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A Freineda, freguesia raiana do concelho de Almeida, recebeu no domingo, dia 16 de Setembro, um vistoso e colorido festival de pára-quedismo, ao qual assistiu um mar de gente. Tratou-se de uma iniciativa diferente que conferiu uma nova dinâmica à tradicional e muito apreciada festa de Santa Eufémia.

A arenonave levantava sucessivamente da pista da Dragoa, na Ruvina, levando a bordo quatro paraquedistas. Depois de ganhar altura aproximava-se da Freineda e largava os pára-quedistas, que primeiramente desciam em queda livre e depois accionavam os paraquedas, que logo coloriam o céu. Os primeiramente pontos minúsculos, lançados a três mil metros de altitude, ganhavam dimensão à medida em que se aproximavam do solo e, cada um de sua vez, faziam-se ao campo de futebol, em cujo centro estava instalado o ponto de aterragem, onde tentavam pousar demonstrando o controlo e a precisão do salto.
O imenso povo aplaudia os corajosos homens que desciam dos céus em vagas sucessivas. De manhã ocorreram três sessões de saltos, cada uma com quatro paraquedistas e á tarde tiveram lugar outras tantas sessões, assistindo-se no total a 24 saltos e sequentes chegadas ao solo.
A organização esteve a cargo da Comissão de Festas, auxiliada por José António Reis, um militar da Força Aérea, que se empenha em trazer à sua terra e à região novas dinâmicas que fazem a diferença. Desta vez a aposta foi o festival de pára-quedismo, que apenas foi possível dada a colaboração do Pára-Clube Boinas Verdes, contando ainda com outras preciosas colaborações, entre as quais as dos proprietários do aeródromo da Dragoa.
Capeia Arraiana esteve presente e testemunhou in loco o grande sucesso da iniciativa, que se desenvolveu a par com a festa e feira de Santa Eufémia.
plb

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A Freineda, freguesia raiana do concelho de Almeida, recebeu no domingo, dia 16 de Setembro, um vistoso e colorido festival de pára-quedismo, ao qual assistiu um mar de gente. Tratou-se de uma iniciativa diferente que conferiu uma nova dinâmica à tradicional e muito apreciada festa de Santa Eufémia.

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plb

No dia 13 de Setembro militares da GNR do Núcleo de Investigação Criminal de Pinhel, detiveram um casal, o homem de 59 anos de idade e a mulher de 57, residentes em Almendra (Foz Côa), por crime de tráfico de estupefacientes e posse ilegal de armas.

GNR-Guarda Nacional RepublicanaSegundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda, a investigação permitiu apreender aos suspeitos 19 plantas de Cannabis Sativa, com alturas compreendidas entre 40 e 2,60 cm, com o peso total de 31 kg, que se encontravam cultivadas num terreno anexo à residência, na qual foi efectuada busca domiciliária que permitiu ainda apreender 5,5 kg de liamba, um saco com sementes de cannabis, uma espingarda de calibre 12, 51 cartuchos de chumbo, bala e zagalote, 107 munições, das quais 11 de calibre de guerra, 5 kg de explosivos (25 gomas de gelamonite) e dois rolos de cordão lento e detonante.
No dia 15 de Setembro, militares do Posto Territorial de Foz Côa detiveram um indivíduo de 40 anos de idade, residente em Foz Côa, por crime de violência doméstica e crime de resistência e coação sobre os militares da GNR. O suspeito foi detido após um quadro de violência doméstica, pois tentava matar, com recurso a uma faca, a sua ex-mulher na residência desta e em frente aos filhos menores. O agressor não conseguiu concretizar o acto face à intervenção dos militares, que ainda tentou agredir com a referida arma branca.
No dia 16 de Setembro, militares da Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente (EPNA), do Destacamento Territorial de Pinhel, deteve um casal, o homem de 47 anos de idade e a mulher de 45 anos de idade, estrangeiros, por crime relativo à pesca. A detenção dos suspeitos ocorreu, quando estes andavam a pescar através de meios proibidos e número de canas superior ao permitido por lei, na barragem de Bouça Cova. Aos detidos, foram-lhes apreendidas seis canas de pesca, um camaroeiro, uma manga metálica, um fio de 50 metros de comprimento com 12 anzóis e 3,370 Kg de peixe (carpas, achigã e percas).
plb

Perguntam-me se não há notícias no Casteleiro, sejam boas, sejam más, uma vez que tenho escrito mais sobre o antigamente. Há. Há boas notícias. E hoje trago aqui algumas delas. Mas entendo que conhecer de onde e de quem vimos e como evoluímos é também muito importante. Vamos então à actualidade.

Uma aldeia como o Casteleiro tem o seu ritmo próprio. Anda na sua cadência, como cada terra. Nem de mais nem de menos: ao ritmo exacto da vida. Não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Mas vale a pena referir novas ideias e novas actividades.
É por aí que hoje passa esta crónica: pelas notícias que fazem a aldeia e que se fazem na aldeia…
Estas e outras novidades podem ser sempre consultadas aqui, no «Viver Casteleiro».

A Junta de Freguesia: novos serviços
Numa terra basicamente de idosos, a prestação de serviços é fundamental porque facilita a vida diária das pessoas. A mobilidade já não é muita. Poder resolver na Junta os problemas de pagamentos e recebimentos é fundamental. Desde o início deste mandato, António Marques, Presidente da JF, instituiu serviços essenciais: desde Janeiro de 2010, «a Junta de Freguesia de Casteleiro pass(ou) a disponibilizar a todos os casteleirenses os serviços de pagamento das facturas da EDP, PT e Água, bem como o pagamento de reformas».
Recentemente, e pela primeira vez, foi feita uma limpeza à ribeira do Casteleiro: «Cerca de 16 Km de extensão da ribeira e ribeiros envolventes da Freguesia foram objecto de intervenção com acções de controlo e limpeza das denominadas galerias ripícolas». A ribeira limpa é muito agradável (ver foto).

O Centro Cultural está vivo
O CACC, Centro de Animação Cultural do Casteleiro, promove todos os anos a 15 de Agosto um almoço de convívio. Aproveita-se a presença dos emigrantes, para se estreitarem os laços ao torrão.
Este ano correu também muito bem.
A ementa, que meteu «arroz com feijão, acompanhado com febras e carne entremeada, teve, como sobremesa, melão e queijo, tudo com fartura e à discrição, não faltando, é claro, as variadas bebidas», como escreveu Daniel Machado, o actual Presidente da Assembleia Geral do CACC.

Actividade no Lar
Em benefício dos utentes e de todos os que se deslocam ao Lar, há de vez em quando umas sessões de animação no Lar do Casteleiro.
Este ano, a 14 de Agosto, houve novamente uma tarde de convívio.
«O Conjunto Rosinha com o seu repertório animou os utentes da Instituição e a população da aldeia do Casteleiro que, com grande entusiasmo, aderiram e participaram».
Recordo que o Lar disponibiliza três opções: centro de dia, apoio domiciliário, «24 horas» (utentes que permanecem dia e noite no Lar).

Festa de Santo António
Leio que eram três os mordomos deste ano. E fizeram um grande trabalho.
Os conteúdos da Festa foram os mesmos de sempre: procissão (ver foto), comes e bebes, muito convívio (o melhor da vida) e música q.b..
Bombos, dois conjuntos, um rancho folclórico e um grupo etnográfico completaram os três dias de festa na aldeia: 10, 11 e 12 de Agosto.
Para quem tenha interesse, pode ser simpático «folhear» os vídeos da Festa de Santo António. Para aceder aos filmes de José Manuel Machado, pode clicar aqui.

Maçã certificada
Sempre houve muita maçã na zona do Casteleiro. Em determinada época, houve imensos pomares. Agora chega a notícia de que um produtor está a garantir certificação de qualidade no seu pomar de Santo Amaro para maçãs Bravo de Esmolfe, Golden Delicious, Starkrimson e Oregon Spur.
São ao todo sete hectares, o que é obra.
Esta é uma boa prova de que algo é possível. De que nem tudo está perdido na Cova da Beira ou na zona de Riba Coa.

Bolsa de terras
Uma boa ideia. Oxalá resulte. Uma ideia que foi premiada num concurso na Guarda. O autor do projecto, Ricardo Nabais, do Casteleiro, descreve-o assim: «É um projeto que visa a criação de bolsa de terrenos e gestão de terrenos abandonados, que tem como missão promover o desenvolvimento local e rural, fomentando a agricultura, propiciando as práticas agrícolas e a preservação da floresta».
Combate ao desemprego e fixação de pessoas são outros objectivos explícitos, naturalmente.
Quem tiver interesse, pode aceder ao «site» do Projecto Gesterra, aqui.

Nota
Já que o meu tema de hoje é este (notícias da terra), volto à estatística. Quantas referências registou o «Capeia Arraiana» para cada freguesia? O Casteleiro, com 50 referências há dois anos, tem hoje 150 e, no momento em que me está a ler, pelo menos 151 (+ 200%). Acho que foi o maior crescimento, o que só significa que estava abaixo da sua «performance» regional, creio.
E as outras?
Com menos de 10 registos – são ainda 9 aldeias, que merecem menção individual, para as compensar dos silêncios: Escabralhado, Espinhal, Abitureira, Batocas, Carvalhal, Lameiras de Cima, Martim Pêga, Peroficós, Vale Mourisco.
Com 10 a 20 – ainda são 8.
Entre 20 e 50 – 14, a maioria, nesta minha tabela.
50 a 100 – 7.
100 a 200 – 4: Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Casteleiro, Sortelha.
Mais de 200 – 2: Fóios (mais de 270), Soito e Sabugal (com mais de 1300, também por ser a sede do concelho, claro).
Registo que o Soito subiu 40%, de 199 para 270 – 71 em dois anos. E Sortelha subiu de 133 para 160 (um aumento de cerca de 25%). Acho que tem crescido pouco, mas tem muitas referências – neste caso, também, e ainda bem, por se tratar de uma aldeia histórica.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Com as reuniões semanais e supervisão do Sr. Eng.º Miguel Neto da Câmara Municipal as obras avançam em setembro para um final que se avizinha.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Em 1941 um avião Vicker’s pilotado pelo oficial da Força Aérea Portuguesa C. Quintela, natural de Alfaiates, sobrevoou o Sabugal e o oficial co-piloto, J. Fernandes, captou a fotografia que agora apresentamos.

Fotografia aérea - Sabugal - 1941

Pode observar-se a parte mais antiga da vila, então um aglomerado singelo e harmonioso. O castelo pentagonal em sua altivez, e as construções ainda dentro do estilo típico. Uma que outra casa mostra maior gradação, mas o enquadramento é pleno e proporcional. O branco das paredes das casas sobressai – era uso de então revestir as pedras de granito e caiar as paredes.
Ainda não era chegada a construção desenfreada, que fez crescer as nossas terras e lhes trouxe maiores comodidades, mas que rompeu com o equilíbrio arquitectónico que a imagem do Sabugal da fotografia denota.
O Bairro da Ponte não existia, a torre sineira da Igreja Matriz conseguia ainda impor-se no alto, a Avenida das Tílias era livre de casario, na encosta do Castelo estava uma mata de castanheiros seculares, perto da zona urbana havia manchas de terreno arável.
O betão tudo transformou e a vila do Sabugal, agora cidade, não fugiu à regra: expandiu-se, modernizou-se, vestiu nova roupagem. A mancha urbana lembra agora um polvo com seus tentáculos, que são as vias de acesso escoltadas por modernas construções. Mas a parte antiga da vila, bem poderia ter mantido a sua traça original. Quanto teríamos hoje a ganhar!
plb

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Badamalos. No spróximo domingo será editado o poema relativo à aldeia anexa de Badamalos: Carvalhal do Coa.

BADAMALOS

Vocábulo de sonoras ressonâncias
Recorda vozes de alteroso sino
No éter não se medem as dustabuas
Mas os toques do bronze volvem hino

Serenas existências de sem ânsias
A paz é por ali um dom divino
O Coa quase sente relutâncias
Em ter de ser um peregrino

Ser lago e quedar-se eternamente
Entregue às boas mãos da boa gente
Seria o regalo entre os regalos

Qualquer entenderá todo este apego
Pensando no edénico sossego
Que marca o viver em Badamalos

«Poetando», Manuel Leal Freire

O Centro Recreativo e Cultural de Aldeia Velha vai realizar, a 30 de Setembro, domingo, três iniciativas voltadas para a população: caminhada, passeio BTT e passeio equestre.

