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Na próxima sexta-feira, dia 14 de Setembro, e numa estreia em Portugal, a cantora, compositora e multi-instrumentista Nawal, oriunda das ilhas Comores actua no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), pelas 21h30.

Entre o tradicional e o contemporâneo, as composições de Nawal são uma fusão de raízes com base acústica, um reflexo do carácter diverso das Comores. A sua música tem origem Indo-Arábico-Persa e compreende polifonias Bantu e ritmos misturados com transe Sufi. Nawal canta principalmente em Comorano (Xikomor) uma língua da família suaíli, também em Francês, Inglês e Árabe.
Nawal canta para a educação e para a união dos seres humanos. Ela orgulha-se de conservar e divulgar a filosofia de seu bisavô Al Maarouf, um grande mestre Sufi, que foi inspirado pela luz do Islão, baseando-se no respeito, amor e paz.
A artista toca gambusi (alaúde tradicional, herdado do Lémen), e percussão diversificada. Contudo, Nawal prefere a voz (como os olhos, o espelho da alma) a qualquer outro instrumento.
Ao TMG Nawal vem apresentar o seu novo disco, intitulado «Embrace the Spirit».

Teatro físico no Pequeno Auditório
No sábado, dia 15 de Setembro, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro, o TMG apresenta «Action Man» com Raúl Cano dos Yllana (Espanha).
Sozinho em palco, o actor irá dando vida a dezenas de personagens e situações, utilizando a mímica e o seu hábil controlo do corpo, num estilo muito próprio.
A história de Action Man relata as aventuras de um Super Agente Especial na sua última missão que se vê embrulhado numa série de situações cómicas, inspiradas no melhor humor cinematográfico, televisivo e da banda desenhada.
Raúl Cano é actor e co-autor de espectáculos da companhia espanhola Yllana como «¡Muu!», «Glub Glub», «666», «Star Trip» e «Brokers».

Vítor Pomar na Galeria de Arte
«KarmaMudra» do artista plástico Vítor Pomar é a exposição que o TMG inaugura na Galeria de Arte no próximo sábado, dia 8 de Setembro. Nesta exposição, refere o artista, é invocada «a dimensão simbólica que está presente em toda a actividade humana». A inauguração que contará com a presença de Vítor Pomar está marcada para as 18 horas.
Vítor Pomar nasceu em Lisboa em 1949. Frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa (66-69). Emigrou para a Holanda em 1970, onde frequentou a Academia Livre de Haia e a Academia de Arte de Roterdão, onde completa estudos em 1973. Ensina serigrafia na Academia Livre de Haia. Trabalhou no quadro do Regulamento dos Artistas Plásticos (BKR) em Amesterdão entre 1976 e 1985. Utiliza no seu trabalho técnicas tão variadas como a fotografia a preto e branco, o cinema experimental em 16mm e Super 8 e o vídeo.
Estabelecido em Portugal desde 1985, funda e dirige a Associação cultural Casa-Museu Álvaro de Campos em Tavira. Frequenta o curso de Gestão das Artes dirigido pelos professores Joan Jeffri da Columbia University e Jorge Calado, no Instituto Nacional de Administração, 1989.
Viveu em Lisboa entre 90 e 95, período em que se ausentou longamente em viagens de estudo na Índia do Norte, junto de alguns grandes lamas tibetanos.
Actualmente vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior. Está representado em diversas colecções, nomeadamente: Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Caixa Geral dos Depósitos, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Casa de Serralves e Ministério das Finanças.
«KarmaMudra» ficará patente até 28 de Outubro. A Entrada é livre.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

