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A publicação da Lei n.º 49/2012 de 29agosto aprova novas regras no que diz respeito ao pessoal dirigente das Câmaras Municipais, com reflexos imediatos no Município do Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Vejamos algumas das regras publicadas e, de seguida, o seu impacto local.
– Só os Municípios com 100.000 habitantes ou mais podem ter diretor municipal.
– Para um Município ter, pelo menos, um diretor de departamento deve ter uma população igual ou superior a 40.000 habitantes.
– Nos Municípios com mais de 10.000 habitantes e menos de 20.000 só podem existir 3 chefes de divisão municipal.
– Todos os municípios podem prover um cargo de direção intermédia de 3.º grau ou inferior.
– Não são contabilizados, para efeitos dos limites previstos os cargos dirigentes ou de comando impostos por lei específica, designadamente os relativos a serviço municipal de proteção civil e serviços veterinários municipais.
– Cabe à assembleia municipal, sob proposta da câmara municipal, a definição das competências, da área, dos requisitos do recrutamento, bem como da respetiva remuneração, a qual deve ser fixada entre a 3.ª e 6.ª posições remuneratórias, inclusive, da carreira geral de técnico superior.
– Os titulares dos cargos de direção superior são recrutados, por procedimento concursal, de entre indivíduos com licenciatura concluída à data de abertura do concurso há pelo menos oito anos, vinculados ou não à Administração Pública, por um período de cinco anos, não podendo exceder, na globalidade, 10 anos consecutivos.
– O júri de recrutamento é designado por deliberação da assembleia municipal, sob proposta da câmara municipal.
Atualmente a Estrutura Orgânica Flexível dos Serviços Municipais da Câmara do Sabugal, aprovada por maioria em reunião de Câmara a 21 de dezembro de 2011, prevê:
– Seis Divisões dirigidas por um dirigente intermédio de nível 2;
– Nove Serviços dirigidos por um dirigente intermédio de nível 3;
– Dois Núcleos dirigidos por um dirigente intermédio de nível 4;
– Uma Equipa Projeto coordenada por um Coordenador.
Não estão autonomizados os Serviços de Proteção Civil e de veterinários municipais.
Era previsível nos finais de 2011 que a estrutura aprovada teria de ser revista logo que publicada esta Lei cujos contornos principais já eram na altura conhecidos.
Impõe-se agora que o Município do Sabugal reveja a sua estrutura, adequando-a à nova Lei, que se encontra em vigor desde o dia 30 de agosto.

PS1. Também na semana passada foi publicado o diploma (Lei nº 50 de 2012 de 31 de agosto) referente à atividade empresarial local, com impactos diretos na questão da SABUGAL+, tema a que me referi nas semanas anteriores, mas a que voltarei na próxima semana.

PS2. Não posso deixar de lamentar a morte de um dos maiores compositores da história da música portuguesa e mundial – Emmanuel Nunes.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Eu cá falo sobre tudo e todos! Cá para o meu feitio não resulta emparelhar pelo que às vezes oiço por aí. Ou «emprenhar pelos ouvidos».

