O Reino Unido conseguiu o maior império que a História regista.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDo compêndio de Geografia já noutra crónica referido, consta uma extensa listagem de colónias britânicas que passamos sumariamente a enumerar, anotando a superfície que o livro lhes atribui e que são:
Na Europa:
Heligolândia (0,5 km2), Gibraltar (5) e Malta (370).
Na Ásia:
Chipre (960), Índia (2.400.000), Ceilão (640.000), Estabelecimentos do Estreito (3.800), Hong-Kong (83), Labuão (78), Nicobar (1.800), Andamão (6.500), Laquedivas (2.000), Kuria-Muria (55), Adem (20), Pérsia (2.000.000), Kamarao (165) e Keeling (22).
Na Oceânia:
Novas Gales do Sul (800.000), Norfolk (14), Vitória (230.000), Gucensland (2.000.000), Austrália Meridional (1.000.000), Territórios do Norte (1.400.000), Austrália Ocidental (2.500.000), Indígenas da Austrália (100.000), Tasmânia (70.000), Nova Zelândia (270.000), Chatam (1.600), Fidji (20.000), Rotuma (36), Aucland (500), Lord Hove (8), Carolina (5), Starbuck (3), Malden (90) e Funning (40).
Na África:
Colónia do Cabo (572.000), Basulolândia (22.000), Griquelândia Ocidental (45.000), Transkai (40.000), Natal (50.000), Transval (300.000), Indígenas do Transval (100.000), Walthis-Bay (20.000), Serra Leoa (2.600), Gâmbia (179), Costa do Ouro (40.000), Lagos (200), Santa Helena (123), Ascensão (83), Tristão da Cunha (116), Maurícia (2700) e Nova Amesterdão com São Paulo (100).
Finalmente, nas Américas:
Canadá (8.500.000), Terra Nova (110.000), Bermudas (60), Honduras (20.000), Bahamas (14.000), Ture (25), Caicos (550), Jamaica (10.000), Cayman (600), Leward-Island (1.800), Windward-Islands (2.000), Staten-Island (2.000), Trindade (5.000), Guiana Inglesa (220.000) e Falclândia (12.500).

A enumeração, conquanto fastidiosa, não consigna, mesmo assim, a totalidade dos territórios que chegaram a estar dependentes da coroa britânica; e, quanto à sua extensão territorial, para a maioria dos casos, peca por deficientíssima, sendo certo que os dados procederam de repartição administrativa que só considerava os quilómetros quadrados sitos onde a jurisdição efectivamente funcionaria.
Com efeito, para numerosas parce1as, as superfícies indicadas apresentam valores manifestamente ridículos quando confrontados com as dos estados que actualmente lhes correspondem.
Acresce que, ao tempo, os Estados Unidos, outrora a mais importante e rica colónia do império se havia já emancipado; que o Império Turco ainda se não havia desmembrado e parte importante daquele, nomeadamente a Palestina e o Egipto, haviam de passar para a administração britânica, tal como a península arábica; e que territórios que na partilha da África haviam sido consignados à Alemanha transitaram, por virtude dos tratados que puseram fim à Primeira Grande Guerra para a posse ou, minime, a zona de influência de Londres.
Resumindo, poderá dizer-se que um súbdito de Sua Majestade britânica podia ir do Cairo ao Cabo, ou da Serra Leoa ao Corno de África sem ter de prestar obediência a outro chefe, que imperava em toda a Oceânia, na América do Norte, no Próximo, Medio e Vero Oriente, ou em todo um longo rosário de ilhas esparsas par tados os oceanos, ou mesmo por todos os mares.
Na génese de tão vasto império intervieram razões como a do espaço vital e a das oportunidades comerciais.
A população inglesa subiu rapidamente de menos de vinte milhões para mais de cinquenta. Daí a emigração para a América do Norte e a África do Sul, territórios de grandes riquezas agrícolas e mineiras e grande aptidão para a pecuária, ainda com a vantagem de serem dotadas de c1imas perfeitamente adaptados à raça branca.
Mas também a pirataria e o crime assumiram aqui poderosa influência.
Os portos de onde se vigiavam as mais concorridas rotas: as ilhas que rnais recôndito esconderijo fossem capazes de propiciar aos corsários que actuaram nos sete mares; as costas mais difíceis para servirem igualmente de coito: ou as embocaduras dos mais caudalosos rios usados para os raides fluviais, enfim todos os lugares eleitos por uma pirataria muito activa, eficiente e gozando da tolerância ou mesmo da protecção da Coroa e da sua política de canhoneira – acabaram por vir a tornar-se parte integrante do Império.
Mais importante do que a acção destes viquingues da Idade Moderna se revelou a dos condenados que eram remetidas para lugares de degredo onde poderiam vir a fixar-se como colonos livres se ali dessem provas de regeneração e, numa primeira fase, se comprometessem a não regressar à metrópole.
Como exemplo deste tipo de colonização costuma citar-se a Austrália, onde se começou pela parte sul da costa oriental, antes explorada pelo capitão Cook e por ele designada Nova Gales. Foi um oficial de marinha que, com cerca de oitocentos condenados, fundou a cidade de Sydnei.
A carência de mulheres já que os criminosos condenados à morte ou penas de degredo eram guase só homens, resolveu-se com a deportação das que na Inglaterra se dedicassem à prostituição.
O País, mau grado a procedência da generalidade da população, cedo atingiu elevados níveis de prosperidade e civi1ização e pouco tempo após o papel de colónia penal passou para a Tasmânia.
Como se vê, foi muito heterogéneo o contributo dos que a1icerçaram a maior comunidade de povo. ligado por laços de soberania, cultura e idioma, jamais existente.
O inglês tornou-e assim uma língua praticamente universal, sendo falado e tido como oficial nos mais variados lugares do mundo.
As independências começaram há mais de duzentos anos e ainda não terminaram.
Mas a Comunidade, tendo como principal elo, a língua inglesa e acatando também genericamente como símbolo a casa real assume-se como realidade que sabe resistir a interesses e posições, não raro aparentemente irrecinciliáveis.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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