BANDURRIAIS – terreno escabroso, cheio de pedras. «Seguindo pela vereda, que ali vai por entre bandurriais» (Joaquim Manuel Correia).
BANGUEJO – ao deus dará; ao acaso. «Andar ao banguejo» (Júlio Silva Marques).
BANHA – gordura; cada uma das cavidades abdominais do porco.
BANHADURA – além da medida (Júlio António Borges); o m. q. sobretedura. Era costume o vendedor deitar um pouco mais do que a medida que o cliente pretendia – Medi-lhe bem o azeite e até lhe botei banhadura.
BANHEIRA – alguidar de barro (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
BANHOS – pregões; proclames do casamento. Algumas semanas antes da data marcada para um casamento o pároco anunciava na igreja a intenção dos noivos se casarem, correndo a partir daí um período em que qualquer pessoa podia manifestar oposição ao enlace, dizendo as suas razões, nomeadamente se o caso contrariava a as leis canónicas.
BANQUETA – base de madeira em forma de L, com tampos laterais, usada pelas lavadeiras para se ajoelharem na ribeira (Bismula, Alfaiates). Banco (Sabugal). Tapoila (Bendada). Tacoila (Cerdeira). Carchoila (Aldeia do Bispo). Alquitão (Soito). Cunco (Aldeia Velha). Lavadeira (Sortelha). Temos nas diferentes designações deste objecto um dos melhores exemplos da variedade do léxico popular de Riba Côa.
BÂNZIOS – paus que compõem a urdideira (peça do tear do linho).
BARAÇA – cordel de enrolar ao pião, para o fazer girar.
BARAÇO – corda fina; cordel; guita.
BARANHA – confusão; mistura (Júlio Silva Marques e Clarinda Azevedo Maia). Meada de linho ou de algodão emaranhada (José Pinto Peixoto). O m. q. baralha?
BARBA – queixo. Em Aldeia da Ponte designa apenas a extremidade do queixo (Clarinda Azevedo Maia).
BARBANTE – correia de couro ou corda que segura a canga ao pescoço das vacas. Mais a Sul (Monsanto) usa-se a expressão brocho com o mesmo significado (Maria Leonor Buescu).
BARBASCO – planta tóxica que se esmaga para envenenar peixes (Carlos Alberto Marques). Nas terras do campo (Monsanto), designa frio intenso e seco (Maria Leonor Buescu).
BARBAS DO MILHO – fios da parte posterior da espiga de milho (também se diz linho). Das barbas do milho faz-se um chá especialmente indicado para as infecções urinárias.
BARBEIRO – aquele que na aldeia, para além de fazer barbas e cortar cabelo, exercia medicina, tratando as pessoas doentes. «É conhecido o tipo do barbeiro por ser homem mais polido, bem vestido, munido sempre de uma varinha de marmeleiro, de cãozinho ao lado, ledor dos jornais de todos os partidos» (Joaquim Manuel Correia). Vento frio e cortante; ventania. Está um barbeiro!
BARBEITO – lavra dada à terra para depois a deixar em descanso até à sementeira. Ganhar barbeito: ganhar força (a terra). Terreno de barbeito: por decruar, a descansar.
BARBELADA – carne da parte de baixo do focinho do porco, da barbela (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARBILHO – espécie de freio de verga, que impede os cabritos, ou os borregos, de mamarem para que se vedarem (conseguir que deixem de mamar). Júlio António Borges designa por butilho. Também se chama barbilho à rede que impede as vacas de comer enquanto trabalham – Júlio Silva Marques chama a este instrumento açaime, diferenciando-o do barbilho (apenas para vedar os cabritos). Mais a Sul (Monsanto) chama-se barbilho ao caule de cereal com que se ata a paveia nas ceifas (Maria Leonor Buescu).
BARBIQUECHE – freio improvisado com uma volta de corda (Adérito Tavares).
BÁRBORA – corruptela do nome Bárbara (também se diz Bárbola)
BARDA – abundância; grande quantidade. Em barda.
BARDALHÃO – socalco (Júlio António Borges); o m. q. batorel.
BARDAMERDAS – indivíduo fraco; reles; cobardolas.
BARDÃO – peça de coiro que se suspende do jugo ou da canga e onde se introduz o timão do arado ou a cabeçalha do carro (Clarinda Azevedo Maia); o m. q. tamoeiro. Parede para segurar a terra (Júlio António Borges).
BARDAR – cercar; colocar silvas sobre as paredes para que o vivo não as salte (Júlio Silva Marques). Tapar as cancelas do bardo com giestas, do lado de onde sopra o vento, para abrigar o gado (Clarinda Azevedo Maia). Também se diz embardar.
BARDINA – mulher vadia, de mau comportamento social (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
BARDINO – indivíduo de má índole; velhaco. Libertino; vadio.
BARDO – cancelas onde se recolhe o gado ovino e caprino; redil; aprisco. Júlio António Borges traduz ainda por: fila de videiras ligadas a estacas e arames. «O pastor muda todos os dias o bardo» (Joaquim Manuel Correia).
BARFUINAÇO – encontrão que pode provocar queda grande a aparatosa (Duardo Neves).
BARGADO – adjectivo aplicado às vacas malhadas de preto e branco (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
BARIL – bom, agradável, bonito – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
BARILHA – rebento novo de oliveira, que deve ser cortado na poda (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
BAROLO – madeira de carvalho apodrecida na própria árvore, que arde bem e se desfaz facilmente com as mãos (Duardo Neves).
BARQUINAÇO – trambolhão; queda (Júlio António Borges).
BARQUINO – miúdo bastante gordo (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

O prestígio de Roma atingiu culminâncias tais, quer no plano espiritual, quer no tocante às coisas do mundo, que a Igreja escolheu a cidade para sua sede e todos os imperadores que têm reinado sobre o velho continente se pretendem sucessores dos que brilharam em Roma.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaAté pelo título, já que César, como os reis de França se intitulam desde Carlos Magno, Kaizer, como os de raça germânica desde Otão, ou Czar, nome ostentado pelos de raíz eslava, não são mais do que transcrição literal ou corruptela do cognome de Caio Júlio. Aliás, seria este ao escrever o Bellum Gallicum, por nós mais comummente conhecido por De Bello Gallico (o nome completo será Commentarii de Bello Gallico) quem lançaria as bases para os futuros impérios centro-europeus.
Recordemos o intróito da famosíssima obra:
Gallia est omnis divisa in partes tres, quraum unam incolunt belgae, aliam aquitani, tertiam qui, ipsorum lingua, celtae, nostra, galli apeelantur. Hi omnes, lingua, instituti, legibus, inter se differunt. Gallos ab aquitani Garumna flumen, a Belgis Matrona, et Sequana dividit.
Horum omnium fortissimi sunt belgae, propterea quod a cultu atque humanitate provin-ciae longissime absunt, atque ea animos effeminat, important. Proximique sunt germanis, qui trans Rhenum incolunt, quibuscum continenter belIum gerant.