A associação local, pretendendo ser de todos e para todos, programou as iniciativas, abertas ao público em geral, para a promoção do convívio entre as pessoas e para lhes proporcionar o contacto com a Natureza.
É este o programa dos três passeios, em diferentes meios de locomoção, a pé, de bicicleta e a cavalo:
8h30 – Concentração no Enxido.
9h00 – Partida simultânea dos três passeios.
12h30 – Encontro na Senhora dos Prazeres.
13h00 – Almoço.
As inscrições podem ser feitas nos cafés e comércios de Aldeia Velha até às 19 horas do dia 28 de Setembro – é importante o cumprimento do prazo para se poder planear convenientemente o almoço.
Para mais informações os interessados poderão contactar o Zé Tó: 969128427; ou o André: 926962792.

Capeia Arraiana deseja bons e animados passeios à gente de Aldeia Velha.
plb

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

BARRA – cama de ferro. Ferro comprido com que se jogava ao «jogo da barra».
BARRABÁS – diabo (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARRANCEIRA – subida acentuada; ribanceira; barreira; ladeira.
BARRANHA – alguidar de barro usado na cozinha. Na barranha eram servidas as refeições conjuntas, em que cada um tirava grafadas. Também se diz barranho.
BARRANHÃO – alguidar de barro de grandes dimensões, próprio para preparar a massa para o enchido. José Manuel Lousa Gomes refere o termo barnhão, usado no Soito.
BARRÃO – porco não castrado; macho de criação (Júlio António Borges).
BARRASCO – porco para reprodução. Vítor Pereira Neves escreve barraco.
BARREIRA – subida acentuada; ribanceira; ladeira.
BARRELA – operação de lavagem da roupa, usando cinza e água quente. Brincadeira de rapazes, em que um é seguro para lhe desapertarem as calças e lhe enfiarem ervas. Descrição da barrela de lavar a roupa, por António Maria das Neves: «A ropa branca e mais delicada era colocada em cestos forrados com um lençol, colocando cinzas em cima e em seguida era regada com uma boa quantidade de água fervendo. Depois de pernoitar em ouso, era levada ao lavadouro.»
BARRELEIRA – pia de lavar a louça (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
BARRICA – vasilha em aduelas de madeira, para o vinho, com capacidade entre 30 e 200 litros (Manuel Santos Caria).
BARRICO – vasilha em aduelas de madeira, para o vinho, com capacidade até 30 litros (Manuel Santos Caria).
BARRIÇO – cabeço (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARRIGA A DAR HORAS – ter fome; estar ansioso por comer.
BARRIGADA – grande quantidade de comida; fartote; pançada.
BARRIL – bilha de barro para a água.
BARRISCADO – borrifado com água suja (Júlio António Borges).
BARRISCAR – borrifar (Júlio António Borges).
BARROCA – sulco profundo, aberto pelo escorrer da água das chuvas. Vale estreito e profundo.
BARROCAL – local onde há muitos penedos ou barrocos. Curiosa a definição de Célio Rolinho Pires: «estrutura óssea constituída pelo fraguedo maciço de granito que emerge nos altos das encostas».
BARROCO – penedo granítico de grandes dimensões.
BARROCADA – pedrada.
BARROLEIRO – pedra de granito picada, rectangular ou arredondada, com ligeira inclinação e saída para a cozinha, para lavagens e arrumações da louça (Vítor Pereira Neves).
BARRONDA – porca com o cio.
BARROTE – trave de madeira que, a modos de viga, sustenta o soalho.
BARRUGA – bolha formada na pele, geralmente nas mãos, devido à ferramenta (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo). O m. q. borrega.
BARRUMA – verruga, ou cravo, que aparece nas mãos (Vítor Pereira Neves).
BARRUNTAR – conjecturar; desconfiar; pressentir. Clarinda Azevedo Maia também refere esta expressão, que recolheu em Aldeia do Bispo, onde a terá ouvido no contexto de adivinhar ou pressentir o tempo. «Barruntando que da lura saíria coelho» (Abel Saraiva).
BARULHO – bulha; briga; desordem; confusão.
BARZABENAS – diabo; satanás, mafarrico. «Por artes de barzabenas» (Joaquim Manuel Correia).
BARZABUM – belzebu; diabo (Júlio António Borges).
BASBAQUE – pessoa reles; parvo; pateta.
BASBORINHO – burburinho; redemoinho provocado pelo vento (Vítor Pereira Neves).
BASCULHO – mulher suja e desajeitada. Mal amanhado, trambolho. Também se diz vasculho.
BASTARDO – cobra de grandes dimensões (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BASTOADA – bordoada (pancada) com bastão ou arrocho (Duardo Neves).
BASUGA – gordo; cheio; barrigudo; anafado. Júlio António Borges refere bajuga.
BATAFORMA – socalco, batorel.
BATATADA – luta; briga; confronto físico. Andam à batatada.
BATATEIRO – indivíduo natural de Aldeia Velha.
BATE-CU – queda em que se bate com as nádegas no chão.
BATER A BOTA – morrer.
BATIFEIRO – esquisito a comer (Rapoula do Côa).
BÁTIGA – aguaceiro; chuva forte; bátega (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
BATOREL – socalco feito nas encostas para cultivar a terra. Clarinda Azevedo Maia, no seu trabalho de campo, recolheu o termo e dois significados diferentes: pequeno poço de água (Batocas); pessoa Gorda (Lageosa da Raia).
BATUCÃO – pancada.
BATUCAR – bater; varejar (Clarinda Azevedo Maia).
BAZÓFIA – soberba; prosápia; gabanço.
BAZULAQUE – intestinos e miúdos de animais; palerma (Júlio António Borges).
– diminutivo de Isabel (também se diz Béu).
BEBE-ÁGUAS – pessoa de pouca valia. Manuel Leal Freire escreve bebáguas.
BÊBERA – grande figo temporão (que amadura cedo).
BEBERAGEM – vianda para os animais, composta por hortaliças e farinha ou farelo, escaldadas em água (Manuel Santos Caria escreve buberage). Bebida desagradável (Júlio António Borges). Nas terras do Campo (Monsanto) dizem beberragem (Maria Leonor Buescu).
BECA – cabra; interjeição usada para chamar as cabras. «Beca, beca, quem quer rama trepa!» (Célio Rolinho Pires). Taberna – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
BECHANA – o m. q. bucheira – peça do enchido (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BECHINCHE – zaragata (Duardo Neves).
BÉCULAS – designação depreciativa de cara (Júlio Silva Marques e José Pinto Peixoto). O m. q. ventas.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

A Europa, têmo-lo repetido, vale como sinónirno de humanismo, cristandade, cavalaria (no mais nobre sentido do termo) e civilização.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNão admirará, em corolário, nem o ascendente que, desde os luminosos séculos da Hélada, vem mantendo sobre o resto do mundo, nem a missão de disseminador da cultura que se propôs.
O mais pesado fardo do homem branco, evocado nalguns cantos de epopeia, e que refere exactamente a obrigação que o europeu sempre sentiu de actuar como responsável pela promoção civilizacional dos aborígenes dos demais continentes, não representa efectivamente mero sentido de retórica e longe de constituir causa de recriminação ou motivo penitencial deve dar-nos inspiração para mais altos cometimentos em prol da humanização.
Para além das razões económicas com que muitas vezes se mascarou aquele propósito eminentemente digno, não deixando de condenar a exploração, os abusos e até os crimes de muitos colonizadores, a verdade é que, mesmo fora do campo estritamente religioso que normalmente foi o motor inicial (alargar a Santa Fé de Nosso Senhor Jesus Cristo e trazer a ela toda as almas que se queiram salvar, diria o lnfante Dom Henrique em carta ao Papa, então reinante), há sobejos motivos de consolaçãoo ou até de cristão desvanecimento pela obra de promoção que a Europa levou a cabo nas demais partes do mundo.
A nós, portugueses, coube o papel de iniciadores, como recorda o poeta:
Nascido dos combates pela Cruz
Portugal veio ao mundo já cristão
O melhor baptismo é o da luz
Que Deus deixou nas margens do Jordão

Somente os ungidos por Jesus,
São Pedro, São Tiago, São João…
Ao «ide e ensinai» fizeram jus
E nós que somos povos de missão
Deus é que fez o mundo e redimiu-o
O génio português redescobriu-o
Em nova criação a Deus o dando…

Todos os nossos poetas, de resto, se deixaram tocar pela sublimidade do tema.
Camões:
Assim fomos abrindo aqueles mares
Que geração alguma não abriu…

Vimos buscar do Indo o grão corrente
Por onde a lei divina se acrescente.

Guerra Junqueiro:
Astros do céu, povos da terra, ondas do mar
Viram passar como uma águia ovante
Meu pendão quimérico nos ares
Retumbaram maus feitos de gigante
Pelo universo em feitos seculares…

Fernando Pessoa:
Ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas que aqui vês:
O mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português.

Corrêa de Oliveira:
Mare nostrum dos antigos
Foi latim a breve modo
O português deu à vela
Nosso mar era o mar todo…

Afonso Lopes Vieira:
O que era dantes o mar?
Um quarto escuro
Onde os meninos tinham medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
E foi um português que o foi abrir…

Com os poetas eruditos, ombreiam os cantadores ao desafio:
Portugal, senhor da terra
E senhor do mar também
Só não é senhor do céu
Que é de Deus e mais ninguém.

Áfricas, Índias, Brasil,
Tudo no mundo foi meu…
Proas de nau, nem eu sei
Como as não meti ao céu…

Enfim, todos repetiam com Camões:
… Entanto que cegos e sedentos
Andais do vosso sangue, ó gente insana
Não faltaram cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa lusitana.
Tem da África os marítimos assentos
É na Ásia mais que todas soberana,
Na quarta parte nova os campos ara
E, se mais mundos houvera, lá chegara…

Sobreveio Alcácer-Quibir e o nosso esforço iria ser aproveitado por outros.
Logo pelos espanhóis, já émulos connosco. E daí a trova:
Áfricas, Índias, Brasil,
Tudo no mundo foi nosso
Portugal dizendo à Espanha
Toma lá que que eu já não posso…

Consumara-se aquilo a que os historiadores chamam o século português, de algum modo o do Infante Dom Henrique, a quem, na lapidar expressão de Oliveira Martins, nós, portugueses, devemos uma segunda pátria, mas que transcendeu em muito os limites de uma pátria, pois deu igualmente outra pátria a todos os europeus…
A personalidade e a acção do Príncipe de Sagres exige, por isso, que o coloquemos ao alto e ao centro da História da Civilização do Ocidente e mesmo do Mundo.
E que a exigencia não se revela descabida, acentuam-no vários autores:
Beazlei que o situa entre os que modificaram, vital e realmente, o curso da História Mundial e sem cuja obra toda a nossa sociedade moderna, e a civilização de que nos orgulhamos, seria profundamente diferente.
Elaine Sanceau, que disse: «0 Infante realizou a maior transformação que o mundo vira ou viu até hoje»…
Gilbert Renaud: «Dom Henrique voltou uma página decisiva da História do Homem»…
Até porque foi o precursor e primeiro realizador da Europa Imperial para além dos mares.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

A Freineda, e toda a Raia, vão assistir pela primeira vez a um festival de pára-quedismo. Este domingo, dia 16 de Setembro, a Comissão de Festas de Santa Eufêmia 2012 da Freineda vai proporcionar momentos inéditos nos ares raianos. O avião vai estar estacionado no aérodromo da Dragoa, na Ruvina, concelho do Sabugal, e levantará voo para levar os pára-quedistas em duas vagas de manhã e duas da parte da tarde: os saltos sobre o Largo de Santa Eufêmea, na Freineda, com seis «páras» de cada vez estão marcados para as 11:00 e para as 11:45 e para as 16:00 e 16:45 horas.

Santa Eufêmea - Pára-quedismo - Freineda - Almeida

jcl

Na passada sexta-feira 7, vi um homem cabisbaixo dirigir-se para um palanque. As folhas tremiam-lhe nas mãos e, não sei se pela tv ou na realidade, quando levantou a cabeça, o rosto apresentava-se branco. O primeiro-ministro de Portugal ia falar ao país.