José Jorge CameiraDaí que dou em mim a analisar o porquê dessa tamanha hostilidade para com os Ciganos.
Lembrei-me que o facínora do Hitler mandou para a fogueira, juntamente com os judeus, milhares, ou talvez milhões, de ciganos.
Dos primeiros fala-se, falou-se e vai falar-se sempre… dos outros, nicles!
Há uns meses vi um Galo da França, agora apeado, mandar para a Roménia inúmeras famílias de ciganos. Deu uma mão cheia de euros a cada um.
É bem claro que foram de avião, mas de certeza que no outro dia já estavam preparados para voltarem de carro…
É fácil dizer que um cigano fez isto, fez aquilo. Será verdade, será exagero ou não será bem assim…
Mas o cerne da questão não é a Família Cigana. Alguns destes fazem desacatos, como fazem outros indivíduos de outras minorias étnicas e, já agora, os da Maioria Étnica também prevaricam. E de que maneira!
Perguntem a um Cigano o que é uma offshore? Não sabem…
Agora vão até Lisboa, ao Largo do Roedor, ao Freeport e perguntem o mesmo. Sabem de cor e salteado…
Eu vejo que desta Maioria Étnica poucos falam. Há indivíduos aqui deste segmento que transferem dinheiro para fora do País, são pedófilos, são sabotadores da economia, provocam desemprego, fazem falências… Em suma, são uma mafia que fazem corar de vergonha os mafiosos da Cosa Nostra italiana!
E a estes nada lhes acontece. O motivo?
É que a justiça não funciona, nem querem que funcione! E quando e se funciona é para lixar o elo mais fraco!
Aqui está o motivo que abrange ciganos, não ciganos, amarelos e azuis!
A justiça não funciona e, obviamente, nem interessa que funcione.
Olhem o Isaltino… Olhem a Face Oculta…
Se a justiça tivesse que funcionar para um branco, tinha de funcionar para todas as outras cores! E a coisa disciplinava-se, ou a bem ou a mal!
Ora isso os da Maioria Étnica não querem…
Por isso, vamos lá deixar de assobiar para o lado, como se o assunto não fosse nosso. Não sejamos mais hipócritas!
Façam a justiça funcionar e os problemas com ciganos, brancos, morenos, mais morenos, azuis, deixam de existir ou serão reduzidos!
Eu vou estar atento: o capanga Hitler para justificar o seu fracasso na Economia, disse que os culpados eram os judeus e os ciganos!
Aqui em Portugal, está se a caminho do mesmo.
Antes o Sócrates e agora o Passos já encontraram a Minoria que é «culpada» do descalabro da Economia: os trabalhadores!
Por isso estão a pagar pelas canalhices que os outros fizeram!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Desde o mundo antigo a figura do touro tem sido exaltada pela sua força e vigor. Os mitos gregos falavam do Minotauro (monstro metade homem metade touro), a arte minoica representava acrobatas saltando sobre o dorso de touros. O altar do templo de Salomão era adornado com chifres de touros e um dos tetramorfos associados aos evangelhos é o touro.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA mística deste animal sobrevive ainda nas touradas, e nas manifestações taurinas, porque elas têm, como é comummente sabido de quem estuda estes assuntos, origem nos rituais de fecundidade, das forças genésicas da renovação e criação, remontando ao período neolítico, aos antigos mistérios de Mitraicos e Dionisíacos, em que a sacralidade do touro se funda na percepção do seu vigor físico e genésico, como pai do rebanho.
Mas de entre estas manifestações, cujos testemunhos históricos remontam pelo menos à civilização cretense (2.200 a 1.400 a.c), a capeia é a mais completa, porque reúne o elemento vegetal (carvalho) além do elemento animal (touro), que tem a mesma simbologia que este.
De facto, o carvalho, roble (da raíz latina róbur), com que se faz o forcão, foi em todos os tempos sinónimo de força e a nível arquétipo, aponta para a Arvore do Mundo, que é o pilar genético da criação e que estava plantada no centro do jardim do Éden.
Muitas tradições consideram o carvalho uma árvore sagrada pela sua robustez e majestade e pelo seu poder de atração dos raios celestes, tinha a importância de meio de comunicação entre o céu e a terra, sendo a árvore por excelência:
Na idade média, tinha influência mágica sobre o tempo e fazia parte das poções mágicas que provocavam tempestades.
Abraão recebeu a revelação junto a um carvalho e a sua morada em Hebron era junto de um carvalho.
Ulisses, na Odisseia, consulta o carvalho de deus antes de regressar a casa.
As coroas da vitória em Roma eram feitas de folhas de carvalho e bolotas e o bosque de Diana era de carvalhos.
Os celtas veneravam o carvalho como uma divindade e na Irlanda as igrejas eram chamadas dairthech, «casas de carvalho», o mesmo nome que entre os druidas significava bosque sagrado.
Interessante, também é como Schopenhauer, na sua teoria sobre o pecado original, faz esta ligação entre a árvore do paraíso, o pecado original e a descoberta da sexualidade.
Em Pascoais, naquela obra magnífica, Regresso ao Paraíso, muito mais sublime que o Inferno de Dante, quando Adão e Eva regressam à terra no dia do Juízo final e passam junto ao que foi o Jardim do Éden, a árvore que vêm, dominando todas as outras, como centro do Jardim, não é a macieira, mas um Roble com muitos frutos.
Claro que o fruto do roble é a bolota, que tem aparência da glande, o que nos remete mais uma vez para a conotação genésica e sexual desta árvore.
O carvalho identificando-se portanto com a força genésica, é um dos símbolos de Mitra, Dionísio, Zeus ou Júpiter e Juno ou Vesta, no templo do qual havia um carvalho sagrado, sendo também com a sua lenha que se acendia o fogo sagrado.
E como, diz-nos Eliade, a fecundidade é uma especialização da vocação essencial de criadores, estes deuses celestes das religiões indo-mediterrânicas identificam-se também, desta ou daquela maneira, também com o touro.
Nas religiões do médio-oriente, Mitra (representado sob a forma de um jovem sentado num touro, ostentando na mão uma adaga para matar este, numa clara semelhança ao mito de Teseu e Minotauro ou à luta de S. Jorge com o Dragão, cujo culto esteve na origem do de Zeus e Júpiter, e se estendeu à península no período romano, surge também como divindade mediadora entre duas forças antagónicas (o Sol e a Lua), viabilizando o nascer de um novo dia, ou seja, não permitindo que a Lua ocultasse o Sol, representando a Luz Celestial, ou a essência da Luz, que desponta antes do Astro-Rei raiar e que ainda ilumina depois dele se pôr e, porque dissipa as trevas, é também o deus da Integridade, da Verdade e da Fertilidade, motivo pelo que também surge associado ao Touro primordial.
Segundo as lendas de origem persa, Mitra terá recebido uma ordem do deus-Sol, seu pai, através de um seu mensageiro, na figura de um corvo. Deveria matar um touro branco no interior de uma caverna.
O ritual de iniciação nos mistérios de Mitra era o Taurobolium, porque exigia esse sacrifício do touro. É através da sua morte ritual que se dá origem à vida com o seu sangue, à fertilidade, à dádiva das sementes que, recolhidas e purificadas pela Lua, concebem os «frutos» e as espécies animais, pois a sua carne é comida e o seu sangue bebido.
Este ritual de iniciação, em que inicialmente se sacrificava o touro e se bebia o seu sangue, evolui posteriormente para o sacramentum, banquete ritual mítraico, em que, se consagrava o pão e a água, se bebia vinho que simbolizava o sangue do touro, simbolizando o renascimento numa nova vida.
O culto de Dionísio, que é originário da Frígia (Anatólia) através da Trácia, onde Mithra se identificou também com Attis, é como estes, uma divindade associada à fertilidade. Tinha a forma de touro, liderava desfiles de bacantes e sátiros, ninfas e outras figuras disfarçadas para os bosques, que dançavam e esquartejavam animais e comiam as suas carnes cruas. Implicava também desfiles com falos, danças orgíacas de bacantes e delírio místico, o esquartejamento do touro ou do bode com o mesmo associado, cujas partes cruas eram consumidas em banquete (omofagia) e espalhadas com o sangue pelo campo como auspício de fertilidade, renascimento e imortalidade.
Na Península, onde o touro já era, desde o neolítico, um dos animais relacionados com as divindades, inserindo-se num culto com raízes comuns a todo o Mediterrâneo, à chegada dos romanos, cujos legionários tiveram contacto com o oriente, teve um novo surto orientalizante, chegando até ao fim do século III a rivalizar com o cristianismo, como se vê nos escritos de Tertuliano, espalhando-se pelos confins do mundo romano sob a designação de «Sol Invictus» (Mitra leoncéfalo) e desde a Bretanha até à China, sobrevivendo ainda no Oriente Próximo.
Daí que a partir do século I apareçam na iconografia com frequência bucrânios (crâneos de touro) e representações de touros, como aquele do silhar aparelhado que, associado à representação do sol, se encontra em exposição na Casa do Castelo, no Sabugal, o qual se assemelha a algumas imitações dos motivos helenísticos datadas do século I a.C. e que fazia parte possivelmente de uma ara funerária votiva romana, como já acontecia no mundo funerário ibérico, simbolizando a força fecundadora, ligada à crença astral de imortalidade.
(Continua)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O Padreca era um habitante enigmático e sui generis do meu imaginário infantil. Nunca o pude observar pessoalmente. Apenas dele ouvi falar em criança.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Certo dia estaria o Padreca sentado à luz de um sol amaciado por leve neblina, numa manhã de Outono, na margem esquerda do ribeiro passando os olhos descuidados pelos campos, olhando-os sem os fixar. Seria capaz de jurar que eu próprio o teria visto, tão fortemente se cumularam a minha crença com a minha imaginação.
Das águas do ribeiro ainda hoje se avizinham freixos e choupos frondosos. Ainda hoje, por aí, poisam pássaros irrequietos, a refazerem-se dos voos mais pesados.
A paisagem era uma linha de solidão e silêncio apenas pintalgada pelo piar de alguma ave ou levemente sonorizada pelo empurrar mais impetuoso da brisa pouco atrevida.
Há dias de Outono que são assim, herdeiros de madrugadas húmidas e manhãs pouco claras, muito silenciosos e carregados de melancolia. Os dias assim nascidos parecem conter algo de sagrado. Há décadas atrás, tais dias, mostravam, desde a madrugada, homens e mulheres a denunciar sacrifícios. Iniciavam-se, nessa época, àquela hora, as fainas agrícolas, à hora mágica em que a luz ainda não consegue revelar as cores.
O homem de que me falaram deveria ter cinquenta e alguns anos, um vago perfil de pássaro soberbo e uns olhos invictos, implantados num rosto marcado de rugas. Era assim que eu o imaginava. Chamavam-lhe «Padreca» e era uma espécie de versão mais recente do Zé do Telhado. Roubava, apenas, aos ricos muito embora não conseguisse entregar nada aos pobres porque o que furtava mal lhe bastava para saciar a sua própria fome.
Foi, portanto, numa manhã assim, numa manhã de Outono que tudo passou por um grito:
– Olha o Padreca!!
Á hora do grito a aldeia parecia cansada de si mesma. Descia pela colina abaixo, até ao sopé onde se estendiam as velhíssimas casas térreas. Os rostos das gentes permaneciam mal acordados, quase tão pálidos quanto a própria manhã e as pessoas trabalhavam mais do que falavam. Ao grito de «olha o Padreca» o homem ter-se-ia sentido observado e, no seu olhar, terá nascido uma compreensão fatigada. Terá baixado a cabeça e, como num cumprimento, terá aberto um curto sorriso. Depois examinaria o redor e ter-se-á ficado entre a curiosidade e a preocupação antes de cumprir a vontade de fugir.
Após o alarme criou-se, na manhã da aldeia, uma atmosfera densa e barulhenta, quase perigosa, que fez seguir, à frente e em busca do Padreca, alguns rapazes mais novos.
Correram como quem entra num terreno de jogo. Todas as caras do grupo eram minhas conhecidas e ostentavam a gravidade de quem quisesse aprisionar um homem perigoso. Partiram da aldeia, a correr, como uma tribo de guerreiros com gritos e estratégias a tentar intervir na liberdade do Padreca. No entanto, mantinham-se íntimos e programados, calculados, condicionados por eles próprios, quase hostis entre si embora formando uma banda que não precisava de falar para se entender. Entendiam-se por gestos, por olhares enquanto tomavam a direção do riacho.
Ainda hoje não sei se a esse conhecimento entre eles se poderá chamar amizade!
Mas, nada. Nada disso acabou por valer a pena porque se a principal personagem desta história alguma vez esteve na margem do ribeiro, terá desaparecido como a mais volátil imagem. Consta, até, que, logo a seguir, teria retirado de um cesto de merendas o tacho de caldo que uma patroa, abastada, transportava para os seus assalariados rurais. Logo ali, no meio do caminho e na presença da dona, terá deglutido tanto caldo quanto teria sido capaz. O resto, o que não conseguia comer, que o levasse a dona aos trabalhadores que também haveriam de ter precisão de sustento.
Nesta história, que hoje conto, garanto o reboliço da aldeia não sabendo até onde vai a veracidade no que respeita à presença e à fuga do Padreca. Não sei mesmo se ele esteve ou não na ribeira, se durante a fuga roubou o caldo ou se a sua presença naquele dia foi, apenas, fruto de férteis imaginações.
Contudo, o Padreca de que me falaram foi muito além do meu acreditar de criança e desenhou-se na minha memória como um singular e assustador assaltante de caldos.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

