Na presente emergência nacional, se é certo que estão a ir os anéis, já não é assim tão seguro que se salvem os dedos, mesmo se reduzidos à falangeta, a última das excreções segundo se aprende – ou aprendia – na escola que hoje é dominada por um nem sequer doce far niente…

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaMas que os anéis, mesmo no sentido literal do termo se estão a ir, disso todo o mundo se dá conta, atento o ruído e agressividade das campanhas de aliciamento à venda, sem que ninguém, nomeadamente os poderes públicos que têm por obrigação estar atentos a todos os sintomas de anormalidade, se tenha interrogado sobre as causas e os fins…
E apesar do que por aí já não apenas se rosna, mas abertamente se diz, que a generalidade do ouro, prata, platina e demais preciosos, simples ou em jóias, assim comercializados, saem do País.
Objectar-me-ão que isso é ótimo, pois do que nós precisamos é de equilibrar a nossa balança de pagamentos e as divisas por aquela via entradas são um valiosíssimo aporte.
Para além duma sensata interrogação sobre o destino final das verbas obtidas pelas transacções que o mais certo é dirigirem-se para paraísos fiscais, ou no mínimo subtrair-se ao controlo nacional, há uma regra – essa sim áurea – de que só conta para o equilíbrio a exportaçao de riqueza produzida e não de riqueza acumulada.
A esta luz, irrefragável para os entendidos, vender bens não produzidos mas acumulados é factor unicamente de empobrecimento.
Portugal empobrece na medida em que se exporte ouro público ou privado.
Alguma coisa, pois, devem os poderes públicos fazer no sentido de se estancar aquela Sangria.
Estaline, mau grado o seu apoio a todas as internacionais, era um feroz nacionalista pelas Santas Rússias. Numa emergência semelhante, logo nos inícios da sua governação, ordenou o manifesto nacional obrigatório de tudo o que cheirasse a ouro e jóias. Os proprietários que fugissem ao registo não só perderiam o material não registado como ficavam sujeitos a sanções que iam da multa à pena de morte.
No Portugal de hoje não serão necessárias medidas assim extremas. Mas pode começar-se pelo manifesto, que não ofenderia nenhum direito que a quebra de sigilo bancário não tenha já posto em causa.
A proibição de venda podia também ser encarada, intervindo a Casa da Moeda, através de cautelas de penhor, quando o titular invocasse a necessidade iminente de venda.
Mas do que não há dúvidas é que se impõem medidas que travem a sangria e a especulação que são cancro e escândalo.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

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