Todo este cenário não podia augurar nada de bom. O primeiro-ministro apresentava um rol de medidas de austeridade pura e dura. Se tal passou, quase, a ser a banalidade do discurso deste governo, quer na forma quer na essência, esta comunicação encerra alguns aspectos que convém sublinhar. A essência política, sabemo-lo, deste governo é a prática puramente académica de uma doutrina financeira ultraliberal. Acredita na auto-regulação dos mercados e numa liberalização absoluta destes. Não é uma doutrina nova. A actual crise é consequência dessa crença. Até aqui, nada de novo. Mas o discurso de Passos Coelho resume, em si, tudo isto, mas muito mais. É uma confissão, ainda que escondida, mas uma confissão. Primeiro, porque mentiu ao país antes das eleições e durante todo este ano que leva de governo. Antes, porque garantiu que não aumentava impostos. Durante todo este tempo em que, verdadeiramente, assaltou os portugueses, corrijo, assaltou os trabalhadores, não dizendo para onde foi o dinheiro que nos tirou do bolso. Poderá argumentar que não conhecia a realidade das finanças do estado. Então, é pura incompetência. Não se pode aspirar a ser primeiro-ministro sendo incompetente. Mas o facto é que, em todas as matérias, este primeiro-ministro e este governo, demonstram uma incompetência em toda a linha. Este discurso é feito minutos antes de um jogo de futebol da selecção nacional. O discurso não explica absolutamente nada quanto ao uso do sacrifício dos trabalhadores, quando nos foi dito que era para garantir o tal défice de 4,5%. Nada. Agora, de novo, um discurso em que nos anuncia mais um roubo sem explicar para quê ou qual fim. Mais, fá-lo falando do assalto aos que trabalham, calando sacrifícios para os que mais têm. O aumento da taxa para a Segurança Social (lá estou eu!), não é taxa, é um imposto puro e duro. Puro porque cobra sem a prestação de serviço (é isto uma taxa) e duro, porque cobra a todos por igual, como se o vencimento fosse igual! É a mesma coisa tirar 7% a quem ganha 10 000 mil euros ou a quem ganha 500 euros? E enquanto aumenta os trabalhadores na cobrança de impostos, alivia as empresas, cortando 5%. A razão, diz o governo, incentivo à criação de emprego. Esta é de rebolar pelo chão e rir à gargalhada! Criar emprego? Estão loucos? Como? Se quem consome os produtos fabricados nas empresas não tem dinheiro para o fazer? Não sou eu que o digo, são os empresários que o dizem à boca aberta. Depois, uma comunicação antes da avaliação da troika e três dias antes do ministro das finanças vir falar, também, ao país, para anunciar uma série de medidas intencionais para cobrar aos que mais possuem. Escrevi intencionais, porque o senhor ministro das olheiras limitou-se a anunciar intenções. A intenção de cobrar nos bens de luxo. A intenção de acabar com institutos públicos e fundações. A intenção de rever os contratos das PPP’s. A intenção… Quanto à economia, a palavra usada foi “eu creio” que irá reagir. A questão já não é científica, é do campo da metafísica, do religioso. É uma questão de fé! A desculpa até aqui era o tal memorando. Mas eis que a troika vem imediatamente descolar-se de tais medidas. Afinal, qual o programa que estamos a seguir? Quando, até aqui, todas as medidas eram escuradas pela troika e a essa âncora de memorando, descobre-se, também, mais esta mentira. Mentira que serviu durante um ano para esconder a incompetência e legitimar o roubo. Não foi feita nenhuma reforma estrutural, em nenhuma matéria se avançou com um plano exequível. O único serviço foi despedir, aumentar imposto e agonizar o estado social. Já agora, onde está o parceiro de coligação no governo? Onde anda o seu líder, que não o vejo junto à fronteira a reclamar com o preço dos combustíveis? Não o vejo pelas feiras? Não o vi ao lado primeiro-ministro? Vejam lá se saem dos gabinetes e vêm conhecer o país. Ou então, vão embora.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Na presente emergência nacional, se é certo que estão a ir os anéis, já não é assim tão seguro que se salvem os dedos, mesmo se reduzidos à falangeta, a última das excreções segundo se aprende – ou aprendia – na escola que hoje é dominada por um nem sequer doce far niente…

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaMas que os anéis, mesmo no sentido literal do termo se estão a ir, disso todo o mundo se dá conta, atento o ruído e agressividade das campanhas de aliciamento à venda, sem que ninguém, nomeadamente os poderes públicos que têm por obrigação estar atentos a todos os sintomas de anormalidade, se tenha interrogado sobre as causas e os fins…
E apesar do que por aí já não apenas se rosna, mas abertamente se diz, que a generalidade do ouro, prata, platina e demais preciosos, simples ou em jóias, assim comercializados, saem do País.
Objectar-me-ão que isso é ótimo, pois do que nós precisamos é de equilibrar a nossa balança de pagamentos e as divisas por aquela via entradas são um valiosíssimo aporte.
Para além duma sensata interrogação sobre o destino final das verbas obtidas pelas transacções que o mais certo é dirigirem-se para paraísos fiscais, ou no mínimo subtrair-se ao controlo nacional, há uma regra – essa sim áurea – de que só conta para o equilíbrio a exportaçao de riqueza produzida e não de riqueza acumulada.
A esta luz, irrefragável para os entendidos, vender bens não produzidos mas acumulados é factor unicamente de empobrecimento.
Portugal empobrece na medida em que se exporte ouro público ou privado.
Alguma coisa, pois, devem os poderes públicos fazer no sentido de se estancar aquela Sangria.
Estaline, mau grado o seu apoio a todas as internacionais, era um feroz nacionalista pelas Santas Rússias. Numa emergência semelhante, logo nos inícios da sua governação, ordenou o manifesto nacional obrigatório de tudo o que cheirasse a ouro e jóias. Os proprietários que fugissem ao registo não só perderiam o material não registado como ficavam sujeitos a sanções que iam da multa à pena de morte.
No Portugal de hoje não serão necessárias medidas assim extremas. Mas pode começar-se pelo manifesto, que não ofenderia nenhum direito que a quebra de sigilo bancário não tenha já posto em causa.
A proibição de venda podia também ser encarada, intervindo a Casa da Moeda, através de cautelas de penhor, quando o titular invocasse a necessidade iminente de venda.
Mas do que não há dúvidas é que se impõem medidas que travem a sangria e a especulação que são cancro e escândalo.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Ainda que se queira falar noutros assuntos, a verdade é que a austeridade, que já vínhamos sentindo, inflacionada com as medidas que o Governo anuncia, já para este ano e para o próximo, tornam incontornável a abordagem do tema, nomeadamente naquilo que à região se refere.

Terminou a fronteira mas não se ganhou muito com isso

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaO País está em choque e o Governo, com destaque principal para Pedro Passos Coelho e Vitor Gaspar conseguiu algo inacreditável que é a quase unanimidade da crítica negativa, da Esquerda à Direita. Várias figuras destacadas dos partidos da coligação não têm «papas na língua» para qualificar o que consideram o disparate de algumas das propostas do Governo.
A verdade é que o Povo tem memória curta e disso sabem bem os políticos profissionais que gerem a sua própria memória à medida das suas conveniências. Quer isto dizer que não chegámos ao atual estado de coisas «por obra e graça do Espírito Santo». Foram anos e anos de má gestão, de aumentar orçamentos todos os anos, embora os de anos anteriores fossem deficitários. Foi muita corrupção, muito desperdício em negócios ruinosos que só beneficiaram os intervenientes… Enfim, os partidos mudam de opinião rapidamente após o dia das eleições, conforme o resultado, embora não haja dúvidas que todos mentem deliberadamente para obter as boas graças do eleitorado que se apresenta irracionalmente crédulo e com os tais problemas de memória.
Penso que não existem muitas dúvidas sobre os responsáveis da situação a que chegámos. Sabemos que a culpa não é dos políticos, mas sim do alcatrão, do cimento, das parcerias público-privadas, das fundações… Enfim, a culpa «morreu solteira». Sabemos que o Estado é um sorvedouro de recursos, que o Estado é mau pagador e implacável cobrador, que o Estado é responsável pela falência de inúmeras empresas, por essas razões, mas o Estado tem tido líderes desde 1974. Ora, aquilo a que temos assistido é à degradação da qualidade de vida dos portugueses por um Estado canibal até chegarmos à beira do precipício da bancarrota. Perante a inevitabilidade da ajuda externa importava ter dirigentes que fossem suficientemente criativos para atenuar as ondas de choque da intervenção troikiana, dirigentes que fossem suficientemente corajosos para tomarem as medidas corretas no sentido de aliviar a economia nacional do «regabofe» que tem sido nas últimas décadas. No entanto, parece não ser assim e aquilo a que vimos assistindo é a atitudes experimentalistas que culminaram com a perda de paciência do bom Povo Português, com críticas vindas de todo o lado e até com a troika a demarcar-se de algumas iniciativas, como a das anunciadas alterações às regras sobre a Taxa Social Única.
O País orienta-se numa direção que não sabemos onde pode terminar e neste contexto são os mais frágeis, os mais pobres, os mais prejudicados. Nesta perspetiva, o Interior, nomeadamente o concelho do Sabugal, nada pode esperar de bom. Os tecnocratas de Lisboa continuarão a governar pessoas e território com a lógica dos números, funcionando o princípio da «pescadinha de rabo na boca»; quer isto dizer que cada vez há menos gente e, consequentemente, são necessários menos serviços, cada vez há menos serviços, logo menos gente. Tem sido assim desde os tempos de Cavaco Silva, mais a sua ideia em fazer uma grande capital (Lisboa) que servisse de locomotiva ao País. Como damos conta, um destes dias a locomotiva não tem nada para puxar.
O fecho do tribunal do Sabugal é um bom exemplo daquilo que referimos. A falta de alternativas aos serviços transfronteiriços que terminaram, outro exemplo. O fecho de escolas. A falta de uma política fiscal suficientemente atrativa que levasse à instalação de empresas produtoras de bens transacionáveis, idem. Enfim, uma tragédia ainda maior que aquela que vive globalmente o País. O que será do Interior?
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

O processo de elaboração do Plano Estratégico do Concelho do Sabugal motivou um conjunto de opiniões que me lembraram uma história verdadeira que passo a contar.

Sabugal

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Há largos anos já, integrei uma equipa que preparou a candidatura de um Município da Beira Interior a um Programa Comunitário.
Sabendo que o Sabugal também preparava uma candidatura, ofereci-me para ajudar sem qualquer contrapartida financeira, ao que um vereador respondeu que sabia bem como elaborar a dita candidatura.
Saídos os resultados, aquele Município tinha um programa de várias centenas de milhar de contos aprovado, e o Sabugal, nada!
Em conversa posterior com o mesmo vereador, mostrei-lhe a candidatura elaborada pela equipa a que pertencia, tendo eu visto nessa altura e pela primeira vez a do Sabugal.
O vereador virava as páginas e só dizia – «Isto é palha! Isto é palha» –, ao que eu lhe respondi, pois é, mas essa palha valeu muito dinheiro e a vossa proposta mereceu zero!
Pensava que tantos anos passados, essa mentalidade já havia desaparecido, mas pelos vistos deixou muitos adeptos…
Felizmente que o atual Executivo da maioria e da oposição, não tem a mesma opinião e mandou elaborar o Plano.

Li com grande apreço a primeira crónica de António Pissarra «Raia – o Algarve do Interior», com o qual estou em grande parte de acordo.
Virei na próxima semana ao tema, mas aqui deixo o que o Caderno de Encargos que a Câmara preparou define como missão do Plano Estratégico: «Afirmar o Sabugal no contexto regional e como pólo de desenvolvimento da Raia Central Ibérica, reforçando a sua identidade e valorizando os seus recursos, afirmando-o como território sustentável e qualificado, atrativo para viver, investir e visitar.»
Como se vê, onde pretendemos chegar começa a ser consensual. O que precisamos é de saber como lá chegar…

ps. Chegou a altura de, todos, dizermos basta!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

«AS TERRAS SÃO TODAS IGUAIS. AS GENTES É QUE SÃO DIFERENTES!» Esta abertura vem a propósito da minha ida ao encerro da Freineda, na passada sexta-feira, dia 8, do corrente mês de Setembro.

(Clique nas imagens para ampliar.)