António dos Santos Robalo, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal tornou pública a deliberação da decisão tomada pela Câmara no dia 6 de Junho, no sentido da elaboração do Plano de Pormenor do Parque Termal do Cró, instrumento legalmente necessário para se proceder à alteração do Plano Director Municipal, de modo a que se possa construir o Hotel Rural, cuja edificação ficou a cargo da empresa a quem foi adjudicada a exploração comercial das termas.

Termas do Cró - Sabugal

Tal como o Capeia Arraiana informou em Abril deste ano, a construção do hotel ficou condicionada à alteração do Plano Director Municipal, na medida em que o mesmo ficará edificado em «área sensível», existindo condicionantes legais de protecção que impedem a afectação de terrenos a determinados fins. A área a intervir, em termos de elaboração do plano de pormenor, corresponde a cerca de 42 hectares, sendo que há nela condicionantes como a afectação de solos à Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN), Rede Natura 2000, e ainda servidões decorrentes da passagem de uma estrada nacional, de linhas de alta e média tensão, da ribeira do Boi e seus afluentes, a protecção de recursos minerais e o facto de existir área com alto risco de incêndio.
O plano de pormenor tem por objectivo disciplinar a ocupação do solo, estabelecendo critérios dentro de uma visão integrada, possibilitando a futura criação de um parque termal com diversas valências, que incluem a edificação de construções que de outra forma não seria possível levar a efeito. Para além do balneário (já edificado) e do hotel, o parque terá de preservar a memória histórica do local, deixando intactas algumas ruínas das antigas caldas, possibilitar o desenvolvimento de outras actividades turísticas, e criar áreas para a prática do desporto e do lazer.
A construção do hotel do Cró (o designado Hotel Rural), embora já adjudicada à firma de ganhou o concurso de exploração das termas, aguarda por licenciamento, sendo que o mesmo está condicionado à regularização da afectação do solo. O primeiro passo nesse sentido é precisamente a elaboração e aprovação do plano de pormenor, processo que demorará meses, atendendo aos prazos legais a respeitar.

O Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal existe desde 1994 e foi alterado em 2011, para nele se incluir a Zona de Implantação Empresarial do Alto do Espinhal. Esse mesmo PDM contém uma Carta de Ordenamento que por sua vez prevê a elaboração do «Plano de Pormenor para as Termas do Cró». Porém, ainda que legalmente previsto há 18 anos, e as termas tenham sido sempre apresentadas como prioridade política, o certo é que apenas agora se decidiu elaborar o plano, por se ter concluído que sem ele não se poderia construir o hotel adjudicado. Chama-se a isto começar a edificar uma casa pelo telhado e só depois se descobrir que antes se deveriam ter construído as paredes, que por sua vez deveriam nascer dos alicerces.
plb

O Consulado de Portugal em Paris inaugura no próximo dia 14 de Setembro, às 18h30, uma exposição dedicada à tradição popular portuguesa Capeia Arraiana.

Trata-se de uma iniciativa que se segue ao registo da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação, classificado pelo seu valor enquanto manifestação popular e etnográfica.
A Capeia Arraiana, diz-se numa nota divulgada pelo Consulado de Portugal em Paris, é uma manifestação tauromáquica específica de algumas freguesias da orla raiana do concelho do Sabugal, que se singulariza pelo facto de a lide do touro bravo ser realizada com o auxílio do forcão, estrutura triangular em madeira suportada por um grupo de homens que assim enfrenta as investidas do touro.
A mostra, que está integrada na programação cultural do Consulado, pode ser visitada até 26 de Setembro, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, no Espaço Nuno Júdice do Consulado Geral de Portugal – 6 Rue Georges Berger 75017 Paris.
A organização da exposição partiu da iniciativa da Associação RAIAR, de Aldeia do Bispo, e especialmente dos raianos Domingos Ricardo e Manuel Luís Gonçalves, contando com a colaboração do Consulado de Portugal em Paris.
plb

Um dias destes ao entrar num café aqui da Cidade, olhei para o écran da televisão, nele estava o senhor António Borges dando uma «entrevista». Ponho – entrevista – entre aspas, porque na realidade estava a transmitir o que a Alemanha e o FMI lhe mandaram fazer em relação à privatização da RTP. Será que nesta altura ainda há gente que não se apercebeu do poder deste homem em matéria económica e política no nosso País? E ninguém votou nele…

António EmidioNeste artigo não irei falar dos lucros da empresa, ou empresas privadas a quem for dado o negócio da privatização, fala-se em 20 milhões de euros. Irei falar de outra coisa bem pior, o controlo da mente através do écran que os novos donos irão praticar.
Vejamos esta hipotética situação: o governo deseja privatizar o maior hospital público do País, deveria chegar à televisão e dizê-lo aos portugueses, depois os órgãos de comunicação social analisariam a mensagem e tomariam partido, mas seria o Povo Português a dar a sua opinião, dizendo se estava de acordo ou não. Mas tudo seria bem diferente querido leitor(a), funcionaria assim: o senhor primeiro ministro, ou até o senhor António Borges, contactariam com o director de uma empresa, de preferência multinacional alemã, fornecedora de material hospitalar, dizendo-lhe que a privatização do hospital público lhe traria imenso lucro, na medida que seria ela a única fornecedora. A direcção da empresa contactaria os novos directores da privatizada RTP, terá outro nome possivelmente se por acaso se concretizar a privatização, para apoiarem as palavras do senhor primeiro ministro, ou seja a privatização do hospital, e fazia-o porque a empresa fornecedora de material hospitalar era a maior accionista do canal privado saído da RTP! Até nem é complicado, pois não querido leitor(a)?
Novamente o senhor primeiro ministro, ou o senhor António Borges, telefonariam para um correligionário político e dono de um canal de televisão, de jornais e revistas, pedindo ajuda para influenciar o público na opção da privatização, claro que era ajudado! Ninguém depois podia investigar as contas do seu Império, nem muito menos impedi-lo de sair com grandes somas de dinheiro para paraísos fiscais.
O que é então a opinião pública querido leitor(a)? É uma opinião privada dos grandes oligarcas que possuem a maior parte da riqueza de um país, é a opinião da comunicação social e é a opinião do poder político.
Este é o poder da mentira, não consiste em falsear de uma maneira grosseira a verdade, consiste em apresentar uma nova linguagem onde o sentido das palavras está completamente deformado, estando assim ao serviço dos fins do sistema. Exemplo: presentemente quando se fala em despedir trabalhadores, diz-se: optimizar a empresa.
Foi o Fascismo alemão, o Nacional-socialismo, o criador oficial deste tipo de linguagem. Matam-se corpos, mas também se mata o espírito humano quando se lhe retira a capacidade de pensar e de decidir o próprio futuro.

