Ainda são vistas cegonhas no Casteleiro todos os anos, parece. Pelo menos nos últimos dois ciclos da presença delas, foram vistas. Um bom sinal. E um encantador regresso ao passado. Segundo sei, faltarão algumas semanas para estes magníficos pilotos do ar «darem à pista» na nossa terra… Atenção, voluntários: leiam estas linhas com espírito de defesa da Natureza, combinado?

Cegonhas no Casteleiro - Foto Ricardo Nabais

No meu cérebro, a cegonha é um ícone do Casteleiro antigo. Um casal de cegonhas sempre veio acasalar na torre da igreja. Torre que é outro dos ícones da minha infância, pelo fascínio da altura mas também pelo som inconfundível e regular do bater das horas do relógio da época.
Tanto quanto sei, a cegonha só gosta de terras quentes. Talvez por isso, na nossa região, só são registadas no Casteleiro, em Figueira de Castelo Rodrigo e no Fundão.
Leio que é um animal monogâmico (o casal, macho e fêmea, mantém-se sempre), chega a ter um metro de altura e a pesar quase três quilos.
Põe entre 3 e 5 ovos por ano.
E depois vêm os pequeninos, que são muito indefesos e muito protegidos. Era célebre o vai-vem do macho para ir buscar comida enquanto a mãe continuava no alto da torre, no ninho feito de vides.
Ah!, a cegonha é um animal mudo. Manifesta-se batendo as «carchanetas», ou seja, batem as duas partes do bico, fazendo um barulho ritmado muito característico.

Censos de cegonhas
Não sabia mas fiquei muito satisfeito em saber: há um grupo de observadores de cegonhas do Distrito da Guarda. Na época de chegada das cegonhas à zona, ali por alturas de meio inverno, eles entram em acção e o seu «blog» reanima-se a cada ano até à sua partida para as Áfricas, ao que parece na entrada do Verão.
Quem quiser aceder ao sítio deste grupo de verdadeiro serviço público e até com eles colaborar pode entrar e procurar o que mais lhe interesse na plataforma «Censos da Cegonha». Aqui.
Um jovem da minha aldeia, Ricardo Nabais, autor de uma das fotos com que se ilustra esta peça, é colaborador da página citada.
Este grupo tem registos de presença de cegonhas no Casteleiro nas duas últimas épocas. Mais propriamente em Fevereiro de 2010 e em Janeiro e Junho de 2011.
E regista, até, o carinho com que são «tratadas» e ajudadas. Um exemplo: «Na freguesia do Casteleiro, Concelho do Sabugal, há já alguns anos que existe um ninho numa quinta com exploração de vacas que agora passou a exploração de ovelhas. Foi o próprio proprietário que colocou uma plataforma para elas fazerem o ninho, e este ano já chegaram, andando arrumar a casa para criarem mais uns filhotes».
Cegonhas no Casteleiro - SabugalNo ano passado, lia-se o seguinte: «As crias das cegonhas já se começam a ver dentro dos ninhos. Hoje fizemos a monitorização de dois ninhos: o da Freguesia do Casteleiro tem duas crias, bem como o do Sabugal, que também tem duas crias».
E um apelo do grupo de voluntários: «Quem tiver informação e quiser colaborar, contacte-nos».
É de apreciar esta dedicação às cegonhas da nossa região. E é de apoiar esta actividade cívica essencial.
Aguardemos a vinda das cegonhas este ano e a retoma do ciclo. É sinal de vida saudável e diversificada no planeta.

Nota
Se desejar ter acesso a mais informação sobre a vida e migrações das cegonhas pode visitar a página online da Naturlink. Vale mesmo a pena.
Aqui.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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