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaQuando pela zona da Raia só já vive de saudade em relação às festas do mês de Agosto, com particular destaque para os encerros e capeias, eis que é anunciado um encerro que deixa deslumbrados todos quantos se dignam ir até à Freineda, essa simpática localidade, também raiana, mas já do concelho de Almeida.
Fui lá, pela primeira vez, no passado ano – 2011 – e já fiz promessa de ir todos os anos.
Na passada sexta feira fui com o meu amigo Chico Lei, num carro de dois lugares, mas logo atrás de nós seguia o jipe do Lei Chão com mais quatro ou cinco fojeiros. Alguns iam pela primeira vez mas já com algumas boas referências.
Quando chegámos ao local do Taco, também conhecido pelo «Mata Bicho», fomos cumprimentados por alguns amigos que por lá temos e logo nos puseram completamente à vontade. «O que está aqui é para todos!» E o que lá havia. Quantidade e qualidade tanto de comida como de bebida.
«Ó pessoal, toca a aproximar. Isto é para todos. Então já provaram a sangria? E o branquinho? Mas o tinto também não é mau.»
Nas mesas abundava o presunto e o chouriço, entre outras especialidades, mas o leitão acabou por ser rei.
Entretanto iam chegando muitos cavaleiros, carrinhas, tractores e motas que, após uma passagem pelo local do Taco, davam uma arrancada até ao sítio onde se encontravam os toiros prontos para as mais diversas faenas do encerro.
A febre, tanto dos humanos, especialmente dos cavaleiros, como dos bichos era, de tal ordem, que arrancaram todos numa barafunda e correria louca a ponto de me fazerem lembrar as guerras nos desertos de alguns países e que a televisão, infelizmente, nos vai mostrando.
Como o terreno é muito plano também dá para tractores, motas, jipes e carrinhas, correrem na perseguição dos bichos.
Os participantes, numa gritaria infernal, faziam-se ouvir dizendo: «O amarelo já fugiu, os cabrestos também já andam longe mas já lá vêm outra vez. Toca gente a subir para os respectivos veículos para se aproximarem o mais possível dos animais.»
Por fim lá os aproximaram do caminho e em marcha lenta fizeram dois ou três quilómetros até que acabaram por chegar próximo do povoado onde entraram já em grande correria, como é habitual, tendo acabado por entrar na praça com sucesso.
Confesso que gostei de tudo mas, de sobre maneira, da simpatia dos freinedenses que não deixam os créditos por mãos alheias.
Um especial carinho e agradecimento para o amigo Tó Reis, Gonçalves, Mário Rocha e Zé Manel-prof. (entre muitos outros) que fazem questão de servir bem todas as pessoas a ponto de as fazerem sentir igual ou melhor que na sua própria terra.
Um grande Bem-Haja e viva a Freineda por ser um exemplo!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Naquele fim de manhã de Março de 1995 estava no Banco onde eu trabalhava e entra a Cristina, filha do meu colega Luciano e pespega-se à minha frente, dizendo: «Ó Zé Jorge, queres ir fazer um cruzeiro num grande paquete durante 12 dias? Tudo pago, comes e bebes, só tens que ir ao porto de Lisboa e entrar no barco…»

José Jorge CameiraFoi o mote para eu me rir. Fechado naquele banco sete horas por dia, contando o dinheiro dos outros e com pouco dele nas algibeiras, só aquela proposta me faria rir…
Também por que não estava a ver a Cristina convidar-me para fazer um Cruzeiro COM ELA, ou então se me enganava neste raciocínio herege, nem tão pouco fazer uma férias «à grande e à francesa» num desses barcos de luxo, tal como na famosa série televisiva «O Barco do Amor»… Loves in the air, bla-bla-bla…
– É assim – esclareceu ela – dás uma pequena entrada, pagas todos os meses um tanto, fazes o Cruzeiro nas férias de Agosto e depois continuas a pagar todos os meses um tanto até ficar tudo saldado…
Sentindo o corpo aquecer só com a visão das coisas boas que via na tal série televisiva, decidi logo:
– É lá… Assim o caso muda de figura! Põe aí já o meu nome e quanto dinheiro é que tenho de te dar agora…
Nesses dias subsequentes, a minha imaginação ficou mais fértil: rememorizando «O Barco do Amor», aquilo seria só dolce-farniente diário. Gajas boas, de todo o Mundo, lindas, esguias, benfeitonas de todas as cores e idades, sempre em biquinis caidiços ou trajes com rasgões provocantes nos vestidos de soirées, festas loucas, comida farta, estirado ao sol nas espreguiçadeiras contando as gaivotas no ar, os golfinhos em competição com o boat e principalmente olhando as fêmeas na piscina soltando gritinhos com aqueles decibéis que só elas usam nas traqueias…
Que mais podia ambicionar um pobre empregado bancário como eu, do que sentir-se MILIONÁRIO no meio da grã-finagem internacional durante apenas 12 dias do ano?
Lá fui até Lisboa cheio de nervo por tão grande aventura que ia viver. Meus netos e bisnetos irão dizer, olhando as fotos em kodakcolor: tivemos um antepassado ricaço que até fez um Cruzeiro num Transatlântico! Ora bem!
Outra sedução deste passeio seria o facto de porventura eu não conhecer ninguém e ninguém me conhecer naquela Ilha de Ferro Flutuante… Bolas, seria algo incrível eu encontrar alguém conhecido, quando todas as pessoas que conheço no Mundo deverão andar por outros milhões de locais igualmente atraentes e nem todos serão «MILIONÁRIOS» como eu…
Foi no porto de Lisboa que eu fiquei a saber qual era o Paquete Transatlântico no qual eu ia gozar o tal Cruzeiro: era o Paquete Funchal, um montão de ferro velho esticado construído em 1961, embelezado e modernizado para levar turistas papalvos como eu, fazendo de conta serem ricalhaços, a dar uma volta por essas águas mornas espreitando o Mediterrâneo junto às Colunas de Hércules e junto à Costa de África!
Estava eu preparado para subir o escaler do navio com as sacolas, então não é que vejo um casal amigo e cliente do banco descendo com as maletas? Mau… agora lá na cidade já vão saber que afinal um bancário ganha balúrdios de cacau e por isso fui fazer um Cruzeiro! Bem, o que me causou algum engulho foi eles, após saudarmo-nos, olharem para mim e rirem-se com discrição das bermudas que eu tinha vestido: tinham umas flores e umas palmeiras desenhadas!
Um tripulante fardado à polícia-sinaleiro de outros tempos conduziu-me ao meu quarto, um camarote-suite situado ABAIXO da linha de água do barco, por isso era mais barato. Disse-me ele com ar de gozo, apontando a vigia, uma janelinha redonda com vista para o fundo do mar:
– Enquanto viajamos, o senhor pode ver os peixinhos, já viu a sorte que teve?
Pois. Preferiria uma suite mais acima onde se vê o Sol e a vastidão do Oceano. Mas seria o dobro do encargo.
No quarto, sobre uma escrivaninha, estava um Manual de Instruções do Passeio Marítimo. Fui de imediato ver o Calendário das Refeições:
Pequeno-almoço – Lanche – Almoço – Lanche – Jantar – Ceia.
Senti-me feliz, porque comer é um dos meus desportos preferidos!
(Continua)

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Os presidentes das juntas de freguesia a agregar, nos termos da legislação aprovada pelo governo, pretendem pronunciar-se contra qualquer solução integradora das respectivas juntas, posição que tomarão na Assembleia Municipal do Sabugal, que se vai realizar no dia 28 de Setembro.

A Comissão Permanente da Assembleia Municipal reuniu na passada sexta-feira, dia 7 de Setembro, no Sabugal, a fim de preparar a próxima sessão, na qual os eleitos locais se pronunciarão quanto ao projecto de redução de juntas de freguesia.
Na reunião, orientada pelo presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, estiveram presentes os representantes dos diferentes grupos políticos que têm assento na Assembleia, bem como os presidentes das juntas de freguesias do concelho que, nos termos dos critérios legalmente definidos, terão que ser agregadas.
O Capeia Arraiana apurou que no decurso da reunião apenas três presidentes de junta declaram, peremptoriamente, não aceitar qualquer agregação, sendo frontalmente contra o processo político e legislativo em curso, que visa diminuir o número de freguesias. Tratou-se dos presidentes das juntas da Moita, Valongo do Côa e Penalobo.
Outros presidentes de junta afirmaram que se forem obrigados a agregar-se, aceitarão essa situação. Assim, o presidente da Junta de Freguesia da Lomba, disse aceitar reunir-se a Pousafoles. Outra agregação possível, defendida pelos respectivos presidentes, é a de Aldeia da Ribeira, Badamalos e Vilar Maior, ficando a sede da junta agregada nesta última. Por sua vez também estão dispostos a aceitar associar-se as juntas de Ruivós, Vale das Éguas e Ruvina, ficando a respectiva sede nesta última localidade.
A discussão levou porém a uma tomada conjunta de posição que aponta para a não pronuncia da Assembleia nesta fase, alegando que não aceitar qualquer integração. Na ausência de pronúncia, caberá à comissão criada pelo governo elaborar uma proposta de agregação, a qual terá depois que ser discutida e votada na Assembleia Municipal, altura em que os eleitos locais se pronunciarão sobre o projecto, podendo alterá-lo em função dos interesses das freguesias, desde que se cumpram os critérios legalmente estabelecidos.
A Assembleia Municipal do Sabugal reunirá em 28 de Setembro, sendo expectável que opte pela não pronúncia, manifestando oposição a qualquer agregação das freguesias do concelho.
plb

O manejo do forcão só pode ter êxito assente naquelas quatro virtudes que servem de epígrafe a este texto. A inteligência do rabejador, a destreza dos capinhas que puxam a rez para a lide, a valentia dos laterais e a heroicidade dos fronteiros.

Tourada com forcão

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaComo sabe qualquer iniciado na terminologia do toureio, o responsável pela corrida tem o titulo profissional de inteligente.
Do latim – raízes em inter e legere – é o que lê por sinais, nos dizemos o que é capaz de ler nas entrelinhas, como que discreteando o texto.
A inteligência é fonte de virtudes, até de força, a darmos crédito ao aforismo – nunca faltou força onde sobeja a inteligência, sendo, pelo contrário, a ignorância mãe de todas as derrotas, impotências e franquezas.
Numa corrida, o inteligente tem de saber ler, tanto a feridade o toiro, como a estrelinha do bandarileiro, ou a argúcia do par cavalo-cavaleiro ou ainda a temeridade dos moços de forcado. Para decidir a prossecução ou suspensão da lide, a natureza da pega ou denegar até que seja tentada.
Na capeia raiana, o verdadeiro inteligente é o rabejador, capaz de entrar na psique do touro, adivinhar-lhe os movimentos, perscrutar-lhe as hesitações.
E ao saber das suas leituras ou cognições fazer dançar toda a triangulação, impondo-lhe rota e compasso.
Lembro na Aldeia da Ponte dos meus verdes anos, a inegualável técnica de dois mestres.
Primeiro, o Senhor Quitério e, depois, o Senhor Pausidro, de ascendência espanhola… Albergaria de Arganhã, sendo o nome pelo qual era conhecido provavelmeme um crase sincopada de Paulo Isidro.
Mas que soberbas lições de rabejamento.
E que intuiçao não demonstravam os capinhas. Sem outras armas que uma boina e uma saca a desviarem a rez da sua crença natural e levando-a a investir contra o forcão, onde o esperava o garbo dos laterais e a força hercúlea dos fronteiros.
Destes seja-me permitido destacar os dois que em Aldeia da Ponte marcaram na minha meninice… o Manuel Marcos e o Zé Barreiras. Dois autênticos hércules que faziam afocinhar qualquer toiro.
Rogo também trinta segundos de atenção para dois que foram modelo de capinhas, igualmente em Aldeia da Ponte, o Zefo, que morreu no Brasil, onde se firmava como empresário, e o Manuel Gusmão, conhecido pelo Forcalheiro por o pai ter vivido nos Forcalhos, onde comandou a guarnição fiscal. Ele próprio foi também elemento aliás muito qualificado daquela polícia aduaneira, pois tratava-se pessoa muito inteligente, séria e de bom trato…
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