Deixai-me agora dirigir aos social democratas / socialistas democráticos: vós tendes a obrigação histórica de defender a política perante a economia e o mundo financeiro global, tendes a obrigação moral de lutar contra a pobreza, a fome, a injustiça, o desemprego, a corrupção financeira e a impunidade dos ricos e poderosos. Se não fizerdes isto, se não lutardes pela justiça, a História tem todo o direito de vos condenar e chamar-vos colaboradores dos alemães na destruição da Europa Social, e da Europa Democrática, porque com a Alemanha a mandar nem haverá uma coisa nem a outra, Justiça Social e Democracia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

No dia 28 de Agosto, A GNR detive dois homens e uma mulher, de 28, 54 58 anos de idade, respectivamente, todos residentes em Foz Côa por crime de resistência e coação sobre militares da Guarda Nacional Republicana, na sequência do cumprimento de um Mandado de Detenção que recaia sobre o homem mais novo, que era filho do casal.

Patrulha da GNRO homem que estava sujeito à ordem judicial de detenção não acatou as ordens dos agentes da autoridade, tendo-os ameaçado e injuriado. Surgiram entretanto os pais que começaram também a ameaçar e difamar e injuriar os militares, que então procederam à detenção dos mesmos.
No dia 31 de Agosto, o Comando Territorial da Guarda da GNR realizou uma operação de fiscalização ao trânsito, com particular incidência na condução sobre o efeito do álcool e sem habilitação legal. Na mesma foram fiscalizados 166 veículos, tendo sido detido um condutor por apresentar uma taxa de álcool no sangue superior a 1,20 gramas por litro. Foram ainda elaborados 16 autos de Contra-ordenação por diversas infracções à legislação rodoviária.
Segundo o comunicado semanal da GNR, na semana passada registaram-se 20 acidentes de viação, sendo que 14 resultaram de por colisão, quatro de despiste e dois de atropelamento. Destes acidentes resultaram oito feridos leves.
plb

Ilídia Cruchinho, vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Penamacor, assume claramente: «este ano vamos bater o recorde de nascimentos». A afirmação foi prestada no âmbito de uma pequena entrevista concedida ao jornal Correio da Manhã, que consta na edição de hoje.

A entrevista tem a sua razão de ser no facto de Penamacor ser um dos concelhos do Pais com mais baixa taxa de natalidade, e, por consequência, deter com a população envelhecida, que lhe parece condicionar o futuro.
Mas a vereadora não se dá por vencida e explica como a Câmara, não concedendo subsídios de nascimento, combate essa aparente fatalidade prestando ajuda às famílias sobretudo ao nível da educação das crianças.
A política seguida tem sido a de apoiar a família da criança ao longo do seu percurso educativo, nomeadamente através da oferta dos manuais escolares, e oferecendo a alimentação e o transporte dos alunos. Outro aspecto que a vereadora enaltece é o facto de Penamacor possuir um novo centro escolar, que detém as melhores condições. Esses apoios constituem incentivos para a fixação das famílias, e são complementares ao esforço que se está a ser feito para que se instalem empresas e serviços que criem postos de trabalho.
O esforço desenvolvido pela Câmara de Penamacor em matéria de apoio à educação das crianças deixa a vereadora esperançosa de que a tendência se esteja a inverter.
Veja aqui a entrevista na íntegra.
plb

Está patente ao público, na Galeria de Arte do Paço da Cultura, na Guarda, uma exposição denominada «Morcela da Guarda – Tradição, Saber e Sabor». A mostra, cujo catálogo (bilingue) contém um texto da autoria do sabugalense Paulo Leitão Batista, é uma iniciativa da Câmara Municipal da Guarda e da Pró-Raia.

Morcela da Guarda - Foto NAC - Blogue Núcleo Acção Cultural da CM Guarda

A exposição denominada «Morcela da Guarda – Tradição, Saber e Sabor» é uma iniciativa da Câmara Municipal da Guarda, contando com o apoio da Pró-Raia, e tem por objectivo enaltecer um dos mais genuínos e característicos produtos gastronómicos da região. Através de registos fotográficos e videográficos percorrem-se os caminhos da memória para se reviver a tradição das matanças do porco, que ainda há uns anos aconteciam nas aldeias, onde todas as famílias cevavam e matavam um «marrano» para dele retirarem alimento para todo o ano.
O porco era a mantença da casa, na medida em que fornecia carne e enchidos, que todos a apreciavam, confeccionados segundo os saberes que foram transmitidos em gerações sucessivas.
A partir do sangue retirado no momento da matança confeccionava-se um dos mais genuínos enchidos portugueses: a morcela. A da Guarda há muito que adquiriu nome e estatuto, sendo uma das mais apreciadas do país.
O catálogo da exposição contém textos de dois estudiosos das tradições regionais: Paulo Leitão Batista e Norberto Gonçalves. O primeiro, que também é chanceler da Confraria do Bucho Raiano, do Sabugal, escreve sobre a morcela enquanto primeiro enchido da matança, e aborda temáticas como «a ceva do marrano», «o tempo das matanças», e a própria «confecção das morcelas». Já Norberto Gonçalves apresenta um texto intitulado «De faca e alguidar», através do qual descreve o antigo ritual da matança.
O catálogo é de edição bilingue (português e inglês), e os textos são enquadrados por um conjunto de fotografias colhidas numa matança à antiga feita numa aldeia do concelho da Guarda. O vistoso e bem concebido catálogo contém ainda um conjunto de receitas modernas em que a morcela é o ingrediente principal.
No acto de inauguração da mostra, o presidente do Município da Guarda, Joaquim Valente, assumiu que uma das formas pelas quais a edilidade egitaniense irá defender o seu produto gastronómico de excelência será através da criação da Confraria da Morcela, que a Câmara irá apoiar.
Porém o primeiro passo para o lançamento da futura Confraria da Morcela da Guarda está dado e, para isso, nada melhor do que ter chamado a escrever o catálogo da exposição o chanceler da Confraria do Bucho Raiano.
A exposição, inaugurada no dia 12 de Julho, pode ser visitada até ao dia 15 de Setembro, de terça a sábado, das 14 às 20 horas.

Reportagem da LocalVisão Guarda. Aqui.

