A desvalorização da moeda constitui um valioso instrumento de dinamização da economia e de acalmia social.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO nosso Primeiro-Ministro sofre simultaneamente de uma exasperante falta de preparação académica e de uma obsediante inexperiência de vida.
Uma simples licenciatura, obtida aos solavancos de anos de matrícula e não matrícula, não o qualifica suficientemente ao nível universitário.
Tanto quanto uma actividade profissional em protegidos empregos de circunstância lhe não propiciou um verdadeiro conhecimento das duras amarguras da amarga vida real.
Ora, esta dupla faceta, duplamente negativa, reflecte-se-lhe negativamente em muitas circunstâncias, nomeadamente quando em entrevistas discreteia sobre o dia-a-dia, do comum dos cidadãos.
E leva a omissões e confusões que não escapam a uma observação, mesmo breve e perfunctória.
Na última charla ao País, Sua Excelência quis equiparar, para efeitos de influência sobre o consumo, cortes na retribuição e desvalorização da moeda.
É certo que quer a menor quantidade de moeda, quer o menor valor desta relativamente ao preço do produto que com ela se pretende adquirir, tem o mesmo efeito sobre as quantidades efectivamente adquiridas. Só que a questão não se resume a esta formula simplista.
Com a desvalorização da moeda, põe-se mais moeda a circular. E se esta majoração for proporcional à quebra efectiva do valor, o cidadão que passa a receber o dobro da moeda compra a mesma quantidade de artigos cujo preço subiu também para o dobro…
A diferença, o grande benefício da desvalorização é em favor dos endividados, cujo montante da dívida não se altera.
Obviamente que para que os devedores ganhem, os credores têm que perder. Mas aqueles é que são o elemento dinamizador do mercado. E a sua angústia é que perturba a paz social. Aumentando-se-lhes os proventos na proporção da quebra da moeda, assegura-se-lhes o mesmo poder de compra, não se lhes perturba minimamente o estatuto. Mas aliviam-se proporcionalmente do peso da dívida.
É certo que os credores saem prejudicados da operação. Mas estes são sempre proporcionalmente poucos. E para o florescimento da economia não contam.
Daí que os Estados que perdem a capacidade de desvalorizar a moeda percam um importantissimo elemento, decisivo mesmo sob o ponto de vista da dinamizaçao da economia e da preservação da paz social.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

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