E da Antiguidade aos nossos dias, o touro continuou animal de culto, porque na Península Ibérica sempre foi um animal abundante e todos os povos terão tido uma relação próxima com o animal ao longo dos séculos.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaProva-se pela universalidade do ódio do cristianismo ao touro e cultos mitraicos, que arrasou templos, estatuária e ritos, substituindo-os por outros como o de aspergir com água benta, procissão do «Corpo de Deus» ou no «Sagrado Lausperene», figuração do demónio (conotado com Mitra).
Contudo, os rituais, mais ou menos escondidos, nunca deixaram de ser realizados, assim se provando que a religião derrotada sempre permanece. Para ESPÍRITO SANTO (1995), as touradas portuguesas, nomeadamente as chamadas populares, têm a sua origem «nestas corridas populares do fim das ceifas, do solstício ou do fim dos trabalhos agrícolas, em Setembro» dos cultos mitaricos em que as festas do final das colheitas e da partilha incluíam sempre touradas seguidas de abate e comida.
Em conclusão, o touro tem sido, além do símbolo de deus, vítima de expiação e repasto colectivo, o elemento central da «festa» e da sua função redentora no Social. Por seu lado, FERREIRA (2007), afirma que «para muitas religiões e mesmo povos o tourear é como homenagear um deus que se encontra na figura do touro».
Este culto permanece ainda hoje nas touradas, as quais celebram a força, potência e fecundidade, porque o touro, possuindo um arreigado sentido de territorialidade, possui coragem e força bruta, é manancial de abundância, estruma as terras e quando domesticado, era um auxiliar dos trabalhos agrícolas.
A capeia é por isso também, como as restantes manifestações tauromáticas, celebração da força, potência, fecundidade, força bruta do touro da manada e força tranquila, manancial de abundância do boi agrícola;.
E assim sendo, além de reminiscência de um culto sagrado, é, neste tempo em que a vertigem da vida moderna e o barulho ensurdecedor das máquinas impedem o homem de ouvir a sua voz interior, um retorno de cada um que nela participa, ao caminho do campo, onde respira o ar variável das estações, da irrupção turbulenta da primavera e o ocaso tranquilo do outono, o cheiro das árvores da floresta, e revive a serenidade melancólica e sabedoria madura do camponês que de madrugada, no tempo certo do ano, sai com os bois para a arada, farnel na cestinha, seguido do grande cão de guarda.
O carvalho do forcão, recordando a árvore mais alta do paraíso, aberta à amplidão do céu, cujas raízes mergulham na fertilidade da terra primordial, resume esta espécie de «Gaia Ciência» da vida em que o homem só é verdadeiro e genuíno se for como o carvalho: disponível ao apelo mais do mais alto e sensível à proteção da terra que sustenta e produz.
A Capeia é, por tudo isto, a celebração de uma liturgia colectiva em nome da natureza, em nome da liberdade absoluta, em nome da amplidão, que contrastam com a liberdade e a cultura das cidades.
E sendo uma liturgia, compõe-se de um conjunto de actividades, gestos, símbolos, linguagem e comportamento, cuja origem, perdendo-se no tempo, que lhe dão um significado próprio.
Obedece a uma lógica, tem uma finalidade, estrutura e causa, e acrescenta um resultado real aos participantes.
No caso da capeia, os símbolos utilizados são o touro e o forcão e o carvalho, que têm a ver com o culto da fertilidade, como já observamos, associados ao mitraísmo e culto de dionísio.
A sequência do seu ritual é a preparação do forcão, o encerro, o desfile, a lide do touro, e o desincerro.
A simbologia do forcão e a lide do touro já os tratamos aqui num texto anterior, para o qual remetemos; o encerro e desincerro, têm semelhanças, e talvez a sua origem longínqua esteja nas procissões dionisíacas e mitraicas; e o desfile com as alabardas no desfile de falos nestas festividades.
É este o ritual que tem caracterizado a capeia e lhe tem dado um sentido coerente. Realiza-la sem qualquer uma destas etapas é desvalorizá-la e empobrecer o seu significado de culto de regeneração e fertilidade.
Um significado coerente com toda a triologia festiva de Cima-Côa, cristã e também pagã, que é constituída pela missa matinal com sermão e procissão, a capeia pela tarde e o arraial ou adega pelo fim do dia.
O primeiro invocando o favor propiciatório do céu, o segundo celebrando a força geradora da natureza, e o último consagração ao sémen fertilizador do homem e libação à seiva frutificante da videira.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Segundo a nota semanal do comando da Guarda da GNR, em 6 de Setembro, militares do Núcleo de Investigação Criminal de Vilar Formoso detiveram três homens e uma mulher, de 24, 25, 30 e 39 anos de idade, respectivamente, todos estrangeiros, dois deles residentes em Aveiro e Mealhada e os outros Espanha, por crime de burla com fraude bancária.

Preso algemadoOs suspeitos, todos com antecedentes criminais, foram detidos na fronteira de Vilar Formoso, quando se preparavam para abandonar o País. Faziam-se transportar num veículo que tinham adquirido através de burla com fraude bancária, que consumaram, recorrendo à falsificação de assinaturas para obtenção de crédito, utilizado na aquisição do veículo, pelo valor de 18 mil euros. Refira-se que recaía sobre o veículo um pedido de apreensão, formalizado aquando da apresentação de queixa pelo lesado, residente em Ourém.
Presentes ao Tribunal Judicial de Almeida, ficaram com a medida de Coação de Termo de Identidade e Residência a aguardar o resultado do Inquérito.
No dia 7 de Setembro, militares do mesmo Núcleo de Investigação Criminal de Vilar Formoso, detiveram um homem de 27 anos de idade, residente em França, por crime de tráfico de estupefacientes. Ao suspeito foram-lhe apreendidas 56 gramas de liamba, quantidade suficiente para cerca de 45 doses individuais, que o mesmo detinha, de forma dissimulada no veículo em que se fazia transportar, quando entrava em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso.
plb

Nos dias 22 e 23 de Setembro, a antiga vila medieval de Sortelha, no concelho do Sabugal, viaja ao encontro da história, revivendo os seus tempos de esplendor, quando era uma importante praça fortificada.

O evento inicia-se às 12:00 horas do dia 22 (sábado) com a abertura do mercado medieval, que terá tendas e tabernas à moda antiga. Nesse mesmo dia o programa horário segue com esta cronologia:
15:00: cortejo régio para receber El-Rei D. João III, o monarca lusitano que ocupou o trono de 1521 a 1557.
16:00: um mensageiro anuncia o início das negociações com Espanha da posse das riquíssimas ilhas Molucas.
17:00: disputa de um torneio de Armas a Cavalo.
19:00: um mensageiro traz novas sobre o império português no Oriente.
21:00: leitura de em edital régio acerca da colonização do Brasil.
23:00: espectáculo de malabares de fogo sobre a lenda do anel mágico de Sortelha.

No domingo, dia 23, a iniciativa Muralhas com História terá continuidade, obedecendo ao seguinte programa:
12:00: reabertura do mercado medieval.
13:00: visita do meirinho aos tendeiros e mestrais.
15:00: cortejo de fidalgos e demonstração de armas.
16:00: Anúncio do decreto régio que eleva Sortelha a cabeça de condado, seguido de folguedos com danças mouriscas e Suffi.
17:00: leitura de um auto com a notícia da introdução da Inquisição em Portugal.
18:00: representação de um auto de fé.
19:00: Aclamação de D. Sebastião como sucessor do trono de Portugal.
20:00: comeres e beberes nas tabernas do burgo.
22:00: encerramento dos festejos.

A representação dos tempos medievais é este ano alusiva ao reinado de D. João III, o rei piedoso e muito crente que herdou e administrou um império vastíssimo, que se estendia à África, ilhas atlânticas, Brasil, Índias e outras possessões portuguesas no Oriente. Iniciou a colonização do Brasil e introduziu a inquisição em Portugal. D. João III casou com Catarina da Áustria, infanta de Espanha, irmã mais nova do imperador Carlos V. O rei foi para além de inábil na governação (segundo a opinião da maioria dos historiadores), também muito infeliz, pois viu morrer todos os nove filhos que teve, tendo de deixar a coroa ao seu neto Sebastião.

A animação está a cargo da companhia de teatro Vivarte, um grupo dramaturgico, que funde a representação teatral com a recriação histórica enquadra no cenário onde actua.
A organização é da Câmara Municipal do Sabugal, que conta com apoio de fundos europeus para esta realização de animação da aldeia histórica de Sortelha.
plb

11 de Setembro de 1973, foi nesse dia que Salvador Allende, presidente eleito democraticamente pelo Povo Chileno, perdeu a vida em defesa da Democracia e do Socialismo democrático, num Golpe de Estado perpetrado por Augusto Pinochet, com o apoio dos Estados Unidos.

António EmídioE porque assassinaram Salvador Allende? Por duas razões. A primeira foi por ser Socialista Democrático, era-o, porque sempre quis, sempre aceitou a Democracia representativa, com a sua natural via eleitoral, assim foi ele eleito. Na América Latina, fortemente dominada pelos Estados Unidos, a quem estes chamavam o seu «pátio das traseiras», ser-se Socialista Democrático e aceitar algumas ideias de Marx, como Salvador Allende aceitava, correspondia a ser um comunista. Não lhe perdoaram estas ousadias. Henry Kissinger, político norte-americano foi peremptório: «temos de nos desfazer de Allende ou não teremos credibilidade perante o resto do Mundo». Então a CIA, com o apoio de algumas multinacionais e da banca internacional, planearam um Golpe de Estado, escolhendo Augusto Pinochet, militar e inimigo acérrimo da Democracia, para tomar o poder, substituir e eliminar Allende. Tudo correu na perfeição para os golpistas no dia 11 de Setembro de 1973. Convém lembrar que os alemães chilenos estiveram também implicados no golpe, porquê alemães metidos nisto? Em alguns países da América latina há colónias alemãs, de alemães fugidos à justiça pós II Guerra Mundial, eu próprio vi uma colónia alemã no centro da Pampa argentina.
Pinochet, um homem cruel, instalou uma ditadura no Chile, ditadura brutal, darei um só exemplo dos milhares de crimes praticados pela ditadura, numas minas ao Norte do Chile, minas de salitre, foram assassinados 3.000 mineiros e ali mesmo enterrados numa enorme vala comum.
Leia agora querido leitor(a), a segunda razão pela qual Allende foi assassinado, verá que lhe fará lembrar alguma coisa…
«Estamos a assistir a um conflito frontal entre as grandes empresas transnacionais e os Estados. Estes últimos vêem-se parasitados nas suas decisões essenciais, políticas, militares, económicas, por organizações mundiais que não dependem de nenhum Estado e não respondem pelos seus actos perante nenhum parlamento nem perante nenhuma instituição que seja garante do interesse colectivo. Numa palavra, é toda a estrutura política do Mundo que está minada». Este foi o discurso de Salvador Allende na Assembleia Geral das Nações Unidas em 4 de Dezembro de 1972. Então, quando foi eleito começou por nacionalizar as riquezas do Chile, retirando-as das mãos de multinacionais. Aqui estão os nomes de algumas delas: Anaconda Copper Mining Company e Kennecott Copper Company- produtores de cobre – os Estados Unidos satisfaziam a partir do Chile 60% das suas necessidades de cobre. Só um pequeníssimo pormenor: o «Deutschebank» era um grande investidor de capitais da Kennecott Copper Company… Outras multinacionais americanas: Mobil Oil, General Electric Company, entre outras. Agora algumas alemãs: BASF, BAYER e AG.
Também havia multinacionais de outros países, mas em menor escala. Todas estas multinacionais exploravam o Povo Chileno e levavam a riqueza obtida para os seus países, por isso o nível salarial era baixíssimo, eram salários de fome, havia privilégios incríveis que beneficiavam essas multinacionais, tinham inclusive acesso aos centros de decisão do poder. As famílias dos grandes oligarcas da então República Federal da Alemã, apoderaram-se de grandes extensões de terra com mais de 5.000 hectares onde tinham trabalhadores agrícolas, explorando estes como nos tempos do colonialismo mais negro.
Querido leitor(a), o Chile foi o primeiro país que serviu de cobaia para as experiências económicas do Neoliberalismo, muitas das medidas tomadas por Pinochet só foram possíveis debaixo da ditadura brutal. Na Europa, querido leitor(a), Portugal está a ser uma cobaia desse mesmo Neoliberalismo.

