O processo de elaboração do Plano Estratégico do Concelho do Sabugal motivou um conjunto de opiniões que me lembraram uma história verdadeira que passo a contar.
Há largos anos já, integrei uma equipa que preparou a candidatura de um Município da Beira Interior a um Programa Comunitário.
Sabendo que o Sabugal também preparava uma candidatura, ofereci-me para ajudar sem qualquer contrapartida financeira, ao que um vereador respondeu que sabia bem como elaborar a dita candidatura.
Saídos os resultados, aquele Município tinha um programa de várias centenas de milhar de contos aprovado, e o Sabugal, nada!
Em conversa posterior com o mesmo vereador, mostrei-lhe a candidatura elaborada pela equipa a que pertencia, tendo eu visto nessa altura e pela primeira vez a do Sabugal.
O vereador virava as páginas e só dizia – «Isto é palha! Isto é palha» –, ao que eu lhe respondi, pois é, mas essa palha valeu muito dinheiro e a vossa proposta mereceu zero!
Pensava que tantos anos passados, essa mentalidade já havia desaparecido, mas pelos vistos deixou muitos adeptos…
Felizmente que o atual Executivo da maioria e da oposição, não tem a mesma opinião e mandou elaborar o Plano.
Li com grande apreço a primeira crónica de António Pissarra «Raia – o Algarve do Interior», com o qual estou em grande parte de acordo.
Virei na próxima semana ao tema, mas aqui deixo o que o Caderno de Encargos que a Câmara preparou define como missão do Plano Estratégico: «Afirmar o Sabugal no contexto regional e como pólo de desenvolvimento da Raia Central Ibérica, reforçando a sua identidade e valorizando os seus recursos, afirmando-o como território sustentável e qualificado, atrativo para viver, investir e visitar.»
Como se vê, onde pretendemos chegar começa a ser consensual. O que precisamos é de saber como lá chegar…
ps. Chegou a altura de, todos, dizermos basta!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com

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Quinta-feira, 13 Setembro, 2012 às 20:00
José Carlos Mendes
Caro Ramiro,
Com este à-vontade que me dão os cabelos brancos… vou desacelerar a razão que tens e a incomodidade que sentes.
Vou usar o método clássico de distribuir responsabilidades.
Para tanto, sirvo-me de dois exemplos que muito bem conheço:
a) Primeiro, o Plano Director de Lisboa, aprovado em 1994 e que definiu e bem «a estratégia de desenvolvimento territorial, a política municipal de ordenamento do território e de urbanismo e as demais políticas urbanas». Pois bem. A revisão devia ter acontecido em 1999 e a sua vigência máxima poderia ter ido até 2004. Sabem o que aconteceu? Esteve em vigor até este ano. Mais propriamente, até fins de Agosto deste ano: 15 anos em vez de 5.
Desactualizado? Inútil? Paralisante? Sim, de tudo um pouco, infelizmente.
b) Segundo, o Plano Estratégico de Transportes (sobretudo, no que conheço, as empresas Metro e Carris / Lisboa) que «pretende a curto prazo assegurar a não interrupção dos serviços públicos e dotar este sector de um obrigatório quadro de sustentabilidade» (documento já deste Governo – de Novembro de 2011). Pois bem: desde Novembro do ano passado até hoje o que é que aconteceu? Nada de bom. Mas muito de mau: as dívidas dos operadores subiram, o número de passageiros diminuiu drasticamente.
O meu ponto é: é bom planear, é indispensável ter um rumo.
Mas é ainda mais importante seguir esse rumo, agir, concretizar.
Ora muitas vezes tem acontecido este binómio clássico e fatal: os técnicos fazem um belo trabalho; mas depois os decisores políticos enveredam pelos seus caminhos próprios – quantas vezes laterais aos planos aprovados.
Isso, para já nem falar de quanto nesses casos os mesmos decisores são avessos à actualização dos planos.
Acho que percebi há muito porquê: é que os malditos dos planos só atrapalham os seus caminhos.
Desculpem, mas a vida real é bem mais simples do que às vezes parece.
E não vale a pena complicar. Mas sim entender e actuar em conformidade. Por exemplo, não voltar a votar em quem assim procede. Não dizem que o voto é uma arma? Então, força, use-se.