Ignorante, adjectivo, destituído de instrução, que não tem conhecimento ou prática de determinada matéria, desconhecedor. A definição da palavra dada pelo dicionário de Língua Portuguesa, ajuda-nos a perceber e a introduzir esta crónica.

O «ministro pardo» (leia-se consultor para as privatizações) deste governo terminou a semana passada com a tirada de chamar ignorantes a todos os empresários que se manifestaram contra a Taxa Social Única. Não vou entrar nas, já muitas, considerações feitas a tal afirmação. Contudo, deixo algumas interrogações: onde estão as empresas criadas e, com elas, os empregos criados por este senhor? Dizia o senhor Soares dos Santos, conhecido como o homem mais rico de Portugal, que o senhor não era um tipo qualquer. Pois não senhor Soares dos Santos! Uma pessoa qualquer não diria tal atoarda! Este senhor tem vindo a proferir afirmações que são insultuosas para a maioria da população portuguesa. Por não ser um tipo qualquer é que devia ter tento na língua e não ofender quem tenta criar riqueza. Mas entendemos porque o homem mais rico de Portugal o veio desculpar, ele é administrador não executivo do grupo de que é dono Soares dos Santos. Afirmava no final, que nenhum desses empresários faria o primeiro ano do curso de finanças onde ele é professor universitário, esqueceu-se foi de dizer, ou devemos supor que o governo são os alunos de tão douta cátedra. A verborreia que tem caracterizado este tipo que não é qualquer demonstra um ser ignoto, encaixando, ele sim, na definição do título desta crónica.
Esta semana, quando as assembleias municipais e, portanto, o país, se manifestava contra a organização administrativa do poder vulgar (vulgo extinção de freguesias), o Secretário de Estado do Poder Local, explicava para a tv que, quer queiramos quer não, vão ser extintas mil freguesias. Pronto, se tem explicado que tal processo beneficiava as populações com melhores serviços, melhores condições… mas não! Explica o fulano que tal ia beneficiar as empresas locais! Que assim, vai ser-lhes pago os créditos que se lhes deve, criando emprego! Fiquei estupefacto! É este o grande motivo pelo qual se tentava efectuar esta reforma do poder local? Tal plano tão inteligente só pode ter sido delineado a partir da tal universidade em que o outro é professor…
Por falar em professor, também esta semana, num artigo publicado no New York Times, Paul Krugman, Nobel da Economia (o tal que em Março deste ano veio cá ao burgo receber um doutoramento honoris causa, e que afirmava não saber se toda esta autoridade ia dar resultado e que os salários dos portugueses devia ser cortado em 30%), escrevia, agora, que «a austeridade foi longe demais». Apetece-me dizer-lhe que os portugueses descobriram isso há muito e não foram laureados com o prémio nobel. É que toda esta crise é fruto dessas experiências feitas em gabinetes por uns quaisquer alucinados, sem qualquer semelhança, sequer, com a realidade. O mal é que entregámos aos mesmos a sua solução! Não vai funcionar.
Também esta semana, a Secretária de Estado do Tesouro, dizia com toda a convicção que Portugal não estava a entrar numa espiral de receção. No mesmo dia, no jornal da RTP2 (ontem), um ex-ministro das finanças, Augusto Mateus, explicava que Portugal estava a entrar numa espiral de receção. É esta amplitude de opiniões que mina a credibilidade, cada vez mais, dos economistas e financeiros. Deixando no povo o pior dos estigmas, a desconfiança. Desconfiança que se estende aos políticos que exercem o poder. A conferência de imprensa do ministro das finanças foi o exemplo da desconfiança. O senhor ministro procurava anunciar as medidas adjectivando-as com termos como «enorme», tentando solidarizar-se com os contribuintes a quem anunciava mais um roubo ao fruto do seu trabalho. A hipocrisia também devia pagar imposto, não acha senhor ministro das finanças?
E para completar o ramalhete, veio esse gnomo da Comissão Europeia, que dá pelo nome de Durão Barroso, tirar o tapete ao governo (aliás, assunto em que é especialista), afirmando que este tinha apresentado as alternativas ao aumento da TSU e que já tinham sido aprovadas pela comissão. Só que os portugueses ainda as desconheciam! Com amigos destes…
O JN trazia em grandes parangonas de primeira página que, a aventura dos amigos do sr. Silva no BPN, vai tornar-se na maior desventura dos portugueses. Já custou 3,5 mil milhões de euros e, no final, vai ficar nuns incríveis 6,5 mil milhões de euros! Não era preciso cortar subsídios, salários, pagavam os submarinos (parece que assaltaram sem arrombo o carro onde estavam os contratos dos tai submarinos), etc. Todavia ninguém está preso, ninguém é acusado, nada. Esses figurões assaltaram literalmente o país e pavoneiam-se pelas praças e balcões cá do burgo, enquanto o povo verga sob a austeridade aplicada por aqueles que juravam não o fazer. O povo verga, mas não parte.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Advertisements