Tomo a liberdade de dedicar este artigo à memória de Salvador Allende, às vitimas da ditadura de Pinochet e a todos os democratas chilenos. Só espero que um dia alguém no Chile não dedique um artigo como este a um político português, às vítimas de uma ditadura em Portugal e aos democratas portugueses. O mesmo FMI e a mesma Alemanha aqui estão…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Ontem, domingo, dia 9 de Setembro, Malcata e Fóios cumpriram mais um dia de convívio, sob o pretexto do jogo de cartas designado por «Invido». Estes convívios acontecem, desde há quatro anos a esta parte, de forma alternada. As Juntas de Freguesia organizam e os jogadores correspondem sempre em grande forma.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaA comitiva dos Fóios, transportada no autocarro da Câmara, chegou a Malcata por volta das 13 horas e era esperada pelos amigos anfitriões. Após os cumprimentos, no recinto do pavilhão da Junta e sede da Associação, todos os amigos entrámos na sala onde já uma mesa continha os mais diversos aperitivos.
Às treze horas e trinta minutos todas as pessoas foram convidadas a ocupar os lugares nas respectivas mesas onde lhes iria ser servida uma excelente feijoada que havia sido confeccionada pelo Abílio que é exímio cozinheiro nesta circunstâncias.
À medida que a feijoada ia sendo saboreada havia uns amigos malcatanhos que iam servindo a boa pinga e distribuindo uns piripiris ou animadores como por aqui os vamos designado.
No final da refeição, e antes do saboroso melão, foi-nos servido o tradicional e famoso queijo de Malcata que nos obrigou a beber mais um copo.
Por volta das 15 horas todos os convivas tomaram café e copa e alguns voluntários, num curto espaço de tempo, prepararam a sala para que o jogo do invido se pudesse iniciar. Foi muito bonito. As equipas, tanto de Malcata como dos Fóios já se conhecem e num ápice se sentam e iniciam os jogos de uma forma ordeira e pedagógica.
Enquanto uns jogavam o invido, outros amigos, fora da sala, jogavam o jogo da petanque e outros cantavam uns fados de cantar e embalar acompanhados pelos simpáticos executantes de viola José Lucas, de Malcata e do Maurício do Ferro. Foi, na verdade, uma sessão musical para todos os gostos.
Por volta das 19 horas o incansável Victor Fernandes, Presidente da Junta, convidava todos os convivas para se aproximarem das mesas onde estava preparado o lanche.
Foi durante este espaço de tempo que o pessoal mais se animou tendo Zé Leal dos Fóios e mais dois ou três ferrenhos cantadores de Malcata, puxado pelos galões, de famosos cantadores, a ponto de envolverem todos os convivas nos mais diversos números de música popular, portuguesa e espanhola.
De realçar a presença do Sr. Presidente da Câmara que fez questão de saudar todos os participantes. Felicitou-nos pelo simples e extraordinário convívio que soubemos organizar, e a que já se vai habituando, tal como disse nas frases que proferiu.
Como Presidente da Junta de Freguesia dos Fóios e interpretando o sentimento de todos os fojeiros que se dignaram participar, não posso deixar de agradecer aos amigos de Malcata a forma como mais uma vez nos receberam a ponto de já, neste momento, termos saudades do dia que hoje passámos.
Do povo dos Fóios para o povo de Malcata um abraço muito apertado.
O progresso também passa por aqui. É preciso fazê-lo. Deixar falar quem fala.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Em Aldeia Velha, freguesia raiana do concelho do Sabugal, ainda se guardam «religiosamente» cinco carros de vacas, para com eles se fechar a praça para a tourada de Agosto, permitindo assim reconstituir-se, em parte, o cenário antigo.

Longe vai o tempo em que as aldeias raianas estavam pejadas de carros de vacas, que na véspera do dia da capeia se juntavam do largo principal para fechar o espaço onde os touros iriam ser corridos com o forcão. Os carros eram normalmente carregados com lenha, passando a constituir as chamadas «calampeiras», ou seja, os lugares onde o público se colocava para ver a tourada.
Nalgumas aldeias havia até o hábito de deitar um carro à porta do curral onde os toiros aguardavam a vez para serem corridos, servido assim de porta giratória.
Com o desenvolvimento tecnológico os carros de vacas foram substituídos pelos tractores, que porém, devido ao abandono do cultivo dos campos, não são tantos como o era o número de carros que havia em cada aldeia. Eles pura e simplesmente desapareceram e restam apenas alguns exemplares que pessoa mais cautelosa guardou para decoração.
Nas touradas os reboques de tractores substituíram os carros de vacas na sua função de fechar a praça, ou então construíram-se trincheiras com madeira em toda a volta dos largos, o que fez desaparecer de vez os antigos carros de tracção animal do cenário das capeias.
Pois em Aldeia Velha, terra arreigada à tradição, ainda se guardam cinco desses antigos carros, que a cada ano são colocados em carreira para dar um ar antigo e, portanto, genuíno à praça improvisada. Um exemplo que outros poderão seguir recuperando alguns dos carros de vacas que ainda estão em condições.
plb

Santos roubados de uma terra para outra, de certeza? O Santo Antão era do Casteleiro? Era nosso? Roubaram-no os de Sortelha no princípio do século XVIII? E nestes mais de 200 anos ninguém nunca foi lá buscá-lo? Oh, diabo! E a Senhora da Póvoa também não era do Vale, mas sim da Póvoa, ao pé do Meimão e também foi roubado na mesma altura?

As rivalidades entre terras eram indiscutíveis. Eram eternas, metiam malícia nos versos, mas metiam mais do que isso: metiam porrada de criar bicho quando a malta se juntava nas romarias, por exemplo.
O Povo é terrível. Tão depressa se juntavam todos a beber uns copos, como se enfrentavam a doer na Festa da Senhora do Bom Parto, no Terreiro das Bruxas. E era cá cada arrochada! Quem contra quem? Basicamente, todos contra todos. Aliás, as romarias anuais, essencialmente, serviam para isso. Incluindo a Senhora da Póvoa.
Os do Casteleiro iam já naquela de poder haver gambérria. Porquê? Porque era assim todos os anos, há muitos anos.
Mas o que nessa altura nunca ouvi foi que os santos e as imagens deles não eram de onde se dizia. Que tivessem sido roubados.
Recentemente fui alertado para essas histórias – umas mais antigas, outras mais recentes.
Histórias de roubos de imagens da devoção do Povo há muitas. Umas são reais, outras são contos de fadas.

O Senhor Roubado
Nunca ouviu essa designação «O Senhor Roubado»? Parece que é um exemplo tão grande que até deu para mudar o nome à imagem e ficar mesmo como roubada. E isso já aconteceu em 1671, dizem: vários artigos religiosos foram roubados, dando azo a uma perseguição louca dos cristãos-novos (leia-se: judeus convertidos, quase todos por medo da Inquisição). Teve de intervir o Papa e tudo.
Mais tarde apareceram naquela que hoje é a Calçada de Carriche alguns dos objectos roubados e lá foi construído o Padrão do Senhor Roubado – objectos que tinham sido tirados da Matriz de Odivelas, entenda-se.


Casos recentes
Na nossa zona, há registos recentes de roubos de objectos religiosos que ficaram para contar também. Alguns casos:
– Em 2009, no Vale da Senhora da Póvoa, a «veneranda e antiga imagem» foi «roubada do seu santuário». Foi depois encontrada por um pastor num silvado, debaixo de uma oliveira, segundo informou um membro do clero;
– Em 2008, «desapareceu a imagem da Sr.ª da Boa Viagem e duas pedras do cemitério» (…) isso, após «o roubo de duas pedras trabalhadas do cemitério da Rebolosa. Desta vez foi-nos comunicado que do cemitério de Vila Boa mais duas desapareceram bem como a imagem da Sr.ª da Boa Viagem (ou Sr.ª dos Caminhos)», lia-se no ‘Jornal Cinco Quinas’.
E, mais longe, uma história houve que foi muito badalada há três anos também:
– A imagem de Santo António roubada «por encomenda», em 2009, na Igreja do Cabo Espichel, perto de Sesimbra.
Não admira pois que, por umas razões ou por outras, haja histórias contadas de outras épocas e de roubos bem mais importantes de imagens de santos da devoção dos povos.
Conto duas só, daqui mesmo da nossa região, que podem ter mudado tudo em matéria de romarias – movimentos importantes de população sempre bons para o comércio e para a religiosidade popular, claro.

E o roubo das imagens dos santos?
Será mesmo verdade? O Santo Antão, tão celebrado em Sortelha, santo de festa anual e tudo, foi mesmo roubado ao Casteleiro? Aqueles malandros atreveram-se a isso?
E a Senhora da Póvoa, a da grande romaria anual no Vale de Lobo (hoje também da Senhora da Póvoa) foi mesmo roubada de uma capela perto do Meimão?
Ou são tudo contos de velha ao sol – que é como quem diz: estórias da Carochinha?

Santo Antão
Começo pela minha aldeia, o Casteleiro.
Disseram-me que no século XVIII, antes das respostas do Cura Padre Leal ao Marquês, o Santo Antão era o orago da minha freguesia. Mas a sua imagem terá sido roubada e levada para Sortelha onde ficou até hoje (ver a imagem do andor).
Não acho que isso tenha sido assim.
Se não, por que diabo as respostas do Cura iam omitir uma informação dessas? Mas posso admitir que o Cura estava a responder por ser obrigado (isso sabe-se da História que foi assim) e por isso despachou a coisa sem mais aquelas…
Mas se o Santo Antão era do Casteleiro, então por que carga-de-água os meus antepassados não foram lá buscá-lo, mesmo que fosse precisa uma escaramuça local? No século XX vi e ouvi falar de tantas bernardas com as terras vizinhas, como é que 200 e tal anos antes eram tão molezinhos?
Ná, não me parece… A verdade é que o Santo Antão transformou-se numa romaria regional da minha zona e muitas pessoas iam ao Santo Antão quando eu era miúdo. E nunca ouvi falar deste roubo. Mas há quem tenha uma vaga ideia de essa história ser contada na época.
Veja aqui as imagens da romaria anual, uma semana depois da Páscoa (há um pouco de publicidade antes: não desanime…). Dizem que esta festa é feita «em agradecimento dos lavradores, pelas boas colheitas e pela guarda dos animais contra as doenças». Até levavam os animais para serem benzidos na missa «campal», lá em Sortelha.

Senhora da Póvoa
A Senhora da Póvoa (numa das fotos que se publicam) é muito conhecida? É das romarias mais afamadas da região? Pois bem. Outra história, para mim ainda mais mirabolante, é a que conta que a imagem da Senhora da Póvoa não era originariamente do Vale de Lobo e sim da Póvoa, na Serra de Santo Estêvão, no caminho para o Meimão (pelo lado da estrada do Sabugal, digamos).
Foi-me garantido há tempos por uma amiga de Santo Estêvão que a imagem era dali e que há mais de 250 anos «foi roubada pelos do Vale e nunca mais voltou à Póvoa», como já referi antes.
Também acho estranha a moleza dos da Póvoa – mas enfim.
O cura Olival também diz ao Marquês, calmamente, que no Vale há uma Irmandade da Senhora da Póvoa. Nada de roubos. Mas refere a romaria.
E, curiosamente, do Santo Antão o cura do Casteleiro nem falou mas o do Vale «disse» ao Marquês: (O Vale de Lobo) «tem duas ermidas e uma Igreja caída que foi matriz, e uma capela de Nossa Senhora da Póvoa, e tem mais a imagem de Santa Sabina, está fora do lugar meia légua; e outra de S. Sebastião e tem mais a imagem de Santo Antão».
Portanto dá a ideia de que o Santo Antão ali era venerado, mas na capela de São Sebastião. Será?
Fica mais este registo.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Alfaiates e ao seu herói histórico, o antigo governador da praça forte: Brás Garcia de Mascarenhas. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Badamalos

ALFAIATES

Não é composta lenda mas história
A que da praça forte aqui ressuma
Quem ouvir uma gesta rememore-a
A fama varre ao longe toda a bruma

A Pátria Portuguesa merencória
Sofria as desgraças uma a uma
Esparsos os resquícios de glória
Armadas em destroços e verruma

A raça por indómita ressurge
Que haja chefe novo é o que urge
As ameaças vêm das Espanhas

Dos cumes dos Hermínios o reforço
Trará o chefe, capitão de esforço
O nome Brás Garcia de Mascarenhas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Na próxima sexta-feira, dia 14 de Setembro, e numa estreia em Portugal, a cantora, compositora e multi-instrumentista Nawal, oriunda das ilhas Comores actua no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), pelas 21h30.

Entre o tradicional e o contemporâneo, as composições de Nawal são uma fusão de raízes com base acústica, um reflexo do carácter diverso das Comores. A sua música tem origem Indo-Arábico-Persa e compreende polifonias Bantu e ritmos misturados com transe Sufi. Nawal canta principalmente em Comorano (Xikomor) uma língua da família suaíli, também em Francês, Inglês e Árabe.
Nawal canta para a educação e para a união dos seres humanos. Ela orgulha-se de conservar e divulgar a filosofia de seu bisavô Al Maarouf, um grande mestre Sufi, que foi inspirado pela luz do Islão, baseando-se no respeito, amor e paz.
A artista toca gambusi (alaúde tradicional, herdado do Lémen), e percussão diversificada. Contudo, Nawal prefere a voz (como os olhos, o espelho da alma) a qualquer outro instrumento.
Ao TMG Nawal vem apresentar o seu novo disco, intitulado «Embrace the Spirit».

Teatro físico no Pequeno Auditório
No sábado, dia 15 de Setembro, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro, o TMG apresenta «Action Man» com Raúl Cano dos Yllana (Espanha).
Sozinho em palco, o actor irá dando vida a dezenas de personagens e situações, utilizando a mímica e o seu hábil controlo do corpo, num estilo muito próprio.
A história de Action Man relata as aventuras de um Super Agente Especial na sua última missão que se vê embrulhado numa série de situações cómicas, inspiradas no melhor humor cinematográfico, televisivo e da banda desenhada.
Raúl Cano é actor e co-autor de espectáculos da companhia espanhola Yllana como «¡Muu!», «Glub Glub», «666», «Star Trip» e «Brokers».