E porque sempre achei ridículas as falsas humildades aqui deixo um público louvor à enorme qualidade do texto do catálogo da exposição da autoria do Paulo. E só ficou por fazer a tradução para castelhano…
jcl

O mês de Agosto é, por excelência, o mês das férias e o mês das festas. No concelho do Sabugal, e mais propriamente na zona raiana, assumem diferentes proporções por causa das capeias à moda da raia. As capeias com forcão. Já muitos emigrantes me segredaram que se não fossem as capeias não viriam todos os anos ou que até mesmo se esqueceriam deste terrão.

José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal
José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal José Manuel Campos - Fóios - Sabugal

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José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaEste ano notei que havia mais gente nos Foios e na raia em geral. À medida que nós, responsáveis autárquicos, nos vamos preocupando com os mais diversos melhoramentos nas nossas freguesias mais atractivas e mais convidativas se tornam.
Até há uns anos atrás o progresso e o desenvolvimento foi criar as condições básicas para que cá se pudesse viver com dignidade mas, desde há algum tempo a esta parte, e uma vez que o essencial está feito, passámos a dedicar-nos mais à limpeza e a bordar, por assim dizer.
Quase, um pouco por todos os lados, começam a surgir espaços de convívio e de lazer para que, cada vez mais, possamos viver e receber convenientemente quem nos visita.
Começando pela nascente do rio Côa e ao longo do seu leito, e das suas margens, começam a surgir bonitos e encantadores espaços de lazer. Refiro, com muito agrado, as praias fluviais de Foios, Quadrazais, Sabugal, Rapoula do Côa, Badamalos, Valongo, Vale das Éguas – e talvez mais algumas – que já vão sendo as delícias de muitas pessoas. Mas quanto ainda há para fazer por esse rio abaixo?!
Tive o cuidado de observar e estudar o comportamento humano das mais diversas criaturas por estas nossas paragens.
O emigrante, termo que pouco gosto de aplicar, está cada vez mais integrado e é cada vez mais, como todos nós, mais cidadão do mundo. Vivemos na tal aldeia global. E ainda bem.
Os mais novos, já terceira geração, oferecem-se para serem mordomos das capeias e desempenham cabal e orgulhosamente o cargo.
Os pais e os avós sentem-se igualmente vaidosos pelo facto dos filhos e netos continuarem a respeitar e a alimentar as raízes. É um autêntico fenómeno.
E os namoros e os casamentos que se vão arranjando por cá? É outro facto curioso.
Quantos namoros e casamentos já aconteceram através destes contactos e conhecimentos em férias?
Tenho verificado que os emigrantes já não gastam dinheiro como noutros tempos. Também reconheço que são cada vez menos uma vez que a grande maioria já regressaram definitivamente.
Mas, apesar de tudo, quando há gente há movimento que faz mexer toda a economia local e regional.
Os queijos das cerca de quinhentas cabras que há nos Foios esgotam-se e mal chegam para as encomendas. Os cabritos e os borregos ainda não nasceram e já estão destinados. Os padeiros, os proprietários dos minimercados, bares e restaurantes trabalham desalmadamente como acontece nas zonas das praias.
Há que fazer como a formiga. Recolher e guardar no Verão para comer no Inverno.
Tive oportunidade de ver que os bares e os restaurantes dos Foios funcionaram bastante bem. Tanto o restaurante do viveiro das trutas «TrutalCôa» como o «ElDorado» foi quase sempre casa cheia durante o mês de Agosto.
Quanto aos bares e esplanadas, incluindo o bar dos mordomos, também registaram muito boa afluência.
Depois das contas feitas e tornadas públicas verifiquei que sobrou algum dinheiro tanto aos mordomos das festas religiosas como aos mordomos das capeias.
Para eles um reconhecimento público pelo trabalho, esforço e dedicação para que tudo tivesse corrido como correu. Parabéns. Para o ano haverá mais.
Tenho verificado que a maioria dos residentes em França não se aguentam por lá o ano inteiro. São já muitos, sobretudo os que vivem na parte Sul de França, que vêm duas e três vezes à terra natal.
Vinde porque nós estamos sempre de braços abertos para vos receber.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Há quinze dias, trouxe aqui algumas palavras cujo sentido foi corrompido pelo uso popular. Por sugestões várias, hoje trago, sem organização nem sistematização, expressões onde palavras aparecem fora do seu significado de origem. Chamei-lhes palavras mutantes, só para brincar às expressões.

Por exemplo:
– Aquele anda sempre com macacadas.
Quer dizer que ora diz uma coisa, ora diz outra; ora se comporta de uma maneira, ora de outra. Não se pode confiar muito no que ele diz e faz. Ou então que é pouco firme nas suas atitudes para com os outros.
Sendo macacada, em princípio, um conjunto de macacos, parece-me que a palavra aparece naquela expressão de algum modo abastardada também.

– Ah, cão de água!
Uma mãe, já farta das tropelias do filho, chama-o para vir para casa e comportar-se com juízo. Como ele não deixa de fazer asneiras, vai de rotulá-lo como cão-de-água. Como se o animal não fosse em si mesmo tão bem educado e tão meigo. Então os cães-de-água (como o da foto), coitadinho… Repare que, no apelo da mãe, não usei os traços que uso no nome da raça do animal. Porque para a mãe, não de trata de facto de chamar animal ao filho mas antes de o rotular como um grande rufia.

– Aquilo é um cepo.
Isto significa que a pessoa mal de mexe. Ou também que não tem grande habilidade manual.

– Estás um bom agoniado.
Ou:
– Aquela anda sempre agoniada.
Significado: a pessoa em causa anda sempre mal disposta, trombuda.

– Saíste-me um bom amigo da onça.
Isso significa que a pessoa se portou mal e que faltou aos deveres da amizade.

– Hoje dormi que nem um prego.
Dormi profundamente, não dei conta de nada. Podia passar-me um camião por cima que eu não acordava.

– Aquilo é que é um águia…
Quer dizer que é bom no que faz, que tem boas notas nos estudos ou que surpreende pela agilidade no discurso ou até no que transmite. «É um águia», como também «É um ás?», em geral quer dizer que é muito bom na sua área, ou muito esperto. «É um rato» significa que é mesmo rápido a perceber as coisas: que é muito vivaço.

– É um pato.
Deixa-se enganar com facilidade.

– Caiu que nem um patinho.
Deixou-se enganar e nem deu por ela.

Há muitas, mas muitas outras palavras com significado mutante. Por todas, recordo ao leitor estas:
Porco, bácoro, bacorada, reco – para significar pouca limpeza. Mas a palavra «bacorada» em geral é usada para falar de uma grande asneira. Note que a própria palavra «asneira» aparece aqui corrompida (que culpa têm os desgraçados dos asnos, os burros, que até nem fazem mal a ninguém?).

Nota:
Célio Rolinho Pires, nesta belíssima crónica (primeira de uma série de três – todas já publicadas e lidas com avidez, pelo menos no que me toca), chama à colação, no final do texto alguns versos de um Cancioneiro do Alto-Coa. Chama a nossa atenção para a ironia, o humor e a malícia com que cada terra trata as suas vizinhas.
Por isso, veio-me logo à mente, e não quero deixar de partilhar aqui com os leitores uma quadra popular da minha meninice sobre as terras em volta do Casteleiro.
Dizia assim:
Sortelha só tem barrocos;
A Moita, casarões;
Casteleiro, lindas moças;
Vale de Lobo, paspalhões.