A tentativa de unir esta série de povos, alguns dos quais em luta incessante, como recorda a expressão «Quisbuscum continenter bellum gerant», muitas vezes ensaiado, tem, repetidamente também, falhado.
Carlos Magno foi mesmo o único que teve algum êxito neste pormenor, já que, depois do Imperador da Barba Florida, a França sempre se revelou insusceptível de fusão com a parte oriental do império carolíngio, que, de resto, não sobreviveu ao seu fundador.
Depois, de Otão aos nossos dias, com a sede em Viena, em Berlim ou qualquer outra cidade, sob hegemonia austríaca ou prussiana, centralizando à maneira bismarquiana toda a administração ou permitindo a coexistência de quatrocentas casas reinantes, todas elas, aparte um ou outro reino ou principiado de maior dimensão, bem pequenos feudos, os antigos galos, celtas ou francos eximiram-se à unificação, não relevando as tentativas de Napoleão (que seriam de sinal contrário), ou as de Guilherme II ou Hitler.
Principiados, condados, ducados, arquiducados, marcas ou marquesados (não esque-cendo que marquês ou pargrave era mesmo o governador militar duma província fronteiriça, a marca), baronias, bispados, até hansas de raíz corporativa, eis os ingredientes sobre que se exercia a autoridade imperial.
De resto, também o sentido expansionista ou concentracionista deste Império sofreu acentuados desvios.
A sua ideia-força resistiu no pangermanismo, mitigado é certo, pois nunca tentou atingir os britânicos, também germânicos, ou os escandinavos, que igualmente o são.
E, mesmo em relação propriamente ao chamado mundo alemão, houve, por igual opções várias. Quando, por volta de 1860, Bismark deu por terminada a unificação da Alemanha, excluíu deliberadamente os alemães que eram, ao tempo, súbditos dos Habsburgos.
E o próprio Hitler, mau grado o furor extremo do seu pangermanismo, deixava de fora a população alemã do Norte de Itália, possivelmente como concessão a Mussolini, seu futuro aliado (futuro, porque esta ideia consta do Mein Kampf, escrito, como se sabe, antes da tomada do poder).
Outros pretendiam que o Império avançasse para Leste, o que significaria a retomada do antigo ódio aos eslavos, que esteve na base da fundação na Áustria, da Ostmark e conduziu os cavaleiros teutónicos até ao Báltico e para além dele.
Era esta a tese dos militaristas prussianos, como se extrai dum exeerto de Ludendorf:
Kovno (nome da capital da Lituânia) ostenta ainda um castelo construído pelos Cavaleiros Teutónicos, um símbolo da civilização alemã no Leste Europeu… Ao contemplá-lo, o meu espírito ficou inundado de poderosas recordações históricas e mentalmente decidi retomar nesses territórios a obra civilizadora que os nossos antepassados ali levaram a cabo, durante séculos. A população, estranha mistura de raças, bem precisará da nossa ajuda, sem a qual cairá sob qualquer dominação, sem dignidade ou elevação…
Para estimular os desejos de conquista, faz-se renascer o tema por um novo Tchinggis Knan – o que nós conhecemos sob o nome de Gengiscão e que no século XIII semeou a ruína desde o Vietname ao Adriático e ao Iemen…
Abastardava-se, assim, uma ideia cheia de significado e heroicidade na sua origem.
O Sacro-Império, como os que o precederam e se lhes seguiram detiveram efectivamente a missão de enfrentar o perigo asiático.
Mas não se limitavam à acção militar.
Civilizavam e cristianizavam, transformando o inimigo de ontem, depois de convertido, em indefectível aliado.
Foi o caso, entre outros, dos húngaros, povo cristão só a partir do século XI, mas que segundo o historiador Sayons, bem pode ser comparado a defensor intemerato da sua nova crença contra os seus irmãos de outrora. Povo ultra-altaico, estranho à origem ari-ana, conquistador imposto à Europa como novo flagêlo de Deus, voltou-se pelas conversões do Rei Geda e seus principais nobres, e, sobretudo pela acção de reis como Santo Estêvão e Ladislau I, contra as imensas aglornerações de tribos altaicas lançadas à conquista dos países eslavos, germânicos e até latinos.
Amálgama de feudos, o Império revelou-se também cadinho de raças…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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