Vítor Pomar na Galeria de Arte
«KarmaMudra» do artista plástico Vítor Pomar é a exposição que o TMG inaugura na Galeria de Arte no próximo sábado, dia 8 de Setembro. Nesta exposição, refere o artista, é invocada «a dimensão simbólica que está presente em toda a actividade humana». A inauguração que contará com a presença de Vítor Pomar está marcada para as 18 horas.
Vítor Pomar nasceu em Lisboa em 1949. Frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa (66-69). Emigrou para a Holanda em 1970, onde frequentou a Academia Livre de Haia e a Academia de Arte de Roterdão, onde completa estudos em 1973. Ensina serigrafia na Academia Livre de Haia. Trabalhou no quadro do Regulamento dos Artistas Plásticos (BKR) em Amesterdão entre 1976 e 1985. Utiliza no seu trabalho técnicas tão variadas como a fotografia a preto e branco, o cinema experimental em 16mm e Super 8 e o vídeo.
Estabelecido em Portugal desde 1985, funda e dirige a Associação cultural Casa-Museu Álvaro de Campos em Tavira. Frequenta o curso de Gestão das Artes dirigido pelos professores Joan Jeffri da Columbia University e Jorge Calado, no Instituto Nacional de Administração, 1989.
Viveu em Lisboa entre 90 e 95, período em que se ausentou longamente em viagens de estudo na Índia do Norte, junto de alguns grandes lamas tibetanos.
Actualmente vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior. Está representado em diversas colecções, nomeadamente: Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Caixa Geral dos Depósitos, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Casa de Serralves e Ministério das Finanças.
«KarmaMudra» ficará patente até 28 de Outubro. A Entrada é livre.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

BANDURRIAIS – terreno escabroso, cheio de pedras. «Seguindo pela vereda, que ali vai por entre bandurriais» (Joaquim Manuel Correia).
BANGUEJO – ao deus dará; ao acaso. «Andar ao banguejo» (Júlio Silva Marques).
BANHA – gordura; cada uma das cavidades abdominais do porco.
BANHADURA – além da medida (Júlio António Borges); o m. q. sobretedura. Era costume o vendedor deitar um pouco mais do que a medida que o cliente pretendia – Medi-lhe bem o azeite e até lhe botei banhadura.
BANHEIRA – alguidar de barro (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
BANHOS – pregões; proclames do casamento. Algumas semanas antes da data marcada para um casamento o pároco anunciava na igreja a intenção dos noivos se casarem, correndo a partir daí um período em que qualquer pessoa podia manifestar oposição ao enlace, dizendo as suas razões, nomeadamente se o caso contrariava a as leis canónicas.
BANQUETA – base de madeira em forma de L, com tampos laterais, usada pelas lavadeiras para se ajoelharem na ribeira (Bismula, Alfaiates). Banco (Sabugal). Tapoila (Bendada). Tacoila (Cerdeira). Carchoila (Aldeia do Bispo). Alquitão (Soito). Cunco (Aldeia Velha). Lavadeira (Sortelha). Temos nas diferentes designações deste objecto um dos melhores exemplos da variedade do léxico popular de Riba Côa.
BÂNZIOS – paus que compõem a urdideira (peça do tear do linho).
BARAÇA – cordel de enrolar ao pião, para o fazer girar.
BARAÇO – corda fina; cordel; guita.
BARANHA – confusão; mistura (Júlio Silva Marques e Clarinda Azevedo Maia). Meada de linho ou de algodão emaranhada (José Pinto Peixoto). O m. q. baralha?
BARBA – queixo. Em Aldeia da Ponte designa apenas a extremidade do queixo (Clarinda Azevedo Maia).
BARBANTE – correia de couro ou corda que segura a canga ao pescoço das vacas. Mais a Sul (Monsanto) usa-se a expressão brocho com o mesmo significado (Maria Leonor Buescu).
BARBASCO – planta tóxica que se esmaga para envenenar peixes (Carlos Alberto Marques). Nas terras do campo (Monsanto), designa frio intenso e seco (Maria Leonor Buescu).
BARBAS DO MILHO – fios da parte posterior da espiga de milho (também se diz linho). Das barbas do milho faz-se um chá especialmente indicado para as infecções urinárias.
BARBEIRO – aquele que na aldeia, para além de fazer barbas e cortar cabelo, exercia medicina, tratando as pessoas doentes. «É conhecido o tipo do barbeiro por ser homem mais polido, bem vestido, munido sempre de uma varinha de marmeleiro, de cãozinho ao lado, ledor dos jornais de todos os partidos» (Joaquim Manuel Correia). Vento frio e cortante; ventania. Está um barbeiro!
BARBEITO – lavra dada à terra para depois a deixar em descanso até à sementeira. Ganhar barbeito: ganhar força (a terra). Terreno de barbeito: por decruar, a descansar.
BARBELADA – carne da parte de baixo do focinho do porco, da barbela (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARBILHO – espécie de freio de verga, que impede os cabritos, ou os borregos, de mamarem para que se vedarem (conseguir que deixem de mamar). Júlio António Borges designa por butilho. Também se chama barbilho à rede que impede as vacas de comer enquanto trabalham – Júlio Silva Marques chama a este instrumento açaime, diferenciando-o do barbilho (apenas para vedar os cabritos). Mais a Sul (Monsanto) chama-se barbilho ao caule de cereal com que se ata a paveia nas ceifas (Maria Leonor Buescu).
BARBIQUECHE – freio improvisado com uma volta de corda (Adérito Tavares).
BÁRBORA – corruptela do nome Bárbara (também se diz Bárbola)
BARDA – abundância; grande quantidade. Em barda.
BARDALHÃO – socalco (Júlio António Borges); o m. q. batorel.
BARDAMERDAS – indivíduo fraco; reles; cobardolas.
BARDÃO – peça de coiro que se suspende do jugo ou da canga e onde se introduz o timão do arado ou a cabeçalha do carro (Clarinda Azevedo Maia); o m. q. tamoeiro. Parede para segurar a terra (Júlio António Borges).
BARDAR – cercar; colocar silvas sobre as paredes para que o vivo não as salte (Júlio Silva Marques). Tapar as cancelas do bardo com giestas, do lado de onde sopra o vento, para abrigar o gado (Clarinda Azevedo Maia). Também se diz embardar.
BARDINA – mulher vadia, de mau comportamento social (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
BARDINO – indivíduo de má índole; velhaco. Libertino; vadio.
BARDO – cancelas onde se recolhe o gado ovino e caprino; redil; aprisco. Júlio António Borges traduz ainda por: fila de videiras ligadas a estacas e arames. «O pastor muda todos os dias o bardo» (Joaquim Manuel Correia).
BARFUINAÇO – encontrão que pode provocar queda grande a aparatosa (Duardo Neves).
BARGADO – adjectivo aplicado às vacas malhadas de preto e branco (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARIL – bom, agradável, bonito – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
BARILHA – rebento novo de oliveira, que deve ser cortado na poda (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
BAROLO – madeira de carvalho apodrecida na própria árvore, que arde bem e se desfaz facilmente com as mãos (Duardo Neves).
BARQUINAÇO – trambolhão; queda (Júlio António Borges).
BARQUINO – miúdo bastante gordo (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

O prestígio de Roma atingiu culminâncias tais, quer no plano espiritual, quer no tocante às coisas do mundo, que a Igreja escolheu a cidade para sua sede e todos os imperadores que têm reinado sobre o velho continente se pretendem sucessores dos que brilharam em Roma.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaAté pelo título, já que César, como os reis de França se intitulam desde Carlos Magno, Kaizer, como os de raça germânica desde Otão, ou Czar, nome ostentado pelos de raíz eslava, não são mais do que transcrição literal ou corruptela do cognome de Caio Júlio. Aliás, seria este ao escrever o Bellum Gallicum, por nós mais comummente conhecido por De Bello Gallico (o nome completo será Commentarii de Bello Gallico) quem lançaria as bases para os futuros impérios centro-europeus.
Recordemos o intróito da famosíssima obra:
Gallia est omnis divisa in partes tres, quraum unam incolunt belgae, aliam aquitani, tertiam qui, ipsorum lingua, celtae, nostra, galli apeelantur. Hi omnes, lingua, instituti, legibus, inter se differunt. Gallos ab aquitani Garumna flumen, a Belgis Matrona, et Sequana dividit.
Horum omnium fortissimi sunt belgae, propterea quod a cultu atque humanitate provin-ciae longissime absunt, atque ea animos effeminat, important. Proximique sunt germanis, qui trans Rhenum incolunt, quibuscum continenter belIum gerant.

A tentativa de unir esta série de povos, alguns dos quais em luta incessante, como recorda a expressão «Quisbuscum continenter bellum gerant», muitas vezes ensaiado, tem, repetidamente também, falhado.
Carlos Magno foi mesmo o único que teve algum êxito neste pormenor, já que, depois do Imperador da Barba Florida, a França sempre se revelou insusceptível de fusão com a parte oriental do império carolíngio, que, de resto, não sobreviveu ao seu fundador.
Depois, de Otão aos nossos dias, com a sede em Viena, em Berlim ou qualquer outra cidade, sob hegemonia austríaca ou prussiana, centralizando à maneira bismarquiana toda a administração ou permitindo a coexistência de quatrocentas casas reinantes, todas elas, aparte um ou outro reino ou principiado de maior dimensão, bem pequenos feudos, os antigos galos, celtas ou francos eximiram-se à unificação, não relevando as tentativas de Napoleão (que seriam de sinal contrário), ou as de Guilherme II ou Hitler.
Principiados, condados, ducados, arquiducados, marcas ou marquesados (não esque-cendo que marquês ou pargrave era mesmo o governador militar duma província fronteiriça, a marca), baronias, bispados, até hansas de raíz corporativa, eis os ingredientes sobre que se exercia a autoridade imperial.
De resto, também o sentido expansionista ou concentracionista deste Império sofreu acentuados desvios.
A sua ideia-força resistiu no pangermanismo, mitigado é certo, pois nunca tentou atingir os britânicos, também germânicos, ou os escandinavos, que igualmente o são.
E, mesmo em relação propriamente ao chamado mundo alemão, houve, por igual opções várias. Quando, por volta de 1860, Bismark deu por terminada a unificação da Alemanha, excluíu deliberadamente os alemães que eram, ao tempo, súbditos dos Habsburgos.
E o próprio Hitler, mau grado o furor extremo do seu pangermanismo, deixava de fora a população alemã do Norte de Itália, possivelmente como concessão a Mussolini, seu futuro aliado (futuro, porque esta ideia consta do Mein Kampf, escrito, como se sabe, antes da tomada do poder).
Outros pretendiam que o Império avançasse para Leste, o que significaria a retomada do antigo ódio aos eslavos, que esteve na base da fundação na Áustria, da Ostmark e conduziu os cavaleiros teutónicos até ao Báltico e para além dele.
Era esta a tese dos militaristas prussianos, como se extrai dum exeerto de Ludendorf:
Kovno (nome da capital da Lituânia) ostenta ainda um castelo construído pelos Cavaleiros Teutónicos, um símbolo da civilização alemã no Leste Europeu… Ao contemplá-lo, o meu espírito ficou inundado de poderosas recordações históricas e mentalmente decidi retomar nesses territórios a obra civilizadora que os nossos antepassados ali levaram a cabo, durante séculos. A população, estranha mistura de raças, bem precisará da nossa ajuda, sem a qual cairá sob qualquer dominação, sem dignidade ou elevação…
Para estimular os desejos de conquista, faz-se renascer o tema por um novo Tchinggis Knan – o que nós conhecemos sob o nome de Gengiscão e que no século XIII semeou a ruína desde o Vietname ao Adriático e ao Iemen…
Abastardava-se, assim, uma ideia cheia de significado e heroicidade na sua origem.
O Sacro-Império, como os que o precederam e se lhes seguiram detiveram efectivamente a missão de enfrentar o perigo asiático.
Mas não se limitavam à acção militar.
Civilizavam e cristianizavam, transformando o inimigo de ontem, depois de convertido, em indefectível aliado.
Foi o caso, entre outros, dos húngaros, povo cristão só a partir do século XI, mas que segundo o historiador Sayons, bem pode ser comparado a defensor intemerato da sua nova crença contra os seus irmãos de outrora. Povo ultra-altaico, estranho à origem ari-ana, conquistador imposto à Europa como novo flagêlo de Deus, voltou-se pelas conversões do Rei Geda e seus principais nobres, e, sobretudo pela acção de reis como Santo Estêvão e Ladislau I, contra as imensas aglornerações de tribos altaicas lançadas à conquista dos países eslavos, germânicos e até latinos.
Amálgama de feudos, o Império revelou-se também cadinho de raças…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

Confraria do Bucho Raiano - Peña do Barcelona em Lisboa
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Data: 5 de Setembro de 2012.
Local: Snooker Club – Peña do Barcelona em Lisboa.
Autoria: Capeia Arraiana.
Legenda: A chancelaria da Confraria do Bucho Raiano reuniu na Peña do Barcelona em Lisboa para discutir actividades futuras. No outro lado do balcão estava o nosso conterrâneo Bruno Capelo, descendente das Quintas de São Bartolomeu. Mais uma vez se prova a grande dimensão da diáspora sabugalense.
jcl

Com a rentré política a fazer-se, essencialmente, pelas chamadas pomposamente Universidades de Verão (deve ter sido nestas universidades que se têm formado os sócrates e os relvas…), onde os líderes políticos vão babar-se com a sua «obra», verberando discursos que, na essência, nada dizem.

