Nunca como hoje, desde que foi restabelecida a Democracia nos Países de Leste, Portugal, Espanha, Grécia e também Itália, ela esteve tão ameaçada. Porquê? Porque se não existe capacidade de intervenção real e efectiva dos eleitos democraticamente não há Democracia. E se os próprios eleitos se tornam colaboracionistas de leis e tratados antidemocráticos, mais o perigo se torna real.

António EmídioA Bíblia do Neoliberalismo, do Capitalismo Selvagem é o jornal inglês The Economist. Nos primeiros anos deste século, o Economist aconselhou o então Chanceler Alemão Gerhard Schroder, a quem os trabalhadores alemães chamavam o «empregado da patronal» a reduzir as contribuições dos empresários à segurança social, redução de impostos sobre as suas actividades, diminuir o valor do subsídio de desemprego, diminuir o valor das pensões de reforma e fazer cortes substanciais no sistema de saúde. Disse alguma coisa de novo o Economist? Nada! Esta política está no tratado de Maastricht.
Escrevi um dia aqui no Capeia Arraiana um artigo onde falei sobre o Efeito pingadeira, que em inglês é o Trickle down effect, teoria da gota a gota, ou seja, quanto mais dinheiro tiverem os ricos mais os debaixo receberão!!! Quanto mais livres nos seus negócios forem os ricos, e menos entraves aos empresários, mais postos de trabalho e riqueza criarão para os outros!!! (estamos a notar isso presentemente). Estas teorias, o Efeito pingadeira e o Trickle down effect, têm por meta só o lucro da empresa, o fim do Estado Social, o triunfo da ideologia Neoliberal e o fim da Democracia. Os tratados da União Europeia, onde os povos europeus não tiveram uma palavra a dizer, limitam-se a ser a chave do triunfo deste sistema.
Toda esta austeridade não passa de medidas para beneficiarem as elites, abrindo novos mercados, como a saúde, o ensino, a água, a electricidade, os transportes, a segurança social, as televisões públicas, enfim tudo o que der lucro, mas isto originará exclusão social e desemprego.
O que o BCE por ordem da Alemanha anda a fazer, é a destruir pura e simplesmente a Democracia, é uma cruzada ideológica antidemocrática. É compatível a Democracia com o Neoliberalismo? Vamos perguntar a essa mestra que é a História. Inglaterra século XVIII, foram torturados e enforcados muitos cidadãos acusados de serem agentes da Democracia. O governo britânico quis deixar bem claro aos cidadãos que Liberalismo e democracia eram coisas totalmente distintas.
Século XX, tenho aqui à minha frente a revista dos Neoliberais franceses. Em 1994, fim do século passado, dizia em jornalista que estava a entrevistar Pinochet, um dos algozes da Democracia: «…ele dizia-se do Liberalismo, mas recusando terminantemente o restabelecimento da Democracia».
Século XXI, «Martkconforme Demokratie». Democracia de acordo com os mercados, frase dita pela senhora Merkel. Toda a gente compreende o que isto quer dizer.

A presente desigualdade económica cada vez mais acentuada, proporcionada e causada por leis que cada vez tornam os ricos mais ricos e os pobres mais pobres, o caso dos tratados da União Europeia, são o primeiro sinal da derrota da Democracia e da vitória do Neoliberalismo.
Eu estou muito desconfiado que nos próximos meses irão surgir grandes problemas económicos e sociais na Europa que irão pôr em causa o dogma de que o Euro é irreversível.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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