Que perdoem os meus amigos destas terras, mas isto era mesmo assim: no Casteleiro diziam-se estes versinhos de brincar às rivalidades regionais.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Torrelavega, capital de la comarca de Besaya (Cantábria), acogió en sus fiestas de la Virgen Grande 2012 a las cofradías gastronómicas, que acudieron a la llamada de la Cofradía del Hojaldre, para arroparlos en su IX Gran Capítulo.

IX Gran Capítulo de la Cofradía del Hojaldre de Torrelavega

Luis Javier del Valle VegaSituada en el amplío valle dónde confluyen los ríos Saya y Besaya, es la capital de la comarca del Besaya y con sus más de 57.000 habitantes la segunda ciudad y la más industrializada de la comunidad autónoma de Cantabria.
Su historia se documenta a partir del siglo VIII, cuando dependía del monasterio de Yermo, en Cartés y de la abadía de Santa Juliana, en Santillana. De la Vega, como ya se conocía el lugar, toma el nombre de la familia de los Garcilasos –como también es llamada- considerándose a Garcilaso de la Vega I como fundador de la villa, siendo históricamente el solar de la casa noble de la Vega, cuya torre complementó el nombre con el que era conocida y que ha llegado hasta nuestros días. Dicha torre de sillería y tres cuerpos fue mandada construir por Leonor de la Vega y su hijo Iñigo López de Mendoza –marqués de Santillana- en el siglo XV y se ha conservado hasta 1937, así como su capilla, en cuyo solar se ha levantado la actual iglesia de la Virgen Grande.
Sobre la primitiva capilla adosada a la torre, se levanto en su momento la iglesia de la Consolación, y entre los años 1956 y 1964 la actual iglesia de la Virgen Grande, que alberga la talla de la Virgen del siglo XV de Lapayese. De carácter racionalista fue realizada por el arquitecto Luis Moya Blanco, reproduciendo el formato utilizado poco antes para la iglesia de la Universidad Laboral de Gijón, ejemplar obra de la postguerra española.
Extinguido con Leonor el linaje de la Vega, el solar pasa a los duques del Infantado, que concentran desde el siglo XV la administración de justicia e impuestos. Su industrialización comenzó en 1753, con la apertura del “Camino harinero o de las lanas” entre Reinosa y Santander, que favoreció la creación de diversas fábricas, transformando a partir del siglo XIX su primitivo aspecto agrario en industrial, con la apertura de las minas de Reocín en 1857 y la salmuera de Polanco en 1857. Precisamente por su industrialización y por el importante incremento demográfico, en 1895 la regenta María Cristina le otorga el título de ciudad.
Sin embargo Torrelavega nunca ha perdido su carácter agrario y ganadero, contando desde 1767 con mercado semanal, otorgado por Carlos III. De 1844 data el recinto de la Llama, lugar de ubicación de su prestigioso mercado semanal de ganados hasta 1974, en el que se traslada al recinto del “Mercado nacional de ganados Jesús Collado Soto”. Este recinto, conocido popularmente como la Cuadrona, es con sus 140.000 metros cuadrados cubiertos, el de mayor superficie de España y uno de los más importantes en cuanto a volumen de operaciones.
A la bulliciosa ciudad hemos llegado por la carretera de Asturias, cuya construcción data de 1800, para arropar a los cofrades hojaldres que rindan tributo a su popular producto, en la celebración de su IX Gran Capítulo, el caluroso domingo 19 de agosto de 2012.
Los actos comenzaron a primera hora de la mañana con la concentración de las Cofradías que hemos acudido al Capítulo, en la calle Santander, en dónde fuimos recibidos por los Cofrades locales con los que compartimos desayuno en la Cafetería Pilo Urbano, en la que se nos agasajo con estupendos canapés, hojaldres y polkas, al ritmo de la música y los bailes que corrían a cargo del «Grupo de danzas Virgen del Campo» de la vecina Cabezón de la Sal.
Las cofradías asistentes, a la que hay que sumar la anfitriona, han sido las cantabras de la «Anchoa de Cantabria de Santoña», «Respigo de Laredo» «Orujo de la Liébana», «Quesos de Cantabria», «El Zapico», «Nacimiento del Río Ebro» y la «Academia Cantabra de Gastronomía». Las asturianas de «Doña Gontrodo», «Quesu Gamoneu», «Orden de los Caballeros del Sabadiego», «Vino de Cangas», «Oricios», «Amigos de los Nabos», «Gastrónomos del Yumay» y «Amigos de los Quesos», junto con la del «Vino de la Rioja», «Vino de la Ribera del Duero», «La cerveza de Madrid», «La Alubia de Tolosa», la francesa «Confrarie Saint Romain» y la portuguesa «Confraria da Amadora». La representación de la Cofradía de los Amigos de los Quesos del Principado de Asturias, estuvo compuesta en esta ocasión por Armando Álvarez, Monchu Llana y el que suscribe, mientras que Estela –en silla de ruedas, aún convaleciente de su rotura de peroné- represento junto a María Luisa Llavona a la Cofradía Doña Gontrodo.
Concluida la concentración llego el momento de inicio del Capítulo en sí, con la marcha cívica por las calles de Villamojada –como la llamó Benito Pérez Galdos en su novela Marianela – en dirección al Ayuntamiento, dónde concluiría. La marcha la iniciaba el casi centenario grupo «Picayos de la Virgen de las Nieves» de Tanos (Torrelavega) que fue creado en 1916, a la que siguió la Cofradía anfitriona con un grupo de miembros repartiendo en el desfile las «polkas» a los transeúntes que observaban la misma, seguida del resto de Cofradías, cerrando la misma el mencionado Grupo de danzas Virgen del Campo.
El Ayuntamiento – en no muy buenas condiciones de habilitabilidad por cierto – esta ubicado desde 1906 en el palacio que Demetrio Herrera construyó en 1888, destacando en él sus escaleras principales de mármol y el salón de sesiones con su bóveda y pinturas románicas realizadas por el catalán Ramón Fraxenet.
En la fachada del engalanado edificio y bajo la bandera de la ciudad –por cuyos colores sus habitantes son llamados «portugueses» – se realizo la foto de familia de todos los cofrades de las respectivas Cofradías, antes de acceder al mismo a través del pasillo de aros que portaban los miembros del grupo de danzas.
En la comida de hermandad, hemos degustado un menú compuesto, por aperitivos de hojaldre de la Cofradía, marmita de bonito, e solomillo al tostadillo de Liébana con su guarnición. Postre: «Homenaje a la Cofradía del Hojaldre».
Los vinos elegidos han sido: vino blanco de la DOP Rueda (aunque en progama figuraba Ribera del Ansón, de la IGP Vino de Cantabria Costa) el tinto «Solar Viejo reserva vendimia seleccionada» con D.O.P.Rioja y el cava «Cantabria Infinita Brut» elaborado por Segura Viudas.
Muy correcto menú, con un exquisito postre elaborado en la confitería Hojaldres, por Germán Erquicia, uno de los cofrades más entusiasta y gran colaborador de la Cofradía, compuesto por una torrija de hojaldre borracha y dos tipos de tartas de hojaldres diferentes.
Al concluir la comida y antes de tomar el café, Javier Marcano como Gran Maestre, hizo público en compañía de sus compañeros cofrades que han formado parte del jurado, del veredicto del «I Concurso de pincho elaborados con hojaldre» organizado por la Cofradía en colaboración con la AEHC (Asociación empresarial de hostelería de Cantabria). En él han participado 42 establecimientos, que ofertaron sus elaboraciones desde el 10 al 19 de agosto a un precio de 2,5 euros que incluía pincho y bebida. El jurado seleccionó a 8 establecimientos: el Refugio de Tanos, bar Cabrero, restaurante Villa de Santillana, la Gárgola, restaurante Urbano´s, bar Mundial, restaurante Al Natural y cafetería Pilo Urbano. Los dos últimos han sido los finalistas, los otros 6 han recibido mención, siendo el vencedor final la cafetería Pilo Urbano (en la que había tenido lugar el desayuno de recepción del Capítulo) con su elaboración: «pincho de hojaldre de queso de cabra, cebolla caramelizada y mousse de pimiento rojo».