Um dos secretários gerais, de um dos partidos do arco do governo, afirmou que alguns (referia-se a essa eminência parda do governo – António Borges) se tivessem passado pelas fileiras partidárias, leia-se estas universidades e pelas jotas, não cometeria erros políticos! Sabemos que este secretário geral, de política, conhece o percurso das jotas e o carneirismo partidário. Este, como outros, o único percurso político é o das fileiras nas jotas. Onde se aprende a ser parasita do sistema. O governo está enxameado de meninos e meninas que a única experiência profissional e política que possuem é o colar-se a um influente dentro do partido. Nem preciso referir nomes. A começar no topo até ao chefe de gabinete e secretário, a maioria vem dessa «universidade». Não admira que estejamos a ser governados da forma que estamos. A maioria dos últimos executivos é formado por gente que não tem experiência profissional nem política. Por isso, acho um piadão a essa das universidades de Verão. É que o mérito só serve para os outros!
E falando de mérito, agora a troika está cá de novo, em todas as outras vezes que aqui esteve para verificar a execução do tal malfadado memorando, ouvimos sempre grandes elogios ao governo. Porque está a cumprir, pela determinação, pelo esforço… sei lá, sempre o elogio. De tal forma que o sr. Primeiro Ministro afirmava com orgulho que o programa da troika era o programa do PSD! Pois bem, agora que é sabido (como se alguma vez tivesse sido desconhecido) o não cumprimento do défice para este ano, o governo, aponta falhas ao programa da troika! Ah! Mas esta vem logo responder que, se ouve falhas, elas são da responsabilidade do governo! Como se eles, coitadinhos, não tivessem culpa alguma. Faz-me lembrar aquele episódio em que a mãe apanha o filhote cheio de chocolate na cara e lhe diz, foste comer o chocolate!?, e o miúdo lhe responde: eu não fui! Em que ficamos? Creio até, que toda a gente sabia que não se ia cumprir a tal meta do défice. Nem com o roubo dos subsídios! Castraram a economia nacional, carregaram os portugueses com impostos, agravaram as finanças das pessoas, como querem que haja actividade económica? E sem esta, como querem que haja pagamento de impostos? Espantam-se que há um problema para atingir tal meta do défice? Por amor de deus! Com a política do «custe o custar», conduziram o país para a asfixia económica e social. O desemprego sobe em flecha, os preços não estagnam, os salários, para quem o tem, é minúsculo. A pobreza expande-se igual que os incêndios pelo país. Contudo, não se vêem os cortes nas PPP’s, nas mordomias, nos assessores (muitos adjuntos de adjuntos…), na brutal frota de gama alta de automóveis do estado (será que essa gente não ganha o suficiente para comprar carro? Como farão os outros para ter carro?), as dezenas de fundações mantêm-se e, até, aquela que era a bandeira das reformas – a alteração da lei do poder local – já foi para as calendas gregas! Na prática, o que estes iluminados (governo e troika) souberam fazer, não foi a redução do défice através da redução da despesa do estado, foi aquilo que é mais fácil: aumentar impostos, despedir funcionários e cortar nos salários. Era preciso virem esses doutores e professores catedráticos para nos ensinarem isso? Porque o resto, meus amigos, continua tudo igual. Até ao final do ano vamos assistir a estas trocas e tricas com a troika.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) é uma das instituições que vai assinalar, no dia 28 de Setembro, a «Noite Europeia dos Investigadores», um evento anual comemorado por toda a Europa de forma a celebrar a ciência e dar a conhecer a atividade dos investigadores científicos, nas diferentes áreas.

IPGNo corrente ano, o IPG está integrado no projeto nacional coordenado pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Cientifica e Tecnológica, o qual tem como principal objetivo aumentar o reconhecimento público dos investigadores nas suas diversas perspetivas e componentes, oferecendo, ao público em geral, a oportunidade de descobrir a «face humana» de ciência.
Este contato será viabilizado através de intercâmbios e discussões diretas com os investigadores, bem como proporcionando a reflexão sobre o impacto da pesquisa em suas vidas diárias.
A sensibilização para este evento, por parte do Instituto Politécnico inclui algumas atividades prévias, nomeadamente visitas a escolas (24 e 25 de Setembro) e a um programa de avaliação desportiva, a realizar dia 22 de Setembro, na pista do Parque Polis, na Guarda.
No dia 28 terá lugar, no IPG, uma conferência subordinada ao tema «Desporto e Ciência”», que terá como orador o Prof. Doutor Taborda Barata (Presidente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior). Esta conferência decorrerá a partir das 16 horas. As inscrições são gratuitas (embora obrigatórias) e podem ser feitas através do e-mail: udigeral@ipg.pt
Nesse mesmo dia, entre as 17h30 e as 22 horas, decorrerá no Café Concerto do TMG uma atividade de speed dating, que conta com a colaboração do Teatro Municipal da Guarda. No local será disponibilizado um Mural da Ciência e o Desporto para apoio da atividade de speed dating, onde os participantes no evento podem expressar os seus pensamentos.
Ao longo do speed dating, diferentes investigadores científicos, docentes do IPG, estarão disponíveis para rápidas conversas individuais ou em grupo, com a população em geral, de modo a explicarem o que fazem enquanto cientistas, bem como para responderem às questões que lhes forem colocadas.
jcl (com IPG)

Na má comunicação ao Partido, de que é chefe, e indirectamente ao País, Passos Coelho blasonou com os elogios que a sua acção governativa vem merecendo da Troika.

Pedro Passos Coelho

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEstabelecendo uma nova trindade, cujos vértices situa respectivamente um naquela entidade supranacional, outro no Governo e o terceiro no Povo Português, Sua Excelência formula um silogismo, baseado na premissa de que tudo o que é bom para a TROIKA, é, por essência, bom para Portugal, esquecendo, no entanto, ser aquele simultaneamente um organismo de tutela e de representação dos nossos credores internacionais.
Ora, se pode ter-se como genericamente certo que o tutor quer sempre o melhor para o tutelado, já a mesma identificação de interesses não interliga credor e devedor, sobretudo quando aquele é o capital anónimo e vagabundo interessado em explorar o devedor, quaisquer que sejam os sacrifícios a este impostos.
E mesmo para os credores dominados por sentimentos de filantropia e benemerência, normalmente inexistentes nos senhores do dinheiro, há dois factores onde a divergência é fatal – taxas de juros e prazos de vencimento.
A Igreja Católica, humaníssima em todas as suas cambiantes, sempre ensinou que a usura traz peso de consciência aos que a praticam e avilta aqueles que a sofrem.
Como sempre proclamou também contra a imposição de prazos que implique sacrifícios que a sua live negociação possa evitar.
E esta luz, o que é bom para a Troika é inelutavelmente mau para o Povo.
E, de qualquer modo, o Governo, que é governo, tem obrigação de buscar e encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses da Troika e os do Povo Português, dando, em caso de conflito, prevalência a estes últimos que têm de ser os primeiros.
De acordo até com um princípio de direito natural: Salus populi summa lex est.
E neste momento, há dois desígnios nacionais que a todos se têm de sobrepor – dar uma enxada a cada braço e fazer crescer a economia nacional. Sem a plena realização do primeiro, está posta em causa a paz social. Sem o segundo, quaisquer que sejam os sacrifícios impostos á grei, não podemos sequer pagar os juros, quanto mais a dívida.
Pelo que falharemos também ante a Troika.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Já em tempos, então diretor de um jornal, me referi à Raia Sabugalense nos termos que o faço neste título. Fi-lo, e faço-o, com a convicção que assim é relativamente ao potencial turístico que esta região pode ter, principalmente no mês de agosto. Pode argumentar-se que a comparação peca por excesso. Talvez, mas também penso que temos aproveitado por defeito as possibilidades que a Raia, as suas tradições seculares e o seu património humano e natural oferecem para uma realidade socioeconómica que poderia apresentar outro cariz.

(Clique nas imagens para ampliar.)

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaHabitualmente me manifesto sobre a injustiça que tem sido feita com o esforço de tantos sabugalenses que tiverem que partir à procura de um futuro melhor, principalmente em terras de França. O seu esforço, os seus sacrifícios, contabilizaram-se em números, nas remessas de dinheiro que enviavam para Portugal. Apesar disso, também por culpa própria, essas verbas serviram principalmente para desenvolver outras regiões. É certo que havia/há muita gente que teve arte para ganhar dinheiro, mas faltou-lhe sabedoria para o investir, nomeadamente no concelho. Investimento que criasse emprego e mais riqueza para todos, impedindo o êxodo que se tem observado nas últimas décadas. Faltou também, talvez, uma estratégia por parte dos responsáveis autárquicos que ajudasse a que as coisas fossem diferentes.
Voltando às comparações com as Terras do Sul, podemos dizer, para os mais pessimistas, que também o Algarve não está cheio o ano inteiro, mas sabemos como um bom verão pode «salvar» o ano inteiro. Salvaguardadas as devidas distâncias, também a Raia pode ter um bom verão que ajude o resto do ano. Quem não gostaria de ver nas diversas aldeias o movimento que se verifica no verão? Também os empresários algarvios desejariam o mesmo. Tal não é possível quando se fala de prestação de serviços e não na produção de produtos transacionáveis.
Apesar de as duas atividades serem distintas, uma e outra podem estar ligadas, nomeadamente, na Raia, no que aos produtos tradicionais se refere, e são estes, aqueles que são diferentes e que constituem uma marca de identidade, que podem ser uma mais-valia para o concelho.
A classificação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, pelo Instituto dos Museus e da Conservação, pode ajudar, mas vale de pouco se não se lhe acrescentar valor. Não se trata de regular, por lhe retirar autenticidade, uma manifestação de cultura popular, que emanou do Povo, é vivida pelo Povo e paga pelo Povo. A Capeia não pode ser vítima da sua notoriedade mais recente e deve ser fiel ao seu passado. No entanto, pode haver algumas iniciativas que potenciem este fenómeno, sem deixar de ser aquilo que sempre foi: uma festa do Povo.
Quando este verão, em Nave de Haver, observei uma banca de uns nossos vizinhos espanhóis a vender miniaturas de forcões a 10 euros, pensei para comigo: «Caramba, generosa é a gente da Raia, todos lá vão buscar e ninguém leva para lá nada!» Será que a culpa é de quem tem iniciativa ou de quem a não tem? Certamente é de quem a não tem. E já é tempo de fazer alguma coisa. Voltaremos ao assunto, apresentando algumas sugestões.
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

António Pereira de Andrade Pissarra é natural de Vila Garcia, concelho da Guarda, tem 50 anos, é professor de comunicação social no Instituto Politécnico da Guarda e foi o último director do Jornal Nova Guarda. Casado em Aldeia Velha, concelho do Sabugal, tem dois filhos, e mantém uma forte relação sentimental com as tradições raianas. Estudou na Guarda, leccionou em Évora, onde frequentou o curso de engenharia agrícola (que não concluiu), licenciou-se em Tecnologias da Informação aplicadas à educação, fez o mestrado em comunicação educacional multimédia e frequentou o doutoramento em processos de formação em espaços virtuais na Universidade de Salamanca. Actualmente é presidente e fundador do Guarda Unida Futebol Clube.

O Capeia Arraiana dá as boas-vindas ao jornalista e professor universitário António Pissarra que inicia hoje uma série de crónicas sob a rúbrica «Raia e Coriscos». O nosso bem-haja por ter aceite o convite para integrar e valorizar este painel da opinião raiana.
jcl e plb

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