O anúncio solene sobre a subida da Taxa Social Única (TSU), colocando-a como a única via para a salvação do país, parece ter-se desmoronado através de uma implosão.

Este episódio, da permanente novela de aumento de impostos, sempre para os mesmos, trouxe à luz do dia alguns acontecimentos que merecem alguma reflexão. A coligação governamental caminha coxa. E mesmo depois de uma renovação de votos de fidelidade, o que sobra são uns sorrisos amarelos para a fotografia. Numa coligação, obviamente, nem tudo pode ser igual. Não haveria coligação. Sendo partidos diferentes, obviamente, têm conceitos diferentes e noções diferentes sobre a sociedade. Mas, uma coligação, tem que ser estruturada nas semelhanças e acordar sobre as diferenças. Não é possível uma coligação com visões opostas da sociedade. Ora, nesta coligação, não se sabe quais são as diferenças e não se sabe quais são as semelhanças. Bom, soube-se agora: um não era a favor da TSU! E, se assim era, porque deixou (digo eu) ou porque não o impediu? Se, pelos vistos, este era um assunto estruturante? Mesmo com o remendo feito pelo Dr. Portas, numa tentativa de passar pela chuva sem se molhar, artimanha em que é especialista, aliás, a coligação sai desta história com uma estocada fatal. Impõe-se a pergunta, a coligação era ou é? O governo desperdiçou, nesta jogada, todo o capital de confiança que o povo português o brindou durante um ano. Todavia, o povo não contava com tanta incompetência e, esta, veio ao de cima. Tal como o azeite.
Vejamos, a retenção (que simpática palavra para roubo) dos subsídios, foi planeada (outra palavra linda para dizer não explicada) para a redução do défice. Mas tal não aconteceu, em parte, porque o governo não fez o seu trabalho. O aumento generalizado de impostos teve como consequência o empobrecer do consumidor e a não arrecadação lógica de fundos para o estado. As contas do governo saíram erradas em toda a linha. E tal aconteceu, mesmo quando toda a gente dizia que ia ser assim, porque o governo não soube prever, graduar, a austeridade. Quis ser mais trokista que a troika. Impondo, dessa forma, uma doutrina financeira cega e experimental, demonstrando a inexperiência e incompetência dos meninos que ocupam o poder. Há duas semanas a TSU era a salvação, única!, da nação. Agora, já se encontram alternativas. Podemos perguntar, por que motivo estas alternativas não foram tidas em conta há duas semanas? Mais, nesta semana, depois de um ano a estudar as fundações, o governo anuncia o fim dos apoios. O espanto, é que das milhares de fundações, o governo apresenta o fim de… 4!!! E não explica os critérios. E assim, ficamos a saber que acabam os apoios à Fundação da Casa da Música, mas mantêm-se à Fundação Social Democrata… Também, só agora, vieram os partidos da coligação, apresentar um projecto para a revisão da lei do financiamento dos partidos pelo estado. Digo só agora, porque esta era uma matéria que deveria ter sido logo abordada. Não é concebível que, quando é preciso cortar despesas, os partidos recebam milhões para andar a poluir o país em campanhas eleitorais, das quais resultam muito lixo, muito folclore, pouca informação e nenhum esclarecimento. Estas medidas vêm nesta altura e servem somente para entreter a opinião pública. Verão que esta matéria se vai prolongar no tempo.
Este governo, que se apresentou como paladino da transparência, rodeou-se de uma opacidade informativa. O primeiro-ministro citava Camões, aproveitando, mais uma vez, para anunciar ventos favoráveis. O problema é que o capitão e o piloto não sabem interpretar os ventos. E, assim, a caravela navega sem rumo.
Sem rumo segue a Europa. Não encontrando respostas para os problemas que ela própria criou. A teimosia de alguns e a cegueira de outros levará a uma convulsão social por toda a Europa. A Espanha e a Grécia são, somente, o início. Outros se lhes seguirão.

P.S. Estive em Sortelha. Deixo os meus parabéns aos organizadores. A feira medieval está a ganhar o seu espaço nos acontecimentos culturais do concelho. Somente um senão, e vale como opinião, o cartaz que anuncia a feira é pouco apelativo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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