Capítulo de la Cofradía del Hojaldre de Torrelavega

Luis Javier del Valle Vega

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Com a estrutura para o piso das garagens já colocado e depois das férias que os trabalhadores bem merecem, recomeçam as obras em setembro, sem pararem até final.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Paulo Leitão Batista tem sido um atentíssimo «repórter» das capeias que neste Verão decorreram na Raia sabugalense. Nós, os leitores do blogue «Capeia Arraiana», estamos-lhe todos muito gratos por isso, sobretudo aqueles que, como eu, não puderam assistir ao vivo.

Salto ritual do touro. Pintura a fresco, Palácio de Cnossos, Creta, c. 1450-1500 a.C.
Salto numa corrida landesa. Sul de França, 2010 Salto mortal por um recortador. Navarra, Espanha, 2011 Salto-de-anjo numa corrida landesa. Sul de França, 2011

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaA propósito do texto de Paulo Leitão Batista intitulado «Os malabarismos das capeias» peço-lhe licença para acrescentar algumas «notas» antropológicas e históricas.
Na verdade, estes saltos acrobáticos remontam a uma tradição antiquíssima. Muito provavelmente, aqueles que, de forma tão ágil e corajosa os praticam nas nossas capeias, fazem-no tão espontaneamente que nem lhes passa pela cabeça que, na ilha de Creta, há cerca de 3500 anos, outros como eles faziam o salto mortal por cima de touros sagrados. Numa das fotografias aqui reproduzidas podemos ver um fresco do Palácio de Cnossos que nos mostra três momentos de um salto acrobático ritual. Os cretenses da época minóica veneravam o touro como símbolo da fertilidade e estas “acrobacias taurinas” efectuavam-se no âmbito de cerimónias religiosas. Muito provavelmente foram estas práticas que deram origem ao mito do minotauro.
Mas o curioso é que este ritual permaneceu na memória popular dos povos da orla mediterrânica e ainda hoje persiste: no sul de França efectuam-se as chamadas «corridas landesas» (courses landaises), nas quais jovens como o Frank ou o Balhé saltam por cima de vacas bravas ou dos pequenos touros da Camargue, conforme podemos ver nas fotografias. Também em várias regiões de Espanha encontramos uma prática semelhante, chamada «recorte»: rapazes destemidos e fisicamente bem preparados, chamados “recortadores”, saltam por cima de touros bravos, neste caso animais encorpados e poderosos.
As capeias arraianas sempre tiveram este segundo momento: depois do forcão «corria-se» o touro, com ou sem acrobacias. É sobretudo a pensar nesta segunda parte que Joaquim Manuel Correia chama «folguedo» à capeia. Ainda bem que estes rapazes, muitos deles «franceses-arraianos», alegram as capeias com a sua agilidade. Cabe-nos aplaudi-los.
Lembro-me bem de alguns dos mais «leves» rapazes de Aldeia do Bispo fazerem saltos espantosos, tanto por cima dos bois como para cima das calampeiras. Quando eu era garoto, dizia-se que o mais «leve» de todos era o António da Ti Claudina, também conhecido por António das Meninas: com as suas calças de pana metidas dentro das meias e as suas alpergatas espanholas, foi durante muitos anos um verdadeiro «líder» das capeias de Aldeia do Bispo. Morreu há pouco, com 93 anos. Merece descansar em paz e que a terra lhe seja leve.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia Velha, freguesia da orla raiana do concelho. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Alfaiates.

ALDEIA VELHA

A toponímia, madre de batismos,
Também perene fonte de mistérios
Revoca do mais fundo dos abismos
As regras que definem os critérios,

São poços de saber os aforismos
O sábio, porque sábio, prefere-os
A vetustez é fonte de lirismos
Negá-lo equivale a despautérios

O nome vale assim por nobre título
Que os povos reconhecem em capítulo
Não cabe uma avenida numa quelha

Se na vida é um posto a antiguidade
Brasão é da mais alta dignidade
Chamar-se uma aldeia Aldeia Velha…

«Poetando», Manuel Leal Freire

Os CTT-Correios de Portugal disponibilizam no seu portal uma ferramenta online que permite a consulta instantânea de valores em dívida de portagens por utilização das auto-estradas com cobrança exclusivamente electrónica (scuts), como por exemplo a A23 e a A25. Através da inserção da matrícula, é possível ter acesso a eventuais débitos.

A25 - scut - pagamento electronico

Os utilizadores de auto-estradas com cobrança de portagens electrónica, como por exemplo a A23 e a A25, podem agora saber se têm algum valor de portagens em dívida. Os CTT criaram uma ferramenta online, que confirma de forma imediata através da inserção da matrícula do veículo se existem pagamentos por efectuar.
Na página da ferramente online deve ser inserida a matrícula do veículo em letras maiúsculas e o código da imagem apresentada.
A informação apresentada corresponde ao total dos valores de taxas de portagem em dívida até à presente data a pagamento nos CTT, e não inclui os valores cuja data limite de pagamento já tenha expirado. Aos valores em dívida acrescem custos administrativos a apurar no momento de pagamento. O sistema permite, ainda, consultar o histórico de passagens nas portagens eletrónicas.
De acordo com a Lei após a passagem nas autoestradas com cobrança eletrónica de portagens dispõe de cinco dias úteis para pagar os custos das portagens eletrónicas numa estação CTT ou agente payshop. Os pagamentos em dívida podem ser efectuados em qualquer caixa da rede Multibanco.
Por outro lado se quiser controlar os seus gastos através do iphone tem uma app – m.Portagem – com ver informação atualizada sobre os seus gastos na Via Verde Online e ainda dívidas nas auto-estradas com cobrança exclusivamente electrónica (antigas Scuts), para uma determinada matrícula.
Funcionalidades: visualização de viaturas e movimentos da Via Verde; visualização de dívidas de uma determinada matrícula; histórico de matrículas usadas; adicionar alertas para pagamento de dívidas.

