício que rondam os 150 000 euros (digo rondam, porque sabemos como são as contas nestas coisas do estado). É de bradar.
É esta a seriedade do mapa judicial e desta ministra.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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