11 de Setembro de 1973, foi nesse dia que Salvador Allende, presidente eleito democraticamente pelo Povo Chileno, perdeu a vida em defesa da Democracia e do Socialismo democrático, num Golpe de Estado perpetrado por Augusto Pinochet, com o apoio dos Estados Unidos.

António EmídioE porque assassinaram Salvador Allende? Por duas razões. A primeira foi por ser Socialista Democrático, era-o, porque sempre quis, sempre aceitou a Democracia representativa, com a sua natural via eleitoral, assim foi ele eleito. Na América Latina, fortemente dominada pelos Estados Unidos, a quem estes chamavam o seu «pátio das traseiras», ser-se Socialista Democrático e aceitar algumas ideias de Marx, como Salvador Allende aceitava, correspondia a ser um comunista. Não lhe perdoaram estas ousadias. Henry Kissinger, político norte-americano foi peremptório: «temos de nos desfazer de Allende ou não teremos credibilidade perante o resto do Mundo». Então a CIA, com o apoio de algumas multinacionais e da banca internacional, planearam um Golpe de Estado, escolhendo Augusto Pinochet, militar e inimigo acérrimo da Democracia, para tomar o poder, substituir e eliminar Allende. Tudo correu na perfeição para os golpistas no dia 11 de Setembro de 1973. Convém lembrar que os alemães chilenos estiveram também implicados no golpe, porquê alemães metidos nisto? Em alguns países da América latina há colónias alemãs, de alemães fugidos à justiça pós II Guerra Mundial, eu próprio vi uma colónia alemã no centro da Pampa argentina.
Pinochet, um homem cruel, instalou uma ditadura no Chile, ditadura brutal, darei um só exemplo dos milhares de crimes praticados pela ditadura, numas minas ao Norte do Chile, minas de salitre, foram assassinados 3.000 mineiros e ali mesmo enterrados numa enorme vala comum.
Leia agora querido leitor(a), a segunda razão pela qual Allende foi assassinado, verá que lhe fará lembrar alguma coisa…
«Estamos a assistir a um conflito frontal entre as grandes empresas transnacionais e os Estados. Estes últimos vêem-se parasitados nas suas decisões essenciais, políticas, militares, económicas, por organizações mundiais que não dependem de nenhum Estado e não respondem pelos seus actos perante nenhum parlamento nem perante nenhuma instituição que seja garante do interesse colectivo. Numa palavra, é toda a estrutura política do Mundo que está minada». Este foi o discurso de Salvador Allende na Assembleia Geral das Nações Unidas em 4 de Dezembro de 1972. Então, quando foi eleito começou por nacionalizar as riquezas do Chile, retirando-as das mãos de multinacionais. Aqui estão os nomes de algumas delas: Anaconda Copper Mining Company e Kennecott Copper Company- produtores de cobre – os Estados Unidos satisfaziam a partir do Chile 60% das suas necessidades de cobre. Só um pequeníssimo pormenor: o «Deutschebank» era um grande investidor de capitais da Kennecott Copper Company… Outras multinacionais americanas: Mobil Oil, General Electric Company, entre outras. Agora algumas alemãs: BASF, BAYER e AG.
Também havia multinacionais de outros países, mas em menor escala. Todas estas multinacionais exploravam o Povo Chileno e levavam a riqueza obtida para os seus países, por isso o nível salarial era baixíssimo, eram salários de fome, havia privilégios incríveis que beneficiavam essas multinacionais, tinham inclusive acesso aos centros de decisão do poder. As famílias dos grandes oligarcas da então República Federal da Alemã, apoderaram-se de grandes extensões de terra com mais de 5.000 hectares onde tinham trabalhadores agrícolas, explorando estes como nos tempos do colonialismo mais negro.
Querido leitor(a), o Chile foi o primeiro país que serviu de cobaia para as experiências económicas do Neoliberalismo, muitas das medidas tomadas por Pinochet só foram possíveis debaixo da ditadura brutal. Na Europa, querido leitor(a), Portugal está a ser uma cobaia desse mesmo Neoliberalismo.

Tomo a liberdade de dedicar este artigo à memória de Salvador Allende, às vitimas da ditadura de Pinochet e a todos os democratas chilenos. Só espero que um dia alguém no Chile não dedique um artigo como este a um político português, às vítimas de uma ditadura em Portugal e aos democratas portugueses. O mesmo FMI e a mesma Alemanha aqui estão…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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