Dispositivo de consulta nos CTT. Aqui.
jcl

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

«Carregos» de António CabanasBAJONJO – rapaz simples ou apatetado (Duardo Neves). Alguns dicionários registam bajoujo com os mesmo significado.
BALALAU – tonto; doido (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BALASTRACA – mulher gorda e desajeitada (Júlio António Borges).
BALBÚRDIA – confusão, sarilho onde ninguém se entende; vozearia.
BALCÃO – escadaria de pedra, exterior à casa, com um pequeno patamar (típico na habitação raiana).
BALDADO – exausto; sem poder fazer nada; que não pode mexer-se (Clarinda Azevedo Maia).
BALDE – picanço; picoto; cegonha (Leopoldo Lourenço).
BALDEAR – passar de um lado para o outro. Júlio António Borges acrescenta: carregar um carro com palha.
BALDEVINO – valdevinos; vagabundo; vadio; pelintra (Rapoula do Côa).
BALDO – balde. «Com uma sachola e um baldo na mão» (Abel Saraiva).
BALDOEIRO – buraco da parede onde se firma o andaime; buraco onde se acolhem as pombas.
BALDOSA – pedra quadrada (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BALEIO – planta herbácea que se utiliza para fazer vassouras pequenas (Clarinda Azevedo Maia, Júlio António Borges).
BALHAR – bailar. Que bem balhas!
BALHÉ – diminutivo de Manuel (Quadrazais). Se for criança é Balél.
BALHO – baile. «Terreiro do balho» (Franklim Costa Braga).
BALQUEIRADA – grande quantidade (Júlio António Borges).
BALSA – engaço; restos de uvas que ficam no lagar após se tirar o vinho. a balsa é utilizada para o fabrico da aguardente.
BALSEIRO – espécie de dorna, mas mais baixa (Vitor Pereira Neves).
BALUARTE – criança forte e desenvolvida fisicamente (Duardo Neves).
BAMBARÃO – simplório; pacóvio; lorpa (Leopoldo Lourenço).
BAMBAROCA – palerma (Júlio António Borges).
BANCA – banco tosco, em forma de meia lua e com três pés.
BANCO DE ESFREGAR – o m. q. banco de lavar, mas quando utilizado para esfregar o soalho das casas.
BANCO DE LAVAR – base de madeira, em forma de L, com tampos laterais, usada pelas lavadeiras para se ajoelharem na ribeira, junto ao lavadouro. Também se diz banca de lavar.
BANCO DE MATAR – robusta base de madeira, com quatro pés, onde o porco é deitado para ser morto.
BANCILHO – haste de pão com que se aperta a gavela quando se ceifa (Manuel Santos Caria). Também se diz vincilho.
BANDA – lado, margem. Ó da minha banda, que o da outra já cá anda, dizia-se nas malhas para chamar o pessoal, após a hora da refeição.
BANDADA – grande bando de aves ou cardume de peixes (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa da Raia).
BANDALHO – pessoa mal vestida e de aspecto desprezível; esfarrapado.
BANDARILHA – pau com aguilhão para tocar o gado. Do Castelhano: banderilla. Também se diz bandeirilha (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
BANDEAR – baloiçar; abanar; mover-se de uma banda para a outra (alguns autores escrevem bandiar). Nas festas um mordomo bandeava movimentando com uma só mão uma bandeira durante longos minutos, evitando sempre que a mesma se enrolasse.
BANDEIRA – flor da cana de milho. Antes da colheita o milho é desbandeirado, só depois a cana é cortada e as maçarocas descamisadas.
BANDEIRA DAS ALMAS – painel de uma irmandade, que acompanha os irmãos defuntos no funeral.
BANDEIRILHA – o m. q. bandarilha.
BANDOLEIRA – saco de couro usado pelos pastores e camponeses para transportar a merenda; o m. q. sarrão (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
BANDOLEIRO – mentiroso; pessoa que passa a vida a dizer mal dos outros (Clarinda Azevedo Maia).
BANDULHO – barriga; pança; vísceras de animal.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

A terceira guerra púnica, arrastando as legiões para o oriente, aonde se havia refugiado Aníba1 e a perseguição que teve de ser feita a este e aos seus aliados acabou por deslocar o eixo do Império, cada vez a tender mais para a orientalização.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaRoma, capital unida e incontestada, começou a ter de dividir com outras cidades a sua eminente dignidade de cabeça do mundo antigo.
A tetrarquia, com os dois césares e os dois augustos, cada um dos quatro instalados em diferente parcela do Império.
E, mesmo antes, quando Roma atinge o auge territorial, que coincide com a época de Trajano, a orientalização ensaiava-se já.
Como todas as coisas deste mundo, com vantagens e desvantagens. Daquelas, a mais importante consistiu certamente na sobrevivência da Império Romano do Oriente, por cerca de mil anos, à deposição de Augustulo.
A sua capital, a Bizâncio pré-romana, nome aliás mantido até Constantino que a crismou com o seu nome, a Istambul, segundo o recrisma dos turcos seljucidas, até pareceria criada para fazer a união entre dois mundos, que, todavia, até hoje ninguém conseguiu fundir ou manter aparentemente unidos a não ser por períodos curtos e com a hegemonia, em regra tirânica, de um deles.
O desatino começou logo com o cerco de Tróia querepresenta mais do que lendária antecâmara das más relações entre os povos de aquém e além do Bósforo, em todo o devir histórico.
Aos aedos que construiram ou carrearam o material para a Ilíada e a Odisseia, a Virgílio que na Eneida nos faz remontar ao mais fragoroso do cerco ilíaco, podemos já juntar trechos históricos ou quase históricos, como o «De rebus gestis Alexandri Magni», de Quinto Cúrcio Rufo; a «Retirada dos dez mil», de Xenofonte; os trabalhos de Tucidides…
As guerras médicas, sob outro nome, e tendo como contendores outros povos, ou mais precisamente os actuais representantes (melhor os que em cada época ostentam tal qualidade) vêm-se revelando uma constante.
A Europa, minúsculo apêndice superpovoado das imensidades asiáticas tem, salvo em períodos especiais, conseguido triunfar.
Muitas vezes, pelo engenho ou pela astúcia.
Desde, aliás, o Cavalo de Tróia, de cujo bojo saíram os incendiários para a noite terrível:
Quis cladem illius noctis, quis funera fando Esplicet aut possite lacrimis aequare laboris?…. Crudelis ubique.
Luctus, ubique pavor et plurima mortis imago.

Assim relata Eneias, tebano salvo por sua mãe Vénus (pois era apenas semi-deus, porque filho de homem, Anquises) o que foi a noite de Tróia, quando o enorme paláicio de Deifobos se transformara em ainda mais enorme braseal.
Simbólico, o cavalo prenuncia novos e bem mais vastos incêndios.
A tomada de ConstantinopIa, pelos janizaros de Maomet II, quando em 1453 acaba o Império Romano do Oriente.
A História tinha sinistras falhas,
Uma das quais se chama Kerkaporta…
Grasnam corvos, recrocitam gralhas
Bizâncio é já cidade morta…

União contra-natura de tantos e tão desencorados povos, em qualquer das suas versões, continha em si mesmo o fermento para todas as guerras e todos os ataques vindos do exterior.
Para cristãos e mouros, cada comunidade em socorro dos seus membros sujeitos a poder religiosamente oposto, dava incentivos de guerra santa.
Camões revelou-se arauto de uma intervenção:
Gregos, traces, arménios, georgianos,
Bradando-vos estão que o povo bruto
Lhe obriga os caros filhos aos profanos
Preceitos do Alcorão, duro tributo…

Com fronteiras que para o lado europeu chegavam a pôr em perigo a cidade de Viena (e daí o marquesado dos Habsburgos) e do lado asiático dominavam até aos plainos iranianos, ocupando ainda a maior parte da África rnediterrânea, só um governo tirani-zante lhe podia assegurar paz, de resto sempre efémera e a estilhaçar-se aos primeiros sinais de fraqueza.
O papel de Serajevo na Primeira Grande Guerra, os sangrentos conflitos jugoslavos no pré e post-titismo, os conflitos israelo-árabes e iracoiranianos, as questões dos curdos, dos arménios e até dos chechenos, bem podem fazer-se radicar na heterogeneidade de um império que contranatura se manteve por cerca de mil anos e de um outro, ainda mais anti-natural, o otomano, que durou quatro séculos…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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